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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 
1. DEFINIÇÃO E CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A “apologética” relaciona-se à “defesa”. A palavra vem do grego apologia, e a idéia 
é a de “defender-se mediante um ataque”. Por isso, nos dias no NT, era comum ser usada no 
sentido de defesa perante um tribunal. Isto está explícito em 2 Tm. 4:16. Talvez esta idéia 
também esteja presente em 1 Pe. 3:15-16:
“... Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai preparados para 
responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em 
vós, tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de 
malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom procedimento em Cristo”.
A Apologética, como ciência ou disciplina teológica, tem uma abrangência muito maior 
do que aparenta. Vê-se, de antemão, que a apologética não se relaciona à organização ou 
criação de dogmas ou “leis” teológicas. Pelo contrário, procura defender o pensamento 
fundamental do cristianismo frente às questões ou investidas dos que pensam de forma distinta. 
Como o cristianismo tem um posicionamento muito específico acerca de alguns temas, tais 
quais: o cosmos, o homem, Deus, o pecado, Cristo, etc., cabe hoje à apologética cristã dispor 
de meios, argumentos, que corroborem o pensamento bíblico sobre tais temas. Assim, em 
última análise, a apologética seria uma defesa do pensamento teológico bíblico cristão, e que 
envereda pelos diversos campos do conhecimento.
Há quem afirme que a apologética é usada no evangelismo. Isto é verdade a partir do 
momento em que o Evangelho é questionado quanto à sua veracidade como “fé” verdadeira. 
Aprenderemos que, por definição fundamental, a “verdade” não é relativa, pois se assim 
fosse estaríamos admitindo o pensamento de que há “verdades” que se sustentam, baseadas 
na cosmovisão de quem as vê. Fundamentalmente, a disciplina da Apologética cuidará em 
defender o cristianismo, e não expô-lo. Porém, é certo que, principalmente nos dias atuais, 
torna-se quase inevitável uma defesa do cristianismo no ato de sua exposição, pois à medida 
em as culturas globalizam-se, um sentimento paralelo de identificação e auto-afirmação 
religiosa está cada vez mais latente, principalmente em sociedades em que o Estado 
confunde-se com a Religião. 
Devemos ter ciência plena de que o Cristianismo é lógico e verdadeiro, e que o vácuo 
deixado por outras “soluções” religiosas para o homem, é completa e perfeitamente 
preenchido pelo Cristianismo bíblico. Daí a importância de sabermos também, o que pensam 
os grupos religiosos, tanto sobre os conceitos fundamentais do pensamento religioso (como 
alguns dos citados acima), bem como sobre o próprio Cristianismo. A forma como 
expusermos o Cristianismo fará muita diferença. Cada vez mais, faz-se necessária uma 
defesa que englobe concepções acerca de temas e questões para as quais, à princípio, não há 
um aparente posicionamento bíblico claro e direto. Problemas modernos, peculiares, os quais 
“exigem” que conheçamos mais acerca do mundo que nos rodeia. 
Isto, apesar de amplamente aceito no meio evangélico contemporâneo, não o era há 
algumas décadas atrás. Os missionários, por exemplo, não se contextualizavam. Os teólogos, 
muitas vezes construíram um sistema sistemático do qual alguma coisa, ou até muito do que 
fora construído, tinha mais a ver com a sua com a sua concepção filosófico-religiosa, que por 
sua vez tinha raízes na realidade sócio-político-econômica de seus dias, do que na verdadeira 
teologia bíblica. “Apologética Cristã”, portanto, não é atacar o alheio, criar teologia; é 
fundamentalmente, “responder a razão da esperança que há em nós”.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
2. A LÓGICA, A VERDADE E A FILOSOFIA
Antes de analisarmos alguns questionamentos contemporâneos, ou mesmo falarmos 
sobre alguns aspectos da história da Apologética, é importantíssimo que discorramos sobre 
alguns conceitos fundamentais. Para tal, temos que lembrar em que tipo de sociedade 
vivemos atualmente. Hoje, vivemos em um mundo cada vez mais “pluralista”¹. Este conceito 
está presente, embora muitos desconheçam-no objetivamente. A pluralização, como modus 
operandi em uma sociedade tem como causa uma construção de pensamento-lógica-verdade, 
que advém de décadas, ou séculos. Observando a situação sob uma perspectiva histórica, 
estamos culminando, há alguns séculos, à relativização da verdade “moral”. Observemos que 
todos as discussões sobre relativização da verdade giram, de fato, em torno de conceitos 
morais. Para entendermos isto hoje, precisamos discorrer um pouco sobre lógica e verdade.
A lógica está fundamentalmente ligada ao conceito de realidade. Negar a realidade é 
admitir, por exemplo, que tudo é ilusão (pensamento hindu). Seria anular o “ser”, o que por 
si só é uma contradição, haja vista que “ser real” é sinônimo de “existir”, e vice versa. Logo, 
em última análise, a negação da realidade é ilógica. Tem-se por definição de “ilusão” o que 
se segue: “Ilusão é a percepção enganosa da realidade”², isto é, o seu “oposto”. Ora, se a 
negação da realidade é ilusão absoluta, o princípio fundamental da lógica, sobre o qual se 
constrói o pensamento, anula-se; pois só haveria ilusão com a contraposição do seu oposto, 
isto é, a realidade. Logo, é lógico concluir que é ilusão crer que a realidade é ilusão. 
Atendo-se a este conceito nós podemos construir, baseados nas leis do pensamento, um 
sistema ao qual podemos chamar de verdadeiro. Mas, o que é a verdade? Normam Geisler e 
Peter Bocchino assim a definem: “A verdade em si é a expressão ou símbolo ou declaração 
que corresponde ao seu objeto ou referente (i.e., aquele ao qual se refere, seja um conceito 
abstrato ou a uma coisa concreta).” (Normam Geisler, Fundamentos Inabaláveis, p. 29). 
Nosso sistema deve ser, portanto, REAL, isto é, baseado na realidade, para que seja 
verdadeiro. E é aí que está a grande questão de uma sociedade pluralista: Se a verdade é 
relativa, qual ou quais sistemas são verdadeiros? A resposta comum a esta pergunta seria: 
NENHUM, e, ao mesmo tempo, TODOS. “Nenhum”, pois a verdade de tal sistema não teria 
aceitação universal. “Todos”, pois, para aqueles que o defendem, tal sistema é “verdadeiro”. 
Porém isto é uma proposição que, de acordo com a lógica, se auto anula. A “lei do terceiro 
excluído”3, uma das leis fundamentais da lógica, afirma que algo é “A” E não é “-A”. A não 
pode ser igual a “A” e ao mesmo tempo a “-A”. 
O filósofo e matemático francês, Blaise Pascal, levou a razão humana ao seu limite. 
Pascal afirma ser impossível uma comprovação científica da existência de Deus. Para Pascal, 
tudo estava baseado na fé e na experiência (do coração). Para Pascal, uma vez que é 
impossível comprovar cientificamente a existência de Deus, devíamos nos sujeitar a uma 
hipótese razoável, que viria a ser conhecida como a “Aposta de Pascal”. Pascal afirma: “Ou 
Deus existe, ou Ele não existe”, e propõe que nós apostemos. Apostar que Deus existe, seria 
para o filósofo, uma modesta entrega da razão. Porém, optar que Ele não existe é arriscar a 
perda da vida e da felicidade eternas. Para Pascal, o valor da aposta é mínimo, comparado 
com o prêmio a ser ganho: Se aquele que apostou na existência de Deus, acertar, ganhará 
tudo. Se errar, não perderá nada. Em contrapartida, se aquele que apostou na não existência 
de Deus acertar, não ganhará nada. Se errar, perderá tudo. 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃos documentos (em sua maioria, cópias antigas da literatura clássica universal) 
chegam até nós. O teste bibliográfico é uma ferramenta indispensável na tentativa de 
comprovação da autenticidade histórica do Novo Testamento, e especificamente, dos 
evangelhos. Assim afirma Josh Mcdowell:
“Podemos apreciar a tremenda riqueza de manuscritos com autoridade do Novo 
Testamento, comparando-as com o material textual de outras fontes notáveis e antigas. 
Temos acesso à história de Tucíades (460-400 a.C.) mediante apenas oito MSS datados 
de cerca de 900 d.C., quase mil e trezentos anos depois de ele te-la escrito. Os MSS da 
história de Heródoto são também recentes e escassos; todavia, como F. F. Bruce 
responde: “Nenhum erudito clássico daria atenção a um argumento de que a 
autenticidade de Heródoto ou Tucíades é posta em dúvida, porque os primeiro 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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manuscritos de suas obras úteis para nós têm mais de mil e trezentos anos a mais que 
os originais.”.
Aristóteles escreveu suas obras de ficção cerca de 345 a.C., mas a cópia mais 
antiga que temos é datada de 1100 d.C., um intervalo de quase mil e quatrocentos 
anos, e apenas cinco MSS sobreviveram.
César compôs sua história das Guerras Gaulesas entre 58 e 50 a.C.e a 
autoridade do seu manuscrito se apóia em nove ou dez cópias datadas de mil anos após 
a sua morte.
Quando se trata da autoridade do manuscrito do Novo Testamento, a abundância 
de material é quase embaraçosa em contraste. (....) Mais de 22 mil cópias de 
manuscritos do Novo Testamento existem hoje. A Ilíada tem 643 MSS e é a segunda em 
autoridade de manuscrito depois do Novo Testamento.” 19 
Como podemos observar, a confiabilidade do registro bíblico do Novo 
Testamento é assegurada, em termos científicos, por várias disciplinas acadêmicas, 
apesar dos constantes ataques à essência da composição ortodoxa bíblica por meio da 
crítica, de alguns círculos eruditos. Negar a veracidade do conceito ortodoxo é negar os 
fatos, a abundância de evidências históricas tanto externas quanto internas.
5.2.2. - O Teste Interno: “O que há no texto? Há coerência?” Estas perguntas são 
a base do chamado teste interno. Enquanto não houver certeza sobre uma contradição 
aparente, o benefício da dúvida deve ser usado em favor do escritor. Esta “regra” 
formulada por Aristóteles, citado por Richard Mckeon em seu The Basic Works of 
Aristotele (pg. 1485-6), e reproduzido no livro Fundamentos Inabaláveis, de Geisler e 
Bocchino, aponta para a singularidade da obra do Novo Testamento. Não se demonstrou 
nenhuma contradição real no Novo Testamento, e, quando nos referimos à Bíblia como 
um todo, as muitas alegações de contradições e discrepâncias, foram respondidas com a 
utilização correta 
da Hermenêutica e com as descobertas arqueológicas dos séculos XIX e XX. No 
caso deste tipo de verificação deve-se observar alguns fatores que, se não forem bem 
observados e analisados, darão margens para interpretações errôneas e absurdas. 
 Distância Lingüística: Nós falamos português, porém a 
Bíblia foi escrita em grego, hebraico e algumas porções de aramaico. Há algumas 
lacunas que devem ser preenchidas. Um bom exemplo é dado por Gleason Archer, na 
sua Enciclopédia de Temas Bíblicos (pg. 14), quando afirma: “Pense sobre o quanto 
deve ficar confuso um estrangeiro ao ler em um de nossos textos algo assim: “Fulano 
tomou um banho, depois tomou o seu café, e em seguida foi tomar um ônibus”. “Tome 
juízo menino”; “Vamos tomar nota disto”. O verbo tomar tem sentido diferente em 
cada frase. Presume-se que as palavras geradoras de sentidos diferentes possuem as 
mesmas raízes ou a mesma origem etimológica. Entretanto, pode haver total confusão 
se a pessoa entender mal o que o autor escreveu, o que quis expressar ao usar estes 
vocábulos. (...) É por isso que devemos aplicar-nos à exegese cuidadosa a fim de 
descobrir o que o autor quis dizer à luz das situações e sentidos da época”. 
 Distância Cultural: Se não conhecermos os aspectos da 
cultura nos tempos bíblicos jamais entenderemos plenamente o que o autor bíblico está 
querendo dizer. Sobre a importância de pesquisarmos tais elementos culturais para 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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enriquecermos nossa interpretação do texto bíblico, assim nos diz Josh Mcdowell, 
exemplificando as peculiaridades contidas nos Evangelhos:
“O arranjo dos quatro evangelhos é indiscutivelmente hebraico do século I. 
Alguns eventos parecem estranhos para nós, mas são perfeitamente naturais na cultura 
dos dias de Jesus. Por exemplo, Lucas 7:38 fala de uma mulher chorando e molhando 
os pés de Jesus com as lágrimas. (...) Pranteadores profissionais eram empregados 
para os funerais, e muitos judeus tinham “vasos de lágrimas”, onde recolhiam as 
lágrimas de sua tristeza. A mulher descrita por Lucas pode ter literalmente derramado 
o conteúdo de seu vaso de lágrimas para mostrar a Jesus sua tristeza pelo pecado. Em 
nossos dias, quem visita Israel, pode observar muitos desses vasos de lágrimas antigos 
nos museus dali.
Lucas 2:24 fala de uma outra das diversas práticas culturais mencionadas nas 
narrativas do evangelho. Em obediência a Levítico 12:2,6,8, José e Maria levaram o 
sacrifício exigido após o nascimento de um filho. (...)
Os costumes hebraicos relativos ao casamento ajudam a explicar o que de outro 
modo pareceria uma contradição em Mateus 1:18-19. No vs. 18, Maria está apenas 
comprometida com José, enquanto no vs. 19, José é chamado de seu “marido”. O 
Reverendo James Freeman, que compilou uma vasta coleção de costumes bíblicos 
explica: ‘Os esponsais entre os hebreus significavam algo mais do que um simples 
noivado representa para nós. Eles eram considerados como o início de um casamento, 
uniam tão legalmente quanto o casamento propriamente dito e não podiam ser 
quebrados senão com uma carta de divórcio. Daí o motivo de José ser chamado de 
marido’.
O confronto de Jesus com os saduceus em Marcos 12 está de acordo com o que 
sabemos sobre a atitude dos saduceus com relação ao casamento no regime do 
levirato. Em Yebbamoth 4:6b do Talmude Palestino, os saduceus usam novamente o 
casamento em levirato, desta vez para zombar dos fariseus. Eeles apresentam ali o 
problema hipotético de um dentre 13 irmãosque é obrigado a casar-se em levirato com 
as viúvas de seus 12 irmãos falecidos. 
