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Abordagem Fisioterapêutica para recuperação da força e potência Entender a estrutura do tecido muscular e os fatores de influência na geração da força muscular. Prof. Caio Tramont 1. Itens iniciais Propósito A força muscular é o atributo sobre o qual diversas habilidades se fundamentam. É produzida pela contração muscular, realizada graças às propriedades de contratilidade e transmissão de força do tecido muscular. É um parâmetro muito importante para a funcionalidade do indivíduo, abordado com frequência na prática clínica da Fisioterapia. Portanto, suas características e os fatores que influenciam no seu desenvolvimento devem ser estudados com muita atenção. Objetivos Descrever a estrutura e a função do sistema muscular, assim como os aspectos importantes para a compreensão da produção da força, resistência e potência muscular. Reconhecer os principais métodos de treinamento de força em Fisioterapia. Aplicar os recursos fisioterapêuticos para ganho de força muscular. Empregar um programa de Fisioterapia para o aumento da força e potência muscular. Introdução A força muscular é o resultado da contração do músculo e da transmissão da força dessa contração. Em sua estrutura, o músculo contém miofibrilas, cujas unidades funcionais, os sarcômeros, apresentam contratilidade, e o tecido conjuntivo, que reveste e organiza o músculo, transmite a força produzida pela contração muscular. Os fatores que influenciam a eficiência da contração muscular, ou seja, a relação comprimento-tensão, a área de secção transversa, a força, a potência e a resistência, serão descritos neste conteúdo, organizado de maneira didática para facilitar o seu estudo. • • • • 1. Força, potência e resistência muscular Fatores para o desempenho muscular O desempenho muscular é influenciado por três fatores-chave: força, potência e resistência. Além desses fatores, podemos incluir: Morfologia Qualidade morfológica do músculo. Influências Neurológicas, bioquímicas e biomecânicas. Funções Cardiovascular, respiratória, metabólica, cognitiva e emocional. A contração muscular eficaz produz o movimento seguro, gerando a força e mantendo-a, bem como regulando a tensão muscular, até finalizar o movimento. Para facilitar o seu estudo, vamos revisar o mecanismo de contração muscular, com foco na produção de força muscular, e abordar os três fatores-chave que influenciam no desempenho muscular nas seções a seguir. Mecanismo de contração muscular As fibras musculares, ou miócitos, são células multinucleadas compostas pela membrana plasmática, ou sarcolema, sarcoplasma (citoplasma), retículo sarcoplasmático (retículo endoplasmático liso), demais organelas e miofibrilas. Em sua extremidade, a fibra muscular liga-se a uma fibra tendínea que, por sua vez, se reúne com outras fibras semelhantes, formando o tendão, que se insere no osso. As fibras musculares contêm milhares de miofibrilas. As miofibrilas são compostas por diversas unidades funcionais, os sarcômeros, que têm propriedades contráteis. Veja na imagem abaixo a estrutura do tecido muscular. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Organização do músculo esquelético, do nível macroscópio ao molecular. O sarcômero é delimitado pela distância entre duas linhas Z. É composto pelas semibandas I (claras) e pelas bandas A (escuras), que se alternam, dando ao músculo, à microscopia, o seu aspecto estriado. Entenda melhor essas duas bandas: Bandas I As bandas I são divididas em duas semibandas pela linha Z. Cada semibanda contém filamentos de actina (ou finos), que deslizam para dentro da banda A durante a contração muscular, ao serem puxados pelos filamentos de miosina (ou grossos). Banda A A banda A é formada pelos filamentos grossos. Em suas periferias, também há filamentos finos. Nessas localizações, ocorrem as ligações entre os filamentos finos e grossos, com deslizamento dos filamentos finos para o interior da banda A. Na parte central da banda A, existe a banda H, formada somente por filamentos grossos e que, no seu centro, tem a linha M. Os filamentos grossos são estabilizados pela ligação com a linha Z, a partir da flexível molécula de titina, e com a linha M, pela ligação com a molécula de miomesina. Assim, a contração muscular consiste na diminuição do comprimento do sarcômero, com aproximação das linhas Z, pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina. Veja na imagem a seguir a estrutura do sarcômero. Organização das proteínas no sarcômero A ligação da cabeça de miosina com a actina resulta em novo alinhamento de forças, que faz com que haja inclinação da cabeça de miosina, chamada de força de deslocamento, que, por sua vez, move o filamento de actina. Logo após a inclinação, a cabeça de miosina automaticamente se desliga da actina e volta para a sua posição inicial. Esse ciclo se repete ao longo da contração muscular. A força muscular produzida é diretamente proporcional ao número de pontes formadas entre a miosina e a actina. Como o músculo transmite a força da sua contração para os ossos? O músculo é revestido por três camadas de tecido conjuntivo, que são: Endomísio É o revestimento de cada fibra muscular. Perimísio Reveste os fascículos musculares. Epimísio Envolve todo o conjunto de feixes musculares. Na imagem a seguir é possível ver a estrutura do tecido muscular. Estrutura do tecido muscular. O tecido muscular é responsável por: Manter a união entre as fibras musculares. Permitir que a força de contração de cada fibra muscular atue sobre todo o músculo. Transmitir a força da contração muscular para tendões e ossos. Formar redes de capilares, vasos linfáticos e nervos entre as fibras musculares. A transmissão da força muscular se dá através do tecido conjuntivo que reveste o músculo. Para entender melhor, é preciso saber as características das camadas de revestimento do músculo. Comentário Vamos facilitar para você dedicando uma subseção para cada uma delas. Endomísio Lâmina basal associada a fibras reticulares, responsável pelo revestimento de cada fibra muscular. Tem pouquíssimas células. Apresenta uma rede de fibras colágenas de fibras irregularmente onduladas. Embora seja sensível a variações na tensão muscular e sofra deformações com relativa facilidade por meio de cada comprimento muscular fisiológico, o endomísio oferece resistência à aplicação de forças de cisalhamento através de sua espessura. Atenção A distensibilidade (complacência) do endomísio pode proteger as fibras musculares da sobrecarga em elevadas deformações, mas em comprimentos musculares bem acima daqueles experimentados na função normal. As forças de cisalhamento são dirigidas paralelamente a uma superfície. Por ser a única estrutura que liga as fibras musculares dentro dos fascículos, o endomísio transmite a tensão gerada nas fibras que terminam no interior do fascículo até as suas extremidades. A maior eficiência do endomísio está na rigidez à aplicação de forças de cisalhamento a partir de sua espessura. Essa rigidez é necessária para transmitir as forças das fibras musculares intrafasciculares para as ligações tendinosas eficientemente. Outra função importante do endomísio é manter a uniformidade das fibras ao longo do tecido muscular, possibilitando: O crescimento do tecido muscular (adição de sarcômeros); O reparo dos sarcômeros danificados; A remodelagem das miofibrilas; A manutenção da contratilidade de toda uma coluna de miofibrilas e da uniformidade dos comprimentos dos sarcômeros. Consequentemente, o endomísio conecta fibras musculares adjacentes, coordenando a transmissão de força entre as fibras em um fascículo, e mantém a uniformidade dessas fibras. Perimísio Conjunto de feixes finos de tecido conjuntivo, que separa as fibras musculares em fascículos. É a ramificação do epimísio para o interior do músculo. Divide-se em: Primário Delimita fascículos pequenos ou feixes de fibras musculares. Secundário Corresponde à organização dos fascículosrítmica Técnicas para o aumento de força muscular Estiramento repetitivo ao início da amplitude de movimento Iniciação rítmica Métodos de treinamento muscular na fisioterapia Conteúdo interativo Vem que eu te explico! O exercício excêntrico Conteúdo interativo Contração isocinética Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Recursos fisioterapêuticos Recursos para exercícios de treinamento resistido Resistência manual Atenção Tubos e faixas elásticas Faixas elásticas Tubos elásticos 1 2 3 4 Resistência mecânica Comentário Pesos livres Bola Halter Munhequeira Caneleira Resistor de mão com mola de aço (handgrip) Atenção Sistema de polias Equipamentos de resistência na fisioterapia Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Vantagens e desvantagens da resistência manual Conteúdo interativo Tubos e bandas elásticas Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Emprego de programa terapêutico Respostas do sistema muscular ao fortalecimento muscular