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RESUMO DIREITO DO TRABALHO II
AULA 1 – DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO: INTRODUÇÃO,
AUTONOMIA E FONTES
O Direito Processual do Trabalho compreende o conjunto de regras, normas e princípios
encarregados de regular as relações jurídico-processuais no âmbito da Justiça do
Trabalho. A sua função principal não é existir como um fim em si mesmo, mas atuar
como um instrumento dinâmico para garantir que os direitos materiais buscados pelo
cidadão sejam efetivamente entregues. Essa estrutura atua em diferentes frentes da
jurisdição. Ela abrange tanto a jurisdição contenciosa, voltada para solucionar conflitos
diretos, quanto a voluntária, voltada para integrar e fiscalizar vontades, a exemplo da
homologação de acordos extrajudiciais prevista no artigo 855-B da Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT). Além disso, organiza a resolução dos dissídios individuais,
celebrados entre empregados e empregadores, e dos dissídios coletivos, que ultrapassam
as relações individuais e conferem poder normativo à Justiça do Trabalho.
A respeito da natureza científica do ramo, debateu-se na doutrina a sua relação com o
Processo Civil. A teoria monista tentou enquadrar o ramo trabalhista como mero
desdobramento do civil, mas essa visão tornou-se minoritária. Prevalece hoje a teoria
dualista, que reconhece a autonomia do Direito Processual do Trabalho por possuir
disciplina própria nos cursos de graduação, doutrina especializada, uma Justiça
especializada e princípios próprios. Contudo, ter autonomia científica não significa
isolamento, devendo haver um constante diálogo entre as normas.
Esse diálogo legislativo é viabilizado por diplomas específicos. O artigo 769 da CLT
determina que, nos casos em que a CLT for omissa, o direito processual comum será fonte
subsidiária, desde que não haja incompatibilidade. No mesmo sentido, o artigo 15 do
Código de Processo Civil (CPC) estabeleceu expressamente que suas disposições se
aplicam de forma supletiva e subsidiária na ausência de normas trabalhistas. A aplicação
subsidiária ocorre quando há omissão total da CLT sobre determinado tema, permitindo
a importação da regra do CPC. Já a aplicação supletiva ocorre diante de uma omissão
parcial, na qual a norma do CPC é empregada para complementar o regramento que a
CLT trouxe de forma incompleta. Em ambas as situações, o pressuposto básico e
indispensável é a compatibilidade da norma processual civil com os princípios
trabalhistas.
Para compreender como esse sistema é alimentado, analisam-se as suas fontes. As fontes
materiais representam todos os fatos históricos, econômicos, políticos e sociais da vida
em sociedade que pressionam a criação de novas regras jurídicas. Exemplos disso são a
pressão social pelo fim da escala de trabalho 6x1 e a expansão das atividades por
plataformas digitais e aplicativos. Por sua vez, as fontes formais representam a
exteriorização da norma. Elas dividem-se em uma ordem hierárquica rigorosa,
diferentemente do direito material do trabalho que prioriza a norma mais favorável.
No topo da hierarquia formal estão a Constituição Federal e os Tratados de Direitos
Humanos aprovados pelo rito de emenda constitucional. Em seguida, situam-se as leis
complementares e ordinárias, como a própria CLT, a Lei nº 5.584/1970 (que trata de
normas processuais trabalhistas) e a Lei nº 7.701/1988 (que dispõe sobre a especialização
de turmas e seções nos tribunais). Logo abaixo estão o Código de Processo Civil e os
Regimentos Internos dos Tribunais, seguidos pelos costumes, jurisprudência e súmulas
vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal com base no artigo 103-A da
Constituição Federal, as quais vinculam os demais órgãos do Judiciário. Destaca-se que
a doutrina não é considerada fonte formal, figurando apenas como elemento
interpretativo.
O funcionamento da estrutura processual baseia-se em princípios fundamentais. No
âmbito constitucional e geral, destacam-se a isonomia (garantia de paridade de armas
entre as partes); a inafastabilidade da jurisdição (acesso amplo ao Judiciário, assegurado
pelo artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal); a publicidade dos atos (prevista
no artigo 770 da CLT, ressalvado o interesse social); a motivação obrigatória das decisões
judiciais (artigo 93, inciso IX, da Constituição); a duração razoável do processo e
celeridade (artigo 765 da CLT); a primazia da decisão de mérito (busca por sanar vícios
para julgar o centro do litígio); a cooperação entre os participantes (artigo 6º do CPC); a
boa-fé processual; o duplo grau de jurisdição; e a instrumentalidade das formas aliada à
preclusão.
Além dos gerais, o Processo do Trabalho possui princípios específicos que confirmam a
sua autonomia. Entre eles estão o princípio da proteção (instrumentalidade focada em
equilibrar a hipossuficiência do trabalhador); a obrigatoriedade da tentativa de
conciliação (artigo 764 da CLT); o jus postulandi (faculdade das partes postularem
diretamente perante as Varas e Tribunais Regionais do Trabalho sem advogado, prevista
no artigo 791 da CLT); a oralidade; a possibilidade de decisões extrapetição nas hipóteses
legais; a despersonalização do empregador (em que a empresa responde primordialmente
antes da pessoa do sócio); a simplicidade e informalidade (especialmente no rito
sumaríssimo); o impulso inquisitivo temperado (liberdade do juiz na direção do processo,
respaldada pelo artigo 765 da CLT); e o poder normativo nos dissídios coletivos.
