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Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional e Prevenção de Acidentes Você vai aprender sobre legislações e normas de saúde ocupacional, responsabilidades legais no ambiente de trabalho, prevenção de acidentes, uso de EPIs e EPCs, e a atuação integrada de profissionais da saúde, segurança e gestão nas empresas. Prof. José Ney Pinheiro 1. Itens iniciais Propósito O conhecimento das legislações, normas e responsabilidades relacionadas à saúde e segurança no trabalho é essencial para os profissionais que atuam na gestão de pessoas e ambientes corporativos. Ele permite prevenir riscos ocupacionais, promover o bem-estar dos trabalhadores e garantir conformidade legal, contribuindo para ambientes mais seguros, produtivos e sustentáveis. Objetivos Analisar a aplicação das Normas Internacionais do Trabalho da OIT e sua influência na legislação trabalhista brasileira, considerando também a evolução da legislação de saúde e segurança e as mudanças na estrutura do antigo Ministério do Trabalho. Avaliar o papel da liderança nas mudanças em saúde ocupacional e segurança, relacionando os conceitos legais vigentes com a distinção entre risco e perigo no ambiente de trabalho. Definir a importância de uma abordagem integral da saúde dos colaboradores, destacando o papel da equipe multidisciplinar no desenvolvimento de programas em saúde ocupacional. Introdução A segurança e a saúde no ambiente de trabalho são fundamentais para garantir o bem-estar dos colaboradores e o bom desempenho das organizações. Este conteúdo apresenta os principais conceitos e responsabilidades legais envolvidos na prevenção de riscos ocupacionais. Começamos explorando o papel das legislações e normas técnicas como base para um ambiente de trabalho mais seguro. Elas determinam os limites mínimos para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, oferecendo diretrizes obrigatórias que devem ser seguidas pelas empresas. Apesar disso, o ritmo acelerado das transformações no mundo do trabalho exige atenção constante, pois nem todas as situações estão previstas na legislação atual. Na sequência, aprofundamos o entendimento sobre saúde ocupacional, destacando os conceitos legais de acidentes e doenças do trabalho. Também abordamos a importância dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Coletiva (EPC), e a responsabilidade compartilhada entre empregadores, trabalhadores e equipes especializadas, como os profissionais do SESMT. Por fim, ampliamos o olhar para além das obrigações legais, considerando a atuação integrada de profissionais de diferentes áreas. Médicos, engenheiros, psicólogos, administradores e líderes organizacionais colaboram para construir uma cultura de prevenção sólida. Entender esse trabalho conjunto permite identificar estratégias mais eficazes de cuidado, reduzir riscos e promover um ambiente mais saudável. Este conteúdo busca, portanto, oferecer uma visão completa sobre a importância da prevenção e da gestão da saúde e segurança no trabalho. • • • 1. Legislação de segurança e medicina do trabalho As normas internacionais do trabalho e a legislação trabalhista brasileira As principais normas internacionais produzidas pela OIT são as Recomendações e as Convenções Coletivas, que possuem diferenças conceituais e, por isso, produzem efeitos diferentes no ordenamento jurídico brasileiro. A OIT, desde suas origens até sua atual estrutura e suas atuais funções no âmbito da ONU, tem deliberado por meio das Convenções Coletivas, que têm natureza jurídica de tratados internacionais e devem passar pelo mesmo processo de internalização pelo qual passam os demais tratados internacionais na legislação brasileira. O entendimento é de que depois de sua publicação, as Convenções Coletivas se tornam Decretos promulgados pelo colegiado dos países signatários da OIT em seu Congresso Nacional. A partir de então, devem ser encaminhados para sua aplicação no ordenamento jurídico brasileiro como leis ordinárias após sua ratificação pelo Congresso Nacional e da Presidência da República, que finalizará o processo com sua assinatura. As recomendações determinadas pela OIT, por sua vez, não possuem natureza de tratado internacional, e, por isso, não se sujeitam a ser ratificadas pelo Congresso Nacional. Essas normas são orientações emitidas pela OIT para as autoridades competentes de cada um dos seus estados-membros dentro de suas atribuições internas e de suas esferas de poderes, não significando, necessariamente, que devem ser direcionadas ao Poder Legislativo. Comentário Quando a matéria constante de uma Recomendação for reserva de Lei ou de Lei Complementar, será direcionada ao Poder Legislativo porque este é o órgão que possui competência constitucional para elaborar leis. Essa é a única situação em que isso acontece. Em sua essência, as Convenções Coletivas e as Recomendações da OIT são semelhantes, e podem tratar dos mesmos assuntos ou das mesmas temáticas, pois versam a respeito da proteção do trabalho e do trabalhador. Contudo, formalmente, conforme analisamos, as duas normas se diferenciam porque as Recomendações não determinam direitos e obrigações aos países signatários. Quais seriam as consequências de não ratificação de uma Convenção Coletiva por parte de um país signatário? De qual regra, afinal, se trata o descumprimento da não ratificação de uma Convenção Coletiva? O artigo 33 da Constituição da OIT diz o seguinte: Se um Estado-Membro não se conformar, no prazo prescrito, com as recomendações eventualmente contidas no relatório da Comissão de Inquérito, ou na decisão da Corte Internacional de Justiça, o Conselho de Administração poderá recomendar à Conferência a adoção de qualquer medida que lhe pareça conveniente para assegurar a execução das mesmas recomendações. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 1946. Como pudemos observar, não houve um estabelecimento de quais seriam as sanções a serem aplicadas aos Estados-membros. Atualmente, seria mais uma questão de natureza moral que efetivamente jurídica. Apesar de, aparentemente, se mostrar ineficaz, esse mecanismo sancionatório de ordem moral tem surtido bastante efeito. Segundo Süssekind (2006,) os delegados governamentais procuram defender, com grande empenho, seus países das acusações ou perguntas sobre o descumprimento das referidas obrigações, e da divulgação internacional de seus países na lista de descumpridores. A Conferência da OIT também pode representar a Organização das Nações Unidas contra o Estado-membro que, de forma grave ou repetidamente, viole as obrigações firmadas em face da Constituição da OIT. Nesses casos, abre-se espaço à aplicação de outras sanções. Os artigos 5º e 6º da Carta das Nações Unidas dizem o seguinte: Artigo 5º. O membro das Nações Unidas contra o qual for levada a efeito qualquer ação preventiva ou coercitiva por parte do Conselho de Segurança poderá ser suspenso do exercício dos direitos e privilégios de membro pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. O exercício desses direitos e privilégios poderá ser restabelecido pelo Conselho de Segurança.Artigo 6º. O membro das Nações Unidas que houver violado persistentemente os princípios contidos na presente Carta poderá ser expulso da Organização pela Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1945. Potencialmente, existem prejuízos financeiros a qualquer Estado-membro quando este não ratifica uma Convenção Coletiva. Inclusive, blocos econômicos, como o europeu, pressionam as nações que mantém comércio com eles para prevenir o que se chama de dumping social. O dumping social estaria ligado à redução no custo de produtos de empresas que se utilizam de mão de obra barata com precários direitos trabalhistas e previdenciário. Atenção Visite o site da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e acesse as diversas Convenções Coletivas ratificadas pelo Brasil que se transformaram em leis ordinárias. A legislação de saúde e de segurança brasileirasA legislação de saúde e segurança nasceu pela necessidade humanitária de uma regulamentação das relações trabalhistas tendo em vista a proteção dos trabalhadores contra a exposição às mais indignas e desumanas condições de trabalho praticadas por empresas. Nesse sentido, a criação da OIT atendeu ao propósito de um maior equilíbrio na desigual relação entre capital e trabalho, e no entendimento que uma paz permanente pode ser alcançada somente pela justiça social. Nessa linha social, a maioria dos países conquistou direitos importantes, como jornada de trabalho de até oito horas diárias e um piso vital mínimo, que seriam os direitos fundamentais compreendidos pelo princípio da dignidade humana. Assista ao vídeo e entenda a atuação da OIT no Brasil. