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1 Questões com Gabarito Comentado Afecções do Sistema Respiratório em Equinos – Clínica de Equinos Material de estudo para a prova. As respostas foram escritas com base em conhecimento geral de clínica de equinos; confira com o material da professora, principalmente doses e protocolos. PARTE I – QUESTÕES DISCURSIVAS Questão 1 As doenças do trato respiratório superior dos equinos apresentam diferentes origens e podem envolver estruturas anatômicas que mantêm relações estreitas entre si. A identificação da causa primária de uma afecção é importante para estabelecer uma conduta terapêutica adequada. Dois equinos adultos apresentam corrimento nasal purulento unilateral persistente. No animal A, observa-se odor fétido, assimetria facial discreta e macicez à percussão de determinada região da face. No animal B, há aumento de volume doloroso na região parotídea, respiração estertorosa e disfagia. Indique a principal suspeita diagnóstica para cada animal e explique quais exames complementares permitiriam diferenciar definitivamente os dois quadros, justificando a utilidade de cada exame. Resposta Animal A – sinusite (provavelmente sinusite maxilar de origem dentária). Corrimento nasal purulento unilateral, odor fétido, assimetria facial e macicez à percussão indicam acúmulo de secreção/pus nos seios paranasais. O odor fétido sugere infecção por anaeróbios, típica de doença dos dentes molares e pré-molares superiores, cujas raízes ficam dentro dos seios. Animal B – empiema da bolsa gutural (frequentemente ligado ao Streptococcus equi, garrotilho). Aumento de volume doloroso na região parotídea, respiração estertorosa e disfagia mostram compressão da faringe e dos nervos que passam pela bolsa, e o corrimento unilateral sai pelo orifício da bolsa na faringe. Exames para diferenciar: • Exame oral e dentário do animal A: procura dente fraturado, infectado ou com abscesso na arcada superior, que é a causa primária mais comum. • Radiografia de crânio (animal A): mostra opacidade e nível líquido nos seios, além de lesão na raiz dos dentes. A tomografia é ainda mais precisa. • Endoscopia nasal (animal A): mostra de onde vem a drenagem (meato nasal médio, o que indica seio). • Trepanação com coleta de material sinusal (animal A): permite cultura e citologia do pus. • Endoscopia das bolsas guturais (animal B): visualiza pus e condroides saindo ou dentro da bolsa, e é o exame que confirma o diagnóstico. • Radiografia lateral de cabeça (animal B): mostra nível líquido ou massa na região da bolsa gutural. • Lavado da bolsa gutural com cultura e PCR/qPCR (animal B): identifica o agente, principalmente o S. equi, o que define o isolamento e o tratamento. Questão 2 2 As bolsas guturais apresentam íntima relação anatômica com estruturas nervosas, vasculares e faríngeas. Por isso, doenças localizadas nessas estruturas podem produzir manifestações respiratórias e neurológicas variadas. Um equino é diagnosticado com empiema crônico da bolsa gutural. Durante a endoscopia são identificadas grande quantidade de material purulento e diversas formações ovoides no interior da bolsa. Elabore a conduta terapêutica para esse animal, abordando: a) a remoção do conteúdo da bolsa; b) as soluções que podem ser utilizadas na lavagem; c) as soluções que devem ser evitadas e o motivo; d) a conduta diante das formações ovoides observadas; e) outras medidas terapêuticas que podem ser necessárias conforme a gravidade do caso. Resposta a) Remoção do conteúdo: lavagem da bolsa por endoscopia, com um cateter passado pelo orifício nasofaríngeo e infusão de grande volume de líquido, várias vezes, até sair limpo. Deixar a cabeça baixa ajuda a drenar. Se a secreção for muito espessa ou houver muito material, pode ser preciso drenagem cirúrgica (acesso por Viborg ou Whitehouse modificada). b) Soluções usadas na lavagem: solução salina estéril (NaCl 0,9%) ou Ringer lactato, que são as mais seguras. Pode-se acrescentar antibiótico local, como penicilina, e mucolítico (como acetilcisteína) para ajudar a soltar o pus espesso. c) Soluções a evitar: antissépticos irritantes e concentrados, como iodo, povidona-iodo e clorexidina concentrados. A mucosa da bolsa é fina e fica junto a nervos e vasos, e essas soluções causam inflamação, necrose e