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Prof. Ronald Sclavi
UNIDADE I
Tópicos de Atuação
Profissional
 Poucas áreas da atividade humana sofreram tanto com a chamada Revolução Tecnológica 
a partir dos anos de 1970 como o Jornalismo. 
 Essa profissão passou por uma radical reorganização dos ambientes de trabalho e 
consequente fragmentação das redações. 
 Esse fenômeno se deu em meio a uma emergência da chamada “sociedade redacional”, ou 
seja, formada por pessoas que produzem conteúdo com as mesmas ferramentas que os 
próprios jornalistas.
 Esse cenário gerou um jornalismo que, em certa medida, tem como concorrente o próprio 
público consumidor.
 “As dimensões da categoria se expandiram exponencialmente, 
diversificaram-se as áreas de atuação desses profissionais e 
alteraram-se competências e habilidades deles demandadas.” 
(Mick; Lima, 2013, p. 15)
Mercado de trabalho para jornalistas
 Esse novo jornalista está descrito nas grandes pesquisas que fotografaram o mercado 
brasileiro do século XXI. 
 O Perfil do Jornalista Brasileiro 2021, elaborado pela Universidade Federal de Santa 
Catarina (UFSC), revela que hoje 57,7% dos profissionais da área atuam nos veículos de 
comunicação, enquanto outros 39,7% estão fora da mídia (em assessorias de imprensa, 
produção de conteúdo para empresas etc.) e 7,4% em atividades docentes.
 Esses números são validados sem levar em conta uma importante quantidade de 
respondentes que sequer sabem definir seu trabalho em uma dessas três categorias.
 Entre as respostas abertas citadas estavam as agências de 
checagem, empresas que se multiplicaram após o período de 
isolamento da Covid-19 diante da epidemia de fake news que 
tomou conta do Brasil e do mundo.
 De fato, é complicado para um jornalista se entender dentro ou 
fora da mídia quando pode estar simultaneamente em ambos 
os lados.
Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do
jornalismo contemporâneo
 Ainda entre os jornalistas que estão fora dos veículos, 85,8% responderam que parte das 
suas tarefas diárias envolve a produção de conteúdo. 
 Em segundo lugar, esse grupo cita as atividades relacionadas ao atendimento como 
assessor, o que engloba responder demandas de diferentes públicos e em diferentes canais.
 Entre os jornalistas que trabalham na mídia, por outro lado, 7,9% não se consideraram 
satisfatoriamente enquadrados em nenhuma das 16 categorias sugeridas, como 
“analista de comunicação, editor, fotógrafo e videomaker”.
 Dos 107 respondentes que escolheram as funções, 27 optaram por mais de uma com 
respostas compostas e generalizações do tipo “todas as funções” ou “faz-tudo”.
 As características demográficas dos jornalistas também 
sofreram modificações importantes. 
 A maioria permaneceu branca (67,8%), porém em curva 
decrescente se comparada ao número do levantamento 
anterior, (72%) em 2012. 
 Os pretos e pardos somavam 23% e passaram para 29,9% 
do total em uma década.
Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do
jornalismo contemporâneo
 O Perfil do Jornalista Brasileiro 2021 também constatou que, em sua maioria, a categoria é 
composta por mulheres, 57,8%, com mais de 40 anos. 
Aliás, quando o assunto é idade, é possível dividir os jornalistas brasileiros em três grupos: 
 Há os jovens, entre os 18 e 30 anos, com 29% dos profissionais.
 Também temos os jornalistas mais experientes, entre 31 e 40 anos, que reúnem um outro 
terço da categoria.
 Por fim, aqueles entre os 41 e 64 anos, somando 35,8%. Somente 5% dos jornalistas 
registram idades acima de 64 anos.
 A maior concentração de jornalistas do Brasil está na 
Região Sudeste, nos três estados mais populosos (SP, RJ e 
MG) com 61,5% do total.
 Os três estados também são os únicos com percentual de 
jornalistas na casa dos dois dígitos, o que demonstra uma 
concentração importante nessas regiões.
Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do
jornalismo contemporâneo
 O Raio X do mercado brasileiro de Jornalismo no Brasil, levantamento realizado em 
2021 pelo portal Comunique-se, com 335 respondentes, revelou que entre os jornalistas que 
trabalham em veículos de comunicação, 71,2% atuam na internet, muitos dos quais 
trabalhando simultaneamente em veículos tradicionais (como rádio ou TV, por exemplo).
 O número demonstra que é possível entender a web tanto como mídia quanto como uma 
espécie de agregador para onde a produção jornalística escoa. 
 Mesmo entre os jornalistas que trabalham para veículos de comunicação, mais da metade 
(54,1%) atua como Pessoa Jurídica (PJ), o que exige uma nova postura individual e uma 
nova relação com os empregadores.
 Com forte influência do período de isolamento social, o 
levantamento constatou que mais da metade (54,4%) dos 
jornalistas trabalham em esquema home office e quase 
um quarto do total (23,4%) atua em regime híbrido. As 
casas, portanto, tornaram-se as novas redações, agora de um 
jornalista só.
Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do
jornalismo contemporâneo
 60,9% planejam ou planejaram dedicar-se profissionalmente às novas mídias, como 
editar um blog ou manter um canal no YouTube. Outros 67,5% são demandados 
profissionalmente para atividades relacionadas à web, como SEO e marketing digital.
 As revistas, verdadeiras vedetes do bom jornalismo até o início do século XXI, tornaram-se 
verdadeiros patinhos feios. Apenas 23,6% dos colegas costumam manuseá-las. Já os 
podcasts estão entre os prediletos de nada menos que 46,3% dos entrevistados.
 O Raio X também investigou os aspectos identitários da categoria e constatou a presença 
de 12% de jornalistas que se declaram fora da orientação heterossexual, além de 20,3% 
autodeclarados pretos, pardos ou amarelos.
 Nem de longe estamos diante de um espelho da sociedade; 
entretanto, é perceptível um olhar progressivamente mais 
diverso na profissão e mesmo na própria mídia, com adoção 
de políticas inclusivas e das práticas ESG.
Pesquisas que apontam o cenário do mercado de trabalho do
jornalismo contemporâneo
O Raio X do mercado brasileiro de Jornalismo no Brasil, levantamento realizado em 2021 pelo 
portal Comunique-se, com 335 respondentes, revelou que entre os jornalistas que trabalham 
em veículos de comunicação 71,2% atuam na internet, muitos dos quais trabalhando 
simultaneamente em veículos tradicionais (como rádio ou TV, por exemplo). O número 
demonstra que é possível entender a web:
a) Tanto como mídia quanto como uma espécie de agregador 
e difusor de conteúdos.
b) Apenas como mídia e não como difusor de conteúdos. 
c) Apenas como mídia e não como agregador de conteúdos. 
d) Tanto como mídia quanto como uma espécie de
arquivador de conteúdos.
e) Jamais como mídia e apenas como uma espécie de 
agregador e difusor de conteúdos.
Interatividade
O Raio X do mercado brasileiro de Jornalismo no Brasil, levantamento realizado em 2021 pelo 
portal Comunique-se, com 335 respondentes, revelou que entre os jornalistas que trabalham 
em veículos de comunicação 71,2% atuam na internet, muitos dos quais trabalhando 
simultaneamente em veículos tradicionais (como rádio ou TV, por exemplo). O número 
demonstra que é possível entender a web:
a) Tanto como mídia quanto como uma espécie de agregador 
e difusor de conteúdos.
b) Apenas como mídia e não como difusor de conteúdos. 
c) Apenas como mídia e não como agregador de conteúdos. 
d) Tanto como mídia quanto como uma espécie de
arquivador de conteúdos.
e) Jamais como mídia e apenas como uma espécie de 
agregador e difusor de conteúdos.
Resposta
 O avanço tecnológico dos processos comunicacionais condicionam o
fazer jornalístico.
 Em outras palavras, ao longo de milhares de anos, o homem procurou desenvolver e adaptar 
tecnologias capazes de fazer com que suas mensagens percorressem um espaço cada 
vez maior em um tempo progressivamente mais reduzido, aproximando fatos e pessoas.
 No modelo clássico dacomunicação, diga-se, um tanto já defasado, ela se estabelece 
quando uma mensagem é emitida em um determinado código e caminha utilizando 
um veículo entre o seu emissor e um receptor.
