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w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | A o n d e v o c ê q u e r c h e g a r ? Vai com a w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Degradação de Lipídios e Proteínas Profª Ana Montemezzo Mestre em Biociências e Fisiopatologia w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | O que são lipídeos? Os lipídeos são biomoléculas orgânicas compostas principalmente por átomos de carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O). Um ácido graxo é composto por uma longa cadeia de hidrocarbonetos (carbonos e hidrogênios) com um grupo carboxila (-COOH) em uma das extremidades. Fonte da imagem: https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/classificacao-dos-lipidios.htm w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Eles não são definidos por uma estrutura química única, mas sim por uma característica física comum: a solubilidade. Eles são moléculas hidrofóbicas (apolares), insolúveis em água, mas altamente solúveis em solventes orgânicos (como éter, clorofórmio e benzeno). w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Glicerol O glicerol é uma molécula de três carbonos que participa da estrutura dos triglicerídeos e dos fosfolipídeos. No organismo humano, ele é liberado principalmente durante a lipólise no tecido adiposo. Em seguida, segue pelo sangue até o fígado, onde pode ser convertido em DHAP e participar da produção de energia ou da formação de glicose. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Ácidos Graxos Saturados: Não possuem ligações duplas entre os carbonos. Sua cadeia é relativamente reta, permitindo maior aproximação entre as moléculas. Por isso, as gorduras ricas nesses ácidos graxos tendem a ser sólidas em temperatura ambiente. Exemplos: gordura presente em carnes, leite, manteiga e óleo de coco. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Ácidos Graxos Insaturados: Possuem uma ou mais ligações duplas entre os carbonos. As ligações duplas na configuração cis provocam dobras na cadeia, dificultando o agrupamento das moléculas. Por isso, os lipídios ricos nesses ácidos graxos tendem a ser líquidos em temperatura ambiente. Exemplos: azeite de oliva, óleos vegetais e óleos de peixes. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Imagem criada por Gemini IA w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Lipólise Quando o organismo necessita de energia, especialmente durante jejum ou exercício prolongado, a diminuição da insulina e o aumento das catecolaminas favorecem a lipólise nos adipócitos. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Hidrólise dos TAGs nas gotículas lipídicasNos adipócitos, os triglicerídeos ficam armazenados em gotículas lipídicas. Durante a lipólise, as enzimas removem gradualmente os ácidos graxos. Resultado: liberação de três ácidos graxos e uma molécula de glicerol. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Durante a lipólise, os triglicerídeos armazenados no tecido adiposo são quebrados: Os produtos seguem caminhos diferentes: • Glicerol: entra na glicólise ou na gliconeogênese. • Ácidos graxos: sofrem β-oxidação. Triglicerídeo → 3 ácidos graxos + glicerol w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | No citosol das células hepáticas, o glicerol recebe um grupo fosfato: Enzima: glicerol-quinase Nessa etapa: • Ocorre consumo de 1 ATP; • O fosfato mantém a molécula dentro da célula; w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | O glicerol-3-fosfato é oxidado e transformado em di-hidroxiacetona- fosfato (DHAP): Enzima: glicerol-3-fosfato desidrogenase citosólica Nessa reação: • O glicerol-3-fosfato perde elétrons; • O NAD⁺ recebe esses elétrons; • Ocorre a formação de NADH, que pode contribuir para a produção de ATP na cadeia respiratória. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | A DHAP é convertida em gliceraldeído-3-fosfato: Enzima: triose-fosfato isomerase O gliceraldeído-3-fosfato é um intermediário da glicólise. Portanto, o glicerol entra na glicólise aproximadamente na metade da via, sem precisar passar pelas etapas iniciais utilizadas pela glicose. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | DHAP: o ponto de encontro metabólico Glicerol como fonte de ENERGIA Glicerol como fonte de GLICOSE w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Glicerol como fonte de energia A di-hidroxiacetona-fosfato (DHAP) entra na glicólise: Glicerol → glicerol-3-fosfato → DHAP → gliceraldeído-3-fosfato → piruvato Na presença de oxigênio: Piruvato → ace l-CoA → ciclo de Krebs → cadeia respiratória → ATP A oxidação completa de um glicerol pode produzir aproximadamente 16,5 a 18,5 ATP, dependendo da lançadeira utilizada para transportar os elétrons do NADH citosólico para a mitocôndria. