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Acidente Vascular Cerebral FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL Prof. Me. Flávio Pulzatto Acidente Vascular Cerebral (AVC) • O paciente com Acidente Vascular Cerebral apresenta-se ao fisioterapeuta com um conjunto de problemas físicos, psicológicos e sociais. • O início do AVC é súbito, com déficit máximo no início, de modo que o choque para o paciente e para seus familiares pode ser devastador. • A prevalência é de aproximadamente 2 em 1000. • O resultado final é óbito em 30% dos casos, recuperação total em 30% dos casos e incapacidade residual em 40% dos casos. Acidente Vascular Encefálico/Cerebral - Definições • Sinônimo de Derrame Cerebral. • É uma definição clínica. • Segundo a OMS: AVC é “um sinal clínico de rápido desenvolvimento de perturbação focal da função cerebral, de suposta origem vascular e com mais de 24 horas de duração”. AVC – Anatomia e Fisiologia • Cérebro tem metabolismo quase exclusivamente aeróbico. • Assim os neurônios precisam de sangue continuamente. • Se for privado de sangue, perde-se a consciência em segundos e há lesão irreversível em minutos. • Por isso, a evolução forneceu ao cérebro irrigação sanguínea abundante e anatomicamente diversificada. AVC – irrigação cerebral AVC – Circuito ou polígono de Willis AVC – irrigação cerebral • As artérias subclávias dão origem às artérias vertebrais, que se unem para formar a artéria basilar. • A artéria Basilar irriga o mesencéfalo, ponte, bulbo e cerebelo. AVC – irrigação cerebral No mesencéfalo, a artéria basilar se divide em dois ramos ramos posteriores, que irrigam o lobo occipital do cérebro. Essas duas artérias também unem-se ao ramo posterior do circuito de Willis por pequenas artérias comunicantes posteriores e assim, ocorre anastomose entre carótida interna e a circulação vertebral, o que fornece proteção a mais à circulação cerebral. AVC – irrigação cerebral Artéria Cerebral Anterior • Fissura Longitudinal do cérebro, em torno do corpo caloso e ramifica-se na face medial de cada hemisfério do lobo frontal até o sulco parieto-occipital. • Parte do giro pré e pós central, responsáveis pela inervação da região da perna e pé do lado contralateral. Artéria Cerebral Anterior • Estruturas subcorticais ➢ ganglios da base ( cápsula interna, núcleo caudado inferior) ➢ 4/5 do corpo caloso. • Obstrução: diminuição da sensibilidade e motricidade predominantemente em MI do lado oposto. • Pode ter distúrbio de comportamento associado. Artéria Cerebral Média • Percorre o sulco lateral e vasculariza a maior parte da face supero lateral de cada hemisfério. ➢ Lobo frontal, temporal e parietal. ➢Estruturas subcorticais: parte posterior da cápsula interna, parte externa do globo pálido, núcleo caudado e putâmem. Artéria Cerebral Média • Corresponde a área motora, área somestésica, centro da fala. • Obstrução: Diminuição da sensibilidade e motricidade de MS, MI e face, mas predominantemente em MS do lado oposto do corpo. • Distúrbios da linguagem. • Pode ter perda visual associada, pela irrigação parietal. Artéria Cerebral Posterior • Ramos da bifurcação da artéria Basilar. ➢Lobo occipital e temporal (parte medial e inferior) ➢Parte superior do tronco encefálico (mesencéfalo). ➢Parte posterior do diencéfalo (maior parte do tálamo). Artéria Cerebral Posterior • Obstrução: ➢cegueira em uma parte do campo visual. ➢Memória. ➢ Síndrome sensorial talâmica (dor talâmica – dor desagradável e persistente no hemicorpo afetado). Artérias Vertebral e Basilar • Causam acidente vascular cerebral do tronco encefálico. • São menos comuns, mas muito graves. • Tronco cerebral contém núcleos responsáveis pela respiração, pressão arterial, núcleos de nervos cranianos, além de ser local onde passam tratos extremamente importantes para a motricidade, tônus e postura, além de tratos sensoriais. • Obstrução: paciente ficará gravemente incapacitado por paralisia dos nervos cranianos, tetraplegia espástica e perda sensorial AVC – irrigação cerebral Acidente Vascular Encefálico (AVE) Principais áreas e funções encefálicas acometidas após AVE Lobo Frontal Controle motor, planejamento de movimentos, área de Broca (linguagem). Lobo Parietal Área somestésica, interpretação sensorial. Lobo temporal Área de Wernicke (compreensão da linguagem), audição, aprendizagem e memória. Acidente Vascular Encefálico (AVE) Principais áreas e funções encefálicas acometidas após AVE Lobo Occipital e Lobo da Ínsula Estímulo visual e funções emocionais, respectivamente Cerebelo Equilíbrio, postura, tônus muscular, movimentos voluntários, coordenação e aprendizagem motora. Tronco Encefálico Regulação do