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Prof. Ronald Sclavi UNIDADE II Tópicos de Atuação Profissional Os novos produtos, gêneros e formatos jornalísticos que surgiram em um mundo digital com distribuição de informação em rede implicam em formas de trabalho que exigem do jornalista uma reorganização do seu repertório. Antes desse mundo digital surgir, seria impensável que um texto ganharia maior alcance entre os leitores dependendo da forma como um robô fosse capaz de localizá-lo. Nenhum teórico do jornalismo, por mais visionário que fosse, pôde imaginar que uma pessoa comum tivesse em suas mãos ferramentas de disseminação de informação de igual potência àquelas disponíveis para os grandes veículos de comunicação. A presença dos algoritmos e da inteligência artificial como protagonistas da indústria da comunicação, se cogitada no final do século XX, pareceria mais um roteiro de ficção. Do mesmo modo, uma sociedade que escolheria o que e como consumir em plataformas virtuais pareceria algo distante do padrão vigente em tempos do império da televisão, com suas grades horárias com preços de anúncios estratosféricos. O novo jornalista: competências e habilidades A primeira fase para a adaptação de um jornalista a esse cenário em constante mudança é reconhecer qual é o seu lugar diante dos seus colegas e do público que pretende alcançar. A experiência de quem nasceu no mundo digital é totalmente diferente daquela cultivada no planeta dito analógico. Isso vale tanto para quem produz, quanto para quem consome. Como abordamos na Unidade I, o mundo se dividiu entre nativos analógicos e nativos digitais. Em termos de produção jornalística, cabe aos primeiros, os analógicos, a superação de qualquer resistência tecnológica que possa restar diante dessa transição. Para Roque (2021), em trabalho focado nas aplicações jornalísticas das redes sociais, a matriz de competências desse novo jornalista deve estar concentrada em quatro categorias: 1. Atuação centrada no Jornalismo. 2. Equipes híbridas. 3. Cultura das Mídias Sociais. 4. Formação complementar e autodirecionada. O preparo para o jornalismo multimídia Aqui, Roque (2021) reforça a necessidade da prática jornalística focada nos valores- notícia, de forma a diferenciar a atuação profissional de práticas caça-cliques. Em outras palavras, ele deixa claro que a atividade jornalística não pode abrir mão de apuração, produção textual e cultura organizacional que permeiam a profissão, desde sempre. A participação de outras áreas e saberes nesse tipo de trabalho deve, necessariamente, manter o jornalismo no centro do processo. Segundo o autor: “Mesmo reconhecendo a importância de outros campos do saber, como o Marketing e o Design e a relevância da aquisição de conhecimentos e habilidades nestas áreas, os editores de mídias sociais afirmam que o jornalismo deve ocupar o centro do processo de produção e distribuição de informação jornalística para estes suportes” (Roque, 2021, p. 141). Atuação centrada no jornalismo Nesse ponto, o autor destaca que profissionais que habitam as fronteiras da produção jornalística, como o marketing e o design, podem compor equipes multidisciplinares. O processo, além de inevitável e por perdurar já há alguns anos, é salutar à produção jornalística desde que os valores que norteiam o Jornalismo sejam observados. Quando decisões baseadas em métricas de mídia social não causem constrangimentos éticos nas redações, seja para os produtores de notícias ou na notícia em si. Esses novos atores que passam a fazer parte da rotina das redações também podem contar com habilidades nas áreas de produção e edição de vídeo e fotografias, técnicas de SEO (Search Engine Optimization) e programação de websites. Equipes híbridas Para Roque (2021), é necessário que esse novo profissional compreenda que todo o processo de produção e distribuição está ancorado nas redes e, portanto, deve seguir um raciocínio multiplataforma: “A compreensão da relevância de plataformas como Facebook, Twitter, YouTube e Instagram para a atividade jornalística, deve ser estendida das editorias de mídias sociais para os demais setores da redação. Os processos de resistência precisam ceder espaço para o entendimento de que o jornalista, atualmente, deve se adaptar ao novo ecossistema midiático” (Roque, 2021, p. 147). Roque advoga que tais resistências precisam ser quebradas a partir dos processos de capacitação dos profissionais. Cultura das Mídias Sociais Nessa categoria de competências, a formação continuada do jornalista é um ponto que deixa de ser apenas um detalhe de aprimoramento e passa a ser uma questão de sobrevivência. O profissional que quer atuar jornalisticamente com mídias sociais precisa complementar sua formação diante