Comentário Adaptações neurais Saiba mais Alterações musculares Aumento (em tamanho e número) Aumento Atenção Contraindicações Precauções 1 2 Resistência manual FNP Resistência mecânica Raciocínio clínico para elaborar um programa de fisioterapia visando o aumento da força e potência muscular Conteúdo interativo Vem que eu te explico! A eficácia e a segurança na prescrição de exercícios Conteúdo interativo DeLorme versus Oxford Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasprimários em um fascículo maior, que tende a ter espessura maior do que o perimísio primário. Forma uma rede fenestrada por toda a área de secção transversa do músculo. Em vez de formar uma bainha que envolve um fascículo, o epimísio é uma estrutura situada entre dois fascículos dividida por ambos. As fibras colágenas do perimísio se organizam em feixes que têm maior diâmetro e espessura em relação ao endomísio. Têm ondulações sinusoidais regulares, com todos os feixes de fibras colágenas paralelos entre si em cada camada, e com a mesma periodicidade. As ligações entre os perimísios primário e secundário permitem que eles deslizem entre si e facilitam alterações no formato do músculo durante a sua contração. Na superfície do músculo, o perimísio se funde, unindo-se perfeitamente ao epimísio. Epimísio • • • • Reveste externamente o músculo, define o seu volume e origina finos septos (perimísio), que vão para o interior do músculo e o divide em feixes. Consiste em uma camada espessa de tecido conjuntivo composta por grossas fibras de colágeno em uma matriz proteoglicana. Apesar do arranjo das fibras colágenas variar de acordo com o formato e a função do músculo, suas fibras, nas extremidades do músculo, engrossam e se fundem com o tendão. Explicando a transmissão da força A rede colágena é contínua através do músculo, desde o endomísio até o tendão. Assim, a força gerada pela contração muscular é transmitida com eficiência através do tecido conjuntivo para o osso. Força muscular Fundamenta o aprimoramento das habilidades. É definida como a capacidade de gerar força em relação a uma resistência externa. Sua atuação engloba mobilização ativa do segmento no espaço, que pode ser livre ou resistida e oposição à gravidade. Seu conceito tem por base a segunda lei de Newton, ou da aceleração, onde: A força aplicada é diretamente proporcional à aceleração da massa do corpo ou de um ou mais segmentos. O conceito de força como fator primário para a eficácia do movimento é bastante defendido na literatura. A força é desenvolvida durante a contração muscular e influenciada por dois fatores: a relação comprimento versus tensão e a área de secção transversa. Relação comprimento versus tensão Refere-se à capacidade de geração de tensão de acordo com o grau de sobreposição dos filamentos de actina e de miosina. Dessa forma, a geração de força: Diminui conforme a sobreposição dos filamentos de actina e a miosina aumenta (encurtamento); É maior quando se alcança um nível ótimo (platô) em que a sobreposição dos filamentos é menor; Torna a diminuir porque, ao ultrapassar o platô, há menor sobreposição dos filamentos, diminuindo a capacidade de gerar torque. Veja a relação entre a geração de força e velocidade de alongamento e encurtamento dos filamentos: • • • Relação entre a geração de força e velocidade de alongamento e encurtamento dos filamentos. Área de secção transversa A área de secção transversa do músculo está diretamente relacionada à quantidade de tecido contrátil. Portanto, quanto maior a “grossura” do ventre muscular, maior será a força desse músculo. Formas de produção de força Isométrica Produção de força sem que haja alteração significativa do comprimento do músculo. É estabilizadora do corpo e de seus segmentos. Atenção Aplicação prática: a isometria é um indicador geral do pico de força e pode ser indício de recuperação motora. Isotônica Produção de força com alteração do comprimento do músculo movimentação, com alteração da tensão. A divisão é como se segue. Trabalho e potência muscular O trabalho, na Física, é dado pela equação: Concêntrica Envolve aproximação entre a origem e a inserção, com encurtamento do músculo. Há a aceleração do movimento. Excêntrica Há movimento, mas o músculo distende. Produz mais força que a concêntrica. Envolve a desaceleração do movimento. Ou seja, a força aplicada vezes a distância com a qual o corpo se moveu. A potência se refere à velocidade com a qual se realiza o trabalho muscular. Assim: Dessa forma, a potência também pode ser entendida como o produto da força pela velocidade. Portanto: A velocidade é importante porque se refere à taxa de movimento em determinada direção. Veja a diferença entre a contração concêntrica e excêntrica: Resistência muscular A resistência muscular se refere à capacidade de resistir à fadiga. Ela é influenciada pelas características contráteis e metabólicas das fibras musculares, que são divididas nos tipos I, IIa e IIb. Cada tipo tem características específicas, que serão abordadas adiante. Fibras tipo I São chamadas de fibras vermelhas pelo alto teor de mioglobina, citocromos que contêm ferro, irrigação abundante e grandes e numerosas mitocôndrias. Têm metabolismo oxidativo, manipulam o cálcio lentamente e produzem menor força. Além disso, têm velocidade lenta de contração e de relaxamento musculares. Por essas características, produzem menos força muscular, têm maior resistência à fadiga e são capazes de fazer trabalho muscular sustentado. As fibras tipo I são especializadas em movimentos lentos e atividade aeróbica. Fibras tipo II Chamadas de fibras brancas, têm alta capacidade de transmissão dos potenciais de ação, captam e liberam rapidamente os íons cálcio e renovam rapidamente as pontes cruzadas. Contração concêntrica Na contração concêntrica, a velocidade da contração muscular é inversamente proporcional à força produzida Contração excêntrica Na contração excêntrica de máximo esforço, até certo ponto, a força muscular é diretamente proporcional à velocidade com a qual o músculo é alongado. Como o metabolismo é anaeróbico, utilizam a via glicolítica de obtenção de energia. Dessa forma, produzem contrações rápidas e com mais tensão do que a fibras do tipo I. Subdividem-se nos tipos IIa e IIb. Fibras tipo IIa São fibras intermediárias, que têm alta velocidade de contração e capacidade moderada de utilização das vias metabólicas aeróbica e anaeróbica. Suas características garantem mais resistência à fadiga do que as fibras IIb e menos resistência que as do tipo I. Entretanto, a produção de força é intermediária. Fibras tipo IIb São as fibras brancas propriamente ditas. Têm o maior potencial anaeróbico e a maior velocidade de encurtamento. Veja na tabela abaixo o resumo dos tipos de fibras musculares. Tipo IIB Tipo IIA Tipo I Características Fásica Tônica Atividade elétrica Alta frequência Baixa frequência Morfologia Cor Branca Branca/vermelha Vermelha Diâmetro da fibra Grande Intermediário Pequeno Capilares/mm2 Baixos Intermediários Altos Volume mitocondrial Baixo Intermediário Alto Bioquímica e histoquímica Manipulação do cálcio Alta Média/Alta Baixa Capacidade glicolítica Alta Alta Baixa Capacidade oxidativa Baixa Média/Alta Baixa Função e contratilidade Velocidade de contração Rápida Rápida Lenta Velocidade de relaxamento Rápida Rápida Lenta Resistência à fadiga Baixa Moderada/alta Alta Capacidade de gerar força Alta Intermediária Baixa Tabela: Tipos de fibras musculares. Caio Tramont. Força, potência e resistência musculares Confira os principais conceitos sobre a estrutura muscular e como ocorre a produção e a transmissão de força. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. O sarcômero Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Tipos de contração Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A contração muscular envolve o encurtamento do sarcômero que, pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina, promove a diminuição da distância entre as duas linhas Z que o delimitam. Sobre a ligação entre a actina e a miosina, marque a alternativa correta. A A cabeça de miosina faz a ligação sem se inclinar: o movimento é feito pela molécula de actina, que “escala”o filamento de miosina. B A ligação é estável e dura o tempo que a contração muscular durar. C As pontes são formadas apenas uma vez, com acomodação as proteínas na nova conformação. D A força de deslocamento é decorrente do movimento da actina para a posição inicial, quando o sarcômero retorna ao seu comprimento normal. E A cabeça de miosina inclina ao se ligar com a actina. Após a inclinação, a ligação se desfaz. Isto acontece de forma cíclica, durante a contração muscular. A alternativa E está correta. A contração muscular ocorre quando a cabeça de miosina se liga à actina. Nesse processo, a cabeça de miosina inclina, movendo o filamento de actina, encurtando o sarcômero. As ligações entre a miosina e a actina têm curta duração e se repetem enquanto a contração muscular durar. Consequentemente, são formadas diversas pontes entre as moléculas. A força de deslocamento é produzida quando a cabeça de miosina se inclina e puxa o filamento de actina. A ligação entre as moléculas se desfaz logo após a inclinação da cabeça de miosina, que volta à sua posição normal e reinicia esse processo com outro segmento da molécula de actina. Questão 2 A força é desenvolvida durante a contração muscular. Uma vez que equivale ao produto entre a massa e a aceleração, marque a seguir a alternativa correta. A Sua aplicação, na prática, refere-se à diminuição da tensão muscular. B É influenciada pela quantidade de tecido contrátil: quanto maior a área de secção transversa, maior a contratilidade. C É descrita pela velocidade com a qual se realiza determinado movimento. D Não tem relação com o volume muscular, já que depende, unicamente, da integridade do tecido contrátil. E Não há possibilidade de ser desenvolvida sem alterações significativas do comprimento do músculo. A alternativa B está correta. A diminuição da tensão muscular é decorrente do alongamento. A velocidade com a qual o trabalho muscular é realizado caracteriza a potência muscular. A área de secção transversa se refere ao volume de tecido contrátil. Quanto maior essa área, mais tecido contrátil o músculo terá e, consequentemente, maior será a força muscular, que também depende da integridade desse tecido. Uma das formas de desenvolver força muscular é a isometria, quando o músculo contrai, mas não sofre alterações significativas no seu comprimento. 2. Treinamento muscular na fisioterapia Isométrico Também conhecido como exercício estático, sua realização consiste na contração muscular com produção de força sem alteração significativa no comprimento muscular e sem movimento articular visível. Oriente o paciente a realizar contração muscular resistida no sentido de manter a posição do segmento no espaço. Para isso, você pode resistir manualmente ou solicitar que o paciente sustente o peso do segmento, mantendo a sua posição ou, ainda, puxe ou empurre um objeto imóvel. Saiba mais Estudos recentes apontam efeitos analgésicos das contrações isométricas. Tais efeitos se devem pelas alterações corticais induzidas pela isometria, que resultam em inibição intracortical. As vantagens de realizar exercícios de isometria são: 1 Menor indução de fadiga devido a uma menor demanda de energia em comparação com os exercícios dinâmicos. 2 Maior aumento de força em ângulos articulares específicos do que as contrações dinâmicas. 3 Fortalece a musculatura em posições biomecânicas desvantajosas em um movimento específico. 4 Melhoram os movimentos que requerem, principalmente, a contração isométrica. 5 Podem ser utilizadas em caso de limitação da mobilidade secundária a lesões. Utilize a isometria se você quiser: Aumentar o trofismo muscular. Aumentar a força muscular máxima (em múltiplos ângulos articulares e em ângulo articular específico). Reduzir o risco de fadiga do paciente. O uso da isometria deve ser feito de formas diferentes de acordo com o objetivo desejado: A isometria também pode gerar aumento de força em angulações distantes entre 20° e 50° do ângulo selecionado para o fortalecimento. Dica Utilize contrações balísticas para maximizar os resultados da isometria no ganho de força explosiva. Tipos de exercícios isométricos Há várias formas de exercícios isométricos e cada uma tem uma aplicação específica. Veremos, nesta seção, os principais tipos. • • • Aumento do trofismo muscular Para aumento do trofismo muscular, utilize a isometria na faixa entre 70% e 75% da capacidade voluntária máxima de contração, mantendo por 3 a 30 segundos. O tempo total de contração deve variar entre 80 e 150 segundos por sessão. Sugere-se que o número de sessões seja de 36 ou mais. Aumento da força máxima Para aumento da força máxima, a isometria deve ser aplicada entre 80% e 100% da capacidade voluntária máxima, mantendo a contração por 1 a 5 segundos, com tempo total de contração entre 30 e 90 segundos por seção. Repita as contrações e múltiplos ângulos articulares ou no ângulo de escolha. Exercícios isométricos leves Contrações isométricas de baixa intensidade, com pouca ou nenhuma resistência. Utilize quando quiser diminuir dor e espasmo muscular ou promover relaxamento e circulação, em casos de lesões de tecidos moles e durante a fase aguda da cicatrização. Devido ao fato de serem realizados com pouca ou nenhuma resistência, os exercícios isométricos leves só aumentam a força muscular em caso de acentuada fraqueza. No entanto, auxiliam no retardo da perda de trofismo muscular e na manutenção da mobilidade das fibras musculares durante períodos de imobilização. Exercícios de estabilização Consistem em contrações submáximas e sustentadas, que visam aumentar a estabilidade estática e dinâmica e também as formas de resistência (mecânica, manual e peso do segmento). Nessa modalidade de exercício, as contrações ocorrem no meio da amplitude, em posições antigravitacionais e em posturas com sustentação de peso. Isometria em ângulos múltiplos A contração é resistida de maneira manual ou mecânica, nos limites da amplitude de movimento do paciente, em diversos ângulos. Utilize esse exercício quando a resistência dinâmica for dolorosa. Dinâmico Utiliza contrações musculares que produzem movimento visível. Você pode estabelecer uma resistência e solicitar o movimento ao paciente. Divide-se em concêntrico e excêntrico. A resistência pode ser aplicada das seguintes maneiras: Constante Variável Isocinética Produz aceleração (concêntrico) ou desaceleração (excêntrico) dos segmentos envolvidos. Nos exercícios dinâmicos, exceto quando são realizados com equipamentos limitadores de amplitude de movimento (ADM), o paciente controla a execução do movimento contra uma resistência que pode ser constante ou variável. Excêntrico Aqui, a carga estabelecida é superior à capacidade do músculo. Assim, você observa alongamento enquanto o músculo tenta controlar a carga. Logo, observa-se alongamento sob tensão. Produz desaceleração dos segmentos envolvidos. Além disso, ocorre absorção do choque durante as atividades de alto impacto. Comparativamente, o exercício excêntrico exerce mais força que o concêntrico. Veja: A contração excêntrica envolve os componentes contráteis e não contráteis do músculo. • • • • Na contração concêntrica, apenas os componentes contráteis atuam levantando a carga. Para uma mesma carga, o exercício concêntrico recruta mais unidades motoras que o excêntrico. O músculo sofre com fadiga mais rapidamente na contração concêntrica. Assim, podemos baixar cargas maiores do que as que podemos levantar. Na fraqueza muscular, use concentração excêntrica. É mais fácil controlar a descida do que erguer peso. Para evitar lesões e dar maior conforto para o paciente, aplique a resistência e retire-a gradualmente. Recomenda-se que você considere o uso dos exercícios excêntricos de alta intensidade na fase avançada do tratamento, a fim de preparar o paciente para atividades de alta demanda, que podem ser ocupacionais ou desportivas. Atenção A contração excêntrica gera maior sobrecargano sistema cardiovascular (aumento de pressão arterial e de frequência cardíaca) do que a contração concêntrica. As contrações excêntricas consomem menos oxigênio e reservas de energia. Por isso, demora mais tempo para ocorrer fadiga. Entretanto, tome cuidado ao prescrever exercícios excêntricos de alta intensidade devido à maior probabilidade de ocorrer dor muscular de início tardio. Você pode evitar a ocorrência da dor tardia aplicando o exercício excêntrico gradualmente no que se refere à intensidade e ao volume de exercício. Utilize as contrações excêntricas se você quiser: 1 Reduzir o risco de lesões, durante programas de reabilitação musculoesquelética ou pós-cirúrgico. 2 Reduzir o risco de novas lesões, em decorrência de atividades com desaceleração de alta intensidade e mudanças rápidas de direção ou contrações excêntricas repetitivas. • • • 3 Melhorar o desempenho físico na prática desportiva. 