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SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM COMÉRCIO EXTERIOR NATHÁLIA AMORIM MACHADO MATRÍCULA 1260132300 Avaliação de ação com crescimento constante AVA 2 Rio de Janeiro 2026 2 1. INTRODUÇÃO A avaliação de ações busca estimar o valor de uma empresa considerando os benefícios que poderão ser gerados no futuro para seus acionistas. Dessa forma, o valor de uma ação está relacionado não apenas aos resultados já obtidos pela empresa, mas também às expectativas de dividendos, crescimento e retorno esperado pelos investidores. Entre os métodos utilizados para avaliação de ações está o Modelo de Gordon, que considera uma situação em que os dividendos apresentam crescimento constante ao longo do tempo. Segundo Assaf Neto (2014), o modelo determina o valor de uma ação por meio do valor presente de dividendos futuros que crescem a uma taxa constante, desde que essa taxa permaneça inferior à taxa de retorno exigida pelos investidores. O objetivo deste trabalho é aplicar o Modelo de Gordon aos dados apresentados da Companhia Seidanyll S/A, identificando a taxa de crescimento esperada dos dividendos e calculando o preço estimado da ação daqui a cinco anos. Além disso, serão analisadas as características das empresas mais adequadas à utilização desse modelo, seus principais ramos de atividade, bem como suas vantagens e limitações. 2. O MODELO DE GORDON E DEFINIÇÃO O Modelo de Gordon é utilizado para avaliar uma ação considerando uma sequência de dividendos que cresce a uma taxa constante. O modelo parte do princípio de que os dividendos futuros representam um dos principais benefícios esperados pelo acionista. A fórmula básica do modelo é: P₀ = D₁ ÷ (k − g) Em que: • P₀ = preço atual da ação; • D₁ = dividendo esperado para o próximo período; • k = taxa de retorno requerida pelo investidor; • g = taxa constante de crescimento dos dividendos. Como o problema fornece o último dividendo pago, representado por D₀, é 3 necessário calcular inicialmente o dividendo esperado para o período seguinte: D₁ = D₀ × (1 + g) Substituindo D₁ na fórmula principal, obtém-se: P₀ = [D₀ × (1 + g)] ÷ (k − g) Uma condição fundamental para a aplicação do Modelo de Gordon é que a taxa de crescimento dos dividendos seja inferior à taxa de retorno requerida pelos investidores, ou seja: k > g Essa condição garante que o valor calculado seja economicamente consistente e represente uma perpetuidade crescente. 3. DADOS DO PROBLEMA Para a realização dos cálculos foram utilizados os dados fornecidos no enunciado: - Preço corrente da ação (P₀): R$ 38,00; - Último dividendo pago (D₀): R$ 2,50; - Taxa de retorno requerida (k): 13% ao ano (0,13); - Período de projeção: 5 anos. 4. METODOLOGIA Este trabalho caracteriza-se como uma aplicação prática dos conceitos de finanças corporativas, utilizando abordagem quantitativa. O método empregado foi o Modelo de Gordon, utilizado para estimar o valor de uma ação a partir do crescimento constante dos dividendos. Os cálculos foram realizados com base nos dados fornecidos no enunciado da atividade, permitindo identificar a taxa implícita de crescimento dos dividendos e projetar o preço esperado da ação para um horizonte de cinco anos. 4 5. CÁCULOS 5.1 Cálculo da taxa de crescimento dos dividendos Como a taxa de crescimento não foi fornecida diretamente, ela deve ser determinada a partir dos dados disponíveis. Partindo da fórmula: P₀ = [D₀ × (1 + g)] ÷ (k − g) Substituindo os valores: 38,00 = [2,50 × (1 + g)] ÷ (0,13 − g) Multiplicando ambos os lados por (0,13 − g): 38,00 × (0,13 − g) = 2,50 × (1 + g) 4,94 − 38g = 2,50 + 2,50g 4,94 − 2,50 = 38g + 2,50g 2,44 = 40,50g g = 2,44 ÷ 40,50 g = 0,0602469 Portanto: g ≈ 6,02% ao ano Assim, a taxa implícita de crescimento dos dividendos é de aproximadamente 6,02% ao ano. A condição do Modelo de Gordon também é atendida, uma vez que a taxa de retorno requerida de 13% é superior à taxa de crescimento encontrada. 5.2 Cálculo do preço esperado da ação no quinto ano Após determinar a taxa de crescimento dos dividendos, é possível estimar o preço da ação ao final de cinco anos. P₅ = P₀ × (1 + g)⁵ 5 Substituindo os valores: P₅ = 38,00 × (1 + 0,0602469)⁵ P₅ = 38,00 × (1,0602469)⁵ P₅ ≈ 38,00 × 1,3397849 P₅ ≈ R$ 50,91 Portanto, mantidas as condições estabelecidas pelo problema, o preço estimado da ação da Companhia Seidanyll S/A ao final de cinco anos será de aproximadamente R$50,91. 5.3 Conferência do resultado pelo Modelo Gordon O resultado pode ser conferido por meio do dividendo esperado para o sexto ano. Inicialmente: D₆ = D₀ × (1 + g)⁶ D₆ = 2,50 × (1,0602469)⁶ D₆ ≈ R$ 3,55 Aplicando novamente a fórmula do Modelo de Gordon: P₅ = D₆ ÷ (k − g) P₅ = 3,5513 ÷ (0,13 − 0,0602469) P₅ = 3,5513 ÷ 0,0697531 P₅ ≈ R$ 50,91 Observa-se que ambos os procedimentos conduzem ao mesmo resultado, confirmando a consistência dos cálculos realizados. 