A descrição da mulher com hemorragia se torna muito mais significativa e 
realista à luz das leis judias de pureza. A condição da mulher significava que ela 
estivera cerimonialmente impura durante 12 anos e que, pela lei, tocar as roupas de 
Jesus seria contaminá-lo. Ela fica compreensivelmente amedrontada ao ver que Jesus 
percebera o seu ato. Você pode imaginar o raro senso de compaixão que ela deve ter 
sentido, quando Jesus lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz”.
(...) Um aspecto surpreendente das narrativas do evangelho é que elas falam de 
Jesus praticar seu ministério apenas em cidades judias. Os relatos registram que Jesus 
só entrou em duas cidades que não eram principalmente judias e ortodoxas: a cidade 
gentia de Sidom e a cidadesamaritana de Sicar. Como não ficamos sabendo de 
quaisquer incidentes ocorrendo em Sidom, não temos relatórios de qualquer ministério 
de Jesus em uma cidade gentia. É surpreendente que os evangelhos registrem a ida de 
Jesus a Betsaida, mas não a Julias, provavelmente a 91,4 metros de distância. Ele vai 
para a obscura Nazaré, mas não para a grande cidade de Séforis a aproximadamente 
4,8 Km. Viaja para o campo ou as regiões de Decápolis, Cesaréia de Fillipe e Tiro, 
mas não para cidades gentias propriamente ditas. Tudo na situação geográfica é 
essencialmente judeu – judeu ortodoxo. (...)
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
Note que a refeição da Páscoa foi comida em posição reclinada. Era assim que 
os ricos e livres comiam. Todos em Israel, ricos e pobres, deviam comer essa refeição 
nessa posição, como lembrança de sua libertação do cativeiro no Egito. Tudo a 
respeito da refeição era destinado a fazer com que os participantes se lembrassem do 
anjo da morte passando por sobre as casas marcadas com sangue de cordeiro na noite 
da libertação. Mas o que Jesus ordenou a seus discípulos que lembrassem? “Fazei isto 
em memória de mim”. A partir desse ponto, a refeição em memorial tinha o prpósito de 
lembrar dele. Segundo a cronologia do evangelho de João, Jesus estava morrendo na 
cruz no dia seguinte na hora em que os cordeiros pascais estavam sendo sacrificados 
no templo. O povo chamava João Batista de profeta. Foi ele quem disse a respeito de 
Jesus cerca de três anos antes: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do 
mundo”20
 Distância Geográfica: Os apologetas também destacam a 
importância em conhecermos a geografia histórica do período bíblico. Geisler lembra o 
trecho do livro de John MacArthur, “How to Study the Bible” (cit. em “Fundamentos 
Inabaláveis”, pg. 279), explicando a rapidez como a mensagem havia sido propagada 
pelas áreas que Paulo citou, “a Macedônia e a Acaia (atual Grécia)”. Paulo havia estado 
com eles algumas semanas, contudo, em pouco tempo o seu testemunho se espalhara. 
Isto pode ser explicado observando a geografia antiga do lugar. A rodovia Inaciana 
passava pela Tessalônica, sendo, como disse MacArthur, “a principal confluência entre 
o leste e o oste, e tudo que acontecesse ali se transmitia por todo o trajeto da rodovia”. 
Há outras evidências desconcertantes no aspecto geográfico. Este parâmetro é 
importante, pois geografia de uma área (principalmente uma área de turbulência 
política, como Israel sempre foi) é mutável, daí a importância de geografia histórica. 
Provas históricas corroboram suposições geográficas. E, elementos obscuros da 
geografia que não poderiam ter sido escritos por cristãos distantes tanto culturalmente 
quanto geograficamente, por desconhecerem tais elementos, favorecem o pensamento 
de que o relato bíblico remonta ao período em que os eventos registrados nos mesmos 
ocorreram. Observemos o que diz Mcdowell:
“Os escritores dos evangelhos se referem casualmente e com freqüência a 
aspectos geográficos, indicando sua familiaridade com a terra. Mais importante, Jesus 
parece ter feito e dito certas coisas em relação ao ambiente que o circundava com o 
propósito de deixar mensagens inesquecíveis impressas vividamente na mente dos 
discípulos. 
Por exemplo, na base do “rochedo” do Monte Hermom, com 2.743,2 m de altura, 
Jesus diz aPedro: “Tu és Pedro (gr. Petroj, pedra) e sobre esta pedra (gr. Petra, 
grande pedra, fundamento) edificarei a minha igreja, as portas do inferno (Hades) não 
prevalecerão contra ela” (Mt. 16:18). “Portas de Hades” era um termo rabínico, 
referindo-se às cidades gentias. Jesus estava predizendo que a missão confiada a seus 
apóstolos iria, no futuro, conquistar os gentios. Jesus fez também essa predição num 
lugar apropriado, pois a base do Monte Hermom, em Cesaréia de Filipe, contém 
inúmeras cavernas grandes, cavadas no penhasco que abrigavam estátuas de deuses do 
panteão greco-romano.(...)
Havia várias outras cidades e vilarejos pendurados no alto do montes em volta 
do Mar da Galiléia. Por exemplo, Gamala era a fortaleza dos zelotes ao leste. As luzes 
dessas cidades muitas vezes faziam os apóstolos se lembrarem do tempo em que Jesus 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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acenava para eles ao dizer: “Vós sois s luz do mundo. Não se pode esconder a cidade 
edificada sobre um monte” (Mt. 5:14). (...)
Ao redor do Mar da Galiléia, particularmente Tiberíades e Gadara, fontes de 
águas famosas atraíam os que precisavam de cura. As fontes termais de Gadara, 
também conhecidas como Emmatha, eram as maiores do mundo, além das de Veneza. 
O relato de Mateus se ajusta muito bem a este ambiente: “Percorria Jesus toda a 
Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda a 
sorte de doenças e enfermidades entre o povo. E a sua fama correu por toda a Síria; 
trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de varas enfermidades e tormentos: 
endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou. E da Galiléia, Decápolis, 
Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão, numerosas multidões o seguiam” (Mt. 4:23-25). 
(...) Mesmo alguns dos milagres mais estranhos de Jesus pareciam familiares 
nesse cenário em volta do Mar da Galiléia. Uma família de peixes que habitam nesse 
mar é chamada de Chichlidae, ou reprodutores pela boca. Ela só é encontrada no Lago 
Vitória (Uganda), ao longo do rio Nilo, e no Mar da Galiléia. O cartógrafo Dr. Jim 
Fleming (....) explica seu significado: “A fêmea conserva os ovos na boca até que 
nasçam os filhotes. À medida que eles começam a crescer, ela os deixa sair de tempos 
em tempos para “arejar”, mas os recolhe depressa quando pressente perigo. A mãe 
jejua até quase a inanição, a fim de não engolir seus filhotes. Esses instintos fortes 
provocaram o nome hebreu “Peixe-Mãe” para a espécie. Depois de os filhotes estarem 
aptos para sobreviver sozinhos, a mãe muitas vezes mantém um substituto na boca. As 
fêmeas são algumas vezes apanhadas hoje com seixos ou tampas de garrafa na boca! O 
nome popular desses peixes é “peixe de São Pedro”,por causa da história no 
evangelho de Mateus 17:24-27 sobre Pedro fisgar um peixe com uma moeda na boca”.
(...) A pequena cidade de Betfagé fica na encosta do Monte das Oliveiras do outro 
lado de Jerusalém. Ela toma o seu nome de uma fruta temporã que cresce nas figueiras 
da região. A fruta é chamada phage em hebraico e aparece no início da primavera, 
com as primeiras folhas. Você já se perguntou por que Jesus estava procurando figos 
na figueira quando o texto diz especificamente que “porque não era tempo de figos”? A 
resposta é que embora não fosse a estação de figos (gr. sukon, “figos maduros”)o 
fato de a árvore ter folhas indicava que ela também deveria ter os figos temporãos 
(phage), qu eram comestíveis. Desde que a árvore não tinha frutos, Jesus parece tê-la 
usado como uma lição objetiva para advertir contra mostrar algo pela nossa 
aparência, mas não ter fruto com que apoiá-lo (Mc. 11:12-14). (...)
Em Jerusalém, dos degraus do lado sul do templo onde os rabinos geralmente se 
dirigiam a seus pupilos, as sepulturas caiadas de branco que cobrem o Monte das 
Oliveiras são claramente visíveis.Jesus provavelmente olhou nesta direção quando 
disse: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes aos 
sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de 
ossos mortos, e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos 
aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniqüidade21”. (Mt. 23:27-
28).
 5.2.3 – Quanto ao Teste Externo, profuso é o material histórico, como 
demonstrado no item anterior, que corrobora o texto bíblico; porém escasso é o material 
literário. Em termos de obras proeminentes de períodos contemporâneos e próximos a 
Cristo, sobre a vida e ressurreição do Messias, temos os escritos de Phlegon (c. de 54 d. 
C.), Thallus (c. de 140 d. C.) e Josefo (c. de 93 d. C.). Há ainda muita especulação 
sobre escritos que possivelmente referiam-se a Cristo, dentre os manuscritos de 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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Qumram, e em alguns escritos rabínicos remanescentes. Recomendamos a leitura dos 
capítulos 1 a 3, do livro “Ele Andou Entre Nós – Evidências do Jesus Histórico”, de 
Josh Mcdowell e Bill Wilson. 
6. A DIVINDADE DE JESUS CRISTO
6.1. CITAÇÕES DOS EVANGELHOS
Vimos anteriormente que as evidências mostram que os manuscritos bíblicos são 
registros coesos, que passam no teste de confiabilidade de C. S. Sanders. A profusão de 
material (mais de 22 mil cópias) do NT, o transformam no documento com maior 
probabilidade de fidelidade histórica, a partir do teste bibliográfico, que se conhece. 
Não se pode negar as evidências internas e externas, simplesmente. Além disto, já 
observamos que Deus se justifica, isto é, a existência de Deus não somente é possível, 
como totalmente provável, e em termos empíricos, totalmente necessária. Isto, pois a 
Criação (Universo) não pode ter sido algo auto causado. Sabemos, de acordo com a 
Segunda Lei da Termodinâmica, que o Universo está gradativamente perdendo energia. 
Ora, o sistema não pode estar perdendo energia eternamente, o que nos leva ao princípio 
da causalidade. 
A causa do Universo é motivo de muita discussão nos círculos acadêmicos, 
porém, uma coisa é quase unanimidade hoje em dia: a visão de um Universo finito e 
causado. Sabe-se, atualmente, que antes da criação do Universo, houvesse o que 
houvesse, as leis da Física não se aplicariam, e àquela situação, os astrofísicos deram o 
nome de “singularidade”. Ora, somente algo de fora de um sistema fechado pode 
explicá-lo, logo o Universo tem uma causa exterior. Através de argumentos também 
expostos, imaginamos que há algo maior do que tudo isso, e nada, por definição pode 
“ser o maior do que o maior que tudo isso” (argumento ontológico), logo, este ser que é 
“maior do que tudo isso” fora o Criador do Universo. A Bíblia, como Revelação de 
Deus, afirma categoricamente que “Deus Criou céus e terra”, e o chama de “eterno”. 
Deus, o não causado, eterno e infinito, é o Criador do Universo físico finito, ao mesmo 
tempo em que é Todo Poderoso, Todo Bondoso. Vimos também que Deus, Todo 
Bondoso, permite a existência do mal, uma vez que criou seres que tinham vontade, 
capacidade de escolha entre bem e mal. Este é o preço de uma sociedade com arbítrio 
em suas decisões (apesar, lembramos, que o sistema reformado de um modo geral, 
propõe que esta condição de escolha não engloba as decisões espirituais, uma vez que o 
ser humano, espiritualmente, está morto, cf. Ef. 2:1-2).
Alguns destes assuntos são pré requisitos para entendermos a proposta do capítulo 
que ora estamos. Se o texto to NT é confiável, pelas evidências, então é de suma 
importância observarmos com cuidado o que Jesus disse acerca de si mesmo, nos 
evangelhos, e o que a Bíblia, de modo geral, diz acerca de Cristo, desde as profecias, até 
as páginas dos escritos dos apóstolos. De todos os escritos evangélicos, porém, o que 
mais centraliza-se neste assunto é o evangelho de João. Neste evangelho, Jesus é tratado 
de forma distinta dos outros evangelhos (sinóticos). Entender as reivindicações de Jesus 
acerca de si mesmo, é tentar perscrutar a teologia do texto de João, na qual há os mais 
belos ensinos acerca da divindade de Jesus dentre os demais, em toda a Escritura. Neste 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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momento peço-lhe que leia atentamente as informações postas, anote sempre as dúvidas 
e trabalhe com as regras de Hermenêutica para que possa traçar um panorama confiável 
do que a Bíblia afirma sobre a pessoa de Jesus Cristo.
O propósito do evangelho de João está escrito no epílogo (20:30-31), quando o 
escritor afirma que os relatos ali servem para que os leitores creiam que Jesus é o 
Cristo, o Filho de Deus. Há implicações nestas afirmações. A primeira diz respeito ao 
entendimento dos significados de “Cristo” e “Filho de Deus”, tanto sob a ótica judaica 
(João era judeu), quanto a ótica grega, que tipificava o pensamento do mundo antigo, 
que diga-se de passagem já era maioria da Igreja nos dias finais do apóstolo. 
6.1.1 – “Cristo” significa que Jesus era o Messias (hb. Mashiach), ou seja, o 
“Ungido”. Sabe-se que havia três tipos básicos de “ungidos” na perspectiva vétero 
testamentária, a saber:
• O rei de Israel, a partir do período monárquico. Os reis deveriam ser 
ungidos pelo sumo sacerdote para o ofício. Após Samuel ungir Saul, o sub título 
“ungido” permanece consigo. Cf. 1 Sm. 24:10; 2 Sm. 22:51
• O sumo sacerdote, desde o estabelecimento do ofício sacerdotal, nos dias 
de Moisés e Arão. Cf. Lv. 8:12.
