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Relações trabalhistas: sindicatos
A formação do sindicalismo, bem como a atuação sindical e a luta por direitos trabalhistas. O mercado
informal e a precarização da vida do trabalhador.
Prof. Alex Andrade Costa e Prof. Nelson Lellis Ramos Rodrigues
1. Itens iniciais
Propósito
Refletir sobre a função do movimento sindical em relação ao mercado de trabalho e ao trabalhador, bem como
sobre os processos de precarização do trabalho, para atitudes mais assertivas em sua vida profissional.
Preparação
Levando em conta a riqueza e as múltiplas possibilidades de análise do tema, é importante ter à mão um bom
dicionário de teoria política – indicamos o Dicionário de política, de Norberto Bobbio – ou mesmo de filosofia,
como o de Abbagnano. Ambos estão disponíveis em versão digital.
Objetivos
Distinguir as etapas de formação do movimento sindical com as diferentes demandas dos
trabalhadores.
Descrever a estrutura sindical no Brasil.
Identificar os processos de precarização do trabalho e sua relação com a informalidade.
Introdução
Estamos prestes a aprender sobre a origem e a função dos sindicatos e sua atuação em defesa dos direitos
dos trabalhadores. Faremos um percurso histórico para conhecer as demandas dos trabalhadores em
diferentes épocas e as inspirações ideológicas que moveram a organização dos trabalhadores até chegarem
aos modelos de sindicatos que conhecemos.
 
Analisaremos como os patrões e o Estado lidaram, ao longo do tempo, com o movimento sindical,
identificando as causas dos conflitos e das aproximações entre esses segmentos. Estudaremos como alguns
direitos dos trabalhadores foram conquistados pela atuação direta dos sindicatos, e como a política neoliberal
tem criado instrumentos que precarizam a vida do trabalhador, especialmente com o aumento da
informalidade. Nesse mesmo contexto, conheceremos como o movimento sindical enxerga os trabalhadores
informais e o que tem feito nesse sentido.
 
Você poderia se perguntar: o sindicalismo afeta a minha vida cotidiana? Se você olhar para sua realidade,
como profissional (ou futuro profissional), com atenção, perceberá os seguintes pontos: o aumento salarial
resultante da negociação do sindicato de sua categoria com os patrões; tentar chegar a um lugar e não
conseguir por causa de uma greve ou de uma manifestação pública; se, no seu trabalho, as folgas, as férias, o
descanso e os cuidados com a insalubridade são garantidos; enfim, são diversos os exemplos.
 
Agora, vamos conhecer mais sobre a origem dos sindicatos e sua função.
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1. Formação sindical e demandas dos trabalhadores
Trabalhadores se organizam e lutam
Poderíamos iniciar uma breve memória sobre a organização e a luta dos trabalhadores desde a Baixa Idade
Média na Europa (séc. XI ao séc. XV), com o renascimento das cidades provocando o aumento da oferta de
mão de obra. Essa realidade estimulou o crescimento de antigas profissões e a criação de novas atividades
profissionais.
 
Com o aumento dos trabalhadores, houve a exigência de se organizarem em torno de suas necessidades e
demandas. Nascem, assim, as corporações de ofício; cada uma com seus regulamentos, suas atribuições e
seus símbolos distintivos.
O termo ofício designava o exercício por obrigação de algum tipo especializado de trabalho; o realizado
manualmente e/ou com o auxílio de instrumentos era conhecido como um “ofício mecânico”. O “oficial
mecânico” também era chamado de “artista mecânico” ou artesão, derivando-se desta designação as
denominações de artista e artífice, verbetes que têm, entre dicionaristas dos séculos XVIII e XIX,
acepções sobrepostas.
Reis, 2006, p. 12
Palácio mercantil em Bolonha.
Era comum que as corporações também funcionassem como escolas de aprendizagem profissional,
estimulando a entrada de aprendizes que ficavam sob a tutela de seus mestres de ofício para aprender a
profissão.
Vamos conhecer as sociedades de artistas fundadas no Brasil?
No Brasil, colonizado a partir do séc. XVI, somente em 1832 (especificamente na Bahia), constituiu-se uma das
primeiras associações de auxilio mútuo e de organização da classe operária do país com a fundação da 
Irmandade de Nossa Senhora da Soledade Amparo dos Desvalidos cujos estatutos previam que deveria ser
composta, exclusivamente, por negros nascidos no Brasil, tornando-se um importante espaço de afirmação
racial.
Irmandade de Nossa Senhora da Soledade Amparo dos Desvalidos
A Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) foi a primeira organização civil negra no Brasil, fundada em
1832, por Manoel Victor Serra, um africano livre, cuja finalidade era a compra de alforria e o pagamento
de curso de formação profissional a ex-escravizados. Atualmente, a SPD realiza ações para o
desenvolvimento e a valorização da cultura afro-brasileira com o objetivo de empoderamento da
população negra e menos favorecida, atuando na promoção de igualdade e combate ao racismo,
buscando políticas públicas e melhorias dos direitos das crianças, mulheres e dos homens
negros. Fonte: SPD
Medalha comemorativa da Imperial Sociedade Auxiliadora das Artes e Beneficente.
Em março de 1835, foi fundada a Sociedade Auxiliadora das Artes e Beneficente, na Corte, a fim de tratar do
melhoramento das artes e de beneficiar os associados e suas famílias.
Sociedade Auxiliadora das Artes e Beneficente
Vale conferir a Legislação Imperial (Decreto nº 6.869, de 23 de março de 1878), que aprova seus
estatutos.
Em 1853, foi fundada, em Salvador, a Sociedade Montepio dos Artífices da Bahia. Assim como a Irmandade de
Nossa Senhora da Soledade Amparo dos Desvalidos, tinha como objetivo principal prestar auxílio aos seus
sócios ou familiares a partir de um caixa formado pela contribuição mensal de seus associados.
A Liga Operária, também fundada no Rio de Janeiro, tinha objetivos mais pragmáticos que se assemelham às
funções dos sindicatos atuais, como reivindicar o aumento dos salários e a diminuição das horas de trabalho.
Liga Operária
A Liga era de certo modo uma sociedade de socorros mútuos sui generis, pois, além do auxílio material
aos sócios no caso de necessidade, visava procurar por todos os meios ao seu alcance melhorar a sorte
das classes operárias, introduzindo melhoramentos em todos os ramos de trabalho artístico e industrial,
bem como propagar a instrução, como o meio mais eficaz de esclarecer quer o operário, quer o artista
[...]. Outra particularidade da Liga foi a intenção de ser dirigida por uma representação que
contemplasse os vários ofícios nela presentes, o que a tornaria, na prática, uma precursora das
federações operárias da Primeira República. Batalha, 1998, p. 56
Essas sociedades de artistas, além de atuarem na valorização do trabalho manual e na garantia de alguns
direitos mínimos aos trabalhadores filiados, também visavam proporcionar espaços de sociabilidade e
entretenimento para seus sócios, estimulando a realização de festas dançantes, jogos e brincadeiras em suas
sedes.
 
Somente a partir do contexto da Revolução Industrial, na Inglaterra, no final do século XVIII e começo do
século XIX, forçando a substituição da produção manufatureira e artesanal pela produção em massa de
mercadorias, é que se pode falar de organização sindical dos trabalhadores. Ali nascia o capitalismo
contemporâneo e, também, o sindicalismo. Oriundo do contexto da industrialização, o sindicalismo logo se
expandiu para outras frentes de atuação que demandavam organização e defesa dos trabalhadores, como as
atividades campesinas.
Saiba mais
Artista foi um termo largamente empregado para denominar os trabalhadores manuais especializados:
sapateiros, pedreiros, marceneiros etc., que contavam com sociedades próprias ou em conjunto. 
Ampliação das reivindicações e as primeiras organizações
sindicais
Esta é a função primeira dos sindicatos: impedir que o operário se veja obrigado a aceitar um salário inferior
ao mínimo indispensável para o seu sustento e o da sua família. E, para isso, era necessária tal união.
Os sindicatos representaram, nos primeiros temposescravo dos chineses!”. Eis aí uma frase que agride
a lógica. In: Mises Brasil. Publicado em: 15 nov. 2019.
 
Ph.D. em história, Gary North nos ajuda a refletir acerca de nossa conceituação de trabalho e de seu valor
para as sociedades contemporâneas.
 
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Para ampliar seu conhecimento de como os primeiros sindicatos se organizaram e quais eram as suas pautas,
assista ao filme Germinal, que conta a história da greve contra a redução dos salários, organizada pelos
mineiros na França. Trata-se de uma adaptação do livro clássico do escritor francês Émile Zola. Que tal ler
também o livro?
 
Se você quer compreender melhor os movimentos sindicais no Brasil, visite o site Memorial da Democracia.
Ali, você encontra imagens, entrevistas e textos complementares sobre o sindicalismo no Brasil, em especial
no período da ditadura militar.
 
É possível conhecer um importante relato sobre a organização sindical no Brasil, nas palavras de Edgard
Leuenroth (1881-1968) que, como jornalista, registrou o período.
 
Pesquise pela reportagem Traços biográficos de um homem extraordinário, do Jornal Dealbar, ano 2, n. 17, 17
dez. 1968.
 
Consulte as estatísticas sobre a situação do mercado de trabalho no Brasil em tempos de covid no site do
IBGE, na seção PNAD COVID-19.
 
Vale conhecer o site do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho – CESIT. Criado em 1989 (um
ano histórico pelas primeiras eleições gerais depois de décadas), tornou-se um importante Conselho, desde o
início, com o objetivo de aproveitar a experiência de lideranças sindicais em seus estudos: cursos de
graduação, extensão e pós-graduação.
Referências
ANTUNES, R. Classe operária, sindicatos e partido no Brasil: um estudo sobre a consciência de classe – da
Revolução de 30 até a Aliança Nacional Libertadora. São Paulo: Autores Associados, 1998.
 
