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Unidade 4
Revolução Industrial e Arquitetura no Século XIX: Progresso e Revivalismo
Aula 1
Neoclassicismo
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Dica para você
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Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer como surgiu e se difundiu o estilo
neoclássico, inicialmente pela Europa e depois nas Américas. Verá também que a arquitetura
neoclássica atendeu aos anseios aristocráticos e estatais. Além disso, conhecerá exemplos de
obras emblemáticas com uma descrição do projeto e a respectiva contextualização com o
período e pensamentos racionalistas da época.
Esse conteúdo será de extrema importância para que você possa compreender as características
desse período histórico e aplicar em sua vida profissional.
Ponto de Partida
Olá, estudante! Você aprenderá nesta unidade sobre o período arquitetônico compreendido entre
a Revolução Industrial e o século XIX. Neste primeiro momento, irá aprofundar seus estudo sobre
o Neoclassicismo.
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Inicialmente, será traçado um paralelo entre o momento político e filosófico do período e a
produção arquitetônica, entendendo a influência do Iluminismo e os pensamentos racionalistas
na produção de arquitetura. Na sequência, você irá conhecer o estilo Neoclássico.
Você sabe quais são os principais arquitetos e as suas obras na Europa e nos EUA?
Vamos conhecê-los?
Vamos Começar!
A Revolução Francesa, em 1789, geralmente estabelece uma separação da Idade do Humanismo
com a Idade Contemporânea. Essa revolução de caráter político tem como antecedentes a
revolução social e cultural representada pela ideologia do Iluminismo, difundida pelos
pensadores do século XVIII (PEREIRA, 2010).
A independência norte-americana (1775-1783), a Revolução Francesa de 1789, as revoluções
espanholas a partir de 1812 e a emancipação ibero-americana (1810-1824) são todas partes de
um mesmo fenômeno geral: de uma mesma revolução social que acarreta o fim dos antigos
regimes e põe em manifesto uma aceleração social que será incrementada ao longo do século
XIX. (PEREIRA, 2010, p. 181)
O Iluminismo apregoava uma releitura de toda ordem política, social e econômica existente,
fundamentando-se na razão e na experimentação com métodos de investigação, por meio dos
quais pretendia criar um novo estado, uma nova sociedade e uma nova ciência.
Foi um período marcado pelo amadurecimento dos temas sociais em sintonia com os projetos
do Iluminismo, acarretando para a arquitetura e urbanismo:
Revolução demográfica urbana.
Diversificação dos programas de edificações.
Novos sistemas técnicos e construtivos.
O conhecimento cientifico no século XVIII leva à renovação dos fundamentos de todas e cada
uma das ciências, questionando tudo o que se tinha como certo. Na arquitetura, esse espírito
científico leva a uma interrupção na tradição clássica, uma revisão conceitual da arquitetura do
barroco e uma busca da natureza própria da obra de arquitetura. (PEREIRA, 2010, p. 182)
Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), o Neoclassicismo surgido durante os produtivos
anos da emergência do Iluminismo reflete uma relação de simbiose entre ambos, e isso é
ratificado por Ching, Jarzombek e Prakash (2019, p. 616), quando comentam que “o
Neoclassicismo, em sua melhor expressão, partilhava o espírito de reforma do Iluminismo, quer
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
sob o aspecto do progresso científico da Era da Razão, quer sob o da nova filosofia política, que
enfatizava os princípios de uma ação humana socialmente regulada”.
O conhecimento científico no século XVIII propunha uma renovação de fundamentos de todas as
ciências, questionando tudo o que se tinha como certo, e na arquitetura o que marcou foi a
interrupção na tradição clássica, com uma revisão conceitual da arquitetura do barroco e uma
busca da natureza própria da obra de arquitetura (PEREIRA, 2010).
Foi a redescoberta dos ideais artísticos e arquitetônicos da Grécia Antiga e da Roma Antiga o
que mais marcou o Neoclassicismo. Para você compreender melhor essa relação entre o
Neoclassicismo e Racionalismo, veja algumas características mais relevantes do estilo:
Releitura da arquitetura clássica: estudo de proporções, simetria e ordem dos edifícios
clássicos, como os templos gregos e os edifícios romanos.
Simetria e equilíbrio: princípios fundamentais, com uma ênfase na harmonia e na ordem.
Emprego de elementos arquitetônicos clássicos: colunas dóricas, jônicas e coríntias,
frontão e os entablamentos, que incluem arquitrave, friso, cornija, foram características
comuns nas fachadas dos edifícios, utilizados para adorná-los (Figura 1).
Demarcação da entrada: frontões triangulares e portais eram frequentemente usados para
decorar a entrada principal, conferindo a sensação de grandiosidade à edificação.
Simplicidade e clareza: abandono da ornamentação excessiva e dos detalhes
extravagantes que eram típicos do estilo barroco.
Opção por materiais naturais: uso de pedra, mármore e madeira, que eram considerados
nobres e duráveis. Ferro e vidro também foram amplamente empregados.
Funcionalidade e racionalidade: ênfase na funcionalidade e na racionalidade, a partir do
pensamento científico da época.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 1 | Elementos arquitetônicos clássicos
Foi esse desejo de retorno aos valores da antiguidade clássica, mas com uma busca por maior
racionalidade, que propiciou o aparecimento de edificações desse estilo na Europa e nas
Américas.
A arquitetura neoclássica se caracterizou pela liberdade de recorrer a quase todo tipo de técnicas
e influências desenvolvidas nos períodos anteriores, emergindo em meio às Revoluções
Industriais e políticas, mais fortemente nos EUA e na França.
Foi também resultado de movimentos racionalistas na Inglaterra e França, liderados por Voltaire,
Hume, Rousseau, entre outros. Os pensadores defendiam que as atividades humanas deveriam
ser guiadas, acima de tudo, pela razão. Esse movimento se opôs fortemente ao Barroco-Rococó,
rebuscado e detalhado, que foi substituído por conceitos práticos das técnicas e produções
reveladas pela Revolução Industrial (TROVO, 2017).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
França
Arquitetos do Iluminismo francês tinham interesse no uso de figuras geométricas primárias:
cubo, esfera e pirâmide. Esse formalismo era a base lógica para a expressão da arquitetura, em
uma clara referência aos filósofos franceses contemporâneos, que exploravam a racionalidade
como base para as questões humanas.
Embora essa abordagem seja um pouco similar ao interesse protorrenascentista pelo círculo, o
quadrado e o triângulo, os arquitetos neoclássicos franceses ultrapassaram os estudos
geométricos anteriores e propuseram edificações inteiras dominadas pelas características
geométricas dos volumes elementares. (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 417)
Os neoclássicos franceses mais criativos foram Étienne-Louis Boullée (1728-1799) e Claude-
Nicolas Ledoux (1736-1806), com criações de projetos hipotéticos e outros reais. Os esquemas
imaginários de Boullée destacavam esferas, cilindros, cúpulas hemisféricas, pirâmides e cones
geralmente com escala grandiosas (Figura 2). Ainda nesse campo utópico, nos projetos de
Ledoux para cidade de Chaux (1775-1779), havia a sua visão de uma cidade ideal que incluía
uma salina, com a integração entre espaço aberto planejado e empreendimento residencial e
industrial (Figura 3).
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PAISAGISMO
Figura 2 | Étienne-Louis Boullée, Cenotáfio para Sir Isaac Newton, 1784. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 407).
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PAISAGISMO
Figura 3 | Claude-Nicolas Ledoux, planta baixa de Chaux, 1775-1779. Gravura. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p.
407).
