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Escola, Currículo 
e Sociedade
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Fabiana Granado Sampaio
Me. Janaina Pinheiro Vece
Prof.ª Me. Simone Dias da Silva
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
• Introdução;
• Aspectos Históricos sobre o Currículo;
• Legislação e Currículo:Uma Abordagem Necessária;
• Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos.
• Aprofundar nossos conhecimentos acerca do conceito de currículo, das infl uências 
teóricas e legislativas que o subjazem.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Currículo: Aspectos Históricos
e Legislativos
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas:
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
Contextualização
Tirinha Mafalda - https://goo.gl/tsuw9k
Ex
pl
or
A personagem Mafalda apresenta de forma irônica uma crítica ao conteúdo e à 
abordagem da professora. A reflexão humorística, proposta na tirinha, nos remete 
ao tema principal desta Unidade: o currículo escolar.
Para darmos início à unidade, contudo, convidamos você a refletir acerca da 
questão: afinal, o que é currículo?
Então, vamos começar?
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Introdução
Esta primeira unidade – Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos – dis-
cute inicialmente a definição e o estudo etimológico da palavra currículo a partir da 
abordagem de diferentes concepções, sobretudo o seu desenvolvimento histórico. 
Na sequência, apresenta-se a contextualização das transformações sociais, econô-
micas e políticas no Brasil e como elas interferem na organização do currículo da 
escola. Além disso, ao final, é proposta a análise da legislação brasileira acerca de 
currículo. Partindo de tais considerações, a organização didática do material está 
situada em três títulos: O que é currículo?; Os Aspectos Históricos sobre o 
Currículo Escolar e a Legislação; e Currículo: uma abordagem necessária.
Você já parou para pensar “o que é currículo”?
Por ser um termo de uso social e presente no vocabulário escolar, talvez seja ne-
cessário esclarecer o que se entende por currículo, para então examinar possíveis 
respostas à questão.
Acerca do assunto, Souza (2008) descreve que:
O uso do termo currículo é relativamente recente no Brasil. Para muitos pro-
fessores esse é um termo confuso e impreciso. Alguns o relacionam aos pro-
gramas escolares ou planos de ensino (o rol de conteúdos a serem ensinados 
numa série e/ou nível de ensino), terminologia tradicionalmente empregada 
no país, desde o século XIX, para referir-se aos conteúdos estabelecidos 
a serem transmitidos nas escolas. De forma correlata, há professores que 
associam o termo ao sentido restrito de grade curricular (distribuição do nú-
mero de aulas de cada matéria em cada série). (SOUZA, 2008, p. 7)
Dessa forma, por situar-se nos âmbitos político, econômico, cultural, social e 
educacional, associam-se à palavra currículo distintas concepções que derivam dos 
diversos modos como a educação foi concebida historicamente, bem como das 
influências teóricas que a afetam e se fazem hegemônicas em um dado momento. 
Nesse sentido, pode-se afirmar que ao longo da história o currículo tem adquirido 
determinados significados como:
(a) Os conteúdos a serem ensinados e aprendidos; (b) as experiências de 
aprendizagem escolares a serem vividas pelos alunos; (c) os planos peda-
gógicos elaborados por professores, escolas e sistemas educacionais;
(d) Os objetivos a serem alcançados por meio do processo de ensino; 
(e) os processos de avaliação que terminam por influir nos conteúdos e 
nos procedimentos selecionados nos diferentes graus da escolarização. 
(MEC, 2007, p. 18)
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UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
No estudo etimológico da palavra currículo, podemos encontrar interpretações 
como as de Silva (1995), Sacristán (1998) e Kishimoto (1994).
Para Silva (1995, p. 15):
Se quisermos recorrer à etimologia da palavra “currículo”, que vem do latim 
curriculum, “pista de corrida”, podemos dizer que no curso desta “corrida”, 
que é o currículo, acabamos por nos tornar o que somos. Nas discussões 
cotidianas, quando pensamos em currículo, pensamos apenas em conhe-
cimento, esquecendo-nos de que o conhecimento que constitui o currículo 
está inextricavelmente, centralmente, vitalmente envolvido naquilo que so-
mos, naquilo que nos tornamos: na nossa identidade, na nossa subjetividade.
De acordo com Sacristán (1998, p. 125), “o termo currículo provém da palavra 
latina currere, que se refere à carreira, a um percurso que deve ser realizado e, por 
derivação, à sua representação ou apresentação”.
Kishimoto (1994, p. 13) diz que “o termo latino currus – carro, carruagem –, currí-
culo significa o lugar no qual se corre”.
O sentido etimológico aqui adotado se refere ao apresentado por Silva (1995), 
uma vez que o currículo:
Vai muito além da escola, mas também está dentro dela, que faz suas esco-
lhas por conteúdos, métodos, formas de organização pedagógica e institucio-
nal no seu constituir-se cotidiano. E dentro dela podemos buscar desvendar 
os processos históricos que nos tornam aquilo que somos através de práticas 
pedagógicas que contribuam para a emancipação social. Reinventando, por-
tanto, cotidianamente, o fazer pedagógico no sentido de potencializar suas 
possibilidades emancipatórias. (OLIVEIRA, 2005, p. 25)
O posicionamento de Oliveira (2005) mostra que as indagações acerca do currí-
culo se fazem presentes na escola, na pesquisa, na legislação e na própria sociedade, 
porque a sua ou as suas concepções se referem à construção histórica produzida em 
contextos que acompanham as transformações sociais, políticas, culturais, intelectuais 
e pedagógicas. Por isso é tão importante compreender o currículo atrelado à dinâmica 
dos diferentes âmbitos que constituem a sociedade.
A esse respeito, Sacristán (1998, p. 126) afirma que “o conceito de currículo é 
bastante elástico; poderia ser qualificado de impreciso porque pode significar coisas 
distintas, segundo o enfoque que o desenvolva [...]”.
Coerente à citação de Sacristán (1998), Kishimoto (1994) destaca que:
[...] o currículo envolve modos distintos de encarar o homem e a socie-
dade, de conceber o processo de transmissão e elaboraçãoaos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais”.
Para realizar a leitura na integra da Constituição Federal (1988), acesse o endereço eletrônico: 
https://goo.gl/v6aZGBEx
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or
A análise cronológica das legislações no Brasil revela que a educação teve 
um investimento significativo das políticas públicas, efetivando-se na década de 
1990, a partir da reformulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo em seu Artigo 26 que:
Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacio-
nal comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabele-
cimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características 
regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
Para ter acesso à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 9.394 de 20 de dezembro 
de 1996, acesse o endereço eletrônico: https://goo.gl/eoAqTiEx
pl
or
Como ação articulada ao cumprimento de algumas das metas do Plano Nacio-
nal da Educação (PNE), instituído em 2014, a Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC) começou a ser construída em 2015 com o objetivo de estabelecer os 
conteúdos fundamentais a serem aprendidos por crianças e jovens durante a 
Educação Básica.
Resgatando o processo histórico dos materiais curriculares, em cumprimento à 
Constituição Federal de 1988 e à LDB n.º 9.394/96, foram elaborados pelo MEC 
e pelo Conselho Nacional da Educação documentos para as diferentes etapas da 
Educação Básica, até a concretização da BNCC, sendo eles:
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
• PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (1997);
• RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998);
• PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (2000);
• DCN – Diretrizes Curriculares Nacionais (2012);
• BNCC – Base Nacional Comum Curricular (2017).
A liberdade de organização conferida aos sistemas de ensino vincula-se à exis-
tência de diretrizes que os orientem e lhes possibilitem a definição de conteúdos 
em conformidade à base nacional comum do currículo, bem como à parte diver-
sificada. Nesse contexto, as propostas dos documentos oficiais tornam-se mais do 
que uma simples publicação, pelo contrário, trata-se de um processo de discussão 
nas escolas e nas Secretarias de Educação acerca da concepção de currículo e seus 
desdobramentos.
Sintetizando
Constituição Federal
(1988)
Lei de Direitos e Bases
da Educação Nacional
nº 9.394/96
Parâmetros Curriculares
Nacionais para o
Ensino Fundamental
(1997)
Referências Curriculares
Nacionais para a
Educação Infantil
(1998)
Parâmetros Curriculares
Nacionais para o
Ensino Médio
(2000)
Diretrizes
Curriculares
Nacionais
(2012)
Adiante são discutidos os principais aspectos acerca dos documentos que subjazem
às etapas iniciais da educação básica, ou seja, a educação infantil e o ensino fundamental.
Base Nacional
Comum
Curricular
(2017)
Figura 1
Adiante são discutidos os principais aspectos acerca dos documentos que subja-
zem às etapas iniciais da educação básica, ou seja, a educação infantil e o ensino 
fundamental.
O Referencial Curricular Nacional 
para a Educação Infantil (RCNEI)
Foi um documento elaborado no ano de 1997 e editado em 1998 no momento 
em que creches e pré-escolas passaram a integrar os sistemas de ensino no Brasil, 
constituindo-se como a primeira etapa da Educação Básica.
10
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Figura 2
Fonte: Ministério da Educação
O RCNEI (1998) foi o primeiro documento, em âmbito nacional, que direciona 
e embasa a ação dos municípios quanto ao público da educação infantil e dos pro-
fissionais da educação.
A preocupação com a melhoria da qualidade do ensino na educação infantil se 
justificou nos anos 1990 por fatores sociais e pedagógicos. O primeiro atrelado à 
inserção da mulher no mercado de trabalho, tornando a creche um direito consti-
tucional, e o segundo, às questões pedagógicas que, influenciadas pelo avanço das 
pesquisas psicogenéticas e cognitivas, contrapunham o processo de escolarização 
em detrimento do desenvolvimento infantil.
De uso não obrigatório, o MEC expediu o referencial nacional servindo de sub-
sídio para a uniformidade do atendimento das escolas de educação infantil no país. 
Portanto, apesar de apresentar uma base curricular nacional, o RCNEI (1998) não é 
mandatário, mas apresenta-se como um documento de reflexão e apoio às escolas.
Mas, afinal, quais são os assuntos abordados nos três volumes do documento RCNEI?
Volume 1 – Introdução
O caderno introdutório apresentava o con-
texto da educação infantil e trazia questões im-
portantes acerca dos princípios que norteiam a 
proposta curricular, como o respeito à dignidade 
e aos direitos das crianças consideradas nas suas 
diferenças individuais, sociais, econômicas, cultu-
rais, étnicas e religiosas.
Além do contexto sociológico, o Volume 1 traz 
discussões concernentes à concepção de criança, 
educação, instituição escolar e de professor, de-
finindo a partir desse delineamento os objetivos 
gerais para a Educação Infantil.
Figura 3
Fonte: Ministério da Educação
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
Para realizar a leitura na íntegra da introdução do documento RCNEI (1998), acesse o link: 
https://goo.gl/LfXKHZEx
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Volume 2 – Formação Pessoal e Social
O Volume 2 trazia contribuições prioritárias 
a respeito dos processos de construção da iden-
tidade e da autonomia da criança. Para tanto, 
no documento, foram apresentados aspectos 
relacionados às características e potencialidades 
do processo de desenvolvimento, concebendo a 
criança, acima de tudo, como sujeito ativo no pro-
cesso de autoconhecimento. No mesmo volume, 
encontravam-se conteúdos relacionados aos ob-
jetivos gerais previstos para as crianças de zero a 
três anos e orientações didáticas para subsidiar o 
planejamento do professor a partir de atividades 
permanentes, sequenciadas e projetos.
Figura 4
Fonte: Ministério da Educação
Para realizar a leitura na íntegra do Volume 2 do RCNEI (1998), acesse: https://goo.gl/3kW9hK
Ex
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Volume 3 – Conhecimento de Mundo
O Volume 3 é relativo ao âmbito das expe-
riências acerca do conhecimento de mundo 
a partir do trabalho com os eixos: Movimento, 
Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escri-
ta, Natureza e Sociedade e Matemática. Apesar 
dos eixos serem apresentados separadamente, 
a proposta construtivista que subjaz o RCNEI 
(1998) recomendava que a abordagem das áre-
as de conhecimento não poderia ser fragmen-
tada, mas de maneira integrada, respeitando o 
sujeito em sua totalidade.
Figura 5
Fonte: Ministério da Educação
Para realizar a leitura na íntegra do volume 3 do RCNEI (1998), acesse o link: 
https://goo.gl/V3noS5Ex
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Parâmetros Curriculares Nacionais 
para o Ensino Fundamental
Constituiu um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental 
em todo o país, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) foram elaborados 
em um contexto em que dados do Censo de 1990 apontavam que apenas 19% da 
população brasileira possuía o ensino fundamental.
Figura 6
Fonte: Ministério da Educação
A exclusão escolar tinha início logo no primeiro ano de escolaridade, em que 
apenas 51% do total de alunos eram aprovados. Além disso, mesmo aqueles que 
concluíam os oitos anos de estudos que compunham o ensino fundamental na 
época acabavam dispondo de menos conhecimentos do que o esperado para 
os concluintes.
De acordo com o Volume 1 dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 17):
Durante as décadas de 70 e 80 a tônica da política educacional brasileira 
recaiu sobre a expansão das oportunidades de escolarização, havendo um 
aumento expressivo no acesso à escola básica. Todavia, os altos índices 
de repetência e evasão apontavam problemas que evidenciavam a grande 
insatisfação com o trabalho realizado pelaescola.
Os altos índices de evasão e repetência evidenciavam a baixa qualidade do en-
sino e a incapacidade dos sistemas educacionais e das escolas de garantirem a 
permanência do público, penalizando principalmente os alunos de níveis de renda 
mais baixos.
Tendo em vista a reversão do quadro desanimador para uma formação cidadã, 
o documento foi produzido com a função de orientar e garantir a coerência dos 
investimentos no sistema educacional, socializando pesquisas e recomendações, 
subsidiando a participação de técnicos e professores. Porém, o documento não 
se constituía como obrigatório, o que fez com que muitos municípios e estados 
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
elaborassem seus próprios currículos durante a primeira década do século XXI e, 
devido à sua generalidade e amplitude, acabou se tornando invisível diante do or-
denamento dos currículos estaduais e municipais, que por sua vez foram obtendo 
características próprias.
Realize a leitura do Volume 1 dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) acessando o link: 
https://goo.gl/oyTSkzEx
pl
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Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) apontavam questões de tratamen-
to didático por área de conhecimento e por ciclo. O documento estava organizado, 
de modo a servir de referência, de fonte de consulta e de objeto para reflexão e 
debate fundamentando a relevância das áreas de conhecimento para a formação 
cidadã, conforme o quadro síntese a seguir.
