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Prof. Ronald Sclavi UNIDADE I Tópicos de Atuação Profissional Poucas áreas da atividade humana sofreram tanto com a chamada Revolução Tecnológica a partir dos anos de 1970 como o Jornalismo. Essa profissão passou por uma radical reorganização dos ambientes de trabalho e consequente fragmentação das redações. Esse fenômeno se deu em meio a uma emergência da chamada “sociedade redacional”, ou seja, formada por pessoas que produzem conteúdo com as mesmas ferramentas que os próprios jornalistas. Esse cenário gerou um jornalismo que, em certa medida, tem como concorrente o próprio público consumidor. “As dimensões da categoria se expandiram exponencialmente, diversificaram-se as áreas de atuação desses profissionais e alteraram-se competências e habilidades deles demandadas.” (Mick; Lima, 2013, p. 15) Mercado de trabalho para jornalistas Esse novo jornalista está descrito nas grandes pesquisas que fotografaram o mercado brasileiro do século XXI. O Perfil do Jornalista Brasileiro 2021, elaborado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), revela que hoje 57,7% dos profissionais da área atuam nos veículos de comunicação, enquanto outros 39,7% estão fora da mídia (em assessorias de imprensa, produção de conteúdo para empresas etc.) e 7,4% em atividades docentes. Esses números são validados sem levar em conta uma importante quantidade de respondentes que sequer sabem definir seu trabalho em uma dessas três categorias. Entre as respostas abertas citadas estavam as agências de checagem, empresas que se multiplicaram após o período de isolamento da Covid-19 diante da epidemia de fake news que tomou conta do Brasil e do mundo. De fato, é complicado para um jornalista se entender dentro ou fora da mídia quando pode estar simultaneamente em ambos os lados. Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do jornalismo contemporâneo Ainda entre os jornalistas que estão fora dos veículos, 85,8% responderam que parte das suas tarefas diárias envolve a produção de conteúdo. Em segundo lugar, esse grupo cita as atividades relacionadas ao atendimento como assessor, o que engloba responder demandas de diferentes públicos e em diferentes canais. Entre os jornalistas que trabalham na mídia, por outro lado, 7,9% não se consideraram satisfatoriamente enquadrados em nenhuma das 16 categorias sugeridas, como “analista de comunicação, editor, fotógrafo e videomaker”. Dos 107 respondentes que escolheram as funções, 27 optaram por mais de uma com respostas compostas e generalizações do tipo “todas as funções” ou “faz-tudo”. As características demográficas dos jornalistas também sofreram modificações importantes. A maioria permaneceu branca (67,8%), porém em curva decrescente se comparada ao número do levantamento anterior, (72%) em 2012. Os pretos e pardos somavam 23% e passaram para 29,9% do total em uma década. Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do jornalismo contemporâneo O Perfil do Jornalista Brasileiro 2021 também constatou que, em sua maioria, a categoria é composta por mulheres, 57,8%, com mais de 40 anos. Aliás, quando o assunto é idade, é possível dividir os jornalistas brasileiros em três grupos: Há os jovens, entre os 18 e 30 anos, com 29% dos profissionais. Também temos os jornalistas mais experientes, entre 31 e 40 anos, que reúnem um outro terço da categoria. Por fim, aqueles entre os 41 e 64 anos, somando 35,8%. Somente 5% dos jornalistas registram idades acima de 64 anos. A maior concentração de jornalistas do Brasil está na Região Sudeste, nos três estados mais populosos (SP, RJ e MG) com 61,5% do total. Os três estados também são os únicos com percentual de jornalistas na casa dos dois dígitos, o que demonstra uma concentração importante nessas regiões. Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do jornalismo contemporâneo O Raio X do mercado brasileiro de Jornalismo no Brasil, levantamento realizado em 2021 pelo portal Comunique-se, com 335 respondentes, revelou que entre os jornalistas que trabalham em veículos de comunicação, 71,2% atuam na internet, muitos dos quais trabalhando simultaneamente em veículos tradicionais (como rádio ou TV, por exemplo). O número demonstra que é possível entender a web tanto como mídia quanto como uma espécie de agregador para onde a produção jornalística escoa. Mesmo entre os jornalistas que trabalham para veículos de comunicação, mais da metade (54,1%) atua como Pessoa Jurídica (PJ), o que exige uma nova postura individual e uma nova relação com os empregadores. Com forte influência do período de isolamento social, o levantamento constatou que mais da metade (54,4%) dos jornalistas trabalham em esquema home office e quase um quarto do total (23,4%) atua em regime híbrido. As casas, portanto, tornaram-se as novas redações, agora de um jornalista só. Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do jornalismo contemporâneo 60,9% planejam ou planejaram dedicar-se profissionalmente às novas mídias, como editar um blog ou manter um canal no YouTube. Outros 67,5% são demandados profissionalmente para atividades relacionadas à web, como SEO e marketing digital. As revistas, verdadeiras vedetes do bom jornalismo até o início do século XXI, tornaram-se verdadeiros patinhos feios. Apenas 23,6% dos colegas costumam manuseá-las. Já os podcasts estão entre os prediletos de nada menos que 46,3% dos entrevistados. O Raio X também investigou os aspectos identitários da categoria e constatou a presença de 12% de jornalistas que se declaram fora da orientação heterossexual, além de 20,3% autodeclarados pretos, pardos ou amarelos. Nem de longe estamos diante de um espelho da sociedade; entretanto, é perceptível um olhar progressivamente mais diverso na profissão e mesmo na própria mídia, com adoção de políticas inclusivas e das práticas ESG. Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do jornalismo contemporâneo O Raio X do mercado brasileiro de Jornalismo no Brasil, levantamento realizado em 2021 pelo portal Comunique-se, com 335 respondentes, revelou que entre os jornalistas que trabalham em veículos de comunicação 71,2% atuam na internet, muitos dos quais trabalhando simultaneamente em veículos tradicionais (como rádio ou TV, por exemplo). O número demonstra que é possível entender a web: a) Tanto como mídia quanto como uma espécie de agregador e difusor de conteúdos. b) Apenas como mídia e não como difusor de conteúdos. c) Apenas como mídia e não como agregador de conteúdos. d) Tanto como mídia quanto como uma espécie de arquivador de conteúdos. e) Jamais como mídia e apenas como uma espécie de agregador e difusor de conteúdos. Interatividade O Raio X do mercado brasileiro de Jornalismo no Brasil, levantamento realizado em 2021 pelo portal Comunique-se, com 335 respondentes, revelou que entre os jornalistas que trabalham em veículos de comunicação 71,2% atuam na internet, muitos dos quais trabalhando simultaneamente em veículos tradicionais (como rádio ou TV, por exemplo). O número demonstra que é possível entender a web: a) Tanto como mídia quanto como uma espécie de agregador e difusor de conteúdos. b) Apenas como mídia e não como difusor de conteúdos. c) Apenas como mídia e não como agregador de conteúdos. d) Tanto como mídia quanto como uma espécie de arquivador de conteúdos. e) Jamais como mídia e apenas como uma espécie de agregador e difusor de conteúdos. Resposta O avanço tecnológico dos processos comunicacionais condicionam o fazer jornalístico. Em outras palavras, ao longo de milhares de anos, o homem procurou desenvolver e adaptar tecnologias capazes de fazer com que suas mensagens percorressem um espaço cada vez maior em um tempo progressivamente mais reduzido, aproximando fatos e pessoas. No modelo clássico dacomunicação, diga-se, um tanto já defasado, ela se estabelece quando uma mensagem é emitida em um determinado código e caminha utilizando um veículo entre o seu emissor e um receptor. Cada um dos componentes desse modelo percorreu um caminho ao longo do tempo: Emissores desenvolveram códigos sofisticados. Mensagens ganharam cor, som e movimento. Veículos tornaram-se cada vez mais ágeis e acessíveis. Receptores, por sua vez, agora também emitem fazendo do processo algo ainda mais dinâmico. Códigos se renovam em imagens e sons. O Jornalismo antes e depois da internet – Impactos no mercado A primeira tecnologia essencial ao fazer jornalístico que surgiu foi o código. Como toda mensagem, a comunicação jornalística só existe se o emissor e o receptor dominarem aquele código e souberem que chuva é chuva, sol é sol e nuvens são nuvens. Para que a comunicação ocorra entre indivíduos que não se encontram no mesmo lugar, como um rei e seus súditos, por exemplo, esse código ganha outra forma. Eis que mais uma tecnologia surge para compor a mensagem nesse processo de comunicação: é a escrita que usa como principal ferramenta um alfabeto. Os primeiros escritos pictográficos encontrados datam do ano 3200 a.C. Somente dois mil anos mais tarde surge o primeiro alfabeto, entre os fenícios, ainda sem as vogais. A mensagem, mesmo devidamente codificada, precisa de um veículo. Os egípcios conseguiram um bom resultado com o papiro, uma planta cuja fibra do seu caule