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Manual de Petições

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direito material,
deve estar em consonância com as provas carreadas para os autos, pois direito é prova,
uma vez que alegar e não provar é o mesmo que cair no vazio.
A escolha da ação adequada
Após o estudo do direito material, já tendo em mãos sua interpretação e amparo
doutrinário para o caso, procurar identificar o tipo de ação a ser proposta, se o trabalho está
sendo feito em patrocínio do autor, pesquisando no processo civil, a matéria em questão.
Se o caso é abordado em prol do réu, o trabalho a ser desenvolvido será a contradita ou
contestação, assim, ao buscar-se no processo civil a matéria em questão, necessário,
primeiramente verificar se a via eleita pelo autor é manifestamente adequada, para somente
depois, pensar-se na defesa propriamente dita.
O procedimento
 Seja o trabalho feito a favor do autor ou do réu, analisar todas as possibilidades
existentes em matéria processual, de acordo com a pretensão do cliente, escolhendo o
procedimento mais adequado a seguir no processo, ou verificar se o rito escolhido pelo
autor é o mais acertado, para o caso em questão. É preciso lembrar que, no processo civil
brasileiro existem apenas dois procedimentos: o comum e os especiais. O primeiro,
subdividido em ordinário e sumário e o segundo, em procedimentos especiais de jurisdição
contenciosa e procedimentos especiais de jurisdição voluntária. Embora sejam somente
esses os procedimentos específicos do código, não se deve esquecer que os processos
cautelares e os de execução, fogem à regra geral, tendo seus próprios ritos, assim como
algumas leis extravagantes ditam regras de procedimento especialíssimo, como por exemplo,
a lei de alimentos.
Interpretação do direito processual
Após a determinação ou a confirmação do procedimento da ação, fazer o estudo da
matéria processual aplicável ao caso, procurando anotar todos os dispositivos processuais
que amparam a pretensão do autor ou a defesa do réu, interpretando cada um deles à luz
do direito, alicerçando a interpretação na melhor doutrina de processualistas consagrados,
de forma a permitir um resumo da matéria processual estudada, para ter às mãos o caminho
a seguir, tanto na petição inicial, quanto na contestação.
 Este é um ponto de alta importância, pois, muitas vêzes, a parte tem a seu favor o
direito material, mas por um descuido ou erro “in procedendo”, o advogado poderá por tudo
a perder, vindo a ter sua petição inicial indeferida, por não obedecer às mais diversas normas
processuais, tais como observar as condições da ação, pressupostos processuais etc.
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 O processo, sendo um conjunto de atos coordenados, segue obrigatoriamente a
determinadas regras, ditadas pelas normas processuais, sendo necessário muita atenção
na sua aplicação, que deve ser a mais escorreita possível, para que a parte não venha a
ficar em situação desfavorável, em consequência de inobservância ou negligência
profissional.
A jurisprudência
Tendo feito o estudo do caso à luz do direito material e processual, com seus
respectivos resumos, passar à pesquisa da jurisprudência, selecionando e anotando as
decisões existentes que se apliquem ao caso em estudo, procurando, sempre que possível,
decisões dos tribunais do Estado em que for ajuizada ou está ajuizada a ação. Enriquecer
ao máximo o libelo com a jurisprudência mais recente e, se possível, com súmulas dos
tribunais superiores. É aconselhável, no entanto, não inserir na inicial a jurisprudência, no
caso de ser ordinário, o procedimento da ação, uma vez que existirá oportunidade para tal,
por ocasião da réplica, para que se tome conhecimento, primeiramente, das alegações do
réu. Em sendo o procedimento sumário, ou qualquer um dos especiais, aí sim, na inicial
deverá ser inserida a jurisprudência na petição incial, pois poderá não existir outra
oportunidade processual para se fazê-lo. Já na contestação, as decisões jurisprudenciais
devem ser inseridas na sua feitura, pois dificilmente o réu irá falar nos autos, após a defesa,
a não ser por ocasião do memorial, em alegações finais.