Volume 2 – Língua Portuguesa: 
trabalhava com a ideia que a escola tem 
a responsabilidade de garantir a todos 
os seus alunos o acesso aos saberes lin-
guísticos, necessários para o exercício 
da cidadania. 
Para saber mais, acesse o link: https://goo.gl/JrjTCw
Figura 7
Fonte: Ministério da Educação
Volume 3 – Matemática: deu supor-
te para resolver problemas da vida co-
tidiana e com aplicações no mundo do 
trabalho, funcionou como instrumento 
essencial para a construção de conhe-
cimentos em outras áreas curriculares.
Para saber mais, acesse o link: https://goo.gl/bk7X58
Figura 8
Fonte: Ministério da Educação
Volume 4 – Ciências Naturais: o 
papel das ciências naturais é o de co-
laborar para a compreensão do mun-
do e suas transformações, situando o 
homem como indivíduo participativo e 
parte integrante do universo.
Para saber mais, acesse o link: https://goo.gl/qE5hjV
Figura 9
Fonte: Ministério da Educação
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Volume 5 – História e Geografia: desempenham funções de cidadania e de 
relações com diferentes espaços e tempos entre a humanidade e a natureza.
https://goo.gl/pwQg5Q
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Para saber mais, acesse o link: https://goo.gl/Y1717n
Ex
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or
Volume 6 – Arte: a educação em arte propicia o desenvolvimento do pensa-
mento artístico, que caracteriza o modo particular de dar sentido às experiências 
das pessoas. 
https://goo.gl/cFQyh3
Ex
pl
or
Para saber mais, acesse o link: https://goo.gl/3ZLxGP
Ex
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or
Volume 7 – Educação Física: trouxe 
uma proposta de democratização, hu-
manização e diversificação da prática 
pedagógica, de uma visão biológica 
para um trabalho que incorpore as di-
mensões afetivas, cognitivas e sociocul-
turais dos alunos.
Para saber mais, acesse o link: https://goo.gl/A5osuC
Figura 10
Fonte: Ministério da Educação
Apesar de apresentar os volumes por área de conhecimento, os Parâme-
tros Curriculares Nacionais (1997) buscaram contribuir para a superação da 
fragmentação das disciplinas e ainda trouxeram outros documentos para inte-
grar a grade curricular, os chamados temas transversais. Esses expressam con-
ceitos e valores necessários ao exercício da democracia e da cidadania a partir 
de temáticas emergentes na sociedade contemporânea: Ética, Meio Ambiente, 
Saúde, Trabalho e Consumo, Orientação Sexual e a Pluralidade Cultural; es-
sas não são disciplinas autônomas, mas temas que permeiam todas as áreas 
de conhecimento. 
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e 
a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Em 2012, o Ministério da Educação (MEC) 
lançou as Diretrizes Curriculares Nacionais 
(DCN), sendo um documento de muita relevân-
cia para o desenvolvimento curricular brasilei-
ro. As DCN instituíram os critérios gerais que 
deveriam ser considerados por municípios e es-
tados para a elaboração dos currículos. Dessa 
forma, o documento referenciava os objetivos 
gerais a serem alcançados e direcionava o de-
senvolvimento dos objetivos mais específicos. 
A organização dos conteúdos mais específi-
cos deveria ser um trabalho a ser desenvolvido 
nas escolas.
Figura 11
Fonte: Ministério da Educação
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) vem a ser a operacionalização das 
DCNs, dos objetivos curriculares estabelecidos no documento anterior e no direi-
to de aprender dos alunos. Dessa forma, os documentos são complementares e 
ambos se organizam como referenciais que devem ser considerados e aos quais os 
currículos dos sistemas locais (municipais ou estaduais) devem responder.
Figura 12
Fonte: Ministério da Educação
A primeira versão da BNCC foi disponibilizada para consulta em 2015. Depois 
houve o processo de consultas públicas e de vários pareceres de especialistas liga-
dos à educação, sendo publicada em 2016 a segunda versão do documento, que 
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também foi objeto de amplo debate público e igualmente analisada por estudiosos 
de Educação. A terceira versão do texto foi encaminhada pelo MEC ao Conselho 
Nacional de Educação (CNE) em 6 abril de 2017, com referências curriculares para 
a educação infantil e o ensino fundamental. 
Coube ao CNE realizar audiências públicas ao longo de 2017 e emitir um pare-
cer sobre o documento, enviado ao MEC para homologação que aconteceu no dia 
20 de dezembro de 2017. A partir disso desse momento, inicia-se o processo de 
implementação da BNCC, com a construção de currículos estaduais e municipais.
A importância desses documentos, em específico a BNCC, é que eles são refe-
renciais que já estavam explícitos na LDB, quando se instituiu a necessidade de um 
conjunto de objetivos educacionais a serem garantidos para todos os educandos 
brasileiros como elementos de equidade e promoção da qualidade da educação. 
De acordo com o próprio material, a Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto 
orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os educan-
dos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da educação 
básica, de modo que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e 
desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacio-
nal de Educação (PNE) (BRASIL, 2017),
Essa é a direção para a qual apontavam os PCN, as DCN estabelecidas também 
no PNE, com a complementação da publicação dos Direitos de Aprendizagem. 
Esses pressupostos finalmente se concretizam em um documento de objetivos 
de aprendizagem obrigatórios para todos os níveis e escolas do país, a BNCC. 
O novo documento apresentava um conjunto de objetivos que priorizavam um piso 
mínimo de aprendizagens para todos os estudantes do país. É o documento no qual 
esses objetivos se explicitam e recebem forma, a partir de todos os componentes 
curriculares contemplados na lei.
As aprendizagens obrigatórias são organizadas em competências e habilidades, 
voltadas à formação integral de todos os alunos em suas variadas dimensões: in-
telectual, afetiva, ética, física, sociopolítica etc. Mas, afinal, o que é competência?
De acordo com o próprio documento, competência é a mobilização de 
conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cogni-
tivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas com-
plexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do 
trabalho (BRASIL, 2017).
 Para buscar a efetivação dessa política, o Ministério da Educação trabalhou 
em parceria com diversos órgãos ligados à educação– entre eles Consed (Conse-
lho Nacional de Secretários de Educação), Undime (União Nacional dos Dirigen-
te Municipais), União dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME) e Fórum 
Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (FNCEE) –, oportunizando uma 
participação de vários especialistas da área e também alcançando uma abrangência 
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
maior. Na busca de oportunizar a tão sonhada equidade educacional, um dos prin-
cípios centrais da BNCC foi maximizar a colaboração entre as instâncias federais, 
estaduais e municipais na construção de um currículo, tendo como suporte a base 
de conhecimentos estabelecidos no documento, mas ao mesmo tempo respeitando 
a tão variada diversidade regional da extensão territorial brasileira.
Importante!
Vale a pena a evidenciar que a BNCC não se constituiu em um currículo, mas a base 
normativa para a elaboração dos currículos estaduais e municipais. Isso significa que 
todos os currículos, a partir de 2017, deverão considerar a BNCC.
Importante!
O documento trabalha com o desenvolvimento de dez competências gerais, que 
se inter-relacionam e se estendem na organização didática proposta para as três 
etapas da educação básica, articulando-se na elaboração de conhecimentos, no 
desenvolvimento de habilidades e na formação de atitudes e valores apresentados 
de maneira didática por meio da Figura 13.
Figura 13
Fonte: Movimento pela Base Nacional Comum (2017)
Acessando o link a seguir, você terá a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos 
acerca da BNCC. Vale a pena realizar a leitura! https://bit.ly/2skbClsEx
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Vale a pena assistir ao vídeo da UNDIME (União dos Dirigentes Municipais), um parceiro do 
processo de elaboração da Base, o documento é apresentando de uma forma bem esclare-
cedora e traz as 10 competências da BNCC: https://youtu.be/pq0ieMDrHr8
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A trajetória que professores e técnicos das secretarias percorreram em seu esfor-
ço para elaborar um currículo significativo e na busca de qualidade educacional para 
os estudantes das escolas em que atuam foi muito grande e cheia de obstáculos. 
No entanto, é relevante considerar o momento em que se vive, com o debate em 
torno da BNCC e sua posterior implementação, como uma oportunidade para de-
senvolver currículos que sejam relevantes para todos os brasileiros, que respeitem a 
diversidade de um país de características continentais e que, ao mesmo tempo, se-
jam construídos sobre uma base de equidade, que considere todos e lhes oportunize 
a mesma qualidade de educação e oportunidade para superar os desafios que as 
diferentes comunidades enfrentam no século XXI. O objetivo com a BNCC é o de 
desenvolver um conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que 
todos os estudantes deverão alcançar em seu processo escolar e , nessa trajetória, 
orientar o desenvolvimento e a implementação dos currículos da educação básica 
dos sistemas e das redes das distintas unidades federativas (MODER, 2017).
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
Movimento pela Base nacional Comum Curricular
https://bit.ly/2Gil2aX
 Leitura
BNCC na prática: entenda como a Base Nacional Comum Curricular vai mudar o seu dia a dia na escola
Alguns textos da revista Nova Escola que vão auxiliar no seu aprendizado.
https://bit.ly/2S6dKx0
32 respostas sobre a Base Nacional Comum Curricular
https://bit.ly/2mWlGxE
Base Nacional Comum Curricular Ensino Fundamental: material para o professor
https://bit.ly/2GcrNuI
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Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília, DF, Senado, 1998
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 
DF: MEC, 2017. Disponível em: . Acesso em: 06 nov. 2018. 
BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional n.º 9.394, de dezembro de 1996. Brasília, DF: MEC, 1997.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação 
Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, 
DF: MEC/SEF, 1998.
BRASIL. Movimento pela Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: 
MEC/UNDIME, 2017.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares 
Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997.
MODER, Max. Reflexões de apoio para o desenvolvimento curricular no 
Brasil: guia para gestores educacionais. São Paulo: UNDIME, 2017.
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Escola, Currículo 
e Sociedade
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Simone Dias da Silva
Prof.ª Me. Janaina Pinheiro Vece
Prof.ª Dr.ª Fabiana Granado Garcia Sampaio
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
• Introdução;
• Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio;
• Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI);
• Proposta Curricular para Educação de Jovens e Adultos.
• Tratar de outros documentos educacionais e bases legais que orientam as propostas 
curriculares das instituições de ensino de todo o país, tendo em vista que a educação 
brasileira elaborou a Base Nacional Comum Curricular (2017), que instrumentali-
za estados e municípios para elaborarem o seu próprio currículo, esse documento 
 estabelece competências que toda as crianças e jovens têm o direito de desenvolver 
durante sua escolaridade.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
O Currículo Escolar e os Documentos 
Ofi ciais: Ensino Médio e Educação 
de Jovens e Adultos
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Ofi ciais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
Contextualização
Para iniciarmos esta unidade, convidamos você a refletir sobre a importância 
dos conteúdos curriculares na formação de nossos alunos.
Charge Mafalda, disponível em: https://goo.gl/2LFq5C. Fonte: Quino.
Ex
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or
Lembra-se da charge em que a personagem Mafalda, de maneira irônica,criti-
cava o conteúdo da aula?
A mensagem transmitida na tirinha permite refletir sobre as orientações curricula-
res e as expectativas de aprendizagem disponibilizadas nos documentos educacionais.
Será que o currículo escolar atende às necessidades e aos interesses dos alunos e às 
demandas da sociedade atual?Ex
pl
or
Esta unidade de estudo – O currículo escolar e os documentos oficiais: ensino 
médio e educação de jovens e adultos – apresenta dois documentos que regem o 
currículo oficial de outras duas etapas da educação básica brasileira, são eles: os Parâ-
metros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (2000) e a Base Nacional Comum 
Curricular – BNCC (2017). Em um de seus tópicos, será apresentado um apanhado 
geral do documento mais importante da atualidade a nortear toda a educação básica, 
a BNCC, e posteriormente, você será direcionado ao ensino médio, juntamente com 
a Proposta Curricular para Educação de Jovens 
e Adultos para o Ensino Fundamental e Médio 
(2001). Nesta unidade são abordados o contex-
to em que esses documentos foram desenvol-
vidos e seus aspectos gerais, como objetivos, 
concepções, estrutura e algumas considerações.
Durante a leitura, aproveite para re-
gistrar os aspectos que achar mais 
importantes e as dúvidas que sur-
girem. Boa leitura!
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Introdução
Nas últimas unidades desta disciplina, trataremos das bases legais e dos docu-
mentos curriculares da educação brasileira, sabendo que esses documentos são 
oficiais e orientam as políticas curriculares das redes de ensino do país. Conhecere-
mos, então, as principais características e os conceitos que estão por trás de cada 
um deles.
A Secretaria de Educação Básica zela pela educação infantil, pelo ensino funda-
mental e o ensino médio. A educação básica é o caminho para assegurar a todos 
os brasileiros a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e 
para fornecer-lhes os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. 
São dois os principais documentos norteadores da educação básica: a Lei de Dire-
trizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional de Educação (PNE) – 
regidos, naturalmente, pela Constituição da República Federativa do Brasil (1988), 
além dos documentos curriculares dos quais trataremos a seguir.
Para saber mais, clique no link: https://goo.gl/hvB4b.
Ex
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or
Parâmetros Curriculares Nacionais 
para o Ensino Médio
O Brasil, como os demais países da América Latina, está empenhado em pro-
mover reformas na área educacional que permitam superar o quadro de extrema 
desvantagem em relação aos índices de escolarização e de nível de conhecimento 
que apresentam os países desenvolvidos.
Figura 1
Fonte: Getty Images
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
Particularmente, no que se refere ao Ensino Médio, dois fatores de natureza 
muito diversa, mas que mantêm entre si relações observáveis, passam a determi-
nar a urgência de se repensar as diretrizes gerais e os parâmetros curriculares que 
orientam esse nível de ensino.
Em primeiro lugar, o fator econômico apresenta-se e define-se pela ruptura 
tecnológica característica da chamada terceira revolução técnico-industrial, na qual 
os avanços da microeletrônica têm um papel preponderante e, a partir década de 
1980, acentuam-se no País.
A denominada “revolução informática” promove mudanças radicais na área do 
conhecimento e passa a ocupar um lugar central nos processos de desenvolvi-
mento em geral. É possível afirmar que, nas próximas décadas, a educação vá se 
transformar mais rapidamente do que em muitas outras, em função de uma nova 
compreensão teórica sobre o papel da escola, estimulada pela incorporação das 
novas tecnologias.