ABÍLIO, L. C. et al. Condições de trabalho de entregadores via plataforma digital durante a covid-19. In: Revista
Jurídica Trabalho e Desenvolvimento Humano, edição especial – dossiê covid-19, p. 1-21, 2020.
 
ALVES, G. O novo (e precário) mundo do trabalho: reestruturação produtiva e crise do sindicalismo. São Paulo:
Boitempo, 2000.
 
ANTUNES, R. C. O que é sindicalismo. São Paulo: Brasiliense, 1982.
 
BATALHA, C. Sociedades de trabalhadores no Rio de Janeiro do século XIX: algumas reflexões em torno da
formação da classe operária. In: XIX INTERNATIONAL CONGRESS OF THE LATIN AMERICAN STUDIES
ASSOCIATION, 1998. Chicago (EUA), 23 a 26 set. 1998.
 
BAUMAN, Z. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
 
BAUMAN, Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2008.
 
HOBSBAWM, E. J. Mundos do trabalho. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.
 
BRASIL. Projeto de Lei nº 5.552, de 2019. Regulamenta o Art. 8º da Constituição Federal, que dispõe sobre a
organização sindical, e dá outras providências. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 2019.
 
CARVALHO, J. O tecelão e o tecido. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2000.
 
COSTA, A. A. Sindicalismo e reestruturação produtiva. Consultado na internet em: 16 mar. 2021.
 
DRUKE, G. Os sindicatos, os movimentos sociais e o governo Lula: cooptação e resistência. In: OSAL –
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MORAIS, J. F. de. Lei geral de terceirização e reestruturação sindical: uma reflexão necessária. São Paulo:
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Tese (Doutorado em história) – Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal da Bahia,
Salvador, 2006.
 
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THOMPSON, E. P. La sociedad inglesa del siglo XVIII: ¿lucha de clases sin clases? In: Tradición, revuelta y
consciencia de clase: estudios sobre la crisis de la sociedad preindustrial. Barcelona: Editorial Crítica, 1989.
	Relações trabalhistas: sindicatos
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Formação sindical e demandas dos trabalhadores
	Trabalhadores se organizam e lutam
	Saiba mais
	Ampliação das reivindicações e as primeiras organizações sindicais
	Por uma sociedade mais justa
	Reformistas
	Sindicalismo cristão
	Anarquismo ou sindicalismo revolucionário
	Socialismo utópico
	Socialismo científico
	Organização sindical no Brasil
	Resumindo
	Como veremos a seguir, em reação à ditadura militar e em resposta à nova ordem capitalista, surge, nos anos 1980, um novo sindicalismo, mais plural e com novas demandas.
	Neoliberalismo e reordenamento sindical
	Comentário
	Essas reivindicações determinaram os grupos que se identificavam com o novo sindicalismo e aqueles que queriam permanecer nas velhas estruturas.
	A expansão capitalista e o caminho da precarização
	No Brasil, o toyotismo foi implantado na década de 1990, devido às movimentações operárias e às grandes greves na década de 1980.
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	(UNIUBE MG/2013 – adaptada)
	No século XIX, na Europa, enquanto se intensificava o processo de industrialização, os trabalhadores viam agravar suas precárias condições de vida. Desenvolveu-se o pensamento socialista no afã de buscar soluções para essa realidade. O pensamento socialista ficou dividido em duas correntes: socialismo utópico e socialismo científico. As ideias comum e divergente entre eles são, respectivamente
	(UFU 1º Dia 2009/2 – adaptada)
	A crise vivida no mundo do trabalho também tem provocado fortes reflexos no movimento sindical. Assombradas pelo desemprego, pela diminuição e pela precarização das condições de trabalho, as relações entre trabalhadores e patrões foram radicalmente modificadas.Acerca do chamado novo sindicalismo no Brasil, assinale a alternativa correta.
	2. A estrutura sindical no Brasil
	Sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais no Brasil
	Sindicatos
	Atenção
	Requerimento de contribuição sindical
	Requerimento de contribuição sindical
	Se a contribuição sindical não é mais obrigatória, como ela ficou após a Reforma Trabalhista?
	Saiba mais
	E para que serve esse dinheiro?
	Exemplo
	O decréscimo na contribuição pode indicar pouca representatividade no setor sindical?
	Isso significa que os sindicatos não são úteis?
	Federação, confederação e centrais sindicais
	Federação
	Para uma entidade se tornar uma federação, são necessários cinco sindicatos.
	Confederação
	Centrais sindicais
	Saiba mais
	O trabalhador sindicalizado e as novas condições de trabalho
	Exemplo
	O que isso representa?Organização de greves
	Atenção
	Greve dos 300 mil (26 de março)
	Greve dos marítimos (junho)
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Segundo a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), a relação entre trabalhadores e sindicatos foi revisada e alterada. Diante desse novo cenário, marque a alternativa correta:
	Das informações acerca de sindicato, federação e confederação, marque a alternativa que não corresponde ao conceito ou à atividade/função de cada um:
	3. Precarização do trabalho e informalidade
	Trabalho informal e trabalho precarizado
	Informalidade e precariedade: a “uberização” da economia
	Saiba mais
	Comentário
	Sindicalismo e trabalho informal
	Simultaneamente, é necessário que o movimento sindical se renove com a entrada de mulheres, LGBTQIAPN+, negros e jovens, inclusive em espaços de poder.
	Reformas trabalhistas e avanço do neoliberalismo: desafios ao movimento sindical
	Saiba mais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Questão 1
	(UEMA 2020 – adaptada)
	A redução do mercado formal de trabalho, isto é, aquele regulamentado pelas leis trabalhistas e integrado aos mecanismos institucionais que garantem proteção ao trabalhador, tais como Previdência Social e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), pode ser observada pelo crescimento dos trabalhadores sem carteira assinada e por conta própria.A carteira de trabalho é o documento no qual é registrado o contrato de trabalho no Brasil.Analise a charge a seguir sobre as novas relações de trabalho.
	A partir do que foi estudado neste módulo, podemos considerar que
	(IF-PR – adaptada)
	Autor do livro A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo, Richard Sennett constrói uma série de reflexões acerca das novas condições de trabalho que se impõem, vinculadas ao atual modelo capitalista e à lógica neoliberal, afirmando que a nova realidade econômico-social, que traz termos excitantes como agilidade, flexibilidade e mudança, não propicia a realização ambicionada por esses trabalhadores. Sobre o trabalho no capitalismo flexível, pode-se afirmar que
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciasdo desenvolvimento do capitalismo, um progresso
gigantesco da classe operária, pois propiciaram a passagem da dispersão e da impotência dos operários
aos rudimentos da união de classe.
Antunes, 1982, p. 14
As primeiras formas de união entre trabalhadores aparecem no movimento ludista, na Inglaterra, por volta de
1811, caracterizado pela quebra de máquinas fabris por parte de operários e pequenos artesãos do ramo têxtil.
Em resposta às condições cruéis de trabalho, o ludismo propunha provocar a quebra de máquinas das
grandes indústrias para pressionar os empregadores nas negociações, obter aumentos ou impedir a redução
dos seus salários. Já os pequenos artesãos aderiram ao movimento porque se viram diante de uma
concorrência desleal, uma vez que as grandes fábricas faziam tecidos mais baratos e em maior quantidade do
que eles, levando muitos artesãos a ficarem sem fonte de renda.
 
Em 1824, o Parlamento inglês permitiu, pela primeira vez, que os operários se unissem em associações
sindicais chamadas trade unions, cuja função era negociar os direitos dos trabalhadores com os patrões,
evitando que o operário atuasse isoladamente, o que poderia ser desvantajoso para o trabalhador. O salário
também passou a ser fixado a partir do lucro das empresas, de modo que o trabalhador teria aumentos que
acompanhavam a produtividade industrial. Em 1830, surgiu a Associação Nacional para a Proteção do
Trabalho, unindo todos os sindicatos.
ludista
O nome do movimento é derivado de Ned Ludd ou John Ludd. Ludd não era uma pessoa real, mas um
nome para indicar um líder imaginário, uma estratégia para preservar o anonimato dos participantes. O
ludismo, nome dado à revolta dos trabalhadores ingleses, iniciou-se de maneira desorganizada, sem
liderança. Os participantes agiam à noite e cobriam os rostos para evitar o reconhecimento. As
informações eram espalhadas no boca a boca. As autoridades não sabiam quem estavam tentando
prender, sequer conseguiam identificar os participantes.
Por uma sociedade mais justa
O movimento sindical, em seus primórdios, foi impactado por diferentes correntes de pensamento. Confira!
Reformistas
Com origem direta do tradeunionismo, eram contrários às ideias de revolução dos trabalhadores e atuavam
apenas na defesa dos interesses imediatos, sem uma atuação politicamente engajada.
Influenciado pelas teorias anarquistas e revolucionárias, em 1838 surgiu o movimento cartista, que escreveu
um documento chamado Carta do Povo, no qual reivindicava, entre outras coisas:
 
