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Aula 01 – Psicopatologia II 
Transtornos Mentais, Entrevista Clínica e Exame do 
Estado Mental 
1. Transtornos mentais mais comuns 
Quando pensamos nos transtornos mentais mais conhecidos e frequentes na população, 
dois grandes grupos aparecem rapidamente: 
● Transtornos ansiosos 
● Transtornos depressivos 
Isso também acontece porque ansiedade e depressão aparecem com muita frequência nas 
redes sociais, nos serviços de saúde, nas empresas e nas conversas cotidianas. 
Entre os dois, os transtornos ansiosos são extremamente frequentes. 
A professora propõe um raciocínio simples: se compararmos uma pessoa com 
esquizofrenia e uma pessoa com depressão, provavelmente encontraremos mais pessoas 
com depressão. Da mesma forma, quando comparamos diferentes categorias de 
transtornos, ansiedade e depressão aparecem com muito mais frequência na população 
geral. 
Um cuidado importante 
Na aula foi apresentada a ideia de que a fobia específica seria extremamente frequente na 
população. O ponto central para estudo não deve ser decorar um percentual isolado, mas 
compreender que fobias específicas são muito comuns e muitas vezes não chegam 
aos serviços de saúde, porque a pessoa consegue organizar sua vida evitando aquilo que 
provoca medo. 
 
2. O que caracteriza os transtornos 
ansiosos? 
Os transtornos ansiosos possuem como elemento central algum tipo de: 
medo + ansiedade + antecipação de ameaça. 
O medo costuma estar relacionado a uma ameaça percebida como imediata, enquanto a 
ansiedade pode envolver a antecipação de algo que ainda poderá acontecer. 
Entre os quadros mencionados na aula estão: 
● transtorno de ansiedade generalizada; 
● fobia específica; 
● ansiedade social; 
● transtorno do pânico; 
● agorafobia; 
● ansiedade de separação; 
● transtornos relacionados a estresse e trauma. 
Historicamente, algumas dessas condições já foram agrupadas de maneiras diferentes nas 
classificações diagnósticas. Por isso, é importante estudar não apenas os nomes, mas 
também os elementos clínicos que aproximam ou diferenciam esses quadros. 
 
3. Fobia específica 
A fobia específica corresponde a um medo intenso relacionado a um objeto ou situação 
claramente identificável. 
Exemplos apresentados ou semelhantes aos discutidos em aula: 
● medo de barata; 
● medo de sapo; 
● medo de sangue; 
● medo de agulha; 
● medo de avião; 
● medo de altura; 
● medo de elevador. 
O indivíduo pode reconhecer que possui aquele medo e organizar grande parte de sua vida 
para não entrar em contato com o estímulo. 
Exemplo do elevador 
A professora relatou o exemplo de uma pessoa que tinha intenso medo de elevadores. 
Quando precisava chegar a um andar alto, utilizava as escadas. 
Durante muito tempo isso poderia passar despercebido, porque a pessoa já havia 
desenvolvido estratégias para evitar o objeto fóbico. 
O mesmo pode acontecer com alguém que evita determinadas rotas, edifícios, meios de 
transporte ou outras situações. 
Por que muitas pessoas com fobia específica não procuram tratamento? 
Porque, em muitos casos, conseguem evitar o estímulo. 
Por exemplo, uma pessoa com medo de cobras que vive em uma região urbana e quase 
nunca encontra cobras pode passar grande parte da vida sem perceber prejuízos 
significativos. 
A situação se torna clinicamente mais relevante quando o medo começa a provocar: 
● sofrimento intenso; 
● prejuízo profissional; 
● prejuízo social; 
● perda de oportunidades; 
● alterações importantes na rotina; 
● necessidade constante de evitar situações. 
Ou seja: 
ter medo não é suficiente para caracterizar um transtorno. É necessário avaliar 
intensidade, persistência e prejuízo funcional. 
 
