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História da Igreja Antiga

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HISTÓRIA DA IGREJA: DO PENTECOSTES À REFORMA 
 
PROGRAMA DE 
ESTUDOS COMPLEMENTARES 
UNIDADE 1 
HISTÓRIA DA 
IGREJA ANTIGA 
(5 a.C A 590 d.C) 
SEÇÃO 1 
O Cristianismo no Império até 100 
Aula 1 
A plenitude dos tempos 
Sobre está pedra 
Primeiro ao judeu 
Aula 2 
Também aos gregos 
Os livros e os pergaminhos 
Com os bispos e os diáconos 
SEÇÃO 2 
A luta pela sobrevivência da antiga Igreja 
Católica no império, de 100 até 313 
Aula 3 Cristo ou César 
Fábulas ou sã doutrina? 
Aula 4 Em defesa da fé 
A Igreja cerra fileiras 
SEÇÃO 3 
A supremacia da Antiga Igreja Católica 
Imperial, de 313 até 590 
Aula 5 
A Igreja enfrenta o Império e os bárbaros 
O desenvolvimento doutrinário na era dos 
concílios 
Aula 6 
A era de ouro dos Pais da Igreja 
O cristianismo dos claustros 
Desenvolvimentos relacionados à hierarquia 
e liturgia 
UNIDADE 2 
HISTÓRIA DA 
IGREJA MEDIEVAL 
(590 A 1517) 
SEÇÃO 1 
O surgimento do Império e do Cristianismo 
Latino-Teotônico, de 590 até 800 
Aula 7 
O primeiro papa medieval 
Expansão e retraimento do Cristianismo 
O renascimento do 
imperialismo no Ocidente 
SEÇÃO 2 
Avanços e retrocessos nas relações entre 
Igreja e Estado, de 800 até 1050 
Aula 8 A formação do 
sacro Império Romano 
Aula 9 Reavivamento e divisão da Igreja 
SEÇÃO 3 
A supremacia do papado, de 1054 até 1305 
Aula 10 O apogeu do poder papal 
Cruzados e reformadores 
Aula 11 O saber e o culto na Idade Média 
SEÇÃO 4 
O declínio medieval e a aurora moderna, de 
1305 até 1517 
Aula 12 Tentativas de reforma interna 
Aula 13 O papado enfrenta a 
oposição extrema 
Tabela 1 
 
 
 
UNIDADE 1: 
A HISTÓRIA DA IGREJA ANTIGA (5. a.C A 590 d.C) 
 
SEÇÃO 2: 
A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DA 
ANTIGA IGREJA CATÓLICA NO IMPÉRIO, DE 100 ATÉ 313 
 
 
A paz do Senhor Jesus. 
 
Esta aula encerra o período que vai do ano 100 até 313. Este é um momento muito importante 
para a Igreja de nosso Senhor. Durante estes duzentos e treze anos, o Cristianismo cresceu muito, 
e sofreu muito também. Entre os motivos de suas lágrimas estavam não somente a perseguição, 
mas, também, as acusações que lhe eram feitas por parte dos pagãos. Porém, o fardo dos crentes 
primitivos foi tornado ainda mais pesado em razão das heresias que, internamente, se 
multiplicavam. Como reação a estes desafios, a Igreja viu surgir em seu seio um grupo muito 
interessante de obreiros, homens cujas habilidades intelectuais foram colocadas ao dispor do 
Reino, escrevendo, eles, tratados robustos de defesa da fé – tanto para informar os pagãos sobre 
as injustiças de suas acusações, como para dar combate aos desafios heréticos internos. 
 
Esta forma de ministério, de serviço prestado por estes obreiros, passou a ser conhecida como 
defesa da fé, ou, mais assertivamente, como apologética. É este o assunto principal desta aula. 
 
 
ESBOÇO DA AULA 
 
1. Os apologistas 
a. Os apologistas orientais 
b. Os apologistas ocidentais 
2. Os polemistas 
a. A escola catequética de Alexandria 
b. A escola cartaginesa 
3. O episcopado monárquico 
4. O desenvolvimento da regra de fé, do cânon de o Novo Testamento e da liturgia 
 
*TEXTO 1 
OS APOLOGISTAS 
 
Durante o período histórico que vai do ano 100 ao 313, o trabalho escrito para defesa da fé e 
combate às heresias foi uma atividade fundamental para a Igreja, tanto no Oriente quanto no 
Ocidente. 
 
