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DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL
Revisão Completa da Disciplina
Regime Jurídico, Princípios, Organização Administrativa e Poderes da Administração Pública
Professor Lucas Jhônata Ramos
Curso de Direito • Revisão para Avaliação
1
ROTEIRO DA REVISÃO
O que vamos revisar hoje
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • SUMÁRIO
2
01
Direito Administrativo e Regime Jurídico
Conceito, prerrogativas e sujeições, supremacia e indisponibilidade do interesse público.
02
Princípios da Administração Pública
LIMPE (explícitos) e os princípios implícitos do sistema constitucional.
03
Organização Administrativa Brasileira
Administração Direta × Indireta, autarquias, fundações, empresas públicas e SEM.
04
Poderes da Administração Pública
Vinculado, Discricionário, Hierárquico, Disciplinar, Regulamentar e de Polícia.
2
BLOCO 1
01
Direito Administrativo e Regime Jurídico Administrativo
Por que o Estado está sujeito a regras diferentes das que regem o particular?
Conceito de Direito Administrativo (Maria Sylvia Zanella Di Pietro)
Regime Jurídico Administrativo: prerrogativas × sujeições
Supremacia e indisponibilidade do interesse público
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL
3
CONCEITO
O que é Direito Administrativo?
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 1
4
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO
“Direito Administrativo é o ramo do Direito Público que disciplina os órgãos, agentes e entidades da Administração Pública e a atividade administrativa por eles exercida.”
Organização
Da Administração Pública
Agentes públicos
Atuação em nome do Estado
Relação
Administração × administrados
Direito Administrativo é o conjunto de normas e princípios que disciplinam a atuação da Administração Pública em busca do interesse público. Estado → Administração Pública → Interesse Público
4
CONCEITO CENTRAL
Regime Jurídico Administrativo
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 1
5
É o conjunto de prerrogativas e sujeições que caracteriza a atuação da Administração Pública: ela possui poderes, mas também possui limites.
Prerrogativas
Instrumentos que permitem à Administração cumprir suas funções: impor limitações, aplicar sanções, fiscalizar, desapropriar, exercer poder de polícia.
Sujeições
Limites impostos à Administração para proteger o interesse público e os direitos dos cidadãos: Constituição, leis, princípios, finalidade pública, controle administrativo e judicial.
Ideia central: quanto maiores os poderes conferidos ao Estado, maiores também são os deveres e controles que recaem sobre sua atuação.
5
OS DOIS PILARES
Supremacia × Indisponibilidade do Interesse Público
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 1
6
Supremacia do Interesse Público
Em determinadas situações, o interesse público justifica prerrogativas especiais da Administração.
Exemplo: desapropriação para construção de uma escola pública.
Indisponibilidade do Interesse Público
O administrador não é proprietário do interesse público — deve administrá-lo conforme a lei, sem poder dele dispor livremente.
Exemplo: prefeito não pode simplesmente “perdoar” uma dívida pública por simpatia pelo devedor.
Cuidado com a frase: “supremacia do interesse público” NÃO significa que o Estado pode fazer qualquer coisa em seu nome — significa que a atuação deve buscar o interesse público dentro dos limites do ordenamento jurídico.
INTERESSE PÚBLICO ≠ CARTA BRANCA PARA O ADMINISTRADOR
6
QUADRO-SÍNTESE
Fechando o Bloco 1
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 1
7
Conceito
Ideia-chave
Direito Administrativo
Disciplina órgãos, agentes, entidades e a função administrativa do Estado — rege o interesse público.
Particular
Pode fazer tudo o que a lei não proíbe (liberdade é a regra).
Administração
Só pode fazer o que a lei autoriza ou determina (vinculação é a regra).
Prerrogativas
Poderes especiais da Administração para cumprir suas funções.
Sujeições
Limites que protegem o interesse público e os direitos dos administrados.
Supremacia do interesse público
Justifica prerrogativas — mas sempre dentro da lei.