4. Transtorno de ansiedade generalizada 
– TAG 
No transtorno de ansiedade generalizada, existe uma preocupação excessiva 
envolvendo diferentes áreas da vida. 
A pessoa pode preocupar-se excessivamente com: 
● trabalho; 
● estudos; 
● saúde; 
● família; 
● dinheiro; 
● futuro; 
● desempenho; 
● pequenas situações cotidianas. 
É aquela pessoa que parece estar constantemente antecipando problemas. 
A preocupação não está restrita a um único objeto. 
Um ponto destacado na aula é a duração prolongada desse padrão de preocupação. Além 
disso, não basta alguém dizer: 
“Eu sou preocupado.” 
É necessário avaliar se essa preocupação é: 
● excessiva; 
● difícil de controlar; 
● persistente; 
● acompanhada de sintomas físicos ou psicológicos; 
● capaz de provocar prejuízo significativo. 
 
5. Transtorno do pânico 
O pânico chama bastante atenção nos serviços de saúde porque seus sintomas podem ser 
muito intensos. 
Durante uma crise, a pessoa pode acreditar que: 
● está tendo um infarto; 
● vai desmaiar; 
● vai perder o controle; 
● vai enlouquecer; 
● vai morrer. 
Podem aparecer sintomas físicos intensos, como: 
● taquicardia; 
● sensação de falta de ar; 
● tremores; 
● suor; 
● tontura; 
● aperto no peito; 
● sensação de sufocamento; 
● medo intenso. 
Por causa dessa intensidade, muitas pessoas procuram inicialmente: 
UPA, pronto-socorro, emergência ou outros serviços médicos. 
Isso contribui para que casos envolvendo ataques de pânico sejam frequentemente 
identificados nos serviços de saúde. 
 
6. Ansiedade social 
A ansiedade social, historicamente chamada de fobia social, envolve intenso medo ou 
ansiedade diante de situações nas quais a pessoa acredita que poderá: 
● ser observada; 
● ser julgada; 
● passar vergonha; 
● ser rejeitada; 
● demonstrar ansiedade diante dos outros. 
Pode surgir em situações como: 
● apresentar trabalho; 
● falar em público; 
● conversar com desconhecidos; 
● comer na frente de outras pessoas; 
● realizar atividades enquanto está sendo observado. 
O elemento central não é simplesmente “ser tímido”. 
Para pensarmos em transtorno, precisamos verificar sofrimento e prejuízo significativo. 
 
7. Agorafobia 
A agorafobia envolve intenso medo ou ansiedade diante de situações nas quais a pessoa 
imagina que seria difícil: 
● escapar; 
● receber ajuda; 
● sair rapidamente caso algo aconteça. 
Pode envolver medo de: 
● transporte público; 
● lugares abertos; 
● locais fechados; 
● filas; 
● multidões; 
● sair sozinho de casa. 
 
8. Ansiedade de separação 
Embora seja bastante associada à infância, a ansiedade de separação pode ocorrer em 
diferentes momentos da vida. 
Caracteriza-se por ansiedade excessiva relacionada à possibilidade de afastamento ou 
perda de figuras importantes de vínculo. 
Na infância, por exemplo, a criança pode apresentar intenso sofrimento quando precisa se 
afastar dos pais ou responsáveis. 
 
9. Trauma e estresse 
Na aula foram mencionados: 
● transtorno de estresse agudo; 
● transtorno de estresse pós-traumático – TEPT. 
Esses quadros estão relacionados à exposição a eventos traumáticos. 
Historicamente, condições relacionadas ao trauma já foram agrupadas próximas dos 
transtornos ansiosos devido à presença de intenso componente de ansiedade e medo. 
Atualmente, classificações modernas apresentam capítulos específicos para transtornos 
relacionados a trauma e fatores de estresse. 
 
10. Sono e saúde mental 
Os problemas relacionados ao sono merecem bastante atenção porque aparecem em 
diversas psicopatologias. 
O indivíduo pode apresentar: 
Insônia 
Dificuldade para: 
● iniciar o sono; 
● manter o sono; 
● voltar a dormir; 
● obter sono reparador. 
Hipersonia 
Sono excessivo ou sonolência excessiva. 
Problemas de sono podem aparecer em pessoas com: 
● depressão; 
● ansiedade; 
● transtornos psicóticos; 
● transtornos de personalidade; 
● outras condições psicológicas ou médicas. 
A professora destacou um aspecto importante da prática clínica: o psicólogo precisa 
aprender a trabalhar diretamente com a queixa apresentada pelo paciente. 
Se o paciente procura atendimento por insônia, por exemplo, não basta realizar apenas 
uma escuta ampla sem abordar o problema. 
É necessário avaliar: 
● hábitos; 
● pensamentos; 
● comportamentos; 
● rotina; 
● estímulos; 
● estratégiasde enfrentamento; 
● condições que mantêm o problema. 
Ou seja, a psicoterapia também deve ensinar habilidades. 
 