• O Ungido prometido, este seria o “restaurador” e “libertador eterno” de 
Israel. Traria, de acordo com a concepção judaica dos dias de Jesus, a paz e a 
prosperidade para Israel, conforme os dias do rei Davi. Este Messias fora predito no AT 
por textos que viriam a ser interpretados claramente como textos messiânicos, como o 
Salmo 22 e o capítulo 61 de Isaías. Quanto a este último, Jesus testifica-o acerca de si 
mesmo, em Lucas capítulo 4.
Mateus é o escritor evangélico que mais dispensa atenção ao título Messias, pois 
era de seu interesse mostrar aos seus destinatários, os judeus, que Jesus era o Cristo. O 
artigo “o” identifica que o “Ungido” nos dias Jesus assumiria uma conotação profética, 
mística, pouco compreensível até, inclusive para os judeus. O messias seria um homem 
comum? Seria um enviado, um mensageiro de Deus? Eram perguntas que permeavam a 
mente dos israelitas. Em Mateus 16, observamos o interesse de Jesus em saber o que os 
homens pensavam acerca dele mesmo. A resposta dos discípulos, sobre o que os 
homens achavam sobre Jesus, demonstra o que eles pensavam. Esta resposta encontra-
se no versículo 14, e mostra que os homens associavam o ministério de Jesus a um 
ministério profético sob os moldes do ministério profético do AT. Contudo, a resposta 
de Pedro indica que ele sabia bem quem Jesus era. A resposta de Pedro, em Mateus 
16:16, constitui-se no motivo de João ter escrito o seu evangelho: mostrar que Jesus é 
o Cristo, o Filho do Deus vivo. 
 6.1.2 - A filiação para o judeu tinha um caráter mais excepcional do que para nós, 
ocidentais, hoje. A filiação significava natureza. Ser filho de alguém significava, em 
última análise, compartilharda natureza daquele indivíduo. Ser “Filho de Deus” 
significava compartilhar da natureza de Deus (cf. Jo. 5:18), e apenas a uma pessoa ao 
longo da História foi dado este atributo, Adão. Uma coisa, porém, era dizer-se igual a 
Adão, outra coisa era dizer-se igual a Deus. E é aí que há um fator desconcertante nos 
ensinos de João: o registro das auto reivindicações de Jesus, com a forma “EU SOU”. O 
uso do termo “Eu Sou” tinha um especial interesse aos judeus e rabinos da época, pois, 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
para eles, estava clara a associação com a utilização da mesma forma por Deus, no 
Velho Testamento:
“Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos 
olhos de Israel: EU SOU ( hyh, hayah – texto hebraico; egw eimi, ‘egô eimí’ – 
LXX: tornar-se, ser, vir a ser, acontecer, existir) me enviou a vós.” Êxodo 3:14
“Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste a Abraão? 
Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, 
EU SOU. Então pegaram em pedras para lhe atirarem, mas Jesus ocultou-se, e saiu do 
templo passando por meio deles, e assim se retirou”. João 8:57-59
“Se vocês não crerem que EU SOU, de fato morrerão em vossos pecados”. João 
8:24
Se Jesus associava-se claramente a YHWH (Iahweh), do Antigo Testamento, 
quais eram as suas pretensões? Obviamente que ele queria que os judeus vissem um 
paralelo entre ele e Deus no AT. Isto significa que podemos afirmar que Jesus, 
explicitamente, reivindica para si a divindade. Ora, isto explicaria o seu nascimento e 
ressurreição, sua infalibilidade e autoridade para perdoar pecados (Mc. 2:5). Não há 
como imaginarmos a Jesus dissociado de sua divindade. Pela evidência do relato 
bíblico, Jesus é Deus, e só pode existir, de acordo com o que nos á apresentado no NT, 
como Deus. Geisler cita alguns paralelos dos evangelhos com o AT22:
• “Jesus disse: “Eu sou o bom pastor” (Jo. 10:11); o AT declarou : “Iahweh 
(SENHOR) é o meu pastor” (Sl. 23:1).
• Jesus declarou ser o juiz de todos os homens e de todas as nações (Jo. 
5:27; Mt. 25;31).
• Jesus disse: “Eu Sou a luz do mundo” (Jo. 8:12); o AT proclamou: 
“Iahweh é luz para sempre” (Is. 60:19). “Iahweh é minha luz” (Sl. 27:1).
• Jesus afirmou que podia “perdoar pecados” (Mc. 2:5), e os judeus 
reagiram a ele dizendo: “Quem pode perdoar pecados, a não ser Deus?” (Mc. 2:7). Jesus 
então provou sua autoridade pela cua miraculosa (Mc. 2:10-12; contudo, Jeremias 31:34 
afirma que “Porque eu (Deus) lhes perdoarei”.
• Jesus declarou ser o doador da vida (Jo. 5:21-23). Somente Deus dá a vida 
(1 Sm. 2:6; Dt. 32:39). 
• Finalmente, Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo. 10:30). O termo um 
refere-se à essência ou natureza do Ser divino”. 
6.1.3 - A tabela a seguir associa alguns títulos usados exclusivamente por Deus 
(YHWH)23 no Antigo Testamento, e os relaciona com Jesus, em passagens do Novo 
Testamento. A tabela é uma reprodução do Trabalho de Josh McDowell e Bart Larson, 
no livro “Jesus: uma defesa bíblica de sua divindade”, reproduzida no livro 
“Fundamentos Inabaláveis”, de Geisler e Bocchino:
Título / Atributo Usado por Iahweh Usado por Jesus
YHWH (Eu Sou) Ex. 3:14
Dt. 32:39
Is. 43:10
Jo. 8:24
Jo. 8:58
Jo. 18:15
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
Doador da Vida Gn. 2:7
Dt. 32:39
1 Sm. 2:6
Jo. 5:21
Jo. 10:28
Jo. 11:25
Perdoador de pecados
Perdoador de pecados
Êx. 34:6-7
Ne. 9:17
Dn. 9:9
Mr. 2:1-12
At. 26:18
Cl. 2:13
Onipresente Sl. 139:7-12
Pv. 15:3
Mt. 18:20
Mt. 28:20
Onisciente 1 Rs. 8:39
Jr. 17:9-10,16
Mt. 11:27
Lc. 5:4-6
Jo. 2:25; 16:30; 21:27
At. 1:24
Onipotente Is. 40:10-31; 45:5-
13,18
Mt. 28:18
Mr. 1:29-34
Jo. 10:18
Preexistente Gn. 1:1 Jo. 1:15,30; 3:13,31-
32; 6:62; 16:28; 17:5
Eterno Sl. 102:26-27
Hc. 3:6
Is. 9:6
Mq. 5:2
Jo. 8:58
Imutável Nm. 23:19 Hb. 13:8
João apresenta a Jesus como o “Logos” de Deus (Jo. 1:1; 1 Jo. 1:13; Ap. 19:13). 
Este termo, da forma como foi usada por João, apresenta similaridades e discrepâncias 
quanto ao conceito, se comparado com o termo como era usado na filosofia grega. De 
forma geral, para os gregos, o logos era razão, e refletia o pensamento de que Deus não 
poderia entrar em contato diretamente com a matéria, mas utilizava-se da razão como 
um sensor divisório entre si e o mundo. Assim o logos do pensamento grego era a razão 
de Deus e da ordem do mundo sensível, criado. Contudo, o logos de João relacionava-se 
mais ao uso que a expressão tinha comumente, “palavra”. Em última análise, a palavra é 
a expressão absoluta de um pensamento, sendo um meio pelo qual o pensamento se 
revele. A associação com o pensamento grego fora inevitável, e alguns viram isto de 
forma benéfica, sugerindo que a filosofia grega preparou o mundo para o recebimento 
desta mensagem. Alguns gnósticos viram similaridade entre o pensamento neoplatônico 
grego e o uso da expressão em João, sugerindo um evangelho gnóstico. Porém, percebe-
se que o evangelho traz uma idéia latente radicalmente diferente da usada pelos 
filósofos neoplatônicos, como Filo. 
A expressão tinha mais a ver, segundo alguns eruditos, com o uso de “palavra” no 
Velho Testamento. A expressão “Verbo” vem do latim (Verbum = logoj, palavra). No 
hebraico, dabar (palavra) é usada 394 vezes, é a expressão virtualmente concreta da 
personalidade divina. A idéia é a de que “Deus é aquilo que ele diz”. O salmo 119 
mostra esta “palavra” como fonte de vida (vs. 25), da luz (vs. 105) e do entendimento 
(vs. 169). Na LXX, logos e rhema são usadas para traduzir dabar. Contudo, logos tem 
proeminência no uso, principalmente nos livros proféticos. O “Verbo”que no princípio 
esta com Deus, ao mesmo tempo é Deus:
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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“En arch em ‘íóöo. Logoj, kai o. Logoj en proj tovn Qeon, 
kai Qeoj hn o’. Logoj”
A afirmação final do versículo 1, de João 1, literalmente diz “...E Deus era a 
Palavra”. “Palavra”, portanto, seria o sujeito, enquanto que “Deus” é o predicado. De 
início observamos que João lança os alicerces da doutrina da Trindade, pois afirma que 
o Logos, ao mesmo tempo em que estava com Deus era Deus. Aqueles que dizem, como 
as Testemunhas de Jeová, que é necessário o uso do artigo indefinido por ser norma no 
grego não levam em conta várias considerações. Vejamos algumas: A) Esta regra 
deveria aplicar-se, portanto, a toda vez que aparece um substantivo como predicado, o 
que tornaria a tradução inteira o caos. Por exemplo: no versículo 14 do mesmo capítulo, 
seguindo-se esse pensamento, a tradução seria “...e o verbo se tornou uma carne”. No 
versículo 18 deveria estar escrito “...ninguém jamais viu a um deus”. O que, 
obviamente, seria absurdo. B) Como predicado “Deus” indicaria uma qualidade do 
logos. Assim, o logos também seria Deus, como o Pai é Deus. Contudo, o logos não é o 
Pai. A distinção que João faz, no início de seu evangelho, portanto, indica que ele quis 
mostrar a naturezade Cristo, do Messias salvador, como sendo divina. Cristo é Deus, ou 
seja, existe com Deus em mesma essência ou substância. Se perguntássemos a um judeu 
que ouvira a “Palavra” do Senhor (como no salmo 119): Desde quando isto (a palavra 
de Deus) representa o que Deus é ou sente? Desde SEMPRE, seria obviamente a 
resposta, pois, como já foi exposto, a palavra de Deus expressa o que Deus é ou pensa. 
Como Deus (e somente ele) é IMUTÁVEL e ETERNO, sua palavra também é, posto 
que está com Deus desde sempre, e obviamente permanece imutável. 
6.2. DISCURSOS DE JESUS CRISTO NO EVANGELHO DE JOÃO
Jesus Cristo fez 7 célebres discursos em João, nos quais figuradamente relaciona a 
si mesmo com figuras conhecidas do cotidiano judaico de sua época, e que, nas páginas 
do Antigo Testamento, foram usadas com bastante significação. Vejamo-las:
6.2.1 – O Pão da Vida – Em Êx. 16:15 está escrito que os israelitas, no deserto, 
comiam do Maná (hb. sig, “o que é isto?”). O maná precisava ser recolhido 
diariamente, pois se ficasse para outro dia, amanheceria estragado. Por ser a base da 
nutrição israelita naquele período, o Sl. 78:24-25 afirma que Deus lhes dera o trigo do 
céu. No versículo 41 do capítulo 6 de João, Jesus afirma acerca de si mesmo:
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu”
Nos versículos 56 a 58 Jesus não somente rafirma metaforicamente que ele é o 
“pão vivo que desceu do céu”, como ele orienta que as pessoas bebam de seu sangue e 
comam de sua carne. Ora, o que terá quisto dizer com isto. Além de relacionar-se à fé 
nele, isto é, em quem Jesus era, era preciso ouvir à sua palavra. “Comer a carne”, seria 
portanto, “ouvir e obedecer à sua palavra”. Isto é exatamente o que diz Pedro, quando 
muitos discípulos, após este discurso, deixam Jesus (vs. 66), no versículo 68: “... Tu 
tens as palavras da vida eterna”.
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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6.2.2 – A Luz do Mundo – Jesus diz de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo”, em 
Jo. 8:12. Como vimos, o salmista, no Salmo 119:105 diz que a Palavra do Senhor é luz 
para o seu caminho. Obviamente que Jesus fazia um paralelo com texto tão conhecido. 
O Salmo 119 era especialmente observado por ser um salmo que fala inteiramente da 
Palavra de Deus. É o maior salmo da Bíblia, e é dedicado exclusivamente a fazer 
referências sobre a Palavra de Deus. Jesus, em outras palavras, está dizendo novamente 
que ele mesmo é a Palavra. 
6.2.3 – A Porta das Ovelhas – Esta terceira figura, “porta das ovelhas” (10:9), que 
Jesus usa para falar acerca de si mesmo, funciona quando observamos o contexto, quase 
como um preparativo para a próxima figura usada por ele, a do Bom Pastor (10:11). 
Somente o pastor das ovelhas passaria pela porta, isto porque era costume dos pastores 
israelitas ficarem de guarda nos currais das suas ovelhas. Muitos dormiam inclusive 
nestes currais, e somente os que guardassem as ovelhas estariam autorizados a entrarem 
pela porta. A “porta” tinha uma finalidade: levar aquele que adentrasse por ela a “achar 
pastagens” (vs. 9). O que isto significa? No mesmo versículo Jesus afirma que aquele 
que passar pela porta, “entrará e sairá...”, esta é uma expressão que nitidamente 
relaciona-se à liberdade! No capítulo 8 de João, versículos 31 e 32, está escrito:
“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes em minha 
palavra, verdadeiramente sereis os meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a 
verdade vos libertará”.
A idéia de liberdade está presente no evangelho de João, tanto no capítulo 8 
quanto no capítulo 10. Contudo, nos dois casos, a liberdade relaciona-se com a Palavra. 
Obviamente que, se nós para termos liberdade, precisamos entrar e sair pela “Porta”, 
que conduz às “pastagens”, esta expressão, portanto, relaciona-se à Palavra de Deus. 
6.2.4 – O Bom Pastor – Esta expressão (10:11) é continuação do discurso anterior. 
Jesus mesmo é A Porta das ovelhas e o Bom Pastor, que conduz as ovelhas, às 
pastagens, que obviamente referem-se à sua Palavra. Obviamente que há uma analogia 
com o Salmo 23 “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará”. Da mesma forma que 
Jesus nos guia às pastagens, o Senhor guia o salmista às pastagens verdes (Sl .23:2). 
