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Hematologia: Hematologia é o ramo da biologia que estuda o sangue. A palavra é composta pelos radicais gregos: Haima (de haimatos), "sangue" e logos, "estudo, tratado, discurso". A Hematologia estuda, particularmente, os elementos figurados do sangue: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Estuda, também, a produção desses elementos e os órgãos onde eles são produzidos (órgãos hematopoiéticos): medula óssea, baço e linfonodos. Por outro lado, além de estudar o estado de normalidade dos elementos sanguíneos e dos órgãos hematopoiéticos, estuda também as doenças a eles relacionadas. HEMOGRAMA: é um exame realizado que avalia as células sanguíneas de um paciente. O exame é requerido pelo médico para diagnosticar ou controlar a evolução de uma doença. Que compreende o eritrograma, leucograma e plaquetograma. Quais são os sintomas que indicam a necessidade de um exame de Hemograma? Fadiga excessiva ou cansaço constante; pálpebras ou pele pálida, indicando possível anemia; febre persistente, que pode indicar uma infecção; tendência a sangramentos ou hematomas, relacionados a problemas com plaquetas; dor abdominal ou nas articulações em casos de doenças hematológicas; dificuldade de concentração ou tontura. Preparo para o hemograma: Não ingerir bebida alcoólica 72 horas antes de realizar o exame e evitar exercícios físicos na véspera do exame. Jejum para o hemograma: Antigamente, era requisitado o jejum de 12 horas para a realização do hemograma completo. No entanto, isso não é mais requisitado atualmente, já que hoje é consenso que a alimentação não influencia na produção da maioria dos componentes do sangue. Mesmo assim, alguns tipos específicos de exames de sangue ainda pedem jejum de 3, 4 ou 8 horas. Isso, no entanto, é avisado na hora do agendamento do exame. O jejum nunca deve passar de 14 horas. Coleta de sangue: O sangue do indivíduo é colhido com anticoagulante (EDTA), para se evitar a coagulação do mesmo. Processo Manual: Contagens manuais do número de hemácias e leucócitos podem ser feitos em câmara de Neubauer, após uma diluição prévia do sangue. O método dificilmente é usado, sendo usado em poucos casos de dúvidas da metodologia automática. O esfregaço de sangue é usado para fazer uma diferenciação entre os leucócitos, isto é, fazer uma contagem do número de neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos. Chegando-se a uma porcentagem de cada célula encontrada. Usado também para avaliar a série vermelha e as plaquetas. É feito com uma pequena gota de sangue sendo colocada sobre uma lâmina de vidro, onde o técnico fará um esfregaço, arrastando a gota de sangue com uma outra lâmina de vidro, com isso forma-se uma película. O sangue tem que ser homogeneizado antes de se fazer o esfregaço para que as células estejam bem distribuídas. O esfregaço é corado com Leishman ou Giemsa. E observado em microscópio com objetiva de aumento de 100X. A vantagem de se fazer um hemograma é que algumas células podem ser contadas erradamente pelos processos automáticos. Alguns aparelhos não contam células imaturas e podem levar a um erro quanto a um diagnóstico de leucemia. O esfregaço, porém, deve ser avaliado por pessoal experiente. Processo automático: Hoje em dia o hemograma é feito em aparelhos. Os aparelhos usam uma pequena quantidade de sangue. Há dois sensores principais: um detector de luz e um de impedância elétrica. As células brancas, ou leucócitos, podem ser contadas baseando-se em seu tamanho ou através de suas características. Quando a contagem é baseada no tamanho das células, o aparelho as diferencia por 3 tipos: células pequenas (linfócitos), células médias (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e células grandes (monócitos). Esse primeiro tipo de aparelho requer uma contagem manual de células pois não diferencia as células de tamanho médio, podendo omitir uma eosinofilia por exemplo. Os que utilizam o método de características das células são mais precisos. Em relação a série vermelha, o aparelho mede a quantidade de hemoglobina, o número de