O direito do sufrágio universal secreto, permitindo que operários e trabalhadores proletários pudessem
votar.
O direito dos trabalhadores em participar do Parlamento.
A limitação dos mandatos políticos e a diminuição da jornada de trabalho. Um dos líderes do
movimento, Bronterre O’Brien (1804-1864), afirmava que toda propriedade era um roubo, pois havia
sido construída por meio da exploração do rico em prejuízo do pobre.
Sindicalismo cristão
Foi a tentativa de a Igreja Católica afastar os trabalhadores da influência socialista e, ao mesmo tempo,
conciliar os interesses do capitalismo com o tratamento justo aos trabalhadores, mas sem reformar as
estruturas mais profundas da sociedade que geravam as desigualdades sociais. Foi inspirado pela encíclica 
Rerum Novarum, do papa Leão XIII, de 1891.
Rerum Novarum
A sede de inovações, que há muito tempo se apoderou das sociedades e as tem em uma agitação febril,
devia, tarde ou cedo, passar das regiões da política para a esfera vizinha da economia social.
Efetivamente, os progressos incessantes da indústria, os novos caminhos em que entraram as artes, a
alteração das relações entre os operários e os patrões, a influência da riqueza nas mãos de um pequeno
número ao lado da indigência da multidão, a opinião enfim mais avantajada que os operários formam de
si mesmos e a sua união mais compacta, tudo isto, sem falar da corrupção dos costumes, deu em
resultado final um temível conflito. Leão XIII, 1891, 1
Anarquismo ou sindicalismo revolucionário
Enfatizava a importância e a exclusividade dos sindicatos na emancipação da classe trabalhadora, além de ser
contrário a todas as formas de atuação do poder do Estado. Bakunin (1814-1876), Proudhon (1809-1865),
Kropotkin (1842-1921) e Malatesta (1853-1932) foram os principais teóricos dessa corrente.
Contudo, foi o movimento socialista que mais influenciou a organização dos trabalhadores. Ele teve diferentes
vertentes:
Socialismo utópico
Recebeu esse nome dos seus contestadores, entre eles Friedrich Engels (1820-1895), por imaginarem uma
sociedade ideal na qual as transformações pudessem ocorrer por convencimento e aceitação ampla da
sociedade, sem as lutas de classe e as revoluções. As ideias que embasam o socialismo utópico nasceram em
meio aos conflitos, na Europa do século XIX, com forte impacto do movimento revolucionário francês de 1848
chamado Primavera dos Povos. Conde de Saint-Simon, François-Charles Fourier e Robert Owen foram os
principais representantes.
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Conde de Saint Simon, François Charles Fourier e Robert Owen
Conde de Saint-Simon (1760-1825) Era membro da nobreza francesa esclarecida e idealizava o fim da
exploração e da pobreza dos trabalhadores. Defendia o lucro dos patrões desde que eles assumissem
compromissos sociais e se responsabilizassem por melhores condições de vida para os
trabalhadores. François-Charles Fourier (1772-1837) Era comerciante, nasceu na França e defendia a
criação de associações para os operários e a organização deles em cooperativas. Criticava a sociedade
burguesa, que separava o trabalho do prazer, e, por isso, idealizou os falanstérios, que seriam prédios
onde as pessoas trabalhariam apenas no que gostassem. Defendeu a libertação da mulher e a libertação
sexual. Robert Owen (1771-1858) Era membro da burguesia inglesa, dono de uma indústria têxtil na qual
começou a aplicar algumas mudanças nas relações de trabalho: reduziu a jornada de trabalho, implantou
escolas para os filhos dos trabalhadores, construiu vilas operárias e concedia aumento de salários
regularmente.
Socialismo científico
Termo criado, em 1840, por Pierre-Joseph Proudhon para se referir a uma sociedade na qual o governo toma
decisões baseado na razão, em vez da pura vontade e dos impulsos. Seus principais representantes foram: 
Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels. Marx e Engels achavam que o socialismo seria apenas uma etapa
intermediária, porém necessária, para se alcançar a sociedade comunista. Para isso, o primeiro passo seria a
organização da classe trabalhadora, e os sindicatos teriam um papel relevante.
 
Como veremos a seguir, os primeiros movimentos operários e sindicais, no Brasil, tiveram influência direta
dessas correntes ideológicas em vigor na Europa, especialmente o socialismo científico e o movimento
anarquista.
Organização sindical no Brasil
Embora o Brasil já tivesse várias experiências de sociedades e corporações de auxílio mútuo e que também
reivindicavam direitos aos seus membros, o surgimento dos sindicatos, no contexto das mudanças capitalistas
de relações de trabalho, só ocorreu no final do século XIX – momento de grande transformação política (fim da
monarquia e início da república) e social (fim da escravidão) – com grande participação de imigrantes
europeus, especialmente espanhóis e italianos, que aqui chegavam trazendo suas experiências de
trabalhadores assalariados – ante um país com forte ranço escravocrata – e engajados politicamente. Jornais
operários, panfletos e outros meios de divulgação das ideias operárias também tiveram grande importância na
difusão das ideias de cunho socialista e na organização sindical do país.
Rua de São Paulo tomada por trabalhadores com bandeiras vermelhas na greve
geral de 1917.
O marco desse processo é a primeira greve geral que ocorreu no Brasil, em 1917, cujas reivindicações incluíam:
jornada de oito horas diárias de trabalho; direito a férias; proibição do trabalho infantil; proibição do trabalho
noturno para as mulheres;e aposentadoria. Também tinha uma pauta mais abrangente: fim da exploração
capitalista e a implantação de uma sociedade mais igualitária. A greve durou trinta dias e foi organizada pelos
trabalhadores da indústria e do comércio com a participação de organizações operárias anarquistas.
Resumindo
Como resultado da greve de 1917, os patrões aceitaram aumentar o salário, mas a principal vitória dos
trabalhadores foi o reconhecimento do movimento operário como instância legítima, obrigando os
patrões a negociarem com os representantes dos trabalhadores – os sindicatos. O trabalhador passa a
entender-se como classe quando identifica-se com o “ambiente físico no qual vivia, por um estilo de vida
e de lazer, por certa consciência de classe cada vez mais expressa em uma tendência secular a afiliar-se
a sindicatos e a identificar-se com um partido de classe” Hobsbawm, 1987, p. 273. 
A relativa liberdade e autonomia que os sindicatos conquistaram, nos anos iniciais da república, sofreu um
duro golpe na década de 1930, no governo de Getúlio Vargas (1882-1954), quando ele passou a submeter os
sindicatos ao controle do Estado.
 
Com o decreto nº 19.770, de 1931, Vargas passou o controle financeiro dos sindicatos ao Ministério do
Trabalho. Além disso, baixou uma série de proibições:
Realização de atividades políticas por parte dos sindicatos.
Sindicalização dos funcionários públicos.
Participação dos operários estrangeiros nos sindicatos.
 
Getúlio Vargas ainda atuou para cooptar as principais lideranças sindicais a fim de evitar greves e
manifestações contrárias ao seu governo. Quando isso não era possível, perseguia e prendia os líderes
trabalhistas e, em seu lugar, colocava lideranças que o apoiassem. Resultado: um sindicalismo de fachada,
também chamado pelego, atendendo aos interesses do Estado.
Na década de 1960, as manifestações grevistas se intensificaram e o principal destaque foi a realização do III
Congresso Sindical Nacional, no qual foi criada a primeira central de sindicatos: o Comando Geral dos
Trabalhadores (CGT). O período que antecedeu o golpe militar de 1964 foi marcado por inúmeras greves e
grande mobilização dos trabalhadores urbanos em busca de melhores salários e condições de trabalho.
 
Algumas características do movimento sindical entre o fim do governo Vargas e a ditadura militar:
O número de greves aumentou de 31, em 1958, para 172, em 1963.
As paralisações alcançaram também o setor público, antes proibido de se sindicalizar.
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As mobilizações grevistas saíram da região do ABC Paulista e se estenderam para outras regiões do
país.
ABC
Cidades de Santo André, São Bernando e São Caetano.
No campo, as coisas não eram tão diferentes. A atuação de grandes fazendeiros que invadiam e expulsavam
os pequenos proprietários, ou os submetia a desmandos, deu origem às ligas camponesas, cujo objetivo era
organizar os trabalhadores rurais e pequenos proprietários para lutar por seus direitos. As ligas camponesas,
posteriormente, deram origem aos sindicatos rurais.
 
Toda essa mobilização só foi interrompida pelo golpe militar de 1964, quando o governo passou a interferir,
inclusive com violência, nas entidades sindicais. Cerca de 10 mil sindicalistas foram presos no Brasil, durante a
ditadura, por participarem ou organizarem greves e manifestações ou mesmo por serem considerados
subversivos. Desse grupo, mais de duzentas pessoas foram torturadas, muitas foram mortas ou ainda se
encontram desaparecidas. O preso político mais famoso foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi preso
duas vezes: uma em 1980 e outra em 1981. A sua segunda prisão, que o encarcerou por 31 dias, reacendeu a
greve de metalúrgicos em São Bernardo do Campo, que já durava 17 dias e estava em vias de finalizar.
 
Como veremos a seguir, em reação à ditadura militar e em resposta à nova ordem capitalista, surge,
nos anos 1980, um novo sindicalismo, mais plural e com novas demandas.
Neoliberalismo e reordenamento sindical
O novo sindicalismo surge em torno da atuação dos operários da indústria metalúrgica do ABC Paulista ainda
no contexto da ditadura, nos anos 1980. É chamado novo porque possui três marcos que o distinguem do
antigo sindicalismo que existia até o fim dos anos 1970:
Forte oposição à legislação sindical (resquício da Era Vargas) e as políticas salariais baseadas no
arrocho.
Uma política sindical antipatronal e de oposição ao regime militar.
Ter por base o coletivo dos trabalhadores das fábricas em vez de centralizar apenas nas
lideranças sindicais.
Com essa linha, o movimento sindical se torna novo porque rompe, radicalmente, com a estrutura sindical que
ainda era atrelada ao Estado, imposta por Vargas, e que, mesmo questionada, até então nunca tinha sido
combatida.
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Comentário
A fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) foi o ponto alto de reorganização sindical, pois
era “composta nesse período pelas correntes sindicais mais ativas, teve grande expressividade no
movimento operário dos anos 1980, organizando as greves gerais em oposição às políticas adotadas
pelo governo brasileiro” Antunes, 1982, p. 90. 
As classes médias migraram para o apoio ao sindicalismo quando se viram desiludidas com os resultados do
milagre econômico da ditadura e se chocaram com as denúncias de violência e arbitrariedade do regime
militar. Isso ampliou não só numericamente mas também atraiu um grupo de trabalhadores que, até então, não
era representado, inserindo-o no contexto político.
 