Seguindo as instruções da Palavra do Senhor somos alimentados e fortalecidos. 
6.2.5 – Ressurreição e a Vida – Este é o quinto pronunciamento de Jesus, “Eu 
Sou...”. Aqui, como em João 14:6, Jesus se intitula como sendo a Vida. No Salmo 
119:107, o salmista pede ao Senhor que ele o vivifique segundo a sua Palavra. Quando 
disse de si mesmo, que era a “Porta”, Jesus afirmara que viera para dar vida, e vida em 
abundância. Esta vida tem obviamente duas nuances: uma imediata (cap. 11) e uma 
escatológica (Jo. 11:24, Ap. 2, 3 e 4). O que nos garante receber tal vida abundante? 
Obviamente que é seguindo o que diz a Palavra de Deus. Quem a Palavra de Deus, teme 
a Deus. E “O temor do Senhor é fonte de vida, que livra os homens dos laços da morte” 
Pv. 14:27.
6.2.6 – O Caminho, a Verdade e a Vida - O sexto pronunciamento de Jesus, 
começando com a expressão “Eu Sou” está em Jo. 14:6. Já falamos sobre as figuras do 
Caminho e da Vida. Nos deteremos na expressão “Verdade”. Apologética, como 
sabemos, significa “defesa”. Vimos, no início da apostila que esta idéia está presente em 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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2 Tm. 4:16 e provavelmente em 1 Pe. 3:15-16. Nesta última referência, Pedro orienta a 
Igreja a responder a razão da esperança que há em nós. Isto, em última análise, 
consistirá na Verdade absoluta (lembre-se do que já vimos sobre verdade, na Filosofia). 
Toda argumentação deve basear-se em verdades, não em conjecturas, pois as mesmas, 
perante um tribunal, não se igualam: a verdade prevalece sobre a conjectura. Jesus 
afirma categoricamente, em João 17:17 que a Palavra de Deus é a Verdade:
“Santifica-os na verdade: A tua Palavra é a verdade”.
Ora, se Jesus é a “Verdade”, conforme diz de si mesmo, em Jo. 14:6; e a Verdade 
é a Palavra (Jo. 17:17), logo Jesus é a Palavra (silogismo simples).
6.2.7 – Videira Verdadeira – O sétimo e último pronunciamento “Eu Sou...” de 
Jesus está em João 15:1. Extraordinariamente, mais uma vez o exemplo relaciona-se à 
Palavra:
“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda vara que em mim não 
dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais 
limpos pela palavra que vos tenho falado”. Jo. 15:1-3
Somos nutridos, como varas que estão enxertadas na Videira, que é próprio 
Senhor Jesus. Observe que, como a seiva nutre interiormente, a limpeza pela Palavra é 
interior. 
6.2.8 – O que há de desconcertante nestes discursos, apenas registrados por João, 
e que eles trazem dois aspectos comuns,que se repetem:
1. Jesus usa a expressão “EU SOU”. Como sabemos, esta expressão é 
comumente associada ao Deus Yahweh, de Êxodo 3:14, aonde 
encontramos a expressão “EU SOU O QUE SOU”. Logo, de forma nítida e 
inconfundível, Jesus associava-se à Divindade. Isto está claro em Jo. 
8:24,57-59. 
2. Todas as expressões relacionam-se à Palavra. De uma maneira ou de 
outra, os exemplos que Jesus dá, de si mesmo, apontam para a Palavra de 
Deus. Ele (Jesus) é a Verdade (Jo. 14:6). A Palavra deDeus é a Verdade 
(Jo. 17:17).
É nítida a idéia de Jesus, pelo relato dos evangelhos, cria que era Deus. Os 
milagres (sinais) testificaram isto. Não é à toa, portanto, que João inicia seu evangelho 
afirmando que, no início era a Palavra... e a Palavra era Deus. Por todo o seu 
evangelho, João relaciona Jesus com a Palavra de Deus, e isto está presente nos 
discursos de Cristo. Há sete sinais em João, e ele, distintamente dos sinóticos, apresenta 
os sinais (milagres) não apenas como eventos escatológicos, mas como ações 
sobrenaturais de Deus para exemplificar verdades inerentes que o próprio Deus quis 
transmitir. Interessante que o último destes sinais relatados em João fora a ressurreição 
de Lázaro (Jo. 11:1-46), o que apontava diretamente para o último milagre relatado no 
evangelho, que seria a sua própria ressurreição (Jo. 20:1-10). 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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Indubitavelmente este é o pensamento registrado pelos evangelistas, e que 
permeia todo o Novo Testamento. Em um estudo específico sobre a Teologia do Novo 
Testamento, o fator divindade de Cristo evidencia-se, logicamente. Se o NT passa nos 
diversos tipos de testes literários, se está apoiado pelas evidências internas e externas, se 
há coesão no relato, e comprovadamente, historicidade, não há porque duvidar da 
veracidade de suas palavras. O NT é algo legitimo, como é toda a Bíblia. Focamos mais 
o estudo no NT pelas inferências óbvias de assuntos a serem abordados pela 
Apologética Cristã. Porém, como afirmamos ao longo desta apostila, a Bíblia não traz 
contradições de espécie alguma, e seus pontos obscuros vêm sido, ao longo dos séculos, 
elucidados pela utilização correta dos meios de verificação crítica, pela Arqueologia e 
pela utilização correta dos meios hermenêuticos legítimos. Sendo assim, concluímos 
que é perfeitamente lógico crer em Deus e crer em seus atributos, em seu amor, e na 
pessoa de Jesus Cristo. Precisamos deste conhecimento para bem responder, a qualquer 
pessoa que nos perguntar a razão da esperança que há em nós.
NOTAS – ______________________________________________________________
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1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
7. BIBLIOGRAFIA 
1. Bíblia de Estudo Plenitude (RCA). São Paulo: Sociedade Bíblica do 
Brasil, 2001.
2. GEISLER, Normam; BOCCHINO, Peter. Fundamentos Inabaláveis. 
São Paulo: Ed. Vida, 2001.
3. MCDOELL, Josh; WILSON, Bill. Ele Andou Entre Nós – Evidências 
do Jesus Histórico. São Paulo: Ed. Candeia, 1995.
4. RICHARDSON, Alan. Apologética Cristã. Rio de Janeiro: Juerp, 1991.
5. PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luis. História da Filosofia. 
São Paulo: Melhoramentos, 1995.
6. HAWKING, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz. São Paulo: 
ARX, 2002.
7. BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Luz Para o 
Caminho, 1994.
8. ELWELL, A. Walter (Ed. Org.). Enciclopédia Histórico-Teológica da 
Igreja Cristã. Volumes: I, II e III. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições 
Vida Nova, 1992.
9. CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 
Volumes: I, II, III e VI. São Paulo: Ed. Hagnos, 2001. Ed. Candeia, 1997.
10. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo Por 
Versículo. Volume II. São Paulo: Ed. Candeia, 1998.
11. Michaelis: Dicionário Prático da Língua Portuguesa. São Paulo: 
Melhoramentos, 2001. 
12. Revista Superinteresssante. São Paulo: Ed. Abril, Maio de 2004
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
APOLOGÉTICA CRISTÃ
AANÁLISENÁLISE DEDE C CONCEITOSONCEITOS F FUNDAMENTAISUNDAMENTAIS EE Q QUESTÕESUESTÕES H HISTÓRICASISTÓRICAS
 Prof.: Pr. Artur Eduardo da Silva Neto
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
SUMÁRIO
DEFINIÇÃO E CONSIDERAÇÕES INICIAIS________________________________ 04
A LÓGICA, A VERDADE E A FILOSOFIA_________________________________ 06
ANÁLISE EPISTEMOLÓGICA (GNOSIOLOGIA)__________________________ 07
ASPECTOS HISTÓRICOS E TEOLÓGICOS________________________________ 11
ELEMENTOS APOLOGÉTICOS DA TEOLOGIA NATURAL___________________ 11
ARGUMENTOS DA EXISTÊNCIA DE DEUS_____________________________ 12
EXPOENTES HISTÓRICOS________________________________________ 15
TEODICÉIA_______________________________________________________ 19
“EVIDÊNCIAS QUE EXIGEM UM VEREDICTO”____________________________ 21
ELEMENTOS DE CRÍTICA BÍBLICA_________________________________ 21
TESTES DE CONFIABILIDADE HISTÓRICA____________________________ 23
A DIVINDADE DE JESUS CRISTO______________________________________ 28
CITAÇÕES DOS EVANGELHOS_____________________________________ 28
DISCURSOS DE JESUS CRISTO NO EVANGELHO DO JOÃO_________________ 32
BIBLIOGRAFIA_____________________________________________________ 36
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
APRESENTAÇÃO
 “Apologética” é, fundamentalmente, “defesa”. 
Partindo deste pensamento realizamos esta apostila que tem como objetivo expor 
conceitos fundamentais do cristianismo, dispostos não em uma ordem 
normalmente sistemática, como nos modelos acadêmicos gerais, mais fazê-lo 
simultaneamente a uma narrativa histórica que procura demonstrar como 
surgiram as defesas de tais conceitos. 
Para isto, sentimos necessária a abordagem, 
que procuramos tornar sucinta mas objetiva, dos conceitos fundamentais da 
Lógica, sobre os quais toda a esfera do pensamento humano está alicerçada. 
Continuando, frisamos os importantes papéis históricos que tiveram alguns 
expoentes, quer sejam pelas defesas dos famosos argumentos em prol daexistência de Deus, quer sejam pela realização de elaborados sistemas filosóficos 
ou teológicos, os quais se tornariam referências históricas.
Apresentamos, como é de praxe em quaisquer 
trabalhos apologéticos, um resumo pelo menos de elementos de crítica bíblica. E, 
por fim, abordamos um dos tópicos mais polêmicos da Apologética Cristã, do 
qual procedem muitos outros pontos de discussão desta disciplina. Esperamos 
que a presente apostila auxilie aos alunos do curso teológico a, principalmente, 
observarem a extrema importância do assunto em questão.
. Artur Eduardo da Silva Neto,
Recife, Agosto de 2004
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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	ATEÍSMO
	PANTEÍSMO
	TEÍSMO
	Verdade
	Cosmos
	Direito
	Crítica de Redação
	Crítica Histórica
	Crítica de Forma
	Crítica de Fonte
	Crítica Textual
	Onde a crítica de forma admitiu como possível o trabalho da “comunidade na formulação das várias perícopes, a crítica de redação, originária da crítica de forma, concentrou-se nos redatores finais (ou compiladores) dos evangelhos, como autores de direito. Norma Perrin, um crítico de redação, define isso como “ocupado em estudar a motivação teológica do autor como revelada na coleta, arranjo, revisão e modificação do material tradicional; assim como na composição de material novo ou na criação de novas formas dentro das tradições do cristianismo primitivo18”. 
	Título / Atributo
	Usado por Jesus
	“En arch em ‘íóöo. Logoj, kai o. Logoj en proj tovn Qeon, kai Qeoj hn o’. Logoj”
	 Prof.: Pr. Artur Eduardo da Silva Neto
	SUMÁRIO
	APRESENTAÇÃOConceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
O Dicionário Prático Michaelis, traz como a primeira definição de verdade: “aquilo 
que é ou que existe, com toda a certeza”. Outro conceito é “realidade”. Já vimos que, por 
definição, o conceito pluralista não pode estar certo, pois, pela lógica, é anulável. Não se 
pode admitir que “Deus existe” e que “Deus não existe” sejam proposições igualmente 
validadas como “verdadeiras”. Verdade é realidade. Pela lei do terceiro excluído, A não pode 
ser ao mesmo tempo igual a “A” e a “-A” (sendo –A o oposto de A). A OU é “A” OU não “-
A”. 
É fato, porém, que nem tudo o que real é verdadeiro. Porém, tudo o que é verdadeiro é 
real. Aqui, a ordem dos fatores altera o produto. A astrologia é algo real, porém será 
verdadeiro? A questão é seguir um caminho que leve à realidade verdadeira. Este é o 
objetivo de quem se preocupa com os conceitos fundamentais do Cristianismo, e com as 
questões polêmicas que nos cercam hoje em dia, para as quais, infelizmente, não temos 
resposta justamente por não sabermos o que é verdadeiro quanto a tais questões. Por 
exemplo: será lícito, de acordo com os preceitos cristãos, a eutanásia? Por quê? À propósito, 
o mesmo Dicionário Prático Michaelis, na sua definição de realidade, NÃO traz como 
sinônima a palavra “verdade”. 
Nossa tarefa como líderes, pensadores, instrutores e evangelistas, não é ficar 
procurando questões para confrontá-las com o que cremos, mas, estarmos prontos para 
analisar tais questões sob a ótica do que conhecemos da teologia bíblica, e das áreas do 
conhecimento do pensamento humano. Há quem afirme que aquele que faz Teologia e 
Filosofia será melhor teólogo do que aquele que só faz Teologia. Isto é questionável; porém, 
uma coisa é fato: quanto mais conhecemos sobre o pensamento humano, mais ferramentas 
temos para construir um modelo apologético conciso e livre de “furos”.
Não estou dizendo que os teólogos têm que fazer Filosofia. Mas, temos que conhecer o 
que dizem os pensadores, pois, conforme explica Alan Richardson4:
“Um biólogo que se manifesta sobre assuntos teológicos, por pensar que, tendo 
estudado um aspecto da realidade, já tem competência para se pronunciar sobre tudo, tem 
de charlatão tanto um teólogo que acha que seus estudos de teologia lhe conferiram a 
capacidade e o direito de dizer a última palavra sobre a teoria da evolução das espécies 
biológicas. Agora, um biólogo ou teólogo, cujos estudos próprios nas categorias de sua 
ciência especial, estará caminhando muito bem e dentro de linhas corretas quando se torna 
um metafísico5 e pergunta se as visões internas da natureza das coisas que seus próprios 
estudos científicos lhe proporcionaram dentro do seu limitado campo não sugerem alguma 
visão analógica da natureza e propósito do mundo como um todo. (...)