A interpretação dessas normas exige a extração de sentido do texto para alinhá-lo à
realidade. Utiliza-se a interpretação literal (sentido estrito das palavras), a histórica
(análise do processo legislativo), a teleológica (foco nos valores de justiça, bem comum
e igualdade), a lógico-racional (argumentos de lógica interna), a sistemática
(compreensão do direito como um sistema conjunto) e a interpretação conforme a
Constituição.
Na aplicação prática da norma no tempo, adota-se a regra do tempus regit actum, segundo
a qual o ato processual é regido pela lei vigente no momento em que é praticado. Na CLT,
o artigo 912 prevê a aplicação imediata das normas imperativas às relações em curso, e o
artigo 915 assegura o direito aos recursos interpostos com base na legislação anterior. No
CPC, os artigos 14 e 1.046 reforçam que as novas leis processuais não retroagem,
aplicando-se imediatamente aos processos pendentes, mas respeitando os atos
consolidados. O impacto dessa transição temporal é evidente com reformas trabalhistas
que alteraram institutos como honorários advocatícios, custos processuais, depósitos
recursais e penalidades a testemunhas.
Quando o texto da lei apresenta falhas, ocorre a integração normativa. As lacunas
dividem-se em omissão normativa (ausência total do tema, como no caso de hipóteses de
cabimento de ação rescisória), omissão ontológica (a norma existe, mas está desatualizada
diante dos fatos sociais, a exemplo de dispositivos antigos que ainda mencionam juntas
de conciliação já extintas) e omissão axiológica (a norma existe, mas sua aplicação gera
uma injustiça por desalinhar-se dos valores atuais).
Para resolver essas falhas nas diferentes etapas do processo, segue-se um fluxo específico.
Na fase de conhecimento, se a CLT for omissa, aplica-se diretamente o CPC, desde que
haja compatibilidade (artigo 769 da CLT). Já na fase de execução de dívidas e decisões,
se a CLT for omissa, recorre-se primeiramente à Lei de Execução Fiscal (Lei nº
6.830/1980), conforme determina o artigo 889 da CLT. Caso a Lei de Execução Fiscal
também seja omissa, utiliza-se então o CPC, mantendo-se sempre o filtro da
compatibilidade.
Por fim, toda essa bagagem teórica e legislativa é testada diante das mutações do mercado
de trabalho. As transformações contemporâneas impõem debates sobre a pejotização e a
subordinação estrutural nas plataformas digitais, confrontando o limite da autonomia do
trabalhador com a precarização digital. Um exemplo concreto do temaé a discussão em
torno da formação do vínculo de emprego com motoristas de aplicativo, sob o prisma dos
artigos 3º (conceito de empregado), 6º (trabalho à distância e meios telemáticos) e 442-B
(trabalho autônomo) da CLT, bem como decisões de tribunais estaduais (como o acórdão
do TRT-5 no caso RORSum 0000434-14.2024.5.05.0024) que afastaram o vínculo
devido à ausência de subordinação jurídica clássica.
AULA 2 – ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO E
COMPETÊNCIA
A estrutura e o funcionamento da Justiça do Trabalho são organizados para assegurar a
aplicação célere e eficaz do direito. O artigo 111 da Constituição Federal de 1988 (CF/88)
estabelece que são órgãos da Justiça do Trabalho o Tribunal Superior do Trabalho (TST),
os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e os Juízes do Trabalho. Este ramo integra a
Justiça Especializada do país, ao lado da Eleitoral e da Militar, diferenciando-se da Justiça
Comum (Federal e Estadual).
No topo dessa estrutura encontra-se o Tribunal Superior do Trabalho (TST), com sede em
Brasília e jurisdição nacional, cuja função precípua é uniformizar a jurisprudência
trabalhista em todo o país. O artigo 111-A da Constituição Federal define sua composição
por 27 Ministros, brasileiros entre 35 e 70 anos, de notável saber jurídico e reputação
ilibada, nomeados pelo Presidente da República após aprovação por maioria absoluta no
Senado Federal.
A escolha desses ministros atende à regra constitucional: um quinto (1/5) das vagas é
destinado ao Quinto Constitucional, reservado a advogados com mais de 10 anos de
efetiva atividade e a membros do Ministério Público do Trabalho (MPT) com mais de 10
anos de carreira, por meio de processo que envolve lista sêxtupla, lista tríplice e escolha
presencial pelo Presidente. Os outros quatro quintos (4/5) são preenchidos por juízes dos
Tribunais Regionais do Trabalho oriundos da magistratura de carreira, indicados pelo
próprio TST. Junto ao TST funcionam a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento
de Magistrados (ENAMAT) e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), órgão
responsável pela supervisão administrativa, orçamentária e financeira do setor, sem
exercer função jurisdicional.