podem lesar nervos, piorando a disfagia e outros déficits neurológicos. d) Formações ovoides (condroides): são bolas de pus ressecado que não saem só com lavagem, e mantêm a infecção. Devem ser removidas mecanicamente, com endoscópio e pinça, cesta ou alça, e retiradas aos poucos. Se forem muitas ou grandes, recorre-se à cirurgia. e) Outras medidas conforme a gravidade: • antibioticoterapia sistêmica conforme cultura e antibiograma (por exemplo, penicilina), sabendo que sozinha costuma não resolver, pois o pus fica isolado; • anti-inflamatórios não esteroidais para dor e edema; • suporte nutricional e alimentação em nível do solo se houver disfagia; • traqueostomia se houver obstrução respiratória; • isolamento e biossegurança se o agente for S. equi. Questão 3 Algumas afecções respiratórias apresentam gravidade desproporcional à intensidade inicial dos sinais clínicos. Nessas situações, o conhecimento da anatomia regional é fundamental para a avaliação de risco. Um equino apresenta episódio discreto de epistaxe espontânea, não relacionada ao exercício. Durante a avaliação, também são identificados disfagia e alterações da função faríngea. Explique por que esse quadro deve ser considerado uma emergência potencial, descrevendo a fisiopatologia, o diagnóstico e a prioridade terapêutica caso seja confirmada micose da bolsa gutural. Resposta Por que é uma emergência potencial: epistaxe discreta e espontânea, com disfagia e alteração de faringe, sugere micose da bolsa gutural (geralmente Aspergillus). A placa fúngica costuma se fixar sobre a artéria carótida interna, e a epistaxe leve pode ser um “sinal de aviso” antes de uma hemorragia 3 maciça e fatal. Fisiopatologia: o fungo invade e destrói a parede da artéria, que fica enfraquecida e pode se romper. A mesma placa atinge os nervos que passam pela parede da bolsa (glossofaríngeo, vago, hipoglosso, facial e ramos simpáticos), causando disfagia, paralisia de faringe e laringe, e até síndrome de Horner. O sangramento é esporádico porque o vaso fecha e reabre. Diagnóstico: endoscopia das bolsas guturais, que mostra a placa diftérica escura sobre a artéria. Cultura e histopatologia confirmam o fungo, e a tomografia ajuda a avaliar a extensão. Prioridade terapêutica: primeiro controlar o risco de hemorragia, ocluindo a artéria afetada (embolização com coils, balão ou ligadura), porque o antifúngico age devagar e o vaso pode romper antes. O antifúngico (tópico, com lavagens delicadas, e/ou sistêmico) e o tratamento das sequelas neurológicas vêm em seguida. Enquanto isso, deve-se manter o animal calmo, sem exercício nem manipulação bruta da placa. Questão 4 Alterações funcionais das vias aéreas superiores podem manifestar-se principalmente durante o exercício, quando a demanda ventilatória aumenta significativamente. Um cavalo atleta apresenta ruído respiratório inspiratório e queda de desempenho. Na investigação clínica estão disponíveis os seguintes exames: • palpação da laringe; • slap test (teste da palmada); • endoscopia em repouso; • ultrassonografia laríngea; • endoscopia dinâmica durante exercício. Explique o que cada exame avalia e discuta por que nenhum deles deve ser interpretado de forma isolada em todos os casos. Resposta O que cada exame avalia: • Palpação da laringe: procura assimetria e atrofia dos músculos cricoaritenóideos dorsais (a aritenoide esquerda fica mais proeminente na neuropatia laríngea recorrente). • Slap test (teste da palmada): avalia o reflexo adutor laríngeo, ou seja, a integridade do nervo laríngeo recorrente e a resposta da aritenoide do lado oposto. Bate-se na região da cernelha ou tórax e observa-se a adução da cartilagem. • Endoscopia em repouso: mostra simetria e mobilidade das aritenoides, palato mole,epiglote, faringe e bolsas guturais. • Ultrassonografia laríngea: avalia músculos e cartilagens (tamanho, ecogenicidade, atrofia). • Endoscopia dinâmica durante exercício: avalia a laringe e a faringe nas condições reais de demanda ventilatória e mostra alterações que só aparecem com o esforço, como colapso da aritenoide, deslocamento do palato e colapso da faringe. Por que nenhum deve ser interpretado isoladamente: cada um vê um aspecto diferente (estrutura, inervação, função em repouso, função em exercício). Vários problemas são intermitentes ou dinâmicos, e o exame em repouso pode ser normal mesmo havendo doença, ou pode dar falsa impressão por causa da sedação, do estresse ou da deglutição. Por isso, o diagnóstico depende da soma da história, do exame clínico, dos exames de repouso e, quando necessário, da endoscopia dinâmica. 