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BNCC NA EDUCAÇÃO INFANTIL • GUIA PARA PROFESSORES 1
GUIA PRÁTICO PARA PROFESSORES
BNCC NA
EDUCAÇÃO INFANTIL
Direitos, campos de experiências, objetivos,
planejamento e avaliação na prática
INTERAÇÕES BRINCADEIRAS
Relações, escuta e participação. Experiência, imaginação e descoberta.
Material de formação e consulta pedagógica
Educação Infantil • Todas as áreas
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1 • PONTO DE PARTIDA
O que é a BNCC?
A Base Nacional Comum Curricular é um documento normativo que define aprendizagens
essenciais para toda a Educação Básica. Na Educação Infantil, ela não apresenta disciplinas
nem uma lista rígida de conteúdos. O foco está nas experiências que favorecem o
desenvolvimento integral da criança.
A BNCC orienta a elaboração dos currículos e dos planejamentos, mas não substitui o
currículo da rede ou da escola. A proposta pedagógica precisa dialogar com o território, a
cultura das famílias, as necessidades das crianças e as diretrizes locais.
A ideia central
Na Educação Infantil, educar e cuidar são inseparáveis. O professor organiza tempos,
espaços, materiais e relações com intencionalidade, observa as crianças e amplia suas
possibilidades de participação, expressão, investigação e convivência.
O que a BNCC define
Direitos de aprendizagem, campos de
experiências e objetivos organizados por
grupos etários.
O que a escola decide
Contextos, projetos, rotinas, materiais,
metodologias e formas de documentação.
O que deve ser evitado
Transformar objetivos em uma lista
mecânica, antecipar a escolarização formal
ou reduzir a criança a fichas repetitivas.
O que deve aparecer
Brincadeira, interação, escuta, participação,
investigação, cultura, cuidado e autoria
infantil.
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2 • FUNDAMENTOS
Interações e brincadeiras
A BNCC mantém interações e brincadeiras como eixos estruturantes das práticas
pedagógicas. Isso muda o centro do planejamento: o professor não começa pela atividade
pronta, mas pelas experiências que pretende favorecer e pelos modos como as crianças
poderão agir, escolher, comunicar, criar e conviver.
Interagir significa aprender com outras crianças, adultos, objetos, espaços, linguagens e
elementos da cultura. Brincar envolve imaginação, regras, corpo, emoção, repetição,
invenção e negociação. Esses eixos atravessam toda a rotina, inclusive alimentação,
higiene, descanso e acolhimento.
Perguntas para o planejamento
• Que experiências esta proposta possibilita?
• A criança poderá escolher, experimentar e tomar decisões?
• Haverá interação entre crianças e entre crianças e adultos?
• O espaço permite movimento, investigação e autonomia?
• Como o professor observará e registrará os processos?
Regra de ouro
Uma atividade pode ser bonita e ainda assim ter baixo valor
pedagógico. O critério não é a aparência do produto final, mas a
qualidade da experiência vivida pela criança.
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3 • APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO
Os seis direitos
CONVIVER
Relacionar-se com crianças e adultos,
reconhecendo diferenças, construindo
respeito e ampliando vínculos.
BRINCAR
Explorar brincadeiras variadas, em
diferentes espaços e tempos, com parceiros
diversos.
PARTICIPAR
Tomar parte das decisões possíveis sobre
atividades, materiais, ambientes e
combinados.
EXPLORAR
Investigar movimentos, sons, formas,
texturas, palavras, emoções, objetos e
elementos da natureza.
EXPRESSAR
Comunicar necessidades, ideias,
sentimentos, hipóteses e descobertas por
múltiplas linguagens.
CONHECER-SE
Construir identidade, autonomia, confiança
e percepção de pertencimento aos grupos
sociais e culturais.
Os direitos não funcionam isoladamente. Uma roda de histórias, por exemplo, pode envolver
conviver, participar, explorar, expressar e conhecer-se ao mesmo tempo.
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4 • ORGANIZAÇÃO CURRICULAR
Os cinco campos de experiências
Os campos articulam conhecimentos, linguagens, relações e práticas sociais. Eles não são
matérias escolares separadas. Uma mesma experiência pode mobilizar vários campos,
embora o professor possa destacar um deles como foco principal.
