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LUCRO PRESUMIDO Juliana Maurilia Martins Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 2 Juliana Maurilia Martins Apuração do IRPJ e CSLL pelo Lucro Presumido Instrutora: Juliana Maurilia Martins Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 SUMÁRIO 1. CONCEITO .............................................................................................................. 5 2. OPÇÃO AO LUCRO PRESUMIDO ...................................................................... 6 2.1. Quem pode optar?...................................................................................................... 7 2.1.1. Verificação do Limite de Receita ...................................................................... 7 2.1.2. Limite de Receita Bruta Excedido no Ano-Calendário.................................. 9 2.2. Quem não pode optar? .............................................................................................. 9 3. DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO .................................................. 11 3.1. Percentuais ................................................................................................................ 13 3.2. Determinação da Base de Cálculo do Imposto Por Meio de Percentual Favorecido ............................................................................................................................. 16 4. CONCEITO DE RECEITA BRUTA E BASE DE CÁLCULO .......................... 17 4.1. Valores Integrantes da Base de Cálculo............................................................... 17 4.1.1. Receitas Financeiras ............................................................................................ 19 4.1.2. Variações Monetárias Ativas .............................................................................. 20 4.1.3. Ganho de Capital .................................................................................................. 22 4.1.3.1. Valor Presente na Composição do Custo do Bem para fins do Ganho de Capital 24 4.1.3.2. Custos de Empréstimos na Apuração do Ganho de Capital ......................... 24 4.1.4. Ajuste a Valor Presente ....................................................................................... 25 4.1.5. Concessão de Serviços Públicos ....................................................................... 26 4.1.6. Preço de Transferência ....................................................................................... 27 4.2. Receitas e Rendimentos não Tributáveis ............................................................. 28 4.2.1. Avaliação a Valor Justo - AVJ ............................................................................ 28 4.3. Receitas Tributadas na Fonte ................................................................................ 29 5. DETERMINAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL DEVIDA ........................................... 30 5.1. Alíquota de IRPJ e CSLL ........................................................................................ 30 5.2. Deduções do Imposto Devido ................................................................................ 31 5.3. Compensações do Imposto de Renda Devido .................................................... 31 5.4. Incentivos Fiscais ..................................................................................................... 32 6. PAGAMENTO DO IMPOSTO ............................................................................. 32 6.1. Local de Pagamento ................................................................................................ 32 6.2. Documento a Utilizar ................................................................................................ 32 Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 4 Juliana Maurilia Martins 6.3. Prazo para Pagamento ............................................................................................ 32 7. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OU LIVRO CAIXA? ......................................... 33 7.1. Guarda de Documentos .......................................................................................... 34 8. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ............................................................................. 34 8.1. Lucros Distribuídos que Excederem ao Valor Apurado na Escrituração ......... 35 9. PIS E COFINS ....................................................................................................... 36 Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 5 Juliana Maurilia Martins A apostila foi elaborada com base na legislação vigente em: 07/05/2024 Apuração do IRPJ e CSLL pelo Lucro Presumido 1. CONCEITO O lucro presumido é uma forma de tributação simplificada para determinação da base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no ano- calendário, à apuração do lucro real. O imposto de renda é devido trimestralmente, e presume-se qual será o lucro aplicando um percentual previamente estabelecido na legislação sobre a Receita Bruta auferida pela Pessoa Jurídica. As normas que tratam sobre o lucro presumido são: • Lei nº 8.383, de 1991, art. 65, §§ 1º e 2º; • Lei nº 8.981, de 1995, arts. 27 e 45; • Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º; • Lei nº 9.249, de 1995, art. 1º, art. 9º, art. 10, art. 11, arts. 15 e 17, art. 21, art. 22, § 1º, • arts. 27, 29 e 30 e art. 36, inciso V; • Lei nº 9.250, de 1995, art. 40; • Lei nº 9.393, de 1996, art. 19; • Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º, 4º, 5º, 7º e 8º, art. 19, § 7º, art. 22, § 3º, arts. 24 a 26, • 51 a 54, 58, 70 e art. 88, inciso XXVI; • Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º; • Lei nº 9.716, de 1998, art. 5º; • Lei nº 9.718, de 1998, arts. 13 e 14; • MP nº 2.158-35, de 2001, arts. 20, 30 e 31; • Lei nº 10.637, de 2002, art. 46 e art. 68, inciso III; • Lei nº 10.684, de 2003, art. 22 e art. 29, inciso III; • Lei nº 10.833, de 2003, arts. 30 a 33, 35, 36 e 93; • Lei nº 11.033, de 2004, art. 8º; • Lei nº 11.051, de 2004, arts. 1º e 32; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 6 Juliana Maurilia Martins • Lei nº 11.196, de 2005, art. 34; • Lei nº 11.491, de 2009, art. 15, §§ 1º a 3º e art. 20, §§ 1º a 3º ; • Lei nº 11.941, de 2009, art. 20; e • Lei nº 12.249, de 2010, art. 22 • Lei nº 12.814, de 2013, art. 7º. • Lei nº 12.973, de 2014. • RIR/2018, arts. 587 a 601. 2. OPÇÃO AO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido, correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário. NOTA! Não é permitido REDARF para alterar o código de receita identificador da opção manifestada. A pessoa jurídica que iniciar atividades a partir do segundo trimestre manifesta a opção com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido, relativa ao período de apuração do início de atividade. A opção pela apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, com base no lucro presumido, é definitiva para o ano-calendário. PERGUNTAS E RESPOSTAS IRPJ 2023 – CAPÍTULO XIII 005) Como deverá proceder para regularizar sua situação a pessoa jurídica que, embora preenchendo as condições exigidas para o lucro presumido, não tenha efetuado o respectivo pagamento da primeira quota ou quota única em tempo hábil, com vistas à opção? Nessa hipótese, estará ela impedida de adotar essa forma de tributação? Atendidos os requisitos legais, a pessoa jurídica poderá optar pelo lucro presumido, se ainda não tiver efetuado o pagamento do imposto com base em outro tipo de tributação naquelede 2010, DOU de 11/02/2010 “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 37 Juliana Maurilia Martins Ementa: A partir da revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, a receita financeira e a receita de aluguel de imóvel próprio, quando estas atividades não fazem parte do objeto social da pessoa jurídica, não integram a base de cálculo da Cofins no regime de incidência cumulativo.”