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Professor(a) Me. Francilene Bernardo Cordeiro Rôas SERVIÇO SOCIAL, PREVIDÊNCIA, ASSISTÊNCIA E SAÚDE SOCIAL REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Hugo Batalhoti Morangueira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira Carlos Henrique Moraes dos Anjos Kauê Berto Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP R628s Rôas, Francilene Bernardo Cordeiro Serviço social, previdência, assistência e saúde social / Francilene Bernardo Cordeiro Rôas. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 93 p.: il. Color. 1. Serviço social. 2. Assistência social. 3. Seguridade social. 4. Previdência social. 5. Assistentes sociais. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23 ed. 361.3 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock . 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ 3 AUTOR Professor(a) Me. Francilene Bernardo Cordeiro Rôas] Doutoranda em Serviço Social e Políticas Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL); Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); Especialista em Gestão Hospitalar pelo Centro Universitário Leonardo Da Vinci (UNIASSEL- VI); Especialista em Gestão de Políticas e Serviço Social pelo Centro Universitário Leonardo Da Vinci (UNIASSELVI); Especialista em Gestão do Sistema Único de Assistência Social pelo Centro Universitário Leonardo Da Vinci (UNIASSELVI); Graduada em Administração pela Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR); e Graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica; É integrante suplente do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) de Paranavaí, Estado do Paraná; Servidora Pública da Prefeitura Municipal de Paranavaí, atua na função de Assistente Social e no cargo de Coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social; é Tutora dos cursos de gestão do Centro Universitário Leonardo Da Vinci (UNIASSELVI). CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/7102763319174836 http://lattes.cnpq.br/7102763319174836 4 Olá, acadêmico (a)! Seja bem-vindo (a) ao estudo desta disciplina! Trata-se da disciplina de Serviço Social, Previdência, Assistência e Saúde Social, relevante para a atuação profissional do Assistente Social. Pois, ela aborda aspectos perti- nentes para a compreensão da seguridade social, um sistema protetivo, formulado a partir da redemocratização do Brasil e que ainda se encontra vigente nesse país, abrangendo as políticas de saúde, previdência e assistência social. Com o estudo desta disciplina, conhe- ceremos as particularidades desse sistema e de suas políticas. Para tanto, esta apostila está dividida em quatro unidades, orientadas, principal- mente, pelas políticas que formam a seguridade social. Na primeira unidade, apresentarei a você o conceito e o processo histórico da seguridade social, seus princípios e suas fontes jurídicas; na segunda unidade, o contexto histórico da previdência social no Brasil e no mundo, a Lei 8.213/91, os direitos previdenciários e atuação profissional do Assistente Social na esfera previdenciária. Por fim, não menos importante, na quarta unidade, você conhecerá o contexto histórico da saúde no Brasil, as leis 8080/1990 e Lei 8142/1990, assim como, a atuação profissional do Assistente Social na política de saúde. Ao concluir o estudo presente nesta apostila, você estará capacitado para a compreensão da seguridade social por completo. Dessa forma, espero contribuir para a sua formação! Bons estudos! APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 5 UNIDADE 4 A Saúde: História, Leis e a Atuação do Assistente Social A Assistência Social: Processo Histórico, Legislações e Atuação Profissional do Assistente Social UNIDADE 3 A Previdência Social: Aspectos Históricos, Conceituais, Legais e Atuação Profissional do Assistente Social UNIDADE 2 Proteção Social e Seguridade Social: Conceito e Processo Histórico UNIDADE 1 SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Conceito e o processo histórico da Seguridade Social; • Princípios da Seguridade Social; • Fontes Jurídicas da Seguridade Social. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar a Seguridade Social; • Compreender os princípios da Seguridade Social; • Conhecer as Fontes Jurídicas da Seguridade Social. Professor(a) Me. Francilene Bernardo Cordeiro Rôas PROTEÇÃO SOCIAL E PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOHISTÓRICO1UNIDADEUNIDADEdireitos de previdência social, o ano de 1935 foi importante para a Alemanha. A Constituição de Weimar, desse país, institui normas de proteção ao traba- lhador, determinando que o Estado se responsabilizasse pela subsistência daqueles que não eram inseridos no mercado de trabalho. Dessa forma, o poder público deveria ofertar trabalho ou indenizar os desempregados. Nesse mesmo ano, ganha relevância os direitos previdenciários dos Estados Unidos da América. Isso porque se criou um plano, chamado “Welfare State”, em busca de sair da crise econômica que afetava esse país, e consequentemente, todo o mundo, baseado em igualdade e pleno emprego, estimulando, assim, o consumo e a circulação de moeda. Além disso, criavam-se as primeiras formas desse país de subsidiar os idosos, desempregados e temporariamente desempregados. Após a Segunda Guerra Mundial, propriamente em 1945, alguns países elabora- ram estratégias para se reconstruir a pós-crise. Nesse sentido, em 1942, William Beveridge elaborou o “Report on Social Insurance and Allied Services”, mais conhecido como Plano Beveridge, propondo que os benefícios previdenciários (para as viúvas, doentes, refor- mados ou desempregados) fossem financiados pelas contribuições daqueles que podiam trabalhar e, sobretudo, pelo Estado. Esse plano entendia o acesso à previdência social como direito daqueles que contribuíram e não como uma ajuda do Estado. Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 25, aborda, entre outros assuntos, a segurança previdenciária, a saber: Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle (BRASIL, 1948, grifo nosso). Portanto, a história da previdência social no mundo foi um processo que ainda está em construção com constantes reformas. Inicialmente, ela tinha seu caráter assistencialista, se tornando, com o tempo, uma política pública de direito garantida e regulamentada por leis universais. As características da previdência universal são refletidas na brasileira, como estudaremos a seguir. O Welfare State foi um marco da criação da previdência social, mas também das políticas sociais. 36 SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL CONTEXTO HISTÓRICO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL NO BRASIL2 TÓPICO O processo histórico de construção do sistema previdenciário brasileiro envolveu, e ainda envolve, algumas exclusões. A história é marcada pelas reformas, que excluíram, e continuam excluindo direitos, sendo, para nós Assistentes Sociais e sociedade em geral, uma pauta de luta a defesa a igualdade o acesso à previdência social do Brasil. A própria natureza contributiva dessa política resulta no alcance não universal da população. A história brasileira da previdência é marcada por iniciativas organizacionais aos seus trabalhadores. Entre elas destaca-se o plano da marinha, chamado de Montepio dos Oficiais do Corpo da Marinha, criado em 23 de setembro de 1795, que previa uma contribuição de seus oficiais para que após seu óbito, sua viúva e órfãos recebessem um tipo de auxílio finan- ceiro. Esse benefício foi instituído para incentivar a dedicação às causas da nação brasileira. Aos 04 dias do mês de janeiro de 1823, os militares também receberam direito a um benefício semelhante. Propriamente, nessa data, o Estado forneceu um auxílio financeiro às pessoas viúvas e aos herdeiros dos militares que guerrearam pela independência do Brasil, visando, sobretudo, incentivar a dedicação às causas nacionais. Posteriormente, no dia 15 desse mesmo mês e ano, os militares da armada também receberam o direito a esse benefício. No século XIX, outros acontecimentos também marcaram a história da previdência social, observe o quadro a seguir: 37UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL QUADRO 1 – ACONTECIMENTOS DO SÉCULO XIX RELACIONADOS A HISTÓRIA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ANO ACONTECIMENTO 1841 o Governo, reconhecendo a necessidade de regular, ordenar e equiparar as duas instituições militares, baixou algumas normas procurando uniformizar os seus procedimentos. Começou com o Decreto nº 260, de 1841, que mandou organizar os quadros dos oficiais do Exército e da Armada no prazo de um ano, com designação do número de oficiais que devia haver em cada posto, soldos, etc. A partir daí, até 1895, apesar das grandes mudanças vividas pela nação neste período, ocorreram alterações de pequena importância quanto às legislações dos pensionistas militares. 1847 o Decreto nº 521 estabeleceu que as filhas solteiras continuariam a receber o meio soldo, mesmo depois de casadas, uniformizando os Planos do Exército e da Marinha. 1890 O Decreto nº 695, de 28 de agosto de 1890, criou o montepio similar ao da marinha para as famílias dos oficiais do Exército, sem invalidar o meio soldo concedido pela lei de 6 de no- vembro de 1827. 