das exigências do mercado de trabalho no atual ecossistema midiático. De igual modo, deve ser ele mesmo o responsável pela aquisição de conhecimentos mediante cursos, capacitações ou, de modo mais sistemático e aprofundado, em uma pós- graduação ou mesmo uma nova graduação. Mais adiante falaremos sobre essas possibilidades, bem como sobre o conceito de educação continuada. Formação complementar e autodirecionada Entre as habilidades quem compõem a raiz da produção jornalística, nada parece mais importante que a produção textual. Antes, além e acima de qualquer outra ferramenta, a escrita está para o jornalista como o bisturi está para o cirurgião. Mesmo diante de previsões catastróficas e pessimistas, o texto persiste nos meios digitais como um código indispensável. Para além das imagens, é o velho texto que percorre aplicativos de mensagens, redes sociais e, é importante frisar, vídeos, músicas e memes. A busca na rede, grande divisor de águas nessa curta e avassaladora história da internet, é léxica, ou seja, feita por palavras. Escrever corretamente é algo ainda mais importante que jamais foi. Os robôs de busca funcionam como vassouras que varrem a rede e trazem consigo vestígios em forma de links. Os primeiros links encontrados são consumidos. Imagine quantas pessoas digitaram a palavra covid quando a OMS decretou o início da pandemia. Qual foi o primeiro link que os buscadores localizaram em cada país? Pois foi essa a informação mais consumida daquele momento. As habilidades que ganharam ainda mais importância Entre as coisas mais tristes que podem cruzar a linha de um professor de jornalismo está a possibilidade de se deparar com um texto copiado pelo seu aluno de alguma publicação e assumido como se fosse de sua autoria. Esse gesto está para o jornalismo como a corrupção está para a política: é imperdoável. O fruto do trabalho jornalístico é, por natureza, autoral. Por outro lado, é cada vez maior o contingente de informação com o qual um jornalista tem que lidar. Parte dessa lida é por demais mecânica e envolve muito mais transpiração que inspiração. Se algum tipo de tecnologia pode ajudar um jornalista a buscar, selecionar e sintetizar as informações genéricas sobre um tema, ele terá tempo de sobra para se dedicar ao coração da sua pauta. Identificando com clareza e, sobretudo, honestidade a diferença e a linha tênue que separam apropriação de pesquisa, autoria de plágio, redação de cópia, inspiração e transpiração, as ferramentas de Inteligência Artificial (IA) podem representar para essa profissão um ganho importante ou a perda total do seu prestígio diante da opinião pública. A Inteligência Artificial: aliada ou concorrente? A primeira fase para a adaptação de um jornalista a esse cenário em constante mudança é reconhecer qual é o seu lugar diante dos seus colegas e do público que pretende alcançar. A matriz de competências desse novo jornalista deve estar concentrada em quatro categorias: I. Atuação centrada no jornalismo, equipes híbridas, cultura das mídias sociais e formação complementar e autodirecionada.II. Atuação centrada nas relações públicas, equipes híbridas, cultura das mídias sociais e formação complementar e autodirecionada. III. Atuação centrada no SEO, equipes híbridas, cultura das mídias sociais e formação complementar e autodirecionada. a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas a afirmação II está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Apenas as afirmações I e II estão corretas. e) Todas as afirmações estão corretas. Interatividade A primeira fase para a adaptação de um jornalista a esse cenário em constante mudança é reconhecer qual é o seu lugar diante dos seus colegas e do público que pretende alcançar. A matriz de competências desse novo jornalista deve estar concentrada em quatro categorias: I. Atuação centrada no jornalismo, equipes híbridas, cultura das mídias sociais e formação complementar e autodirecionada. II. Atuação centrada nas relações públicas, equipes híbridas, cultura das mídias sociais e formação complementar e autodirecionada. III. Atuação centrada no SEO, equipes híbridas, cultura das mídias sociais e formação complementar e autodirecionada. a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas a afirmação II está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Apenas as afirmações I e II estão corretas. e) Todas as afirmações estão corretas. Resposta Em razão de uma série de fenômenos que influenciaram diretamente os meios de comunicação desde os anos 1990, o espaço para o trabalho com registro em carteira foi diminuindo ano a ano e dando lugar a novos formatos de produção. Surge, então, a figura do jornalista PJ (sigla que identifica a atuação profissional como pessoa