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Movimentos Artísticos e Culturais - Ebook - Unidade 1

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MOVIMENTOS 
ARTÍSTICOS E 
CULTURAIS
Suzie Signori
1ª Edição, 2021
EAD
Editora Universitária Adventista
Presidente da Divisão Sul-Americana: Stanley Arco
Diretor do Departamento de Educação para a Divisão Sul-Americana: Antônio Marcos da Silva Alves
Presidente do Instituto Adventista de Ensino (IAE), mantenedora do Unasp: Maurício Lima
Secretário do Instituto Adventista de Ensino (IAE), mantenedora do Unasp: Emmanuel Oliveira Guimaraes
Tesoureiro/CFO do Instituto Adventista de Ensino (IAE), mantenedora do Unasp: Gilnei Abreu
Reitor: Martin Kuhn 
Vice-reitor administrativo: Claudio Knoener 
Vice-reitor para educação superior e diretor do campus São Paulo: Afonso Ligório Cardoso 
Vice-reitor e diretor do campus Engenheiro Coelho: Carlos Alberto Ferri 
Vice-reitor para a educação básica e diretor do campus Hortolândia: Henrique Karru Romaneli 
Pró-Reitor Financeiro: Paulo Ricardo Monarin
Pró-reitor de graduação: Edilei Rodrigues de Lames 
Pró-reitor de pesquisa e desenvolvimento institucional: Allan Macedo de Novaes 
Pró-reitor de gestão integrada: Mauricio Guimarães Lima
Pró-reitor de pós-graduação lato sensu: Luis Henrique dos Santos 
Pró-reitor de desenvolvimento espiritual: Wendel Thomaz Lima 
Pró-reitor de educação a distância: Jonas Rafael Nikolay
Conselho editorial e artístico: Dr. Martin Kuhn; Me. Henrique Romanelli; Dr. Afonso Cardoso; Dr. Carlos Ferri; 
Me. Telson Vargas; Dr. Allan Novaes; Dr. Edilei Lames; Me. Wendel Lima; Dr. Evandro Fávero; 
Dr. Vanderlei Dorneles; Dr. Adriani Mili; Dr. Fabio Alfieri; Dra. Silvia Quadros; Esp. Regiane Cardoso de Oliveira; 
Me. Lucas Alves; Dr. Adolfo Suárez; Me. Edilson Valiante; Me. Diogo Cavalcanti
Editor-chefe: Allan Macedo de Novaes
Engenheira de Produção: Rhayane Storch
Responsável editorial pelo EAD: Regiane Cardoso de Oliveira
1ª Edição, 2021
MOVIMENTOS 
ARTÍSTICOS E 
CULTURAIS
Editora Universitária Adventista 
Engenheiro Coelho, SP
Suzie Signori
Mestrado em artes pela Unicamp
Caetano, Suzie Adriana Signori
Movimentos artísticos e culturais [livro eletrônico] / Suzie Adriana Signori Caetano. -- 1. ed. -- 
Engenheiro Coelho, SP : Unaspress, 2021.
PDF
ISBN 978-65-89942-11-5
1. Arte 2. Cultura 3. História 4. Movimentos artísticos I. Título.
22-97885 CDD-700.7
Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do livro, SP, Brasil)
Índices para catálogo sistemático:
1. Movimentos artísticos e culturais : Artes 700.7
Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964
Movimentos artísticos e culturais
1ª edição – 2021
e-book (pdf)
Coordenação editorial: Luiza Simões 
Revisão: Ana Lessa e Eduan Rodrigues
Projeto gráfico: Ana Paula Pirani 
Capa: Jonathas Sant’Ana
Diagramação: Ana Paula Pirani 
Caixa Postal 88 – Reitoria Unasp
Engenheiro Coelho, SP – CEP 13448-900
Tel.: (19) 3858-5171 / 3858-5172 
www.unaspress.com.br
Editora Universitária Adventista
Validação editorial científica ad hoc:
Ana Paula Pirani Follis
Especialista em fotografia pela Uniara
Conselho editorial e artístico: Martin Kuhn, Telson 
Vargas, Rodrigo Follis, Adolfo Suárez, Afonso Cardoso, 
Allan Novaes, Antônio Marcos Alves, Diogo Cavalcanti, 
Douglas Menslin, Eber Liesse, Edilson Valiante, Fabiano 
Leichsenring, Fabio Alfieri, Gilberto Damasceno, Gildene 
Silva, Henrique Gonçalves, José Prudêncio Júnior, Luis 
Strumiello, Reinaldo Siqueira
Editora associada:
Todos os direitos reservados à Unaspress - Editora Universitária Adventista. Proibida 
a reprodução por quaisquer meios, sem prévia autorização escrita da editora, salvo 
em breves citações, com indicação da fonte.
SUMÁRIO
ARTE MODERNA .................................................... 11
Introdução ........................................................................................12
Impressionismo: germinar da arte moderna, 1870-90 ..................14
Pós-impressionismo: ramificações, 1880-1906 ....................22
Expressionismo ................................................................................32
Die Brücke (a Ponte): a expressividade 
da cor, 1905-1913 ..................................................................33
Der blaue reiter (O cavaleiro azul): 
o som da cor, 1910-1914 .......................................................36
Fauvismo: a intensificação da cor, 1905-1910 .......................38
Cubismo: multiplicidade do olhar, 1907-1914 ...............................42
Fase inicial: a simplificação das formas, 1907-1909 .............45
Fase analítica: a imagem multifacetada, 1909-1912 ............47
Fase sintética: a exploração visual tátil, 1911-1914 ..............49
VO
CÊ
 ES
TÁ
 A
QU
I
Futurismo/ dadaísmo/surrealismo .................................................51
Futurismo: o sonho da velocidade, 1909-1919 .....................52
Dadaísmo: a anarquia em pauta, 1916-1923 ........................55
Surrealismo: o distanciamento da lógica, 1924-1945 ...........59
Construtivismo e bauhaus ...............................................................63
Suprematismo e construtivismo: 
as vanguardas russas, 1915-1925 ..........................................63
Neoplasticismo: a linha e a cor na moda, 1917-1931 ...........68
Bauhaus: reunião de vanguardas, 1919-1933 .......................70
Considerações finais.........................................................................73
Referências .......................................................................................75
ARTE CONTEMPORÂNEA 
E PÓS-MODERNIDADE .......................................... 83
Introdução ........................................................................................84
Expressionismo Abstrato: modus operandi, 1943-1970 ................86
Modus operandi: action painting ...........................................89
Modus operandi: color field ....................................................92
Pop art: consumo das massas, 1956-1970 .....................................95
VO
CÊ
 ES
TÁ
 A
QU
I
Novo realismo, frança.............................................................100
Arte povera, itália ...................................................................104
Op Art / Arte Cinética: movimento da forma, 1950-1970 ............107
Arte cinética: movimento da forma ......................................113
Minimalismo: 1960-1975 .....................................................118
Arte conceitual: jogos mentais, 1967 – dias atuais ..............125
Concretismo e modos de interação: 
alinhamento internacional .............................................................130
Modos de interação: 
performance, imersão participativa ......................................135
Modos de interação: performance, ação interativa ...............138
Modos de interação: happening ............................................140
Modos de interação: instalação .............................................143
Considerações finais........................................................................147
Referências ......................................................................................148
Conceitos da estética e da arte. Principais escolas 
e movimentos artísticos, literários e culturais da 
modernidade e contemporaneidade. A arte, a cultura 
e o contexto social, político e ideológico de sua 
produção. A arte afro-brasileira e questão étnico-racial 
e indígena na arte nacional. A arte como mercadoria e 
as formas de reprodução.
EMENTA
UNIDADE 1
ARTE MODERNA
12
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
INTRODUÇÃO
Bem-vindo(a) à arte moderna! 
Você já deve ter escutado a pergunta: “nossa, isso é arte? 
até eu faço!” Ou em rodas de conversa, já ouviu afirmações 
como: “nossa, que moderno!”. São questionamentos e 
afirmações que transitam nos corredores de uma galeria, de um 
museu de arte moderna ou contemporâneabr/wp-content/uploads/2019/04/nesting-tables-albers-sq-1-
1024x1024.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
ARGAN, G. C. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das 
Letras, 1992.
BOCCIONI, U. Carga dos lanceiros. 1915. 1 pintura à óleo. 
Disponível em: https://uploads0.wikiart.org/images/umberto-
boccioni/the-charge-of-the-lancers-1915.jpg!Large.jpg. Acesso 
em: 02 maio 2024.
BRAQUE, G. Casas de L´estaque. 1908. 1 pintura à óleo. 
Disponível em: https://uploads8.wikiart.org/images/georges-
braque/houses-at-estaque-1908.jpg!Large.jpg. Acesso em: 02 
maio 2024.
BRAQUE, G. O português. 1911. 1 pintura à óleo. Disponível 
em: https://uploads1.wikiart.org/images/georges-braque/
portuguese-1911.jpg!Large.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
http://italianleather.com.br/wp-content/uploads/2019/04/nesting-tables-albers-sq-1-1024x1024.jpg
http://italianleather.com.br/wp-content/uploads/2019/04/nesting-tables-albers-sq-1-1024x1024.jpg
http://italianleather.com.br/wp-content/uploads/2019/04/nesting-tables-albers-sq-1-1024x1024.jpg
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https://uploads8.wikiart.org/images/georges-braque/houses-at-estaque-1908.jpg!Large.jpg
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https://uploads1.wikiart.org/images/georges-braque/portuguese-1911.jpg!Large.jpg
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76
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
BREUER, M. Cadeira Wassily. 1925. Cadeira em couro e aço 
inoxidável. Disponível em: http://italianleather.com.br/
wp-content/uploads/2019/04/bauhaus-wassily-chair-sq-1-
1024x1024.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
CÉZANNE, P. A montanha Sainte-Victoire com grande 
pinheiro. 1887. Pintura à óleo. Disponível em: https://upload.
wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/92/Mont_Sainte-
Victoire_with_Large_Pine%2C_by_Paul_C%C3%A9zanne.
jpg/800px-Mont_Sainte-Victoire_with_Large_Pine%2C_by_
Paul_C%C3%A9zanne.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
CHIPP, H. B. Teorias da Arte Moderna. São Paulo: Martins 
Fontes, 1996. 
CORTELAZZO, R. A história da arte por meio da leitura de 
imagens. Curitiba: Intersaberes, 2012.
DEGAS, E. A aula de dança. 1874. Pintura à óleo. Disponível 
em: https://collectionapi.metmuseum.org/api/collection/v1/
iiif/438817/2007191/main-image. Acesso em: 02 maio 2024.
http://italianleather.com.br/wp-content/uploads/2019/04/bauhaus-wassily-chair-sq-1-1024x1024.jpg
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77
ARTE MODERNA
DUCHAMP, M. A fonte. 1917. 1 fotografia documental de réplica 
do original destruído. Disponível em: https://upload.wikimedia.
org/wikipedia/commons/thumb/f/f6/Duchamp_Fountaine.
jpg/569px-Duchamp_Fountaine.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
FRIEDEL, H. The Blue Rider. Munich: Prestel Verlag, 2007. 
GAUGUIN, P. Visão após sermão, ou Jacó em luta com o anjo. 
1888. Pintura à óleo. Disponível em: https://upload.wikimedia.
org/wikipedia/commons/thumb/5/5e/Paul_Gauguin_137.
jpg/760px-Paul_Gauguin_137.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. 
GOMPERTZ, W. Isso é arte? 150 anos de arte moderna do 
impressionismo até hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
HIROSHIGE, U. Parque das ameixas em kameido da série 
100 vista famosas de Edo. 1857. Xilogravura em cores. 
Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/archive/d/db/20160227182451%21Hiroshige_
Pruneraie_%C3%A0_Kameido.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
IMPRESSIONISMO. Disponível em: DICIONÁRIO Michaelis-
Online. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2021. Disponível 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f6/Duchamp_Fountaine.jpg/569px-Duchamp_Fountaine.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f6/Duchamp_Fountaine.jpg/569px-Duchamp_Fountaine.jpg
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78
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/
portugues-brasileiro/impressionismo. Acesso em: 02 maio 2024. 
JANSON, H. W. História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
KANDINSKY, W. Improvisação VI (Africano). 1909. 
Pintura à óleo. Disponível em: https://upload.wikimedia.
org/wikipedia/commons/thumb/f/f4/Wassily_
Kandinsky_-_Improvisation_6_%28Afrikanisches%29_-_
GMS_56_-_Lenbachhaus.jpg/535px-Wassily_Kandinsky_-_
Improvisation_6_%28Afrikanisches%29_-_GMS_56_-_
Lenbachhaus.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
KIRCHNER, E. L.. Moças nuas conversando. 1909. 
Pintura à óleo. Disponível em: https://upload.wikimedia.
org/wikipedia/commons/thumb/4/4e/Kirchner_-_
Nackte_M%C3%A4dchen_unterhalten_sich.jpg/800px-
Kirchner_-_Nackte_M%C3%A4dchen_unterhalten_sich.jpg. 
Acesso em: 02 maio 2024.
MAGRITTE, R. Traição das imagens. 1929. Pintura à óleo. 
Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
en/b/b9/MagrittePipe.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/impressionismo
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/impressionismo
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f4/Wassily_Kandinsky_-_Improvisation_6_%28Afrikanisches%29_-_GMS_56_-_Lenbachhaus.jpg/535px-Wassily_Kandinsky_-_Improvisation_6_%28Afrikanisches%29_-_GMS_56_-_Lenbachhaus.jpg
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https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/b/b9/MagrittePipe.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/b/b9/MagrittePipe.jpg
79
ARTE MODERNA
MALEVICH, K. Quadrado negro. 1915. Pintura à óleo. 
Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/
File:Kazimir_Malevich,_1915,_Black_Suprematic_Square,_
oil_on_linen_canvas,_79.5_x_79.5_cm,_Tretyakov_Gallery,_
Moscow.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
MATISSE, H. Harmonia em vermelho (A sala vermelha). 
1908. Pintura à óleo. Disponível em: https://www.
hermitagemuseum.org/wps/wcm/connect/ecaaeb7d-
abc3-42b8-be41-b2415c7eec16/WOA_IMAGE_1.
jpg?MOD=AJPERES&bcd71ee9-76b5-4bd3-b3f9-67753346139f. 
Acesso em: 02 maio 2024.
MONDRIAN, P. Composição II com vermelho, azul e amarelo. 
1930. Pintura à óleo. Disponível em: https://commons.
wikimedia.org/wiki/File:Piet_Mondriaan,_1930_-_Mondrian_
Composition_II_in_Red,_Blue,_and_Yellow.jpg. Acesso em: 02 
maio 2024.
MONET, C. Impressão, nascer do sol. 1872-73. Pintura à 
óleo. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/
File:Soleil_levant_Claude_Monet.jpg. Acesso em: 02 maio 2024.
MUNCH, E. O grito.1893. Pintura. Disponível em: https://
upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/86/
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kazimir_Malevich,_1915,_Black_Suprematic_Square,_oil_on_linen_canvas,_79.5_x_79.5_cm,_Tretyakov_Gallery,_Moscow.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kazimir_Malevich,_1915,_Black_Suprematic_Square,_oil_on_linen_canvas,_79.5_x_79.5_cm,_Tretyakov_Gallery,_Moscow.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kazimir_Malevich,_1915,_Black_Suprematic_Square,_oil_on_linen_canvas,_79.5_x_79.5_cm,_Tretyakov_Gallery,_Moscow.jpg
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https://www.hermitagemuseum.org/wps/wcm/connect/ecaaeb7d-abc3-42b8-be41-b2415c7eec16/WOA_IMAGE_1.jpg?MOD=AJPERES&bcd71ee9-76b5-4bd3-b3f9-67753346139f
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Piet_Mondriaan,_1930_-_Mondrian_Composition_II_in_Red,_Blue,_and_Yellow.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Piet_Mondriaan,_1930_-_Mondrian_Composition_II_in_Red,_Blue,_and_Yellow.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Piet_Mondriaan,_1930_-_Mondrian_Composition_II_in_Red,_Blue,_and_Yellow.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Soleil_levant_Claude_Monet.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Soleil_levant_Claude_Monet.jpg
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80
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
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https://www.moma.org/learn/moma_learning/meret-oppenheim-object-paris-1936/
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81
ARTE MODERNA
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VAN GOGH, V. Troncos de árvores na grama. 1890. Pintura à 
óleo. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
https://www.tate.org.uk/art/art-terms/r/readymade
https://www.tate.org.uk/art/art-terms/r/readymadehttps://pt.wikipedia.org/wiki/O_Almo%C3%A7o_dos_Barqueiros
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https://www.moma.org/collection/works/16455
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http://www.vangoghletters.org/vg/letters/let688/letter.html
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https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/84/Vincent_van_Gogh_-_Bloeiende_pruimenboomgaard-_naar_Hiroshige_-_Google_Art_Project.jpg/504px-Vincent_van_Gogh_-_Bloeiende_pruimenboomgaard-_naar_Hiroshige_-_Google_Art_Project.jpg
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82
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
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VLAMINCK, M. d. Restaurant de la machine à bougival. 1905. 
Pintura à óleo. Disponível em: https://uploads0.wikiart.org/
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WAGENFELD,W. e JUCKER, C. J. Lâmpada MT8. 1924. 
Luminária. Disponível em: http://italianleather.com.br/wp-
content/uploads/2019/04/mt8-lamp-sq-1-1024x1024.jpg. 
Acesso em: 02 maio 2024.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/23/Tree_trunks_in_the_grass.jpg/765px-Tree_trunks_in_the_grass.jpg
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	Arte moderna
	Introdução
	Impressionismo: 
germinar da arte 
moderna, 1870-90
	Pós-impressionismo: ramificações, 1880-1906
	Expressionismo
	Die Brücke (a Ponte): a expressividade 
da cor, 1905-1913
	Der blaue reiter (O cavaleiro azul): 
o som da cor, 1910-1914
	Fauvismo: a intensificação da cor, 1905-1910
	Cubismo: multiplicidade 
do olhar, 1907-1914
	Fase inicial: a simplificação 
das formas, 1907-1909
	Fase analítica: a imagem 
multifacetada, 1909-1912
	Fase sintética: a exploração 
visual tátil, 1911-1914
	Futurismo/ dadaísmo/surrealismo
	Futurismo: o sonho da velocidade, 1909-1919
	Dadaísmo: a anarquia em pauta, 1916-1923
	Surrealismo: o distanciamento 
da lógica, 1924-1945
	Construtivismo e bauhaus
	Suprematismo e construtivismo: 
as vanguardas russas, 1915-1925
	Neoplasticismo: a linha e a cor 
na moda, 1917-1931
	Bauhaus: reunião de vanguardas, 1919-1933
	Considerações finais
	Referências
	Arte contemporânea 
e Pós-modernidade 
	Introdução
	Expressionismo 
Abstrato: modus 
operandi, 1943-1970
	Modus operandi: action painting
	Modus operandi: color field
	Pop art: consumo 
das massas, 1956-1970
	Novo realismo, frança
	Arte povera, itália
	Op Art / Arte Cinética: 
movimento da forma, 1950-1970
	Arte cinética: movimento da forma
	Minimalismo: 1960-1975
	Arte conceitual: jogos 
mentais, 1967 – dias atuais
	Concretismo e modos de interação: 
alinhamento internacional
	Modos de interação: 
performance, imersão participativa
	Modos de interação: 
performance, ação interativa
	Modos de interação: happening
	Modos de interação: instalação
	Considerações finais
	Referênciasou em um diálogo 
informal, depois de visitar uma exposição que tenha causado 
estranhamento. Revelam um pouco de nós, da nossa história 
e de nossas aproximações ou afastamentos com essa coisa 
chamada arte moderna e arte contemporânea. 
Um mergulho na história da arte moderna pode nos 
dar pistas para compreendermos o que é arte. Para isso, 
convido você a mergulhar e navegar comigo no rico período 
em experimentações, que lançaram os fundamentos às 
possibilidades visuais que vivenciamos hoje: a arte moderna. 
Neste material, exercitaremos nosso olhar sobre alguns 
dos famosos “ismos”. Nos lançaremos em um mergulho, 
rompendo as águas com o impressionismo e seguiremos 
13
ARTE MODERNA
alguns dos principais movimentos da vanguarda europeia que 
marcaram o período do fim do século 19 à metade do século 20. 
O conteúdo vem recheado de imagens, a fim de facilitar a 
compreensão dos assuntos que estaremos analisando. Para um 
melhor aproveitamento de sua capacidade perceptiva, sugiro que, 
a cada imagem, dedique um momento para apreciar, perceber 
detalhes da obra e para seguir a leitura, estabelecendo associações 
e conexões internas com aquilo que você percebeu na obra. 
Ao final do conteúdo, esperamos que nossa trajetória 
propicie a aprendizagem de algumas nuances da arte moderna 
e que você tenha autonomia para diferenciar seus principais 
movimentos. Navegaremos em especial no:
• impressionismo;
• expressionismo;
• cubismo;
• futurismo, surrealismo e dadaísmo;
• construtivismo e bauhaus.
Vamos dar um salto no tempo e na história? 
Bons estudos!
14
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
IMPRESSIONISMO: 
GERMINAR DA ARTE 
MODERNA, 1870-90
Segundo o verbete do dicionário 
Michaelis on-line (2021), impressionismo 
é um termo raramente utilizado como 
fenômeno sensório, e intimamente ligado 
ao movimento artístico que envolveu 
a música, literatura e artes visuais com 
origem em Paris, no século 19. Para 
de iniciarmos essa jornada, como um 
mergulhador, antes do salto, convêm 
observarmos o terreno, apreciarmos 
os horizontes e, então, em um respiro 
concentrado e profundo, nos lançarmos 
neste mergulho através da imagem e sua 
transformação no decorrer dos últimos 
150 anos. Convido você a voltar no 
tempo e atravessar o portal que nos leva 
à Belle Epóche. 