O novo sindicalismo reorganizou a pauta reivindicatória e, ao mesmo tempo, o perfil do movimento. Os
principais pontos giraram em torno:
Do fim do imposto sindical e da burocracia sindical à época.
Das estratégias para garantir o livre exercício da liberdade e a autonomia sindical.
De assegurar formas de participação das bases nas decisões do sindicato.
De pautar-se contrariamente ao Estado capitalista e ao regime militar.
De denunciar as políticas econômicas de arrocho e a exploração dos trabalhadores.
Essas reivindicações determinaram os grupos que se identificavam com o novo sindicalismo e aqueles
que queriam permanecer nas velhas estruturas.
 
As transformações políticas e econômicas dos anos 1980 impuseram diversas lutas ao movimento sindical,
que se viu impelido a atuar em novos campos de ação e a dialogar com novos atores políticos e sociais. Tanto
nos governos de José Sarney (1985-1990), quanto nos governos de Fernando Collor (1990-1992) e de Itamar
Franco (1992-1995), mas, especialmente, no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), o
movimento sindical se ampliou com a retomada do movimento estudantil e a entrada em cena dos
movimentos sociais denominados minorias: mulheres, negros, homossexuais e sem-teto.
 
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Outros sindicatos, englobando os grupos médios da sociedade, também levaram reivindicações às ruas,
envolvendo amplos segmentos sociais. Entraram em campo algumas pautas que extrapolavam os direitos
trabalhistas e que ainda são vigentes, como a defesa da saúde pública (período de constituição do Sistema
Único de Saúde –SUS) e da educação pública de qualidade (debates pelo fim do analfabetismo e pela
ampliação de vagas escolares e creches).
Dentre todos os movimentos que se organizaram com base no novo sindicalismo, talvez o de maior expressão
seja o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), resultado da perversa concentração da propriedade da
terra no país, uma herança do Brasil colonial. O MST tornou os trabalhadores do campo protagonistas das
próprias lutas e incluiu outras demandas da população rural, além da reforma agrária. A saúde, a educação, o
saneamento e a eletrificação rural foram alguns temas incorporados pelo MST.
A expansão capitalista e o caminho da precarização
Nos anos 1970, o capitalismo mundial entrou em uma profunda crise, e a década seguinte, 1980, foi marcada
pelas transformações que visavam reestruturar a ordem. Esse período é conhecido pela expansão do
toyotismo na produção industrialmundial.
 
O toyotismo surgiu nas indústrias automobilísticas japonesas, mas logo os seus princípios foram adotados
pelo Ocidente e, mais do que isso, radicalizados no processo de reestruturação produtiva. Os princípios do
toyotismo são:
 
Racionalização do processo produtivo.
Aumento da produtividade.
Produção sob demanda.
Intensificação do ritmo de trabalho.
Eliminação dos tempos ociosos do trabalhador.
Terceirizações dos contratos.
No Brasil, o toyotismo foi implantado na década de 1990, devido às movimentações operárias e às
grandes greves na década de 1980.
Com a ampliação das demissões ou das terceirizações, os trabalhadores que permaneceram foram
responsabilizados por múltiplas tarefas, a partir do discurso da polivalência e da multifuncionalidade, que
mascara um acúmulo maior de tarefas, em um processo de desespecialização do trabalho (Alves, 2000).
 
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Ao mesmo tempo, os trabalhadores eram convocados a defender as empresas a partir da ideia de uma gestão
participativa, na qual, supostamente, os empregados tinham poder de decisão. Na mesma linha, foram
implementados programas de participação nos resultados como estratégia de cooptação dos trabalhadores,
vinculando o recebimento de uma remuneração adicional anual ao cumprimento de metas de produção da
empresa, o que aumentava o ritmo de produção e, consequentemente, de trabalho.
Devido à necessidade de sobrevivência e de
permanência no emprego, muitos trabalhadores
se enquadravam e, em alguma medida,
assimilavam o processo de transformações
colocadas pelo capital, sem, porém, que isso
tenha anulado a consciência da exploração e da
repressão vivida por eles, mesmo quando a
resistência a essas práticas de dominação não
se expressava de forma articulada e coerente
(Lucas, 2009).
O modelo capitalista usou a ideia de existência
de interesses comuns entre trabalhadores e
patrões para atrelar o trabalhador à função
produtiva e, por conseguinte, limitar a atuação
dos sindicatos na perspectiva do enfrentamento e do combate de massa, característica do novo sindicalismo.
 
Esses fatores seriam ainda mais agravados no transcorrer dos anos 2000, com o aprofundamento de políticas
neoliberais a partir da ação do Estado, levando à instauração de modelos cada vez mais precarizados de
relações de trabalho. Veremos, no próximo módulo, que esses princípios produziram não só um esvaziamento
no movimento sindical mas também uma limitação do poder de ação.
 
Neste vídeo, Rodrigo Rainha, doutor em história, ajuda a nos aprofundarmos um pouco mais na história dos
sindicatos.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(UNIUBE MG/2013 – adaptada)
No século XIX, na Europa, enquanto se intensificava o processo de industrialização, os
trabalhadores viam agravar suas precárias condições de vida. Desenvolveu-se o pensamento
socialista no afã de buscar soluções para essa realidade. O pensamento socialista ficou
dividido em duas correntes: socialismo utópico e socialismo científico. As ideias comum e
divergente entre eles são, respectivamente
A
a tomada do poder político pelo proletariado; a distribuição das riquezas de acordo com as necessidades dos
indivíduos.
B
a base da justiça social está na centralização estatal; a bondade dos homens levará à igualdade social.
C
o reconhecimento da luta de classes como base das desigualdades sociais; o trabalho como mecanismo
produtor de riquezas e bem-estar.
D
a transformação social pela revolução; a criação de uma sociedade alternativa de base humanista e cristã.
E
a concepção de uma sociedade mais justa; a ausência de análise da realidade concreta para a viabilização das
transformações sociais.
A alternativa E está correta.
Embora tivessem perspectivas de atuação diferenciadas, as propostas dos socialismos utópico e científico
defendiam o fim das injustiças sociais, como a exploração do trabalhador. Contudo, diferiam no modo de
entender a sociedade: enquanto os utópicos (por isso, o nome) tratavam de mudanças que só poderiam ser
aplicadas em pequena escala, sendo inviáveis de serem feitas em toda a sociedade sem uma mudança
profunda em suas estruturas, o socialismo de Marx e Engels analisava as condições reais de existência do
trabalhador e pregava a mudança social a partir da conscientização dos empregados e da luta de classes.
Questão 2
(UFU 1º Dia 2009/2 – adaptada)
A crise vivida no mundo do trabalho também tem provocado fortes reflexos no movimento
sindical. Assombradas pelo desemprego, pela diminuição e pela precarização das condições
de trabalho, as relações entre trabalhadores e patrões foram radicalmente modificadas.
Acerca do chamado novo sindicalismo no Brasil, assinale a alternativa correta.
A
A recessão econômica e as diversas mudanças ocorridas no mundo do trabalho a partir da década de 1990
levaram o novo sindicalismo a adotar novas estratégias de resistência, as quais primavam pela ampliação das
greves e maior participação dos trabalhadores nos processos decisórios das empresas.
B
Uma das fases do movimento sindical brasileiro teve início em 1978, na região industrial do ABC Paulista, com
o chamado novo sindicalismo, o qual teve como característica seu reconhecimento como instrumento de
negociação sob a tutela do Estado.
C
As conquistas alcançadas pelo novo sindicalismo brasileiro, em especial aquelas relativas ao espaço da
negociação coletiva e à defesa do poder aquisitivo dos salários, implicaram o crescimento e o fortalecimento
desse movimento como instrumento de negociação entre patrões e empregados na década de 1990.
D
O novo sindicalismo representou um forte questionamento às limitações impostas pela estrutura sindical
tradicional, alterando o quadro geral das relações dos trabalhadores com os patrões e atuando como
importante agente político no processo de redemocratização da sociedade brasileira na década de 1980.
E
Deu continuidade ao processo de organização dos sindicatos instituído por Getúlio Vargas, que se
caracterizava pela maior presença do Estado nas relações sindicais, favorecendo a maior participação dos
trabalhadores nas estruturas do sindicato e nas negociações com seus patrões.
A alternativa D está correta.
O sindicalismo que se organizou a partir dos anos 1980 é chamado novo por assumir uma postura diferente
do sindicalismo da Era Vargas, que ainda era centralizado nos líderes. Além disso, o novo sindicalismo se
mostrou mais atuante politicamente, contrapondo-se à ditadura e rechaçando alianças com patrões.
2. A estrutura sindical no Brasil
Sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais
no Brasil
Uma manifestação de vários sindicatos em Brasília.
Sindicatos
No Brasil, os sindicatos só apareceram após o surgimento da Lei Áurea, em 1888, quando a migração europeia
chegava ao país em busca de uma nova economia. Apesar da abolição da escravatura, o Brasil não tinha
estabelecido os mesmos direitos para os trabalhadores, tal como na Europa, cujos sindicatos já tinham certa
força.
 
Portanto, a entrada de europeus no mercado de trabalho brasileiro fez com que ocorresse uma revisão nessa
área. No período getulista, em 1930, os sindicatos foram submetidos ao controle do Estado.
 
Esse período também foi responsável pela criação:
do Ministério do Trabalho.
da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
da Previdência Social.
do imposto sindical obrigatório (abolido na Reforma Trabalhista de 2017).
O sindicato é uma associação de primeiro grau de trabalhadores que pertencem à mesma categoria. Seu
objetivo é representá-los e defendê-los, resguardando seus direitos laborais e econômicos. Já sua atividade
está relacionada à defesa de certa coletividade e ao zelo pela justiça.
 
