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JULGADO RELEVANTE 
Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JULGADO RELEVANTE 
Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
É constitucional o sequestro de verbas públicas pela autoridade judicial competente nas hipóteses 
do §4º do art. 78 do ADCT, cuja normatividade veicula regime especial de pagamento de 
precatórios de observância obrigatória por parte dos entes federativos inadimplentes na situação 
descrita pelo caput do dispositivo. 
 
O julgamento sobre a constitucionalidade do sequestro de verbas públicas pela autoridade 
judicial, quando o ente federativo não adere ao regime especial de parcelamento de precatórios, 
abordou questões centrais que envolvem a obrigatoriedade do regime de parcelamento e a 
possibilidade de sequestro de verbas públicas, mesmo sem adesão formal ao parcelamento. 
 
a) A obrigatoriedade ou facultatividade do regime especial de parcelamento previsto no caput 
do art. 78 do ADCT 
A Emenda Constitucional nº 30/2000 introduziu no art. 78 do Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias (ADCT) um regime especial de parcelamento dos precatórios com 
prazo de até 10 anos, condicionado à adesão do ente federativo. No entanto, o STF entendeu que o 
regime não é facultativo, como se pensava inicialmente. A jurisprudência evoluiu para afirmar que o 
inadimplemento do regime de parcelamento por parte do ente federativo, mesmo sem adesão 
formal ao parcelamento, leva à necessidade de sequestro de verbas. Ou seja, o regime especial de 
parcelamento, uma vez estabelecido pela norma, se torna obrigatório para os entes federativos 
inadimplentes, a fim de garantir a efetividade do pagamento dos precatórios e a ordem cronológica 
dos pagamentos, sem prejuízo aos credores judiciais. 
 
b) A possibilidade de sequestro de verbas públicas nos casos descritos no § 4º do mesmo artigo, 
mesmo sem adesão formal ao parcelamento 
O STF reconheceu que o sequestro de verbas públicas pode ser determinado judicialmente, 
mesmo quando o ente federativo não aderiu formalmente ao parcelamento. A não adesão ao 
regime de parcelamento e o inadimplemento de precatórios pelo ente não justificam a recusa ao 
cumprimento da decisão judicial. A decisão reafirmou que, sem a adesão ao regime de 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
parcelamento e sem o cumprimento dos precatórios, a única medida eficaz para garantir o 
pagamento devido é o sequestro de verbas. Essa prática é compatível com o princípio da legalidade 
e com o respeito à ordem judicial, assegurando que os credores não sejam prejudicados pelo 
inadimplemento do ente federativo. 
 
c) A jurisprudência do STF e os efeitos práticos da decisão 
A decisão reafirma a responsabilidade fiscal dos entes federativos, ao mesmo tempo em que 
respeita sua autonomia, mas sem permitir que o inadimplemento de precatórios se perpetue de 
forma indefinida. A jurisprudência do STF combate práticas que busquem burlar o cumprimento de 
sentenças judiciais e resguarda o direito do credor judicial. Ao vincular os entes federativos 
inadimplentes, o STF reforçou a obrigatoriedade de cumprir as decisões judiciais, sem que isso 
afete a autonomia dos entes. O sequestro de verbas foi estabelecido como uma medida 
excepcional para garantir que o pagamento dos precatórios não seja adiado indefinidamente e que 
os direitos dos credores sejam respeitados. A medida também não viola a separação dos poderes, 
pois o Judiciário está apenas garantindo o cumprimento das decisões tomadas dentro do marco 
constitucional. 
 