O eu, o outro e o nós
Identidade, convivência, respeito,
pertencimento e relações sociais.
Corpo, gestos e movimentos
Corpo, coordenação, expressão, cuidado e
exploração do espaço.
Traços, sons, cores e formas
Artes visuais, música, criação, sensibilidade
e diferentes materiais.
Escuta, fala, pensamento e
imaginação
Oralidade, literatura, narrativa, escrita em
contexto e imaginação.
Espaços, tempos, quantidades,
relações e transformações
Natureza, sociedade, matemática,
observação, comparação e investigação.
A organização por campos protege uma visão integrada da infância. O conhecimento
aparece ligado à experiência e não fragmentado em aulas disciplinares.
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5 • CAMPO DE EXPERIÊNCIA
O eu, o outro e o nós
Foco do campo
Experiências de identidade, autonomia, convivência, cuidado, respeito às diferenças e
participação em grupos.
Possibilidades de experiências
Rodas e combinados
Construção coletiva de acordos, escuta de
opiniões e resolução mediada de conflitos.
Identidade e pertencimento
Fotografias, histórias familiares, nomes,
costumes, celebrações e narrativas da
comunidade.
Cuidado e cooperação
Organização dos materiais, ajuda entre
pares e responsabilidades compatíveis com
a idade.
Diversidade
Livros, brinquedos e imagens que
representem diferentes corpos, famílias,
culturas e modos de viver.
O que observar
• Como a criança comunica desejos e limites.
• Como participa do grupo e lida com conflitos.
• Quais iniciativas de cuidado e cooperação apresenta.
• Como percebe semelhanças, diferenças e pertencimentos.
Não transforme o campo em disciplina. Planeje situações significativas e registre processos,
falas, estratégias e mudanças percebidas.
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6 • CAMPO DE EXPERIÊNCIA
Corpo, gestos e movimentos
Foco do campo
Experiências corporais que envolvem movimento, expressão, coordenação, equilíbrio,
autocuidado e percepção do próprio corpo.
Possibilidades de experiências
Percursos motores
Subir, descer, rolar, equilibrar, passar por
baixo e reorganizar trajetos.
Dança e dramatização
Movimentos inspirados em músicas,
histórias, animais, personagens e emoções.
Gestos cotidianos
Vestir-se, alimentar-se, higienizar-se e
manipular objetos com autonomia
crescente.
Brincadeiras tradicionais
Rodas, estátua, amarelinha adaptada,
circuitos e jogos com regras simples.
O que observar
• Coordenação ampla e fina em situações reais.
• Formas de ocupar e perceber o espaço.
• Expressividade corporal e resposta a ritmos.
• Autonomia nos cuidados cotidianos.
Não transforme o campo em disciplina. Planeje situações significativas e registre processos,
falas, estratégias e mudanças percebidas.
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7 • CAMPO DE EXPERIÊNCIA
Traços, sons, cores e formas
Foco do campo
Experiências de criação e apreciação artística por meio de sons, materiais, cores, gestos,
imagens, formas e composições.
Possibilidades de experiências
Ateliê aberto
Tintas, argila, carvão, papéis, elementos
naturais e suportes em tamanhos variados.
Paisagens sonoras
Escuta e produção de sons do corpo, de
objetos, da natureza e de instrumentos.
Apreciação
Contato com obras, músicas, artistas,
artesanatos e produções culturais diversas.
Criação autoral
Desenho, pintura, colagem, modelagem e
construção sem modelos únicos para
copiar.
O que observar
• Escolhas de materiais, cores e procedimentos.
• Exploração de ritmos, intensidades e timbres.
• Comentários e reações durante apreciações.
• Persistência, experimentação e mudanças na produção.
Não transforme o campo em disciplina. Planeje situações significativas e registre processos,
falas, estratégias e mudanças percebidas.
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8 • CAMPO DE EXPERIÊNCIA
Escuta, fala, pensamento e
imaginação
Foco do campo
Experiências de comunicação, literatura, narrativa, oralidade, imaginação e aproximação da
cultura escrita em situações com sentido.
Possibilidades de experiências
Leitura diária
Livros de qualidade, leitura pelo professor,
reconto, conversa literária e livre
exploração do acervo.