jurídica). Há duas dimensões importantes para esse fenômeno. O jornalista PJ não é nem um funcionário, na medida que não goza dos seus direitos trabalhistas, nem um empresário, já que sua estrutura pessoa jurídica existe exclusivamente para formalizar uma relação trabalhista precária. A segunda dimensão do mundo PJ se estabelece em outro tipo de trabalho, mais comum no mundo da comunicação coorporativa e assessoria de imprensa. Aqui, falamos de pequenos núcleos de prestação de serviços, funcionando de forma colaborativa. Jornalistas entram com os textos, designers com a formatação, fotógrafos com imagens e publicitários com o planejamento de mídia e impulsionamento de posts. O jornalista PF x PJ Na sua forma mais comum, quando simplesmente substitui a contratação regular, essa modalidade mantém deveres enquanto subtrai direitos. O jornalista PJ não tem 13º salário, fundo de garantia e não está incluído nas regras da categoria para a previdência estatal. Nos outros formatos, os deveres se resumem às suas entregas. Se o jornalista foi contratado para produzir uma matéria por mês será cobrado pelos resultados. É o fim dos horários, presença física regular ou mesmo vínculos de exclusividade. Nessas dimensões de serviços PJ, o pagante não é um patrão e sim um cliente. Muitos jornalistas, principalmente após algum tempo em rotinas extenuantes em redações hard news, optam por tornarem-se prestadores de serviços e encaram essa nova condição como uma forma libertária de atuar, sem amarras trabalhistas, horários e toda a sorte de problemas que o cotidiano de qualquer organização pode proporcionar. O universo freelancer: vantagens e riscos Fazer parte de uma folha de pagamento significa, grosso modo, que, aconteça o que acontecer, até o quinto dia útil do mês um valor será depositado na sua conta-corrente. Sem os vínculos empregatícios, o jornalista deixa de ser prioridade entre os credores de uma organização. As leis brasileiras também preveem multas para demissões sem justa causa, que acabam por garantir obrigatoriedade do contratante de depositar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que também pode ser sacado ao final do contrato quando esse se dá por iniciativa do empregador. Há também o Seguro-Desemprego previsto de forma proporcional aos ganhos do funcionário, sem contar outros benefícios exclusivos de categorias e seus acordos coletivos de trabalho. O prestador de serviço, por sua vez, precisa sempre manter uma reserva, de modo que na quebra de qualquer contrato possa garantir seu sustento. Os mais experientes adotam, para cada dois reais ganhos, um economizado. Segurança Salarial O período de isolamento no início da pandemia de Covid-19 popularizou no mundo o chamado teletrabalho e com ele a possibilidade do chamado home office. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 15 milhões de pessoas ocupadas trabalhavam de casa no final de 2022, correspondentes a 15,6% dos ocupados no País. A apuração jornalística, bem como outras atividades relacionadas à área corporativa da profissão, ganhou em um escritório doméstico estruturas de captação de informação, registro e manuseio de dados que empresas de comunicação não dispunham. Por outro lado, em home office os períodos, custos e o desgaste físico e psicológico de jornadas de deslocamento diminuíram consideravelmente. Por óbvio, esses novos lobos solitários em seus escritórios domésticos perdem com interações de equipe que só o convívio físico pode proporcionar. Entretanto, como diz o ditado, não há como fazer omeletes sem quebrar os ovos. O conforto do home office O fenômeno da pejotização associado à facilitação da abertura das MEIs, microempresas individuais, fizeram com que o mercado passasse a ter novas possibilidades de contratação em modalidades das mais diversas, tanto para jornalistas experientes quanto para iniciantes. Não ter uma estrutura jurídica como opção de contratação pode ser um obstáculo para a conquista de uma oportunidade de trabalho. Entre os formatos jurídicos mais adequados para a atuação de um jornalista no início da sua carreira está o MEI (Microempreendedor Individual). Existem algumas exigências, como o faturamento, que deve ser no máximo de R$ 81 mil ao ano ou R$ 6.750,00 ao mês. Outra possibilidade de formalizar uma contratação pode ser a emissão de um RPA (Recibo de Pagamento Autônomo), um documento que deve ser emitido por quem contratou o serviço. Cooperativas e coletivos também são comuns, porém demandam estruturas jurídicas mais complexas. O momento de abrir uma empresa – formatos possíveis Mesmo com os riscos inerentes à profissão, os profissionais de jornalismo não fazem mais parte do grupo de atividades previstas para a aposentadoria especial. Os trabalhadores PJ precisam ficar atentos a essa questão, sob o risco de perderem parcial ou totalmente a possibilidade de uma velhice com o mínimo de segurança financeira. O profissional que trabalha sob a forma de pessoa jurídica pode contribuir para a Previdência Social ou adotar um plano de Previdência Privada. As variações mensais de renda de um PJ exigem desse profissional um cuidado redobrado para planejar o seu orçamento e os seus investimentos. O benefício pago pelo INSS para quem contribui como PJ está limitado a um teto, que hoje gira em torno de R$ 5,8 mil. Portanto, no horizonte de um jornalista que segue essa trajetória, um plano privado pode ser essencial. No campo da saúde não é diferente. O SUS (Sistema Único de Saúde), embora mundialmente conhecido por sua abrangência e universalidade no atendimento, tem limitações mais do que evidentes. Proteção Social: saúde, aposentadoria e segurança A precarização do trabalho, quando levada para a realidade do trabalho no hard news, coloca os jornalistas em um patamar de segurança ainda mais sensível. O relatório Monitoramento de ataques a jornalistas no Brasil, editado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), revelou, em 2022, 557 ataques a jornalistas. Segundo o documento, em 145 casos, as agressões apresentaram traços explícitos de violência de gêneroe/ou vitimaram mulheres jornalistas. Os discursos estigmatizantes, forma de violência verbal que busca minar a credibilidade de profissionais e veículos midiáticos, são a forma de ataque mais comum – alcançando 61,2% dos alertas em 2022. Os episódios de agressões físicas, intimidação, ameaças e/ou destruição de equipamentos atingiram 31,2% do total de ataques registrados no último ano – um crescimento de 102,3% em relação a 2021. Nesse cenário, mesmo os jornalistas assistidos por estruturas jurídicas de grandes eventos sentem-se ameaçados no exercício de suas funções. O que dizer daqueles que trabalham em regime PJ? Proteção Social: saúde, aposentadoria e segurança As leis brasileiras também preveem multas para demissões sem justa causa, que acabam por garantir obrigatoriedade do contratante de depositar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que também pode ser sacado ao final do contrato quando esse se dá por iniciativa do empregador. Há também o Seguro-Desemprego previsto de forma proporcional aos ganhos do funcionário, sem contar outros benefícios exclusivos de categorias e seus acordos coletivos de trabalho. O prestador de serviço, por sua vez: a) Precisa sempre manter uma reserva alimentar, além de procurar alternativas para sua saúde e aposentadoria. b) Precisa sempre manter uma reserva financeira, além de procurar alternativas para sua saúde e aposentadoria. c) Precisa sempre manter uma reserva financeira, além de procurar alternativas de emprego e renda. d) Precisa sempre manter uma reserva para sua aposentadoria, já que não tem direito a contribuir para o INSS. e) Precisa sempre manter uma reserva financeira, além de contratar serviços de segurança particular. Interatividade As leis brasileiras também preveem multas para demissões sem justa causa, que acabam por garantir obrigatoriedade do contratante de depositar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que também pode ser sacado ao final do contrato quando esse se dá por iniciativa do empregador. Há também o Seguro-Desemprego previsto de forma proporcional aos ganhos do funcionário, sem contar outros benefícios exclusivos de categorias e seus acordos coletivos de trabalho. O prestador de serviço, por sua vez: a) Precisa sempre manter uma reserva alimentar, além de procurar alternativas para sua saúde e aposentadoria. b) Precisa sempre manter uma reserva financeira, além de procurar alternativas para sua saúde e aposentadoria. c) Precisa sempre manter uma reserva financeira, além de procurar alternativas de emprego e renda. d) Precisa sempre manter uma reserva para sua aposentadoria, já que não tem direito a contribuir para o INSS. e) Precisa sempre manter uma reserva financeira, além de contratar serviços de segurança particular. Resposta A redemocratização do País, nos anos 1980, levou o Estado brasileiro a uma nova dimensão da gestão de comunicação social e seu papel nos órgãos de governo. No período autoritário, essa relação se dava no limite protocolar e oficialista; em tempos democráticos, o diálogo com a sociedade, mais do que importante, passa a ser essencial. Órgãos de Estado e Governo tiveram que se habituar à mediação exercida pelos veículos que, por sua vez, passaram a recusar a passividade das notas e dos comunicados. Ressurge a investigação jornalística e seu papel fiscalizador, agora amparados pela Constituição Federal de 1988. Mais adiante, em final dos anos 1990 