Indisponibilidade do interesse público
O administrador gere, mas não é dono do interesse público.
7
BLOCO 2
02
Princípios da Administração Pública
Dois grupos de princípios organizam toda a atuação da Administração Pública.
Princípios explícitos — LIMPE (art. 37, caput, CF/88)
Princípios implícitos — decorrem do sistema constitucional
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL
8
PRINCÍPIOS EXPLÍCITOS
LIMPE — art. 37, caput, CF/88
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 2
9
Princípio
Ideia-chave
Legalidade (L)
Só pode fazer o que a lei permite — vinculação, não liberdade.
Impessoalidade (I)
Sem favorecimento pessoal; o ato é imputado ao órgão, não ao agente (art. 37, §1º, CF).
Moralidade (M)
Ética além da lei formal — um ato pode ser legal e, ainda assim, imoral.
Publicidade (P)
Transparência e controle — regra geral, com exceções (segurança do Estado; intimidade).
Eficiência (E)
Presteza e bom resultado — mas nunca se sobrepõe à legalidade.
9
PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS
Decorrem do sistema constitucional
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 2
10
Supremacia do interesse público
O interesse coletivo prevalece sobre o individual.
Indisponibilidade do interesse público
O administrador gere, mas não dispõe do interesse público.
Razoabilidade
A decisão deve ser compatível com a lógica e o bom senso.
Proporcionalidade
Meio e fim devem guardar equilíbrio — nada de excesso.
Motivação
Todo ato deve apresentar as razões de fato e de direito.
Continuidade do serviço público
Serviços essenciais não podem ser interrompidos.
Segurança jurídica
Protege a estabilidade das relações e a confiança legítima.
Autotutela
A Administração revê e anula seus próprios atos ilegais.
10
QUADRO-SÍNTESE
Fechando o Bloco 2
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 2
11
Legalidade: o particular pode tudo que a lei não proíbe; a Administração só pode o que a lei determina ou autoriza.
Impessoalidade tem duas faces: finalidade pública (sem favorecimento) e imputação do ato ao órgão, nunca à pessoa do agente.
Moralidade é princípio autônomo: um ato pode ser legal e, ainda assim, imoral.
Eficiência nunca se sobrepõe à legalidade — o administrador eficiente é, antes de tudo, um administrador que respeita a lei.
11
BLOCO 3
03
Organização Administrativa Brasileira
Administração Direta e Administração Indireta — quem é quem dentro do Estado.
Administração Direta × Administração Indireta
Autarquias, fundações públicas, empresas públicas e SEM
Órgão × entidade — a diferença que cai em prova
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL
12
CONCEITO
Administração Direta × Indireta
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 3
13
Administração Direta
Formada pelos órgãos dos entes federativos (União, Estados, DF, Municípios). Atua de forma CENTRALIZADA. Os órgãos não possuem personalidade jurídica própria.
Exemplo: Ministério da Saúde é órgão da União.
Administração Indireta
Entidades com personalidade jurídica própria, criadas por lei ou autorizadas por lei, decorrentes da DESCENTRALIZAÇÃO: autarquias, fundações públicas, empresas públicas e SEM.
Exemplo: INSS é autarquia (entidade).
Desconcentração: distribuição interna de competências dentro da mesma pessoa jurídica. Descentralização: transferência da execução a outra pessoa jurídica (pressupõe pessoas distintas — Celso Antônio Bandeira de Mello).
Base legal: CF/88, art. 37, caput e inciso XIX • Decreto-Lei 200/67, arts. 4º e 5º
13
ADMINISTRAÇÃO INDIRETA
As quatro espécies — parte 1 de 2
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 3
14
Espécie
Natureza jurídica
Criação
Autarquia
Direito público
Lei específica cria diretamente
Fundação pública
Direito público ou privado
Lei específica autoriza
Autarquia
INSS, IBAMA, universidades federais, agências reguladoras.
Fundação pública
IBGE, FUNAI, fundações culturais e de assistência social.