se prestava ao registro escrito daquele povo. Mas foram os chineses que inventaram o primeiro suporte para um veículo de comunicação: o papel. O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo da história Mas seria isso o suficiente para fazer comunicação em massa? Não! Ainda seria necessário imprimir as mensagens em série para que fossem distribuídas ao público correto. Imagine que o imperador de Roma tivesse que anunciar uma nova lei para os seus domínios. A impressão em série foi, portanto, o próximo desafio. Coube ao metalúrgico alemão Johannes Gutenberg a invenção dessa revolucionária tecnologia. Diz a lenda que ele combinou a prensa de vinho (que colocava rolhas em garrafas) com os carimbos dos correios, dando origem aos tipos móveis, capazes de “carimbar” papel, em 1439. Mesmo assim, o primeiro jornal de que se tem notícia circulou em 1582, na Alemanha. E só após a Revolução Francesa (1789) o jornalismo se estabeleceu como prática de comunicação efetiva. O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo da história Os jornais imperaram como único veículo de comunicação de massa até o início do século XX. A informação em papel ganhou imagens. Em princípio desenhos e ilustrações e depois a fotografia. Jornais e revistas europeias imprimiram fotografias pela primeira vez em 1871, na Suécia. No Brasil, a primeira imagem fotográfica foi publicada pela Revista da Semana, em 1900. As tecnologias de impressão avançaram dos tipos móveis para os linotipos e depois para o offset das máquinas planas e rotativas. Em 1896, o italiano Guglielmo Marconi inventou o rádio que, na primeira metade do século XX, passaria a ser a vedete entre os veículos de comunicação, com transmissões jornalísticas ao vivo, além de programas de variedades. O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo da história A televisão chega nos anos 1920, inventada pelo estadunidense Philo Farnsworth. Entretanto, esse veículo só vai encontrar seu lugar no mundo jornalístico em 1950, com a invenção do videotape. Antes as transmissões eram feitas ao vivo ou gravadas em película cinematográfica, com alto custo e dificuldades que impediam a agilidade do processamento de informações. No Brasil, a TV só desembarcou em 1950 pelas mãos do barão das comunicações Assis Chateaubriand. A TV colorida completava um mix de comunicação que, de tão poderoso, passou a se chamar quarto poder. Um cidadão mediano, receptor comum de informações, acordava cedo, lia seu jornal impresso, seguia para o trabalho com o rádio ligado no carro, da mesma forma quando regressava. Um pouco antes do jantar ou antes de dormir acompanhava um telejornal. Aos finais de semana lia sua revista de informação predileta e algum veículo segmentado de preferência (esportes, economia, cultura, automóveis etc.). O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo da história Era preciso inverter o fluxo da informação: Chegava a hora de dar voz aos receptores, aqueles que, até então, em silêncio consumiam a informação produzida industrialmente, com critérios profissionais e éticos cada vez mais aprimorados. Após a II Grande Guerra, os humores do planeta mudaram. A sombra de um colapso nuclear mergulhou o mundo em um clima de medo. O controle dos mísseis balísticos dos EUA não poderia permanecer em um só local, vulnerável a um ataque inimigo que deixaria os norte-americanos de mãos atadas, ainda que armados até os dentes. Os militares daquele país investiram pesado em uma rede de computadores instalada, em princípio, em cinco universidades. Se um tentáculo fosse destruído, os outros dariam conta de prosseguir em combate. Surgia a Arpanet, irmã mais velha da internet. O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo da história Logo na primeira fase, a internet trouxe o correio eletrônico. Depois, vieram os portais com uma quantidade gigantesca de informações agrupadas, ao alcance de alguns cliques. Em seguida, a busca por palavras. Depois, as redes sociais. Por fim, tudo ficou disponível, o tempo todo, em dispositivos móveis e portáteis. A internet, ao contrário dos seus antecessores, é uma Highway de mão dupla. Todos falam, todos perguntam, todos respondem. Até seu surgimento, o mix de comunicação formado pelos impressos, o rádio e a TV exibia faturamentos astronômicos, bancados por anunciantes não menos ousados e vigorosos. A internet mergulhou a comunicação convencional em uma crise estrutural gravíssima. O faturamento de gigantes da comunicação chegou a diminuir em dois terços do total. Esse cenário, por outro lado, leva o mundo da comunicação para uma encruzilhada histórica. Chegou a hora