11. A importância da psicoterapia 
Um ponto enfatizado durante a aula foi que a psicoterapia é tratamento central em diversos 
quadros. 
Entre eles: 
● transtornos ansiosos; 
● transtornos de personalidade; 
● problemas relacionados ao sono; 
● transtornos alimentares; 
● diversas condições do neurodesenvolvimento. 
Isso exige competência técnica do psicólogo. 
Não basta simplesmente ouvir o paciente. 
Dependendo da abordagem e do problema apresentado, é necessário: 
● avaliar; 
● formular hipóteses; 
● identificar comportamentos mantenedores; 
● desenvolver habilidades; 
● ensinar estratégias; 
● acompanhar mudanças; 
● avaliar risco; 
● encaminhar quando necessário. 
 
12. Transtornos de personalidade 
Os transtornos de personalidade foram apresentados em três grandes grupos tradicionais. 
Grupo A – excêntricos ou esquisitos 
Inclui: 
● paranoide; 
● esquizoide; 
● esquizotípico. 
Esses pacientes podem apresentar comportamentos vistos como estranhos, excêntricos ou 
marcados por desconfiança e afastamento social. 
 
Grupo B – dramáticos, emotivos ou instáveis 
Inclui: 
● antissocial; 
● borderline; 
● histriônico; 
● narcisista. 
Esse grupo costuma envolver dificuldades importantes relacionadas a: 
● emoções; 
● impulsividade; 
● relações interpessoais; 
● percepção de si mesmo; 
● busca de atenção ou validação; 
● respeito às normas, dependendo do transtorno. 
 
Grupo C – ansiosos ou medrosos 
Inclui: 
● evitativo; 
● dependente; 
● transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva – TPOC. 
Nesse grupo predominam características relacionadas a: 
● medo; 
● ansiedade; 
● insegurança; 
● dependência; 
● necessidade de controle. 
 
13. Borderline e instabilidade emocional 
Grande parte do exemplo clínico utilizado durante a aula apontava para investigação de um 
possível quadro de personalidade marcado por intensa instabilidade. 
Algumas pistas investigadas foram: 
● explosividade; 
● relacionamentos conflituosos; 
● impulsividade; 
● comportamento agressivo; 
● medo de abandono; 
● dificuldade com frustração; 
● instabilidade emocional; 
● possível comportamento manipulativo; 
● uso de substâncias; 
● alterações na autoimagem; 
● comportamentos autolesivos ou risco de suicídio. 
Um ponto fundamental é: 
um comportamento isolado não fecha diagnóstico. 
A pessoa ter uma briga, sentir raiva ou agir impulsivamente uma vez não significa transtorno 
de personalidade. 
É necessário verificar: 
● quando começou; 
● se ocorre em diferentes contextos; 
● se é persistente; 
● se causa prejuízo; 
● se existe desde períodos anteriores da vida. 
 
14. O exemplo da “pedrada no 
namorado” 
Na entrevista simulada, a paciente relata uma situação em que o namorado teria dito algo 
ofensivo e ela reagiu jogando uma pedra. 
A professora utiliza o exemplo para mostrar que o clínico precisa entender: 
qual foi o contexto da reação? 
Não basta registrar: 
“Paciente é agressiva.” 
É necessário investigar: 
● o que aconteceu; 
● o que ela sentiu; 
● o que pensou; 
● qual foi o comportamento; 
● se a reação foi proporcional; 
● se existem outros episódios semelhantes. 
A intensidade e a desproporcionalidade são informações importantes. 
 
15. Egossintonia nos transtornos de 
personalidade 
Outro conceito importante é o de egossintonia. 
Em muitos transtornos de personalidade, determinadas características são percebidas pela 
pessoa como parte natural de quem ela é. 
Por isso, alguns pacientes podem pensar: 
“Eu sempre fui assim.” 
ou: 
“O problema são as outras pessoas.” 
Isso pode fazer com que procurem tratamento principalmente quando começam a sofrer 
consequências importantes: 
● perda de relacionamentos; 
● problemas familiares; 
● demissão; 
● conflitos sociais; 
● comportamentos impulsivos; 
● crises emocionais. 
 