Em 15 abril de 1874, no Café 
Gerbouis ― local de calorosas discussões 
BELLE EPÓCHE
Fase de euforia e despreocu-
pação vivida especificamente 
na Europa, entre 1871 (fim da 
guerra franco-prussiana) e 1914 
(início da primeira guerra mun-
dial). Se caracterizou pela gran-
de produção artística, literária e 
desenvolvimento tecnológico 
para as artes visuais.
15
ARTE MODERNA
e planejamentos artísticos, ponto de encontro tradicional 
entre artistas, escritores e críticos de arte parisienses no 
século 19 ― à véspera da inauguração, um grupo de jovens 
artistas entusiasmados se reunia, para os últimos detalhes 
da mostra. Suas obras, rejeitadas pelo júri do salão oficial de 
Paris, encontraram no ateliê do fotógrafo Nadar, espaço para 
realização da mostra expositiva, um evento que se tornou o 
estopim de uma nova era no campo das artes visuais. 
A exposição contou com cerca de 30 artistas, e na comissão 
de organização estavam: Pissaro, Monet, Sisley, Degas, 
Renoir, Cézanne, Guillaumin e Berthe Morisot. Esses artistas 
apresentaram ao público uma pintura mais solta, livre das 
regras de representação fiel, consagradas pela academia. O 
resultado dessa liberdade? Uma crítica acirrada de Louis Leroy 
em jornal menciona a exposição como de impressionistas. 
A acidez do termo proposto por Leroy é explicado pelo 
historiador E.H. Gombrich: impressionistas
quis significar […] que esses pintores não trabalhavam com 
base num sólido conhecimento e pensavam que a impressão 
de um fugaz momento era suficiente para chamarem a seus 
quadros uma pintura. O rótulo pegou. A intenção zombeteira 
depressa foi ignorada […] algum tempo depois, o próprio 
grupo de amigos aceitou o nome de impressionistas, e como tal 
passaram a ser conhecidos até hoje (GOMBRICH, 2000, p. 498).
16
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
De crítica sarcástica à denominação do grupo, o termo 
impressionismo tomou corpo de movimento e seus integrantes, 
cada vez mais cientes de seu papel como artistas, mergulharam 
em pesquisas voltadas não à reprodução fiel da realidade e sim 
na luminosidade e composição. 
Para compreender essa interrupção com a representação, 
convém recordar que em meados do século 19, houve o 
desenvolvimento de uma série de aparatos e inovações 
tecnológicas, entre eles, dois foram fundamentais para os 
impressionistas. O primeiro, de ordem prática, se refere ao 
desenvolvimento e comercialização de bisnagas de tinta à óleo, 
deram liberdade ao artista para pintar ao ar livre. E o segundo, 
de ordem técnica e visual, a fotografia, recurso tecnológico de 
libertação das artes visuais da pura e imediata representação da 
realidade.
Os jovens artistas, amparados pelos frutos da revolução 
industrial, saem com telas e tintas para os campos. A fim 
de explorar a luminosidade e atmosfera dos ambientes, 
recorreram, muitas vezes, à fotografia como embasamento e 
inseriram um novo modo de representação. 
São característicos deste novo modo de pintar: a suspensão 
dos contornos e dos claros-escuros, em favor de pinceladas 
17
ARTE MODERNA
curtas e justapostas, com a exploração da luminosidade e o uso 
de cores complementares e, em especial, a pintura ao ar livre. 
Vamos nos debruçar sobre três obras ícones do movimento 
impressionista para entendermos um pouco mais desta relação 
entre luminosidade e representação. 
NA PRÁTICA
Até meados do século 19, os artistas produziam suas próprias tintas, em 
ateliês muito parecidos com laboratórios de alquimia, repletos de poções, 
pigmentos, óleos e essências. Os elementos químicos necessitavam ser 
pacientemente separados, pesados, misturados. Foi somente em 1841 
que criaram o primeiro tubo de tinta em estanho e selado uma rosca 
de fácil abertura e fechamento (bisnagas de tinta à óleo). E em 1850, já 
estava sendo produzido comercialmente. Essa disponibilidade ofereceu 
aos artistas duplo benefício: a experimentação de novos tons e a saída 
dos ateliês para a pintura ao ar livre. 
Iniciamos com a pintura que dá nome ao movimento 
impressão, nascer do sol, de Monet (figura 1). Essa pintura de 
Monet, de um porto ao norte da França, com ausência de 
detalhes, se comparada às pinturas clássicas da época, parecem 
camadas mal acabadas, mais próximas de um esboço. Por isso, 
o desconforto causado ao crítico Leroy e público acostumado às 
pinturas acadêmicas. 
18
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Figura 1 - Claude Monet. Impressão, nascer do sol 
Fonte: Wikimedia Commons (MONET, c. 1872-73)
Os impressionistas, como grupo, tinham por interesse as 
impressões sensoriais da realidade. Para isso, realizavam as 
misturas cromáticas na própria tela, em pequenas manchas de 
cor; realizavam suas pinturas ao ar livre; substituíam temáticas 
históricas, mitológicas e religiosas, comuns na academia, para 
perpetuação dos momentos cotidianos e fugazes. 
Um excelente exemplar dessa nova temática associada a 
momentos fugazes é O Almoço dos barqueiros, de Renoir (figura 
2). Note as pinceladas soltas, a suavidade e despretensão do 
tema. Tal qual um fotógrafo, o pintor captura um instante 
corriqueiro, e nosso olhar é convidado a percorrer a cena, 
passeando entre os personagens ali representados com 
contornos difusos, característicos dos impressionistas. 
19
ARTE MODERNA
Figura 2 – August Renoir. O Almoço dos barqueiros 
Fonte: Wikipedia (RENOIR, 1880-81)
Edgar Degas, outro artista integrante do movimento 
impressionista, se diferencia dos demais. Devido ao problema 
ocular, Degas evita os espaços externos, revelando os cotidianos 
internos, sobretudo dos palcos, das coxias dos espetáculos e 
das aulas de dança. A exploração da luz e do movimento vem 
por ele,dos espaços internos, como em A aula de dança (figura 
3). Essa pintura apresenta um grupo de bailarinas e suas mães 
aguardando enquanto uma bailarina ao centro executa uma 
cena de dança, sob o olhar implacável do mestre. 
Nosso olhar percorre do canto inferior direito, próximo a 
um contrabaixo e pedestal, vagueando a seguir pelas bailarinas. 
Essa composição em diagonal, incomum na academia, revela 
um estudo prévio da cena, talvez pela fotografia, na captura dos 
20
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
gestos espontâneos, naturais e corriqueiros ou pela influência 
da nova representação do mundo vinda do Oriente, o Ukiyo-ê. 
Figura 3 – Edgar Degas. A aula de dança 
Fonte: MetMuseum (DEGAS, 1874)
Ukiyo-ê significa retratos do mundo flutuante, referem-
se a reproduções de xilogravuras (gravuras em madeira) 
japonesas, em cor. O Ukiyo-ê começou a ser difundido na 
Europa a partir de 1850, com a abertura do Japão ao comércio 
e intercâmbio cultural internacional. Essas gravuras, exibidas 
nas feiras mundiais de Paris (exposição universal 1855, 1867, 
1878), ganharam atenção dos impressionistas, em especial a dos 
mestres do Ukiyo-ê: Hiroshige e Hokusai.
21
ARTE MODERNA
Perspectivas diferenciadas, pontos de vista aéreo acentuados, 
estrutura diagonal, composições assimétricas e simplicidade 
estilizada, quase de uma história em quadrinhos, conferem a 
estas gravuras o efeito voyeurístico que encantava e encanta 
multidões. O Ukiyo-ê influenciou vários impressionistas entre eles 
Monet, Degas e o impetuoso Van Gogh. 
SAIBA MAIS
Vale a pena uma visita virtual as coleções de Ukiyo-ê 
acessando Google Arts&Culture. 
Disponível em: https://artsandculture.google.com/sear-
ch?q=ukiyo-e. Acesso em: 02 maio 2024. 
Estes três artistas aqui visitados evocam, como os demais 
impressionistas, o sentido da Belle Epóque, caracterizado pelo 
otimismo diante da vida, uma busca por retratar a efemeridade 
e a fugacidade, com pinceladas leves, cores suaves e contornos 
indefinidos. Toda essa aparente despretensão e efemeridade 
do impressionismo produziu um efeito catalizador: agregou 
artistas e pesquisas fundamentais que desabrocham em vários 
movimentos vanguardistas, no início do século 20. 
https://artsandculture.google.com/search?q=ukiyo-e
https://artsandculture.google.com/search?q=ukiyo-e
22
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
PÓS-IMPRESSIONISMO: RAMIFICAÇÕES, 1880-1906
O termo pós-impressionista foi cunhado pelo crítico de arte 
britânico Roger Eliot Fry, para designar as obras expostas em 
1910 na Grafton Galleries, em Londres. Na exposição, estavam 
pinturas de Cézanne, Van Gogh, Gauguin e Seraut. 
Nenhum dos quatro artistas que hoje conhecemos como 
pós-impressionistas teria se autodenominado assim. Não 
porque Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Georges Seurat e 
Paul Cézanne desdenhassem ou reprovassem a expressão. 
Ocorre simplesmente que ela foi cunhada muito depois 
de eles terem morrido (GOMPERTZ, 2013, p. 70).
Três artistas, atualmente caracterizados como pós-
impressionistas, tiveram suas primeiras incursões, nas 
investigações visuais, dentro do impressionismo. Essas pesquisas 
impeliram a diferentes direções e acabaram por fundamentar 
três importantes vertentes da arte moderna. Van Gogh, Cézanne 
e Gauguin, tornam-se agora nosso foco de atenção, para deles 
seguirmos para as vertentes que impulsionaram. 
VICENT VAN GOGH
Van Gogh foi um artista ímpar. Quase nada que produziu 
conseguiu vender, com pinturas arrebatadoras aos olhos 
contemporâneos. Porém, em seu período, era tido por estranho, 
23
ARTE MODERNA
triste e exagerado pintor. Dolorosamente, sua trajetória de vida 
incluiu loucura, orelha cortada, depressão e suicídio. Integrado 
inicialmente com os impressionistas, sua produção ia além do 
estudo da incidência da luz sobre os objetos. 
Van Gogh buscava a expressividade da cor, tomando uma 
vertente mais subjetiva, humana, emocional e sentimental. Parte 
de sua produção é hoje conhecida pelo grande público como: 
Autorretrato com orelha cortada (1888), O quarto em arles (1888) e 
Noite estrelada (1889), em que a dança emocionada da cor tem 
sido vista e explorada como na mostra imersiva de Van Gogh ― 
que tem percorrido o mundo desde 2019 - ou pela publicidade 
de produtos promocionais - canecas, roupas, acessórios - e 
tantas outras possibilidades que optamos por não discuti-las 
aqui. Iremos nos ater a um estudo estético sobre o qual Van 
Gogh se debruçou com afinco, o Ukiyo-ê. Em uma de suas cartas 
a seu irmão Theo, Van Gogh escreve:
Se estudarmos a arte japonesa, veremos um 
homem que é indubitavelmente sábio, filósofo 
e inteligente, que passa o tempo fazendo o que? 
(...) Estudando uma única folha de grama.