Conforme prevê seu Regimento Interno (Resolução Administrativa nº 1937/2017), o TST
divide-se em órgãos internos: o Tribunal Pleno (integrado por todos os ministros); o
Órgão Especial (composto por 14 membros e 3 suplentes); a Seção Especializada em
Dissídios Coletivos (SDC); a Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI),
desdobrada nas subseções SDI-I e SDI-II; e as Turmas, cada uma formada por 3 ministros.
No âmbito correcional, a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho fiscaliza e orienta
administrativamente os TRTs e seus magistrados, sendo dirigida por um Corregedor
eleito entre os ministros mais antigos para um mandato de 2 anos.
No segundo grau de jurisdição estão os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs),
somando 24 tribunais espalhados pelo Brasil — entre eles o TRT da 5ª Região, na Bahia.
O artigo 115 da Constituição determina que cada TRT seja composto por um mínimo de
7 juízes, brasileiros entre 30 e 70 anos, nomeados pelo Presidente da República e
recrutados, na medida do possível, na própria região. O preenchimento das vagas segue
o mesmo critério do TST: um quinto pelo Quinto Constitucional e quatro quintos por
promoção de juízes de carreira, alternando por antiguidade e merecimento.
Para garantir a democratização do acesso ao Judiciário, o artigo 115, § 1º, da Constituição
prevê a Justiça Itinerante, permitindo a realização de audiências nos limites da jurisdição
territorial com apoio de equipamentos públicos, enquanto o § 2º autoriza a constituição
de Câmaras Regionais descentralizadas.
O primeiro grau de jurisdição é exercido nas Varas do Trabalho pelos Juízes do Trabalho
de forma singular, conforme o artigo 116 da Constituição Federal. O ingresso na carreira
exige aprovação em concurso público de provas e títulos, com participação da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) e comprovação de no mínimo 3 anos de atividade jurídica.
A figura dos antigos juízes classistas (leigos) foi extinta com a Emenda Constitucional nº
24/1999, encerrando as antigas Juntas de Conciliação e Julgamento.
Para garantir a independência do juiz, o artigo 95 da Constituição assegura as garantias
da vitaliciedade (após 2 anos de exercício), da inamovibilidade e da irredutibilidade de
subsídio. Em contrapartida, o mesmo artigo prevê vedações severas: proibições de
exercer outro cargo ou função (salvo uma de magistério), de receber custas ou
participação em processos e de dedicação a atividades político-partidárias.
A solução dos conflitos trabalhistas pode se dar por três métodos fundamentais:
autotutela, autocomposição e heterocomposição. A autotutela ("fazer justiça com as
próprias mãos") é expressamente vedada no ordenamento legal, podendo caracterizar o
crime do artigo 345 do Código Penal, abrindo-se exceção para o direito de greve. A
autocomposição abrange a mediação e a conciliação, em que as próprias partes chegam a
um acordo. Na mediação, o mediador estimula a comunicação entre partes que já
possuíam vínculo anterior, sem sugerir a solução; na conciliação (regida pelos artigos
165, §§ 2º e 3º, do CPC), o conciliador pode sugerir propostas diretas para o litígio. A
heterocomposição ocorre quando um terceiro decide a controvérsia, seja mediante
arbitragem ou pela via judicial.
O princípio da conciliação é um pilar no processo do trabalho. O artigo 764 da CLT impõe
que os dissídios submetidos à Justiça do Trabalho estarão sempre sujeitos à conciliação.
No rito ordinário, a tentativa de conciliação é obrigatória em dois momentos: na abertura
da audiência inicial antes da defesa (artigo 846 da CLT) e após as razões finais antes da
sentença (artigo 850 da CLT). No rito sumaríssimo, o artigo 852-E da CLT determina que
o juiz deve buscar a conciliação e persuadir as partes em qualquer fase da audiência.
Contudo, a Instrução Normativa nº 39/2016 do TST (artigo 14) afasta a aplicação dos
centros judiciários de conciliação do CPC (artigo 165) ao Processo do Trabalho,
ressalvada a hipótese de conflitos coletivos econômicos. Ademais, a Súmula 418 do TST
consolida que a homologação de acordo é uma faculdade do juiz, não gerando direito
líquido e certo que possa ser exigido por mandado de segurança.
Outros meios extrajudiciais englobam as Comissões de Conciliação Prévia (CCPs) e a
Arbitragem. Prevista no artigo 625-A da CLT, a CCP busca solucionar conflitos
individuais extrajudicialmente no prazo de 10 dias; caso haja acordo, este gera um termo
de quitação com eficácia liberatória geral e força de título executivo extrajudicial.
Segundo o STF, a passagem pela CCP é facultativa ao trabalhador.
Por sua vez, a Arbitragem, regulada pela Lei nº 9.307/1996, destina-se apenas a direitos
patrimoniais disponíveis e pessoas capazes. No âmbito trabalhista, a Reforma Trabalhista
inseriu o artigo 507-A na CLT, permitindo a arbitragem para o "empregado
hipersuficiente" (com remuneração superior a duas vezes o teto do Regime Geral de
Previdência Social - RGPS), por sua iniciativa ou concordância expressa. A sentença
arbitral deve ser proferida em até 6 meses, contendo relatório, fundamentos e dispositivo,
podendo ter sua nulidade arguida perante o Judiciário.