4 Trazer maiores benefícios para grupos específicos de pacientes, como os idosos Em idosos, devemos considerar o uso de contrações excêntricas na abordagem (terapêutica e preventiva) nos casos de alterações de equilíbrio e risco de quedas, pacientes com doenças crônicas e aqueles com menor tolerância a esforço, como cardiopatas e pneumopatas. Atenção Em pessoas que não estão acostumadas com o exercício excêntrico, há maior risco de lesão muscular, dor e déficit de força. Tome muito cuidado ao prescrever esse exercício, especialmente com idosos! Concêntrico Nesse tipo de exercício, o músculo vence a resistência que você determinou e o resultado é a produção de movimento pela contração muscular. Entretanto, a carga que pode ser estabelecida é inferior à que pode ser definida nos exercícios excêntricos. Proporciona menor ganho de força do que o exercício excêntrico. Além disso, gera fadiga mais rapidamente. Em compensação, há menor incidência e gravidade da dor de início tardio do que o exercício excêntrico. A velocidade da contração influi nos níveis de tensão porque recruta maior número de unidades motoras em relação à mesma carga de exercício excêntrico, já que o paciente faz mais esforço. Influência da velocidade da contração concêntrica na tensão muscular. O exercício excêntrico produz mais força excêntrica do que a força concêntrica produzida pelo exercício concêntrico. Essa diferença se deve ao fato de a carga do exercício excêntrico ser maior do que a carga do exercício concêntrico. Resistência A resistência se refere à carga imposta ao músculo. Para classificarmos esse importante elemento do processo terapêutico, devemos considerar dois aspectos importantes: Recurso Com qual recurso será aplicada (manual ou mecânico); Intensidade Como a intensidade será aplicada (constante ou variável). Agora vamos analisar a intensidade. Constante A intensidade da resistência não se altera durante o período de contração muscular. O tipo de contração será diferente dependendo do valor do torque de resistência em relação ao torque muscular, veja: Sua maior limitação consiste no fato de ser realizada em apenas um ponto da ADM, no qual o torque máximo da resistência tem a mesma intensidade do torque máximo do músculo. Entretanto, continua sendo uma das bases dos programas de reabilitação. Contração concêntrica Se o torque da resistência for menor do que o torque muscular, haverá contração concêntrica e aceleração da carga. Contração excêntrica Se o torque da resistência for maior do que o torque muscular, haverá contração excêntrica, com desaceleração da carga. Atenção As modificações no torque do exercício e na relação comprimento tensão exigem que você modifique a posição corporal e a resistência para compensar nas amplitudes onde a carga máxima deverá ser aplicada. Variável Você pode ajustar a resistência ao longo da ADM, baseando-se na resposta do paciente. Assim, é possível adequar a carga de acordo com a amplitude do movimento. Essa adequação pode ser realizada manualmente, com resistência elástica e com equipamentos hidráulicos. Isocinético Tipo de exercício dinâmico realizado com velocidade constante (iso = mesma; cinético, do grego kinetiké, que significa “pôr em movimento”). Para a sua realização, necessita-se do uso do dinamômetro isocinético, que predetermina e mantém constantes as velocidades de: Angulação do segmento Encurtamento (muscular) Alongamento (muscular) Veja na imagem a seguir um dinamômetro isocinético: Dinamômetro isocinético. Conforme o segmento acelera, a partir do repouso, para atingir a velocidade angular predeterminada, o dispositivo isocinético produz uma resistência com a mesma intensidade da velocidade isocinética, visando manter a velocidade predeterminada. A desaceleração começa quando a relação comprimento-tensão do músculo é atingida. • • • Saiba mais Alguns fisioterapeutas defendem o uso dos exercícios isocinéticos porque apoiam a cinemática adequada, são mais seguros e atingem resultados melhores e com mais rapidez. No exercício isocinético, tem-se a vantagem de o paciente poder continuar com a contração dinâmica por toda a ADM, mesmo quando sentir dor ou fadiga. Entretanto, haverá redução da produção de torque. Veja a seguir quais são as características do exercício isocinético. Velocidade constante Pré-ajustada e controlada pelo equipamento ao longo da ADM. Várias velocidades disponíveis Da mais lenta à mais rápida, confira a classificação da velocidade de treinamento nos exercícios isocinéticos concêntricos: Classificação: Velocidade angular Isométrico: 0°/segundo Lenta: 30°-60°/segundo Média: 60°-180° ou 240°/segundo Rápida: 180° ou 240°-360°/segundo e acima Embora o equipamento isocinético possibilite regulagens de velocidade de até 500°/segundo, não é frequente utilizar treinamentos com velocidades superiores a 360°/segundo, pois o paciente tem que acelerar o membro até o valor preestabelecido antes de “alcançar” a máquina, ou seja, antes de atingir a resistência oferecida pelo dispositivo. Treinamento muscular recíproco versus isolado No recíproco, há o treino de agonistas e antagonistas, com ênfase na inversão rápida dos movimentos, e, no isolado, o músculo-alvo realiza, de forma sequencial, as contrações concêntrica e excêntrica, com um grupo muscular fortalecido por vez. Especificidade O treino é específico para a velocidade preestabelecida; assim, os pacientes treinam com diferentes velocidades. • • • • • Acomodação à fadiga A força do paciente é diretamente proporcional à sua resistência. Em casos de fadiga, o paciente pode fazer repetições adicionais, mesmo que a produção de força diminua temporariamente. Acomodação ao arco doloroso Em caso de dor, o paciente continua executando o movimento. Porém, com menor força, durante a amplitude dolorosa. Pode, inclusive, interromper o movimento, eliminando, assim, a resistência. Use o treinamento isocinético se você deseja: Força. Potência. Resistência à fadiga. Iniciar a fase avançada do tratamento, com ausência de dor e ADM completa ou incompleta (assim você tira melhor proveito do recurso). Limitações: Velocidade máxima de treinamento inferior à velocidade de execução das atividades cotidianas. Isola grupos musculares. Trabalha com uma única articulação, é uniplanar e não tem suporte de peso. Custo elevado. Cadeia cinética aberta (CCA) As extremidades podem se mover livremente, mas nem sempre as articulações mais proximais se movem. A origem é fixa e a contração muscular mobiliza a inserção. Geralmente, a CCA possibilita isolar o movimento em uma única articulação. O movimento pode ser abordado nas formas uniplanar e multiplanar. A CCA: Aumenta forças de aceleração, distração e rotação; Deforma mecanorreceptores articulares e musculares; Diminui as forças de resistência. Utilize a CCA caso você queira aumentar ADM e força muscular e, ainda, obter informações sobre a capacidade de gerar torque de determinada articulação. Cadeia cinética fechada (CCF) • • • • • • • Sugere-seque os exercícios de CCF sejam mais seguros, porque não causam risco de lesionar as estruturas em processo de recuperação. A inserção é fixa e a contração muscular atua na origem. Por envolver a sustentação de peso, a CCF é utilizada com maior frequência nos membros inferiores. Utilize a CCF caso você pretenda: Aumentar a estabilidade articular; Diminuir forças de cisalhamento; Diminuir forças de aceleração; Estimular proprioceptores; Aumentar a estabilidade dinâmica; Melhorar a sustentação de peso. Utilize a CCF e a CCA em conjunto quando for tratar do seu paciente. A CCA isola movimentos específicos, auxiliando a identificar e corrigir déficits que não serão aparentes se você tratar o paciente somente com a CCF. Facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) Utiliza input proprioceptivo, aferências cutâneas, auditivas e visuais numa redundância de estímulos que visa facilitar a realização do movimento pela busca do nível funcional mais alto. Baseia-se nas teorias de controle motor e de aprendizado motor. Por se basear no conceito de que o movimento é a nossa forma de interagir com o ambiente, utiliza as esferas cognitiva, sensitiva e motora. Um pilar importante da FNP é a interação com o paciente, que facilita o aprendizado de novas tarefas. Vamos ver, brevemente, os princípios básicos dessa filosofia de tratamento. Subliminares são os estímulos que não têm intensidade suficiente para atingir o limiar de excitação dos receptores. Lembrando que o limiar é de natureza “tudo ou nada”. Assim, o estímulo, para desencadear uma resposta, tem que ter intensidade igual ou superior ao limiar (ponto a partir do qual ocorre um potencial de ação). Veja quais são os estímulos subliminares abaixo: Efeito pós-descarga O efeito do estímulo continua depois que ele cessa. Somatório temporal Estímulos subliminares ocorrem em intervalos de tempo bem próximos, e seus efeitos são combinados (somatório), causando a estimulação. • • • • • • Somatório espacial Estímulos leves são aplicados de forma simultânea em áreas diferentes do corpo. Suas intensidades se somam, resultando no estímulo em que os somatórios temporal e espacial podem ser combinados para ter maior atividade. Irradiação Disseminação e aumento da força da resposta. Pode ser excitatória ou inibitória. Indução sucessiva A contração do agonista é seguida pela contração dos antagonistas. É a base das técnicas que envolvem a reversão de antagonistas. A indução aumenta a excitabilidade. Inervação recíproca Contração do agonista seguida pelo relaxamento do antagonista. Faz parte do movimento coordenado, e é a base das técnicas de relaxamento. A FNP combina padrões diagonais com técnicas facilitatórias, que visam obter respostas motoras, bem como melhora do controle e da função neuromuscular. Os movimentos, na FNP, são executados