Mas essa folha de grama leva-o a desenhar todas as plantas, 
depois as estações, os amplos aspecto das paisagens... (...) 
invejo aos japoneses a extrema clareza que tudo tem em seu 
trabalho, ela não é nunca tediosa, nunca parece feita às pressas. 
24
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Seu trabalho é tão simples quanto a respiração, e eles fazem 
um rosto com poucos traços seguros, com a mesma facilidade 
como se estivessem abotoando uma roupa (CHIPP, 1996, p. 35).
Observemos um de seus estudos da gravura japonesa 
Ameixa em flor (após Hiroshige) (figura 4). Van Gogh, como 
um aluno empenhado, procura extrair o máximo da essência 
compositiva da gravura. Porém, no quesito cor, não se restringe 
às cores do original. Ele deixou-as mais quentes e acrescentou 
molduras laterais, em amarelo com a finalidade de intensificar 
o vermelho da composição. Aprecie a ameixeira da gravura 
original Parque das ameixas em Kameido (figura 5) de Hiroshige. 
A inserção de um elemento no primeiro plano - apresentado 
apenas partes dele e não o todo - era um tipo de composição 
incomum aos olhos ocidentais e foi a grande aula compositiva 
para Van Gogh, lição aplicada em várias obras posteriores.
Para fecharmos nossa leitura a respeito do aprendizado 
de Van Gogh, observemos Troncos de árvores na grama 
(figura 6). Uma pintura no qual o olhar percorre uma 
diagonal ascendente da esquerda para a direita com ênfase 
no primeiro plano ― troncos e grama ― e uso da diagonal, 
confere um poderoso efeito espacial, certamente resultado de 
seus estudos compositivos do Ukiyo-ê. 
25
ARTE MODERNA
Figura 4 – Vincent Van Gogh. Ameixa em flor (após Hiroshige)
Fonte: Wikimedia Commons (VAN GOGH, 1887)
Figura 5 – Utagawa Hiroshige. Parque das ameixas em Kameido da série 100 vista famosas de Edo
Fonte: (HIROSHIGE, 1857) 
A pincelada emplastada, carregada de matéria, tão característica 
das pinturas de Van Gogh, aqui se anunciam preenchendo todo o 
26
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
espaço da tela. Essa é a essência de Van Gogh, um pintor marcado 
pelo anseio intenso de exalar, em sua produção visual, aquilo que 
sentia profundamente, expressos em volumes de tinta e cor, em um 
movimento ziguezagueante do olhar.
Figura 6 – Vincent Van Gogh. Troncos de árvores na grama 
Fonte: Wikimedia Commons (VAN GOGH, 1890)
SAIBA MAIS
Curioso(a) para conhecer mais obras de Van Gogh? Faça 
uma visita virtual ao museu Van Gogh em Amsterdã/ Ho-
landa. Observe e procure, entre as obras, aquelas com tra-
ços compositivos do Ukyio-ê, tão apreciado pelo artista! 
Disponível em: https://www.vangoghmuseum.nl/en/
collection?q=&artist=Vincent%20van%20Gogh. Acesso 
em: 02 maio 2024. 
https://www.vangoghmuseum.nl/en/collection?q=&artist=Vincent%20van%20Gogh
https://www.vangoghmuseum.nl/en/collection?q=&artist=Vincent%20van%20Gogh
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ARTE MODERNA
PAUL CÉZANNE
Cézanne, outro pós-impressionista importante para os 
movimentos posteriores, diferente de Van Gogh, apresentava 
interesse na visão, no modo de ver as coisas e não no modo 
de expressar os dilemas. Para Cézanne ver não é acreditar, 
é questionar! Essa intuição filosófica o levou a pesquisar, na 
pintura, o que vemos e como vemos. 
Nós, seres humanos, raciocinou Cézanne, temos visão 
binocular:temos dois olhos. Mais ainda, nossos olhos 
esquerdo e direito não registram informações visuais 
idênticas (embora nosso cérebro reúna as duas em uma só 
imagem). Cada olho vê as coisas de maneira ligeiramente 
diferente. Além disso, tendemos a ser irrequietos. Quando 
examinamos um objeto, ficamos nos movendo – esticamos 
o pescoço, inclinamo-nos para o lado, curvamo-nos para a 
frente e nos levantamos. No entanto, a arte era (e é) produzida 
quase exclusivamente como se vista através de uma lente 
única, estática. Esse, Cézanne deduziu, era o problema com 
a arte de seu tempo e do passado: ela não representava 
o modo como realmente vemos, que não é de uma única 
perspectiva, mas de pelo menos duas. A porta para o 
modernismo havia sido aberta (GOMPERTZ, 2013, p. 99).
Cézanne, ao encarar o problema de frente, começou a 
inserir em suas pinturas o mesmo tema visto em dois ângulos 
diferentes. Entra em cena a simplificação, o enxugamento e 
28
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
abandono da perspectiva tradicional em prol de uma visão 
binocular que se ampliaram no cubismo, mas isso já é uma 
outra história. 
Para tentar entender um pouco deste artista observemos A 
Montanha de Sainte-Victoire (figura 7). Na pintura, a montanha 
parece ser emoldurada pelo grande pinheiro no primeiro plano, 
cujos ramos se estendem e seguem o contorno da montanha, 
recurso visual muito semelhante às gravuras japonesas 
(Ukiyo-ê). O olhar segue do pinheiro à montanha fazendo um 
breve retorno às casas próximas ao tronco do pinheiro, este 
circuito elipsado, parece deter o observador a tela. 
Figura 7 – Paul Cézanne. A Montanha Sainte-Victoire com grande pinheiro
Fonte: Wikimedia Commons (CÉZANNE, c. 1887)
As breves insinuações de edifícios e casas parecem 
reduzir-se numa simplificação tal, que o artista escreve ao seu 
29
ARTE MODERNA
amigo Émile Bernard: “Permita-me repetir o que lhe disse 
… trate a natureza por meio do cilindro, da esfera, do cone.” 
(CHIPP, 1996, p. 15). Aqui, na Montanha de Saint-Victorie, 
sua ideia de simplificar a natureza através de elementos 
geométricos torna-se visível. 
A abordagem de Cézanne era de difícil compreensão 
ao olhar, sobretudo de um público acostumado com 
representações fiéis da natureza, oriundas ainda da velha 
academia. Porém, aos jovens artistas, do início do século 
20, as observações de Cézanne lançaram raízes profundas e 
transformadoras nas futuras gerações.
PAUL GAUGUIN
Gauguin completa a tríade dos pós-impressionistas que 
abriram caminho para diferentes vertentes artísticas, no início 
do século. 
Gauguin criou sua própria lenda, a do artista que se põe 
contra a sociedade de sua época e dela foge para reencontrar 
numa natureza e entre pessoas não corrompidas pelo 
progresso a condição de autenticidade ingenuidade 
primitivas, quase mitológicas, na qual ainda pode 
desabrochar a flor da poesia, agora exótica, que é destruída 
pelo clima da Europa Industrial (ARGAN, 1992, p. 130).
30
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Apreciador de Cézanne e admirado por seu amigo Van 
Gogh, Gauguin seguiu o impressionismo com reservada 
distância. Sua exploração visual não se dá no campo das 
sensações físicas, mas na busca pelas origens e motivos 
remotos de tais sensações. Gauguin busca expor a dimensão 
da imaginação. Suas obras são parcialmente ambientadas 
no mundo real e servem como artifícios narrativos para a 
dimensão simbólica dos elementos ali colocados. 
Para compreendermos melhor, vamos nos debruçar sobre a 
Visão após sermão, ou Jacó em luta com o anjo (figura 8).
Figura 8 – Paul Gauguin. Visão após sermão, ou Jacó em luta com o anjo 
Fonte: Wikimedia Commons (GAUGUIN, 1888)
Pintura realizada no período em que residiu com 
Van Gogh, na Bretanha. A narrativa visual é mergulhada 
31
ARTE MODERNA
em intertextualidade, do cotidiano dominical bretão com 
passagem bíblica de Gênesis 32: 22-32. Acerca dessa pintura 
Gauguin escreve a Van Gogh: 
Para mim, a paisagem e a luta existem apenas na imaginação 
das pessoas em oração após o sermão; é por isso que há um 
contraste entre as pessoas reais e a luta livre em sua paisagem, 
não real e desproporcional (VAN GOGH, 1888, on-line).
O editor de artes da BBC narra sobre a leitura desta obra: 
As mulheres estão de pé no primeiro plano, de costas para o 
espectador, vendo Jacó lutar corpo a corpo com o mensageiro 
de Deus. Elas são mostradas realisticamente vestidas com as 
toucas brancas cerimoniais e túnicas pretas tradicionais das 
camponesas bretãs; nada de controverso com relação a isso. 
Mas é aí que nos damos conta de que Gauguin usou uma paleta 
tão sóbria para se divertir um pouco com o resto da pintura…
O artista escolheu uma única cor, chocante, para descrever o 
campo em que o anjo alado (dourado) e Jacó lutam. Numa 
tentativa de refletir o devaneio religioso que está sendo 
experimentado pelas mulheres, ele pintou a relva de um vívido 
vermelho-alaranjado; uma cor que domina a composição 
como uma criança se esgoelando numa biblioteca. Ora, 
Gauguin estava na Bretanha, no norte da França, quando 
pintou Visão após o sermão, um lugar onde não existe 
32
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
nenhum campo de um vermelho-alaranjado vivo. Sua seleção 
de cores obedeceu a critérios simbólicos e decorativos; 
Gauguin escolheu abrir mão da autenticidade em favor da 
alegoria teatral e da composição (GOMPERTZ, 2013, p. 83).
Essa combinação simbólica, supersticiosa e narrativa 
confere um caráter onírico que se faz presente em toda sua obra. 
E, anunciatória das vertentes simbólicas do século 20, entre elas: 
a pintura metafísica, o fauvismo e o surrealismo. 
Para concluir, lembremos a lição deixada por estes três 
pós-impressionistas: a atitude emocional com Van Gogh; a 
estrutura formal da obra com Cézanne e o reino da imaginação 
com Gauguin, que sucessivamente indicarão os caminhos das 
tendências expressionistas, abstracionistas e surrealistas. 
EXPRESSIONISMO
Foram nos anos entre 1901 e 1906 que aconteceram 
várias mostras de Van Gogh, Cézanne e Gauguin acessíveis 
ao grande público. O otimismo da Belle Epóche do fim de 
século 19 deu lugar a uma atmosfera mórbida e negativa, 
na qual desenvolveu o movimento que conhecemos por 
expressionismo. O expressionismo foi um fenômeno europeu 
com movimentos distintos surgidos em 1905: na França, os 
33
ARTE MODERNA
Fauves (Feras) e na Alemanha com o die brücke (a ponte) e o der 
blaue reiter (o cavaleiro azul). 
DIE BRÜCKE (A PONTE): A EXPRESSIVIDADE 
DA COR, 1905-1913
Na Alemanha, do início do século, os grupos constituídos 
pelo Die brücke e o Der blaue reiter tinham por mestres: o 
holandês Van Gogh e o norueguês Munch. As lições absorvidas 
de Van Gogh da expressividade da cor e deformação dos 
objetos conduziram Munch a executar O grito (figura 9), pintura 
que, por sua vez, anuncia as deformações exploradas em 
intensidade dentro do movimento expressionista. Na pintura, 
a figura andrógina, retratada em momento de profunda 
angústia e desespero, faz “alusão à continuidade do tempo, 
ao transcurso da vida, à inevitabilidade do destino” (ARGAN, 
1992, p. 258).
