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CANTIGAS DE RODA AULA 1 Profª Elaine Stroparo Bülow 2 CONVERSA INICIAL Caro aluno, este material tem como objetivo apresentar os conceitos referentes ao universo do patrimônio imaterial, do folclore e da cultura popular brasileira. Faremos uma reflexão sobre os tópicos abordados, pensando especificamente na formação e na identidade cultural do nosso povo, conhecendo os principais elementos da cultura musical no Brasil, criando e recriando possibilidades e prezando pela manutenção da nossa cultura. Devido a fatores históricos de ampla importância, o Brasil sofre a influência de três vertentes quanto à construção da nossa identidade cultural: os indígenas, os africanos e os portugueses. Esses povos são responsáveis pela beleza e riqueza em todo o universo cultural e artístico, o que se manifesta nas linguagens da arte, na música, no teatro, na dança, no folclore e em todo universo histórico visível em monumentos da arquitetura, na construção de casas, vilarejos, na maneira em que vivemos e revivemos as memórias deixadas pelos antigos que viveram em nossa pátria. Essa riqueza – construída de geração em geração e transmitida nas vivências sociais, familiares e escolares – faz parte de nosso patrimônio cultural. Como cidadãos e professores, somos responsáveis por prezar por experiências práticas que nos permitam conhecer, viver e/ou reviver histórias, memórias, músicas e brincadeiras. Para isso, podemos nos apropriar do lúdico, ser criança, ser adulto ou ser o que quisermos, viajando de norte a sul, vivendo experiências dos quatro cantos do país sem sair do lugar, por meio da música, de melodias, ritmos, batuques, das mais ricas harmonias dentro deste vasto universo cultural que o Brasil proporciona. 3 TEMA 1 – CULTURA MUSICAL DA INFÂNCIA E EDUCAÇÃO Fonte: Patrice6000/Shutterstock. No momento em que vivemos, o fenômeno da globalização possibilita grande velocidade de circulação de informações, trocas de experiências e o acompanhamento dos acontecimentos em tempo real. As mudanças no modo de viver são constantes e rápidas. Por isso, devemos prezar pelo nosso passado a fim de manter nossa cultura, aumentando a lista do patrimônio de bens materiais e imateriais, sem esquecer aquilo que foi construído pelas gerações anteriores, para ampliar e transmitir um legado rico e amplo para as futuras gerações. Apesar de tantas inovações tecnológicas, as crianças precisam de experiências e de interação social: brincadeiras simples, segurar na mão, repetir palmas, bater objetos, imaginar histórias, situações, respostas, brincar de roda, construir brinquedos, instrumentos, explorar sons. São curiosidades que levam os pequenos a descobertas incríveis. Todos esses elementos constroem memórias e facilitam o aprendizado infantil. O universo da cultura musical, em toda a sua abrangência, é um facilitador desse aprendizado, não apenas na relação musical – no aprendizado de uma melodia, na habilidade de ouvir, copiar e criar padrões rítmicos, perceber as harmonias simples –, mas também no processo de alfabetização – pensando no som da palavra, nas rimas, no desenvolvimento da criatividade por meio da imaginação. 4 1.1 O que é patrimônio imaterial (e patrimônio cultural) O patrimônio cultural é a riqueza produzida e construída de geração em geração, compondo um legado que influencia a identidade de indivíduos no presente, fruto do passado e que interfere no futuro das gerações vindouras. