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Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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PONTO 3
Ciclo celular, apoptose, necrose e
mecanismos de controle da 
proliferação
Apostila expandida e aprofundada para concurso docente
Base principal: Alberts et al. — Biologia Molecular da Célula, 6ª ed.
Capítulos 17 e 18, com integração conceitual do Capítulo 20 para p53 e câncer.
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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Mapa mental geral do ponto
Use este mapa como visão de conjunto. A apostila desenvolve cada eixo molecularmente, 
preservando a sequência lógica do Alberts.
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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Roteiro de estudo
1. Visão integrada: ciclo celular, proliferação e destino celular
2. Sistema de controle do ciclo celular: lógica molecular
3. G1, G0 e o compromisso com um novo ciclo
4. Mitógenos, Ras-MAPK, Myc e o eixo Rb-E2F
5. Fase S: licenciamento e replicação única do genoma
6. G2/M e ativação da M-Cdk
7. Mitose: organização mecânica e regulação
8. APC/C, securina, separase e checkpoint do fuso
9. Citocinese e retorno ao estado de G1
10. Checkpoints de dano ao DNA: ATM/ATR, Chk1/Chk2 e p53-p21
11. Senescência, telômeros e limites proliferativos
12. Apoptose: função biológica, morfologia e lógica do programa
13. Caspases iniciadoras e executoras
14. Via extrínseca: receptores de morte, FADD, DISC e caspase-8
15. Via intrínseca: mitocôndria, citocromo c e apoptossomo
16. Família Bcl-2, Bax/Bak, proteínas BH3-only e IAPs
17. Fatores de sobrevivência e integração entre proliferação e apoptose
18. Necrose e necroptose: contraste com apoptose
19. p53 como elo entre checkpoint, senescência e apoptose
20. Perda do controle proliferativo e câncer: integração final
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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1. Visão integrada: ciclo celular, proliferação e destino celular
O ciclo celular não deve ser entendido como uma simples sucessão cronológica de G1, S, 
G2 e M. Em células animais, ele constitui um sistema decisório que integra a condição do 
genoma, o estado metabólico, a disponibilidade de sinais extracelulares, a adesão ao 
microambiente e a execução correta dos eventos anteriores. A célula somente progride 
quando mecanismos reguladores convertem essas informações em mudanças coordenadas 
na atividade de proteínas-chave. Por isso, a compreensão do ciclo celular exige distinguir os 
eventos que ocorrem em cada fase dos mecanismos que autorizam a transição entre fases.
A interfase compreende G1, S e G2. Em G1, a célula cresce, sintetiza macromoléculas e 
avalia se as condições são adequadas para uma nova divisão. A fase S é caracterizada pela 
duplicação do DNA e pela montagem de cromatina sobre as moléculas recém-sintetizadas. G2 
separa a conclusão da replicação da entrada em mitose e permite que a célula verifique se a 
duplicação cromossômica foi completada adequadamente. A fase M reúne mitose e citocinese: 
primeiro o material genético duplicado é segregado e, em seguida, o citoplasma é dividido.
O ponto central é que a progressão não ocorre por inércia. Oscilações de atividade de 
complexos ciclina-Cdk funcionam como motores moleculares do ciclo. Essas oscilações são 
produzidas por síntese e degradação de ciclinas, fosforilações ativadoras ou inibidoras, 
proteínas inibidoras de Cdk e proteólise dependente de ubiquitina. Assim, uma transição do 
ciclo representa uma mudança de estado bioquímico: determinados conjuntos de substratos 
passam a ser fosforilados ou desfosforilados, e isso reorganiza a célula em escala global.
A proliferação celular acrescenta uma dimensão superior ao problema. Uma célula pode 
estar metabolicamente ativa e, ainda assim, permanecer fora do ciclo. Em tecidos adultos, 
muitas células encontram-se em G0 ou em estados quiescentes e retornam ao ciclo apenas 
diante de estímulos apropriados. Mitógenos não fornecem simplesmente 'energia para 
dividir'; eles ativam vias de sinalização que modificam a expressão gênica e a atividade de 
reguladores de G1, permitindo que a célula ultrapasse o compromisso com a fase S.
A morte celular constitui o outro lado desse sistema de controle. Se a célula acumula dano 
incompatível com a manutenção segura do genoma, mecanismos de checkpoint podem 
interromper o ciclo; se o dano for irreparável, a resposta pode evoluir para senescência ou 
apoptose. Dessa forma, proliferação, parada do ciclo e morte não são temas independentes: 
formam uma rede de decisões que protege a homeostase tecidual e reduz a propagação de 
células potencialmente perigosas.
Chave para a banca: trate ciclo, proliferação, checkpoints e morte como uma rede integrada de 
decisões celulares.
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2. Sistema de controle do ciclo celular: lógica molecular
O sistema de controle do ciclo celular pode ser comparado a uma rede de interruptores 
bioquímicos acoplados. Cada transição importante depende de reguladores que, uma vez 
ativados, desencadeiam processos celulares extensos. O núcleo dessa rede é formado pelas 
cinases dependentes de ciclina, as Cdks. As Cdks estão presentes em quantidade 
relativamente constante, mas sua atividade varia porque depende da associação com ciclinas 
específicas e de múltiplos mecanismos reguladores.
Em termos funcionais, distinguem-se atividades de G1-Cdk, G1/S-Cdk, S-Cdk e M-Cdk. A 
nomenclatura enfatiza a função no ciclo mais do que uma única combinação molecular. Em 
células de mamíferos, complexos ciclina D-CDK4/6 participam do controle de G1; ciclina E-
CDK2 favorece a transição G1/S; ciclina A-CDK2 sustenta eventos da fase S; e ciclina B-CDK1 
constitui um componente central da entrada e progressão inicial da mitose.
A associação entre ciclina e Cdk é necessária, mas não suficiente para explicar toda a 
regulação. A Cdk pode receber fosforilação ativadora por CAK e fosforilações inibidoras por 
cinases como Wee1. A fosfatase Cdc25 remove fosfatos inibidores e pode provocar ativação 
abrupta de complexos ciclina-Cdk. Esse arranjo é especialmente importante na transição 
G2/M, porque permite que a atividade de M-Cdk aumente de forma semelhante a um 
interruptor, em vez de crescer lentamente.