Observemos a fluidez das linhas, as cores fortes, 
contrastantes, uma aparente mistura de terror e súplica 
se fazem expressos na figura distorcida. A imagem, longe 
de tentar impressionar o olhar, tem interesse em penetrar 
profundamente na mente daqueles que a apreciam. Essa 
34
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
força quase bruta e irracional, parece anunciar os horrores 
futuros da guerra.
Figura 9 – Edvard Munch. O grito’
Fonte: Wikipedia (MUNCH, 1893)
Na Alemanha de 1905, fortes contrastes e tensões 
sociais refletiam os desajustamentos e problemas sociais. 
Neste clima, um grupo de jovens integram e formam Die 
brücke, ancorados nas lições visuais absorvidas de Van 
Gogh e Munch. A intenção do grupo era estabelecer uma 
passagem -uma ponte- entre a arte de seu tempo e a arte 
que havia de vir, deixando de lado arepresentação fiel 
da natureza. Na prática, colocaram a figura humana em 
35
ARTE MODERNA
destaque, reduzindo-a ao essencial, com formas simples e 
deformadas, realçaram a intensidade das cores na pintura 
– contrastadas, saturadas e complementares - e finalizaram 
com linhas de contorno.
Um exemplo dessa prática é a pintura Moças nuas 
conversando (figura 10) de Kirchner. Com aplicação rápida de 
cores puras e brilhantes em amplas áreas e o preto acentuado 
dos contornos, Kirchner expõe a temática de uma juventude 
tímida e desajeitada, revelada nos corpos retraídos das jovens 
isoladas em sua condição frágil ao desnudar, tudo se expressa 
numa composição deformada e angulosa. 
Figura 10 – Ernest Ludwig Kirchner. Moças nuas conversando
Fonte: Wikimedia Commons (KIRCHNER, 1909)
36
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
O expressionismo da Die brücke vai ao encontro de uma 
expressão dos sentimentos e das emoções, compondo uma 
visão trágica e frágil do ser humano. Seus representantes 
exageram e distorcem o mundo real em um processo reativo 
do lado pessimista da vida, associado ao contexto histórico 
da primeira guerra mundial. 
DER BLAUE REITER (O CAVALEIRO AZUL): 
O SOM DA COR, 1910-1914
Der blaue reiter constitui-se outro grupo alemão, formado 
por volta de 1911, e tem entre seus integrantes Kandinsky, um 
artista fundamental das linhas abstracionistas que tomaram 
variados rumos nos anos posteriores. 
Enquanto o grupo Die brücke desejava revelar a verdade 
interior, desnudar a alma humana, mesmo que de modo 
chocante e desconfortável; o grupo Der blaue reiter buscava, 
de modo lírico e suave, conferir sentido mágico e místico às 
cores e aos ritmos visuais. As influências expressivas de Van 
Gogh e simbólicas de Gauguin conduziram esse grupo a buscar 
experiências, sensações e sentimentos individuais, voltados a 
construção de um sentido universal. Parece complicado, mas 
37
ARTE MODERNA
é simples: em termos visuais, ao invés do drama humano, 
optaram por temas da paisagem campestre e urbana, cenas 
sociais associadas à vida animal, em que a cor é expressiva e 
simbólica ao mesmo tempo. 
Essa relação alegórica e pictórica é observável na 
pintura Improvisação VI (africano) de Kandinsky (figura 11). O 
historiador de arte Helmut Friedel sugere que o tema africano 
talvez remonte das impressões de Kandinsky de viagem à 
Tunísia em 1905. Observe na pintura, o uso de Kandinsky das 
cores básicas - o vermelho brilhante, amarelo, azul e verde – 
em equilíbrio com o branco fosco. Parece haver uma sugestão 
à atmosfera simbólica de linhas estilizadas em formas quase 
indistintas. Alguns anos mais tarde, Kandinsky escreveria sobre 
esta pintura: 
dissolvi mais ou menos os objetos na mesma imagem, 
de modo que não possam ser todos reconhecidos ao 
mesmo tempo e para que esses sons simpáticos possam 
gradualmente, um após o outro, ser experimentados 
pelo observador. (FRIEDEL, 2007, on-line). 
Essa fala do artista nos oferece indícios de sua proposta 
que anos mais tarde associará a cor a processos internos, tão 
abstratos quanto a música. 
38
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Figura 11 - Wassily Kandinsky. Improvisação VI (africano)
Fonte: Wikimedia Commons (KANDINSKY, 1909)
A cor no der blaue reiter não se atém à relação expressiva, 
mas amplia-se numa proposta que integra musicalidade, 
espiritualidade e expressividade.
FAUVISMO: A INTENSIFICAÇÃO DA COR, 1905-1910
Enquanto isso, na França, em 1905, uma mostra de outono 
causa rebuliço no meio artístico; Will Gompertz nos narra o 
surgimento dos Fauvistas: 
39
ARTE MODERNA
Alguns se divertiram com as cores flamejantemente saturadas, 
mas a maioria não se impressionou. O influente crítico de 
arte Louis Vauxcelles, homem de gostos conservadores, 
disse de modo depreciativo que as pinturas eram o trabalho 
de Les Fauves (as feras). Foi um comentário desdenhoso 
feito por um crítico que iria, mais uma vez, fornecer nome 
e ímpeto a um novo movimento na arte moderna (…) 
Para um mundo artístico que ainda estava chegando a um 
acordo com os impressionistas e pós-impressionistas, as 
cores intensificadas usadas pelos fauvistas deviam parecer 
vulgares e berrantes ao extremo (GOMPERTZ, 2013, p. 114).
E foi justamente este modo de realizar, com as pinceladas 
curtas e rápidas – semelhante aos impressionistas – que os 
fauvistas davam agora lugar a utilização da cor pura, sem 
misturas, de modo a delimitar, dar volume, relevo e perspectiva 
às obras. Como exemplo, Restaurant de la machine à bougival 
(figura 12) de Vlaminck. 
A cena remete uma paisagem que poderia lembrar uma 
cena impressionista. Porém, a sensação é que o artista girou o 
botão cor, na intensidade máxima, transformando o ambiente 
tranquilo numa alucinação vibrante em cor. Essa efetivamente é 
a tônica do fauvismo: a cor expressa por si mesma, numa efusão 
de vibração entre seus contrastes.
40
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Figura 12 – Maurice de Vlaminck. Restaurant de la machine à bougival 
Fonte: Wikiart (VLAMINCK, c. 1905)
Sem medo de questionar os cânones tradicionais, 
os fauvistas evitavam temas deprimentes, comuns aos 
expressionistas alemães, seus assuntos eram leves e alegres, 
sem conotação política ou crítica. Visualmente entre os 
fauvistas, é possível observarmos o uso de cores diretas, fortes 
e vibrantes, sem correspondência com o real; simplificação das 
formas; pinceladas largas e espontâneas, delimitando planos e 
profundidade.
Um exemplo desta delimitação de planos é a obra de 
Matisse Harmonia em vermelho (ou Sala vermelha) (figura 13). 
O painel decorativo em grande dimensão foi encomenda do 
colecionador russo Shchukin, importador de tecidos orientais 
em Moscou. O tom do vermelho e carmesim do tecido cobre 
41
ARTE MODERNA
parede e mesa, as curvas energéticas conferidas pelos padrões 
em azul, descem da parede e tomam o plano da mesa. 
As delimitações de planos, traçados por uma fina linha 
preta, dão à composição uma alternância fluida com cores 
simplificadas - vermelhos, amarelos, azuis e verdes – que 
parecem integrar a paisagem, vista da janela e os adereços 
internos do cômodo, onde paradoxalmente, apesar das cores 
tão impactantes, a cena exala em calma e silêncio. O que se 
destaca na tela e fica impressa na mente do observador é a 
predominância do vermelho, como uma sinfonia cujas frases 
musicais ou acordes se repetem, fixando a frase musical na 
memória do ouvinte.
Figura 13 – Henri Matisse. Harmonia em vermelho (A sala vermelha)’ 
Fonte: Museu Hermitage (MATISSE, 1908)
42
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Matisse estabelecia analogias da cor com a música. Para ele, 
um único tom não seria nada em termos de cor, enquanto dois 
tons de cor confeririam um acorde. Em sincronia às observações 
sobre a cor deste artista fauvista, estavam as observações de 
Kandinsky, que no mesmo período realizava reflexões sobre 
a espiritualidade na arte e o levaria a alçar outros voos dentro 
do expressionismo dirigindo-se à completa abstração pela cor. 
Essas proximidades de ideias entre Matisse (representante 
do fauvismo) e Kandinsky (representante do Der blaue reiter 
revelam não apenas as diferenças, mas, em especial, das 
intersecções de pesquisa e resultados visuais entre fauvismo e o 
Der blaue reiter. 
Com esta obra de Matisse, encerramos as vertentes do 
expressionismo na Europa. Relembrando que, diferentemente 
do impressionismo - cujo foco estava nas sensações visuais – o 
expressionismo assumia uma atitude mais subjetiva, ancorada 
na experiência emocional e na cor como meio expressivo da 
emoção em detrimento de uma representação literal. 
CUBISMO: MULTIPLICIDADE 
DO OLHAR, 1907-1914
Não há como falar sobre cubismo sem citar Pablo Picasso, 
artista intenso, talentoso no desenho, na técnica e na inventividade. 
43
ARTE MODERNA
Picasso desponta historicamente numa centena de citações sobre 
o artista e sua enigmática obra Les demoiselles d’Avignon (As damas 
d’Avignon) (figura14) – inaugural do Cubismo – porém,não há 
como falar de Picasso sem citar Cézanne. 
Picasso é abordado, muitas vezes, como artista-esponja, 
por sua capacidade de absorver o máximo e o melhor das 
possibilidades visuais de diferentes artistas, e não foi diferente 
com Cézanne. Enquanto os expressionistas absorveram a lição 
de Van Gogh na emotividade da cor; Picasso absorvia as lições 
de Cézanne, na desconstrução estrutural, na multiplicidade de 
ângulos, na geometrização e simplificação das formas.
Les demoiselles d’Avignon (As damas d’Avignon) é um 
aglomerado de pesquisas que se passavam no interior da 
mente deste jovem artista espanhol residindo em Paris: a 
visão multiangular, de Cézanne; o primitivismo e a força 
energética oriundas das máscaras africanas (resultantes de 
suas visitas ao museu etnográfico de Paris) e a essência da 
forma da pintura egípcia. Esses são alguns dos itens que se 
misturam, fundem e penetram nas figuras apresentadas em 
Les demoiselles d’Avignon, obra totalmente incompreendida 
pelos artistas de seu circuito. 