sono, vigília, nível de consciência. TIPOS DE AVC • Isquêmico - é o mais comum, causado pela falta de sangue em determinada região do cérebro, decorrente da obstrução de uma artéria. • Hemorrágico – é causado pelo sangramento em decorrência do rompimento de uma vaso sanguíneo. ACV ISQUÊMICO - AVCI • 80 a 85% dos AVCs são isquêmicos. • No Brasil, a cada 6 segundos uma pessoa sofre um AVCI. •A causa mais comum de AVCI é a obstrução de uma das artérias cerebrais importantes (média, posterior e anterior) ou de seus ramos perfurantes menores, que vão para as partes mais profundas do cérebro. AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS • TROMBO: é um coágulo de sangue que se localiza dentro dos vasos sanguíneos, aderido à parede do mesmo, obstruindo a passagem de sangue. A obstrução pode ser parcial ou total. Quando o vaso é obstruído por um trombo, damos o nome de trombose. AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS • ÊMBOLO: é quando um trombo se solta na corrente sanguínea até encontrar um vaso com calibre menor do que o próprio êmbolo, ficando preso e obstruindo a circulação do sangue. Quando um vaso é obstruído por um êmbolo, estamos diante de uma embolia. AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS • ISQUEMIA: é a falta de suprimento de sangue para algum tecido ou órgão. Toda vez que a circulação de sangue não é suficiente para o funcionamento das células, ocorre a isquemia. É um processo reversível se tratado a tempo. AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS • INFARTO: É a morte das células por uma isquemia prolongada. Ocorre em geral por obstrução da artéria por um trombo ou por um êmbolo. •O infarto mais conhecido é o do miocárdio (músculo do coração), mas ele pode ocorrer em qualquer tecido ou órgão. ACV ISQUÊMICO - CAUSAS • AVCI POR TROMBOSE: COLESTEROL/TRIGLICERÍDEOS AUMENTADOS. ACV ISQUÊMICO - CAUSAS • AVCI POR EMBOLIA: os êmbolos que causam AVCI geralmente tem origem no coração, por fibrilação atrial esquerda. ACV ISQUÊMICO - CAUSAS • AVCI POR PARADA CARDÍACA OU CHOQUE CIRCULATÓRIO: Este tipo de acidente vascular cerebral é o mais grave, pois a falta de circulação sanguínea apropriada faz com que todo o cérebro sofra isquemia, e não apenas uma região como nos AVCs causados por trombo ou êmbolo. ACV ISQUÊMICO – FATORES DE RISCO • Idade Avançada • Diabetes • Tabagismo • Hipertensão Arterial • Dislipidemia • Obesidade • Fibrilação Atrial AVC HEMORRÁGICO • Ocorre hemorragia cerebral, por rompimento de um vaso sanguíneo. • Em geral, cursa com cefaléia, vômitos, e em 50% dos casos com perda de consciência. • Mais comuns são hemorragias subaracnóideas e intracerebrais. AVCH – Hemorragia subaracnóidea • É o sangramento no espaço subaracnóideo. •Ocorre por aneurismas (em geral no polígono de Willis ou próximo dele, principalmente artéria comunicante anterior), • Má-formações artério-venosas, • Traumas. AVCH – Hemorragia subaracnóidea • Cerca de 10% dos pacientes vão à óbito dentro de uma ou duas horas após o AVC. • Dos que sobrevivem 40% vão à óbito dentro de duas semanas. • Pode ocorrer hemiplegia, se a hemorragia comprometer a vascularização das partes profundas do cérebro, o que ocorre devido a tendencia dos vasos que tem percurso pelo espaço aracnóideo entrarem em espasmo, levando a lesão cerebral isquêmicasecundária. AVCH – Hemorragia intracerebral • É a hemorragia de regiões mais profundas do cérebro. •Causada por : hipertensão arterial, mal formação artério- venosa, cocaína. AVCH – Hemorragia intracerebral • Os hematomas comprometem as partes mais profundas do cérebro, como tálamo, núcleo lentiforme, cápsula interna. • Podem romper-se no sistema ventricular, o que leva rapidamente ao óbito. AVC HEMORRÁGICO • No caso de hemorragias cerebrais, a própria lesão constitui uma massa considerável, e assim, a pressão intracraniana eleva-se rapidamente. • O prognóstico inicial é extremamente grave, mas quando o hematoma é reabsorvido os pacientes ficam bem. AVC AVC isquêmico AVC Hemorrágico CRISE ISQUÊMICA TRANSITÓRIA • Acidente vascular cerebral, cuja recuperação é completa em 24 horas. • Cerca de 10–15% dos pacientes com TIA terão um AVC nos próximos 3 meses (metade nas primeiras 48h). • Os sintomas dependem a parte do cérebro que sofreu interrupção temporária de seu fluxo. • Fatores de risco modificáveis como fumo, hipertensão, diabetes devem ser considerados. INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA • OBJETIVO: Maximizar a capacidade funcional e evitar complicações secundárias, possibilitando o paciente reassumir todos os aspectos da vida. • Esse processo inclui lidar com os fatores sociais e psicológicos que afetam o