16. Transtornos psicóticos 
A aula retomou alguns transtornos do espectro psicótico, como: 
● esquizofrenia; 
● transtorno psicótico breve; 
● transtorno delirante. 
Um ponto importante é não diferenciar esses quadros apenas pelo tempo. 
É necessário observar a qualidade dos sintomas. 
 
17. Transtorno delirante 
No transtorno delirante, o delírio pode apresentar uma estrutura relativamente organizada e 
plausível. 
Por exemplo: 
“Minha esposa está me traindo.” 
A pessoa pode construir uma sequência de explicações aparentemente coerentes: 
● “Ela chegou mais tarde.” 
● “Mexeu no celular.” 
● “Falou diferente.” 
● “Está escondendo alguma coisa.” 
Mesmo que as conclusões não correspondam à realidade, o discurso pode inicialmente 
parecer convincente. 
A professora destacou que esse tipo de delírio pode confundir familiares justamente porque 
não necessariamente começa com uma ideia completamente absurda. 
Um exemplo possível é o delírio de ciúme. 
 
18. Esquizofrenia 
A esquizofrenia é um transtorno psicótico complexo que pode envolver alterações em 
diferentes áreas: 
● pensamento; 
● percepção; 
● comportamento; 
● linguagem; 
● afetividade; 
● funcionamento social; 
● funcionamento ocupacional. 
Podem ocorrer sintomas como: 
● delírios; 
● alucinações; 
● pensamento desorganizado; 
● comportamento desorganizado; 
● sintomas negativos. 
Na avaliação clínica, o diagnóstico nunca deve ser feito apenas porque o indivíduo relata 
algo incomum. 
É necessário examinar o quadro como um todo. 
 
19. Delírio × alucinação 
Essa diferenciação é fundamental. 
Alucinação 
É uma alteração da sensopercepção. 
A pessoa percebe algo como se estivesse realmente ocorrendo, mesmo sem estímulo 
externo correspondente. 
Pode envolver: 
● audição; 
● visão; 
● tato; 
● olfato; 
● paladar. 
Exemplo: 
“Estou ouvindo uma voz falando comigo.” 
 
Delírio 
É uma alteração relacionada ao conteúdo do pensamento. 
Exemplo: 
“Tenho certeza de que estão me perseguindo.” 
A diferença básica é: 
Alucinação → percepção. 
Delírio → pensamento/crença. 
 
20. Outros grupos de transtornos 
mencionados 
A aula também citou outros grupos importantes da psicopatologia: 
● transtornos depressivos; 
● transtornos bipolares; 
● transtornos alimentares; 
● transtornos dissociativos; 
● transtornos relacionados a substâncias; 
● transtornos do neurodesenvolvimento; 
● transtornos neurocognitivos; 
● transtornos relacionados ao controle dos impulsos; 
● transtornos relacionados à sexualidade/parafílicos; 
● transtornos disruptivos e de conduta. 
Esses grupos podem ser aprofundados separadamente. 
 
21. Transtornos relacionados ao uso de 
substâncias 
É importante investigar o uso de: 
● álcool; 
● maconha; 
● cocaína; 
● estimulantes; 
● medicamentos; 
● outras substâncias. 
O uso pode: 
● provocar sintomas psiquiátricos; 
● agravar transtornos existentes; 
● aumentar impulsividade; 
● afetar o diagnóstico; 
● interferir no tratamento. 
Por isso, durante uma entrevista, perguntar sobre substâncias não deve ser visto como algo 
secundário. 
 
22. Controle de impulsos 
Na aula também foram discutidos comportamentos relacionados à dificuldade de controle 
dos impulsos. 
A pessoa pode apresentar dificuldade para controlar comportamentos como: 
● compras; 
● jogos; 
● agressões; 
● determinados comportamentos sexuais; 
● outros comportamentos repetitivos. 
O ponto central é investigar se existe: 
impulso → dificuldade de controle → comportamento → prejuízo. 
O comportamento precisa ser avaliado dentro de um diagnóstico diferencial, pois 
características semelhantes podem aparecer em diversos transtornos. 
 