1892 O Decreto nº 1.054, de 20 de setembro de 1892, estabeleceu regras de contribuição para o meio soldo e o montepio dos Oficiais do Exército. 1895 Finalmente, a Lei nº 288, de 6 de agosto de 1895, equiparou o montepio dos Oficiais da Armada (1795) ao dos Oficiais do Exército, unificando as vantagens concedidas às duas ins- tituições quanto ao meio soldo e ao montepio, corrigindo algumas distorções existentes nas legislações anteriores, e estabelecendo a universalidade das contribuições. Fonte: Oliveira (2020, s/p). Mas, o ponto de partida para a previdência com uma característica mais seme- lhante ao que está em vigência no momento nos remete a Lei Eloyn Chaves. Essa lei, criada no dia 24 de janeiro de 1924, instituiu as Caixas de Aposentadoria e Pensão para os profissionais considerados necessários para a moeda circular na economia, como os marítimos, industriários, ferroviários e bancários. Essas caixas permitiam o acesso desses trabalhadores a aposentadorias, pensões, assistência médica – financiados pelo Estado. Na década de 1930, intensifica-se o processo de industrialização e a regulação do Estado nas relações entre capital e trabalho. Por isso, as Caixas de Aposentadorias e Pensões foram substituídas pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões, sendo a primeira, A Lei Eloy Chaves é tão importante para a Previdência Social que o dia da sua criação, 24 de janeiro de 1924, é comemorado o aniversário da previdência social no Brasil. 38UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL criada em 1933, destinada aos Marítimos, e, posteriormente, em 1934 aos comerciários, bem como, em 1935 bancários, 1938 industriários e transportadores de cargas. Dessa forma, abrangiam-se mais profissionais em todo o território nacional. O acesso aos benefícios previstos por essa instituição estava vinculado com uma prévia contribuição, seguindo o princípio da equidade. Dessa forma, aqueles que contribuí- ram com maior valor tinham mais acesso aos diferentes benefícios, tal que a assistência médica, esses valores arrecadados eram utilizados para cobrir os auxílios fornecidos para quem necessitasse se afastar de suas atividades laborativas. Tratava-se de um elevado va- lor, haja vista que poucas pessoas conseguiam se afastar do trabalho, por isso, ele também era utilizado pelo governo para fazer seus investimentos. No ano de 1960, um sistema unificado para as categorias profissionais do ramo privado foi criado por meio da Lei Orgânica da Previdência Social. Essa lei realizou a junção das nor- mas legais aos diferentes profissionais, diminuindo as desigualdades existentes entre eles no que tange ao acesso à política de previdência social. Nessa mesma década, especificamenteem 1966, o Instituto de Aposentadorias e Pensões foi substituído pelo Instituto Nacional de Previdência Social – INPS – que era unificado e não se separava por categorias profissionais. Na década de 1970, momento da ditadura militar, os benefícios previdenciários se ampliam. Foram criados vários auxílios (tais como salário-família e salário-maternidade), os ampliaram para as diversas categorias profissionais existentes que ainda não eram cobertos por essa política pública, bem como, flexibilizou alguns critérios para acessar os direitos previdenciários. Parece um paradoxo pensar que no período da ditadura a previ- dência social teve avanços, porém, precisamos refletir que isso ocorreu pelo fato de que era necessário amenizar as tensões. Contudo, na mesma década, alguns retrocessos marcaram a história da previdên- cia social. Em 1974, criou-se o Ministério da Previdência e Assistência Social, e, em 1977, o Sistema Nacional de Previdência e Assistência (visando, sobretudo, reduzir as despesas e tornar a gestão mais racional), no qual instituiu o Instituto Nacional de Assistência Médica para tratar especificamente do direito à assistência médica. Cabe ressaltar que esse siste- ma, para atingir seu objetivo, limitou o acesso a alguns direitos previdenciários existentes. Na década de 1980, com o fim da ditadura militar, o processo de redemocratização brasileira e a criação da Constituição Federal de 1988, a previdência social obteve avan- ços, entre os quais destacam-se: a igualdade de acesso entre os trabalhadores urbanos e rurais, a junção dessa política com a saúde e assistência social na formação de um sistema de proteção social denominado seguridade social; e o estabelecimento de princípios e responsabilização do financiamento desse sistema, já estudado na unidade anterior. Cabe 39UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL ressaltar que após a promulgação dessa constituição, a previdência social obteve avanços e retrocessos, mas o sistema vigente está nessa carta