As proteínas inibidoras de Cdk, ou CKIs, adicionam uma camada de controle. p21 pode 
inibir G1/S-Cdk e S-Cdk em resposta a dano no DNA; p27 contribui para a manutenção de 
estados não proliferativos; p16 inibe G1-Cdk e é relevante no controle de G1. Portanto, a 
célula não regula apenas a presença das ciclinas: regula a competência catalítica dos 
complexos e a disponibilidade de inibidores.
A proteólise regulada é igualmente decisiva. Duas ubiquitina-ligases têm papel 
proeminente: SCF e APC/C. A SCF reconhece determinados substratos, frequentemente após 
fosforilação, e participa da remoção de reguladores de G1. O APC/C controla a transição 
metáfase-anáfase e a saída da mitose, direcionando securina e ciclinas para degradação. A 
irreversibilidade de várias transições decorre justamente da destruição proteolítica de 
reguladores, que impede um simples retorno ao estado anterior.
Para a banca, é importante formular uma ideia: checkpoints não são 'fases extras'. São 
mecanismos de vigilância que modulam o sistema de controle. Um DNA danificado, uma 
replicação incompleta ou um cromossomo não ligado corretamente ao fuso gera sinais que 
inibem transições específicas. O ciclo é, portanto, uma sequência ordenada porque a rede de 
controle vincula causalmente um evento ao seguinte.
Chave para a banca: explique como ciclinas-CDKs, CKIs, fosforilação e proteólise geram transições 
ordenadas e irreversíveis.
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3. G1, G0 e o compromisso com um novo ciclo
G1 é uma fase particularmente importante em células animais porque nela sinais do 
ambiente extracelularexercem forte controle sobre a decisão proliferativa. Após a mitose, a 
atividade global das Cdks cai e a célula entra em um estado relativamente estável de baixa 
atividade de Cdk. Esse estado é mantido por mecanismos redundantes, incluindo atividade de 
Cdh1-APC/C, presença de CKIs e baixa expressão de determinadas ciclinas.
A existência de G1 cria uma janela na qual a célula pode avaliar nutrientes, tamanho, 
integridade e sinais mitogênicos. Na ausência de estímulos adequados, muitas células não 
avançam para S e podem entrar em G0. G0 não deve ser tratado como sinônimo de morte ou 
inatividade metabólica. Trata-se de um estado não proliferativo que pode ser reversível em 
células quiescentes ou mais estável em células terminalmente diferenciadas.
O retorno de uma célula quiescente ao ciclo exige reorganização transcricional. Mitógenos 
ativam receptores de superfície e vias de sinalização, entre elas Ras-MAPK, que induzem 
genes de resposta imediata, incluindo reguladores como Myc. Myc estimula programas de 
expressão que favorecem crescimento e aumento de atividade de G1-Cdk. Assim, o estímulo 
extracelular é traduzido em uma mudança na maquinaria central do ciclo.
O conceito de compromisso proliferativo é essencial. Antes de determinada etapa de G1, a 
retirada de mitógenos pode impedir a progressão. À medida que G1-Cdk e G1/S-Cdk ativam 
circuitos de retroalimentação, a célula torna-se progressivamente menos dependente do 
estímulo inicial e estabelece um programa autossustentado de entrada em S. Esse 
comportamento explica por que a transição G1/S tem caráter decisório.
Em uma resposta de concurso, vale diferenciar quiescência, senescência e diferenciação. 
Quiescência é geralmente reversível e dependente do contexto; senescência corresponde a 
uma parada proliferativa duradoura associada a estresses, dano ou encurtamento telomérico; 
diferenciação refere-se à aquisição de um programa funcional especializado e pode ou não 
envolver saída permanente do ciclo. Confundir esses conceitos enfraquece a análise dos 
mecanismos de controle da proliferação.
Chave para a banca: diferencie G0, quiescência, diferenciação e senescência.
4. Mitógenos, Ras-MAPK, Myc e o eixo Rb-E2F
O controle da proliferação em células animais conecta diretamente sinalização 
extracelular à maquinaria do ciclo. Mitógenos ligam-se a receptores de superfície e podem 
ativar a pequena GTPase Ras. Ras-GTP desencadeia uma cascata de MAP-cinases que altera a 
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atividade de proteínas citosólicas e nucleares. Um resultado importante é o aumento de genes 
precoces imediatos, entre eles Myc, regulador transcricional que promove programas 
associados ao crescimento e à entrada no ciclo.
Myc aumenta a expressão de genes que favorecem a atividade de G1-Cdk, especialmente o 
eixo ciclina D-CDK4/6. A importância desse passo reside em seu alvo: proteínas da família Rb. 
Em células pouco estimuladas, Rb associa-se a E2F e limita a transcrição de genes necessários 
à fase S. Quando G1-Cdk fosforila Rb, essa repressão é reduzida e E2F passa a ativar genes que 
codificam proteínas de replicação, ciclina E, ciclina A e outros componentes do programa de 
S.
A liberação de E2F produz retroalimentação positiva. E2F estimula sua própria expressão 
e aumenta a produção de ciclinas que elevam G1/S-Cdk e S-Cdk. Essas Cdks promovem 
fosforilação adicional de Rb, liberando ainda mais E2F. O sistema converte, assim, um 
estímulo mitogênico gradual em uma transição relativamente abrupta e auto-reforçada. Essa 
arquitetura explica a robustez do compromisso com a fase S.
Rb deve ser compreendida como um freio molecular, não como uma proteína que 
simplesmente 'desliga o ciclo'. Sua atividade integra o estado de fosforilação e controla a 
disponibilidade funcional de E2F. A perda de Rb ou a ativação persistente de vias que a 
inativam pode favorecer proliferação inadequada, mas o sistema possui controles paralelos, 
como CKIs, resposta a dano no DNA e mecanismos de morte celular.
A relação entre mitógenos e crescimento também merece atenção. Para dividir-se, uma 
célula precisa duplicar massa e componentes, não apenas DNA. Myc e outras vias estimuladas 
por fatores extracelulares coordenam expressão de genes biossintéticos com a progressão do 
ciclo. Por isso, proliferação celular resulta da integração de sinais de crescimento, 
sobrevivência e divisão.