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) adota a definição de patrimônio imaterial cunhada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que engloba "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e em alguns casos os indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural" (Iphan, 2000). A definição foi adota pela Convenção da Unesco para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, ratificada pelo Brasil em março de 2006. Os bens de ordem imaterial, portanto, abrangem práticas que manifestam saberes, celebrações, modo de fazer, formas de expressões artísticas e musicais. Trata-se de um patrimônio transmitido de geração em geração, criado e recriado conforme o ambiente, região e interações sociais presentes em suas manifestações, gerando nossa identidade e continuidade cultural. A Unesco também determina que o patrimônio cultural é composto por monumentos, grupos de edifícios ou sítios que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou antropológico. Inclui obras de arquitetura, escultura e pintura monumentais ou de caráter arqueológico e, ainda, obras isoladas ou conjugadas do homem e da natureza. Dessa forma, podemos entender patrimônio cultural como bens palpáveis, relacionados a obras, construções, monumentos de valor histórico e cultural, enquanto patrimônio imaterial são bens que nem sempre são palpáveis, envolvem representações artísticas, em geral, em várias possiblidades de linguagens, compondo nossa história e cultura. Tanto o patrimônio cultural quanto o patrimônio imaterial compõem nosso amplo universo, representam a identidade, história e cultura do nosso povo. Todo esse legado que recebemos do passado é considerado patrimônio, 5 o qual vivemos e revivemos no presente e o transmitimos para as gerações futuras. TEMA 2 – CULTURA POPULAR E IDENTIDADE Segundo Diana, “a cultura popular representa um conjunto de saberes determinados pela interação dos indivíduos. Ela reúne elementos e tradições culturais que estão associados à linguagem popular e oral”. Engloba, portanto, folclore, artesanato, danças, festas, entre outros saberes e tradições. Trata-se de um termo amplo, que reúne símbolos, comportamentos e diversas práticas sociais, incluindo literatura, culinária, dança, religião etc. A cultura popular faz parte de um conjunto de fatores, comportamentos, tradições e práticas sociais que são transmitidas de geração em geração, representando a herança cultural de um povo. Segundo Turner (1994), a cultura é um sistema de símbolos que uma população cria e utiliza para se organizar, a fim de facilitar a interação e regular o pensamento. Ao pensarmos no Brasil, é importante considerar a grandeza do território e as especificidades de cada estado, com características próprias, festas populares de grande expressividade, devido a questões históricas que impulsionaram a população a criar e se organizar desta maneira. Como brasileiros, temos um grande universo cultural para exploração por meio da música – nossa grande aliada. Quadro 1 – Ritmos de destaque em cada região Regiões brasileiras Ritmos em destaque Sudeste Samba, Pagode, Bossa nova. Sul Chotes, Milonga, Vanera ou Havanera (música gaúcha). Nordeste Frevo, Maracatu, Axé. Norte Carimbó, Conga ou Congada. Centro Oeste Catira, Cururu, Polca de Carão. 6 Fonte: St_Travel/Shutterstock. Fonte: Elysangela Freitas/Shutterstock Fonte: Mobilesaint/Shutterstock No repertório cultural brasileiro, podemos destacar a capoeira, que engloba música, dança e esporte e é considerada um dos maiores símbolos do país. A música se faz presente com canto, palmas e o berimbau (instrumento artesanal), a dança, nos movimentos do corpo e o esporte, no jogo, na luta. A 7 capoeira é uma grande contribuição dos povos africanos nas intervenções da cultura brasileira. TEMA 3 – O QUE É FOLCLORE? O QUE É DOMÍNIO PÚBLICO? Segundo Vilhena (1997), a palavra folclore deriva de folklore, sendo que folk significa povo e klore significa saber. A palavra foi criada pelo arqueólogo Willian JohnThoms em agosto de 1846 e sofreu alterações nas versões e traduções de diversas línguas. No Brasil, assume a grafia de folclore. O termo identifica o saber tradicional preservado pela transmissão oral entre os camponeses, substituindo outros termos até então utilizados (Vilhena, 1997). No passado, as histórias folclóricas eram utilizadas para assustar “pedagogicamente” as crianças, para que elas obedecessem aos pais e