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A organização da classe trabalhadora foi a grande responsável pela ampliação dos direitos sociais e generalização dos direitos políticos, com o Estado assumindo um papel regulador do trabalho, da saúde e a seguridade, entre outros direitos sociais. No Brasil, a industrialização ocorreu um século depois de seu início na Inglaterra. Um dos primeiros dispositivos legais relativos à proteção do trabalho foi o Decreto nº 1.313, de 1891, que regulamentou somente o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. No ano de 1912, foi criada a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), que tinha como objetivo reunir as principais reivindicações dos trabalhadores, que incluíam, por exemplo: Jornada de trabalho de oito horas Fixação do salário mínimo Indenização para acidentes Contratos coletivos ao invés de individuais Após a Revolução de 1930, essas questões tomaram forma com a política trabalhista do Presidente Getúlio Vargas, que estabeleceu o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e, posteriormente, a Constituição de 1934, que assegura as conquistas da liberdade sindical, o salário mínimo, a jornada de oito horas, o repouso semanal, as férias anuais remuneradas, a proteção do trabalho feminino e infantil, e a isonomia salarial. • • • • A reunião de todas as normas trabalhistas em um código único tornou possível a materialização da chamada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada em 1943. No ano de 1978, o então Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Portaria nº 3.214/78, conhecida como legislação de segurança e saúde brasileiras, ou Normas Regulamentadoras do Trabalho. Seu objetivo era complementar os artigos do Capítulo V da CLT, denominado Da Segurança e Da Medicina do Trabalho. Para tanto, seu papel era estabelecer uma padronização técnica e administrativa do que deveria ser cumprido por empresas privadas e públicas, bem como órgãos dos Poderes Judiciários e Legislativos que possuíssem empregados regidos pela CLT. A CLT determinou a elaboração das Normas Regulamentadoras (NR) competia à Secretaria Especial de Trabalho e Previdência (antigo Ministério do Trabalho).Seu conteúdo deveria ser elaborado por um sistema tripartite paritário formado por representantes do Governo, dos trabalhadores e dos empregadores. Todos esses participantes tinham o mesmo peso no caso de uma decisão. Para a criação de uma NR, é necessário observar se existem demandas da sociedade ou de inspeções do trabalho nos temas de saúde e de segurança, compromissos internacionais, ou mesmo situações mapeadas nas estatísticas de acidentes e doenças. Assista ao vídeo e prenda sobre a Agenda Nacional de Trabalho Decente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Existem, publicadas, 37 Normas Regulamentadoras, que padronizaram a legislação pertinente à segurança e à saúde ocupacional, e que são responsáveis pela instituição de políticas desses assuntos dentro das empresas. No momento, está em discussão uma atualização das Normas Regulamentadoras. De fato, muitas delas necessitam de alterações em razão do elevado número de substâncias químicas criadas, das mudanças tecnológicas e de outras situações. Os direitos sociais fundamentais trabalhistas marcaram a grande conquista na Constituição Brasileira de 1988, ultrapassando os limites financeiros para atingir direitos voltados à proteção da dignidade da pessoa humana. Exemplo O direito a condições de trabalho decentes, que preservem a saúde física e mental do trabalhador, bem como a falta de discriminação e um salário mínimo capaz de manter as necessidades básicas de sua família. Além disso, o direito de greve e a garantia de que o Estado brasileiro não intervenha na organização sindical foram grandes avanços na busca contínua por melhores condições de trabalho. O texto constitucional garantiu, no seu artigo 7º, em seu inciso XXII, a redução dos riscos do trabalho como um dos direitos assegurados aos trabalhadores e uma obrigação das empresas. A partir do entendimento de que o Estado assume um papel importante no equilíbrio entre empresas e trabalhadores, como estará seu papel na quarta revolução industrial? • Em um mundo de trabalho extremamente automatizado e de inteligência artificial, de menor empregabilidade e com uma potencial precariedade no trabalho por uma menor geração de empregos, quem deverá pagar esse custo social? Como forma de equilibrar esse custo social e, quem sabe, fomentar iniciativas de uma renda mínima a uma parcela da população desprovida de emprego, alguns especialistas têm apontado como solução a taxação de robôs que forem empregados nas empresas. Saiba mais No ano de 2016, na Suíça, houve uma proposta de plebiscito de renda mínima para todos os cidadãos, mas foi rejeitada. Analisando o atual mercado de trabalho brasileiro, existem plataformas de trabalho. Exemplo Hoje vemos, por exemplo, empresas estrangeiras de mobilidade urbana e de entrega de refeições nas quais profissionais sem registro trabalhista dirigem veículos, motos ou bicicletas – dos quais não necessariamente são donos – para realizar serviços sem quaisquer garantias trabalhistas em situações que podem ocorrer acidentes de trabalho. Será que o sistema de plataformas é o elemento do futuro que padronizará as relações de trabalho? Poderá esse modelo ser aplicado no mercado na contratação de profissionais como, por exemplo, engenheiros e arquitetos em projetos? Haverá uma precarização do trabalho na utilização do sistema? A mudança na estrutura do antigo Ministério do Trabalho No ano de 2019, com a mudança de governo, o Decreto no 9.679 determinou alterações profundas na estrutura do antigo Ministério do Trabalho, que passou a ser distribuída, em sua maior parte, no atual Ministério da Economia. A parcela referente à previdência social e à segurança e à saúde do trabalhador foi designada para uma secretaria especial relativa ao tema. Essa secretaria terá competência para supervisionar as seguintes matérias: 1. Previdência e legislação do trabalho. • 2. Fiscalização e inspeção do trabalho (inclusive do portuário) e aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas. 3. Relações do trabalho. 4. Política salarial. 5. Formação e desenvolvimento profissional. 6. Segurança e saúde no trabalho. Além disso, a referida Secretaria terá também as seguintes competências: Cumprimento de acordos Acompanhar o cumprimento, em âmbito nacional, dos acordos e das convenções ratificados pelo Governo brasileiro junto a organismos internacionais, em especial à OIT, nos assuntos de sua área de competência. Supervisão regional Supervisionar as Superintendências Regionais do Trabalho em articulação com as demais Secretarias Especiais que utilizem a estrutura descentralizada das Superintendências. Normas de proteção Editar as normas de proteção especial do trabalhador. Monitoramento de convenções Acompanhar o cumprimento, em âmbito nacional, dos acordos e das convenções ratificados pelo Governo brasileiro junto a organismos internacionais, em especial à OIT, nos assuntos de sua área de competência. Proposições legislativas Elaborar proposições legislativassobre matéria previdenciária, trabalhista ou correlata. (BRASIL, 2016.) Com isso, as questões técnicas estão preservadas, mas a estrutura do organograma interno da secretaria ainda se encontra em andamento. Assista ao vídeo e aprenda sobre as ações da OIT. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A afirmativa abaixo é verdadeira ou falsa? “O Governo brasileiro pode aprovar um decreto para eliminar uma Norma Regulamentadora que tem fundamento em uma Convenção Coletiva da OIT sem que isso acarrete problemas.” Justifique sua resposta. Chave de resposta Falso. Isso claramente mostraria uma convenção coletiva de trabalho que tem uma natureza de Tratado Internacional não sendo devidamente ratificada, o que poderia levar a sanções comerciais e, potencialmente, a prejuízos financeiros. Questão 2 A afirmativa abaixo é verdadeira ou falsa? “Uma parte das Normas Regulamentadoras precisa ser atualizada porque não representa uma realidade do atual cenário de industrialização.” Justifique sua resposta. Chave de resposta Verdadeiro. Algumas situações da realidade que vivemos hoje ainda não existiam quando algumas das normas regulamentadoras foram criadas. Por exemplo, a infinidade de substâncias químicas atualmente empregadas em indústrias. Situações como essa precisam ser mais bem estudadas para contar com maiores orientações, direcionamentos e procedimentos obrigatórios a serem realizados. Questão 3 Explique por que algumas empresas empregam dumping social como estratégia comercial. Chave de resposta Algumas empresas se utilizam da precarização dos direitos trabalhistas e previdenciários como estratégia comercial de barateamento dos custos de seus produtos. Podemos citar como exemplo países que não determinam mínimas condições humanitárias para a realização do trabalho. 