Uma formulação forte para prova discursiva é: mitógenos não empurram mecanicamente 
a célula para S; eles remodelam a rede regulatória de G1. Ras-MAPK e Myc aumentam G1-Cdk; 
G1-Cdk reduz a ação repressora de Rb; E2F ativa o programa transcricional de S; e circuitos 
de retroalimentação tornam a decisão progressivamente autônoma.
Chave para a banca: domine a sequência mitógeno Ras/MAPK Myc ciclina D-CDK4/6 Rb → → → → → 
E2F ciclinas E/A.→
5. Fase S: licenciamento e replicação única do genoma
A fase S apresenta um problema de controle particularmente rigoroso: cada segmento do 
genoma deve ser replicado uma vez, e somente uma vez, por ciclo. A duplicação incompleta 
gera perda de informação genética; a rerreplicação de regiões cria excesso de cópias e 
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instabilidade. O sistema resolve esse problema separando temporalmente o licenciamento 
das origens e sua ativação.
Na mitose tardia e em G1, quando a atividade de Cdk é baixa, o complexo de 
reconhecimento de origem (ORC), Cdc6 e Cdt1 promovem o carregamento de helicases 
inativas nas origens. Forma-se o complexo pré-replicativo, ou pré-RC. Esse processo 'licencia' 
a origem, isto é, torna-a competente para iniciar replicação na fase S subsequente.
Quando a célula entra em S, S-Cdk e DDK promovem eventos que ativam as helicases e 
recrutam a maquinaria de síntese de DNA. As forquilhas partem das origens e avançam pelo 
cromossomo. Ao mesmo tempo, a própria atividade de S-Cdk impede novo licenciamento: 
componentes como ORC e Cdc6 são regulados por fosforilação, e Cdt1 é inibida, inclusive pela 
geminina. Dessa forma, a condição bioquímica que permite disparar uma origem é 
incompatível com a montagem de um novo pré-RC.
Esse mecanismo é um exemplo elegante de como o ciclo garante direcionalidade. O 
licenciamento ocorre em baixa atividade de Cdk; a ativação ocorre em alta atividade de S-
Cdk; e o novo licenciamento só se torna possível após a queda da atividade das Cdks no final 
da mitose. A mesma lógica impede que uma origem já utilizada seja reativada dentro da 
mesma fase S.
A duplicação cromossômica envolve mais que a síntese da sequência de DNA. Histonas e 
outras proteínas associadas à cromatina também precisam ser distribuídas e montadas sobre 
o DNA recém-replicado. Além disso, as cromátides-irmãs recém-formadas são mantidas 
unidas por coesinas, criando a arquitetura necessária para a segregação correta na mitose.
Na discussão de checkpoints, é útil conectar replicação e entrada em mitose. DNA não 
completamente replicado ou dano durante S gera sinais que retardam transições posteriores. 
A célula evita, assim, condensar e segregar cromossomos cuja duplicação ainda não foi 
concluída de modo adequado.
Chave para a banca: explique por que o licenciamento em G1 e a ativação em S impedem 
rerreplicação.
6. G2/M e ativação da M-Cdk
A entrada em mitose exige uma reorganização celular maciça: cromossomos condensam, 
o fuso é montado, o envelope nuclear é desmontado em células animais e a arquitetura do 
citoesqueleto é remodelada. O disparo coordenado desses eventos depende de um aumento 
acentuado da atividade de M-Cdk, formada principalmente por ciclina B e CDK1 em células de 
mamíferos.
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A atividade deM-Cdk é regulada por fosforilação. Mesmo quando ciclina B se acumula e 
se associa a CDK1, o complexo pode permanecer inativo devido à fosforilação inibidora 
promovida por Wee1. Cdc25 remove esses fosfatos e ativa M-Cdk. Uma vez ativa, M-Cdk pode 
favorecer Cdc25 e antagonizar Wee1, estabelecendo retroalimentações que transformam uma 
mudança gradual em ativação rápida e coletiva.
Essa propriedade de 'interruptor' é biologicamente importante. A mitose não deve 
começar parcialmente em diferentes regiões da célula. A ativação abrupta de M-Cdk 
sincroniza processos que precisam ocorrer em conjunto. A fosforilação de múltiplos 
substratos altera condensação cromossômica, dinâmica de microtúbulos, organização do fuso 
e estruturas nucleares.
O sistema também impede entrada prematura em M. Se a replicação não foi concluída ou 
o DNA apresenta dano relevante, vias de checkpoint mantêm a atividade mitótica abaixo do 
limiar necessário. Portanto, a transição G2/M é um ponto de integração entre a maquinaria de 
Cdk e a vigilância da integridade genômica.
É importante não descrever G2 como uma fase meramente 'de descanso'. Ela representa 
um estado no qual a célula conclui preparações para a divisão e mantém a mitose bloqueada 
até que os requisitos estejam satisfeitos. A entrada em M é uma decisão regulada e altamente 
cooperativa.
Chave para a banca: associe a entrada em mitose à ativação abrupta de M-Cdk por Cdc25/Wee1.
7. Mitose: organização mecânica e regulação
A mitose é tradicionalmente dividida em prófase, prometáfase, metáfase, anáfase e 
telófase. Essa divisão morfológica é útil, mas para compreender o controle molecular convém 
reconhecer dois grandes módulos. O primeiro, dirigido pela elevação de M-Cdk, organiza os 
eventos iniciais até a metáfase. O segundo é iniciado pela ativação de APC/C e conduz à 
separação das cromátides e à saída da mitose.
Na prófase, cromossomos duplicados condensam e o fuso começa a ser organizado. 
Condensinas contribuem para a compactação cromossômica. Os centrossomos, quando 
presentes como principais centros organizadores de microtúbulos, participam da formação 
de polos. A dinâmica dos microtúbulos aumenta, favorecendo exploração do espaço celular.
Na prometáfase de células animais, a desorganização do envelope nuclear permite que 
microtúbulos acessem os cinetocoros. Cada cromátide-irmã possui seu cinetocoro associado 
ao centrômero. A captura é dinâmica: ligações inadequadas podem ser desfeitas e refeitas até 
que as cromátides-irmãs estejam biorientadas, isto é, conectadas a polos opostos.
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Na metáfase, os cromossomos alcançam configuração em que forças opostas e ligações 
corretas permitem alinhamento na região equatorial. Esse estado não é apenas visual. Ele é 
monitorado pelo checkpoint de montagem do fuso, que impede a ativação completa do 
mecanismo de anáfase enquanto houver cinetocoros não adequadamente ligados.