14
ADMINISTRAÇÃO INDIRETAAs quatro espécies — parte 2 de 2
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 3
15
Espécie
Natureza jurídica
Criação
Empresa pública
Direito privado, capital 100% público
Lei específica autoriza
Soc. economia mista
Direito privado, capital público e privado, sempre S.A.
Lei específica autoriza
Empresa pública
Caixa Econômica Federal, Correios, SERPRO.
Sociedade de economia mista
Banco do Brasil, Petrobras, Sabesp.
15
A DIFERENÇA QUE VOCÊ PRECISA GUARDAR
Órgão × Entidade
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 3
16
Órgão
Não possui personalidade jurídica própria. Integra a estrutura de uma pessoa jurídica. Atua por meio da pessoa jurídica a que pertence. Compõe a Administração Direta.
Exemplo: Ministério da Saúde.
Entidade
Possui personalidade jurídica própria. É uma pessoa jurídica autônoma, com patrimônio e responsabilidades próprios. Compõe a Administração Indireta.
Exemplo: INSS.
“Órgão é parte da pessoa jurídica; entidade é uma pessoa jurídica própria.”
16
QUADRO-SÍNTESE
Fechando o Bloco 3
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 3
17
Administração Direta
Administração Indireta
União, Estados, DF, Municípios
Autarquias, fundações, empresas públicas, SEM
Formada por órgãos
Formada por entidades
Sem personalidade jurídica separada
Possui personalidade jurídica própria
Administração centralizada
Administração descentralizada
Atua por meio da pessoa jurídica a que pertence
Patrimônio e responsabilidades próprios
17
BLOCO 4
04
Poderes da Administração Pública
Instrumentos jurídicos que permitem ao Estado cumprir suas funções — sempre poder-dever.
Vinculado × Discricionário — quanto à liberdade de ação
Hierárquico, Disciplinar, Regulamentar e De Polícia — quanto à espécie
Controle judicial, abuso de poder e os dois critérios de classificação
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL
18
VISÃO GERAL
Poder administrativo é poder-dever
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
19
Conjunto de prerrogativas de direito público que a lei confere aos agentes para que o Estado alcance o interesse público. Diferente do particular, o agente público deve exercê-las sempre que a lei apontar a hipótese.
Irrenunciabilidade
O agente não pode abrir mão do poder. A competência é do cargo, não da pessoa.
Exercício obrigatório
A omissão pode gerar improbidade ou, no disciplinar, condescendência criminosa.
HELY LOPES MEIRELLES
“Se para o particular o poder de agir é uma faculdade, para o administrador público é uma obrigação de atuar.”
19
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA
Dois critérios que não se misturam
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
20
1º Critério — quanto à liberdade
Vinculado × Discricionário — descreve COMO o agente exerce o poder: com ou sem margem de escolha.
2º Critério — quanto à espécie/finalidade
Hierárquico, Disciplinar, Regulamentar, De Polícia — descreve PARA QUE o poder existe.
Os dois rótulos coexistem: um ato de poder de polícia pode ser DISCRICIONÁRIO (quanto ao momento/meio de agir) e DE POLÍCIA (quanto à espécie) ao mesmo tempo — os critérios se somam, não se excluem.
Poder
Critério
Vinculado / Discricionário
Liberdade de ação (1º critério)
Hierárquico / Disciplinar / Regulamentar / De Polícia
Espécie / finalidade (2º critério)
20
QUANTO À LIBERDADE DE AÇÃO
Poder Vinculado × Poder Discricionário
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
21
Poder Vinculado
A lei estabelece previamente todos os requisitos do ato. O agente deve praticá-lo exatamente como a norma determina — sem juízo de conveniência ou oportunidade.
Exemplos: aposentadoria por tempo de contribuição, habilitação para dirigir, licença para construir.
Poder Discricionário
A lei dá margem de liberdade para decidir, segundo conveniência (o quê) e oportunidade (quando) — o mérito administrativo.