De acordo com as Leis do Trabalho, qualquer indivíduo pode associar-se a um sindicato para que seus
interesses profissionais sejam devidamente defendidos e, consequentemente, assistidos. O Estado não pode
interferir nele:
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• 
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sindicato
O termo gregosyndicos se refere àquele que tem a justiça como foco principal de sua defesa. Já
sindicus, em latim, significa o sujeito (ou procurador) escolhido para defender os direitos de determinado
grupo. A palavra sindicato surge daí. 
É livre a associação profissional ou sindical, observando o seguinte:I - a lei não poderá exigir a
autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente,
vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical.
Brasil, 1988, art. 8º, inciso I
Além da proibição de interferência, está estabelecido que ele sequer pode subsidiá-los. Por conta disso, os
sindicatos possuem independência financeira, o que revela ainda mais sua liberdade. Ela, aliás, ainda indica
outro aspecto: o da contribuição (o que antes era imposto sindical).
 
Conforme o art. 149 da Constituição Federal de 1988 frisa, “compete exclusivamente à União instituir
contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e
econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas”.
Atenção
Estados, Distrito Federal e municípios poderão, segundo o parágrafo único do artigo em questão, instituir
uma contribuição para o custeio da previdência e da assistência social. 
Até outubro de 2017, a contribuição sindical (de acordo com art. 583 da CLT) era devida a todos os
trabalhadores que fizessem parte de uma categoria (ou até mesmo de uma profissão liberal). Todavia, a Lei nº
13.467/2017 (Reforma Trabalhista), ao lado da MP nº 873/2019, estabeleceu outras condições, alterando os
arts. 578, 579 e 582 da CLT.
 
A partir daí:
Requerimento de contribuição sindical
O empregado deverá requerer o pagamento da contribuição sindical,
autorizando-a de forma prévia (por escrito), voluntária, individual e
expressa (conforme dispõe o art. 579 da CLT).
Requerimento de contribuição sindical
Essa autorização deverá ser feita de forma individual (preferencialmente
contendo nome, cargo, setor, CPF, CTPS e PIS do trabalhador) e
diretamente para o sindicato.
Se a contribuição sindical não é mais obrigatória, como ela ficou após a Reforma Trabalhista?
Até 2017, existiam cerca de 16.720 sindicatos, sendo que 5.242 eram patronais (grupos econômicos/
empresas), enquanto os outros 11.478 eram de funcionários (grupos trabalhistas) separados em diversas
categorias, nos diferentes estados do país.
 
O objetivo dos dois sindicatos, segundo Morais (2020), é orientar seus associados, ministrar palestras,
organizar reuniões etc. No caso específico dos sindicatos dos trabalhadores, sua função inclui a organização
de greves (o que será destacado na próxima seção) e convenções coletivas.
16.720 sindicatos
No site da Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, é possível consultar as entidades
cadastradas como sindicatos em nosso país. 
Saiba mais
Só em 2017, informa Ferrari (2020), os sindicatos arrecadaram R$3,6 bilhões. 
E para que serve esse dinheiro?
Os sindicatos o utilizam para:
 
Negociação de acordos coletivos.
Participação na legislação trabalhista.
Intervenção em ações judiciais.
Zelo pelas condições de trabalho de
cada associado.
Denúncia por abusos.
No entanto, a falta de representatividade
sindical propiciou discussões sobre a
contribuição. Em 2018, houve uma queda de 86% na arrecadação (de R$3,6 bilhões para R$500 milhões).
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Exemplo
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) havia arrecadado, em 2017, R$62,2 milhões, mas, no ano
seguinte, esse valor caiu para R$3,5 milhões. A Força Sindical, segundo Ferrari (2020), arrecadou R$51,3
milhões em 2017; já em 2018, R$5,3 milhões. 
O decréscimo na contribuição pode indicar pouca representatividade no setor sindical?
Parece que sim! Além da carência de recursos financeiros, a falta de representatividade, apontam Rocha e
Linhares (2018), constitui um fator preponderante em parte desse setor – e isso ocasionou a queda de sua
arrecadação sindical.
 
Druke (2006) ainda assinala que o papel político-partidário dos sindicatos cooperou para o afastamento de
associados. A cooptação de alguns deles e de movimentos sociais por partidos políticos é outro estudo que
tem sido discutido, repercutindo na não contribuição sindical.
 
Com um olhar mais panorâmico, podemos perceber que essa situação se enquadra em um contexto muito
mais amplo:
Os trabalhadores na sociedade ocidental foram forçados a desenvolver recursos independentes quando
perderam a propriedade de seus meios de trabalho. Os sindicatos e a consciência de classe são parte
desses recursos, mas a solidariedade gerada pela convivência comum nas fábricas e pela vivência do
conflito de classes não ocorreu porque o capitalismo teria produzido e desenvolvido divisões entre os
trabalhadores e criado mecanismos institucionais para integrá-los em sistemas democráticos
capitalistas.
Gohn, 1997, p. 102
Isso significa que os sindicatos não são úteis?
Como já apontamos, eles são importantes para assistir os direitos dos trabalhadores em uma democracia. O
que não se mostra razoável é a contribuição para determinado sindicato que não representa, devidamente, o
trabalhador.
Federação, confederação e centrais sindicais
Conceituaremos, agora, cada uma delas:
Federação
Entidade sindical responsável pelo
agrupamento dos sindicatos da categoria
representados por meio de reivindicações e de
lutas comuns. O sindicato que não estiver
associado a alguma federação estará isolado,
tendo dificuldades em alcançar seus objetivos.
Para uma entidade se tornar uma federação,
são necessários cinco sindicatos.
Confederação
Agrupamento de pelo menos três federações,
uma confederação representa suas categorias
em nível nacional, enquanto suas sedes, por lei,
precisam estar sediadas no Distrito Federal.
Centrais sindicais
Entidades representativas dos trabalhadores
em geral, e não de categorias específicas. No
entanto, elas não se caracterizam como
modelos corporativos.
Uma central sindical possui abrangência
nacional e assume para si o papel de coordenar
os trabalhadores em seus interesses gerais.
Saiba mais
Há um projeto de lei, PL nº 5552/2019 (confira o teor dessa proposta no site oficial da Câmara dos
Deputados) – ou seja, ainda em tramitação no Congresso Nacional –, que busca regulamentar o art. 8º
da Constituição Federal, que dispõe sobre a organização sindical. Vamos conhecê-lo um pouco mais. 
Ao tratar da gestão sindical, esse PL facilita nosso entendimento acerca das características e do papel de
federações e confederações:
Celebração, em outubro de 1930.
§ 2º. A diretoria dos sindicatos será composta, no mínimo, por três e, no máximo, treze membros, com
igual número de suplentes, com atribuições definidas no estatuto.§ 3º. Além do número de diretores
definido no parágrafo anterior, os sindicatos poderão ter ainda um diretor a mais e seu respectivo
suplente a cada trezentos representados.§ 4º. A diretoria da federação será composta por um mínimo de
sete dirigentes eleitos, com igual número de suplentes, sendo possível, o acréscimo de mais 1 (um)
dirigente a cada 5 (cinco) sindicatos filiados.§ 5º. A diretoria da confederação compõe-se de um mínimo
de nove dirigentes, com o mesmo número de suplentes, sendo possível, nos termos do edital, o
acréscimo de mais 1 (um) dirigente a cada 3 federações filiadas.
Brasil, 2019, art. 16
A mesma legislação, ao falar de organização sindical, afirma em seu art. 6°: “Às centrais sindicais compete a
coordenação da representação da classe trabalhadora por intermédio e apenas das entidades sindicais a elas
filiadas”.
O trabalhador sindicalizado e as novas condições de
trabalho
Como frisamos, a década de 1930 inaugurou
um novo cenário político no país. Pelo registro
histórico, pontua Antunes (1998), isso não
ocorreu apenas nas diferentes clivagens da
esfera política, já que os processos de
industrialização e urbanização também foram
fundamentais.
A expansão das cidades ajudou a criar uma
plataforma complexa nas relações entre
trabalhoe capital. Desse modo, o acento no
antagonismo entre operários e burgueses
tornou-se maior.
Nesse aspecto, os trabalhadores passaram a se
associar a instituições sindicais e a exigir
melhores condições de trabalho e de vida em um período de modernização intelectual e política. Essa
modernização representava o fortalecimento do regime democrático por meio da participação efetiva do
povo.
Sem dúvida, as eleições livres e diretas
configuravam a principal participação
democrática da população. Com o acesso a
meios de comunicação (jornais, rádio e
televisão), a classe trabalhadora ganhava
outras ferramentas para participar das decisões
políticas. No entanto, deixaremos os fatores
históricos reservados para outro momento.
Levando em consideração a atual situação dos
sindicatos de trabalhadores, que, a despeito da
já anunciada queda em sua arrecadação, ainda
são muitos (mais de 11 mil), podemos estimar a
existência de um número expressivo de
indivíduos que dependem da receita financeira
sindical para sua remuneração, como é o caso de advogados, médicos, dentistas, motoristas, secretários,
entre outros.
 
A diminuição expressiva da contribuição afeta os compromissos com esses outros funcionários. Sobrevém,
portanto, uma crítica à Reforma Trabalhista: a mudança abrupta engendrada por ela desconsidera parte desse
conjunto.
 