em padrões diagonais. Isso vale para cabeça, pescoço, tronco, membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII). Pense na FNP se você desejar: Aumentar força muscular, mobilidade, controle neuromuscular e coordenação motora; Incrementar a resistência à fadiga; Facilitar a realização do movimento através de estabilidade, controle neuromuscular, coordenação motora, utilização dos músculos mais fortes para fortalecer os mais fracos e inicialização do movimento; Dar resistência à fadiga. Você pode utilizar a FNP do início ao final do tratamento. Essa filosofia utiliza contrações musculares isométricas, concêntricas, excêntricas e combinação das contrações musculares. Além de poder utilizar as diagonais com diferentes padrões (D1, D2 e suas variantes) e de forma unilateral ou bilateral, você pode usar as técnicas específicas, descritas na seção a seguir. As técnicas específicas foram elaboradas para oferecer um arsenal de recursos terapêuticos que podem ser combinados de forma a se ajustarem às necessidades do paciente a partir da elaboração de tratamentos personalizados. Neste conteúdo, o foco é no fortalecimento e na potência muscular. Portanto, vamos abordar sucintamente as técnicas de FNP que são voltadas para esses objetivos. • • • • Técnicas para o aumento de força muscular A seguir, veremos a descrição sucinta das técnicas específicas de FNP que objetivam o aumento da força muscular. As técnicas relacionadas ao ganho de potência muscular serão abordadas posteriormente. Técnicas de FNP voltadas para o fortalecimento muscular Combinação de isotônicas Combina as contrações concêntrica, excêntrica e estabilizadoras dos agonistas, sem períodos de relaxamento. Você pode começar pelo ponto de maior força ou de melhor coordenação. Utilize esta técnica para: Controle ativo do movimento Coordenação Aumento de amplitude ativa de movimento Fortalecimento muscular Veja a descrição da técnica: 1 Faça resistência à contração concêntrica do paciente. 2 Ao final do movimento, peça a ele para permanecer nessa posição (contração estabilizadora). 3 Inicie a fase excêntrica do procedimento. 4 Não há troca de contato manual e você moverá o segmento do paciente até a posição de origem, durante a fase excêntrica. A combinação de isotônicas aplicada aos músculos extensores de tronco: • • • • Combinação de isotônicas aplicada aos músculos extensores de tronco. Reversão de estabilizações Alterne contrações isotônicas com resistências capazes de evitar a mobilização ativa. Peça para o paciente empurrar as suas mãos ou resista ao movimento, não permitindo que você seja empurrado. Permita apenas um pequeno movimento. Use essa técnica para aumentar a estabilidade e o equilíbrio, bem como o fortalecimento muscular, e promover melhora da coordenação entre agonista e antagonista. Confira a descrição: Ofereça resistência ao paciente a partir da direção mais forte. Solicite que faça força contrária à sua. Permita pouco movimento. Quando o paciente fizer força total, mova uma das mãos e inicie resistência em outra direção. Assim que o paciente responder à nova resistência, mova a outra mão e faça resistência com ela nessa nova direção. Na imagem anterior, vimos a estabilização do tronco superior. Na imagem a seguir, uma das mãos continua no tronco superior e a outra mão do terapeuta muda de posição para fazer resistência à pelve. • • • • Reversão de estabilizações aplicada no tronco. Estabilização rítmica Alterna contrações isométricas (de agonistas e de antagonistas) contra resistência. Não há movimento. Utilize essa técnica para aumentar amplitudes passivas e ativas de movimento, a estabilidade articular, diminuir a dor e fortalecer a musculatura. Deve ser evitada em casos de extrema dificuldade do paciente devido a lesões cerebelares e incapacidade de seguir as instruções. Veja a descrição: Aplique resistência à contração isométrica do grupo agonista. O paciente manterá a posição sem se mover. Aumente lentamente a resistência conforme o paciente equipara as forças. Quando o paciente der a resposta máxima, mova uma de suas mãos e oponha resistência ao grupo antagonista, na porção distal. Nem você nem o paciente podem relaxar. Aumente gradualmente a resistência. Conforme o paciente vai respondendo, mova a outra mão e aplique, com ela, a resistência ao grupo antagonista. Use tração-aproximação de acordo com a necessidade do paciente. Reverta as contrações musculares o quanto for necessário. Finalize com os comandos “fique parado” e “não mova”. A estabilização rítmica do ombro na diagonal de flexão/abdução – extensão/adução: • • • • • • Estabilização rítmica do ombro na diagonal de flexão/abdução – extensão/adução. Técnicas para o aumento de força muscular A FNP também reúne técnicas que visam aumentar a potência muscular. Suas descrições estão nas subseções seguintes. Técnicas de FNP voltadas para o ganho de potência muscular. Estiramento repetitivo ao início da amplitude de movimento Ativação do reflexo de estiramento sob a tensão do alongamento. Use essa técnica para facilitar a ativaçãomuscular, aumentar a força muscular e ter a consciência de movimento diminuída. As contraindicações são instabilidade articular, dor, instabilidade óssea e osteoporose e, ainda, lesão muscular ou tendínea. Veja a descrição da técnica: Posicione o membro no padrão desejado, com total alongamento dos músculos a ser tratados. Atenção especial com a rotação. Dê um estímulo de estiramento para ativar o reflexo miotático. Simultaneamente, solicite que o paciente contraia voluntariamente, para unir o estiramento à contração muscular. Resista à contração e repita o procedimento. Iniciação rítmica Movimento rítmico do segmento dentro de uma dada amplitude. Comece com a mobilização passiva e progrida até a mobilização ativa-resistida. Utilize essa técnica para facilitar a iniciação do movimento, melhorar a coordenação e a taxa de movimento (acelere-a ou desacelere-a) e, ainda, regularizar ou normalizar o tônus muscular. Comece mobilizando passivamente o segmento corporal do paciente. Em seguida, evolua para mobilização ativa-assistida. O retorno para a posição inicial é feito por você. Use o comando verbal para estabelecer o ritmo. Durante a sequência de movimento, inicie mobilização ativa-resistida, mantendo o ritmo com comandos verbais. Finalize solicitando que o paciente mobilize o segmento de maneira ativa-livre. Métodos de treinamento muscular na fisioterapia Confira uma abordagem sobre as principais formas de treinamento muscular utilizadas na prática clínica do Fisioterapeuta. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. • • • • • • • • O exercício excêntrico Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Contração isocinética Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Sobre os tipos de contrações musculares, marque a seguir a alternativa correta. A As contrações concêntricas envolvem os componentes contráteis e não contráteis dos músculos. B Nós podemos levantar cargas maiores do que as que podemos baixar porque acelerar o movimento é mais fácil do que desacelerá-lo. C A contração isométrica não é vantajosa nos casos em que haja necessidade de aumento da força muscular em ângulos específicos. D Apesar de resultar em fadiga mais rápida, o exercício concêntrico tem menor incidência de dor de início tardio do que o exercício excêntrico. E O exercício isocinético deve ser interrompido em caso de fadiga. A alternativa D está correta. A utilização dos componentes contráteis e não contráteis do músculo ocorre quando a contração é excêntrica. A desaceleração é mais fácil porque a contração excêntrica recruta menos fibras musculares do que a contração concêntrica, o que resulta em maior resistência à fadiga. Além disso, o exercício excêntrico permite que você aplique uma carga maior. A contração isométrica é indicada para aumentar a força em ângulos específicos. Inclusive, pode ser aplicada em diversos ângulos. Uma das vantagens do exercício isocinético é que o paciente pode continuar a fazê-lo mesmo que tenha sinais de fadiga. Questão 2 Como se chama o exercício realizado com resistência ajustada, de forma a manter uma velocidade predeterminada? A Excêntrico, e a sua resistência é constante. B Isocinético, de resistência proporcional ao torque. C Isométrico em múltiplos ângulos, com resistência de alta intensidade. D Concêntrico, de resistência mecânica constante. E Combinação de isotônicas, com resistência constante. A alternativa B está correta. O exercício excêntrico não se baseia na velocidade constante de exercício, mas na desaceleração da carga. No exercício isométrico, a contração muscular não produz movimento aparente. A velocidade de contração concêntrica é inversamente proporcional à tensão muscular. O foco da combinação de isotônicas é o uso de diferentes tipos de contração muscular visando facilitar o movimento. O parâmetro velocidade não é pré-ajustado 3. Recursos fisioterapêuticos Recursos