não saíssem de noite, temendo perigos da vida e permanecendo no caminho do bem. As histórias também tentavam explicar fenômenos naturais cujas razões científicas não eram conhecidas. Como essas histórias eram transmitidas oralmente, as versões sofriam algumas alterações no decorrer do tempo. Em regiões não tão urbanizadas, ainda hoje, as pessoas acreditam nos personagens folclóricos. O Saci-Pererê, a Mula sem Cabeça e o Curupira são exemplos de personagens populares lendários no Brasil. O conceito de folclore e de domínio público não se confundem. Enquanto o primeiro é bastante discutido pela antropologia e pela sociologia, o segundo é discutido no âmbito jurídico. Sobre o domínio público, Alem afirma que: [...] é uma espécie de limitação temporal dos direitos patrimoniais de autor, ou seja, do direito exclusivo de usar, fruir e dispor da obra. Isso significa que, uma vez transcorrido certo prazo, qualquer um pode utilizar tais obras sem a prévia e expressa autorização dos titulares (ou herdeiros). (Alem 2019, p.1) Segundo a Lei n. 9.610 de 1998, conhecida como Lei de Direitos Autorais, o prazo de proteção aos direitos patrimoniais sobre obras audiovisuais e fotográficas é de 70 anos, a contar da publicação. Dessa forma, antes de utilizar uma obra, deve-se consultar se ela já está em domínio público, pois, em caso de uso indevido, a pessoa fica sujeita a penalidades. O Brasil possui uma ampla biblioteca, atualizada anualmente, com diversas obras em domínio público, as quais podem ser devidamente utilizadas em atividades musicais. 8 Fonte: Naipez/Shutterstock. Fonte: Naipez/Shutterstock. TEMA 4 – CULTURA POPULAR, MANUTENÇÃO E MUDANÇA O estudo da cultura popular nos faz olhar e entender sua importância, no âmbito histórico e cultural, para a construção de arquivos para a memória nacional. Em determinados períodos da história, sem equipamentos tecnológicos para registro de algumas áreas artísticas, certos fatos, lendas e canções eram passadas para outras gerações oralmente, por meio de repetições de pais para filhos e netos. O Brasil possui um repertório cultural amplo e rico e cada região apresenta manifestações folclóricas específicas, as quais precisam ser preservadas e vividas no presente pelas novas gerações. A cultura brasileira reúne lendas, mitos e festas de tradição, que são resultado da miscigenação cultural de três importantes povos (indígenas, africanos e portugueses) que recebem destaque dentro do aspecto de 9 construção da nossa história. Essas misturas de influências refletem na composição cultural do nosso povo, nas manifestações mais diversas: literatura, provérbios, ditados populares, parlendas, folclore, lendas, mitos, músicas folclóricas, cantigas de roda, canções de ninar. Essas manifestações sofrem mudanças no decorrer do tempo, visto que o homem é um ser em constante transformação, porém precisamos preservar esse amplo patrimônio construído e prezar para sua manutenção e compreensão, a fim de que as gerações revivam as mais diversas experiências de forma significativa. Podemos pensar sobre a manutenção da cultura enquanto professores, estudando e valorizando o que foi construído, mostrando e pensando nas mudanças e interações que acontecem na cultura com o passar do tempo. Vejamos a seguir alguns exemplos: Sapo cururu Sapo cururu Na beira do rio Quando o sapo canta, ô maninha, é porque tem frio A mulher do sapo Deve estar lá dentro Fazendo rendinha, ô maninha, para o casamento Sapo cururu também é conhecida por alguns como Sapo Jururu. Cabe lembrar que o ritmo e as palavras sofrem alterações em função do tempo, as quais podem ser propositais ou não, já que dependiam da memória para serem transmitidas oralmente. Adoletá A-do-le-tá; Le peti peti polá; Le café com chocolá; A-do-le-tá; Puxa o rabo do tatu; Quem saiu foi tu! Variações modernas criadas: 10 Puxa o rabo da cutia; Quando sai a sua tia; Quando um ganha o outro perde; Não adianta disfarçar; E tem que ficar ligado; Quando