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C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 1BLOCO 2 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E R E A L I Z A Ç Ã O P A T R O C Í N I O Bloco 2 - Pensar Soluções para Eficiência Energética MISSÃO FUTURO: PENSAR CRITICAMENTE PARA AGIR NO MUNDO E-book do estudante: 1º e 2º anos do Ensino Médio C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E FICHA TÉCNICA Promoção: Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) Coordenação: Instituto Abradee Proponente: Equatorial Energia Produção de conteúdo pedagógico: Instituto Crescer Luciana Allan - Diretora Executiva Fabio Stefanini Jor - Gerência de Relações Institucionais Nayara Romero - Gerência de Projetos, Comunicação e Tecnologias Paloma D’Andrea - Gerência Administrativa, de Gente e de Cultura André Cunha - Coordenação do Projeto Revisão técnica Ivan Pontelo Autoria de conteúdo Lígia Lacerda Projeto gráfico e diagramação Luiza Bechtlufft Souza C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 3BLOCO 2 BLOCO 2 PENSAR SOLUÇÕES PARA A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 4BLOCO 2 Tópico 1 - Como medir e otimizar o consumo de energia elétrica? Agora que você já compreende como os sistemas energéticos funcionam em larga escala, chegou o momento de investigar algo mais próximo da sua realidade: o consumo de energia nos ambientes do cotidiano. Afinal, como descobrir se estamos usando energia de forma eficiente ou desperdiçando recursos sem perceber? Sabe aquele carregador esquecido na tomada ou a televisão que fica com a luzinha acesa em standby? Mesmo sem estarem sendo usados, eles continuam consumindo energia. São os fantasmas da energia! O primeiro passo de qualquer investigação científica é observar. No caso da energia elétrica, essa observação acontece por meio do medidor de energia, instalado em casas, escolas e estabelecimentos. Ele registra toda a eletricidade consumida no local em quilowatt-hora (kWh), unidade usada para calcular o consumo elétrico. Além do medidor, existe outra ferramenta importante para a investigação: a conta de energia elétrica. Mais do que informar o valor a pagar, ela funciona como um relatório de consumo. Nela, é possível identificar: o consumo mensal em kWh; o valor cobrado pela tarifa; as bandeiras tarifárias; impostos e taxas cobradas sobre a eletricidade. No Bloco 1, você investigou os sistemas energéticos de forma mais ampla: descobriu de onde vem a energia, como ela circula e quais impactos sua produção pode gerar para a sociedade e o meio ambiente. Agora, a investigação muda de direção. É hora de olhar para os espaços do cotidiano — como a escola, a casa e a comunidade — para entender como a energia está sendo utilizada e onde pode estar acontecendo desperdício. Pode parecer complicado à primeira vista, mas é simples. Vamos observar a imagem detalhada: C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 5BLOCO 2 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 6BLOCO 2 As bandeiras tarifárias funcionam como um semáforo da energia: elas indicam se a geração de eletricidade no país está mais barata ou mais cara naquele período. Definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), as bandeiras levam em consideração fatores como o nível dos reservatórios das hidrelétricas, as condições de chuva e a necessidade de usar usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado. Assim, além de mostrar o valor da conta de luz, as bandeiras ajudam a entender como o consumo, o clima e a geração de energia estão conectados. Vamos analisar como elas funcionam? As bandeiras tarifárias não se aplicam a todo o Brasil. Regiões como parte do estado de Roraima permanecem fora do Sistema Interligado Nacional (SIN), rede que integra a geração e a distribuição de energia elétrica no país, e por isso seguem regras diferentes de cobrança. C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 7BLOCO 2 Além do consumo de energia, a conta também apresenta tributos e taxas, como ICMS, PIS e COFINS, que são valores cobrados sobre o uso da eletricidade. Em áreas urbanas, também existe a Contribuição de Iluminação Pública (CIP), destinada à manutenção da iluminação das ruas e espaços públicos. Em muitas áreas rurais, essa cobrança geralmente não é aplicada. Por exemplo: um chuveiro elétrico de 5.500 W usado por 10 minutos (0,17 hora) consome: 5.500 ÷ 1.000 × 0,17 = 0,935 kWh por banho. Se você tomar banho todo dia durante um mês (30 dias), o consumo só do chuveiro será de cerca de 28 kWh, parte significativa da conta de energia. Considerando uma tarifa residencial média da Cemig, que é a companhia de energia de Minas Gerais, por exemplo, de aproximadamente R$ 0,86 por kWh, esse consumo representaria cerca de R$ 24,00 na conta de luz do mês somente com o uso do chuveiro elétrico por uma pessoa. 