magna. O processo histórico de construção do sistema previdenciário brasileiro envolveu, e ainda envolve, algumas exclu- sões. A história é marcada pelas reformas, que excluíram, e continuam excluindo direitos, sendo, para nós Assistentes Sociais e sociedade em geral, uma pauta de luta a defesa a igualdade o acesso à previdência social do Brasil. A própria natureza contributiva dessa política resulta no alcance não universal da população. A história brasileira da previdência é marcada por iniciativas organizacionais aos seus trabalhadores. Entre elas destaca-se o plano da marinha, chamado de Montepio dos Oficiais do Corpo da Marinha, criado em 23 de setembro de 1795, que previa uma contribuição de seus oficiais para que após seu óbito, sua viúva e órfãos recebessem um tipo de auxílio finan- ceiro. Esse benefício foi instituído para incentivar a dedicação às causas da nação brasileira. Aos 04 dias do mês de janeiro de 1823, os militares também receberam direito a um benefício semelhante. Propriamente, nessa data, o Estado forneceu um auxílio financeiro às pessoas viúvas e aos herdeiros dos militares que guerrearam pela independência do Brasil, visando, sobretudo, incentivar a dedicação às causas nacionais. Posteriormente, no dia 15 desse mesmo mês e ano, os militares da armada também receberam o direito a esse benefício. No século XIX, outros acontecimentos também marcaram a história da previdência social, observe o quadro a seguir: QUADRO 1 – ACONTECIMENTOS DO SÉCULO XIX RELACIONADOS A HISTÓRIA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ANO ACONTECIMENTO 1841 o Governo, reconhecendo a necessidade de regular, ordenar e equiparar as duas instituições militares, baixou algumas normas procurando uniformizar os seus procedimentos. Começou com o Decreto nº 260, de 1841, que mandou organizar os quadros dos oficiais do Exército e da Armada no prazo de um ano, com designação do número de oficiais que devia haver em cada posto, soldos, etc. A partir daí, até 1895, apesar das grandes mudanças vividas pela nação neste período, ocorreram alterações de pequena importância quanto às legislações dos pensionistas militares. 1847 o Decreto nº 521 estabeleceu que as filhas solteiras continuariam a receber o meio soldo, mesmo depois de casadas, uniformizando os Planos do Exército e da Marinha. 1890 O Decreto nº 695, de 28 de agosto de 1890, criou o montepio similar ao da marinha para as famílias dos oficiais do Exército, sem invalidar o meio soldo concedido pela lei de 6 de no- vembro de 1827. 1892 O Decreto nº 1.054, de 20 de setembro de 1892, estabeleceu regras de contribuição para o meio soldo e o montepio dos Oficiais do Exército. 1895 Finalmente, a Lei nº 288, de 6 de agosto de 1895, equiparou o montepio dos Oficiais da Armada (1795) ao dos Oficiais do Exército, unificando as vantagens concedidas às duas ins- tituições quanto ao meio soldo e ao montepio, corrigindo algumas distorções existentes nas legislações anteriores, e estabelecendo a universalidade das contribuições. Fonte: Oliveira (2020, s/p). 40UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL Mas, o ponto de partida para a previdência com uma característica mais seme- lhante ao que está em vigência no momento nos remete a Lei Eloyn Chaves. Essa lei, criada no dia 24 de janeiro de 1924, instituiu as Caixas de Aposentadoria e Pensão para os profissionais considerados necessários para a moeda circular na economia, como os marítimos, industriários, ferroviários e bancários. Essas caixas permitiam o acesso desses trabalhadores a aposentadorias, pensões, assistência médica – financiados pelo Estado. Na década de 1930, intensifica-se o processo de industrialização e a regulação do Estado nas relações entre capital e trabalho. Por isso, as Caixas de Aposentadorias e Pensões foram substituídas pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões, sendo a primeira, criada em 1933, destinada aos Marítimos, e, posteriormente, em 1934 aos comerciários, bem como, em 1935 bancários, 1938 industriários e transportadores de cargas. Dessa forma, abrangiam-se mais profissionais em todo o território nacional. O acesso aos benefícios previstos por essa instituição estava vinculado com uma prévia contribuição, seguindo o princípio da equidade. Dessa forma, aqueles que contribuí- ram com maior valor tinham mais acesso aos diferentes benefícios, tal que a assistência médica, esses valores arrecadados eram utilizados para cobrir os auxílios fornecidos para quem necessitasse se afastar de suas atividades laborativas. Tratava-se de um elevado va- lor, haja vista que poucas pessoas conseguiam se afastar do trabalho, por isso, ele também era utilizado