23. Entrevista psicopatológica 
A segunda grande parte da aula foi dedicada à entrevista clínica em saúde mental. 
A professora reforça que a entrevista não deve parecer um interrogatório. 
Ela precisa funcionar como uma conversa clínica estruturada. 
O profissional possui um roteiro mental, mas adapta as perguntas ao que o paciente relata. 
 
24. Antes de iniciar a entrevista 
O profissional deve: 
● apresentar-se;● explicar sua função; 
● explicar o objetivo da entrevista; 
● informar que a primeira entrevista pode ser mais demorada; 
● organizar um ambiente com privacidade; 
● reduzir interrupções; 
● verificar se a pessoa está confortável; 
● iniciar o estabelecimento do vínculo terapêutico. 
Exemplo: 
“Eu sou a psicóloga da instituição e vou realizar sua entrevista inicial. Essa primeira 
conversa costuma ser um pouco mais longa porque vou precisar conhecer diferentes 
aspectos da sua história e do seu funcionamento.” 
 
25. Identificação 
Toda entrevista começa com dados de identificação. 
Podem ser investigados: 
● nome; 
● nome social; 
● idade; 
● gênero; 
● escolaridade; 
● profissão; 
● estado civil; 
● local de residência; 
● religião, quando clinicamente pertinente; 
● composição familiar; 
● situação socioeconômica, dependendo do serviço. 
Nos serviços institucionais, parte dessas informações pode já estar disponível no prontuário. 
 
26. Queixa principal – QP 
A queixa principal deve responder: 
Qual é o principal motivo que trouxe esta pessoa ao atendimento? 
O paciente pode falar durante vários minutos, mas o profissional precisa sintetizar. 
Exemplo da aula: 
A paciente relata brigas, explosividade, mudanças emocionais e conflitos. 
Ao ser questionada sobre como definiria o problema, responde: 
“Sou instável.” 
Isso pode ser registrado como parte da queixa principal. 
A QP deve ser: 
● curta; 
● objetiva; 
● próxima da linguagem do paciente. 
 
27. História da Doença Atual – HDA 
Depois da queixa principal, investigamos detalhadamente o problema. 
Perguntas importantes: 
● Quando começou? 
● Como começou? 
● O que estava acontecendo nessa época? 
● Como evoluiu? 
● O que piora? 
● O que melhora? 
● Qual a frequência? 
● Qual a intensidade? 
● Quais prejuízos provoca? 
● Já aconteceu antes? 
● Como interfere no trabalho? 
● Como interfere nos estudos? 
● Como interfere nos relacionamentos? 
A HDA transforma uma frase geral em uma história clínica. 
 
28. A importância de pedir exemplos 
O paciente pode dizer: 
“Eu tenho muita raiva.” 
Isso ainda é pouco. 
O profissional precisa perguntar: 
“Você consegue me dar um exemplo?” 
Depois: 
● O que aconteceu? 
● Quem estava presente? 
● O que você pensou? 
● O que sentiu? 
● O que fez? 
● O que aconteceu depois? 
Esse processo permite compreender se determinada emoção ou comportamento é: 
● esperado; 
● desproporcional; 
● recorrente; 
● impulsivo; 
● associado a algum transtorno. 
 
29. História Psiquiátrica Pregressa – HPP 
Aqui investigamos episódios anteriores relacionados à saúde mental. 
É importante perguntar: 
● já fez psicoterapia? 
● já consultou psiquiatra? 
● recebeu algum diagnóstico? 
● usou medicamentos? 
● quais medicamentos? 
● já teve internação psiquiátrica? 
● já teve crises graves? 
● já tentou suicídio? 
● já realizou automutilação? 
Esses dados ajudam a avaliar a gravidade e o histórico do quadro. 
 
30. Avaliação de risco de suicídio 
A investigação de suicídio precisa ocorrer sempre que houver indicação clínica. 
Pode-se perguntar diretamente: 
● Já pensou em morrer? 
● Já pensou em se matar? 
● Já tentou? 
● Quando? 
● Como? 
● Atualmente pensa nisso? 
● Tem algum plano? 
Perguntar sobre suicídio não significa colocar a ideia na cabeça da pessoa. 
É uma avaliação de segurança. 
Também pode ser necessário investigar: 
● risco de agressão; 
● pensamentos de matar alguém; 
● perda de controle; 
● acesso a meios. 
 