Durante o século XVIII, a grande maioria de arquitetos franceses estava empregada pelo governo,
como Ledoux, o que acarretou a maior presença de edificações concebidas para servir às
funções públicas e exaltar o Estado.
Alemanha
No território equivalente à atual Alemanha, o Neoclassicismo do século XIX está ligado à obra de
Karl Friedrich Schinkel (1781-1841), que compartilhou algumas das preocupações formais de
Boullée e Ledoux, mas se baseou muito mais em elementos da arquitetura grega. Ele entendia a
arquitetura como um meio de fomentar a consciência cívica e considerava o classicismo grego,
centrado na pólis, como a linguagem simbólica ideal.
A edificação com maior importância de Schinkel foi o Altesmuseum, ou Velho Museu de Berlim
(Figura 4), o primeiro museu de arte aberto ao público em toda a Europa. No lado oposto ao
palácio, foi implantada uma grande praça cívica com uma muralha arborizada. Já a fachada com
uma gigantesca colunata jônica foi construída sobre uma base alta, acompanhando toda a
largura da edificação e conferindo imponência ao prédio (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 4 | Karl Friedrich Schinkel, Schauspielhaus, Berlim, 1818-1821. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 423).
Siga em Frente...
Inglaterra
Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), um grupo de arquitetos chamados de
neopalladianos ingleses foram responsáveis por obras precursoras do Neoclassicismo,
propondo um estudo profundo da arquitetura do passado clássico e de seu revivescimento. São
representantes desse movimento:
Arquiteto Colen Campbell (1676-1729).
Richard Boyle, terceiro Conde de Burlington (1694-1753), nobre abastado que exercia a
arquitetura e prestava serviços ao governo.
William Kent (1685-1748), inglês que se dedicou à arquitetura e ao paisagismo.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Perceba no exemplo da Casa Chiswick, obra de Campbell e Boyle, uma evidente referência à Vila
Rotonda de Palladio (Figura 5).
Figura 5 | Lord Burlington (Richard Boyle), Casa Chiswick, Londres, 1725-1729. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p.
401).
No auge do Neoclassicismo inglês, o principal expoente foi Sir John Soane (1753-1837). Ainda
que atualmente esteja destruído com exceção das paredes externas, o complexo construído em
Londres para o Bank of England, em 1788, foi uma referência do período.
Estados Unidos
Benjamin Henry Latrobe (1766-1820), imigrante inglês, tornou-se o primeiro arquiteto profissional
do país. Em 1803, Thomas Jefferson o contratou para trabalhar no Capitólio dos Estados Unidos,
introduzindo na obra suas ideias para as ordens norte-americanas (FAZIO; MOFFETT;
WODEHOUSE, 2011)
Vamos Exercitar?
Inglaterra
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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PAISAGISMO
Um grande nome da arquitetura inglesa da segunda metade do século XVIII foi Sir William
Chambers (1723-1796). A Casa Somerset, na margem norte do rio Tâmisa, em Londres, foi
construída quando trabalhou em dupla com o arquiteto Robert Adam, (1728-1792). Chambers
desenvolveu uma rigorosa planta baixa em “C” (Figura 6), com cerca de 150 metros de lado, e um
bloco de entrada independente paralelamente ao rio. A fachada se eleva de uma grande arcada e
esculturas soltas e agrupadas, distribuídas pelo conjunto, celebrando as façanhas marítimas da
Inglaterra (Figura 7).
Figura 6 | William Chambers, planta baixa da Casa Somerset, Londres, 1776-1786. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p.
406).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 7 | William Chambers, fachada voltada para o rio da Casa Somerset, Londres, 1776-1786. Fonte: Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 406).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
No Bank of England, Sir John Soane (1753-1837) usou a luz do dia de maneira criativa, visto que
questões de segurança exigiam paredes externas absolutamente cegas (Figura 8). Soane
enfrentou o desafio usando pátios internos, clerestórios e claraboia, somados às formas puras
das rotundas e espaços abobadados do interior. A decoração foi talhada em baixo-relevo na
pedra, em vez de ser em altos-relevos aplicados; os detalhes são, em geral, lineares, simples e
minimalistas (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Figura 8 | Sir John Soane, rotunda do Bank of England, iniciada em 1788. Desenho de J.M. Gandy. Fonte: Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 425).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
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França
A ligação dos arquitetos com o Estado era evidente, e Jean-Nicolas-Louis Durand (1760-1834),
aluno de Étienne-Louis Boullée e professor da École Polytechnique (fundada em 1794), cuja obra
estabeleceu o tom da arquitetura francesa por mais de uma geração, foi destaque no período.
“Reagindo às insuficiências da tipologia como estrutura platônica ou idealista para a arquitetura,
Durand recorre a ideais aristotélicos como a busca das causas e a redução dos fenômenos a um
pequeno número de princípios explicativos” (PEREIRA, 2010, p. 189).
Segundo Ching, Jarzombek e Prakash (2019), em sua publicação Précis (1802), que se tornou um
texto de referência utilizado em toda a Europa por meio século, Durand opunha-se a um
Classicismo histórico que somente copiava os elementos superficiais, mas em planta não
possuía nada de racional. Ele determinava que a planta fosse lançada dentro de uma retícula e
que as funções estivessem claramente expressas, em um processo de adição e subtração
(Figura 9).
Figura 9 | Combinações horizontais do Précis de Durand. Fonte: Ching, Jarzombek e Prakash (2019, p. 625).
Estados Unidos
Uma obra emblemática é o Capitólio dos Estados Unidos (Figura 10), onde Benjamin Henry
Latrobe concluiu as alas norte e sul, introduzindo na obra suas ideias para as ordens norte-
americanas: capitéis com folhas de tabaco na rotunda da Câmara do Senado e capitéis com
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
espigas de milho no vestíbulo do subsolo norte. Também usou capitéis inspirados nos templos
arcaicos da Grécia, em Paestum, na câmara da Suprema Corte.
Figura 10 | Capitólio dos Estados Unidos. Fonte: Freepik.
Entre outras obras, Latrobe projetou o Banco da Pensilvânia (1799) e, mais tarde, a catedral
católico-romana de Baltimore (Figura 11).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 11 | Benjamin Henry Latrobe, catedral católico-romana, Baltimore, 1805-1818. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse
(2011, p. 427).
Outro arquiteto neoclássico norte-americano, tão versátil e talentoso quanto Latrobe, foi o
historicista romano Thomas Jefferson (1743-1826), que também redigiu a Declaração da
Independência e foi o terceiro presidente do país.
“Jefferson estudou para ser advogado, mas fez contribuições importantes em muitos campos,
além de ser um estadista: filosofia, ciência, ensino, economia. Foi como arquiteto erudito que
personificou o ideal renascentista do homem culto” (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p.
427).
Entre as obras, podemos destacar o capitólio do Estado da Virgínia (Figura 12) e a sua residência
(Figura 13).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 12 | Thomas Jefferson, capitólio do Estado da Virgínia, Richmond, Virgínia, 1785-1789. Fonte: Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 428).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 13 | Thomas Jefferson, Monticello, Charlottesville, Virgínia, iniciada em 1770. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011,
p. 428).
A casa é coroada por uma cúpula octogonal e está conectada à paisagem por duas passarelas
sobre as áreas do subsolo que se estendem para cercar o gramado dos fundos, em uma clara
referência à organizaçãopalladiana.
Saiba mais
Estudante, convidamos você a ler o capítulo “Arquitetura Neoclássica”, da obra Teoria e História
da Arquitetura e Urbanismo I, de Scopel et al. (2018). Você poderá aprofundar o que estudamos,
percebendo as mudanças de ordem teórica e prática na produção arquitetônica deste período.