1.1 Calculando o consumo: a matemática da energia Depois de interpretar a conta de luz, é hora de transformar dados em investigação científica. Você sabia que é possível calcular o consumo de qualquer aparelho elétrico? Consumo (kWh) = Potência (W) ÷ 1000 × Horas de uso no mês BANDEIRA VERDE BANDEIRA AMARELA BANDEIRA VERMELHA Patamar 1 BANDEIRA VERMELHA Patamar 2 Cenário favorável para a produção de energia elétrica. Não há cobrança adicional na tarifa. Cenário de geração menos vantajoso. A tarifa recebe um acréscimo de R$ 0,01885 a cada quilowatt-hora (kWh) utilizado. Cenário de geração com custos mais elevados. A tarifa tem um adicional de R$ 0,04463 por quilowatt-hora (kWh) consumido. Cenário de geração com custos ainda mais altos. A tarifa passa a ter um acréscimo de R$ 0,07877 por quilowatt-hora (kWh) consumido. C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 8BLOCO 2 Com essa fórmula, você já consegue investigar o consumo de energia dos aparelhos da sua casa ou escola, descobrir quais gastam mais eletricidade e pensar em formas de reduzir desperdícios com base em dados reais. Mas, tem algo muito importante que precisamos saber antes de irmos para os cálculos! Você já reparou naquela etiqueta colorida colada na geladeira ou na máquina de lavar? Parece só um adesivo, mas ela guarda uma informação que afeta diretamente a sua conta de luz e o planeta. Para ajudar os consumidores a identificar os aparelhos mais eficientes, existe a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), criada pelo INMETRO. Ela classifica os equipamentos de A até G. Os aparelhos com classificação A são os mais eficientes, pois realizam a mesma função consumindo menos energia elétrica. Quanto maior a eficiência, menor tende a ser o impacto na conta de luz. Outro indicador importante é o Selo Procel, concedido aos produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética em cada categoria. Esse selo mostra que o aparelho foi avaliado e reconhecido por seu bom desempenho no consumo de energia. C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 9BLOCO 2 Mas como essa diferença aparece na prática? É isso que vamos investigar agora. Imagine dois chuveiros elétricos com a mesma função: Se ambos forem usados durante 20 minutos por dia (0,33 hora), podemos calcular o consumo mensal utilizando a fórmula: Consumo = Potência (kW) × Tempo (h) Comparando os resultados A diferença mensal entre os dois aparelhos é de cerca de: 55,34−38,31 ≈ R$ 17,03 Em apenas um mês, o aparelho menos eficiente já gera um gasto a mais de aproximadamente R$17,00. Ao longo de um ano, essa diferença ultrapassa R$200,00 na conta de energia. Esse cálculo mostra como a matemática ajuda a tomar decisões mais conscientes. Um aparelho aparentemente mais barato pode acabar custando mais caro no uso diário devido ao maior consumo de energia. Chuveiro A 4,5 × 0,33 × 30 ≈ 44,55 kWh O chuveiro A consome aproximadamente 44,55 kWh por mês. Considerando uma tarifa de R$ 0,86 por kWh: 44,55 × 0,86 ≈ R$ 38,31 das resistências individuais. Chuveiro B 6,5 × 0,33 × 30 ≈ 64,35 kWh O chuveiro B consome aproximadamente 64,35 kWh por mês. Calculando o valor gasto:64,35 × 0,86 ≈ R$ 55,34 Chuveiro B (Selo Procel D) potência de 6.500 W Chuveiro A (Selo Procel A) potência de 4.500 W C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 10BLOCO 2 UMA AIRFRYER CONSOME MAIS ENERGIA DO QUE VOCÊ IMAGINA Você sabia que, no último ano, dúvidas sobre o consumo de aparelhos elétricos geraram mais de 690 mil buscas no Google Brasil? Muitas pessoas queriam descobrir quais equipamentos gastam mais energia no dia a dia. E alguns resultados surpreendem. Uma airfryer, por exemplo, pode consumir cerca de 1.800 W, enquanto um forno elétrico chega a 2.500 W. Mesmo