Exemplos: autorização de uso de bem público, nomeação para cargo em comissão, escolha de local de obra pública.
Controle judicial: o Judiciário sempre controla a LEGALIDADE, nunca substitui o MÉRITO administrativo. Teoria dos motivos determinantes: se a Administração motiva o ato, fica vinculada a esse motivo.
Abuso de poder — Excesso: o agente atua fora dos limites da sua competência. Desvio: o agente atua dentro da competência, mas com finalidade diversa da lei.
21
QUANTO À ESPÉCIE • PARTE 1 DE 2
Poder Hierárquico
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
22
Prerrogativa de organizar, escalonar e distribuir as funções da estrutura administrativa, estabelecendo subordinação entre agentes de uma mesma pessoa jurídica.
Comando
Dar ordens aos subordinados.
Fiscalização
Acompanhar e revisar a atuação dos subordinados.
Revisão
Anular atos ilegais e revogar os inconvenientes.
Base legal: arts. 11 a 17, Lei 9.784/99. A hierarquia só existe dentro de uma mesma pessoa jurídica — nunca entre pessoas jurídicas distintas (ex.: não há hierarquia entre União e Município).
Cuidado: a Administração Indireta NÃO é subordinada à Direta — é vinculada (controle finalístico), e isso não é hierarquia.
22
QUANTO À ESPÉCIE • PARTE 2 DE 2
Poder Hierárquico — Delegação × Avocação
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
23
Critério
Delegação
Avocação
O que é
Transfere atribuição do superior ao subordinado
Chama para si atribuição do subordinado
Direção
Para baixo, ou lateral
Para cima
Exige hierarquia?
Não necessariamente
Sim, sempre
Caráter
Pode ser regra
Excepcional e temporária (art. 15, Lei 9.784/99)
Vedações à delegação (art. 13, Lei 9.784/99): edição de atos normativos, decisão de recursos administrativos e matérias de competência exclusiva.
23
QUANTO À ESPÉCIE
Poder Disciplinar
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
24
Apurar infrações e punir servidores e particulares com vínculo jurídico especial (contratados, alunos de escola pública). Decorre do poder hierárquico, mas não se confunde com ele.
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO
“...cabe à Administração Pública para apurar infrações e aplicar penalidades...” aos servidores e demais sujeitos à disciplina.
apud CGE-RJ, Perguntas Frequentes sobre Correição
Instaurar o PAD é ato vinculado. Instâncias independentes (art. 125, Lei 8.112/90) — mas se o fato também é crime, a prescrição segue o prazo penal (art. 142, §2º).
24
QUANTO À ESPÉCIE
Poder Regulamentar (ou Normativo)
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
25
Prerrogativa do Chefe do Executivo de editar decretos e normas gerais para dar fiel execução à lei — sem inovar na ordem jurídica. Pressupõe a existência de lei anterior.
Regulamento de execução
Regra geral: apenas detalha a lei, sem criar direitos ou obrigações novas. Depende de lei prévia.
Regulamento autônomo
Exceção (CF/88, art. 84, VI): organização da Administração Federal sem aumento de despesa; extinção de cargos vagos. Não depende de lei prévia.
Limite central: decreto que cria direito ou obrigação nova é ilegal — pode ser sustado pelo Congresso Nacional (art. 49, V, CF/88) ou anulado pelo Judiciário. Matéria penal, tributária e restritiva de direitos exige lei em sentido estrito (reserva legal).
25
QUANTO À ESPÉCIE
Poder de Polícia
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
26
Faculdade de condicionar e restringir bens, direitos e atividades individuais em benefício da coletividade (CTN, art. 78: segurança, higiene, ordem, mercado, propriedade).
Discricionariedade
Margem para escolher o momento e o meio de agir.
Autoexecutoriedade
Executa sem prévia autorização judicial.
Coercibilidade
Pode usar força pública se houver resistência.