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | DHAP: o ponto de encontro metabólico Glicerol como fonte de ENERGIA Glicerol como fonte de GLICOSE w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Glicerol como fonte de glicose No fígado, a DHAP pode seguir no sentido da gliconeogênese, contribuindo para a formação de glicose: Glicerol → DHAP → glicose Durante o jejum: • A queda da insulina e o aumento do glucagon estimulam a lipólise. • O tecido adiposo libera ácidos graxos e glicerol. • Os ácidos graxos são utilizados por vários tecidos para produzir ATP. • O glicerol segue principalmente para o fígado e é convertido em DHAP. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | De volta a lipólise Antes da β- oxidação, o ácido graxo precisa: • Ser ativado, ligando-se à coenzima A; • Ser transportado para a matriz mitocondrial, por meio da carnitina. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | O ácido graxo livre não consegue participar diretamente da β- oxidação. Primeiro, ele precisa ser ligado à coenzima A (CoA), formando um acil-CoA graxo. Enzima: acil-CoA sintetase, também chamada tiocinase. Essa reação ocorre principalmente na face citosólica da membrana mitocondrial externa. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | A membrana interna da mitocôndria é impermeável ao acil-CoA. • A carnitina-acil-transferase I une o grupo acila à carnitina; • A acil-carnitina atravessa a membrana; • A carnitina-acil-transferase II regenera o acil-coa na matriz; • A carnitina retorna ao espaço intermembranoso. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Ácidos Graxos com número ímpar de carbonos Diferença na Última Volta Quando o acil-CoA chega a 5 carbonos, produz 1 acetil-CoA + 1 propionil-CoA (3C), em vez de 2 acetil-CoA. O propionil-CoA é convertido a succinil-CoA com gasto de 1 ATP, entrando no ciclo do ácido cítrico. O succinil-CoA formado pode: • Entrar no ciclo de Krebs; • Contribuir para a produção de energia; • Participar indiretamente da formação de glicose pela gliconeogênese. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | β-Oxidação – Ciclo de Lynen A β-oxidação é a via responsável pela degradação dos ácidos graxos. Nas células humanas, ocorre principalmente na matriz mitocondrial. A cada volta do ciclo, o ácido graxo perde dois carbonos, liberados na forma de acetil- CoA. Cada volta também produz NADH e FADH₂, que fornecem elétrons para a cadeia respiratória e contribuem para a produção de ATP. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | β-Oxidação w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Primeira Oxidação A enzima acil-CoA desidrogenase remove hidrogênios dos carbonos alfa e beta do acil-CoA. Forma-se uma ligação dupla entre esses carbonos, originando o trans-enoil-CoA. Nessa reação, o FAD recebe os elétrons e é reduzido a FADH₂. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Hidratação Na matriz mitocondrial, a enzima enoil-CoA hidratase adiciona uma molécula de água à ligação dupla formada na etapa anterior. O hidrogênio liga-se ao carbono alfa e o grupo hidroxila liga-se ao carbono beta, formando o β-hidroxiacil-CoA. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Segunda Oxidação A enzima β-hidroxiacil-CoA desidrogenase oxida o grupo hidroxilapresente no carbono beta, transformando-o em um grupo carbonila. O NAD⁺ recebe os elétrons e é reduzido a NADH. O produto formado é o β-cetoacil-CoA. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Clivagem A enzima tiolase rompe a ligação entre os carbonos alfa e beta. Essa reação libera uma molécula de acetil-CoA e forma um novo acil-CoA com dois carbonos a menos. O acetil-CoA pode entrar no ciclo de Krebs, enquanto o acil-CoA encurtado inicia outra volta da β-oxidação. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Imagem criada por Gemini IA w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Balanço Energético da β-Oxidação Ácido Palmítico (C16:0) Ativação: Consome o equivalente energético a 2 ATP. 7 ciclos de β-oxidação geram: • 8 moléculas de acetil-CoA • 7 FADH2 → 10,5 ATP • 7 NADH → 17,5 ATP 8 acetil-CoA no ciclo de Krebs → 80 ATP Total líquido: 106 ATP por molécula Os lipídios fornecem aprox. 9 kcal/gr e os carboidratos 4 kcal/gr. Os triglicerídeos armazenados no tecido adiposo constituem uma reserva energética concentrada, especialmente importante durante o jejum e o exercício prolongado. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Degradação de Proteínas Diferentemente dos carboidratos e lipídios, o organismo não possui um estoque específico de proteínas. Por isso, quando transformados em energia, eles vêm da alimentação ou da degradação de proteínas celulares, especialmente durante jejum prolongado. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Visão Geral do Catabolismo Proteico Imagem criada por IA O catabolismo de proteínas ocorre em quatro grandes etapas, cada uma com funções específicas e localização celular bem definida. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Quebra das Proteínas em Aminoácidos Sistema Ubiquitina - Proteassoma Degrada proteínas danificadas, malformadas e de vida curta. A ubiquitina funciona como uma etiqueta molecular de descarte. O proteassoma corta a proteína marcada em pequenos peptídeos e aminoácidos. Consome ATP. Fonte da imagem: https://www.rcsb.org/structure/6MSD w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Sistema Lisossomal Degrada proteínas extracelulares, de membrana e organelas envelhecidas. Na autofagia, estruturas da própria célula são envolvidas por uma vesícula e entregues ao lisossomo, onde enzimas digestivas realizam a degradação. Quebra das Proteínas em Aminoácidos Fonte da imagem: https://embrionhands.uff.br/2014/07/07/lisossomos/ w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Imagem criada por IA Para que o esqueleto de carbono dos aminoácidos entre nas vias energéticas, o grupo amino (que contém nitrogênio) precisa ser removido. A transaminação é a principal via para isso. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Imagem criada por IA O grupo amino é transferido do aminoácido para o α- cetoglutarato, gerando glutamato e o α-cetoácido correspondente, que é o esqueleto de carbono do aminoácido original. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Imagem criada por IA As principais enzimas são a ALT (alanina aminotransferase) e a AST (aspartato aminotransferase). Ambas utilizam a vitamina B6 (piridoxal fosfato) como cofator essencial. Seus níveis séricos são marcadores clínicos de dano hepático. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | O glutamato atua como coletor central dos grupos amino removidos de diferentes aminoácidos. Ele transporta esse nitrogênio até a mitocôndria, principalmente no fígado, onde ocorre a desaminação oxidativa. Produção de Amônio w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Glutamato Recebe grupos amino via transaminação de múltiplos aminoácidos w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Glutamato Desidrogenase Enzima mitocondrial catalisa a oxidação do glutamato no fígado w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | α-cetoglutarato + NH₄⁺ O α-cetoglutarato é reciclado; o amônio (NH₄⁺) precisa ser eliminado w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Imagem criada por IA w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Os aminoácidos são classificados de acordo com o tipo de intermediário que seus esqueletos de carbono geram, e essa classificação define se eles podem ou não contribuir para a síntese de glicose. Aminoácidos Glicogênicos Formam piruvato ou intermediários do ciclo de Krebs (oxaloacetato, α-cetoglutarato, succinil-CoA, fumarato). Podem contribuir para a gliconeogênese e, portanto, para a manutenção da glicemia. A maioria dos aminoácidos é glicogênica. Aminoácidos Glicogênicos e Cetogênicos w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Aminoácidos Glicogênicos e Cetogênicos Aminoácidos Cetogênicos Formam acetil-CoA ou acetoacetato. Podem originar corpos cetônicos, mas não produzem glicose líquida. Apenas leucina e lisina são exclusivamente cetogênicos. Aminoácidos Mistos Alguns aminoácidos são simultaneamente glicogênicos e cetogênicos, pois seus esqueletos de carbono geram tanto intermediários do ciclo de Krebs quanto acetil-CoA ou acetoacetato. Ex.: isoleucina, fenilalanina, tirosina, triptofano e treonina. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Resumo: Catabolismo de Proteínas Quebra em Aminoácidos Proteassoma (ubiquitina-dependente, consome ATP) e lisossomos (autofagia) degradam proteínas em aminoácidos livres. Remoção do Grupo Amino Transaminação (aminotransferases + vitamina B6) transfere o nitrogênio para o glutamato. Desaminação oxidativa libera NH₄⁺ na mitocôndria hepá ca. Eliminação do Nitrogênio O ciclo da ureia, no fígado, converte a tóxica amônia em ureia, excretada pelos rins. Transporte seguro via glutamina e alanina. Destino do Esqueleto de Carbono Entra no ciclo de Krebs, gliconeogênese ou cetogênese. Aminoácidos glicogênicos alimentam a glicose; cetogênicos formam corpos cetônicos. Dominar o catabolismo de proteínas é fundamental para compreender distúrbios como hiperamonemia, aminoacidopatias e o manejo clínico de doenças hepáticas e renais. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | Síntese da Aula Lipídios Triglicerídeos → glicerol + ácidos graxos. O glicerol pode participar da glicólise ou da gliconeogênese, enquanto os ácidos graxos sofrem β-oxidação. A oxidação completa do palmitato produz aproximadamente 106 ATP. Proteínas Proteínas → aminoácidos → remoção do grupo amino + aproveitamento do esqueleto de carbono. O nitrogênio é eliminado principalmente como ureia. Integração Metabólica Os produtos dessas vias podem entrar na glicólise, no ciclo de Krebs, na gliconeogênese ou na formação de corpos cetônicos. w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r | w w w . u n i c e s u m a r . e d u . b r Bons estudos! Siga em frente com a