Cada um dos componentes desse modelo percorreu um caminho ao longo do tempo:
 Emissores desenvolveram códigos sofisticados. 
 Mensagens ganharam cor, som e movimento. 
 Veículos tornaram-se cada vez mais ágeis e acessíveis. 
 Receptores, por sua vez, agora também emitem fazendo do 
processo algo ainda mais dinâmico.
 Códigos se renovam em imagens e sons.
O Jornalismo antes e depois da internet – Impactos no mercado
 A primeira tecnologia essencial ao fazer jornalístico que surgiu foi o código.
 Como toda mensagem, a comunicação jornalística só existe se o emissor e o receptor 
dominarem aquele código e souberem que chuva é chuva, sol é sol e nuvens são nuvens.
 Para que a comunicação ocorra entre indivíduos que não se encontram no mesmo lugar, 
como um rei e seus súditos, por exemplo, esse código ganha outra forma.
 Eis que mais uma tecnologia surge para compor a mensagem nesse processo de 
comunicação: é a escrita que usa como principal ferramenta um alfabeto.
 Os primeiros escritos pictográficos encontrados datam do ano 3200 a.C. Somente dois mil 
anos mais tarde surge o primeiro alfabeto, entre os fenícios, ainda sem as vogais. 
 A mensagem, mesmo devidamente codificada, precisa de 
um veículo. Os egípcios conseguiram um bom resultado com 
o papiro, uma planta cuja fibra do seu caule se prestava ao 
registro escrito daquele povo.
 Mas foram os chineses que inventaram o primeiro suporte 
para um veículo de comunicação: o papel.
O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo
da história
 Mas seria isso o suficiente para fazer comunicação em massa? Não!
 Ainda seria necessário imprimir as mensagens em série para que fossem distribuídas ao 
público correto. Imagine que o imperador de Roma tivesse que anunciar uma nova lei para 
os seus domínios.
 A impressão em série foi, portanto, o próximo desafio. 
 Coube ao metalúrgico alemão Johannes Gutenberg a invenção dessa revolucionária 
tecnologia.
 Diz a lenda que ele combinou a prensa de vinho (que 
colocava rolhas em garrafas) com os carimbos dos correios, 
dando origem aos tipos móveis, capazes de “carimbar” 
papel, em 1439.
 Mesmo assim, o primeiro jornal de que se tem notícia 
circulou em 1582, na Alemanha. 
 E só após a Revolução Francesa (1789) o jornalismo se 
estabeleceu como prática de comunicação efetiva.
O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo
da história
 Os jornais imperaram como único veículo de comunicação de massa até o início do 
século XX. 
 A informação em papel ganhou imagens. Em princípio desenhos e ilustrações e depois
a fotografia.
 Jornais e revistas europeias imprimiram fotografias pela primeira vez em 1871, na Suécia. 
No Brasil, a primeira imagem fotográfica foi publicada pela Revista da Semana,
em 1900. 
 As tecnologias de impressão avançaram dos tipos móveis para os linotipos e depois para o 
offset das máquinas planas e rotativas.
 Em 1896, o italiano Guglielmo Marconi inventou o rádio 
que, na primeira metade do século XX, passaria a ser a 
vedete entre os veículos de comunicação, com transmissões 
jornalísticas ao vivo, além de programas de variedades.
O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo
da história
 A televisão chega nos anos 1920, inventada pelo estadunidense Philo Farnsworth. 
 Entretanto, esse veículo só vai encontrar seu lugar no mundo jornalístico em 1950, com a 
invenção do videotape. 
 Antes as transmissões eram feitas ao vivo ou gravadas em película cinematográfica, 
com alto custo e dificuldades que impediam a agilidade do processamento de informações.
 No Brasil, a TV só desembarcou em 1950 pelas mãos do barão das comunicações
Assis Chateaubriand.
 A TV colorida completava um mix de comunicação que, de tão poderoso, passou a se 
chamar quarto poder. 
 Um cidadão mediano, receptor comum de informações, 
acordava cedo, lia seu jornal impresso, seguia para o trabalho 
com o rádio ligado no carro, da mesma forma quando 
regressava. Um pouco antes do jantar ou antes de dormir 
acompanhava um telejornal. Aos finais de semana lia sua 
revista de informação predileta e algum veículo segmentado 
de preferência (esportes, economia, cultura, automóveis etc.).