As propostas de reforma curricular para o Ensino Médio pautam-se nas cons-
tatações sobre as mudanças no conhecimento e seus desdobramentos, no que se 
refere à produção e às relações sociais de modo geral.
Nas décadas de 1960 e 1970, considerando o nível de desenvolvimento da 
industrialização na América Latina, a política educacional vigente priorizou, 
como finalidade para o ensino médio, a formação de especialistas capazes de 
dominar a utilização de maquinarias ou de dirigir processos de produção. Essa 
tendência levou o Brasil, na década de 1970, a propor a profissionalização 
compulsória, estratégia que também visava a diminuir a pressão da demanda 
sobre o ensino superior.
Na década de 1990, enfrentamos um desafio de outra ordem. Agora, o volume 
de informações, produzido em decorrência das novas tecnologias era constante-
mente superado, colocando novos parâmetros para a formação dos cidadãos; não 
se tratava só de acumular conhecimentos.
A formação do aluno deve ter como alvo principal a aquisição de conhecimentos 
básicos, a preparação científica e a capacidade de utilizar as diferentes tecnologias 
relativas às áreas de atuação.
Propõe-se, no nível do ensino médio, a formação geral em oposição à formação 
específica; o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, 
analisá-las e selecioná-las; a capacidade de aprender, criar, formular, em lugar do 
simples exercício de memorização. Os PCNs constituíram-se em um documento 
muito significativo e elaborado, mas que não se concretizou em uma melhoria 
significativa para essa etapa. O alunado do século XXI exigiu um documento mais 
detalhado e com maior direcionamento de aprendizagens aplicáveis à realidade; 
devido a isso, a BNCC apresentou objetivos mais concretos e capacidade de quali-
ficar o ensino para toda a Educação Básica.
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Explorando um pouco mais a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de propriedade 
normativa que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essen-
ciais que todos os alunos devem atingir ao longo das etapas e modalidades da edu-
cação básica. Conforme prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDB), Lei n.º 9.394/1996, a Base deve nortear os currículos dos sistemas e das 
redes de ensino das unidades federativas, como também os projetos pedagógicos 
de todas as escolas públicas e privadas de educação infantil, ensino fundamental e 
ensino médio em todo o Brasil (BRASIL, 2018).
A Base define conhecimentos, competências e habilidades que se espera que 
todos os educandos desenvolvam ao longo da escolaridade básica. Norteada pelos 
princípios éticos, políticos e estéticos delineados pelas Diretrizes Curriculares Na-
cionais da Educação Básica (DCN), a Base soma-se ao intento que direciona a 
educação brasileira para a formação humana integral e para a estruturação de uma 
sociedade justa, democrática e inclusiva.
O que vale ser evidenciado é que a BNCC não se constitui como um currículo 
em si, mas como parte dele, ou seja, a sua finalidade é nortear a elaboração dos 
referenciais curriculares e dos Projetos Político-Pedagógicos (PPP) das escolas, à 
medida que institui as competências e habilidades que serão desenvolvidas pelos 
educandos ano a ano. De modo geral, pode-se afirmar que a Base indica o ponto 
em que se deseja chegar. O currículo trabalha o caminho para se chegar lá. Diante 
disso, preserva-se a autonomia de cada rede de ensino para adaptar os currículos, 
respeitando a diversidade e as peculiaridades de cada contexto educacional; isso é, 
as instituições escolares poderão contextualizá-los e adaptá-los de acordo com seus 
projetos pedagógicos.
A implantação da BNCC foi pautada em um processo de colaboração entre 
União, estados, municípios e Distrito Federal, bem como instituições privadas. 
Cada ator educativo tem sua autonomia garantida, à medida que a Base estimula 
a valorização da diversidade e considera as particularidades múltiplas dos contex-
tos educacionais brasileiros. Nesse sistema colaborativo, algumas ações foram 
previstas para fundamentação após o processo de homologação do documento 
e sua implantação:
1. Revisão das formações: inicial e continuada dos professores,articulando-as 
à BNCC;
2. Reelaboração dos referenciais curriculares federais, estaduais, municipais 
e privados;
3. Reformulação dos projetos político-pedagógicos de cada unidade escolar;
4. Adaptação de materiais didáticos, bem como os processos de avaliação da 
Educação Básica.
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
Formação para
professores
inicial e
continuada
Currículos das 
escolas
Políticas
públicas:
avaliação e 
material 
didático 
Referenciais 
curriculares 
das redes 
Figura 2 – Ações para a consolidação da BNCC no período de implantação
Ao analisar o documento, os vários especialistas reconhecem a importância da 
BNCC para a educação no Brasil e os avanços apresentados na última versão em 
relação aos textos anteriores, porém, a BNCC também foi marcada por algumas 
polêmicas, como a retirada dos termos identidade de gênero e orientação sexual, 
além da antecipação para o segundo ano para o fim da alfabetização.
Para retirar algumas dúvidas, vale a pena assistir o vídeo do Canal Futura sobre os princi-
pais pontos da BNCC: https://youtu.be/pqRJT4JF_nQ.Ex
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O texto da BNCC foi estruturado tendo como referência o desenvolvimento de 
10 competências gerais que abrangem aspectos cognitivos e socioemocionais já 
mencionado nos capítulos anteriores. Tais competências são fundamentais para 
a formação dos alunos, pois visam garantir, como resultado do seu processo de 
aprendizagem e desenvolvimento, uma formação humana integral que visa à cons-
trução de uma sociedade justa, democrática e inclusiva (BRASIL, 2017).
Muitas das competências propostas pela BNCC já estão no cotidiano de muitas 
escolas, nos planejamentos escolares e nas intenções educativas, e em outras, pre-
cisam ser ajustadas visando oportunizar a equidade de aprendizagens. É necessário 
conhecer o documento e refletir sobre as ações que já são desenvolvidas e aquelas 
que podem ser aprimoradas visando ao desenvolvimento das competências nos 
educandos ao longo de suas trajetórias escolares, pois essas ações farão parte do 
currículo de todas as redes de educação.
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A primeira parte do documento constitui na introdução e nela esse contempla 
as 10 competências gerais da BNCC, os seus marcos legais, os fundamentos peda-
gógicos e detalhes do pacto interfederativo.
O segundo capítulo explora a estrutura da BNCC, ou seja, como está organi-
zada a primeira etapa da educação básica. De acordo com os eixos estruturantes, 
a primeira constitui a etapa da educação infantil, e nela devem ser garantidos seis 
direitos de aprendizagem e desenvolvimento, para que as crianças tenham con-
dições de aprender e se desenvolver. Sendo eles: conviver, brincar, participar, 
explorar, expressar e se conhecer.
Ainda nessa mesma parte do documento, indo além dos direitos de aprendi-
zagem e desenvolvimento, são definidos os cinco campos de experiências, nos 
quais as crianças podem aprender e se desenvolver:
1. O eu, o outro e o nós;
2. Corpo, gestos e movimentos;
3. Traços, sons, cores e formas;
4. Escuta, fala, pensamento e imaginação;
5. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
Vale ressaltar ainda que nesse mesmo capítulo é organizada a explicação de 
como a BNCC apresenta as cinco áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, 
Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Religioso). Ainda nesse mesmo 
capítulo, é apresentada a composição alfanumérica que organiza os objetivos de 
conhecimento e as habilidades estabelecidas, conforme Figura 3.
Figura 3
Fonte: BNCC, 2018
O terceiro capítulo abarca os direcionamentos sobre a educação infantil, os 
direitos de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos, desdobrando um aprofun-
damento dos campos de experiência e o significado de uma passagem tranquila 
desse período para o fundamental.
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
Na quarta etapa do documento, é explorado o ensino fundamental em si, sendo, 
os dois primeiros anos do Ensino Fundamental, destinada a uma ação pedagógica 
voltada ao processo de alfabetização, com a finalidade de garantir vastas oportu-
nidades para que os educandos se apropriem do sistema de escrita alfabética de 
modo articulado ao trabalho com outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu 
envolvimento em práticas diversificadas de letramento. No terceiro ano, avançando 
aos demais anos do fundamental, os alunos vão ampliando a autonomia intelectual, 
a compreensão de normas e os interesses pela vida social, o que lhes oportuniza en-
volver com sistemas mais amplos, que dizem respeito às relações dos sujeitos entre si, 
com a natureza, com a história, com a cultura, com as tecnologias e com o ambiente.
Para conhecer melhor a introdução e os demais capítulos da Base Nacional Comum Curricular , 
acesse o site: https://goo.gl/2dnT8j.Ex
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Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio
A última versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino mé-
dio foi entregue pelo Ministério da Educação (MEC) ao Conselho Nacional de Edu-
cação (CNE) no final do 2º semestre de 2018, mas não foi homologada no mesmo 
período que a educação infantil e ensino fundamental. A carga horária do ensi-
no médio será distribuída em cinco itinerários formativos, explícitos no capítulo  2 
(Estrutura da BNCC) como:
1. Linguagens e suas tecnologias (Arte, Educação Física, Língua Inglesa e 
Língua Portuguesa); 
2. Matemática e suas tecnologias (Matemática); 
3. Ciências da natureza e suas tecnologias (Biologia, Física e Química); 
4. Ciências humanas e sociais aplicadas (História, Geografia, Sociologia 
e Filosofia);
5. Formação técnica e profissional.
De acordo com o documento (BRASIL, 2018), essa nova estrutura aumenta o 
protagonismo juvenil, uma vez que prevê a oferta de variados itinerários formati-
vos1 para atender à variedade de interesses dos alunos: o aprofundamento acadê-
mico e a formação técnica profissional. Ademais, ratifica a organização do ensino 
médio por áreas do conhecimento, sem referência direta a todos os componentes 
que tradicionalmente compõem o currículo dessa etapa.
1 No Brasil, a expressão “itinerário formativo” tem sido tradicionalmente utilizada no âmbito da educação profissional, 
em referência à maneira como se organizam os sistemas de formação profissional ou, ainda, às formas de acesso 
às profissões. No entanto, na Lei n.º 13.415/17, a expressão foi utilizada em referência a itinerários formativos 
acadêmicos, o que supõe o aprofundamento em uma ou mais áreas curriculares e, também, a itinerários da formação 
técnica profissional (BRASIL, 2018).
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Para você estudar melhor essa etapa, leia o documento na íntegra da BNCC do ensino médio:
https://goo.gl/PzckVt.Ex
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Cada área do conhecimento organiza competências específicas, cujo desenvolvi-
mento deve ser proporcionado ao longo dessa etapa, tanto no âmbito da BNCC como 
dos itinerários formativos das diferentes áreas. Essas competências mostram como as 
competências gerais da educação básica se exprimem nas áreas. Elas estão articuladas 
às competências específicas de área para o ensino fundamental, com ajustes relevantes 
ao atendimento das necessidades de formação dos estudantes do ensino médio.
Os desafios do ensino médio ainda são maiores do que o fundamental, afinal pes-
quisas têm mostrado que essa etapa representa uma lacuna na garantia do direito à 
educação. Dentre os fatores que expõem esse cenário, evidencia-se o desempenho 
insuficiente dos alunos nos anos finais do Ensino Fundamental, a organização curri-
cular do ensino médio antes da Base, com excesso de componentes curriculares, e 
uma abordagem pedagógica apartada das culturas juvenis e do mundo do trabalho.
Quadro 1
Desafi os para o Ensino Médio
 · Universalizar o acesso, a permanência e o direito à aprendizagem e ao desenvolvimento na faixa etária de 15 a 17 anos;
 · Ampliar o acesso da faixa etáriaacima de 18 anos com a garantia das mesmas condições;
 · Ampliar ações de superação da distorção idade-série;
 · Consolidar a identidade e a organização curricular dessa etapa educacional.
Vale a pena assistir o vídeo do canal Futura sobre a BNCC do Ensino Médio, disponível em:
https://youtu.be/hEIzWTMiiuE.Ex
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Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI)
O Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI), instituído pela Portaria n.º 971, 
de 9 de outubro de 2009, integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Edu-
cação (PDE) como estratégia do Governo Federal para induzir a reestruturação dos 
currículos e superar os desafios do ensino médio.
O objetivo do ProEMI é apoiar e fortalecer o desenvolvimento de propostas cur-
riculares inovadoras nas escolas de ensino médio, ampliando o tempo dos estudan-
tes na escola e buscando garantir a formação integral com a inserção de atividades 
que tornem o currículo mais dinâmico, atendendo também às expectativas dos 
estudantes do ensino médio e às demandas da sociedade contemporânea.
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
Os projetos de reestruturação curricular possibilitam o desenvolvimento de ativi-
dades integradoras que articulam as dimensões do trabalho, da ciência, da cultura 
e da tecnologia, contemplando as diversas áreas do conhecimento a partir de oito 
macrocampos: Acompanhamento Pedagógico; Iniciação Científica e Pesquisa; 
Cultura Corporal; Cultura e Artes; Comunicação e uso de Mídias; Cultura Digital; 
Participação Estudantil e Leitura e Letramento.
A adesão ao Programa Ensino Médio Inovador pode ser realizada pelas Se-
cretarias de Educação Estaduais e Distrital. As escolas de Ensino Médio rece-
bem apoio técnico e financeiro, através do Programa Dinheiro Direto na Escola 
(PDDE), para a elaboração e o desenvolvimento de seus projetos de reestrutu-
ração curricular.
Proposta Curricular para 
Educação de Jovens e Adultos
A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetiza-
ção, Diversidade e Inclusão (SECADI), em articulação 
com os sistemas de ensino, implementa políticas educa-
cionais nas áreas de alfabetização e educação de jovens 
e adultos, educação ambiental, educação em direitos hu-
manos, educação especial, do campo, escolar indígena, 
quilombola e educação para as relações étnico-raciais.
O objetivo da SECADI é contribuir para o desenvol-
vimento inclusivo dos sistemas de ensino voltados para 
a valorização das diferenças e da diversidade, a promo-
ção da educação inclusiva, dos direitos humanos e da 
sustentabilidade socioambiental, visando à efetivação 
de políticas públicas transversais e intersetoriais.
Figura 4
Fonte: MEC, 2001
O objetivo é promover a superação do analfabetismo entre jovens com 15 anos 
ou mais, adultos e idosos e contribuir para a universalização do ensino fundamental 
no Brasil. Sua concepção reconhece a educação como direito humano e a oferta 
pública da alfabetização como porta de entrada para a educação e a escolarização 
das pessoas ao longo de toda a vida.