O sindicato, afinal, não precisa mais autorizar a homologação de rescisão de contrato que possibilita o acesso
ao FGTS, bem como aos benefícios do seguro-desemprego. Além disso, ele taxa a empresa (empregador)
pela homologação realizada pelo sindicato quando o funcionário não é associado.
Exemplo
De acordo com a Reforma Trabalhista, quando pede demissão e opta por sair da empresa em comum
acordo com o empregador, o trabalhador tem direito a receber uma multa de 20% sobre o saldo/FGTS e
retirar até 80%; contudo, ele não terá mais direito ao seguro-desemprego. 
A não obrigatoriedade do sindicato para a rescisão do contrato de trabalho faz com que o trabalhador perca
sua assistência, cujo objetivo era verificar se os detalhes econômicos da rescisão (verbas pagas) estavam
devidamente em acordo com a lei e o contrato. A não intervenção sindical contribuiu para a dispensa coletiva
com o mesmo molde individual.
O que isso representa?
Agora, não é mais necessária uma negociação entre a empresa e o sindicato – situação que, antes da reforma
de 2017, deveria ocorrer.
Organização de greves
Quanto às greves (ou aos protestos, de modo geral), é fundamental entendê-las como formas de participação
nas democracias contemporâneas, percebendo, nesse contexto, seu caráter de coerção social:
Quando já existe um movimento social com potencial de mobilização, capaz de divulgar o incidente pela
mídia e organizar manifestações, é mais provável que o choque moral leve à ação. O Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, era exatamente esse tipo de ator em meados da
década de 1990, capaz de tirar vantagens da atenção da mídia e dos sentimentos de indignação após os
dois massacres (ainda que os ocupantes de Corumbiara pertencessem a uma organização que havia
rompido com o MST). O governo Fernando Henrique Cardoso, sentindo a pressão tanto da cobertura
midiática quanto das novas manifestações do MST (especialmente em julho de 1997), fez várias
concessões.
Jasper, 2016, p. 223
Entretanto, podemos ir mais longe em nossa história recente para compreender esse processo. O ano de 1953
é histórico no que se refere às greves no Brasil. Havia, nessa época, uma grande frustração entre os
trabalhadores associados em sindicatos.
 
Após a eleição de Vargas três anos antes, já era esperada a mobilização desses trabalhadores, pois houve
promessas de melhorias para eles e de expansão do movimento sindical, o qual, diga-se de passagem, foi
reprimido no governo de Gaspar Dutra (1946-1951).
Atenção
Os sindicatos, nessa época, foram extremamente úteis nesse contexto, já que, de 1943 até 1953, só
houve um aumento no salário mínimo diante de uma inflação e um custo de vida acima dele. 
As condições financeiras do trabalhador eram
contrabalançadas com a liberdade sindical. Ou
seja, se, por um lado, havia uma grande
desvalorização da mão de obra, por outro, o
movimento sindical era acentuado. As greves
foram, então, o resultado dessa equação.
Só entre os anos de 1952 e 1953, foram
computadas 264 reinvindicações para o
aumento ou o pagamento de salários atrasados.
Sustentada por sindicato, a categoria que mais
atuou foi a dos operários têxteis. Isso se deve
ao perfil da indústria nos anos 1950.
 
O ano de 1953, no segundo governo de Vargas, foi demarcado por duas greves importantes:
Greve dos 300 mil (26 de março)
Em São Paulo, ela deu origem a um comando intersindical: Pacto de
Unidade Intersindical. Trabalhadores de indústrias têxteis e metalúrgicas
pararam no epicentro da capital paulista.
Greve dos marítimos (junho)
Gerou um movimento que deu início a uma negociação entre governo e
sindicatos.
É possível associar, ponderam Tatagiba e Galvão (2019), o contexto de uma crise do capitalismo neoliberal,
inaugurado em 2008, às especificidades do arranjo político engendrado no Brasil pelo Partido dos
Trabalhadores (PT), baseado na conciliação de classes e sem enfrentamento com o grande capital.
Lula discursando para metalúrgicos em 1979.
Quanto às motivações dos movimentos e às suas possíveis raízes, pode-se avaliar que os protestos e as
greves evidenciam, para Tatagiba e Galvão (2019, p. 72), queixas de “um conjunto muito diverso de atores
sociais e uma conflitividade social crescente que extrapola a capacidade de incorporação política” da
coalização social capitaneada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Isso pode ser mais bem observado no quadro seguinte:
Ano Número de protestos
2011 108
2012 260
2013 445
2014 147
Tabela: Número de protestos.
Adaptada de: Tatagiba; Galvão, 2019, p. 70.
Seguindo os dados desse estudo, pode-se afirmar que os grupos sociais tradicionalmente mobilizados foram
os que mais se fizeram presentes (31%). As forças de segurança aparecem entre os trabalhadores mais
mobilizados (depois dos setores de educação, indústria, comércio e serviço, todos representados por seus
sindicatos).
 
Os trabalhadores que reivindicavam melhorias salariais correspondem a 48,5% do contingente da amostra. De
todas as razões elencadas para as manifestações, as duas primeiras foram: a crítica ao governo e ao sistema
político, com 25,2%, seguida por salário e condições de trabalho, com 17,6%.
 
Para Jasper (2016, p. 105), as “redes sociais, com as quais nos comunicamos com outras pessoas, são os
tijolos na construção da interação humana, e nada acontece sem elas – inclusive o protesto”.
 
 
Agora, entenderemos um pouco mais a importância da greve no âmbito da representatividade trabalhista.
grupos sociais tradicionalmente mobilizados
Deve-se levar em conta que a mobilização social se apresenta de muitas formas. Seria equivocado
negligenciar o papel do ambiente virtual contemporâneo. 
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Segundo a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), a relação entre trabalhadores e
sindicatos foi revisada e alterada. Diante desse novo cenário, marque a alternativa correta:
A
A contribuição sindical continua sendo obrigatória, uma vez que outros funcionários dependem desse fundo
para permanecer exercendo suas atividades.
B
O sindicato passa a ser o responsável pela homologação da rescisão do contrato de trabalho.
C
Todo trabalhador que não for associado a um sindicato regular não poderá receber o seguro-desemprego.
D
A Reforma Trabalhista faz com que a empresa negocie sobre quaisquer assuntos com o sindicato responsável
pela representação do funcionário.
E
A contribuição sindical passa a ser facultativa.
A alternativa E está correta.
A contribuição sindical, apesar de constituir um tema ainda polêmico (mesmo entre os sindicatos), passou a
não ser maisobrigatória a partir da Reforma Trabalhista de 2017.
Questão 2
Das informações acerca de sindicato, federação e confederação, marque a alternativa que 
não corresponde ao conceito ou à atividade/função de cada um:
A
A federação é uma entidade sindical que agrupa os sindicatos da categoria que representa por meio de
reivindicações e de lutas comuns.
B
Para uma entidade se tornar uma federação, são necessários cinco sindicatos.
C
O sindicato que não estiver associado a alguma federação estará isolado, tendo dificuldades em realizar seus
objetivos.
D
A confederação é o agrupamento de, pelo menos, cinco federações.
E
A confederação é o agrupamento de, pelo menos, três federações.
A alternativa D está correta.
Embora ainda careça de regulamentação, a PL nº 5552/2019, legislação acerca das características
definitivas dos sindicatos no país, mantém a definição de confederação conforme o entendimento atual: o
agrupamento de, pelo menos, cinco federações.
3. Precarização do trabalho e informalidade
Trabalho informal e trabalho precarizado
Trabalho informal é aquele sem vínculos registrados na carteira de trabalho ou sem documentação
formalizando a relação do cidadão com uma empresa, ainda que seja ele o patrão de si mesmo.
 
A informalidade carrega um grande problema, pois torna o trabalhador desprovido de benefícios como
remuneração fixa, férias pagas, FGTS, seguro-desemprego e, até mesmo, aposentadoria. O trabalho informal
precariza a vida do cidadão por, também, restringir o acesso a direitos e benefícios, além da alta instabilidade.
Na maioria das vezes, é composto por pessoas que abrem pequenos negócios, ambulantes, prestadores de
serviço, motoristas ou entregadores por aplicativo.
 
Agora, observe o gráfico a seguir:
O gráfico mostra dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) sobre a taxa de
informalidade – que é a soma dos trabalhadores sem carteira, dos trabalhadores domésticos sem carteira, do
empregador e do autônomo sem CNPJ e do trabalhador familiar auxiliar. Os números apontam que, em 2019, o
Brasil atingiu o maior nível de informalidade desde 2016. Em 19 estados e no Distrito Federal, esses números
superaram toda a série histórica, o que mostra um aprofundamento da precarização da vida do trabalhador
nos últimos anos.
 
Segundo os dados levantados em pesquisa pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), 50% da
população economicamente ativa da América Latina está no mercado informal, totalizando cerca de 230
milhões de pessoas.
 
Já a taxa de desemprego no Brasil, medida pelo IBGE, alcançou 13,3% no trimestre encerrado em junho de
2020, atingindo 12,8 milhões de pessoas, com um fechamento de 8,9 milhões de postos de trabalho em
apenas três meses de pandemia do novo coronavírus. Há outro elemento preocupante que são as pessoas
que nem entram nas estatísticas por estarem em uma situação na qual desistiram de buscar empregos,
podendo tornar esses números ainda maiores.
Ambulante em Marília – SP.
Ainda que o cidadão recorra ao trabalho informal temporariamente, enquanto está à procura de emprego
formal, ele não está nos cálculos de desempregados, o que torna os números sobre o desemprego no Brasil
subnotificados. A volatilidade desse mercado informal é enorme e, nem sempre, o trabalhador consegue obter
renda; portanto, vive nos limites da incerteza. Para o governo, ele encontra-se empregado. O problema desse
cálculo é que as políticas públicas que poderiam ser adotadas pelo Estado, no sentido de garantir benefícios
sociais ou emprego e renda, não consideram essa volumosa massa de gente que está na informalidade, mas
que, a qualquer hora, pode ficar sem renda.
 