de pensar em novos modelos de negócios para a comunicação. O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo da história Um cidadão mediano, receptor comum de informações, acordava cedo, lia seu jornal impresso, seguia para o trabalho com o rádio ligado no carro, da mesma forma quando regressava. Um pouco antes do jantar ou antes de dormir acompanhava um telejornal. Aos finais de semana, lia sua revista de informação predileta e algum veículo segmentado de preferência (esportes, economia, cultura, automóveis etc.). A internet mudou completamente esse mix: a) Diante da queda de faturamento dos veículos que antecedeu a chegada da internet. b) A partir da possibilidade do público interagir com os veículos produzindo e disseminando mensagens. c) Destruindo os outros veículos de comunicação. d) Com o fim da publicidade convencional e as mídias off-line. e) Com a compra dos grupos de mídia pelas Big Techs. Interatividade Um cidadão mediano, receptor comum de informações, acordava cedo, lia seu jornal impresso, seguia para o trabalho com o rádio ligado no carro, da mesma forma quando regressava. Um pouco antes do jantar ou antes de dormir acompanhava um telejornal. Aos finais de semana, lia sua revista de informação predileta e algum veículo segmentado de preferência (esportes, economia, cultura, automóveis etc.). A internet mudou completamente esse mix: a) Diante da queda de faturamento dos veículos que antecedeu a chegada da internet. b) A partir da possibilidade do público interagir com os veículos produzindo e disseminando mensagens. c) Destruindo os outros veículos de comunicação.d) Com o fim da publicidade convencional e as mídias off-line. e) Com a compra dos grupos de mídia pelas Big Techs. Resposta Há três possibilidades de fazer do jornalismo um empreendimento. A mais comum no Brasil é o jornalismo erguido sobre os pilares capitalistas da livre-iniciativa. Ou seja, o negócio jornalístico como algo feito para gerar lucro para uma empresa. Há dois outros modelos: o estatal e o público. No modelo estatal, o Estado faria toda a gestão do veículo de comunicação, da administração à distribuição de conteúdo. É o caso de emissoras, como a TV Senado ou a TV Justiça. Esses veículos não precisam se preocupar com sua saúde financeira já que não precisam captar anúncios para manterem-se em funcionamento. A audiência também não é o problema. Eles apenas cumprem a missão do Estado de manter suas atividades com visibilidade pública. Graças a esses canais, por exemplo, temos todas as sessões do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) do Senado Federal transmitidas ao vivo, independentemente do conteúdo discutido. O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para o jornalismo No caso do modelo de negócios público, o Estado continua responsável pelo financiamento da operação, mas toda a gestão é independente, feita por uma fundação com autonomia de ações dentro de um orçamento predeterminado. É o caso da TV Cultura de São Paulo, por exemplo, mantida e administrada pela Fundação Padre Anchieta com recursos do Governo do Estado de São Paulo. Da mesma forma que acontece nos veículos estatais, os públicos não precisam se preocupar com a captação de anúncios e, como vantagem, também estão livres do jugo dos governos, já que têm sua gestão livre e independente. Esse modelo é o mais operado na Europa e tem como o mais importante exemplo a BBC, cadeia de rádio e televisão britânica que produz e distribui conteúdos tanto no Reino Unido quanto em várias partes do mundo, sob o financiamento dos cofres públicos daquele país e com total liberdade jornalística. O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para o jornalismo Mas no Brasil, o modelo privado se instituiu de forma definitiva e extremamente concentrada, nas mãos de menos de dez famílias que dão as cartas nesse jogo. A despeito do que preconiza a Constituição de 1988, o equilíbrio entre os três modelos deu lugar a um mercado oligopolizado, com grande inclinação da participação política. Não raramente, emissoras locais de televisão que funcionam sob a bandeira de redes nacionais são controladas por caciques políticos que fazem dessas empresas palanques disfarçados para obtenção de seus interesses eleitorais. Até a entrada da internet, esses grupos gigantescos imperaram no mercado nacional movimentando rios de dinheiro, como alternativas únicas para anunciantes ávidos por comunicar seus produtos e serviços. Cada uma dessas empresas de comunicação se estabelecia em uma cadeia de valor equilibrada sobre quatro pilares: a produção de conteúdo, a administração, a área comercial