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Sistema Único de Saúde PROF. FLÁVIO LEÃO BORGES Sistema Único de Saúde Avanços e Desafios desde a Criação do Sistema Único de Saúde “Considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, SUS foi instituído pela Constituição Federal de 1988”. Surgem nesse período os conselhos populares querendo ter vez e voz nas políticas de saúde; Esse movimento acabou por organizar e conduzir 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS) e foi neste evento, em março de 1986, que se aprovou a criação de um Sistema Único de Saúde; Marco histórico - contava-se com a participação da comunidade e dos técnicos na discussão de uma nova política de saúde; As modificações no setor da saúde ultrapassavam os limites de uma reforma administrativa e financeira. Criação de um sistema único de saúde com a separação total da saúde em relação à previdência Em julho de 1987, enquanto se aprofundavam as discussões sobre a operacionalização para a constituição do SUS, criou-se o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (Suds), que tinha também como princípios básicos: a universalização; a equidade; a descentralização; a regionalização; a hierarquização; a participação comunitária. - Constituição 1988 - direciona as ações em saúde e todo o modo de pensar, coordenar e prestar a saúde no Brasil – o artigo 196, que declara saúde como direito de todos e dever do estado. Em 1989, é realizada a primeira eleição direta para presidente da República, assumindo, Fernando Collor de Mello. Durante a década de 90 o Brasil assiste-se à árdua luta pela implantação do SUS. O SUS não foi o sucessor do INAMPS e nem tampouco do SUDS. Ele foi criado como um novo modelo que marca o direito à saúde, afirmado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, e definido claramente na Constituição Federal de 1988 que define a Saúde como direito de todos e dever do Estado, indicando os princípios e diretrizes legais do Sistema Único de Saúde – SUS. DIREITOS HUMANOS??? Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; O desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres e libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem; Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; - Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso. https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem: Artigo 1.º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos; Artigo 2.º Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra; Artigo 3.º Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal; Artigo 4.º Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão. Princípios Doutrinários do Sistema Único de Saúde Baseado nos preceitos constitucionais a construção do SUS se norteia pelos seguintes princípios doutrinários: - Universalidade, Equidade e Integralidade. (BRASIL, 1990) Universalidade É a garantia de atenção à saúde por parte do sistema, a todo e qualquer cidadão em qualquer parte do vasto e extenso território nacional. Com a universalidade, o indivíduo passa a ter direito de acesso a todos os serviços públicos de saúde, assim como àqueles contratados pelo poder público; Para que o SUS venha a ser universal é preciso se desencadear um processo de universalização também, isto é, um processo de extensão de cobertura dos serviços e da assistência, de modo que venham a se tornar acessíveis a toda a população eliminando as barreiras; O tamanho do território brasileiro já é um enorme desafio para esse princípio. Pensar em saúde em grandes centros é fácil. E à população indígena? À quem não tem como se locomover? Esse ainda hoje é um desafio aos gestores e equipes de saúde. Equidade São ações e serviços de todos os níveis de atenção de acordo com a complexidade que cada caso requeira. Neste princípio a ideia que precisa ficar clara é que todo cidadão é igual perante o SUS e será atendido conforme suas necessidades até o limite do que o sistema puder oferecer para todos. Nesse sentido, cabe destacar os esforços voltados ao atendimento de necessidades de segmentos da população que estão expostos a riscos diferenciados de adoecer e morrer; Temos visto nos últimos anos um crescente movimento de inclusão e programas específicos que garantem a esses grupos e a tantos outros a garantia da Saúde. A busca de equidade se articula dinamicamente com o último princípio doutrinário do SUS. Integralidade O princípio da integralidade significa considerar a pessoa como um todo, atendendo a todas as suas necessidades. Para isso, é importante a integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação; Um modelo “integral”, portanto, é aquele que dispõe de recursos necessários, à ações específicas de promoção da saúde em grupos populacionais definidos, às ações específicas de vigilância ambiental, sanitária e epidemiológica, até ações de assistência e recuperação de indivíduos enfermos, sejam ações para a detecção precoce de doenças, sejam ações de diagnóstico, tratamento e reabilitação. Princípios Organizacionais do Sistema Único de Saúde Além dos princípios, do ponto de vista do funcionamento do SUS, deve-se considerar suas diretrizes organizativas, as quais buscam garantir um melhor funcionamento do sistema, dentre as quais estão: Regionalização e Hierarquização A regionalização e a hierarquização dos