Vários fatores concorrem para o aumento do trabalho informal, entre eles: o desemprego; a baixa escolaridade
ou a formação inadequada para as necessidades do mercado; as crises econômicas que levam empresas a
demitirem ou decretarem falência; o crescimento urbano etc.
O trabalho na economia informal é, via de regra, precário, porque geralmente os trabalhadores não
recebem os mesmos níveis de proteção social que recebem os trabalhadores do setor formal. No
entanto, existem variações em relação à insegurança no setor informal, pois alguns padrões de trabalho
informal são relativamente estáveis e executados por redes bem desenvolvidas e relações sociais de
confiança.
Kalleberg, 2009, p. 24
Informalidade e precariedade: a “uberização” da economia
O ano de 2020 foi marcado pela maior e mais longa crise sanitária mundial, depois da gripe espanhola, do
início do século XX, com a síndrome respiratória provocada pelo novo coronavírus. Desde o começo da crise,
as autoridades sanitárias do mundo inteiro passaram a recomendar, além de práticas de higiene, o isolamento
social ou, pelo menos, o distanciamento como única forma conhecida e eficaz de proteção.
 
Empresas, escolas, lojas e serviços foram parando a cada semana, enquanto as pessoas eram estimuladas a
permanecer em casa. O cenário levou, aos poucos, a uma reorganização dos trabalhos: para alguns, o
trabalho remoto, ou home office, foi possível. Muitos segmentos, porém, foram afetados pelos bloqueios e,
sem produzir ou vender suas mercadorias ou seus serviços, acabaram fechando, temporariamente, demitindo
pessoal ou falindo.
 
No mesmo período, o mundo inteiro, principalmente os países menos industrializados e com a economia mais
frágil, como o Brasil, passou a ter um número cada vez maior de pessoas procurando trabalho em atividades
informais como possibilidade de manter o sustento. Por isso, entendemos que:
Nunca o trabalho foi mais central no processo de criação de valor. Mas nunca os trabalhadores foram
mais vulneráveis, já que se converteram em indivíduos isolados subcontratados numa rede flexível, cujo
horizonte é desconhecido inclusive para a mesma rede.
Kovács, 1999, p. 18
O serviço de entrega por aplicativo, que já
vinha em um crescimento constante nos
últimos anos, rapidamente se viu no olho do
furacão: maior demanda por entregas por conta
do isolamento e, simultaneamente, maior oferta
de mão de obra pelo crescimento de
desempregados. Não tardou para os primeiros
problemas aparecerem.
Saiba mais
A empresa de inteligência Corebiz, especialista em atender o segmento do varejo, fez um estudo
mostrando que, nos primeiros quinze dias de quarentena, em março de 2020, a receita das compras por
delivery, no segmento alimentício, cresceu 77% em relação ao mesmo período de fevereiro. Já os dados
da PNAD COVID apontam que, em maio, 42 mil brasileiros com ensino superior (graduação e pós-
graduação) se declararam como entregador de mercadorias (de restaurante, de farmácia, de loja,
aplicativo etc.), representando 0,15% dos 27 milhões de brasileiros com ensino superior. De acordo com
os dados da mesma pesquisa, 3,7 mil (8,8% do total de entregadores com ensino superior) foram
afastados do trabalho por conta da quarentena, entrando em isolamento, distanciamento social ou férias
coletivas. 
Assim, enquanto (Bauman, 2007, 2008) a modernidade pesada – ou sólida – foi a época do compromisso entre
capital/trabalho, em que existia um exército de reserva da mão de obra, que correspondia a trabalhadores
úteis ao funcionamento do sistema capitalista; na modernidade líquida, esses trabalhadores deixam de ser
necessários, tornando-se supérfluos ou inúteis no mundo.
 
O Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, em parceria com outras
instituições, realizou uma pesquisa mostrando que esses trabalhadores continuaram a enfrentar longas
jornadas de trabalho, mas em condições que se tornaram piores com a pandemia:
 
Passaram a enfrentar um alto risco de contágio durante a rotina de trabalho.• 
Adotaram medidas de precaução, na maioria, custeadas por eles mesmos.
Além de registrarem queda na remuneração pelos serviços e maior tempo de trabalho.
O chamado breque dos apps foi a primeira
greve nacional dos entregadores por
aplicativos, no Brasil, e aconteceu em julho de
2020, bem no meio da pandemia. A paralisaçãofoi motivada pelas péssimas condições de
trabalho, por medidas de proteção contra os
riscos de infecção pelo novo coronavírus e mais
transparência na dinâmica de funcionamento
dos serviços e das formas de remuneração.
O movimento foi organizado a partir dos
aplicativos de conversa, mas também teve a
participação de algumas entidades sindicais e
associações. Não se sabe os números exatos de quantas pessoas trabalham nesse serviço, mas, de acordo
com o IBGE, em 2019, cerca de 4 milhões de indivíduos tinham a entrega por apps como principal fonte de
renda.
 
As empresas de aplicativos não divulgaram o prejuízo sofrido com a greve, mas os consumidores reagiram, em
grande maioria, apoiando o movimento grevista, e também se queixando do quanto aquela greve prejudicava a
quem estava em casa. Os mais prejudicados, contudo, foram os entregadores, que ficaram um dia sem obter
nenhuma renda.
Comentário
Mesmo conseguindo chamar a atenção para esse grupo de trabalhadores invisíveis, a greve não teve
resultados práticos, uma vez que, sem uma liderança ou um sindicato próprio, as demandas sequer
foram negociadas. 
Sindicalismo e trabalho informal
A precarização do trabalho tem sido denominada “uberização”, representando um novo estágio da exploração
do trabalho, trazendo mudanças para o trabalhador, para as empresas e para as formas de controle do
trabalho.
 
A “uberização” é um modelo que retira do trabalhador as garantias mínimas e, ao mesmo tempo, o mantém
subordinado à empresa por dependência ou limitação, aproveitando-se das instabilidades do mercado de
trabalho, como o crescimento do desemprego. Embora possa parecer novidade, a precariedade é parte do
capitalismo.
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No âmbito jurídico, o trabalhador é supostamente livre para
negociar, em pé de igualdade, com seu empregador;
contudo, a igualdade na lei não se traduz em igualdade na
vida real, pois os poderes entre as partes são desiguais.
Nos últimos tempos, sobretudo depois da Reforma
Trabalhista de 2017, o Brasil tem vivido um agravamento da
informalidade, em maior ou menor grau, em grande parte
das categorias. Sindicatos como o dos trabalhadores na
construção civil, mobiliário e vigilantes mencionam uma
elevada incidência de informalidade em suas respectivas
bases.
 
Os mesmos sindicatos demonstram uma falta de atuação quanto aos trabalhadores informais, ainda que esses
trabalhadores informais sejam de segmentos sindicalizados. Embora as relações de trabalho tenham passado
por diversas mutações, os sindicatos ainda estão restritos à sua base formal, presos ao modelo verticalizado
de sindicalismo dos anos 1980, formado por assalariados com empregos estáveis e protegidos por lei.
 
A nova ordem que estimula a informalidade e leva à precarização não pode ser revertida pelos sindicatos com
velhas estratégias de lançar mão de artefatos jurídicos — a exemplo da tentativa de formalizar as relações de
trabalho dos precarizados, como se isso, por si só, revertesse a precarização inerente aos regimes produtivos
flexíveis —; afinal, a regularização jurídica da situação de um empregado não é garantia de que ele escapará a
uma modalidade de trabalho precarizada. Como resultado, os sindicatos aprofundam o seu próprio
enfraquecimento como instâncias representativas, pois se distanciam dos trabalhadores que não aceitam ou
não podem voltar à formalidade jurídica de assalariado.
 
O primeiro passo para os sindicatos se comunicarem com esse novo proletariado precarizado e atuarem na
garantia de direitos perante o Estado seria horizontalizar-se, indo até o trabalhador informal e recuperando,
culturalmente, o valor do trabalho como práxis social, e não como mercadoria.
Simultaneamente, é necessário que o movimento sindical se renove com a entrada de mulheres,
LGBTQIAPN+, negros e jovens, inclusive em espaços de poder.
Não se pode esquecer de que as demandas do mundo do trabalho não são uníssonas e não se resumem à
classe, mas se revestem de especificidades que se adéquam às próprias condições de gênero e raça.
 
Há, em voga, uma tentativa do neoliberalismo de suavizar a precarização do trabalhador usando o conceito de
empreendedor, induzindo à ideia de que se trata de uma opção, de realizar uma atividade, um investimento.
Entretanto, o que se vê é o desespero econômico empurrando os trabalhadores para o mercado informal, que
é bem diferente de empreendedorismo.
 
O mito do empreendedorismo é conveniente para os governos que retiram direitos trabalhistas, não criam
empregos e, ainda, dificultam a atuação dos sindicatos perante esse grupo, uma vez que o empreendedor se
vê mais como empresário-patrão do que como trabalhador e, por isso, repudia os sindicatos.
 
As novas configurações sociais e de relações de trabalho, surgidas a partir dos anos 1990 e aprofundadas no
contexto posterior aos anos 2010, impõem aos sindicatos novos desafios, especialmente no enfrentamento
dos argumentos de que a economia não cresce pelos gastos excessivos do Estado e pelo custo supostamente
alto da contratação da força de trabalho. Tal afirmação, bastante comum entre os setores neoliberais
conservadores, acaba sendo aceita como verdade até entre trabalhadores que se veem sem aumento ou em
ameaça concreta de desemprego.
 
Se, como vimos, a formação política com uma perspectiva ideológica definida, a participação em grupos,
associações e reuniões festivas marcaram a organização da classe trabalhadora no Brasil, novas relações
passaram a ser estabelecidas com o avanço do neoliberalismo na economia e, consequentemente, sobre todo
o tecido social, fragilizando a ação sindical.
 
