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Microbiologia da Doença periodontal @MARCELO_LACERDAS Análise histórica Anton Van Leeuwenhoek (1632-1723) escreveu em 17 de setembro de 1683 em Londres. “Utilizava sal, palito e esfregaço com pano para higienizar os dentes, mesmo assim entre os caninos e dentes anteriores cresce um material brancacento e com consistência de manteiga”. Anton Van Leeuwenhoek “Examinando este material, concluí que embora não verificasse nada em movimento no mesmo, que lá existiam animáculos vivos. “Juntos todos os habitantes dos Países baixos não chegariam a perfazer o número de animais vivos que transporto diariamente na mia própria boca”. A especificidade da ação microbiana Esse conceito foi introduzido por Louis Pasteur (1822-1895) em seus estudos sobre fermentação. Pasteur desenvolveu métodos de cultivo para cada microrganismos em estar contaminado por quaisquer outras espécies. Também desenvolveu métodos para esterilização de seus meios de cultura e vidraria ,assim como técnicas assépticas para a manipulação das amostras bacterianas. Uso da chama viva, forno de ar aquecido e autoclave começou em seu laboratório. Louis Pasteur Utilizando um microscópio, foi capaz de demonstrar em 1865 uma doença no bicho-da-seda que era causada por um protozoário. Pelo conceito de especificidade, foi capaz de solucionar muitos problemas em relação a produção de vinho e cerveja. Willoughby Dayton Miller Aplicou todas as técnicas bacteriológicas daquela época aos estudos da microbiota oral (1890). Estava interessado em muitos aspectos das doenças orais e, também, em verificar se qualquer bactéria específica causava a doença periodontal. De seus estudos em 1888-89, ele formulou a seguinte conclusão: Miller “ A piorréia alveolar não é causada por nenhuma bactéria específica, o que ocorre em cada caso (como o bacilo da tubercolose nesta doença), mas diversas bactérias podem participar dela, do mesmo modo que, nos processos supurativos, não apenas uma mas diversas bactérias têm sido encontradas. Além disto, tanto quanto nos é possível saber, não há nenhuma bactéria que, uma vez inoculada sob as gengivas, seja capaz de provocar a doença em pessoas sadias”. Cavidade oral Com sua microbiota, é um sistema ecológico desconcertante. Foi descrita como um sistema fluvial, onde a saliva estéril, oriunda das glândulas salivares, banha as superfícies da boca e atravessa muitas áresa onde existe grande proliferação bacteriana, tornando-se deste modo fortemente poluída antes de deixar a boca. Cavidade oral A vida é notoriamente rica e variada em superfícies sólidas, nas quais os organismos alcançam ancoragem firme e ambiente nutricional favorável. A boca é o único local do corpo humano onde estas superfícies sólidas são encontradas, as superfícies dentárias. Cavidade oral Para os microorganimos que se implantam na cavidade oral, será como o “jardim do Eden”: Umidade elevada; Temperatura, Ph e tensão de dióxido de carbono são ótimos para o crescimento; A tensão de oxigênio varia nos diversos locais e permite crescimento de mcroorganismos aeróbios e anaeróbios. Aderência bacteriana Essa envolve mecanismos físico-químicos específicos e é influenciada não apenas pela interação entre as estruturas da superfície das bactérias e as superfícies colonizáveis, mas também pela atividade da saliva como um fluido em suspensão. A diferença mais importante entre as superfícies orais é a que ocorre entre a mucosa, com seu epitélio em descamação, e a superfície dentária sólida. Aderência bacteriana Na superfície dentária, as mucinas salivares são desnaturadas e formam uma camada orgãnica muito bem estruturada, denominada película, que funciona como um terreno fértil para o desenvolvimento da vda microbiana. Na superfície epitelial em descamação, asa bactérias devem colonizar continuamente “SOLO VIRGEM”. Biofilme A placa bacteriana ou biofilme é considerado um fator determinante para que ocorra a doença periodontal. Grandes depósitos bacterianos são regurlamente associados as formas localizadas de doenças dos tecidos duros e moles subjacentes. As comunidades bacterianas presentes na cavidade oral são extremamente complexas, estimando-se o envolvimento de cerca de 700 espécies( Bartold & Dyke,2013). Biofilme Hipótese da placa específica: Visão da periodontite sendo causada por patógenos específicos. Hipótese da placa inespecífica: Visão que toda a massa biológica (bacteriana)estava relacionada na destruição periodontal( Theilade et al,1986). Biofilme Na cavidade bucal o biofilme ou placa dental é uma biomassa densa, não calcificada, constituída por bactérias(15 a 20% em volume) distribuídas em uma matriz orgânica protetora(80 a 87% em volume), composta por polissacarídeos, células epiteliais descamadas, leucócitos, enzimas, sminerais, glicoproteínas salivares(mucina) e restos alimentares. A nutrição pode ser estabelecida por canais de água ou difusão, que de acordo com a força pode formar colônias em torres ou cogumelos. Formação da placa (biofilme) Formação da placa (biofilme) Para a formação do biofilme, as bactérias utilizam-se de mecanismos de aderência mecânica como as estruturas anatômicas (fossas e fissuras),lesões de cárie, apinhamento dental, sulco gengival e bolsa periodontal. A capacidade de aderir à superfície é uma propriedade de quase todas as bactérias que dependem de uma série de interações que envolve a superfécie a ser colonizada, a microbiota e o meio ambiente líquido (Megenhagen & Rosan, 1985). Formação da placa (biofilme) Formação da placa (biofilme) Inicia-se por meio de bactérias nativas que fixam-se a superfície do dente coberta pela película adquirida (fme