4 Questão 5 Algumas alterações das vias aéreas superiores são dinâmicas e podem não estar presentes durante o exame do animal em repouso. Dois cavalos atletas apresentam intolerância ao exercício e ruído respiratório. No cavalo A, o ruído é predominantemente inspiratório, e a endoscopia demonstra abdução incompleta de uma cartilagem aritenoide. No cavalo B, ocorre ruído respiratório durante inspiração e expiração, mais intenso na expiração, associado a perda abrupta de velocidade. A endoscopia em repouso é normal. Indique os diagnósticos mais prováveis nos dois animais e explique por que os achados clínicos e endoscópicos permitem diferenciá-los. Informe ainda qual exame é especialmente importante para confirmar a suspeita no animal B. Resposta Cavalo A – neuropatia laríngea recorrente (hemiplegia laríngea, “roaring”), geralmente do lado esquerdo. O ruído é só inspiratório porque a aritenoide paralisada não abre bem e obstrui a entrada de ar. A endoscopia mostra abdução incompleta e assimetria da aritenoide já em repouso, porque o problema é de inervação e é permanente. Cavalo B – deslocamento dorsal do palato mole (DDPM). O palato sobe e passa por cima da epiglote durante o exercício, e o ar passa vibrando, causando ruído nas duas fases, mais alto na expiração, e a perda abrupta de velocidade quando o palato desloca. A endoscopia em repouso é normal porque o deslocamento é intermitente e só ocorre no esforço. Como diferenciar: o cavalo A tem ruído inspiratório e alteração visível em repouso; o cavalo B tem ruído que também aparece na expiração, perda repentina de velocidade e endoscopia de repouso normal. Exame importante para o cavalo B: a endoscopia dinâmica durante o exercício, que permite ver o deslocamento do palato acontecendo. Questão 6 A progressão de uma doença pulmonar pode envolver estruturas adjacentes e modificar tanto a apresentação clínica quanto as necessidades terapêuticas do paciente. Em um equino com suspeita de pleuropneumonia, o médico-veterinário solicita radiografia torácica, ultrassonografia, toracocentese e aspirado traqueobrônquico. Explique qual informação cada exame fornece e diferencie especificamente: a) ultrassonografia de toracocentese; b) análise do líquido pleural de análise do aspirado traqueobrônquico. Resposta O que cada exame fornece: • Radiografia torácica: mostra infiltrados, consolidações e massas no pulmão. Em adultos é limitada pelo tamanho do animal, e é mais útil em potros. • Ultrassonografia: avalia o espaço pleural e a superfície pulmonar, mostrando quantidade e aspecto do derrame, fibrina, septações, consolidação e abscessos. • Toracocentese: retira líquido pleural para análise (citologia, proteína, glicose, pH, cultura e antibiograma) e, em alguns casos, também tem finalidade terapêutica. • Aspirado traqueobrônquico: coleta amostra das vias aéreas inferiores para citologia, cultura e antibiograma, mostrando o agente que chegou ao pulmão pelas vias aéreas. 5 a) Ultrassonografia x toracocentese: a ultrassonografia é um exame de imagem, que localiza, mede e caracteriza o problema e orienta onde puncionar. A toracocentese é um procedimento de coleta, que permite estudar o líquido, mas não mostra a extensão do que existe no tórax. b) Líquido pleural x aspirado traqueobrônquico: o líquido pleural reflete o que acontece no espaço pleural (exsudato, empiema, bactérias no líquido). O aspirado reflete o que acontece nas vias aéreas e no parênquima pulmonar. Os agentes encontrados podem ser diferentes, então os dois se complementam, e o aspirado pode ter contaminação da orofaringe. Questão 7 Doenças respiratórias crônicas podem resultar da interação entre susceptibilidade individual e condições ambientais, exigindo abordagens terapêuticas que ultrapassam o uso de medicamentos. Um equino estabulado apresenta tosse crônica, esforço expiratório acentuado e intolerância ao exercício. O proprietário deseja tratar o animal apenas com corticosteroides e broncodilatadores, sem modificar a cama, o feno ou a ventilação da baia. Avalie