A anáfase começa quando a coesão entre cromátides-irmãs é eliminada de forma 
coordenada. A anáfase A envolve movimento dos cromossomos em direção aos polos; a 
anáfase B envolve afastamento dos próprios polos. Na telófase, cromossomos chegam aos 
polos, descondensam e os núcleos-filhos são reorganizados. A queda da atividade de Cdk é 
essencial para reverter fosforilações mitóticas e permitir a reconstrução das estruturas 
interfásicas.
Para uma resposta de nível docente, a mitose deve ser apresentada como um processo 
mecanoquímico: forças produzidas por microtúbulos e proteínas motoras são coordenadas 
por uma rede bioquímica que determina quando cada etapa pode ocorrer.
Chave para a banca: relacione a morfologia da mitose aos mecanismos regulatórios que a 
controlam.
8. APC/C, securina, separase e checkpoint do fuso
A transição metáfase-anáfase é uma das etapas mais irreversíveis do ciclo. Seu regulador 
central é o APC/C, um complexo ubiquitina-ligase. Na mitose, a associação com Cdc20 permite 
que APC/C reconheça substratos específicos e os direcione à degradação proteassomal. Dois 
grupos de alvos são fundamentais: securina e ciclinas mitóticas.
Antes da anáfase, a separase permanece inibida pela securina. Quando APC/C-Cdc20 
promove ubiquitinação e degradação da securina, separase é liberada. A separase cliva uma 
subunidade do complexo de coesina que mantém as cromátides-irmãs unidas, permitindo sua 
separação praticamente sincronizada. A anáfase, portanto, não resulta apenas de força do 
fuso; exige remoção molecular da ligação entre as cromátides.
O APC/C também promove degradação de S-ciclinas e M-ciclinas. A queda da atividade de 
Cdk permite que fosfatases removam fosfatos de numerosos substratos mitóticos. Esse 
processo é necessário para desmontagem do fuso, reorganização do envelope nuclear e 
citocinese. Assim, APC/C inicia tanto a separação cromossômica quanto a saída do estado 
mitótico.
O checkpoint do fuso impede que esse mecanismo seja ativado precocemente. Cinetocoros 
não ligados produzem sinais inibitórios que bloqueiam a capacidade de Cdc20 ativar 
adequadamente APC/C. Somente quando todos os cromossomos alcançam ligação satisfatória 
o bloqueio é removido. Essa lógica protege contra segregação desigual e aneuploidia.
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Um ponto conceitual importante é a relação entre M-Cdk e APC/C. M-Cdk ajuda a criar 
condições para ativação de APC/C; APC/C, por sua vez, promove destruição da ciclina que 
sustenta M-Cdk. Trata-se de uma retroalimentação negativa incorporada ao ciclo: o 
mecanismo que inicia a mitose também prepara sua própria terminação.
Chave para a banca: domine APC/C-Cdc20 securina separase coesina clivada anáfase.→ ↓ → ↑ → →
9. Citocinese e retorno ao estado de G1
A citocinese completa a divisão física da célula. Em células animais, um anel contrátil 
composto principalmente por actina e miosina II é montado no córtex celular. Sua posição é 
determinada em relação ao fuso mitótico, de modo que o sulco de clivagem se forme entre os 
conjuntos cromossômicos segregados.
A pequena GTPase RhoA participa da organização local do anel contrátil. Sua ativação na 
região equatorial estimula montagem de filamentos de actina e atividade contrátil. A 
constrição do anel puxa a membrana plasmática para dentro, formando o sulco e, 
posteriormente, uma ponte intercelular que será resolvida na etapa final de separação.
O momento da citocinese está acoplado à saída da mitose. A inativação de Cdks e a 
desfosforilação de alvos permitem que componentes citocinéticos sejam ativados no tempo 
correto. Essa coordenação evita divisão prematura antes da segregação cromossômica.
Após a mitose, células com uma fase G1 bem definida mantêm baixa atividade de Cdk. 
Cdh1-APC/C continua contribuindo para manter baixos os níveis de ciclinas mitóticas, 
enquanto CKIs reforçam o estado. A célula retorna, assim, a uma condição na qual pode 
novamente responder a sinais extracelulares e decidir se inicia outro ciclo.
Chave para a banca: a citocinese é mecanicamente executada por actina-miosina II e 
temporalmente acoplada à saída da mitose.
10. Checkpoints de dano ao DNA: ATM/ATR, Chk1/Chk2 e p53-p21
O dano ao DNA representa uma ameaça especial porque a progressão do ciclo pode 
converter uma lesão reparável em mutação estável ou em alteração cromossômica. Por isso, 
células possuem vias de detecção que comunicam a presença de dano ao sistema de controle 
do ciclo. Entre os principais sensores e transdutores estão as cinases ATM e ATR, que ativam 
redes envolvendo Chk1, Chk2 e outros efetores.
Um eixo particularmente importante em células de mamíferos é p53-p21. Em condições 
basais, p53 é mantida em níveisbaixos por mecanismos que incluem Mdm2 e degradação 
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proteassomal. Dano ao DNA ativa cinases que modificam p53 e componentes de sua 
regulação, aumentando sua estabilidade e atividade como regulador transcricional.
p53 ativa a transcrição de p21. A proteína p21 liga-se a complexos G1/S-Cdk e S-Cdk e 
reduz sua atividade. Como consequência, a progressão para S é retardada, proporcionando 
tempo para reparo. Essa resposta ilustra a função de um checkpoint: o sensor de dano não 
repara necessariamente o DNA; ele altera a maquinaria do ciclo para impedir que a célula 
avance enquanto o problema persiste.
A intensidade e duração da resposta são relevantes. Se o dano for reparado, a sinalização 
pode diminuir e o ciclo ser retomado. Se a lesão for persistente ou grave, p53 pode contribuir 
para uma parada duradoura ou para apoptose, inclusive por indução de genes pró-
apoptóticos. Assim, p53 conecta integridade genômica, proliferação e morte celular.
A banca pode explorar uma distinção essencial: p53 não é um componente obrigatório 
para toda divisão normal, mas torna-se crucial em situações de estresse. Sua função é impedir 
que condições perigosas sejam ignoradas. Por isso, a perda da via p53 oferece vantagem 
seletiva a células que acumulam dano, mas ao mesmo tempo aumenta a instabilidade 
genômica.