hemácias e o tamanho das hemácias. Realizando cálculos para chegar ao valor do hematócrito, e os outros índices hematimétricos. As plaquetas também são contadas por aparelhos. Quais doenças o exame detecta? O hemograma pode detectar a causa de sintomas como fraqueza, febre e perda de peso, além de ser uma ferramenta importante no diagnóstico de infecções virais e bacterianas. Outras doenças que podem ser avaliadas são: Anemias, Leucemias, Linfomas, Mielomas, Policitemia (superprodução das células do sangue) e Alergias. Coagulograma: também conhecido como perfil de coagulação, é um conjunto de exames laboratoriais que avaliam diferentes aspectos do processo de coagulação sanguínea. Esse exame é indicado quando há suspeita de distúrbios de coagulação, histórico de sangramentos frequentes ou uso de anticoagulantes. Essa análise é fundamental para compreender o equilíbrio entre os fatores que promovem a coagulação e os que a inibem, garantindo a integridade do sistema hemostático. Preparativos para o exame: Pacientes em uso de aspirina ou anticoagulantes devem, a critério do médico, suspender a medicação por 1 semana antes da realização do exame. O coagulograma não necessita de preparo prévio e pode ser feito sem jejum, embora alguns laboratórios recomendem jejum de 4 horas. O coagulograma inclui diversos parâmetros. A seguir, apresento os principais elementos que compõem o coagulograma: • Tempo de Protrombina (TP); • Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA); • Tempo de Trombina (TT); • Fibrinogênio; • INR (Índice Internacional Normalizado); • Contagem de Plaquetas; e • D-dímero. Esses componentes proporcionam uma visão abrangente da capacidade do organismo em responder a lesões vasculares, prevenindo hemorragias excessivas ou coagulação inadequada. Tempo de protrombina (TP): avalia o tempo necessário para o sangue coagular após a adição de uma substância chamada tromboplastina tecidual, em condições padronizadas. Esse teste avalia principalmente a via extrínseca (VII) e comum (X, V, II, I) da cascata de coagulação. O tempo necessário para a formação do coágulo é de 11 a 13 segundos. O tempo de protrombina é especialmente útil na avaliação de distúrbios da coagulação, como deficiências de fatores de coagulação ou a presença de anticoagulantes. Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA): é utilizado para avaliar a eficiência da via intrínseca (XII, XI, IX, VIII) e comum (X, V, II e I) da cascata de coagulação sanguínea. Assim como o tempo de protrombina (TP) analisa a via extrínseca, o TTPA se concentra na avaliação dos fatores envolvidos na coagulação que são ativados quando há uma lesão vascular interna. Os resultados do TTPA são expressos em segundos (valor de referência 25 a 35 segundos). O TTPA é particularmente útil na identificação de distúrbios da coagulação, como a hemofilia e outras condições relacionadas aos fatores de coagulação da via intrínseca. Tempo de Trombina (TT): é um parâmetro utilizado para avaliar a eficiência da via comum da cascata de coagulação sanguínea. Ao contrário do Tempo de Protrombina (TP) e do Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA), que focam nas vias extrínseca e intrínseca, respectivamente, o TT analisa a etapa final da coagulação que culmina na conversão do fibrinogênio em fibrina. Durante o teste de Tempo de Trombina, uma amostra de sangue é misturada com trombina, uma enzima que desencadeia a conversão do fibrinogênio em fibrina. A trombina age sobre o fibrinogênio, liberando filamentos de fibrina que formam uma malha, consolidando o coágulo sanguíneo. O tempo necessário para essa conversão é de 14 a 19 segundos. O TT é particularmente útil para avaliara eficiência da última etapa da cascata de coagulação, sendo utilizado em conjunto com outros parâmetros do coagulograma para obter uma visão completa do sistema hemostático. Índice Internacional Normalizado (INR): é uma medida padronizada utilizada para expressar os resultados de testes de coagulação, como o Tempo de Protrombina (TP), de uma forma que permita comparações consistentes entre diferentes laboratórios e