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52 
LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. 
Código de Processo Civil. 
PARTE GERAL 
LIVRO I 
DAS NORMAS PROCESSUAIS 
TÍTULO ÚNICO - DAS NORMAS FUNDAMENTAIS E DA APLICAÇÃO DAS 
NORMAS PROCESSUAIS 
CAPÍTULO I - DAS NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL 
Lucas Casquer Mastrocola1
 Pedro Bellentani Quintino de Oliveira2 
Arts. 1º - 15 
Art. 1º. O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e 
as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, 
observando-se as disposições deste Código. 
Tendo em vista o pleonasmo jurídico, para reforço de ideia, que traz o artigo 
primeiro, do Código de Processo Civil, tem-se que o legislador buscou, por meio do 
processo, um meio pelo qual se pudesse efetivar a tutela constitucional do próprio processo, 
no ambiente de constitucionalização do direito (JUNIOR; NERY, 2016, p. 195). 
Isto porque, ao que parece, há uma clara crescente de constitucionalização do 
Direito, no ordenamento jurídico brasileiro, e o Código de Processo Civil de 2015, recente 
como é, não pode deixar de seguir essa tendência. 
E é nesse diapasão que se faz o referido dispositivo legal, não no sentido de ser 
um novo ramo do direito processual, mas sim um ponto de vista metodológico, a partir do 
1 Graduando em Direito pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP). 
2 Graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Advogado. Mestre em Direito pelo 
Programa de Pós-Graduação em Direito da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP - Franca. 
Especialista em Direito Empresarial pelo Programa de Pós- Graduação Lato Sensu da Faculdade Getúlio 
Vargas - FGV Direito São Paulo. Doutorando em Direito Constitucional pela Instituição Toledo de Ensino 
(ITE) - Bauru. Coordenador e Professor do Curso de Direito no Centro Universitário do Norte Paulista 
(UNORP) - São José do Rio Preto/SP. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do INCOR - São José 
do Rio Preto. 
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qual se examina o processo como um instrumento para efetivar valores constitucionais: 
desde a tutela de garantias fundamentais até a própria jurisdição constitucional, com a 
definição de competências dentro do Estado, em sua soberania. 
Ademais, há ainda importância à hermenêutica, vez que não se pode ter, por 
exemplo, aplicação literal ou dar sentido diverso, sem se observar os valores constitucionais, 
aos dispositivos do Código de Processo Civil – embora ainda seja de caráter pleonástico, 
pois, por óbvio, nenhuma norma infraconstitucional pode contrariar a Constituição Federal. 
 
 
Art. 2º. O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, 
salvo as exceções previstas em lei. 
 
Apesar de haver casos excepcionais que são previstos em lei – por exemplo, o art. 
712, do Código de Processo Civil, e 878, da Consolidação das Leis do Trabalho -, o juiz não 
pode iniciar o processo de ofício, mas sim aguardar a iniciativa da parte, para que não se 
tenha solapado o princípio da inércia da jurisdição; até por dever ser a Justiça imparcial, 
como pressuposto não só de existência, mas também de possibilidade, nos termos 
democráticos. 
Assim, uma vez iniciado o processo, deve-se haver impulsionamentos oficiais, que 
são atos do juiz e dos auxiliares da Justiça; e, especialmente, atos que devem ser praticados 
pelas partes ou que exigem a sua provocação, visando a efetivação de princípios como o 
interesse de agir, na busca da prestação jurisdicional, enquanto elementar do processo. 
Tanto que, caso não se pratique ato, cuja iniciativa competia-lhe, incide-se a 
contumácia, e, mais ainda, na condição de autor, pode ensejar até a extinção do processo 
sem resolução do mérito, nos termos dos incisos II e III, do artigo 485, deste códex. 
 
 
Art. 3º. Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. 
§ 2º O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. 
§ 3º A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão 
ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério 
Público, inclusive no curso do processo judicial. 
 
Consoante direito e garantia fundamental, previsto no inciso XXXV, do artigo 5º, da 
Constituição Federal do Brasil de 1988, o referido dispositivo legal visa efetivar o 
 
54 
direito de ação, com acesso à justiça, a postular tutela jurisdicional, preventiva ou 
reparatória de direito individual, coletivo ou, até mesmo, difuso. 
Com isso, intende-se a tutela adequada, isto é, que detenha de eficácia, desta 
esperada, de sorte a ou garantir (ameaça) ou reparar (lesão) direito por lei garantido. 
Assim sendo, até a concessão de liminar relaciona-se, no sentido suscitado, a esta previsão 
legal e, por reflexo, constitucional, igualmente. 
Outrossim, conforme por todos sabido, traz o Código de Processo Civil de 2015, em 
seu bojo, uma maior preocupação e até dedicação para com o caráter conciliador, 
permitindo às partes a possibilidade de chegar-se a um mínimo de consenso, com resultado 
razoável a ambas, ao invés de ter-se decisão “unilateral”, por assim dizer, do magistrado. 
Por conseguinte, nos parágrafos deste artigo, há formas inovadoras a esta prestação, além 
de maior proteção. 
Sendo a primeira a arbitragem, que é a mais discutível, vez que essa só se concretiza 
em detrimento da prestação jurisdicional; quer dizer, em renúncia a esta, sem se poder 
pleitear na Justiça. Contudo, há inúmeras ressalvas, para que se possibilite a existência 
desta, havendo lei própria a regê-la, a Lei N.º 9.307, de 23 de setembro de 1996; 
salvaguardando, por exemplo, a possibilidade de revisão de sentença arbitral, em caso de 
litígio ou de nulidade. 
Ou seja, pode-se afirmar que a doutrina interpreta de duas formas a admissibilidade 
da arbitragem em nosso ordenamento, em vista do CF 5.º XXXV: (i) admitir a arbitragem 
implicaria renúncia à garantia de acesso ao Judiciário; (ii) a arbitragem é admita tendo em 
vista que o Poder Judiciário intervém em determinadas situações (RICCI, 2004, p. 194). 
No parágrafo segundo, há o estímulo à solução consensual, que passa a ser dever do 
Estado e, sempre que possível, deverá o juiz valer-se de medidas que criem, nos litigantes, 
a necessidade de tentar a conciliação; embora, por óbvio, deva o juiz, enquanto órgão de 
Estado, ater-se a como se dará a mencionada solução consensual. 
Por fim, há, também, a obrigação de estímulo à conciliação (participação mais 
efetiva do conciliador), à mediação (o mediador facilita o diálogo entre as partes) e a outros 
métodos de solução consensual de conflitos – inclusive, a alhures delineada arbitragem -; 
de modo a possibilitar tanto maior satisfação às partes quanto celeridade à Justiça, que são 
determinantes na lide, enquanto prestação jurisdicional. 
 
 
Art. 4º. As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, 
incluída a atividade satisfativa. 
 
55 
A despeito de o referido dispositivo legal mencionar razoável, não se tem no 
ordenamento jurídico brasileiro um prazo propriamente dito, adotando-se a teoria do ‘não- 
prazo’, pela qual se extrai a duração aceitável por meio de princípios, como o da 
proporcionalidade, e ao analisar caso a caso. 
Nesse mesmo diapasão, contudo, em sentido correlato, as palavras do outrora 
Ministro do Supremo Tribunal Federal, quando relator da ADI 3510, no ano de 2008, o 
ilustre Ayres Britto, vêm a calhar: Embora não se saiba exatamente o que é o razoável, o 
meio-termo, sabe-se, seguramente, o que é absurdo, esdrúxulo e totalmente 
desproporcional... E com isto é possível ter-se um bom caminho, uma direção, para que se 
cheque ao razoável e ao que é do maior bom-senso possível. 
Quer dizer, ainda que não tenha o legislador fixado prazos específicos, quando da 
duração razoável do processo,sobre o 
ordenamento jurídico e sobre processos administrativos ou jurisdicionais findos ou em 
curso; (II) colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no 
estrangeiro, de competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira; (III) qualquer 
outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
 
 
Art. 31. A autoridade central brasileira comunicar-se-á diretamente com suas congêneres e, 
se necessário, com outros órgãos estrangeiros responsáveis pela tramitação e pela execução 
de pedidos de cooperação enviados e recebidos pelo Estado brasileiro, respeitadas 
disposições específicas constantes de tratado. 
 
Independentemente de o auxílio direto ser ativo ou passivo, a autoridade central 
brasileira, em regra o Ministério da Justiça, deverá será acionada para dar prosseguimento 
aos contatos necessários com suas congêneres ou outros órgãos responsáveis estrangeiros 
pela tramitação e execução dos pedidos de cooperação internacional, respeitadas as 
disposições específicas constantes de tratado. 
 
 
Art. 32. No caso de auxílio direto para a prática de atos que, segundo a lei brasileira, não 
necessitem de prestação jurisdicional, a autoridade central adotará as providências 
necessárias para seu cumprimento. 
 
Quando requisitado auxílio direto por Estado estrangeiro que tenha como objeto um 
ato que independe de prestação jurisdicional, é incumbência da autoridade central, 
geralmente o Ministério da Justiça, tomar as providências para seu cumprimento. 
 
 
Art. 33. Recebido o pedido de auxílio direto passivo, a autoridade central o encaminhará à 
Advocacia-Geral da União, que requererá em juízo a medida solicitada. 
Parágrafo único. O Ministério Público requererá em juízo a medida solicitada quando for 
autoridade central. 
 
Nos casos em que o pedido de auxílio internacional efetuado por Estado estrangeiro 
tenha como objeto uma providência que depende de ato judicial, a autoridade central, que 
em regra será o Ministério da Justiça, deverá, caso recepcionado o pedido, encaminhá-lo 
para a Advocacia-Geral da União, que é o encarregado pela requisição em juízo da medida 
solicitada. Há também a possibilidade exposta no parágrafo único, que positiva que, caso 
 
83 
forem conferidas ao Ministério Público as funções de autoridade central, no procedimento 
da cooperação internacional, ele próprio requererá em juízo a medida solicitada, sem 
intervenção da Advocacia-Geral da União. 
 
 
Art. 34. Compete ao juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar 
pedido de auxílio direto passivo que demande prestação de atividade jurisdicional. 
 
Tal dispositivo diz respeito a competência do processamento da requisição da 
Advocacia-Geral da União, ou extraordinariamente do Ministério Público. Portanto, caberá 
ao Juízo Federal do lugar da execução da providência. A competência da Justiça Federal é 
justificada em função da conexão internacional; quanto ao lugar da execução como critério, 
a fundamentação se baseia na premissa de a proximidade com o objeto potencializa as 
chances de ser alcançado resultado útil. 
 
 
Seção III - Da Carta Rogatória 
 
Rafael Bussolote Finotti Silva 
Tiago Clemente Souza 
 
Art. 35. (VETADO). 
 
“Art. 35. Dar-se-á por meio de carta rogatória o pedido de cooperação entre órgão 
jurisdicional brasileiro e órgão jurisdicional estrangeiro para prática de ato de citação, 
intimação, notificação judicial, colheita de provas, obtenção de informações e cumprimento 
de decisão interlocutória, sempre que o ato estrangeiro constituir decisão a ser executada no 
Brasil.” 
Razões do veto: “Consultados o Ministério Público Federal e o Superior Tribunal 
de Justiça, entendeu-se que o dispositivo impõe que determinados atos sejam praticados 
exclusivamente por meio de carta rogatória, o que afetaria a celeridade e efetividade da 
cooperação jurídica internacional que, nesses casos, poderia ser processada pela via do 
auxílio direto.”9 
 
9 CARTA ROGATÓRIA - COLABORAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE TRATADO. A inexistência de tratado 
entre o país no qual situada a Justiça rogante e o Brasil não obstaculiza o cumprimento de carta rogatória, 
implementando-se atos a partir do critério da cooperação internacional no combate ao crime. CARTA 
ROGATÓRIA - OBJETO - DADOS DE PROCESSOS EM CURSO NO BRASIL E COLETA DE 
DEPOIMENTOS. O levantamento de dados constantes de processos em andamento no Brasil não implica a 
quebra do sigilo assegurado pela Carta da República, ante a publicidade que os reveste. No tocante à coleta de 
84 
Art. 36. O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Justiça é de 
jurisdição contenciosa e deve assegurar às partes as garantias do devido processo legal. 
§ 1º A defesa restringir-se-á à discussão quanto ao atendimento dos requisitos para que o 
pronunciamento judicial estrangeiro produza efeitos no Brasil. 
§ 2º Em qualquer hipótese, é vedada a revisão do mérito do pronunciamento judicial 
estrangeiro pela autoridade judiciária brasileira. 
 
Desprende-se do artigo que o procedimento da carta rogatória é de competência 
originária do Superior Tribunal de Justiça. É também expresso que que o procedimento será 
contencioso, devendo, por isso, assegurar às partes as garantias do devido processo legal, 
como manda o caput. 
Tal defesa, contudo, está limitada a discussão quanto ao cumprimento ou não dos 
requisitos para que a declaração estrangeira judicial produza efeitos no Brasil. Não há, em 
hipótese nenhuma, a possibilidade de a autoridade do judiciário brasileiro rever o mérito do 
pronunciamento judicial estrangeiro. 
 
 
Seção IV- Disposições Comuns às Seções Anteriores 
 
Rafael Bussolote Finotti Silva 
Tiago Clemente Souza 
 
Art. 37. O pedido de cooperação jurídica internacional oriundo de autoridade brasileira 
competente será encaminhado à autoridade central para posterior envio ao Estado requerido 
para lhe dar andamento. 
 
Em caso de cooperação jurídica internacional ativa, o dispositivo prenuncia que o 
pedido será encaminhado à autoridade central para posterior envio ao Estado requerido para 
lhe dar andamento. Relembramos que por força do § 4o do art. 26, a função de autoridade 
central, na ausência de designação específica, será do Ministério da Justiça. 
 
 
Art. 38. O pedido de cooperação oriundo de autoridade brasileira competente e os 
documentos anexos que o instruem serão encaminhados à autoridade central, acompanhados 
de tradução para a língua oficial do Estado requerido. 
 
 
depoimentos, descabe examinar o envolvimento, ou não, no processo em curso no estrangeiro, daqueles que 
devem ser ouvidos, sob pena de mesclagem de jurisdições. (CR 9854 AgR, Relator(a): MARCO AURÉLIO, 
Tribunal Pleno, julgado em 28/05/2003, DJ 27-06-2003 PP-00043 EMENT VOL-02116-02 PP-00393) 
85 
Ainda nos casos de cooperação jurídica ativa, não só o pedido, oriundo de autoridade 
brasileira competente, como também os documentos anexos que o instruem, serão 
encaminhados à autoridade central, acompanhados de tradução para a língua oficial do 
Estado requerido. Portanto, incumbe a autoridade que requer a tomada de providências em 
país estrangeiro a tarefa de tradução, e não a autoridade central. 
 
 
Art. 39. O pedido passivo de cooperação jurídica internacional será recusado se configurar 
manifesta ofensa à ordem pública. 
 
Há formalizado no CPC/15 uma hipótese de rejeição do pedido de cooperação 
jurídica internacional feito por país estrangeiro. Sendo assim, por força deste dispositivo, o 
pedido será recusado se configurar manifesta ofensa à ordem pública. Percebe-se então que 
há competência da autoridade central para analisar o mérito da questão, restrito a ofensa à 
ordem pública. A formalização é importante e reafirma a soberania do que aquise entende 
como direito no espaço de jurisdição brasileira. 
Lembra Humberto Theodor Júnior que não se procederá pelas vias de cooperação 
jurídica internacional aos atos de execução de decisão estrangeira, caso em que se adotará 
o regime de carta rogatória ou de ação de homologação de sentença estrangeira, com 
exceção de cumprimento de decisões interlocutórias e de despachos que ordenem citação, 
intimação, notificação judicial, colheita de provas e obtenção de informações.10 
 
 
Art. 40. A cooperação jurídica internacional para execução de decisão estrangeira dar-se-á 
por meio de carta rogatória ou de ação de homologação de sentença estrangeira, de acordo 
com o art. 960 . 
 
Leciona o art. 7°, da Resolução n.° 9/2005, do STJ “As cartas rogatórias podem ter 
por objeto atos decisórios ou não decisórios”. Coube ao CPC/15 então dar legitimação 
formal a previsão. Lembramos que a homologação de sentença estrangeira está 
objetivamente associada a decisões definitivas e sujeita a juízo de determinação do STJ. Por 
sua vez, a carta rogatória está objetivamente associada a atos ordinatórios, bem como a 
decisões interlocutórias, que visam a concessão do exequatur ao ato estrangeiro. Quaisquer 
das medidas dão eficácia as decisões estrangeiras no Brasil. 
 
 
 
10 THEODORO JR, Humberto. Novo Código de Processo Civil. 21ª Edição. Rio de Janeiro: Forense. 2018. 
p. 112. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art960
86 
Art. 41. Considera-se autêntico o documento que instruir pedido de cooperação jurídica 
internacional, inclusive tradução para a língua portuguesa, quando encaminhado ao Estado 
brasileiro por meio de autoridade central ou por via diplomática, dispensando-se 
ajuramentação, autenticação ou qualquer procedimento de legalização. 
Parágrafo único. O disposto no caput não impede, quando necessária, a aplicação pelo 
Estado brasileiro do princípio da reciprocidade de tratamento. 
 
Foram reduzidas as formalidades da cooperação. Quando o envio do pedido de 
cooperação jurídica internacional for realizado por meio de autoridade central ou por via 
diplomática, a ajuramentação, autenticação ou qualquer procedimento de legalização, 
inclusive tradução para a língua portuguesa. Todavia, quando necessário, o Estado brasileiro 
poderá aplicar o princípio da reciprocidade de tratamento, caso o país de origem, por 
exemplo, exija ajuramentação, autenticação ou qualquer procedimento de legalização de 
pedido de cooperação provindo do Brasil. 
 
 
TÍTULO III- DA COMPETÊNCIA INTERNA 
 
CAPÍTULO I - DA COMPETÊNCIA 
Seção I Disposições Gerais 
 
Eduardo Jannone da Silva11 
Arts. 42 – 63 
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua 
competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 86, do CPC/73, possuindo assento 
constitucional na dicção do art. 5°, XXXV, da CF/1988 e correlação com a Lei Federal n° 
9.307/1996. 
O dispositivo em exame revela que a função jurisdicional titularizada pelo Estado 
restou atribuída, pelo ordenamento jurídico vigente, aos órgãos que integram o Poder 
Judiciário. A competência (que é ligada ao órgão “juízo” e não ao agente “juiz”), por sua 
vez e nas lições de Liebman (1980), representa a “quantificação da jurisdição”, não podendo 
essa mesma competência, porém, limitar a jurisdição, vez que “o órgão jurisdicional possui 
jurisdição plena em seu âmbito de atuação” (WAMBIER; ALMEIDA, 2007, p. 93). 
 
