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FÁRMACOS QUE AGEM NO O principal componente desse sistema é a Angiotensina II, sendo assim, fármacos que inibem a síntese desse peptídeo (p. ex., o captopril) ou bloqueie seu receptor, isto é, o receptor AT1 (p. ex., a losartana), são capazes de inibir essa via e, portanto, atuar no tratamento da hipertensão arterial. 1. Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECAs) - Foram os primeiros inibidores do sistema RAA a serem comercializados; - Em 1981, o captopril é aprovado pelo FDA; - Ex: captopril, enalapril e fosinopril; - Mecanismo de ação: inibição da ECA, a enzima que transforma angiotensina I em angiotensina II; - Diferem entre si principalmente em potência e propriedades farmacocinéticas; - O grupo sul�idrila do captopril (─SH) é responsável por alguns efeitos (não vistos com outros IECAs); ➔ Desenvolvimento do captopril: - 1965 - o farmacologista brasileiro Sérgio Ferreira isola um composto do veneno de Bothrops jararaca; tal composto potencializava a ação da bradicinina (um potente vasodilatador) e foi chamado originalmente de Fator de Potenciação da Bradicinina (Bradykinin-Potentiating Factor, BPF); Obs: Na verdade, existe uma família de BPFs, os quais são peptídeos contendo de 5 a 13 resíduos de aminoácidos. - A ação dos BPFs foi associada a inibição da degradação da bradicinina (catalisada pela cininase II); - Mais tarde, descobriu-se que estes também inibiam a conversão de angiotensina I em angiotensina II (um potente vasoconstritor); - Esses compostos foram vistos então como compostos lead para o desenvolvimento de novos fármacos anti-hipertensivos; - Um primeiro peptídeo BPF a ser isolado e testado para essa �inalidade foi o SQ-20,881 (Teprotide), contudo, não foi considerado terapeuticamente útil devido ao custo e falta de atividade com administração oral (obs: peptídeos são facilmente degradados no estômago); - Estudando o Teprotide e outros peptídeos análogos e Cushman, Ondetti e colaboradores estudaram as propriedades enzimática da ECA; - Sabendo-se da sua similaridade com carboxipeptidases pancreáticas, os pesquisadores chegaram a ummodelo hipotético do sítio ativo da ECA; - Eles observaram que a ligação de substratos peptídicos com a carboxipeptidase A envolvia 3 interações principais: uma interação iônica de um grupo carboxi-terminal (─COO-) com um resíduo de arginina (um aminoácido básico), um bolsão hidrofóbico para acomodar uma porção apolar (grupo alquila ou arila) e uma interação entre o zinco (cofator enzimático) e o oxigênio de uma ligação peptídica do substrato; Fonte: Foye’s Principal of Medicinal Chemistry. Na �igura A, um modelo da interação de um substrato (peptídio) com a carboxipeptidase A, e na B, de um substrato análogo com a ECA, enzima similar contendo zinco como cofator. Um fato é que a ECA, diferente da carboxipeptidase A, não mostra especi�icidade para aminoácidos hidrofóbicos, portanto não é esperado que ela tenha um bolsão hidrofóbico. Contudo, os grupos R1 e R2 podem contribuir para a a�inidade no geral. A ligação peptídica terminal parece estar envolvida numa ligação de hidrogênio com o sítio ativo. O desenvolvimento propriamente dito do captopril se iniciou com a observação que o ácido 2-benzilsuccínico é um forte inibidor da carboxipeptidase A. Desta vez, o zinco em vez de interagir com uma ligação peptídica, interage agora com um grupo carboxilato. A estrutura mimetiza um peptídeo substrato e ao mesmo tempo um produto da hidrólise desses peptídeos. Partindo dessa observação e utilizando o modelo hipotético do sítio ativo da ECA, uma série de derivados do ácido succínico foi sintetizada, acrescentando prolina a estrutura desses derivados por ser um aminoácido presente na porção hidrofóbica dos peptídeos naturais do veneno da jararaca. O primeiro inibidor da série a ser sintetizado e testado foi a succinil-L-prolina que, embora fosse especí�ico para ECA, possuía baixa potência. A substituição do carboxilato por um grupo sul�idrila (mercapto) produziu derivados mais potentes, como a 3-mercaptopropanoil-L-prolina. A adição de um grupo metila �inalmente culminou no aumento da atividade, dando origem ao primeiro IECA a ser comercializado, o captopril. O grupo sul�idrila interage melhor com o zinco no sítio ativo da enzima, mas também é responsável por alguns dos efeitos adversos do captopril, como o rash cutâneo e alterações do paladar (gosto metálico