Chave para a banca: dano ao DNA ATM/ATR Chk estabilização de p53 p21 inibição de→ → → → → 
Cdks.
11. Senescência, telômeros e limites proliferativos
Senescência celular é um estado de parada proliferativa persistente que pode ser 
induzido por diferentes tipos de estresse. Um exemplo clássico é a senescência replicativa 
associada ao encurtamento telomérico em muitas células somáticas humanas. Como essas 
células possuem atividade insuficiente de telomerase para manter indefinidamente os 
telômeros, sucessivas divisões podem comprometer a estrutura protetora das extremidades 
cromossômicas.
Quando telômeros criticamente curtos passam a ser reconhecidos como dano ao DNA, 
vias de checkpoint são ativadas. A resposta dependente de p53 pode estabelecer parada 
estável do ciclo, impedindo novas divisões de uma célula cuja integridade cromossômica está 
ameaçada. Nesse contexto, senescência funciona como barreira à propagação de 
instabilidade.
Senescência não deve ser confundida com apoptose. A célula senescente permanece viva 
e metabolicamente ativa, mas não responde normalmente a estímulos proliferativos. 
Também não é sinônimo de quiescência, porque a quiescência é, em princípio, reversível 
quando sinais apropriados retornam.
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A manutenção de telômeros pela telomerase altera esse limite proliferativo. Células 
germinativas, certas células-tronco e muitas células tumorais apresentam estratégias de 
manutenção telomérica que permitem maior número de divisões. A reativação de telomerase, 
entretanto, não substitui outras alterações oncogênicas; ela remove uma barreira à 
proliferação prolongada.
Chave para a banca: senescência é parada proliferativa persistente; não é sinônimo de quiescência 
nem de apoptose.
12. Apoptose: função biológica, morfologia e lógica do programa
A apoptose é uma forma de morte celular programada em que a célula ativa uma 
maquinaria interna de autodestruição controlada. Seu significado fisiológico é amplo: 
participa do desenvolvimento, remodelamento tecidual, homeostase, eliminação de células 
desnecessárias e remoção de células danificadas ou potencialmente perigosas.
Morfologicamente, a célula apoptótica tende a encolher e condensar. O citoesqueleto é 
reorganizado, a cromatina se condensa, o núcleo sofre fragmentação e a superfície pode 
formar protrusões. Células maiores podem originar corpos apoptóticos delimitados por 
membrana. O ponto funcional mais importante é que a integridade da membrana é 
preservada por tempo suficiente para permitir remoção ordenada.
A rápida fagocitose explica por que apoptose, em condições fisiológicas, costuma produzir 
pouca inflamação. Alterações na superfície da célula apoptótica funcionam como sinais para 
células vizinhas ou macrófagos. A exposição de fosfatidilserina na face externa da membrana 
é um dos sinais que favorecem reconhecimento e engolfamento.
O programa apoptótico é executado principalmente por caspases. Essas proteases são 
sintetizadas como precursores inativos e ativadas de modo hierárquico. Caspases iniciadoras 
são recrutadas a plataformas moleculares que promovem sua ativação; em seguida, ativam 
caspases executoras, que clivam múltiplos substratos e produzem as mudanças celulares 
características.
A apoptose é, portanto, simultaneamente um processo de sinalização e uma cascata 
proteolítica. Os sinais determinam se a maquinaria deve ser ativada; as caspases convertem 
essa decisão em desmontagem celular coordenada. A regulação é rigorosa porque a ativação 
inadequada seria incompatível com a sobrevivência.
Chave para a banca: apoptose preserva a membrana tempo suficiente para remoção ordenada e 
minimiza inflamação.
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13. Caspases iniciadoras e executoras
As caspases são proteases de cisteína que clivam proteínas em resíduos específicos de 
aspartato. A especificidade de substrato e o modo de ativação permitem que diferentes 
membros desempenhem funções distintas. No contexto da apoptose, é útil separar caspases 
iniciadoras, como caspase-8 e caspase-9, de caspases executoras, como caspases-3, -6 e -7.
Caspases iniciadoras possuem domínios de interação que permitem recrutamento a 
complexos de ativação. Elas são pouco ativas quando dispersas como monômeros, mas a 
proximidade em plataformas como DISC ou apoptossomo favorece dimerização e ativação. 
Essa arquitetura converte a montagem de um complexo de sinalização em atividade 
proteolítica.
Caspases executoras são ativadas por clivagem realizada pelas iniciadoras. Uma vez 
ativas, clivam numerosos substratos estruturais e regulatórios. A cascata apresenta 
amplificação: poucas moléculas iniciadoras podem ativar muitas executoras, e estas atuam 
sobre grande conjunto de proteínas.
Entre os efeitos executores estão reorganização do citoesqueleto, alterações nucleares e 
ativação de nucleases. Um exemplo é a liberação funcional da DNase CAD após clivagem de 
seu inibidor iCAD. Isso contribui para fragmentação controlada do DNA durante a apoptose.
A irreversibilidade da cascata é biologicamente relevante. Antes do limiar de ativação, 
proteínas antiapoptóticas e IAPs podem conter o processo. Após ativação ampla das 
executoras, a célula ultrapassa um ponto em que a desmontagem proteolítica torna o retorno 
ao estado viável improvável.
Chave para a banca: iniciadoras são ativadas em plataformas; executoras são ativadas por clivagem 
e amplificam a desmontagem celular.
14. Via extrínseca: receptores de morte, FADD, DISC e caspase-8
A via extrínseca é iniciada por sinais extracelulares que ativam receptores de morte na 
superfície celular. Esses receptores pertencem à família de receptores relacionada ao TNF e 
possuem domínio citosólico de morte capaz de recrutar proteínas adaptadoras. O sistema Fas-
FasL constitui um modelo clássico dessa via.
A ligação do ligante promove agrupamento de receptores e aproxima seus domínios 
citosólicos. A proteína adaptadora FADD associa-se ao receptor e recruta procaspase-8 por 
interações entre domínios específicos. Forma-se o complexo de sinalização indutor de morte, 
o DISC.