Narrativas infantis
Relatos, histórias inventadas, teatro,
fantoches, sequências de imagens e
gravações de voz.
Escrita com função
Listas, convites, bilhetes, nomes, legendas
e registros produzidos com participação das
crianças.
Brincadeira simbólica
Casinha, mercado, consultório, restaurante
e outros cenários construídos com o grupo.
O que observar
• Ampliação do vocabulário e das narrativas.
• Escuta de colegas e participação em conversas.
• Interesse por livros e usos sociais da escrita.
• Hipóteses, perguntas e invenções nas brincadeiras.
Não transforme o campo em disciplina. Planeje situações significativas e registre processos,
falas, estratégias e mudanças percebidas.
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9 • CAMPO DE EXPERIÊNCIA
Espaços, tempos, quantidades,
relações e transformações
Foco do campo
Experiências de investigação sobre natureza, sociedade, matemática e transformações
presentes no cotidiano.
Possibilidades de experiências
Coleções e contagens
Organizar tampas, sementes, blocos e
objetos por quantidade, tamanho, cor,
forma ou função.
Natureza em observação
Plantas, insetos, água, luz, sombras, clima,
misturas e transformações de materiais.
Medidas no cotidiano
Comparar alturas, distâncias, capacidades,
duração e peso em situações concretas.
Espaços e trajetos
Mapas simples, esconderijos, percursos,
posições, construções e organização dos
ambientes.
O que observar
• Estratégias de comparação, classificação e contagem.
• Perguntas e hipóteses sobre fenômenos.
• Noções de sequência, tempo, posição e medida.
• Capacidade de registrar descobertas por desenhos, falas ou marcas.
Não transforme o campo em disciplina. Planeje situações significativas e registre processos,
falas, estratégias e mudanças percebidas.
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10 • ORGANIZAÇÃO DOS OBJETIVOS
Grupos etários e códigos
Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento são organizados em três grupos. As
idades servem como referência, não como rótulos rígidos. O desenvolvimento não ocorre de
modo linear, e crianças da mesma idade podem apresentar percursos diferentes.
Bebês Crianças bem
pequenas Crianças pequenas
Zero a 1 ano e 6 meses 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11
meses 4 anos a 5 anos e 11 meses
Como ler um código
Exemplo: EI02EO03
EI
Etapa: Educação Infantil.
02
Grupo: crianças bem pequenas.
EO
Campo: O eu, o outro e o nós.
03
Posição do objetivo dentro do grupo e do
campo.
Os códigos ajudam a localizar objetivos, mas não substituem a descrição completa. No
planejamento, registre o código junto à intenção pedagógica e às experiências propostas.
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11 • DA BNCC À PRÁTICA
Como planejar com intencionalidade
1. Observar
Parta dos interesses, perguntas,
brincadeiras, necessidades e contextos
percebidos no grupo.
2. Definir a intenção
Escolha o que pretende favorecer:
interação, narrativa, movimento,
investigação, autonomia ou outra
aprendizagem.
3. Relacionar à BNCC
Localize direitos, campos e objetivos
coerentes. Não force vários códigos apenas
para preencher o plano.
4. Organizar o contexto
Prepare espaço, tempo, materiais,
agrupamentos e intervenções possíveis do
professor.
5. Documentar
Registre falas, ações, estratégias,
produções e mudanças para replanejar.
6. Dar continuidade
Retome descobertas, ofereça novos
desafios e amplie as experiências em vez
de encerrar tudo em um único dia.
Estrutura enxuta de planejamento
Pergunta Registro
O que motivou a proposta? Observações do grupo e contexto.
O que se pretende favorecer? Intenção pedagógica clara.
Quais referências da BNCC? Direitos, campos e objetivos pertinentes.
Como acontecerá? Espaços, materiais, tempos e mediações.
O que será observado? Indicadores qualitativos do processo.
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12 • ACOMPANHAMENTO
Avaliação e documentação
pedagógica
Na Educação Infantil, a avaliação acompanha o desenvolvimento sem objetivo de promoção,
classificação ou retenção. O professor observa processos e utiliza os registros para
compreender percursos, comunicar aprendizagens e replanejar.
O que pode compor a documentação
Registros escritos
Notas de campo, episódios significativos,
falas e hipóteses das crianças.