métodos de análise. O INR é calculado usando a fórmula: INR = [TP do paciente ÷ TP controle] ISI Onde: • TP do paciente: é o tempo de protrombina do paciente. • TP controle: é o tempo de protrombina normal. • ISI: é o índice de sensibilidade internacional, específico para o reagente utilizado no laboratório. Ao expressar os resultados em INR, conseguimos interpretar os níveis de anticoagulação de maneira uniforme, independentemente do laboratório ou método utilizado para realizar o teste. Um valor alvo de INR é estabelecido para cada paciente, dependendo da condição médica subjacente e do motivo pelo qual estão recebendo anticoagulantes. Contagem de plaquetas: consiste na avaliação do número de plaquetas presentes em uma amostra de sangue. Quando ocorre uma lesão vascular, as plaquetas são recrutadas para o local da lesão, aderem-se à parede vascular e entre si, formando um tampão plaquetário. Esse tampão ajuda a interromper o sangramento e inicia o processo de coagulação. A contagem de plaquetas é expressa em número de plaquetas por microlitro de sangue (valor de referência de 150.000 a 400.000 plaquetas/microlitro). Valores abaixo do intervalo normal podem indicar trombocitopenia, um estado em que há uma redução no número de plaquetas, aumentando o risco de hemorragias espontâneas. Valores elevados podem sugerir trombocitose, que está associada a um aumento na produção de plaquetas, podendo aumentar o risco de formação de coágulos. Fibrinogênio: é uma proteína plasmática essencial para o processo de coagulação sanguínea. Ele é sintetizado no fígado e circula no sangue na forma inativa. Quando ocorre uma lesão vascular e o processo de coagulação é desencadeado, o fibrinogênio é convertido em fibrina, formando uma malha que estabiliza o coágulo. A dosagem de fibrinogênio em um coagulograma fornece informações sobre a quantidade de fibrinogênio presente no plasma sanguíneo. Valores normais variam, mas geralmente estão na faixa de 200 a 400 mg/dL. Níveis elevados de fibrinogênio podem ser observados em condições inflamatórias, infecções, gravidez e algumas condições cardiovasculares. Por outro lado, níveis baixos podem indicar distúrbios hepáticos, coagulação intravascular disseminada (CIVD) ou outras condições médicas. D-dímero: uma substância que circula no sangue, sendo utilizado como um marcador laboratorial para avaliar a presença de fibrina degradada. Fibrina é a proteína insolúvel que forma os coágulos sanguíneos. Quando ocorre a quebra ou degradação da fibrina, são produzidos fragmentos, e um desses fragmentos é chamado de D-dímero. A dosagem de D-dímero (valor de referência até 500 ng/ml) é frequentemente utilizada como um teste diagnóstico para excluir ou confirmar a presença de coágulos sanguíneos (trombose) e condições como a trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar (EP) e a disseminação intravascular de coágulos (CIVD). É importante ressaltar que vários fatores podem influenciar os níveis de D-dímero, incluindo idade, gravidez, cirurgias recentes, trauma, inflamação e certas condições médicas. Portanto, a interpretação dos resultados de D-dímero deve ser feita em conjunto com outros dados clínicos e exames complementares para um diagnóstico preciso. Coagulograma alterado: o que pode ser? • Uso de remédios anticoagulantes, como varfarina ou heparina; • Deficiência de vitaminas, especialmente a vitamina K; • Doenças do fígado, como cirrose, hepatite ou insuficiência hepática; • Doenças genéticas, como hemofilia ou doença de von Willebrand; • Infecções graves, sepse ou coagulação intravascular disseminada (CIVD); • Trombose ou formação de coágulos anormais; • Doenças autoimunes, como lúpus; • Trombocitopenia; • Transfusão de sangue em grandes volumes; • Uso de pílulas anticoncepcionais ou reposição hormonal com estrogênio. https://www.rededorsaoluiz.com.br/exames-e-procedimentos/analises-clinicas/vitamina-k https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/hemofilia https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/trombose https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/trombocitopenia