“...o poder de polícia não deve ir além do necessário...” — Di Pietro (assegura, não destrói, os direitos individuais). Mnemônico: DA-CO-AU (Discricionariedade, Autoexecutoriedade, Coercibilidade).
26
QUADRO-SÍNTESE
Os seis poderes da Administração Pública
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • BLOCO 4
27
Poder
Ideia central
Quem é atingido
Vinculado
Lei já define tudo; sem juízo de valor do agente
Qualquer destinatário do atoDiscricionário
Margem de escolha, dentro da lei (conveniência e oportunidade)
Qualquer destinatário do ato
Hierárquico
Organiza, escalona e controla a própria estrutura
Agentes subordinados
Disciplinar
Apura infração e pune
Quem tem vínculo jurídico especial
Regulamentar
Edita normas gerais para a fiel execução da lei
Toda a coletividade abrangida
De Polícia
Restringe direitos em nome do interesse coletivo
Qualquer pessoa (sujeição geral)
27
MAPA GERAL
Tudo o que vimos, em um só lugar
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • SÍNTESE FINAL
28
Bloco 1
Direito Administrativo e Regime Jurídico: prerrogativas × sujeições.
Bloco 2
Princípios — LIMPE (explícitos) e implícitos.
Bloco 3
Organização Administrativa — Direta × Indireta.
Bloco 4
Os seis poderes administrativos, do vinculado ao de polícia.
Fio condutor da disciplina: o Estado tem poderes que o particular não tem — mas todo poder vem acompanhado de limites e de controle. Regime jurídico administrativo = prerrogativas + sujeições.
Organização administrativa = QUEM atua (órgãos e entidades). Poderes administrativos = COMO e PARA QUE a Administração atua.
Agora vamos aplicar tudo isso em uma revisão relâmpago com 4 questões, uma de cada bloco.
28
REVISÃO RELÂMPAGO
4 questões, uma de cada bloco
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
29
Questão
Bloco
Fonte
Questão 1
Direito Administrativo e Regime Jurídico
FGV — OAB XLI, 2024
Questão 2
Organização Administrativa
Dinâmica “Quem é quem?” — revisão
Questão 3
Princípios da Administração Pública
Exercício de fixação — revisão
Questão 4
Poderes da Administração Pública
FGV — OAB XXIV, 2017
Cada questão tem 3 telas: enunciado — alternativas — explicação completa. Pensem antes de ver a resposta!
29
REVISÃO RELÂMPAGO 1 DE 4
Enunciado
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
30
Direito Administrativo — FGV, OAB XLI Exame Unificado (2024)
O Município Delta travava batalha judicial com uma empresa em razão de construção irregular. Apesar de a construção violar formalmente as normas vigentes, ela não apresentava risco e havia trazido benefícios sociais e turísticos. Diante do clamor público, o prefeito determinou consulta pública para viabilizar compromisso destinado a encerrar a controvérsia, buscando melhor atender ao interesse geral. Assinale a afirmativa que melhor reflete o que a questão exige.
30
REVISÃO RELÂMPAGO 1 DE 4
Alternativas
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
31
Direito Administrativo — FGV, OAB XLI Exame Unificado (2024)
A) O interesse público é absoluto e não admite, em nenhuma hipótese, solução consensual diante de ilegalidade formal.
B) A Administração pode buscar solução consensual para atender ao interesse geral, desde que observados os parâmetros legais que regem a atuação administrativa.
C) Apenas o Poder Judiciário pode encerrar controvérsias envolvendo construções irregulares, sendo vedada qualquer consulta pública.
D) A existência de benefícios sociais e turísticos autoriza o Município a ignorar por completo a irregularidade da construção.
Fonte: 41º Exame de Ordem Unificado, Direito Administrativo.
31
REVISÃO RELÂMPAGO 1 DE 4
Explicação
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
32
Direito Administrativo — FGV, OAB XLI Exame Unificado (2024)
POR QUE A B ESTÁ CERTA
A questão envolve as normas de interpretação e aplicação do Direito Público e a possibilidade de utilização de solução consensual para atender ao interesse geral, sempre observados os parâmetros legais — interesse público + legalidade + solução jurídica adequada.