e a distribuição. O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para o jornalismo O primeiro pilar era uma espécie de chão de fábrica da indústria da comunicação, produzindo aquilo que as pessoas consomem: informação e entretenimento. O segundo pilar é a área administrativa propriamente dita, composta de técnicos em finanças e recursos humanos, como qualquer outra organização. O terceiro pilar é formado pelo departamento comercial, incumbido de vender os anúncios para manter as engrenagens da empresa lubrificadas com as receitas financeiras. Esses departamentos mantinham relações umbilicais com grandes grupos de publicidade que representavam clientes que, por sua vez, movimentavam milhões em publicidade. Por fim, o mercado jornalístico possuía um quarto e importantíssimo pilar: a distribuição. Uma emissora de TV de abrangência nacional tinha que manter uma rede de antenas transmissoras, repetidoras e retransmissoras de ondas eletromagnéticas para que o jornal da noite chegasse, ao mesmo tempo, em Manaus e Porto Alegre. O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para o jornalismo Com o rádio havia uma preocupação especial com a capacidade de transmissão em grandes praças, como a região metropolitana de São Paulo, por exemplo. Jornais e revistas, por sua vez, criavam redes de distribuidores em bancas espalhadas pelo Brasil. Antes da revista Veja começar a circular, a Editora Abril implantou sua rede de distribuição com os quadrinhos dos personagens Disney, em especial, o Tio Patinhas, sucesso de vendas dessa importante empresa jornalística. A distribuição determinava o momento do fechamento da redação, uma vez que após um determinado horário, um veículo impresso não conseguiria chegar ao seu leitor, jogando por terra todo o esforço na elaboração daquele conteúdo. Tudo parecia muito sólido e tranquilo. Cada empresa tinha seus próprios alicerces e os veículos funcionavam como verdadeiras instituições. A sede de um veículo de comunicação recebia chefes de Estado, empresários e intelectuais em busca de visibilidade para suas iniciativas. Diretores de redação de grandes veículos eram atendidos com prioridade por governadores, ministros e presidentes. O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para o jornalismo Mas o advento da internet mudou essa cadeia de valor de forma irreversível. O terceiro e o quarto pilar desabaram fazendo com que esses oligopólios tentassem se equilibrar exclusivamente nas duas pernas restantes. Para entender o que aconteceu, basta olhar como um adolescente consome comunicação. Ele desconhece, provavelmente, o horário do telejornal, mal sabe para que serve uma banca de jornais. Quem distribui a informação não é mais o veículo de comunicação. São as redes sociais com seus algoritmos poderosos. Outra mudança decisiva: o leitor já deve ter reparado quando inocentemente digita no Google um produto para fazer uma pesquisa qualquer. Quando a rede percebe que você quer comprar algo, esse algo passa a te perseguir de todas as formas possíveis. Essa é a nova forma de fazer publicidade, encontrando cada consumidor, a partir dos seus gostos e hábitos. O problema é que são as chamadas bigtechs, gigantes da web, que operam essas buscas e o dinheiro que isso rende. Logo, os veículos também perderam esse pilar e ganharam sócios que recolhem a maior parte das receitas publicitárias disponíveis. O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para o jornalismo É preciso fundamentalmente entender qual é o novo público que essa nova cadeia de valor tem pela frente. Vivemos em uma transição dos chamados nativos analógicos – aqueles que nasceram e cresceram no mundo da comunicação tradicional – para os nativos digitais – aqueles que já nasceram conectados. Os nativos analógicos são todos aqueles que eram adultos nos anos 90 do século passado. Estudaram por meio da leitura durante toda a vida. Tiveram aulas tradicionais. E temos também os nativos digitais que, segundo Costa (2014), dominam de maneira intuitiva a internet e os aparelhos que a manipulam. Consideram-se protagonistas na internet. Tendo bastante público, algum público ou nenhum público, não importa, eles sempre estão à vontade na rede. A busca de um novo modelo e a manutenção dos veículos tradicionais está longe de chegar ao fim. Mas a compreensão dessa transição geracional é fundamental para encontrar novas formas de gerir e manter a comunicação social com saúde financeira e independência editorial. O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para o jornalismo Esses veículos não precisam se preocupar com sua saúde financeira, já que