31. História clínica 
Também precisamos investigar condições médicas. 
Exemplos: 
● diabetes; 
● hipertensão; 
● alterações da tireoide; 
● doenças neurológicas; 
● doenças autoimunes; 
● deficiências vitamínicas; 
● uso de medicamentos; 
● cirurgias; 
● internações. 
Isso é necessário porque algumas condições clínicas podem: 
● produzir sintomas psiquiátricos; 
● intensificá-los; 
● interferir no tratamento; 
● interagir com medicamentos. 
 
32. História familiar 
Perguntamos se existem familiares com: 
● depressão; 
● ansiedade; 
● bipolaridade; 
● esquizofrenia; 
● transtornos de personalidade; 
● suicídio; 
● uso problemático de substâncias; 
● outros transtornos psiquiátricos. 
Mas existe um cuidado importante: 
o relato do paciente sobre o diagnóstico de um familiar não equivale a um 
diagnóstico confirmado. 
Por exemplo: 
“Minha avó tinha esquizofrenia porque via coisas.” 
Pode ser que a avó tivesse um quadro neurocognitivo com sintomas psicóticos. 
Portanto, a informação deve ser registrada como relato familiar, sem assumir diagnóstico 
automaticamente. 
 
33. História pessoal 
A história pessoal pode envolver: 
Gestação 
● gravidez planejada ou não; 
● complicações; 
● uso de substâncias; 
● doenças maternas; 
● outras intercorrências. 
Parto 
● tipo de parto; 
● intercorrências; 
● prematuridade; 
● hipóxia; 
● internação neonatal. 
Desenvolvimento 
● quando começou a falar; 
● quando começou a andar; 
● dificuldades motoras; 
● dificuldades cognitivas. 
Infância 
● comportamento; 
● relações familiares; 
● dificuldades escolares; 
● aprendizagem; 
● amizades; 
● experiências traumáticas. 
Adolescência 
● amizades; 
● escola; 
● sexualidade; 
● uso de substâncias; 
● conflitos; 
● impulsividade; 
● relacionamentos; 
● comportamento de risco. 
Vida adulta 
● trabalho; 
● estudo; 
● relacionamentos; 
● sexualidade; 
● filhos; 
● responsabilidades; 
● funcionamento social. 
 
34. Por que investigar gestação e parto? 
Essas informações podem ajudar a entender possíveis fatores relacionados ao 
neurodesenvolvimento. 
Por exemplo, histórico de: 
● hipóxia; 
● prematuridade; 
● complicações neurológicas; 
● atrasos no desenvolvimento. 
Esses dados podem ser relevantes principalmente quando existem suspeitas de: 
● deficiência intelectual; 
● transtornos do neurodesenvolvimento; 
● dificuldades cognitivas. 
Entretanto, devemos evitar relações simplistas de causa e efeito. 
Um evento no parto não significa automaticamente que determinado transtorno surgiu por 
causa dele. 
 
35. Desenvolvimento escolar 
Perguntas importantes: 
● Teve dificuldade para aprender? 
● Aprendeu a ler e escrever na idade esperada? 
● Repetiu algum ano? 
● Tinha dificuldades de atenção? 
● Como era o comportamento na escola? 
● Tinha amigos? 
● Sofria bullying? 
● Tinha dificuldades de socialização? 
Isso ajuda a reconstruir o desenvolvimento cognitivo, emocional e social da pessoa. 
 
36. Relacionamentos 
Nos transtornos de personalidade, investigar relacionamentos é fundamental. 
Perguntas possíveis: 
● Como eram seus relacionamentos? 
● Eram estáveis? 
● Havia muitas brigas? 
● Existia ciúme intenso? 
● Você tinha medo de ser abandonado? 
● Já rompeu relacionamentos impulsivamente? 
● Já agrediu alguém? 
● Já se machucou depois de uma discussão? 
O objetivo não é julgar. 
É identificar padrões. 
 
