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Universidade Veiga de 
Almeida
AVA 2 – Trabalho da Disciplina
Responsabilidade Social e Governança Corporativa
Camila Oliveira Pequeno Bomfim
Administração
2026
Critérios para seleção de projeto de responsabilidade social
A realização de investimentos em projetos de finalidade pública exige que a organização estabeleça 
critérios claros e objetivos para garantir que os recursos sejam destinados a iniciativas capazes de 
produzir benefícios sociais efetivos e sustentáveis. Nesse contexto, a seleção não deve considerar 
somente a relevância social da proposta, mas também sua viabilidade, seu potencial de impacto, a 
transparência na utilização dos recursos e sua capacidade de gerar resultados mensuráveis para a 
sociedade.
Para Lohn, a responsabilidade social deve estar relacionada à estratégia da organização, sendo 
importante identificar de que maneira os projetos sociais podem produzir impactos nos indicadores 
de desempenho e contribuir para o alcance dos objetivos organizacionais. A autora demonstra, 
ainda, que a seleção de projetos pode ser estruturada a partir de critérios relacionados aos 
indicadores de responsabilidade social e aos efeitos esperados sobre o desempenho da organização.
A partir dessa perspectiva, os seguintes requisitos devem ser considerados para a seleção do projeto 
que receberá o investimento:
1. Relevância e impacto social
O primeiro critério deve ser a capacidade do projeto de responder a uma necessidade social concreta 
e relevante. A proposta deve apresentar claramente qual problema pretende enfrentar, qual público 
será beneficiado e quais resultados sociais são esperados. Deve-se priorizar projetos que contribuam 
para áreas como educação, saúde, geração de emprego e renda, inclusão social, cidadania e 
desenvolvimento sustentável.
2. Alinhamento com os objetivos de responsabilidade social da organização
O projeto deve estar de acordo com os valores, princípios e compromissos sociais da organização. A 
responsabilidade social não deve ser tratada como uma ação isolada ou meramente filantrópica, mas 
como parte da atuação responsável da empresa. Assim, projetos que apresentem maior coerência 
com a estratégia e com o propósito organizacional devem receber maior prioridade.
3. Potencial de impacto e alcance dos beneficiários
Deve ser avaliado o número de pessoas beneficiadas, a intensidade dos benefícios produzidos e a 
possibilidade de o projeto gerar transformações duradouras. Entretanto, o número de beneficiários 
não deve ser analisado isoladamente, pois um projeto que atenda um público menor pode produzir 
impacto social significativamente maior. Portanto, é necessário considerar tanto o alcance 
quantitativo quanto a qualidade e a profundidade do impacto.
4. Viabilidade técnica, financeira e operacional
O projeto deve apresentar um planejamento compatível com os recursos disponíveis, demonstrando 
que possui condições técnicas, financeiras e operacionais para ser executado. Devem ser analisados 
o orçamento, o cronograma, os recursos humanos necessários, as parcerias envolvidas e os possíveis 
riscos. Dessa maneira, evita-se direcionar recursos para propostas socialmente relevantes, mas cuja 
execução seja inviável.
5. Existência de metas e indicadores mensuráveis
A proposta deve estabelecer objetivos, metas e indicadores que permitam acompanhar sua execução 
e avaliar seus resultados. Esse requisito é fundamental para que o investimento não seja avaliado 
apenas pela realização das atividades, mas principalmente pelos resultados efetivamente 
produzidos. A sistemática apresentada por Lohn reforça justamente a importância de relacionar os 
projetos sociais aos indicadores de responsabilidade social e de desempenho.
6. Sustentabilidade e continuidade dos resultados
Deve-se verificar se o projeto possui capacidade de manter seus benefícios ao longo do tempo e se 
existe planejamento para sua continuidade após o encerramento do investimento inicial. Projetos 
que promovam autonomia dos beneficiários, formação de agentes locais, capacitação profissional 
ou fortalecimento da comunidade tendem a apresentar maior potencial de sustentabilidade social.