ou perda do paladar). Portanto, a estratégia de planejamento do captopril é o SBDD, uma vez que este surgiu a partir de estudos de interação de substratos com ummodelo hipotético de seu alvo, a ECA. ➔ Relações Estrutura-Atividade (REA) dos IECAs: - A ECA é um alvo estereosseletivo e, portanto, os IECAs foram desenvolvimento com a estereoquímica que mimetiza os L-aminoácidos presentes nos sustratos peptídicos naturais; - Um anel heterocíclico e hidrofóbico contendo N, o qual deve conter um resíduo de ácido carboxílico para interagir por ligação iônica com um resíduo básico da ECA; quanto maior o anel, maior potência; - O resíduo que interage com o zinco pode ser um tiol (─SH), uma carboxila (─COOH) ou um grupo contendo fósforo (p. ex., o fosinopril); - Esteri�icar o grupo carboxila ou contendo fósforo pode formar pró-fármacos biodisponíveis para administração oral (p. ex., enalapril e fosinopril); Obs: o enalapril é na verdade um pró-fármaco, o éster deve ser hidrolisado para liberar o composto ativo, o enalaprilato. Da mesma forma, esterases hidrolisam o fosinopril, liberando o fosinoprilato: 2. Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRAs) - Mecanismo de ação: bloqueiam os receptores AT1 da angiotensina II; - Dentre as ações da angiotensina II ao ativar o Rec. AT1 estão a vasoconstrição e o aumento da liberação de aldosterona, aumentando portanto a resistência vascular periférica e a retenção de sódio e água, o que culmina no aumento da pressão arterial; - Os esforços para se desenvolver antagonistas de Angiotensina II começaram nos 70 com o desenvolvimento de análogos estruturais desse ligante natural (LBDD); - Um protótipo inicial foi a Saralasina, um octapeptídeo semelhante à angiotensina; - Contudo, como esperado carecia de atividade oral e apresentava atividade de agonista parcial; - Nos 80 foi observada a atividade anti-hipertensiva de uma série de derivados do ácido imidazolacético, um deles o S-8308; A �igura compara o S-8308 com a angiotensina II - Utilizando modelos computacionais foi possível determinar 3 características estruturais em comum: um resíduo de carboxilato equivalente ao grupo carboxi-terminal da angiotensina II, um anel imidazólico equivalente ao imidazol de um resíduo de histidina e uma cadeia lateral butila equivalente a um resíduo de interleucina; - Modi�icações posteriores do S-8308 objetivam melhorar a a�inidade com o receptor e a lipo�ilicidade, portanto, a e�icácia para administração oral; - Em 1995 é aprovada a losartana, um bloqueador não peptídico com alta a�inidade e atividade oral; ➔ Relações Estrutura-Atividade dos BRAs: - R1 pode ser variados grupos que interagem com o receptor AT1por ligação iônica, íon-dipolo ou dipolo-dipolo; - R2é um grupo ácido, ex: Obs: mimetiza o grupo fenil de um resíduo de tirosina na angiotensina II e/ou o grupo carboxila de um resíduo de aspartato - O grupo ácido deve estar em orto nos BRAs bifenílicos para ótima atividade, sendo o tetrazol um grupo ácido commaior estabilidade metabólica, lipo�ilicidade e biodisponibilidade oral; - A cadeia lateral n-butila mimetiza um resíduo de aminoácido hidrofóbico; - O anel imidazol ou equivalente isostérico mimetiza um resíduo de histidina; 3. Inibidor da Renina (Alisquireno) - A renina é a enzima que cliva o angiotensinogênio em angiotensina I; - A enzima reconhece uma sequência especí�ica de aminoácidos (Pro-Phe-His- Leu-Val-Ile-His-Asn) no angiotensinogênio; - O alisquireno foi descoberto das tentativas de se produzir inibidores da renina com base nessa sequência de aminoácidos; - Outros análogos vieram antes do alisquireno, porém nãoforam bem sucedidos; OUTROS ANTI-HIPERTENSIVOS 4. Bloqueadores β-adrenérgicos (BBs) - Bloqueiam os receptores β, impedindo a ligação da noradrenalina e adrenalina; - Os receptores β1 estão expressos principalmente no coração; após a ligação da noradrenalina ou adrenalina, ocorre o aumento da força de contração (efeito inotrópico positivo) e da frequência cardíaca (efeito cronotrópico positivo); - Os BBs produzem portanto efeito inotrópico e cronotrópico negativo; - Como contradizem os efeitos do SN simpático são chamados de fármacos simpatolíticos; - Alguns BBs agem como agonistas parciais e, portanto, diz-se que possuem atividade simpatomimética intrínseca; - Alguns também possuem o que é conhecido como efeito estabilizador de membrana (inibição da propagação de potenciais de ação pela membrana); - Os