37. Exame do Estado Mental – EEM 
O exame do estado mental funciona como uma espécie de “fotografia do funcionamento 
psíquico atual”. 
Enquanto a história clínica investiga o passado e a evolução do problema, o EEM avalia 
como o paciente está funcionando naquele momento. 
Entre as funções avaliadas estão: 
● consciência; 
● orientação; 
● atenção; 
● sensopercepção; 
● pensamento; 
● linguagem; 
● humor e afeto; 
● psicomotricidade; 
● memória; 
● inteligência/cognição; 
● juízo crítico; 
● insight. 
 
38. Sensopercepção 
Aqui avaliamos como a pessoa percebe o mundo. 
Alterações importantes incluem: 
Alucinações 
Percepções sem estímulo externo correspondente. 
Ilusões 
Interpretação distorcida de um estímulo que realmente existe. 
Exemplo: 
Existe uma roupa pendurada no escuro, mas a pessoa interpreta como se fosse alguém 
parado no quarto. 
 
39. Pensamento 
Podemos avaliar: 
● velocidade; 
● organização; 
● lógica; 
● coerência; 
● conteúdo. 
Entre as alterações de conteúdo estão os delírios. 
Exemplo: 
“Tenho certeza de que meu vizinho instalou câmeras para me perseguir.” 
 
40. Humor e afeto 
O paciente podeapresentar: 
● tristeza; 
● ansiedade; 
● irritabilidade; 
● euforia; 
● labilidade emocional; 
● embotamento; 
● instabilidade. 
No exemplo utilizado durante a aula, a principal alteração estava relacionada à 
instabilidade emocional. 
Isso contribuía para pensar em uma hipótese envolvendo personalidade, principalmente 
porque as dificuldades apareciam repetidamente nos relacionamentos. 
 
41. Psicomotricidade 
Observamos: 
● agitação; 
● lentificação; 
● movimentos repetitivos; 
● inquietação; 
● postura; 
● comportamento motor. 
Uma pessoa ansiosa, por exemplo, pode: 
● balançar a perna; 
● mexer constantemente nas mãos; 
● levantar repetidamente; 
● apresentar inquietação. 
 
42. Consciência 
Avalia-se se o paciente está: 
● desperto; 
● responsivo; 
● consciente do ambiente. 
Alterações de consciência podem ocorrer em diferentes condições médicas, neurológicas e 
psiquiátricas. 
 
43. Atenção 
Observamos se a pessoa consegue: 
● acompanhar a conversa; 
● manter-se no assunto; 
● responder adequadamente; 
● sustentar o foco. 
No exemplo apresentado, a paciente permanecia atenta e conseguia acompanhar a 
entrevista. 
 
44. Linguagem 
A linguagem pode ser observada quanto a: 
● fluência; 
● coerência; 
● velocidade; 
● organização; 
● compreensão. 
Quando o paciente apresenta uma linguagem coerente, organizada e compatível com a 
situação, isso também fornece informações importantes para o diagnóstico diferencial. 
 
45. Insight 
Insight é a capacidade de reconhecer que existe um problema ou alteração no próprio 
funcionamento. 
Uma pessoa pode apresentar: 
Insight preservado 
“Percebo que minhas reações estão exageradas e preciso de ajuda.” 
Insight parcial 
“Talvez eu tenha alguma coisa, mas acho que as outras pessoas também exageram.” 
Insight ausente 
“Não existe absolutamente nada errado comigo. Todo mundo está contra mim.” 
Em transtornos de personalidade, o insight pode variar bastante. 
 
46. Do exame mental à hipótese 
diagnóstica 
O diagnóstico não deve surgir de uma única resposta. 
O raciocínio clínico integra: 
queixa principal + história atual + história anterior + história familiar + história 
pessoal + exame do estado mental + prejuízo funcional. 
Depois disso, construímos: 
Hipótese diagnóstica 
seguida de: 
Diagnóstico diferencial 
e, posteriormente: 
Conduta. 
 
47. Diagnóstico diferencial 
Um mesmo comportamento pode aparecer em condições completamente diferentes. 
Por exemplo, irritabilidade pode estar presente em: 
● ansiedade; 
● depressão; 
● bipolaridade; 
● transtornos de personalidade; 
● uso de substâncias; 
● condições neurológicas; 
● outras situações. 
Por isso, o psicólogo não pode concluir: 
“É borderline porque sente muita raiva.” 
É necessário investigar o conjunto do funcionamento. 
 
