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Conferência – práticas médicas no sus Doenças crônicas não transmissíveis no Brasil: desafios e plano de enfrentamento DCNT: São as doenças com maior impacto na saúde pública do Brasil sendo que a população que vive em vulnerabilidade social são os mais afetados devido a maior exposição a risco e barreiras de acesso á saúde. De acordo com os dados do CID-10, as doenças do aparelho circulatório foram a principal causa de mortalidade no país. As principais causas de mortalidade são: doenças circulatórias, neoplasias malignas e doenças do aparelho respiratório. Plano DCNT 2011-2022: Objetivos e estratégias Objetivo central: promover politicas públicas integradas e baseadas em evidências para prevenção e controle das DCNT. O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) 2011-2022 foi uma política do Ministério da Saúde. O objetivo era reduzir mortes prematuras por problemas como câncer, diabetes, hipertensão e doenças respiratórias. Ele focava em diminuir o tabaco e o álcool, melhorar a alimentação e incentivar exercícios. Doenças e Fatores de Risco Focados O plano atuou fortemente nos quatro principais grupos de doenças crônicas e nos seus causadores: Doenças: cardiovasculares, câncer, respiratórias crônicas e diabetes. Fatores de risco: tabagismo, consumo nocivo de álcool, inatividade física, dieta inadequada e obesidade. Diretrizes de Ação As metas do plano foram divididas em três eixos principais para orientar os profissionais de saúde: • Vigilância e Monitoramento: rastrear dados para entender onde agir. • Promoção da Saúde: criar ações para evitar que as doenças apareçam. • Cuidado Integral: garantir tratamento adequado para quem já tem a doença. METAS NACIONAIS DO PLANO DCNT: 2011-2022 O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil (2011–2022) estabeleceu 12 metas nacionais com o objetivo de deter o avanço das quatro principais DCNT (doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas) e de seus fatores de risco. As 12 metas dividem-se em três eixos principais: 1. Mortalidade Prematura • Redução da mortalidade prematura: Reduzir a taxa de mortalidade prematura (na faixa etária de 30 a 69 anos) por DCNT em 2% ao ano. 2. Fatores de Risco Modificáveis • Tabagismo: Reduzir a prevalência de tabagismo em adultos em 30%. • Álcool: Reduzir a prevalência do consumo nocivo/abusivo de álcool em 10%. • Atividade física: Aumentar a prevalência de prática de atividade física no tempo livre em 10%. • Alimentação saudável: Aumentar o consumo recomendado de frutas e hortaliças em 10%. • Sal: Reduzir o consumo médio de sal (meta deáreas de atuação que guiam todas as ações e metas do plano. Eles foram definidos para integrar a vigilância em saúde com a atenção à saúde e garantir ações de prevenção e promoção. De acordo com o documento, os eixos são quatro: • Promoção da Saúde: Este eixo é compreendido como o processo de capacitar indivíduos e comunidades para aumentarem o controle sobre os determinantes da saúde e, assim, melhorarem sua saúde. Vai além do comportamento individual, focando na criação de ambientes favoráveis, no fortalecimento da ação comunitária e no desenvolvimento de políticas públicas saudáveis. Envolve a articulação intersetorial para enfrentar os determinantes sociais da saúde. • Atenção Integral à Saúde: Este eixo engloba um conjunto de ações que vão desde a promoção da saúde e a prevenção de doenças até a assistência em todos os níveis de complexidade (da Atenção Primária à Alta Complexidade). Considera as dimensões biológica, social e cultural dos sujeitos, buscando um cuidado contínuo e integrado para as pessoas com doenças crônicas e em situação de violência. • Vigilância em Saúde: Este eixo é definido como o conjunto de práticas contínuas e articuladas para o conhecimento, a previsão, a prevenção e o enfrentamento de problemas de saúde da população. Inclui a vigilância epidemiológica de doenças transmissíveis e não transmissíveis, a vigilância de violências e acidentes, a vigilância em saúde ambiental, do trabalhador e a análise de situações de saúde. O foco é produzir informações para subsidiar a tomada de decisão e a implementação de ações. • Prevenção de Doenças e Agravos à Saúde: Este eixo compreende ações conjuntas entre a vigilância e a atenção à saúde com o objetivo de estruturar uma rede de proteção e cuidado. Envolve a produção e o uso de informações sociais e em saúde; ações antecipadas