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
15
No DISC, moléculas de procaspase-8 são concentradas em proximidade suficientepara 
dimerização e ativação. Caspase-8 ativa deixa a plataforma e cliva caspases executoras. A via 
mostra como um evento na membrana plasmática pode ser transformado diretamente em 
cascata proteolítica intracelular.
Em algumas células, a ativação direta das executoras pela caspase-8 é suficiente. Em 
outras, a via extrínseca utiliza a mitocôndria para amplificar o sinal. A proteína BH3-only Bid 
pode ser clivada por caspase-8; a forma ativa de Bid favorece a ativação do módulo 
mitocondrial, conectando as duas vias.
O controle dessa via é importante porque receptores de morte participam de interações 
fisiológicas, especialmente no sistema imune. A célula precisa distinguir um sinal de morte 
efetivo de ativações insuficientes ou transitórias, e proteínas reguladoras estabelecem 
limiares para a ativação da cascata.
Chave para a banca: via extrínseca: receptor de morte FADD DISC caspase-8 caspases→ → → → 
executoras.
15. Via intrínseca: mitocôndria, citocromo c e apoptossomo
A via intrínseca responde a condições internas de estresse, incluindo dano grave ao DNA, 
alterações metabólicas e perda de sinais de sobrevivência. Seu evento central é a mudança na 
permeabilidade da membrana mitocondrial externa controlada por proteínas da família 
Bcl-2. Quando o limiar pró-apoptótico é ultrapassado, proteínas do espaço intermembrana 
são liberadas para o citosol.
O citocromo c possui uma função normal na cadeia respiratória mitocondrial, mas no 
citosol assume papel de sinal apoptótico. Ele se liga a Apaf1 e promove uma mudança 
conformacional que favorece oligomerização. As moléculas de Apaf1 organizam uma 
plataforma multimérica denominada apoptossomo.
O apoptossomo recruta procaspase-9 por domínios de interação do tipo CARD. A 
concentração de procaspases na plataforma favorece sua ativação. Caspase-9, então, ativa 
caspases executoras, estabelecendo a fase proteolítica da apoptose.
A mitocôndria funciona, portanto, como ponto de integração. Diversos estímulos 
convergem para a família Bcl-2, e a decisão de liberar citocromo c depende do balanço entre 
proteínas antiapoptóticas e pró-apoptóticas. Isso evita que qualquer perturbação pequena 
desencadeie morte.
A conexão com o ciclo celular é direta. Dano irreparável ao DNA pode estabilizar p53, que 
aumenta a expressão de proteínas BH3-only, como Puma e Noxa. Dessa maneira, o mesmo 
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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sistema que inicialmente tenta deter o ciclo pode, se o problema persistir, ativar a via 
mitocondrial de apoptose.
Chave para a banca: via intrínseca: MOMP citocromo c Apaf1 apoptossomo caspase-9 → → → → → 
executoras.
16. Família Bcl-2, Bax/Bak, proteínas BH3-only e IAPs
A família Bcl-2 constitui o principal sistema regulador da via intrínseca. Seus membros 
podem ser agrupados funcionalmente em proteínas antiapoptóticas, proteínas efetoras pró-
apoptóticas e proteínas BH3-only. O resultado da interação entre esses grupos determina se a 
membrana mitocondrial externa permanecerá íntegra ou permitirá liberação de proteínas 
pró-apoptóticas.
Bcl-2 e Bcl-XL são exemplos de membros antiapoptóticos. Eles se associam a proteínas 
pró-apoptóticas e dificultam sua ativação. Bax e Bak são efetores essenciais: quando ativados, 
oligomerizam na membrana mitocondrial externa e favorecem a liberação de citocromo c e 
outros componentes intermembranares.
As proteínas BH3-only funcionam como sensores e transmissores de diferentes tipos de 
estresse. Bad, Bim, Bid, Puma e Noxa são exemplos. Algumas neutralizam proteínas 
antiapoptóticas; outras também podem favorecer diretamente a ativação de Bax/Bak. O 
domínio BH3 é central para essas interações.
O conceito mais útil é o de balanço. A célula não decide morrer pela simples presença de 
Bax ou Bcl-2. O destino depende das quantidades, estados de ativação, localização e afinidades 
entre múltiplos membros da família. Sinais de sobrevivência podem deslocar o balanço para 
a proteção mitocondrial, enquanto estresses fortes o deslocam para permeabilização.
As IAPs representam outro nível de segurança. Elas podem ligar-se a caspases ativadas, 
inibi-las e, em alguns casos, promover sua ubiquitinação e degradação. Dessa forma, 
estabelecem um limiar adicional: a geração de alguma atividade de caspase não significa 
necessariamente execução completa da apoptose.
A combinação Bcl-2/IAP mostra que a apoptose possui controles antes e depois da ativação 
mitocondrial. Há barreiras à liberação de citocromo c e barreiras à ação das caspases. Essa 
redundância reduz a probabilidade de morte acidental.
Chave para a banca: o destino mitocondrial depende do balanço entre Bcl-2/Bcl-XL, Bax/Bak e 
proteínas BH3-only.
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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17. Fatores de sobrevivência e integração entre proliferação e apoptose
Em organismos multicelulares, muitas células dependem continuamente de sinais 
extracelulares de sobrevivência. Esses sinais ativam receptores e vias intracelulares que 
suprimem componentes pró-apoptóticos ou aumentam componentes antiapoptóticos. A 
sobrevivência, portanto, não é sempre um estado passivo; pode exigir sinalização ativa.
Uma via importante envolve PI3K-Akt. Akt pode fosforilar e inativar reguladores pró-
apoptóticos, além de favorecer programas metabólicos e de crescimento. Outras vias podem 
aumentar a expressão de proteínas antiapoptóticas da família Bcl-2 ou de IAPs. O resultado é 
elevação do limiar necessário para ativar a apoptose.
Esse princípio permite controle de populações celulares. Células que competem por 
quantidades limitadas de fatores de sobrevivência são mantidas apenas quando ocupam 
nichos apropriados ou recebem suporte correto. No desenvolvimento e em tecidos adultos, 
isso ajuda a ajustar o número de células às necessidades do organismo.
Proliferação e sobrevivência precisam ser coordenadas. Um mitógeno que estimula 
divisão sem garantir sobrevivência pode não aumentar de forma sustentada a população. 