 
11 Doutor em Ciências – Fonoaudiologia – Processos e Distúrbios da Comunicação – Faculdade de 
Odontologia de Bauru - Universidade de São Paulo (2016 a 2019); Mestre em Direito – Sistema 
Constitucional Instituição Toledo de Ensino de Bauru/SP (2006 a 2008); Bacharel em Direito - Faculdade de 
Direito de Bauru - Instituição Toledo de Ensino 
de Bauru/SP (1995 a 1999); Advogado. 
87 
Assim como já preconizava o art. 86, do CPC/73, o CPC/2015 facultou às partes 
convencionar que a lide seja submetida à jurisdição arbitral, desde que dentro dos limites 
fixados na Lei Federal n° 9.307/1996. Em verdade, entende-se que a jurisdição estatal deve 
cooperar com a jurisdição arbitral, realizado a primeira aquilo que desborda da atribuição 
legal do árbitro. 
Ademais, e em existindo dúvida sobre se determinada lide deve ser resolvida por 
juiz estatal ou por árbitro, é esse último quem, ao menos em um primeiro momento, deve se 
manifestar a respeito (cf.: arts. 8º, parágrafo único, 20, 32 e 33, todos da Lei Federal n° 
9.307/1996; art. 485, VII, 2ª Parte, do CPC/2015; STJ, REsp 1.302.900/MG, rel. Min. Sidnei 
Beneti, 3ª T., j. 09.10.2012; STJ, REsp 1.278.852/MG, rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4ª T., 
j. 21.05.2013), ainda que, posteriormente, possa haver manifestação judicial sobre a 
questão. 
Ainda, e sendo a decisão proferida por juízo estatal absolutamente incompetente, 
mesmo assim terá havido prestação jurisdicional – razão pela qual seus efeitos deverão ser 
conservados até que outra decisão seja proferida pelo juízo competente. Em caso de decisão 
proferida por árbitro fora dos limites da jurisdição arbitral, e uma vez intentada a ação 
correspondente objetivando infirmar tal decreto decisório (art. 20, da Lei Federal n° 
9.307/1996), a mesma “ratio” deve ser aplicada. 
 
 
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição 
inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas 
posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência 
absoluta. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 87, do CPC/73. 
A competência é abstratamente disciplinada pelo sistema jurídico. Assim, e uma vez 
ajuizada a demanda, implementa-se a fixação da competência, que, em regra, não deverá 
ser modificada, exceto em caso de posterior supressão de órgão judiciário ou modificação 
que verse sobre competência absoluta. Nesse sentido, por exemplo, o comando da Súmula 
58 do STJ: “Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do executado não 
desloca a competência já fixada”. 
Porém, e caso exista sentença proferida anteriormente à modificação de regra 
jurídica de competência absoluta (competência em razão da matéria ou da hierarquia), tem-
se por válido o decisum (cf.: STF, CC 6967-RJ, rel. Min. Sepúlveda Pertence; STJ, AgRg 
no Ag 691.994/SP, 3ª T., rel. Min. Sidnei Beneti, j. 18.09.2008; Súmula 367 do STJ: “A 
competência estabelecida pela EC n. 45/2004 não alcança os processos já sentenciados”). 
 
88 
Em hipótese de competência relativa, e objetivando proteger a parte, o legislador 
preconizou a regra da estabilização da competência (perpetuatio jurisdictionis), de modo a 
obstar a alteração do lugar do processo em havendo modificações supervenientes do estado 
de fato ou de direito. 
 
 
Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal , a competência é 
determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas 
de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 91, do CPC/73, também possuindo relação 
com o art. 93 daquele diploma. Ainda, tem assento constitucional na dicção do art. 125, §1°, 
da CF/1988 e correlação com o art. 22, da Lei Complementar Federal n° 35/1979 (Lei 
Orgânica da Magistratura Nacional), com o art. 2º, caput, da Lei Federal n° 7.347/1985 (Lei 
da Ação Civil Pública), com o art. 93, da Lei Federal n° 8.078/1990 (Código de Defesa do 
Consumidor) e com art. 3°, §2°, da Lei Federal n° 9.099/1995 (Juizados Especiais). 
O Poder Judiciário, para prestar a jurisdição com eficiência, necessitou dividir suas 
atividades entre os diversos órgãos queo compõe, se valendo, para tanto, de variados 
critérios - seja para compor uma racionalizada distribuição de trabalho, seja porque o 
julgamento de determinados temas requer a dedicação de um órgão especializado (cf. 
comentário ao art. 62 do CPC/2015 sobre competência funcional; comentário aos arts. 64 e 
65 do CPC/2015 sobre competência absoluta e relativa e prorrogação da competência). 
Para se definir o juízo competente perante o qual a ação deverá ser ajuizada, deve-
se atentar para os seguintes critérios: (1) funcional; (2) matéria a ser decidida; (3) territorial; 
(4) valor. Por primeiro, necessário se faz inferir se o caso é de competência funcional 
originária de algum tribunal (sobre a competência originária do STF e do STJ, cf., 
respectivamente, arts. 102, I, e 105, I, da CF/1988), sendo que, nos termos do § 1º, do art. 
125, da CF/1988, “a competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado”. 
Vencida tal análise preambular, se indaga se o caso é de competência de justiça 
especializada. Na sequência, e em se tratando de competência da justiça comum, se avalia 
se seria federal (ratione personae - art. 109 da CF/1988) ou estadual (residual). Uma vez 
identificado que se trata de justiça estadual ou federal, ainda se indaga qual o foro 
territorialmente competente (comarca ou seção judiciária, conforme se trate, 
respectivamente, de justiça estadual ou federal - cf. arts. 46 ss. do CPC/2015). Em 
complemento, se investiga se há vara especializada no juízo territorialmente competente. 
Em se tratando de juízo competente para a ação civil pública, a competência é 
absoluta, tratando-se, em princípio, de critério de competência funcional (cf. comentário aos 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
89 
arts. 62 e 63 do CPC/2015). Porém, e em caso de dano de alcance nacional, há competência 
concorrente entre os juízos da capital do Estado e o do Distrito Federal, cuidando-se, 
portanto, de competência relativa (cf. art. 2º, caput, da LACP – Lei Federal n° 7.347/1985, 
c/c art. 93 do CDC – Lei Federal n° 8.078/1990). 
Em se tratando de julgamento de causas de menor complexidade (cuja competência 
também considera o critério do valor), o juízo competente será o dos Juizados Especiais 
Cíveis (art. 3º, da Lei Federal n° 9.099/1995), o qual, contudo, não tem competência 
absoluta - diversamente do que ocorre com o Juizado Especial Federal (art. 3º, § 3º, da Lei 
Federal n° 10.259/2001) e o da Fazenda Pública (art. 2º, § 4º, da Lei Federal n° 
12.153/2009). Em existindo, na mesma seção judiciária, vara cível federal e de juizado 
especial federal, este terá competência absoluta (art. 3º, § 3º, da Lei Federal n° 10.259/2001), 
assim como ocorre com os Juizados Especiais da Fazenda Pública (cf. art. 2º, § 4º da Lei 
Federal n° 12.153/2009). 
Por derradeiro, e quanto a matéria em análise, deve-se observar as seguintes súmulas 
e repetitivo do C. Superior Tribunal de Justiça: 
Súmula 1: “O foro do domicílio ou da residência do alimentando é o competente 
para a ação de investigação de paternidade, quando cumulada com a de 
alimentos”; Súmula 4: “Compete à Justiça Estadual julgar causa decorrente do 
processo eleitoral sindical”; Súmula 10: “Instalada a Junta de Conciliação e 
Julgamento, cessa a competência do Juiz de Direito em matéria trabalhista, 
inclusive para a execução das sentenças por ele proferidas”; Súmula 11: “A 
presença da União ou de qualquer de seus entes, na ação de usucapião especial, 
não afasta a competência do foro da situação do imóvel”; Súmula 15: “Compete 
à Justiça Estadual processar e julgar os litígios decorrentes de acidente do 
trabalho”; Súmula 32: “Compete à Justiça Federal processar justificações 
judiciais destinadas a instruir pedidos perante entidades que nela têm 
exclusividade de foro, ressalvada a aplicação do art. 15, II, da Lei 5.010/66”; 
Súmula 33: “A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”; Súmula 
34: “Compete à Justiça Estadual processar e julgar causa relativa a mensalidade 
escolar, cobrada por estabelecimento particular de ensino”; Súmula 46: “Na 
execução por carta, os embargos do devedor serão decididos no juízo deprecante, 
salvo se versarem unicamente vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou 
alienação dos bens”; Súmula 57: “Compete à Justiça Comum Estadual processar 
e julgar ação de cumprimento fundada em acordo ou convenção coletiva não 
homologados pela Justiça do Trabalho”; Súmula 58: “Proposta a execução fiscal, 
a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já 
fixada”; Súmula 66: “Compete à Justiça Federal processar e julgar execução fiscal 
promovida por Conselho de Fiscalização Profissional”; Súmula 82: “Compete à 
Justiça Federal, excluídas as reclamações trabalhistas, processar e julgar os feitos 
relativos a movimentação do FGTS”; Súmula 97: “Compete à Justiça do Trabalho 
processar e julgar reclamação de servidor público relativamente a vantagens 
trabalhistas anteriores à instituição do regime jurídico único”; Súmula 137: 
“Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar ação de servidor público 
municipal, pleiteando direitos relativos ao vínculo estatutário”; Súmula 170: 
“Compete ao juízo onde primeiro for intentada a ação de acumulação de pedidos, 
trabalhista e estatutário, decidi-la nos limites da sua jurisdição sem prejuízo do 
ajuizamento de nova causa, com o pedido remanescente, no juízo próprio”; 
Súmula 171: “Cominadas cumulativamente, em lei especial, penas privativa de 
liberdade e pecuniária, é defeso a substituição da prisão por multa”; Súmula 172: 
“Compete a Justiça Comum processar e julgar 
 
90 
militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço”; 
Súmula 173: “Compete à Justiça Federal processar e julgar o pedido de 
reintegração em cargo público federal, ainda que o servidor tenha sido dispensado 
antes da instituição do Regime Jurídico Único”; Súmula 480: “O juízo da 
recuperação judicial não é competente para decidir sobre a constrição de bens não 
abrangidos pelo plano de recuperação da empresa”; REsp (repetitivo) 
1.111.159/RJ: “1. Demanda envolvendo questões referentes ao empréstimo 
compulsório sobre energia elétrica proposta unicamente contra a Eletrobrás, 
perante a justiça estadual. Na hipótese, a União requereu o ingresso no feito, com 
fundamento nos arts. 5.º, da Lei 9.469/1997 e 50, do CPC de 1973, após a prolação 
da sentença pela justiça estadual. 2. No que se refere à competência para dirimir 
questões referentes ao empréstimo compulsório sobre energia elétrica, a 
jurisprudência desta Corte se firmou no sentido que a competência da justiça 
federal é definida em razão das partes litigantes e não da matéria em discussão, 
de sorte que, sendo a demanda proposta unicamente em desfavor da Eletrobrás, a 
competência para sua apreciação é da justiça estadual, ao passo que, ingressando 
a União no feito, a competência passa a ser da justiça federal, por força do que 
determina o art. 109, inciso I, da Constituição Federal. 3. O pedido de intervenção 
da União realizado após a prolação da sentença enseja tão somente o 
deslocamento do processo para o Tribunal Regional Federal, para que examine o 
requerimento de ingresso na lide e prossiga (se for o caso) seu julgamento, sem a 
automática anulação da sentença proferida pelo juízo estadual”. 
 
 
Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal 
competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e 
fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou 
de terceiro interveniente, exceto as ações: 
I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho; 
II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho. 
§ 1º Os autos não serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competênciado 
juízo perante o qual foi proposta a ação. 
§ 2º Na hipótese do § 1º, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da 
incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista 
interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas. 
§ 3º O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal 
cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo. 
 
Esta matéria não possuía dispositivo correspondente no CPC/73, sendo tão somente 
relacionada com o art. 99 daquele diploma. Ainda, tem assento constitucional na dicção do 
art. 109, I e §1°, da CF/1988 e correlação com o art. 2º, da Lei Federal n° 12.016/2009 
(Mandado de Segurança). 
No tocante à competência da Justiça Federal, temos que a mesma é disciplinada pelo 
disposto no art. 109 da Constituição Federal, tendo o constituinte originário excluído 
expressamente a competência da Justiça Federal para julgar feitos de falência, acidente de 
trabalho e sujeitos à justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho (CF/1988, art. 109, I), tendo as 
redações dos incisos do art. 45, caput, do CPC/2015 seguido tal diretriz. 
O mesmo art. 109 da Constituição Federal, também em seu inciso I, estatuiu que 
competirá à Justiça Federal julgar as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa 
 
91 
pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes 
(exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça 
do Trabalho), sendo que, em havendo intervenção no feito formulado pela União, esse deve 
ser deslocado para a Justiça Federal para a análise do pedido (cf. art. 45, caput do CPC/2015; 
Súmulas 218 e 365 do STJ; Repetitivo REsp 1.111.159/RJ). Contudo, e se excluído do 
processo o ente federal, os autos devem ser restituídos ao juízo estadual, sendo incabível a 
suscitação de conflito de competência (cf. § 3º, do art. 45 do CPC/2015 e Súmula 224 do 
STJ). 
Ainda, em se tratando de Ação de Mandado de Segurança impetrado contra ato de 
dirigente de instituição particular de ensino superior e de acordo com o estatuído no art. 2º 
da Lei 12.016/2009, vem decidindo o STJ que a competência será federal quando a 
impetração voltar-se contra ato de dirigente de universidade pública federal ou de 
universidade particular; diversamente, a competência será estadual quando o writ for 
impetrado contra dirigentes de universidades públicas estaduais e municipais, componentes 
do sistema estadual de ensino (cf. STJ, CC 113.305/TO, decisão monocrática, j. 25.05.2011, 
rel. Min. Cesar Asfor Rocha). 
 
 
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será 
proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. 
§ 1º Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles. 
§ 2º Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for 
encontrado ou no foro de domicílio do autor. 
§ 3º Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro 
de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em 
qualquer foro. 
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro 
de qualquer deles, à escolha do autor. 
§ 5º A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no 
do lugar onde for encontrado. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 94, do CPC/73, também possuindo 
correlação com os arts. 70 a 78 do CC/2002, com o art. 12, do Decreto-Lei Federal n° 
4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro) e com os arts. 127 e 159, 
do CTN. 
Na seara da competência territorial, e inexistindo regra específica, a ação deverá ser 
proposta no foro do domicílio do réu. Em situações nas quais a ação possa ser ajuizada no 
foro do domicílio do autor, e em havendo litisconsórcio ativo facultativo de autores 
domiciliados em Estados diversos, o foro competente será o de qualquer um deles – hipótese 
 
92 
na qual a competência se estende a todos os integrantes do litisconsórcio (cf. STJ, REsp 
942.185/RJ, 5ª T., j. 02.06.2009, rel. Min. Jorge Mussi; cf. também comentário ao art. 51 
do CPC/2015). 
Entende-se, ainda, que a doutrina do forum non conveniens é passível de aplicação 
não apenas em casos de conflito de jurisdições, mas, também em situações em que há dois 
ou mais juízos com competência concorrente para julgar a lide – como pode se verificar, à 
título exemplificativo, em hipótese prevista no art. 53, V do CPC/2015, na qual pode-se 
considerar ser mais adequado, para o julgamento da causa, o juízo em cujo âmbito de 
competência territorial ocorreu o ato ilícito (e não o juízo do domicílio do autor - cf. STJ, 
AgRg no Ag 1.137.193/GO, rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4.ª T., j. 27.10.2009). 
 
 
Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de 
situação da coisa. 
§ 1º O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não 
recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e 
de nunciação de obra nova. 
§ 2º A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo 
tem competência absoluta. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 95, do CPC/73, também possuindo 
correlação com os arts. 70 a 78, 328 e 341, do CC/2002, com o art. 12, do Decreto-Lei 
Federal n° 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro), com os arts. 
127 e 159, do CTN, com o art. 48, da Lei Federal n° 6.766/1979 (Parcelamento do Solo 
Urbano) e com o art. 58, II, da Lei Federal n° 8.245/1991 (Locação de Imóveis Urbanos). 
Conforme a dicção da cabeça do art. 47 do CPC/2015, para as “ações fundadas em 
direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa”, ou seja, competência 
absoluta e inderrogável, assim como ocorre com a ação possessória imobiliária (§2°). Em 
complemento, o § 1º estatui que “o autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo 
foro de eleição” caso a ação não recaia sobre direitos de propriedade, vizinhança, servidão, 
divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova, preconizando, em tais casos, a 
competência relativa (já tendo sido decidido, contudo, que tal regra do §1° não alcança ações 
atinentes à contrato de compra e venda relativa ao bem, de extinção de hipoteca e anulatória 
de escritura pública de cessão e transferência de direitos sucessórios [hipóteses nas quais o 
autor poderá optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição] - cf. STJ, AgRg na 
MC 14.534/GO, 3ª T., j. 16.09.2008, rel. Min. Nancy Andrighi; STJ, REsp 1.048.937/PB, 
rel. Min. Massami Uyeda, 3ª T., j. 22.02.2011; STJ, CC 111.572/SC, rel. Min. Nancy 
Andrighi, 2ª Seção, j. 09.04.2014). Sobre a prevenção em caso de imóvel cuja extensão 
abrange duas ou mais unidades jurisdicionais, cf. comentário ao art. 60 do CPC/2015. 
 