Referências
CHING, F. D. K.; JARZOMBEK, M.; PRAKASH, V. História global da arquitetura. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2019.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024250/
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2011.
PEREIRA, J. R. A. Introdução à história da arquitetura: das origens ao século XXI. Porto Alegre:
Bookman, 2010.
TROVO, P. A. História e teoria da arquitetura, urbanismo e paisagismo. Londrina: Editora e
Distribuidora Educacional S. A., 2017.
Aula 2
Historicismo
Historicismo
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Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer como surgiu e se difundiu o estilo neogótico,
que centrava seus esforços em recuperar e recriar a arquitetura dos tempos passados, com uma
clara releitura estilística. Depois, você irá se aprofundar mais nas peculiaridades do movimento
eclético e seus princípios totalmente descompromissados com a escolha de um único estilo
arquitetônico.
Com esta videoaula, você poderá conhecer mais um período histórico da arquitetura e aplicar em
sua vida profissional.
Ponto de Partida
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Olá, estudante! Você aprenderá sobre o Historicismo, os movimentos do neogótico e do
Ecletismo. Você conhecerá as releituras estilísticas promovidas no século XIX, que resultaram
em edificações análogas a estilos passados, em que os arquitetos expressaram as suas ideias
compositivas. Essa liberdade promoveu o nascimento de um movimento denominado Ecletismo,
com uma grande mistura de elementos e materiais.
Você sabe o que é uma arquitetura eclética? Conhece algum exemplo histórico?
Vamos Começar!
O Historicismo foi um grande movimento que, inserido no contexto da arquitetura do século XIX,
caracterizou-se fundamentalmente pelo retorno ao uso de estilos do passado, mas como uma
espécie de referência ou fonte de inspiração para a criação das novas construções. Foi um
movimento com forte impacto na arquitetura e também no design de interiores, indo de encontro
à simplicidade e funcionalidade predominante no estilo anterior: o neoclássico.
Veja a seguir alguns dos estilos historicistas mais proeminentes do século XIX:
Neorromânico: inspirado na arquitetura românica medieval, usando arcos redondos e
paredes profundas.
Neogótico: referência à arquitetura gótica medieval, usando as principais características
compositivas, tais como arcos ogivais, vitrais coloridos e detalhes decorativos intrincados.
São exemplos notáveis o Edifício do Parlamento Inglês, em Londres, e a Catedral de Notre-
Dame, em Paris. Respectivamente às obras citadas, temos dois dos grandes expoentes da
época: Augustus Welby Northmore Pugin (1812-1852) e Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc
(1814-1879).
Neorrenascentista: inspirado na arquitetura renascentista, caracterizada por colunas,
frontões, arcos e ornamentos renascentistas. Um exemplo é o Museu do Louvre, em Paris.
Assim, ao lado do ecletismo de base medieval conviverá outro de inspiração clássica – ou
melhor, renascentista –, cheio de elementos de origem italiana e francesa, que – com os nomes
de estilo segundo império ou, mais tarde, estilo beaux-arts – dominará em todo o mundo
ocidental nas últimas décadas do século XIX. (PEREIRA, 2010, p. 199)
Neobarroco: uma clara releitura do estilo barroco, com suas formas curvilíneas, detalhes
ornamentados e fachadas extravagantes. A Ópera Garnier, em Paris, é um exemplo notável,
ainda que seja considerada uma obra eclética em sua essência.
Neomourisco, ou neo-mourisco: inspirado na arquitetura islâmica e mourisca, caracterizado
por arcos em ferradura, detalhes geométricos e azulejos. A Alhambra em Granada,
Espanha, é um exemplo famoso.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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PAISAGISMO
Os arquitetos propunham edificações análogas aos estilos anteriores mais relevantes, criando
releituras do gótico, barroco, etc. Cada país e região europeia teve suas próprias interpretações e
variações do Historicismo, muitas vezes incorporando elementos relevantes locais ou regionais
em projetos historicistas.
É verdade que, em algumas situações, o que se viu foi uma mistura de estilos, com elementos
característicos de períodos distintos na mesma edificação, e que acabou por consolidar o
período eclético na produção arquitetônica. Essa liberdade compositiva adotada pelos
arquitetos, buscando satisfazer seus gostos pessoais ou até mesmo de seus clientes, contribuiu
para uma diversificação significativa na arquitetura do século XIX, criando uma paisagem urbana
eclética em muitas cidades europeias e, posteriormente, em outros locais do globo (PEREIRA,
2010; FARRELLY, 2014).
O uso da história da arquitetura como instrumento de projeto não fica limitado à recuperação de
estilos passados, e ao historicismo assincrônico ou revival se une, no último terço do século, um
historicismo sincrônico e heterodoxo: o ecletismo (do grego eceklein, “escolher”), que mostra as
possibilidades infinitas do manejo livre de linguagens e formas históricas diversas. (PEREIRA,
2010, p.199)
Vejamos uma breve síntese das peculiaridades presentes nas edificações ecléticas:
Combinação de estilos: a mistura de elementos de estilos arquitetônicos distintos era uma
característica comum. Por exemplo, em uma fachada poderíamos ter colunas gregas
renascentistas com ornamentações características do barroco.
Ornamentação exuberante: geralmente as fachadas possuíam uma ornamentação rica e
elaborada, com detalhes esculpidos, frisos decorativos, frontões, estátuas e outros
elementos decorativos.
Variedade de materiais: seguindo a ideia da mistura de elementos, uma variedade de
materiais de construção (pedra, tijolo, ferro fundido e vidro) poderiam ser vistos em uma
única edificação. Em especial o ferro e o vidro, advindos da revolução industrial, passaram
a ser mais difundidos a partir do ecletismo.
Escala monumental: grandes e imponentes, os prédios refletiam o desejo de grandiosidade
e ostentação da época.
Resumidamente, as edificações ecléticas forma marcadas pela riqueza estilística e cultural.
Augustus Welby Northmore Pugin
Na Inglaterra, o Romantismo ganhou destaque com o Historicismo gótico eclesiástico. Foi Pugin
o historicista mais influente. Convertido ao catolicismo, creditava ao gótico a materialização dos
bons valores morais e religiosos do passado.
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), Pugin era bem versado nas realidades das
edificações medievais, uma vez que trabalhou com seu pais na elaboração de um estudo de
quatro volumes sobre a ornamentação gótica, como ilustrador.
Todavia, Pugin se sobressaiu com o livro Contrasts; or, A Parallel Between the Noble Edifices of
the Fourteenth and Fifteenth Centuries, and Similar Buildings of the Present Day; Shewing the
Present-Day Decay of Taste (Contrastes; ou um paralelo entre os nobres edifícios dos séculos
XIV e XV e edificações semelhantes do presente, mostrando a atual decadência do bom gosto),
com a primeira edição em 1836. Nessa obra, Pugin fez uma comparação das condições
medievais e modernas das edificações por meio de ilustrações (Figura 1).
A “Cidade Católica em 1440” tinha 15 torres de igreja com flechas e a torre da prefeitura
marcando sua silhueta, aopasso que “A Mesma Cidade em 1840” apresentava chaminés de
fábricas como elemento dominante em uma paisagem urbana industrial; capelas protestantes de
forma vagamente clássica haviam substituído as igrejas católicas e muitas torres com flechas
semidestruídas. (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 430)
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 1 | Comparação de cidade antiga com moderna, extraída da obra de Pugin (1841). Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse
(2011, p. 430).
Em 1841, Pugin publicou The True Principles of Pointed or Christian Architecture, obra em que
temos os seus ideais:
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Primeiramente: não deve haver em uma edificação qualquer característica que não seja
necessária para fins de conveniência, construção e qualidade.