 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
 TEOR DO INFORMATIVO 
 
Informativo 1100 
RE 597092 / RJ 
Órgão julgador: Tribunal Pleno 
Relator(a): Min. EDSON FACHIN 
Julgamento: 23/06/2023 (Virtual) 
Ramo do Direito: Processual Civil, Constitucional 
Matéria: Cumprimento De Sentença; Precatório; Parcelamento; Sequestro De Verbas 
Públicas/Direito Constitucional – Poder Judiciário; Precatórios 
 
Regime especial de pagamento de precatórios: sequestro de recursos financeiros estaduais em 
razão de seu descumprimento 
Tese fixada 
“É constitucional o sequestro de verbas públicas pela autoridade judicial competente nas hipóteses 
do § 4º do art. 78 do ADCT, cuja normatividade veicula regime especial de pagamento de precatórios 
de observância obrigatória por parte dos entes federativos inadimplentes na situação descrita pelo 
caput do dispositivo” 
Resumo 
No caso de atraso na quitação das parcelas de precatório, o sequestro de verbas públicas pela 
autoridade judicial é constitucional, pois configurado descumprimento ao regime especial de 
pagamento (ADCT, art. 78), cuja adesão dos entes federativos inadimplentes é obrigatória. 
Originalmente, somente a preterição da ordem de pagamento ensejava a realizaçãode sequestro da 
quantia necessária à satisfação do débito (CF/1988, art. 100, § 2º, na redação original) (1). No 
entanto, a partir da EC 30/2000, todas as modificações referentes à sistemática dos precatórios 
passaram a admitir o sequestro para a quitação das parcelas nas hipóteses de não alocação 
orçamentária para satisfazer os valores devidos, como, por exemplo, a previsão contida no art. 
103 do ADCT (2). 
Nesse contexto, o regime especial do art. 78 do ADCT (3) é impositivo, visto que os precatórios se 
encontram vencidos, em desrespeito à normatividade geral sobre a matéria (CF/1988, art. 100). 
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Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, apreciando o Tema 231 da repercussão 
geral, negou provimento ao recurso extraordinário. 
 
(1) CF/1988: “Art. 100 (...) § 2º - As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados 
ao Poder Judiciário, recolhendo-se as importâncias respectivas à repartição competente, cabendo ao 
Presidente do Tribunal que proferir a decisão exeqüenda determinar o pagamento, segundo as 
possibilidades do depósito, e autorizar, a requerimento do credor e exclusivamente para o caso de 
preterimento de seu direito de precedência, o seqüestro da quantia necessária à satisfação do débito. 
(Redação original)” 
(2) ADCT: “Art. 103. Enquanto os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estiverem efetuando o 
pagamento da parcela mensal devida como previsto no caput do art. 101 deste Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias, nem eles, nem as respectivas autarquias, fundações e empresas estatais 
dependentes poderão sofrer sequestro de valores, exceto no caso de não liberação tempestiva dos 
recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94, de 2016) Parágrafo único. Na vigência do 
regime especial previsto no art. 101 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, ficam 
vedadas desapropriações pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, cujos estoques de 
precatórios ainda pendentes de pagamento, incluídos os precatórios a pagar de suas entidades da 
administração indireta, sejam superiores a 70% (setenta por cento) das respectivas receitas 
correntes líquidas, excetuadas as desapropriações para fins de necessidade pública nas áreas de 
saúde, educação, segurança pública, transporte público, saneamento básico e habitação de interesse 
social. (Incluído pela Emenda constitucional nº 99, de 2017)” 
(3) ADCT: “Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza 
alimentícia, os de que trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas 
complementações e os que já tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em 
juízo, os precatórios pendentes na data de promulgação desta Emenda e os que decorram de ações 
iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão liquidados pelo seu valor real, em moeda 
corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e sucessivas, no prazo máximo de 
dez anos, permitida a cessão dos créditos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 30, de 2000) § 1º 
É permitida a decomposição de parcelas, a critério do credor. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 30, de 2000) § 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas 
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Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
até o final do exercício a que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade 
devedora. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 30, de 2000) (Vide Emenda Constitucional nº 62, 
de 2009) § 3º O prazo referido no caput deste artigo fica reduzido para dois anos, nos casos de 
precatórios judiciais originários de desapropriação de imóvel residencial do credor, desde que 
comprovadamente único à época da imissão na posse. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 30, 
de 2000) § 4º O Presidente do Tribunal competente deverá, vencido o prazo ou em caso de omissão 
no orçamento, ou preterição ao direito de precedência, a requerimento do credor, requisitar ou 
determinar o seqüestro de recursos financeiros da entidade executada, suficientes à satisfação da 
prestação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 30, de 2000)” 
Legislação: 
CF/1988, art. 100; 
ADCT, art. 78 e 103; 
EC 30/2000. 
 