44
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Figura 14 – Pablo Picasso. Les demoiselles d’Avignon (As damas d’Avignon)
Fonte: Wikipedia (PICASSO, 1907)
Segundo a apresentação da obra, no museu de arte 
moderna de Nova York (MOMA): 
Les Demoiselles d’Avignon marca uma ruptura radical com a 
composição e perspectiva tradicionais na pintura. Retrata cinco 
mulheres nuas compostas por planos achatados e lascados, 
cujos rostos foram inspirados em esculturas ibéricas e máscaras 
africanas. O espaço comprimido que habitam parece projetar-se 
para a frente em fragmentos irregulares, enquanto uma fatia 
de melão na natureza-morta na parte inferior da composição 
balança em uma mesa virada para cima. Picasso revelou a 
pintura monumental em seu estúdio em Paris após meses de 
45
ARTE MODERNA
revisão. O título da obra Avignon é uma referência a uma rua 
de Barcelona famosa por seus bordéis (MOMA, 2019, on-line).
A incompreensão da obra pelo grupo que circundava 
Picasso, levou este a quase abandonar a obra, quando 
Kahnweiler ― empresário visionário alemão ― adquire a 
obra e financia a pesquisa artística de Picasso e seu parceiro 
de ateliê, Georges Braque. Picasso e Braque, juntos em 1908, 
iniciam uma jornada sem volta. Mergulham no aprendizado da 
visão binocular de Cézanne, na simplificação e na redução dos 
objetos a uma multiplicidade de ângulos. Iniciam a jornada na 
desconstrução da ilusão tridimensional em direção à abstração. 
O fim da primeira guerra mundial também anunciou o fim 
do financiamento do alemão aos jovens artistas. Porém, os sete 
anos de patrocínio possibilitaram a trajetória da pesquisa do 
cubismo identificada por três fases distintas: fase inicial, fase 
analítica e fase sintética.
FASE INICIAL: A SIMPLIFICAÇÃO 
DAS FORMAS, 1907-1909
A fase inicial do cubismo é caracterizada pelas experiências 
voltadas a simplificação das formas, observável nas Casas de 
46
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
L´estaque (figura 15) de Georges Braque e Casa no jardim (figura 
16) de Pablo Picasso. Estas obras executadas simultaneamente 
pelos artistas, seguem a lição de Cézanne, quando 
metamorfoseiam imóveis de luxo, numa série de cubos em tons 
ocre, que se sobrepõem. Como nos movimentos anteriores, cujo 
nome saíra de um desdém sarcástico, desta vez foi Matisse, 
artista renomado na época e júri de salão de arte, a ridicularizar 
a pesquisa dos jovens dizendo: “Braque acaba de mandar 
uma pintura feita de cubinhos. (GOMPERTZ, 2013, p. 142). O 
conceito não é adequado, mas o termo pegou, mais uma vez 
fruto de uma ironia. 
Figura 15 – Georges Braque. Casas de L´estaque
 
Fonte: Wikiart (BRAQUE, 1908)
47
ARTE MODERNA
Figura 16 – Pablo Picasso. Casa no jardim
Fonte: Wikiart (PICASSO, 1908)
FASE ANALÍTICA: A IMAGEM 
MULTIFACETADA, 1909-1912
A fase do cubismo analítico ou hermético é perceptível 
pela apresentação de uma cor moderada, com tons em 
ocres, pretos e cinzas. A opção pela cor mais neutra, 
ameniza a apresentação do tema. Agora fragmentado, 
desmembrado, reconstruído em todos os ângulos 
possíveis num plano achatado. A sensação é de um objeto 
multifacetado, uma imagem estilhaçada como vista por um 
espelho quebrado. 
48
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Exemplares desta fase são as pinturas: O português (1911) 
de Braque (figura 17) e Natureza morta no piano (CORT) (1911) 
de Picasso (figura 18). Os artistas, apresentam uma sucessão 
de múltiplos pontos de vista da mesma cena ou objeto, 
quando usam uma paleta de cores brandas e neutras. Não são 
representações diretas de um objeto ou personagem, mas a 
indicação de algo tornando-se pura abstração, restando-lhe às 
vezes um indício, uma ideia. A esses conjuntos, na tentativa 
de reintegrar um sentido à abstração criada, Picasso e Braque 
introduzem letras e números ou palavras soltas. 
Figura 17 - Georges Braque. O português
Fonte: Wikiart (BRAQUE, 1911)
49
ARTE MODERNA
Figura 18 – Pablo Picasso. Natureza morta no piano (CORT)
Fonte: Wikiart (PICASSO, 1911)
FASE SINTÉTICA: A EXPLORAÇÃO 
VISUAL TÁTIL, 1911-1914
Com a figuração totalmente dissolvida chegando quase 
à abstração no cubismo analítico, se nota, na fase do cubismo 
sintético, uma intenção de retorno à figuração. Isto é, com 
imagens reconhecíveis, mas não necessariamente voltadas à 
realidade, apresentam cores mais fortes e introduzem a colagem 
fixando objetos reais na tela ― jornais, pedaços de madeira, 
palha, vidro ― conferindo uma visualidade tátil. 
Essa percepção de elementos táteis e concretos na obra 
podem ser percebidos em A guitarra (figura 19) de Picasso. 
Essa é uma pintura-colagem que insinua o desenho de violão 
50
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
formado por recorte de papéis de parede, cartões, jornais 
encontrados e colados conferem o aspecto visual-tátil da obra. 
Figura 19 – Pablo Picasso. A guitarra
Fonte: Wikiart (PICASSO, 1913)
Sinteticamente, no cubismo notamos: a geometrização da 
forma - sua redução ao cone, esfera e prisma - lição apreendida 
de Cézanne; os objetos representados num mesmo plano 
em diferentes ângulos; interesse na estrutura e na forma. A 
abstração da fase analítica será um legado de grande valor 
aos movimentos artísticos posteriores – suprematismo, 
construtivismo e neoplasticismo. 
51
ARTE MODERNA
As colagens da fase sintética, dimensionaram 
possibilidades exploradas posteriormente pelo dadaísmo. E, no 
plano conceitual, provocaram o exercício mental como modo de 
expressão das ideias, na qual a arte conceitual, deve a esses dois 
jovens, parcela de seu apreço. 
AGORA É COM VOCÊ
O museu Peggy Guggenheim, em Veneza/Itália, reserva em sua coleção 
importantes obras do cubismo. Acesse o museu on-line e visite as obras 
cubistas pertencentes ao acervo do museu. Selecione algumas obras e 
tente identificar visualmente a qual fase a obra se aproxima (analítica 
e sintética). Depois, se achar necessário, leia mais a respeito da obra. 
Perceba que, além de Picasso e Braque, outros artistas integram esta 
coleção, inclusive o professor da brasileira Tarsila do Amaral, o cubista 
Fernand Léger. 
Disponível em: https://www.guggenheim.org/artwork/movement/
cubism. Acesso em: 02 maio 2024. 
FUTURISMO/ DADAÍSMO/SURREALISMO
Estamos na Europa dos anos que antecedem a primeira 
guerra mundial. Por um lado, um fervilhar de descobertas nos 
campos da filosofia, psicologia, física, química e um inúmero 
https://www.guggenheim.org/artwork/movement/cubism
https://www.guggenheim.org/artwork/movement/cubism
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MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
arsenal de invenções mecânicas impulsionam a indústria. As 
cidades se renovam neste torpor do novo e do movimento. Por 
outro lado, a desigualdade social arruína as bases da sociedade, 
prenunciando o que estava por vir.
FUTURISMO: O SONHO DA VELOCIDADE, 1909-1919
Na Itália, um jovem escritor toma a frente e autopromove 
o que ele nomeou de futurismo. Para narrar o surgimentodeste 
movimento, o editor de artes da BBC, Will Gompertz diz que
em contraste com movimentos anteriores, o futurismo foi 
abertamente político desde o começo. O turbulento Marinetti 
queria mudar o mundo. E em certa medida conseguiu – para 
o bem e para o mal […] Ali estava ele, um poeta e escritor, 
não muito conhecido fora da vanguarda italiana, que decidiu 
publicar seu manifesto num jornal – na primeira página. E não 
se tratou de um jornalzinho local sem importância, ou mesmo 
de um jornal publicado em sua Itália natal (que já cobrira suas 
proclamações futuristas). Não; no sábado, 20 de fevereiro de 
1909, Marinetti apresentou seu Manifesto Futurista ao mundo 
por meio do jornal mais famoso da França, Le Figaro. Foi um 
lance precoce, calculado e brilhante. Marinetti sabia que a única 
chance de fazer suas ideias serem notadas pela elite artística 
e intelectual internacional seria ir para o quintal deles – Paris 
53
ARTE MODERNA
– e anunciá-las aos gritos. Oh, e comprar uma briga. Foi o que 
fez, com os maiores, os mais malvados rapazes da cidade: 
Georges Braque, Pablo Picasso, o cubismo em geral e seu maior 
defensor, Guillaume Apollinaire (GOMPERTZ, 2013, p. 156).
Marinetti foi notado. O manifesto futurista consistia em onze 
pontos provocativos, que prenunciavam o fascismo, exaltavam 
a violência e a guerra, desprezavam a mulher, rompiam com o 
passado e exaltavam a máquina. Provocou intensas discussões 
e rejeições, foi uma estratégia astuta e sofisticada de Marinetti 
na manipulação da mídia e público. Cumpriu seus objetivos, 
promoveu os artistas italianos que se aliaram ao movimento 
com o uso contínuo da imprensa, de exposições, manifestos 
organizados e conferências provocativas. 
Entre os artistas visuais recrutados por Marinetti estão 
os italianos: Umberto Boccioni, Carlo Carrà e Giacomo Balla. 
Suas obras, em especial, exaltam o movimento e o dinamismo 
da vida moderna. Enquanto o cubismo oferecia visualmente o 
objeto a partir da multiplicidade de ângulos, o futurismo estava 
empenhado em fundir o tempo e espaço numa única imagem. 
De maneira brincalhona Giacomo Balla explicita o 
movimento em dinamismo de um cão na coleira (1912), mas 
é com Umberto Boccioni que a força visual do futurismo 
estabelece diálogos com o cubismo e movimentos posteriores. 
54
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Em Carga dos lanceiros (figura 20) Boccioni insere a temática 
futurista da violência e guerra e apresenta o movimento físico e 
visual do animal.
A fragmentação do corpo do animal revela sua lição advinda 
do cubismo bem como a paleta neutra de cores, e a inserção 
de jornal, no canto superior direito traz referências à essência 
do futurismo, com seus manifestos bombásticos. Ao mesmo 
tempo, este fragmento provocativo é evocativo da lição do 
cubismo sintético e da apropriação de fragmentos do cotidiano. 
Ironicamente, se a intenção de Marinetti era combater o cubismo, 
Boccioni, um dos maiores representantes do futurismo, em 
sua obra, dialoga e expande a proposta cubista agregando 
visibilidade ao tempo e o movimento físico das coisas. 
Figura 20 – Umberto Boccioni. Carga dos lanceiros
Fonte: Wikiart (BOCCIONI, 1915)
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ARTE MODERNA
DADAÍSMO: A ANARQUIA EM PAUTA, 1916-1923
 Enquanto o futurismo exaltava a guerra, o dadaísmo a 
rejeitava com ódio. A primeira guerra mundial provocara 
o descontentamento e cinismo de um grupo de jovens 
intelectuais reunidos, no cabaré voltaire, em Zurique, Suíça. 
