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AULA PRÁTICA | EXAME NEUROLÓGICO Escala de Coma de Glasgow e avaliação pupilar 1 Aula prática: Escala de Coma de Glasgow e avaliação pupilar Transcrição revisada em texto corrido, com complementos do Bates: propedêutica médica e conferência da pontuação na orientação oficial da Escala de Coma de Glasgow. Objetivo da estação e abordagem inicial A aula prática treinou a avaliação do nível de consciência em uma situação simulada de atendimento domiciliar pelo SAMU. Segundo o enunciado apresentado, uma paciente havia desmaiado e foi encontrada deitada, com responsividade reduzida. Em quatro minutos, o estudante deveria demonstrar a avaliação ocular, verbal e motora, calcular a pontuação da Escala de Coma de Glasgow, examinar as pupilas, informar o resultado combinado com a reatividade pupilar e comunicar a conduta inicial. O professor lembrou que a leitura do enunciado e a verbalização de cada etapa permitem ao avaliador acompanhar o raciocínio e a execução da habilidade. Ao chegar, apresente-se e fale com a paciente, mesmo que ela não responda. Na prática simulada, informe em voz alta o que está verificando. No atendimento real, a alteração importante da consciência exige reconhecer de imediato o risco e avaliar simultaneamente vias aéreas, respiração e circulação, antes e durante o exame neurológico. O Bates recomenda essa prioridade na avaliação do paciente comatoso, além da observação do padrão respiratório e dos sinais vitais. Se houver possibilidade de traumatismo cervical, evite mover ou flexionar o pescoço até a avaliação apropriada. Sequência para avaliar a melhor resposta Observe primeiro se os olhos se abrem espontaneamente e se há fala ou movimentos espontâneos. Chame a paciente pelo nome e faça uma pergunta simples. Em seguida, dê um comando motor claro, como “aperte minha mão” ou “levante o braço”. A ausência de resposta ao chamado não demonstra, por si só, incapacidade de obedecer a comandos: essa etapa deve ser testada explicitamente. Somente quando necessário avance para estimulação por pressão graduada, registrando a melhor resposta observada em cada componente. O Bates recomenda descrever exatamente o que foi visto e ouvido; termos isolados como “sonolenta” ou “em coma” não substituem o registro das respostas. Na estação com atriz ou manequim, não provoque dor real. Indique o local onde aplicaria a pressão e verbalize ao examinador que o estímulo está sendo simulado. Assim, a pessoa pode representar a resposta prevista sem sofrer o estímulo. No exame clínico real, a aplicação deve ser breve e proporcional, conforme o protocolo e a situação do paciente. A orientação oficial da escala distingue pressão periférica, como a aplicada à ponta do dedo, de estímulos centrais, como a compressão do trapézio, úteis sobretudo para diferenciar localização de retirada. Ela desaconselha a fricção esternal por poder causar lesão e gerar resposta difícil de interpretar. AULA PRÁTICA | EXAME NEUROLÓGICO Escala de Coma de Glasgow e avaliação pupilar 2 Figura 1. Compressão do trapézio, local de estímulo central. Recorte da figura 24.65A de Bates: propedêutica médica, 13. ed., cap. 24. Na simulação, apenas indique e verbalize a manobra. Abertura ocular: E de 1 a 4 A abertura ocular recebe 4 pontos quando é espontânea, 3 quando aparece à voz ou ao som, 2 quando surge apenas após pressão e 1 quando não ocorre. Observe a resposta produzida pelo estímulo, sem atribuir E3 a alguém que já mantinha os olhos abertos espontaneamente. Na aula, a paciente não abriu os olhos ao chamado, mas abriu após o estímulo simulado. A melhor resposta ocular foi, portanto, E2. A transcrição empregava a expressão tradicional “estímulo doloroso”; a orientação oficial atual usa “pressão” para descrever essa etapa. Resposta verbal: V de 1 a 5 A resposta verbal é V5 quando a pessoa está orientada, V4 quando conversa de modo confuso, V3 quando produz palavras isoladas sem conversa adequada, V2 quando emite apenas sons sem palavras inteligíveis e V1 quando não há resposta verbal. Vale ouvir o conteúdo e não apenas constatar que a paciente vocaliza: um gemido não é classificado como palavra. Na