Em segundo lugar: todos os ornamentos devem buscar o aprimoramento da construção
essencial da edificação.
“Ele via o gótico como a ‘única expressão correta da fé, dos desejos e do clima’ da Inglaterra e
defendia seu uso em todas as edificações, incluindo os prédios seculares modernos, como as
estações ferroviárias” (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 430).
Siga em Frente...
Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc
Na França, o principal expoente do Historicismo gótico foi o arquiteto e historicista Eugène-
Emmanuel Viollet-le-Duc, que compartilhava do mesmo entusiasmo de Pugin pelas obras
medievais. A distinção entre eles era a visão moral e religiosa, tão acentuada por Pugin que
Viollet-le-Duc não considerava uma premissa, pois o seu interesse fundamentava-se na base
racional da estrutura medieval.
Ele considerava o sistema de abóbada nervurada, arco ogival e arcobotante como sendo análogo
à estrutura independente de ferro do século XIX e sonhava com uma arquitetura moderna
baseada nas conquistas da engenharia, mas que exibisse a integridade de forma e detalhe
presente nas obras da Idade Média (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 432).
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 2 | Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc, auditório com estrutura de ferro extraído de Entretiens, 1863-1872. Fonte: Fazio,
Moffett e Wodehouse (2011, p. 432).
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Viollet-le-Duc tornou-se um especialista em arquitetura medieval, participando a partir de 1840 de
inúmeros projetos de restauração dos principais monumentos históricos da França, incluindo a
Catedral de Notre-Dame e a Sainte-Chapelle, em Paris; a Igreja da Abadia de Saint Denis; Saint
Sernin, em Toulouse; Sainte Madeleine, em Vézelay; as muralhas de Carcassonne; e as catedrais
de Reims, Amiens e Beauvais.
A rica experiência adquirida ao lidar em primeira mão com projetos medievais resultou no
Dictionnaire raisonné de I’architecture française du XIe au XVIe siècle (Enciclopédia da
Arquitetura Francesa do Século XI ao XVI) (1858-1865), obra em 10 volumes que ainda hoje é
fonte de teoria para os medievalistas.
Totalmente oposta aos princípios preservacionistas posteriores do século XX, sua teoria de
preservação incluía ações de reconstrução para devolver a edificação ao estilo de origem.
Vamos Exercitar?
O Ecletismo foi um período em que os arquitetos se permitiam fazer comparações,
desaparecendo a unidade de estilo e dando lugar à possibilidade de várias linguagens e
sobreposição de estilos. Segundo Pereira (2010), o Ecletismo do século XIX dificilmente pode ser
classificado por estilos.
Uma obra emblemática do Ecletismo no século XIX é a Ópera de Paris (1861-1875), arquitetura-
espetáculo de Charles Garnier (1825-1898), uma corporificação esplêndida do Segundo Império
francês. Na Figura 3, temos a planta principal, e na Figura 4 temos uma vista externa da
edificação.
O edifício combina um marco para a ópera com um marco para a exibição social, de forma que a
sala ocupa somente dez por cento da superfície do edifício, enquanto os espaços de convívio e
exibição (os salões e foyers, e, sobretudo, a escada principal) predominam física e
simbolicamente sobre o conjunto, alcançando níveis de teatralidade verdadeiramente barrocos,
expressos formalmente em uma linguagem que, em palavras do próprio arquiteto, “não
corresponde a nenhum dos estilos antigos conhecidos: é um estilo novo, o estilo Napoleão III.
(PEREIRA, 2010, p. 199-200)
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 3 | Charles Garnier, teatro da Ópera de Paris, planta. Fonte: Pereira (2010, p. 200).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 4 | Charles Garnier, teatro da Ópera de Paris. Fonte: Wikimedia Commons.
A Exposição Universal de 1889 em Paris marca o apogeu desse Ecletismo e, de certa forma, o
apogeu do próprio século XIX, cujos fundamentos em seguida foram postos em crise. Ainda
presente no início do século XX, especialmente em edifícios públicos, ele caiu em desuso à
medida que movimentos arquitetônicos como o Modernismo ganharam popularidade,
enfatizando a simplicidade, a funcionalidade e a eliminação de ornamentos.
Saiba mais
Estudante, convidamos você a ler o capítulo “As teorias de Viollet-le-Duc”, da obra Técnicas
retrospectivas I, de Carvalho et al. (2019). Você poderá aprofundar o que foi estudado sobre o
Historicismo, mas com uma ênfase nos pensamentos e nas ações de Viollet-le-Duc. Com uma
obra marcada pela teoria do restauro estilístico, ele desenvolveu um pensamento bastante
racionalista e diferenciado da corrente na sua época.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
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Referências
CARVALHO, A. M et al. Técnicas retrospectivas I. Porto Alegre: SAGAH, 2019.
CHING, F. D. K.; JARZOMBEK, M.; PRAKASH, V. História global da arquitetura. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2019.
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2011.
PEREIRA, J. R. A. Introdução à história da arquitetura: das origens ao século XXI. Porto Alegre:
Bookman, 2010.
Aula 3
Transformações Urbanas no Século XIX
Transformações urbanas no século XIX
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Dica para você
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Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer os principais impacto da Revolução Industrial
nas cidades europeias e americanas. Conhecerá algumas medidas que foram tomadas e os
exemplos das capitais Paris, Barcelona e Viena.
Esse conteúdo será útil para que você possa conhecer os princípios do urbanismo na segunda
metade do século XIX.
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Ponto de Partida
Olá, estudante! Você irá conhecer os avanços tecnológicos oriundos da Revolução Industrial que
abriram caminho para mudanças técnicas e estéticas, fazendo surgir um novo contexto urbano
no século XIX. Ao longo de todo esse século, assistiu-se a uma forte migração do campo para a
cidade e o consequente aumento da população urbana. Em virtude dessa explosão demográfica
e das novas demandas inerentes ao processo instaurado, mudanças em termos de habitações,
novos equipamentos e serviços urbanos foram necessárias.
Você conhecerá algumas propostas de reformulações urbanas que seguiram princípios
higienistas e de embelezamento das grandes capitais, e ideias utópicas que propunham
solucionar questões urbanas do período.
Você já ouviu falar de cidade-jardim?
Vamos conhecer?
Vamos Começar!
A Revolução Industrial do século XIX teve um forte impacto nas cidades e no novo modo de
habitá-las. As transformações das suas paisagens foram significativas em um período marcado
pelo progresso e pela mudançadas estruturas urbanas, mas também pelo aparecimento de
novos problemas de ordem social e ambiental.
Ao longo de todo o século XIX, sucederam constantes correntes migratórias do campo para a
cidade, e esta nova população urbana resultou em uma explosão demográfica que exigiu
respostas do espaço urbano em termos de habitações, novos equipamentos e serviços.
Sobretudo nas grandes cidades da Europa e nos EUA é que se notaram primeiramente essas
transformações, como elucida Pereira (2010, p. 209):
[...] estabilizada até o século XVIII com aproximadamente 180 milhões de habitantes, a
população europeia chega, entre 1800 e 1914, a 450 milhões, ou seja, se torna duas vezes e meia
maior. Esse aumento demográfico vem acompanhado, ao longo de todo o século XIX, de uma
forte migração do campo para a cidade, e se concentra nas cidades, que multiplicam por três ou
cinco vezes sua população em menos de um século, o que exige novas habitações, novos
equipamentos e novos serviços urbanos. Uma situação ainda mais dramática ocorre nas cidades
norte-americanas, muitas das quais passam de aldeias a metrópoles em menos de um século.