ESQUEMATIZAÇÃO DO JULGADO CRIADA PELA IAPGE 
 
 CONTEXTO DO JULGADO 
O caso envolveu a análise da constitucionalidade do sequestro de recursos públicos pela 
autoridade judicial, quando o ente federativo não adere ao regime especial de pagamento de 
precatórios previsto no art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), 
incluído pela Emenda Constitucional nº 30/2000. 
A discussão girava em torno de duas questões principais: 
1. A obrigatoriedade ou facultatividade do regime especial de parcelamento previsto no caput 
do art. 78 do ADCT; 
2. A possibilidade de sequestro de verbas públicas nos casos descritos no § 4º do mesmo 
artigo, mesmo sem adesão formal ao parcelamento. 
 
 FUNDAMENTOS DO JULGADO 
 Dispositivos constitucionais analisados: 
• Art. 2º – Separação dos poderes; 
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Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
• Art. 18 – Organização político-administrativa da República; 
• Art. 60, § 4º, I e III – Cláusulas pétreas (forma federativa de Estado e separação dos poderes); 
• Art. 100 da CF – Regime geral de pagamento dos precatórios; 
• Art. 167, II – Vedação de início de despesa sem prévia dotação orçamentária; 
• Art. 78 do ADCT, caput e § 4º – Regime especial de parcelamento de precatórios e hipóteses 
de sequestro. 
 Pontos centrais da fundamentação: 
1. A EC 30/2000 criou um regime especial de parcelamento de precatórios com prazo de até 
10 anos, condicionado à manifestação do ente federado. 
2. No entanto, a jurisprudência do STF evoluiu para reconhecer que não há facultatividade 
absoluta: o inadimplemento por parte do ente federado, ainda que sem adesão formal ao 
parcelamento, enseja o sequestro de verbas (art. 78, § 4º do ADCT). 
3. O regime especial é de observância obrigatória para entes inadimplentes, como forma de 
preservar a efetividade do direito do credor judicial e a própria ordem cronológica de 
pagamento dos precatórios. 
4. Admitir a ausência de parcelamento e o não cumprimento do regime geral implicaria a criação 
de uma terceira via inconstitucional: o inadimplemento indefinido. 
5. A Corte reafirmou que a responsabilidade fiscal e a autonomia dos entes federativos não 
afastam o dever de cumprimento das decisões judiciais, sob pena de afronta à ordem 
constitucional e à separação de poderes. 
 
 EFEITOS PRÁTICOS DA DECISÃO 
• O sequestro de valores pode ser determinado judicialmente mesmo sem adesão formal do 
ente ao regime especial de parcelamento. 
• A decisão vincula os entes federativos inadimplentes, reforçando a obrigatoriedade do 
pagamento dos precatórios. 
• A jurisprudência do STF combate práticas de inadimplemento indefinido por Estados e 
Municípios, buscando proteger o direito do credor judicial. 
 
 COMO ISSO PODE SER COBRADO EM CONCURSOS 
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Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
 EXEMPLO DE QUESTÃO OBJETIVA (CESPE/CEBRASPE ou FGV) 
Com base no entendimento firmado pelo STF no Tema 231 da repercussão geral, assinale a 
alternativa correta: 
a) A adesão ao regime especial de pagamento de precatórios do art. 78 do ADCT é facultativa para 
os entes federativos. 
b) O sequestro de verbas públicas só é possível após a formalização do parcelamento previsto no 
art. 78 do ADCT. 
c) O inadimplemento de precatórios por ente federado, mesmo sem adesão ao regime especial, 
permite o sequestro de verbas públicas. 
d) A imposição de sequestro judicial de verbas afronta a cláusula pétrea da autonomia dos entes 
federativos. 
e) O art. 78 do ADCT foi revogado pela EC 95/2016, que instituiu novo regime de precatórios. 
 Gabarito: letra C 
 Comentário: De acordo com o STF, a inadimplência no pagamento de precatórios, ainda que sem 
adesão formal ao regime de parcelamento, autoriza o sequestro de verbas públicas, conforme o § 
4º do art. 78 do ADCT. 
 