A concretização dessas políticas educacionais dá-se por meio de ações de apoio 
técnico e financeiro para projetos de alfabetização de jovens, adultos e idosos apre-
sentados pelos Estados, Municípios e Distrito Federal.
Para saber mais, clique no link: https://goo.gl/hWP9C4.
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Proposta Curricular para Educação de Jovens e Adultos
1º Segmento do Ensino Fundamental
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) 9394/96 assegura 
que a EJA (Educação de Jovens e Adultos) seja destinada aos que não tiveram aces-
so a ou oportunidade de continuar seus estudos no ensino fundamental e médio na 
idade própria.
O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado para os 
que a ele não tiveram acesso na idade própria; progressiva extensão da 
obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio e oferta de ensino noturno 
regular, adequado às condições do educando. (BRASIL, 1996, art. 4º)
A EJA, como uma modalidade da educação básica, é pautada na LDBEN 
n.º 9.394/96 pelos mesmos princípios que a educação regular fundamental e mé-
dia. A proposta curricular da EJA tem por objetivo oferecer subsídios que orientem 
a reflexão pedagógica sobre essa modalidade.
O Ministério da Educação e Cultura (MEC) propôs metodologias e didáticas que 
favoreçam o atendimento à EJA de forma legal e prática por meio de uma Pro-
posta Curricular. A Proposta Curricular para o primeiro segmento do ensino fun-
damental para a educação de jovens, adultos (e também idosos) constitui-se em um 
subsídio à elaboração de projetos e propostas curriculares a serem desenvolvidos 
por organizações governamentais e não governamentais, adaptados às realidades 
locais e necessidades específicas.
A Constituição Federal de 1988 estendeu o direito ao ensino fundamental 
aos cidadãos de todas as faixas etárias, o que nos estabelece o imperativo 
de ampliar as oportunidades educacionais para aqueles que já ultrapas-
saram a idade de escolarização regular. Além da extensão, a qualificação 
pedagógica de programas de educação de jovens e adultos é uma exigên-
cia de justiça social, para que a ampliação das oportunidades educacionais 
não se reduza a uma ilusão e a escolarização tardia de milhares de cida-
dãos não se configure como mais uma experiência de fracasso e exclusão. 
(PROPOSTA CURRICULAR 1º SEGMENTO, 2001, p. 14)
Este trabalho representa, para o MEC, a possibilidade de colocar à disposição 
das secretarias estaduais e municipais de educação e dos professores de educação 
de jovens e adultos um importante instrumento de apoio, com a qualidade de refe-
rencial que lhe é conferida pelo notório saber de seus autores.
Na reflexão pedagógica sobre essa modalidade educativa, há especial relevância a 
consideração de suas dimensões social, ética e política. O ideário da educação popu-
lar, referência importante na área, destaca o valor educativo do diálogo e da partici-
pação, a consideração do educando como sujeito portador de saberes que devem ser 
reconhecidos. Educadores de jovens e adultos identificados com esses princípios têm 
procurado, nos últimos anos, reformular suas práticas pedagógicas, atualizando-as 
frente às novas exigências culturais e novas contribuições das teorias educacionais.
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UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
As orientações curriculares apresentadas na Proposta referem-se à alfabetiza-
ção e pós-alfabetização de jovens e adultos, cujo conteúdo corresponde às quatro 
primeiras séries do Ensino Fundamental (a Proposta foi aprovada quando ainda 
existia o Ensino Fundamental de 8 anos). Elas não constituem propriamente um 
currículo, muito menos um programa pronto para ser executado, tratam-se de um 
subsídio para a formulação de currículos e planos de ensino, que devem ser desen-
volvidos pelos educadores de acordo com as necessidades e objetivos específicos 
de seus programas.
A primeira parte desse documento traz um breve histórico da educação de jo-
vens e adultos no Brasil, no qual se destacam soluções e impasses pedagógicos 
gerados por essas práticas, alguns fundamentos nos quais se baseou a formulação 
de objetivos gerais da proposta, delineando uma visão bastante geral da situação 
social que vivemos na atualidade, das necessidades educativas dos jovens, adultos 
e idosos pouco escolarizados, do papel da escola e do educador. Também discu-
te a importância da elaboração de currículos baseados nessas indicações, inevita-
velmente genéricas, o que exigirá dos educadores o esforço de complementá-las 
com análises de seus contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de 
modo mais preciso os objetivos de seus programas.
Na segunda parte, são apresentados os objetivos gerais em conteúdos e objeti-
vos mais específicos, organizados em três áreas: Língua Portuguesa, Matemática 
e Estudos da Sociedade e da Natureza. Para cada uma dessas áreas, expõem-se 
considerações sobre suarelevância e sobre a natureza dos conhecimentos com que 
trabalha. Reúnem-se, ainda, algumas indicações metodológicas e alguns aportes 
das teorias sobre o ensino e a aprendizagem de seus conteúdos. Para cada área, 
são definidos blocos de conteúdos com um elenco de tópicos a serem estudados. 
Para cada tópico, há um conjunto de objetivos didáticos que especificam modos de 
abordá-los em diferentes graus de aprofundamento. Pelo seu grau de especificida-
de, esses objetivos oferecem também muitas pistas sobre atividades didáticas que 
favorecem o desenvolvimento dos conteúdos.
Para as áreas de Língua Portuguesa e Matemática, há indicações detalhadas 
quanto às formas mais adequadas de abordar cada bloco de conteúdo nos estágios 
iniciais e nos estágios mais avançados das aprendizagens. Com relação aos Estudos 
da Sociedade e da Natureza, considerou-se que a sequenciação poderia ser feita 
levando em conta apenas os interesses ou as necessidades dos educandos, ou seja, 
qualquer um dos tópicos de conteúdo pode ser tratado com alunos iniciantes ou 
avançados, desde que se considere o grau de domínio que esses tenham da repre-
sentação escrita, ao lado da possibilidade de lançar mão de recursos audiovisuais e 
da interação oral.
Na terceira e última parte, a proposta curricular para o primeiro segmento trata 
do planejamento e da avaliação, traz sugestões de como planejar unidades didáticas 
que favoreçam ao estabelecimento de relações entre os diversos conteúdos, tornan-
do seu desenvolvimento mais interessante para alunos e professores e o trabalho 
do dia a dia mais rico e estimulante.
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A avaliação, por sua vez, é abordada como parte constitutiva do planejamento. 
São sugeridos também critérios de avaliação especificamente orientados para deci-
sões associadas à certificação de equivalência de escolaridade e ao encaminhamen-
to dos jovens e adultos para o segundo segmento do ensino fundamental.
Com esse conjunto articulado de objetivos e conteúdos educativos, referências 
e sugestões didáticas, o documento pretende esboçar um mapa que oriente as 
opções das equipes envolvidas na elaboração curricular e no planejamento. Essas 
opções, entretanto, devem referir-se principalmente aos contextos educativos de 
que participam.
Para conhecer a Proposta Curricular do 1º Segmento na íntegra, clique no link: 
https://goo.gl/ubgV0h.Ex
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Proposta Curricular para Educação de Jovens e Adultos
2º Segmento do Ensino Fundamental
A proposta curricular para o segundo segmento do ensino fundamental para a 
educação de jovens, adultos e idosos foi lançada pela SEF, em 2002, com base na 
Resolução n.º 01/2000 e no Parecer CNE/CEB n.º11/2000, que estabelecem as 
Diretrizes Curriculares Nacionais para EJA.
A Coordenação de Educação de Jovens e Adultos (COEJA) da Secretaria de 
Educação Fundamental do Ministério da Educação organizou essa Proposta Curri-
cular para o Segundo Segmento do Ensino Fundamental da Educação de Jovens e 
Adultos (EJA) (correspondente à etapa de 5ª a 8ª série), com a finalidade de sub-
sidiar o processo de reorientação curricular nas secretarias estaduais e municipais, 
bem como nas instituições e escolas que atendem ao público de EJA, considerando 
as especificidades de alunos jovens, adultos e idosos e também as características 
desses cursos.
Volume I – apresenta temas que devem ser analisados e discutidos cole-
tivamente pelas equipes escolares, pois trazem fundamentos comuns às 
diversas áreas para a reflexão curricular;
Volume II – são apresentados os objetivos gerais em conteúdos e obje-
tivos mais específicos, organizados em quatro áreas: Língua Portuguesa, 
Língua Estrangeira, História e Geografia. Para cada uma dessas áreas, 
expõem-se considerações sobre sua relevância e sobre a natureza dos 
conhecimentos com que trabalha;
Volume III – são apresentados os objetivos gerais em conteúdos e objeti-
vos mais específicos de outras quatro áreas de conhecimento: Matemáti-
ca, Ciências Naturais, Arte e Educação Física, além de algumas indicações 
metodológicas sobre o ensino e a aprendizagem de seus conteúdos.
19
UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
A primeira parte do documento faz uma breve retomada histórica da educação 
de jovens e adultos em nosso país, com a finalidade de situar os professores, atores 
que nesse momento participam da construção dessa trajetória. Apresenta, ainda, 
dados coletados em um levantamento realizado pela COEJA junto às secretarias de 
educação, aos professores e alunos, permitindo uma caracterização mais detalhada 
do segundo segmento.
A segunda parte, com base no cenário delineado na parte anterior, tematiza 
questões importantes para a constituição de uma proposta curricular. A primeira 
delas refere-se tanto à construção do Projeto Educativo da Escola em que a EJA 
está inserida, quanto à clara definição da identidade dessa modalidade de ensino.
Em relação à identidade, merecem atenção a perspectiva do acolhimento pela 
equipe escolar e as relações da escola com o mundo do trabalho e com a sociedade 
do conhecimento. São retomadas as concepções de Paulo Freire sobre a dimensão 
sociopolítica e cultural da educação de jovens e adultos e é feita uma análise das 
contribuições de teorias socioconstrutivistas nesse contexto. Discutem-se concep-
ções como as de aprendizagem, conhecimento, contrato didático e avaliação e é 
proposta uma inversão da lógica que tradicionalmente orientou a organização cur-
ricular, tomando como ponto de partida não um conjunto de disciplinas – no qual 
umas são mais valorizadas do que outras –, mas sim um conjunto de capacidades a 
serem construídas pelos alunos ao longo de sua formação.
Com esse propósito, os conteúdos são analisados em suas diferentes dimensões: 
seu papel, as formas de selecioná-los e organizá-los; apresentam-se orientações 
didáticas gerais e orientações sobre avaliação, discutindo distintas modalidades 
 organizativas e aspectos da gestão do tempo, do espaço e dos recursos didáticos.
Vale destacar que essa proposta curricular está inserida em uma política edu-
cacional em que se destacam alguns princípios importantes à democratização do 
ensino no país:
• a necessidade de unir esforços entre as diferentes instâncias governamentais e 
da sociedade para apoiar a escola na complexa tarefa educativa;
• o exercício de uma prática escolar comprometida com a interdependência 
escola/sociedade, tendo como objetivo situar os alunos como participantes da 
sociedade (cidadãos);
• a participação da comunidade na escola, de modo que o conhecimento apren-
dido resulte em maior compreensão, integração e inserção no mundo;
• a importância de que cada escola tenha clareza quanto ao seu projeto educati-
vo, para que, de fato, possa se constituir em uma unidade com maior grau de 
autonomia e que todos os que dela fazem parte possam estar comprometidos 
em atingir as metas a que se propuseram;
• o fato de que os jovens e adultos desse país precisam construir diferentes capa-
cidades e que a apropriação de conhecimentos socialmente elaborados é base 
para a construção da cidadania e de sua identidade;
• a certeza de que todos são capazes de aprender (PROPOSTA CURRICULAR 
2º SEGMENTO, 2002, p.9).
20
21
Para conhecer a Proposta Curricular do 2º Segmento na íntegra, clique no link: 
https://goo.gl/scUS9A.Ex
pl
or
Programa Nacional do Livro Didático para 
Educação de Jovens e Adultos (PNLD EJA)
A Resolução CD/FNDE n.º 51/2009 dispõe sobre o Programa Nacional do 
Livro Didático para Educação de Jovens e Adultos, com o objetivo de disponibilizar 
livros didáticos aos alfabetizandos e estudantes jovens, adultos e idosos das entida-
des parceiras do Programa Brasil Alfabetizado, das escolas públicas com turmas de 
alfabetização e de ensino fundamental na modalidade EJA.
Figura 5
Fonte: Getty Images
Os livros didáticos devem ser todos consumíveis e entregues para utilização dos 
alunos e educadores beneficiários, que passam a tersua guarda definitiva, sem ne-
cessidade de devolução ao final de cada período letivo. O programa mantém ações 
de escolha e distribuição trienal de forma integrada dos livros didáticos, consideran-
do todas as matrículas, e de reposição anual de forma integral dos livros didáticos 
para cobertura das matrículas adicionais.
Para saber mais sobre o Programa Nacional do Livro Didático para Educação de Jovens e 
Adultos, clique no link: https://goo.gl/5SF9SK. Ex
pl
or
21
UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
É importante que o processo educativo na EJA não se restrinja à aquisição de 
conhecimentos, mas que desenvolva em seus alunos habilidades e capacidades de 
pensar e fazer associações entre o que já aprendeu e o seu meio. Essa educação 
deve ser entendida como tomada de consciência para que os alunos se insiram 
mais aptos e ativos na sociedade, transformando e alcançando seus objetivos.
Cabe lembrar, ainda, que existem experiências de educação básica de jovens, 
adultos e idosos que desenvolvem trabalhos mais sistemáticos nas áreas de Edu-
cação Física e Arte e que avaliam positivamente o impacto dessas áreas no de-
senvolvimento geral dos educandos. Essa é, entretanto, uma prática muito pouco 
generalizada. Há também programas que desenvolvem trabalhos específicos de 
preparação profissional, essa proposta curricular não abrange essas áreas, mas 
considera importante que os educadores exercitem a liberdade de opções que essa 
modalidade educativa permite e exige para adequar seus programas às necessida-
des e interesses dos envolvidos.