O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo
da história
 Era preciso inverter o fluxo da informação: Chegava a hora de dar voz aos receptores, 
aqueles que, até então, em silêncio consumiam a informação produzida industrialmente, com 
critérios profissionais e éticos cada vez mais aprimorados.
 Após a II Grande Guerra, os humores do planeta mudaram. A sombra de um colapso 
nuclear mergulhou o mundo em um clima de medo.
 O controle dos mísseis balísticos dos EUA não poderia permanecer em um só local, 
vulnerável a um ataque inimigo que deixaria os norte-americanos de mãos atadas, ainda que 
armados até os dentes. 
 Os militares daquele país investiram pesado em uma rede de 
computadores instalada, em princípio, em cinco universidades. 
Se um tentáculo fosse destruído, os outros dariam conta de 
prosseguir em combate. Surgia a Arpanet, irmã mais velha 
da internet.
O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo
da história
 Logo na primeira fase, a internet trouxe o correio eletrônico. Depois, vieram os portais
com uma quantidade gigantesca de informações agrupadas, ao alcance de alguns cliques. 
Em seguida, a busca por palavras. Depois, as redes sociais. Por fim, tudo ficou disponível, 
o tempo todo, em dispositivos móveis e portáteis.
 A internet, ao contrário dos seus antecessores, é uma Highway de mão dupla. Todos 
falam, todos perguntam, todos respondem. 
 Até seu surgimento, o mix de comunicação formado pelos impressos, o rádio e a TV exibia 
faturamentos astronômicos, bancados por anunciantes não menos ousados e vigorosos.
 A internet mergulhou a comunicação convencional em 
uma crise estrutural gravíssima. O faturamento de gigantes 
da comunicação chegou a diminuir em dois terços do total.
 Esse cenário, por outro lado, leva o mundo da comunicação 
para uma encruzilhada histórica. Chegou a hora de pensar 
em novos modelos de negócios para a comunicação.
O caminho das tecnologias que modificaram o jornalismo ao longo
da história
Um cidadão mediano, receptor comum de informações, acordava cedo, lia seu jornal impresso, 
seguia para o trabalho com o rádio ligado no carro, da mesma forma quando regressava. Um 
pouco antes do jantar ou antes de dormir acompanhava um telejornal. Aos finais de semana, lia 
sua revista de informação predileta e algum veículo segmentado de preferência (esportes, 
economia, cultura, automóveis etc.). A internet mudou completamente esse mix:
a) Diante da queda de faturamento dos veículos que antecedeu 
a chegada da internet.
b) A partir da possibilidade do público interagir com os veículos 
produzindo e disseminando mensagens.
c) Destruindo os outros veículos de comunicação. 
d) Com o fim da publicidade convencional e as mídias off-line.
e) Com a compra dos grupos de mídia pelas Big Techs.
Interatividade
Um cidadão mediano, receptor comum de informações, acordava cedo, lia seu jornal impresso, 
seguia para o trabalho com o rádio ligado no carro, da mesma forma quando regressava. Um 
pouco antes do jantar ou antes de dormir acompanhava um telejornal. Aos finais de semana, lia 
sua revista de informação predileta e algum veículo segmentado de preferência (esportes, 
economia, cultura, automóveis etc.). A internet mudou completamente esse mix:
a) Diante da queda de faturamento dos veículos que antecedeu 
a chegada da internet.
b) A partir da possibilidade do público interagir com os veículos 
produzindo e disseminando mensagens.
c) Destruindo os outros veículos de comunicação.d) Com o fim da publicidade convencional e as mídias off-line.
e) Com a compra dos grupos de mídia pelas Big Techs.
Resposta
 Há três possibilidades de fazer do jornalismo um empreendimento. A mais comum no Brasil é 
o jornalismo erguido sobre os pilares capitalistas da livre-iniciativa. Ou seja, o negócio 
jornalístico como algo feito para gerar lucro para uma empresa.
 Há dois outros modelos: o estatal e o público. No modelo estatal, o Estado faria toda a 
gestão do veículo de comunicação, da administração à distribuição de conteúdo. É o caso 
de emissoras, como a TV Senado ou a TV Justiça.