2. Saúde Ocupacional e riscos no trabalho A Saúde Ocupacional empresarial A Saúde Ocupacional é um ramo da Medicina que tem como finalidade assegurar boas condições físicas e mentais aos trabalhadores, priorizando sua integridade física e bem-estar. Na aula anterior, foi mostrado que a Saúde Ocupacional é tão importante, que tem uma determinação constitucional (BRASIL, 1978) no seu artigo 7º inciso XXII, considerando que é direito dos trabalhadores a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Desta maneira, as empresas desenvolvem um conjunto de ações estratégicas no objetivo de assegurar não apenas condições laborais básicas, mas, também, conforto, ergonomia e qualidade de vida dos trabalhadores. A Saúde Ocupacional não é imprescindível apenas pela obrigatoriedade em lei, mas na sua influência no desempenho da organização, desde a sua capacidade produtiva, prestação de serviços e faturamento. Assim, o grande desafio está no estabelecimento de uma cultura de saúde eficiente nas organizações, que vá além de um controle de exames de admissão ou se for o caso de demissão, mas no enfrentamento de questões mais elevadas, como a obesidade dos trabalhadores, que costuma ter como uma causa frequente o sedentarismo. Atenção Deve ser lembrado que a obesidade é fator de risco para diversas doenças e tem impacto direto na elevação dos custos operacionais com assistência médica, absenteísmo, turnover e uma série de outros fatores. Ações de promoção à saúde dos trabalhadores O envolvimento da liderança nas ações de promoção à saúde dos trabalhadores é essencial, na medida em que um bom líder inspira sua equipe na adesão e consolidação de uma cultura de saúde. Outro fator importante está no estabelecimento de uma comunicação mais efetiva de promoção de saúde na empresa, que se utilize de uma linguagem mais informal, interativa e amigável para atrair e manter o interesse dos trabalhadores na adoção de um estilo de vida saudável. A implantação de um programa de saúde deve ser encarada como um projeto corporativo e estratégico, e precisa ser realizada a partir de um levantamento detalhado de todas as normas aplicáveis à área de atuação da empresa, além de uma análise técnica para identificar os riscos, gargalos e as oportunidades de aperfeiçoamento. Exemplo Problemas de obesidade dos colaboradores representam um dos principais contratempos de saúde pública no mundo e têm consequências objetivas nos custos de saúde, ausências do trabalho e perda de produtividade nas empresas. Desta maneira, iniciativas de cuidado à saúde têm sido implementadas para melhorar a qualidade de vida em programas de saúde e bem-estar, que incentivam com benefícios as atividades físicas e que evitam a cirurgia bariátrica. Atualmente, as empresas brasileiras despertaram para a importância da saúde e segurança do trabalho sob um ponto de vista de investimento, pois existem inúmeros casos de organizações que decretaram falência devido às grandes indenizações pagas por doenças e acidentes de trabalho. O cuidado com a segurança e a saúde também está presente nas grandes transformações no mercado de trabalho, com o surgimento das inovações tecnológicas e como observado na quarta onda industrial, em que minimamente deverão existir intervenções humanas no processo de trabalho. Exemplo Previdência Social no Brasil aplica de maneira eficaz as regulamentações sobre empresas que possuem, dentro de seus históricos, registros de acidentes por falta de uma cultura de segurança e saúde do trabalho. A Procuradoria Geral Federal tem processado empresas para obrigar o ressarcimento para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) do pagamento de indenizações, aposentadorias por invalidez e benefícios por acidentes e doenças de trabalho. Isto está levando a grandes mudanças nas organizações, com o objetivo da sua sobrevivência e, justamente, o que tem sido evidenciado, é o engajamento da liderança na mobilização da direção correta para fazer a diferença em segurança e saúde do trabalho. Um papel fundamental do líder está no alinhamento das pessoas com uma boa comunicação, de forma que todos compreendam e se comprometam com esta nova direção. A identificação desta mudança fundamental em saúde e em segurança obriga ao líder a sua condução para o alcance de resultados sustentáveis, que levem à sobrevivência e à superação dos concorrentes da organização. Estudos têm sido desenvolvidos sobre liderança em situações de mudanças, e cabe destacar as oito etapas propostas pelo renomado professor John Kotter, da Harvard Business School, para mudanças em qualquer organização: Definir um senso de urgência Todas as partes interessadas, sejam colaboradores, acionistas, etc. devem estar envolvidos e aceitar a necessidade de mudança, pois frequentemente existirão tentativas de retorno às práticas tradicionais e tem sido a etapa mais desafiadora das organizações. Forme uma aliança poderosa O grupo de liderança necessita ter poder suficiente na organização para ser o agente da mudança. Nesta fase, costumam ocorrer falhas no comprometimento das mudanças planejadas. Para tanto, se faz necessário o compromisso de todos comprarem a ideia da mudança e trabalharem como uma equipe no propósito. Crie uma visão para a mudança Devem ser desenvolvidas uma direção e uma estratégia significativas para o auxílio da condução do esforço de mudança, de maneira que todas as partes interessadas reconheçam e tenham o interesse de se adequar à nova situação. Invista na comunicação da visão Diante da enorme competição interna por comunicação de muitas questões prioritárias, o líder deverá utilizar todos os canais disponíveis para a comunicação de sua nova visão e estratégia. É fundamental direcionar esforços para a comunicação ser realizada aos diferentes níveis da organização, seja pelos canais habitualmente realizados, como palestras, reuniões, comunicados e mensagens eletrônicas, seja pelas atividades do cotidiano com sua integração dos processos diários do negócio. Costuma ser empregado nesta etapa o novo comportamentoda mudança, pelo que se denomina liderança pelo exemplo, em que o líder exercerá diariamente no trabalho aquilo que está determinando e sob os olhares dos seus liderados. Delegue poder para outras pessoas agirem na visão Nesta etapa, todas as barreiras à mudança devem ser removidas, sejam as técnicas ou normativas internas, ou seja, todos os obstáculos precisam ser identificados e removidos para incentivar as pessoas a adotar as novas ideias e atividades para alcançar a nova visão. Desenvolva no planejamento sucessos de curto prazo Devem ser realizadas melhorias de desempenhos mensuráveis e, quando alcançadas, deve ser recompensado o pessoal envolvido e comemorados os objetivos atendidos, para provar que o processo é benéfico para a organização e convencer os céticos de que os esforços valem a pena. Consolide melhorias e incremente mais mudanças A partir da credibilidade alcançada, realize mudanças em sistemas e estruturas de forma mais aprofundada, para ampliar o tamanho e a competência da sua equipe de melhoria, pois somente esta medida será capaz de produzir melhorias contínuas aos processos e projetos de trabalho. Torne a mudança parte da cultura organizacional O processo de mudança deve ser incorporado nos sistemas formais, integrando a mudança na cultura da empresa. Para tanto, utilize as conexões entre os novos comportamentos da mudança realizada e a melhoria do desempenho resultante, para que todos entendam a correlação e a necessidade da sobrevivência da organização. Desenvolva meios para garantir que seja realizado um bom plano de desenvolvimento e sucessão de liderança, de modo a garantir que todos os resultados alcançados sejam sustentáveis. Os resultados de doenças e acidentes ocorridos em uma