48. Conduta 
Depois da avaliação, o profissional decide quais intervenções são necessárias. 
Podem envolver: 
● psicoterapia; 
● avaliação psiquiátrica; 
● acompanhamento médico; 
● encaminhamento para outro profissional; 
● avaliação neuropsicológica; 
● acompanhamento multiprofissional; 
● intervenção em crise. 
A medicação pode ser útil em determinados sintomas ou comorbidades, mas não substitui 
automaticamente o trabalho psicológico. 
Nos transtornos de personalidade, por exemplo, a psicoterapia possui papel central porque 
o tratamento precisa trabalhar padrões duradouros de: 
● comportamento; 
● cognição; 
● emoção; 
● relações interpessoais. 
 
49. Um raciocínio clínico importante da 
aula 
Ao analisar um paciente, podemos perguntar: 
O problema principal está onde? 
Na percepção? 
 Pode haver alucinação. 
No pensamento? 
 Pode haver delírio ou outra alteração do pensamento. 
No humor? 
 Pode haver um transtorno depressivo ou bipolar. 
No medo e na ansiedade? 
 Pode haver um transtorno ansioso. 
Nas relações interpessoais e em um padrão persistente de funcionamento? 
 É importante investigar personalidade. 
Essa lógica não substitui critérios diagnósticos, mas ajuda a organizar o raciocínio inicial. 
 
50. Esquema da entrevista para 
memorizar 
Uma forma simples de organizar a entrevista: 
1. Identificação 
↓ 
2. Queixa principal – QP 
↓ 
3. História da Doença Atual – HDA 
↓ 
4. História Psiquiátrica Pregressa – HPP 
↓ 
5. História Clínica 
↓ 
6. História Familiar 
↓ 
7. História Pessoal 
● gestação; 
● parto; 
● desenvolvimento; 
● infância; 
● adolescência; 
● vida adulta. 
↓ 
8. Uso de substâncias 
↓ 
9. Avaliação de risco 
↓ 
10. Exame do Estado Mental 
↓ 
11. Hipóteses diagnósticas 
↓ 
12. Diagnóstico diferencial 
↓ 
13. Conduta 
 
51. Conceitos que merecem atenção 
para prova 
Fobia específica 
Medo intenso relacionado a um objeto ou situação determinada. 
Ansiedade generalizada 
Preocupação excessiva envolvendo diversas áreas da vida. 
Ataque de pânico 
Episódio de medo ou desconforto intenso acompanhado frequentemente de sintomas 
físicos. 
Delírio 
Alteração do conteúdo do pensamento. 
Alucinação 
Alteração da percepção na ausência de estímulo externo correspondente. 
Queixa principal 
Motivo central da procura por atendimento. 
HDA 
História detalhada do problema atual. 
HPP 
Histórico psiquiátrico anterior. 
Exame do Estado Mental 
Avaliação sistemática do funcionamento psíquico atual. 
Insight 
Capacidade de reconhecer o próprio adoecimento ou dificuldade. 
Diagnóstico diferencial 
Comparação entre diferentes hipóteses capazes de explicar os sintomas apresentados. 
 
52. Ideia central da aula 
Mais importante do que decorar listas de transtornos é aprender a raciocinar clinicamente. 
Diante de um paciente, devemos perguntar: 
● O que ele está sentindo? 
● Desde quando? 
● Em quais situações? 
● Isso sempre aconteceu? 
● Qual a intensidade? 
● Qual o prejuízo? 
● Há alterações do pensamento? 
● Há alterações da percepção? 
● Há alterações importantes de humor? 
● O padrão aparece principalmente nos relacionamentos? 
● Existem sintomas físicos? 
● Há uso de substâncias? 
● Existe risco para si ou para outras pessoas? 
● O funcionamento é episódico ou persistente? 
● Existem outras explicações possíveis? 
A psicopatologia não consiste apenas em dar nomes aos transtornos. 
Ela exige compreender: 
história + sintomas + contexto + funcionamento + prejuízo + evolução. 
Esse conjunto é que permite construir uma avaliação clínica responsável.

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