não precisam captar anúncios parase manterem em funcionamento. A audiência também não é o problema. Eles apenas cumprem a missão do Estado de manter suas atividades com visibilidade pública. Graças a esses canais, por exemplo, temos todas as sessões do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Senado Federal transmitidas. São veículos: a) Privados. b) Públicos. c) Estatais. d) Comunitários. e) Sindicais. Interatividade Esses veículos não precisam se preocupar com sua saúde financeira, já que não precisam captar anúncios para se manterem em funcionamento. A audiência também não é o problema. Eles apenas cumprem a missão do Estado de manter suas atividades com visibilidade pública. Graças a esses canais, por exemplo, temos todas as sessões do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Senado Federal transmitidas. São veículos: a) Privados. b) Públicos. c) Estatais. d) Comunitários. e) Sindicais. Resposta A busca por novos modelos de negócios no jornalismo acabou por dar origem a uma série de novas possibilidades de trabalho e organização. O que antes era tratado de forma genérica como “imprensa alternativa”, agora ganha musculatura, com novos gêneros altamente populares. Os podcasts, o jornalismo nas redes sociais, livros-reportagem redesenhados, o jornalismo de dados, o fact-checking e outros formatos chegaram para ficar, ocupando um vazio deixado pela crise que atingiu jornalões, cadeias de rádio e TV e revistas. Podcasts como mídia – a segmentação ganhou o formato mais rápido e barato da comunicação: o som. Enganam-se aqueles que entendem o podcast como uma extensão do rádio. As características desses gêneros estão umbilicalmente relacionadas ao surgimento do streaming, fenômeno que estudaremos logo mais. Por isso mesmo, exploram assuntos específicos, que resistem ao tempo, esgotando temáticas que caminham de forma mais superficial em outras mídias. Novas carreiras com a atuação de jornalistas Cada vez mais, as redes sociais se consolidam como canais de distribuição de informação e podem ser usadas como verdadeiras agências de notícias digitais. As redes de mensagem são grupos e comunidades focadas em áreas específicas de interesse com conteúdo produzido para o consumo imediato. A cada bairro ou região da cidade, canais como esse se multiplicam, ocupando espaços dos velhos jornais de bairro. Há também serviços de clipping que reúnem informações sobre áreas específicas. Pelo YouTube novos narradores e comentaristas esportivos proliferam, desafiando a concorrência do mainstream, em transmissões cada vez mais bem feitas e cheias de estilo. Cada conteúdo digital produzido só consegue impactar seus leitores se encontrar a melhor maneira de navegar nas redes sociais. Essa é também uma oportunidade jornalística que só tende a crescer. As redes sociais como veículos de comunicação O advento do e-book fez da possibilidade de escrever um livro algo muito mais simples e também mais barato para quem gostaria de comprar um bom conteúdo. E o Brasil é um país em franco envelhecimento. Cada vida uma história. Cada família um público em potencial. São milhões de biografias que podem ser investigadas e contadas. Prateleiras não faltam. Nativos digitais foram treinados a escolher o quê, como, quando e onde consumir. Isso vale tanto para o entretenimento como para o jornalismo. Nos serviços de streaming sobram espaços para reexibições de programas e matérias antigas, séries em vídeo e áudio, cursos, workshops, palestras, entrevistas, debates e uma infinidade de produtos jornalísticos. Os documentários, por exemplo, ganharam vida nova depois que essas plataformas surgiram. Ao seu ritmo, o consumidor mergulha em um tema e pode maratonar o consumo como faz com sua série de cinema predileta. As plataformas usam a chamada Inteligência Artificial, que interpreta o que escolhemos e elas mesmas contratam produtores de conteúdo para abastecer as demandas. Livros-reportagem para nichos e o streaming como canal Há um mundo inteiro de produção jornalística de alto nível, feita antes do advento da web, que tende à extinção se não for resgatado tal e qual se faz com um tigre-de-bengala. Nesse caso, porém, são os jornalistas que devem digitalizar e imortalizar esses achados, como a revista Visão, que teve parte da sua produção imortalizada pelo Instituto Vladimir Herzog. Nesse novo mundo, cada vez que um cidadão brasileiro interage com os serviços públicos, ele gera uma informação, um dado que permanece armazenado nos arquivos públicos digitais e, a partir da promulgação da LAI, está à disposição de qualquer pessoa. Para os jornalistas, a LAI é combustível