A jurisdição exercida pelos juízes traduz-se no poder-dever estatal de aplicar o direito ao
caso concreto com definitividade, buscando a pacificação social. Suas características
fundamentais incluem a substitutividade (o Estado substitui a vontade das partes), a
existência de lide, a inércia inicial, a definitividade (gerando coisa julgada), a
imperatividade e a natureza declaratória. Seus princípios orientadores englobam a
investidura, territorialidade, indelegabilidade, inevitabilidade, inafastabilidade da
jurisdição (o juiz não pode se esquivar de decidir) e o juiz natural.
A atividade jurisdicionaldesdobra-se em jurisdição contenciosa e voluntária. A
contenciosa destina-se a resolver uma lide com partes adversas, produzindo coisa julgada
material e formal sob o princípio dispositivo e regras de legalidade estrita. A voluntária
atua na integração da vontade de interessados, sem lide, podendo o juiz julgar por
equidade e prevalecendo o princípio inquisitivo, gerando apenas coisa julgada formal.
Um exemplo clássico trazido pela Reforma Trabalhista nos artigos 855-B a 855-E da CLT
é o procedimento de jurisdição voluntária para Homologação de Acordo Extrajudicial,
que exige petição conjunta assinada por advogados distintos para cada parte, sobre a qual
o juiz decidirá em 15 dias.
Para que a jurisdição seja prestada de forma legítima, observa-se a competência, que
representa o limite do exercício da jurisdição. Os critérios de distribuição de competência
são matéria (natureza da causa), pessoa (qualidade das partes), função (atribuição do
órgão) e lugar (território). Destaca-se que o valor da causa no processo trabalhista não
fixa competência, servindo unicamente para definir o rito processual (ordinário,
sumaríssimo ou sumário).
Quanto à classificação, a competência pode ser originária (para apreciar a causa em
primeiro grau) ou derivada (grau recursal); exclusiva ou concorrente (permitindo escolha
de foro ou forum shopping); e absoluta ou relativa. A competência absoluta (fundada no
interesse público, fixada por matéria, pessoa ou função) pode ser declarada de ofício a
qualquer tempo e sua inobservância gera nulidade absoluta. A competência relativa
(fundada no interesse privado e fixada pelo território) deve ser arguida pela parte via
exceção no prazo de 5 dias (artigo 800 da CLT), sob pena de prorrogação e nulidade
apenas relativa.
Conforme o artigo 43 do CPC, aplica-se o princípio da perpetuatio jurisdictionis, pelo
qual a competência é determinada no momento da distribuição da petição inicial, sendo
irrelevantes alterações posteriores de fato ou de direito. Exceções ocorrem quando há
supressão do órgão judiciário ou alteração da competência absoluta. Nesse contexto, a
Súmula 367 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) esclarece que a ampliação trazida pela
Emenda Constitucional nº 45/2004 não alcança processos com sentença já proferida,
enquanto a Súmula Vinculante 22 do STF fixou a competência da Justiça do Trabalho
para ações de indenização por acidente de trabalho que não tivessem sentença de mérito
proferida antes da referida emenda.
A competência material da Justiça do Trabalho está delineada no artigo 114 da
Constituição Federal, abrangendo: ações oriundas da relação de trabalho (inclusive com
entes públicos); ações sobre o direito de greve; conflitos de representação sindical;
mandados de segurança, habeas corpus e habeas data em matéria trabalhista; conflitos
de competência entre órgãos trabalhistas; ações de indenização por dano moral ou
patrimonial decorrentes da relação de trabalho; penalidades impostas por órgãos de
fiscalização do trabalho; e a execução de ofício das contribuições sociais do artigo 195,
I, "a", e II, da Constituição.
A interpretação desse artigo é complementada pela jurisprudência vinculante dos
tribunais superiores: a Súmula Vinculante 23 do STF estabelece a competência trabalhista
para ações possessórias decorrentes de greve na iniciativa privada; a Súmula Vinculante
53 restringe a execução de ofício das contribuições previdenciárias às sentenças
condenatórias e acordos homologados; e o STF, no julgamento da ADI 3.395, excluiu da
Justiça do Trabalho as causas entre o Poder Público e seus servidores sujeitos a regime
estatutário ou administrativo.
Em termos de competência territorial, a regra geral insculpida no caput do artigo 651 da
CLT fixa como competente a Vara do Trabalho do local onde o empregado prestou
serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado em outro local ou no estrangeiro.
O mesmo artigo prevê exceções: no § 1º, para o agente ou viajante comercial, a
competência será da localidade da agência ou filial a que estiver subordinado ou, na sua
falta, do seu próprio domicílio; no § 2º, assegura-se a jurisdição nacional ao brasileiro
empregado no exterior em agência ou filial, salvo convenção internacional em contrário;
e no § 3º, quando o empregador realizar atividades fora do local de celebração do contrato,
faculta-se ao empregado ajuizar a ação no foro da celebração do contrato ou no da
prestação dos serviços.
