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Microbiologia: A maioria dos indivíduos tem uma microbiota dita como normal. Algumas especies de bactérias estão mais presentes em determinadas áreas do corpo, de maneira equilibrada e em simbios. Quando as bactérias “boas” ocupam lugares no nosso corpo, elas impedem a colonização por bactérias nocivas, alem de desempenharem papeis importantes em funções fisiológicas, como a digestão. A disbiose (perturbação da microbiota normal) pode levar à doenças, devido à aberturas nessa defesa natural do organismo. OBS: existem bactérias muito eficientes na quebra de carboidratos complexos. Pessoas que tem uma população maior desses micro- o rgan i smos , es tão ma is p ropensas a desenvolver diabetes ou obesidade, por exemplo. OBS: Curiosamente, pessoas com infecção recorrente de C. Difficile, podem ser tratados pelo repovoamento dos intestinos com transplantes de fezes de um cônjuge. BACTÉRIAS: PROCARIOENTES; Devido sua estrutura simples, as bactérias conseguem sobreviver em todos os ambientes da terra. E m c o n d i ç õ e s d e s f a v o r á v e i s a o s e u crescimento, elas formam esporos, que podem sobreviver por milhões de anos. O esporo consegue suspender completamente sua atividade metabólica. Podemos classifica-las de acordo com A FORMA; As formas não são constantes, podem variar de acordo com o meio e com o tipo de associação. ARRANJO; GRAM; A ESTRUTURA, COMPOSIÇÃO QUÍMICA E A ESPESSURA DA PAREDE CELULAR DIFEREM AS BACTÉRIAS EM GRAM POSITIVAS E NEGATIVAS. Positivo: Quando as bactérias tem peptídeoglicano espesso na parede celular. Além disso possuem ácido teicóico e ácido lipotecóico (esses dois últimos exclusivos das gram positivas). Negativo: Possui uma camada externa complexa composta de lipossacarídeos, lipoproteínas e fosfolipídeos. Essa camada possui proteínas incluindo a propina, que filtra a passagem de moléculas. Também possui uma fina camada de peptideoglicano. Lipossacarideos = impede a entrada livre de compostos hidrofóbicos, incluindo antibióticos. Também estabilizam a membrana externa. Estrutura do lipossacarideo: antígeno O, oligossacarídeo cerne e lipídeo A. Lipídio A: É a porção mais interna e ancorada na membrana externa. É a parte tóxica da molécula (a endotoxina propriamente dita) responsável por desencadear reações inflamatórias sistêmicas graves. Oligossacarídeo cerne (Core): É a região intermediária de carboidratos que conecta o 1 Lipídio A ao Antígeno O, conferindo estabilidade estrutural à membrana. Antígeno O: É a cadeia de açúcares mais externa que fica exposta para o ambiente. Funciona como um marcador antigênico altamente variável que ajuda a bactéria a escapar do sistema imunológico. Manifestações clínicas associadas: A liberação de LPS no organismo (geralmente após a lise ou destruição da bactéria) estimula fortemente o sistema imune, podendo causar sintomas e quadros clínicos graves como febre, diarreia, destruição de hemácias e choque séptico. Febre: 1. Reconhecimento e Fagocitose: O processo começa quando a endotoxina é detectada e fagocitada por um macrófago, ficando contida em um vacúolo. 2. Liberação de Citocinas: A presença da endotoxina estimula o macrófago a sintetizar e liberar moléculas sinalizadoras chamadas citocinas (como interleucinas e FNT-alfa) na corrente sanguínea (vaso sanguíneo). 3. Ação no Hipotálamo: As citadinas circulam até o hipotálamo no cérebro, onde estimulam a liberação de prostaglandinas. 4. Indução da Febre: As prostaglandinas atuam como mediadores que elevam o ponto de a juste da temperatura corpora l , resultando no quadro de febre. E n t r e a m e m b r a n a p l a s m á t i c a e o peptideoglicano está o espaço periplasmatico, no qual se localizam enzimas e fatores de v i r u l ê n c i a ( c o l a g e n a s e s , p r o t e l a s s e , betalactamases e hialuronidases). COLORAÇÃO GRAM: 1. Cristal-violeta: Cora todas as bactérias de roxo. 2. Lugol: Fixa o corante formando cristais grandes dentro da parede celular. 3. Álcool-acetona: Descoloração; as bactérias Gram-negativas perdem o roxo, enquanto as Gram-positivas o retêm. 