a música parar! A-do-le-tá; Le peti peti polá; Le café com chocolá; Sa-bo-ne-te; Cento e cinquenta com muito carinho; Vai ter que me dar um pedacinho; Baygon baygon; Baygon com detefon; Um dois três quatro cinco; Seis sete oito nove dez; Barra berra birra borra burra! TEMA 5 – CULTURA MUSICAL DA INFÂNCIA NO BRASIL: DEFINIÇÃO E PRINCIPAIS ELEMENTOS No que se refere à infância, a cultura musical aparece em brincadeiras, jogos, lendas, mitos, canções e em todas as relações com o lúdico e/ou com a realidade. Para Brougère (1998), “brincar não é uma dinâmica interna do indivíduo, mas uma atividade dotada de uma significação social precisa que, como outras, necessita de aprendizagem”. A brincadeira é dotada de ampla significação social e possibilita que a criança aprenda a se relacionar com ela, com o mundo interno e externo e com as pessoas que a cercam. Para que uma brincadeira aconteça, é necessário cumplicidade, significação e imaginação. As brincadeiras infantis estão relacionadas com o repertório cultural e com o folclore. Geralmente, são transmissões orais, de modo que não sabemos ao certo sua autoria e as mesmas vão passando de geração em 11 geração, embora sofram alterações ao longo da história. Isso não tira o valor das brincadeiras, pelo contrário, acrescenta e nos faz entender seu caráter dinâmico. As interações culturais e sociais que acontecem na família, com amigos e no âmbito escolar, por meio da música, de jogos e de brincadeiras, estabelecem importantes relações do indivíduo com o universo que o cerca e estudos comprovam que as crianças se desenvolvem brincando, seja entre elas, com adultos ou objetos. Segundo Kishimoto (1993), “os jogos tradicionais deixam de ter sua característica básica, a de veicular livremente a cultura infantil, ao priorizar aspectos educativos quando utilizados pela escola.” A criança traz consigo valores estéticos, fantasias e imaginário, por isso, como educadores, devemos nos apropriar de todas essas possibilidades para, por meio de experiências musicais, ampliar o aprendizado da criança. É preciso vincular o que ela traz consigo a novas possibilidades, estimulando faculdades sensoriais, novas perspectivas, criando e fazendo música, brincando, aprendendo e reaprendendo. Por meio de tudo isso, podemos ensinar a contar, dias da semana, reforçar conceitos, rimar palavras, seja por meio de cantar, ouvir, repetir, dançar, bater palmas, acompanhar canções com instrumentos musicais ou por meio de repetições ou da criação livre. Quadro 2 – Diferentes manifestações culturais PARLENDAS São rimas infantis que auxiliam em assimilar conceitos. LENDAS Conjuntos de contos, histórias narradas, transmitidas oralmente. ADIVINHAS Perguntas engraçadas, “O que é, o que é? MÚSICAS FOLCLÓRICAS Canções tradicionais e folclóricas. MÚSICAS DE NINAR Canções feitas para bebês dormirem. CANTIGAS DE RODA Canções para serem cantadas em roda. TRAVA-LÍNGUAS Jogo verbal que consiste em dizer as palavras corretamente e com rapidez. Vejamos a seguir alguns exemplos dessas manifestações culturais. 12 Parlenda: viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu (pode ser feita com copos com ritmo acompanhando). Lendas: o professor pode escolher canções instrumentais para acompanhar as histórias ou utilizar instrumentos para criar uma trilha sonora com a turma.Adivinhas: fazer as perguntas do O que é, o que é? e as respostas podem utilizar acompanhamentos de percussão. Todos me pisam, Mas eu não piso em ninguém; Todos perguntam por mim, E eu não pergunto por ninguém. Resposta: O caminho Todo mundo leva, Todo mundo tem, Porque a todos lhes dão um Quando ao mundo vem. Resposta: O nome Cantigas de ninar: cantar as melodias com a turma (ex.: Nana neném, Boi da cara preta). Aproveitar para fazer nos momentos de relaxamento. Músicas folclóricas: cantar com utilização de instrumentos de percussão para acompanhamentos: Pombinha branca, O cravo e a rosa, Alecrim, Marinheiro só etc. Cantigas