Em 1916, esses jovens anunciam a chegada de um novo 
movimento: o dadaísmo.
Os dadaístas, liderados pelo poeta romeno Tristan Tzara, 
absorveram a lição aprendida com os futuristas sobre a 
eficácia de discursos incendiários, a atenção e cobertura da 
imprensa. Lançam, em 1916, seu manifesto que tinha por 
proposta artística ser irreverente e espontânea, pautado na 
irracionalidade, na ironia, na liberdade, no absurdo e no 
pessimismo. O intuito principal: chocar a burguesia da época 
e criticar a arte tradicionalista, a guerra e o sistema. Seu termo 
dadaísmo é escolhido aleatoriamente, indício do caráter 
ilógico do movimento. 
Como seus colegas futuristas, o dadaísmo promoveu 
discussão no meio intelectual, investiu em exposições e 
publicações que causaram espanto e estranhamento aos 
ideais burgueses familiarizados com o impressionismo. Em 
Zurique, na Suiça, os integrantes exploravam o caráter ilógico, 
56
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
a aleatoriedade e a apropriação dos destroços da guerra - 
madeiras, caibros, pregos - para efetivação de seus trabalhos. 
Do outro lado do Atlântico, em Nova York, o pintor e 
escultor francês Marcel Duchamp tem acesso à leitura das 
publicações dadaístas. Esse artista, desde 1913, vinha realizando 
algumas experiências denominadas de ready-mades. Roda 
de bicicleta, banquinho de madeira, pá, secador de garrafas, 
vassoura entre outros objetos encontrados, isto é, produtos 
industriais - extraídos de seu contexto e função originais- 
ganhavam novo sentido, elevados a condição de objeto artístico. 
Em 1917, em Nova York, que Duchamp se consagra como 
artista dadaísta, com o ready-made A fonte. Algumas narrativas 
envolvem esse polêmico objeto. Uma das narrativas aponta que: 
Duchamp compra um mictório de porcelana branca, assina com 
o pseudônimo de R. Mutt e submete o ready-made à mostra da 
sociedade de artistas independentes. 
A proposta foi rejeitada. Porém na inscrição havia um 
item ― o inscrito tinha o direito a expor, caso houvesse pago a 
inscrição. A inscrição paga, gerou polêmica entre a comissão 
de organização. Detalhe: Duchamp fazia parte desse júri. 
Ironicamente, a obra não foi exposta e sim destruída pela ala 
mais conservadora da comissão. Porém, restara uma fotografia 
57
ARTE MODERNA
de época de A fonte (figura 21) com autoria de Alfred Stieglitz, 
fotógrafo e dono de galeria de arte em Manhatan.
Este breve registro endossava o objeto, legitimando-o 
como obra de arte. Se não bastasse essas anedotas envolvendo 
a apresentação da obra ao público, atualmente ainda se 
acrescenta uma discussão sobre autoria da obra. Pesquisas 
atuais indicam a autoria de A fonte à artista dadaísta, baronesa 
Elsa von Freytag-Loringhoven, porém, a atribuição ratificada 
pela história ficou reservada a Duchamp. 
Figura 21 – Marcel Duchamp. A fonte
Fonte: Wikipedia (DUCHAMP, 1917)
O museu Tate de Londres nos auxilia a entender um pouco 
mais dessa incomum produção, reveladora do caráter dadaísta 
de negação ao mercado de arte: 
58
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
A teoria por trás do readymade foi explicada em um editorial 
anônimo publicado na edição de maio de 1917 da revista 
de vanguarda The Blind Man dirigida por Duchamp e 
dois amigos: “se o Sr. Mutt com suas próprias mãos fez a 
fonte ou não, não tem importância. Ele ESCOLHEU. Ele 
pegou um artigo de vida comum e o colocou de forma 
que seu significado útil desaparecesse sob o novo título e 
ponto de vista - criou um novo pensamento para aquele 
objeto”. Existem três pontos importantes aqui: primeiro, 
que a escolha do objeto é em si um ato criativo. Em segundo 
lugar, que ao cancelar a função “útil” de um objeto, ele se 
torna arte. Em terceiro lugar, que a apresentação e adição 
de um título ao objeto deu a ele “um novo pensamento”, 
um novo significado (READYMADE, 2021, on-line).
A fonte mudou a perspectiva do artista criador para artista 
o selecionador. Neste sentido, fundamentalmente conceitual, 
não é estético ou técnico, mas o conceito, a ideia, que está em 
jogo. Esses elementos provocativos e irônicos tornam a obra 
A fonte o exemplar fundador da visibilidade do dadaísmo, ao 
mesmo tempo, anunciadora das bases conceituais do objeto na 
arte contemporânea.
Sucintamente, fazendo uso dessa obra, o movimento 
dadaísta assumiu o caráter questionador aos valores 
estabelecidos, inclusive do status na arte, fundamentais ao 
pensamento artístico das décadas posteriores, em especial da 
59
ARTE MODERNA
arte conceitual.Já seu caráter de espontaneidade, pautada 
na liberdade de expressão, no absurdo e irracionalidade, 
amplamente explorado por artistas no continente europeu, 
tornou-se propulsor dos ideais do próximo movimento a ser 
estudado, o surrealismo. 
SURREALISMO: O DISTANCIAMENTO 
DA LÓGICA, 1924-1945
Na Europa, no período entre as duas guerras (1918-
1939) predominava insatisfação, desequilíbrio e contradições, 
resultantes da incerteza de paz; impelem a atitude de viver 
apenas o presente. Vanguardas artísticas se voltam para essa 
nova interpretação e expressão da realidade, como o dadaísmo 
que brincava com a lógica e questionava as convenções; e nesse 
ambiente de incertezas e insatisfações surge o surrealismo, 
corrente que teve como precedentes o simbolismo de Gauguim, 
a pintura metafísica de Giorgio de Chirico e a apreciação da 
ilógica do próprio dadaísmo. 
André Breton, escritor francês e ex-participante do 
dadaísmo, rompeu com o líder do movimento dadaísta 
Tristan Tzara e lançou em Paris (1924), o manifesto surrealista. 
Influenciado por correntes psicanalíticas - envolvia o 
60
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
automatismo psíquico em estado puro - propunha exprimir, 
verbalmente ou por qualquer outro meio, o funcionamento do 
pensamento, alheio a qualquer preocupação estética ou moral. 
Na pintura, a técnica de escrita automática, no intuito de liberar 
a mente do controle consciente e produzir um fluxo de ideias do 
subconsciente, é explorada e possibilitou dois direcionamentos 
a pintura surrealista: a figurativa e a abstrata. 
Na pintura figurativa surrealista, observamos reconstruções 
elaboradas e meticulosas, como de um sonho, em que objetos 
são inseridos numa justaposição inesperada. Lembremos das 
obras do conhecido Salvador Dali em A persistência da memória 
(1931) e Metamorfoses de Narciso (1937). Já no encaminhamento 
da figura à abstração vale a pena rever outro pintor espanhol, 
Joan Miró, com a obra Carnaval do arlequim(1924-25), a qual 
cruzou a fronteira da observação para a oferta de símbolos que 
parecem fluir do subconsciente, semelhantes a desenhos feitos 
em estado de alucinação. 
Outro artista enigmático e fundamental ao Surrealismo 
foi o pintor belga René Magritte. Sua principal contribuição 
foi inverter algumas propostas dentro do próprio surrealismo, 
passando a trabalhar com imagens que, à primeira vista 
convencionais, adquirem um caráter bizarro por sobreposições. 
61
ARTE MODERNA
Magritte cria imagens, ao mesmo tempo, realistas e 
ilusórias, que pela composição das figuras que adquirem 
disposições estranhas, incoerentes e completamente 
inesperadas, criam a atmosfera surrealista pelo disparatado 
contraste do conjunto imagético. A exemplo, observemos a 
obra Traição das imagens (figura 22); nela temos uma pintura 
meticulosa de um cachimbo com o texto abaixo. Isto não 
é um cachimbo, reforçando a inviabilidade de usufruir do 
objeto e sua função. Este jogo paradoxal vincula título da 
obra, apresentação do objeto e texto na pintura, cujo conjunto 
estabelece um caráter estranho, quase ilógico. 
Figura 22 – René Magritte. Traição das imagens
Fonte: Wikipedia (MAGRITTE, 1929)
Esse caráter meticulosamente estruturado de projeção 
reflexiva sobre o próprio objeto - uma metalinguagem - será 
62
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
respaldo, juntamente com a proposta dadaísta de Duchamp, da 
produção conceitual décadas posteriores. Um legado incrível 
estruturado nos intensos e instáveis anos entre guerras.
Atrelados aos ideais de liberdade e novos valores, 
começam a despertar uma valorização da mulher artista, até 
então nunca visto. Sob a curadoria de Marcel Duchamp e 
financiamento da colecionadora Peggy Guggenheim, em 1943, 
é realizada a exposição 31 mulheres (1943) que reuniu apenas 
mulheres para compor a mostra que, curiosamente, somam 
obras ícones do surrealismo como Objeto (figura 23) de Méret 
Oppenheim - onde a artista parece jogar com o expectador que 
entra em paradoxo entre o objeto que se apresenta e sua suposta 
funcionalidade, um jogo de ilusões- e as obras da simbólica 
Frida Kahlo. 
Figura 23 – Méret Oppenheim. Objeto
Fonte: MOMA (OPPENHEIM, 1936)
63
ARTE MODERNA
CONSTRUTIVISMO E BAUHAUS
Neste último tópico, ainda no período entre guerras, por 
todo continente europeu desponta um conjunto de movimentos 
vanguardistas que se interseccionam na pesquisa da 
simplificação da forma e redução das cores. Aqui destacaremos 
três, os quais se integraram a proposta educativa da Bauhaus: 
suprematismo, construtivismo e neoplasticismo
SUPREMATISMO E CONSTRUTIVISMO: 
AS VANGUARDAS RUSSAS, 1915-1925
A primeira guerra mundial (1914-1918) e a revolução russa 
(1917) estão entre os acontecimentos históricos que ambientam 
o nascimento de movimentos artísticos de vanguarda na Rússia. 
Jovens artistas frequentavam a residência moscovita de Sergei 
Shchukin, rico comerciante e colecionador de arte moderna – 
aquele que encomendou Harmonia em vermelho de Matisse – e, 
tiveram acesso a produção de Monet, Cézanne, Van Gogh, 
Gauguin, Matisse, Picasso e Boccioni. Esses assíduos jovens 
tornam-se praticantes de experiências cubistas e futuristas. Em 
1915, um desses jovens, Kazimir Malevich realizou o Quadrado 
negro, obra inaugural da trajetória da libertação completa da 
64
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
representação do objeto. Nasce o suprematismo, nomeado e 
teorizado por Malevich. 
Na pintura Quadrado negro (figura 24) não há intenção 
de representar nada. Nem emoção, nem desejo, nem objeto. 
Tudo se dissolve diante da tela. É uma simplificação, um 
enxugamento à essência. Uma liberação do mundo sensorial 
e emotivo. Nessa obra, a pintura se liberta de tudo, para ser 
como a matemática, pura abstração. Abstração geométrica, 
simplificada em forma, reduzida em cor, concentrada apenas na 
pureza da forma. 