93 
Conforme acima esposado, e considerando a regra disposta no citado art. 47, caput, 
a competência para a ação de desapropriação é absoluta, do “foro da situação da coisa”, não 
incidindo, pois, o princípio da perpetuatio jurisdictionis (e, sim, o princípio do forum rei 
sitae - cf. comentário ao art. 43 do CPC/2015). Porém, há decisões no sentido de que, 
ajuizada ação de desapropriação de imóvel perante a justiça estadual, a criação de vara 
federal, situada no local do imóvel, desloca a competência para esse juízo (cf. STJ, REsp 
1.150.489/CE, rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª T., j. 10.08.2010), bem como que é 
competente o juízo da Fazenda Nacional da Capital do Estado, e não o da situação da coisa, 
para a desapropriação promovida por empresa de energia elétrica, se a União Federal 
intervém como assistente (STF, Súmula 218). 
 
 
Art. 48. O foro de domicílio doautor da herança, no Brasil, é o competente para o 
inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a 
impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for 
réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. 
Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente: 
I - o foro de situação dos bens imóveis; 
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; 
III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 96, do CPC/73, também possuindo 
correlação com os arts. 73 e 1.785, do CC/2002. 
A competência para processar o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento 
de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e todas 
as ações em que o espólio for réu será do juízo do foro do domicílio do autor da herança, 
sendo irrelevante o lugar da situação dos bens ou do óbito (ainda que esse último tenha 
ocorrido no estrangeiro) - competência territorial, logo, relativa (cf. STJ, CC 19.334/MG, 
2ª Seção, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira). 
Cumpre igualmente ressaltar que “o foro do inventário não exerce a vis attractiva 
sobre o processo em que se pleiteia reparação de danos decorrentes de ato ilícito do de cujus, 
por não ser o objeto da ação relativo ao espólio” (RT 580/158). Porém, e em que pese não 
haver conexão entre o inventário e a ação anulatória de testamento, aquela, ao final, 
dependerá do resultado desta, sendo conveniente que a declaração de nulidade de testamento 
e todas as demais ações que digam respeito à sucessão também sejam apreciadas pelo juízo 
do inventário (cf. STJ, REsp 1.153.194/MS, rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª T., j. 13.11.2012). 
 
 
94 
Art. 49. A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu último domicílio, 
também competente para a arrecadação, o inventário, a partilha e o cumprimento de 
disposições testamentárias. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 97, do CPC/73, também possuindo 
correlação com os arts. 22 a 26, 38 e 39, do CC/2002. 
Dispõe o presente comando legal que “a ação em que o ausente for réu será proposta 
no juízo do foro de seu último domicílio, também competente para a arrecadação, o 
inventário, a partilha e o cumprimento de disposições testamentárias”. Tal se deve, pois, e 
nas lições de Medina e Araújo (2020) “o instituto da ausência representa uma comprovação 
nítida sobre a necessidade de determinação da titularidade dos bens e direitos em relação a 
uma determinada pessoa. O desaparecimento da pessoa do seu domicílio provoca uma 
situação de crise quanto à gestão e administração do patrimônio jurídico, que poderá 
culminar com a declaração de sua ausência. Não se trata, unicamente, de um interesse 
patrimonial, pois a certeza quanto à existência é fundamental para a segurança das relações 
jurídicas em geral, incluindo o direito de família. Além disso, o interesse público é manifesto 
quanto ao paradeiro do desaparecido, em virtude da possibilidade de mudança do seu estado 
civil (morte)”. 
 
 
Art. 50. A ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu 
representante ou assistente. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 98, do CPC/73. 
A regra da fixação do juízo competente para ação movida por ou contra incapaz visa 
proteger pessoa absoluta ou relativamente incapaz, sobremaneira por considerá-la mais 
frágil na relação jurídica processual. Logo, não há razão para diferenciar-se a posição 
processual do incapaz (como autor ou réu em qualquer ação), devendo ser viabilizado ao 
seu representante demandar no foro de seu domicílio (cf. STJ, REsp 875.612/MG, rel. Min. 
Raul Araújo, 4ª T., j. 04.09.2014). 
 
 
Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União. 
Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de 
domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação 
da coisa ou no Distrito Federal. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 99, do CPC/73. Ainda, tem assento 
constitucional na dicção do art. 109, da CF/1988 e correlação com o art. 15, da Lei Federal 
 
95 
n° 5.010/1966 (Lei de Organização da Justiça Federal), com a redação da Lei Federal n° 
13.876/2019. 
O regramento referente ao foro competente envolvendo demandas em que a União 
for parte está disposto no art. 109 da CF/1988, sendo que o CPC/2015, através deste art. 51, 
cuidou de reiterar o que estabelecem os §§ 1º e 2º, do art. 109, do Texto Constitucional. 
Assim, e em ação ajuizada em face da União e suas autarquias, “cabe ao autor a escolha do 
foro conveniente, podendo a parte autora, inclusive, ajuizar a ação no foro de seu domicílio, 
nada impedindo que opte por ajuizar a ação contra a União na capital do Estado-membro, 
ainda que exista vara federal instalada no município em que ele for domiciliado” (cf. STF, 
ARE 1.151.612 AgR/SP, 2ª T., rel. Min. Cármen Lúcia, j. 19/11/2019). 
Nos termos do § 3º, do art. 109, da Constituição Federal, a “lei poderá autorizar que 
as causas de competência da Justiça Federal, em que forem parte instituição de previdência 
social e segurado, possam ser processadas e julgadas na justiça estadual, quando a comarca 
do domicílio do segurado não for sede de vara federal”. O art. 15 da Lei Federal n° 
5.010/1966 (Lei de Organização da Justiça Federal) dispõe que “quando a Comarca não for 
sede de Vara Federal, poderão ser processadas e julgadas na Justiça Estadual: […] III – as 
causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado e que se referirem a 
benefícios de natureza pecuniária, quando a Comarca de domicílio do segurado estiver 
localizada a mais de 70 km (setenta quilômetros) de Município sede de Vara Federal”. 
Assim, o critério a ser considerado é a distância entre a cidade sede da comarca estadual e 
a cidade sede de vara da justiça federal mais próxima. E quanto aos processos em trâmite 
nos juízos estaduais, o Conselho da Justiça Federal consignou restrição ao exercício da 
competência federal delegada, porém, tão somente para as ações propostas a partir de 1º de 
janeiro de 2020 (de modo que se mantém incólume a delegação para os processos 
atualmente em trâmite na justiça comum estadual - cf. CJF, Proc. n° 0006509-
11.2019.4.90.8000, rel. Conselheira Maria Thereza de Assis Moura). 
 
 
Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado 
ou o Distrito Federal. 
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser 
proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a 
demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado. 
 
Esta matéria não possuía dispositivo correspondente no CPC/73, sendo tão somente 
relacionada com o art. 100, IV, “d” daquele diploma. 
 
96 
Em demandas nas quais figure como parte o Estado e do Distrito Federal, temos que 
o legislador instituiu a exata ratio estabelecida no art. 51 do CPC/2015, sendo que, inclusive 
e ainda sob a égide do CPC/1973, a jurisprudência assim já assentava (cf. STJ, REsp 
193.725/SC, rel. Min. João Otávio de Noronha, 2ª T., j. 17.02.2005; STJ, REsp 879.675/SP, 
rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, 5ª T., j. 29.11.2007). 
 
 
Art. 53. É competente o foro: 
I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou 
dissolução de união estável: 
a) de domicílio do guardião de filho incapaz; 
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; 
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal; 
d) de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 
7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha); 
II - de domicílioou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos; 
III - do lugar: 
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica; 
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu; 
c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem 
personalidade jurídica; 
d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento; 
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo 
estatuto; 
f) da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato 
praticado em razão do ofício; 
IV - do lugar do ato ou fato para a ação: 
a) de reparação de dano; 
b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios; 
V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em 
razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 100, do CPC/73. Ainda, tem assento 
constitucional na dicção dos arts. 5°, I, 109, 110 e 226, §5°, da CF/1988 e correlação com 
os arts. 22 a 25, 27, 29 a 36, 38, 39, 73, 75, 76, 327, 328, 861 a 875 e 1.785, CC/2002, com 
o art. 147, I, da Lei Federal n° 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e com o 
art. 26, Lei 5.478/1968 (Ação de alimentos). 
No inciso I, alíneas “a” a “d”, do art. 53, restaram elencados os foros competentes 
para ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução 
de união estável, sendo eles, concorrentemente: o do domicílio do guardião de filho incapaz, 
o de último domicílio do casal, o de domicílio do réu, ou de domicílio da vítima de violência 
doméstica e familiar, nos termos da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). Cumpre, ainda, 
registrar que a competência para o julgamento de ação que envolva interesse de criança ou 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm
97 
adolescente (arts. 3°, 6° e 147, I, da Lei Federal 8.069/1990 - Estatuto da Criança e do 
Adolescente) é determinada pelo domicílio dos pais ou responsável, ou seja, competência 
absoluta (cf. STJ, AgRg no CC 94.250/MG, 2ª Seção, j. 11.06.2008, rel. Min. Aldir 
Passarinho Junior; STJ, CC 102.849/CE, 2ª Seção, j. 27.05.2009, rel. Min. Fernando 
Gonçalves) – sendo essa diretriz também aplicada nos casos em que litigam os pais contra 
aquele que exerce a guarda da criança ou adolescente (cf. STJ Súmula 383: “a competência 
para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é, em princípio, do foro do 
domicílio do detentor de sua guarda”). Cf. também o comentário ao art. 50 do CPC/2015. 
No tocante à competência para a ação em que se pedem alimentos, essa restou fixada 
no domicílio ou residência do alimentando. Ainda, nossa jurisprudência assentou que “em 
se tratando de execução de prestação alimentícia, a aparente antinomia havida entre o art. 
475-P e parágrafo único (e também o art. 575, II) e o art. 100, II, todos do CPC (de 1973, 
correspondentes, respectivamente, ao art. 516 e parágrafo único e ao art. 53, II do 
CPC/2015), resolve-se em favor do reconhecimento de uma regra de foro concorrente, que 
permite ao alimentando escolher entre: (I) o foro do seu domicílio ou residência; (II) o Juízo 
que proferiu a sentença exequenda; (III) o Juízo do local onde se encontram bens do 
alimentante, sujeitos à expropriação; e (IV) o Juízo do atual domicílio do alimentante. Na 
hipótese, é competente para o processamento da execução de alimentos o foro do domicílio 
ou residência do alimentando, eleito por ele para o ajuizamento da ação, ainda que a 
sentença exequenda tenha sido proferida em foro diverso. Relativização da competência 
funcional prevista no art. 475-P do CPC (de 1973, correspondente ao art. 516 do 
CPC/2015).” (cf. STJ, CC 118.340/MS, rel. Min. Nancy Andrighi, 2ª Seção, j. 11.09.2013). 
No âmbito das ações indenizatórias relativas a ilícitos civis ou penais, temos que, 
por regra, a competência é a do lugar do ato ou fato (cf. art. 53, IV, a, do CPC/2015; STJ, 
EAg 783.280/RS, rel. Min. Nancy Andrighi, 2ª Seção, j. 23.02.2011). Nas ações 
indenizatórias envolvendo acidente de veículos (art. 53, V, do CPC/2015) poderá o autor 
optar em propor a demanda no foro que lhe é mais conveniente (no foro do seu próprio 
domicílio, no foro do local do acidente ou, ainda, no foro do domicílio do réu), exceto no 
caso de locadora de veículos: “É competente o juízo do foro do domicílio do autor ou do 
local do fato para a ação de reparação de dano sofrido em razão de acidente de veículos. 
Isso porque a regra geral do foro do domicílio do réu não seria suficiente para atender às 
necessidades decorrentes de lides relacionadas aos acidentes de trânsito, dado que muitas 
vezes a vítima haveria de ajuizar a demanda em comarcas distantes de seu domicilio ou 
mesmo do local do fato. As pessoas jurídicas locadoras de frotas de veículos não estão 
abrangidas pela prerrogativa legal de escolha do foro. Assim, não incide a regra do art. 100, 
 
98 
V, parágrafo único, do Código de Processo Civil de 1973 – nem a do art. 53, V, do atual 
CPC – no caso de ação judicial movida pela locadora para reparação dos danos sofridos em 
acidente de trânsito no qual envolvido o locatário, ainda que o veículo seja de propriedade 
da locadora. A escolha dada ao autor de ajuizar a ação de reparação de dano decorrente de 
acidente de veículos é exceção à regra geral de competência, definida pelo foro do domicílio 
do réu. Não se pode dar à exceção interpretação tão extensiva a ponto de subverter o escopo 
da regra legal, mormente quando importar em privilégio à pessoa jurídica cujo negócio é 
alugar veículos em todo território nacional em detrimento da defesa do réu pessoa física. 
Hipótese em que ambos os envolvidos no acidente, possíveis vítimas – o locatário do veículo 
e o réu –, têm domicílio no local onde ocorreu o acidente, comarca de Porto Alegre, não 
atendendo à finalidade da lei a tramitação da causa em Minas Gerais, sede da autora, 
empresa proprietária e locadora do veículo” (cf. STJ, EDcl no AgRg no Ag 1.366.967/MG, 
Rel. p/ Acórdão Min. Maria Isabel Gallotti, 4ª T., j. 27/04/2017). Cf. também STJ, REsp 
(repetitivo) 1.357.813/RJ. 
Na ação de reparação de danos fundada em responsabilidade contratual ou 
extracontratual, a competência será a do local onde se produziu o dano, não no domicílio do 
réu. Porém, e por se tratar de competência territorial relativa, pode ser derrogada por 
contrato, prevalecendo o foro de eleição (cf. STJ, REsp 1.087.471/MT, rel. Min. Sidnei 
Beneti, 3ª T., j. 14.06.2011). Sobre a cláusula de eleição de foro, cf. comentário ao art. 63 
do CPC/2015. 
Para a ação de arbitramento de honorários advocatícios, será competente, com fulcro 
no art. 53, III, d do CPC/2015, o foro do lugar em que a obrigação deve, ou devesse, ser 
satisfeita (cf. STJ, REsp 1.072.318/SP, rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª T., j. 07.04.2011). 
Nas ações movidas por consumidor contra fornecedor, admite-se, inclusive e de 
ofício, o reconhecimento de nulidade de cláusula de eleição de foro celebrada em contrato 
de adesão, com consequente remessa dos autos para o juízo de domicílio do réu (cf. 
comentário ao art. 63 do CPC/2015). Tal sistemática é aplicada igualmente no caso em que 
a parte supostamente mais fraca da relação de direito material não é o réu, mas, sim, o autor 
da ação. 
Em caso de ação de indenização proposta por dependente de trabalhador falecido em 
acidente de trabalho, a competência para julgar tais ações é da Justiça do Trabalho: “A 
competência para julgar ações de indenização por danos morais e materiais decorrentes de 
acidente de trabalho, após a edição da EC 45/04, é da Justiça do Trabalho. (…). O 
ajuizamento da ação de indenização pelos sucessores não altera a competênciada Justiça 
especializada. A transferência do direito patrimonial em decorrência do óbito do empregado 
 
99 
é irrelevante” (cf. STF, CC 7.545, Pleno, j. 03.06.2009, rel. Min. Eros Grau). Diante disso, 
o STJ cancelou sua Súmula 366 (cf. STJ, CC 101.977/SP, Corte Especial, j. 16.09.2009, rel. 
Min. Teori Albino Zavascki). 
Para o caso de ação indenizatória relativa a danos morais decorrentes de matéria 
publicada na internet, temos que nem sempre será possível definir, com precisão, o “lugar 
do ato ou fato” (art. 53, IV, do CPC/2015). Assim, em se tratando de lesão decorrente de 
matéria jornalística, será o “lugar do ato ou fato” aquele “em que residem e trabalham as 
pessoas prejudicadas” (cf. STJ, REsp 191.169/DF, 4ª T., rel. Min. Aldir Passarinho Júnior), 
uma vez que é nessa localidade que “houve a repercussão efetiva da notícia” (cf. STJ, REsp 
509.203/AL, 3ª T., rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito). A mesma conclusão se aplica 
à hipótese em que determinada matéria é divulgada na internet (cf. STJ, AgRg no Ag 
965.530/RJ, 4ª T., j. 05.08.2008, rel. Min. Aldir Passarinho Júnior). Na hipótese de 
mensagens eletrônicas difamatórias (via e-mail), admite-se o ajuizamento de ação contra o 
provedor detentor dos dados cadastrais do autor de tais mensagens (cf. STJ, REsp 
1.068.904/RS, rel. Min. Massami Uyeda, 3ª T., DJe 30.03.2011). 
Por derradeiro, e quanto a matéria em análise, deve-se observar as seguintes súmulas 
do C. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, além de repetitivo 
desse último: 
STF Súmula 363: “A pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no 
domicílio da agência, ou estabelecimento, em que se praticou o ato”; STJ, Súmula 
1: “O foro do domicílio ou da residência do alimentando é o competente para a 
ação de investigação de paternidade, quando cumulada com a de alimentos”; STJ, 
Súmula 383: “A competência para processar e julgar as ações conexas de interesse 
de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda”; STJ, 
Súmula 540: “Na ação de cobrança do seguro DPVAT, constitui faculdade do 
autor escolher entre os foros do seu domicílio, do local do acidente ou ainda do 
domicílio do réu”; STJ, REsp (repetitivo) 1357813/RJ: “Em ação de cobrança 
objetivando indenização decorrente de Seguro Obrigatório de Danos Pessoais 
Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres – DPVAT, constitui 
faculdade do autor escolher entre os seguintes foros para ajuizamento da ação: o 
do local do acidente ou o do seu domicílio (parágrafo único do art. 100 do Código 
de Processo Civil [de 1973, correspondente ao art. 53, V do CPC/2015]); bem 
como, ainda, o do domicílio do réu (art. 94 do mesmo Diploma [CPC de 1973, 
correspondente ao art. 46 do CPC/2015]) (STJ, REsp 1.357.813/RJ, Rel. Min. 
Luis Felipe Salomão, 2ª Seção, j. 11.09.2013). 
 
 
Seção II -Da Modificação da Competência 
 
Eduardo Jannone da Silva 
 
Art. 54. A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, 
observado o disposto nesta Seção. 
 