parecendo pequenos, esses aparelhos podem ter impacto significativo na conta de luz quando usados com frequência. Agora observe este cálculo: uma airfryer de 1.800 W utilizada por 30 minutos por dia durante um mês consome: 1.800 ÷ 1.000 × 0,5 × 30 = 27 kWh Dependendo da tarifa da região, isso pode representar mais de R$ 20,00 por mês em um único aparelho. Fonte: CARTA CAPITAL. Dúvidas sobre consumo de eletrodomésticos geram meio milhão de buscas em um ano no Brasil. CartaCapital, São Paulo, 23 maio 2025. CURIOSIDADE C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 11BLOCO 2 CIÊNCIA EM AÇÃO Desafio: Investigação do Consumo de Energia Você investigou no Bloco 1 como a energia é produzida, distribuída e quais impactos ambientais e sociais estão envolvidos nesse processo. Agora, a investigação muda de escala: em vez de olhar para as grandes usinas e sistemas elétricos, você vai observar como a energia é utilizada na sua comunidade. Será que os espaços públicos utilizam energia de forma eficiente? Existem desperdícios? Todos os bairros possuem as mesmas condições de iluminação, segurança elétrica e acesso à energia? Sua missão será investigar essas questões utilizando dados reais e olhar científico. Missão: Realizar um diagnóstico energético da comunidade ao redor da escola. O que fazer: Escolha um local para investigar questões relacionadas ao uso da energia. Pode ser a sua escola, um comércio local, um centro comunitário, quadra esportiva ou outro espaço coletivo da região. Observe e registre situações relacionadas ao uso da energia: • iluminação está funcionando ou apagada; • desperdício de energia; • aparelhos ligados sem necessidade; • presença de equipamentos antigos; • ventilação e iluminação natural; • fios expostos ou riscos elétricos; • uso de tecnologias sustentáveis; • presença (ou ausência) de painéis solares; • sensação térmica do ambiente. 01 02 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 12BLOCO 2 Entreviste moradores, comerciantes ou trabalhadores do local: • Quais problemas relacionados à energia elétrica existem na região? • Há quedas frequentes de energia? • A iluminação pública é suficiente? • O calor excessivo afeta o uso de ventiladores e ar-condicionado? • Existem pessoas sem acesso a energia na região? • Qual bandeira tarifária está vigente na conta de energia? • Existem dificuldades para pagar a conta de energia? Registre os dados em uma tabela investigativa contendo: • problema observado; • possíveis causas; • impactos sociais e ambientais; • grupos mais afetados; • possíveis soluções. Relacione sua investigação com o que foi estudado no Bloco 1: • Como o desperdício aumenta a demanda energética? • Como isso influencia a transição energética? • Os impactos energéticos atingem todos da mesma forma? • Há situações de desigualdade ou injustiça climática no território observado? Para refletir: Uma comunidade sustentável depende apenas de produzir energia limpa ou também de utilizá-la de forma consciente e acessível? 02 03 04 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 13BLOCO 2 Ao investigar o uso da energia na comunidade, você observou problemas reais, analisou dados e compreendeu que o consumo energético está ligado à qualidade de vida e aos impactos ambientais. Também aprendeu a interpretar contas de energia, calcular gastos energéticos e identificar situações de desperdício e eficiência no cotidiano. Agora, chegou o momento de avançar na investigação e pensar em soluções para transformar esses espaços em ambientes mais eficientes, seguros e sustentáveis. Preparadas e preparados para a próxima fase? C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 14BLOCO 2 Tópico 2 - Como inovar para resolver problemas energéticos? Depois de investigar como a energia é consumida e identificar desperdícios no cotidiano, surge uma nova pergunta: como podemos usar o conhecimento científico e a tecnologia para resolver esses problemas? A produção e o uso da energia trazem muitos benefícios para a sociedade, mas também envolvem riscos e desafios, como desperdício, poluição, acidentes elétricos e impactos ambientais. Por isso, cientistas buscam constantemente criar soluções mais eficientes, seguras e sustentáveis. Neste tópico, vamos investigar sobre os riscos elétricos e como a inovação tecnológica