22
23
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Vídeo do Canal Futura
https://youtu.be/s3f7d7MDPVI
 Leitura
Base Nacional Comum Curricular
No site da Base Nacional Comum Curricular, são disponibilizados vários materiais 
elaborados pelo MEC, em parceria com o CONSED e a UNDIME, para apoiar as 
secretarias de educação e escolas na realização do Dia D para estudo e discussão da 
BNCC. É importante que a BNCC seja conhecida e analisada por todos os educadores 
brasileiros! Vale a pena pesquisar e aprender ainda mais sobre este documento 
norteador dos currículos brasileiros.
https://goo.gl/eDBZ3x
Base Nacional Comum Curricular – Ensino Médio
https://goo.gl/1yYKAm
Material da Nova Escola
https://goo.gl/K3Y4bn
23
UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
Referências
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio: Introdu-
ção – bases legais. Brasília, DF: MEC/SEF, 2000.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília, DF, Senado, 1998
BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da educação. Resolução CD/FNDE 
nº 51. Programa Nacional do Livro Didático para Educação de Jovens e 
Adultos (PNLD EJA). Brasília, DF: 2009.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – Ensino 
Médio. Brasília, DF: MEC, 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 
DF: MEC, 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
n.º 9.394, de dezembro de 1996. Brasília, DF: MEC, 1997.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Proposta 
Curricular para a educação de jovens e adultos: primeiro segmento do ensino 
fundamental: 1ª a 4ª série: introdução. Brasília, DF: MEC/SEF, 2001.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Proposta 
Curricular para a educação de jovens e adultos: segundo segmento do ensino 
fundamental: 5ª a 8ª série: introdução. Brasília, DF: MEC/SEF, 2002.
BRASIL. Portaria n. 971, de 09 de outubro de 2009. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 13 out. 2009a.
24do conheci-
mento e de selecionar os elementos da cultura com que necessariamente 
a escola trabalha. (KISHIMOTO, 1994, p. 8)
10
11
No entanto, apesar da diversidade de conceituações e posicionamentos sobre 
currículo, é importante ressaltar que qualquer que seja a concepção adotada, não 
há dúvidas quanto à sua relevância no processo educativo da instituição escolar. 
A pretensão a té o momento é a de evidenciar que o entendimento de currículo 
está vinculado às interpretações e reinterpretações dos diferentes contextos históri-
cos, sendo elas orientadas pela dinâmica da sociedade. Nessa condição, são apre-
sentados os aspectos históricos e legislativos tão necessários para a compreensão 
do currículo escolar. Segundo Moreira e Silva (1995, p. 7):
O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente 
técnica, voltada para questões relativas a procedimentos, técnicas, méto-
dos. Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo, guiada 
por questões sociológicas, políticas, epistemológicas.
Partindo das análises dos teóricos que você leu até agora sobre currículo, o que você vê como 
mais signifi cativo ao tratarmos do conceito currículo? Qual seria a sua defi nição?Ex
pl
or
Aspectos Históricos sobre o Currículo
Sabendo que o currículo expressa a leitura do con-
texto social e seus aspectos históricos, é preciso pri-
meiramente considerar a escola enquanto organização 
situada na vida e na cultura da sociedade. Pensando 
dessa forma, é importante localizar alguns aspectos 
históricos, sendo que a partir desse entendimento de 
cultura vai sendo redesenhado cada currículo. Voltan-
do a origem do modelo escolar, no século XVI até iní-
cio do século XX, a estrutura organizacional social era 
em forma de castas, sendo que não havia uma relação 
entre as esferas: superior e inferior. Pensando nesse 
modelo, a escola foi sendo organizada por uma elite, 
tendo o objetivo de perpetuar somente a sua manei-
ra de ver a sociedade. O documento que sistematizou 
essa concepção de currículo foi o Ratio Studiorum. 
Figura 1
Fonte: Wikimedia Commons
Importante!
De acordo com Saviani (2007), as ideias contidas no Ratio são fi éis à pedagogia tradi-
cional que tem como entendimento o homem como ser universal e a educação como 
instrumento para moldá-lo.
Você Sabia?
11
UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
Esse documento constitui a gênese do currículo no Brasil, sendo suporte para o 
ordenamento, a garantia de uniformidade de procedimentos, de mente e coração 
dos educadores jesuítas e dos alunos, para a consecução dos objetivos propostos, 
opondo-se à turbulência desencadeada pelo movimento reformista do século XVI.
O Ratio Studiorum tem como preceito a formação intelectual clássica estreita-
mente vinculada à formação moral, tendo como base as virtudes, os costumes e há-
bitos saudáveis. A intenção do currículo é formar homens cristãos, tendo a convicção 
de que a educação sem a religião se torna um perigo para a sociedade. Analisando 
o contexto desse documento, foi o marco fundamental do que se intitula o Modelo 
Tradicional da Educação. 
 A escola até o início do Sec. XX acolhia uma pequena parcela da população, 
o conhecimento acumulado típico da educação tradicional era destinado a uma 
elite. O processo de industrialização, de urbanização, obrigará o sistema educa-
cional a repensar o seu modelo curricular, buscando uma nova forma de pensar o 
ensino. Nesse processo, há uma valorização da atuação do aluno, de seu interesse, 
tendo como influências no Brasil vários pensadores como Fernando de Azevedo, 
Lourenço Filho e Anísio Teixeira. Um documento que consolidava o ideário do 
movimento renovador foi o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, que re-
conhecia a educação como direito de todos e dever do Estado, reivindicando uma 
escola pública, apoiada nos princípios de laicidade, obrigatoriedade e gratuidade. 
Novas exigências para o currículo começam a surgir nesse momento histórico 
como: olhar para o ensino aprendizagem, avaliação, método, planejamento, efi-
cácia e objetivo.
A partir da denominada Guerra Fria, entre soviéticos e americanos, aparece a 
preocupação com o sentido do conteúdo nos currículos das escolas americanas, 
voltadas às propostas dos centros científicos das universidades, tendo em vista que 
deveriam formar os cientistas e líderes da nação para fazer frente ao avanço cientí-
fico e tecnológico do bloco comunista (LOPES; MACEDO, 2011).
Bobbitt (apud LOPES; MACEDO, 2011), um dos teóricos de currículo da época, 
defendia um currículo cuja função era preparar o aluno para a vida adulta economi-
camente ativa a partir de dois conjuntos de atividades que deveriam ser igualmente 
considerados na escola: o que chama de currículo direto e de experiências indiretas. 
Dessa forma, o organizador do currículo deveria então determinar as grandes áreas 
da atividade humana encontradas na sociedade e subdividi-las em atividades menores, 
sendo esses os objetivos do curso. 
Esse modelo de currículo fica definido como tecnicista. Nessa concepção, os alunos 
podem ficar retidos por décimos não cumpridos dentro da avaliação da disciplina, o 
livro didático constitui um suporte para as disciplinas, a avaliação assume um destaque 
no cenário curricular e a estrutura da equipe gestora composta por diretor, coordena-
dor serve para supervisionar o processo educativo. Outro destaque desse momento é 
o planejamento, sendo uma influência de um contexto fabril, tendo como berço teóri-
co as ideias de Taylor e Fayol. Esse modelo não é muito distante da época atual, pois 
até hoje as escolas utilizam esses instrumentos na dinâmica das instituições.
12
13
De acordo Silva (2010), todas essas teorias citadas constituem-se como tradicio-
nais, por não desenvolverem uma proposta crítica e por não questionarem o modelo 
social vigente.
Faça uma recapitulação dos principais documentos e concepções das teorias tradicionais de 
educação que você conheceu até agora!Ex
pl
or
No cenário da educação nos últimos 50 anos, questões relativas ao currículo têm 
ocupado um lugar diferente nas políticas nacionais e internacionais sobre educação, 
suscitando interessantes debates e discussões sobre a sua elaboração, implementa-
ção e legislação. Autores importantes como Freire, Althusser, Bourdieu, Passeiron, 
entre outros, contribuíram no questionamento desse currículo e desse tipo de escola 
que reproduzia o sistema social. 
Dentre esses autores citados, podemos destacar o autor Paulo Freire, que con-
tribuiu significativamente para a construção de uma nova Pedagogia, defendendo 
que o conhecimento das pessoas excluídas podia se tornar referência para debater o 
currículo dentro da sala de aula. Defendia que certa compreensão de mundo poderia 
transformar a vida das pessoas. 
Era contra a educação bancária, típica do currículo tradicional, em que o pro-
fessor deposita o conhecimento em um aluno carecido de seus próximos pensamen-
tos, devido à maneira de conduzir sua aula. Retratava o autor que essa forma de 
sistema somente reproduziria a estratificação das classes sociais, servindo o ensino 
de adestramento para a formação de massa de trabalho. 
A partir de todas essas discussões e efervescências de novos teóricos, houve 
uma mudança de direcionamento do currículo, do tradicional para o crítico, e hou-
ve no Brasil a valorização das políticas públicas de educação. 
Retomando o período anterior, o sistema educacional brasileiro, por oferecer 
historicamente um atendimento dual e elitista, foi marcado por um modelo curricu-
lar extremamente excludente e de baixa qualidade. A abordagem técnico-linear do 
currículo vigorou primeiramente, na década de 1940, nos Estados Unidos, esten-
dendo-se aos demais países nos anos seguintes.
No modelo técnico-linear, o currículo é concebido como uma atividade racional 
e neutra. Como instrumento de racionalização da atividade educativa, seu desen-
volvimento depende estritamente da execução e da qualidade do planejamento.De acordo com Souza (2008, p. 10):
As críticas a esse modelo tecnicista, a-histórico e descontextualizado, centra-
do na prescrição e no planejamento curricular, desencadearam um conjunto 
de trabalhos críticos, na década de 1960 e 1970, na Inglaterra e nos Estados 
Unidos, responsáveis pela renovação dos estudos nessa área. Essa revisão 
crítica iniciou e consolidou-se no âmbito da Sociologia da Educação, consti-
tuindo o que se convencionou denominar de teorias críticas.
13
UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
Decorrentes da contraposição ao modelo técnico-linear, as perspectivas críticas 
surgiram a partir da década de 1970 com a intenção de discutir as determinações 
sociais e suas relações com a estrutura de poder na sociedade, sendo a publicação 
de Michael Young (1971) a primeira corrente sociológica voltada para a problema-
tização do currículo.
De acordo com Souza (2008), dois movimentos de reconceptualização do currí-
culo surgiram na época, sendo eles:
• O Enfoque Histórico Hermenêutico: influenciado pelos estudos de Paulo Freire, 
que evidencia a experiência dos alunos e suas necessidades como centrais à cons-
trução do currículo. No Brasil, Paulo Freire foi um dos pioneiros a denunciar e a 
demonstrar de forma consistente o descaso do sistema escolar brasileiro e seu ca-
ráter discriminatório, opressor e a sua verdadeira intenção de destinar a educação 
apenas a uma elite;
• Enfoque Neomarxista: conduzido por Michael Apple e Henry Giroux, que afir-
mam que o currículo não pode ser separado da totalidade social e cultural, tratan-
do-se especificamente de um ato político. Nas décadas de 1970 e 1980, na área 
da Sociologia da Educação, Bourdieu e Passeron também mostraram o caráter 
reprodutivo da escola, que inevitavelmente impacta em seu currículo.
Ambos os enfoques, ao contrapor os princípios de regulação e controle social, 
colaboraram para abalar a hegemonia do paradigma tecnicista do currículo.
De acordo com Souza (2008, p. 10):
Dessa maneira, as teorias críticas do currículo de natureza sociológica passa-
ram a escrutinar os conteúdos de ensino e sua transmissão, desnaturalizando 
o currículo, apontando-o como uma construção social e ressaltando as suas 
relações com o poder e com a produção de subjetividades.
Na década de 1980, cenário de conquistas históricas na educação brasileira, 
configurou-se a tendência crítica do currículo, conforme apresentado por Souza 
(2008, p. 12):
Já os anos 80 do século XX, viram florescer no Brasil o pensamento crítico 
sobre o currículo de natureza sociológica. Foram traduzidos no início da 
década de 1980 dois livros que influenciaram profundamente as propostas 
de reestruturação curricular ocorridas no país nesse período: Ideologia e 
Currículo, de Michael Apple (1982) e Pedagogia Radical, de Henry Giroux 
(1983). Esses autores influenciaram o pensamento curricular desenvolvido 
nos cursos de Pedagogia e nos programas de Pós-graduação em Educa-
ção, os quais estavam consolidando nessa época.
As contribuições dessas teorias clássicas no campo do currículo concentram-se 
na problematização da relação entre currículo, sociedade e poder. Fundamentado 
na abordagem neomarxista, Apple (1982), em sua crítica, aponta a escola como 
instituição de reprodução cultural, ou seja, instituição que reproduz e legitima de-
terminadas desigualdades econômicas, sociais e culturais.
14
15
Para Souza (2008), até então, o predomínio de determinadas áreas de conheci-
mento no currículo esteve relacionado ao papel da escola na seleção de indivíduos 
para ocuparem diferentes posições econômicas e sociais.
Entende-se, dessa maneira, porque as Ciências Sociais, as Artes, a Edu-
cação Física e as Humanidades em geral tendem a ser secundarizadas nos 
currículos escolares e a receberem menos recursos financeiros para o cus-
teio de pesquisas científicas e projetos de desenvolvimento do currículo. 
(SOUZA, 2008, p. 17)
Apple (1982) se preocupou em mostrar como as escolas se constituem como 
produtoras e reprodutoras da manutenção e do controle social, analisando a rela-
ção entre ideologia e currículo. Para o autor, ideologia consiste em um conjunto de 
ideias que marcam a legitimação, o conflito de poder e o estilo de argumentação. 
Apple (1982, p. 127) atribuiu, para tal explicação, o conceito de currículo oculto, 
que se refere às “normas e valores que são implícitos, porém efetivamente trans-
mitidos pelas escolas e que habitualmente não são mencionados na apresentação 
feita pelos professores dos fins e objetivos”.
Em outras palavras, podemos dizer que o currículo oculto consiste no conjunto 
de concepções que o professor transfere aos alunos durante as aulas, sem que 
haja um planejamento prévio e sem que esse tenha consciência do que transmite. 
Dessa forma, pode-se afirmar que por meio do currículo oculto são disseminadas 
ideologias pertencentes a determinados grupos hegemônicos da sociedade.
Souza (2008) traz uma interpretação importante acerca do currículo oculto:
Reconhecer a existência do currículo oculto não deve levar os professores 
a um certo ceticismo e a um sentimento de culpa pelo fato de transmi-
tirem, sem o desejarem, muitas vezes normas, valores ideologias a seus 
alunos. Na realidade a análise do currículo oculto deve servir para desmis-
tificar a aparente neutralidade do ato pedagógico.