100 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 102, do CPC/73. 
No âmbito da temática relativa à modificação da competência relativa, a lei 
processual tratou de enumerar as hipóteses de cabimento (não sendo aplicáveis tais 
diretrizes para competência absoluta). Logo, “o foro da situação da coisa é absolutamente 
competente para conhecer de ação fundada em direito possessório sobre imóveis. Por força 
da interpretação sistemática dos arts. 95, in fine, e 102 [do CPC/1973, correspondentes aos 
arts. 47 e 54 do CPC/2015], a competência do foro da situação do imóvel não pode ser 
modificada pela conexão ou continência. É irrelevante, portanto, que anteriormente ao 
ajuizamento da ação possessória pelo adquirente do bem tenha sido ajuizada outra ação, 
pelos alienantes, em que se busca questionar a causa que ensejou a transferência da 
propriedade dos bens” (cf. STJ, REsp 660.094/SP, 3ª T., rel. Min. Nancy Andrighi, RT 
868/192). Sobre a definição de conexão, cf. comentário ao art. 55 do CPC/2015; sobre a 
definição de continência, cf. comentário ao art. 56 do CPC/2015. 
 
 
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou 
a causa de pedir. 
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles 
já houver sido sentenciado. 
§ 2º Aplica-se o disposto no caput: 
I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato 
jurídico; 
II - às execuções fundadas no mesmo título executivo. 
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de 
prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo 
sem conexão entre eles. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 103, do CPC/73. Ainda, tem correlação com 
os arts. 7º, §§ 2º e 3º, 56 e 202, § 1º, do Decreto-Lei Federal n° 7.661/1945 (Lei de Falências, 
revogada pela Lei Federal n° 11.101/2005, mas, aplicável aos processos iniciados antes do 
início da vigência desta Lei), e com os arts. 6º, § 8º, 76 e 134, da Lei Federal n° 11.101/2005 
(Nova Lei de Recuperação e Falência). 
Nos termos da lei processual civil, e para que ocorra conexão entre duas ou mais 
ações, necessária se faz que entre as mesmas haja identidade entre pedido ou causa de pedir 
(CPC/2015, art. 55, caput), sendo prescindível que as partes sejam idênticas: “A conexão 
pressupõe a existência de causas que, embora não sejam iguais, guardam entre si algum 
vínculo, uma relação de afinidade, o que denota que o alcance da regra de conexão tem sido 
alargado, de modo a se interpretar o vocábulo ‘comum’, contido no texto legal, como uma 
indicação do legislador de que, para caracterizar a conexão, seria desnecessária a identidade 
 
101 
total dos elementos da ação, bastando tão somente uma identidade parcial” (STJ, REsp 
1.226.016/RJ, 3ª T., j. 15.03.2011, rel. Min. Nancy Andrighi); “A moderna teoria 
materialista da conexão ultrapassa os limites estreitos da teoria tradicional e procura 
caracterizar o fenômeno pela identificação de fatos comuns, causais ou finalísticos entre 
diferentes ações, superando a simples identidade parcial dos elementos constitutivos das 
ações” (cf. STJ, REsp 1221941/RJ, rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4ª T., j. 24.02.2015). 
Cumpre igualmente registrar que o art. 55, § 3º, do CPC/2015, embora não alterando 
o conceito legal de conexão, estabeleceu que, havendo risco de decisões contraditórias e 
sobretudo em obediência à segurança jurídica, justifica-se a reunião de ações para que 
restem julgadas em conjunto. 
O art. 55, § 2º, do CPC/2015 previu a nominada “conexão por prejudicialidade”, a 
qual justifica a reunião das referidas causas, desde que em se tratando de hipótese de 
competência relativa, “seja porque a conexão não possibilita a modificação da competência 
absoluta, seja porque é vedada a cumulação em juízo incompetente para apreciar uma das 
demandas” (cf. STJ, CComp 106.041/SP, 1ª Seção, j. 28.10.2009, rel. Min. Castro Meira). 
Por derradeiro, e quanto a matéria em análise, deve-se observar as seguintes súmulas 
do C. Superior Tribunal de Justiça: 
Súmula 235: “A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já 
foi julgado”; Súmula 383: “A competência para processar e julgar as ações 
conexas de interesse de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor 
de sua guarda”. 
 
 
Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto 
às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 104, do CPC/73. 
Na continência, conforme dicção do presente comando legal, constata-se integral 
identidade entre as partes e as causas de pedir de duas ações. Porém, depreende-se que o 
pedido realizado em uma das ações é mais amplo que o pedidoaduzido na outra. Assim, 
assenta a jurisprudência que, nesse caso, haverá litispendência parcial (cf. STJ, RMS 
24.196/ES, 5.ª T., rel. Min. Felix Fischer), uma vez que “uma ação está contida na outra” 
(cf. STJ, REsp 627.975/PB, 1ª T., rel. Min. Luiz Fux). Cf. comentário ao art. 57 do 
CPC/2015. 
 
 
Art. 57. Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, 
no processo relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, caso 
contrário, as ações serão necessariamente reunidas. 
 
102 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 105, do CPC/73. 
Quando verificada a continência, dois desfechos poderão ocorrer: se a ação 
continente tiver sido proposta em primeiro lugar, deverá a ação contida ser extinta sem 
resolução do mérito; caso contrário, as ações devem ser reunidas. Ainda, e caso haja 
identidade entre partes e causas de pedir, mas, os pedidos forem diferentes (não havendo 
sequer identidade parcial entre os pedidos), tratar-se-á de conexão e não de continência. 
 
 
Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão 
decididas simultaneamente. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 106, do CPC/73. 
O juízo prevento é aquele para o qual deverão ser distribuídas as demais ações 
relacionadas à primeira que tiver sido intentada. Porém, insta registrar que não será o caso 
de reunião das causas perante o juízo prevento se os autos tiverem que ser remetidos para 
juízo que detenha competência absoluta (cf. STJ, CComp 100.345/RJ, 2.ª Seção, j. 
11.02.2009, rel. Min. Luis Felipe Salomão; STJ Súmula 489: “Reconhecida a continência, 
devem ser reunidas na Justiça Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça 
estadual”). Quanto ao critério para a definição da prevenção, cf. comentário ao art. 59 do 
CPC/2015. 
A obrigatória reunião de ações (que poderá ser determinada de ofício pelo juiz ou a 
requerimento das partes) possui por objetivo viabilizar a prolação de decisões coerentes e 
harmônicas entre si (STJ, CComp 95.868/RJ, 1ª Seção, j. 13.08.2008, rel. Min. Teori Albino 
Zavascki). Todavia, o objetivo da regra somente será atingido se as causas estiverem 
tramitando em fases processuais similares (pois, assim não sendo, não se justificará a 
reunião das ações - Súmula 235 do STJ: “a conexão não determina a reunião dos processos, 
se um deles já foi julgado”). 
 
 
Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. 
 
Esta matéria era regulamentada, ao menos em parte, pelos arts. 106 e 219, “caput”, 
do CPC/73. Ainda, tem correlação com os art. 202, § 1º, do Decreto-Lei Federal n° 
7.661/1945 (Lei de Falências, revogada pela Lei Federal n° 11.101/2005, mas, aplicável aos 
processos iniciados antes do início da vigência desta Lei), e com os arts. 6º, § 8º, da Lei 
Federal n° 11.101/2005 (Nova Lei de Recuperação e Falência). 
 
103 
O CPC/73 trabalhava com dois critérios para a definição do juízo prevento: em se 
tratando de ações ajuizadas perante juízos com a mesma competência territorial, o prevento 
seria aquele que despachou em primeiro lugar (art. 106 do CPC/1973); se de competência 
territorial diversa, aquele em que antes ocorreu a citação (art. 219 do CPC/1973). Contudo, 
o CPC/2015, através do comando aqui versado, previu uma regra única para ambas as 
hipóteses, dispondo que o registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. 
Ademais, algo similar já era previsto no art. 6º, § 8º, da Lei Federal n° 11.101/2005 (Nova 
Lei de Recuperação e Falência). 
 
 
Art. 60. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção ou subseção 
judiciária, a competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre a totalidade do 
imóvel. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 107, do CPC/73. 
O dispositivo em análise preconiza que, em se tratando de ação referente a imóvel e 
nos termos do art. 47 do CPC/2015, será competente o foro da situação da coisa. Se esta, 
porém, extrapolar os limites territoriais da competência de um órgão jurisdicional 
(estendendo-se por dois ou mais juízos), ou mesmo forem imprecisos os limites territoriais 
das unidades jurisdicionais, o foro competente será determinado pela prevenção (cf. STJ, 
CComp 39.766/BA, 2ª Seção, j. 25.08.2004, rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro; STJ, 
CComp 9.981/GO, 2ª Seção, j. 30.11.1994, rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar). 
 
 
Art. 61. A ação acessória será proposta no juízo competente para a ação principal. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 108, do CPC/73. 
Sabe-se que o legislador nomina de “acessória” a ação que é intentada com vistas ao 
ajuizamento de outra ação, ou porque é formalmente ligada a outra ação (p. ex.: os embargos 
de terceiro que se vinculam à “ação principal” [cf. art. 677, § 3.º, do CPC/2015]; a ação de 
alimentos que se vincula à ação de investigação de paternidade [RT 743/356]; a ação 
anulatória de ato jurídico que se vincula ao processo de execução [RT 767/226]; a ação para 
indenizar o dano processual que se vincula ao processo em que ele foi produzido [RT 
603/52]). 
 
 
Art. 62. A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é 
inderrogável por convenção das partes. 
 
104 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 111, “caput”, 1ª parte, do CPC/73. 
O dispositivo em análise preconiza que é vedado às partes modificar a competência 
referente à matéria, à pessoa e à função (o que, por outro lado, não ocorre na competência 
relacionada ao valor e ao território - cf. comentário ao art. 63 do CPC/2015). 
A competência em razão da pessoa não diz respeito, propriamente, à pessoa em si 
mesmo considerada, mas, à função que a pessoa exerce, ainda que transitoriamente. A 
competência funcional é estabelecida em razão das funções a serem desempenhadas pelo 
órgão jurisdicional no processo. Ademais, a jurisprudência já assentou que “a competência 
para o cumprimento de sentença” prevista no art. 475-P do CPC/2015 “é funcional e, 
consectariamente, absoluta” (cf. STJ, CComp 62.083/SP, 1ª Seção, j. 24.06.2009, rel. Min. 
Luiz Fux; STJ, CComp 112.219/RS, rel. Min. Gilson Dipp, 3ª Seção j. 27.10.2010). Mais 
recentemente, contudo, se decidiu no sentido da relativização da referida regra (cf. STJ, 
CComp 118.340/MS, 2ª Seção, j. 11.09.2013, rel. Min. Nancy Andrighi). Cf. também 
comentário ao art. 53 do CPC/2015. 
 
 
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, 
elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. 
§ 1º A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir 
expressamente a determinado negócio jurídico. 
§ 2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes. 
§ 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz 
de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do 
réu. 
§ 4º Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na 
contestação, sob pena de preclusão. 
 
Esta matéria era regulamentada pelo art. 111, “caput”, 2ª parte, e parágrafos, do 
CPC/73. Ainda, tem correlação com o art. 78, do CC/2002, com o art. 1º, do Decreto-Lei 
Federal n° 4.597/1942 (Prescrição das ações contra a Fazenda Pública) e com o art. 58, II, 
da Lei Federal n° 8.245/1991 (Locação de imóveis urbanos). 
Nos termos do “caput” do artigo em exame, e como regra geral, é facultado às partes 
modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde deverão ser 
propostas as ações relacionadas aos direitos e obrigações oriundos de determinado negócio 
jurídico (cf. Súmula 335 do STF: “é válida a cláusula de eleição do foro para os processos 
oriundos do contrato”). A jurisprudência, contudo, assentou que a cláusula de eleição de 
foro será considerando nula se contida em contratode adesão, nos casos em que se 
depreenda a hipossuficiência do consumidor (cf. STJ, REsp 629.049/MT., 3ª T, rel. Min. 
Menezes Direito) e tal cláusula dificulte sua defesa (cf. STJ, CComp 41.728/PR, 2ª Seção, 
 
105 
rel. Min. Fernando Gonçalves). Por fim, insta registrar que “se a autoria do feito pertence 
ao consumidor, contudo, permite-se a escolha do foro de eleição contratual, considerando 
que a norma protetiva, erigida em seu benefício, não o obriga quando puder deduzir sem 
prejuízo a defesa dos seus interesses fora do seu domicílio” (STJ, REsp 1.707.855/SP, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, 3ª T., j. 20/02/2018). 
No tocante à Manifestação judicial sobre a invalidade de cláusula de eleição de foro 
em contrato de adesão, e em que pese a mesma ser permitida ex officio pelo juiz (cf. art. 63, 
§§ 3º e 4º, e 65 do CPC/2015), a competência é relativa. Logo, inexistindo anterior 
manifestação do juiz acerca da nulidade da cláusula de eleição de foro, e se o réu não a 
alegar, ocorrerá a prorrogação da competência. 
 
 
Seção III – Da Incompetência 
 
Andrea da Silva Barbosa12 
 Arts. 64 – 76 
 
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de 
contestação. 
§ 1º A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e 
deve ser declarada de ofício. 
§ 2º Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de 
incompetência. 
§ 3º Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo 
competente. 
§ 4º Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão 
proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo 
competente. 
 
A presente seção disciplina sobre a incompetência absoluta e relativa. O artigo 64 
no seu caput determina que a alegação de incompetência seja ela absoluta seja ela relativa 
deve ser feita em preliminar de contestação e não como antes no Código de 1973 que 
determinava ser por via de exceção de incompetência relativa. 
Deste modo, o réu que queira alegar a incompetência seja ela absoluta seja ela 
relativa, deverá fazê-la em preliminar de contestação. Lembrando que, em se tratando de 
incompetência relativa, se não feita nesta oportunidade a competência prorrogar-se a, isto 
é, ocorre o prejuízo do direito de agir diante da perda de oportunidade, o que não se aplica 
a incompetência absoluta, esta, poderá ser alegada a qualquer momento. 
 
 
12 Pós Graduanda em Direito Civil e Direito Processual Civil. Advogada 
106 
Importante ressaltar ainda, que a incompetência absoluta pode ser alegada pelo 
próprio autor, neste caso não há que se falar em preliminar de contestação, o autor deverá 
alegar a incompetência por petição. 
De acordo com a súmula 33, STJ: A incompetência relativa não pode ser declarada 
de ofício. 
O § 1º, por se tratar de incompetência absoluta, traz uma regra decorrente de norma 
cogente, ou seja, poderá ser alegada a qualquer momento, tempo e grau de jurisdição, 
justamente por não haver preclusão. 
Considerando que esta norma leva uma nulidade de natureza absoluta, o juiz pode 
reconhecer de ofício sua incompetência absoluta, desde que, antes abra prazo para 
manifestação das partes a respeito do assunto, respeitando assim o contraditório (art. 10 do 
CPC/2015). 
O § 2º, por sua vez, determina que as questões de incompetência devem ser decididas 
antes de todas as outras existentes no processo, ou seja, o juiz logo após a manifestação da 
parte contrária, quando se instaura o contraditório (uma vez que exista a arguição de 
incompetência a parte contrária se manifestará nos autos), decidirá sobre a incompetência, 
mas o seu acolhimento não importa na extinção do processo, mas tão somente na remessa 
para outro juízo. 
Esta decisão imediata se faz necessária para evitar a prática de outros atos 
processuais por aquele juízo incompetente, evitando um prolongamento indevido no 
processo em razão da sua incompetência. 
O § 3º, trata de uma consequência do acolhimento da alegação de incompetência. De 
acordo com o princípio da competência – competência, o juízo onde a ação foi proposta 
inicialmente tem competência para julgar sobre a sua competência, o reconhecimento de 
ofício da incompetência ou sendo essa alegação acolhida, gera o dever da remessa dos autos 
do processo ao juízo competente, que dará andamento ao processo e tomara as decisões 
oriundas do mesmo. 
O § 4º, disciplina que as decisões já proferidas pelo juízo incompetente conservarão 
seus efeitos até que outra seja proferida, desta forma, o parágrafo em comento estabelece 
um aproveitamento dos atos processuais, ou seja, embora tenha havido atos decisórios pelo 
juízo incompetente, quando os autos chegarem ao juízo competente este irá analisar se é 
possível validar aqueles atos que já foram praticados anteriormente ou cassar a sua eficácia. 
Deste modo, o juízo competente ao receber o processo, poderá através do seu livre 
convencimento motivado, confirmar a decisão proferida pelo juízo incompetente, invalidar 
ou substituir essa decisão ou ainda proferir nova decisão. Esse entendimento difere do 
 
107 
disciplinado no CPC /1973 (art. 113, §2º), que determinava que o reconhecimento da 
incompetência consequentemente anulava todos os atos decisórios proferidos pelo juízo 
incompetente. 
Acertada a inovação deste parágrafo no CPC/2015, pois confere aproveitamento dos 
atos processuais do juízo incompetente, gerando celeridade e economia processual. 
Para Cassio Scarpinella Bueno: “A ‘exceção de incompetência’ foi abolida pelo 
novo CPC, que preserva, não obstante, os principais efeitos (e diferença) da incompetência 
relativa e da incompetência absoluta como se verifica deste art. 64 e do art. 65. Assim, de 
acordo com o art. 64, caput, tanto a incompetência relativa como a incompetência absoluta 
devem ser arguidas em preliminar de contestação pelo réu. (…) o § 4º traz novidade 
importante: diferentemente do CPC de 1973, as decisões proferidas por juízo absolutamente 
incompetente não se consideram, desde logo, nulas. Seus efeitos são preservados até que 
nova decisão seja proferida pelo juízo competente a respeito de sua conservação. A redação 
do dispositivo permite a aplicação desta mesma sistemática para os casos de incompetência 
relativa já que, em última análise, a manutenção, ou não, das decisões anteriores pressupõe 
proferimento de nova decisão em um ou em outro sentido. O § 1º do art. 64 permite que a 
incompetência absoluta seja alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição, sem prejuízo 
de ela também ser reconhecida de ofício pelo magistrado. Há antinomia com o caput? A 
melhor resposta à questão é no sentido de superar eventual incompatibilidade entre as duas 
regras. Nada de diferente, aliás, do que existe no sistema do CPC de 1973. Assim, cabe ao 
réu arguir a incompetência absoluta desde logo, fazendo-o em preliminar de contestação. Se 
não o fizer, contudo, poderá levantá-lo ao longo do processo porque não há preclusão. Tanto 
que é dever do magistrado pronunciar-se sobre a incompetência absoluta de ofício (e sempre 
após prévio contraditório) em qualquer tempo e grau de jurisdição. (Bueno, Cassio 
Scarpinella – Novo Código de Processo Civil anotado/Cassio Scarpinella Bueno. São Paulo: 
Saraiva, 2015. p. 82-83). 
 