pode ajudar a transformar os sistemas energéticos, reduzir impactos e melhorar a forma como utilizamos a energia no dia a dia. 2.1 Riscos Elétricos Conhecer os riscos elétricos e os direitos do consumidor é fundamental para utilizar a energia de forma segura e consciente. Pensar em eficiência energética vai além do consumo no dia a dia: também envolve compreender como a energia é produzida, transformada, transportada, distribuída e quais impactos esses processos podem gerar para as pessoas e para o meio ambiente. É essa visão mais ampla que orienta o próximo passo da nossa investigação. C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 15BLOCO 2 Você sabia que o choque elétrico acontece quando a corrente elétrica atravessa o corpo humano? Dependendo da intensidade, ele pode provocar queimaduras, lesões graves e até acidentes fatais. Muitas situações de risco podem ser evitadas com atitudes simples, como: • não tocar em fios descascados; • evitar usar aparelhos com as mãos molhadas; • não sobrecarregar tomadas; • nunca inserir objetos metálicos nas tomadas. Instalações antigas, fios danificados e equipamentos sem manutenção aumentam os riscos em casas, escolas e espaços públicos. Identificar esses problemas e comunicar a pessoas responsáveis faz parte de uma postura preventiva e cidadã. Na sua Missão Investigativa, você vai observar os ambientes ao seu redor para reconhecer situações de risco elétrico, analisar possíveis consequências e pensar em soluções tecnológicas e sustentáveis que possam tornar esses espaços mais seguros e eficientes. 2.2 Quais inovações estão acontecendo nos espaços de educação? As escolas também fazem parte das transformações tecnológicas e sustentáveis que acontecem na sociedade. Hoje, muitos espaços educativos vêm incorporando soluções inovadoras para tornar o ensino mais interativo, eficiente e conectado aos desafios do futuro. Um exemplo disso é o uso de usinas solares em escolas públicas. No Paraná, o projeto Escola Solar instalou sistemas fotovoltaicos em diferentes instituições de ensino, permitindo a produção de energia limpa diretamente nas escolas. Além da redução dos gastos com eletricidade, essas instalações passaram a ser utilizadas como ferramentas pedagógicas nas aulas de Física e Ciências, aproximando os estudantes das discussões sobre sustentabilidade e energias renováveis. https://nrelondrina.educacao.pr.gov.br/noticias/seed/368bfbeb-bb6b-46b8-8600-513cfbae76e2 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 16BLOCO 2 Outras inovações também vêm transformando os espaços escolares, como: Essas ferramentas ajudam a tornar as aulas mais investigativas, colaborativas e conectadas aos problemas reais da sociedade. Mais do que utilizar tecnologia, o desafio das escolas do século XXI é formar estudantes capazes de criar soluções, analisar dados e pensar criticamente sobre ciência, inovação e sustentabilidade. Que tal entendermos mais sobre como um cientista pode criar uma solução? 2.3 Como cientistas criam soluções Muitas das tecnologias que usamos hoje— como painéis solares, carros elétricos, baterias recarregáveis e sistemas de economia de energia — surgiram a partir de investigações científicas. Mas como os cientistas conseguem criar soluções para problemas tão complexos? Grande parte dessas descobertas acontece por meio do método científico, um conjunto de etapas que ajuda pesquisadoras e pesquisadores a investigar problemas, testar hipóteses e analisar resultados de forma organizada e confiável. Tudo começa com a observação de um problema ou fenômeno. Por exemplo: “Como reduzir o desperdício de energia?” ou “Como produzir energia sem aumentar a poluição?”