(grifou-se) Solução de Consulta Disit/SRRF07 Nº 100, de 30 de setembro de 2010, DOU de 21/10/2010 “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. Ementa: Base de Cálculo. Receitas Financeiras. A partir de 28 de maio de 2009, com a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, o faturamento, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins apurada sob o regime de apuração cumulativa, passou a ser considerado como a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, ou seja, como o conjunto das receitas decorrentes da execução dos objetivos sociais da pessoa jurídica. As receitas financeiras, portanto, desde que não incluídas no objeto social da pessoa jurídica, não devem fazer parte da base de cálculo dessa contribuição.”(grifou-se) As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do IRPJ com base no lucro presumido, e consequentemente submetidas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência das referidas contribuições, desde que adotem o mesmo critério em relação ao IRPJ e à CSLL. Fundamentação Legal: Lei nº 10.833/03, art. 10, inciso II; Lei nº 9.718/98; Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 20; Instrução Normativa RFB nº 2.121/22. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 38 Juliana Maurilia Martins Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 Contadora, registrada no CRC/SC sob o nº 031022/O-0, formada pela UFSC, e pós-graduada do curso “MBA em Planejamento Tributário” pela UCAM. Consultora na área Contábil e Tributária, com enfoque em Impostos e Contribuições Federais e suas obrigações acessórias desde 2009. Palestrante convidada pelo CRC/SC desde janeiro de 2011 para o Projeto Educação Continuada, promovido em parceria com as demais entidades contábeis de Santa Catarina. Também convidada como palestrante pelo Conselho Federal de Contabilidade para ministrar workshop para os Conselheiros do CFC, e como moderadora do Painel da Lei nº 12.973/14 na XXIX CONTESC. Professora de Pós-graduação em disciplinas de Malha Fiscal e Cruzamentos de Informações, ECD e ECF, e PIS e COFINS, Lucro Real, na FURB, Unidavi, Excelsu Educacional e BSSP. Cofundadora e professora da Plataforma SEFAZmeRIR. Para saber mais sobre o meu trabalho ou seguir nas redes sociais acesse o Link: https://julianammartins.com.br/links/ Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 https://julianammartins.com.br/links/ TÍTULO 2 Professor 2 Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235ano-calendário e desde que faça o pagamento do imposto e respectivos acréscimos legais (multa e juros de mora) incidentes em razão do atraso no recolhimento do imposto. Por fim, destaca-se que não podem optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas que exercerem atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado. Fundamentação Legal: Lei nº 9.718/98, art. 13, § 1º; Decreto nº 9.580/18, art. 587. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 7 Juliana Maurilia Martins 2.1. Quem pode optar? Podem optar as pessoas jurídicas: a) cuja receita total no ano-calendário anterior tenha sido igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou a R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses em atividade no ano-calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses; e b) que não estejam obrigadas à tributação pelo lucro real em função da atividade exercida ou da sua constituição societária ou natureza jurídica. NOTA! A receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718/98, Art. 13, § 2º). Podem, também, optar pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas que iniciarem atividades ou que resultarem de incorporação, fusão ou cisão, desde que não estejam obrigadas à tributação pelo lucro real. As pessoas jurídicas, tributadas pelo lucro presumido, e que, em qualquer trimestre do ano-calendário, tiverem seu lucro arbitrado, podem permanecer no regime de tributação com base no lucro presumido relativamente aos demais trimestres do ano-calendário, desde que atendidas as disposições legais pertinentes. Fundamentação Legal: Lei nº 8.981/95, art. 47, § 2º; Lei nº 9.430/96, art.1º; Lei nº 9.718/98, Art. 13; Decreto nº 9.580/18, art. 587; Instrução Normativa no 1.700/17, art. 235. 2.1.1. Verificação do Limite de Receita O limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) para a opção no ano-calendário é calculado tomando-se por base o somatório das receitas totais mensais auferidas no ano-calendário anterior. Integram a receita total para fins de determinação do limite: a) da receita bruta mensal; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 8 Juliana Maurilia Martins b) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas em bolsa de valores, de mercadorias e futuros e em mercado de balcão organizado; c) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável; d) das demais receitas e ganhos de capital; e) das parcelas de receitas auferidas nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que excederem o valor já apropriado na escrituração da empresa, na forma prevista na Instrução Normativa RFB nº 1.312/12; e f) dos juros sobre o capital próprio que não tenham sido contabilizados como receita, conforme disposto no parágrafo único do art. 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.700/17. Para os fins do item “a” acima, considera-se como receita bruta: I) o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II) o preço da prestação de serviços em geral: III) o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV) as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos itens I a III. Na receita bruta incluem-se os tributos sobre ela incidentes e o ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404/76, das operações vinculas à receita bruta. Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário (ICMS ST e IPI). NOTA! Não integram a receita total as saídas que não decorram de vendas, a exemplo das transferências de mercadorias para outros estabelecimentos da mesma empresa. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, arts. 591, 592 e 595; Decreto-Lei nº 1.598/77, art. 12; Lei nº 12.973/14, art. 2º; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 26, 59, §1º, e 214. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 9 Juliana Maurilia Martins 2.1.2. Limite de Receita Bruta Excedido no Ano-Calendário A pessoa jurídica que no curso do ano-calendário ultrapassar o limite da receita total de R$ 78.000.000,00 não estará obrigada à apuração do lucro real dentro deste mesmo ano, tendo em vista que o limite para opção pelo lucro presumido é verificado em relação à receita total do ano-calendário anterior. Quando a pessoa jurídica ultrapassar o limite legal em algum período de apuração dentro do próprio ano-calendário, tal fato não implica necessariamente mudança do regime de tributação, podendo continuar sendo tributada com base no lucro presumido dentro deste mesmo ano. Contudo, automaticamente, estará obrigada à apuração do lucro real no ano- calendário subsequente, independentemente do valor da receita total que for auferida naquele ano. Daí por diante, para que a pessoa jurídica possa retornar à opção pelo lucro presumido deverá observar as regras de opção vigentes à época. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, arts. 591, 592 e 595; Decreto-Lei nº 1.598/77, art. 12; Lei nº 12.973/14, art. 2º; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 26, 59, §1º, e 214. 