POR QUE AS DEMAIS ERRAM
A: Errado — o próprio ordenamento admite solução consensual (ex.: compromissos e acordos administrativos) quando observada a lei; “absoluto” e “nenhuma hipótese” contrariam essa possibilidade.
C: Errado — a Administração também pode, dentro da lei, buscar soluções próprias (consulta pública, termo de ajustamento), sem depender exclusivamente do Judiciário.
D: Errado — benefícios sociais não afastam a irregularidade; eles podem fundamentar uma solução consensual, mas sempre dentro dos parâmetros legais, nunca ignorando a lei.
32
REVISÃO RELÂMPAGO 2 DE 4
Enunciado
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
33
Organização Administrativa — Questão de revisão (dinâmica “Quem é quem?”)
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é vinculado ao Ministério da Previdência Social, possui personalidade jurídica própria, patrimônio próprio e autonomia administrativa, tendo sido criado diretamente por lei específica. Assinale a afirmativa correta sobre sua classificação na organização administrativa brasileira.
33
REVISÃO RELÂMPAGO 2 DE 4
Alternativas
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
34
Organização Administrativa — Questão de revisão
A) O INSS é um órgão da Administração Direta, pois atua em nome da União sem personalidade jurídica própria.
B) O INSS é uma entidade da Administração Indireta, organizada sob a forma de autarquia, criada diretamente por lei específica.
C) O INSS é uma empresa pública, pois presta serviço público com capital exclusivamente da União.
D) O INSS é uma fundação pública, pois desempenha atividade de interesse social e assistencial.
Questão de revisão elaborada a partir do conteúdo da Aula — Organização Administrativa Brasileira.
34
REVISÃO RELÂMPAGO 2 DE 4
Explicação
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
35
Organização Administrativa — Questão de revisão
POR QUE A B ESTÁ CERTA
O INSS possui personalidade jurídica própria, patrimônio próprio e foi criado diretamente por lei específica — exatamente os traços da autarquia (CF/88, art. 37, XIX; Decreto-Lei 200/67, art. 5º, I). Por isso integra a Administração Indireta, e não a Direta.
POR QUE AS DEMAIS ERRAM
A: Errado — órgão não tem personalidade jurídica própria; o enunciado afirma justamente o contrário sobre o INSS.
C: Errado — empresa pública é pessoa jurídica de direito privado; autarquia é pessoa jurídica de direito público, regime do INSS.
D: Errado — fundação pública é criada mediante autorização por lei (não diretamente por lei, como ocorre com a autarquia) e normalmente atua em áreas social, científica, educacional, cultural ou assistencial — não é o caso do INSS.
35
REVISÃO RELÂMPAGO 3 DE 4
Enunciado
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
36
Princípios da Administração Pública — Questão de revisão
Um agente público segue rigorosamente todas as formalidades de um processo licitatório, mas direciona o edital de forma a favorecer uma empresa de um conhecido seu, ainda que sem violar nenhuma regra expressa do procedimento. Assinale a afirmativa correta sobre qual princípio foi violado.
36
REVISÃO RELÂMPAGO 3 DE 4
Alternativas
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
37
Princípios da Administração Pública — Questão de revisão
A) Nenhum princípio foi violado, pois todas as formalidades legais foram cumpridas.
B) Foi violado o princípio da publicidade, pois o edital não foi divulgado oficialmente.
C) Foi violado o princípio da moralidade administrativa, pois o ato, embora formalmente legal, fere os padrões éticos exigidos da função pública.
D) Foi violado apenas o princípio da eficiência, por falta de planejamento adequado do processo licitatório.
Questão de revisão elaborada a partir do conteúdo da Aula — Princípios da Administração Pública.