. Depois, os cientistas levantam hipóteses, pesquisam informações e realizam experimentos para testar possíveis soluções. Observe o passo a passo do Método Científico abaixo: uso de robótica educacional; recursos de inteligência artificial; tablets e plataformas digitais; laboratórios interativos; tecnologias de acessibilidade e inclusão. C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 17BLOCO 2 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 18BLOCO 2 Nem toda tentativa dá certo logo de início. Muitas invenções passam por ajustes até que se tornem eficientes e seguras para a sociedade. Foi assim que surgiram diversas tecnologias ligadas à transição energética, como o hidrogênio verde, os sistemas de energia solar e os aparelhos com maior eficiência energética. A ciência, portanto, não acontece apenas em laboratórios distantes: ela está diretamente ligada aos desafios do cotidiano e à busca por soluções mais sustentáveis para o futuro. Na sua Missão Investigativa, você já deu os primeiros passos do método científico: observou os espaços ao seu redor, coletou dados, comparou informações e identificou possíveis desperdícios e problemas relacionados ao uso da energia. Agora, chega uma nova etapa da investigação: pensar em soluções. Como a ciência e a tecnologia podem ajudar a reduzir perdas, aumentar a eficiência energética e transformar os ambientes em espaços mais seguros e sustentáveis? C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 19BLOCO 2 ESTUDANTES PODEM INVESTIGAR PROBLEMAS REAIS DA CIDADE USANDO TECNOLOGIA E CRIATIVIDADE! No projeto SustentaRecife+, desenvolvido no Senac Pernambuco, estudantes de cursos técnicos não ficaram apenas na teoria: eles investigaram problemas reais do território, como riscos elétricos causados por fiações irregulares em bairros da Região Metropolitana do Recife. A partir dessa investigação, criaram soluções digitais inovadoras, como: • um ambiente imersivo no Minecraft, adaptado para realidade virtual, que simula um bairro do Recife; • e um desenho de aplicativo no Figma (ferramenta de desenhos de aplicativos) para mapear riscos urbanos, incluindo alagamentos, quedas de energia e problemas elétricos. CURIOSIDADE Durante o processo, ferramentas como o ChatGPT® foram usadas de forma assistiva para apoiar a resolução de problemas técnicos, mostrando como a inteligência artificial pode atuar como parceira no aprendizado. Mais do que os produtos finais, o projeto evidenciou ganhos importantes: desenvolvimento de autonomia, pensamento crítico, habilidades digitais e engajamento com o território — além de mostrar que experiências assim podem ser replicadas em outros contextos educacionais com ferramentas acessíveis. Fonte: SALGUEIRO, Beatriz Alves. IA aplicada à visualização virtual e à prototipagem de soluções para cidades sustentáveis. Revista Mói de Sabedoria, Recife, v. 1, p. 1-8, 2026. DOI: 10.61917/3086-2833.2026.34. C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 20BLOCO 2 CIÊNCIA EM AÇÃO Desafio: Projeto Solução Energética Na etapa anterior, você observou problemas reais relacionados ao consumo de energia na comunidade. Agora, chegou o momento de avançar no método científico: analisar os dados coletados, levantar hipóteses e construir soluções possíveis. Cientistas não investigam problemas apenas para descrevê-los, elas e eles investigam para transformar a realidade. Missão: Desenvolver uma proposta de solução energética sustentável para um problema identificado na comunidade. O que fazer: Retome os dados coletados no Desafio 1 e escolha um problema prioritário da comunidade, por exemplo: • desperdício de energia em espaços públicos; • iluminação insuficiente; • calor excessivo em ambientes fechados; • consumo elevado de aparelhos; • riscos elétricos; • falta de arborização; • ausência de tecnologias sustentáveis; • dificuldade de acesso à energia. 01 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 21BLOCO 2 CIÊNCIA EM AÇÃO Elabore uma hipótese investigativa: Exemplo: “Se o espaço utilizar iluminação LED e ampliar a ventilação natural, então o consumo de energia poderá diminuir.” Crie uma proposta de solução que dialogue com: • eficiência energética; • sustentabilidade; • redução de impactos ambientais; • justiça climática; • melhoria da qualidade de vida da comunidade. A solução pode incluir: • campanha educativa; • reorganização do uso dos aparelhos; • instalação de sensores de presença; • substituição de lâmpadas; • uso de energia solar; • pintura térmica; • arborização; • aplicativo de monitoramento; • protótipo; • maquete; • sistema inteligente; • intervenção comunitária. 