2.2. Quem não pode optar? Não podem optar pelo Lucro Presumido aquelas pessoas jurídicas que, por determinação legal, estão obrigadas à apuração do lucro real, a seguir apresentadas: a) cuja receita total, no ano-calendário anterior, tenha excedido o limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou de R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses. b) cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguro privado e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; c) que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 10 Juliana Maurilia Martins d) que, autorizadas pela legislação tributária, queiram usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de renda; e) que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado o recolhimento mensal pelo regime de estimativa, na forma prevista no art. 32 da IN RFB nº 1.700, de 2017; f) que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); g) que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio; e h) as pessoas jurídicas que explorem as atividades de compra de direitos creditórios, ainda que se destinem à formação de lastro de valores mobiliários (securitização). A obrigatoriedade a que se refere o item “c” acima não se aplica à pessoa jurídica que auferir receita de exportação de mercadorias e da prestação direta de serviços no exterior. Não se considera direta a prestação de serviçosrealizada no exterior por intermédio de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas. A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo ano-calendário, incorrer em situação de obrigatoriedade de apuração pelo lucro real por ter auferido lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior, deverá apurar o IRPJ e a CSLL sob o regime de apuração pelo lucro real trimestral a partir, inclusive, do trimestre da ocorrência do fato. O mesmo entendimento se aplica aos casos em que passar a exercer atividade obrigada ao lucro real no curso do ano-calendário, a exemplo da atividade de factoring, que foi objeto de questionamento por um contribuinte que obteve sua resposta na Solução de Consulta COSIT nº 284, de 30 de setembro de 2019, cujo trecho é transcrito a seguir: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 11 Juliana Maurilia Martins Pessoa jurídica submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Presumido, que incorrer em situação de obrigatoriedade de apuração do Lucro Real, advinda no curso de um trimestre, deverá apurar o Lucro Real em relação a todo esse trimestre. Fundamentação Legal: Lei nº 9.718/98, art. 14; Decreto nº 9.580/18, art. 257; Instrução Normativa SRF nº 025/99, art. 2º; Lei nº 12.249/10, art. 22; ADI SRF nº 5/01; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 59 e art. 214, §§ 4º e 5º 3. DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO A base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), no regime do lucro presumido, será o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o item 3.1 desta apostila, sobre a receita bruta definida no item 4 desta mesma apostila, relativa a cada atividade, auferida nos trimestres encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Ao resultado obtido na forma mencionada acima, deverão ser acrescidos: I - os ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas no item 4 desta mesma apostila (receitas operacionais), auferidos no mesmo período, inclusive: a) os ganhos de capital auferidos na alienação de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas, e de participações societárias que permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do ano-calendário seguinte ao de suas aquisições; b) os ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão organizado; c) a receita de locação de imóvel, quando não for este o objeto social da pessoa jurídica, deduzida dos encargos necessários à sua percepção; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 12 Juliana Maurilia Martins d) os juros equivalentes à taxa referencial Selic, para títulos federais, relativos a impostos e contribuições a serem restituídos ou compensados; NOTA! O julgamento do Recurso Extraordinário nº 1.063.187/SC , representativo do tema 962 da sistemática de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal (STF), julgou que é inconstitucional a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores atinentes à taxa Selic recebidos em razão de repetição de indébito tributário. e) os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; f) as receitas financeiras decorrentes das variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual; g) os ganhos de capital auferidos na devolução de capital em bens e direitos; h) em relação à base de cálculo do IRPJ, a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos entregue para a formação do referido patrimônio; i) em relação à base de cálculo da CSLL, o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, a título de devolução de patrimônio; II - os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e renda variável; III - os juros sobre o capital próprio auferidos; IV - os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real e no resultado ajustado, ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5230634 13 Juliana Maurilia Martins V - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam o item 3.1 desta apostila, em relação ao IRPJ e em relação à CSLL, sobre a parcela das receitas auferidas em cada atividade, no respectivo período de apuração, nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que exceder o valor já apropriado na escrituração da empresa, na forma prevista na Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 2012; VI - a diferença de receita financeira calculada conforme disposto no Capítulo V e no art. 58 da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 2012; VII - as multas ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, por causa de rescisão de contrato, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 79 da Instrução Normativa RFB nº 1.700/17. NOTA! O lucro presumido e o resultado presumido serão determinados pelo regime de competência ou de caixa. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, Art. 591; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215. 3.1. Percentuais No ano-calendário na determinação do lucro presumido são aplicados os seguintes percentuais na determinação do lucro presumido sobre a receita bruta auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos: ESPÉCIE DE ATIVIDADES GERADORAS DE RECEITAS IRPJ CSLL % % a) revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural 1,60% 12,00% b) Venda de mercadorias ou produtos (exceto revenda de combustíveis para consumo) 8% 12% c) Prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 14 Juliana Maurilia Martins clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); d) Prestação de serviços de transporte de carga; f) Atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e g) Atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; h) Qualquer outra atividade (exceto a prestação de serviços) paraqual não esteja previsto percentual específico. i) Serviços de transporte de passageiros 16% 12% j) Pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviços em geral, mencionadas nas alíneas "l", "m", "n", "p", "q" e "t" (abaixo) cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). 