de roda: fazer as rodas e cantar, fazendo os movimentos: Ciranda, cirandinha, Roda, roda, roda, Peixe vivo, Cirandeiro etc. Trava-línguas: pensar em transformar os versos em frases mais rítmicas e/ou melódicas. Pensar e criar suas próprias ideias, contando com a participação da turma. Exemplos: • A aranha arranha a rã. • O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem. • Se percebeste, percebeste. • O rato roeu a rica roupa do rei de Roma. NA PRÁTICA 13 A prática começa com aquilo que cada aluno carrega dentro de si. Para refletir sobre o tema abordado, algumas perguntas são propostas: quais músicas a sua mãe cantava para você? Sua vó já contou uma lenda? Você sabe o que é uma lenda? Qual era sua música favorita quando criança?1 Você já brincou de roda? Conhece algum trava-língua? São inúmeras as possibilidades de perguntas e respostas que nos auxiliam a aplicar o conteúdo de forma prática. Da coleção de respostas, aplicamos experiências com a turma. Minha Infância, vamos praticar? Pode ser a sua? Pode ser a de todos os alunos... Seguem alguns exemplos. Canções: Nana Neném (folclore) (Solfejar a melodia, cantar com a letra) A Nana, neném D E Que a Cuca vai pegar Bm A Papai foi pra roça E A Mamãe foi passear A D E Saia gatinho de cima do telhado Bm A E A Deixa essa menina dormir sossegada Boi, boi, boi, boi da cara preta Pega essa menina que tem medo de careta Objetivos: solfejar as melodias que marcaram a infância com as crianças, cantar cada um individualmente e depois todos juntos. Lembrar as crianças que algumas canções são feitas para dançar e brincar, enquanto outras são para relaxar e descansar o corpo, por exemplo, os acalantos. Ao 1 Ou hoje (depende do público). 14 final das aulas de música, é interessante utilizar uma canção de relaxamento para que as crianças possam, conforme espaço físico, deitar, fechar os olhos e utilizar bolinhas pequenas para massagear o corpo. Nesse momento, o professor pode brincar delicadamente com objetos, como penas e pincéis. Marcha Soldado (folclore) (Fazer a dobradura do chapéu com jornal, cantar marcando o ritmo com os pés): C Marcha soldado G Cabeça de papel F Quem não marchar direito G C Vai preso pro quartel C O quartel pegou fogo G São Francisco deu sinal F Acode, acode, acode G C A bandeira nacional Objetivos: aprender ou relembrar essa canção melodicamente, depois, utilizar a marcação da marcha, compasso binário, nos acentos forte (tempo 1) e fraco (tempo 2), reforçando que, com nosso corpo, podemos fazer música, cantar e fazer ritmos com palmas, pés, estalos etc. Fazer uma fila e cantar marchando com todas as crianças. Ciranda Cirandinha (Folclore) (Fazer uma roda, dar as mãos, cantar) F C Ciranda, cirandinha 15 Bb C F Vamos todos cirandar Bb C Vamos dar a meia volta Bb C F Volta e meia, vamos dar F C O anel que tu me deste Bb C F Era vidro e se quebrou Bb C O amor que tu me tinhas Bb C F Era pouco e se acabou F C Por isso Dona Chica Bb F Entre dentro dessa roda Bb C Diga um verso bem bonito: Bb C F Diga adeus e vá-se embora Batatinha quando nasce esparrama pelo chão Menininha quando dorme põe a mão no coração Peixinho dourado, peixinho do rio, Peixinho dourado, passou ninguém viu Objetivos: cantar e girar, prestando atenção nos movimentos coletivos e no seu individualmente. Aprender e/ou relembrar versinhos, pensar nas rimas (combinações de sons das palavras). Realizar a ciranda, aprendendo e cantando melodia, associar o pulso ao movimento. 16 Brincadeiras Passa Anel As crianças sentam lado a lado e escolhem alguém para ser o passador (que esconderá um anel na palma das mãos) e outra pessoa para descobrir. Todos devem juntar as mãos como se estivessem orando, o passador passará as mãos nas mãos de todas crianças e deixará o anel em uma delas. A criança que ganhou o anel deve mantê-lo escondido, em segredo. O passador perguntará para a criança com quem está o anel, se ela acertar, será o novo passador, se errar, sairá do jogo e o passador perguntará para outra criança até alguém acertar. Objetivos: criar uma intervenção musical enquanto é feita a passagem do anel. Exemplos: Passa passa, passa anel ou Onde será? Com quem será? Que o anel estará? Serra-serra (Colocar uma criança sentada de frente para a outra, segurar as mãos esticadas e fazer o movimento da serra com o corpo): Serra-serra serrador Serra o papo do vovô Quantas tábuas já serrou? 