e na primeira década dos anos 2000, o próprio Governo passa a atuar como um disseminador de comunicação, primeiro a partir de canais estatais e públicos e depois na internet. Nos dois casos, jornalistas passam a ser mão de obra essencial, se somando àqueles contratados pelas assessorias de imprensa e departamentos de comunicação nas diversas esferas de governança. Mercado de atuação no setor público Segundo a última edição da pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro, mais de 1/3 dos jornalistas brasileiros (34,9%) trabalham fora da mídia, em atividades de assessoria de imprensa ou comunicação, produção de conteúdo para mídias digitais, entre outras. O maior percentual desses trabalhadores indicou que sua atividade principal é realizada em assessorias de imprensa (43,4%), compreendendo a assessoria como uma organização que tem como atividade principal o relacionamento com os veículos noticiosos. Fora da mídia, os jornalistas elegeram de forma preferencial o setor público como área de atuação. Os jornalistas também têm como meios profissionais preferenciais fora da mídia empresas ou órgãos públicos (17,1%), agências de comunicação (15,1%) e organizações do terceiro setor ou da sociedade civil (10%). Ainda segundo a pesquisa, esses jornalistas se distribuem entre o Poder Executivo (24,2%), o Legislativo (6,9%), o Judiciário (2,3%) e no Ministério Público (0,9%). No entanto, 6,6% afirmaram trabalhar em outros órgãos que se posicionam entre o setor público e o privado, como autarquias, conselhos de classe, entre outros. Mercado de atuação no setor público A Constituição Federal de 1988 garantiu aos funcionários públicos concursados estabilidade no emprego. Essa conquista permitiu que profissionais das mais diversas áreas olhassem para o setor público como um cenário de trabalho estável e organizado em termos de carreira, ganhos e oportunidades. Enquanto o setor privado experimentava crises sucessivas, sobretudo após a chegada da internet, o mundo público formava uma legião de servidores de alto nível, bem pagos e capazes de operar serviços de alta complexidade. Entre eles, jornalistas. No período de 2013 a 2023 foram realizados mais de 290 concursos de Comunicação Social no Brasil. Em média, tivemos 27 editais por ano. A maioria dos concursos públicos na área da comunicação social é destinada a egressos do curso de jornalismo (94,6%). Há uma preferência pelo jornalista pelo seu domínio de técnicas e práticas jornalísticas aplicadas à assessoria de imprensa e redes sociais digitais. Concursos O estudo Dicas para passar em concursos de comunicação social, de Aldo Schmitz (2023), analisou quase 11 mil questões de 44 bancas examinadoras. A maior parte das bancas, 51%, se destinava ao Poder Executivo, 22% ao Judiciário, 19% ao Legislativo e 8% a autarquias (conselhos federais e estaduais, agências reguladoras etc.). Cerca de 59% das questões dos concursos de Comunicação Social são de conhecimento específico, a maioria com peso 2. Nesse quesito, o maior número de perguntas está relacionado à comunicação organizacional (23,6%), seguido por jornalismo (12,5%), comunicação digital (10,7%), assessoria de imprensa (6,8%), editoração e produção gráfica (6,5%), relações públicas (6%) e teorias da comunicação (4,1%). Ainda segundo Schmitz (2023), dentro dessas áreas, os temas mais requisitados pelas bancas são comunicação integrada, a estrutura da comunicação interna, o papel e as funções de assessoria de imprensa, o release, o media training, as redes sociais, além das teorias de comunicação e do jornalismo. Concursos As assessorias de imprensa, muito embora sejam mais numerosas em oferta para atuação na área pública, não são as únicas atribuições para um jornalista que pretende ter o Estado como seu patrão. As emissoras estatais e públicas de comunicação não apenas transmitem a atividade dos órgãos públicos que representam como também utilizam tais informações em programas periódicos, educacionais, bem como documentários que usam os próprios conteúdos gerados como matéria-prima. A TV Câmara, por exemplo, além de documentar as sessões do Plenário da Câmara Federal e suas comissões, também transmite programas que usam a temática legislativa como pauta. Seus jornalistas também se ocupam de trabalhos especiais, como documentários sobre a Constituição ou mesmo sobre legislações que marcaram época,como a Lei Maria da Penha. Áreas de atuação Mesmo no âmbito organizacional, o trabalho de um jornalista no poder público pode alçar voos importantes e que seriam raros se estivesse na mesma posição na iniciativa privada. Empresas públicas ou mistas, como a Petrobras, têm orçamentos gigantescos. As estruturas de comunicação dessas organizações exigem trabalhos de uma complexidade