simulação, após o estímulo foram ouvidos sons incompreensíveis, equivalentes à categoria “sons”; a melhor resposta foi V2. Se uma intervenção, como intubação ou traqueostomia, impedir o exame da fala, o componente deve ser marcado como não testável (NT), e não como V1; nesse caso não se deve informar uma soma total artificialmente reduzida. Resposta motora: M de 1 a 6 A melhor resposta motora é M6 quando a paciente obedece a um comando; M5 quando leva a mão em direção ao local da pressão para afastar o estímulo, isto é, o localiza; M4 quando retira o membro ou apresenta flexão normal sem localizar a fonte; M3 quando há flexão anormal estereotipada; M2 quando há extensão anormal; e M1 quando não se detecta resposta motora. Diferenciar “localizar” de apenas “retirar” requer observar a direção e a finalidade do movimento. Da mesma forma, flexão anormal e extensão anormal devem ser descritas como padrões motores observados, sem presumir sua presença apenas pela ausência de obediência ao comando. Na estação, o estudante deveria primeiro dar um comando motor e, após constatar que não foi obedecido, indicar a estimulação simulada. A resposta observada foi extensora, correspondendo a M2. AULA PRÁTICA | EXAME NEUROLÓGICO Escala de Coma de Glasgow e avaliação pupilar 3 O Bates também salienta que a resposta aos estímulos e a postura podem ajudar a reconhecer padrões de disfunção neurológica, mas a Escala de Glasgow serve para registrar a responsividade e acompanhar sua evolução; uma pontuação isolada não define a causa do quadro. OLHOS (E) VERBAL (V) MOTORA (M) 4 espontânea 5 orientada 6 obedece a comandos 3 à voz 4 confusa 5 localiza a pressão 2 à pressão 3 palavras 4 flexão normal / retirada 1 nenhuma 2 sons 3 flexão anormal 1 nenhuma 2 extensão anormal 1 nenhuma Quadro 1. Síntese para revisão da escala. Elaborado para este material com a pontuação conferida na orientação oficial da Glasgow; não é uma figura do Bates. Cálculo no caso simulado e comunicação do resultado Reunindo as melhores respostas observadas no cenário, o registro é E2 V2 M2. A soma 2 + 2 + 2 resulta em Glasgow 6. É melhor anunciar primeiro os três componentes e depois o total: “abertura ocular 2, resposta verbal 2, resposta motora 2; total 6”. Dois pacientes podem somar o mesmo valor com respostas diferentes; por isso, os componentes descrevem o exame com mais precisão do que a soma sozinha. Em avaliações posteriores, repita o exame e documente qualquer mudança de cada componente. Exame pupilar e Glasgow-P Depois de verificar as respostas da escala, examine cada pupila quanto ao tamanho, à forma, à simetria e à reação à luz. O Bates recomenda observar a igualdade pupilar e testar a resposta luminosa, relevante na avaliação de pacientes com alteração de consciência. Em ambiente com iluminação adequada para a observação, dirija a luz a um olho de cada vez e verifique a constrição; se preciso, observe também a reação consensual. Descreva o diâmetro aproximado de cada pupila e a reatividade separadamente. Pupilas de tamanhos distintos caracterizam anisocoria, mas a diferença de tamanho, por si só, não informa se alguma delas deixou de reagir. Figura 2. Referência visual de diâmetros pupilares em milímetros. Figura 12.19 de Bates: propedêutica médica, 13. ed., cap. 12. Tamanho e reação à luz são observações diferentes. O Bates também apresenta padrões de tamanho e simetria pupilar que podem orientar a investigação de um paciente com consciência alterada. As quatro ilustrações seguintes ajudam a reconhecer pupilas pequenas, pupilas na posição média e midríase bilateral ou unilateral. São exemplos de morfologia pupilar: o aspecto estático do desenho não demonstra se a pupila é fotorreagente. Para calcular o desconto no Glasgow-P, a reação à luz precisa ser testada separadamente em ambos os olhos. AULA PRÁTICA | EXAME NEUROLÓGICO Escala de Comade Glasgow e avaliação pupilar 4 A. Pupilas pequenas e puntiformes B. Pupilas fixas na posição média C. Midríase bilateral D. Midríase unilateral Figura 3. Quatro ilustrações da tabela 24.14 de Bates: propedêutica médica, 13. ed., cap. 24. Mostram padrões de tamanho e simetria; a reatividade exige testar a