frente aos fatores de risco das doenças e acidentes; e ações intersetoriais que promovam intervenções estruturantes, como acordos regulatórios que incidam sobre os fatores de risco (ex: publicidade de alimentos, leis de trânsito). Sete linhas de ação do plano DANT As linhas de ação são os temas estratégicos que orientam a formulação de propostas dentro dos eixos. Elas garantem que as ações sejam atuais, inovadoras e correlatas às estratégias para o enfrentamento das Dant no Brasil e no mundo. Conforme o documento, são elas: 1. Ambientes e Territórios Saudáveis: Considera os espaços onde as pessoas vivem e circulam como dimensões concretas do processo saúde-doença. As ações visam transformar esses locais (cidades, comunidades, locais de trabalho) em ambientes que promovam a saúde, com mobilidade sustentável, qualidade do ar, segurança e acesso a alimentos saudáveis e espaços de lazer. 2. Desenvolvimento Saudável nos Ciclos da Vida: Reconhece que a saúde é influenciada por fatores hereditários, biológicos e do meio ambiente em todas as fases da vida, desde o nascimento até a morte. O foco é na atenção integral, destacando a importância dos primeiros mil dias de vida, o cuidado prolongado para doenças prevalentes em cada ciclo e a promoção de escolhas favoráveis à saúde em todas as idades. 3. Equidade em Saúde: Trata de atender às necessidades de pessoas e coletivos de acordo com suas vulnerabilidades, promovendo ajustes sociais para melhorar as condições de vida. Envolve a implementação de ações governamentais voltadas para o atendimento de diferentes necessidades, com atenção prioritária a grupos ou populações vulneráveis, como negros, indígenas, LGBTQIA+, população em situação de rua, entre outros. 4. Saúde Mental: Define-se como um estado de bem-estar no qual o indivíduo pode usar suas habilidades, recuperar-se do estresse, ser produtivo e contribuir com a comunidade. Esta linha de ação vincula-se ao acesso a ações e serviços de saúde para transtornos mentais em todos os níveis de complexidade, pressupondo uma rede de cuidado prolongado e compartilhado entre profissionais, indivíduos e familiares. 5. Educação e Comunicação em Saúde: Embora agrupadas, são dimensões distintas e complementares. A Educação em Saúde envolve uma abordagem pedagógica sobre saúde, ampliando conhecimentos e promovendo autonomia. A Comunicação em Saúde é a estratégia de divulgação de informações para diversos públicos com o objetivo de promover a saúde, prevenir doenças e melhorar o diálogo entre profissionais e população. (Nota: O documento menciona "sete linhas de ações", mas descreve apenas cinco na seção "Processo de Elaboração". As duas linhas adicionais, inferidas pelo contexto do plano, seriam a Governança e Gestão em Saúde e Pesquisa e Inovação, que permeiam todas as outras e são essenciais para a implementação, monitoramento e avaliação das ações.) METAS ESPECIFICAS PARA DCNT (2021-2030) As metas para as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) foram estabelecidas com base no balanço do plano anterior e visam à redução da mortalidade prematura. Todas têm como linha de base o ano de 2015 e devem ser alcançadas até 2030. De acordo com o documento, as metas são: 1. Reduzir em 1/3 a taxa padronizada de mortalidade prematura (30 a 69 anos) por DCNT. o Objetivo: Impactar diretamente a mortalidade precoce por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas. 2. Reduzir em 1/3 a probabilidade incondicional de morte prematura (30 a 69 anos) por DCNT. o Objetivo: Utilizar um indicador complementar para medir o risco de um indivíduo morrer de DCNT entre os 30 e 69 anos, independentemente de outras causas de morte. 3. Reduzir a mortalidade prematura (30 a 69 anos) por câncer de mama em 10%. o Objetivo: Focar em um dos cânceres mais incidentes e com maior impacto na mortalidade feminina, incentivando ações de rastreamento e diagnóstico precoce. 4. Reduzir a mortalidade prematura (30 a 69 anos) por câncer de colo do útero em 20%. o Objetivo: Diminuir a mortalidade por um câncer prevenível por meio de vacinação (HPV) e rastreamento organizado (exame Papanicolau). 