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Discente: Allana de Souza Nogueira ANALISANDO NOTÍCIAS EM SAÚDE COLETIVA 1. NOTÍCIA No Ceará, 170 meninas são internadas todo ano, em média, por doenças ligadas à pobreza menstrual. Uso de alternativas ao absorvente, como jornais e panos, é uma das principais causas de infecções íntimas. Menstruar é um processo natural, mas nem sempre saudável para meninas, mulheres e para homens transexuais. A falta de recursos para obter itens de higiene nesse período – a pobreza menstrual – afeta a saúde de dezenas de cearenses anualmente, muitas vezes de forma irreversível. No Ceará, de janeiro a julho deste ano, 62 meninas de 10 a 19 anos foram internadas por agravos de doenças inflamatórias pélvicas, as DIP. Por ano, são 170 internações do tipo, em média. Um dos motivos, como alertam ginecologistas, é o uso de alternativas ao absorvente – como papel higiênico, panos e até jornal. A médica ginecologista Nathalia Posso explica que os absorventes menstruais são projetados para criar barreiras protetoras e impedir que as bactérias do sangue retornem ao trato genital, o que não é proporcionado pelas opções “caseiras”. [...] Os impactos sociais, então, reverberam em diversas dimensões. “Elas veem negativamente o ato de menstruar, porque gera essa repercussão negativa na vida, na saúde física e emocional. As famílias também sofrem, porque a menina que sai da escola por vergonha de estar menstruada vai depender economicamente de outras pessoas”, analisa Mayna. Ana (nome fictício para preservar identidade), 15, estudante de uma escola estadual de Fortaleza, define os quatro dias de ciclo menstrual como "a pior semana do mês", período que já foi motivo para faltar às aulas "por diversas vezes", como ela mesma confessa. "A minha (menstruação) vem muita, então preciso trocar o absorvente muito rápido. E não é barato, né? Teve um dia que eu não tinha, precisei usar papel e vazou na cadeira da escola. Foi horrível. Hoje, prefiro ficar em casa", relata. 2. OS PRINCÍPIOS DO SUS NAS NOTÍCIAS SOBRE A SAÚDE COLETIVA NO BRASIL A pobreza menstrual no Ceará, assim como no restante do Brasil e do mundo, gera diversos impactos biopsicossociais como os citados na notícia do jornal Diário do Nordeste. Entre eles: aumento e agravo de doenças inflamatórias pélvicas (DIP), mal-estar, desconforto pessoal e excesso de faltas escolares. Relacionando a situação da pobreza menstrual com o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, que define a saúde como um direito social e universal, a promoção, proteção e recuperação da saúde das mulheres e indivíduos no período menstrual deve ser garantida através de políticas socioeconômicas. Prezando assim pela equidade de condições de bem-estar físico, mental e social. Atualmente, o projeto de lei sobre distribuição de absorventes na rede municipal de ensino está sendo tramitado na Câmara Municipal de Fortaleza, sua aprovação resultará em um maior índice de frequência e aprendizagem de estudantes da rede, prevenção das DIP e promoção de saúde mental e física. REFERÊNCIAS G1 - CE. Projeto de lei sobre distribuição de absorventes na rede municipal de ensino é enviado à Câmara Municipal de Fortaleza. [S. l.], 17 out. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2021/10/17/projeto-de-lei-sobre-distribuicao-de-absorventes-na-rede-municipal-de-ensino-e-enviado-a-camara-municipal-de-fortaleza.ghtml. Acesso em: 7 nov. 2021. PAIM, Jairnilson Silva. O que é o SUS: e-book interativo. Rio de Janeiro. Fiocruz, 2015. VIANA, Theyse; PAULINO, Nícolas. No Ceará, 170 meninas são internadas todo ano, em média, por doenças ligadas à pobreza menstrual. [S. l.]: Diário do Nordeste, 9 out. 2021. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/metro/no-ceara-170-meninas-sao-internadas-todo-ano-em-media-por-doencas-ligadas-a-pobreza-menstrual-1.3145698. Acesso em: 7 nov. 2021.