Inversamente, um fator de sobrevivência pode preservar células sem necessariamente 
induzir entrada no ciclo. Em câncer, alterações que combinam sinalização proliferativa 
persistente e resistência à apoptose oferecem vantagem particularmente forte.
A homeostase tecidual pode ser pensada como balanço entre produção e perda celular. O 
tamanho de um tecido depende não apenas da taxa de mitose, mas também da taxa de morte. 
Alterações em qualquer lado da equação podem produzir hiperplasia, atrofia ou favorecer 
transformação neoplásica.
Chave para a banca: sobrevivência e proliferação são controles distintos, mas cooperam para 
determinar o tamanho das populações celulares.
18. Necrose e necroptose: contraste com apoptose
A necrose celular, no enquadramento apresentado pelo Alberts, é frequentemente 
associada a dano agudo, como trauma ou falta de suprimento sanguíneo. Diferentemente da 
apoptose, a célula necrosada tende a inchar, perder a integridade da membrana plasmática e 
liberar seu conteúdo no espaço extracelular. Esse extravasamento favorece resposta 
inflamatória.
Um mecanismo importante é a depleção energética. A queda de ATP compromete bombas 
iônicas e outros processos que mantêm gradientes através da membrana. O desequilíbrio 
osmótico favorece entrada de íons e água, edema celular e disfunção de organelas. À medida 
que o dano progride, a membrana perde sua função de barreira.
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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A comparação com apoptose deve ser feita em termos mecanísticos, não apenas 
morfológicos. Na apoptose, há ativação organizada de caspases, condensação e fragmentação 
controlada, manutenção transitória da membrana e remoçãopor fagocitose. Na necrose 
associada a lesão aguda, predominam falência metabólica, perda de homeostase iônica, 
ruptura de membrana e inflamação.
O próprio Alberts também chama atenção para a necroptose, uma forma regulada de 
morte com características necróticas. Essa observação é importante porque corrige uma 
simplificação histórica: nem toda morte com morfologia necrótica é necessariamente um 
acidente bioquímico completamente desorganizado. Para este ponto de concurso, contudo, a 
ênfase principal do livro permanece na distinção entre apoptose e necrose e na regulação 
detalhada da apoptose.
Em uma prova, é inadequado afirmar que 'necrose sempre é acidental e apoptose sempre 
é fisiológica'. Apoptose pode ocorrer em doença, e formas reguladas de morte necrótica 
existem. O contraste mais seguro é descrever integridade de membrana, participação de 
caspases, estado energético, fagocitose e potencial inflamatório.
Chave para a banca: necrose envolve perda energética/homeostática, ruptura de membrana e 
inflamação; necroptose mostra que há morte necrótica regulada.
19. p53 como elo entre checkpoint, senescência e apoptose
p53 ocupa posição estratégica porque converte diferentes tipos de estresse em respostas 
celulares que limitam a proliferação. Dano ao DNA, encurtamento telomérico, hipóxia, 
estresse oxidativo e sinais oncogênicos excessivos podem elevar sua atividade. A resposta 
final depende do contexto, intensidade e duração do estímulo.
Em um cenário potencialmente reversível, p53 pode induzir p21 e reduzir a atividade de 
Cdks, produzindo parada do ciclo. Essa pausa oferece oportunidade para reparo. Se a 
condição persistir, a parada pode tornar-se estável e contribuir para senescência.
Quando o dano é incompatível com sobrevivência segura, p53 pode favorecer apoptose 
por aumentar a expressão de genes pró-apoptóticos. Puma e Noxa, membros BH3-only, 
conectam p53 à maquinaria mitocondrial. O efeito é deslocar o balanço da família Bcl-2 em 
direção à ativação de Bax/Bak e liberação de citocromo c.
Esse sistema mostra por que o controle tumoral não depende apenas de bloquear 
proliferação. Uma célula com genoma gravemente danificado pode escapar de uma parada 
temporária; a eliminação por apoptose oferece uma segunda barreira. A perda de p53 
enfraquece simultaneamente mecanismos de parada e de morte, permitindo sobrevivência 
de células geneticamente instáveis.
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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Para arguição, uma síntese forte é: p53 não 'manda a célula morrer' de forma automática. 
Ela atua como regulador de transcrição e de resposta ao estresse, podendo favorecer reparo, 
parada transitória, senescência ou apoptose. O destino depende da rede de sinais e da 
competência dos efetores a jusante.
Chave para a banca: p53 integra perigo celular e pode direcionar reparo, parada, senescência ou 
apoptose.
20. Perda do controle proliferativo e câncer: integração final
A transformação neoplásica pode ser compreendida como resultado de alterações 
acumuladas em redes que controlam proliferação, sobrevivência, estabilidade genômica e 
interação com o ambiente. Nenhuma dessas dimensões deve ser analisada isoladamente. Uma 
célula que recebe sinal proliferativo persistente ainda pode ser eliminada por apoptose; uma 
célula resistente à apoptose ainda pode permanecer bloqueada por Rb ou p53.
Alterações que ativam vias mitogênicas podem aumentar Ras-MAPK, Myc e ciclinas de G1. 
Alterações que reduzem a função de Rb facilitam expressão de genes dependentes de E2F. 
Perda de CKIs remove freios adicionais. Ao mesmo tempo, defeitos em checkpoints permitem 
que células avancem apesar de dano ou segregação inadequada.
A inativação de p53 é particularmente relevante porque reduz a capacidade de 
interromper o ciclo e de induzir apoptose diante de estresse. Aumento de proteínas 
antiapoptóticas da família Bcl-2 ou redução de efetores pró-apoptóticos pode elevar o limiar 
de morte. Assim, a célula tumoral adquire não apenas maior impulso proliferativo, mas 
também maior tolerância a condições que normalmente eliminariam células anormais.
A instabilidade genômica pode então acelerar a evolução clonal. Erros de replicação, 
reparo ou segregação cromossômica geram diversidade. Se os checkpoints e a apoptose estão 
enfraquecidos, variantes com vantagens proliferativas sobrevivem e se expandem. O câncer 
emerge, portanto, de seleção sobre populações celulares submetidas a alterações genéticas e 
epigenéticas.