 Esses veículos não precisam se preocupar com sua saúde financeira já que não 
precisam captar anúncios para manterem-se em funcionamento. A audiência também não é 
o problema. Eles apenas cumprem a missão do Estado de manter suas atividades com 
visibilidade pública.
 Graças a esses canais, por exemplo, temos todas as 
sessões do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) 
do Senado Federal transmitidas ao vivo, 
independentemente do conteúdo discutido.
O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para 
o jornalismo
 No caso do modelo de negócios público, o Estado continua responsável pelo 
financiamento da operação, mas toda a gestão é independente, feita por uma fundação 
com autonomia de ações dentro de um orçamento predeterminado. 
 É o caso da TV Cultura de São Paulo, por exemplo, mantida e administrada pela Fundação 
Padre Anchieta com recursos do Governo do Estado de São Paulo.
 Da mesma forma que acontece nos veículos estatais, os públicos não precisam se 
preocupar com a captação de anúncios e, como vantagem, também estão livres do 
jugo dos governos, já que têm sua gestão livre e independente.
 Esse modelo é o mais operado na Europa e tem como o 
mais importante exemplo a BBC, cadeia de rádio e televisão 
britânica que produz e distribui conteúdos tanto no Reino 
Unido quanto em várias partes do mundo, sob o financiamento 
dos cofres públicos daquele país e com total
liberdade jornalística.
O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para 
o jornalismo
 Mas no Brasil, o modelo privado se instituiu de forma definitiva e extremamente 
concentrada, nas mãos de menos de dez famílias que dão as cartas nesse jogo.
 A despeito do que preconiza a Constituição de 1988, o equilíbrio entre os três modelos deu 
lugar a um mercado oligopolizado, com grande inclinação da participação política.
 Não raramente, emissoras locais de televisão que funcionam sob a bandeira de redes 
nacionais são controladas por caciques políticos que fazem dessas empresas palanques 
disfarçados para obtenção de seus interesses eleitorais.
 Até a entrada da internet, esses grupos gigantescos 
imperaram no mercado nacional movimentando rios de 
dinheiro, como alternativas únicas para anunciantes 
ávidos por comunicar seus produtos e serviços.
 Cada uma dessas empresas de comunicação se estabelecia 
em uma cadeia de valor equilibrada sobre quatro pilares: a 
produção de conteúdo, a administração, a área comercial 
e a distribuição.
O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para 
o jornalismo
 O primeiro pilar era uma espécie de chão de fábrica da indústria da comunicação, 
produzindo aquilo que as pessoas consomem: informação e entretenimento.
 O segundo pilar é a área administrativa propriamente dita, composta de técnicos em 
finanças e recursos humanos, como qualquer outra organização. 
 O terceiro pilar é formado pelo departamento comercial, incumbido de vender os anúncios 
para manter as engrenagens da empresa lubrificadas com as receitas financeiras.
 Esses departamentos mantinham relações umbilicais com grandes grupos de publicidade 
que representavam clientes que, por sua vez, movimentavam milhões em publicidade.
 Por fim, o mercado jornalístico possuía um quarto e importantíssimo pilar: a distribuição. 
 Uma emissora de TV de abrangência nacional tinha que 
manter uma rede de antenas transmissoras, repetidoras e 
retransmissoras de ondas eletromagnéticas para que o 
jornal da noite chegasse, ao mesmo tempo, em Manaus e 
Porto Alegre.
O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para 
o jornalismo
 Com o rádio havia uma preocupação especial com a capacidade de transmissão em 
grandes praças, como a região metropolitana de São Paulo, por exemplo.
 Jornais e revistas, por sua vez, criavam redes de distribuidores em bancas espalhadas pelo 
Brasil. Antes da revista Veja começar a circular, a Editora Abril implantou sua rede de 
distribuição com os quadrinhos dos personagens Disney, em especial, o Tio Patinhas, 
sucesso de vendas dessa importante empresa jornalística.
 A distribuição determinava o momento do fechamento da redação, uma vez que após 
um determinado horário, um veículo impresso não conseguiria chegar ao seu leitor, jogando 
por terra todo o esforço na elaboração daquele conteúdo.