Um dos principais defensores da fé foi *Irineu de Lyon, que escreveu várias obras em defesa do 
cristianismo e contra as heresias que surgiram na época. Em sua obra mais conhecida, Contra as 
Heresias, Irineu combateu várias doutrinas heréticas, como o gnosticismo e o montanismo. Ele 
também defendeu a unidade da Igreja e a autoridade dos bispos como sucessores dos apóstolos. 
 
Outro escritor importante foi *Orígenes de Alexandria, que escreveu extensivamente sobre 
teologia e filosofia. Ele foi influenciado pela filosofia grega e usou a razão para defender a fé 
cristã. Em suas obras, combateu várias heresias, como o docetismo e o marcionismo. Ele também 
defendeu a Trindade e a encarnação de Cristo. 
 
*Tertuliano, defensor da fé, no tratado A Ressurreição da Carne, defendeu a ressurreição dos 
mortos, que era uma doutrina contestada pelos pagãos. Ele também combateu a heresia do 
modalismo, que negava a distinção entre as pessoas da Trindade. 
 
*Hipólito de Roma, que escreveu várias obras em defesa da fé cristã, no texto Refutação de Todas 
as Heresias, combateu diversas heresias, como o gnosticismo e o marcionismo. Hipólito, também, 
defendeu a autoridade dos bispos e a sucessão apostólica. 
 
Além desses, outros defensores da fé surgiram tanto no Oriente quanto no Ocidente, como 
Clemente de Alexandria, Justino Mártir, Cipriano de Cartago e Orígenes. Eles escreveram 
extensivamente sobre teologia, filosofia e história, e usaram a razão para defender a fé cristã. O 
trabalho escrito por eles foi crucial para a Igreja durante o período de perseguição e de conflitos 
teológicos. Eles usaram a razão e a argumentação para defender a fé cristã contra as heresias e os 
ataques dos pagãos. Eles também estabeleceram a base teológica para a unidade da Igreja e a 
autoridade dos bispos como sucessores dos apóstolos. 
 
Ambos os grupos de apologistas compartilham muitas semelhanças em suas abordagens à defesa 
da fé cristã, mas há diferenças notáveis entre os apologistas orientais e ocidentais. Uma diferença 
significativa é a língua em que escreveram. Enquanto *os apologistas orientais escreviam 
principalmente em grego, os ocidentais escreviam em latim, a língua comum do Império Romano 
Ocidental. Essa diferença de idioma refletia a divisão cultural e linguística entre o Oriente e o 
Ocidente, e tornava mais difícil a comunicação entre os dois grupos. Além disso, *os apologistas 
ocidentais tendiam a ser mais práticos e menos filosóficos do que seus colegas orientais. Enquanto 
os defensores orientais da fé muitas vezes usavam a filosofia grega como uma forma de explicar 
a doutrina cristã, os ocidentais geralmente apelavam para argumentos mais simples e diretos 
baseados em evidências históricas e bíblicas. Essa abordagem prática refletia as diferenças 
culturais entre o Oriente e o Ocidente. 
 
Outra diferença significativa era a ênfase dada pelos apologistas ocidentais ao papel da Igreja e 
da tradição na defesa da fé cristã. Enquanto os apologistas orientais muitas vezes enfatizavam a 
importância da razão e da lógica na compreensão da fé cristã, os ocidentais frequentemente 
argumentavam que a Igreja e a tradição eram os verdadeiros guardiões da fé cristã, e que a 
autoridade da Igreja era essencial para a preservação da doutrina cristã. 
 
Por fim, é importante notar que essas diferenças não significam que os apologistas orientais e 
ocidentais estavam em desacordo entre si. Pelo contrário, ambos os grupos trabalharam juntos 
para defender a fé cristã em face da perseguição e das heresias, e ambos fizeram contribuições 
significativas para o desenvolvimento da teologia cristã. 
 
 
OS POLEMISTAS 
 
Embora possam parecer semelhantes, há uma diferença fundamental entre apologistas e 
polemistas na defesa da fé cristã. 
 
*Os apologistas buscam explicar e justificar a fé cristã para aqueles que não a entendem ou não 
acreditam nela. Eles usam argumentos racionais e lógicos para defender a doutrina cristã e mostrar 
sua relevância para a vida das pessoas. O objetivo dos apologistas é, portanto, esclarecer e 
persuadir, em vez de simplesmente atacar ou condenar outros pontos de vista. 
 