5. Reduzir a mortalidade prematura (30 a 69 anos) por câncer do aparelho digestivo em 10%. o Objetivo: Enfrentar um grupo de cânceres fortemente associados a fatores de risco modificáveis, como alimentação inadequada, obesidade, consumo de álcool e tabagismo. AÇÕES ESTRATÉGICAS DANT As ações estratégicas são a parte prática do plano, organizadas para atingir as metas. Elas são divididas em três grandes blocos, totalizando 226 ações. Conforme o documento: • Bloco 1: Ações Estratégicas: Ações que mobilizam várias áreas e setores, transversalizando os demais blocos. Elas são essenciais para contribuir com o alcance do conjunto de metas do Plano. o Exemplos: Elaborar plano de comunicação com influenciadores digitais; desenvolver ferramentas digitais para o autocuidado; promover a Agenda dos ODS nos estados; fortalecer mecanismos de custo-efetividade para novas tecnologias; criar um observatório nacional de violências e acidentes; apoiar a qualificação da vigilância de Dant nos estados e municípios. • Bloco 2: Ações Estratégicas para Promoção da Saúde, Prevenção, Produção do Cuidado e Assistência para Enfrentamento dos Fatores de Risco: Ações organizadas a partir da vinculação dos fatores de risco para as Dant (como álcool, tabaco, alimentação, atividade física) com os eixos (Promoção, Atenção, Vigilância e Prevenção). o Exemplos: Articular a proibição da publicidade de bebidas alcoólicas; implementar a linha de cuidado para pessoas com sobrepeso e obesidade; estimular a criação de ciclovias; realizar ações de advocacy para fortalecer a cultura de paz; implementar o Sistema Nacional de Vigilância de Causas Externas. • Bloco 3: Ações Estratégicas para a Promoção da Saúde, Prevenção e Cuidado Diante do Grupo de DCNT: Ações correlatas às especificidades de cada grupo de doenças crônicas (Câncer, Diabetes, Doenças Cardiovasculares e Doenças Respiratórias). oExemplos (Câncer): Aperfeiçoar o rastreamento de câncer de mama e colo do útero para um modelo organizado; implantar programa nacional de qualidade em mamografia; ampliar o tratamento radioterápico. o Exemplos (Diabetes): Aumentar a cobertura de serviços de identificação e manejo do diabetes na APS; garantir triagem de retinopatia diabética. o Exemplos (Cardiovasculares): Fomentar a implantação de meditação para controle da pressão arterial; qualificar profissionais para atendimento a AVE e IAM. o Exemplos (Respiratórias): Garantir acesso a medicamentos inalatórios na APS; promover iniciativas para reduzir a influência de agentes ambientais nas doenças respiratórias. ACÕES ESTRATÉGICAS: PROMOÇÃO DA SAÚDE Dentro do Bloco 1 (Ações Estratégicas), o Plano de Dant lista uma série de ações específicas para o Eixo Promoção da Saúde. O objetivo é criar ambientes e condições que favoreçam escolhas saudáveis, indo além do tratamento de doenças. Conforme a seção 7.1 do documento, as ações incluem: • Comunicação e Educação: Elaborar plano de comunicação com influenciadores digitais sobre temas como cidades sustentáveis e alimentação saudável; desenvolver ferramentas digitais para o autocuidado; elaborar itinerários formativos para a educação básica sobre prevenção de DCNT e agravos. • Parcerias e Setor Privado: Estimular programas de promoção da saúde na saúde suplementar; estabelecer parcerias com o setor privado para ações voltadas à saúde dos trabalhadores; articular com a iniciativa privada e o terceiro setor projetos de baixo custo e alta efetividade para aumento de atividade física e redução de acidentes. • Políticas Públicas e Ambientes Saudáveis: Articular para a criação de uma Convenção-Quadro para prevenção de DCNT na América do Sul; disseminar recomendações para que cidades usem planejamento urbano e de transporte para diminuir poluição e incentivar mobilidade ativa; promover a Agenda dos ODS em estados e municípios. • Formação e Educação Permanente: Desenvolver iniciativas de Educação Permanente em Saúde para profissionais do SUS sobre os temas do Plano de Dant; formar e qualificar profissionais para o desenho e implantação de cidades/territórios inteligentes, saudáveis e sustentáveis. • Equidade e Segurança: Promover ações de saúde e segurança no trabalho, priorizando grupos vulneráveis como trabalhadores informais, menores de 18 anos e gestantes; apoiar estudos avaliativos sobre a efetividade de ações de promoção da saúde na APS voltadas a grupos de maior vulnerabilidade para DCNT. AÇÕES ESTRATÉGICAS - ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE Este eixo concentra ações voltadas para a organização do cuidado em saúde em todos os níveis de complexidade, garantindo desde a prevenção até o tratamento e reabilitação das pessoas com DCNT e vítimas de violências e acidentes. Conforme a seção 7.1 do documento, as principais ações são: Organização do Cuidado e Linhas