 Tudo parecia muito sólido e tranquilo. Cada empresa tinha 
seus próprios alicerces e os veículos funcionavam como 
verdadeiras instituições. A sede de um veículo de 
comunicação recebia chefes de Estado, empresários e 
intelectuais em busca de visibilidade para suas iniciativas.
 Diretores de redação de grandes veículos eram atendidos com 
prioridade por governadores, ministros e presidentes.
O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para 
o jornalismo
 Mas o advento da internet mudou essa cadeia de valor de forma irreversível. O terceiro e o 
quarto pilar desabaram fazendo com que esses oligopólios tentassem se equilibrar 
exclusivamente nas duas pernas restantes.
 Para entender o que aconteceu, basta olhar como um adolescente consome 
comunicação. Ele desconhece, provavelmente, o horário do telejornal, mal sabe para 
que serve uma banca de jornais. Quem distribui a informação não é mais o veículo de 
comunicação. São as redes sociais com seus algoritmos poderosos.
 Outra mudança decisiva: o leitor já deve ter reparado quando inocentemente digita no 
Google um produto para fazer uma pesquisa qualquer. Quando a rede percebe que você 
quer comprar algo, esse algo passa a te perseguir de todas as formas possíveis.
 Essa é a nova forma de fazer publicidade, encontrando 
cada consumidor, a partir dos seus gostos e hábitos. O 
problema é que são as chamadas bigtechs, gigantes da web, 
que operam essas buscas e o dinheiro que isso rende. Logo, 
os veículos também perderam esse pilar e ganharam
sócios que recolhem a maior parte das receitas
publicitárias disponíveis.
O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para 
o jornalismo
 É preciso fundamentalmente entender qual é o novo público que essa nova cadeia de 
valor tem pela frente. Vivemos em uma transição dos chamados nativos analógicos –
aqueles que nasceram e cresceram no mundo da comunicação tradicional – para os nativos 
digitais – aqueles que já nasceram conectados. 
 Os nativos analógicos são todos aqueles que eram adultos nos anos 90 do século 
passado. Estudaram por meio da leitura durante toda a vida. Tiveram aulas tradicionais. 
 E temos também os nativos digitais que, segundo Costa (2014), dominam de maneira 
intuitiva a internet e os aparelhos que a manipulam. Consideram-se protagonistas na 
internet. Tendo bastante público, algum público ou nenhum público, não importa, 
eles sempre estão à vontade na rede. 
 A busca de um novo modelo e a manutenção dos veículos 
tradicionais está longe de chegar ao fim. Mas a compreensão 
dessa transição geracional é fundamental para encontrar 
novas formas de gerir e manter a comunicação social com 
saúde financeira e independência editorial.
O grande desafio: a descoberta de um modelo de negócios sustentável para 
o jornalismo
Esses veículos não precisam se preocupar com sua saúde financeira, já que não precisam 
captar anúncios parase manterem em funcionamento. A audiência também não é o problema. 
Eles apenas cumprem a missão do Estado de manter suas atividades com visibilidade pública. 
Graças a esses canais, por exemplo, temos todas as sessões do Plenário do Supremo Tribunal 
Federal (STF) e do Senado Federal transmitidas. São veículos:
a) Privados.
b) Públicos.
c) Estatais.
d) Comunitários.
e) Sindicais.
Interatividade
Esses veículos não precisam se preocupar com sua saúde financeira, já que não precisam 
captar anúncios para se manterem em funcionamento. A audiência também não é o problema. 
Eles apenas cumprem a missão do Estado de manter suas atividades com visibilidade pública. 
Graças a esses canais, por exemplo, temos todas as sessões do Plenário do Supremo Tribunal 
Federal (STF) e do Senado Federal transmitidas. São veículos:
a) Privados.
b) Públicos.
c) Estatais.
d) Comunitários.
e) Sindicais.
Resposta
 A busca por novos modelos de negócios no jornalismo acabou por dar origem a uma série 
de novas possibilidades de trabalho e organização. O que antes era tratado de forma 
genérica como “imprensa alternativa”, agora ganha musculatura, com novos gêneros 
altamente populares.