que empresas particulares não alcançam. Imagine estabelecer uma rotina de comunicação interna com trabalhadores que atuam em plataformas de petróleo em alto-mar ou mesmo planejar uma campanha de vacinação para centenas de milhões de pessoas. Os desafios de um jornalista nesse setor ganham contornos de altíssima especialização que podem demandar conhecimentos que transcendem suas funções básicas, extrapoladas para a gestão pública. Diante de desafios dessa natureza, mesmo levando em conta preconceitos atávicos em relação à atuação de jornalistas na área pública, esse segmento pode ser uma referência de profissionalismo e segurança profissional para essa categoria. Áreas de atuação Enquanto o setor privado experimentava crises sucessivas, sobretudo após a chegada da internet, o mundo público formava uma legião de servidores de alto nível, bem pagos e capazes de operar serviços de alta complexidade. Entre eles, jornalistas. Isso se deu porque a Constituição Federal de 1988: a) Garantiu aos funcionários públicos concursados o direito à aposentadoria. b) Garantiu aos funcionários públicos concursados liberdade de culto e manifestação religiosa. c) Garantiu aos funcionários públicos concursados estabilidade no emprego. d) Garantiu aos funcionários públicos concursados empregos vitalícios. e) Garantiu aos funcionários públicos concursados o 13º salário. Interatividade Enquanto o setor privado experimentava crises sucessivas, sobretudo após a chegada da internet, o mundo público formava uma legião de servidores de alto nível, bem pagos e capazes de operar serviços de alta complexidade. Entre eles, jornalistas. Isso se deu porque a Constituição Federal de 1988: a) Garantiu aos funcionários públicos concursados o direito à aposentadoria. b) Garantiu aos funcionários públicos concursados liberdade de culto e manifestação religiosa. c) Garantiu aos funcionários públicos concursados estabilidade no emprego. d) Garantiu aos funcionários públicos concursados empregos vitalícios. e) Garantiu aos funcionários públicos concursados o 13º salário. Resposta A graduação em Jornalismo não pode ser o último passo para um profissional que pretende manter-se atualizado diante das imensas transformações que o seu segmento de atuação vem experimentando nos últimos anos. A exemplo de outras áreas de atuação humana, o jornalismo demanda respostas que a mera atuação nas empresas de comunicação não são capazes de suprir. O mercado, cada vez mais, se coloca em um patamar de consumidor de tecnologias que não desenvolve; e o jornalismo, como ofício, pode tornar-se mero usuário de softwares e hardwares que não elaborou, pouco conhece e opera com demasiada limitação e resistência. A inteligência artificial é um ótimo exemplo. A passividade do mercado em relação aos seus limites coloca em risco a credibilidade jornalística. Só a academia proporciona o ambiente de debate e produção de conhecimento capaz de elevar a profissão aos patamares que já ocupou antes da era tecnológica: como mediadora social entre os centros de poder e a sociedade. A academia como possibilidade de trabalho e estudo O campo acadêmico da comunicação, por muitos anos, olhou para a produção mercadológica como terreno de estudo e pesquisa. Diferentemente de outras áreas do saber, no jornalismo a universidade não interferia no ferramental tecnológico jornalístico, mas buscava compreendê-lo e sistematizá-lo para o ensino da profissão. Essa abordagem tecnicista necessita somar-se a uma visão crítica: “Temos de fazer essa reflexão com certa urgência, já que se continuarmos a repetir em sala, sem a crítica necessária (o que reflete a má-formação do docente) as fórmulas ditadas pelo mercado de trabalho, estaremos rapidamente colocando por terra alguns propósitos da universidade, como o de criar massa crítica de reflexão da sociedade e o de gerar conhecimentos que visem à contínua construção da cidadania” (Ramadan, 2001, p. 5). Isso se dá a partir de duas abordagens. A primeira é sobre a demanda da chamada educação continuada. A segunda diz respeito aos campos de pesquisa e docência na comunicação. A academia como possibilidade de trabalho e estudo O conceito de educação continuada ou permanente surgiu na 15ª Conferência Geral da Unesco, em 1968, que analisava a crise da educação no Pós-guerra. Era um conceito que visava essencialmente, após meio século de guerras, uma educação para a paz. Retomado no Ano Internacional da Educação (1970), o conceito ganhou novos contornos em países em desenvolvimento como o Brasil, principalmente nas políticas de educação de adultos. Os anos 1990, marcados pela crise do emprego e pelas competitividades de mercados e de profissionais, recolocaram a importância da Educação Continuada, em face particularmente