orgânico) que é composta por uma variedade de glicoproteína salivar (mucina) e anticorpos. A película aumenta a eficiência de adesão bacteriana, algumas possuem estruturas específicas de rápida adesão, como os polímeros extracelulares e fímbrias, outras necessitam de uma exposição mais prolongada para se unir firmemente. Formação da placa (biofilme) Quando aderidas às superfícies por meio de coagregações permite um crescimento ativo de outras bactérias que anteriormente não dpunham de nutrientes. A massa bacteriana aumenta devido ao crecimento contínuo dos microorganismos que já se aderiram e à adesão de novas bactérias e síntese de polímeros extracelulares. Com o aumento da espessura, nas camadas mais profundas ocorre a diminuição do oxigênio, que propicia o crescimento de bactérias anaeróbias estritas que contribuem para o aumento da patogenicidade do biofilme. Formação da placa (biofilme) Película Adquirida A película adquirida não é removida pela escovação dos dentes, porque a mesma se embrenha entre os prismas de esmalte e mesmo com uma vigorosa limpeza com materiais abrasivos, volta a se depositar imediatamente após a retirada. Etapas da colonização Colonização primária: Predominantemente por cocos Gram- positivos facultativos que são absorvidos dentro das superfícies cobertas pela película adquirida. Secundária: Ocorre agregação de cocos e bastonetes Gram positivos anaeróbios facultativos que se multiplicam. terceira fase: os bastonetes Gram positivos facultativos permitem a aderência de microorganismos gram negativos, que possuem pouca capacidade de adesão direta na película. Placa supragengival Acima da borda da gengiva sobre a película adquirida ou na coroa do dente. Aderida principalmente na região cervical dos dentes. A aderência ocorre em 2 passos: 1 - Estágio reversível: A bactéria se adere fracamente, permitindo fácil remoção. 2 - Estágio irreversível: A aderência se torna consolidada. Placa supragengival Placa subgengival É o biofime supragengival que estende-se abaixo da margem gengival. Apresenta maior espessura e é aderido a superfíciedental (cemento / esmalte). Quando a bolsa periodontal é formada , a aparência do depósito bacteriano subgengival torna-se muito mais complexa. Placa subgengival Cálculo dentário O cálculo dental é o biofilme bacteriano mineralizado sobre a superfície dental. Pode ser supragengival ou subgengival. A mineralização inicia-se em centros que surgem intracelularmente nas colônias bacterianas ou extracelularmente a matriz, com cristalização do núcleo. Cálculo supragengival É caracterizado como uma massa de coloração branco- amarelada, dependendo de hábitos alimentares e fumo. A sua formação está relacionada com a quantidade de placa e a saliva(fonte de minerais). A maior frequência está nas proximidades dos ductos de glãndulas salivares maiores ou em áreas de mau posicionamento dental (apinhamento). Cálculo subgengival É detectado apenas pela sensibilidade táctil durante o procedimento de sondagem ou através de exame radiográfico quando estão mais volumosos, não sendo visíveis a olho nú. Apresentam coloração marrom ou preta, com maior dureza e aderência a superfície dental. É encontrado frequentemente nas bolsas periodontais. Infecções periodontais São doenças causadas por microorganismos que colonizam a superfície dentária. Existe um equilíbrio entre a microbiota bucal e hospedeiro, sendo uma relação benigna. Os microrganismos que causam doenças periodontais residem em biofilme existentes nos dentes ou superfícies epiteliais e esse biofilme protege e oferece propriedades metabólicas as bactés, afetando mecanismo de defesa dos hospedeiros, alterando assim a relação de equilíbrio entre hospedeiro e microbiota. Infecções periodontais São considerados microrganismos periodonto patogênicos, os do complexo azul e vermelho, sendo que que os do complexo laranja também participam do processo de destruição. A maioria dessas espécies além dos sítios subgengivais, também colonizam as mucosas, dorso da língua, amigdalas e saliva. Compexos Bacterianos COMPLEXO AZUL: Gênero Actinomyces COMPLEXO AMARELO: Gênero Streptococos COMPLEXO VERDE: Gênero Capnocytophaga COMPLEXO ROXO: Veillonella parvula, Actomyces odontolyticus Compexos Bacterianos COMPLEXO LARANJA: Streptococcus costellatus, Campylobacter gracis, C. rectus, C. showane, Eubacterium nodatum, Fusobacterium nucleatum, Prevotella intermedia, P. nigrescens, Peptostreptococcus micros. COMPLEXO VERMELHO: Porphyromonas gingivalis, Tannerella forsythia, Treponema denticola ( Agentes etiológicos da periodontite crônica). Aggregatibacter actinomycetencomitans 1 - Bastonete Gram-negativo imóvel. 2 - Vivem na ausência de oxigênio na presença de dióxido de carbono. 3 - Encontrado em número elevado nos casos de periodontite agressiva, produz metabólicos destrutivos como a leucotoxina. Porphyromonas gingivalis 1- Bastonete Gram- negativo imóvel. 2- Vivem na asência de oxigênio, na presença de dióxido de carbono. 3- Produzem colagenase, proteases(destruição de imoglobulina), endotoxina. 4- Podem invadir o tecido gengival. Tannerella forsythia 1- Bastonete Gram-negativo anaeróbio. 2- Presente em periodontite ativa. 3 - Invade o epitélio. 4- Observado no biofilme subgengival. 5- Frequentemente associada a Fusobacterium nucleatum. Treponema denticola 1- Helicoidais gram-negativos anaeróbios altamente móveis. 2- Comuns em bolsas periodontais. 3 - Associados a GUN, provocam alteração na resposta de anticorpos nos casos de periodontite ativa. Referência bibliográfica Lindhe, J. Tratado de periodontologia clinica e implantodontia oral, 5 o ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro,2010.