São desse período algumas das invenções revolucionárias da época, tais como: a máquina a
vapor, o motor das indústrias, a força dos barcos e locomotivas, o dínamo (responsável por gerar
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
eletricidade e tornar possível o abastecimento da população através da rede pública), o telégrafo,
o telefone, entre outras (SANTOS; SOUZA; BARBOSA, 2019).
“Na segunda metade do século XIX, a Europa se vê imersa em uma vida moderna, onde o
progresso se vincula à materialização de locomotivas, projetos urbanísticos, bondes e rede
pública de eletricidade” (SANTOS; SOUZA; BARBOSA, 2019, p. 76).
A evolução dos sistemas de interligação urbana e interurbana com as linhas de trens e rodovias
reconfiguram os deslocamentos nas cidades, com uma nova forma de organizar o tráfego
urbano. Nesse contexto de transformações, novas demandas precisam atender ao novo estilo de
vida urbana, sendo supridas com redes públicas de gás e eletricidade, esta última permitindo
também a iluminação de ruas e praças, promovendo a vida noturna das cidades e convertendo
as metrópoles em polos de lazer e convívio social. Por fim, o telégrafo e o telefone, em uma
proporção semelhante, trouxeram revoluções no campo das comunicações.
Nesse sentido, foi necessária uma maior atenção das reformas urbanas dessa época para
eliminação alguns males causados na população, sendo eles: insuficiência de esgotos,
insuficiência de água potável e a difusão de epidemias por conta da quantidade de pessoas
vivendo em condições insalubres (BENEVOLO, 2014).
Temos como exemplos dessas reformas urbanas e propostas de planejamento ordenado:
Plano Haussmann, em Paris.
Plano de Cerdà, em Barcelona.
Reforma Ringstrasse de Viena.
Somam-se, ainda, ideologias que pensavam na cidade em função da máquina, sobretudo quanto
à reconfiguração das circulações e dos transportes, tendo como exemplos as ideias de
urbanismo com caráter científico, racional e progressista (PEREIRA, 2010):
Cidade linear: modelo concebido pelo urbanista espanhol Arturo Soria y Mata, construído
como um bairro experimental em Madrid, na Espanha, e formado a partir de um eixo
central.
Cidade motorizada: Eugène Hénard, urbanista francês dedicado ao desenvolvimento da
cidade de Paris, defendia o “perímetro de radiação”, com uma via circular que recolhesse as
circulações radiais, amenizando o trânsito em sentido centro-periferia.
Cidade industrial: proposta pelo arquiteto francês Tony Garnier, com ênfase na setorização
do espaço urbano.
Cidade-jardim: Sir Ebenezer Howard buscava a relação entre a cidade e o campo,
mesclando as oportunidades da vida urbana em consonância com a beleza, o prazer e o
descanso do campo.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Segundo Benevolo (2014), o novo formato urbano, consequência da Revolução Industrial, exigiu
transformações significativas, e as reformas que ocorreram nas duas décadas entre 1830 e 1848
dependiam de uma política que procurasse atender às novas demandas das cidades.
O novo desenho das cidades do século XIX visou renovar áreas, facilitar a circulação e promover
a salubridade da cidade, com obras de infraestrutura com um planejamento que desvinculava as
pessoas de seus lugares, pois priorizava a circulação em vez da convivência (TROVO, 2017).
Plano Haussmann, em Paris
A reforma encomendada por Napoleão III possuía alguns objetivos muito claros:
Liberar parte do tecido urbano para que as manobras militares pudessem ser facilitadas.
Criar infraestruturas para substituir uma malha medieval, com ruas e residências
insalubres.
Criar grandes bulevares (Figura 1) para abrigar uma nova forma de comércio, com a
construção de lojas em vez do comércio informal das feiras medievais.
Figura 1 | Vista aérea dos bulevares de Paris. Fonte: Trovo (2017, p. 227).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
O plano de Haussmann, segundo Benevolo (2014, p. 110),
[...] configura-se como uma ação contínua de estímulo e coordenação das múltiplas forças que
agem de modo sempre variável sobre o conjunto urbano; cessa, assim, a semelhança entre
urbanística e arquitetura, as quais não agem mais no mesmo nível, diferindo somente pela
escala, mas, sim, agem em dois níveis diversos em recíproco relacionamento.
As transformações mais drásticas promovidas por Georges-Eugène Haussmann no desenho
urbano da cidade foram:
Redesenho de toda malha viária, com a substituição de pequenas ruas e vielas por grandes
avenidas.
Desenho dos quarteirões, que foram configurados a partir do desenho das vias.
Criação de rotatórias para melhor distribuição das vias.
Padronização das fachadas dos edifícios, tanto nas cores quanto na altura (Figura 2).
Anel viário delimitando o espaço da cidade.
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PAISAGISMO
Figura 2 | Vista de uma rua da Paris de Haussmann. Fonte: Ching, Jarzombek e Prakash (2019, p. 675).
A reforma de Paris serviu de inspiração para outras cidades europeias, como o Plano Cerdà, em
Barcelona, e a Reforma Ringstrasse, em Viena.
Plano de Cerdà, em Barcelona
Diferenciava-se um pouco do que Haussmann buscava para Paris, sobretudo por estabelecer
uma cidade sem hierarquias, com formato homogêneo e que pudesse ser estendida ao infinito.
Segundo Trovo (2017), foi a circulação de vias uma das principais modificações do Plano Cerdà,
em que a circulação se daria por meio de ruas, para os transportes de massa e vias diagonais
que atravessariam as quadras (Figura 3).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 3 | Plano Cerdà, em Barcelona. Fonte: Trovo (2017, p. 231).
Em relação às quadras e à construção de edificações, Cerdà propôs quadras de 113 m x 113 m e
vias de 20 m de largura, em que cada conjunto possuiria nove quadras (Figura 4). Cada uma
dessas quadras teria em seu perímetro edificações padronizadas, cujo interior deveria ser
arborizado. Os usos das edificações projetadas por Cerdà previam várias tipologias, em que, na
mesma quadra, os edifícios seriam residenciais e também comerciais.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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PAISAGISMO
Figura 4 | Desenhos de tipologias de quadras do Plano Cerdà. Fonte: Trovo (2017, p. 232).
Siga em Frente...
Reforma Ringstrasse de Viena
Diferentemente da reforma de Haussmann, em Paris, Viena permitiu-se inserir a cidade antiga ao
novo sistema viário, compondo os principais edifícios públicos em um ambiente amplo e arejado,
entre os passeios e os jardins (BENEVOLO, 2014).
A reforma urbana, conhecida como Ring de Viena, consistiu na criação de um anel viário que
pudesse circundar todo centro histórico da cidade, protegido das construções de novos bairros.
Aos poucos, a área dentro desse anel passou a pertencer, praticamente, à burguesia,
transformando esse espaço em um local de segregaçãosocial, no qual a Ringstrasse tornou-se o
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
local preferido de classes mais altas.
Vamos Exercitar?
Na proposta da cidade-jardim, Howard propunha a solução de problemas de insalubridade,
miséria e poluição, por meio de projetos em que a cidade se relacionasse diretamente com o
campo, combinando as facilidades da vida urbana com a beleza e lazer do campo. Segundo
Benevolo (2014), Howard apostava que essa união funcionaria como um atrativo para as
pessoas que habitavam as cidades caóticas, de forma que elas fossem ao encontro da natureza,
sendo ela, segundo o seu ponto de vista, a fonte da vida.
A ideia era promover um aproveitamento dos terrenos, nos quais seriam construídas edificações
mais compactas, e o restante do lote seria usado para ajardinamentos.