32% k) prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; 32% 32% l) intermediação de negócios; m) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; n) construção por administração ou por empreitada unicamente de mão de obra ou com emprego parcial de materiais; o) construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura, no caso de contratos de concessão de serviços públicos, independentemente do emprego parcial ou total de materiais; p) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); q) coleta e transporte de resíduos até aterros sanitários ou local de descarte; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 15 Juliana Maurilia Martins r) exploração de rodovia mediante cobrança de preço dos usuários, inclusive execução de serviços de conservação, manutenção, melhoramentos para adequação de capacidade e segurança de trânsito, operação, monitoração, assistência aos usuários e outros definidos em contratos, em atos de concessão ou de permissão ou em normas oficiais, pelas concessionárias ou subconcessionárias de serviços públicos; s) prestação de serviços de suprimento de água tratada e os serviços de coleta e tratamento de esgotos deles decorrentes, cobrados diretamente dos usuários dos serviços pelas concessionárias ou subconcessionárias de serviços públicos; e t) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada anteriormente u) as atividades de operação de empréstimo, de financiamento e de desconto de títulos de crédito realizadas por Empresa Simples de Crédito (ESC) 38,4% 38,4% As atividades de corretagem (seguros, imóveis, etc.) e as de representação comercial são consideradas atividades de intermediação de negócios. Atenção 1) No caso de atividades diversificadas, deve ser aplicado o percentual correspondente sobre a receita proveniente de cada atividade. 2) As sociedades cooperativas de consumo e as demais quanto aos atos não cooperados, utilizam os percentuais de acordo com a natureza de suas atividades. 3) A partir de 1º de janeiro de 2006, o percentual também passou a ser aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Lei nº 11.196, de 2005, art. 34; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, § 26) 4) A receita bruta auferida pela pessoa jurídica decorrente da prestação de serviços em geral, como limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam fornecidos os materiais, está sujeita à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento). 5) Para fins de aplicação da letra “c” da tabela acima, entende-se como atendimento às normas da Anvisa, entre outras, a prestação de serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com o item 3 - Dimensionamento, Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 16 Juliana Maurilia Martins Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II - Programação Físico-Funcional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca-se ainda que este dispositivo não se aplica: I - à pessoa jurídica organizada sob a forma de sociedade simples; II - aos serviços prestados com utilização de ambiente de terceiro; e III - à pessoa jurídica prestadora de serviço médico ambulatorial com recursos para realização de exames complementares e serviços médicos prestados em residência, sejam eles coletivos ou particulares (home care). Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, Art. 592; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 33. 3.2. Determinação da Base de Cálculo do Imposto Por Meio de Percentual Favorecido As pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviços em geral, mencionadas nas na letra “j” da tabela do item 3.1 desta apostila, cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00, podem utilizar, para determinação da base de cálculo do imposto de renda trimestral, o percentual de 16% (dezesseis por cento). A pessoa jurídica cuja receita bruta anual acumulada até determinado trimestre do ano-calendário exceder o limite anual de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) deve determinar nova base de cálculo do imposto com a aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento), e apurar a diferença do imposto postergado em cada trimestre transcorrido, no trimestre em que foi excedido o limite. Esta diferença deve ser paga em quota única, por meio de Darf separado, no código 2089, até o último dia útil do mês subsequente ao trimestre em que ocorrer o excesso. Após esse prazo, a diferença será paga com os acréscimos legais. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 592, §3º a 6º; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 33 e art. 215 §§ 10 a 13. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 17 Juliana Maurilia Martins 4. CONCEITO DE RECEITA BRUTA E BASE DE CÁLCULO A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados, o resultado auferido nas operações de conta alheia e as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendida nos itens anteriores, observando- se que: a) Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. b) Na receita bruta incluem-se os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, das operações que compõe a receita bruta. Atenção: 1) A pessoa jurídica optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido pode adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços pelo regime de caixa ou de competência. 2) As receitas próprias da venda de unidades imobiliárias (bem assim, as receitas financeiras e variações monetárias decorrentes dessa operação) que compõem a incorporação imobiliária inscrita no regime especial de tributação (RET) de que tratam os arts. 1º a 4º da Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, alterados pelo art. 111 da Lei nº 11.196, de 2005, não deverão ser computadas na receita bruta para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido ou arbitrado. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 208, §3º a 6º; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 26. 4.1. Valores Integrantes da Base de Cálculo O lucro presumido, apurado trimestralmente, é a soma dos seguintes valores: a) do valor obtido pela aplicação dos percentuais especificados no tópico 3.1 desta apostila; b) dos valores correspondentes aos demais resultados e ganhos de capital, inclusive: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.23518 Juliana Maurilia Martins b.1) os ganhos de capital nas alienações de bens e direitos, inclusive de aplicações em ouro não caracterizado como ativo financeiro. O ganho corresponde à diferença positiva verificada, no mês, entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão acumulada, ainda que a empresa não mantenha escrituração contábil; b.2) os ganhos de capital auferidos na alienação de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas, e de participações societárias que permanecerem no ativo da pessoa jurídica até o término do ano-calendário seguinte ao de suas aquisições; b.3) os ganhos de capital auferidos na devolução de capital em bens ou direitos; b.4) os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; b.5) os ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão; b.6) a receita de locação de imóvel, quando não for este o objeto social da pessoa jurídica; b.7) os juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, acumulada mensalmente, relativos a impostos e contribuições a serem restituídos ou compensados; b.8) as variações monetárias ativas; c) dos rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável; d) dos juros sobre o capital próprio auferidos; e) dos valores recuperados correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real, ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido, arbitrado ou simples; f) do valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o tópico 3.1 desta apostila sobre a parcela das receitas auferidas nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que exceder ao valor já Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 19 Juliana Maurilia Martins apropriado na escrituração da empresa, decorrente dos ajustes dos métodos de preços de transferências; g) do valor dos encargos suportados pela mutuária que exceder ao limite calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América, pelo prazo de seis meses, acrescido de três por cento anuais a título de "spread", proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros, quando pagos ou creditados a pessoa vinculada no exterior e o contrato não for registrado no Banco Central do Brasil; h) da diferença de receita, auferida pela mutuante, correspondente ao valor calculado com base na taxa a que se refere a alínea “g” e o valor contratado, quando este for inferior, caso o contrato, não registrado no Banco Central do Brasil, seja realizado com mutuária definida como pessoa vinculada domiciliada no exterior; i) das multas ou qualquer outra vantagem recebida ou creditada, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato; j) da diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos entregue para a formação do referido patrimônio. NOTA! O resultado negativo ou perda apurados em uma operação não podem ser compensados com os resultados positivos auferidos em outras operações. Consideram-se resultados positivos as receitas auferidas diminuídas das despesas necessárias à sua obtenção, quando efetivamente realizadas. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 591 e 592, §3º a 6º; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215; Lei nº 9.532, de 1997, art. 17, § 3º, e art. 81, inciso II. 4.1.1. Receitas Financeiras Os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável serão acrescidos às bases de cálculo do lucro presumido e do resultado presumido no período de apuração da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação, não lhes sendo aplicável o regime de competência. NOTA! Considera-se resgate, no caso de aplicações em fundos de investimento por pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a incidência semestral do imposto sobre a renda nos meses de maio e novembro de cada ano nos termos do inciso I do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 20 Juliana Maurilia Martins 1.585/15. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1720, de 20 de julho de 2017) Relativamente aos ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável, o IRPJ sobre os resultados positivos mensais apurados em cada um dos 2 (dois) meses imediatamente anteriores ao do encerramento do período de apuração serão determinados e pagos em separado, nos termos da legislação específica, dispensado o recolhimento em separado relativamente ao 3º (terceiro) mês do período de apuração. Os ganhos líquidos, neste caso, relativos a todo o trimestre de apuração serão computados na determinação do lucro presumido e do resultado presumido, e o montante do imposto pago será considerado antecipação, compensável com o devido no encerramento do período de apuração. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 335, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2018 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. FUNDOS DE INVESTIMENTO DE LONGO PRAZO. RENDIMENTOS. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa). Considera-se resgate, no caso de aplicações em fundos de investimento por pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a incidência semestral do imposto sobre a renda nos meses de maio e novembro de cada ano, ou seja, o rendimento que sofreu a retenção deve ser acrescido à base de cálculo do lucro presumido apurado pela pessoa jurídica quando ocorrer a incidência semestral do imposto sobre a renda e o imposto retido deduzido na apuração do IRPJ. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa RFB nº 1.585, de 2015, art. 9º, I e art. 70, § 9º, II e § 9º-A. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 591 e 592, §3º a 6º; e Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 216. 4.1.2. Variações Monetárias Ativas As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como da determinação do lucro da Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=97858 21 Juliana Maurilia Martins exploração, quando da liquidação da correspondente operação, segundo o regime de caixa. À opção da Pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação dos tributos, segundo o regime de competência. Nesse caso, a opção aplicar-se-á, de forma simultânea, a todo o ano calendário. A partir do ano-calendário de 2011, o direito de optar pelo regime de competência somente poderá ser exercido no mês de janeiro ou no mês do início de atividades. A opção deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) por intermédio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao mês de adoção do regime, não sendo admitida DCTFretificadora, fora do prazo de sua entrega, para a comunicação: Procedida a opção pelo regime de competência, o direito de sua alteração para o regime de caixa, no decorrer do ano-calendário, é restrito aos casos em que ocorra elevada oscilação da taxa de câmbio comunicada mediante a edição de Portaria do Ministro de Estado da Fazenda, devendo tal alteração ser informada à RFB por intermédio da DCTF relativa ao mês subsequente ao da publicação da Portaria Ministerial que comunicar a oscilação da taxa de câmbio. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 22 Juliana Maurilia Martins Ocorre elevada oscilação da taxa de câmbio quando, no período de um mês- calendário, o valor do dólar dos Estados Unidos da América para venda apurado pelo Banco Central do Brasil sofrer variação, positiva ou negativa, superior a 10% (dez por cento). A variação será determinada mediante a comparação entre os valores do dólar no 1º (primeiro) e no último dia do mês-calendário para os quais exista cotação publicada pelo Banco Central do Brasil. Verificada a hipótese de oscilação, a alteração do regime de competência para o regime de caixa para reconhecimento das variações monetárias poderá ser efetivada no mês-calendário seguinte àquele em que ocorreu a elevada oscilação da taxa de câmbio. Neste caso, o novo regime adotado será aplicado durante todo o ano-calendário. Fundamentação Legal: MP nº 1.858-10, de 1999, art. 31, e reedições; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, §§ 27 e 28; Decreto nº 9.580/18, art. 407. 4.1.3. Ganho de Capital Nas alienações de bens classificáveis no ativo não circulante, investimentos, imobilizados, intangíveis e de ouro não considerado ativo financeiro, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo custo contábil. Na alienação de ativo intangível a que se refere o inciso I do § 8º do art. 215 da IN RFB nº 1.700, de 2017, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o valor dos custos incorridos na sua obtenção, deduzido da correspondente amortização. NOTA! A não comprovação dos custos pela pessoa jurídica implicará a adição integral da receita à base de cálculo do lucro presumido. Caso na alienação de bem ou direito seja verificada perda essa não será computada para fins do lucro presumido. Na apuração dos ganhos de capital a que se refere os incisos II e III, do art. 215 da IN RFB nº 1.700, de 2017, o aumento ou redução no valor do ativo registrado em contrapartida a ganho ou perda decorrente de sua avaliação com base no valor justo não será considerado como parte integrante do valor contábil. Este disposto não se aplica caso o ganho relativo ao aumento no valor do ativo tenha sido anteriormente computado na base de cálculo do imposto. Para fins de apuração dos ganhos de capital, considera-se custo ou valor contábil de bens e direitos o que estiver registrado na escrituração contábil do Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 23 Juliana Maurilia Martins contribuinte, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada e das perdas estimadas no valor dos ativos. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 285, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2018 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. IMOBILIZADO. VALOR CONTÁBIL. DEPRECIAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. O ganho de capital nas alienações de bens e direitos do ativo não circulante classificados como imobilizado corresponde à diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil do bem. Para fins de apuração do ganho de capital, a pessoa jurídica que apura o IRPJ com base no lucro presumido deverá considerar como valor contábil o custo de aquisição diminuído dos encargos de depreciação. Para bens adquiridos anteriormente ao ano de 1996, a pessoa jurídica poderá atualizar monetariamente o custo de aquisição até 31/12/1995, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 01/01/1996 (R$ 0,8287). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.249, de 1995, art. 17, I; Decreto nº 9.580, de 2018, art. 595, § 1º; IN RFB nº 1.700, de 2017, art. 39, § 10, III, art. 215, §§ 14 a 20, art. 200, § 1º. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 166, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2016 O valor contábil no caso de investimentos permanentes em participações societárias avaliado pelo valor de patrimônio Líquido será a soma algébrica dos seguintes valores: a) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; b) mais ou menos-valia, que corresponde a diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o art. 21 do Decreto-lei nº 1.598, de 1977; c) ágio por rentabilidade futura (goodwill) que corresponde a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o somatório dos valores de que tratam os incisos I e II do art. 20 Decreto-lei nº 1.598, de 1977; No caso das aplicações em ouro, não considerado ativo financeiro, o valor de aquisição, e no caso de outros bens e direitos não classificados no ativo não circulante, considera-se valor contábil o custo de aquisição. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 595; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, § 3º, incisos I e II, §§ 14 a 18. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 24 Juliana Maurilia Martins 4.1.3.1. Valor Presente na Composição do Custo do Bem para fins do Ganho de Capital Para fins de determinação do Ganho de capital, poderão ser considerados no valor contábil, e na proporção deste, os respectivos valores decorrentes dos efeitos do ajuste a valor presente de que trata o inciso III do caput do art. 184 da Lei nº 6.404, de 1976. Para obter a parcela a ser considerada no valor contábil do ativo, a pessoa jurídica terá que calcular inicialmente o quociente entre: 1) o valor contábil do ativo na data da alienação, e 2) o valor do mesmo ativo sem considerar eventuais realizações anteriores, inclusive mediante depreciação, amortização ou exaustão, e a perda estimada por redução ao valor recuperável. A parcela a ser considerada no valor contábil do ativo corresponderá ao produto: 1) dos valores decorrentes do ajuste a valor presente com; 2) o quociente de que trata o parágrafo anterior. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 595; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, § 3º, incisos I e II. 4.1.3.2. Custos de Empréstimos na Apuração do Ganho de Capital Para fins de determinação do ganho de capital é vedado o cômputo de qualquer parcela a título de encargos associados a empréstimos, registrados como custo nos termos do inciso II do art. 145 da IN RFB nº 1.700, de 2017. Esta previsão decorre do fato da NBC TG 20 passar a permitir a capitalização dos juros de empréstimos como ativo e não mais como despesa financeira, enquanto o ativo estiver em fase de construção. Entretanto, essa capitalização (composição do custo do ativo) possui efeito somente contábil, não podendo ser computado para fins de apuração do ganho de capital. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 595; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, § 18. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 25 Juliana Maurilia Martins 4.1.4. Ajuste a Valor Presente Os valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404/76, incluem-se na respectiva receita bruta tributável. Os valores decorrentes do ajuste a valor presente, apropriados como receita financeira no mesmo período de apuraçãodo reconhecimento da receita bruta ou em outro período de apuração, não serão incluídos nas bases de cálculo do lucro presumido e do resultado presumido. Exemplo: Considere que uma determinada empresa tenha realizado uma venda pelo valor de R$ 150.000,00 em 15 vezes de R$ 10.000,00, e que por força da NBC TG 12 ou da NBC TG 1.000, conforme o caso, tenha aplicado a regra do Ajuste ao Valor Presente e tenha chego à conclusão que o valor presente desta operação é de R$ 125.000,00. Com isso, reconheceu contabilmente uma receita de R$ 125.000,00, decorrente de uma Receita Bruta de R$ 150.000 e de uma redutora de $ 25.000,00: D – Clientes (AC ou AÑC) .............................................................. R$ 150.000,00 D – Ajuste a Valor Presente – Redutora da RBV (Resultado) ......... R$ 25.000,00 C – Ajuste a Valor Presente – Redutora de Clientes (AC ou AñC)... R$ 25.000,00 C – Receita Bruta de Vendas (Resultado) ..................................... R$ 150.000,00 Neste caso a DRE (visão ECF) apareceria assim: CÓDIGO DESCRIÇÃO R$ 3 RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 3.01 RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO ANTES DO IRPJ E DA CSLL - ATIVIDADE GERAL 3.01.01 RESULTADO OPERACIONAL 3.01.01.01 RECEITA LIQUIDA 125.000,00 3.01.01.01.01 RECEITA BRUTA 150.000,00 3.01.01.01.01.05 Receita da Revenda de Mercadorias no Mercado Interno 150.000,00 3.01.01.01.02 DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA (25.000,00) 3.01.01.01.02.01 (-) Vendas Canceladas e Devoluções de Vendas 3.01.01.01.02.02 (-) Descontos Incondicionais e Abatimentos Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 26 Juliana Maurilia Martins 3.01.01.01.02.03 (-) ICMS 3.01.01.01.02.04 (-) COFINS Sobre Receita Bruta 3.01.01.01.02.05 (-) PIS/PASEP Sobre Receita Bruta 3.01.01.01.02.06 (-) ISS 3.01.01.01.02.09 (-) Demais Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas e Serviços 3.01.01.01.02.10 (-) Ajuste a Valor Presente sobre Receita Bruta (25.000,00) Desta forma, o valor a ser consideração para fins tributários é R$ 150.000,00 e não R$ 125.000,00. Destaca-se que, futuramente, quando a conta redutora de Clientes for realizada, ou seja, for baixada em contrapartida da Receita Financeira de AVP, este valor não deverá ser computado na base tributável, uma vez que já foi reconhecido no momento da venda. A conta de receita financeira de AVP na ECF é a seguinte: 3.01.01.05.01.16 Receitas Financeiras Decorrentes de Ajustes ao Valor Presente Fundamentação Legal: Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, §§ 4º a 7º. 4.1.5. Concessão de Serviços Públicos No caso de contratos de concessão de serviços públicos: I - exclui-se da receita bruta a receita reconhecida pela construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração; e II - integram a receita bruta para fins de tributação, os valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404/76, vinculados aos ativos financeiros a receber pela prestação dos serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura. Fundamentação Legal: Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, § 8º. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 27 Juliana Maurilia Martins 4.1.6. Preço de Transferência Serão acrescidos às bases de cálculo o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam o tópico 3.1 desta apostila em relação ao IRPJ e em relação à CSLL, sobre a parcela das receitas auferidas em cada atividade, no respectivo período de apuração, nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que exceder o valor já apropriado na escrituração da empresa, na forma prevista na Instrução Normativa RFB nº 2.161/23. Nesse caso os valores serão apurados anualmente e acrescidos à base de cálculo do último trimestre do ano-calendário para efeitos de se determinar o tributo devido. Importante destacar que se consideram partes relacionadas: I - o controlador e as suas controladas; II - a entidade e a sua unidade de negócios, quando esta for tratada como contribuinte separado para fins de apuração de tributação sobre a renda, incluídas a matriz e as suas filiais; III - as coligadas; IV - as entidades incluídas nas demonstrações financeiras consolidadas, ou que seriam incluídas caso o controlador final do grupo multinacional de que façam parte preparasse tais demonstrações na hipótese de seu capital ser negociado nos mercados de valores mobiliários de sua jurisdição de residência; V - as entidades, quando uma delas possuir o direito de receber, direta ou