6. ANÁLISE DOS RESULTADOS Os resultados obtidos demonstram que a ação da Companhia Seidanyll S/A, atualmente negociada por R$ 38,00, poderá alcançar aproximadamente R$ 50,91 ao 6 final de cinco anos, considerando uma taxa constante de crescimento dos dividendos de 6,02% ao ano e uma taxa de retorno requerida de 13%. A diferença entre o valor atual e o valor projetado é: R$ 50,91 − R$ 38,00 = R$ 12,91** A valorização percentual projetada é calculada da seguinte forma: [(50,91 − 38,00) ÷ 38,00] × 100 ≈ 33,98% Dessa forma, a valorização estimada do preço da ação no período corresponde a aproximadamente 33,98%. Entretanto, é importante destacar que essa valorização refere-se apenas à variação do preço da ação. Os dividendos eventualmente recebidos ao longo do período representam ganhos adicionais para o investidor. Segundo Assaf Neto (2014), o valor de uma ação está relacionado aos benefícios econômicos futuros esperados, incluindo dividendos e ganhos decorrentes da valorização do investimento. Além disso, o resultado encontrado não representa uma garantia de valorização futura. Trata-se de uma estimativa baseada nas premissas adotadas pelo modelo. Alterações na política de dividendos, no risco do negócio ou nas condições econômicas podem modificar significativamente o valor projetado. 7. PERFIL E RAMOS DE ATIVIDADE ADEQUADOS AO MODELO O Modelo de Gordon é mais adequado para empresas maduras, estáveis e capazes de sustentar uma taxa constante de crescimento dos dividendos ao longo do tempo. De acordo com Brealey, Myers e Allen (2018), a hipótese de crescimento constante tende a ser mais adequada para empresas financeiramente estáveis e com histórico consistente de distribuição de dividendos. Entre os exemplos de empresas com características compatíveis com o modelo destacam-se companhias dos setores de energia elétrica, saneamento, distribuição de gás, telecomunicações consolidadas, instituições financeiras maduras, 7 seguradoras e empresas de bens de consumo básico. Esses setores costumam apresentar receitas previsíveis e políticas regulares de distribuição de dividendos. Por outro lado, a aplicação do modelo torna-se mais limitada em empresas que não distribuem dividendos, apresentam crescimento elevado ou possuem resultados muito voláteis. Nesses casos, a hipótese de crescimento constante pode não representar adequadamente a realidade do negócio. No caso da Companhia Seidanyll S/A, o enunciado informa que se trata de uma empresa experiente, reconhecida mundialmente e com distribuição de dividendos aos acionistas. Essas características permitem a utilização do Modelo de Gordon para a análise proposta.Entretanto, a ausência de informações sobre o setor de atuação impede uma classificação mais precisa quanto ao ramo de atividade. 8. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO MODELO GORDON Uma das principais vantagens do Modelo de Gordon é sua simplicidade operacional. O método exige poucas variáveis e permite relacionar diretamente dividendos, crescimento, retorno requerido e valor da ação. Outra vantagem relevante é a incorporação do valor do dinheiro no tempo, uma vez que os dividendos futuros são considerados na determinação do preço atual da ação. Além disso, o modelo auxilia investidores e analistas na compreensão do impacto que alterações nas taxas de crescimento e retorno exercem sobre o valor de mercado de uma empresa. Entretanto, o método apresenta limitações importantes. A principal delas é a suposição de que os dividendos crescerão continuamente a uma taxa constante por prazo indeterminado. Na prática, poucas empresas mantêm esse comportamento por períodos muito longos. Outra limitação refere-se à elevada sensibilidade da fórmula às variáveis utilizadas. Pequenas alterações nas taxas de crescimento ou retorno requerido podem gerar diferenças significativas no valor calculado. Por fim, o modelo não é adequado para empresas que não pagam dividendos ou que apresentam crescimento elevado e instável, exigindo a utilização de métodos alternativos de avaliação. 8 9. CONCLUSÃO A aplicação do Modelo de Gordon aos dados da Companhia Seidanyll S/A permitiu identificar uma taxa implícita de crescimento dos dividendos de aproximadamente 6,02% ao ano. Considerando a manutenção dessa taxa e uma taxa de retorno requerida de 13% ao ano, o preço estimado da ação para o final de cinco anos foi calculado em aproximadamente R$ 50,91. Comparado ao preço atual de R$ 38,00, o resultado representa uma valorização estimada de R$ 12,91 por ação, correspondente a aproximadamente 33,98%, sem considerar os dividendos distribuídos ao longo do período. A análise também demonstrou que o Modelo de Gordon é mais adequado para empresas maduras, estáveis e com histórico consistente de distribuição de dividendos. A Companhia Seidanyll S/A apresenta características compatíveis com a aplicação desse método, embora não tenham sido fornecidas informações suficientes para a identificação precisa de seu setor de atuação. Por fim, conclui-se que o Modelo de Gordon constitui uma ferramenta relevante para a avaliação de ações de empresas distribuidoras de dividendos. Apesar de sua simplicidade e utilidade prática, os resultados obtidos dependem fortemente das premissas adotadas, especialmente das taxas de crescimento e retorno requerido. Dessa forma, recomenda-se que sua aplicação seja complementada por outras análises financeiras e pela avaliação das condições econômicas e setoriais que possam influenciar o desempenho futuro da empresa. REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. BREALEY, Richard A.; MYERS, Stewart C.; ALLEN, Franklin. Princípios de finanças corporativas. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2018.