Por fim, a competência relativa pode sofrer modificações que ampliam a atuação do órgão
julgador. Isso ocorre pela prorrogação (quando o réu deixa de apresentar a exceção do
artigo 800 da CLT); pela conexão (reunião de ações com mesma causa de pedir ou pedido,
artigo 55 do CPC); ou pela continência (quando entre duas ações há identidade de partes
e causa de pedir, com pedido mais amplo em uma delas, artigo 56 do CPC). De forma
diversa, a escolha de foro de eleição em cláusulas contratuais privadas é considerada, em
regra, incompatível com o Processo do Trabalho, consoante o artigo 2º, inciso I, da
Instrução Normativa nº 39 do TST, preservando o equilíbrio e o acesso à justiça pelo
trabalhador.
AULA 3- MPT, AÇÕES E PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
O estudo do Direito Processual do Trabalho compreende também a estrutura do
Ministério Público do Trabalho, a teoria da ação e os pressupostos processuais que
garantem o desenvolvimento regular da relação jurídica. O Ministério Público do
Trabalho (MPT) é um ramo do Ministério Público da União (MPU), instituído como
órgão permanente e essencial à função jurisdicional nos termos do artigo 127 da
Constituição Federal de 1988 (CF/88). Sua incumbência principal é a defesa da ordem
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. No
âmbito trabalhista, atua na tutela de direitos difusos, coletivos, individuais homogêneos e
individuais indisponíveis decorrentes da relação de trabalho.
A atuação do MPT fundamenta-se nos princípios institucionais do artigo 127, § 1º, da
CF/88: a unidade (todos os órgãos atuam com a mesma finalidade), a indivisibilidade
(membros podem se substituir no processo sem alterar a relação jurídica) e a
independência funcional (autonomia para atuar sem hierarquia ou ingerência de outros
Poderes). Subentende-se também o princípio do promotor natural, assegurando que o
processo seja conduzido por autoridade legalmente designada.
Para o livre exercício de suas funções, o artigo 128, § 5º, I, da CF/88 assegura aos
membros do MP as garantias de vitaliciedade (após 2 anos de exercício), inamovibilidade
e irredutibilidade de subsídio. Em contrapartida, o inciso II do mesmo parágrafo impõe
vedações rígidas: proibição de receber honorários ou custas, exercer a advocacia,
participar de sociedade comercial, exercer outra função pública (salvo magistério) e
dedicar-se a atividade político-partidária. O artigo 128, § 6º, da CF/88 fixa a quarentena,
proibindo a advocacia no juízo ou tribunal do qual o membro se afastou por 3 anos após
aposentadoria ou exoneração. Já o artigo 18 da Lei Complementar nº 75/1993 estabelece
suas prerrogativas institucionais, como assento à direita dos juízes, uso de vestes talares,
trânsito livre em serviço, prioridade em transporte urgente, porte de arma e intimação
pessoal nos autos.
A organização do Ministério Público, segundo o artigo 128 da CF/88, divide-se entre o
MP da União (MPU) e os MPs Estaduais. O MPU é chefiado pelo Procurador-Geral da
República (PGR), nomeado pelo Presidente da República entre integrantes da carreira
com mais de 35 anos, após aprovação por maioria absoluta do Senado Federal, para
mandato de 2 anos com recondução permitida. O MPU abrange o MP Federal, o MP do
Trabalho, o MP Militar e o MP do Distrito Federal e Territórios. O MPT é chefiado pelo
Procurador-Geral do Trabalho (PGT), conforme o artigo 88 da Lei Complementar nº
75/1993. O PGT é nomeado pelo PGR a partir de listatríplice formada pelo Colégio de
Procuradores, dentre membros com mais de 35 anos e 5 anos de carreira, para mandato
de 2 anos com uma recondução. A estrutura interna do MPT integra a PGT, o Colégio de
Procuradores, o Conselho Superior, a Câmara de Coordenação e Revisão, a Corregedoria,
além dos Subprocuradores, Procuradores Regionais e Procuradores do Trabalho.
As atribuições do MPT junto à Justiça do Trabalho estão detalhadas no artigo 83 da Lei
Complementar nº 75/1993. Compete ao órgão: promover ações constitucionais e
trabalhistas; manifestar-se em qualquer fase do processo quando houver interesse público;
propor Ação Civil Pública (ACP); requerer nulidade de cláusulas contratuais que violem
direitos indisponíveis; defender incapazes, menores e indígenas; atuar em sessões de
tribunais; participar da instrução e conciliação de dissídios coletivos; atuar como árbitro
quando solicitado; recorrer de decisões como parte ou fiscal da lei; instaurar instância em
caso de greve; impetrar mandado de injunção na Justiça do Trabalho; e intervir
obrigatoriamente em processos com entes públicos.