 
Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em 
preliminar de contestação. 
Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas 
causas em que atuar. 
 
Em termos gerais, o artigo 65 mantém a regra do art. 114 do CPC/1973, prevendo 
que a incompetência relativa deve ser alegada em preliminar de contestação, sob pena de 
ser prorrogada, havendo a preclusão da matéria. 
 
108 
Deste modo, aquele juízo que antes era incompetente,considerando que sua 
competência não foi alegada, será prorrogada, portanto o juízo passa a ser competente. 
Em linhas gerais, a incompetência relativa deverá ser alegada pelo réu na primeira 
oportunidade, ou seja, na primeira vez que se manifestar no processo, deste modo, se o réu 
se manifestar no processo antes da contestação, este será o momento para alegar a 
incompetência relativa, salvo, se nesta ocasião o réu não tiver as informações para suscitar 
a questão. 
O parágrafo único do artigo 65, inovou ao disciplinar que o Ministério Público 
poderá alegar a incompetência relativa, nas causas em que atuar. Para Cássio Scarpinella 
Bueno: “O parágrafo único do art. 65 reconhece expressamente legitimidade do Ministério 
Público para arguir a incompetência relativa nos casos em que atuar. Como é sempre difícil 
conceber que o Ministério Público seja réu, a viabilidade restringe-se aos casos em que 
aquele órgão atuar na qualidade de fiscal da ordem jurídica (art. 178). (Bueno, Cassio 
Scarpinella – Novo Código de Processo Civil anotado/Cassio Scarpinella Bueno. São Paulo: 
Saraiva, 2015. p. 83). 
Uma questão controvertida tanto na doutrina quanto na jurisprudência, refere-se ao 
fato da atuação do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica, estes casos estão 
previstos no art. 178 do CPC. Para uma parte da doutrina na hipótese de atuação como fiscal 
da lei, o Ministério Público não poderá alegar a incompetência relativa, esta poderá ser 
alegada apenas quando o MP for parte no processo. Já para uma segunda corrente, o 
Ministério Público atuando como fiscal da lei poderá quando intimado, nas hipóteses do art. 
178 do CPC, alegar a incompetência relativa quando da sua manifestação, isto quando o réu 
não houver alegado a referida incompetência, afastando-se assim a preclusão. 
 
 
Art. 66. Há conflito de competência quando: 
I - 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes; 
II - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a 
competência; 
III - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de 
processos. 
Parágrafo único. O juiz que não acolher a competência declinada deverá suscitar o conflito, 
salvo se a atribuir a outro juízo. 
 
O artigo 66, por sua vez, trata do conflito de competência, podendo ser este conflito 
positivo ou negativo. O conflito de competência tem natureza de incidente processual por 
tratar de uma questão fundamental para a regularidade do processo, art. 951 e seguintes. 
De acordo com o inciso I, o conflito é positivo quando dois ou mais juízes se 
declaram competentes para julgar o mesmo processo. O conflito deverá ser solucionado pelo 
 
109 
respectivo Tribunal, ou seja, compete ao STF julgar os conflitos de competência envolvendo 
o STJ ou qualquer outro tribunal, ao STJ julgar os conflitos de competência entre os 
tribunais, bem como, os conflitos de competência entre tribunal e juízes a ele não vinculados 
e entre juízes vinculados a tribunais diversos, ressalvada a competência do STF. 
Já o conflito negativo, disciplinado no inciso II, ocorre quando dois ou mais juízes 
se consideram incompetentes para o julgamento da ação. Deste modo, tem-se que a 
“reciprocidade” é um dos pressupostos para a instauração do incidente. 
Em outras palavras, a ação é proposta perante o juízo A, que se declara incompetente 
e determina a remessa para o juízo B, que por sua vez também se declara incompetente e 
atribui a competência ao juízo C, até o momento temos uma sucessão de declarações de 
incompetência. A partir do momento que o juízo B afirma ser incompetente deve-se 
instaurar o conflito de competência. 
Os artigos 55 (conexão) e 56 (continência) tratam de dois fatores de reunião de 
processos, ou seja, os autos do processo saem de um juízo e vão para outro e eventualmente 
pode ocorrer um conflito sobre em qual juízo devera se dar a reunião desses processos, e é 
sobre esse assunto que o inciso III aborda. 
De acordo com o inciso III, quando dois ou mais juízes divergem a respeito de para 
onde devem ser enviados os processos ou em qual juízo devem ser reunidos, a regra para 
solucionar esse conflito é a regra da prevenção (art. 69), o juízo prevento é aquele para onde 
as ações conexas ou as ações em que há continência devem ser encaminhadas. 
 Com relação ao parágrafo único, Cassio Scarpinella Bueno entende que: (...) O 
parágrafo único do art. 66 é novidade. De acordo com ele, o juízo que não acolher a 
competência declinada deverá suscitar o conflito, salvo se a atribuir a outro juízo. Trata-se, 
nesse sentido de generalização, do que, no âmbito da Justiça Federal, está estampado na 
Súmula 224 do STJ e que acabou sendo refletida no § 3º do art. 45. (Bueno, Cassio 
Scarpinella – Novo Código de Processo Civil anotado/Cassio Scarpinella Bueno. São Paulo: 
Saraiva, 2015. p. 84). 
Quando um juiz se diz incompetente e determina a remessa dos autos a um segundo 
juiz, este poderá, acolher a competência ou se este se considerar incompetente poderá 
atribuir a competência a outro juízo e remeter os autos a este ou ainda suscitar o conflito de 
competência para que o problema seja solucionado pelo tribunal respectivo. 
Ademais, poderá o Ministério Público nas causas em que atuar alegar a 
incompetência relativa. 
Por fim, deixo algumas súmulas relacionadas ao artigo 66 do CPC: 
 
110 
 Súmula 59, STJ: Não há conflito de competência se já existe sentença com 
trânsito em julgado, proferida por um dos juízos conflitantes. 
 
 Súmula 224, STJ: Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o 
Juiz Estadual a declinar da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar 
conflito. 
 
 Súmula 236, STJ: Não compete ao Superior Tribunal de Justiça dirimir 
conflitos de competência entre juízes trabalhistas vinculados a Tribunais do Trabalho 
diversos. 
 
 Súmula 428, STJ: Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os 
conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo federal da mesma seção 
judiciária. 
 
 
CAPÍTULO II - DA COOPERAÇÃO NACIONAL 
 
Andrea da Silva Barbosa 
 
Art. 67. Aos órgãos do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum, em 
todas as instâncias e graus de jurisdição, inclusive aos tribunais superiores, incumbe o dever 
de recíproca cooperação, por meio de seus magistrados e servidores. 
 
Este artigo estabelece regras de cooperação nacional, ou seja, todos sabemos que há 
necessidade de divisão dos serviços do poder judiciário em vários órgãos, instancias, mas 
isso não quer dizer que determinado órgão ficará adstrito a prática de processos de sua 
competência, pois será necessário que um órgão do poder judiciário preste auxílio a outro, 
praticando ato de cooperação nacional. 
Em outras palavras, é necessário que uma testemunha que mora no Estado de São 
Paulo seja ouvida, mas o processo tramita na comarca do Rio de Janeiro. Nesse caso, o juízo 
competente para o julgamento dessa ação (Rio de Janeiro) enviará uma carta precatória ao 
juízo da comarca onde a testemunha reside (São Paulo), este juízo determinara a intimação 
da testemunha e a audiência para oitiva do seu depoimento. Após, o juízo da comarca de 
São Paulo devolverá os autos dessa carta precatória ao juízo da comarca do Rio de Janeiro, 
para que ele possa fazer a valoração da prova e o julgamento da causa de sua competência. 
 
111 
Este é um caso de cooperação nacional. 
Para Cássio Scarpinella Bueno: “Inovando em relação ao CPC de 1973 e a exemplo 
do que o novo CPC propõe para o plano internacional, o capítulo ora anotado traça as regras 
relativas à cooperação nacional como um verdadeiro ‘dever de recíproca cooperação’ entre 
todos os órgãos jurisdicionais de quaisquer graus de jurisdição, não só em relação aos 
magistrados, mas também entre os servidores. É o modelo de ‘processo cooperativo’, 
derivado do art. 6º, analisadoé possível identificá-la porque se consegue extrair o que é 
absolutamente descabido e desproporcional, orientando-se ao que seria, cabalmente, 
proporcional e razoável. 
Ainda, ao final deste artigo, fala-se em solução integral do mérito, incluída a 
atividade satisfativa, espelhando-se no inciso LXXVIII, da Constituição Federal do Brasil 
de 1988, para que se efetive a devida prestação da tutela jurisdicional. Ademais, quando se 
inclui a atividade satisfativa, quer-se dizer justamente a devida prestação da tutela 
jurisdicional, haja vista que se devem superar os entraves processuais, sanando-se os vícios, 
de sorte a evitar-se nulidade e dando-se cabo a qualquer lide. 
 
 
Art. 5º. Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo 
com a boa-fé. 
 
Trata-se de imposição exata – não-genérica, como o Código de Processo Civil 
italiano, que em seu artigo 88 refere-se, apenas e tão-somente, ao dever de “lealdade e 
probidade” – e por essa razão, se se ultrapassam os limites por estes impostos, estar-se-ia 
incorrendo de forma análoga no artigo 187, do Código Civil (JUNIOR; NERY, 2016, p. 
217); cabendo responsabilização da parte que abusa, consoante determinam os artigos 79 e 
81, do Código de Processo Civil. 
Ainda, é salutar frisar, enquanto o abuso de direito é ilicitude que se verifica de 
forma objetiva, a litigância de má-fé afere-se de forma subjetiva. Assim, a boa-fé passaa 
ser entendida como expressão de princípio de cooperação, pelo caráter que traz este 
Código de Processo Civil, no que se propôs. 
 
56 
Art. 6º. Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em 
tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. 
 
Neste, o princípio de cooperação passa a ser expresso e definido, inobstante, apesar 
de poder parecer, não se trata de ônus, mas sim de dever de probidade e lealdade processual, 
que devem ser observados pelos mencionados sujeitos do processo; quais sejam, as partes e 
seus respectivos procuradores. 
Logo, como outrora dito, qualquer que descumpra este dever de probidade fica 
sujeito à sanção dos artigos 79 e 81, do Código de Processo Civil, ainda que o resultado da 
demanda não tenha sido afetado por essa eventual conduta. 
Além, para Arruda Alvim, o termo “parte” deve ser visto entendido em seu sentido 
lato, significando todo aquele que participa do processo, incluindo-se o assistente, o 
oponente, o litisdenunciado, o chamado ao processo (2015 apud JUNIOR; NERY, 2016, 
p. 218). 
Com efeito, o dever de probidade é preceito de natureza processual e, portanto, seu 
descumprimento implica sanção processual, igualmente; assim sendo, qualquer eventual 
infração funcional deve ser investigada por via adequada e de acordo com o regime legal de 
cada carreira, em sua disciplina que lhe é própria. 
Mais, ainda que cooperação e solidariedade surjam do princípio da boa-fé, a sua 
explicitação neste artigo faz-se por deveras importante, vez que, para além de nortear a 
participação das partes no processo, traz possibilidade a evitar a natural tendência humana 
ao individualismo; sem se preocupar com a versão e afins da parte adversa, tornando penosa 
a solução à lide. 
Então se pode evocar a máxima de que o processo civil não privilegiaria a verdade 
real, a contrario sensu do processo penal; embora não se possa, por isso, privilegiar o seu 
interesse em desfavor da atividade estatal judiciária, haja vista que ainda se trata, por óbvio, 
de instrumento juridicamente relevante – de interesse maior, por assim dizer. 
Finalmente, por mais que se tenha como princípio expresso, o legislador não trouxe 
nenhuma punição a quem não viesse a cooperar – sendo que não se trata de ajudar a outra 
parte, mas sim colaborar tanto com a adversa quanto com o próprio órgão jurisdicional, para 
que se obtenha do processo a melhor condução possível; todavia, em sendo desdobramento 
do princípio de boa-fé, deve ser observado, pois a inobservância desse, sim, é punível. 
 
 
Art. 7º. É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e 
faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções 
processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. 
 
57 
Prima facie, pode ser este entendido como extensão do artigo 5º, caput, parte inicial, 
da Constituição Federal de 1988, conquanto se tem por escopo a igualdade de tratamento e 
de atuação das partes é tão própria do sentido de justiça que é comum a todas as leis 
modernas, podendo, portanto, ser considerada princípio geral do processo (CHIOVENDA, 
2009, p. 100). 
Portanto, compete ao juiz assegurar às partes a isonomia, pois a igualdade de que 
fala o texto constitucional é real, substancial, significando que juiz deve tratar igualmente 
os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades (JUNIOR, 
2009, p. 112). 
Deste modo, as partes, por decorrência lógica do princípio do contraditório – para 
além do próprio ora exposto -, devem ter as mesmas oportunidades, sendo o juiz pelo 
suscitado artigo o responsável dessa observância e, mais ainda, garantia e eventual 
saneamento dos vícios e afins que possam obstá-la. 
E, em decorrência do princípio do contraditório, extrai-se a paridade de armas, que 
não se limita a essas oportunidades iguais e afins, mas também se estende aos mesmos 
instrumentos de ataque e defesa, possibilitando ao juiz a solução mais justa e equânime, ao 
final do processo (LOPES, 2008, p. 266). 
 
 
Art. 8º. Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências 
do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando 
a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. 
 
Para além da observância autoexplicativa em comento destes princípios. Por óbvio, 
o juiz não pode descurar dos mesmos princípios da Administração quando da apreciação, 
pelo Judiciário, de decisões administrativas. Afinal, as decisões administrativas estão 
submetidas ao crivo do Judiciário, mesmo quanto ao mérito (GRINOVER, 2007, p. 34). 
Tanto é que a autoridade administrativa, quando responsável por decisão de 
processos administrativos, deve estar igualmente atenta aos princípios constitucionais- 
processuais; mais-notadamente, o do contraditório, por tratar-se da natureza basilar de 
todo e qualquer processo. 
Ademais, por ser cláusula geral processual, obriga o juiz a dar-lhe concretude, não 
bastando a mera igualdade formal de armas e, por conseguinte, compreende igualmente a 
restrição às decisões surpresa; isto é, não se pode surpreender com decisão fu decisão 
fundamentada em fatos ou circunstâncias das quais não se tenha dado ciência. 
 
 
58 
Art. 9º. Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente 
ouvida. 
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: 
I - à tutela provisória de urgência; 
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; 
 III - à decisão prevista no art. 701. 
 
Junto do artigo posterior, este veda a chamada decisão surpresa, que, como alhures 
explicado, é baseada em circunstâncias ou fatos dos quais não se dera conhecimento à parte 
prejudicada pela mesma decisão; decorrendo, portanto, do princípio do contraditório, 
também. 
Ademais, é salutar frisar o due process of law, porque deve o juiz observar o 
contraditório - que está previsto no artigo 7º deste códex -, a não ser quando dos casos 
especificados por este artigo 9º; quais sejam, medida de urgência ou risco de perecimento 
de direito. 
Destarte, para que se efetive o atendimento a este princípio, não basta garantir o 
órgão julgador, às partes, a possibilidade de manifestar-se no processo, mas também a de 
acompanhar a colheita de provas e dessa fazer parte; de sorte a tornar superada a questão de 
que o processo civil não busca a verdadena perspectiva externa, de relação entre os próprios órgãos do 
Judiciário e seus personagens.”. (Bueno, Cassio Scarpinella – Novo Código de Processo 
Civil anotado/Cassio Scarpinella Bueno. São Paulo: Saraiva, 2015. p. 84). 
A finalidade dessa cooperação nacional é tornar efetiva e célere a prestação do 
serviço jurisdicional, bem como, a razoável duração do processo, princípios fundamentais 
na Constituição Federal. A desburocratização resultante da cooperação pode evitar o 
acúmulo processual e reduzir as custas do processo, beneficiando as partes, que aguardam 
pelo veredito. Todavia, a almejada celeridade processual está além da letra do Código, 
portanto, a mera positivação da cooperação jurisdicional nacional não a torna 
automaticamente eficaz, devendo ao Poder Judiciário proporcionar o aparato necessário 
para viabilizar a aplicação desses dispositivos. 
 
 
Art. 68. Os juízos poderão formular entre si pedido de cooperação para prática de qualquer 
ato processual. 
 
Em regra, não há uma forma especifica de pedido de cooperação entre os órgãos do 
poder judiciário, ou seja, qualquer ato pode ser praticado por meio de cooperação. Isto se 
da para facilitar e desburocratizar a prática de atos processuais ou diligências, fora da 
circunscrição territorial do foro da causa, facilitando o cumprimento das precatórias. 
Ressalta-se que a cooperação é sinônimo do agir de boa-fé e esse fator deve sempre nortear 
os sujeitos do processo. 
 
 
Art. 69. O pedido de cooperação jurisdicional deve ser prontamente atendido, prescinde de 
forma específica e pode ser executado como: 
I - auxílio direto; 
II - reunião ou apensamento de processos; 
III - prestação de informações; 
IV - atos concertados entre os juízes cooperantes. 
§ 1º As cartas de ordem, precatória e arbitral seguirão o regime previsto neste Código. 
§ 2º Os atos concertados entre os juízes cooperantes poderão consistir, além de outros, no 
estabelecimento de procedimento para: 
 
112 
I - a prática de citação, intimação ou notificação de ato; 
II - a obtenção e apresentação de provas e a coleta de depoimentos; 
III - a efetivação de tutela provisória; 
IV - a efetivação de medidas e providências para recuperação e preservação de empresas; 
V - a facilitação de habilitação de créditos na falência e na recuperação judicial; 
VI - a centralização de processos repetitivos; 
VII - a execução de decisão jurisdicional. 
§ 3º O pedido de cooperação judiciária pode ser realizado entre órgãos jurisdicionais de 
diferentes ramos do Poder Judiciário. 
 