Entre as causas estão a flexibilização e a precarização das relações trabalhistas, que sufocaram a atuação dos
sindicatos ao longo dos últimos anos. A precarização do trabalho é não só a causa mas também o efeito da
fragilização dos sindicatos. O trabalhador se vê sem tempo, cansado de sua rotina exaustiva e, não raro,
entende que aquilo é culpa do sindicato que não faz nada por ele.
 
Com os limites cada vez mais amplos de atuação no mercado, sobretudo no contexto de maior informalidade,
os sindicatos se veem limitados nas possibilidades antigas de formas de articulação e mobilização social,
provocando impactos ainda mais negativos na condição de precariedade do trabalhador.
 
Os principais impactos da precarização do trabalho no movimento sindical foram:
A acentuada queda nos níveis de sindicalização.
As negociações coletivas (de toda uma categoria profissional feitas pelos sindicatos) deram lugar
às negociações parciais (feitas diretamente pelas empresas e seus empregados), requerendo que
esses trabalhadores se organizem para conquistar suas necessidades.
A greve perde força como instrumento de luta.
A base tradicional dos sindicatos (trabalhadores assalariados e no mercado formal) se modifica
com o aumento de desempregados e daqueles sem carteira assinada e em tarefas precárias no
setor informal.
Reformas trabalhistas e avanço do neoliberalismo: desafios
ao movimento sindical
Com o argumento de combater o desemprego e a crise econômica, foi aprovada uma reforma nas leis
trabalhistas do Brasil. A Reforma Trabalhista de 2017 foi uma das mais agressivas dos últimos anos e provocou
mudanças profundas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); entre elas, criou o trabalho intermitente.
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trabalho intermitente
No trabalho intermitente, os empregadores poderão contratar funcionários, convocá-los e pagá-los
apenas quando tiverem necessidade, por períodos curtos ou horas. 
Saiba mais
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é uma lei brasileira referente ao direito do trabalho e ao
direito processual do trabalho. Criada por meio do Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943, e
sancionada pelo então presidente Getúlio Vargas, unifica toda a legislação trabalhista existente no Brasil. 
Entre os pontos mais controversos da reforma,
destaca-se o que determina que o empregado
intermitente deverá pagar a diferença entre a
contribuição sobre o salário recebido eo
mínimo exigido pela Previdência Social. Caso
não haja o pagamento, poderá perder o acesso
à aposentadoria e a outros benefícios
fornecidos pela Previdência Social. Essa medida
é considerada extremamente prejudicial para
todos os trabalhadores, mas afeta, em
particular, quem ganha menos, ao ter de tirar
parte do próprio sustento para pagar a
Previdência Social, livrando o empregador
dessa responsabilidade.
Outra mudança que afetou a relação empregador-empregado foi a obrigatoriedade de que o trabalhador
pague as custas do processo, as perícias e os honorários dos advogados do empregador em caso de derrota
perante alguma ação que mova na Justiça do Trabalho.
 
A reforma também atingiu, diretamente, os sindicatos quando, ao procurar um caminho para sufocar a atuação
das entidades de trabalhadores — vistas como desnecessárias e um empecilho tanto por membros do
governo quanto por parte do empresariado —, extinguiu a contribuição sindical, também chamada imposto
sindical.
 
Além disso, a reforma limitou a atuação dos sindicatos em negociações com empregadores. Com a mudança,
os trabalhadores, independentemente do sindicato, podem fazer ajustes e negociações com seus patrões.
Inclusive, o processo de rescisão de contrato não precisa mais da supervisão dos sindicatos caso o
empregado concorde. Essas mudanças expõem o trabalhador às pressões do empregador, fazendo com que
aceite acordos, muitas vezes desvantajosos, por medo de perder o emprego ou receber algum tipo de
punição.
imposto sindical
Trata-se de um valor pago, por todos os trabalhadores, ao sindicato de sua categoria,
independentemente de serem ou não associados a um sindicato.
A reforma foi criticada por diversos sindicatos, por partidos de esquerda, pelo Ministério Público do Trabalho e
pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) sob o argumento de que ela aprofundaria as desigualdades,
deixaria o trabalhador desamparado e não resolveria os problemas que o governo usava como justificativa.
Porém, recebeu o apoio de partidos de direita, de alguns economistas e da maioria dos empresários.
 
Desde que a reforma foi aprovada, verificou-se que a queda do desemprego não aconteceu, ao mesmo tempo
que houve um aumento significativo do trabalho informal. Todas essas mudanças da reforma trabalhista
tiveram o papel de precarizar, ainda mais, a vida do trabalhador, empurrando-o para a informalidade.
 
Neste vídeo, Rodrigo Rainha, doutor em história, apresenta a relação entre legislação – especialmente a
Reforma Trabalhista – e sindicalismo.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(UEMA 2020 – adaptada)
A redução do mercado formal de trabalho, isto é, aquele regulamentado pelas leis trabalhistas
e integrado aos mecanismos institucionais que garantem proteção ao trabalhador, tais como
Previdência Social e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), pode ser observada
pelo crescimento dos trabalhadores sem carteira assinada e por conta própria.
A carteira de trabalho é o documento no qual é registrado o contrato de trabalho no Brasil.
Analise a charge a seguir sobre as novas relações de trabalho.
A partir do que foi estudado neste módulo, podemos considerar que
A
a terceirização do trabalho garante autonomia aos trabalhadores contratados.
B
a reestruturação produtiva transfere para os sindicatos os custos com os trabalhadores.
C
a informalidade do emprego aumenta a insegurança do trabalhador frente ao capital.
D
a informalidade está diminuindo, no Brasil, devido às novas políticas de emprego.
E
os trabalhadores preferem a terceirização porque o emprego de carteira assinada já não tem mais benefícios.
A alternativa C está correta.
Na informalidade, embora haja mais liberdade para o trabalhador escolher seu tempo e ritmo de trabalho,
ele fica alijado dos direitos definidos pela legislação trabalhista. Mesmo a aposentadoria passa a depender,
exclusivamente, da contribuição feita ao governo diretamente pelo trabalhador, o que a torna inviável para
muitos que trabalham na informalidade devido aos ganhos baixos e instáveis.
Questão 2
(IF-PR – adaptada)
Autor do livro A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo,
Richard Sennett constrói uma série de reflexões acerca das novas condições de trabalho que
se impõem, vinculadas ao atual modelo capitalista e à lógica neoliberal, afirmando que a nova
realidade econômico-social, que traz termos excitantes como agilidade, flexibilidade e
mudança, não propicia a realização ambicionada por esses trabalhadores. Sobre o trabalho no
capitalismo flexível, pode-se afirmar que
A
diferentemente dos anos 1980, o ambiente no mundo do trabalho, no tempo presente, é mais humano e
valoriza virtudes estáveis, como confiança, lealdade e comprometimento dos trabalhadores em relação aos
empregadores.
B
o mercado informal é caracterizado, em maior parte, por empreendedores que possuem uma renda muito
superior à do mercado formal, embora sem direitos trabalhistas, levando-os ao afastamento do movimento
sindical.
C
não há qualquer relação entre as novas práticas trabalhistas (terceirização e informalidade) com a ansiedade,
a instabilidade dos trabalhadores em relação ao presente e a perspectivas futuras.
D
a reforma trabalhista do governo Temer, em 2017, trouxe vantagens para os empresários, trabalhadores e
sindicatos, o que é refletido em baixas taxas de desemprego no país e aumento do imposto sindical.
E
a nova economia que enaltece a flexibilidade e o empreendedorismo, em vez de libertar os trabalhadores,
produz novas formas de opressão e controle; entre elas, o convencimento de que os sindicatos são
desnecessários.
A alternativa E está correta.
Os discursos que são produzidos por políticos e empresários sobre o trabalho informal tendem a criar mitos
para encobrir a precarização das condições de trabalho e as desvantagens do sistema para o trabalhador.
O encantamento da ideia de empreender forma uma legião de desempregados ou subempregados que não
reconhecem mais o papel dos sindicatos em suas vidas.
4. Conclusão
Considerações finais
Vimos a importância de os trabalhadores sempre procurarem se organizar, independentemente do tipo de
trabalho exercido, a fim de reivindicar direitos ou eliminar mecanismos de opressão e exploração. Também
apresentamos como isso aconteceu, na breve memória que fizemos, por meio de diferentes instrumentos,
desde a quebra de máquinas até os que ainda são usados, como as greves.
 
Entendemos que essas formas de organização foram variadas até chegar ao que, atualmente, conhecemos
como sindicalismo ou movimento sindical, pois dependiam das circunstâncias econômicas e sociais de cada
sociedade e do grau de politização e organização de cada setor de trabalhadores.
 
O movimento sindical teve diferentes momentos: algumas vezes, era usado pelos governos para controlar os
trabalhadores (Era Vargas) e, em outros momentos, os sindicatos foram responsáveis por ações políticas e
sociais que ultrapassavam as questões trabalhistas (luta contra a ditadura).
 
Por fim, aprendemos que as primeiras décadas do século XXI foram marcadas por mudanças drásticas na
legislação trabalhista e nas relações de trabalho entre patrão e empregado, além de uma nova perspectiva do
capitalismo como um todo. Isso vem produzindo um número cada vez maior de desempregados ou de
pessoas que migraram para o mercado informal. Esses fatores pioraram as condições de trabalho e,
consequentemente, de vida das pessoas.
Podcast
Para encerrar, ouça sobre relações trabalhistas: sindicatos.
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ADORNEY, J. Agradeçamos ao capitalismo pelo fim de semana, pelos feriados e pela redução da
jornada de trabalho. In: Mises Brasil. Publicado em: 21 fev. 2020.
COSTA, A. A. Sindicalismo e reestruturação produtiva. Consultado na internet em: 16 mar. 2021.
NORTH, G. “Não podemos competir com o trabalho