para exercícios de treinamento resistido Há diversos equipamentos disponíveis para auxiliar na realização dos exercícios de treinamento resistido. Você pode utilizar esses materiais para exercícios ativo-assistidos, estáticos, dinâmicos, excêntricos, concêntricos e de cadeia cinética aberta ou fechada. Considere os seguintes critérios para a escolha dos materiais: Relacionamos, a seguir, os principais materiais utilizados na prática clínica do fisioterapeuta. Mas, antes, vamos falar sobre a resistência manual. Resistência manual Você aplica a resistência em relação a contrações estáticas ou dinâmicas. Aplique-a ao longo da amplitude de movimento, podendo, inclusive, utilizar movimentos combinados, como os padrões da FNP. Atenção Tome cuidado com o seu posicionamento. Evite sobrecarga sobre a sua coluna lombar. Você pode utilizar uma base alargada (afastar seus pés um do outro) para manter a postura estável durante a aplicação da resistência e transferir o peso de acordo com o movimento do paciente. Veja quais são as vantagens e desvantagens da resistência manual: Em relação a você Necessidades, habilidades e metas. Em relação ao equipamento Disponibilidade no mercado, custo de aquisição e manutenção, facilidade de uso, versatilidade e o espaço necessário. Vantagens: Maior eficiência quando a força muscular é, no máximo, grau 4; Eficiência na transição para os movimentos com resistência mecânica; Ajuste da resistência ao longo da mobilização ativa; Prevenção de movimentos compensatórios; Monitoração contínua do desempenho do paciente; Facilidade para ajustar a posição da resistência. Desvantagens: A subjetividade da carga não permite quantificar a melhora do paciente; O módulo da resistência é limitado à força muscular do fisioterapeuta; O paciente não pode, na maioria dos grupos musculares, fazer os exercícios de forma independente Pouca praticidade em relação à melhora da resistência à fadiga pelo consumo excessivo de tempo; Intensa para o fisioterapeuta no que se refere a tempo e trabalho. • • • • • • • • • • • Tubos e faixas elásticas Comumente empregadas para fins terapêuticos, tais como aumento da força muscular, mobilidade e diminuição da dor articular, as faixas elásticas são utilizadas em diversos pacientes, incluindo os idosos e os atletas. Os tubos e as faixas elásticas oferecem resistência variável, porque a força gerada varia conforme o alongamento do material. A resistência aumenta conforme o material sofre estiramento. Observe que a velocidade não influi na quantidade de resistência. Para ambos os recursos, há uma escala de cores que estabelece os níveis de resistência. Também pode variar de acordo com o instrumento utilizado. Veja: Faixas elásticas O que determina a resistência é a espessura, no caso das faixas. Tubos elásticos A graduação de resistência também se dá pelo diâmetro e pela espessura da parede de cada tubo. Um exemplo da graduação de resistência das fitas elásticas de acordo com suas cores pode ser visto na imagem a seguir. Graduação da Thera-Band, nome comercial da faixa elástica. As vantagens dos tubos e faixas elásticas são baixo custo, versatilidade, facilidade de transporte, menor restrição ao movimento (que pode ser realizado em várias direções) e podem, ainda, seguir a lógica do exercício progressivo. Extensíveis, conferem resistência elástica e são indicados para: 1 Tratamento de alterações posturais, déficits funcionais motores e déficits do desempenho muscular. 2 Treinamento em distúrbios cardiorrespiratórios. 3 Treinamentos funcionais e desportivos para limitações funcionais. 4 Treino de equilíbrio. Os fabricantes recomendam que o fortalecimento muscular tenha resistência progressiva. São desvantagens dos tubos e das faixas elásticas a perda de elasticidade com o decorrer do uso ea menor durabilidade devido à necessidade de estocar cuidadosamente para a manutenção das propriedades elásticas e pelo fato de poderem ficar quebradiços com o uso prolongado. Resistência mecânica É a resistência aplicada por meio de equipamentos. Existe uma infinidade de equipamentos que variam em termos de complexidade, tamanho e preço. Comentário Neste módulo, abordaremos os equipamentos que oferecem resistência fixa, amplamente utilizados na prática fisioterapêutica para aumento de força, potência, resistência à fadiga e funcionalidade. Esses equipamentos devem ser utilizados para exercícios estáticos, dinâmicos (excêntricos e concêntricos) e em cadeia cinética (aberta ou fechada). Pesos livres São pesos que podem ser segurados pelas mãos ou aplicados nos membros inferiores, superiores e no tronco. Estão disponíveis no mercado com ampla variedade de opções e têm como vantagem o fato de poderem, com exceção do sistema de polias, ser utilizados nos ambientes domiciliares. São exemplos: Bola Halter Munhequeira Caneleira Resistor de mão com mola de aço (handgrip) Você também pode improvisar a resistência com os materiais que o paciente dispuser. O importante aqui é aplicar uma carga externa ao paciente. Atenção A carga, ao levantar ou abaixar o peso, não pode ser maior do que o controle muscular na altura da ADM onde a carga dá o torque máximo. Sistema de polias Neste sistema, que tem carga fixa, o paciente exerce tração sobre um cabo de aço, que é transmitida para o peso, resultando em seu levantamento. A polia cria um eixo que muda a direção e o sentido da força com que o peso é puxado. Sistema de polias. O sistema de polias pode ser utilizado em ambulatórios, consultórios e clínicas. Uma limitação é o custo elevado de aquisição e de instalação. Suas vantagens e desvantagens são as mesmas que as observadas nos pesos livres, veja: Vantagens e desvantagens dos pesos livres e da carga fixa. Equipamentos de resistência na fisioterapia Assista ao vídeo para conhecer os principais equipamentos para imposição de resistência nos exercícios. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Vantagens e desvantagens da resistência manual Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Tubos e bandas elásticas Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Você avaliou um paciente em domicílio e decidiu implementar um programa de fortalecimento muscular com resistência constante, de baixo custo, que fosse bastante prático e que possibilitasse que esse paciente realizasse exercícios com carga nos intervalos entre os seus atendimentos. Qual dos seguintes recursos você vai utilizar? A Resistência manual. B Sistema de polias. C Pesos livres. D Faixas ou tubos elásticos. E Sistema isocinético. A alternativa C está correta. Os pesos livres seriam a melhor opção. A resistência manual não pode ser utilizada nos intervalos entre os atendimentos, porque é aplicada pelo fisioterapeuta. O sistema de polias é utilizado no ambulatório e tem alto custo. As faixas e os tubos elásticos oferecem resistência variável. Os exercícios isocinéticos dependem de equipamentos de alto custo; os exercícios são configurados pelo fisioterapeuta. Questão 2 Esse recurso é utilizado com frequência para o fortalecimento muscular porque tem baixo custo. Você pode levar para qualquer lugar, pode ser aplicado em movimentos isolados ou combinados, tem carga variável e precisa ser estocado cuidadosamente para ter maior durabilidade. De qual recurso estamos falando? A Faixas ou tubos elásticos. B Sistema isocinético. C Sistema de polias. D Resistência manual. E Pesos livres. A alternativa A está correta. As faixas ou tubos elásticos são os recursos abordados na descrição. Os sistemas isocinético e de polias não são portáteis. A resistência manual é aplicada pelas mãos do fisioterapeuta, tem carga subjetiva e dependente da força do fisioterapeuta. Os pesos livres têm carga constante. 