criticamente essa proposta e elabore um plano de tratamento, indicando qual medida deve ser considerada prioritária e por quê. Resposta Avaliação crítica: a proposta é inadequada. O quadro (tosse crônica, esforço expiratório e intolerância ao exercício em cavalo estabulado) é típico de asma equina grave (ORVA), causada por reação a poeira, mofo e endotoxinas da cama e do feno. Corticoides e broncodilatadores só controlam os sinais. Se o cavalo continuar exposto, a inflamação persiste ou volta assim que o remédio é suspenso, e o uso prolongado de corticoides traz efeitos adversos. Plano de tratamento: • Medida prioritária: manejo ambiental. Reduzir ao máximo a exposição a poeira e fungos, de preferência mantendo o animal solto no pasto. Se ficar na baia, usar cama de baixa poeira (papel, aparas sem pó), feno umedecido ou vaporizado (ou alimentos alternativos), boa ventilação e não limpar a baia com o animal dentro. • Corticoides (inalatórios ou sistêmicos, por tempo controlado) para controlar a inflamação. • Broncodilatadores (por exemplo, salbutamol inalatório ou ipratrópio) para aliviar a obstrução. • Exercício leve e reavaliação com exame clínico, endoscopia e lavado broncoalveolar. Por que o ambiente é a prioridade: ele é a causa da inflamação. Sem tirar a causa, o tratamento com remédio só disfarça o problema. Questão 8 O resultado de um teste laboratorial depende não apenas da técnica utilizada, mas também do momento da coleta, do tipo de amostra e da fase da infecção. Durante um surto de doença respiratória contagiosa em uma propriedade, um equino apresenta febre e linfadenopatia, mas a primeira cultura e a PCR realizadas nas primeiras 48 horas são negativas. Outro animal do mesmo plantel já se recuperou clinicamente há várias semanas. Explique: a) por que resultados negativos precoces não descartam necessariamente a infecção no primeiro animal; b) as diferenças práticas entre cultura e PCR nesse contexto; c) qual estratégia deve ser adotada para investigar se o segundo animal permanece como portador. Resposta 6 Quadro compatível com garrotilho (Streptococcus equi). a) Negativos precoces: nas primeiras 48 horas a carga bacteriana pode ser baixa, os abscessos ainda não se formaram nem drenaram e o animal pode ainda não estar eliminando o agente pelas vias respiratórias. Além disso, o local da coleta pode não ter sido o ideal. Portanto, resultado negativo precoce não exclui infecção, e o teste deve ser repetido. b) Cultura x PCR: a cultura precisa de bactéria viva, é mais lenta e menos sensível, mas permite fazer antibiograma e confirma organismo viável. A PCR detecta DNA da bactéria, é mais rápida e sensível, mas não distingue se o agente está vivo ou morto. Na prática, usam-se em conjunto. c) Investigar portador (animal recuperado): fazer a endoscopia das bolsas guturais com lavado e PCR/cultura do material, pois é onde o S. equi costuma ficar escondido (frequentemente em condroides). Em geral, repetem-se amostras em diferentes momentos e a sorologia pode ajudar como apoio. O animal só deve voltar ao grupo depois de resultados negativos. Questão 9 O exercício intensopromove adaptações cardiovasculares e respiratórias extremas em equinos atletas, podendo modificar significativamente as forças atuantes sobre a microcirculação pulmonar. Um cavalo de corrida apresenta queda recorrente de desempenho. Não há epistaxe evidente após as provas, porém existe suspeita de hemorragia pulmonar induzida pelo exercício. Explique a fisiopatologia da HPIE, indique como o diagnóstico deve ser conduzido e discuta o fundamento do uso profilático da furosemida. Resposta Fisiopatologia: durante o exercício intenso, o coração aumenta muito a pressão nos vasos e capilares do pulmão. Ao mesmo tempo, a inspiração cria uma pressão pleural muito negativa. A soma provoca grande tensão na parede dos capilares, que se rompem (falha por estresse), e o sangue passa para os alvéolos e vias aéreas. As lesões são mais comuns nas áreas dorsais e caudais dos pulmões, e inflamação prévia das vias aéreas pode contribuir. Diagnóstico: o exame principal é a endoscopia após o exercício (poucos minutos a cerca de uma hora depois), que mostra sangue na traqueia e nos brônquios. O lavado broncoalveolar (BAL) mostra hemossiderófagos, macrófagos com hemossiderina que indicam