 Os podcasts, o jornalismo nas redes sociais, livros-reportagem redesenhados, o jornalismo 
de dados, o fact-checking e outros formatos chegaram para ficar, ocupando um vazio 
deixado pela crise que atingiu jornalões, cadeias de rádio e TV e revistas.
 Podcasts como mídia – a segmentação ganhou o formato mais rápido e barato da 
comunicação: o som.
 Enganam-se aqueles que entendem o podcast como uma 
extensão do rádio. As características desses gêneros estão 
umbilicalmente relacionadas ao surgimento do streaming, 
fenômeno que estudaremos logo mais.
 Por isso mesmo, exploram assuntos específicos, que 
resistem ao tempo, esgotando temáticas que caminham de 
forma mais superficial em outras mídias.
Novas carreiras com a atuação de jornalistas
 Cada vez mais, as redes sociais se consolidam como canais de distribuição de 
informação e podem ser usadas como verdadeiras agências de notícias digitais.
 As redes de mensagem são grupos e comunidades focadas em áreas específicas de 
interesse com conteúdo produzido para o consumo imediato.
 A cada bairro ou região da cidade, canais como esse se multiplicam, ocupando espaços 
dos velhos jornais de bairro.
 Há também serviços de clipping que reúnem informações sobre áreas específicas. 
 Pelo YouTube novos narradores e comentaristas esportivos proliferam, desafiando a 
concorrência do mainstream, em transmissões cada vez mais bem feitas e cheias de estilo.
 Cada conteúdo digital produzido só consegue impactar seus 
leitores se encontrar a melhor maneira de navegar nas redes 
sociais. Essa é também uma oportunidade jornalística que só 
tende a crescer.
As redes sociais como veículos de comunicação
 O advento do e-book fez da possibilidade de escrever um livro algo muito mais 
simples e também mais barato para quem gostaria de comprar um bom conteúdo.
 E o Brasil é um país em franco envelhecimento. Cada vida uma história. Cada família um 
público em potencial. São milhões de biografias que podem ser investigadas e contadas.
 Prateleiras não faltam. Nativos digitais foram treinados a escolher o quê, como, quando e 
onde consumir. Isso vale tanto para o entretenimento como para o jornalismo.
 Nos serviços de streaming sobram espaços para reexibições de programas e matérias 
antigas, séries em vídeo e áudio, cursos, workshops, palestras, entrevistas, debates e uma 
infinidade de produtos jornalísticos.
 Os documentários, por exemplo, ganharam vida nova
depois que essas plataformas surgiram. Ao seu ritmo, o 
consumidor mergulha em um tema e pode maratonar o 
consumo como faz com sua série de cinema predileta.
 As plataformas usam a chamada Inteligência Artificial, que 
interpreta o que escolhemos e elas mesmas contratam 
produtores de conteúdo para abastecer as demandas.
Livros-reportagem para nichos e o streaming como canal
 Há um mundo inteiro de produção jornalística de alto nível, feita antes do advento da 
web, que tende à extinção se não for resgatado tal e qual se faz com um tigre-de-bengala.
 Nesse caso, porém, são os jornalistas que devem digitalizar e imortalizar esses achados, 
como a revista Visão, que teve parte da sua produção imortalizada pelo Instituto 
Vladimir Herzog.
 Nesse novo mundo, cada vez que um cidadão brasileiro interage com os serviços 
públicos, ele gera uma informação, um dado que permanece armazenado nos arquivos 
públicos digitais e, a partir da promulgação da LAI, está à disposição de qualquer pessoa.
 Para os jornalistas, a LAI é combustível inflamável. Ela é 
o pontapé para o desenvolvimento de uma prática jornalística 
que passou a ser chamada Jornalismo de Dados.
 Ao contrário do que pode parecer, nem sempre o acesso basta 
para que a utilização dos dados seja bem-sucedida. Esses 
dados formam arquivos pesadíssimos cuja extração – a 
chamada raspagem – depende de programas específicos 
e, eventualmente, da ajuda de profissionais de TI.
Transição de conteúdos, jornalismo de dados e LAI
 Um dos fenômenos verificados com a internet na engrenagem de circulação de informações 
é o que os especialistas chamam de superdistribuição. Funciona, grosso modo, como 
aquela velha brincadeira do telefone sem fio. 