4. Safranina: Um contra-corante rosa que tinge apenas as bactérias Gram-negativas (as Gram-positivas continuam roxas). ESTRUTURAS CELULARES EXTERNAS: • Flagelos: movimentação • Cápsula: aderência a bactér ias e ao hospedeiro, bem como barreira física (externa à parede celular) • F ímbr ias ou p i l i : rep rodução sexua l (conjugação) e aderência para infecção. • Membrana plasmática: nao apresenta colesterol, sendo diferente nisso, dos eucariotos. Controla a divisão bac através do mesossomo. • Plasmídeo: moléculas circulares de DNA capazes de se rep roduz i r de fo rma independente ao DNA cromossômico. Nãos são essenciais mas quando presentes conferem resistência a antibióticos. ✓ Plasmídeos de resistência (R): Garantem a resistência a antibióticos e outras substâncias ✓ Plasmídeos de virulência: Tornam as bactérias capazes de provocar doenças ✓ Plasmídeos Col: Garantem a produção de colicinas, que podem ser letais para outras bactérias ✓ Plasmídeos de degradação: Garantem à célula a capacidade de produzir enzimas degradativas ✓Plasmídeos de fertilidade (F): Promovem o início da conjugação GÊNEROS DE MAIOR IMPORTÂNCIA MÉDICA COCOS GRAM+: - Sthaphylococcus - Streptococcus - Enterococcus 2 STAPHYLOCOCCUS STHAPHYLOCOCCUS AUREUS: Encontra-se na pele e nas fosses nasais de pessoas saudáveis. Pode provocar doenças que vão desde infecções (espinhas, furúnculos e celulites) até infecções graves como pneumonia, meningite, endocardite, entre outros. Características: - Estafilococo - Mais virulento - Anaeróbio facultativo - Imóvel - Coagulase-positivo (é o único estafilococo que é coagulase positivo: produz a enzima coagulase, que tem a capacidade de fazer o sangue coagular.) - Está presente me 30% das pessoas e em 90% dos profissionais de saúde. Fatores de virulência: Adesão: - proteínas l igantes ( de colágeno, de fibronectina e de fibrinogênio) - Hialuronidases (degradação de ac hialurônico) - Lipases e DNAses Evasão do sistema imune: - Cápsula - Coagulase + (inibição de fagocitose) - Catalases + (quebra de peroxido de hidrogênio) - Proteína A (ligação com Fc de anticorpos) Resistência a antibacterianos: - Beta-lactamase (hidrólise de penicilinas clássicas) - Proteína ligante de penicilina 2A (resistência a todas as penicilinas e cefalosporinas) Toxinas: - Enterotoxinas (intoxicação alimentar) - Toxinas esfoliatinas A e B (destruição de desmossomos) - TSST-1 (principal causa da Síndrome do choque tóxico) - super antígeno. DOENÇAS SUPURATIVAS ASSOCIADAS: Infecções de pele e tecidos moles - Impetigo não bolhoso : se aproveitam de algum corte para entrar e iniciar o processo infeccioso. - Foliculite - Furúnculo - Carbúnculo OBS: Abscessos “metastáticos” que podem levar a endocardites, abscessos cerebrais, meningites, abscessos epidurais, caso chegue na circulação sanguínea. - Pneumonia e Empiema: A pneumonia estafilocócica, em 55% dos casos, resulta da aspiração de secreção da nasofaringe e orofaringe, colonizada por Staphylococcus aureus. - Osteomielite: A osteomielite afeta os ossos podendo ser primária ou secundária. A artrite afeta as articulações e a infecção pode ser primária e secundária também. OBS: doença piogênica é qualquer doença que cause pus. Além das infecções piogênicas, o S. aureus pode causar vários tipos de intoxicações na vigência de um processo infeccioso ou não. Toxinas esfoliatinas A e B → Síndrome da pele escaldada (Doença de Ritter) 3 Toxinas esfoliatinas A e B → Impetigo bolhoso (quando a toxina está localizada e ainda nao caiu na corrente sanguínea como na síndrome da pele escaldada. As intoxicações que ocorrem na ausência de focos infecciosos são de dois tipos:1- Toxina TSST-1→ superantígeno – Síndrome do CHOQUE TÓXICO (um antígeno normal ativa 0,1% dos linfócitos T, já o superantígeno ativa 20%) 2- Toxina TSST-1→ superantígeno – Síndrome do CHOQUE HIPOVOLÊMICO. STHAPHYLOCOCCUS EPIDERMIDIS; Ele coloniza a pele e pode ser benéfico por inibir a colonização por aureus. O potencial patogênico encontra-se no fato de conseguir colonizar e proliferar em biomateriais. Ocorre por uso prolongado de cateter, alimentação via parenteral, permanência em UTI. Características: - patogeno oportunista - Biofilme em superfície de plástico (é o principal fator de virulência. STHAPHYLOCOCCUS HAEMOLYTICUS: Segunda espécie mais encontrada em infecções clínicas hospitalares, associado com meningite, i n f ecções em p ró teses , bac te rem ias , e n d o c a r d i t e s , p e r i t o n i t e s . C o l o n i z a preferencialmente áreas de concentração de glândulas sudoríparas no corpo. Características: - Microbiota normal da pele → axilas, períneo, região - inguinal - Oportunista. - Associado à infecções do uso de invasivo plástico (cateter e próteses) e em pacientes imunocomprometidos STHAPHYLOCOCCUS SAPROPHYTICUS: - Raramente encontrado na microbiota normal - Relacionado a infecções do trato urinário (2ª maior causa),pois apresentam adesinas específicas do trato urinário. - Resistência a novobiocina o que permite a sua diferenciação STREPTOCOCCUS Apesar de estar relacionada mais com infecções crônicas e recorrentes (diferente do S. Aureus que frequentemente são sérias e fatais) é a causa mais comum de sepse em infecções hospitalares. Características: - A maioria com arranjo de estreptococos - Catalase negativo - Anaeróbio facultativo - Não móveis - Fermentativos: ácido lático - Exigentes nutricionais STREPTOCOCCUS PYOGENES: Características: - ß- hemolíticos - Faz parte do Grupo A de Lancefield. 