hemorragia prévia. Esses achados são interpretados junto com o histórico clínico, porque a maioria dos casos não apresenta epistaxe. Furosemida: é um diurético. Ela reduz o volume de sangue circulante e, com isso, a pressão nos vasos e capilares pulmonares durante o exercício. Assim, diminui a chance e a gravidade da ruptura dos capilares. O efeito é parcial e o uso é controverso, e o cavalo precisa de atenção à hidratação e ao equilíbrio de eletrólitos. Questão 10 Surtos de doença respiratória em populações equinas podem apresentar manifestações clínicas semelhantes, tornando necessária a integração entre dados epidemiológicos e diagnóstico laboratorial. Em um centro equestre ocorre um surto caracterizado inicialmente por febre, tosse e corrimento nasal. Somente com os sinais respiratórios iniciais, duas importantes doenças virais abordadas no material podem apresentar apresentações semelhantes. Compare a influenza equina e a rinopneumonite equina quanto à investigação laboratorial, indicando: a) as principais amostras que podem ser utilizadas para PCR em cada caso; b) a importância do swab nasofaríngeo; 7 c) por que o sangue total com EDTA assume importância particular na suspeita de EHV-1; d) uma limitação da sorologia quando utilizada isoladamente. Resposta a) Amostras para PCR: • Influenza: swab nasofaríngeo, lavado nasofaríngeo ou traqueal, coletados o quanto antes na fase febril. • Rinopneumonite (EHV-1/EHV-4): swab nasofaríngeo e sangue total com EDTA (para EHV-1), além de tecidos em casos de aborto ou morte. b) Swab nasofaríngeo: a nasofaringe é onde o vírus se multiplica e é eliminado nas vias respiratórias superiores. O swab nasofaríngeo é mais sensível que o swab nasal superficial e mostra a eliminação viral, que é a fonte de contágio. c) Sangue total com EDTA no EHV-1: o EHV-1 causa viremia associada a leucócitos. Detectar o DNA viral no sangue indica viremia, que se relaciona ao risco de aborto e da forma neurológica (mieloencefalopatia). O EDTA preserva as células sanguíneas para a PCR. d) Limitação da sorologia isolada: um único título não diferencia infecção recente de vacinação ou exposição antiga, e os anticorpos demoram a subir, então pode ser negativa no início. Por isso é preciso comparar amostras pareadas (fase aguda e convalescente) e existe reação cruzada entre EHV-1 e EHV-4. 8 PARTE II – QUESTÕES OBJETIVAS Questão 11 O diagnóstico das doenças dos seios paranasais requer avaliação integrada das estruturas respiratórias e das regiões anatômicas adjacentes. Um equino apresenta corrimento nasal purulento unilateral, persistente e com odor desagradável. Na investigação de possível sinusite maxilar, qual conduta é mais adequada? A) A avaliação deve concentrar-se na auscultação pulmonar e no lavado broncoalveolar, pois alterações dos seios paranasais geralmente são secundárias às vias aéreas inferiores. B) A endoscopia nasal isolada deve ser considerada suficiente para determinar a etiologia, dispensando exames dentários e métodos de imagem quando há secreção purulenta. C) A arcada dentária superior deve ser examinada, associando-se a investigação endoscópica e radiográfica, pois alterações odontogênicas podem estar relacionadas à sinusite maxilar. (CORRETA) D) A presença de odor fétido permite classificar a afecção como micótica e justifica tratamento antifúngico antes da realização de exames complementares. E) A percussão dos seios permite identificar simultaneamente a localização da lesão e seu agente etiológico, tornando desnecessária a coleta de material sinusal. Resposta: alternativa C A sinusite maxilar costuma ser secundária a problema dentário (dentes molares e pré-molares superiores, cujas raízes ficam nos seios). Por isso examina-se a arcada e associam-se endoscopia e radiografia. A está errada porque os seios não são secundários às vias aéreas inferiores. B está errada porque a endoscopia isolada não basta. D está errada porque o odor fétido não define fungo e não se trata antes dos exames. E está errada porque a percussão não identifica o agente. Questão 12 O diagnóstico microbiológico complementa a avaliação clínica em doenças caracterizadas pelo acúmulo de secreções nas vias respiratórias. Diante de um equino com empiema da bolsa gutural e suspeita de participação de Streptococcus equi, qual abordagem é