da facilidade de sua concretização pela abrangência social dos meios eletrônicos, sobretudo a televisão e a informática com seus sistemas de rede (Vilarinho, 2001, p. 6). A ideia do ensino continuado As tecnologias digitais levaram o mundo a uma nova aceleração. Jamais nos transformamos tão rapidamente e dificilmente reduziremos essa velocidade. Esta intensa relação do homem contemporâneo com a tecnologia determina que a Educação Continuada se fundamente na perspectiva de que a cognição e os processos de construção do conhecimento resultam de redes complexas nas quais interagem atores que sintetizam dimensões humanas, biológicas e técnicas (Vilarinho, 2001, p. 7). Apenas um mergulho profundo e permanente na complexidade desse mundo que despontou pode gerar as condições necessárias para que um jornalista atue com o ferramental atualizado e a necessária massa crítica. Não há outro espaço para esse desenvolvimento senão a academia. Entender que o estudo não é apenas uma questão de formação, mas uma demanda constante de desenvolvimento, coloca a Comunicação Social, em definitivo, entre as áreas de pesquisa e produção de conhecimento mais importantes da contemporaneidade. A ideia do ensino continuado Dentro da academia há duas alamedas pelas quais o ensino continuado trafega. No terreno da pós-graduação é possível prosseguir pelo lato sensu e/ou pelo stricto sensu. Na primeira alternativa temos os cursos de especialização. Em turmas menores, formadas por estudantes maduros, esses cursos representam uma nova dimensão para o desenvolvimento do saber. Menos focadas em competências e habilidades e mais centradas no aprendizado crítico, as especializações representam um ambiente capaz de levar o estudante a uma relação de prazer diante do conhecimento, com uma ambiência mais do que propícia ao ensino continuado. Nas especializações, o pós-graduando também estará diante de uma rede de relacionamentos, dos professores (normalmente mestres e doutores) aos estudantes (de um modo geral diferenciados em relação à média da graduação). A outra alameda que se abre seguirá na produção do conhecimento através da pesquisa metodológica: é o stricto sensu, com os programas de mestrado ou doutorado. A pós-graduação lato sensu e stricto sensu e a pesquisa como forma de reinterpretar o mercado Esses programas se apresentam com linhas de pesquisa a partir das quais os alunos desenvolvem suas propostas de dissertação (no caso do mestrado) e tese (no caso do doutorado). A diferença fundamental entre as duas propostas é que o doutoramento exige uma pesquisa inédita em sua respectiva área, enquanto a dissertação, no mestrado,pode discorrer sobre um recorte temático, sem essa exigência. O stricto sensu oferece uma gama de disciplinas relacionadas à sua linha de pesquisa, com uma exigência de créditos (presença e aprovação em cada matéria). Ao longo desse período de aulas, o estudante amadurece seu projeto de pesquisa. Em seguida, se debruça sobre o tema com a orientação de um dos docentes do programa. Essa pesquisa é submetida, em princípio, a uma banca de qualificação que tem como objetivo orientar ou reorientar os caminhos percorridos pelo estudante. Finalmente, o pesquisador defende seu trabalho em uma banca examinadora e recebe seu título (mestre ou doutor). A pós-graduação lato sensu e stricto sensu e a pesquisa como forma de reinterpretar o mercado As pesquisas dos programas stricto sensu podem ser financiadas por entidades de fomento públicas ou privadas, fazendo da pesquisa acadêmica uma possibilidade de trabalho remunerado. Os pesquisadores titulados também podem se candidatar à docência em suas áreas de pesquisa, de forma a difundir o conhecimento produzido entre os alunos da graduação. Em pesquisa que mapeou 109 teses defendidas em 2017, a pesquisadora Marialva Barbosa identificou as principais áreas de pesquisa e suas concentrações temáticas. Estudos de televisão, cinema, jornalismo, imagem, publicidade e relações públicas/comunicação organizacional foram as áreas mais pesquisadas. O levantamento também identificou um conjunto de trabalhos com dimensão política. São pesquisas na interseção entre as abordagens que privilegiam áreas (políticas da comunicação, economia política da comunicação, teorias políticas etc.) e as que misturam os saberes, na perspectiva da comunicação como saber síntese do século XXI. A pós-graduação lato sensu e stricto sensu e a pesquisa como forma de reinterpretar o mercado Dizia um velho e experiente gestor de cursos de Comunicação Social em São Paulo que os egressos de Jornalismo, sobretudo os que alcançaram uma posição de sucesso na área, deveriam voltar aos tablados universitários para devolver à sociedade aquilo que receberam a mais que a maioria