É claro que o verdadeiro filósofo – o “homem sinótico” – numa época de grande e 
rápido progresso científico, tem, diante de si, uma tarefa difícil e de grande 
responsabilidade. Teoricamente ele tem que anotar todas as categorias de todas as ciências 
e buscar selecionar aquelas que lhe parecem as mais significativas, ou as mais inclusivas, 
ou mesmo tentar forjar uma nova “supercategoria” que leve em conta todas as outras, não 
prejudicando a nenhuma delas; mas, se é fácil definir assim a natureza da tarefa do filósofo, 
essa tarefa de dia para dia na prática se torna cada vez mais difícil e vai além dos poderes 
de qualquer mentalidade, visto que cada uma das ciências especializadas de dia pra dia se 
torna mais complexa. E mais ainda, o filósofo tem que examinar outros domínios além dos 
das ciências empíricas ou positivas: há também os setores das ciências normativas, da 
lógica, da estética e da ética”.
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
Posteriormente, citando John Locke, transcreve Alan Richardson6:
“Não há escusa para o servo negligente e relapso, que não trabalha à luz duma vela, 
alegando que o sol não está brilhando muito. A vela que nos foi dada aclara já o suficiente 
para que nos ponhamos em movimento na realização de todos os nosso propósitos... Se 
deixarmos de crer em tudo, alegando a impossibilidade de conhecer ao certo todas as 
coisas, estaremos agindo como aquele que deixou de andar, e morreu sentado, porque se 
queixava de não ter asas para voar” (Essay on the Human Understanding, Livro I, Cap 1, 
pg. 5).
2.1 ANÁLISE EPISTEMOLÓGICA (GNOSIOLOGIA)
“Epistemologia” é a disciplina acadêmica que se preocupa em investigar e validar 
como verdadeiras as muitas visões da realidade. A palavra vem do grego episteme = 
“conhecimento”, e “logia = “tratado” ou “discurso”. Efetivamente, a lógica em si mesma 
pode dizer o que é falso, mas não o que é verdadeiro. A Epistemologia preocupa-se com a 
natureza do raciocínio correto em relação à verdade, e do processo de se conhecer o 
verdadeiro. Trata do “modo” que justifica nossas convicções, e testa se as mesmas traduzem-
se em conhecimento. O conhecimento da verdade, segundo alguns estudiosos da Filosofia, 
advém do que chamam de “princípio da unidade da verdade”, que pode ser resumida por 
coerência. O estudo proposto no livro de Geisler e Bocchino, admite uma análise baseada no 
trabalho de Mortimer J. Adler (“Os Grandes Livros do Mundo Ocidental”), cujo enfoque 
principal é a premissa de que a verdade é um todo harmonioso constituída de muitas partes. 
Tais partes, porém, diferem quanto ao método pelo qual a mesma é descoberta.
O que Geisler e Bocchino sugerem é que façamos uma análise comparativa das 
“verdades” existentes na nossa realidade. Através da coerência, e de sua contraposta, a 
correspondência, tenhamos um modelo no qual tais declarações da verdade possam ser 
testadas. A tarefa é monumental. Citando Geisler7:
“Os primeiros princípios que buscamos são os pontos de partida fundamentais, ou 
verdades auto-evidentes das disciplinas acadêmicas: ciência, direito, história e ética. Se 
conseguirmos que cada parte da lente intelectual represente algum atributo essencial da 
natureza da realidade, então a lente intelectual passará a ser o padrão pelo qual devemos 
testar todas as declarações de verdade acerca do mundo”.
Esta idéia está ilustrada pela experiência do cilindro. Dependendo de nossa perspectiva 
(cosmovisão) do cilindro, veremos “verdades” diferentes, como segue:
 
 Fig. 1 – Perspectiva lateral do cilindro – Correspondência: retângulo.
 Fig. 2 – Perspectiva linear do cilindro – Correspondência: círculo.
 Fig. 3 – Perspectiva de profundidade – Correspondência: cilindro.
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
Quando afirmamos que as três perspectivas são diferentes, e que trazem situações 
completamente diferentes, não podemos dizer que “são a mesma coisa”, pela lei 
fundamental do “terceiro excluído”. O cilindro não é um círculo, ou um retângulo. 
Aquelas realidades (pois são produzidas pelas diferentes perspectivas) produzem falsas 
“verdades”. A perspectiva de número 3 nos dá uma idéia melhor do que é realmente a 
figura. Deus, por sua vez, vê o objeto por inteiro, sua perspectiva é diferente da nossa:
Deus Deus
 
DeusDeus
As religiões vêem o mundo, e têm suas idéias, a partir de sua cosmovisão. Como 
as cosmovisões têm contrapontos, ou seja, idéias opostas, logo uma cosmovisão 
corresponde realmente à realidade. Lembre-se de que para uma cosmovisão ser 
considerada verdadeira, todos os aspectos inerentes à mesma têm de ser reais, e 
corresponderem exatamente à verdade que a realidade suscita. Um quadro com algumas 
das principais correntes filosófico-teológicas, extraído do livro de Geisler e Bocchino, 
pode ser visualizado logo abaixo. Tais correntes vêm com suas respectivas 
correspondências (“verdades”) sobre determinados assuntos, que são amplamente 
debatidos nos círculos acadêmicos:
Sabemos que negar a verdade é negar a realidade. Ora, isto é o que alguns 
filósofos chamam de conceito autofrustrante. Logo, quaisquer espécies de agnosticismo8 
são quase que imediatamente descartados como não coerentes, pois, rejeitar o 
conhecimento da realidade pode ser, em última análise, rejeitar o conhecimento da 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
ATEÍSMO PANTEÍSMO TEÍSMO
Verdade Relativa. Não há 
absolutos.
Relativa a este 
mundo.
A verdade absoluta 
existe.
Cosmos Sempre existiu. Não é real, mas 
ilusão.
Realidade criada.
Direito Relativo. 
Determinado pela 
humanidade. (Ética 
situacional)
Relativo a este 
mundo.
Absoluto, objetivo e 
revelado.
Mal Ignorância humana. Não é real, mas 
ilusão.
Coração egoísta.
Ética Situacional. Relativa, transcende 
o bem e o mal. 
Absoluta, objetiva e 
prescritiva.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
verdade. Se assim for, a pergunta “A verdade pode ser isto OU aquilo?” fica “sem 
resposta”, o que é uma impossibilidade filosófica.
2.1.1 - A Enciclopédia Histórico Teológica9 traz quatro tipos básicos de “ateus”, a 
saber: (a) clássicos, (b) dogmáticos, (c) filosóficos e (d) práticos. Os primeiros são, por 
definição, os que se opõem à idéia de um Deus de uma nação específica, ou de um 
povo. Assim, os cristãos eram “ateus”, por não aceitarem os deuses pagãos, e 
conservarem a idéia de um Deus específico. Os “dogmáticos” são os negam 
absolutamente a existência da divindade. Os “naturalistas”, principalmente os franceses 
do século XVIII são ateus dogmáticos clássicos. Apóiam-se bastante na idéia 
evolucionista. Os “filosóficos” opõem-se à idéia de um Deus pessoal e auto consciente. 
Os últimos, chamados de “práticos”, não afirmam necessariamente que Deus não existe, 
mas vivem como se Deus não existisse. Este é o mais comum tipo de ateísmo. Alguns 
célebres ateus foram: Nietzsche, Freud, Karl Marx e Jean-Paul Sartre.
2.1.2 - E quanto aos “panteístas”? 
Bem, os panteístas, basicamente, confundem Deus e sua Criação. Um 
ressurgimento de tal idéia está presente em praticamente todas as linhas de pensamento 
new age. Há diferentes sub tipos de pateísmo (no Hinduísmo, Zen Budismo e New Age), 
porém, todos concordam com a unidade do Universo com a Divindade. Deus é 
completamente impessoal, e o Universo é a sua manifestação. Bem e Mal são ilusões, e 
a Ética transcende tais princípios. 
2.1.3 - Os “teístas” são os que não apenas crêem em Deus, mas o vêem como 
Causa primeira do Cosmos. Deus é pessoal, no “teísmo” (contrastando com o “deísmo”, 
que radicaliza a transcendência divina, em detrimento de sua imanência). Deus é a causa 
do bem, e o coração humano (realidade) é a causa do mal. A Ética é absoluta, pois 
advém de Deus, ou seja, de suas normas ou daquilo que está estabelecido por Deus 
como Moral, Amoral e Imoral. Nesta concepção está inserido o Cristianismo bíblico, e 
sua cosmovisão parte também destas premissas. 
2.1.4 - O problema com as cosmovisões, efetivamente, recai no correto 
entendimento das mesmas. Não se muda um conceito apenas apresentando-se outro. O 
conceito que apresentarmos tem de estar corretamente fundamentado; aquele que for 
oposto ao correto, precisa ter descoberto seus conceitos, fundamentalmente errôneos, 
descobertos. Para isso, sob uma perspectiva filosófica, que ora é o caso, faz-se mister 
reconhecermos bem os princípios fundamentais do pensamento, para que não 
incorramos em erros fundamentais. Muitas das questões não respondidas por cristãos 
genuínos não estão necessariamente no desconhecimento dos preceitos da “fé 
doutrinária” (é verdade que isto acontece), mas, muitas vezes está na ignorância dos 
conceitos fundamentais do pensamento, pois, tal desconhecimento produz questões 
erradas. O trecho a seguir foi extraído na íntegra do livro Geisler, e corrobora o 
pensamento exposto:
“Fazer perguntas certas depende de nossa capacidade de conhecer e utilizar com 
propriedade os preceitos gerais (os primeiros princípios) relacionados ao problema específico 
que se está discutindo. Lembre-se de que quando as crenças tornam-se convicções, o aspecto 
pessoal introduz um diálogo em que as emoções podem aprofundar-se muito! (...) 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
 Uma pergunta de princípio pode catapultar uma conversa do nível 
emocional e subjetivo para o nível racional e objetivo. Questionar princípios em vez de 
crenças pessoais a fim de comprometer as pessoas com conceitos, e não com convicções, faz 
diferença!(...)
Agora, você vai encontrar um aluno chamado Tom que está irritado porque não se 
conforma com a sua crença aparentemente absurda em Deus. Ele mal pode esperar a 
oportunidade de o constranger na frente de outros alunos interessados em ouvir mais a 
respeito de sua fé. Um dia... Tom decide sentar à sua mesa e dizer:
- Você se importa se eu lhe fizer algumas perguntas?
Você reage dizendo que as perguntas são bem vindas. Tom então pergunta:
- Jesus não disse em Mateus 19:26 que ´para Deus todas as coisas são 
possíveis?´
- Sim – você responde.
Tom continua:
- Você acredita que Deus é todo poderoso e pode fazer tudo? 
 Novamente a sua resposta é positiva. (...)
- Certo. Deus pode criar uma rocha tão grande que ele próprio não possa 
levanta-la? (...)
 Vamos retornar à pergunta de Tom e aplicar a ela o que aprendemos com o uso 
correto da LNC10. Tom quer que Deus crie uma pedra tão grande que o próprio Deus não a 
possa erguer. O que Tom na verdade está pedindo para Deus fazer? Para saber, precisamos 
definir e esclarecer o emprego das palavras de Tom. A primeira pergunta que vem à mente é: 
“De que tamanho é a pedra que Tom quer que Deus crie?”. Bem, Tom quer que Deus crie 
uma pedra tão grande que seria impossível ao próprio Deus movê-la. -...) Mesmo que Deus 
criasse uma pedra do tamanho do universo em expansão constante, Deus ainda seria capaz de 
erguê-la e controlá-la. (...) Mas, uma vez que Deus é infinito, ele teria de criar uma rocha de 
proporções infinitas! Esta é a chave: Tom quer que Deus crie uma pedra, e uma pedra é um 
objeto físico, finito. Como pode Deus criar um objeto que é finito por natureza e dar a ele um 
tamanho infinito? Há alguma coisa terrivelmente errada na pergunta de Tom. Então vamos 
aplicar corretamente a LNC para analisá-la.
 É lógica e concretamente impossível criar uma coisa finita fisicamente e fazer que ela 
seja infinitamente grande! Por definição, uma coisa infinita, não criada, não tem limite, e 
uma coisa finita, criada,tem. Conseqüentemente, Tom acabou de perguntar se Deus pode 
criar uma pedra infinitamente finita, isto é, uma pedra que tem limites, e ao mesmo tempo e 
no mesmo sentido, não tem limites. A pergunte dele, portanto, viola a LNC10 e vem a ser 
absurda. Tom achava que estava fazendo uma pergunta muito importante, que poria o cristão 
num grande dilema. Em vez disso, ele apenas conseguiu mostrar a própria incapacidade de 
pensar com clareza. 
 Agora que temos entendimento claro da pergunta de Tom, é só uma questão de 
formular uma pergunta de princípio a fim de que o erro dele se revele. Que tal esta: “Tom, 
qual o tamanho da pedra que você quer que Deus crie? Se você me disser o tamanho dela, eu 
lhe direi se ele pode criá-la”. Bem, podemos continuar perguntando até que as respostas se 
aproximem do tamanho do universo e finalmente introduzam a idéia da infinitude. Uma vez 
que Tom chegue ao ponto em que comece a enxergar o que está realmente pedindo para 
Deus fazer – criar uma pedra infinita –, é necessário mostrar-lhe que está pedindo que Deus 
faça algo logicamente irrelevante e impossível. Deus não pode criar uma pedra infinitamente 
finita assim como não pode criar um círculo quadrado. Ambos são exemplos de 
impossibilidades intrínsecas. Comentando sobre a impossibilidade intrínseca e um Deus todo 
poderoso, C. S. Lewis disse:
 “É impossível [ou intrinsecamente impossível] em todas as condições e em todos 
os mundos e para todos os agentes. “Todos os agentes” aqui incluem o próprio Deus. Sua 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
onipotência significa poder para fazer tudo o que é intrinsecamente impossível. Pode-se 
atribuir milagres a ele, mas não absurdos.