mais apropriada? A) Deve-se coletar lavado da bolsa gutural para cultura bacteriana e PCR/qPCR, pois a simples identificação de material purulento não determina o agente causador. (CORRETA) B) Deve-se considerar a aparência macroscópica do pus suficiente para identificar S. equi, uma vez que esse agente produz secreção característica. C) Deve-se realizar apenas hemograma e bioquímica sérica, pois a coleta direta da bolsa gutural apresenta baixo valor para identificação bacteriana. D) Deve-se utilizar exclusivamente swab nasal superficial, porque a coleta diretamente da bolsa aumenta artificialmente a possibilidade de resultados positivos. E) Deve-se evitar PCR nos casos de empiema, pois técnicas moleculares não conseguem detectar bactérias presentes em secreções respiratórias espessas. Resposta: alternativa A Ver pus não diz qual é o agente. É preciso coletar o lavado da bolsa gutural para cultura e PCR/qPCR. B está errada porque o aspecto do pus não é específico. C está errada porque hemograma e bioquímica não identificam o agente. D está errada porque a coleta direta na bolsa é mais informativa que o swab superficial. E está errada porque a PCR funciona em secreções. einspir 9 Questão 13 A definição das prioridades terapêuticas em medicina veterinária depende não apenas da causa da doença, mas também da identificação das complicações capazes de ameaçar imediatamente a vida do paciente. Em um equino com micose da bolsa gutural e placa localizada sobre a artéria carótida interna, qual estratégia representa a principal prioridade? A) O tratamento deve começar pela administração sistêmica prolongada de antifúngico, aguardando regressão da placa antes de qualquer intervenção vascular. B) A placa deve ser removida mecanicamente durante a primeira endoscopia, pois sua retirada imediata reduz o risco de ruptura do vaso afetado. C) A antibioticoterapia sistêmica deve preceder qualquer intervenção, pois a hemorragia associada à micose decorre predominantemente de infecção bacteriana secundária. D) A irrigação diária da bolsa deve ser utilizada inicialmente para desprender a placa e permitir a exposição completa da parede arterial comprometida. E) O risco de hemorragia deve ser controlado prioritariamente por oclusão do vaso comprometido, podendo-se utilizar embolização transarterial com coils quando disponível. (CORRETA) Resposta: alternativa E A placa sobre a carótida interna traz risco de hemorragia fatal, então a prioridade é ocluir o vaso, por exemplo com embolização por coils.O antifúngico vem em seguida. A e C atrasam o controle do risco. B e D podem soltar a placa e romper a artéria. Questão 14 Algumas alterações respiratórias interferem no desempenho apenas quando o aparelho respiratório é submetido às condições funcionais encontradas durante exercício intenso. Um cavalo apresenta ruído respiratório e perda abrupta de velocidade durante provas, mas sua endoscopia realizada em repouso é normal. Qual interpretação é mais adequada? A) A endoscopia normal em repouso descarta uma alteração funcional da faringe, sendo necessário direcionar a investigação exclusivamente ao trato respiratório inferior. B) Uma endoscopia normal em repouso não exclui deslocamento dorsal intermitente do palato mole, e a endoscopia dinâmica durante exercício pode ser necessária. (CORRETA) C) A ausência de alterações em repouso indica que a obstrução decorre necessariamente de hemiplegia laríngea bilateral, independentemente da avaliação durante exercício. D) O exame deve ser repetido apenas após sedação profunda, pois a sedação reproduz melhor as relações anatômicas existentes durante exercício de alta velocidade. E) O diagnóstico deve basear-se na radiografia do tórax, porque o deslocamento do palato mole não pode ser demonstrado por métodos endoscópicos. Resposta: alternativa B Perda abrupta de velocidade com endoscopia normal em repouso sugere problema dinâmico, como o deslocamento dorsal intermitente do palato mole (DDPM). Nesse caso, faz-se a endoscopia dinâmica durante o exercício. A, C, D e E ignoram que a alteração só aparece com o esforço. 