*Os polemistas buscam refutar ou denunciar as visões de outras pessoas ou grupos. Eles podem 
usar argumentos emocionais ou agressivos para atacar as crenças de outros, em vez de tentar 
convencê-los através de argumentos racionais. O objetivo dos polemistas é, portanto, desacreditar 
e refutar outros pontos de vista, em vez de explicar ou defender sua própria crença. 
 
Embora ambas as abordagens fossem úteis em certos contextos, os apologistas eram mais bem-
sucedidos em alcançar aqueles que são abertos a ouvire aprender, enquanto os polemistas 
poderiam vir a alienar aqueles que têm crenças diferentes. Logo, é importante que os cristãos 
sejam capazes de articular sua fé de forma clara e racional, sem cair na armadilha de ataques 
emocionais ou agressivos. 
 
 
A escola catequética de Alexandria 
 
Fundada por Panteno no século II, esta iniciativa desempenhou um papel fundamental no 
desenvolvimento da teologia cristã e na defesa da fé. Ela era conhecida por sua abordagem 
intelectual e erudita à religião, combinando a filosofia grega com as doutrinas. Esta abordagem 
de ensino atraiu muitos estudiosos e filósofos, incluindo Clemente de Alexandria e Orígenes. 
 
Clemente de Alexandria, o primeiro grande mestre da escola, afirmou que a filosofia grega era 
uma preparação para a fé cristã, e não uma ameaça a ela. Ele ensinou que a verdadeira sabedoria 
era a sabedoria de Deus, e que a filosofia era um meio para chegar a essa sabedoria. Em seus 
escritos, Clemente enfatizou a importância da busca pela verdade, combinando conhecimento 
intelectual e piedade. 
 
Orígenes, um dos mais importantes e influentes estudiosos da escola, levou a abordagem alegórica 
a um novo nível. Ele defendeu que as Escrituras tinham múltiplos significados, e que a 
interpretação alegórica poderia revelar a verdade espiritual por trás do texto literal. Essa 
abordagem alegórica da interpretação bíblica teve um impacto significativo na teologia cristã, e 
muitos teólogos e estudiosos seguiram a tradição alegórica de Orígenes. 
 
No entanto, essa tradição alegórica também levou a um problema que é conhecido como vício da 
alegoria. Muitos cristãos começaram a interpretar a Bíblia de forma alegórica, procurando 
significados ocultos e simbólicos em vez de entender o texto literalmente. Isso levou a 
interpretações subjetivas e, às vezes, extremamente fantasiosas da Bíblia. Esse vício levou a uma 
diminuição da importância da Escritura, à medida que os cristãos começaram a interpretá-la mais 
como um livro de mistérios do que como um registro histórico e literário. 
 
De fato, a interpretação alegórica tornou-se cada vez mais popular na Idade Média, especialmente 
na Europa ocidental. Muitos teólogos e estudiosos medievais, como Tomás de Aquino, 
acreditavam que a interpretação alegórica era uma ferramenta útil para encontrar significados 
ocultos nas Escrituras e reconciliá-los com a razão humana. No entanto, essa abordagem também 
levou a interpretações errôneas e alegóricas, muitas vezes baseadas em ideias preconcebidas ou 
teologias pessoais. Além disso, a interpretação alegórica também foi frequentemente usada para 
justificar práticas questionáveis ou abusivas. Por exemplo, muitos líderes da Igreja Católica 
usaram alegorias para defender o poder papal absoluto ou a ideia de que a salvação só poderia ser 
alcançada através da Igreja Católica. Essas interpretações alegóricas não apenas foram 
contestadas por outros líderes religiosos, mas, também, contribuíram para conflitos e divisões 
dentro da Igreja. 
 
 
*TEXTO 3 
O EPISCOPADO MONÁRQUICO 
 
As origens do episcopado monárquico 
 
O episcopado monárquico é uma forma de organização da Igreja Católica que surgiu no final do 
século III e início do século IV, como uma resposta à crescente complexidade e expansão da 
igreja. Naquele tempo, a igreja cristã estava crescendo rapidamente, com muitos fiéis se 
convertendo ao cristianismo. Com isso, a liderança da igreja precisava se reorganizar para lidar 
com a demanda de uma estrutura mais complexa. 
 