 Nem toda a pergunta que se faz é automaticamente significativa apenas por ser 
uma pergunta. A pergunta pode parecer significativa, mas devemos testá-la com os primeiros 
princípios para verificar a sua validade. Seja cuidadoso, portanto, não apressado demais para 
responder às perguntas.”11
3. ASPECTOS HISTÓRICOS E TEOLÓGICOS
3.1 – ELEMENTOS APOLOGÉTICOS NA TEOLOGIA NATURAL
Tradicionalmente, a Teologia Natural nunca foi aceita pelos protestantes, de um 
modo geral, por causa de sua definição histórica. Diz-se de verdades sobre Deus que 
podem ser aprendidas a partir das coisas criadas, porém, somente através da razão. A 
Reforma e o protestantismo florescem no século XVI, e a fé torna-se um ponto central 
na Teologia. A doutrina da “Justificação pela Fé” é conhecida como o pilar maior do 
Luteranismo. Os teólogos protestantes dividiram a “Revelação” de Deus em duas, 
basicamente: Geral e Especial. A Revelação Geral aplica-se às coisas criadas. O texto 
base é Rm. 1:20-21. Os católicos romanos, desde Tomás de Aquino, têm alternado sua 
atenção quanto ao uso da Teologia Natural. De fato, Tomás de Aquino foi seu 
idealizador (do conceito tradicional). Aliou o conhecimento teológico com à Filosofia 
grega, numa tentativa de justificar o uso da razão humana na busca do conhecimento de 
Deus. 
Os teólogos protestantes, de um modo geral e principalmente os reformados 
calvinistas, tendiam a objetar completamente a Teologia Natural, por causa do conceito 
de “Depravação Total” da raça humana. Argumenta-se que o homem originalmente 
tinha a capacidade racional dada por Deus de conhecê-lo, porém a mesma fora 
completamente perdida na Queda. Esta concepção tem se mantido mais ou menos geral 
no meio protestante, com algumas mudanças pragmáticas de conceito. Porém, Calvino 
argumentou sobre o “senso divino” que todo o homem tinha, e que não havia sido 
aniquilado completamente todo o saber do homem sobre Deus. É fato que o 
conhecimento dos homens acerca de Deus está corrompido (degenerado), e que pela 
razão somente, o homem é incapaz de receber a Graça salvadora, a glorificação e muitos 
outros aspectos pertinentes à Revelação Especial; a fé seria, desta forma, fundamental 
para o alcance da salvação.
Nosso objetivo aqui transcende tal discussão teológica, e foca-se nos aspectos 
mais modernos do que podemos chamar de “Teologia Natural”, cujos resultados 
pragmáticos têm se distanciado da definição tradicional. Entendemos que tal Teologia é 
importante, como são importantes os famosos argumentos da existência de Deus. É fato 
que a Bíblia jamais se mostra como um livro que tenta provar a existência de Deus. 
Começa afirmando no seu início: “No princípio criou Deus os céus e a terra...” (Gn. 
1:1). Porém, na medida em que a Revelação de Deus progride, a Bíblia defende o uso da 
fé como meio para se chegar a Deus e agradá-lo: “Ora, sem fé é impossível agradar a 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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Deus, pois é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que 
é galardoador dos que o buscam” (Hb. 11:6). A palavra “crer” (gr. Pisteuw) tem 
dois aspectos básicos em sua definição, a saber:
- Crer racionalmente. Tem-se fé em quem se conhece, em quem se sabe. E a fé 
não é algo “cego”, mas confiança baseada em um entendimento naquilo que se crê.
- Crer em um sentido mais subjetivo. Esvaziamento daquele que tem fé e a 
colocação do objeto da fé no coração. 
Note que um não pode vir sem o outro, pois o termo é definido por estas duas 
variantes básicas. Tal forma no NT está muito presente no evangelho de João, por 
exemplo. Cremos que o “senso divino”, ou qualquer que nome tenha, é algo real, 
havendo no homem um sentimento, ainda que longínquo e terrivelmente distorcido, 
acerca da existência de Deus. Prova disto são a espiritualidade inerente no ser humano, 
verificável em todas as sociedades indistintamente, que resultam em alguns em algumas 
formas religiosas específicas, estudadas pela história das religiões (na Antropologia 
cultural). Alguns padrões de crenças e práticas religiosas apontam para um 
conhecimento perdido ao longo da História, e que inclusive, é utilizado pelos 
protestantes em missões ao redor do mundo inteiro (idéias quanto a um Deus Supremo, 
uma Queda, uma Idade de Ouro no passado, um Dilúvio, vários temas sobre a salvação 
da alma). Se aliarmos os aspectos práticos (não conceituais) da Teologia Natural, à 
análise expositiva da revelação especial de Deus, podemos descobrir formas e 
acrescentarmos meios interessantes ao estudo da Teologia Cristã. 
3.2 – ARGUMENTOS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Antes de passarmos efetivamente aos argumentos, lembramos a sua limitação 
quanto à exposição correta da pessoa de Deus, o que somente pode ser visto, e portanto 
experimentado, com a revelação das Sagradas Escrituras. Tais argumentos, porém, têm 
seu valor, pois servem como “prova” de que, ao menos, o homem tem um “senso 
divino”, e o está utilizando. 
3.2.1 – O Argumento Ontológico foi primeiramente esboçado por Agostinho, e 
desenvolvido por Anselmo de Cantuária (1033-1109), tido de acordo com Champlin, 
como “o maior filósofo do século XI”12. Anselmo argumentou que Deus é um “ser a 
respeito de quem nada de maior pode ser concebido”. Deus não poderia existir apenas 
no pensamento, pois, desta forma seria uma contradição. Se não, vejamos: Se Deus 
existe apenas no pensamento do homem, ele é verdadeiro, mas não é real, pois de fato 
não existe. Porém, conhecera Deus leva-nos a pensar automaticamente na sua 
existência. A idéia de Deus somente tem coesão com a sua existência, o que está 
intimamente ligado na própria definição de Deus. Se Deus é o “ser de quem nada de 
maior pode ser concebido”, aquele que crê que Deus não existe poderia dizer: “Posso 
pensar num ser perfeito que não existe”, em outras palavras, a pessoa estaria afirmando 
poder pensar em um algo maior do que aquilo de quem não se pode conceber coisa 
maior, o que é, obviamente, absurdo. Alguns matemáticos como Descartes, Spinoza e 
Leibniz trabalharam suas idéias sobre o argumento ontológico. Porém, alguns outros o 
criticaram, como Kant afirmando que “a necessidade incondicional de um julgamento 
não forma a necessidade absoluta da coisa”. A idéia é simples: uma proposição pode 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
ser lógica, sem ser necessariamente verídica. A história do argumento ontológico, 
conforme nos diz Hoover (The Philosophical Basis of Theism), tem tido uma história 
tempestuosa, ora sendo extremamente elogiado por uns, ora sendo criticado por outros. 
Esta abordagem também é conhecida como a priori, pois focaliza a causa, enquanto que 
os outros argumentos (Cosmológico, Teleológico) ressaltam o desígnio e são, portanto 
chamados de a posteriori. 
3.2.1.1 – René Descartes (1596-1649) foi matemático e filósofo, e é tido como o 
“pai do racionalismo”. Seu sistema filosófico é conhecido pelo “Estudo do Método”, e 
tem como ponto de partida a dúvida. Da dúvida, Descartes vai ao reconhecimento da 
alma, e daí às famosas “provas da existência de Deus”. Tal pensamento está baseado no 
argumento ontológico, e pode ser exposto subdividio: a posteriori e a priori. 
Descrevendo “O Espírito, Deus e o Mundo”, em Descartes, Padovani afirma13:
“As provas que Descartes dá existência de Deus se podem reduzir 
substancialmente a duas. Uma, chamada a posteriori, parte da idéia de perfeito, à qual 
chegaríamos, segundo Descartes, partindo da nossa imperfeição. Visto que essa idéia 
não pode derivar coisas, que são certamente limitadas, nem de nós, que somos 
imperfeitos, tem que derivar de um ser perfeito, isto é, de Deus; pois deve haver 
adequação entre causa e efeito. A segunda prova é a priori, e pode formular-se mais ou 
menos como o velho argumento ontológico. Pelo fato de haver na nossa mente a idéia e 
um ser perfeitíssimo, este deve também existir,isto é, dever ter a perfeição da 
existência, ou então, diversamente, não seria mais perfeito. Logo Deus existe.”
3.2.2 – O Argumento Cosmológico inevitavelmente (principalmente nos dias 
atuais) irá relacionar-se, de uma forma ou de outra, com a ciência moderna. Há alguns 
anos atrás muitos, como Einstein, acreditavam que o Universo (gr. Kosmoj) era uma 
entidade auto existente e eterna. Isto foi amplamente questionado após a verificação na 
década de 20 de que o Universo está, de fato, se expandindo, acelerando. Ora, uma 
entidade auto existente é, inerentemente, eterna. Pelo fato de o Universo não estar em 
repouso inercial, mas em movimento acelerado, é impossível que seja auto-existente, 
pois o Universo não pode ter estado eternamente se expandindo. Houve um início. Ao 
motivo deste início dá-se o nome de “princípio da causalidade”, ou “singularidade”, 
no jargão acadêmico científico. Apesar de muitos filósofos e teólogos discutirem o 
assunto (tendo os teólogos teístas, obviamente, sempre aplicado a Deus o princípio da 
causalidade do Universo), de fato, não podemos discutir sobre este assunto se nos 
isentarmos das mais recentes descobertas científicas e das famosas especulações 
teóricas modernas.
3.2.2.1 – Hoje é sabido que o Universo teve um início, e a Física entende que 
desconhece as leis que regiam “o que havia antes da criação do Universo”. Contudo, 
há quem vá mais longe. É o caso de Stephen Hawking, que publicou suas idéias mais 
recentes sobre o assunto no livro “O Universo numa Casca de Noz” , Ed. ARX, São 
Paulo – 2001. Hawking nasceu em Oxford, Inglaterra em 1942; é matemático, 
astrofísico e doutor em Cosmologia pela Universidade de Cambridge. É tido como o 
mais brilhante físico teórico desde Albert Einstein. Hawking é agnóstico, e prefere 
respostas científicas aos problemas científicos. Porém, sua análise o levou a discordar 
de Einstein, ao discorrer sobre o início do espaço e do tempo como os conhecemos. 
Einstein acertou em quase tudo o que postulou, porém, por razões de dogma acadêmico, 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
relutava em aceitar a hipótese de criação do Universo, e a falta de explicação sobre o 
quê existira antes. Segundo as palavras de Hawking: 
“Penrose e eu mostramos que a relatividade geral previa que o tempo não 
existiria dentro de um buraco negro, tanto para a estrela como para qualquer 
astronauta que tivesse o azar de cair dentro dele. Mas tanto o início como o fim do 
tempo seriam lugares onde equações da relatividade geral não poderiam ser definidas. 
Assim, a teoria é incapaz de prever o que deveria emergir do big-bang. Houve quem 
visse isso como um sinal da liberdade de Deus para começar o universo como quisesse 
(...) não temos ainda uma compreensão completa da origem do universo. (...)
Segundo santo Agostinho, antes de criar o Céu e a Terra, Deus não criou 
absolutamente nada. Na verdade, isso se aproxima bastante das idéias modernas.”14
Observador
Galáxias há 5 bi.de anos
Densidade da matéria 
fazendo com que o cone de 
luz volte-se para o centro
 “Singularidade” (?)
 
 
Fig. 4 – O cone de luz tem a forma de uma pêra.. Todo o Universo está contido 
em uma região cujo limite cai para “0” no big-bang. Isso seria uma “singularidade”. 
Aqui as leis da Relatividade deixariam de ser válidas. Embora hoje, na astrofísica, se 
postule sobre “mundos paralelos”, nada, nesta disciplina acadêmica, é conclusivo. 
3.2.3 – O Argumento Teleológico afirma que a ordem, inteligência e propósito 
presentes no Universo indicam que há alguém por trás de tal organização. Voltaire 
colocou que “se um relógio indica a criação por parte do relojoeiro, o Universo indica a 
existência de um Criador”. O debate teleológico tem ganhado atenção especial 
ultimamente. O nome deste tipo de argumentação sugere um projeto, um pensamento 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
prévio, uma distinção entre idealizador e idealizado. Alguns, como Kant, o consideram 
superior ao argumento cosmológico. Outros, como Hegel, o consideravam um 
argumento subordinado aos anteriores. 
3.3 – EXPOENTES HISTÓRICOS
As enciclopédias e livros sobre o assunto diferem na forma como apresentam os 
personagens históricos com alguma relevância na área. A primeira expressão de defesa 
do Cristianismo deve ser associada ao próprio NT. O evangelho de Lucas e o livro de 
Atos são boas provas disto. Visto que toda a base de defesa contra as heresias,e 
posteriormente contra as polêmicas avessas ao Cristianismo foram as Sagradas 
Escrituras, podemos alegar que as mesmas, principalmente o NT, são escritos 
apologéticos também. O AT apregoa a idéia de juízo, benção, maldição, glorificação 
futura, lei, como mensagens de Deus ao povo. O AT, de certa forma, defende-se a si 
mesmo. O NT defende a autoridade espiritual do AT (cf. 2 Tm. 3:15-16), e de si mesmo 
(cf. 2 Pe. 3:16-17). A 2 Epístola de Pedro pode ser considerada como uma carta 
apologética. Pedro ressalta a autoridade das Sagradas Escrituras (1:19-21; 3:2), 
aparentemente contra heresias que, se já não haviam surgido, pareciam iminentes. 
Paulo também foi, de certa forma, o maior apologeta do NT, talvez apenas depois 
de Lucas. Lucas escreveu seus dois volumes exclusivamente para expor de forma 
detalhada os acontecimentos, como ele afirma nos prólogos de suas obras (Lc. 1:1-4; 
At. 1:1-3). Se o objetivo de Lucas está definido nos prólogos de seus livros, toda a obra 
do escritor bíblico torna-se uma evidência do Cristianismo, portanto, uma defesa. Paulo 
escreve com objetivos diferentes. Porém, sempre alerta os seus leitores sobre o perigo 
de deixarem a fé (gr. Pistij), como escreveu aos Gálatas (cf. Gl. 3), aos 
Tessalonicenses (cf. 2 Ts. 2:1-10) e 1 Timóteo (cf. 1 Tm. 4:1-2). Aqui, o vocábulo “fé” 
assume a idéia de “código de doutrina”. “A Bíblia é o nosso manual de fé e prática” 
(Confissão de Westminster).
3.3.1 – Vários foram os expoentes (apologetas) entre os séculos II e III, tais como:
 Aristides, cerca de 147 d.C. Sua obra ataca o paganismo e suas diferentes 
formas de adoração, exaltando em contrapartida, a forma e a moral cristãs. 