 EXEMPLO DE QUESTÃO DISCURSIVA 
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 231 da repercussão geral, analisou o regime de 
pagamento de precatórios estabelecido no art. 78 do ADCT. Com base nesse entendimento: 
a) A adesão ao parcelamento previsto no art. 78 do ADCT é condição para o sequestro judicial de 
verbas públicas? 
b) O sequestro de valores por decisão judicial viola o princípio da separação dos poderes ou a 
autonomia dos entes federados? 
c) Qual a importância dessa decisão para a efetividade do regime de precatórios? 
 Espera-se na resposta: 
• Não, a adesão formal não é condição indispensável; o sequestro pode ocorrer diante do 
inadimplemento. 
• O sequestro não viola a separação dos poderes nem a autonomia, pois se trata de efetivação 
de decisão judicial transitada em julgado. 
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Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
• A decisão reforça a obrigatoriedade do pagamento de precatórios, impede o 
inadimplemento sine die, e preserva o direito do credor. 
 
 MODELO DE RESPOSTA DE QUESTÃO DISCURSIVA 
 
No julgamento do Tema 231 da Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a 
constitucionalidade do regime de pagamento de precatórios estabelecido no art. 78 do Ato das 
Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e a possibilidade de sequestro de verbas 
públicas nos casos de inadimplemento por parte dos entes federativos. A decisão trouxe 
importantes esclarecimentos sobre a obrigatoriedade do parcelamento e a autonomia dos entes 
federados. 
a) Não, a adesão formal ao parcelamento previsto no art. 78 do ADCT não é condição 
indispensável para o sequestro de verbas públicas. O STF entendeu que, em caso de 
inadimplemento do regime de pagamento de precatórios, o sequestro de verbas pode ser 
determinado judicialmente, mesmo que o ente federativo não tenha aderido ao parcelamento. O 
inadimplemento do regime de parcelamento gera o direito ao sequestro de valores para garantir 
que o pagamento dos precatórios seja realizado, protegendo o direito dos credores e a ordem 
cronológica de pagamento. 
b) O STF decidiu que o sequestro de valores por decisão judicial não viola o princípio da separação 
dos poderes nem a autonomia dos entes federados. A medida de sequestro é uma forma de 
garantir a efetividade das decisões judiciais e, portanto, não interfere na autonomia dos entes 
federados, pois se trata da execução de uma decisão judicial transitada em julgado. O sequestro 
de verbas é uma medida prevista para assegurar o cumprimento das obrigações do ente público 
com os credores, respeitando a ordem judicial, sem que isso comprometa a separação entre os 
poderes ou o princípio da autonomia dos entes federados. 
c) A decisão do STF reforça a obrigatoriedade do pagamento dos precatórios, pois determina que, 
no caso de inadimplemento do parcelamento ou do pagamentodos precatórios, o sequestro de 
verbas pode ser utilizado para garantir que os valores devidos aos credores sejam efetivamente 
pagos. A medida impede o inadimplemento sine die, ou seja, a perpetuação do atraso nos 
pagamentos, e preserva o direito do credor de receber os valores que lhe são devidos. Além disso, 
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Tema 0231 - RE 597092 - 26/06/2023 
 
a decisão reafirma o compromisso do Judiciário com a efetividade das decisões e com a justiça dos 
credores, garantindo que o processo de pagamento de precatórios não seja interrompido ou adiado 
indefinidamente, mesmo diante da dificuldade financeira dos entes federados. 
 
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