4. Emprego de programa terapêutico Respostas do sistema muscular ao fortalecimento muscular Decorridas algumas semanas de tratamento, pode ser observado aumento significativo da força muscular. Entretanto, tal aumento não é observado na área de secção transversa. Dessa maneira, a hipertrofia não é a principal determinante do aumento de força muscular. O aumento de força resultante da cinesioterapia ativa pode ser atribuído ao maior recrutamento de unidades motoras e às propriedades mecânicas dos músculos Comentário Discutiremos nas subseções seguintes as adaptações neurais e musculares decorrentes do fortalecimento muscular. Adaptações neurais O aumento inicial da força muscular, que ocorre no período entre duas e seis semanas, se deve, principalmente, às adaptações neurais, que são: Aumento dos impulsos neurais (recrutamento muscular e frequência de disparo); Maior ativação dos agonistas; Menor ativação dos antagonistas; Melhor desempenho devido à maior sincronização e coordenação das unidades motoras que atuam no movimento; Inibição do órgão tendinoso de Golgi (OTG). As adaptações neurais envolvem maior ativação voluntária do músculo, algo fundamental para a força e a potência. Mesmo em atletas que fazem treinamentos avançados, os fatores neurais parecem estar relacionados às melhoras da força e da potência musculares. • • • • • Saiba mais Estudos apontam que a diminuição do limiar de recrutamento e o aumento da taxa de disparo do sistema nervoso central (SNC) também são fatores neurais importantes no que se refere ao ganho de força e de potência musculares. Em todas as formas de exercícios, considere estabelecer e progredir o número de repetições de acordo com a resposta do paciente. Alterações musculares O treinamento com alta resistência diminui a rigidez músculo-tendinosa e, consequentemente, o retardamento neuromecânico, que é a latência entre o drive neural para o músculo e a geração de força. Esse período de latência é determinado pelas propriedades neurais e periféricas. Assim, o limiar de recrutamento muscular diminui junto conforme a rigidez muscular decresce. O resultado disso é que a ativação do músculo fica mais rápida. Observa-se algum tipo de hipertrofia muscular a partir da sexta semana de fortalecimento. A partir desse ponto, esse efeito passa a contribuir mais do que os componentes neurais para os ganhos de força e de potência muscular. Todavia, a hipertrofia atinge seu ápice e mantém um platô. Lembre-se que a hipertrofia é o aumento da área de secção transversa do músculo e que corresponde ao: Aumento (em tamanho e número) Das proteínas contráteis (actina e miosina); Aumento Do número de sarcômeros. Cabe acrescentar que o exercício resistido pode induzir a transição da fibra muscular de um tipo para o outro. É mais frequente observar a conversão das fibras IIb para as do tipo IIa, o que pode ser uma vantagem porque as fibras IIa são mais resistentes à fadiga do que as fibras IIb. Outra alteração importante é a angiogênese, ou seja, o aumento numérico de capilares, que resulta em maior potencial de suprimento sanguíneo. Essa adaptação aumenta a capacidade da circulação de drenar o lactato muscular das fibras tipo II, o que pode aumentar a tolerância ao esforço, conforme ocorre com as fibras tipo Atenção Para desenvolver potência muscular: exercícios anaeróbicos. Para desenvolver endurance muscular: exercícios aeróbicos. Os exercícios resistidos, especialmente na fase excêntrica, induzem danos musculares estruturais que, geralmente, ocorrem na linha Z. Tais danos estimulam a ação das células-satélite, que são miogenitoras com atividade mitótica, e que estão localizadas ao longo das fibras musculares, a iniciar os processos de reparo e hipertrofia. Como isso acontece? As células-satélite proliferam,diferenciam-se em mioblastos e se fundem, formando novas miofibrilas ou reparando as fibras musculares que estiverem lesadas. Além disso, parte dessas células originam outras células-satélite, recompondo as reservas para eventuais lesões futura Contraindicações Ao prescrever exercícios terapêuticos para o aumento da força e da potência muscular, você deve tomar bastante cuidado. Geralmente, as contraindicações envolvem casos de doenças e alterações agudas. Os exercícios resistidos são contraindicados em casos de: Hipertensão (pressão arterial superior a 140mmHg x 90mmHg) Hipotensão (pressão arterial inferior a 90mmHg x 60mmHg) Taquicardia (frequência cardíaca superior a 100bpm) Bradicardia (frequência cardíaca inferior a 60bpm) Fraturas não consolidadas Trombose venosa profunda em início de anticoagulação ou sem anticoagulação Dor articular intensa ao movimento ativo-livre Inflamação articular aguda Doença cardiopulmonar grave Déficit cognitivo que impossibilite a participação ativa do paciente Precauções A eficácia e a segurança são elementos fundamentais da prescrição de exercícios terapêuticos para ganho de força e de potência musculares. Veja a seguir as orientações que você pode dar ao paciente. 1 Avisar se ocorrer dor durante o exercício. Caso ocorra, você pode diminuir a carga, o número de repetições ou suspender o exercício 2 Não prender a respiração durante os exercícios. Enfatize a expiração durante o exercício. Do contrário, a manobra de Valsalva será realizada. Tome os seguintes cuidados: Evite sobrecargas sobre a coluna vertebral do paciente; Evite movimentos incorretos ou compensatórios – você pode adequar a estabilização e o nível de resistência; Não use resistência pesada em crianças, idosos e pacientes com osteoporose; • • • • • • • • • • • • • Saiba quais medicamentos estão em uso e que podem alterar as respostas ao exercício terapêutico; Interrompa os exercícios em caso de dor, tontura e dispneia (não usual ou súbita). Em relação à dor, peça ao paciente para relatar se sentiu dor no período entre 12 e 24 horas após a cessação dos exercícios (dor tardia). Esses sintomas podem durar por mais de dez dias e dissipar-se gradualmente. Possivelmente, a dor de início tardio pode estar associada a microtraumas. Sabe-se que a dor de início tardio está associada a, além da percepção de dor, perda temporária de força. Você pode minimizar os riscos de dor de início tardio pela implementação de uma rotina regular de exercícios, especialmente os de contração excêntrica. Sabe por quê? Porque, dessa forma, o músculo pode se adaptar às cargas físicas e, assim, é possível prevenir a dor de início tardio. Os exercícios terapêuticos podem ser utilizados em diversas condições, tais como: Doenças neurológicas; Doenças reumatológicas; Doenças ortopédicas; Doenças cardiopulmonares; Reabilitação pós-fraturas; Traumatismos; Reeducação Postural. Observe nas subseções a seguir um guia sucinto para a prescrição dos métodos que abordamos ao longo deste conteúdo. Resistência manual Para determinar o número de repetições e séries/intervalos de tempo: Estabeleça a resistência de acordo com o desempenho do paciente e a sua força muscular; Os intervalos devem ser planejados pensando no repouso do paciente e no seu; Em geral, após oito a duas repetições, você e o paciente podem começar a ter sinais de fadiga; A aplicação deve envolver movimentos isolados, combinação de movimentos com base na funcionalidade e padrões de FNP e, ainda, deve haver resistência alternada. Utilize a resistência manual se você quiser: Basear o fortalecimento muscular na realização de movimentos opostos – a resistência será alternada. • • • • • • • • • • • • • • Iniciar o processo de reabilitação de pacientes com diminuição de força muscular. Fortalecer de maneira estática ou dinâmica. Controlar cuidadosamente a amplitude do movimento. Fortalecer o músculo sem movimentos compensatórios. Veja na imagem a seguir as características da resistência manual alternada: Resistência manual alternada. FNP A filosofia de tratamento FNP utiliza as reservas do paciente por meio de uma abordagem positiva visando otimizar o desempenho do movimento mediante treinamento funcional intensivo. Para essa finalidade, identifique as áreas funcionais e disfuncionais do paciente durante a avaliação e estabeleça seus objetivos para curto e longo prazos. Lembre-se de considerar os objetivos do paciente. • • • • Você deve avaliar e reavaliar sistematicamente o estado funcional do seu paciente para ajustar a prescrição das técnicas de FNP. Utilize a FNP com pacientes que sejam capazes de compreender os comandos verbais e executá-los adequadamente. Treine o paciente, explicando-lhe como realizar a diagonal, bem como a técnica específica que você prescrever. Considere mudar a forma de exercício resistido caso o paciente não compreenda ou não realize adequadamente os procedimentos que você adotar Resistência mecânica Sua prescrição depende de vários fatores: Necessidades dos pacientes Suas metas Disponibilidade Custo Facilidade de uso Versatilidade Espaço para utilização Você precisa determinar se o equipamento deve ser regulado e usado pelo paciente de maneira independente. Além disso, você deve ensinar ao paciente como utilizar corretamente o equipamento a fim de otimizar os resultados e prevenir lesões. Utilize a resistência mecânica caso você deseje: Trabalhar com as fases excêntrica e concêntrica do músculo a ser tratado. Trabalhar isometria. Aumentar força, potência e resistência. Que o paciente realize os exercícios independentemente. Trabalhar o movimento de maneira irrestrita. Instruir o paciente a continuar os exercícios em domicílio, no período entre os seus atendimentos. Tratar pacientes com força muscular a partir do grau 4. A resistência pode ser fixa ou progressiva. No caso da resistência progressiva, estabeleça a repetição máxima (RM) para, em seguida, progredir a resistência. Geralmente, prescreve-se de duas a três séries de seis a doze repetições, com carga de 6 a 12 RM. Você pode, inclusive, optar entre os programas: • • • • • • • • • • • • • • Veja na tabela abaixo a diferença entre os dois programas: Comparação de dois programas de exercício resistido progressivo DeLorme Oxford Determinação de 10 RM Determinação de 10 RM 10 repetições com 50% de 10 RM 10 repetições com 100% de 10 RM 10 repetições com 75% de 10 RM 10 repetições com 