Figura 24 – Kazimir Malevich. Quadrado negro 
Fonte: Wikimedia Commons (MALEVICH, 1915)
65
ARTE MODERNA
Na sistematização teórica do Manifesto Suprematista 
(1925), escrito por Kazimir Malevich, em colaboração com o 
poeta Vladimir Maiakóvski, os autores propunham abandono 
completo das referências físicas em prol de uma elevação 
espiritual, defendendo um mundo não objetivo, de ordem 
superior em relação aos fenômenos físicos, uma espécie de 
energia espiritual abstrata e invisível, mas real. As propostas 
visuais do suprematismo, difíceis de serem absorvidas 
pelo público, assumiam através do manifesto seu caráter 
educativo, na tentativa de integrar arte e vida. O suprematismo 
permaneceu ligado ao seu criador, Malevich. Porém, as ideias 
de pureza da visualidade plástica se expandiram em especial no 
leste europeu, com o construtivismo. 
O construtivismo, historicamente, está ligado à 
configuração da sociedade socialista, pós revolução industrial 
- a substituição da mão de obra humana pelas máquinas, a 
alternância da produção artesanal para a produção industrial 
em massa. Apoiados pelas conquistas da revolução operária 
bolchevique, os construtivistas intencionavam ser instrumentos 
de transformação social. Em termos visuais, amparados 
pelos estudos suprematistas e alinhados ao compromisso de 
transformação social, o grande arsenal de produção artística 
construtivista fez uso do cartaz como meio funcional de difusão 
e educação cultural. 
66
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Incorporam a pureza da forma e da cor, apreendidos do 
suprematismo, agregando soluções visuais enxutas e funcionais 
ao cotidiano. Nos trabalhos construtivistas se observam: o 
uso de colagens e recortes; o uso da tipografia; repetição de 
padrões; a inserção da fotografia com colagens e a redução das 
cores essencialmente ao vermelho, preto e branco. 
No construtivismo havia a exploração dos elementos em 
simplificação e funcionalidade. A exemplo, observemos a 
capa do livro Rechevik. Stikhi (figura 25) com design assinado 
de Aleksander Rodchenko. As figuras dão lugar a linhas 
paralelas e diagonais que remetem a umaestrutura visual 
arquitetônica, racionalizada e composicional, características 
da estética construtivista. 
Figura 25 – Aleksander Rodchenko. Rechevik. Stikhi (1929) 
Fonte: MOMA (RODCHENKO, 1929)
67
ARTE MODERNA
Rodchenko, como artista, fez uso de diferentes meios, 
incluindo design gráfico, ilustrações de livros e fotografia. 
Foi professor no ensino superior, e encorajava a aplicação de 
designs abstratos padronizados a objetos utilitários, difundidos 
com afinco na produção em massa. 
O ideal construtivista - de incorporar arte no cotidiano - 
impeliu e expandiu a proposta não figurativa para diferentes 
meios como fotografias, têxteis, cerâmicas, pôsteres, móveis, 
arquitetura e design de livros e exposições. 
SAIBA MAIS
Conheça um pouco mais da obra de Aleksander Ro-
chencko em visita ao acervo do MOMA, são 236 obras 
disponíveis para apreciação on-line do artista. Você en-
contrará pinturas, desenhos, maquetes para pôster, car-
taz de campanha, de filme, de anúncio, capa de revistas 
e fotografias produzidos de 1918 à 1941. Um incrível ar-
senal visual pra quem aprecia publicidade, design gráfi-
co, fotografia documental e criativa. 
Disponível em: https://www.moma.org/artists/4975#works. 
Acesso em: 02 maio 2024. 
Os ideais suprematistas, de supremacia da forma, e 
construtivistas, de funcionalidade à forma, tiveram grande 
https://www.moma.org/artists/4975#works
68
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
aceitação na Alemanha em especial numa escola que exala sua 
presença até nossos dias, a Bauhaus. Sobre essa peculiar escola 
falaremos mais adiante. 
NEOPLASTICISMO: A LINHA E A COR 
NA MODA, 1917-1931
Não tem como falar em neoplasticismo, sem falar no 
pintor neerlandês Piet Mondrian. Esse artista, pensador, 
professor e criador do neoplasticismo, absorveu lições do 
cubismo e incorporou aspectos espirituais da teosofia em sua 
proposta visual. 
Mondrian publicou, entre 1918 e 1928, cinco manifestos 
do neoplasticismo na revista De stijl (O Estilo), junto com 
Theo Van Doesburg. Tal qual no suprematismo, a publicação 
dos manifestos assumia a função de difusão e educação do 
público à nova expressão artística. O neoplasticismo entendia 
a abstração geométrica e a redução da expressão plástica como 
modo de revelar clareza, objetividade e ordem. 
Essa organização visual é perceptível na redução das cores 
ao vermelho, azul, amarelo, branco e negro, a qual Mondrian 
chega no ápice do enxugamento neoplástico como em 
69
ARTE MODERNA
Composição II com vermelho, azul e amarelo (figura 26). Na pintura 
observamos blocos de cores puras compactados, linhas negras 
que definem os blocos e conferem, ao conjunto, uma sensação 
paradoxal entre equilíbrio e tensão.
Figura 26 – Piet Mondrian. Composição II com vermelho, azul e amarelo’ 
Fonte: Wikimedia Commons (MONDRIAN, 1930)
Esse jogo visual foi amplamente difundido e absorvido pela 
arquitetura, design e moda. A exemplo tomamos a citação do 
editor de artes da BBC: 
Em 1965 o estilista francês Yves Saint Laurent produziu 
um vestido tubinho de lã sem mangas decorado com 
os blocos de cor primária e as linhas retas pretas da 
Composição com vermelho, azul e amarelo (1930) de 
70
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Mondrian. Retratado na capa da Vogue francesa no número 
de setembro de 1965, ele levou a uma explosão de objetos 
decorados à maneira de Mondrian que continua até hoje, 
numa interminável série de aplicações que vão de ímãs de 
geladeira a capas de iPhone (GOMPERTZ, 2013, p. 213).
BAUHAUS: REUNIÃO DE VANGUARDAS, 1919-1933
Você deve ter percebido que nesse último conjunto de 
movimentos que estudamos, a ênfase ao enxugamento da 
forma, em que ocorre a redução da cores, foi notório, e para 
fecharmos esse conjunto de estudos, abordaremos essa escola 
de arte muito especial que nasce na Alemanha em 1919, a 
Bauhaus que significa casa da construção. 
Considerada a primeira escola de design, a Bauhaus 
agregou a seu corpo de professores, um grupo eclético 
composto por artistas industriais, engenheiros, arquitetos, 
pintores, artesãos e designers que influenciaram a arte e estética 
moderna e contemporânea. 
Entre os professores de vanguarda estavam Kandinsky 
(do expressionismo alemão), Van Doesburg e Mondrian (do 
neoplasticismo) e Moholy-Nagy (do construtivismo russo) e 
muitos outros aqui não mencionados. 
71
ARTE MODERNA
Os conceitos abordados na Bauhaus visavam a 
aproximação entre o mundo da arte ao mundo da produção 
industrial. Para tanto, centravam na funcionalidade racional dos 
objetos cuja função tinha mais importância que os ornamentos. 
Simplificando volumes e formas (geometrização), faziam uso de 
linhas retas e cores sólidas. 
Os resultados são visíveis ainda hoje, no design gráfico 
de revistas e campanhas publicitárias, ou até mesmo nos 
ambientes comerciais e em nossas casas, como a cadeira Wassily 
(figura 27) projetada por Marcel Breuer, o conjunto de mesas 
empilháveis (figura 28), de Josef Albers, ou a lâmpada MT8 
(figura 29), de William Wagenfeld e Carl Jakob Jucker. 
Figura 27 - Marcel Breuer. Cadeira Wassily
Fonte: Italianleether (BREUER, 1925)
72
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
Figura 28 - Josef Albers. Conjunto de mesas empilháveis
 
Fonte: Italianleether (ALBERS, c.1927)
Figura 29 - William Wagenfeld e Carl Jakob Jucker. Lâmpada MT8
Fonte: Italianleether (WAGENFELD; JUCKER, 1924)
A Bauhaus agregou beleza e funcionalidade aos projetos 
e experimentações que realizava e chegou ao fim em 1933, 
73
ARTE MODERNA
com o nazismo. Fechada, a Bauhaus tem seus professores e 
alunos perseguidos pelo Estado alemão. Nesses turbulentos 
anos, muitas das figuras-chave da Bauhaus emigraram para 
os Estados Unidos, onde o trabalho e filosofias de ensino 
influenciaram gerações de artistas, arquitetos e designers.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Antes de finalizarmos as vanguardas europeias 
representativas da arte moderna, é necessária uma observação 
quanto ao panorama nacional, do fim do século 19 a meados do 
século 20. O Brasil permaneceu em descompasso às vanguardas 
internacionais alinhando-se somente a partir de 1951. 
Porém, dos movimentos de arte moderna estudados, 
são observadas aproximações pontuadas em alguns artistas: 
impressionismo (Eliseu Visconti, Washington Maguetas, 
Georgina de Albuquerque, João Timóteo da Costa e Abigail de 
Andrade); expressionismo (Anita Malfatti, Oswaldo Goeldi, 
Lasar Segall, Flávio de Carvalho, Iberê Camargo e Cândido 
Portinari); cubismo, após a semana de arte moderna de 1922 
(produções geometrizadas de Tarsila do Amaral como São 
Paulo (1924) ou em Rego Monteiro); os ideais futuristas e 
dadaístas (semana de arte moderna de 1922 com a rejeição 
74
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
ao passado, culto ao futuro e aversão às ordens impositivas) 
e surrealismo (Ismael Nery e Tarsila do Amaral, obras do 
movimento antropofágico, Abaporu). 
Concluímos, então, nosso intenso mergulho na arte 
moderna, pois navegamos por diferentes movimentos de 
vanguarda. E pouco a pouco, percebemos a libertação da 
pintura das amarras da fidelidade representativa, a começar 
com o impressionismo. À medida que avançamos, percebemos 
aproximações, diferenças e reminiscências dos movimentos 
modernos na sociedade contemporânea. Na moda, lembramos 
de Mondrian; na comunicação social, lembramos dos futuristas 
e da Bauhaus; no cinema e nos games, lembramos dos 
surrealistas e das colagens cubistas. 
Enfim, infinitas possibilidades que essas experiências, do 
século passado, exalam ainda um frescor em afinidades com 
nosso tempo, com nossas experiências. Se observarmos com 
cuidado, os traços são ainda perceptíveis em várias campanhas 
publicitárias, vídeos institucionais, vídeos comerciais, games, 
na estética do cotidiano e na moda. Procure desvendar algumas 
dessas reminiscências em sua área de atuação. 
Sucesso!
75
ARTE MODERNA
REFERÊNCIAS
ALBERS, J. Conjunto de mesas empilháveis. [c. 1927]. 1 
conjunto de 4 mesas. Disponível em: http://italianleather.com.

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