O artigo 69, disciplina sobre as várias formas de cooperação nacional. 
O legislador determina que: “O pedido de cooperação jurisdicional deve ser 
prontamente atendido”, ou seja, impõe um dever ao magistrado quando recebe o pedido de 
cooperação nacional, ademais, não há em regra uma forma específica para a prática desses 
atos de cooperação, podendo ser realizados como auxílio direto, reunião ou apensamento de 
processos, prestação de informações ou ainda como atos concertados entre os juízes 
cooperantes, deste modo, diante do caso concreto, os juízes podem determinar qual será o 
ato de cooperação e de que forma deverá ser praticado. 
O rol exemplificativo do artigo trata de alguns exemplos de cooperação, dentre eles 
o auxílio direto, que é a modalidade mais simplificada de cooperação, tende a propiciar o 
intercâmbio imediato entre os servidores ou magistrados, sem a interferência de qualquer 
outro órgão ou autoridade. O pedido de auxílio direto, por exemplo, pode tornar 
desnecessária a formalidade de expedir carta precatória para a prática de determinado ato 
processual. 
No que concerne a cooperação nacional, a reunião de processos pode ocorrer por 
conexão, a fim de evitar a prolação de decisões conflitantes. No apensamento de processos 
haverá a junção de processos para que tramitem em conjunto sem que isso implique na 
modificação da numeração originária. 
Outra técnica de cooperação nacional é a prestação de informações que deve ocorrer 
de forma simples, sem maiores formalidades. 
Já a medida de atos concertados entre os juízes cooperantes, são aqueles que de 
comum acordo são fixados pelos juízes cooperados para estabelecer procedimentos 
relacionados as hipóteses do § 2º. 
O § 1º trata das cartas de ordem, precatória e arbitral, estas devem seguir uma forma 
específica, estabelecida nos artigos 236 e 237 do CPC. Para Cassio Scarpinella Bueno: As 
cartas de ordem, precatória e arbitral deverão observar o regime previsto nos arts. 260 a 268, 
de acordo com o § 1º do art. 69. Sua expedição, todavia, tende a minimizar diante da 
abrangência que o novo CPC deu à cooperação nacional e à desformalização admitida neste 
 
113 
tipo de comunicação. O § 3º do art. 69, por fim, dispõe que o pedido de cooperação judiciária 
pode ser realizado entre órgãos jurisdicionais de diferentes ramos do Poder Judiciário, regra 
que, em rigor, deveria estar alocada no art. 67.”. (Bueno, Cassio Scarpinella – Novo Código 
de Processo Civil anotado/Cassio Scarpinella Bueno. São Paulo: Saraiva, 2015. p. 85). 
Ademais, no que tange o § 3º podemos dizer que por exemplo, é possível que um 
juízo Federal de primeira instancia solicite a prática de um ato de cooperação a um juízo 
estadual de uma comarca diversa, se naquela comarca não houver vara federal. 
 
 
LIVRO III 
DOS SUJEITOS DO PROCESSO 
 
TÍTULO I - DAS PARTES E DOS PROCURADORES 
 
CAPÍTULO I - DA CAPACIDADE PROCESSUAL 
 
Andrea da Silva Barbosa 
 
Art. 70. Toda pessoa que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para estar 
em juízo. 
 
O art. 70 do CPC/2015 repete o art. 7º do Código de 73, ao afirmar que toda pessoa 
que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para estar em juízo. 
De início, é importante diferenciar capacidade de ser parte de capacidade para estar 
em juízo. O primeiro se conecta com o conceito de personalidade jurídica, ou seja, tem 
capacidade de ser parte quem tem personalidade jurídica, mesmo aqueles que não tem 
capacidade civil plena, menor de dezoito anos por exemplo, tem personalidade jurídica, logo 
tem capacidade de ser parte, mesmo que lhes falte capacidade de estar em juízo, e é isso que 
exige o artigo 70, aqueles que não tem capacidade civil plena, deverão ser devidamente 
representados ou assistidos a depender da sua incapacidade. 
Essa capacidade de estar em juízo também conhecida como “legitimatio ad 
processum” é um pressuposto processual de validade, sua ausência pode levar a extinção do 
processo sem analise do mérito. 
 
 
Art. 71. O incapaz será representado ou assistido por seus pais, por tutor ou por curador, na 
forma da lei. 
 
	Lucas Casquer Mastrocola
	Pedro Bellentani Quintino de Oliveira
	Lucas Casquer Mastrocola (1)
	Pedro Bellentani Quintino de Oliveira (1)real, permitindo que as partes enfatizem e façam 
valer seu ponto de vista. 
Nada obstante, o juiz deve igualmente garantir que não se tenha abuso de direitos, 
nos termos aqui explicitados, para que tanto o prazo razoável do processo quanto a devida 
prestação jurisdicional sejam alcançados. 
Logo, a concessão de medida cautelar ex officio, sem que seja ouvida a parte adversa, 
faz-se como verdadeira exceção, que só deve pelo juiz ser tomada em situações deveras 
excepcionais; as quais são previstas nos incisos I, II e III de seu parágrafo único – tutela 
provisória de urgência, certas hipóteses de tutela de evidência (as previstas no art. 311, 
incisos II e III) e decisão que se lastra no artigo 701, também do Código de Processo Civil. 
É exemplo a ADPF 347, de relatoria do Ministro Marco Aurélio: 
EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. 
ILEGITIMIDADE ATIVA DE AMICUS CURIAE PARA PLEITEAR TUTELA 
PROVISÓRIA INCIDENTAL EM ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE 
PRECEITO FUNDAMENTAL. REFERENDO. AMPLIAÇÃO DO OBJETO 
DA CAUSA PRINCIPAL E CONCESSÃO DE MEDIDA CAUTELAR DE 
OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO REFERENDO. 1. O amicus curiae não tem 
legitimidade ativa para pleitear provimento jurisdicional de concessão de medida 
cautelar em sede de controle abstrato de constitucionalidade. Ilegitimidade de 
parte reconhecida. 2. Embora no controle abstrato de constitucionalidade a causa 
de pedir seja aberta, o pedido da inicial deve ser certo e determinado. 
Impossibilidade de o julgador ampliar o objeto a demanda 
de ofício. 3. Medida cautelar referendada na parte em que reconhece a 
ilegitimidade ativa de terceiro interessado. 4. Não referendo da cautelar quanto à 
ampliação do objeto da ADPF. 
 
59 
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a 
respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se 
trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 
 
Estando este dispositivo em consonância com as garantias constitucionais do devido 
processo legal (artigo 5º, caput e inciso LIV, da Constituição Federal de 1988) e do 
contraditório (artigo 5º, LV, também da Constituição), não permite juiz tampouco Tribunal 
decidir sobre qualquer questão, ainda que se trate de matéria de ordem pública, atinente ao 
processo, sem que se tenha concedido, previamente, prazo para as partes poderem 
manifestar-se acerca dessa. 
E, mais uma vez, tem-se a proibição de decisão surpresa – a, repita-se, que é baseada 
em circunstâncias ou fatos dos quais não se dera conhecimento à parte prejudicada pela 
mesma decisão -, justamente, por ter por escopo, ressalte-se, os princípios do contraditório 
e do devido processo legal, previstos, respectivamente, no artigo 5º, caput e incisos LIV e 
LV, da Constituição Federal de 1988. 
Assim, pela relação de transparência entre o juiz e as partes, é notório constatar que 
o juiz é tido como sujeito ativo do processo, uma evolução que se vem impondo desde os 
últimos 25 anos do século XX; não passivo, sob o argumento superado de que o processo 
tão-só interessaria às partes envolvidas (JUNIOR; NERY, 2016). 
Isto porque deve o juiz, juntamente com as outras partes todas – em sentido amplo, 
as próprias partes, mas também os seus procuradores, membros do Parquet etc -, pautar-se 
por atuar na realização do direito material, a usar o processo em sua verdadeiro função, a de 
instrumento de efetividade do direito material. 
Para Barbosa e em outras palavras, incumbe-lhe dirigir o processo de tal maneira 
que ele sirva bem àqueles a quem se destina a servir. E o processo deve, sim, servir às 
partes; mas deve também servir à sociedade (2013 apud JUNIOR; NERY, 2016, p. 225). 
Sendo poder-dever de o juiz ouvir as partes, haja vista que há a proibição de decisão 
surpresa, em decorrência do princípio do contraditório constitucionalmente positivado; de 
modo a ensejar ao juiz o poder-dever de ouvir as partes acerca de todo e qualquer ponto do 
processo, mesmo os que possivelmente serão por ele decididos, sejam a requerimento de 
parte ou interessado, seja de ofício. 
E jamais se pode implicar no adiantamento do entendimento do juiz – já que se 
implicaria pré-julgamento não só intolerável, como também inconstitucional, a macular a 
imparcialidade inexorável ao juiz e a respectiva equidistância que deve, sempre, ser 
mantida; garantindo-se o contraditório e a vedação à decisão surpresa, em conformidade 
com, reforce-se, o due process of law. 
 
60 
Destarte, tem-se reconhecido, no poder-dever de o juiz informar às partes, a 
incidência de matéria de ordem pública – no intuito de poderem as partes, querendo, tomar 
as medidas que entendam ser necessárias -, que poderia ele decidir ex officio, tanto por conta 
do contraditório (vedação à decisão surpresa) quanto para ter-se limite à atividade do juiz 
no processo; ainda que seja ele sujeito ativo, consoante delineado (TARZIA, 2001, p. 
725/726). 
Tamanha a proteção constante neste dispositivo legal que, mesmo que a decisão de 
matéria de ordem pública seja devida – por exemplo, havia de fato a prescrição ou carência 
da ação -, sobrevém a nulidade do ato, por cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório. 
 
 
Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e 
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. 
Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente 
das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público. 
 
Quer-se dizer, o princípio da publicidade determina, justamente, que os julgamentos 
pelo Poder Judiciário realizados devem ser públicos, salvo quando a Lei determinar o 
contrário – no caso de segredo de justiça -; nessa hipótese, a publicidade do ato será restrita 
às partes e aos seus respectivos procuradores. 
Sendo que a fundamentação não pode ser genérica, limitando-se, por exemplo, à 
transcrição de depoimentos e documentos, exigindo-se a exposição de razões fáticas e de 
direitos que embasam a decisão. 
Ainda, este dispositivo legal, no que se refere à publicidade dos atos processuais, 
dimensiona-se com direito fundamental de todo e qualquer cidadão (artigo 5º, LX, da 
Constituição Federal do Brasil de 1988), embora a própria Carta faça menção aos casos em 
que se admite o sigilo e realização de atos sob segredo de justiça; ex vi Barbosa se houverem 
de discutir matérias de especial delicadeza (2015 apud JUNIOR; NERY, 2016, p. 232). 
Ademais, embora a Lei enumere esses casos, nada impede que o juiz confira outros, 
ao seu critério, mas em virtude de interesse público, processamento em segredo de justiça, 
em hipótese que justifica o seu proceder (artigos 189, incisos I a V, 368, 731 e 747, todos 
do Código de Processo Civil). 
Por conseguinte, a comunicação pública desses (publicação de editais e intimações) 
deve ser feita por cifras, que permita a transmissão real da mensagem tão-só a seus 
procuradores; da sentença, a advento exemplificativo, devendo constar, apenas e tão-
somente, a conclusão. Devendo todas as partes – novamente, em sentido lato -, zelar pelo 
sigilo de tudo o que contém o processo. 
 
61 
Art. 12. Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de 
conclusão para proferir sentença ou acórdão. 
§ 1º A lista de processos aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição 
para consulta pública em cartório e na rede mundial de computadores. 
§ 2º Estão excluídos da regra do caput: 
I - as sentenças proferidas em audiência, homologatórias de acordo ou de improcedência 
liminar do pedido; 
II - o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese jurídica firmada em 
julgamento de casos repetitivos; 
III - o julgamento de recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas 
repetitivas; 
IV - as decisões proferidas com base nos arts. 485 e 932 ; 
V - o julgamentode embargos de declaração; 
VI - o julgamento de agravo interno; 
VII - as preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça; 
VIII - os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que tenham competência penal; 
IX - a causa que exija urgência no julgamento, assim reconhecida por decisão 
fundamentada. 
§ 3º Após elaboração de lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica das conclusões 
entre as preferências legais. 
§ 4º Após a inclusão do processo na lista de que trata o § 1º, o requerimento formulado pela 
parte não altera a ordem cronológica para a decisão, exceto quando implicar a reabertura da 
instrução ou a conversão do julgamento em diligência. 
§ 5º Decidido o requerimento previsto no § 4º, o processo retornará à mesma posição em 
que anteriormente se encontrava na lista. 
§ 6º Ocupará o primeiro lugar na lista prevista no § 1º ou, conforme o caso, no § 3º, o 
processo que: 
I - tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização 
de diligência ou de complementação da instrução; 
II - se enquadrar na hipótese do art. 1.040, inciso II . 
 
Ainda que se diga no caput deste artigo “preferencialmente”, dar preferência à ordem 
cronológica não significa que seja faculdade do juiz, vez que este deve, sim, atender 
preferentemente à ordem cronológica, sempre que possível; tanto que, para não atender a 
esta, deverá justificar, necessariamente. 
Logo, para além da ordem cronológica em comento, nos termos acima explicitados, 
há exceções e essas exceções têm, como é curial, natureza de urgência; devendo ser julgadas 
com prioridade, seja porque demora poder acarretar perecimento de direito, seja por razões 
puramente administrativas, no intuito de agilizar-se o funcionamento do Judiciário. 
Entretanto, nessas exceções, deve-se prevalecer a ordem cronológica dos demais 
atos, que tem de ser aplicada em consonância com o texto acima comentado, até para que 
se garanta, a título de exemplo, o demonstrado prazo razoável; efetivando-se a parte 
administrativa do Poder Judiciário. 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art932
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art1040
62 
CAPÍTULO II - DA APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS 
 
Lucas Casquer Mastrocola 
 Pedro Bellentani Quintino de Oliveira 
 
Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as 
disposições específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que 
o Brasil seja parte. 
 
Prima facie, mister salientar que dentro de suas fronteiras, o Estado soberano é livre 
para dispor a respeito do direito material regente de atos nacionais que possam interferir 
na esfera internacional. É o caso, por exemplo, da nacionalidade. Mas o ‘poder 
jurisdicional’ do Estado é limitado pela competência estabelecida por princípios gerais de 
Direito internacional (MAGALHÃES, 1999, p. 767). 
Ademais, a legislação processual brasileira não se aplicará tão-só em caso de 
disposição específica em tratado ou convenção – como da interpretação literal do instado 
artigo -, mas também em caso de jurisdição arbitral, porque, ainda que todas as partes sejam 
brasileiras, é possível eleger-se nessa modalidade o direito processual, bem como o material, 
por normas de direito estrangeiras. 
Portanto, ao que parece, o legislador buscou impedir confusão interpretativa, ao 
passo que a aplicabilidade da legislação processual no espaço dar-se-ia da mesma forma que 
se faz com a material; a qual é regida, como notório, pelas regras da Lei de Introdução às 
normas do Direito Brasileiro (LINDB). 
Cabalmente, quanto à sua prevalência, o CPC 13 segue princípio básico de direito 
processual internacional, segundo o qual a lei processual aplicável, via de regra, será a do 
foro competente para a apreciação da causa. A competência interna, por motivos de 
soberania nacional, é do Estado em que o processo deverá tramitar (GOMES, 2003, p. 
176). 
 
 
Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos 
em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas 
sob a vigência da norma revogada. 
 
Em igual diapasão e no sentido amplo do inciso XXXVI, do artigo 5º, da 
Constituição Federal do Brasil de 1988 - o qual roga que a lei não prejudicará o direito 
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada -, este dispositivo infraconstitucional 
segue a regra-geral de irretroatividade da lei nova; no sentido de que a retroatividade é 
 
63 
verdadeira exceção e que tão-só pode ser aplicada com interpretação e aplicação deveras 
restritivas, em casos excepcionais por Lei definidos. 
Por isso, não se distingue lei de ordem pública e de ordem privada, pois a 
Constituição não o faz, sendo vedado ao intérprete fazê-lo, sob nenhuma hipótese; em outras 
palavras, como direito fundamental, existe si et por cause, sem que se admita nenhuma 
espécie de relativização, mesmo a de supremacia do “direito público” ao “direito privado”, 
pela superveniência de lei nova de “ordem pública” (JUNIOR; NERY, 2016, p. 240). 
Destarte, tendo em vista a regra-geral do efeito imediato da lei – no que se refere à 
sua aplicação -, tem-se que a lei nova é aplicável às relações jurídicas existentes ou por 
nascer, sendo que os fatos pendentes são em verdade presentes e, por conseguinte, regulados 
pela eficácia imediata da lei nova, que se aplica ao presente. 
 Isto porque se entende que a regra “tempus regit actum” não significa aplicação da 
lei do ‘começo’ do processo; valendo, igualmente, às relações continuativas, isto é, as que 
ainda se encontram em execução (facta pendentia). (JUNIOR; NERY, 2016). 
Tanto é assim que, para justificar a aplicação da lei nova aos feitos pendentes, a 
doutrina fala em “retroatividade apenas na aparência” (MAXIMILIANO, 1946, p. 264). 
Com efeito, os atos outrora praticados, sob a égide da lei antiga, estão protegidos pela 
garantia constitucional do inciso XXXVI, do artigo 5º, da Constituição Federal do Brasil de 
1988, conforme alhures fundamentado. 
 
 
Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou 
administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e 
subsidiariamente. 
 
Por este, tem-se que o Código de Processo Civil é a lei geral do processo no Brasil, 
não sendo aplicável, apenas e tão-somente, quando houver regra especial aplicável e 
contrária à regra-geral deste códex, por conta da incidência do chamado princípio da 
especialidade. 
Então, mesmo que não exista na lei especial dispositivo expresso da aplicação deste 
código, quando da lacuna, aplica-se este justamente por ser a lei geral do processo, nos 
termos do artigo supracitado. 
Consequentemente, será este aplicável tanto na forma subsidiária – quando houver 
omissão relativa (lacuna parcial) – quanto na supletiva – ao haver omissão absoluta (lacuna 
plena) -; devendo para tal ser observada a compatibilidade com o processo em que se 
pretende aplicá-lo, seja a compatibilidade subsidiária, seja relativa (JUNIOR; NERY, 2016, 
p. 245).
64 
LIVRO II 
DA FUNÇÃO JURISDICIONAL 
 
TÍTULO I - DA JURISDIÇÃO E DA AÇÃO 
 
 Beatriz Krebs Delboni3 
Norberto Oya4 
Arts. 16 – 27 
 
Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território 
nacional, conforme as disposições deste Código. 
 