Na esfera extrajudicial, o MPT utiliza o Inquérito Civil, instrumento exclusivo do
Ministério Público para investigar lesões ou ameaças a direitos metaindividuais. O
inquérito pode ser instaurado de ofício, por requerimento de qualquer pessoa ou por
designação de órgãos superiores. Caso haja indeferimento liminar da instauração por
decisão fundamentada em até 30 dias (como em casos em que o fato não lesa direitos
coletivos ou a denúncia não traz localização), cabe recurso administrativo no prazo de 10
dias para a Câmara de Coordenação e Revisão do MPT. Diferente da ACP, que possui
legitimidade concorrente nos termos do artigo 5º da Lei nº 7.347/1985, a instauração do
inquérito civil é de legitimidade exclusiva do MP.
No estudo da Teoria da Ação, conceitua-se a ação como o direito subjetivo de provocar a
tutela jurisdicional. A evolução doutrinária compreende a Teoria Civilista (Savigny, que
unia ação e direito material), a Teoria Concretista (Wach, que condicionava a ação ao
direito a uma sentença favorável), a Teoria Abstrata (Degenkolb, que defendia o direito
de ação sem condições), a Teoria Eclética (Liebman, que condicionava a ação a requisitos
formais) e a Teoria da Asserção (Della prospettazione), adotada na prática, pela qual as
condições da ação são aferidas segundo as alegações do autor na petição inicial.
Os elementos da ação permitem identificar e individualizar a causa para evitar
litispendência e coisa julgada. São eles:
• Partes: reclamante (autor) e reclamado (réu), analisados sob a teoria restritiva de
Chiovenda ou ampliativa de Liebman;
• Pedido: desdobrado em imediato (o provimento jurisdicional, como a
condenação) e mediato (o bem da vida, como uma indenização), devendo ser certo
e determinado;
• Causa de Pedir: dividida em remota (fatos jurídicos) e próxima (fundamento
jurídico), adotando-se a teoria da substanciação alinhada ao artigo 319 do CPC.
Na petição inicial, é possível haver a cumulação de pedidos (mesmo réu, pedidos
compatíveis, mesmo juiz competente e mesmo procedimento). A cumulação pode ser
própria, subdividida em simples (um pedido não afeta o outro) ou sucessiva (um pedido
depende do acolhimento do anterior); e imprópria, subdividida em subsidiária (pede-se o
segundo caso o primeiro seja rejeitado) ou alternativa (pede-se um ou outro). O princípio
do jura novit curia estabelece que o juiz conhece o direito, mas este não pode alterar a
causa de pedir e deve intimar as partes para manifestação prévia.
As condições da ação desenvolvidas por Liebman foram reduzidas pelo CPC/2015 a duas:
a legitimidade das partes e o interesse de agir. A legitimidade pode ser ordinária (defesa
de direito próprio em nome próprio) ou extraordinária (defesa de direito alheio em nome
próprio). Os sindicatos possuem ampla legitimidade extraordinária: atuam como
legitimados anômalos para direitos difusos e coletivos, como substitutos processuais para
direitos individuais homogêneos e em nome próprio para interesses da categoria. O
interesse de agir compõe-se pelo trinômio necessidade (indispensabilidade da via
judicial), utilidade (potencial de melhora real) e adequação (procedimento correto).
O desenvolvimento válido do processo exige a observância dos pressupostos processuais.
Os subjetivos dividem-se em requisitos de existência — investidura do juiz e capacidade
de ser parte — e de validade — competência, imparcialidade do julgador, capacidade
processual e capacidade postulatória (exigência de advogado habilitado na OAB). Os
objetivos dividem-se em intrínsecos (existência da demanda, petição inicial apta, citação
válida e regularidade formal) e extrínsecos/negativos. A ausência de pressupostos
extrínsecos como coisa julgada material, litispendência, transação, convenção de
arbitragem ou perempção impede o julgamento. A petição inicial será inepta nos termos
do artigo 330, § 1º, do CPC quando lhe faltar pedido/causa de pedir, o pedido for
indeterminado, a narração não tiver conclusão lógica ou contiver pedidos incompatíveis.
No Processo do Trabalho, a perempção possui regra própria em relação ao Processo Civil.
Enquanto no CPC a perempção é definitiva após três abandonos, no Processo do Trabalho
a perempção é temporária por 6 meses e ocorre quando o reclamante dá causa por duas
vezes seguidas ao arquivamento da ação, ou quando não reduz a termo a reclamação
verbal dentro do prazo.
Por fim, a dinâmica processual é regida pelo instituto da preclusão, que extingue a
faculdade de praticar atos processuais. A preclusão divide-se em temporal (perda do prazo
legal, como os 8 dias para interpor Recurso Ordinário), lógica (prática de ato incompatível
com a vontade anterior) e consumativa (impossibilidade de refazer ou complementar ato
já praticado). Quanto à preclusão pro judicato (aplicada ao juiz), não há preclusão
temporal, pois os prazos do magistrado são impróprios, mas admite-se a ocorrência das
modalidades lógica e consumativa para a autoridade judiciária.
AULA 4- SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DO CONTRATO DE
TRABALHO
A matéria abrange as regras relativas à suspensão, à interrupção e às alterações do
contrato de trabalho, regulamentando os momentos em que a prestação de serviços sofre
paralisações ou modificações em seu conteúdo.