A cidade-jardim deveria ser autossuficiente, com uma direção formatada em um modelo de
sociedade anônima, proprietária dos terrenos, mas não das moradias, dos serviços prestados ou
das atividades econômicas. Cada cidade-jardim deveria ser livre para regulamentar seus
negócios (BENEVOLO, 2014).
Suas ideias contribuíram para melhores resultados socioculturais, pois os arquitetos passaram a
projetar suas edificações levando em conta o entorno do prédio, observando a paisagem urbana
como um todo orgânico.
Saiba mais
Estudante, convidamos você para ler o capítulo “A Paris de Haussmann”, da obra História global
da arquitetura. Você poderá aprofundar os seus estudos sobre a reforma da capital francesa,
sobre a qual os autores explicam como ela se deu e quais foram as principais medidas
executadas no urbanismo, e também nas novas edificações como a Ópera de Garnier.
Referências
BENEVOLO, L. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 2014.
CHING, F. D. K.; JARZOMBEK, M.; PRAKASH, V. História global da arquitetura. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2019.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582605127/
PEREIRA, J. R. A. Introdução à história da arquitetura: das origens ao século XXI. Porto Alegre:
Bookman, 2010.
SANTOS, J. C. C.; SOUZA, D. A.; BARBOSA, L. J. L. História da arquitetura e urbanismo V (Idade
Contemporânea). Porto Alegre: SAGAH, 2019.
TROVO, P. A. História e teoria da arquitetura, urbanismo e paisagismo. Londrina: Editora e
Distribuidora Educacional S. A., 2017.
Aula 4
A Revolução Industrial na Arquitetura
A Revolução Industrial na Arquitetura
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Dica para você
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Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer os principais impacto da Revolução Industrial
nas cidades europeias e americanas. Conhecerá algumas medidas que foram tomadas e os
exemplos das capitais Paris, Barcelona e Viena.
Esse conteúdo será útil para que você possa conhecer os princípios do urbanismo na segunda
metade do século XIX.
Ponto de Partida
Olá, estudante! Você irá conhecer as grandes mudanças implementadas na arquitetura a partir
da Revolução Industrial do século XIX. A arquitetura do ferro ganhou um espaço gradativo e
definitivo no cenário mundial, muito em virtude da rapidez e praticidade na execução das
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
edificações. Você verá que as Exposições Universais, de Londres e Paris, foram marcos para que
o ferro se difundisse, muito em virtude da construção do Palácio de Cristal e da Torre Eiffel.
Conhecerá alguns marcos do cenário norte-americano, tais como a Escola de Chicago e seu
arranha-céu, e também as peculiaridades de dois grandes nomes da arquitetura: Sullivan e Adler.
Você conhece a frase “A forma segue a função”? Sabe como ela influenciou a arquitetura atual?
Vamos conhecer!
Vamos Começar!
Com o advento da Revolução Industrial no século XIX, o ferro e o aço começaram a aparecer no
cenário da arquitetura europeia, mas sem um protagonismo que vemos atualmente. Os
arquitetos ainda estavam sob forte influência das posturas neoclássica e romântica
prevalecentes, que empregavam a alvenaria portante, usando materiais e métodos tradicionais.
Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), essa foi a razão da demora em explorar as
possibilidades do ferro e do aço, que inicialmente eram usados somente em edificações
industriais utilitárias, como pavilhões têxteis, galpões ou estufas.
Contudo, gradativamente a arquitetura do ferro foi ganhando força, como, por exemplo, a partir
da sua utilização em uma edificação executada por Joseph Paxton (1801-1865) na primeira
Exposição Universal que ocorreu em Londres. Ele era paisagista por formação e desenvolveu
uma considerável habilidade para construir estufas usando vidro e ferro.
“Em meados do século, poucos arquitetos europeus haviam adotado os novos materiais
disponíveis, deixando a inovação a cargo dos engenheiros e até mesmo dos projetistas de
estufa, como era o caso do paisagista Joseph Paxton, responsável pela criação do Palácio de
Cristal” (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 469).
Outras obras emblemáticas que difundiram a utilização do ferro foram as várias pontes e a
famosa Torre Eiffel, do projetista francês Gustave Eiffel (1832-1923), que usou o material em
uma escala de construção em massa. Iniciavam-se os métodos de rápida produção e com
estrutura independente pré-montada, que trouxeram mudanças no modo de construir as
edificações e também de visualizá-las.
Pereira (2010) acrescenta que a arquitetura do ferro (arquitetura dos engenheiros) era entendida
como uma arquitetura modular, fazendo surgir edifícios inteiros construídos com peças pré-
fabricadas de ferro, combinadas com elementos da indústria tradicional. Foi então que os
arquitetos começaram gradualmente a explorar essas tecnologias, aliando as novas técnicas e
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
materiais de construção, notando-se o crescente aparecimento de novas edificações desse tipo,
tanto para o uso público quanto privado, na Europa e nos EUA.
Na Bibliothèque Nationale, Henri La-brouste inseriu colunas de ferro delgadas na sala de leitura
no interior de uma estrutura de alvenaria tradicional; além disso, fez uso da construção de ferro
“transparente” na área do acervo (escondida do público) da Bibliothèque Sainte Geneviève.
Simultaneamente, os projetistas europeus começavam a explorar o potencial do concreto
armado com aço em estruturas independentes e os construtores norte-americanos, com a
estrutura de madeira em balão (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 469).
Todavia, foram os construtores norte-americanos que viriam a se tornar os maiores inovadores
na construção de edificações com estrutura de metal. Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse
(2011), a partir de 1865, arquitetos de Nova York e Chicago desenvolveram um tipo original de
edificação – o arranha-céu. Os arquitetos que produziram os edifícios altos de Chicago entre
1875 e 1925 foram coletivamente denominados de Escola de Chicago, o que indica a presença
de posturas de projeto e técnicas de construção comuns.
Já antevendo o movimento moderno do século XX, que viria a suceder o Historicismo,
precisamos ressaltar dois arquitetos norte-americanos: Louis Sullivan e Dankmar Adler. Eles
desenvolveram várias edificações que refletiam um pensamento muito presente no Modernismo:
“a forma segue a função” (frase atribuída a Sullivan).
A Revolução Industrial modificou a técnica das construções. Para Benevolo (2014), os materiais
até então tradicionais, como a pedra, os tijolos, as telhas e a madeira, passaram a ser
empregados de maneira mais racional e menos artística. Juntamente a isso, novos materiais
foram utilizados, como o ferro, o vidro e, um pouco depois, o concreto. Esses fatoresalteraram a
forma plástica das edificações, em que novas tecnologias foram empregadas para atender a
uma nova maneira de edificar.
Foram os progressos da ciência que permitiram que os materiais construtivos pudessem ser
empregados de maneira mais conveniente, explorando a sua resistência e aplicabilidade, como
ratifica Trovo (2017, p. 197):
[...] os materiais passaram a ser utilizados em quantidade suficiente para resistirem
determinadas cargas. [...] o aparelhamento dos canteiros e maquinários construtivos,
desenvolvimento da geometria e sua melhor representação projetual, a instituição de escolas
especializadas em construção e as reproduções gráficas dos projetos, permitiram um avanço
significativo na construção das edificações e equipamentos da cidade. Este movimento forneceu
à sociedade um grande número de profissionais treinados e especializados na construção civil.
Benevolo (2014) também salienta que as novas técnicas e os conhecimentos científicos
permitiram que os materiais pudessem ser aproveitados até o limite de suas possibilidades, e
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
essa experiência foi empregada de maneira frutífera no desenvolvimento de novas tecnologias
construtivas.