 Justino Mártir, cerca de 150 d.C. Sua obra “Apologia” foi endereçada 
aos imperadores Adriano e Marco Aurélio. Afirmava que a Filosofia grega era útil, 
porém incompleta, sendo aperfeiçoada em Cristo e em sua Revelação. A Filosofia seria, 
como o Judaísmo, a precursora de algo superior
 Aristo, metade do segundo século d.C. Escreveu um livro citado por 
Orígenes, no qual demonstrava que as profecias judaicas cumpriam-se em Cristo Jesus. 
Justino Mártir utilizou-se dessa obra como base em sua Apologia.
 Atenágoras, final do segundo século d.C. Escreveu uma obra na qual 
incluía argumentos a favor da ressurreição dos mortos. Na mesma escreve contra o 
paganismo e o Estado romano. Endereça a obra a Marco Aurélio, esperando uma 
melhoria no tratamento aos cristãos. 
 Taciano demonstrou aversão à Filosofia grega em prol da superioridade 
do Cristianismo.
 Teófilo de Antioquia, seguiu o caminho de Taciano.
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Minúcio, início do terceiro século d.C. Procurou demonstrar que os 
cristãos eram os “melhores filósofos”, em contraste com alguns dos seus predecessores.
 Tertuliano, terceiro século d.C. Conforme Champlin, “atacou a Filosofia 
com argumentos filosóficos”. Atacou o paganismo e o gnosticismo. Colocava a 
Filosofia como simples produto do pensamento pagão. Porém, todo o exercício 
teológico é, em suma, um exercício filosófico, até certo ponto. A razão não deve 
separar-se da fé, mas aliar-se à mesma.
 Irineu, segundo século d.C. Defendeu o Cristianismo, juntamente com 
Hipólito, seu discípulo, contra as heresias gnósticas. Sua obra “Contra as Heresias” é 
tida como a primeira exposição sistemática das doutrinas cristãs.
 Arnóbio, segundo e terceiro séculos d.C. Atacou a idéia platônica da 
preexistência da alma, e defendeu o criacionismo.
 Eusébio de Cesaréia e Lactâncio, séculos terceiro e quarto d.C. 
Exaltaram o Cristianismo em detrimento do Judaísmo e do paganismo. Eusébio tinha 
algumas idéias consideradas não ortodoxas acerca da divindade de Cristo. A principal 
contribuição de Eusébio é sua História Eclesiástica que narra quase quatro séculos de 
tensão entre o Cristianismo e o Estado romano.
3.3.2 – Agostinho de Hipona (350-430 d.C.), é considerado, se não o maior, mais 
um dos maiores teólogos do primeiro milênio da era cristã. Filho de pai pagão e mãe 
cristã estudou Gramática em Madura, e retórica em Cártago. Ensinou as mesmas 
matérias na África (373-382) e em Roma (383). Neste ano abandonou o Maniqueísmo15, 
e tornou-se cético. Converteu-se por meio de uma exortação, ouvida em um jardim, 
baseada em Rm. 13:13-14. Foi batizado por Ambrósio, em 387 d.C. Após anos de 
estudo, Agostinho foi ordenado pastor em Hipona, na África do Norte, em 391 d.C. Ali 
estabelece um mosteiro, e, em 395 é ordenado bispo. Participou de algumas 
controvérsias, e produziu célebres discursos, e livros. Morreu em 28 de agosto de 430 
d.C.
Agostinho é tido como o “pai da Teologia ortodoxa”. Quanto à pessoa de Deus, 
Agostinho discursou sobre os seus conceitos acerca de Deus, que constituem a base do 
pensamento dogmático sistemático acerca de Deus. Para o teólogo Deus era auto-
existente, absolutamente imutável, singelo (uno), porém trino. Deus também é 
onipresente, onipotente, imaterial, eterno. Deus, para Agostinho, não estava no tempo, 
mas, o havia criado. Agostinho escrevia e perscrutava sobre Deus e a alma. Cria na 
revelação de Deus, porém, sempre procurou “base” para a fé, e encontrou em Platão, 
contrastando com os céticos, que usavam os escritos filosóficos gregos com objetivos 
opostos.
Agostinho utilizou-se do argumento teleológico sobre a existência de Deus. À 
existência das coisas, havia desígnio, ao que Agostinho atribuiu ao “projeto” de um 
Planejador. Quanto à autoridade do NT, Agostinho aceitava sem problemas. Onde não 
se podia explicar ou descrever a razão, ele se contentava com a fé na doutrina. Por 
ocasião do saque da cidade de Roma pelos bárbaros, em 410 d.C., Agostinho escreveu 
sua obra mais conhecida e aclamada, “Cidade de Deus”. Muitos diziam que a queda de 
Roma se deu pelo reconhecimento e oficialização do Cristianismo como religião do 
império. O objetivo primeiro de Agostinho foi, portanto, apologético. Porém, ampliou o 
tema da obra, à medida que escrevia, transformando-a em uma resenha da filosofia da 
religião cristã. Nesta obra, Agostinho concebe duas cidades: “Jerusalém” (a Igreja 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
Universal) e “Babilônia” (o Estado pagão). Na cidade do homem, estão em conflito 
constante os dois amores: o amor a Deus ou a este mundo. Por causa da natureza do 
livre-arbítrio (corrompido, segundo Agostinho), a “cidade dos homens” estava sempre 
sujeita à ruína. “A cidade de Deus”, entretanto, era superior e deveria exercer autoridade 
sobre aquela. Estava lançada a base filosófica para a união entre a Igreja e o Estado, 
extremamente discutido ao longo dos séculos posteriores. O Estado moldado pela 
“cidade de Deus”é denominado “Roma”. Em última análise, a Igreja deveria ter voz 
ativa e determinante dentro da sociedade civil. Agostinho não chega a ser apresentado 
como um apologeta, no sentido conceitual da palavra, porém sua obra foi de grande 
valor aos pensadores da Igreja cristã. 
3.3.3 – Escolas Apologéticas - De acordo com a Enciclopédia Histórico-
Teológica (Vol. 1, pg. 99), a Apologética ao longo da História tem adotado estilos 
diversos, que, divididos em classes gerais,são-nos apresentados em duas “escolas” 
principais ao longo da História, descritas a seguir:
 Escola Subjetiva: Inclui pensadores como Lutero, Pascal, Kierkgaard e 
Karl Barth. Todos estes pensadores admitiram dúvidas quanto ao fato de o descrente ser 
levado ao entendimento e aceitação da existência de Deus pelos argumentos. Todos 
ressaltaram a experiência singular da graça; o encontro subjetivo com Deus. Conforme 
nos diz a Enciclopédia (op. cit., pg. 99): “Tais pensadores raramente têm reverente 
temor da sabedoria humana, mas, pelo contrário, de modo geral rejeitam a filosofia 
tradicional e a lógica clássica, e ressaltam o trans-racional e o paradoxal.(...) Segundo 
a metáfora de Lutero, ‘a razão é uma meretriz’”. Kierkgaard afirmava que a 
Apologética tem a simples intenção de tornar plausível o Cristianismo, o que 
Kierkgaard não aceitava pois, para ele, defender algo sempre traz o descrédito para 
aquilo que se defende. Porém, ele mesmo usou uma apologética baseando-a no absurdo 
da afirmação cristã, de que Deus apareceu na terra em forma humana, e muitos crêem 
em tal idéia. Este fato por si só seria uma evidência de que tal idéia poderia ser verdade. 
Não há registros de quaisquer outros movimentos que sugiram afirmando que baseemos 
a nossa felicidade em um evento histórico. Para Kierkgaard esta idéia “não subiu ao 
coração de homem algum”.
Blaise Pascal (1623-1662) é considerado como um dos maiores intelectuais do 
Ocidente, de todos os tempos. Paradoxalmente, Pascal em seus escritos foi mais 
apologista do que um pensador sistemático. Desconsiderava as “provas metafísicas” da 
existência de Deus, como as de Descartes, por achá-las insuficientes para levar o 
homem a Deus. Acreditava que o coração era a chave, pois Deus poderia ser percebido 
pelo coração, mas não pela razão. Contudo, apesar de crer que “o coração tem razões 
que a própria razão desconhece”, sustentava que as Escrituras (que se auto validavam), 
as profecias, a existência dos judeus, os milagres, todos estes fatores serviam para 
autenticar a veracidade do Cristianismo. (OBS: Recomendo a releitura do ponto 2, no 
qual falamos sobre a famosa “aposta de Pascal”). Pascal, em sua obra Pensées, 
publicada postumamente, recomendava a religião bíblica por ter um conceito profundo 
acerca do ser humano. A grandeza do homem está no fato dele ser a imagem e 
semelhança de Deus, ao passo que a Queda explica todas as tendências malignas pelas 
quais o homem envereda. Um pensamento simples e correto, do ponto de vista 
ortodoxo. 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781) também foi um proeminente pensador 
desta “escola”. Lessing desafiou o pensamento comum quando afirmou que as 
“verdades acidentais” da História nunca poderão se tornar a prova de verdades 
necessárias à razão. Tais “verdades acidentais” poderiam ser falsas, o que era 
incompatível com a “certeza religiosa” interior, que pode ser desenvolvida pelo ser 
humano. A passagem das verdades acidentais para a certeza religiosa foi chamando de o 
“fosso de Lessing”. Contudo, Lessing argumentava que a Estética (obras de arte) são 
uma espécie de silhueta do plano divino da Criação, operando como uma espécie de 
Teodicéia16, ao juntar os eventos “exibindo” os fatos (na retratação de uma cena 
importante relatada pela Bíblia). O efeito geral de tal Estética é, segundo Lessing, 
tendente ao bem. Note que o pensador não está justificando o uso de imagens ou coisas 
do gênero.
 Escola Objetiva: A Enciclopédia Histórica Teológica (vol. I; pg. 100) a 
descreve como a que “coloca o problema da averiguação claramente no âmbito dos 
fatos objetivos”. Enfatiza as realidades externas, existindo, porém, duas formas distintas 
desta escola, descritas como segue:
 Escola da Teologia Natural – Não exclui a razão humana no 
exercício da defesa da fé. Teólogos como Tomás de Aquino, Joseph Butler e William 
Paley são nomes que se destacam como membros desta escola. Todos estes teólogos 
crêem no pecado original, porém não admitiam que a razão humana estivesse deficiente 
por completa. Em outras palavras, seria possível demonstrar a existência de Deus 
através das Escrituras, e da razão humana. Estas abordagens “simplistas” para provar a 
existência de Deus, tais como a apresentação simples e direta dos milagres e profecias, 
crêem os adeptos desta escola, bastará para levar o descrente a crer em Deus. Alguns 
matemáticos e pensadores modernos seguem um caminho similar. Recentemente um 
físico inglês, Stephen Unwin17, no seu livro “The Probality of God” (“A Probalidade de 
Deus”), sugeriu que Deus “tem 67% de chance de existir”, após usar cálculos 
bayesianos. A idéia do físico foi “equilibrar nosso lado que precisa de idéias racionais, 
com nossa capacidade de acreditar em algo por intuição.”.
 Escola da Revelação – Inclui alguns dos maiores teólogos de todos os 
tempos, como Agostinho, E. J. Carnell, Lutero e Calvino. Crê que as provas objetivas 
(milagres, argumentos em prol da existência de Deus) são importantes na tarefa 
apologética. Contudo, insistem que o homem não regenerado não pode ser convertido 
apenas sendo exposto às provas, porque o pecado enfraqueceu o raciocínio humano a tal 
ponto que, para que as evidências fossem eficazes, seria necessário um ato sobrenatural 
do Espírito Santo. É verdade que não se deve presumir que esta escola considere sem 
valor os fatos externos. Pelo contrário, apresentam a Bíblia e o Jesus histórico como 
causa necessária à fé, ao passo que o Espírito Santo seria a causa suficiente à fé. 
Alguns acham que esta escola seria uma espécie de junção da escola da Teologia 
Natural a escola da revelação. Assim a Enciclopédia Histórica Teológica cita Lutero 
(Vol. I; pg. 101): “Antes da fé e do conhecimento de Deus, a razão humana é trevas, 
mas nos crentes é um instrumento excelente. Assim como todos os dons e os 
instrumentos da natureza são maus nos ímpios, assim também são bons nos crentes”. 
No decorrer da História, os apologistas da escola objetiva utilizam uma longa 
série de material que auxiliam os seus trabalhos, entre os quais podemos citar: a) Os 
argumentos Ontológico, Teleológico, Cosmológico e Moral; b) Profecias cumpridas em 
Cristo; c) Milagres registrados nas Escrituras; d) A pessoa de Cristo (O “Jesus 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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histórico”); e) A Ressurreição de Cristo (considerada por alguns o principal 
fundamento da Apologética Cristã); f) A História do Cristianismo; g) Provas 
arqueológicas (Evidências externas que corroboram o que está dito nas Escrituras. A 
Arqueologia Bíblica vem ganhando notoriedade desde o fim do século XIX). Uma coisa 
é certa: todas as “provas” que ratificam o Cristianismo não devem jamais substituir o 
aspecto subjetivo da fé. A fé não depende da razão, antes a transcende. Porém, só existe 
fé causada por algo que se conheça, por causa de sua própria definição. Logo, tais 
provas são importantes para o homem.
4. TEODICÉIA
“O problema da relação de Deus com o pecado continua um mistério para nós, 
mistério que não somos capazesde resolver. Pode-se dizer, porém, que o Seu decreto 
para permitir o pecado, embora assegure a entrada do pecado no mundo, não significa 
que Ele tem prazer nele; significa somente que ele considerou sábio, com o propósito 
da sua auto-revelação, permitir o mal moral, por mais detestável que seja à sua 
natureza”. (Louis Berkhof, do livro Teologia Sistemática, pg. 109. A orientação 
teológica do autor é reformada calvinista).
“Considerando a largura e a profundidade do problema do mal, concordamos 
com Peter Kreeft quando diz que a existência do mal e do sofrimento é mais um 
mistério do que um problema. Comparou-o ao amor e disse que, uma vez que estamos 
envolvidos subjetivamente, achamos difícil compreender plenamente todas as razões 
por que o mal acontece. (...) Portanto, reconhecemos nossa explicação incompleta para 
justificar todos os propósitos que o mal e a dor possam ter na vida de um indivíduo”. 