inflamável. Ela é o pontapé para o desenvolvimento de uma prática jornalística que passou a ser chamada Jornalismo de Dados. Ao contrário do que pode parecer, nem sempre o acesso basta para que a utilização dos dados seja bem-sucedida. Esses dados formam arquivos pesadíssimos cuja extração – a chamada raspagem – depende de programas específicos e, eventualmente, da ajuda de profissionais de TI. Transição de conteúdos, jornalismo de dados e LAI Um dos fenômenos verificados com a internet na engrenagem de circulação de informações é o que os especialistas chamam de superdistribuição. Funciona, grosso modo, como aquela velha brincadeira do telefone sem fio. A informação impulsionada pelas redes sai do controle do seu produtor e ganha um público muito mais amplo que seu site de origem conseguiria alcançar. Esse fenômeno faz com que uma notícia falsa produzida com características de informação jornalística ganhe uma força descomunal – falamos das fake news. Eleições já tiveram seus destinos modificados, pessoas já foram assassinadas, física e moralmente, empresas tiveram prejuízos milionários graças à ação de verdadeiras quadrilhas organizadas e especializadas nesse crime. A melhor forma de resistência surgiu também de jornalistas que se associaram e redefiniram seus métodos de apuração para chegar à verdade factual de qualquer notícia divulgada. É o que os americanos batizaram de fact-checking. O fact-checking e as agências especializadas Para promover e divulgar suas ações, empresas devem manter seus perfis ativos, com respostas ágeis e comunicação atenta, antevendo crises de reputação. Para representar essas empresas e manter esses conteúdos atualizados periodicamente, os jornalistas ganharam um novo segmento de mercado, na gestão desse conteúdo. A palavra reputação era algo restrito a uma opinião formada sobre uma pessoa ou uma empresa, com um juízo de valor construído durante anos. Com a vida em rede, essa construção de reputação passa a demandar uma vigilância mais atenta. Perder uma boa imagem e ganhar um carimbo negativo no mundo digital pode levar apenas alguns minutos. A megaídolo pop Taylor Swift, em 2016, foi condenada nos tribunais digitais à pior pena prevista: o cancelamento. Swift ressurgiu das cinzas no ano seguinte com o álbum e show Reputation, fazendo da fama de “cobra” seu trunfo. Sua estratégia de redes sociais foi tão eficiente que a levou para a capa da revista Time, como personalidade do ano de 2023. Caso típico de gestão de reputação. Gestão de conteúdo e crises de reputação O media training é outra ferramenta tradicional que ganhou novas atribuições, sobretudo após a fase de isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19. Ferramentas que pareciam ser um território exclusivo para celebridades tornaram-se a única forma de comunicação para organizações, empresas e marcas nesse momento terrível. Falar com uma webcam ligada passou a ser uma obrigação para todos aqueles que tinham algo a dizer para o mundo. Mas como aprender a usar essas ferramentas? Jornalistas passaram a responder a essa pergunta adaptando seus treinamentos a esse momento de crise. Os ghosts writers sempre existiram, fazendoas vezes de personagens famosos responsáveis por grandes feitos e quase nunca detentores de técnicas jornalísticas para imortalizar seus prodígios em um livro. Mais recentemente, essa arte ganhou novos contornos. Pessoas comuns com vidas incomuns cada vez mais requisitam esse trabalho para perenizar suas biografias, mantendo essas pequenas grandes histórias vivas. O media training e o novo ghost writer Eleições já tiveram seus destinos modificados, pessoas já foram assassinadas, física e moralmente, empresas tiveram prejuízos milionários graças à ação de verdadeiras quadrilhas organizadas e especializadas nesse crime. Falamos das chamadas: a) Barrigadas. b) Falhas técnicas. c) Notas de bastidores. d) Fake News. e) Notícias sobre celebridades. Interatividade Eleições já tiveram seus destinos modificados, pessoas já foram assassinadas, física e moralmente, empresas tiveram prejuízos milionários graças à ação de verdadeiras quadrilhas organizadas e especializadas nesse crime. Falamos das chamadas: a) Barrigadas. b) Falhas técnicas. c) Notas de bastidores. d) Fake News. e) Notícias sobre celebridades. Resposta LIMA, S.; MICK, J. Perfil do jornalista brasileiro: características demográficas, políticas e do trabalho jornalístico em 2012. Florianópolis: Insular, 2013. COSTA, C. Um modelo de negócio para o jornalismo digital. ESPM, 2014. Disponível em: https://tinyurl.com/bddvj2ck. Acesso em: 11 abr. 2024. Referências ATÉ A PRÓXIMA!