Nesse sistema, cada diocese era liderada por um bispo, que tinha autoridade sobre os padres e 
diáconos da região. O bispo, por sua vez, era responsável perante um arcebispo ou patriarca, que 
liderava uma província eclesiástica e tinha autoridade sobre os bispos da região. Dessa forma, a 
igreja era organizada em uma hierarquia clara, com diferentes níveis de autoridade. 
 
Essa organização hierárquica foi consolidada na Igreja Católica após o Concílio de Niceia em 
325, que definiu a doutrina da Trindade e estabeleceu a primazia do bispo de Roma (o Papa) sobre 
os demais. Com o tempo, o papado se tornou a autoridade máxima na Igreja Católica, com poder 
para nomear bispos, decidir questões doutrinárias e excomungar membros dissidentes. 
 
Apesar de ter sido adotado por outras igrejas cristãs, como a Igreja Ortodoxa, o episcopado 
monárquico foi criticado pelos reformadores protestantes do século XVI, que viam a hierarquia 
da igreja como excessiva e corrompida. Martinho Lutero, por exemplo, defendia o sacerdócio de 
todos os crentes e criticava a autoridade do papado e dos bispos. No entanto, o episcopado 
monárquico continua sendo uma forma de organização da Igreja Católica e outras denominações 
cristãs, e é considerado parte importante da história e tradição cristãs. 
 
 
*TEXTO 4 
O DESENVOLVIMENTO DA REGRA DE FÉ, 
DO CÂNON DE O NOVO TESTAMENTO 
E DA LITURGIA 
 
Uma afirmação recorrente nos livros de história da igreja garante que, atribulados com a 
perseguição nos primeiros trezentos anos, os crentes apostólicos e primitivos não tinham 
condições de cuidar de importantes questões como a estruturação eclesiástica, a formação de um 
conjunto de doutrinas, ou, ainda menos, a formulação de uma prática litúrgica. A partir de 313, 
entretanto, tudo isso teria mudado e, finalmente, o cristianismo poderia estruturar-se como 
religião amadurecida. 
 
Que a perseguição fosse extenuante, desgastante e esgotasse o povo de Deus, não discuto. Ela foi 
a sombra da morte no vale apostólico. Mas, em tempo algum, a igreja deixou de se desenvolver 
e de se organizar. Muito ao contrário disso. Aliás, no mesmo sentido, deve-se afirmar que todo o 
aparato clerical formado a partir do século quarto, bem como uma parte substancial da produção 
literário-teológica destes anos em diante, não podem ser comemorados como avanços, pois 
constituem-se em coisa pior que retrocesso. São desvios, realmente. 
 
Comecemos por afirmar que, é claro, a igreja apostólica, e mesmo a primitiva dos séculos segundo 
ao quarto, não tinha condições de inaugurar templos, construir catedrais, ou fundar instituições 
complementares como seminários e bibliotecas. Mas isso não deve ser confundido com a falta de 
culto, ausência de liturgia, abstinência intelectual ou analfabetismo teológico. Lembremo-nos, 
gratos e humildes, que antes que o primeiro século se encerrasse, todos os cristãos sabiam como 
louvar a Deus, e quais eram os princípios que regiam o culto autenticamente pentecostal: “Que 
fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, 
tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. E, se alguém falar em língua 
desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, 
se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. E falem dois 
ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma 
coisa, cale-se o primeiro.” (1Co 14:26-30). E ainda isto: “E não vos embriagueis com vinho, em 
que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos 
espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; dando sempre graças por tudo 
a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo; sujeitando-vos uns aos outros no 
temor de Deus.” (Ef 5:18-21). 
 
Se tudo fosse conforme os historiadores eclesiásticos querem fazer crer, os cristãos dos primeiros 
séculos não estariam se congregando nas catacumbas para adorar sem morrer, mas, apenas, para 
não morrer. Como se pode notar pelo texto bíblico, inerrante e inspirado, a igreja das catacumbas, 
clandestina nos valados e descampados, oculta nas noites, recolhidas em senáculos discretos, não 
o fazia para sobreviver, mas para adorar. Os primeiros cristãos já sabiam, desde sempre, como 
servir, como louvar, como ensinar e, ainda mais, o que ensinar. 
 