Art. 1º do CPC/1973: A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos 
juízes, em todo o território nacional, conforme as disposições que este Código estabelece. 
 
1. A jurisdição 
A jurisdição pode ser analisada sob três ângulos: poder, função e atividade. 
Enquanto poder, ela consiste na manifestação da soberania nacional, dentro dos 
limitesadmitidos pelo Estado Democrático de Direito. Dito de outro modo, é o poder do 
Estado de interpretar e aplicar a lei, fazendo valer suas decisões por meios coercitivos. 
No que toca à função, a jurisdição serve para resolver conflitos da sociedade e 
satisfazer o direito dos jurisdicionados. Ressalta-se que não basta prestar uma tutela 
jurisdicional – essa tutela deve ser efetiva. 
Como atividade, a jurisdição está associada ao conjunto de atos praticados pelo juiz 
no processo, que permitem a prestação da tutela. 
Nota-se, assim, que os três elementos estão interligados entre si. A partir de uma 
série de atos processuais (atividade), o Estado tem o dever de solucionar controvérsias e 
prestar uma tutela jurisdicional efetiva (função), assim como tem o poder para implementar 
sua decisão por meios coercitivos (poder). 
Para fins de aplicação das regras do Código de Processo Civil, entende-se que a 
jurisdição civil abrange toda jurisdição não penal. 
 
2. Funções típicas e atípicas 
Pela leitura do art. 16, que fala em “juízes e tribunais”, depreende-se que a função 
 
 
3 Mestranda em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
– PUC/SP. Advogada. Bacharel pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas – FGV Direito SP 
4 Mestrando em Direito Processual Civil e Especialista em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade 
Católica de São Paulo – PUC/SP. Procurador do Estado de São Paulo. 
65 
jurisdicional é típica do Poder Judiciário. No entanto, há situações excepcionais em que os 
Poderes Legislativo e Executivo também a exercem como função atípica. 
O Poder Legislativo exerce função jurisdicional atípica, por exemplo, quando o 
Congresso Nacional julga crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da 
República (arts. 85 e 86 da Constituição Federal – CF/1988). 
Já um exemplo do Poder Executivo exercendo função jurisdicional atípica é a 
apreciação por seus órgãos de defesas e recursos administrativos. 
 
3. Princípio da unidade da jurisdição 
De acordo com o princípio da unidade da jurisdição, ela é una e indivisível, 
representando a soberania do Estado. 
Esse conceito não se confunde com o de competência, que pode ser definida como 
medida, quantidade de jurisdição. Isso porque, ainda que a jurisdição seja única, na prática 
seria inviável que todos os juízes e tribunais tratassem de todos os temas passíveis de 
ensejarem conflitos. Dessa forma, são estabelecidos órgãos encarregados do exercício da 
jurisdição, cada um com a sua função (art. 92 da CF/1988). 
 
4. Princípio da territorialidade 
Nenhuma parte do território brasileiro pode ser excluída da jurisdição, nem entregue 
à apreciação de um Estado estrangeiro. 
Ainda assim, há situações em que se admite a competência concorrente, por meio da 
qual o Brasil pode homologar sentenças estrangeiras, desde que preenchidos determinados 
requisitos. 
 
5. Jurisdição contenciosa e voluntária 
O atual art. 16 corresponde ao art. 1º Código de Processo Civil de 1973 (CPC/1973), 
que falava expressamente em jurisdição contenciosa e voluntária. Apesar do 
 
desaparecimento das expressões, entende-se que permanece a distinção entre elas. 
Nesse sentido, a jurisdição contenciosa diz respeito à existência de um conflito a ser 
dirimido pelo magistrado. Já a voluntária não envolve um litígio, mas trata de um interesse 
sujeito ao controle do Poder Judiciário (arts. 719 e seguintes do Código de Processo Civil 
de 2015 – CPC/2015). Como exemplos diferenciadores entre as duas, pode-se citar, 
respectivamente, o divórcio litigioso e o divórcio consensual. 
 
 
66 
6. Arbitragem 
À época da introdução da Lei 8.307/1996 (Lei de Arbitragem), houve intenso debate 
sobre a constitucionalidade da arbitragem no Brasil, por conta do art. 5º, inciso XXXV, da 
CF/1988, segundo o qual não se excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça 
a direito. 
O Supremo Tribunal Federal (STF) apreciou incidentalmente a questão no 
julgamento do AgRg na SE 5206, de relatoria do min. Sepúlveda Pertence, em 2001, 
julgando a arbitragem constitucional por maioria de votos. 
Assim, atualmente, é pacífico entendimento de que a arbitragem é admitida no 
direito brasileiro, constituindo uma legítima substituição voluntária da justiça estatal (Lei 
8.307/1996; arts. 3º, §1º, 189, inciso IV, 237, inciso IV, 260, §3º, 337, inciso X e §5º, 359, 
485, inciso VII, 515, inciso VII, 516, inciso III, 960, §3º e 1.012, inciso IV, do CPC/2015; 
e art. 114, §2º, da CF/1988). 
 
 
Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
 
Art. 3º do CPC/1973: Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e 
legitimidade. 
 
1. O direito de ação 
Ao longo da história, diversas teorias buscaram explicar o direito de ação (monista, 
dualista, concretista, abstrata, eclética). 
Hoje, pode-se considerar o direito de ação como o direito à obtenção de uma tutela 
jurisdicional efetiva. Ressalta-se que o direito de ação não está condicionado à existência 
efetiva do direito material invocado, ou seja, o requerente não necessariamente obterá uma 
sentença favorável de mérito ao exercê-lo. 
É por meio do direito de ação que se provoca a jurisdição (princípio da inércia da 
jurisdição, presente no art. 2º do CPC/2015) e se inicia a série de atos do processo. 
 
2. Condições da ação 
Pela leitura do art. 5º, inciso XXXV, da CF/1988, extrai-se um direito genérico por 
meio do qual todos os cidadãos têm amplo acesso ao Poder Judiciário. Entretanto, o 
exercício do direito processual de ação, ainda que derivado do texto constitucional, não é 
irrestrito. Pelo contrário, ele requer o preenchimento das condições da ação, 
consubstanciadas no interesse processual e na legitimidade ad causam. 
 
67 
O fundamento dessa restrição é a economia processual: se o juiz perceber desde logo 
que não será possível conceder a tutela jurisdicional, ele deve extinguir a ação, sob pena de 
prolongar um processo sem qualquer utilidade e sobrecarregar imotivadamente o Poder 
Judiciário. Nesse caso, aplica-se o art. 485, inciso VI, do CPC/2015, que trata da extinção 
do processo sem resolução do mérito. 
Destaca-se que a redação do código atual gerou dúvidas quanto à permanência das 
condições da ação no ordenamento jurídico, uma vez que a expressão não consta mais 
expressamente na lei processual – a exemplo disto, autores como Fredie Didier Jr. sustentam 
que elas passaram a integrar os pressupostos processuais. Ainda assim, prevalece na 
doutrina o entendimento de que as condições da ação continuam existindo, não se 
confundindo com os pressupostos processuais. 
Por fim, o CPC/2015 suprimiu a possibilidade jurídica do pedido das condições da 
ação, restando tão somente o interesse processual e a legitimidade ad causam. 
 
3. Interesse processual 
O interesse processual ou interesse de agir refere-se à indispensabilidade da via 
escolhida para se atingir o fim desejado pela parte autora. Fala-se, com isso, em necessidade 
e adequação da tutela jurisdicional pleiteada. 
Nessa linha de raciocínio, a necessidade verifica-se quando inexiste outro modo se 
obter a satisfação do direito alegado sem a provocação da jurisdição – na grande maioria 
dos casos, porque há uma resistência da outra parte. 
Já a adequação consiste na correlação entre o remédio processual pleiteado e a 
pretensão que o requerente busca atingir. 
 
4. Legitimidade ad causam 
A legitimidade ad causam pode ser analisada sob diversos aspectos. 
Simplificadamente, ela se verifica quando existe uma relação entre o sujeito e a causa, tanto 
do ponto de vista do autor quanto do réu. 
No plano ativo – autor –, há legitimidade quando o indivíduo pode, ao menos 
potencialmente, receber os benefícios da tutela jurisdicional requerida. No plano passivo – 
réu –, é legítimo o sujeitoque, a princípio, pode sofrer os impactos negativos da concessão 
da tutela jurisdicional pleiteada. 
A legitimidade ad causam (“para a causa”) difere da legitimidade ad processum 
(“para o processo”). Esta última refere-se à capacidade para estar em juízo, enquadrando-se 
 
68 
na categoria de pressupostos processuais – que são requisitos anteriores ao processo, ligados 
à sua validade e previstos no art. 486, inciso IV, do CPC/2015. 
 
 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como 
assistente litisconsorcial. 
 
Art. 6º: Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando 
autorizado por lei. 
 
1. Legitimidade ordinária e extraordinária 
Este ponto é um desdobramento da legitimidade ad causam. 
Fala-se em legitimidade ordinária quando um indivíduo defende direito próprio em 
nome próprio. Tem-se, aqui, uma identidade entre a parte material e a parte processual. É a 
regra geral do ordenamento jurídico. 
Já a legitimidade extraordinária ocorre quando um sujeito defende direito alheio em 
nome próprio. Deixa de existir, portanto, uma identidade entre a parte material e a parte 
processual. Trata-se, como o próprio nome indica, de uma exceção. 
Diferentemente do art. 6º do CPC/1973, que falava “autorizado por lei”, a parte final 
do caput do atual art. 18 fala em autorização pelo “ordenamento jurídico”. Assim, deve 
haver previsão no sistema como um todo, o que não pressupõe necessariamente a existência 
de uma lei em sentido estrito. 
 
2. Substituição processual 
Chama-se o legitimado extraordinário de substituto processual. 
Na substituição processual, o substituto exerce ação própria. Dito de outro modo, ele 
é parte no processo, de modo que apresenta interesse na relação processual, bem como tem 
os poderes inerentes à ação. A coisa julgada advinda dessa ação atinge tanto o substituto 
quanto o substituído. 
A substituição processual não se confunde com a representação ou assistência (art. 
71 do CPC/2015), nem com a sucessão processual (art. 108 e seguintes do CPC/2015). 
Nesse sentido, o representante e o assistente não agem em nome próprio, mas em nome do 
representado e do assistido, respectivamente. Já na sucessão processual, uma pessoa 
anteriormente estranha à relação processual passa a integrá-la ocupando a mesma posição 
da pessoa sucedida. É, em suma, uma modificação da titularidade material, podendo ocorrer 
tanto no polo ativo quanto no passivo. 
 
69 
São aplicáveis a este tópico os Enunciados 110, 487 e 667 do Fórum Permanente de 
Processualistas Civis (FPPC). 
 
3. Assistente litisconsorcial 
O parágrafo único do dispositivo dispõe que, no caso de substituição processual, o 
substituído pode intervir como assistente litisconsorcial, com vistas a influir na relação 
jurídica entre o substituto e seu adversário (vide art. 124 do CPC/2015). 
 
 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
 
Art. 4º do CPC/1973: O interesse do autor pode limitar-se à declaração: I - da 
existência ou da inexistência de relação jurídica; II - da autenticidade ou falsidade de 
documento. 
 
1. Ação declaratória 
Em sentido amplo, pode-se dizer que todas as ações têm, em certa medida, um 
conteúdo declaratório, uma vez que objetivam a declaração de existência de um fato ou 
direito. Em sentido estrito, depreende-se da redação do art. 19 que a ação de natureza 
meramente declaratória pode ter dois fins. 
O primeiro consiste em solucionar uma situação de incerteza quanto à existência, 
inexistência ou modo de ser de uma relação jurídica documento. Nota-se que houve um 
acréscimo do CPC/2015 em relação ao “modo de ser”, que não constava na redação do 
código revogado. 
O segundo objetivo refere-se à declaração de autenticidade ou falsidade de um 
documento. Trata-se de uma exceção conferida pelo ordenamento jurídico, uma vez que, 
via de regra, a declaração incide sobre um direito, e não sobre um fato – como é o caso do 
documento. 
Além disso, o que o art. 19 dispõe é que uma ação meramente declaratória não está 
condicionada à formulação de outros pedidos (como o condenatório ou constitutivo), 
bastando o pedido declaratório. Exemplos desse tipo de ação podem ser extraídos das 
súmulas 181, 213 e 242 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 
Ainda, nos termos da súmula 258 do STF, admite-se reconvenção em ação 
declaratória. 
 
70 
2. Interesse da parte autora 
A ação meramente declaratória pressupõe a existência de uma dúvida sobre uma 
relação jurídica ou sobre um documento. 
Essa dúvida deve ser objetiva, isto é, deve ultrapassar a esfera pessoal, subjetiva da 
parte autora. Pressupõe-se, assim, que algum fator externo provoque a situação de incerteza. 
É o caso, por exemplo, de um indivíduo que afirma que um documento é verdadeiro, 
enquanto outro imputa-lhe falsidade. 
Ademais, para que haja interesse processual, a situação duvidosa deve ser apta a 
afetar a esfera jurídica de quem ajuíza a ação meramente declaratória. 
 
 
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito. 
 
Art. 4º, parágrafo único, do CPC/1973: É admissível a ação declaratória, ainda que 
tenha ocorrido a violação do direito. 
Art. 5º do CPC/1973: Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de 
cuja existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das partes poderá 
requerer que o juiz a declare por sentença. 
 
1. Ação declaratória e violação do direito 
Na mesma linha do artigo anterior, o art. 20 dispõe que é possível ajuizar a ação 
meramente declaratória ainda que o direito tenha sido violado, ou seja, independentemente 
da formulação de pedido condenatório. O objetivo desse dispositivo é permitir que o 
indivíduo opte pela tutela jurisdicional que melhor satisfaz suas necessidades. Para tanto, 
também devem ser preenchidas as condições da ação (interesse processual e legitimidade 
ad causam). 
Trata-se de um entendimento pacífico, conforme se depreende da jurisprudência do 
STJ (AgInt no AREsp 1556722/MG, 3ª Turma, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellize, 
julgado em 09/03/2020, DJe 13/03/2020; AgRg no REsp 1228645/SP, 1ª Turma, 
Rel. Ministro Sérgio Kukina, julgado em 17/11/2015, DJe 01/12/2015; AgRg no REsp 
1470000/RS, 2ª Turma, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 23/09/2014, DJe 
06/10/2014). 
 
2. Ação declaratória incidental 
O art. 5º do CPC/1973 previa expressamente a ação declaratória incidental. Apesar 
 
71 
de o CPC/2015 ter suprimido esse dispositivo, entende-se que a ação declaratória incidental 
continua sendo cabível. 
Nessa esfera, o Enunciado nº 111 do FPPC dispõe que há interesse no ajuizamento 
de ação declaratória quanto à questão prejudicial incidental. Aplica-se à hipótese o art. 503, 
§1º, do CPC/2015, segundo o qual a questão prejudicial, decidida expressa ou 
incidentalmente no processo, pode ser revestida pela coisa julgada em determinadas 
hipóteses. 
Ainda, o Enunciado nº 437 do FPPC coloca que a coisa julgada sobre a questão 
incidental limita-se à existência, inexistência ou modo de ser de situação jurídica e à 
autenticidade ou falsidade de documento. 
 
 
TÍTULO II - DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL E DA COOPERAÇÃO 
INTERNACIONAL 
 
CAPÍTULO I - DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL 
 
 
Beatriz Krebs Delboni 
Norberto Oya 
 
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: 
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; 
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
Parágrafoúnico. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a 
pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal. 
 
Art. 88 do CPC/1973: É competente a autoridade judiciária brasileira quando: I - o 
réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; II - no Brasil tiver 
de ser cumprida a obrigação; III - a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no 
Brasil. Parágrafo único. Para o fim do disposto no n. I, reputa-se domiciliada no 
Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal. 
 
1. Normas internas sobre direito processual civil internacional 
No presente capítulo, o CPC/2015 dispõe sobre normas internas sobre processo civil 
internacional. 
O direito processual civil internacional trata de um conjunto de regras firmadas em 
tratados internacionais em sintonia com as normas internas dos Estados, existentes em razão 
 
72 
da soberania dos países e da necessidade de se colocar limites territoriais às normas 
processuais e à jurisdição. Além disso, servem para oferecer critérios de admissibilidade da 
cooperação jurisdicional e modos de sua operacionalização (DINAMARCO, 2016, p. 121-
122). 
Os arts. 21 e 22 dispõem sobre a competência internacional concorrente dos juízes 
do país e de juízes de fora, isto é, ambos têm competência para julgar processo atinente às 
matérias dispostas. Por não ser exclusiva, uma decisão judicial estrangeira a respeito do 
mesmo teor poderá ser homologada no Brasil, por meio do STJ, para ter eficácia. Decisão 
estrangeira passível de homologação é a que não ofenda a ordem pública, a soberania e a 
dignidade da pessoa humana. 
Os arts. 21, 22 e 23 também cuidam dos limites da jurisdição dos tribunais brasileiros 
e estão em consonância com o princípio da efetividade, dado que a justiça brasileira só deve 
atuar nas hipóteses em que sua decisão gere efeitos. 
 
2. Réu domiciliado no Brasil 
O inciso I, do art. 21, do CPC/2015 dispõe sobre a competência da justiça brasileira 
quando o demandado tem domicílio (não abrange residência) no Brasil, independentemente 
de ser brasileiro ou estrangeiro, réu ou executado, pessoa natural ou jurídica, ainda que 
estrangeira que tiver agência, filial ou sucursal, conforme parágrafo único do mesmo artigo. 
Tem-se aqui a competência concorrente, mas não exclusiva, pois uma decisão 
judicial estrangeira a respeito do mesmo teor poderá ser homologada no Brasil, por meio do 
STJ (art. 105, inciso I, letra “i”, da CF/1988), para ter eficácia. 
 
3. Obrigação a ser cumprida no Brasil 
O art. 21, inciso II, do CPC/2015, cuida das demandas que têm obrigação a ser 
cumprida no Brasil e estabelece também a competência concorrente, ao não excluir a 
competência da justiça de outro país. 
 
4. Fato ocorrido ou ato praticado no Brasil 
Ao dispor no art. 21, inciso III, do CPC/2015, sobre ação judicial com fundamento 
em fato ocorrido no Brasil, está-se referindo ao fato jurídico decorrente da natureza ou da 
coisa capaz de gerar responsabilidade civil. O ato praticado no país – seja lícito ou ilícito – 
ou negócio jurídico é aquele dotado para produzir direitos ou obrigações para as partes. 
 