O tema do concurso pode ser encerrado com uma visão integradora: mitógenos autorizam 
entrada em ciclo; ciclinas e Cdks executam transições; checkpoints verificam a qualidade dos 
eventos; Rb e CKIs restringem G1; p53 responde a perigo; APC/C assegura a transição 
ordenada da mitose; fatores de sobrevivência modulam o limiar apoptótico; caspases 
executam a apoptose; e necrose representa uma forma distinta de morte associada à perda de 
integridade e inflamação. A homeostase resulta do equilíbrio dinâmico entre todos esses 
processos.
Chave para a banca: câncer resulta da combinação de impulso proliferativo, falhas de checkpoint, 
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resistência à morte e instabilidade genômica.
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Quadro comparativo dos principais reguladores
Regulador Classe/complexo Função central
G1-Cdk Ciclina D-CDK4/6 Fosforilação de Rb; 
integração de mitógenos
G1/S-Cdk Ciclina E-CDK2 Compromisso com S; reforço 
da inativação de Rb
S-Cdk Ciclina A-CDK2 Início/controle da replicação; 
prevenção de novo 
licenciamento
M-Cdk Ciclina B-CDK1 Entrada em mitose e 
fosforilação de substratos 
mitóticos
p21 CKI Inibe G1/S-Cdk e S-Cdk em 
resposta a dano
p16 CKI Inibe G1-Cdk
APC/C-Cdc20 Ubiquitina-ligase Securina e ciclinas; anáfase e 
saída da mitose
SCF Ubiquitina-ligase Degrada reguladores 
fosforilados, incluindo CKIs
Rb Supressor proliferativo Restringe E2F
E2F Fator de transcrição Ativa genes necessários à 
fase S
p53 Resposta ao estresse p21, senescência e genes pró-
apoptóticos
Apoptose × necrose
Aspecto Apoptose Necrose
Programação Cascata regulada, 
tipicamente caspase-
dependente
Frequentemente associada a 
dano agudo e falência 
metabólica; pode haver 
formas reguladas
Volume celular Encolhimento/condensação Inchaço
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Membrana plasmática Mantida inicialmente; 
corpos apoptóticos
Perda de 
integridade/ruptura
Conteúdo celular Removido por fagocitose Extravasado
Inflamação Geralmente pequena Frequentemente acentuada
Mecanismo-chave Caspases; Bcl-2; 
apoptossomo/DISC
Depleção energética, perda 
de gradientes e integridade; 
necroptose como forma 
regulada
Sequências moleculares que devem ser memorizadas
 Mitógeno receptor Ras MAP-cinase Myc ciclina D-CDK4/6 Rb fosforilada → → → → → → → 
E2F ciclina E/ciclina A fase S.→ →
 Dano ao DNA ATM/ATR Chk1/Chk2 p53 estabilizada p21 inibição de G1/S-Cdk e→ → → → → 
S-Cdk parada do ciclo.→
 Metáfase correta APC/C-Cdc20 degradação de securina separase clivagem de→ → → → 
coesina anáfase.→
 Fas/FasL FADD DISC caspase-8 caspases executoras apoptose.→ → → → →
 Estresse intracelular BH3-only Bax/Bak permeabilização mitocondrial citocromo→ → → → 
c Apaf1 apoptossomo caspase-9 executoras.→ → → →
 Dano irreparável p53 Puma/Noxa via mitocondrial apoptose.→ → → →
Questões de aprofundamento para prova escrita e arguição
1. Explique por que a atividade das Cdks oscila durante o ciclo mesmo quando a quantidade 
de muitas Cdks varia pouco.
2. Mostre como a célula garante que cada origem de replicação seja ativada apenasuma vez 
por ciclo.
3. Compare o papel de SCF e APC/C na direcionalidade do ciclo celular.
4. Explique molecularmente o checkpoint do fuso e sua relação com aneuploidia.
5. Descreva a integração entre mitógenos, Ras-MAPK, Myc, Rb e E2F.
6. Explique como p53 pode produzir respostas diferentes diante de dano ao DNA.
7. Compare as vias extrínseca e intrínseca da apoptose e mostre onde elas podem convergir.
8. Explique como a família Bcl-2 determina o limiar de permeabilização mitocondrial.
9. Diferencie apoptose, necrose, necroptose, quiescência e senescência.
10. Discuta por que a carcinogênese exige alterações em múltiplos sistemas de controle, e não 
apenas aumento da taxa mitótica.
Ponto 3 | Ciclo celular, morte celular e controle da proliferação
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Referência-base
ALBERTS, B. et al. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed. Capítulos 17 
(Ciclo celular), 18 (Morte celular) e integração conceitual com o capítulo de câncer para a via 
p53.
Observação metodológica: o desenvolvimento desta apostila é uma síntese autoral, 
organizada para estudo de concurso, baseada no conteúdo e na lógica conceitual do livro 
fornecido; não reproduz trechos extensos da obra.
	Mapa mental geral do ponto
	Roteiro de estudo
	1. Visão integrada: ciclo celular, proliferação e destino celular
	2. Sistema de controle do ciclo celular: lógica molecular
	3. G1, G0 e o compromisso com um novo ciclo
	4. Mitógenos, Ras-MAPK, Myc e o eixo Rb-E2F
	5. Fase S: licenciamento e replicação única do genoma
	6. G2/M e ativação da M-Cdk
	7. Mitose: organização mecânica e regulação
	8. APC/C, securina, separase e checkpoint do fuso
	9. Citocinese e retorno ao estado de G1
	10. Checkpoints de dano ao DNA: ATM/ATR, Chk1/Chk2 e p53-p21
	11. Senescência, telômeros e limites proliferativos
	12. Apoptose: função biológica, morfologia e lógica do programa
	13. Caspases iniciadoras e executoras
	14. Via extrínseca: receptores de morte, FADD, DISC e caspase-8
	15. Via intrínseca: mitocôndria, citocromo c e apoptossomo
	16. Família Bcl-2, Bax/Bak, proteínas BH3-only e IAPs
	17. Fatores de sobrevivência e integração entre proliferação e apoptose
	18. Necrose e necroptose: contraste com apoptose
	19. p53 como elo entre checkpoint, senescência e apoptose
	20. Perda do controle proliferativo e câncer: integração final
	Quadro comparativo dos principais reguladores
	Apoptose × necrose
	Sequências moleculares que devem ser memorizadas
	Questões de aprofundamento para prova escrita e arguição
	Referência-base

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