indiretamente, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) dos lucros da outra ou de seus ativos, em caso de liquidação; VI - as entidades que estiverem, direta ou indiretamente, sob controle comum ou em que o mesmo sócio, acionista ou titular detiver 20% (vinte por cento) ou mais do capital social de cada uma; VII - as entidades em que os mesmos sócios ou acionistas, ou os seus cônjuges, companheiros, parentes, consanguíneos ou afins, até o terceiro grau, detiverem no mínimo 20% (vinte por cento) do capital social de cada uma; VIII - a entidade e a pessoa natural que for cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, até o terceiro grau, de conselheiro, de diretor ou de controlador daquela entidade; e Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 28 Juliana Maurilia Martins IX - a pessoa jurídica residente ou domiciliada no Brasil e qualquer entidade caracterizada nas hipóteses previstas nos arts. 24 e 24-A da Lei nº 9.430, de 1996. A existência de vinculação, com pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, relativamente às operações de compra e venda efetuadas durante o ano-calendário, será comunicada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF). Fundamentação Legal: Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215, §§ 24 e 25. 4.2. Receitas e Rendimentos não Tributáveis Consideram-se não tributáveis as receitas e os rendimentos relacionados abaixo: a) recuperações de créditos que não representem ingressos de novas receitas, e cujas perdas não tenham sido deduzidas na apuração do lucro real em períodos anteriores; b) a reversão de saldo de provisões anteriormente constituídas, desde que o valor provisionado não tenha sido deduzido na apuração do lucro real dos períodos anteriores, ou que se refiram ao período no qual a pessoa jurídica não tenha se submetido a esse regime de tributação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 53); c) os lucros e dividendos recebidos decorrentes de participações societárias no Brasil, caso se refiram a períodos em que estes sejam isentos de imposto de renda. NOTA! O valor do vale-pedágio não integrará o valor do frete e não será considerado receita operacional (Decreto nº 9.580/18, art. 591, § 3º; Lei nº 10.209, de 2001, art. 2º). Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 595; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 215. 4.2.1. Avaliação a Valor Justo - AVJ O ganho decorrente de avaliação de ativo ou passivo com base no valor justo não integrará as bases de cálculo do lucro presumido e do resultado presumido no período de apuração: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm 29 Juliana Maurilia Martins I - relativo à avaliação com base no valor justo, caso seja registrado diretamente em conta de receita; ou II - em que seja reclassificado como receita, caso seja inicialmente registrado em conta de patrimônio líquido. Na apuração dos ganhosmencionados acima (I e II), o aumento ou redução no valor do ativo registrado em contrapartida a ganho ou perda decorrente de sua avaliação com base no valor justo não será considerado como parte integrante do valor contábil. Porém, isto não se aplica caso o ganho relativo ao aumento no valor do ativo tenha sido anteriormente computado na base de cálculo do tributo. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 595, §§ 4º a 7º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, §§ 3º a 5º; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 217. 4.3. Receitas Tributadas na Fonte As importâncias pagas ou creditadas à pessoa jurídica, sujeitas à incidência do imposto na fonte, têm o seguinte tratamento: a) quando decorrentes da prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, de comissões, corretagens ou quaisquer outras remunerações pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais e da prestação de serviços de propaganda e publicidade, são incluídas como receitas de prestação de serviços e o imposto retido na fonte pode ser compensado com o devido trimestralmente. b) os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, renda variável ou juros sobre o capital próprio são incluídos na base de cálculo e o imposto pago ou retido incidente sobre esses rendimentos pode ser compensado com o devido trimestralmente. Quando o IRRF for superior ao devido no trimestre, o excesso (saldo negativo de IRPJ) pode ser compensado nos trimestres subsequentes, através de PER/Dcomp, acrescido dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do trimestre subsequente até o mês anterior ao da compensação e de 1% (um por cento) no mês da compensação. Para efeitos de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ apurado em cada trimestre o imposto sobre a renda pago ou retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 599; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 221, § 1º; Instrução Normativa RFB nº 1.717/17, art. 14, 23 e 161-A. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 30 Juliana Maurilia Martins 5. DETERMINAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL DEVIDA 5.1. Alíquota de IRPJ e CSLL O imposto de renda devido em cada trimestre é calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo. A parcela do lucro presumido que exceder ao resultado da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número dos meses do respectivo período de apuração sujeita-se à incidência do adicional, à alíquota de 10% (dez por cento). Já a alíquota da CSLL poderá ser de: I - 15% (quinze por cento), exceto no período compreendido entre 1º de setembro de 2015 e 31 de dezembro de 2018, no qual vigorará a alíquota de 20% (vinte por cento), nos casos de: a) pessoas jurídicas de seguros privados e de capitalização; b) bancos de qualquer espécie e agências de fomento; c) distribuidoras de valores mobiliários; d) corretoras de câmbio e de valores mobiliários; e) sociedades de crédito, financiamento e investimentos; f) sociedades de crédito imobiliário; g) administradoras de cartões de crédito; h) sociedades de arrendamento mercantil; e i) associações de poupança e empréstimo; II - 15% (quinze por cento), exceto no período compreendido entre 1º de outubro de 2015 e 31 de dezembro de 2018, no qual vigorará a alíquota de 17% (dezessete por cento), no caso de cooperativas de crédito; e III - 9% (nove por cento), no caso de: a) administradoras de mercado de balcão organizado; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 31 Juliana Maurilia Martins b) bolsas de valores e de mercadorias e futuros; c) entidades de liquidação e compensação; d) empresas de fomento comercial ou factoring; e e) demais pessoas jurídicas. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 623; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 29; Lei nº 7.689, de 1988; Lei nº 13.169, de 6 de outubro de 2015, art. 1º; IN RFB nº 1.591, de 5 de novembro de 2015. 5.2. Deduções do Imposto Devido A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido pode deduzir do imposto de renda apurado: a) o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre receitas que integram a base de cálculo do imposto devido; b) o imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos, conforme art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996; c) o imposto de renda retido na fonte por Entidades da Administração Pública Federal (Lei nº 10.833/2003, art. 34); d) o imposto de renda pago incidente sobre ganhos no mercado de renda variável. Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 599; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 221, § 1º; Instrução Normativa RFB nº 1.717/17, art. 14, 23 e 161-A. 5.3. Compensações do Imposto de Renda Devido A pessoa jurídica pode efetuar as seguintes compensações: a) pagamento indevido ou a maior que o devido de imposto de renda; b) saldo negativo de imposto de renda de períodos anteriores; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 32 Juliana Maurilia Martins c) outras compensações efetuadas mediante Declaração de Compensação (Per/DComp) ou processo administrativo. As compensações efetuadas devem ser informadas na DCTF. Fundamentação Legal: Instrução Normativa RFB nº 1.717/17. 