organização devem ser mais bem estudados do ponto de vista das causas básicas que os ocasionaram, sob risco de novos eventos ocorrerem sem que tenham sido devidamente controlados. Assim, as etapas apresentadas representam um grande valor aos líderes que perseguem a melhoria contínua de seus processos de gestão de riscos no trabalho e conhecem as responsabilidades de saúde e segurança dos seus colaboradores. Diferenças conceituais entre perigo e risco Uma questão técnica importante a ser elucidada diz respeito à diferença entre perigo e risco, que será abordada a seguir. Assim, entendendo que, qualquer perigo, representado por um objeto, ou condição, ou efeito, com potencial de causar danos presentes em uma atividade, de uma forma conjunta, leva à probabilidade da ocorrência de um acidente. Desta maneira, exemplificando uma situação de que exista uma: 1 Ação/Atividade Atravessar uma rua. Conceito de perigo É uma ou mais condição que tem o potencial de causar ou contribuir para que um evento ou risco ocorra. No caso específico da segurança do trabalho, temos o entendimento de que seria uma fonte geradora capaz de causar lesões em pessoas ou danos materiais. Conceito de risco É a probabilidade de um dado evento ocorrer, seja ele uma ameaça, quando negativo, ou uma oportunidade, quando for positivo. No caso particular da segurança no trabalho, temos um entendimento de que o risco seria uma resultante da exposição a um determinado perigo. Existem cinco categorias de riscos: Físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. 2 Perigo Condução de veículos em alta velocidade, condução de veículos sem manutenção adequada por pessoas, falta de respeito na condução dos veículos, entre outros. 3 Risco Atropelamento, queda, atingimento, entre outros. Como observação importante, deve ser manifesto que o risco será maior ou menor a partir da escolha da maneira como a pessoa determinar realizar a travessia. O risco e o perigo sempre vão existir juntos. Quando o perigo está presente, o risco passa a existir, e o risco só existe quando o perigo está presente. Desta maneira, a gestão da prevenção deve agir nos perigos para evitar ou minimizar os riscos, pois é a falta de controle dos perigos que faz com que o risco tenha uma maior chance de ocorrer. Isto determina que deverão ser mais bem trabalhados os perigos, de maneira a serem: Mitigados, prevenidos, analisados, mensurados e corrigidos. Existem duas maneiras de ser realizado um gerenciamento de perigos: Utilizando a prevenção Conjunto de medidas ou preparação antecipada de algo que tem objetivo de bloquear uma ocorrência. De uma forma exemplificada, pode ser citado o treinamento. Este emprega pelo conhecimento a importância de seguir os procedimentos estabelecidos, evitando o aparecimento de riscos. Utilizando a mitigação Ações ou controles que têm objetivo de reduzir ou minimizar os danos de um evento ou a ação de algo. Como exemplo, pode ser citada a utilização de um capacete de segurança (equipamento de proteção individual), que não evita o impacto de um objeto contra a cabeça de alguém, mas minimizará os danos contra a cabeça. Assista ao vídeo e entenda a Higiene Ocupacional. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Conceitos legais de saúde e segurança do trabalho A legislação brasileira de saúde e segurança não foi uma questão conquistada de uma forma espontânea aos trabalhadores junto às organizações em nossa sociedade. Uma das maiores garantias que devem ser mencionadas está na seguridade social dos trabalhadores, uma das proteções sociais mais necessárias, devido à exposição das pessoas às condições do trabalho que podem gerar acidentes e doenças do trabalho. Isto gera um benefício de uma renda mensal em situações de afastamento do trabalho superiores a 15 dias, através de um seguro contra acidentes de trabalho a cargo do empregador e conforme texto constitucional (BRASIL, 2018 ), no seu artigo 7º inciso XXVIII: Sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. Está determinada no texto constitucional uma responsabilização objetiva do empregador nas questões de saúde e segurança dos seus colaboradores. A legislação previdenciária, conforme estabelecido no Decreto n.º 3.048/1999, reforça, nos artigos abaixo, a responsabilidade do empregador: Artigo 342 Determina que: O pagamento pela Previdência Social, das prestações decorrentes do acidente, a que se refere o artigo 336, não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de terceiros. (BRASIL, 2018) Artigo 338 Determina que: A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e saúde do trabalhador. Em seguida, no seu parágrafo único: É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e dos produtos a manipular. (BRASIL, 2018) Artigo 341 Determina que: Nos casos de negligência quanto às normas de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva, a Previdência Social proporá ação regressiva contra os responsáveis. (BRASIL, 2018) Artigo 343 Determina que: Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e saúde do trabalho. (BRASIL, 2018) O Novo Código Civil Brasileiro, por sua vez, também assegura penalidades ao empregador em Segurança e Saúde no Trabalho, nos seus seguintes artigos: Artigo 186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. • Artigo 927: Aquele que, por ato ilícito (artigos 186/187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará- lo. Parágrafo único – Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Artigo 949: No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas de tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. Artigo 950: Se da ofensa resultar defeito pelo qual oofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez. Artigo 951: O disposto nos artigos 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. (BRASIL, 2003). O Código Penal Brasileiro também dispõe de artigos que impõem uma responsabilidade pessoal aos dirigentes das empresas que gerem riscos para os trabalhadores, como está estabelecida a sua natureza nos artigos: 1 Artigo 129 Lesão corporal, de natureza leve e grave; incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias; incapacidade permanente para o trabalho; perigo de vida; debilidade de membro, sentido ou função; deformidade permanente. (BRASIL, 2018) 2 Artigo 132 Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto, ou iminente. (BRASIL, 2018) Além disto, esta responsabilização dos empregadores foi ressaltada na Norma Regulamentadora de Número 1, na qual o texto determinou em 1.7, que caberá a eles: "a) Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho; b) Elaborar ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho, dando ciência aos empregados por comunicados, cartazes ou meios eletrônicos; c) Informar aos trabalhadores: I- Os riscos profissionais que possam originar-se nos locais de trabalho; II- Os meios para prevenir e limitar tais riscos e as medidas adotadas pela empresa; • • • • III- Os resultados dos exames médicos e de exames complementares de diagnóstico aos quais os próprios trabalhadores forem submetidos; IV- Os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho. d) Permitir que representantes dos trabalhadores acompanhem a fiscalização dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho; e) Determinar os procedimentos que devem ser adotados em caso de acidente ou doença relacionada ao trabalho." (BRASIL, 2018) Nesta mesma Norma Regulamentadora de Número 1, está determinado em 1.8 que o empregado terá como responsabilidade: "a) Cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde do trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo empregador; b) Usar o EPI fornecido pelo empregador; c) Submeter-se aos exames médicos previstos nas Normas Regulamentadoras - NR; d) Colaborar com a empresa na aplicação das Normas Regulamentadoras - NR; 1.8.1. Constitui ato faltoso a recusa injustificada do empregado ao cumprimento do disposto no item anterior." (BRASIL, 2018) No entendimento do conceito legal de acidente, existe a seguinte definição no artigo 19 da Lei nº 8.213/91: É o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Similarmente, por determinação legal, as doenças profissionais e/ou ocupacionais equiparam-se aos acidentes de trabalho, em conformidade com os incisos do artigo 20 da Lei nº 8.213/91, que as conceitua e diferencia: Na finalidade de tornar o processo de segurança mais amplo e robusto, algumas empresas adotam o conceito prevencionista de acidente de trabalho na sua gestão de segurança do trabalho, porque este determina que: Doença profissional Assim entendida, a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Doença do trabalho Assim entendida, a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. Acidente do trabalho pode ser definido como uma ocorrência não programada, inesperada ou não, que interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade, ocasionando perda de tempo útil ou lesões aos trabalhadores e/ou danos materiais. Observe que o conceito prevencionista determina acidente do trabalho, mesmo sem a ocorrência de lesões ou danos materiais, diferente do conceito legal de acidente, que de maneira objetiva já determina expressamente que tem que ocorrer lesões para ser um acidente. Os valores de uma cultura organizacional são construídos a partir de uma preocupação com a saúde de seus colaboradores. Desta maneira, empresas que tratem os acidentes do ponto de vista prevencionista demostram que todo evento de segurança será analisado e estudado como se houvesse a ocorrência de um acidente, o que seria uma excelente barreira prevencionista para situações mais graves. Assista ao video e aprenda mais sobre a NR 1. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Serviços especializados em Segurança e Medicina do Trabalho A Norma Regulamentadora (NR) n.º 4 estabeleceu que as empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), deverão manter, obrigatoriamente, os chamados Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, conhecidos como SESMT, com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. A composição e o dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho vinculam-se à graduação da exposição do risco da atividade principal e ao seu número total de empregados do estabelecimento, constantes nos Quadros I e II na NR 4. Desta maneira, os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho podem ser compostos por médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, técnico de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho e auxiliar ou técnico em enfermagem do trabalho, obedecido o que está especificado no Quadro II da NR-04. O que cabe ao SESMT de acordo com o item 4.12 da NR4? Caberá ao SESMT: “a) Aplicar os conhecimentos de engenharia de segurança e de medicina do trabalho ao ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e equipamentos, de modo a reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do trabalhador; b) Determinar, quando esgotados todos os meios conhecidos para a eliminação do risco e este persistir, mesmo reduzido, a utilização, pelo trabalhador, de Equipamentos de Proteção Individual-EPI, de acordo com o que determina a NR 6, desde que a concentração, a intensidade ou característica do agente assim o exija; c) Colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas instalações físicas e tecnológicas da empresa, exercendo a competência disposta na alínea "a"; d) Responsabilizar-se tecnicamente, pela orientação quanto ao cumprimento do disposto nas NR aplicáveis às atividades executadas pela empresa e/ou seus estabelecimentos; e) Manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo de suas observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conforme dispõe a NR 5; f) Promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, tanto através de campanhas quanto de programas de duração permanente; g) Esclarecer e conscientizar os empregadores sobre acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção;h) Analisar e registrar em documento(s) específico(s) todos os acidentes ocorridos na empresa ou estabelecimento, com ou sem vítima, e todos os casos de doença ocupacional, descrevendo a história e as características do acidente e/ou da doença ocupacional, os fatores ambientais, as características do agente e as condições do(s) indivíduo(s) portador(es) de doença ocupacional ou acidentado(s); i) Registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes do trabalho, doenças ocupacionais e agentes de insalubridade, preenchendo, no mínimo, os quesitos descritos nos modelos de mapas constantes nos Quadros III, IV, V e VI, devendo a empresa encaminhar um mapa contendo avaliação anual dos mesmos dados à Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho até o dia 31 de janeiro, através do órgão regional do Ministério do Trabalho; j) Manter os registros de que tratam as alíneas "h" e "i" na sede dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho ou facilmente alcançáveis a partir da mesma, sendo de livre escolha da empresa o método de arquivamento e recuperação, desde que sejam asseguradas condições de acesso aos registros e entendimento de seu conteúdo, devendo ser guardados somente os mapas anuais dos dados correspondentes às alíneas "h" e "i" por um período não inferior a 5 (cinco) anos; l) As atividades dos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho são essencialmente prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento de emergência, quando se tornar necessário. Entretanto, a elaboração de planos de controle de efeitos de catástrofes, de disponibilidade de meios que visem ao combate a incêndios e ao salvamento e de imediata atenção à vítima deste ou de qualquer outro tipo de acidente estão incluídos em suas atividades.” (BRASIL, 2005) O papel do RH Uma questão importante a ser destacada é o importante papel do setor de Recursos Humanos (RH) com a saúde e segurança dos colaboradores, porque cabe a ele a capacitação técnica para promover o esclarecimento dos riscos nos ambientes de trabalho e sua identificação nas tarefas desenvolvidas. O RH poderá realizar até mesmo o monitoramento da aplicação das normas regulamentadoras no ambiente empresarial e, com base nos resultados alcançados, promover treinamentos contínuos para a equipe de colaboradores, no intuito de fortalecer o conhecimento de todo o público interno quanto às exigências legais e prevenir a ocorrência de acidentes de trabalho. Assista ao vídeo e aprenda sobre EPIs e EPCs. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Analise o texto a seguir: Caso de bom desempenho em segurança do trabalho Uma hidrelétrica brasileira com 250 funcionários, por muitos anos, teve um reconhecimento no seu desempenho de segurança dentro do seu segmento. No ano de 2014, ocorreram dois acidentes sérios, a morte de um contratado de uma empresa terceira em um trabalho em altura e outro, com cargo de mecânico, de outra contratada, perdeu a ponta de um dedo em uma máquina. Estes eventos atraíram a atenção dos acionistas, clientes, Ministério do Trabalho (à época), mídia e diversos grupos de opinião pública. Isto levou a pesadas multas, ações de melhoria foram impostas e implantadas e o desempenho de segurança ficou sob rigoroso controle do Ministério do Trabalho. Houve um processo de reestruturação, com uma decisão de que, a partir de 2016, todas as empresas contratadas deveriam demonstrar forte desempenho em segurança para manutenção de seus contratos. No mês de julho de 2014, Jorge Bastos foi nomeado gerente de segurança da hidrelétrica, a partir de um processo seletivo externo conduzido pelo gerente da hidrelétrica, Roberto Carlos, que havia sido responsabilizado por um processo de melhoria e de recondução do excelente desempenho no mercado pelos acionistas. Jorge avaliou, durante 2 meses, a situação encontrada e, conversando com as partes interessadas internas e externas, pôde apresentar uma proposta de um planejamento de melhorias a Roberto Carlos e aos membros da direção. A diretoria aprovou a proposta e houve a montagem de uma equipe para liderar a mudança, com composição dos gerentes de(a): Hidrelétrica, planejamento e controle de produção, operações, manutenção e segurança. O gerente da hidrelétrica concordou em ser o responsável pelo plano enquanto Jorge permaneceria como gerente do projeto da mudança. O plano consistia em um programa de melhorias durante um período de 2 anos, com uma avaliação externa utilizando uma organização terceira independente. A meta específica era alcançar uma pontuação 8 em um sistema de avaliação até 10 em 2016, o que a qualificaria como de melhor desempenho no seu segmento. Houve, conforme o planejamento, um programa de conscientização com várias formas de reuniões, com reforço no conteúdo de necessidade de mudanças, do histórico da fatalidade e da perda do outro funcionário, pressão das autoridades públicas e a exigência de melhoria do desempenho de segurança. O gerente da hidrelétrica apresentou o plano para a organização atingir