de Cuidado: • Fomentar a qualificação e ampliação da atuação clínico-assistencial dos profissionais de saúde, com ênfase em equipes multiprofissionais. • Elaborar, implantar e implementar linhas de cuidado, diretrizes e protocolos clínicos para as DCNT, com ênfase em hipertensão arterial, diabetes mellitus, sobrepeso, obesidade, tabagismo, câncer de colo do útero e câncer de mama. • Apoiar os entes federados na implementação do modelo de atenção às pessoas com condições crônicas, com ênfase em HAS, diabetes e obesidade. • Implantar estratégias de avaliação de risco global para DCNT em usuários vinculados à Atenção Primária em Saúde (APS). Atenção Psicossocial e Saúde Mental: • Coordenar ações de indução da política de atenção psicossocial focadas em abordagens breves na APS, com ênfase em transtornos mentais frequentes, dependência e abuso de álcool. • Desenvolver ações de advocacy para inclusão de procedimentos e ações de prevenção de violências, uso de álcool e tabaco nas carteiras de serviços da APS. Tecnologia e Insumos: • Fortalecer os mecanismos de verificação de custo-efetividade para incorporação de novas tecnologias voltadas às DCNT. • Fortalecer o complexo produtivo da saúde para ampliar a produção de insumos farmacêuticos destinados ao enfrentamento das DCNT. Populações Vulneráveis e Ciclos de Vida: • Desenvolver estratégias intersetoriais de organização do cuidado para gestantes, puérperas, recém- nascidos e crianças de até 2 anos privadas de liberdade. • Ampliar estratégias de promoção do envelhecimento saudável ao longo de toda a vida. • Ampliar o acesso ao pré-natal odontológico para redução de cárie e doença periodontal. Resiliência em Situações de Crise: • Desenvolver estratégias de proteção e assistência às pessoas com DCNT em situações de epidemia ou pandemia, garantindo acesso e continuidade dos cuidados e aquisição de medicamentos. AÇÕES ESTRATÉGICAS - VIGILÂNCIA EM SAÚDE Este eixo concentra ações voltadas para a produção, análise e disseminação de informações em saúde para subsidiar a tomada de decisão e o monitoramento das Dant. Conforme a seção 7.1 do documento, as principais ações são: Fortalecimento da Vigilância de Dant: • Promover a implantação de vigilância de Dant (DCNT e agravos) integrada no País. • Publicar Guia de Vigilância de Dant integrada. • Apoiar estados e municípios para qualificação da vigilância de Dant, incluindo a qualidade dos dados, produção e utilização de informação em saúde. • Implantar programa de qualificação da informação e ampliação da captação de procedimentos não registrados no SUS, interoperabilidade dos sistemas e uso da análise de situação de saúde. Sistemas de Informação e Inquéritos: • Realizar anualmente o inquérito telefônico sobre fatores de risco e proteção para as DCNT – Vigitel. • Realizar a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) a cada cinco anos, incluindo medições antropométricas, pressão arterial e coleta de material biológico. • Realizar regularmente a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). • Desenvolver e ofertar tecnologia para interoperabilidade de dados dos sistemas de informação em saúde para qualificar a vigilância de lesões por causas externas. Observatórios e Comitês: • Criar observatório nacional de violências e acidentes. • Incentivar a criação de comitês de investigação de óbitos como estratégia para melhoria da qualidade dos dados. Monitoramento Específico: • Monitorar os casos e óbitos de intoxicações exógenas acidentais e autoprovocadas por agrotóxicos, metais pesados, produtos de uso domiciliar, produtos químicos, alimentos, raticidas e produtos veterinários e por uso abusivo de álcool e outras drogas. • Apoiar a estruturação e fortalecimento da vigilância dos riscos de intoxicação por agrotóxicos, alimentos e metais por trabalhadores rurais, ribeirinhos, agentes de endemias, pescadores, quilombolas. Publicações e Disseminação: • Publicar boletins epidemiológicos sobre temáticas do Plano de Dant. • Realizar o monitoramento e divulgação de informações relativas aos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Formação e Capacitação: • Disponibilizar ferramentas e estratégias de formação em vigilância de Dant e análise de iniquidades em saúde para profissionais do SUS. • Realizar o levantamento epidemiológico das condições de saúde bucal da população brasileira - SB BRASIL. AÇÕES ESTRATÉGICAS ESPECÍFICAS CONTRA: TABACO E OUTROS FATORES DE RISCO O documento detalha