25 sim senhor Objetivos: pensando no ritmo, fazer movimento do corpo nos tempos, como a serra, um deles no ímpar e outro no par – 1, 2, 3 e 4 – cantar sem perder o movimento dentro do tempo proposto. É possível fazer variações do tempo. Parlendas O sapo e o saco (Brincar com objetos: saco e sapo) Olha o sapo dentro do saco O saco com o sapo dentro O sapo batendo papo E o papo do sapo soltando vento. 17 Objetivos: brincar com o ritmo, batendo palmas. Na palavra sapo (bater palmas, colcheias), na palavra saco (bater os pés colcheias) e papo (bater com as mãos nas bochechas colcheias). Uni duni tê (Ficar em roda, uma criança vai ao meio, cantam e escolhem alguém do círculo, onde a música parar indicará a escolha): Uni duni tê Salamê Minguê O sorvete colorê O escolhido foi você Minha mãe mandou Minha mãe mandou eu escolher este daqui Mas como eu sou teimosa eu vou escolher este daqui Objetivos: brincar com o ritmo, explorando sons corporais (palmas e pés) e o ritmo das palavras. Um, dois Um, dois, feijão com arroz Três, quatro, feijão no prato Cinco, seis, falar francês, Sete, oito, comer biscoito, Nove, dez, comer pastéis. Trava-línguas • A aranha arranha a rã. ... • O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem. • Se percebeste, percebeste. ... • O Rato roeu a rica roupa do rei de Roma. Objetivos: Criar frases de percussão com alunos, criar possibilidades melódicas, perceber e executar variações de tempo. Lenda do Saci 18 (Fazer uma roda e pedir que cada um que desejar conte uma lenda que conhece) Essa lenda é uma das mais difundidas no Brasil. Segundo muitos autores, o Saci é um menino travesso, negro, que possui apenas uma perna, usa uma carapuça ou gorro vermelho na cabeça. Ao Saci Pererê são atribuídas as coisas que dão errado e que desaparecem. Quando não são encontradas, a culpa é do Saci! Objetivos: Ouvira lenda com uma trilha musical pronta, escolhida pelo professor, falar sobre sentimentos que a música transmite, durante a conversa com os alunos, fazer os alunos pensarem nas sensações, desenhos e músicas que escutam, pensar na lenda e na trilha sonora. Criar com a turma intervenções com instrumentos durante a lenda contada. Partindo do que cada um carrega dentro de si – experiências e aprendizados – é possível construir um amplo repertório com os alunos. Por questões de afetividade, eles também demonstram grande interesse em saber coisas, fatos, histórias e canções que marcaram a nossa vida e que, muitas vezes, se repetem na história da vida deles. É interessante também pedir que os alunos pesquisem sobre a família deles (com mãe, avós, pai, tios, tias) sobre repertório e infância de cada um e que compartilhem essas experiências e que o professor direcione perguntas, pedindo que eles registrem essas entrevistas por meio de anotações, desenhos, objetos, fotos, brinquedos da época em os familiares viveram e, se for possível, gravar entrevistas ou áudios da maneira como os entrevistados faziam canções. Outra opção é a escola trazer avós (família) para sala de aula, para contar sobre seu repertório cultural e fazer, junto com a turma, uma música, ciranda, trava-língua, parlenda, entre outros, para compartilhar um pouco de história, experiências e reviver momentos da infância com os alunos. FINALIZANDO O objetivo desta aula foi compreender a importância da cultura popular na formação da identidade cultural de um povo, com foco no Brasil e em sua ampla diversidade, devido à miscigenação cultural que gerou um vasto repertório. Para isso, pensamos na história da