37
REVISÃO RELÂMPAGO 3 DE 4
Explicação
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
38
Princípios da Administração Pública — Questão de revisão
POR QUE A C ESTÁ CERTA
Para Di Pietro, a moralidade administrativa é pressuposto de validade de todo ato da Administração: um ato pode ser formalmente compatível com a lei e, ainda assim, ser inválido por ofender a moralidade administrativa — exatamente o caso do direcionamento do edital para favorecer um conhecido.
POR QUE AS DEMAIS ERRAM
A: Errado — legalidade formal não é suficiente; moralidade e legalidadesão princípios autônomos.
B: Errado — o enunciado não trata de ausência de divulgação oficial do edital, e sim de favorecimento pessoal; a publicidade não é o princípio violado aqui.
D: Errado — o problema central não é falta de planejamento ou rendimento (eficiência), e sim falta de ética e isenção no direcionamento do edital (moralidade).
38
REVISÃO RELÂMPAGO 4 DE 4
Enunciado
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
39
Poderes da Administração Pública — FGV, OAB XXIV (2017)
Um fiscal de posturas públicas municipais verifica que um restaurante continua colocando, de forma irregular, mesas para os seus clientes na calçada. Depois de lavrar autos de infração com multa por duas vezes, sem que a sociedade empresária tenha interposto recurso, o fiscal interdita o estabelecimento e apreende as mesas e cadeiras, com base na lei que regula o poder de polícia correspondente. Assinale a afirmativa correta.
39
REVISÃO RELÂMPAGO 4 DE 4
Alternativas
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
40
Poderes da Administração Pública — FGV, OAB XXIV (2017)
A) O fiscal atuou com desvio de poder, pois o direito de a empresa continuar funcionando só pode ser contrastado por provimento jurisdicional.
B) A prática irregular de ato autoexecutório pelo fiscal é clara, pois não homenageou o contraditório e a ampla defesa antes da apreensão.
C) O ato do fiscal está dentro da visão tradicional da polícia administrativa, que pode, em situações extremas, atuar de forma autoexecutória, dentro da razoabilidade e da proporcionalidade.
D) A atuação do fiscal é ilícita, pois atos autoexecutórios exigem, necessariamente, autorização judicial prévia.
Fonte: 24º Exame de Ordem Unificado, Direito Administrativo, questão 31.
40
REVISÃO RELÂMPAGO 4 DE 4
Explicação
DIREITO ADMINISTRATIVO I • REVISÃO GERAL • QUIZ FINAL
41
Poderes da Administração Pública — FGV, OAB XXIV (2017)
POR QUE A C ESTÁ CERTA
A questão descreve a autoexecutoriedade: diante de infração reiterada, já precedida de duas multas e de oportunidade de defesa, a Administração pode agir diretamente, sem ordem judicial, dentro da razoabilidade e da proporcionalidade.
POR QUE AS DEMAIS ERRAM
A: Não há desvio de poder — o fiscal agiu dentro da finalidade legal; a autoexecutoriedade dispensa provimento jurisdicional prévio.
B: Houve, sim, oportunidade de defesa prévia — duas multas, sem recurso; a autoexecutoriedade não exige processo antes de cada medida de urgência.
D: Contraria o próprio atributo da autoexecutoriedade, que é justamente dispensar autorização judicial prévia.
41
FECHAMENTO
O que levar para a prova
1
O Estado tem poderes que o particular não tem — mas todo poder vem com limites (regime jurídico administrativo).
2
Administração Direta = órgãos, sem personalidade própria. Administração Indireta = entidades, com personalidade própria.
3
Os princípios do art. 37 (LIMPE) e os implícitos orientam toda e qualquer atuação administrativa.
4
Vinculado × Discricionário descreve COMO o poder é exercido; Hierárquico, Disciplinar, Regulamentar e De Polícia descrevem PARA QUE ele existe.
5
Todo poder administrativo é poder-dever: irrenunciável e de exercício obrigatório.
Bons estudos! Dúvidas são sempre bem-vindas.
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