luz em cada olho. O Glasgow-P combina a soma da Glasgow com um escore de perda da reatividade pupilar: subtraem-se 0 pontos quando as duas pupilas reagem à luz, 1 quando somente uma não reage e 2 quando nenhuma reage. Assim, Glasgow-P = Glasgow − escore pupilar. A aula mencionou anisocoria, porém ambas as pupilas eram fotorreagentes; o desconto era zero e o resultado permanecia Glasgow-P 6. É importante relatar também “pupilas desiguais, ambas reativas”, porque o valor Glasgow-P não substitui a descrição de cada pupila. Interpretação e conclusão da estação Uma pontuação total de 6 revela comprometimento grave da responsividade no cenário e exige avaliação imediata da segurança das vias aéreas, da ventilação e da circulação, solicitação de suporte e preparo dos recursos para atendimento de emergência. O professor chamou a atenção para a proteção da via aérea quando a Glasgow é igual ou inferior a 8. Na prática clínica, a decisão sobre uma intervenção na via aérea considera também ventilação, reflexos protetores, evolução e contexto; a soma numérica não substitui essa avaliação. As medidas iniciais e o exame de consciência devem ocorrer em paralelo, sem retardar cuidados urgentes para terminar a pontuação. AULA PRÁTICA | EXAME NEUROLÓGICO Escala de Coma de Glasgow e avaliação pupilar 5 Como verbalizar a avaliação na prova Para apresentar o resultado ao avaliador, o estudante pode dizer em sequência: “Apresento-me, avalio a responsividade e verifico vias aéreas, respiração e circulação. Chamo a paciente, faço uma pergunta e solicito um comando motor. Como não há resposta suficiente, indico verbalmente o estímulo por pressão simulado, sem causar dor à atriz. Observo E2, V2 e M2, total 6. Examino as duas pupilas: há anisocoria, mas ambas reagem à luz; escore pupilar zero, Glasgow-P 6. Reconheço a gravidade, aciono ajuda e avalio imediatamente a proteção da via aérea e o atendimento de emergência.” Esse roteiro organiza a fala para a prova; no atendimento real, a estabilização tem prioridade. Cuidados para interpretar e registrar corretamente Ao documentar o exame, escreva a melhor resposta ocular, verbal e motora de forma separada, o horário da avaliação, as condições em que ocorreu e se houve mudança em relação à avaliação anterior. Se uma resposta motora for diferente entre os lados, registre essa assimetria além da melhor pontuação usada no componente. Descreva o estímulo que produziu a resposta e o que a paciente efetivamente fez; “retirou a mão” e “levou a mão ao local do estímulo” não são descrições equivalentes. Registre cada pupila por seu tamanho aproximado e sua reação à luz, inclusive quando o desconto pupilar for zero. Algumas condições impedem a avaliação confiável de um componente: edema palpebral pode impossibilitar observar a abertura ocular, e a intubação impede avaliar a fala. A orientação oficial recomenda marcar o componente como “NT”, sem atribuir automaticamente 1 ponto ou fornecer um total incompleto. Sedação, paralisia, perda auditiva, barreiras de comunicação e lesões motoras também podem alterar a interpretação. Reconhecer e comunicar essas limitações é parte da avaliação prática e evita que um número aparentemente preciso oculte um exame que não pôde ser concluído. Fontes e atribuição das figuras Transcrição-base: Transcricao_Organizada_Escala_de_Coma_de_Glasgow(1).pdf, arquivo enviado pela estudante. BICKLEY, Lynn S.; SZILAGYI, Peter G.; HOFFMAN, Richard M. Bates: propedêutica médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. Capítulos 12 e 24; figuras 12.19 e 24.65A e ilustrações da tabela 24.14. O Bates fundamenta a abordagem do paciente comatoso e o exame pupilar; a pontuação numérica foi conferida nas orientações oficiais abaixo. GLASGOW COMA SCALE. What is GCS? Disponível em: glasgowcomascale.org/what-is-gcs/. GCS Aid. Disponível em: glasgowcomascale.org/gcs-aid/. What is GCS-P? Disponível em: glasgowcomascale.org/what-is-gcs-p/. FAQ. Disponível em: glasgowcomascale.org/faq/. Acesso em: 19 set. 2026. https://www.glasgowcomascale.org/what-is-gcs/ https://www.glasgowcomascale.org/gcs-aid/ https://www.glasgowcomascale.org/what-is-gcs-p/ https://www.glasgowcomascale.org/faq/