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ANAIS DO SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE AUTOMAÇÃO E REDES INDUSTRIAIS | 2026 Análise de Desempenho e Coexistência dos Protocolos PROFINET IRT e OPC UA FX na Arquitetura Field-to-Cloud Prof. Dr. Fernando A. Rezende 1 , Eng. Mariana L. Mendes 2 RESUMO A convergência das redes operacionais (OT) e de TI nas indústrias 4.0 impõe o desafio de integrar protocolos determinísticos de nível de campo com especificações universais de interoperabilidade. Este artigo apresenta um estudo comparativo e de coexistência entre o PROFINET Isochronous Real-Time (IRT) e o protocolo emergente OPC UA Field eXchange (FX) sobre redes Ethernet TSN. Através de bancada experimental composta por CLPs e módulos de E/S remotos, quantificou-se a latência determinística, a taxa de perda de pacotes e o impacto no tráfego de monitoramento em nuvem. Constatou-se que o OPC UA FX atinge latências determinísticas comparáveis ao PROFINET IRT (abaixo de 250 µs), com a vantagem de prover semântica unificada da borda à nuvem. Palavras-chave: PROFINET IRT, OPC UA FX, TSN, Determinismo, Indústria 4.0. 1. INTRODUÇÃO Durante décadas, a automação industrial utilizou redes de barramento de campo proprietárias e, posteriormente, variações de Ethernet Industrial para atender aos requisitos de tempo real estrito do chão de fábrica. O PROFINET IRT estabeleceu-se como a tecnologia dominante para acionamentos e controle de alta velocidade, utilizando multiplexação por divisão de tempo (TDMA) personalizada integrada em ASICs proprietários (como o chaveador ERTEC). Contudo, a proliferação da IIoT e das arquiteturas em nuvem exigiu um padrão de comunicação verdadeiramente interoperável que elimine os *gateways* de tradução de dados. A iniciativa Field Level Communications (FLC) do OPC Foundation introduziu o OPC UA Field eXchange (FX), estendendo o OPC UA para o nível de atuadores e sensores com suporte nativo a TSN. 2. MAPEAMENTO DE ARQUITETURAS A principal diferença entre os dois protocolos reside no empilhamento de camadas e na representação dos dados na rede. O PROFINET IRT contorna completamente as camadas de transporte e rede do modelo OSI, mapeando os quadros determinísticos diretamente na camada de enlace Ethernet (EtherType 0x8892), utilizando fatiamento temporal rígido. Por outro lado, o OPC UA FX utiliza o modelo Publish-Subscribe (PubSub) sobre Ethernet TSN (IEEE 802.1Qbv) ou UDP/IP, encapsulando metadados semânticos completos no próprio pacote, o que reduz a necessidade de engenharia no recebimento dos dados na nuvem. Simpósio Internacional de Automação e Redes Industriais Página 1 de 4 3. CONFIGURAÇÃO EXPERIMENTAL Para realizar os testes de coexistência e latência, foi montada uma topologia de rede em linha contendo 6 nós de E/S industriais e 2 Controladores Lógicos Programáveis (CLPs) operando em regime cíclico de 1 ms. CLP Master Switch TSN IEEE 802.1Qbv Remota E/S PROFINET + OPC UA Cloud Gateway Figura 1: Bancada experimental para avaliação de convergência OT/TI. O comutador TSN foi configurado com um escalonador de portas (*Time-Aware Shaper*) dividindo a janela temporal de 1000 µs em três fases distintas: 1. Janela Isochronous (PROFINET IRT / OPC UA FX PubSub - 400 µs); 2. Janela de Comunicação Cíclica Standard (300 µs); 3. Janela Aberta para Tráfego Best-Effort / Cloud (300 µs). 4. MEDIÇÕES DE LATÊNCIA E JITTER As amostras de tempo foram capturadas via analisador lógico de protocolos conectado aos pontos TAP (Test Access Point) da rede. Métrica do Ensaio PROFINET IRT OPC UA FX (TSN) Latência Média (µs) 124.5 142.1 Jitter Máximo (µs) 0.08 0.45 Tamanho do Header (Bytes) 28 78 Eficiência de Carga Útil 82 % 64 % Interoperabilidade Multivendor Limitada Nativa / Total Apesar do PROFINET IRT apresentar um *overhead* de cabeçalho menor e um *jitter* imperceptível, o OPC UA FX demonstrou desempenho plenamente satisfatório para aplicações de automação com tempos de ciclo abaixo de 500 µs. Simpósio Internacional de Automação e Redes Industriais Página 2 de 4 5. COEXISTÊNCIA SOBRE A MESMA INFRAESTRUTURA O ensaio mais crítico consistiu em injetar simultaneamente tráfego PROFINET IRT e OPC UA FX no mesmo meio físico, juntamente com requisições HTTP e MQTT em direção à nuvem. Sem o uso do mecanismo IEEE 802.1Qbv no switch, a colisão de pacotes de dados provocou a perda de frames do PROFINET IRT, levando o CLP ao estado de falha de comunicação (*bus failure*). Contudo, ao habilitar o escalonamento TSN, ambos os protocolos operaram de forma perfeitamente isolada e determinística, comprovando a eficiência do fatiamento temporal. IRT / FX (Protected) Cyclic Data Cloud / IIoT Traffic Ciclo Repetitivo de 1.000 µs (1 ms) Sem colisões OT Figura 2: Alocação do ciclo TSN para garantia de determinismo compartilhado. 6. ANÁLISE DE CUSTO-BENEFÍCIO SEMÂNTICO Embora o PROFINET IRT apresente ligeira vantagem em velocidade pura de transmissão, o processamento dos dados exige a importação manual de arquivos GSDML nos sistemas SCADA e supervisórios de nível superior. O OPC UA FX elimina esse passo estrutural através de seus *Information Models* padronizados. Dispositivos de campo auto-descrevem suas variáveis (como temperatura, pressão ou status do atuador), disponibilizando o modelo estruturado para aplicações analíticas na nuvem sem intermediários. Fator de Avaliação PROFINET IRT OPC UA FX Custo de Engenharia Médio / Alto Baixo Dependência de ASIC Sim (ERTEC/TPS) Não (Standard Ethernet) Mapeamento em Nuvem Exige Gateway Direto via MQTT/JSON Simpósio Internacional de Automação e Redes Industriais Página 3 de 4 7. CONCLUSÕES Este estudo demonstrou que a transição dos sistemas de redes industriais baseados em arquiteturas proprietárias para redes abertas convergentes é tecnicamente viável e altamente benéfica. O protocolo OPC UA FX sobre Ethernet TSN comprovou sua capacidade de executar tarefas de controle dinâmico em tempo real estrito com latências na ordem de 140 µs, mantendo total convergência com o tráfego corporativo e de nuvem. Para instalações existentes (*brownfield*), a coexistência entre o PROFINET IRT e o OPC UA FX no mesmo meio físico é garantida com a adoção de switches habilitados com o padrão IEEE 802.1Qbv. AGRADECIMENTOS Trabalho financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e pela Associação de Tecnologias de Automação. REFERÊNCIAS [1] PROFIBUS & PROFINET International, "PROFINET Design and Commissioning Guideline," Version 2.4, 2021. [2] OPC Foundation, "OPC UA Field eXchange (FX) Technical White Paper," Part 80, 2023. [3] Bruckner, D. et al., "TSN Standards and Their Application in Automation," Proceedings of the IEEE, vol. 107, no. 6, pp. 1110-1122, 2019. Simpósio Internacional de Automação e Redes Industriais Página 4 de 4