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Bioquímica humana Prof. Tyago Eufrásio de Souza Carboidratos Prof. Tyago Eufrásio de Souza Introdução Os carboidratos (também chamados de açúcares, glicídios, sacarídeos ou hidratos de carbono) constituem as biomoléculas mais abundantes na Terra. No organismo humano, desempenham papéis cruciais que vão desde o suprimento energético imediato até o reconhecimento celular e a estruturação de tecidos. Características químicas Quimicamente, os carboidratos são definidos como poliidroxialdeídos ou poliidroxicetonas, ou compostos que geram essas estruturas após hidrólise. Fórmula geral: Para os monossacarídeos simples não modificados, a fórmula empírica é Cn(H2O)n. Grupos funcionais: Apresentam obrigatoriamente um grupo carbonila (aldeído em C-1 nas aldoses ou cetona em C-2 nas cetoses) e múltiplos grupos hidroxila (-OH). Características químicas Características químicas Isomeria e Estereoisomeria A presença de carbonos assimétricos (quirais) concede aos açúcares intensa atividade óptica e diversidade estrutural: Série D e L: Definida pela posição da hidroxila no carbono quiral mais distante do grupo carbonila. Os carboidratos metabolizados pelo corpo humano pertencem quase exclusivamente à série D. Epímeros: Isômeros que diferem na configuração espacial de apenas um carbono quiral. Exemplo: D-galactose é epímero da D-glicose no C-4; D-manose é epímero da D-glicose no C-2. Características químicas Características químicas Ciclização e Anomeri: Em solução aquosa, açúcares com 5 ou mais carbonos sofrem uma reação intramolecular entre o grupo carbonila e uma hidroxila, formando um hemiacetal (aldoses) ou hemicetal (cetoses) cíclico. Esse processo gera um novo centro quiral no carbono anomérico (C-1 nas aldoses, C-2 nas cetoses), originando os anômeros α (hidroxila anomérica em posição trans em relação ao grupo -CH2OH) e β (hidroxila em posição cis). Ligação glicosídica: Formada pela reação de condensação entre o grupo -OH do carbono anomérico de um monossacarídeo e a hidroxila (ou grupo amina) de outra molécula, liberando H2O. É a ligação covalente que une monômeros para formar oligossacarídeos e polissacarídeos. Características químicas Características químicas Classificação dos Carboidratos Monossacarídeos Unidades monoméricas fundamentais não hidrolisáveis em açúcares menores. Classificação por número de carbonos: Trioses (C3), Tetroses (C4), Pentoses (C5) e Hexoses (C6). Principais Monossacarídeos em humanos: • D-Glicose (hexose/aldose): Principal combustível celular. • D-Frutose (hexose/cetose): Metabolizada via glicólise no fígado. • D-Galactose (hexose/aldose): Componente da lactose e glicolipídeos. • D-Ribose e 2-Desoxirribose (pentoses): Constituintes dos nucleotídeos (RNA e DNA). Classificação dos Carboidratos Monossacarídeos Classificação dos Carboidratos Oligossacarídeos Cadeias curtas compostas por 2 a 10 unidades de monossacarídeos unidas por ligações glicosídicas. Os mais relevantes no metabolismo humano são os dissacarídeos: Dissacarídeo Composição monomérica Tipo de ligação Origem Sacarose α-D-glicose + β-D- frutose α(1→2)β Açúcar de cana/beterraba Lactose β-D-galactose + β-D- glicose β(1→4) Leite e derivados Maltose α-D-glicose + α-D- glicose α(1→4) Digestão do amido Classificação dos Carboidratos Oligossacarídeos Classificação dos Carboidratos Polissacarídeos Polímeros de alta massa molecular contendo dezenas a milhares de monômeros. Homopolissacarídeos: Formados por um único tipo de monossacarídeo. • Glicogênio: Polímero de α-D-glicose com ligações α(1→4) e ramificações α(1→6) a cada 8–12 resíduos. • Amido: Reserva vegetal composta por amilose (linear, α(1→4)) e amilopectina (ramificada, α(1→6) a cada 24–30 resíduos). • Celulose: Componente estrutural vegetal (β(1→4)), indigerível por humanos por falta da enzima celulase. Classificação dos Carboidratos Polissacarídeos Glicogênio: Classificação dos Carboidratos Polissacarídeos Amido: Classificação dos Carboidratos Polissacarídeos Celulose: Classificação dos Carboidratos Polissacarídeos Polímeros de alta massa molecular contendo dezenas a milhares de monômeros. Heteropolissacarídeos: Formados por dois ou mais monômeros distintos. Glicosaminoglicanos (GAGs): unidades repetitivas de dissacarídeos modificados (Ex.: ácido hialurônico, sulfato de condroitina, heparina), vitais para a matriz extracelular e articulações. Classificação dos Carboidratos Matriz extracelular e articulações. Classificação dos Carboidratos Matriz extracelular e articulações. Classificação dos Carboidratos Polissacarídeos Glicosaminoglicanos (GAGs): Ocorrência e distribuição tecidual • Circulação sanguínea: a glicose livre mantém-se sob estrito controle homeostático em torno de 70-99mg/dL em jejum. • Fígado: armazena glicogênio (~100 g em adultos) atuando como reservatório sistêmico para a manutenção da glicemia. • Músculo esquelético: armazena glicogênio (~300–400 g em adultos) para uso exclusivo do próprio tecido muscular durante a contração muscular. • Superfície celular: na forma de glicoproteínas e glicolipídeos constituintes do glicocálix de hemácias, endotélio e células epiteliais. • Matriz extracelular e cartilagens: preenchida por proteoglicanos e GAGs retentores de água e amortecedores de impacto. Principais funções biológicas 1. Fornecimento energético direto: fornecem em média 4kcal/g. A glicose é o combustível obrigatório do sistema nervoso central e das hemácias (que carecem de mitocôndrias). 