10 Questão 15 A escolha de uma intervenção cirúrgica deve considerar a repercussão funcional da alteração anatômica e as exigências às quais o animal é submetido. A respeito do tratamento da neuropatia do nervo laríngeo recorrente, assinale a alternativa correta. A) Todos os animais que apresentam qualquer assincronia da cartilagem aritenoide devem ser submetidos à cirurgia antes de retornar ao exercício. B) A ventriculocordectomia restaura a inervação do músculo cricoaritenoide dorsal e constitui, por isso, o tratamento etiológico da neuropatia. C) A laringoplastia deve produzir a maior abdução possível da aritenoide, pois o grau máximo de abertura elimina os principais riscos pós-operatórios. D) A indicação cirúrgica depende da gravidade funcional, do exercício, do desempenho e do uso do animal, e a laringoplastia busca obter abdução funcional adequada. (CORRETA) E) Os graus I e II apresentam indicação cirúrgica rotineira, mesmo quando não existe perda de desempenho ou limitação ventilatória durante exercício. Resposta: alternativa D A cirurgia é indicada conforme a gravidade funcional, o exercício, o desempenho e o uso do animal, e a laringoplastia busca abdução funcional adequada. A e E estão erradas porque nem todo grau precisa de cirurgia, principalmente os graus I e II sem perda de desempenho. B está errada porque a ventriculocordectomia não devolve a inervação. C está errada porque abdução máxima aumenta o risco de aspiração e tosse. Questão 16 A análise de líquidos cavitários pode oferecer informações importantes sobre processos inflamatórios e infecciosos que envolvem órgãos adjacentes. Em um cavalo com suspeita de pleuropneumonia e derrame pleural significativo, qual abordagem diagnóstica é mais apropriada? A) A radiografia deve substituir a toracocentese, pois a identificação de derrame em imagem permite determinar também o agente etiológico presente no espaço pleural. B) A toracocentese deve permitir coleta do líquido para citologia e cultura, sendo recomendável associar aspirado traqueobrônquico quando possível. (CORRETA) C) O odor não fétido do líquido pleural permite excluir bactérias anaeróbias e direcionar o tratamento exclusivamente contra microrganismos aeróbios. D) A cultura do líquido pleural é dispensável quando a ultrassonografia demonstra fibrina, pois esse achado permite identificar infecção polimicrobiana. E) A análise microbiológica deve ser feita somente após vários dias de antibioticoterapia, para reduzir contaminações durante a obtenção da amostra. Resposta: alternativa B A toracocentese permite colher líquido para citologia e cultura, e o aspirado traqueobrônquico ajuda quando possível. A está errada porque a radiografia não identifica o agente. C está errada porque a ausência de odor não exclui anaeróbios. D está errada porque a cultura continua útil. E está errada porque a coleta deve ser feita antes do antibiótico. 11 Questão 17 Em doenças respiratórias crônicas, fatores relacionados ao ambiente podem participar da manutenção da inflamação e da recorrência dos sinais clínicos. Qual conduta constitui o princípio central do tratamento de um equino com ORVA/asma equina? A) A administração contínua de antibióticos deve constituir a base terapêutica, pois a inflamação neutrofílica demonstra obrigatoriamente a presença de infecção bacteriana. B) A administração de anti-inflamatórios não esteroidais deve substituir os corticosteroides porque controla eficazmente a inflamação característica dessa afecção. C) O animal deve permanecer estabulado para limitar sua atividade física, desde que sejam administrados broncodilatadores antes dos períodos de alimentação. D) A nebulização isolada deve ser suficiente para impedir novas exacerbações, independentemente da quantidade de poeira presente na cama e no alimento. E) A redução da exposição a poeira e fungos deve constituir o pilar do tratamento, associando-se medicamentos quando necessários para controlar a inflamação e a obstrução. (CORRETA) Resposta: alternativa E No ORVA/asma equina, o pilar do tratamento é reduzir a exposição a poeira e fungos, associando medicamentos quando necessário. A está errada porque a inflamação neutrofílica não é obrigatoriamente infecção. B está errada porque os AINEs não substituem os corticoides. C está errada porque manter estabulado sem mudar o ambiente mantém a causa. D está errada porque a nebulização isolada não basta se a poeira continua. Questão 18 O diagnóstico das alterações relacionadas ao exercício deve considerar o momento adequado para