dos seus contemporâneos. Não é difícil entender a tese que embasa esse argumento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,87% dos brasileiros, ou 13,4 milhões de pessoas, tinham o ensino superior completo em 2010. Já em 2020 houve um aumento para 18,06% da população. Esse percentual cresceu para 19,2% em 2022. Ainda assim, grosso modo, menos de 20 em cada 100 brasileiros alcançam o ensino superior. A docência em jornalismo, na perspectiva da educação continuada e do conhecimento produzido nos programas de pós-graduação, é outro caminho que qualquer estudante pode colocar entre as possibilidades a serem percorridas ao longo de sua carreira. A docência em Comunicação Social e Jornalismo Segundo o Perfil do Jornalista Brasileiro 2021, a docência é uma atividade exercida por cerca de 7,4% dos profissionais dessa área: A maior parte dos/as jornalistas docentes trabalha em Universidade de Iniciativa Privada (30%), quantitativo bastante próximo daqueles/as que atuam em Universidade Federal (28%). Apenas 12% da amostra possui vínculos simultâneos com Instituições de Ensino Superior de natureza diferente, ou seja, marcou mais de uma opção de resposta. Aproximadamente 10% dos/as jornalistas docentes atuam em Centro de Ensino Superior Privado; e/ou em Universidade Estadual; e/ou em Universidade Confessional e/ou Faculdade de Iniciativa Privada, cada uma. Apenas 7% trabalham em Universidade Comunitária ou similar (Lima et al., 2022, p. 79). A evolução dos quadros de professores de jornalismo no Brasil passou por diversas fases. Na introdução dos cursos de graduação nos anos 1960, o corpo docente era formado, de um lado, por profissionais do mercado que não conheciam mais que suas atribuições ao lado de teóricos que, por óbvio, jamais se debruçaram sobre a comunicação como área do saber. A docência em Comunicação Social e Jornalismo Com tudo o que a comunicação passou, dos seus primeiros momentos de academia até hoje, o professor de comunicação teve, tem e terá de se reinventar na mesma velocidade que a sua ciência caminha: Assim, espera-se que o docente jornalista seja um professor universitário ciente de suas ações, sabendo da importância das concepções pedagógicas para a ótica da profissão, construindo uma identidade de professor reflexivo; logo, compreendendo a relação ensino e aprendizagem e fazendo de sua prática docente uma tarefa profissional e de constante reflexão. Com tal atitude é possível melhorar não apenas a sua atividade docente como a própria profissionalização para consolidar ainda mais o curso de Jornalismo no país (Ferreira, 2013, p. 43). Da mesma forma que o profissional de jornalismo procura agora criar um novo lugar no mundo, o docente que se dispõe a orientá-lo precisa estar preparado e ciente do seu lugar e do seu papel na sociedade. A docência em Comunicação Social e Jornalismo Em pesquisa que mapeou 109 teses defendidas em 2017, a pesquisadora Marialva Barbosa identificou as principiais áreas de pesquisa e suas respectivas concentrações temáticas. Entre as áreas mais pesquisadas estão: I. Estudos de televisão e cinema. II. Estudos de jornalismo e imagem. III. Estudos de publicidade e relações públicas/comunicação organizacional. a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas a afirmação II está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Apenas as afirmações I e II estão corretas. e) Todas as afirmações estão corretas. Interatividade Em pesquisa que mapeou 109 teses defendidas em 2017, a pesquisadora Marialva Barbosa identificou as principiais áreas de pesquisa e suas respectivas concentrações temáticas. Entre as áreas mais pesquisadas estão: I. Estudos de televisão e cinema. II. Estudos de jornalismo e imagem. III. Estudos de publicidade e relações públicas/comunicação organizacional. a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas a afirmação II está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Apenas as afirmações I e II estão corretas. e) Todas as afirmações estão corretas. Resposta BARBOSA, M. Pesquisas em Comunicação no Brasil: perspectivas históricas. In: BIANCO, N. R. D.; LOPES, R. S. (org.). O campo da comunicação: epistemologia e contribuições científicas. São Paulo: SOCICOM, 2020, v. 1, p. 63-99. FERREIRA, J. Docência universitária: elementos norteadores da prática pedagógica no curso de Jornalismo. 2013. Tese (Doutorado em Jornalismo) − Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2013. LIMA, S. P. (org.); BARROS, J. V.; HENRIQUES, R. P.; MICK, J.; MOLIANI, J. A.; NICOLETTI, J.; PATRÍCIO; et al. M. Perfil do jornalista brasileiro: características sociodemográficas, políticas, de saúde e do trabalho em 2021. Quorum Comunicações, 2022. 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