4 Fatores de virulência: - Adesina → liga-se a queratinócitos - Não é capaz de penetrar o epitélio intacto. - Proteínas ligantes de Matriz Extracelular - Hialuronidases - Lipases - DNAses - Estreptoquinase → converte plasminogênio em plasmina - Proteína M → Hipervariável - Cápsula de ácido hialurônico → inibe a fagocitose - Enzima estreptolisina que destrói leucócitos - C 5 a p e p t i d a s e → d i m i n u i ç ã o d a quimioatração de leucócitos DOENÇAS SUPURATIVAS ASSOCIADAS: - Faringite (tonsilite ou “dor de garganta”): inflamação da faringe. - Erisipela: Inflamação no tecido subcutâneo. Pode ocorrer na face e extremidades inferiores. - Celu l i te : Envo lv imen to dos tec idos subcutâneos mais profundos com invasão e acometimento sistêmico. Mais profunda do que a e r is ipe la e es tá assoc iada a traumatismos ou evolução de feridas superficiais. - Escarlatina: complicação da faringite estreptocócica quando infectada por linhagem lisogenizada por bacteriófago específico (neste caso há a produção da toxina eritrogênica). Relaciona-se com a síndrome do choque tóxico. - Piodermi te : e rupções pu ru l en tas e amareladas na pele. - Febre reumática aguda: Esta inflamação é caracterizada por alterações inflamatórias envolvendo o coração, articulações, vasos sanguíneos e tecidos subcutâneos. No coração, manifesta-se como uma endocardite, podendo ocorrer dano crônico e progressivo das válvulas cardíacas. É uma doença de natureza imunológica. - Fascite necrosante: Bactéria devoradora de carne. Infecção rara e grave, caracterizada por necrose extensa e rapidamente progressiva. Na maior parte dos casos a lesao inicia com pequenos traumas, picadas ou incisões cirúrgicas. Contudo, 20% dos caos acontecem sem nenhum trauma prévio. STREPTOCOCCUS AGALACTIAE - Antígeno polissacarídeo específico do grupo B de Lancefield e polissacarídeos capsulares. - São β-hemolíticos. - Produzem várias enzimas, incluindo DNAses, hialuronidases, proteases, hemolisinas, que facilitam a destruição tecidual e disseminação da bactéria. - Colonizam assintomaticamente o trato gastrointestinal e a mucosa vaginal de mulheres; - A maioria das infecções em recém-nascidos é adquirida da mãe durante a gravidez ou na hora do parto; na ausência de anticorpos maternos, os neonatos apresentam risco de contrair a doença; - Mulheres com colonização no trato genital estão em risco para sepse puerperal (25 a 40%). - Doenças: Pneumonia, Meningite em recém- nascidos, Infecções do trato urinário. STREPTOCOCCUS PNEUMONIAE Características: - Diplococos Gram positivos, dispostos aos pares ou cadeias curtas; - Denominado de pneumococo - São anaeróbios facultativos; requerem suplementos nutricionais no meio de cultura, como sangue, sendo alfa-hemolíticas. - A infecção provoca extravasamento de líquido (edema) no interior dos alvéolos, seguido de er i t róc i tos, leucóci tos e macrófagos alveolares. - Manifestações clínicas: o surgimento da doença é abrupto e consiste em calafrios intensos com tremores, febre alta (39 a 41°C), 5 tosse produtiva com escarro sanguinolento e dor torácica. - D o e n ç a s r e l a c i o n a d a s : M e n i n g i t e s (disseminação para o SNC) Otites (infecção nos ouvidos) Sinusites (infecção nos seios paranasais) Bacteremia ENTEROCOCCUS São parte da flora intestinal normal. Eles eram classificados como sendo do grupo D, mas agora são considerados um grupo separado. Características: - Cocos Gram-positivos, dispostos aos pares ou em cadeias curtas; - Apresentam requerimentos nutricionais complexos e meios suplementados com sangue; - Estão amplamente distribuídos na natureza e fazem parte da microbiota residente do homem e de animais, particularmente no trato gastrintestinal (são bactérias entéricas comensais). - Enterococcus faecalis é o mais comum e provoca 90-95% das infecções, enquanto Enterococcus faecium causa de 5-10%. - Os enterococos são uma das principais causas de infecções hospitalares. - Os locais mais comuns de infecção incluem o trato urinário, peritônio e tecido cardíaco. Podem causar ainda bacteremia, infecções em feridas e abscessos intra-abdominais. - Sao muito resistentes a antibióticos. 6