De início, estabelece-se a conceituação fundamental de cada instituto:
• Suspensão do contrato de trabalho: consiste na cessação provisória e total da
execução do contrato, de modo que o empregado não presta serviços e o
empregador não efetua o pagamento de salários nem computa o período como
tempo de serviço.
• Interrupção do contrato de trabalho: refere-se à cessação provisória e apenas
parcial dos efeitos contratuais. Nesse cenário, apesar de o empregado não prestar
serviços, o período é remunerado pelo empregador e computado para todos os fins
legais.
• Alteração do contrato de trabalho: diz respeito à modificação bilateral e
negociada das condições que compõem o conteúdo do contrato laboral.
As hipóteses de interrupção contratual estão dispostas expressamente no artigo 473 da
CLT e em legislações correlatas, configurando ausências justificadas ao serviço nas quais
as faltas são abonadas:
• Afastamento por doença: primeiros 15 dias de afastamento remunerados pelo
empregador.
• Férias e Descanso Semanal Remunerado (DSR): períodos de descanso
garantidos com a devida remuneração.
• Licenças Maternidade e Paternidade: períodos de afastamento destinados ao
cuidado com o recém-nascido, mantendo-se os direitos pagos.
• Cumprimento de obrigações cidadãs e públicas: doação voluntária de sangue,
alistamento eleitoral, serviços prestados à Justiça e cumprimento de deveres de
reservista ou do serviço militar.
• Acidente de trabalho: afastamento inicial a cargo do empregador.
• Educação e qualificação: ausência para prestação deexames de vestibular.
• Atuação sindical internacional: desempenho de função como representante de
entidade sindical em reunião oficial de organismo internacional.
• Acompanhamento familiar e saúde: ausência para acompanhar esposa ou
companheira em consultas médicas e exames complementares durante a gravidez;
acompanhamento de filho de até 6 anos em consultas médicas; e ausência para a
realização de exames preventivos de câncer.
Por outro lado, as hipóteses de suspensão do contrato de trabalho desobrigam a prestação
de serviço e o pagamento de salários pelo empregador, enquadrando-se em casos
previstos no artigo 474 da CLT e em regulamentações específicas:
• Afastamentos previdenciários e de saúde: auxílio-doença a partir do 16º dia e
aposentadoria por invalidez.
• Desempenho de funções externas: afastamento para exercício de encargo
público, representação sindical ou exercício de cargo de diretoria na empresa.
• Medidas disciplinares e de paralisação: aplicação de suspensão disciplinar
imposta pelo empregador e participação em movimento de greve.
• Aprimoramento profissional e situações extraordinárias: períodos voltados à
qualificação profissional e o programa emergencial instituído durante a pandemia
da COVID-19 por meio da Medida Provisória 936.
No que tange às alterações do contrato de trabalho, estas podem ser classificadas em
subjetivas e objetivas:
• Alterações subjetivas: ocorrem com a mudança dos sujeitos da relação, como
nos casos de sucessão de empresas ou alteração na estrutura jurídica da entidade
empregadora.
• Alterações objetivas: referem-se à mudança no conteúdo do pacto de trabalho.
Regem-se pelo princípio legal da imodificabilidade, expressamente positivado no
artigo 468 da CLT. Tal dispositivo determina que só é lícita a alteração das
condições de trabalho se houver mútuo consentimento entre as partes e, ainda
assim, desde que não resultem prejuízos diretos ou indiretos ao empregado, sob
pena de nulidade absoluta da cláusula infringente.
• Princípio do Jus Variandi: como exceção à regra do consentimento e da
imodificabilidade, reconhece-se o princípio doutrinário do jus variandi, derivado
do poder diretivo do empregador. Esse princípio autoriza o empregador a
promover modificações unilaterais e excepcionais nas condições de prestação do
trabalho, desde que motivadas por razões de ordem técnica e sem causar prejuízos
ao trabalhador.
AULA 5- CESSAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO
O material aborda os institutos do aviso prévio e da cessação do contrato de trabalho no
Direito do Trabalho brasileiro, apresentando fundamentação legal (CLT e Leis nº
12.506/2011 e 5.889/1973), jurisprudencial (Súmulas e OJs do TST) e reflexos práticos.
1. Aviso Prévio
Conceito e Finalidade
• Comunicação prévia emitida por uma das partes comunicando a intenção de
rescindir o contrato de trabalho sem justa causa, com antecedência mínima de 30
dias.
• Pode ser concedido na modalidade trabalhado ou indenizado.
Redução da Jornada (Aviso Trabalhado)
• Na dispensa sem justa causa por iniciativa do empregador, o empregado tem
direito à redução de 2 horas na jornada diária ou à opção de faltar ao trabalho
por 7 dias corridos ao final (art. 488, CLT).
• Vedações: É ilegal substituir o período de redução da jornada pelo pagamento
das horas correspondentes como extras (Súmula 230 do TST).
Cabimento
• Regra geral: Contratos por prazo indeterminado (art. 487, CLT).
• Rescisão antecipada: Contratos a termo com cláusula assecuratória de direito
recíproco de rescisão (art. 481, CLT).
• Distrato / Comum Acordo: Devido pela metade se indenizado (art. 484-A,
CLT).
