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RESUMO História do Serviço Social
3 pág.

Trabalho Social • Universidade Estácio de SáUniversidade Estácio de Sá

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## Resumo sobre a História do Serviço Social no Brasil a partir do livro *Relações Sociais e o Serviço Social no Brasil* (Marilda Iamamoro e Raul de Carvalho)O livro *Relações Sociais e o Serviço Social no Brasil* apresenta uma análise histórica e metodológica da profissão de Serviço Social no país, com foco no período entre 1930 e 1960, contextualizando-a dentro das transformações econômicas, sociais e políticas do capitalismo brasileiro. A obra, fruto de uma pesquisa vinculada ao Centro Latino Americano de Trabajo Social (CELATS), utiliza o materialismo dialético de Karl Marx como base teórica para compreender o Serviço Social como um instrumento das classes dominantes para exercer seu poder e controlar as relações sociais, especialmente diante das mudanças provocadas pelo aprofundamento do capitalismo.Os autores destacam que o Serviço Social não surgiu como um movimento homogêneo, mas sim com tendências internas diversas, refletindo as contradições da sociedade capitalista. A profissão se desenvolveu em meio à expansão industrial e urbana, acompanhando a emergência das novas classes sociais, como o proletariado e a burguesia industrial, e as transformações no Estado, que passou a intervir diretamente nas relações entre capital e trabalho. Nesse contexto, o Serviço Social se consolidou como uma profissão vinculada tanto ao setor público quanto a organizações patronais privadas, atuando como parte do aparato estatal e empresarial, com o assistente social assumindo o papel de trabalhador assalariado a serviço dessas instituições.### Produção social e reprodução das relações sociaisA análise do livro parte do conceito marxista de que a produção é uma atividade social e histórica, que envolve a reprodução das relações sociais de produção. Isso significa que a produção não é apenas a criação de bens materiais, mas a manutenção e transformação das relações entre as classes sociais, especialmente entre capital e trabalho assalariado, que são interdependentes e contraditórios. A reprodução dessas relações sociais abrange todos os aspectos da vida cotidiana — trabalho, família, lazer, educação, poder — e o Serviço Social se insere nesse processo como uma profissão que atua na reprodução do modo de vida capitalista.O Serviço Social, portanto, não pode ser pensado isoladamente, desvinculado das instituições às quais está ligado, pois sua prática está inserida em organizações estatais e privadas que refletem e reproduzem as relações de poder da sociedade. A regulamentação da profissão no Brasil, por meio da Portaria 35 de 1949, a enquadra como uma profissão liberal, embora sua prática não tenha as características típicas das profissões liberais tradicionais. Ainda assim, o Serviço Social mantém traços como a existência de um código de ética, a possibilidade de intervenção técnica com certa autonomia, e a fluidez do que constitui sua prática profissional, o que abre espaço para propostas que ultrapassem as demandas institucionais.### Serviço Social, controle social e ideologiaO Serviço Social no Brasil se posiciona historicamente como uma atividade auxiliar no exercício do controle social e na difusão da ideologia da classe dominante junto à classe trabalhadora. O assistente social, dependendo de sua orientação política, pode atuar como mediador dos interesses do capital ou do trabalho, podendo ser um intelectual orgânico a serviço da burguesia ou das forças populares emergentes. Essa dualidade reflete o antagonismo fundamental entre capital e trabalho, que permeia a trajetória da profissão.Na prática, o assistente social está vinculado a instituições estatais, paraestatais ou privadas, dedicando-se ao planejamento e operacionalização de serviços sociais. Ele exerce funções técnicas e de suporte à racionalização dessas entidades, atuando como agente institucional na linha de frente das relações entre a instituição e a população. O profissional detém um poder institucional para discriminar quem tem direito a participar dos programas sociais, selecionando os mais necessitados diante da insuficiência dos recursos disponíveis. Assim, o assistente social é chamado a ser um "fiscalizador da pobreza", verificando a real situação dos usuários para evitar fraudes e garantir o uso racional dos recursos, o que evidencia seu papel ambíguo entre controle social e assistência.### Conclusões e implicaçõesA revisão histórica do Serviço Social no Brasil revela que a profissão tem sido, em sua maioria, um instrumento para reforçar os mecanismos de poder econômico, político e ideológico das classes dominantes, subordinando a população trabalhadora às suas diretrizes. No entanto, o assistente social também pode assumir um papel crítico e transformador, apoiando a organização e luta dos trabalhadores e propondo alternativas políticas que desafiem o status quo. A compreensão da trajetória histórica da profissão é fundamental para que os profissionais do Serviço Social possam construir uma atuação atual que seja descentralizada, intelectual, digna e propositiva, capaz de dialogar com as contradições sociais e contribuir para a transformação da realidade.---### Destaques- O Serviço Social no Brasil se desenvolveu como profissão vinculada ao Estado e a organizações privadas, refletindo as relações de poder do capitalismo industrial e financeiro.- A profissão é entendida como parte do processo de reprodução das relações sociais, atuando na manutenção do modo de vida capitalista e no controle social da população trabalhadora.- Regulamentado como profissão liberal, o Serviço Social mantém características específicas, como autonomia técnica e fluidez na definição de sua prática.- O assistente social exerce um papel ambíguo, podendo ser agente da ideologia dominante ou apoiador das forças populares, dependendo de sua orientação política.- A trajetória histórica da profissão evidencia a necessidade de atualização crítica para que o Serviço Social contribua para a transformação social e a emancipação dos trabalhadores.

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