É verdade, de fato, que num momento em que era impossívelerigir templos, ninguém ousaria 
construir um seminário, criar um internato. Mas, daí a concluir que os crentes apostólicos, e 
nossos irmãos dos primeiros três séculos, não tinham professores, mestres, bem como não 
possuíam doutrinas a comunicar, é um erro grosseiro, e não sei se encontro algo a que atribuí-lo, 
a não ser à cegueira espiritual: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e 
outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos 
santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à 
unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura 
completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo 
o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Ef 
4:11-14). 
 
Lembremo-nos do que disse nosso Senhor Jesus, quando de Suas instruções finais aos apóstolos, 
contada por Marcos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do 
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho 
mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mt 
28:19,20). Haveria o que ensinar, desde a assunção de Cristo, ou seria preciso esperar por mais 
trezentos anos até os primeiros conteúdos? Nem é preciso ser aluno de um doutorado para 
conhecer a correta resposta. Aliás, qualquer crente sinceramente convertido ao Senhor sabe: 
sempre houve o que ensinar, especialmente desde que os apóstolos aprenderam do próprio Jesus! 
 
As mesmas considerações feitas sobre o culto e sobre o ensino, são as que tenho a fazer 
concernentemente à formação do cânon de o Novo Testamento. Os mesmos historiadores que 
dizem que a igreja dos primeiros trezentos anos não tinha doutrina ou liturgia, garantem que a 
formação do cânon neotestamentário é uma questão que somente foi solvida quando do século 
terceiro ou quarto. Será que, quanto a isto, eles acertaram? É óbvio que não. Ora, não podemos 
confundir os debates sobre os livros inspirados com a falta de um cânon. Uma coisa são os hereges 
e os inseguros cuidando deste tema com a astúcia ou a falta de convicção espiritual que lhes são 
peculiares; outra coisa, muito perigosa, seria assumir que isso prova que a Igreja de Cristo 
atravessou os primeiros séculos sem Bíblia. Isso equivaleria assumir que os primeiros crentes 
eram ricos em poder e dons espirituais, mas, ainda assim, eram incapazes de reconhecer a 
assinatura do Espírito Santo nos textos canônicos. Você concordaria com isso? Eu espero que 
não! 
 
Os livros que compõem o Novo Testamento estavam prontos antes do fim do primeiro século, e 
eram já reconhecidos como inspirados. Todos eles têm caraterísticas comuns: foram redigidos ou 
por apóstolos ou por obreiros chancelados pelos apóstolos do Senhor; o seu conjunto doutrinário 
era sólido e não havia neles algo que suscitasse dúvidas ou estranhezas, como era o caso com a 
carta do pastor de Hermas – sempre aclamada pelos historiadores como popular, mas cujo 
argumento pró-inspiração não resiste à leitura, sequer, das primeiras linhas. Em torno do ano 160, 
alguns cristãos em Roma quiseram incluir o Pastor de Hermas em suas listas de livros autorizados. 
A refutação dada foi a de que “Hermas compôs ‘o Pastor’ recentemente, em nossos dias, na cidade 
de Roma. [..] Ainda que possa ser lido, não deve ser lido publicamente ao povo da igreja. Não é 
contado nem entre os profetas (pois o número deles foi completado), nem entre os apóstolos (pois 
é de depois do seu tempo)” – esse argumento pode ser encontrado no Cânon Muratoriano. 
 
 
CONCLUSÃO 
 
Caros alunos, hoje discutimos sobre os primeiros séculos do cristianismo, que foram marcados 
por uma intensa atividade apologética e polêmica. Aprendemos sobre os apologistas orientais e 
ocidentais, que se esforçaram para defender e explicar a fé cristã em um contexto de hostilidade 
e incompreensão. 
 
Também falamos sobre os polemistas, como as escolas catequética de Alexandria e cartaginesa, 
que se envolveram em debates acalorados com outras correntes religiosas e filosóficas da época. 
Além disso, estudamos o desenvolvimento do episcopado monárquico e da regra de fé, do cânon 
do Novo Testamento e da liturgia, que foram fundamentais para a formação da Igreja primitiva e 
para a preservação da fé cristã ao longo dos séculos. 
 
Como cristãos pentecostais, temos muito a aprender com os ensinamentos e experiências dos 
primeiros cristãos. Convido todos os irmãos a que se juntem a mim na próxima ministração, com 
a ajuda de Deus, para continuarmos a crescer em conhecimento e sabedoria e aprofundarmos 
nossa relação com Cristo. Que Deus os abençoe e os guie em seu caminho de fé.

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