pelo governo para fazer seus investimentos. No ano de 1960, um sistema unificado para as categorias profissionais do ramo privado foi criado por meio da Lei Orgânica da Previdência Social. Essa lei realizou a junção das nor- mas legais aos diferentes profissionais, diminuindo as desigualdades existentes entre eles no que tange ao acesso à política de previdência social. Nessa mesma década, especificamente em 1966, o Instituto de Aposentadorias e Pensões foi substituído pelo Instituto Nacional de Previdência Social – INPS – que era unificado e não se separava por categorias profissionais. Na década de 1970, momento da ditadura militar, os benefícios previdenciários se ampliam. Foram criados vários auxílios (tais como salário-família e salário-maternidade), os ampliaram para as diversas categorias profissionais existentes que ainda não eram A Lei Eloy Chaves é tão importante para a Previdência Social que o dia da sua criação, 24 de janeiro de 1924, é comemorado o aniversário da previdência social no Brasil. 41UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL cobertospor essa política pública, bem como, flexibilizou alguns critérios para acessar os direitos previdenciários. Parece um paradoxo pensar que no período da ditadura a previ- dência social teve avanços, porém, precisamos refletir que isso ocorreu pelo fato de que era necessário amenizar as tensões. Contudo, na mesma década, alguns retrocessos marcaram a história da previdên- cia social. Em 1974, criou-se o Ministério da Previdência e Assistência Social, e, em 1977, o Sistema Nacional de Previdência e Assistência (visando, sobretudo, reduzir as despesas e tornar a gestão mais racional), no qual instituiu o Instituto Nacional de Assistência Médica para tratar especificamente do direito à assistência médica. Cabe ressaltar que esse siste- ma, para atingir seu objetivo, limitou o acesso a alguns direitos previdenciários existentes. Na década de 1980, com o fim da ditadura militar, o processo de redemocratização brasileira e a criação da Constituição Federal de 1988, a previdência social obteve avan- ços, entre os quais destacam-se: a igualdade de acesso entre os trabalhadores urbanos e rurais, a junção dessa política com a saúde e assistência social na formação de um sistema de proteção social denominado seguridade social; e o estabelecimento de princípios e responsabilização do financiamento desse sistema, já estudado na unidade anterior. Cabe ressaltar que após a promulgação dessa constituição, a previdência social obteve avanços e retrocessos, mas o sistema vigente está nessa carta magna. 42 SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL LEGISLAÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL: LEI 8.213/913 TÓPICO As políticas públicas possuem fontes jurídicas, como estudamos na unidade I dessa disciplina. Entre aquelas que criam normas legais para organizar a política de previdência social, destaca-se a Lei 8.213 de 24 de Julho de 1991, na qual dispõe sobre os “Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências”. Por compreendemos como importante, estudaremos algumas considerações importantes sobre essa lei. A lei 8.213 de 24 de Julho de 1991, artigo 1º, explica que a política de previdência social tem como finalidade garantir meios para a subsistência humana diante de algumas con- tingências, sendo elas a “incapacidade, desemprego involuntário, idade avançada, tempo de serviço, encargos familiares e prisão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente” (BRASIL, 1991, s/p). De acordo com essa lei, essa política demanda uma prévia contribuição. A política de previdência social é regida e organizada pelos seguintes princípios e benefícios: I - universalidade de participação nos planos previdenciários; II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios; IV - cálculo dos benefícios considerando-se os salários-de-contribuição corrigidos monetaria- mente; V - irredutibilidade do valor dos benefícios de forma a preservar-lhes o poder aquisitivo; VI - valor da renda mensal dos benefícios substitutos do salário-de-contribuição ou do rendimento do trabalho do segurado não inferior ao do salário mínimo; VII - previdência complementar facultativa, custeada por contribuição adicional; VIII - caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação do governo e da comunidade, em especial de trabalhadores em atividade, empregadores e aposentados (BRASIL, 1991, s/p). 43UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL O órgão superior que realiza deliberações relacionadas à política de previdência so- cial é o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS). Ele é composto obrigatoriamente por seis membros governamentais a nível federal e nove da sociedade civil, sendo “três representantes dos aposentados e pensionistas; três representantes dos trabalhadores em atividade; três representantes dos empregadores”. As decisões desse órgão devem sempre ser publicizadas em Diário Oficial da União (BRASIL,1991, s/p). Existem dois regimes de previdência social, sendo eles: Regime Geral de Pre- vidência Social e o Regime Facultativo Complementar de Previdência Social. A principal diferença entre eles é que o Regime Geral de Previdência Social cobre todas as contingên- cias destacadas artigo 1º da lei 8.213 de 1991 (já estudada anteriormente) com exceção do desemprego involuntário; já o Regime Facultativo Complementar de Previdência Social, foco de outra lei, busca proporcionar uma proteção a mais aos aposentados. Para atingir seus objetivos, no primeiro regime citado, tem-se benefícios que são tratados nessa lei e será objeto de discussão do tópico a seguir (BRASIL,1991). 44 SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL DIREITOS PREVIDENCIÁRIOS4 TÓPICO Para proporcionar proteção social diante de determinadas contingenciais relaciona- das ao trabalho, a lei 8.213 de 1991 prevê a oferta de alguns benefícios. No Regime Geral de Previdência Social, está previsto a Aposentadoria por invalidez, idade, tempo de serviço e especial, bem como, auxílio-doença, salário-família e maternidade, pensão por morte, auxílio-reclusão e acidente. Esses benefícios são concedidos conforme as demandas apre- sentadas, vamos conhecê-los! O quadro a seguir apresenta o conceito e as principais especificidades dos benefí- cios previstos na lei 8.213 de 1991: QUADRO 2 – BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS PREVISTOS NA LEI 8.213 DE 1991 BENEFÍCIOS CONCEITO PERÍODO DE CARÊNCIA Aposentadoria por In- validez Uma vez cumprida, quando for o caso, a carên- cia exigida, será devida ao segurado que, estan- do ou não em gozo de auxílio-doença, for con- siderado incapaz e insusceptível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e ser-lhe-á paga enquanto perma- necer nesta condição. A concessão de aposen- tadoria por invalidez dependerá da verificação da condição de incapacidade mediante exame médico-pericial a cargo da Previdência Social, podendo o segurado, às suas expensas, fazer- -se acompanhar de médico de sua confiança. A doença ou lesão de que o segurado já era porta- dor ao filiar-se ao Regime Geral de Previdência Social não lhe conferirá direito à aposentadoria por invalidez, salvo quando a incapacidade so- brevier por motivo de progressão ou agravamen- to dessa doença ou lesão. 12 (doze) contribuições mensais 45UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL Aposentadoria por Idade Será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida nesta Lei, completar 65 (ses- senta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta), se mulher. [...] Os limites fixados no caput são reduzidos para sessenta e cinquenta e cinco anos no caso de trabalhadores rurais, respectivamente homens e mulheres. 180 contribuições mensais Aposentadoria por Tempo de Serviço Será devida, cumprida a carência exigida nes- ta Lei, ao segurado que completar 25 (vinte e cinco) anos de serviço, se do sexo feminino, ou 30 (trinta) anos, se do sexo masculino. A aposentadoria por tempo de serviço, [...], con- sistirá numa renda mensal de: I - para a mulher: 70% (setenta por cento) do salário-de-benefício aos 25 (vinte e cinco) anos de serviço, mais 6% (seis por cento) deste, para cada novo ano completo de atividade, até o máximo de 100% (cem por cento) do salário-de-benefício aos 30 (trinta) anos de serviço; II - para o homem: 70% (setenta por cento) do salário-de-benefício aos 30 (trinta) anos de serviço, mais 6% (seis por cento) deste, para cada novo ano completo de atividade, até o máximo de 100% (cem por cen- to) do salário-de-benefício aos 35 (trinta e cinco) anos de serviço. 180 contribuições mensais Aposentadoria Espe- cial Será devida, uma vez cumprida a carência exi- gida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridadefísica, durante 15 (quin- ze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, confor- me dispuser a lei. 180 contribuições mensais Auxílio-Doença Será devido ao segurado que, havendo cum- prido, quando for o caso, o período de carência exigido nesta Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos. § 1º Não será devido o auxílio-doença ao segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador da doença ou da lesão invocada como causa para o benefício, exceto quando a incapacidade sobrevier por motivo de progres- são ou agravamento da doença ou da lesão. 