ações específicas para cada fator de risco na seção 7.2. Abaixo, apresento as ações para o tabagismo como exemplo principal, além de exemplos de outros fatores de risco. TABAGISMO Promoção da Saúde: • Apoiar e lançar campanhas pela proibição total da propaganda de cigarros, incluindo: exposição para venda, proibição de venda a menores, publicidade internacional e meios modernos de comunicação, adoção de embalagens padronizadas e comercialização, importação e propagandados dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo o tabaco aquecido. • Induzir e articular a implementação de medidas regulatórias relacionadas à comercialização, propaganda, consumo e fiscalização contra a venda de produtos ilegais. • Mobilizar e articular os poderes e setores da sociedade para promover o aperfeiçoamento da legislação nacional quanto ao cumprimento da Convenção-Quadro do Controle do Tabaco e seus protocolos. • Intensificar estratégias intersetoriais de promoção da saúde, prevenção e estímulo à cessação do uso de produtos derivados de tabaco nos estados de fronteiras e naqueles com maior prevalência de consumo de cigarros ilegais. • Fornecer subsídios para instituição de serviços nacionais de apoio à cessação do tabagismo, com custo coberto e eficaz para toda a população. Atenção Integral à Saúde: • Desenvolver estratégias para inclusão e ampliação de procedimentos e ações de prevenção e cessação ao uso de produtos fumígenos nas carteiras de serviços da APS e demais níveis de atenção. • Ampliar o acesso, por meio do fortalecimento de Linhas de Cuidado, ao cuidado integral em todos os níveis de atenção para pessoas em uso de tabaco. • Apoiar e articular ações do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, incluindo comunicação, produção de materiais e capacitações para populações em situação de iniquidade em saúde. Vigilância em Saúde: • Monitorar anualmente a prevalência de fumantes na população adulta, contemplando dados sobre consumo de novos produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, e produtos ilegais. • Desenvolver estudos para apoiar a implementação da proibição de aditivos de aroma e sabor em produtos fumígenos. Prevenção de Doenças e Agravos à Saúde: • Estimular o desenvolvimento de ambientes saudáveis no trabalho, na escola, na comunidade e nos serviços de saúde, por meio do incentivo à implementação de "ambientes livres de produtos fumígenos". • Estimular a adoção de medidas e leis para proibir o consumo de produtos fumígenos em áreas abertas como praças, parques, florestas, praias e campi universitários. • Disponibilizar materiais e estratégias para o fortalecimento do controle de tabagismo nas ações desenvolvidas pelos profissionais da APS, em parceria com escolas. EXEMPLOS DE AÇÕES PARA OUTROS FATORES DE RISCO Álcool: • Articular e promover subsídios técnico-científicos e políticos para proibições ou restrições abrangentes à publicidade, patrocínio e promoção comercial de bebidas alcoólicas. • Apoiar projetos de lei para alterar a Lei nº 9.294/1996 e vedar a propaganda comercial de bebidas alcoólicas nos meios de comunicação social. • Desenvolver campanhas de mídia nacional sobre uso de álcool e direção, trabalho, violência doméstica e doenças crônicas. Alimentação Adequada e Saudável: • Promover ações da alimentação saudável e adequada segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira. • Implementar medidas protetivas dos ambientes alimentares, especialmente nas escolas, para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e obesidade na primeira infância e adolescência. • Promover subsídios técnico-científicos e políticos para apoiar medidas regulatórias e fiscais para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. Atividade Física: • Subsidiar setores responsáveis com informações sobre a importância e ganhos para a saúde com a construção e definição de espaços de lazer como praças, parques e áreas livres com estrutura para prática de atividade física. • Promover articulação para o aumento da quilometragem de ciclovias e ciclofaixas nas capitais e grandes municípios. • Articular com o MEC a garantia da educação física escolar na educação básica da rede pública de ensino. DIMENSÕES ESTRUTURANTES PARA IMPLEMENTAÇÃO O documento, em sua seção 8, recomenda que os entes federados reforcem os objetivos do Plano de Dant com base em quatro dimensões estruturantes para a organização, produção de ações e serviços e gestão na saúde: 1. Educação Permanente em Saúde voltada aos temas e às estratégias de implementação do Plano de Dant: • Garantir as temáticas nos planos estaduais e/ou municipais de Educação Permanente em Saúde (EPS). • Construir e reforçar competências e habilidades dos profissionais de saúde para abordagem e produção do cuidado frente às DCNT e aos agravos. • Incluir habilidades como construção de iniciativas intersetoriais, organização e produção de informações para pautar decisões técnicas e políticas, e mobilização da comunidade. • Garantir abordagens diante das DCNT e agravos na APS e vigilância em saúde. 