O fluxograma
Com base no procedimento escolhido e na análise processual da matéria, elaborar
um fluxograma do rito a ser seguido no processo, demonstrando os diferentes passos a
serem seguidos pelo juiz, partes, Ministério Público e serventuários da justiça, de forma a
permitir a fiscalização no curso do processo, evitando, assim, incidentes processuais tortuosos
e deficientes, que quase sempre levam à enorme perda de tempo, para não se falar em
graves prejuízos para a parte. O trabalho de fiscalização do rito processual, é sem dúvida,
uma das mais importantes funções do advogado, ao exercer a advocacia forense.
O cuidado com os prazos
Verificar todos os prazos exigidos pela lei, que irão transcorrer no processo, de
acordo com o procedimento da ação, redigindo anotações, ao lado de cada quadro do
fluxograma, de forma a permitir uma visualização clara e rápida, para que sua observância
seja eficiente, uma vez que a perda do prazo, para o exercício dos atos processuais, acarreta
a preclusão, trazendo à parte prejuízo, muitas vezes irreparáveis.
 É importante tomar todos os cuidados, uma vez que determinados prazos vão além
da simples preclusão, como no caso de prazos prescricionais ou decadenciais, como, por
exemplo, no caso de ações penais privadas, cuja queixa crime deve ser feita no prazo
máximo de seis meses a partir do fato ou do momento em que o querelante tomou
conhecimento do mesmo, sendo certo que perdido o prazo, opera-se a decadência, não
podendo mais o querelante exercer o direito de queixa, daí o cediço brocardo “dormientibus
non succurrit jus”, ou seja, o direito não socorre os que dormem.
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O dossiê
Tendo o caso em questão completamente estudado, segundo os passos
anteriormente descritos, elaborar um dossiê sobre todo o estudo feito, iniciando pelo relato
do cliente. Procurar fazer de forma que se tenha às mãos um documento claro, preciso e,
ao mesmo tempo, conciso, para que não haja perda no conteúdo devido à prolixidade. O
dossiê deverá ser elaborado de forma a dar ao advogado, a visão completa do caso. Se o
trabalho desenvolve-se pelo autor, o documento deverá dar a noção exata da pretensão
deste, devidamente agasalhada e amparada pelo direito, material e processual. Se o trabalho
desenvolve-se pelo réu, o documento deverá permitir a visualização completa da tese da
defesa, com seu amparo legal e jurisprudencial. À medida que o processo se desenvolver,
fazer anotações das peças mais importantes, principalmente das petições da parte contrária,
dos despachos do juri, com anotações das datas das principais fases do processo,
complementando o dossiê sobre o caso.
Preparando o processo
Pressupostos processuais
Antes de pensar-se em iniciar a redação da petição inicial ou da contestação, deve-
se verificar se a parte, seja ela autora ou ré, atende a todos os pressupostos processuais
para a validade do processo, de forma a evitar surpresas no curso do mesmo, pois de nada
adiantará a discussão do mérito, se a parte não atende às exigências da lei adjetiva, no
tocante aos pressupostos processuais, não tendo capacidade para postular ou não estando
devidamente representada ou a outros específicos, em casos de ações que exijam
determinadas condições, tais como no caso de cautelares, ou ações de procedimento
especial.
As condições da ação
Embora possam estar presentes todos os pressupostos para a validade do processo,
isto não significa dizer que o mesmo esteja em ordem, uma vez que é necessário que a
parte, autor ou réu, atenda às condições da ação, tais como a legitimidade, ativa ou passiva,
interesse processual, que se traduz pela necessidade de agir e a possibilidade jurídica,
uma vez que não se pode pretender ou defender interesse contrários à lei.
 A falta de qualquer das três condições da ação acarretará a extinção do processo
sem julgamento