2. Reserva de energia: armazenamento osmótica e metabolicamente viável sob a forma de glicogênio solúvel e altamente ramificado. 3. Papel estrutural e proteção: composição do estroma celular, cartilagens, humor vítreo e líquido sinovial via GAGs. 4. Reconhecimento celular e imunidade: os oligossacarídeos do glicocálix determinam os grupos sanguíneos ABO e atuam na adesão celular e na resposta imune. 5. Precursores biossintéticos: a via das pentoses-fosfato fornece ribose- 5-fosfato para a síntese de nucleotídeos e $NADPH$ para reações anabólicas. Distúrbios metabólicos o Diabetes mellitus (DM) Distúrbio caracterizado pela hiperglicemia crônica decorrente de defeitos na secreção ou na ação da insulina. 1. DM Tipo 1: destruição autoimune das células β pancreáticas → deficiência absoluta de insulina. 2. DM Tipo 2: resistência periférica à insulina associada à deficiência relativa de sua secreção. o Deficiência de lactase (intolerância à lactose) Deficiência da enzima lactase nas microvilosidades do intestino delgado. A lactose não hidrolisada permanece no lúmen, causando atração osmótica de água e fermentação pela microbiota colônica, resultando em diarreia, flatulência e cólicas abdominais. Distúrbios metabólicos o Galactosemia Doença autossômica recessiva decorrente da deficiência de enzimas da via de Leloir (mais comumente a Galactose-1-fosfato uridiltransferase - GALT). O acúmulo de galactose e galactose-1-fosfato leva a dano hepático, catarata precoce e déficit cognitivo se não tratada precocemente com restrição dietética. o Fructosemia/Intolerância Hereditária à Frutose (IHF) A deficiência de aldolase B impede a clivagem da frutose-1-fosfato, aprisionando o fosfato inorgânico celular. Isso inibe a glicogenólise e a gliconeogênese, provocando hipoglicemia grave e dano renal/hepático após ingestão de frutose ou sacarose. Distúrbios metabólicos o Glicogenoses (doenças do armazenamento de glicogênio - DAG) Erros inatos do metabolismo com acúmulo quantitativo ou qualitativo anormal de glicogênio em tecidos: • Doença de Von Gierke (Tipo I): Deficiência de Glicose-6-fosfatase. O fígado não consegue exportar glicose para o sangue em jejum, resultando em hipoglicemia severa, hepatomegalia, hiperuricemia e hiperlipidemia. • Doença de Pompe (Tipo II): Deficiência da enzima lisossômicaα- glucosidase ácida. Causa acúmulo de glicogênio nos lisossomos, afetando gravemente os tecidos cardíaco e muscular. • Doença de McArdle (Tipo V): Deficiência da glicogênio fosforilase muscular. Gera intolerância ao exercício, cãibras dolorosas e rabdomiólise após esforço físico. Exercícios Quimicamente, os monossacarídeos são definidos como polihidroxialdeídos ou polihidroxicetonas. No organismo humano, a maioria dos carboidratos metabolizados pertence a uma série estereoquímica específica, determinada pela posição da hidroxila no carbono quiral mais distante do grupo carbonila. Assinale a alternativa que indica corretamente essa série e a propriedade estrutural do anômero β em solução aquosa: A) Série L; a hidroxila anomérica fica em posição trans em relação ao grupo -CH2OH. B) Série D; a hidroxila anomérica fica em posição cis em relação ao grupo -CH2OH. C) Série L; a hidroxila anomérica fica em posição cis em relação ao grupo -CH2OH. D) Série D; a hidroxila anomérica fica em posição trans em relação ao grupo -CH2OH. E) Série D; a molécula perde seu carbono anomérico ao sofrer ciclização intramolecular. Exercícios Os epímeros são isômeros que diferem na configuração espacial de apenas um carbono quiral. Com base na estrutura da D-glicose, assinale a opção correta quanto aos seus epímeros de relevância biológica: A) A D-galactose é epímero da D-glicose no C-2, enquanto a D-manose é epímero no C-4. B) A D-frutose e a D-glicose são epímeros no C-1 devido à ligação hemiacetal. C) A D-galactose é epímero da D-glicose no C-4, e a D-manose é epímero da D-glicose no C-2. D) A D-ribose é um epímero hexoso da D-glicose no C-3. E) A D-glicose e a D-frutose não possuem centros quirais, eliminando a formação de epímeros. Exercícios As ligações