Os ditos novos materiais, como o ferro e o vidro, ainda que usados comedidamente em
momentos anteriores, adquiriram um caráter estrutural nas edificações no período da Revolução
Industrial, com aplicações em edificações de grande porte. O desenvolvimento na indústria
siderúrgica promoveu o aumento da produção, permitindo que o limite das construções pudesse
ser superado. Já a indústria do vidro fez inúmeros progressos técnicos na segunda metade do
século XVIII, quando, em 1806, a indústria foi capaz de produzir lâminas de vidro antes não
imaginadas (BENEVOLO, 2014).
Exposições Universais
Joseph Paxton propôs, para a Exposição Universal de Londres em 1851, uma grande estrutura de
ferro e vidro que seria realizada com metade do orçamento previsto e em tempo hábil (Figura 1).
O projeto caracterizou-se pelo uso da fabricação em larga escala, em que a quantidade reduzida
de peças modulares facilitou a relação e a produção com os fornecedores. Os módulos que
chegavam ao canteiro de obras pré-montados eram rapidamente incorporados à construção, em
uma velocidade recorde, algo inimaginável até o momento naquele período.
Figura 1 | Fachada do Palácio de Cristal. Fonte: Trovo (2017, p. 206).
A vanguarda da obra se explica pelo fato de que essa primeira Exposição Universal ficou
conhecida muito mais pela construção do Palácio de Cristal (Figura 2), que foi visitado por cerca
de um quarto da população inglesa. Foi tão positiva a repercussão por parte da mídia que a
combinação do ferro com vidro passou a ser vista em outras grandes obras a partir de então.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Após o término da Feira, a construção foi desmontada e remontada nos arredores de Londres,
até que, em 1936, foi destruída por um incêndio (TROVO, 2017).
Figura 2 | Interior do Palácio de Cristal (litografia Louis Haghe – 1851). Fonte: Trovo (2017, p. 206).
As Exposições Universais possuíam, além da apresentação das técnicas construtivas, um caráter
político e comercial. Em 1889, surge outra proposta peculiar quanto à técnica e ao material
construtivo: a Torre Eiffel (Figura 3), cujo nome corresponde ao engenheiro que a construiu,
Gustave Eiffel. O engenheiro tinha experiência com a construção de várias pontes no sul da
França, mas se consagrou com a construção da Torre às margens do Rio Sena. Sua realização se
deu por meio de uma estrutura metálica, cujas peças foram detalhadamente projetadas para que
fossem encaixadas (Figura 4), permitindo a montagem e a desmontagem quando a Exposição
chegasse ao fim.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 3 | Detalhe construtivo da Torre Eiffel. Fonte: Trovo (2017, p. 210).
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 4 | Construção da Torre Eiffel. Fonte: Trovo (2017, p. 210).
Ainda que tenha sofrido resistência por parte da comunidade artística francesa, a Torre Eiffel foi
aos poucos acolhida pela sociedade e valorizada por sua vista e silhueta, o que fez com que não
fosse desmontada como era o plano inicial.
Com o advento da arquitetura do ferro, os construtores norte-americanos se tornariam os
maiores inovadores na construção de edificações com estrutura de metal.
“A partir de 1865, aproximadamente, arquitetos de Nova York e, a seguir, de Chicago,
desenvolveram um tipo original de edificação – o arranha-céu – com escala e nível de
sofisticação inigualados pelos projetistas europeus” (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p.
442).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Esse edifícios altos vinham como uma resposta ao aumento do preço do solo urbano e ao desejo
das empresas de ficar perto dos centros de comércio já estabelecidos. Tivemos uma série de
inovações técnicas, tais como os componentes estruturais produzidos em massa, o elevador de
segurança e as técnicas de proteção contra incêndio. Os sistemas estruturais eram executados
de modo lógico com a estrutura de aço, travada lateralmente para suportar as cargas de vento
(FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Siga em Frente...
A Escola de Chicago
Esse termo é usado para descrever um grupo de arquitetos e designers que estavam ativos em
Chicago durante o final do século XIX e o início do século XX, e que compartilhavam algumas
ideias e princípios arquitetônicos comuns. É conhecida por suas contribuições inovadoras para a
arquitetura moderna e seu foco em tecnologia, funcionalidade e estética.
“Enquanto reconstruíam o distrito comercial de Chicago, quase todo destruído por um incêndio
em 1871, vários homens criativos aperfeiçoaram a construção com estrutura de metal à prova de
fogo para edifícios altos, criando, assim, o arranha-céu” (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p.
443).
É creditado a William Le Baron Jenney (1832-1907), projetista do Edifício Home Insurance
Company (1883-1885), o desenvolvimento inicial do arranha-céu, ainda que seu edifício não
tenha uma estrutura apenas de metal, visto que o pavimento térreo contém seções de paredes de
alvenaria portante (Figura 5).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 5 | William Le Baron Jenney, Edifício Home Insurance Company, Chicago, Illinois, 1883-1885. Fonte: Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 443).
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PAISAGISMO
A arquitetura da Escola de Chicago foi protagonista na evolução da arquitetura moderna nos
Estados Unidos e no restante do mundo. Tinha uma ênfase muito forte na funcionalidade e no
uso de novas tecnologias, como estruturas de aço e vidro, moldando a partir de então a
aparência das cidades modernas com a criação de edifícios altos.
Vamos Exercitar?
A forma segue a função
Louis Sullivan passou um ano no recém-criado programa de arquitetura do M.I.T. e trabalhou por
um breve período nos escritórios na Filadélfia e em Chicago. Um pouco depois, trabalhou para
Dankmar Adler. Foi, então, que os conhecimentos de engenharia e administração de Adler,
complementados com as inclinações artísticas de Sullivan, acarretaram, em 1881, na criação da
empresa Adler and Sullivan.
“Em 1890, ao serem contratados por Ellis Wainwright, cervejeiro de Saint Louis, Adler e Sullivan
tiveram a primeira oportunidade de projetar um arranha-céu; o tratamento dado por Sullivan ao
exterior se tornou um modelo que foi seguido em muitos edifícios altos posteriores” (FAZIO;
MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 443).
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Figura 6 | Dankmar Adler e Louis Sullivan, Edifício Wainwright, Saint Louis, Missouri, 1890. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse
(2011, p. 465).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Sullivan é considerado um dos líderes da Escolade Chicago e enfatizava a funcionalidade na
arquitetura ("forma segue a função"), argumentando que a arquitetura deveria ser guiada pela
função do edifício.
O conceito de Sullivan para a composição do arranha-céu permanece válido ainda hoje. No lugar
dos antigos painéis de revestimento de tijolo e terracota usados por ele, as construções de
edifícios altos dos tempos atuais fazem amplo uso das paredes cortina de vidro (peles de vidro),
nas quais as estruturas leves que sustentam os vidros avançam em relação aos pilares
estruturais.
Saiba mais
Estudante, você está convidado a ler a dissertação de mestrado “Arte e Técnica: O ferro na
arquitetura do século XIX e início do XX no Rio de Janeiro”, de Juliana Guelber de Mendonça
(2014).
Você poderá aprofundar o que foi estudado sobre a arquitetura do ferro, com foco em casos
presentes no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. É sempre interessante identificar as tendências
mundiais aplicadas também em um cenário mais próximo da nossa realidade.
Referências
BENEVOLO, L. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 2014.
CHING, F. D. K.; JARZOMBEK, M.; PRAKASH, V. História global da arquitetura. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2019.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2011.
PEREIRA, J. R. A. Introdução à história da arquitetura: das origens ao século XXI. Porto Alegre:
Bookman, 2010.
TROVO, P. A. História e teoria da arquitetura, urbanismo e paisagismo. Londrina: Editora e
Distribuidora Educacional S. A., 2017.