A ideia de Souza (2008, p. 25), de que “todo currículo compreende uma seleção 
de elementos da cultura considerados válidos para serem transmitidos nas escolas”, 
nos revela que os conteúdos selecionados para compor o currículo são elementos 
legitimados culturalmente pela sociedade e que essa seleção não ocorre de forma 
dissociada das relações de poder.
Assim, historicamente, as propostas curriculares desenvolvidas no Brasil a partir 
da década de 1980 foram fundamentadas nas perspectivas críticas, mantendo al-
guns dos seus elementos e atribuindo-lhes novas dimensões e significados, surgindo 
uma nova concepção: a tendência teórico-prática do currículo.
A dimensão processual do currículo, que atualmente prevalece no Brasil, pre-
ocupa-se não só com as determinações políticas, mas também com as questões 
institucionais. Nesse sentido, o currículo adquire um papel dinâmico que envolve o 
currículo apresentado, prescrito e realizado, uma vez que, “é na sala de aula que o 
currículo se concretiza” (SOUZA, 2008, p. 35).UNIDADE
15
UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
Nesse novo paradigma de educação, o currículo se configura de maneira am-
pliada e dinâmica, deixando de estar centrado somente nos conteúdos, sendo que 
nessa perspectiva:
[...] o currículo não é pensado como uma ‘coisa’, como um programa 
ou cursos de estudos. Ele é considerado como um ambiente simbólico, 
material e humano, que é constantemente reconstruído. Este processo de 
planejamento envolve não apenas o técnico, mas o estético, o ético e o 
político, se quisermos que ele responda plenamente tanto ao nível pessoal 
quanto social. (APPLE, 1999, p. 210)
Essa breve apresentação histórica sobre o currículo escolar mostra que em pleno 
século XXI as discussões sobre o currículo devem levar em consideração que:
Tudo o que está em jogo no processo de ensino e aprendizagem, in-
cluindo: as informações e os conhecimentos prévios que tanto os alunos 
como os professores possuem e aqueles que são construídos ao longo 
do processo educativo pela interação entre uns e outros; os conteúdos, 
planos e programas de estudo, assim como os dos materiais curricula-
res e dos trabalhos de aula; os procedimentos utilizados para ensinar e 
aprender; a organização do espaço ocupado; o clima gerado; e o conhe-
cimento construído resultante da interação entre todos os elementos. 
(TORRES, 1995, p. 14)
Legislação e Currículo: 
Uma Abordagem Necessária
Apesar de não lhe ser conferido o caráter legal, a Declaração Universal dos Di-
reitos Humanos, em 1948, anunciou a educação como um direito de todos e para 
todos. O documento repercutiu, nas décadasseguintes, debates educacionais que 
culminaram na produção de diversos documentos, como declarações, leis, diretri-
zes nacionais e internacionais, acerca da garantia do direito de acesso e permanên-
cia no processo de escolarização.
No Brasil, no ano de 1988, a Constituição Federal representou um “divisor de 
águas”. Nessa conjuntura, a educação foi compreendida como um direito inaliená-
vel, prevendo e partilhando responsabilidades nos setores de investimento e acom-
panhamento das políticas públicas.
A análise dos artigos 205 e 206 da Constituição Brasileira mostram que esses 
se referem à abrangência de todas as possibilidades e condições para a efetivação 
de garantia do direito à educação.
16
17
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será 
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios [...]:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liber-
dade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o 
saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência 
de instituições públicas e privadas de ensino; [...].
Sabendo que todo cu rrículo expressa uma leitura do contexto social, cultural e polí-
tico, a oferta democrática do ensino e a garantia de direitos repercutiram diretamente 
nas discussões sobre o currículo escolar. Para o cumprimento da lei, coube a cons-
trução de um novo currículo, tendo em vista a superação de modelos tradicionais e 
conservadores que, até então, acentuavam ainda mais as diferenças e injustiças sociais.
A organização do ensino em séries, conteúdos rigidamente estabelecidos e um 
sistema de avaliação seletivo, classificatório e meritocrático, acabou constituindo-se 
como uma representação de escola incoerente aos princípios da Declaração Uni-
versal dos Direitos Humanos (1948) e da Constituição Federal (1988).
O caráter reprodutivo e seletivo do sistema educacional denunciado na metade do 
século XX, com a pressão em prol da democratização do ensino e com o reconheci-
mento da educação como direito de todos, pôs adiante uma problemática complexa:
Como desenvolver um currículo de qualidade para todos?
Ex
pl
or
A elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 9.394, de 
20 de Dezembro de 1996, é a primeira lei educacional a explicitar um conceito de 
educação e apontar a garantia de inclusão social. Com o fim do Regime Militar e o 
modelo econômico em processo de transformação, e com a promulgação da Cons-
tituição Federal de 1988, ficou mais que evidente a necessidade de se redefinir os 
rumos da educação no país.
A LDB n.º 9.394/96 apresenta avanços significativos sobre currículo ao assumir a 
concepção de educação em um sentido abrangente, englobando, além do processo de 
escolarização, a formação que ocorre no seio da família, na escola, no trabalho e na 
convivência em geral.
Em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e a 
Constituição Federal (1988), os princípios da LDB n.º 9.394/96 são apresentados 
no Artigo 3º:
17
UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
I. Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pen-
samento, a arte e o saber;
III. Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV. Respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V. Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI. Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII. Valorização do profissional da educação escolar;
VIII. Gestão democrática do ens ino público, na forma desta lei e da 
legislação dos sistemas de ensino;
IX. Garantia de padrão de qualidade;
X. Valorização da experiência extra-escolar;
XI. Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
Uma proposta para a conquista da garantia de um padrão previsto no artigo 206, 
inciso VII, da Constituição Federal, pode ser a implementação da BNCC (Base Na-
cional Comum Curricular) que foi entregue pelo Ministério da Educação ao Conse-
lho Nacional de Educação no dia 6 de abril de 2017. Conforme a Lei n.º 9131/95, 
coube ao CNE, como órgão normativo do sistema nacional de educação, fazer a 
análise da proposta da BNCC para a produção de um parecer e de um projeto de 
resolução que, ao ser homologado pelo Ministro da Educação, transformou-se em 
uma normativa nacional.
O CNE realizou audiências públicas regionais em alguns estados com exclusivo 
caráter consultivo, na intenção de colher subsídios para produzir a norma instituido-
ra da Base Nacional Comum Curricular. Essas audiências foram importantes para 
que os conselheiros entendessem as posições e contribuições provenientes de diver-
sas entidades e atores da sociedade civil e, assim, deliberassem os devidos ajustes 
para adequar a proposta da Base Nacional Comum Curricular, elaborada pelo MEC, 
ponderando as necessidades e diversidades da educação brasileira (BRASIL, 2018).
No dia 22 de dezembro de 2017, foi publicada a Resolução CNE/CP n.º 2, que 
implementa e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular a ser res-
peitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito 
da Educação Básica.  Lembrando que a BNCC aprovada se refere à Educação In-
fantil e ao Ensino Fundamental (BRASIL, 2018). A resolução n.º 2 do CNE institui: 
Art. 1º A presente Resolução e seu Anexo instituem a Base Nacional Co-
mum Curricular (BNCC), como documento de caráter normativo que de-
fine o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais como 
direito das crianças, jovens e adultos no âmbito da Educação Básica escolar, 
18
19
e orientam sua implementação pelos sistemas de ensino das diferentes ins-
tâncias federativas, bem como pelas instituições ou redes escolares. 
Parágrafo Único. No exercício de sua autonomia, prevista nos artigos 12, 
13 e 23 da LDB, no processo de construção de suas propostas pedagó-
gicas, atendidos todos os direitos e objetivos de aprendizagem instituídos 
na BNCC, as instituições escolares, redes de escolas e seus respectivos 
sistemas de ensino poderão adotar formas de organização e propostas de 
progressão que julgarem necessários.
Dessa forma, através dessa resolução, pode-se perceber que as redes e sistemas 
poderão elaborar os seus currículos baseados nas propostas progressivas essenciais 
da BNCC. A nova base tem como proposta estabelecer os objetivos de aprendi-
zagem que todas as escolas do país (públicas e privadas) devem estar preparados 
para garantir aos seus estudantes. Espera-se que a BNCC consiga estabelecer um 
conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os estudan-
tes deverão alcançar em sua trajetória escolar, e que, nesse processo, oriente o de-
senvolvimento e a implementação dos currículos da educação básica dos sistemas 
e das redes das distintas unidades federativas.
Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – https://youtu.be/g2_9XIE18NA
Ex
pl
or
19
UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Currículo Escolar - Elaboração e Implementação na Escola
https://goo.gl/evThoA
Declaração Universal dos Direitos Humanos
https://goo.gl/CquRab
Constituição Federal
https://goo.gl/zaRrL
Constituição Federal - LEI Nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996
https://goo.gl/QvfVfh
Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
https://goo.gl/xlJzrN
20
21
Referências
APPLE, M. A política do conhecimento oficial: faz sentido a ideia de um currículo 
nacional? In: MOREIRA, Antônio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.). Currículo, 
Cultura E Sociedade. São Paulo: Cortez Editora, 1999.
APPLE, M. Ideologia e Currículo. SãoPaulo: Brasiliense, 1982.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília, DF, Senado, 1998
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: 
MEC, 2018. Disponível em: . Acesso em: 09 out. 2018. 
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de Histórica e Cul-
tura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, DF: MEC, 2004. Redação dada pela 
Lei nº. 10.639/2003.
BRASIL. Ministério da Educação. Indagações sobre Currículo: currículo e desen-
volvimento humano. Brasília, DF: Secretaria da Educação Básica, 2007.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio-
nal n.º 9.394, de Dezembro de 1996. Brasília, DF: MEC, 1997.
KISHIMOTO, T. M. Propostas Pedagógicas e Currículo em Educação Infantil. 
Brasília, DF: Secretaria de educação fundamental, 1996.
KRAMER, S. Propostas pedagógicas ou curriculares: subsídios para uma leitura 
crítica. Educação Sociedade. Campinas, ano XVIII, n. 60, dez. 1997.
LOPES, A. C.; MACEDO, E. Teorias de Currículo. São Paulo: Cortez, 2011.
OLIVEIRA, I. B; ALVES, N; BARRETO, R.G (Org.). Pesquisas em Educação 
métodos, temas e linguagens. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
SACRISTÁN, J. Gimeno; GÓMEZ, A. I. Pérez. Compreender e Transformar o 
Ensino. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.
SAVIANI, Demerval. História das Ideias Pedagógicas no Brasil. Campinas, SP: 
Autores Associados, 2007. (Coleção memória da educação)
SILVA, T. T. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 
Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
SILVA, T. T. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 
Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
SOUZA, R. F. Escola e Currículo. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2008.
TORRES, R. M. Que (e como) é Necessário Aprender? Campinas: Papirus, 1995.
21
UNIDADE Currículo: Aspectos Históricos e Legislativos
TV NBR. Lei que inclui Educação Afro-brasileira no Currículo Escolar. 2013. 
(4m06s). Disponível em: . 
Acesso em: 12 mar. 2013.
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UNESCO. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Brasília, DF: ONU, 1948.
YOUNG, M. Knowledge and Control: New directions for the sociology of education. 
London: Ollier-Macmillan, 1971.
22
Escola, Currículo 
e Sociedade
Material Teórico
Responsáveis pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Fabiana Granado Garcia Sampaio
Prof.ª Me. Janaina Pinheiro Vece
Prof.ª Me. Simone Dias da Silva
 
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Currículo: Múltiplas Interpretações 
Curriculares e Desafios da BNCC
• Introdução;
• Currículo: Diferentes Abordagens, Tipos e Níveis;
• Um Novo Suporte para os Currículos: BNCC.
• Tratar das múltiplas interpretações sobre o conceito de currículo, considerando que 
a compreensão conceitual demanda de crenças e concepções educacionais e os de-
safi os da BNCC dentro desse cenário.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Currículo: Múltiplas Interpretações
Curriculares e Desafi os da BNCC
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas:
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Currículo: Múltiplas Interpretações Curriculares e Desafios da BNCC
Contextualização
Quino
Os currículos não são conteúdos prontos a serem passados aos alunos. 
Trata-se de uma construção e seleção de conhecimentos e práticas produzi-
das em contextos concretos e em dinâmicas sociais. (FERNANDES, 2007)
Leia a charge: https://goo.gl/njLUkt
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Considerando a afirmação acima e a indignação que a personagem Mafalda ex-
pressa no desfecho de um momento de curiosidade e descoberta, percebe-se que 
na situação de aprendizagem ilustrada na charge a transmissão de conhecimentos 
representa uma concepção de ensino, o que nos remete à temática dessa Unidade, 
às múltiplas interpretações de currículo.
Para iniciarmos esta unidade, convidamos você a refletir acerca da questão: afi-
nal, quais são essas interpretações sobre currículo?
Informação
Esta unidade de estudo – Currículo: múltiplas interpretações – destaca o caráter 
ideológico e cultural do currículo escolar e sua construção, a qual ocorre a partir de 
múltiplos fatores sociais. Na sequência, apresenta algumas interpretações e aborda-
gens de currículo que se apresentam em diferentes tipos, níveis e categorias. Ao final, 
é apresentada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e sua representação, 
assim como os desafios dessa na atualidade. Apresenta-se ainda um conceito de cur-
rículo escolar plural e integrado em torno das suas principais características.
Durante a leitura, aproveite para registrar os aspectos que achar mais importantes 
e as dúvidas que surgirem.
Boa leitura!
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9
Introdução
O currículo é um campo permeado de ideologia, relações de poder e também é in-
separável da cultura. Tanto a teoria educacional tradicional quanto a teoria crítica veem 
no currículo uma forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma sociedade.
Esse encontro entre a ideologia e cultura se dá em meio a relações de poder na 
sociedade. Por isso, o currículo se torna um terreno propício para a transformação 
ou manutenção das relações de poder e, portanto, para as mudanças sociais.
Deve-se considerar ainda que o currículo se refere a uma realidade histórica, 
cultural e socialmente determinada, e se reflete em procedimentos didáticos e ad-
ministrativos que condicionam sua prática e teorização.
A elaboração de um currículo é um processo social por relacionar-se diretamen-
te com fatores lógicos, epistemológicos, intelectuais e determinantes sociais como 
poder, interesses, conflitos simbólicos e culturais, dirigidos por fatores ligados à 
classe, raça, etnia e gênero.