75% de 10 RM 10 repetições com 100% de 10 RM 10 repetições com 50% de 10 RM Tabela: Comparação de dois programas de exercício resistido progressivo. Kisner e Colby (2016, p. 219). Tenha em mente que o estabelecimento de séries e de repetições depende de uma boa avaliação funcional do seu paciente. Você pode estabelecer esses parâmetros tendo por base os dados de exame físico. Reavalie constantemente para progredir ou alterar a resistência. Os recursos abordados neste conteúdo, bem como suas aplicações, considerando força e potência musculares, estão sumarizados na tabela a seguir. Força Contração muscular Excêntrica Concêntrica Isométrica Exercício isocinético Cadeia cinética Aberta Fechada FNP Combinação de isotônicas Reversão de estabilizações Estabilização rítmica Potência Exercício isocinético FNP Estiramento repetitivo ao início da amplitude de movimento Iniciação rítmica Tabela: Prescrição de terapêutica das técnicas de fortalecimento muscular. Caio Tramont. Raciocínio clínico para elaborar um programa de fisioterapia visando o aumento da força e potência muscular DeLorme Que progride a resistência a cada série. Oxford Que inicia com carga máxima e regride a resistência a cada série. Veja este vídeo sobre o raciocínio clínico que o fisioterapeuta deve ter para elaborar um programa terapêutico visando o aumento da força e potência muscular. Conteúdo interativoAcesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. A eficácia e a segurança na prescrição de exercícios Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. DeLorme versus Oxford Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Após a sua avaliação em um paciente sedentário com 60 anos, você constatou que ele apresenta fraqueza e rigidez muscular em membros superiores e inferiores. Sabe-se que um programa de fortalecimento muscular gera alterações musculares e neurais ao longo do tempo. Assinale a seguir a alternativa verdadeira. A O aumento da área de secção transversa ocorre na primeira semana de tratamento. B O aumento da força muscular ocorre na sétima semana de tratamento. C Uma das alterações mais importantes é o aumento da sensibilidade do OTG. D A partir da sexta semana de fortalecimento, as alterações neurais passam a contribuir mais do que as musculares para o aumento da força. E A rigidez muscular diminui com o decorrer do tempo. A alternativa E está correta. A rigidez muscular diminui com o decorrer do tempo, com o treinamento. A hipertrofia muscular e, consequentemente, o aumento da área de secção transversa, ocorre a partir da sexta semana. A força muscular começa a aumentar a partir da segunda semana de tratamento. O OTG é inibido pelo exercício resistido. O aumento da área de secção transversa ocorre a partir da sexta semana e, consequentemente, observa-se aumento progressivo do percentual de tecido contrátil até que seja alcançado um platô. Os exercícios isocinéticos dependem de equipamentos de alto custo, os exercícios são configurados pelo fisioterapeuta. Questão 2 Você avaliou um paciente idoso e vai começar um programa de fortalecimento muscular com ele. Sobre os cuidados necessários, assinale a alternativa correta. A Estimular a manobra de Valsalva. B Usar resistência pesada. C Tomar medidas para evitar a dor imediata, permitindo que inicie somente de forma tardia. D Evitar sobrecargas sobre a coluna vertebral. E Reduzir a atividade em casos de dispneia não usual ou súbita. A alternativa D está correta. Entre os cuidados necessários, deve-se evitar sobrecarga sobre a coluna vertebral; do contrário, pode resultar em lombalgia. A manobra de Valsalva deve ser evitada, por possuir riscos como o aumento da pressão arterial. A dor muscular de início tardio é uma complicação que ocorre de 12 a 24 horas após a cessação de um esforço muscular excessivo, que é decorrente de resistência muscular pesada e, portanto, desaconselhável para idosos. A dispneia é sinal de dificuldade respiratória que, no caso, pode ser desencadeada quando um exercício excede a capacidade que o paciente tem de executá-lo. No caso do seu aparecimento, a atividade deve ser interrompida imediatamente. 5. Conclusão Considerações finais Vimos que existem muitas formas de exercícios terapêuticos e de aplicação da resistência. Cada exercício tem o seu objetivo, suas indicações, vantagens e desvantagens. Ao elaborar um plano de tratamento, considere a importância de se trabalhar com a isometria, as contrações excêntrica e concêntrica, bem como os exercícios isocinéticos e de FNP. A base teórica deste conteúdo se fundamentou nas principais características de cada uma dessas técnicas, com considerações, inclusive, sobre as cadeiras cinéticas aberta e fechada. Elaborar o tratamento de um paciente é uma arte, que fica ainda mais requintada se soubermos quando usar cada um desses recursos de forma isolada ou combinada. Os recursos utilizados para o aumento de força muscular são bastante diversificados e podem ser usados em vários casos. Saber as indicações, vantagens e desvantagens de cada um deles fará com que você prescreva a forma de fazer resistência com maior precisão. Consequentemente, os resultados do tratamento serão mais consistentes! Você pode começar pela resistência manual, que tem carga subjetiva e limitada à sua força muscular para, em seguida, progredir para a resistência variável, conferida pelas faixas e tubos elásticos. Caso prefira, pode evoluir da resistência manual para os pesos livres, que conferem resistência fixa e podem ser improvisados em caso de tratamento domiciliar, onde os pesos não estão disponíveis. Podcast Ouça o podcast para entender os tipos de contração muscular estático, dinâmico e isocinético, bem como as técnicas que visam à potencialização muscular e ao aumento da geração de força. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Pesquise o artigo Efeito de um protocolo de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) no equilíbrio postural de idosas, em que Igor Almeida Silva e outros autores tratam de um estudo com o objetivo de avaliar os efeitos da FNP no equilíbrio de idosas. Referências ADLER, S. S.; BECKERS, D.; BUCK, M. PNF in practice: an illustrated guide. 3. ed. Chicago: Springer, 2008. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 12. ed. São Paulo: Elsevier, 2011. p. 74. HOULGLUM, P. A.; BERTOTI, D. B. Cinesiologia clínica de Brunnstrom. 6. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. p. 140. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 6. ed. Barueri: Manole, 2016. PRENTICE, W. E.; VOIGHT, M. L. Técnicas em reabilitação musculoesquelética. Porto Alegre: Artmed, 2007. THERA-BAND. Resistance Band & Tubing - Instruction Manual. USA: The Hygenic Corporation, 2012. Abordagem Fisioterapêutica para recuperação da força e potência 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Força, potência e resistência muscular Fatores para o desempenho muscular Morfologia Influências Funções Mecanismo de contração muscular Conteúdo interativo Bandas I Banda A Como o músculo transmite a força da sua contração para os ossos? Endomísio Perimísio Epimísio Manter a união entre as fibras musculares. Permitir que a força de contração de cada fibra muscular atue sobre todo o músculo. Transmitir a força da contração muscular para tendões e ossos. Formar redes de capilares, vasos linfáticos e nervos entre as fibras musculares. Comentário Endomísio Atenção Perimísio Primário Secundário Epimísio Explicando a transmissão da força Força muscular Relação comprimento versus tensão Área de secção transversa Formas de produção de força Isométrica Atenção Isotônica Trabalho e potência muscular Resistência muscular Fibras tipo I Fibras tipo II Fibras tipo IIa Fibras tipo IIb Força, potência e resistência musculares Conteúdo interativo Vem que eu te explico! O sarcômero Conteúdo interativo Tipos de contração Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Treinamento muscular na fisioterapia Isométrico Saiba mais 1 2 3 4 5 Dica Tipos de exercícios isométricos Exercícios isométricos leves Exercícios de estabilização Isometria em ângulos múltiplos Dinâmico Excêntrico Atenção 1 2 3 4 Atenção Concêntrico Resistência Recurso Intensidade Constante Atenção Variável Isocinético Saiba mais Velocidade constante Várias velocidades disponíveis Treinamento muscular recíproco versus isolado Especificidade Acomodação à fadiga Acomodação ao arco doloroso Velocidade máxima de treinamento inferior à velocidade de execução das atividades cotidianas. Isola grupos musculares. Trabalha com uma única articulação, é uniplanar e não tem suporte de peso. Custo elevado. Cadeia cinética aberta (CCA) Cadeia cinética fechada (CCF) Facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) Efeito pós-descarga Somatório temporal Somatório espacial Irradiação Indução sucessiva Inervação recíproca Técnicas para o aumento de força muscular Combinação de isotônicas 1 2 3 4 Reversão de estabilizações Estabilização