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
http://objdig.ufrj.br/21/teses/819068.pdf
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Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante! Nesta videoaula, serão tratados os fatos e aspectos significativos do século XIX
na arquitetura e urbanismo a partir da Revolução Industrial. Você verá como o progresso
modificou a arquitetura e transformou o cenário urbano. Entenderá os estilos neoclássico e
neogótico, finalizando com o Ecletismo. Também estudará os aspectos ligados à arquitetura do
ferro e à verticalização das edificações.
Esse conteúdo será importante, pois serão demonstradas as situações que poderão ocorrer em
sua vida profissional.
Vamos lá?
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é conhecer as técnicas
construtivas, os materiais e as tecnologias disponíveis em cada contexto histórico, você deverá
primeiramente entender os conceitos fundamentais da Revolução Industrial e dos princípios do
urbanismo do século XIX.
A Revolução Industrial influenciou na concepção de novos espaços urbanos e nas necessidades
das cidades industriais. Nesse sentido, é importante conhecer esse período da história, pois tal
movimento modificou grande parte da estrutura das cidades, que precisaram ser transformadas
para atender às demandas provenientes da industrialização e seus desdobramentos. Isso de
certa forma se estabelece como uma analogia, guardadas as devidas proporções, às novas
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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PAISAGISMO
demandas atuais que surgem e conduzem o poder público a assumir um protagonismo nas
propostas de transformação e melhoria do contexto urbano.
A cidade de Paris foi um marco dessas reformas, como elucida Ching, Jarzombek e Prakash
(2019, p. 675):
Ao contrário das estratégias de projeto urbano mais antigas – como a da Roma de Sixto V e a de
Washington, D.C. – que usaram bulevares retos implantados conforme as edificações mais
importantes (como palácios e igrejas), as novas ruas de Haussmann foram lançadas conforme
considerações pragmáticas e econômicas. Entretanto, elas tiveram de ser construídas ao custo
da demolição de grande parte do tecido urbano medieval de Paris e do deslocamento de
milhares de moradores, principalmente das classes desfavorecidas.
O desenho das cidades do século XIX tinha como ideia fundamental a renovação de áreas,
facilitando a circulação e promovendo a salubridade da cidade.
É Hora de Praticar!
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Para contextualizar a sua aprendizagem sobre o período histórico em que se deu a Revolução
Industrial no século XIX e como a arquitetura e o urbanismo transformaram-se a partir de então,
em virtude do progresso econômico e tecnológico, imagine que você será responsável por uma
exposição em um centro cultural da sua cidade.
Você é um arquiteto já estabelecido no mercado de trabalho e, durante a sua trajetória
profissional, sempre esteve envolto com projetos culturais e exposições sobre arquitetura, tanto
em museus e em centros de exposições que abordam o tema da arquitetura, além de produções
para a área acadêmica, as quais envolvem os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo.
Nos últimos dias, você recebeu um convite da Secretaria de Cultura Municipal para organizar
uma exposição itinerante sobre arquitetura e desenvolvimento urbano, que passará pela sala
principal do centro cultural e museus municipais, e finalizará no campus da universidade local.
Pelo fato de a cidade estar passando pela aprovação do seu novo Plano Diretor, a curadoria
enviou a você uma ementa com o tema a ser desenvolvido, que trata das reformas urbanísticas e
a configuração das novas cidades na Revolução Industrial do século XIX.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Também ficou definido que a exposição terá um caráter híbrido e que você poderá organizá-la
com diversos recursos, como projeções, desenhos, projetos, maquetes (eletrônicas e físicas),
pois o objetivo é justamente aproximar o visitante do conteúdo que será exposto. Dessa forma,
para que você possa organizar essa exposição e abordar todas essas questões, foi proposto que
ela seja dividida em três seções, nas quais serão apresentados os planos urbanos de Paris,
Barcelona e Viena, abordando o caráter projetual dos centros urbanos e suas necessidades na
época.
Lembre-se que o tema envolve:
O Plano Haussmann de Paris.
O Plano Cerdà de Barcelona.
O Plano Ringstrasse, em Viena.
Tendo em vista o conteúdo abordado, para organizar esse primeiro momento da exposição,
como você organizaria o roteiro para retratar os movimentos de intervenção nessas cidades para
que elas se organizassem diante das necessidades da Revolução Industrial? Quais seriam as
principais reformas urbanas que você poderia apresentar?
Mãos à obra!
Quais as principais características da arquitetura da Revolução Industrial?
Como o urbanismo do século XIX influenciou nossas cidades?
Quais os estilos arquitetônicos marcaram esse momento histórico?
Para formatar e organizar o roteiro da exposição, cujo tema são as transformações urbanas no
século XIX, você deveria apresentar o conteúdo das reformas de Paris, Barcelona e Viena.
Essas reformas, cada qual em sua época, ocorreram para suprir determinadas demandas
específicas, muito em virtude da alta concentração demográfica nas grandes cidades. As
principais ocorrências comuns foram:
Reforma política em virtude dos novos pensamentos racionalistas da época.
Reforma higienista das cidades, buscando melhorar a qualidade sanitária dos habitantes,
sobretudo com reformas, ampliações e criações de redes de esgoto e fornecimento de
água potável.
Medidas de controle de epidemias e doenças.
Adequação das cidades às novas demandas da Revolução Industrial, como a criação demoradias e a construção de espaços de lazer.
Resumidamente, essas foram algumas das soluções buscadas nas reformas das cidades, pois,
todas elas, cada uma em sua medida, passava por uma mudança significativa em seu cenário
urbano, muito em virtude do progresso econômico e tecnológico que motivava a migração da
população em busca de emprego e melhores condições de vida. Somado a esse aumento
populacional, a ascensão de uma classe burguesa denotava essa demanda por novas
necessidades.
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Nesse sentido, os redesenhos das cidades, embora tenham sido influenciados primeiramente
pelo Plano Haussmann de Paris, possuíram características convergentes e divergentes, em que
cada reestruturação promoveu diferentes modificações nas cidades. Para melhor apresentar
esse comparativo, seria interessante criar um quadro de elementos que convergem para as
mesmas necessidades e outras tomadas de decisões que diferenciaram como cada cidade
recebeu sua reforma urbanística.
Paris e o Plano Haussmann
Vias: passaram por um redesenho eliminando ruas com formatos medievais. Esses
formatos foram substituídos por grandes avenidas retilíneas.
Quadras: possuem formato irregular, pois foram concebidas após a definição das vias, cujo
desenho acontece de forma desigual.
Edificações: foram padronizadas com gabarito e cores. Além disso, seu formato era
irregular, pois seguia o desenho das quadras.
Barcelona e o Plano Cerdà
Vias: foram alteradas pela criação de avenidas diagonais e ruas verticais e horizontais,
priorizando o transporte público.
Quadras: possuem formato quadrado e algumas são cortadas pelas avenidas diagonais.
Edificações: possuíam o formato das quadras, ou seja, as fachadas eram adjacentes ao
quadrado formatado pelas vias. A parte interna foi planejada para ser aberta, com áreas
verdes.
Viena e o Ringstrasse
Vias: criação de um anel que circundava o centro histórico de Viena. As vias internas foram
mantidas e não sofreram alterações.
Quadras: não sofreram muitas alterações.
Edificações: foram mantidas de acordo com a preservação do centro histórico, somente
com a criação de alguns edifícios públicos.
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ARQUITETURA, URBANISMO E
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Figura 1 | Síntese dos conteúdos
abordados durante os estudos
CHING, F. D. K.; JARZOMBEK, M.; PRAKASH, V. História global da arquitetura. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2019.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2011.
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