Sacristán (1998) afirma que:
O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à 
educação, entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos 
alunos; entre a teoria – ideias, suposições e aspirações – e a prática pos-
sível, dadas determinadas condições. (SACRISTÁN, 1998, p. 61)
O conceito de currículo é passível de múlti-
plas interpretaçõese perspectivas, já que sua 
construção está intimamente ligada ao sujeito 
em processo de aprendizagem e ao universo 
de conhecimento. O currículo não é normal-
mente o que se pensa – uma relação de disci-
plinas ou uma lista de coisas a serem ensinadas 
–, é antes de tudo uma construção cultural e, 
para sua eficiência e contribuição social, deve 
ter aplicabilidade e apresentar resultados.
O currículo torna-se um conceito polissêmico pelas diferentes formas como é 
encarado, ao longo do tempo e em função dos diversos contextos sociais, econô-
micos e culturais da sociedade a que se destina.
Figura 1
Fonte: Getty Images
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UNIDADE Currículo: Múltiplas Interpretações Curriculares e Desafios da BNCC
Currículo: Diferentes 
Abordagens, Tipos e Níveis
McNeil (2001) apresenta as diferentes concepções de currículo por meio de uma 
classificação em quatro abordagens distintas:
Currículo Acadêmico
Dentre as orientações curriculares, é 
a que possui maior tradição histórica. 
Sua abordagem se baseia, principalmen-
te, na estrutura do conhecimento, como 
um patrimônio cultural, transmitido às 
novas gerações.
As disciplinas clássicas consagradas 
pela ciência representam ideias e valo-
res que resistiram ao tempo e às mudan- 
ças socioculturais.
Segundo McNeil (2001) a finalidade da educação, segundo o currículo aca-
dêmico, é a transmissão dos conhecimentos vistos pela humanidade como algo 
inquestionável e principalmente como uma verdade absoluta. À escola, cabe de-
senvolver o raciocínio dos alunos para o uso das ideias e processos mais provei-
tosos ao seu progresso.
Currículo Humanístico
Tem como base teórica a tendência educacional denominada Escola Nova, essa 
abordagem defende que o currículo necessita levar em consideração a realidade 
dos alunos.
Para McNeil (2001), no currículo com ênfase humanística, o foco se desloca 
do conteúdo disciplinar para o indivíduo. O aluno é visto como um ser individual, 
dotado de uma identidade pessoal que precisa ser descoberta, construída e ensi-
nada. O currículo tem a função de propiciar experiências gratificantes, de modo a 
desenvolver sua consciência para a libertação e autorrealização.
Currículo Tecnológico
Tem sua base na tendência tecnicista, o comportamento e o aprendizado são 
moldados pelo professor, o detentor do conhecimento, cabe a ele planejar, progra-
mar e controlar o processo educativo; ao aluno, agente passivo, compete absorver 
a eficiência técnica para atingir todos os objetivos propostos.
Figura 2
Fonte: Getty Images
Figura 3
Fonte: Getty Images
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Currículo: Diferentes
Abordagens, Tipos e Níveis
McNeil (2001) apresenta as diferentes concepções de currículo por meio de uma 
classificação em quatro abordagens distintas:
Currículo Acadêmico
Dentre as orientações curriculares, é 
a que possui maior tradição histórica. 
Sua abordagem se baseia, principalmen-
te, na estrutura do conhecimento, como 
um patrimônio cultural, transmitido às 
novas gerações.
As disciplinas clássicas consagradas 
pela ciência representam ideias e valo-
res que resistiram ao tempo e às mudan-
ças socioculturais.
Segundo McNeil (2001) a finalidade da educação, segundo o currículo aca-
dêmico, é a transmissão dos conhecimentos vistos pela humanidade como algo 
inquestionável e principalmente como uma verdade absoluta. À escola, cabe de-
senvolver o raciocínio dos alunos para o uso das ideias e processos mais provei-
tosos ao seu progresso.
Currículo Humanístico
Tem como base teórica a tendência educacional denominada Escola Nova, essa 
abordagem defende que o currículo necessita levar em consideração a realidade 
dos alunos.
Para McNeil (2001), no currículo com ênfase humanística, o foco se desloca 
do conteúdo disciplinar para o indivíduo. O aluno é visto como um ser individual, 
dotado de uma identidade pessoal que precisa ser descoberta, construída e ensi-
nada. O currículo tem a função de propiciar experiências gratificantes, de modo a 
desenvolver sua consciência para a libertação e autorrealização.
Currículo Tecnológico
Tem sua base na tendência tecnicista, o comportamento e o aprendizado são 
moldados pelo professor, o detentor do conhecimento, cabe a ele planejar, progra-
mar e controlar o processo educativo; ao aluno, agente passivo, compete absorver 
a eficiência técnica para atingir todos os objetivos propostos.
Figura 2
Fonte: Getty Images
Figura 3
Fonte: Getty Images
O currículo tecnológico, concebido funda-
mentalmente como método, tem como fun-
ção identificar meios eficientes, programas e 
materiais para alcançar resultados previamen-
te determinados. É expresso de várias formas: 
levantamento de necessidades, plano escolar 
sistêmico, instrução programada, sequências 
instrucionais e avaliação por desempenho.
McNeil (2001) destaca que na perspectiva 
tecnológica de currículo a educação consiste 
na transmissão de conhecimentos, compor-
tamentos éticos, práticas sociais e habilidades 
que propiciem o controle social.
Currículo Reconstrucionista Social
Tem como concepção teórica e meto-
dológica a tendência histórico-crítica e tem 
como objetivo principal a transformação 
social e a formação crítica do sujeito.
Para McNeil (2001), o reconstrucionismo 
social concebe homem e mundo de forma 
interativa, que a sociedade injusta e alienada 
pode ser transformada à medida que o sujeito, 
por meio da reflexão e consciência crítica, se 
assume como autor de seu próprio destino.
Nessa perspectiva, a educação, é o agente social que promove mudanças. A visão 
social da educação e currículo consiste em provocar no indivíduo atitudes reflexivas 
sobre si e sobre o contexto em que está inserido, objetivando a intervenção conscien-
te e libertadora sobre si e a realidade, de modo a alterar a ordem social.
Sintetizando
Quadro 1
Currículo Acadêmico Currículo Humanístico Currículo Tecnológico
Currículo 
Reconstrucionista Social
 · Tendência Tradicional;
 · Foco na transmissão
de conhecimentos.
 · Tendência Escola Nova;
 · Foco no aluno.
 · Tendência Tecnicista;
 · Foco no método e na 
padronização do saber;
 · Aluno passivo.
 · Tendência Histórico-
Crítica;
 · Foco na formação 
crítica do sujeito e na 
transformação social.
Antes, porém, de analisarmos os demais aspectos sobre o currículo, examinare-
mos o tema central das discussões: o currículo escolar.
Figura 4
Fonte: Getty Images
11
UNIDADE Currículo: Múltiplas Interpretações Curriculares e Desafios da BNCC
Não há um consenso sobre o que é currículo, Moreira (1997, p. 11) escla-
rece que isso ocorre por ser um conceito complexo, embora ressalte que as 
definições de currículo geralmente abrangem “um conhecimento escolar e ex-
periências de aprendizagem”.
No enfoque do conhecimento escolar, o currículo é o conhecimento tratado 
pedagógica e didaticamente pela escola e que deve ser aprendido e aplicado pelo 
aluno. Já no enfoque das experiências de aprendizagem, o currículo passa a sig-
nificar o conjunto de experiências a serem vividas pelo educando sob a orientação 
da escola.
De modo geral, pode-se tentar enquadrar o significado de currículo escolar em 
duas perspectivas:
I. O currículo é identificado como um plano estruturado e organizado cuja 
elaboração deve seguir duas regras: a previsão e a precisão dos resultados;
II. O currículo representa um conjunto de experiências educativas, identi-
ficando-se como uma ideia em permanente construção e reformulação.
Na primeira perspectiva, o currículo é identificado como um conjunto de conteú-
do a ensinar e como um plano de ação, correspondendo a um plano de estudos ou 
a um programa, estruturado e organizado a partir de objetivos, conteúdos e ativida-
des. Na segunda perspectiva, o currículo assume propósitos flexíveis e refere-se ao 
conjunto de experiências educativas vividas pelos alunos no contexto escolar, em 
uma proposta global do currículo ao contexto em que ele é desenvolvido, valorizan-
do o papel do educador e educando, tendo em conta a importância de considerar 
suas experiências, saberes, atitudese crenças.
Alguns estudos realizados sobre o currículo escolar a partir das décadas de 1960 e 
1970 destacam a existência de vários níveis de currículo escolar: formal, real e oculto.
Currículo Formal
Esse nível refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino, é ex-
presso em diretrizes curriculares, objetivos e conteúdos das áreas e disciplinas. É o 
currículo prescrito que traz institucionalmente conjuntos de diretrizes educacionais 
como os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), o Referencial Curricular Na-
cional para Educação Infantil (1998) e a Base Nacional Comum Curricular (2017).
O currículo formal se apresenta como o currículo vigente e é transmitido aos 
professores na forma de guias de ensino, projetos e livros didáticos. A partir de 
2017, com o documento da BNCC aprovado passa a ser uma referência nacional 
obrigatória para processos de elaboração de currículo e materiais didáticos, de 
políticas de formação de professores, além de estabelecer critérios para avaliações 
externas. Vale ressaltar que ele não constitui um currículo, mas é suporte para a 
elaboração dos currículos estaduais e municipais. 
12
13
Currículo Real
É o currículo que acontece dentro da sala 
de aula com professores e alunos a cada dia 
em decorrência de um projeto pedagógico 
e dos planos de ensino, corresponde ao 
currículo operacional.
A passagem entre o que é e o que se 
deseja, entre o ideal e o real, a teoria e a 
prática, determinam o currículo real.
[...] é a efetivação do que foi planejado, mesmo que nesse caminho do 
planejar e do executar aconteçam mudanças, intervenção da própria 
experiência dos professores, decorrentes dos seus valores, crenças, 
significados. É currículo que sai da prática dos professores, da percepção 
e do uso que fazem do currículo formal, assim como o que fica na 
percepção dos alunos. (LIBÂNEO, 2004, p. 172)
Currículo Oculto
É o termo utilizado para denominar as 
influências que afetam a aprendizagem 
dos alunos e o trabalho dos professores.
O currículo oculto representa tudo o que 
os alunos aprendem diariamente em várias 
práticas, atitudes, comportamentos, gestos, 
percepções, que vigoram no meio social e 
escolar. O currículo é oculto porque ele não 
aparece no planejamento do professor, 
mas sim nas relações cotidianas.
O currículo oculto é representado pelas influências que afetam a aprendizagem 
dos alunos e o trabalho do professor proveniente da experiência cultural, dos 
valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciado na 
própria escola, ou seja, das práticas e experiências compartilhadas em escola 
e na sala de aula. (LIBANEO, 2004 p. 172)
Segundo Silva (2003), o currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos 
do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, 
de forma implícita, para aprendizagens sociais relevantes.
Assim o currículo escolar associa-se a um conjunto de esforços pedagógicos, 
podemos afirmar que é por intermédio do currículo que as “coisas” acontecem na 
escola. Daí a necessidade de constantes discussões e reflexões sobre o currículo, 
tanto o formalmente planejado e desenvolvido quanto o currículo oculto.
Figura 5
Fonte: Getty Images
Figura 6
Fonte: Getty Images
13
UNIDADE Currículo: Múltiplas Interpretações Curriculares e Desafios da BNCC
De acordo com Sacristán (1998), o currículo escolar se define a partir da atividade 
de diferentes profissionais da educação, com competências e características 
múltiplas de intervenção, dispondo de mecanismos de ação e decisão próprios. 
Também apresenta outra distinção que ajuda a compreender os diferentes tipos de 
decisões e práticas que intervêm em cada nível de objetivação do currículo. Assim, 
esse autor considera:
Quadro 2
a. Currículo prescrito: conjunto de prescrições ou orientações gerais definidas em um nível oficial;
b. Currículo apresentado: conjunto de materiais pedagógicos, tais como guias de ensino e livros didáticos, elaborado 
com o objetivo de traduzir para os professores o significado e os conteúdos do currículo prescrito;
c. Currículo moldado: cada professor molda o currículo com base na sua cultura profissional, nas orientações oficiais e 
nos conteúdos de guias e materiais didático-pedagógicos; refere-se aos planos de ação elaborados pelos docentes;
d. Currículo em ação: concretização curricular que ocorre com a prática pedagógica em sala de aula. É o fazer 
pedagógico propriamente dito;
e. Currículo realizado: o que é possível e passível de ser efetivado no período letivo e que se traduz nas aprendizagens 
dos alunos em relação aos conhecimentos trabalhos nas instituições educativas;
f. Currículo avaliado: evidencia a relação entre currículo e as avaliações realizadas, pois trata do currículo formulado 
para atender às expectativas dos processos internos e externos de avaliação.
Um currículo educacional não existe fora do contexto histórico social ao qual 
ele se destina. A política e os mecanismos educacionais intervêm na modelação do 
currículo e em determinadas concepções de educação.
A organização do currículo reflete as demandas da sociedade para atender às 
múltiplas transformações e mudar a prática educativa. Essas modificações interfe-
rem diretamente no papel da escola e do educador, pois o sucesso de uma mudan-
ça curricular requer coerência e fundamentação para possibilitar sua aplicação e a 
obtenção de resultados positivos. 
Na década de 1990, a educação brasileira passou por transformações impac-
tantes e necessárias para atender às solicitações sociais e educacionais. A promul-
gação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e a publicação 
dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e do Referencial Curricular Nacional 
para Educação Infantil (RCNEI) causaram um grande movimento pela reorgani-
zação curricular do ensino no país, sendo as discussões a respeito das múltiplas 
concepções de currículo palco dessas mudanças.
Mudanças na proposta curricular acarretam prescrições mínimas e diretrizes cur-
riculares, isso implica em regulações nos conteúdos, nas aprendizagens básicas e 
nas orientações pedagógicas que podem ser complementadas por uma parte diver-
sificada para atender à heterogeneidade cultural, mas não as substituir.
O currículo prescrito impõe conteúdos mínimos na intenção de respeitar a 
igualdade de oportunidades de aprendizagem na rede pública e privada de ensino, 
mas a concretização de uma reorganização curricular dentro dos sistemas supõe 
condicionar o ensino, ou seja, mediar as mudanças prescritas.
14
15
Mesmo após um longo período desde a elaboração dos PCN (1997) e do RCNEI 
(1998), as escolas ainda buscavam organizar seus planos de ensino procurando 
atender as prescrições e orientações desses documentos, pois tais documentos não 
apresentam currículos prontos para orientar as escolas e seus professores quanto 
ao que e como ensinar.