03 04 02 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 22BLOCO 2 CIÊNCIA EM AÇÃO Produza um plano científico da solução contendo: • problema identificado; • hipótese; • proposta criada; • materiais necessários; • benefícios esperados; • possíveis impactos e dificuldades; • quais grupos sociais seriam beneficiados. Relacionem a proposta com os conteúdos do Bloco 1: • Como a solução contribui para a transição energética? • Ela reduz impactos ambientais? • Ajuda a diminuir desigualdades? • Considera os grupos mais vulnerabilizados da comunidade? Para refletir: Tecnologia sozinha resolve os problemas energéticos ou as soluções também dependem de participação social e decisões coletivas? 06 05 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 23BLOCO 2 Depois de identificar problemas da comunidade, você utilizou etapas do método científico para criar hipóteses e desenvolver soluções ligadas à eficiência energética, sustentabilidade e justiça climática. Ao longo do processo, aprendeu a analisar problemas reais, pensar em soluções viáveis e compreender como a ciência pode contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Agora, a investigação avança para um novo desafio: transformar ideias em ações concretas para a comunidade. Tópico 3 - Como atuar como cientistas protagonistas? Ao longo desta Missão Investigativa, você investigou de onde vem a energia, como ela chega até casas, escolas e cidades e quais impactos sociais e ambientais estão envolvidos nos sistemas energéticos e na transição energética. Também analisou desperdícios, interpretou dados de consumo e colocou em prática diferentes etapas do método científico: observou problemas, coletou informações, comparou resultados, identificou riscos e pensou em possíveis soluções para tornar os espaços mais eficientes e sustentáveis. Agora, a investigação chega a uma etapa fundamental da ciência: comunicar descobertas, compartilhar ideias e apresentar soluções para outras pessoas. Tópico 3 - Como atuar como cientistas protagonistas? C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 24BLOCO 2 Tudo começa quando compreendemos que nossas escolhas também geram impactos ambientais. É nesse contexto que surge o conceito de pegada climática, que representa a quantidade de gases de efeito estufa produzidos pelas atividades humanas. O uso da eletricidade, os meios de transporte, o consumo de produtos, a alimentação e até o tempo que um aparelho fica ligado influenciam nessa pegada invisível. Ter consciência da pegada climática não significa sentir culpa, mas desenvolver responsabilidade e capacidade de tomar decisões mais sustentáveis. Quando investigamos os problemas e entendemos suas causas,conseguimos propor mudanças, reduzir desperdícios e pensar em formas mais eficientes de utilizar energia. Vamos olhar para nossa pegada climática? 3.1 Mas, afinal, como um cientista transforma conhecimento em ação? C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 25BLOCO 2 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 26BLOCO 2 E aí? Qual sua pegada climática? Qual é o impacto das suas escolhas no planeta? Suas ações do dia a dia ajudam a construir um futuro mais sustentável? Hoje, existe um grande desafio global: historicamente, quanto mais uma sociedade cresce economicamente, mais energia ela consome. Mais fábricas, mais aparelhos eletrônicos, mais transporte e mais consumo significam maior demanda energética. O desafio do século XXI é justamente encontrar formas de continuar se desenvolvendo sem aumentar os impactos ambientais na mesma proporção. É por isso que cientistas trabalham constantemente em soluções ligadas à eficiência energética, às energias renováveis e às tecnologias sustentáveis. Mas essa transformação não depende apenas de grandes laboratórios ou empresas: ela também começa nas pequenas escolhas do cotidiano e nas ideias criadas dentro das escolas e comunidades. Ser protagonista científico significa investigar problemas, analisar evidências, comunicar descobertas e propor soluções que possam melhorar a vida das pessoas e reduzir impactos ambientais. E é exatamente esse papel que você assume nesta jornada: o de alguém capaz de usar a ciência para transformar a realidade ao seu redor. Vamos comunicar o que investigamos até aqui? JOVENS PERIFÉRICOS NA LINHA DE FRENTE DO CLIMA Você sabia que um grupo de jovens brasileiros já está discutindo pegada climática, energia e justiça ambiental diretamente nas suas comunidades? O projeto Engajamundo, por meio da formação Brota no Clima, reúne jovens de periferias de todo o Brasil para entender como os hábitos do