realização dos exames e as limitações de cada método diagnóstico. Um cavalo apresenta queda de desempenho após exercício intenso, mas nunca demonstrou epistaxe visível. Qual afirmação a respeito da HPIE está correta? A) A ausência de sangue exteriorizado pelas narinas exclui HPIE clinicamente relevante e torna desnecessária a investigação endoscópica. B) A radiografia pulmonar possui elevada sensibilidade e deve ser considerada o exame definitivo mesmo quando a endoscopia e o BAL são negativos. C) A endoscopia realizada após o exercício e o BAL podem demonstrar hemorragia mesmo sem epistaxe, sendo os hemossiderófagos interpretados juntamente com o histórico clínico. (CORRETA) D) A presença de hemossiderófagos no BAL é absolutamente específica para HPIE e confirma o diagnóstico independentemente da atividade física exercida pelo animal. E) A endoscopia deve ser realizada exclusivamente antes do exercício, pois o sangue desaparece imediatamente da traqueia após a interrupção da atividade física. Resposta: alternativa C A HPIE pode existir sem epistaxe. A endoscopia após o exercício e o BAL mostram hemorragia, e os hemossiderófagos são interpretados junto com o histórico. A está errada porque a ausência de epistaxe não exclui HPIE. B está errada porque a radiografia não é definitiva. D está errada porque os hemossiderófagos não são absolutamente específicos. E está errada porque a endoscopia deve ser feita depois do exercício. 12 Questão 19 A seleção correta da amostra biológica é fundamental para aumentar a informação obtida em testes moleculares durante a investigação de doenças infecciosas. Durante um surto com suspeita de infecção por EHV-1, qual estratégia de coleta apresenta maior utilidade diagnóstica segundo o material? A) Deve-se associar swab respiratório, preferencialmente nasofaríngeo, ao sangue total com EDTA, investigando respectivamente eliminação respiratória e DNA viralassociado à viremia. (CORRETA) B) Deve-se utilizar exclusivamente soro, pois a PCR para EHV-1 apresenta maior eficiência na fração sérica do que nas secreções respiratórias ou nas células sanguíneas. C) Deve-se coletar apenas swab nasal superficial, porque a presença do vírus nas vias respiratórias exclui simultaneamente viremia e disseminação extra-respiratória. D) Deve-se utilizar lavado broncoalveolar como primeira opção, uma vez que o EHV-1 se replica exclusivamente nas estruturas do trato respiratório inferior. E) Deve-se realizar somente genotipagem da variante D752, porque sua detecção é suficiente para confirmar mieloencefalopatia associada ao EHV-1. Resposta: alternativa A Para EHV-1, associa-se o swab nasofaríngeo (eliminação respiratória) ao sangue total com EDTA (viremia). B, C, D e E escolhem uma amostra única ou um teste que não confirma o quadro. Questão 20 A resolução dos sinais clínicos de uma doença infecciosa nem sempre significa que o animal deixou de desempenhar papel na manutenção e disseminação do agente dentro da população. Um cavalo recuperou-se clinicamente de garrotilho. A propriedade pretende reintegrá-lo ao grupo e deseja avaliar a possibilidade de estado de portador. Qual conduta é mais adequada? A) O desaparecimento da febre, do corrimento nasal e da linfadenopatia permite considerar o animal não infectante sem necessidade de exames adicionais. B) Um hemograma normal permite excluir o estado de portador, porque a persistência de S. equi obrigatoriamente mantém leucocitose neutrofílica. C) A cultura de fezes deve ser realizada após o desaparecimento dos sinais, pois o trato gastrointestinal constitui o principal reservatório persistente do agente. D) A endoscopia das bolsas guturais associada à lavagem e PCR deve ser considerada para pesquisa de portadores persistentes após recuperação clínica. (CORRETA) E) Um único swab nasal superficial negativo é suficiente para demonstrar que não existe eliminação bacteriana ou reservatório nas bolsas guturais. Resposta: alternativa D Portadores persistentes de S. equi ficam nas bolsas guturais, então indica-se endoscopia com lavado e PCR. A está errada porque cessar os sinais não elimina a infecção. B está errada porque hemograma normal não exclui portador. C está errada porque o reservatório não é o trato gastrointestinal. E está errada porque um swab nasal superficial negativo não basta.