(Norman Geisler, do livro Fundamentos Inabaláveis, pg. 255. A orientação teológica 
do autor é arminiana).
Estas citações, de posicionamentos teológicos diferentes (opostos, até), foram 
transcritas para expor o tamanho do problema de Deus e o mal. Entendamos, 
primeiramente, que o mal, aqui, é aquele que desfigura aquilo que naturalmente 
inferimos como o bem. Por exemplo, naturalmente sabemos que não relatar um fato 
como ele aconteceu realmente, mas, inventar ou mudar tal fato, enquanto o estamos 
relatando, constitui-se uma mentira, um desvio da verdade. Algo em nós sabe que 
aquilo não está correto. Daí surge a idéia do mal. Das mentiras aos assassinatos, das 
bombas atômicas que fizemos com a tecnologia da fissão nuclear, até o tráfego 
clandestino de animais selvagens, algo em nós nos dirige acerca do que é certo e 
errado. Este é o grande problema do Ateísmo e do Panteísmo. 
Para o Panteísmo, o mal é uma ilusão (vide pg. 8). O pensamento do Ateísmo 
reduz-se a apenas identificar o mal, porém sem o seu contra-senso, o bem. Apenas taxar 
o mal como “ilusão”, como fazem os panteístas, é tratar o problema quase que 
ingenuamente, pois a nossa subjetividade intelectual (emoções) são os principais 
agentes que nos induzem a pensarmos que algo, naquilo que está “errado”, tem que ser 
mudado. Mas, por que precisaria ser mudado, se tudo é ilusão? Bem, é verdade que o 
Hinduísmo obrigou os seus adeptos a aceitarem a sua vida (“karma”), pois os males da 
mesma são apenas “ilusão”. Porém, por que os hinduístas têm hospitais? Por que têm 
escolas? Por que se precavêem de desastres naturais? De epidemias? Por que têm 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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programas contra a forme a pobreza, se tudo é ilusão, como afirmam? Cremos que, de 
fato, é ilusão crermos que o mundo é ilusão. 
Tão insatisfatória quanto a proposta dos hinduístas é a pensamento ateísta. Ora, o 
ateu não reconhece a existência de Deus, porém, reconhece a existência do mal. Isto é 
um contra-senso, pois Deus é a fonte suprema do BEM, e o bem é o oposto do MAL 
Logo, aceitar o mal, sem a existência do bem, é aceitar a ferrugem sem ferro, a explosão 
sem oxigênio para a combustão, um tiro de arma de fogo sem pólvora, as ações 
consideradas “más”, sem um exemplo padrão de “bom”. A idéia ateísta, portanto, é 
insustentável, pois se auto anula. A proposta teísta cristã vai, portanto, explicar de 
forma mais satisfatória a existência do mal, de forma mais lógica, pois se há mal, é 
necessário que haja seu contra-senso. Se há malignidade de forma imensa, há o bem de 
forma imensa. 
Creio que você, caro aluno, já deve ter se apercebido a problemática deste 
assunto: como justificar um Deus Todo-Poderoso, e Todo-Amoroso juntamente com a 
existência do mal? Ao longo da História, vários sistemas foram propostos para 
responder esta pergunta. No sistema racionalista de Leibniz (1646-1716) o mal foi 
dividido em moral, metafísico, e físico. O mal moral advém da resistência, natural, dos 
homens em relação à vontade de Deus. O mal metafísico constitui a “limitação” dos 
seres. É a “ausência” do bem, daquilo que é bom. Exemplo: quando há um câncer em 
alguém, é porque ali está faltando algo no processo biológico normal, que impeça as 
células de se multiplicarem desordenadamente. Geisler dá o exemplo da ferrugem, que 
seria um exemplo de mal. A oxidação se dá pela falta de alguns elementos no ferro, o 
que necessariamente originaria a presença de outros, que originariam o processo de 
deterioração do ferro. Geisler ainda tenta coadunar o problema do mal metafísico com a 
Segunda Lei da Termodinâmica, que diz “que a quantidade de energia utilizável no 
Universo está diminuindo constantemente”. Como o Cosmos (Universo) é um sistema 
fechado, isto é, não há força física que o alimente, toda a energia contida nele se dissipa, 
gradativamente, transformando-se em energia não utilizável, como um carro. O carro 
seria o Cosmos, e a gasolina toda a sua energia. Em um determinado momento, a 
energia irá findar, pois, do percentual de energia da gasolina, aproximadamente 75% se 
dissipa em calor, enquanto 25% em rendimento. Segundo esta Lei, o Universo caminha 
para um estado caótico. 
Este sistema pode justificar a existência do mal (no sentido metafísico), tanto 
quanto a teodicéia daquele que afirma, de forma distinta da posição anterior, que o 
problema do mal consiste no arbítrio do homem. Deus seria “culpado”, portanto, se 
sabia que o homem, sua criação, usaria do arbítrio para usa-lo para o mal? Não, se 
partirmos do pressuposto que Deus criou (decretou) leis, dentre as quais estivesse 
presente a consciência da existência do mal. Assim, em sua Criação, o mal poderia vir a 
existir, como realmente veio, e seria uma lástima para o ser humano. Em alguns casos, o 
mal seria usado para produzir o bem, e encontramos exemplos disto, inclusive, nas 
páginas das Sagradas Escrituras. Um exemplo clássico nas Escrituras é fato acontecido 
em 1 Rs. 22:1-37. Aparentemente ilógico o problema, pois Deus ali se utiliza, 
aparentemente, de uma mentira para punir o rei maligno Acabe. Como um ser 
perfeitamente bom utilizaria um meio maligno? (a verdade é sempre associada ao bem, 
enquanto a mentira, ao seu contra-senso, o mal, logo Deus estaria usando um meio 
maligno). 
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
A solução para este problema de 1 Rs. 22:1-37 estende-se à resposta do problema 
do mal, em todos os âmbitos, de acordo com o sistema do livre arbítrio. Deus dera a 
visão a Micaías, sobre o espírito de mentira, que estaria na boca dos profetas (vss. 10-9-
23). Por quê? Logicamente, porque sabia que Micaías seria chamado, e que falaria o que 
realmente estava acontecendo. Logo, Acabe teria uma escolha: ou acreditaria em 
Micaías, ou nos profetas de Baal. O resultado desta escolha iria produzir o bem, ou o 
mal. Há quem diga que o homem perdeu o seu arbítrio para a salvação, no Éden. E, fica 
apenas com o arbítrio racional. Bem, de qualquer forma, se Deus livrar-nos do mal, é 
necessário que o arbítrio inerente a nós, seres racionais, seja anulado. O mal seria, 
portanto, o preço a pagarmos para vivermos em um mundo com arbítrio.Preferiríamos 
nós, o contrário? Um mundo com arbítrio sugere a possibilidade do mal. Isto, em última 
análise não faz de Deus o autor do mal, uma vez que deva haver um mundo melhor 
possível. Nós não estamos vivendo neste mundo, o “céu”, contudo, o mundo atual é um
meio para chegarmos àquele.
5. “EVIDÊNCIAS QUE EXIGEM UM VEREDICTO”
Antes de passarmos às evidências, propriamente ditas, vou expor a importância 
deste segmento, nesta apostila. A questão histórica vem alimentando debates acalorados 
sobre a veracidade das Escrituras, desde o século XVIII, quando foi formulada a 
hipótese documentária, que “desconstruía” o Pentateuco em quatro, e posteriormente, 
cinco “fontes” distintas, que segundo os críticos, originaram o material que temos 
atualmente. De antemão, é importante lembrarmos que a crítica bíblica tem o seu lado 
positivo. Através de testes, como veremos a seguir, torna-se quase impossível duvidar-
se da superioridade dos manuscritos do Novo Testamento sobre outros escritos antigos. 
A Apologética aqui carece de uma atenção especial, pois é mister que todo 
apologeta ao menos se interesse em saber como a Bíblia passa pelos testes históricos, 
bibliográficos, internos, etc. Vale salientar que outros títulos históricos clássicos têm o 
mesmo tratamento, contudo, quando se trata da Bíblia, uma enxurrada de pressupostos, 
muitos dos quais sem sentido, vêm à tona, e o desavisado pode enveredar-se por 
informações não muito confiáveis, de alguém que, por exemplo, se utiliza de 
pressupostos apenas para contradizer as Sagradas Escrituras. Um conhecimento prévio 
de crítica bíblica é fundamental para uma análise sobre o quê afirma a própria crítica. 
Vamos ao mesmo.
5.1. ELEMENTOS DE CRÍTICA BÍBLICA
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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Crítica de Fonte
Crítica de Redação
Crítica de Forma
Crítica Histórica
Crítica 
Literária
Crítica Textual
APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
As nomenclaturas das principais “críticas” da Bíblia surgiram principalmente no 
século XIX, e vêm sendo promovidas principalmente por estudiosos bíblicos alemães. 
Josh Mcdowell assim classifica a crítica bíblica:
“A crítica bíblica pode ser dividida em baixa e alta crítica, como indicado na 
tabela (aqui o autor inclui um gráfico, o qual reproduzimos): 
 } = Alta Crítica
 
 } = Baixa Crítica
A baixa crítica é identificada com a crítica textual, já que esta é fundamental 
para todas as outras formas de crítica bíblica. A crítica textual busca determinar as 
palavras originais do texto bíblico, especialmente porque não temos os documentos 
originais (chamados “autógrafos”). Quem quer que saiba ler se envolve com a crítica 
textual. Se, por exemplo, você notar um erro tipográfico enquanto lê esta página, 
corrigirá o erro em sua mente, sabendo que não foi originalmente essa a intenção dos 
autores. Este processo constitui essencialmente a crítica textual. (...)
A alta crítica pode ser dividida em duas disciplinas abrangentes: crítica histórica 
e crítica literária. A crítica literária busca analisar o texto como uma peça acabada de 
literatura. Ela avalia o sentido das palavras, a gramática e o estilo do texto. Também 
busca determinar o significado do texto e tem sido usada para especular sobre o 
cenário, a situação vivencial e as circunstâncias do escritor. A crítica histórica estuda 
o cenário histórico que cerca a composição do texto. Ela busca responder a perguntas, 
tais como: (1) Quando e onde foi escrito? (2) Quem escreveu? (3) Quer circunstâncias 
cercavam o autor ou autores? (4) A quem foi escrito?
A crítica de fonte .... propunha que pelo menos quatro fontes estivessem por trás 
da formação dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. A mesma metodologia 
foi, então, aplicada aos evangelhos durante o século 19 para sugerir várias fontes (por 
exemplo: “Q”, “Marcos” e “Proto-Lucas”) subjacentes, aos relatos dos evangelhos. 
(....)
Os alemães chamaram a crítica de forma de Formgeschichte, significando 
“história da forma”. Seus principais proponentes foram Karl Ludwing Schmidt, Martin 
Dibelius e Rudolf Bultmann. Outros críticos de forma incluem R. H. Lightfoot e D. E. 
Nineham. Alguns dos críticos de forma mais moderados são Frederick Grant, B. S. 
Easton e Vincent Taylor.
Os críticos de forma do Novo Testamento geralmente opinam que os evangelhos 
foram compostos de pequenas unidades ou episódios independentes. Essas pequenas 
unidades individuais (perícopes) circularam independentemente. Os críticos ensinam 
que as unidades tomaram gradualmente a forma de vários tipos de literatura popular, 
tais como lendas, contos, mitos e parábolas.
1 – Pluralismo: pensamento filosófico que admite uma visão relativa da verdade.
2 – GEISLER, Normam – Fundamentos Inabaláveis, p. 21
3 – A Lei do Terceiro Excluído afirma que uma coisa não pode ser, ao mesmo tempo, A e –A, ou seja, algo e o seu oposto.
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APOLOGÉTICA CRISTÃ
 Conceitos Fundamentais: Perspectiva Filosófica
Segundo a crítica de forma, a formação e preservação das unidades foram 
determinadas pelas necessidades da comunidade cristã. Em outras palavras, quando a 
comunidade tinha um problema, eles criavam ou preservavam uma declaração ou 
episódio de Jesus para satisfazer as necessidades desse problema em particular. Assim 
sendo, essas unidades não são basicamente testemunhos da vida de Jesus, mas reflexos 
das crenças e práticas da igreja primitiva. (....)
A tarefa da crítica de forma é, então, descobrir as “leis da tradição” que 
governam a coleta, desenvolvimento, e registro das unidades isoladas. A seguir, com a 
remoção da suposta estrutura artificial (editorial) da cronologia ou outras adições 
providas pela comunidade, os críticos de forma acreditam que podem recobrar a forma 
original das unidades (perícopes) e determinar qual o propósito prático (sitz-im-leben 
– “situação vivencial”) para a qual os cristão a preservaram. Mediante este método 
julga-se ser possível “ir além das fontes escritas e alcançar o período de transmissão 
oral, chegando aos diferentes tipos de episódios que eventualmente se tornaram parte 
dos evangelhos.
Onde a crítica de forma admitiu como possível o trabalho da “comunidade na 
formulação das várias perícopes, a crítica de redação, originária da crítica de forma, 
concentrou-se nos redatores finais (ou compiladores) dos evangelhos, como autores de 
direito. Norma Perrin, um crítico de redação, define isso como “ocupado em estudar a 
motivação teológica do autor como revelada na coleta, arranjo, revisão e modificação 
do material tradicional; assim como na composição de material novo ou na criação de 
novas formas dentro das tradições do cristianismo primitivo18”. 
5.2. TESTES DE CONFIABILIDADE HISTÓRICA
C. S. Sanders, em seu livro “Introdução à Pesquisa em História Literária 
Inglesa”, ofereceu os critérios, geralmente aceitos, para se estabelecer a confiabilidade 
de obras antigas. Os critérios são os seguintes: 
5.2.1 - O Teste Bibliográfico: De acordo com a postulação da crítica bíblica os 
evangelhos foram escritos baseados em relatos orais. A evidência histórica, porém, 
aponta para uma conclusão excepcional. Para se construir mitos e lendas, como 
aconteceu com o panteão dos deuses gregos, por exemplo, são necessários séculos. Isto 
está comprovado com o estudo da literatura universal, no que é conhecido como teste 
bibliográfico, proposto pelo erudito militar C. Sanders. O teste bibliográfico examina 
como

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