de primeira geração são não seletivos para os receptores β1 e β2; Ex: propranolol, nadolol e pindolol; - Os de segunda geração são mais seletivos para os receptores β1 (cardiosseletivos); Ex: acebutolol, atenolol, betaxolol e metoprolol; - Os de terceira geração são bloqueadores β1 mistos, pois possuem também atividade vasodilatadora através do bloqueio de receptores α1-vasculares; Ex: labetalol e carvedilol; ➔ Descoberta: - As hidroxilas do anel catecol é essencial para atividade agonista, partindo da estrutura do isoproterenol (um agonista β), �izeram-se modi�icações na sua estrutura para se obter antagonistas β; - Nos anos 1950 descobriu-se os efeitos simpatolíticos do dicloroisoproterenol (troca das hidroxilas do isoproterenol por cloro), mas este não possuía utilidade clínica (agonista parcial); - A troca dos átomos de cloro por um segundo anel benzeno deu origem a um derivado naftiletanolamina, o pronetalol (1962), retirado do mercado um ano depois (1963), por ser carcinogênico; - O propranolol (uma ariloxipropanolamina) surgiu logo após pela inserção de uma ponte de oximetileno (OCH2) entre a porção naftil (posição α) e etanolamina do pronetalol; - O propranolol foi o primeiro BB clinicamente bem-sucedidos e um antagonista puro (não exerce ação de agonista parcial); - Essa extensão na cadeia lateral que o grupo oximetileno espaçador fez no propranolol foi então tida como sendo responsável pela função de antagonista; - O enantiômero S do propranolol é o ativo, embora seja comercializado na forma de mistura racêmica; - As ariloxietanolaminas são mais potentes que as ariletanolaminas correspondentes; - Grupos alquila rami�icados volumosos (isopropil e t-butil) são bons para atividade antagonista β, o que sugere a existência de um espaço hidrofóbico no sítio ativo do receptor para interagir com o fármaco; - Variações no anel aromático são possíveis, como a introdução de anéis heteroaromáticos (p. ex., pindolol); - Substituições no grupo metileno (─CH2─ ) da cadeia lateral aumenta a estabilidade metabólica, porém reduz a atividade; - O grupo álcool na cadeia lateral é essencial para atividade; - A amina terminal deve ser secundária; Fonte: An Introduction to Medicinal Chemistry - Patrick Graham. - Um grupo capaz de fazer ligação de H (p. ex., uma amida) pode ser introduzido em para no anel aromático para aumentar seletividade β1 (cardiosseletividade), por exemplo, o acebutolol e atenolol; 5. Bloqueadores α1-adrenérgicos - A prazosina foi o primeiro a ser utilizado para o tratamento da hipertensão, porém tem curta ação; - Foram desenvolvidos bloqueadores com ação mais longa como a doxazosina e a terazosina; - Os receptores α1-vasculares estão envolvidos com a contração do músculo liso, provocando vasoconstrição e, consequentemente, aumento da resistência vascular periférica e da PA; 6. Fármacos de Ação Central - A clonidina foi o primeiro agonista α2 a ser utilizado para hipertensão, age a nível de sistema nervoso central, ativando os autorrepcetores α2-adrenérgicos, os quais regulam a liberação de adrenalina; - A metildopa é outro anti-hipertensivo de ação central; deve ser bioativada a α-metilnorepinefrina, que é um agonista α2: A bioativação se inicia com a descarboxilação a α-metildopamina, que sofre então hidroxilação catalisada pela dopamina β-hidroxilase. 7. Vasodilatadores de Ação Direta ➔ Cloridrato de Hidralazina - Seu mecanismo de ação não é bem estabelecido; - Acredita-se que estimula a abertura de canais de K+ no músculo liso vascular, provocando portanto um e�luxo de potássio e hiperpolarização, levando a vasodilatação, principalmente das arteríolas; - Também inibe a liberação de cálcio sarcoplasmático mediada por IP3; - Também parece estimular a liberação de óxido nítrico (um potente vasodilatador) do endotélio vascular; 8. Bloqueadores dos Canais de Cálcio (BCCs) - A descoberta se deu nos anos 1960, veri�icou-se que o verapamil e outras fenilalquilaminas produziam efeito inotropismo e cronotropismo negativo que poderia ser revertido pela adição de cálcio; - Agem bloqueando os canais de cálcio do tipo L (lento); - Classes químicas: dihidropiridinas: anlodipino e nifedipino; fenilalquilaminas: verapamil; benzotiazepinas: diltiazem; ➔ 1,4-dihidropiridinas: - Um anel fenil substituído (principalmente em orto ou meta) em C4 aumenta atividade; - O anel 1,4-dihidropiridina é essencial para atividade; - Grupos éster em C3 e C5 melhoram atividade;