 
73 
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações: 
I - de alimentos, quando: 
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento 
de renda ou obtenção de benefícios econômicos; 
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência 
no Brasil; 
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional. 
 
Sem correspondência no CPC/1973. 
 
1. Ações de alimentos 
O disposto na alínea “a”, do inciso I, do art. 22, do CPC/2015 visa favorecer o autor 
da ação de alimentos, quando domiciliado ou residente no país. A inovação processual do 
CPC/2015 está em sintonia com a Convenção de Nova Iorque sobre Prestação de Alimentos 
no Estrangeiro (assinada pelo Brasil em 31/12/1956, aprovada pelo Congresso Nacional por 
meio do Decreto Legislativo n. 10, em 14/11/1958, e promulgada pelo Decreto n. 56.826, 
de 02/09/1965) e com a Convenção Interamericana sobre Obrigação Alimentar, de 
18/12/1997. 
Quanto ao inciso I, alínea “b”, este tem por finalidade tornar exequível a execução 
de sentença condenatória em face do réu que tenha vínculos patrimoniais no país. 
 
2. Relação de consumo 
Nas ações em matéria de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou 
residência no Brasil, a justiça brasileira tem competência para processar e julgá-las. O 
legislador procurou favorecer a parte comumente mais vulnerável nessa relação (proteção 
integrante do art. 6º, inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor – CDC), com o 
disposto no inciso II, do art. 22, do CPC/2015. Nessa situação, a ação poderá ser proposta 
no domicílio do autor (art. 101, inciso I, do CDC). 
Portanto, o conteúdo dos incisos I e II do art. 22 corresponde a uma exceção ao art. 
21, inciso I, do CPC/2015. 
 
3. Sujeição da jurisdição nacional 
O art. 22, inciso III, do CPC/2015, traz em seu texto situação pela qual as partes 
concordam em submeter seu litígio à justiça local, seja de maneira expressa, seja de forma 
tácita. 
Entre as ocorrências possíveis e identificadas, estão: (i) eleição do foro brasileiro por 
 
74 
convenção entre as partes em cláusula contratual; (ii) renúncia à jurisdição de outro país; 
(iii) opção da parte pela competência brasileira quando beneficiada pela competência 
concorrente do juiz de outro país. 
 
 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e 
ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de 
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de 
bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional. 
 
Art. 89 do CPC/1973: Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de 
qualquer outra: I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; II - proceder a 
inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja 
estrangeiro e tenha residido fora do território nacional. 
 
1. Competência exclusiva 
O art. 23 regula os casos de competência exclusiva da justiça local. O juiz brasileiro 
é o único que poderá examinar e julgar as matérias ali elencadas, com eficácia no território 
nacional, independentemente da nacionalidade das partes. 
Decisão estrangeira que aprecie qualquer um desses temas arrolados não tem 
qualquer eficácia e efeito aqui no país e, portanto, não é passível de ser homologada pelo 
STJ (art. 964 do CPC/2015). O mesmo tratamento recebe o exequatur da carta rogatória 
expedida por autoridade judiciária estrangeira (art. 964 e parágrafo único, do CPC/2015). 
 
2. Direito real ou pessoal 
Os imóveis situados no território nacional estão sob a jurisdição dos juízes 
brasileiros. Eventuais demandas ajuizadas sobre esses bens podem se referir a litígio de 
direito real ou pessoal (art. 23, inciso I). 
 
3. Direito sucessório 
Todos os processos que envolvem a dissolução de comunhão hereditária (inventário, 
partilha, arrolamento ou confirmação de testamento particular – art. 1.878 do Código Civil) 
de bens móveis e imóveis situados no Brasil são de competência do juízo nacional, 
independentemente do domicílio do falecido e de sua condição de brasileiro ou não (art. 23, 
inciso II). 
 
75 
Partilha de bens decorrente dedissolução de sociedade conjugal 
O disposto no art. 23, inciso III, do CPC/2015 compreende a ocorrência de 
dissolução de sociedade conjugal (divórcio, separação judicial ou decorrente de união 
estável) que envolva bens situados no Brasil, cuja competência exclusiva está a cargo do 
juiz local. 
Pouco importa a nacionalidade do titular dos bens e se ele teve ou não domicílio no 
Brasil. Dinamarco doutrina que a partilha extrajudicial de bens situados no território 
brasileiro também está contemplada nas hipóteses tratadas no art. 23, incisos II e III, do 
CPC/2015 (DINAMARCO, 2018, p. 227-228). 
 
 
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta 
a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, 
ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em 
vigor no Brasil. 
Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a 
homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no 
Brasil. 
 
Art. 90 do CPC/1973: A ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz 
litispendência, nem obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa 
e das que lhe são conexas. 
 
1. Litispendência 
A litispendência corresponde à existência de duas ações idênticas (mesmas partes, 
causa de pedir e pedido – art. 337, §§ 1º e 2º, do CPC/2015) em curso perante órgãos 
jurisdicionais com competência concorrente. 
 
2. Inexistência de litispendência 
O dispositivo cuida da hipótese em que há em outro país processo em curso perante 
autoridade judiciária, o que não impede a justiça local de apreciar idêntica demanda (com a 
tríplice identidade de partes, causa de pedir e pedido) e das que lhe são conexas 
(competência concorrente). 
A exceção fica por conta de haver previsão de litispendência internacional com 
eficácia extintiva em tratado internacional ou acordo bilateral em vigor no Brasil, caso em 
que a ação em curso neste país deve ser extinta. 
 
 
 
76 
3. Coisa julgada 
 
Com duas ações em curso versando sobre o mesmo litígio, uma no Brasil e outra em 
país estrangeiro, somente se ocorrer primeiro o trânsito em julgado da decisão judicial 
brasileira é que esta prevalecerá em face da decisão judicial estrangeira pendente de 
homologação pelo STJ. 
Para que a decisão judicial estrangeira predomine sobre a decisão nacional, além do 
trânsito em julgado no país de origem, dependerá de homologação pelo STJ antes do trânsito 
em julgado da decisão judicial brasileira. 
Assim, não há óbice à homologação de sentença estrangeira quando a ação judicial 
no Brasil ainda estiver em curso. A homologação realizada pelo STJ produzirá eficácia e o 
processo em trâmite no Brasil deve ser extinto sem julgamento do mérito. 
 
 
Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da 
ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato 
internacional, arguida pelo réu na contestação. 
§ 1º Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva 
previstas neste Capítulo. 
§ 2º Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º . 
 
Sem correspondência no CPC/1973. 
 
1. Competência concorrente 
Apesar de o teor do caput do presente artigo contrastar com o conteúdo do art. 22, 
inciso III, do CPC/2015 (“Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e 
julgar as ações: (...) III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à 
jurisdição nacional”), trata-se de reciprocidade de tratamentos à competência concorrente 
dos juízes estrangeiro e brasileiro. 
 
2. Derrogação da jurisdição brasileira 
Para derrogação da jurisdição brasileira, devem ser atendidos os seguintes requisitos: 
i) competência concorrente das jurisdições nacional e estrangeira; ii) cláusula de eleição de 
foro exclusivo estrangeiro; iii) contrato internacional; iv) alegação pelo réu em contestação 
acerca da existência da citada cláusula, sob pena da prevalência da competência nacional. 
 
3. Cláusula de eleição de foro abusiva 
É ineficaz cláusula de eleição de foro internacional que seja abusiva. Como exemplo 
disso, tem-se a concessão vantagem exclusiva somente para uma das partes contratantes 
(art. 63 e §§ do CPC/2015). 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art63%C2%A71
77 
4. Protocolo de Buenos Aires 
O Decreto n. 2.095, de 17/12/1996, promulgou o Protocolo de Buenos Aires sobre 
Jurisdição Internacional em Matéria Contratual, e dispôs nos arts. 4 a 6 os termos da 
aplicação da eleição de jurisdição. 
 
 
CAPÍTULO II - DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL 
Seção I- Disposições Gerais 
 
 
Beatriz Krebs Delboni 
Norberto Oya 
 
Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz parte 
e observará: 
I - o respeito às garantias do devido processo legal no Estado requerente; 
II - a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou não no Brasil, em 
relação ao acesso à justiça e à tramitação dos processos, assegurando-se assistência 
judiciária aos necessitados; 
III - a publicidade processual, exceto nas hipóteses de sigilo previstas na legislação brasileira 
ou na do Estado requerente; 
IV - a existência de autoridade central para recepção e transmissão dos pedidos de 
cooperação; 
V - a espontaneidade na transmissão de informações a autoridades estrangeiras. 
§ 1º Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com base 
em reciprocidade, manifestada por via diplomática. 
§ 2º Não se exigirá a reciprocidade referida no § 1º para homologação de sentença 
estrangeira. 
§ 3º Na cooperação jurídica internacional não será admitida a prática de atos que contrariem 
ou que produzam resultados incompatíveis com as normas fundamentais que regem o 
Estado brasileiro. 
§ 4º O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de 
designação específica. 
 
Sem correspondência no CPC/1973. 
 
1. Normas gerais 
Os arts. 26 e 27 disciplinam as normas gerais sobre a cooperação jurídica 
internacional. Ela é prestada por órgãos brasileiros (cooperação passiva) por solicitação de 
órgãos estrangeiros. 
Mais especificamente, o art. 26 dispõe sobre a coordenação das relações 
internacionais do Estado Brasileiro com o Estado estrangeiro, à luz do art. 4º, da CF/1988, 
e art. 1, “3”, da Carta das Nações Unidas, de 26/06/1945 (Decreto n. 19.841, de 22/10/1945). 
 
78 
2. Carta rogatória 
A cooperação solicitada por órgão jurisdicional nacional para a justiça estrangeira é 
materializada pelo envio de carta rogatória, sendo rogante quem a solicita e rogado a 
autoridade judiciária de outro país a quem se remete a carta. A carta rogatória é tratada nos 
arts. 36, 40, 232, 237, inciso II, 256, §1º, e 260 a 267, 377, 915, §4º, do CPC/2015. 
 
3. Diretrizes 
Os incisos I a V, do art. 26, do CPC/2015 tratam das linhas gerais a serem seguidas 
pelos tratados internacionais. 
Todo ato internacional deve obediência ao devido processo legal, consagrado no art. 
5º, inciso LIV, da CF/1988 (inciso I e §3º do CPC/2015). 
O inciso II acentua os princípios da igualdade e do acesso à justiça, inscritos no caput 
do art. 5º, e incisos XXXV e LXXIV, da CF/1988. 
A publicidade processual disposta no inciso III está em harmonia com os arts. 5º, 
inciso LX, 37, caput, e 93, inciso IX, da CF/1988. 
A autoridade central referida no inciso IV é abordada no item 7, abaixo. 
O inciso V cuida da cooperação internacional espontânea e transparente, sem 
burocracia ou formalismo excessivo, a fim de não a inviabilizar. 
 
4. Cooperação jurídica internacional não disciplinada em tratado 
Caso não haja tratado disciplinando o tema, a cooperação jurídica internacional pode 
ser concretizadacom base na reciprocidade entre os países, pela via diplomática (art. 26, 
§1º, do CPC/2015). 
 
5. Homologação de sentença estrangeira 
Para a homologação de sentença estrangeira, modalidade de cooperação 
jurisdicional passiva, não é exigível a reciprocidade (arts. 26, §2º, e 960 a 965, do 
CPC/2015). 
 
6. Respeito à ordem pública 
Disciplinada em tratado internacional, a cooperação jurídica internacional deve 
respeitar os princípios fundamentais e os direitos e garantias fundamentais dispostos nos 
arts. 1º a 17 da CF/1988 (art. 26, §3º, do CPC/2015). Os atos internacionais não podem 
ofender a ordem pública. 
 
79 
7. Medida não jurisdicional 
O disposto no §4º, do art. 26, do CPC/2015, refere-se à cooperação jurídica 
internacional realizada por meio de auxílio direto (medida não jurisdicional), regulado pelo 
art. 28 do CPC/2015. 
Vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Departamento de 
Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional é responsável por promover a 
articulação dos órgãos dos Poderes Executivo e Judiciário e do Ministério Público nas áreas 
de cooperação jurídica internacional em matéria civil e penal e recuperação de ativos. Ainda 
nestas áreas, exerce a função de autoridade central, por meio da coordenação e da instrução 
de pedidos ativos e passivos de cooperação jurídica internacional e negociar acordos de 
cooperação jurídica internacional (art. 14, incisos III, alíneas “a” e “b”, incisos IV e V, do 
Decreto n. 9.662, de 01/01/2019). 
 
 
Art. 27. A cooperação jurídica internacional terá por objeto: 
I - citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial; 
II - colheita de provas e obtenção de informações; 
III - homologação e cumprimento de decisão; 
IV - concessão de medida judicial de urgência; 
V - assistência jurídica internacional; 
VI - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
 
Sem correspondência no CPC/1973. 
 
1. Atos de exercício de jurisdição 
Os incisos I a IV do art. 27, do CPC/2015 (com exceção da notificação extrajudicial 
e da obtenção de informações contidas na parte final dos incisos I e II do mesmo dispositivo) 
correspondem a atos de exercício de jurisdição praticados por juiz brasileiro, em 
atendimento a solicitação de juiz estrangeiro sem competência territorial. 
 
2. Medidas de cooperação não jurisdicional 
Por sua vez, os atos de notificação extrajudicial, obtenção de informações (parte final 
dos incisos I e II do art. 27, do CPC/2015) e de assistência jurídica internacional (inciso V 
do art. 27, do CPC/2015) são medidas de cooperação não jurisdicional solicitada por agente 
público de outro país, não integrante de órgão jurisdicional, por intermédio de auxílio direto 
(arts. 26, §4º, e 28, do CPC/2015). 
 
 
80 
3. Assistência jurídica internacional 
A assistência jurídica internacional (art. 27, inciso V, do CPC/2015) corresponde ao 
benefício aos estrangeiros necessitados da gratuidade da assistência jurídica integral, 
consagrado no art. 5º, inciso LXXIV, da CF/1988. A esse respeito, destaca-se o Acordo 
sobre o Benefício da Justiça Gratuita e a Assistência Jurídica Gratuita entre os Estados 
Partes do MERCOSUL, a República da Bolívia e a República do Chile, de acordo com o 
Decreto n. 6.679, de 08/12/2008. 
 
4. Lista exemplificativa 
A lista de hipóteses contida no presente dispositivo é exemplificativa, e não 
exaustiva. Assim, é possível a cooperação jurídica internacional em outros atos de natureza 
judicial ou extrajudicial, desde que não seja vedada pelo direito brasileiro (art. 27, inciso 
VI, do CPC/2015). 
 
 
Seção II - Do Auxílio Direto 
 
 Rafael Bussolote Finotti Silva5 
 Tiago Clemente Souza6 
 Arts. 28 - 41 
 
Art. 28. Cabe auxílio direto quando a medida não decorrer diretamente de decisão de 
autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação no Brasil. 
 
O auxílio direto é procedimento de natureza administrativa destinado a fazer valer 
as decisões do estrangeiro que, por conta de lei interna nacional, não precisam de 
homologação pelo poder judiciário. Quanto as decisões que dependem de juízo de 
deliberação no Brasil, a cooperação fica restrita ao mecanismo de homologação de sentença, 
previsto nos art. 960 a 965. 
Para Marinoni, Arenhart e Mitidiero caberá auxílio direto quando a medida não 
decorrer diretamente de decisão da autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a 
juízo de deliberação no Brasil. Caracteriza-se pela comunicação direta, sem prévia 
autorização do Poder Judiciário brasileiro, entre a autoridade estrangeira e a autoridade 
central brasileira, contrário, portanto, da carta rogatória.7 
 
 
5 Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - Trabalha no escritório Maeda, Ayres e 
Sarubbi Advogados. 
6 Doutorando em Direito Constitucional pela UGMG. Mestre em Teoria do Direito e do Estado pelo UNIVEM. 
Especialista em Direitos Humanos pela Universidade de Coimbra. Advogado. 
7 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Curso de Processo Civil. 
Vol. 2. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2017. p. 22. 
81 
Lembra, ainda, Humberto Theodoro Júnior que a cooperação internacional não se 
restringe aos atos do Poder Judiciário, podendo ser solicitada medida de natureza 
administrativa, podendo ser prestada por meio de informações dos registrados públicos, atos 
policiais ou alfandegários, por exemplo.8 
 
 
Art. 29. A solicitação de auxílio direto será encaminhada pelo órgão estrangeiro interessado 
à autoridade central, cabendo ao Estado requerente assegurar a autenticidade e a clareza do 
pedido. 
 
Foi feita a opção legislativa de não distinguir, a natureza do órgão estrangeiro, assim, 
seja de natureza jurisdicional ou de qualquer outra natureza, o órgão poderá solicitar o 
auxílio direto para a prática de ato no Brasil. A solicitação deve ser encaminhada à 
autoridade central que, na ausência de designação específica, será o Ministério da Justiça. 
Relembramos a hipótese de outra autoridade central, conforme o art. 26, § 4º. Ao Estado 
requerente cabe fazer um pedido claro e assegurar sua autenticidade, bem como a dos 
documentos que a instruírem. 
Há na doutrina a diferenciação entre cooperação jurídica ativa ou passiva. Como 
leciona Humberto Theodoro Jr., “A cooperação jurídica internacional pode ser ativa ou 
passiva, dependendo do local em que for feito o pedido e daquele onde deverá ser realizado 
o ato. Se o Brasil requerer a prática de determinado ato a algum Estado estrangeiro, a 
colaboração é denominada ativa, sendo passiva quando é a autoridade estrangeira quem 
solicita a realização de ato em território nacional”. 
Verificamos então que o artigo em comento traz uma hipótese de cooperação jurídica 
passiva. 
 
 
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto terá 
os seguintes objetos: 
I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos 
administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso; 
II - colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, 
de competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira; 
III - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
 
 
8 THEODORO JR, Humberto. Novo Código de Processo Civil. 21ª Edição. Rio de Janeiro: Forense. 2018. p. 
112. 
82 
Exceção feita aos casos previstos em tratados de que o Brasil é signatário, o auxílio 
direto terá os seguintes objetos: (I) obtenção e prestação de informações

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