glicosídicas unificam unidades monoméricas para a formação de oligossacarídeos e polissacarídeos. Sobre os dissacarídeos e suas respectivas composições e ligações, assinale a alternativa correta: A) A sacarose é formada por α-D-glicose e β-D-frutose unidas por ligação α(1→2)β. B) A lactose é composta por duas moléculas de α-D-glicose unidas por ligação α(1→4). C) A maltose é formada por β-D-galactose e β-D-glicose unidas por ligação β(1→4). D) A sacarose é constituída por duas moléculas de β-D-galactose com ligação α(1→6). E) A lactose apresenta uma ligação indigerível do tipo α(1→2) que requer celulase para sua quebra. Exercícios Os polissacarídeos de reserva e estruturais possuem diferenças marcantes em suas ligações e ramificações. Em relação ao glicogênio, amido e celulose, assinale a afirmativa correta: A) O glicogênio é um heteropolissacarídeo linear composto por monômeros de galactose e glicose intercalados. B) A celulose possui ligações glicosídicas do tipo β(1→4), que não são clivadas pelas enzimas digestivas humanas. C) O amido é formado unicamente por amilose ramificada a cada 8 a 12 resíduos de glicose. D) O glicogênio é um polissacarídeo vegetal indigerível que atua como fibra alimentar no trato gastrointestinal. E) A amilopectina do amido e o glicogênio possuem a mesma frequência de ramificações α(1→6). Exercícios Um paciente apresenta queixas recorrentes de distensão abdominal, flatulência marcante e diarreia aquosa poucas horas após a ingestão de leite e derivados. O mecanismo fisiopatológico desse distúrbio envolve: A) A ausência de síntese de insulina pelas células β do pâncreas após o consumo de galactose. B) A atração osmótica de água para o lúmen intestinal e fermentação bacteriana da lactose não hidrolisada na mucosa do intestino delgado. C) A inibição irreversível da glicogênio fosforilase hepática pela presença de frutose-1-fosfato. D) O acúmulo lisossômico de glicogênio nas células epiteliais do cólon. E) A destruição autoimune dos enterócitos responsáveis pelo transporte ativo de glicose. Exercícios A galactosemia é uma doença autossômica recessiva do metabolismo dos açúcares. A forma mais comum desse distúrbio resulta da deficiência de qual enzima e gera quais repercussões clínicas caso não haja intervenção precoce? A) Deficiência de lactase; diarreia osmótica crônica e desidratação sem acometimento de órgãos internos. B) Deficiência de aldolase B; hipoglicemia grave por aprisionamento de fosfato no fígado. C) Deficiência de galactose-1-fosfato uridiltransferase (GALT); acúmulo de metabólitos tóxicos levando a dano hepático, catarata e déficit cognitivo. D) Deficiência de glicose-6-fosfatase; acúmulo de glicogênio e hepatomegalia maciça. E) Deficiência de α-glucosidase ácida; fraqueza muscular progressiva e insuficiência cardíaca. Exercícios Na Intolerância Hereditária à Frutose (IHF), a ingestão de frutose desencadeia um quadro grave de hipoglicemia. Esse fenômeno ocorre devido a: A) deficiência de aldolase B, levando ao acúmulo de frutose-1-fosfato e ao aprisionamento de fosfato inorgânico, o que inibe a glicogenólise e a gliconeogênese. B) falha no receptor de insulina, impedindo a captação celular de frutose no tecido adiposo. C) deficiência da enzima lisossômica galactocinase, impedindo a metabolização de frutose no rim. D) produção excessiva de glicogênio muscular, que consome toda a glicose circulante no sangue. E) destruição das células alfa pancreáticas, interrompendo a secreção de glucagon. Exercícios Um recém-nascido apresenta hepatomegalia acentuada, hipoglicemia severa nos períodos de jejum, hiperuricemia e hiperlipidemia. Os exames confirmam o diagnóstico de Doença de Von Gierke (Glicogenose Tipo I). Esse quadro é causado pela deficiência da enzima: A) Glicogênio fosforilase muscular. B) α-glucosidase ácida lisossômica. C) Glicose-6-fosfatase. D) Galactose-1-fosfato uridiltransferase. E) Frutocinase hepática. Exercícios A Doença de McArdle (Glicogenose Tipo V) difere de outras glicogenoses por afetar prioritariamente o tecido muscular. Assinale a alternativa que indica a enzima deficiente e a manifestação clínica característica dessa patologia: A) Deficiência de glicose-6-fosfatase; resulta em hipoglicemia profunda e convulsões após o jejum noturno. B) Deficiência de glicogênio fosforilase muscular; resulta em intolerância ao exercício, cãibras dolorosas e risco de rabdomiólise após esforço físico. C) Deficiência de α-glucosidase ácida; resulta em acúmulo de glicogênio nos lisossomos cardíacos e cardiomegalia grave. D) Deficiência de aldolase B; resulta em aversão severa a alimentos doces e disfunção renal. E) Deficiência de lactase intestinal; resulta em má-absorção de glicogênio consumido na dieta. Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36