nossa nação. Primeiro, vimos os 19 povos indígenas, com suas informações e influências, ritmos, palavras, brincadeiras, músicas e modo de viver. Posteriormente, a chegada dos portugueses, com suas bagagens culturais, músicas, instrumentos musicais mais desenvolvidos, modo de pensar e viver, fazer música etc. Depois, a chegada dos africanos, que também trouxeram experiências, ritmos e instrumentos específicos. Da mistura dessas três vertentes, temos o patrimônio cultural brasileiro. Vimos que o patrimônio imaterial envolve resultados de ordem não palpável, produzidos ao longo de toda história, sendo expressões artísticas como música, teatro, dança, folclore e brincadeiras infantis, as quais nem sempre mensuráveis ou contam registros precisos de gravações, mas que são resgatadas e transmitidas de geração em geração por meio de memórias e de vivências nas famílias e meio social. É uma herança deixada de pais para filhos por meio de brincadeiras, jogos e canções. Devido às misturas de várias etnias, fatores geográficos e históricos, cada região do Brasil apresenta características específicas – festas populares, músicas, brincadeiras, instrumentos e tantas variedades que marcam a identidade do país e da região, o que atrai turistas para participar de trocas de experiências culturais. Analisamos também o folclore brasileiro, com lendas envolvendo os povos de maior influência (índios, portugueses e africanos), crenças, ideias, personagens e histórias que são resultado de criações coletivas e individuais, compondo raízes e ganhando peculiaridades em cada estado. Vimos que o folclore inclui mitos, lendas, contos, cerimônias religiosas, brincadeiras, adivinhações, orações, danças, cantorias, festas, trava-línguas, músicas, expressões próprias de diferentes localidades. Como educadores, precisamos utilizar a riqueza dessas ferramentas para intensificar o aprendizado musical, prezando pela manutenção de toda essa bagagem construída ao longo da história do povo brasileiro. Para isso, devemos estudar fatos, regiões e músicas, trazendo experiências, construindo valores, mantendo viva a identidade cultural brasileira. É importante também refletirmos sobre as mudanças no modo de viver e pensar na atualidade e resgatar valores e o aprendizado deixado pelas gerações do passado, vivendo intensamente nosso presente e, ao mesmo tempo, deixando um legado rico 20 para as gerações futuras. Devemos manter memórias, criar e recriar a cultura musical na infância. O universo lúdico nos permite, por meio da imaginação, viajar para qualquer estado brasileiro, qualquer período da história, sem sair do lugar. Podemos ser qualquer personagem (índio, saci, português, dançarino, cantor) na jornada das histórias incríveis vividas pela humanidade, conhecendo o Brasil de norte a sul, através da imensidão do nosso patrimônio cultural, construindo valores e memórias internas e externas que nos permitem reviver tempos e momentos. Como educadores, é possível aprender e reaprender por meio dela: a música. Fonte: Erica Catarina Pontes/Shutterstock. Fonte: Erica Catarina Pontes/Shutterstock. 21 REFERÊNCIAS ALEM, N Obra em domínio público: pode tudo? Instituto Ideia, 30 jan. 2019. Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2020. BRASIL. Lei n. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2020. BROUGÈRE, G. A criança e a cultura lúdica. In: KISHIMOTO, T. M. (org.) O brincar e suas teorias. São Paulo: Editora Pioneira, 1998. DIANA, D. Cultura Popular. Toda a Matéria. Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2020. IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Patrimônio Imaterial. Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2020. KISHIMOTO, T. M. Jogos tradicionais infantis. Petrópolis: Editora Vozes, 1993. TURNER, J. H. Sociologia conceitos e aplicações. São Paulo: Editora Markon, 1994. VILHENA, L. R. Projeto e missão: o movimento folclórico brasileiro, 1947- 1964. Rio de Janeiro, Funarte, 1997.