uma pontuação 8 na auditoria externa em 2016, além de estabelecer reuniões semanais da equipe de líderes para acompanhamento do progresso das atividades, e estabeleceu, ainda, o plano como item de agenda das reuniões pessoais mensais com seus subordinados diretos. Houve metas de inspeções da direção, ações de melhoria, treinamentos, auditorias internas, organização e limpeza, relato de eventos e documentação das revisões de todos os subordinados. Jorge focou esforços no nível operacional, na organização dos programas de treinamento aos colaboradores, visitas de benchmarking para o seu pessoal-chave, promoções, como programas de sugestões, relatos do desempenho de segurança em relação às metas e comandando programas de reconhecimento para grupos com alto desempenho. No final de 2015, uma avaliação verificou que a hidrelétrica já tinha alcançado uma pontuação 7, o que causou uma grande alegria aos envolvidos. O gerente da hidrelétrica premiou com R$ 100 todos os colaboradores em um evento de comemoração ao excelente trabalho realizado. A implementação do plano prosseguiu em 2016 com a mesma abordagem e, na auditoria externa, a empresa alcançou uma pontuação 9, ou seja, houve superação do objetivo esperado. Neste mesmo ano, recebeu um prêmio no seu segmento de Excelência em Segurança, e Roberto Carlos, em reconhecimento aos excepcionais esforços de todos os funcionários no alcance dos objetivos, deu a cada um deles um dia extra de férias. Roberto Carlos foi promovido a um cargo na sede da organização e substituído por outro gerente do mesmo grupo, mas de outra hidrelétrica. O novo gerente continuou apoiando o plano, mas com menor intensidade que Roberto. Os padrões de segurança permanecem elevados, porém, no momento, há evidências de uma pequena elevação de acidentes relatáveis. Após a leitura do texto, identifique: a. Uma das oito etapas de liderança em situações de mudança que realizaram bem e explique o motivo. b. Uma das oito etapas de liderança em situações de mudança que realizaram mal e explique o motivo. Chave de resposta a. Uma etapa que pode ser destacada foi a formação de uma aliança poderosa, porque o grupo de líderes se comprometeu de uma forma efetiva na mudança determinada. b. Pode ser observado que o novo gerente não estava comprometido como Roberto, logo, não houve a incorporação do processo de mudança na cultura e na linha sucessória da gerência. Questão 2 Os perigos se apresentam como situações potenciais para acontecer uma lesão em algum colaborador. Contudo, tal lesão só acontecerá se houver uma proximidade do trabalhador da fonte de perigo, ou seja, existe o aparecimento do risco nesta aproximação. A partir destes conceitos, identifique, abaixo, se as situações apresentadas são representadas como risco ou perigo. Situação: Um operador sem habilitaçãoconduzia uma empilhadeira em uma empresa. Esta situação representaria um risco ou um perigo? Chave de resposta Conforme os conceitos apresentados, na situação, existe perigo, porque nesta há enorme potencial de ocorrer uma perda ou fatalidade. Questão 3 Analise a afirmativa a seguir, indicando se está certa ou errada. “Os conceitos legais e prevencionistas de acidente de trabalho são idênticos, inexistindo uma razão que os diferencie”. Justifique sua resposta. Chave de resposta A afirmativa está errada! Verificando os conceitos mostrados no material, pode ser evidenciado que acidente de trabalho: 1. No conceito legal, no artigo 19 da Lei nº 8.213/91, é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. 2. No conceito prevencionista: acidente do trabalho pode ser definido como uma ocorrência não programada, inesperada ou não, que interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade, ocasionando perda de tempo útil ou lesões aos trabalhadores e/ou danos materiais. Analisando tecnicamente, o conceito prevencionista determina acidente como sendo do trabalho mesmo sem a ocorrência de lesões ou danos materiais, enquanto que, no conceito legal, houve uma vítima, logo, a diferença é enorme em termos conceituais. Questão 4 Analise a afirmativa a seguir, indicando se está certa ou errada. “Todas as empresas públicas e privadas devem constituir um Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho”. Justifique sua resposta. Chave de resposta A afirmativa está errada! Verificando os conceitos mostrados no material, pode ser evidenciado que: Somente as empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), deverão manter obrigatoriamente o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. 3. Abordagem Multidisciplinar e Prevenção de Acidentes A mudança no paradigma das ações em Saúde Ocupacional empresarial Na constituição da Organização Mundial de Saúde (OMS), está definido que saúde consiste em um estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença e enfermidade. A afirmação não tem uma conotação de conceito, mas de um enorme desafio ou uma meta a ser alcançada. O entendimento pleno do que está consignado na constituição da OMS passa pela compreensão de que velhos paradigmas, como o da saúde se resumir ao tratamento do corpo físico e ao seu equilíbrio fisiológico, não correspondem à visão de integralidade apregoada. Na visão da OMS, não adianta tratar destas questões sem também avaliar o ser humano em seu equilíbrio emocional, a sua relação com os demais seres, sua inclusão social e até mesmo o seu equilíbrio socioeconômico. Em um contexto maior, ser saudável é ter consciência de si, conhecer e cuidar do seu corpo físico, respeitar seus valores, limitações e suas incontáveis possibilidades, tomando a posse de sua vida. Saiba mais Pesquise e leia o artigo Em julgamento histórico, executivos na França respondem por suicídio de 35 funcionários. Aqui, observamos um contexto organizacional que se delineia como tóxico e representa uma situação na França, na qual se investigam as atitudes da direção de uma empresa de telecomunicações sobre as suas relações de pressão e assédio aos colaboradores, e que poderiam ter levado ao suicídio 35 funcionários no período entre 2008 e 2009. As organizações têm entendido seu papel de agentes participantes da transformação da saúde de seus colaboradores, porque possuem a consciência de que seu investimento tem resultados expressivos no aumento da produtividade, redução de reclamatórias trabalhistas, absenteísmo, atrasos, turnover, acidentes e doenças. Assim, mais do que uma determinação constitucional, como no caso brasileiro, de que a saúde é direito dos trabalhadores e deve existir uma redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança, o entendimento de saúde é maior do que um marco legal para uma organização que deseje resultados sustentáveis. Um nível de saúde elevado dos colaboradores de uma organização será atingido somente quando as ações desenvolvidas forem focadas em identificar os fatores que afetem o ambiente de trabalho das pessoas, para serem eliminados ou reduzidos os seus riscos ocupacionais, ao contrário de unicamente serem tratadas as pessoas doentes e desenvolvidas ações específicas para casos similares. Além disto, deve ser entendido que, não raro, a identificação, análise e definições de controle destes fatores que afetam o ambiente de trabalho dependerão de um conjunto de ações de um grupo multidisciplinar maior do que está estabelecido na Norma Regulamentadora (NR) n.º 4. Assista ao vídeo e aprenda mais sobre a NR 4. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Na NR 4, há o estabelecimento de que os profissionais médicos e da Segurança do Trabalho vinculam-se à graduação da exposição do risco da atividade principal com o número total de empregados do estabelecimento regido pela Consolidação da Leis do Trabalho (CLT), sendo compostos por médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, técnico de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho e auxiliar ou técnico em enfermagem do trabalho. Desta maneira, profissionais como psicólogos, assistentes sociais, dentistas, nutricionistas e fisioterapeutas poderão ser necessários em alguns estudos para eliminação dos fatores que afetem o ambiente de trabalho das pessoas, o que mais uma vez reforça um entendimento maior da saúde por parte das organizações. Deve ser também mencionado que estes papéis complementares destes profissionais de saúde se justificam pela existência de leis que regulamentam as profissões e pela impossibilidade de se conhecer tudo sobre todos os assuntos da saúde humana. Integração Empresarial na Saúde Ocupacional O desenvolvimento de um programa de saúde exige a colaboração de diversos profissionais e a implementação de medidas preventivas para garantir um ambiente seguro e a atenção integral à saúde. Ressaltamos que a implantação de um programa de saúde deve ser encarada como um projeto corporativo e estratégico, com adesão dos colaboradores e consolidação de uma cultura de saúde na organização. Profissionais na Saúde Na formulação de um programa de saúde, é importante entender a participação de cada um dos profissionais necessários ao seu estabelecimento, sejam os profissionais técnicos de segurança, saúde e as lideranças que possuam um maior entendimento dos processos produtivos da empresa. Prevenção e integralidade Todo o esforço do programa de saúde a ser realizado deve estar na implementação de modelos preventivos de atenção, ou seja, medidas que evitem ou reduzam as consequências dos perigos, assim respondendo à necessidade da integralidade da atenção à saúde. O desenvolvimento de um programa de saúde será facilitado se cada um dos participantes da equipe multidisciplinar entender seus objetivos e responsabilidades no trabalho. Essa visão se justifica pelo fato de cada profissional ter uma percepção diferente da situação, de forma que a consolidação das percepções diferentes facilita a compreensão do todo, permitindo vislumbrar o objetivo em sua totalidade. Para isso, é necessário entrosamento, a fim de evitar desvios e retrabalho. Nesse sentido, o trabalho em equipe é considerado uma fonte de aprendizado, uma vez que permite o contato com outras experiências por meio do diálogo profissional e das discussões sobre as questões pertinentes ao programa de saúde. A participação dos componentes da Segurança do Trabalho deverá estar focada no estudodas condições ambientais de trabalho que assegurem a saúde física e mental e nas condições de bem-estar das pessoas. Saúde física No tocante à saúde física, deverão ser analisados no local de trabalho os seus aspectos ligados à exposição do organismo humano aos riscos (definidos em aulas anteriores) físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, assim como deverão ser estudados aqueles riscos específicos que representam um potencial de acidentes em que se encaixam as situações de trabalho em altura, espaços confinados e na operação ou contato com equipamentos e/ou máquinas. Este levantamento detalhado deverá levar em consideração as normas aplicáveis à área de atuação da empresa, com uma análise técnica que leve em consideração o espectro que vai do conforto e da ergonomia na solução proposta de controle dos riscos ocupacionais às oportunidades de melhoria encontradas. Saúde mental Quanto à saúde mental, os profissionais de segurança poderão observar nos postos de trabalho os riscos relativos à organização do trabalho, como a monotonia e a repetitividade, a pressão na realização do trabalho e mesmo o assédio, seja de natureza moral ou sexual, ou seja, questões que envolvem condições psicológicas e sociológicas que influenciam o comportamento das pessoas e têm impacto emocional no estresse dos colaboradores. O trabalho da equipe de segurança poderá ser complementado com quaisquer observações do setor médico, pois, em muitos casos, estes profissionais, no contato com colaboradores, acabam por receber informações valiosas que ocorrem em situações particulares na empresa, que podem não ter sido mapeadas pela segurança. Outra forma de contribuição médica está no fornecimento do estudo epidemiológico, consolidado pelos atestados médicos da empresa sobre os locais de maior ocorrência médica. Este estudo poderá obter uma avaliação mais aprofundada destes postos de trabalho. O levantamento final dos riscos ocupacionais realizado pela segurança determinará ao setor médico da empresa a realização de exames específicos aos colaboradores das atividades dos setores de trabalho e, em alguns casos, o chamado nexo causal, para a manifestação de alguma doença até então desconhecida pelo profissional médico, além de comunicar à empresa, especificamente ao setor de Recursos Humanos, casos de riscos levantados de pressão na realização do trabalho e assédio, aos quais deverão ser administradas medidas para análise da situação junto ao gestor da área envolvida e de encaminhamento de tratamento e acolhimento necessário aos colaboradores. Assista ao vídeo e entenda a composição da equipe e suas responsabilidades. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os componentes da área médica são coordenados por um médico do trabalho, que tem a responsabilidade de orientar e supervisionar o trabalho dos demais profissionais da área de Saúde envolvidos na elaboração e execução dos programas de saúde da organização. Para tanto, o médico do trabalho, junto aos profissionais médicos envolvidos e com as medições quantitativas realizadas, analisará o conjunto das informações dos riscos levantados pela segurança e as condições de trabalho existentes, sejam aquelas controladas ou as que designem maior atenção quanto às situações de fadiga, estresse, pressão no trabalho e de assédio. Nesta direção, o setor médico deve se tornar um ambiente de produção de ações de saúde nos segmentos da promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde dos colaboradores. Esta abordagem de promoção da saúde define as ações preventivas para a detecção, controle e enfraquecimento dos fatores de risco, com intervenções orientadas a evitar o surgimento de doenças específicas, reduzindo sua incidência e prevalência nos colaboradores. Para tanto, deve ser reforçada a necessidade do conhecimento epidemiológico das doenças incididas nas empresas no estudo de ações para promoção da saúde. Assim, novas questões e estratégias de ação voltadas para a promoção de uma saúde integral dos colaboradores estão sendo construídas no desenvolvimento das habilidades destes indivíduos, para uma tomada de decisões favoráveis à sua qualidade de vida e saúde. Assista ao vídeo e aprenda mais sobre o tema. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O envolvimento da área de Recursos Humanos é importante no desenvolvimento dos programas de saúde para a identificação das necessidades de treinamentos técnicos e do desenvolvimento dos gestores, possibilitando um melhor entendimento e real comprometimento dos colaboradores com as mudanças a serem propostas. A área de Recursos Humanos poderá, neste processo de trabalho, realizar a identificação de novas competências e habilidades necessárias para cada uma das funções envolvidas e realizar o treinamento dos colaboradores para o alcance dos objetivos dos programas de saúde. Este trabalho de parceria com o setor de Recursos Humanos permitirá que focos de resistência sejam mais bem identificados e resolvidos antes do programa ser efetivamente implantado, que os treinamentos necessários sejam personalizados e que os aspectos da cultura organizacional sejam utilizados a favor do programa de saúde. O envolvimento das lideranças, como mostrado nas aulas anteriores, é essencial nas ações de promoção à saúde dos trabalhadores, na medida em que um bom líder inspira sua equipe na adesão e consolidação de uma cultura de saúde. Sua atuação é participativa no estágio de levantamentos de riscos ocupacionais realizados pelo setor de segurança, para assegurar que todo o processo produtivo está sendo analisado e obter quaisquer retornos imediatos de situações de desvio que estejam ocorrendo, para sua imediata remediação, antes que se torne algo de difícil controle ou de elevado custo em algumas circunstâncias. Na conclusão do trabalho, o papel do líder estará no alinhamento das pessoas através de uma boa comunicação, de forma que todos compreendam e se comprometam com os novos direcionamentos em saúde e em segurança. Isto obrigará ao líder uma condução contínua para o alcance dos resultados sustentáveis de saúde e de segurança. O desenvolvimento de um comitê interno na empresa, com representantes das áreas de Saúde, Segurança, gestores, Recursos Humanos e da alta administração, pode ser uma excelente prática nas organizações que perseguem a melhoria contínua de seus processos de gestão de riscos no trabalho e que conhecem as responsabilidades de saúde e segurança dos seus colaboradores. As causas básicas de cada um dos casos de doenças e acidentes ocorridos em uma organização devem ser mais bem estudadas, para um maior controle ou eliminação dos riscos ocupacionais existentes no ambiente de trabalho. Verificando o aprendizado Questão 1 Explique o que deve ser realizado para que os colaboradores de uma organização atinjam um nível de saúde elevado. Chave de resposta Praticar ações que busquem identificar as causas no ambiente de trabalho que possam afetar a saúde dos trabalhadores e, se confirmada sua relação com as doenças dos colaboradores, tais causas deverão ser devidamente eliminadas ou reduzidas a um nível de controle, ao contrário do ato de receber meramente os atestados de colaboradores que ficaram doentes sem realizar qualquer análise. O recebimento exclusivo dos atestados médicos, sem uma análise de um potencial nexo causal, demonstra uma baixa preocupação com a saúde dos colaboradores. Questão 2 Na formulação de um programa de saúde, é essencial compreender a participação dos setores envolvidos e suas funções no desenvolvimento da iniciativa. Com base nisso, assinale a alternativa correta que relaciona corretamente os setores às suas respectivas atribuições. Setores: 1. Setor de Segurança do Trabalho. 