2. Implantação e fortalecimento dos serviços de saúde voltados à prevenção das DCNT e dos agravos: • As ações de prevenção dos fatores de risco para DCNT e agravos devem fazer parte dos constructos que caracterizam a vigilância em saúde e a APS. • Promover a integração entre vigilância em saúde e APS, com construção e compartilhamento do mesmo planejamento. • Organizar a vigilância em saúde na rede de saúde local, percorrendo todos os níveis de atenção (média e alta complexidades). • Responder a perguntas como: "quais as entregas da vigilância em saúde e da APS para enfrentamento das Dant?"; "quais processos de trabalho precisam ser estabelecidos ou revistos?"; "quais as habilidades e competências necessárias?". 3. Construção de parcerias multisetoriais: • As DCNT e agravos estão fortemente relacionados aos determinantes sociais da saúde, exigindo abordagem que inclua componentes econômicos, sociais, políticos e culturais. • Ações voltadas à prevenção de acidentes requerem reestruturações e parcerias para além do setor saúde. • Espera-se que o Plano de Dant incentive e subsidie iniciativas com multissetores que envolvam a gestão pública, o mercado e o terceiro setor. • As ações propostas versam sobre a necessidade de articulação com outras políticas como educação, trânsito, assistência social e segurança pública. 4. Desenvolvimento de capacidades e habilidades para a geração e uso de informações: • A informação é um dos principais recursos de trabalho na saúde pública. • No âmbito local, o acompanhamento de indicadores nacionais e locais é imprescindível para avaliar e nortear as ações e serviços. • Recomenda-se manter os bancos de dados atualizados e melhorar o preenchimento das fichas de notificação. • Avançar com a interoperabilidade de dados para compor um conjunto coeso e completo de informações. • Realizar análises interessantes como: relação entre acidentes de trânsito e consumo de álcool, violência, gênero e escolaridade, gravidez na adolescência e abandono escolar. • Saber comunicar a informação e utilizá-la para advogar em prol das ações do Plano de Dant. • Acompanhar da informatização da saúde e automação de processos para facilitar o trabalho dos profissionais. O PAPEL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE NO PLANO DANT O documento, ainda na seção 8, estabelece claramente as responsabilidades do Ministério da Saúde (MS) em parceria com os demais entes federados. Caberá ao MS: a. Apoio Técnico e Subsídios: • Prestar apoio técnico e subsídios para implementação, monitoramento, revisão e avaliação do Plano de Dant. b. Dinamização da Agenda: • Dinamizar a agenda do plano e agendas convergentes para manter em alta as discussões pertinentes ao alcance das metas. c. Educação Permanente: • Desenvolver e apoiar iniciativas de educação permanente voltadas à construção de competências e habilidades para elaboração e respostas aos indicadores em saúde a nível estadual e municipal. d. Redes Multissetoriais: • Incentivar a criação de redes multissetoriais. e. Fortalecimento da Vigilância: • Fortalecer a vigilância de Dant integrada. f. Inclusão nos Planos de Saúde: • Apoiar a inclusão das ações e metas do Plano de Dant nos respectivos planos de saúde e nos planos de educação permanente dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.g. Pesquisa e Avaliação: • Desenvolver e apoiar pesquisas sobre a implementação do Plano de Dant e seus resultados à saúde da população brasileira. h. Atualização e Alinhamento: • Manter as ações e as metas do plano atualizadas e alinhadas com as políticas, as diretrizes e os acordos internacionais dos quais o País é signatário. i. Organização da Vigilância na Rede: • Organizar a vigilância de Dant nas redes de atenção à saúde. j. Articulação com a Saúde Suplementar: • Articular com a saúde suplementar para apoio às ações e às metas do Plano de Dant. ≠