dia a dia, o jeito que a gente se move, o que consome e como usa energia, influenciam diretamente a pegada climática do país. Mais do que aprender, os participantes saem da formação com projetos concretos de ação nas suas próprias comunidades. CURIOSIDADE C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 27BLOCO 2 A iniciativa parte de uma ideia simples e poderosa: as pessoas que mais sofrem os impactos das mudanças climáticas, como enchentes, calor extremo e falta de água, costumam ser justamente as que menos contribuíram para causar o problema. Por isso, incluir vozes periféricas nessa conversa não é só justo. É necessário. E você? O que sabe sobre a pegada climática do seu bairro? Fonte: Engajamundo. Brota no Clima. Disponível em: engajamundo.org http://engajamundo.org C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 28BLOCO 2 CIÊNCIA EM AÇÃO Desafio: Plano de Inovação para Transformação Você chegou à etapa final da Missão Investigativa. Até aqui, observou problemas reais, coletou dados, analisou impactos sociais e ambientais e desenvolveu soluções sustentáveis para a comunidade. Agora, é hora de assumir o papel de cientista protagonista: comunicar descobertas, defender ideias com argumentos e mobilizar outras pessoas para transformar o território. Missão: Criar um Plano de Inovação para Transformação Energética da comunidade. O que fazer: Transformem a solução criada no Desafio 2 em um plano de ação realista para a comunidade. O plano deve responder: • Qual problema será enfrentado? • Quem é afetado por ele? • Qual solução será implementada? • Como ela contribui para sustentabilidade e justiça climática? • Quais impactos positivos ela pode gerar? • Quem precisaria participar dessa transformação? Organizem o plano em etapas: • diagnóstico do problema; • proposta da solução; • ações necessárias; • recursos necessários; • parceiros possíveis; • impactos esperados; • formas de divulgação. 01 02 03 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 29BLOCO 2 Produzam um material de comunicação científica para apresentar a proposta: • apresentação; • vídeo; • podcast; • mural; • infográfico; • campanha digital; • carta aberta; • feira científica; • protótipo. O material deve utilizar dados e argumentos construídos ao longo dos três tópicos investigativos. Ao final, apresentem uma análise crítica: • Como pequenas ações locais podem contribuir para a transição energética? • Quem costuma sofrer mais os impactos ambientais no território? • Como tornar a transformação energética mais justa e acessível? • O que mudou na forma como vocês enxergam a relação entre energia, sociedade e meio ambiente? Para refletir: Como a ciência pode ajudar comunidades a enfrentar desafios climáticos e construir um futuro mais sustentável e justo? 04 05 06 C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 30BLOCO 2 Parabéns!! Você chegou ao final do Bloco 2. Ao longo desta Missão Investigativa, você investigou problemas da comunidade, analisou impactos sociais e ambientais, desenvolveu soluções e construiu propostas para transformar a realidade ao seu redor. Mais do que aprender conceitos científicos, você assumiu o papel de protagonista na busca por um futuro mais sustentável, justo e acessível. A ciência ganha sentido quando gera diálogo, mobiliza pessoas e contribui para mudanças reais na sociedade. E é exatamente isso que você fez ao concluir esta jornada investigativa. Confiantes para a próxima etapa? Vamos ao GAME! C O O R D E N A Ç Ã O P R O P O N E N T E 31BLOCO 2 Referências AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Sustentabilidade. [S. l.], [20--?]. Disponível em: https://www.aneel.gov.br/sustentabilidade. Acesso em: 18 maio 2026. CNN BRASIL. Conheça usina que transforma CO₂ dos oceanos em hidrogênio verde. São Paulo, 3 jul. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/conheca-usina- que-transforma-co2-dos-oceanos-em-hidrogenio-verde/. Acesso em: 18 maio 2026. EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). ABC da energia. Brasília: EPE, 2024. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia. Acesso em: 18 maio 2026. EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Atlas da eficiência energética Brasil 2024. Rio de Janeiro: EPE, 2024. 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