paciente. INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA • Os objetivos e a intervenção serão diferentes em cada estágio. • ESTÁGIO HOSPITALAR ✓ Em geral o paciente estará na UTI, a fisioterapia, se o paciente estiver hemodinamicamente estável é prescrita e concentra-se: ✓ na função respiratória e mobilização passiva. ✓Indicar mudança de decúbito, posicionamento adequado para evitar comprometimento de tecidos moles associados. Fases do AVC e Intervenção Fisioterapêutica Fase Objetivos Conduta Fisioterapêutica Aguda Salvar vida, estabilizar paciente, prevenir complicações Posicionamento, mobilização precoce, prevenção de escaras e TVP Subaguda Recuperação funcional inicial, reduzir sequelas Treino motor intensivo, marcha, exercícios de AVDs, controle da espasticidade Crônica Maximizar independência e qualidade de vida Reabilitação funcional, órteses, tecnologia assistiva, terapias complementares INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA • RELÓGIO DE MUDANÇA DE DECÚBITO • Assim que possível incluir 2 horas SENTADO. INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA • Os objetivos e a intervenção serão diferentes em cada estágio. • ESTÁGIO PÓS ALTA HOSPITALAR ✓ Paciente será atendido na clínica ou em sua casa. ✓ Conversar sobre expectativas reais e traçar objetivos de tratamento conjuntamente com o paciente. ✓ Orientar os cuidadores e se possível conhecer o ambiente que o paciente vive para torná-lo o mais funcional possível na nova realidade. INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA • Evitar deformidades: alongamentos, mobilizações ativas e passivas, fortalecimento muscular. • Inibir tônus anormal. • Posicionamento (pode orientar decúbito lateral sobre o hemicorpo afetado, sentado). • MUITO CUIDADO COM O OMBRO – MOBILIZAÇÃO ATIVA E PASSIVA EXAUSTIVAMENTE. INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA •Estímulo à neuroplasticidade (reorganização cortical por meio de repetição e prática funcional). •Trabalho interdisciplinar com fonoaudiologia, terapia ocupacional, enfermagem e equipe médica. •Educação do paciente e família sobre autocuidado, exercícios domiciliares e prevenção secundária do AVC. INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA • Treino de mudança de decúbito. • Treino de equilíbrio. • Treino de Marcha (CUIDADO COM HIPEREXTENSÃO DE JOELHO). • Estimulo sensorial. • Estimular coordenação motora – grossa e fina. • Sempre lembrar das Atividades de Vida Diária (AVDs) dos pacientes e trabalhar com eles o que possa ser funcional. • Indicar órtese quando necessário. INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA FLACIDEZ X ESPASTICIDADE LEMBRETES • BOLINHA Slide 1 Slide 2: Acidente Vascular Cerebral (AVC) Slide 3: Acidente Vascular Encefálico/Cerebral - Definições Slide 4: AVC – Anatomia e Fisiologia Slide 5: AVC – irrigação cerebral Slide 6: AVC – Circuito ou polígono de Willis Slide 7: AVC – irrigação cerebral Slide 8: AVC – irrigação cerebral Slide 9: AVC – irrigação cerebral Slide 10: Artéria Cerebral Anterior Slide 11: Artéria Cerebral Anterior Slide 12: Artéria Cerebral Média Slide 13: Artéria Cerebral Média Slide 14: Artéria Cerebral Posterior Slide 15: Artéria Cerebral Posterior Slide 16: Artérias Vertebral e Basilar Slide 17: AVC – irrigação cerebral Slide 19 Slide 20 Slide 21: TIPOS DE AVC Slide 22: ACV ISQUÊMICO - AVCI Slide 23: AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS Slide 24: AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS Slide 25: AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS Slide 26: AVC ISQUÊMICO – CONCEITOS BÁSICOS Slide 27: ACV ISQUÊMICO - CAUSAS Slide 28: ACV ISQUÊMICO - CAUSAS Slide 29: ACV ISQUÊMICO - CAUSAS Slide 30: ACV ISQUÊMICO – FATORES DE RISCO Slide 31: AVC HEMORRÁGICO Slide 32: AVCH – Hemorragia subaracnóidea Slide 33: AVCH – Hemorragia subaracnóidea Slide 34: AVCH – Hemorragia intracerebral Slide 35: AVCH – Hemorragia intracerebral Slide 36: AVC HEMORRÁGICO Slide 37: AVC Slide 38: AVC isquêmico Slide 39: AVC Hemorrágico Slide 40: CRISE ISQUÊMICA TRANSITÓRIA Slide 41: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 42: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 43: Fases do AVC e Intervenção Fisioterapêutica Slide 44: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 45: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 46: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 47: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 48: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 49: INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA Slide 50: LEMBRETES Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56