2. Setor Médico. 3. Setor de Recursos Humanos. 4. Lideranças dos Processos Atribuições: a. Estudo das condições ambientais de trabalho para assegurar saúde física, mental e bem-estar. b. Elaboraçãoe execução dos programas de saúde da organização. c. Essencial nas ações de promoção à saúde dos trabalhadores. d. Identificação da necessidade de treinamentos técnicos e desenvolvimento dos gestores. A 1 - a / 2 - b / 3 - c / 4 - d B 3 - d / 4 - c / 2 - b / 1 - a C 2 - a / 1 - d / 3 - b / 4 - c D 4 - b / 2 - d / 1 - c / 3 - a A alternativa B está correta. Setor de Recursos Humanos (3) → Identificação da necessidade de treinamentos técnicos e desenvolvimento dos gestores. Lideranças dos Processos (4) → Essencial nas ações de promoção à saúde dos trabalhadores. Setor Médico (2) → Elaboração e execução dos programas de saúde da organização. Setor de Segurança do Trabalho (1) → Estudo das condições ambientais de trabalho para assegurar a saúde física, mental e as condições de bem-estar das pessoas. Questão 3 Por que o envolvimento das lideranças é fundamental nas ações de promoção à saúde dos trabalhadores? Chave de resposta Porque um bom líder inspira sua equipe na adesão e na consolidação de uma cultura de saúde. Sua atuação é participativa no estágio de levantamentos de riscos ocupacionais realizado pelo setor de segurança, para assegurar que todo o processo produtivo está sendo analisado e obter quaisquer retornos imediatos de situações de desvio que estejam ocorrendo, para sua imediata remediação, antes que se torne algo de difícil controle ou de elevado custo em algumas circunstâncias. 4. Conclusão Considerações finais Neste conteúdo, refletimos sobre a importância da segurança e saúde no trabalho como elementos centrais para a proteção dos trabalhadores e o bom funcionamento das organizações. Iniciamos destacando o papel fundamental das legislações e normas técnicas, que estabelecem limites mínimos e obrigatórios para prevenir acidentes e doenças ocupacionais. Reconhecemos, no entanto, que as transformações nos processos de trabalho exigem atualização constante e ações complementares às previstas em lei. Exploramos os conceitos legais de acidente e doença do trabalho, bem como os tipos de responsabilidades envolvidas, incluindo as obrigações de empregadores, empregados e profissionais do SESMT. Enfatizamos a importância do uso correto de Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva, e o compromisso de todos com a sua utilização para garantir ambientes mais seguros. Também ampliamos a compreensão sobre saúde ocupacional ao analisar a atuação integrada de diversos profissionais, como médicos, engenheiros, psicólogos, administradores e gestores de recursos humanos. Essa abordagem multidisciplinar fortalece a cultura preventiva e contribui para estratégias mais eficazes no cuidado com a saúde do trabalhador. Concluímos que a prevenção de riscos no ambiente laboral não depende apenas do cumprimento da legislação, mas da construção de uma cultura organizacional voltada à promoção do bem-estar. Promover ambientes seguros, saudáveis e colaborativos é um compromisso compartilhado e essencial para o desenvolvimento sustentável das empresas e da sociedade. Explore+ O aprendizado é um processo contínuo e dinâmico. Vá além deste conteúdo. Pesquise artigos acadêmicos para entender os debates atuais, assista a palestras para ouvir perspectivas diversas, leia livros especializados que aprofundem o tema e explore aplicações que conectem teoria e prática. Cada novo recurso que você explora é uma oportunidade de enriquecer sua compreensão e abrir caminhos para novas descobertas. Que tal dar o próximo passo hoje? Referências BRASIL. Decreto nº 8.894, de 3 de novembro de 2016. Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do Ministério do Trabalho, remaneja cargos em comissão e funções gratificadas e substitui cargos em comissão do Grupo Direção e Assessoramento Superior - DAS por Funções Comissionadas do Poder Executivo - FCPE. Consultado na internet em 27 ago. 2019. CATRÓPA, S. L. M.; Massa, A. M. As vicissitudes no trabalho em equipe multiprofissional. In: Biblioteca Virtual em Saúde. Consultado na internet em 5 set. 2019. CÓDIGO PENAL BRASILEIRO. Código Penal Brasileiro. São Paulo: JuriSearch, 2019. FISCHER, Georg et al. Gestão da qualidade: segurança do trabalho e gestão ambiental. Tradução: Ingeborg Sell. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2009. MURARI, Marlon Marcelo. Limites constitucionais ao poder de direção do empregador e os direitos fundamentais do empregado: o equilíbrio está na dignidade humana. São Paulo: LTR, 2008. NOVO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO. Novo Código Civil Brasileiro. 3. ed. rev. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Carta das Nações Unidas. 1945. Consultado na internet em 27 ago. 2019. Organização Internacional do Comércio. Artigo VI. In: The General Agreement on Tariffs and Trade (GATT). Consultado na internet em 27 ago. 2019. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO COMÉRCIO. Constituição da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e seu anexo (declaração de Filadélfia). 1946. Consultado na internet em 27 ago. 2019. RIGOTTO, Raquel Maria. Saúde ambiental & saúde dos trabalhadores. In: Rev. Bras. Epidemiol., v. 6, n. 4, 2003. Consultado na internet em 3 set. 2019. SABATOVSKI, Emilio; Fontoura, Iara P. Legislação previdenciária. Curitiba: Juruá, 2014. SOUTO MAIOR, Jorge Luiz; Moreira, Ranúlio Mendes Moreira; Severo, Valdete Souto. Dumping social nas relações de trabalho. São Paulo: LTR, 2012. SÜSSEKIND, Arnaldo. Direito internacional do trabalho. 3. ed. atual. São Paulo: LTR, 2000. Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional e Prevenção de Acidentes 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Legislação de segurança e medicina do trabalho As normas internacionais do trabalho e a legislação trabalhista brasileira Comentário Atenção A legislação de saúde e de segurança brasileiras Conteúdo interativo Conteúdo interativo Exemplo Saiba mais Exemplo A mudança na estrutura do antigo Ministério do Trabalho Cumprimento de acordos Supervisão regional Normas de proteção Monitoramento de convenções Proposições legislativas Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Saúde Ocupacional e riscos no trabalho A Saúde Ocupacional empresarial Atenção Ações de promoção à saúde dos trabalhadores Exemplo Exemplo Definir um senso de urgência Forme uma aliança poderosa Crie uma visão para a mudança Invista na comunicação da visão Delegue poder para outras pessoas agirem na visão Desenvolva no planejamento sucessos de curto prazo Consolide melhorias e incremente mais mudanças Torne a mudança parte da cultura organizacional Diferenças conceituais entre perigo e risco Ação/Atividade Perigo Risco Utilizando a prevenção Utilizando a mitigação Conteúdo interativo Conceitos legais de saúde e segurança do trabalho Artigo 342 Artigo 338 Artigo 341 Artigo 343 Artigo 129 Artigo 132 Conteúdo interativo Serviços especializados em Segurança e Medicina do Trabalho O que cabe ao SESMT de acordo com o item 4.12 da NR4? O papel do RH Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Abordagem Multidisciplinar e Prevenção de Acidentes A mudança no paradigma das ações em Saúde Ocupacional empresarial Saiba mais Conteúdo interativo Integração Empresarial na Saúde Ocupacional Saúde física Saúde mental Conteúdo interativo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Explore+ Referências