7. Participação dos stakeholders
A seleção deve considerar a participação das partes interessadas, especialmente da comunidade 
beneficiária. É importante verificar se as necessidades do público-alvo foram identificadas de 
maneira adequada e se os beneficiários participam, direta ou indiretamente, da construção ou 
execução da proposta. Essa participação contribui para aumentar a legitimidade do projeto e reduzir 
o risco de investimentos que não correspondam às necessidades reais da população.
8. Transparência e prestação de contas
O projeto deve apresentar mecanismos de transparência sobre a aplicação dos recursos e sobre os 
resultados alcançados. Devem ser estabelecidos procedimentos para acompanhamento financeiro, 
divulgação das informações e prestação de contas. Esse requisito está diretamente relacionado à 
governança corporativa, uma vez que o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) 
considera a transparência e a responsabilização princípios fundamentais para uma gestão 
responsável.
9. Integridade e ausência de conflitos de interesse
A decisão sobre a seleção do projeto deve ocorrer de maneira ética, imparcial e livre de 
favorecimentos. Devem ser identificados e tratados possíveis conflitos de interesse envolvendo 
gestores, fornecedores, parceiros ou responsáveis pelos projetos. Dessa forma, a escolha deve ser 
fundamentada nos critérios previamente estabelecidos e não em interesses particulares. A 
integridade é atualmente reconhecida pelo IBGC como um dos princípios fundamentais da 
governança corporativa.
10. Contribuição para o desenvolvimento sustentável
Por fim, deve ser analisada a contribuição do projeto para o desenvolvimento sustentável, 
considerando seus efeitos sociais, econômicos e ambientais. A iniciativa deve buscar não apenas 
solucionar uma necessidade imediata, mas também produzir benefícios que possam contribuir para 
a melhoria das condições de vida da comunidade no médio e longo prazo.
Dessa forma, a seleção do projeto deve resultar de uma análise multidimensional, evitando que a 
decisão seja baseada exclusivamente no menor custo, no maior número de beneficiários ou na 
visibilidade da iniciativa. O projeto escolhido deverá demonstrar equilíbrio entre relevância social, 
impacto, viabilidade, sustentabilidade, transparência, integridade e capacidade de mensuração dos 
resultados.
Essa abordagem também aproxima a responsabilidade social da governança corporativa. Segundo o 
IBGC, a governança corporativa corresponde ao sistema de princípios, regras, estruturas e 
processos utilizado para dirigir e monitorar as organizações, buscando geração de valor sustentável 
para a organização, seus sócios e a sociedade. Seus princípios incluem integridade, transparência, 
equidade, responsabilização e sustentabilidade. Assim, a decisão de investir em um projeto de 
finalidade pública deve ser conduzida com os mesmos padrões de ética, responsabilidade e 
prestação de contas esperados da gestão organizacional.
Portanto, os critérios propostos permitem que o investimento social seja realizado de forma mais 
racional, transparente e responsável. Mais do que escolher um projeto que apresente uma boa 
intenção, a organização deve selecionar aquele que demonstre maior capacidade de gerar impacto 
social positivo, resultados verificáveis e benefícios sustentáveis, utilizando os recursos de maneira 
ética e eficiente. Dessa forma, a responsabilidade social deixa de ser apenas uma ação 
assistencialista e passa a constituir uma prática integrada à estratégia e à governança da 
organização.
Referências
INSTITUTO BRASILEIRODE GOVERNANÇA CORPORATIVA (IBGC). Código das 
Melhores Práticas de Governança Corporativa. 6. ed. São Paulo: IBGC, 2023.
LOHN, Vanderleia Martins. Sistemática para seleção de projetos de responsabilidade social com 
impacto no negócio das instituições de ensino superior. 2009. Dissertação (Mestrado em 
Engenharia e Gestão do Conhecimento) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 
2009.

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