serviços são a forma de organização dos estabelecimentos (unidades de unidades) entre si e para a população; A regionalização dos serviços implica a delimitação de uma base territorial que leva em conta a divisão político administrativa do país, mas também contempla a delimitação de espaços territoriais específicos para a organização das ações de saúde; A hierarquização dos serviços, por sua vez, diz respeito à possibilidade de organização das unidades segundo grau de complexidade tecnológica dos serviços, isto é, o estabelecimento de uma rede que articula as unidades mais simples (Unidades Básicas de Saúde) às unidades mais complexas (Hospitais Terciários), através de um sistema de referência e contra referência que são os fluxos de encaminhamento. Descentralização Descentralizar é redistribuir poder e responsabilidades entre os três níveis de governo (Federal, Estadual e Municipal). Na saúde, a descentralização tem como objetivo prestar serviços com maior qualidade e garantir o controle e a fiscalização pelos cidadãos. Isto significa dotar o município de condições gerenciais, técnicas, administrativas e financeiras para exercer esta função. A descentralização, ou municipalização, é também uma forma de aproximar o cidadão das decisões do setor e dar ao município a “responsabilização” pela saúde de seus cidadãos. Para fazer valer o princípio da descentralização, existe a concepção constitucional do mando único. Cada esfera de governo é autônoma e soberana nas suas decisões e atividades, respeitando os princípios gerais e a participação da sociedade. Assim, a autoridade sanitária do SUS é exercida na União pelo ministro da saúde, nos estados pelos secretários estaduais de saúde e nos municípios pelos secretários ou chefes de departamentos de saúde. equidade /qü,qu/ substantivo feminino 1. apreciação, julgamento justo. Participação ComunitáriaO SUS foi fruto de um amplo debate democrático e participativo. Mas a participação da sociedade não se esgota nas discussões que deram origem ao SUS. Esta democratização também precisava e deve estar presente no dia a dia do sistema. Para isto, foram criados os Conselhos e as Conferências de Saúde, que têm como função formular estratégias, controlar e avaliar a execução da política de saúde. Leis Orgânicas de Saúde e Normas Operacionais Básicas As Leis Orgânicas da Saúde também chamadas de Leis Complementares são uma série de instrumentos legais, estabelecidos para regulamentar as determinações propostas na Constituição em relação ao novo Sistema de Saúde. Tiveram como objetivos: - Cumprir os determinantes constitucionais; - Viabilizar os mecanismos para transformação do perfil de saúde da população brasileira; - Dar a retaguarda jurídica para aplicação dos princípios comentados acima: universalidade, integralidade, equidade, descentralização, regionalização, hierarquização e participação comunitária. Lei 8.080/90 A Lei 8.080 foi setembro de 1990. Sua principal abordagem são as condições para promover, proteger e recuperar a saúde, além da organização de o funcionamento dos serviços também relacionados à saúde. Por meio desta lei, as ações de saúde passaram a ser regulamentadas em todo território nacional. Ressaltamos aqui os três primeiros artigos da Lei 8.080/90: Art. 1º – Esta lei regula em todo o território nacional, as ações e serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou privado; Art. 2º – A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício; Art. 3º – A saúde tem como fatores a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. Lei 8.142/90 Sancionada pelo Presidente da República, Sr. Fernando Collor, em dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Foi com a Lei 8.142/90 que foram garantidos a criação e manutenção dos Conselhos de Saúde e do regular acontecimento das Conferências da Saúde em todos os níveis de governo. A Lei 8.142/90 garante então o princípio organizacional da Participação Comunitária, já comentado anteriormente e o modo como os recursos financeiros serão administrados e repassados entre o governo federal, estadual e municipal. Entender leis talvez pareça loucura para estudantes que escolheram a área da saúde. Porém, vale ressaltar, que não conseguiremos ser profissionais de saúde sem as leis que regem o Sistema de Saúde, no qual estamos e sempre estaremos inseridos. Leis 8.080/90 https://www.youtube.com/watch?v=Yf2HAqfoXBU Leis 8.142/90 https://www.youtube.com/watch?v=IdGv9hV4P0s Pacto pela Saúde Vivemos com o Pacto Pela Saúde. Na perspectiva de superar as dificuldades apontadas, os gestores do SUS assumem o compromisso público da construção do Pacto, com base nos princípios constitucionais do SUS, ênfase nas necessidades de saúde da população e no exercício simultâneo de definição de prioridades articuladas e integradas nos três componentes: Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão do SUS. Pacto Pela Vida É o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira. Significa uma ação prioritária no campo da saúde. Os estados/regiões/municípios devem pactuar as ações necessárias para o alcance das metas e dos objetivos propostos. As prioridades do Pacto Pela Vida e seus objetivos são: image4.png image5.png image7.jpg image8.jpg image9.png image10.jpg image11.jpg image12.jpg image13.png image14.png image15.jpg image16.jpg