 A informação impulsionada pelas redes sai do controle do seu produtor e ganha um 
público muito mais amplo que seu site de origem conseguiria alcançar.
 Esse fenômeno faz com que uma notícia falsa produzida com características de informação 
jornalística ganhe uma força descomunal – falamos das fake news.
 Eleições já tiveram seus destinos modificados, pessoas já foram assassinadas, física 
e moralmente, empresas tiveram prejuízos milionários graças à ação de verdadeiras 
quadrilhas organizadas e especializadas nesse crime.
 A melhor forma de resistência surgiu também de jornalistas 
que se associaram e redefiniram seus métodos de 
apuração para chegar à verdade factual de qualquer
notícia divulgada. É o que os americanos batizaram
de fact-checking.
O fact-checking e as agências especializadas
 Para promover e divulgar suas ações, empresas devem manter seus perfis ativos, com 
respostas ágeis e comunicação atenta, antevendo crises de reputação.
 Para representar essas empresas e manter esses conteúdos atualizados periodicamente, os 
jornalistas ganharam um novo segmento de mercado, na gestão desse conteúdo.
 A palavra reputação era algo restrito a uma opinião formada sobre uma pessoa ou uma 
empresa, com um juízo de valor construído durante anos. 
 Com a vida em rede, essa construção de reputação passa a demandar uma vigilância 
mais atenta. Perder uma boa imagem e ganhar um carimbo negativo no mundo digital pode 
levar apenas alguns minutos.
 A megaídolo pop Taylor Swift, em 2016, foi condenada nos 
tribunais digitais à pior pena prevista: o cancelamento. Swift 
ressurgiu das cinzas no ano seguinte com o álbum e show
Reputation, fazendo da fama de “cobra” seu trunfo. 
 Sua estratégia de redes sociais foi tão eficiente que a levou 
para a capa da revista Time, como personalidade do ano 
de 2023. Caso típico de gestão de reputação.
Gestão de conteúdo e crises de reputação
 O media training é outra ferramenta tradicional que ganhou novas atribuições, sobretudo 
após a fase de isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19.
 Ferramentas que pareciam ser um território exclusivo para celebridades tornaram-se a única 
forma de comunicação para organizações, empresas e marcas nesse momento terrível.
 Falar com uma webcam ligada passou a ser uma obrigação para todos aqueles que 
tinham algo a dizer para o mundo. Mas como aprender a usar essas ferramentas?
 Jornalistas passaram a responder a essa pergunta adaptando seus treinamentos a esse 
momento de crise.
 Os ghosts writers sempre existiram, fazendoas vezes de 
personagens famosos responsáveis por grandes feitos e 
quase nunca detentores de técnicas jornalísticas para 
imortalizar seus prodígios em um livro.
 Mais recentemente, essa arte ganhou novos contornos. 
Pessoas comuns com vidas incomuns cada vez mais 
requisitam esse trabalho para perenizar suas biografias, 
mantendo essas pequenas grandes histórias vivas.
O media training e o novo ghost writer
Eleições já tiveram seus destinos modificados, pessoas já foram assassinadas, física e 
moralmente, empresas tiveram prejuízos milionários graças à ação de verdadeiras quadrilhas 
organizadas e especializadas nesse crime. Falamos das chamadas:
a) Barrigadas.
b) Falhas técnicas.
c) Notas de bastidores.
d) Fake News.
e) Notícias sobre celebridades.
Interatividade
Eleições já tiveram seus destinos modificados, pessoas já foram assassinadas, física e 
moralmente, empresas tiveram prejuízos milionários graças à ação de verdadeiras quadrilhas 
organizadas e especializadas nesse crime. Falamos das chamadas:
a) Barrigadas.
b) Falhas técnicas.
c) Notas de bastidores.
d) Fake News.
e) Notícias sobre celebridades.
Resposta
 LIMA, S.; MICK, J. Perfil do jornalista brasileiro: características demográficas, políticas e do 
trabalho jornalístico em 2012. Florianópolis: Insular, 2013.
 COSTA, C. Um modelo de negócio para o jornalismo digital. ESPM, 2014. Disponível em: 
https://tinyurl.com/bddvj2ck. Acesso em: 11 abr. 2024.
Referências
ATÉ A PRÓXIMA!

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