5.4. Incentivos Fiscais A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido não é permitido qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 9.532, de 1997, art. 10). Fundamentação Legal: Decreto nº 9.580/18, art. 599; Instrução Normativa RFB nº 1.700/17, art. 221, § 2º. 6. PAGAMENTO DO IMPOSTO 6.1. Local de Pagamento Os contribuintes devem pagar o imposto de renda da pessoa jurídica por intermédio dos Bancos integrantes da rede arrecadadora de receitas federais. 6.2. Documento a Utilizar O pagamento do IRPJ deve ser feito mediante a utilização do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), sob o código 2089. Já o pagamento da CSLL é realizado sob o código 2372. 6.3. Prazo para Pagamento O imposto de renda devido, apurado trimestralmente, deve ser pago em quota única, até o último dia útil do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. À opção da pessoa jurídica, o imposto devido pode ser pago em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia útil dos três meses subsequentes ao de encerramento do período de apuração a que corresponder. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 33 Juliana Maurilia Martins Nenhuma quota pode ter valor inferior a R$ 1.000,00 (mil reais) e o imposto de valor inferior a R$ 2.000,00 (dois mil reais) será pago em quota única. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do segundo mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) no mês do pagamento. As orientações desse tópico também se aplicam ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 7. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OU LIVRO CAIXA? O parágrafo único do artigo 45 da Lei 8.981/95 e do artigo 600 do Decreto 9.580/18 (RIR/18) permitem, que a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Presumido, utilize a forma de escrituração que entender ser mais conveniente para fins tributários: contábil ou livro caixa, como se observa abaixo: A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I - escrituração contábilnos termos da legislação comercial; II - Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano-calendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III - em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano-calendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Porém, para se utilizar da prerrogativa do parágrafo único (vide grifo acima) que dispõe sobre regra tributária, a pessoa jurídica estará ferindo as exigências do Código Civil em especial ao artigo 1.179 que dispõe que "o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 34 Juliana Maurilia Martins correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico". Desta forma, para atender todas as legislações, sejam elas Societárias, Contábeis e Fiscais, a empresa deverá manter a escrituração contábil e regular. Para fins societários o Livro Caixa não supre a exigência do Código Civil. Fundamentação Legal: Lei 8.981/95, art. 45; Decreto 9.580/18, art. 600; Lei nº10.406/02, art. 1.179. 7.1. Guarda de Documentos A pessoa jurídica fica obrigada a conservar, em boa guarda, a escrituração, a correspondência e os demais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Na hipótese de extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, no prazo de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, e remeter cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda de sua jurisdição A legalização de novos livros ou fichas somente será providenciada depois de cumprido o disposto no parágrafo anterior. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Fundamentação Legal: Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 4º e art. 10; Decreto 9.580/18, art. 278; e Lei nº 10.406, de 2002 - Código Civil, art. 1.194. 8. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto de renda Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 35 Juliana Maurilia Martins do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Poderá ser distribuído, a título de lucros, sem incidência do imposto: a) o valor do lucro presumido ou arbitrado (base de cálculo do imposto), diminuído do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), inclusive adicional, quando devido, da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), da contribuição para financiamento da seguridade social (Cofins) e das contribuições para o PIS/Pasep (ADN Cosit nº 4, de 29 de janeiro de 1996); ou b) a parcela do lucro e dividendos excedentes ao valor determinado na alínea "a", desde que a pessoa jurídica demonstre, mediante escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração do lucro presumido. NOTA! Essa isenção não abrange os valores pagos a outro título, tais como pró- labore, aluguéis e serviços prestados, que se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos dos beneficiários. Fundamentação Legal: Lei nº 9.249, de 1995, art. 10; IN RFB nº 1.700, de 2017, art. 238; ADN Cosit nº 4, de 1996. 8.1. Lucros distribuídos que excederem ao valor apurado na escrituração A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período de apuração não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração contábil, deve ser imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita à incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. O disposto no parágrafo acima não abrange a distribuição de lucros e dividendos efetuada, após o encerramento do trimestre correspondente, com base no lucro presumido ou arbitrado diminuído do imposto e das contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica. Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente deve ser submetida à tributação, nos termos do art. 61 da Lei no 8.981/1995 (Art. 238, § 4o, da Instrução Normativa no 1.700, de 14 de março de 2017). Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 36 Juliana Maurilia Martins A distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeita-se à incidência do imposto de renda na forma prevista no parágrafo anterior. 9. PIS E COFINS As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido estarão sujeitas obrigatoriamente ao Regime Cumulativo como forma de tributação para o Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS. A incidência do PIS e COFINS pelo regime cumulativo está regulamentado pela Lei nº 9.718/98 e Instrução Normativa RFB nº 2.121/22. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas no regime de apuração cumulativa, serão calculadas mediante aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), respectivamente, ressalvadas situações específicas de tratamento diferenciado. ATENÇÃO! O § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 foi revogado pela publicação da Lei nº 11.941/09, art. 79, inciso XII, o que significa dizer que revogou o parágrafo que determinava a tributação do PIS e COFINS cumulativo sobre as “outras receitas”, incluindo as receitas financeiras. Portanto, desde maio de 2009 que as receitas financeiras são tratadas como “não incidência” no PIS e COFINS cumulativo. Porém, destaca-se que a RFB se manifestou por meio da Solução de Consulta COSIT nº 30, de 21 de janeiro de 2019, que o fator relevante para determinar se há a incidência do PIS e Cofins no regime de apuração cumulativa sobre determinada receita, inclusive receita financeira, é a existência de vinculação dessa receita à atividade negocial/empresarial desenvolvida pela pessoa jurídica. Veja um trecho da íntegra da Solução de Consulta COSIT nº 30, de 21 de janeiro de 2019: 22. Ademais, também esta RFB sempre ressaltou a vinculação entre receita bruta/faturamento e a atividade empresarial desenvolvida pela pessoa jurídica, conforme exemplos seguintes: Solução de Consulta Disit/SRRF06 Nº 8, de 9 de fevereiro