Produções
Desenhos, construções, narrativas,
fotografias e registros coletivos
contextualizados.
Portfólios
Seleção comentada que evidencia
processos e mudanças ao longo do tempo.
Relatórios
Sínteses descritivas, respeitosas e
baseadas em situações observadas.
Evite
• Comparar crianças entre si ou usar rótulos como ‘atrasada’, ‘preguiçosa’ ou ‘não sabe’.
• Registrar apenas produtos finais e ignorar estratégias, falas e relações.
• Transformar objetivos da BNCC em checklist automático de desempenho.
• Expor imagens e dados sem observar autorização, privacidade e regras da instituição.
Prefira descrições concretas: o que a criança fez, em qual contexto, com quais apoios e que
mudanças foram percebidas.
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13 • EQUIDADE
Inclusão, diversidade e transições
A BNCC orienta uma formação humana integral e inclusiva. Isso exige garantir participação
real, acessibilidade, representação e altas expectativas para todas as crianças, respeitando
ritmos, culturas, condições de deficiência, modos de comunicação e contextos familiares.
Práticas inclusivas
Acessibilidade
Adapte materiais, mobiliário, comunicação,
tempo e organização dos espaços sem
empobrecer a experiência.
Representatividade
Inclua diferentes corpos, tons de pele,
famílias, territórios, culturas e formas de
viver nos acervos e propostas.
Participação
Ofereça escolhas, apoios e diferentes
maneiras de agir, comunicar e produzir.
Trabalho colaborativo
Dialogue com famílias, gestão, atendimento
educacional especializado e outros
profissionais, preservando a criança no
centro.
Transições
Acolhimento, mudança de turma e passagem para o Ensino Fundamental devem preservar
vínculos, continuidade e troca de informações pedagógicas. A transição não justifica
antecipar rotinas de escolarização formal. O objetivo é construir segurança e continuidade
entre experiências.
Pergunta crítica
Esta organização permite que todas as crianças participem com
dignidade e tenham oportunidades reais de aprender?
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14 • APLICAÇÃO
Exemplo de sequência semanal
integrada
Tema investigativo: Água no cotidiano • Grupo: crianças pequenas • Duração: uma semana
Intenção: ampliar a observação de usos, movimentos, sons, quantidades e transformações
da água, envolvendo oralidade, corpo, artes e cuidado coletivo.
DIA EXPERIÊNCIA CAMPO EM DESTAQUE
SEG Conversa inicial e levantamento de hipóteses: onde
encontramos água e para que ela serve?
Escuta, fala... / O eu, o outro
e o nós
TER Exploração com recipientes, funis e medidas não
padronizadas.
Espaços, tempos,
quantidades...
QUA Pintura com água colorida e observação das
misturas.
Traços, sons, cores e formas
QUI Percurso corporal inspirado em chuva, rio e ondas,
com sons e tecidos.
Corpo, gestos e movimentos
SEX Produção coletiva de cartaz sobre cuidado e uso
responsável da água.
Integração dos cinco campos
Documentação sugerida
Registrar perguntas, estratégias de comparação, vocabulário utilizado, cooperação,
movimentos corporais, escolhas estéticas e propostas de continuidade apresentadas pelas
crianças.
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15 • CONSULTA RÁPIDA
Checklist do professor
□ A proposta parte de observações reais do grupo?
□ Interações e brincadeiras são centrais?□ As crianças podem escolher, explorar, comunicar e participar?
□ A experiência integra cuidado e educação?
□ Direitos, campos e objetivos estão coerentes com a intenção?
□ Espaço, materiais e tempo favorecem autonomia?
□ Há acessibilidade e participação para todas as crianças?
□ O registro observará processos, não apenas resultados?
□ A experiência poderá ter continuidade?
□ As famílias e culturas do território são respeitadas?
Fontes oficiais consultadas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
Documento oficial: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
Página navegável da BNCC: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/
Ferramenta oficial para download de objetivos: https://downloadbncc.mec.gov.br/
Nota de uso
Este material é um guia de formação e consulta. Para registrar objetivos em documentos
institucionais, consulte a redação completa da BNCC e o currículo oficial da rede de ensino.
Planejar pela BNCC não é colecionar códigos. É criar contextos em
que as crianças possam viver experiências potentes, com
participação, cuidado e sentido.

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