• Rescisão Indireta: Devido integralmente.
• Culpa Recíproca: Entendimento do TST fixado em 50% do valor (Súmula 14
do TST).
• Falência e Encerramento de Atividades: Devido, pois os riscos do negócio
pertencem ao empregador (art. 2º da CLT e Súmula 44 do TST).
Contagem do Prazo Proporcional (Lei nº 12.506/2011)
• Mínimo de 30 dias para empregados com até 1 ano de serviço.
• Acréscimo de 3 dias por ano completo trabalhado, até o limite máximo de 60
dias adicionais (totalizando até 90 dias).
• De acordo com a Nota Técnica 184/2012 do MTE, o acréscimo de 3 dias passa a
ser contado a partir do momento em que o vínculo supera 1 ano completo.
Irrenunciabilidade
• O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado.
• Exceção: O empregador fica desonerado do pagamento dos dias não trabalhados
caso o empregado comprove a obtenção de um novo emprego durante o
cumprimento do aviso trabalhado (Súmula 276 e Precedente Normativo 24 do
TST).
Efeitos e Base de Cálculo
• O aviso prévio integra o tempo de serviço para todos os fins legais, inclusive no
caso de aviso indenizado, refletindo na contagem do 13º salário e férias
(considerando-se mês a fração igual ou superior a 15 dias).
• Reajustes salariais coletivos concedidos no curso do aviso prévio beneficiam o
trabalhador (art. 487, § 6º, CLT).
• Base de cálculo: Salário base acrescido das parcelas salariais
habituais/adicionais (as gorjetas não integram a base de cálculo por força da
Súmula 354 do TST). Para salários variáveis ou à base de tarefa, considera-se a
média dos últimos 12 meses.
2. Modalidades de Cessação do Contrato de Trabalho
A) Por Iniciativa do Empregador
• Dispensa Sem Justa Causa:
o O empregador exerce o desligamento desconstitutivo sob o manto da
proteção econômica garantida pelo art. 7º, I, da CF/88 (indenização
compensatória/FGTS).
o Verbas devidas: Saldo de salário, aviso prévio, 13º salário proporcional,
férias vencidas e proporcionais + 1/3, saque do FGTS com multa
rescisória e guias do seguro-desemprego.
• Dispensa Com Justa Causa (Falta Grave - Art. 482, CLT):
o Ocorre pela prática de conduta gravíssima pelo empregado, acarretando a
perda do direito às verbas rescisórias indenizatórias.
o Requisitos/Elementos de Validade: Atualidade/Imediação (punição
rápida após o conhecimento do fato), Gravidade, Proporcionalidade
e Non bis in idem (impossibilidade de punir duas vezes pela mesma
falta).
o Ônus da Prova: Pertence exclusivamente ao empregador.
o Principais hipóteses (art. 482, CLT): Improbidade (furto, fraudes),
mau procedimento ou incontinência de conduta, negociação habitual
concorrente, condenação criminal transitada em julgado sem suspensão
da pena, desídia (negligência reiterada), embriaguez habitual ou em
serviço, entre outras.
B) Por Iniciativa do Empregado
• Pedido de Demissão:
o Manifestação escrita do empregado expressando o desejo de rescindir o
contrato. Exige aviso prévio ao empregador (sob pena de desconto do
valor relativo aos 30 dias, conforme art. 487, § 2º, CLT).
• Rescisão Indireta (Justa Causa do Empregador - Art. 483, CLT):
o Ocorre quando o empregador comete falta grave (ex.: descumprimento
de obrigações contratuais ou redução do trabalho por peça/tarefa que
afete os salários). O empregado pode pleitear a rescisão judicialmente,
podendo optar por permanecer ou não no serviço até a decisão final (art.
483, § 3º, CLT).
C) Por Iniciativa Comum / Mútuo Acordo (Art. 484-A, CLT)
• Introduzido pela Reforma Trabalhista, permite a extinção amigável do contrato
com o pagamento das seguintes parcelas:
o Pela metade (50%): Aviso prévio (se indenizado) e multa do FGTS
(20%).
o Integral (100%): Demais verbas trabalhistas (saldo de salário, 13º,
férias).
o FGTS e Seguro-Desemprego: Movimentação limitada a até 80% do
saldo do FGTS; não dá direito ao ingresso no Programa de Seguro-
Desemprego.
o Validade: Deve respeitar os requisitos formais e de consentimento
(Enunciado 59 ANAMATRA).
3. Normas Gerais de Quitação e Prazos (Art. 477, CLT)
• Prazo de Pagamento: O pagamento das verbas rescisórias e a entrega dos
documentos de comunicação da extinção aos órgãos competentes devemser
realizados em até 10 dias corridos após o término do contrato.
• Formas de Pagamento: Dinheiro, depósito bancário ou cheque visado; para
empregados analfabetos, é obrigatório o pagamento em dinheiro ou depósito
bancário.
• Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada (PDV - Art. 477-B,
CLT): Previso em negociação coletiva, gera quitação plena e irrevogável dos
direitos decorrentes da relação empregatícia, salvo disposição em contrário.