Além disso, pesquisas apontavam para a enorme distância existente entre currí-
culos prescritivos (os dos documentos oficiais) e currículos reais (os da sala de aula, 
que os professores realizam), como também entre a realidade vivida pelos alunos e 
os conteúdos que constituem os currículos escolares.
Essa distância ocorre, principalmente, pelo processo de globalização dos últimos 
anos e pelo avanço tecnológico. Daí, a necessidade de regulações nos currículos 
prescritos, tendo como base as demandas sociais e os interesses e as necessidades 
dos alunos e da comunidade escolar. 
Um Novo Suporte para os Currículos: BNCC
Partindo desse pressuposto, a BNCC está sendo apresentada como uma aposta 
de mudança na elaboração dos currículos, a partir do estabelecimento de obje-
tivos educativos a serem garantidos para todos os brasileiros como elemento de 
equidade e promoção da qualidade da educação para todos. Essas expectativas se 
efetivam nesse documento apresentando aprendizagens obrigatórias para todos os 
níveis e escolas de todo o país.
Antes da publicação da BaseNacional Comum Curricular, o que ocorria dentro 
das instituições escolares, com a ausência de um referencial curricular obrigatório, 
era que os processos de aprendizagem eram definidos por duas fontes principais: 
por um lado, os livros didáticos, que constituíam uma proposta pedagógica de um 
currículo não declarado; e também pelas matrizes de avaliação padronizadas. 
Isso contribuiu para dois efeitos negativos: 
• primeiro, as avaliações padronizadas mensuram somente uma parte do que 
os sistemas educativos devem ensinar. Como culminância, aquilo que não 
entra na matriz avaliativa tende a não ser ensinado, uma vez que a mensagem 
transmitida é que seria de menos importância por não ser avaliada. O agravante 
é que nessa categoria não se enquadram várias aprendizagens procedimentais, 
de desenvolvimento de habilidades, atitudes, que, por não serem mensuradas, 
são retiradas desse tipo de avaliação em larga escala;
• e em segundo lugar, também é impossível que provas padronizadas 
contemplem todos os saberes importantes para todas as comunidades, de 
modo que muitos conhecimentos são desconsiderados devido a sua pouca 
importância e, consequentemente, eliminados.
15
UNIDADE Currículo: Múltiplas Interpretações Curriculares e Desafios da BNCC
Com a implementação da BNCC em 2017, os estados e municípios terão uma 
grande responsabilidade de desenvolver os seus currículos de forma a dar significado 
e qualidade ao ensino nas escolas, respeitando a diversidade de características 
regionais e continentais e, ao mesmo tempo, considerando a base de equidade de 
habilidade e competências propostas no documento.
Afinal o que documentos curriculares devem conter?
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De acordo com Moder (2017), contêm:
• Expectativas: projeções do que se espera que aconteça com a aprendizagem 
do estudante, dando clareza sobre o ponto de desenvolvimento das aprendiza-
gens ao qual precisam estrategicamente conduzir seus educandos;
• Experiências: o currículo em si não prescreve experiências, no entanto, to-
das as expectativas de aprendizagem pressupõem uma base de experiências 
escolares que devem ser levadas em consideração. Por exemplo, a maioria 
dos currículos que vigoram em todo mundo contém expectativas de aprendiza-
gem referidas a valores da sociedade, o que alguns chamam de competências 
sociais ou habilidades interpessoais e outros, competências do século XXI. 
De maneira geral, os currículos estabelecem entre suas expectativas de apren-
dizagem algumas que não se desenvolvem isoladamente.
Se pensarmos no desenvolvimento do pensamento crítico, sendo uma vertente 
fundamental para a participação democrática atual, esse é citado na maioria dos 
documentos curriculares atuais, porém é elemento que não se desenvolve somente 
com uma aula de uma determinada disciplina, pois não existe a “matéria de pensa-
mento crítico” e são muitos os fatores que culminam para o seu desenvolvimento.
Então, como se estabelecem esse tipo de aprendizagem e seus desdobramentos?
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Na verdade, pressupõe que na escola exista o movimento de desenvolver esse 
pensamento crítico, ou seja, os professores proporcionem momentos de leitura 
reflexiva, comparando diferentes versões sobre um mesmo tema. Desse modo, ofe-
rece condições e espaços para que os educandos possam opinar e contrapor suas 
opiniões com as de seus companheiros. Assim, para que estimule o pensamento 
democrático, os estudantes deverão ter vivências nas quais vivam a democracia, 
com suas responsabilidades e direitos, e a instituição escolar, sendo o cenário para 
reforçar tais aprendizagens.
De acordo com Moder (2017), para delimitar a amplitude das expectativas a 
serem indicadas, é relevante ter clareza sobre algumas diferenciações. Dentro do 
processo educacional, há três universos gerais que possibilitam que esse processo 
se estabeleça e que os alunos aprendam – que é o sentido final da educação.
Esses universos a serem apresentados a seguir não são fragmentados e estan-
ques. As linhas divisórias entre eles são sutis e tendem a se diluir, não ficando claro 
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onde termina um e inicia o outro. Diversas vezes, essa divisão também é motivo de 
deliberações das equipes de profissionais que desenvolvem ou gerenciam o currículo. 
• Universo curricular: compreendem-se as expectativas e as definições sobre 
o que se almeja atingir com a aprendizagem dos estudantes, bem como sobre 
os elementos que norteiam os educadores direcionando, assim, o seu trabalho;
• Universo didático: refere-se às condições e às estratégias que serão empre-
gadas na prática para que as aprendizagens possam acontecer. É o lugar prin-
cipal para as decisões dos docentes, com o estabelecimento de estratégias, o 
que permitirá que os alunos alcancem as aprendizagens definidas ou descritas 
no currículo;
• Universo avaliativo: refere-se às informações que o educador e o sistema 
podem colher sobre o que ocorre com os alunos em seu processo de aprendi-
zagem; são, contudo, importantes para garantir o sucesso das aprendizagens. 
Tanto as avaliações realizadas pelos educadores quanto as avaliações padroni-
zadas possuem função significativa no processo de aprendizagem ao disponibi-
lizar informações sobre as quais são os avanços e as dificuldades que os alunos 
estão enfrentando em seu processo de aprendizagem. Esse é o verdadeiro foco 
da avaliação junto ao currículo.
A BNCC foi elaborada para garantir a efetivação dos direitos de aprendizagem, 
com a intenção de articular de forma efetiva os universos citados acima. Além disso, 
desencadeia uma série de processos nas diferentes instâncias educativas que devem 
convergir na intenção do desenvolvimento integral dos alunos. Veja no diagrama 
a seguir a amplitude de responsabilidades de diversas instâncias para o sucesso da 
implementação do documento:
Figura 7
Fonte: BNCC, 2018
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UNIDADE Currículo: Múltiplas Interpretações Curriculares e Desafios da BNCC
Ao observar o diagrama, pode-se perceber o grande movimento mobilizador, 
na parte mais externa do círculo, de órgãos responsáveis pela elaboração e imple-
mentação da BNCC, como o Ministério da Educação (MEC), o Conselho Nacional 
de Educação (CNE), o Conselho Nacional de Secretário de Educação (CONSED), 
a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) e as secreta-
rias municipais e estaduais de Educação, além da participação de pesquisadores, 
das organizações sociais, de equipes gestoras e professores que participaram das 
consultas públicas promovidas pelo CNE e seminários organizados pelo CONSED 
e pela UNDIME.
Depois desse movimento inicial, na parte mais interna (de azul mais claro e 
verde claro), temos uma marcação direcionada ao movimento da reelaboração 
do currículo de estados e municípios e a revisão de políticas de formação para 
profissionais da rede, o que acarreta a revisão dos Projetos Políticos-pedagógicos 
(PPPs) e de outros documentos que orientam a prática de ensino das instituições 
escolares. De amarelo, constitui a atuação dos professores, que além de participar 
do acompanhamento do processo de consultas públicas, também promoverá o 
desenvolvimento das competências expressas no documento, na sala de aula. É 
fundamental que a equipe gestora e professores conheçam e compreendam a 
proposta, a estrutura e a lógica da organização do documento para a efetivação 
qualitativa da aprendizagem do aluno. 
Para reforçar todo esse conhecimento que você adquiriu sobre a BNCC, assista o vídeo:
BNCC Apresentação 
https://youtu.be/TVHrqfwa6UQ;
Qual é o papel da BNCC?
https://youtu.be/0_Ou-JqbWTM.
Ex
pl
or
Será que posso, como professor, implementar o currículo de forma a contribuir com a equi-
dade de ensino? De acordo com tudo que você estudou, na sua opinião, a BNCC pode fazer 
parte desse processo de melhoria?
Ex
pl
or
Nessa perspectiva do currículo, entendendo ser 
esse um plano que resulta de um modelo explicativo 
para o que deve ser ensinado e aprendido, a partir 
de indagações como:
Visto como uma prática, o currículotraz, então, 
outras perspectivas diante de uma visão mais 
pedagógica, justamente devido ao fato de ser ele o 
responsável por tudo o que envolva a educação de 
uma forma geral.
O quê? Para quem? Por quê? 
Quando e como o currículo será 
oferecido e utilizado?
Figura 8
Fonte: Adaptado de Getty Images
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Como destaca Sacristán (2000, p.15), “o currículo é a forma de ter acesso 
ao conhecimento, não podendo esgotar seu significado em algo estático, mas 
através das condições em que se realiza como uma forma particular de entrar em 
contato com a cultura.” O currículo deve ser entendido de uma forma concreta e 
dinâmica, que necessita de adaptações constantes para sua implementação nos 
espaços educativos.
Todas as concepções de currículo aqui comentadas mostram uma pequena parte 
da amplitude de seus significados. O currículo é o coração da escola e o caminho 
que todos percorrem, nos diferentes níveis do processo educacional, sendo o pro-
fessor peça fundamental na construção desse. Por isso, deve haver compromisso, 
participação crítica e colaborativa na elaboração ou regulações de currículos, para 
que sejam mais adequados para a atual conjuntura histórico-social e aos interesses 
e demandas da comunidade escolar.
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UNIDADE Currículo: Múltiplas Interpretações Curriculares e Desafios da BNCC
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Vídeo da Base Nacional Comum Curricular feito pelo Ministério da Educação
https://youtu.be/g2_9XIE18NA
Vídeo da UNIVESP sobre os desafios da Educação e a BNCC
https://youtu.be/bVTeB5y7Qwg
 Leitura
Indagações Sobre Currículo
Acessando o link a seguir, você terá a oportunidade de saber um pouco mais sobre as 
concepções curriculares.
https://goo.gl/SvvFer
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
https://goo.gl/zaRrL
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Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio-
nal n.º 9.394, de dezembro de 1996. Brasília, DF: MEC, 1996.
BRASIL. Parecer 22/98, discute as Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação Infantil. Brasília, DF: CNE/CEB, 1998.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacio-
nais. Brasília: MEC/SEF, 1997.
FERNANDES, Cláudia de Oliveira. Indagações sobre currículo: currículo e ava-
liação. Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007.
GASPAR, M. I.; ROLDÃO. M. C. Elementos de Desenvolvimento Curricular. 
Lisboa: Universidade Aberta, 2007.
LIBÂNEO, J. C. Organização e Gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiâ-
nia: Alternativa, 2004.
MCNEIL, J. O currículo. Campinas, SP: Editora, 2001.
MODER, Max. Reflexões de apoio para o desenvolvimento curricular no Bra-
sil: guia para gestores educacionais. Brasília, DF: Undime, 2017. 
MOREIRA, A. F. B. (Org.). Currículo: questões atuais. Campinas, SP: Papirus, 1997.
PEREZ, Tereza (Org.). BNCC – A Base Nacional Comum Curricular na prática da 
gestão escolar e pedagógica. São Paulo: Moderna, 2018.
ROLDÃO, M. C. Diferenciação Curricular Revisitada: conceito, discurso e prá-
xis. Porto: Porto Editora, 2003.
SACRISTÁN, J. Gimeno. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise 
da prática? In: PÉREZ GÓMEZ, A. I.; SACRISTÁN, J. Gimeno. Compreender e 
transformar o ensino. Porto Alegre: Artmed, 1998.
SACRISTÁN, J. Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: 
Artmed, 2000.
SILVA, T. T. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 
Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
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Escola, Currículo 
e Sociedade
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Fabiana Granado Sampaio
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
• Introdução;
• Sintetizando;
• O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI);
• Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental ;
• As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e a 
Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
• Apresentar os aspectos legislativos que fixam a necessidade de conteúdos mínimos a serem desenvolvi-
dos nos planos curriculares das escolas estaduais e municipais; 
• Abordar ainda dois documentos que regem o currículo oficial, sendo eles o Referencial Curricular Nacional 
para a Educação Infantil (1998) e os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (1997) 
e a Base Nacional Comum Curricular (2017).
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
O Currículo Escolar e os Documentos Ofi ciais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE O Currículo Escolar e os Documentos Oficiais: 
Educação Infantil e Ensino Fundamental
Contextualização
Assim como a tirinha apresentada no link abaixo, cujo o personagem coloca 
diversas inquietações sobre o contexto escolar, assim, existem diversas inquietações 
acerca do currículo escolar: O quê? Como? Para quê? Por quê? E para quem en-
sinar? São alguns dos questionamentos que permeiam cotidianamente o trabalho 
dos professores e da equipe pedagógica das escolas.
https://goo.gl/FgMwbA
Ex
pl
or
Para sanar ou alimentar ainda mais as discussões sobre currículo, conheceremos 
alguns documentos oficiais que subsidiam e definem conteúdos mínimos ao público 
da educação infantil e do ensino fundamental no Brasil.
Pronto para esta unidade?
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Introdução
O resgate histórico sobre o currículo escolar evidencia os desafios enfrentados 
nas últimas décadas em busca da garantia de uma escola democrática, em que 
todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade. O ano de 1980, 
palco de grandes conquistas nos âmbitos educacional, econômico, político e social 
no Brasil, foi um “divisor de águas” no que se refere à democratização do Ensino 
Fundamental, atendendo às prescrições legais da educação como um direito social.
A proposta de criação de uma base curricular não é recente. As discussões acer-
ca do currículo escolar acompanham a Constituição Federal de 1988 que, desde 
então, determinou em seu Artigo 210 o dever do Estado em fixar “conteúdos 
mínimos para o Ensino Fundamental, de maneira a assegurar a formação básica 
comum e respeito

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