12 (doze) contribuições mensais Salário-Família Será devido, mensalmente, ao segurado empre- gado, inclusive o doméstico, e ao segurado traba- lhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados [...]. O valor da cota do salário-família por filho ou equiparado de qualquer condição, até 14 (quatorze) anos de idade ou inválido de qualquer idade é de: I - Cr$ 1.360,00 (um mil trezentos e sessenta cruzeiros), para o segurado com remuneração mensal não superior a Cr$ 51.000,00 (cinquenta e um mil cruzeiros); II - Cr$ 170,00 (cento e setenta cruzeiros), para o segurado com remuneração mensal superior a Cr$ 51.000,00 (cinquenta e um mil cruzeiros). Independe de carência a concessão das seguintes prestações 46UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL Salário-Maternidade É devido à segurada da Previdência Social, durante 120 (cento e vinte) dias, com início no período entre 28 (vinte e oito) dias antes do par- to e a data de ocorrência deste, observadas as situações e condições previstas na legislação no que concerne à proteção à maternidade. Ao segurado ou segurada da Previdência Social que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança é devido salário-maternidade pelo período de 120 (cento e vinte) dias. 10 (dez) contribuições mensais Pensão por Morte Será devido ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não, a contar da data: I - do óbito, quando requerida em até 180 (cento e oitenta) dias após o óbito, para os filhos menores de 16 (dezesseis) anos, ou em até 90 (noventa) dias após o óbito, para os demais dependentes; II - do requerimento, quando requerida após o prazo previsto no inci- so anterior; III - da decisão judicial, no caso de morte presumida. Independe de carência a concessão das seguintes prestações Auxílio-Reclusão Cumprida a carência prevista [...] nesta Lei, será devido, nas condições da pensão por morte, aos dependentes do segurado de baixa renda recolhido à prisão em regime fechado que não receber remuneração da empresa nem estiver em gozo de auxílio-doença, de pensão por mor- te, de salário-maternidade, de aposentadoria ou de abono de permanência em serviço. 24 (vinte e quatro) contri- buições mensais Auxílio-Acidente Será concedido, como indenização, ao segurado quando, após consolidação das lesões decorren- tes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. Independe de carência a concessão das seguintes prestações Fonte: Brasil (1991, s/p). Os segurados são as pessoas físicas que contribuem com a previdência social e seus dependentes, cabendo a eles requerem seus próprios benefícios. Os auxílios apre- sentados no quadro anterior são chamados de prestações, que seguem impreterivelmente o período de carência, isto é, o número mínimo de contribuições obrigatórias para que a pessoa tenha direito a eles, seus valores, exceto o salário família e maternidade, tem como base a “média [...] dos maiores salários-de-contribuição correspondentes a oitenta por cento de todo o período contributivo, multiplicada pelo fator previdenciário” (BRASIL, 1991, s/p). Anualmente, o valor é reajustado levando em consideração os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) buscados pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (BRASIL,1991, s/p). 47 SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ESFERA PREVIDENCIÁRIA5 TÓPICO Caro (a) acadêmico (a), a política da previdência social, assim como as outras que formam a seguridade social, é uma área de atuação do Assistente Social. Por ser uma polí- tica específica, com suas particularidades, como estudamos nos tópicos anteriores, em que sua história é marcada por avanços e retrocessos, a atuação desse profissional necessita de uma especial atenção. Por isso, esse tópico se dedica a conhecer as particularidades da atuação do Assistente Social na política de previdência social. A Lei 8.213 de 1991, dedica uma subseção ao assunto pertinente ao Serviço Social na previdência Social, o artigo 88 desta lei prevê que: Art. 88. Compete ao Serviço Social esclarecer junto aos beneficiários seus direi- tos sociais e os meios de exercê-los e estabelecer conjuntamente com eles o pro- cesso de solução dos problemas que emergirem da sua relação com a Previdên- cia Social, tanto no âmbito interno da instituição como na dinâmica da sociedade. Será dada prioridade aos segurados em benefício por incapacidade temporária e atenção especial aos aposentados e pensionistas (BRASIL, 1991, s/p) Observa-se que uma competência do Assistente Social que atua na política de previdência social é informar sobre direitos e como usufruí-los. Além disso, cabe a esse profissional a resolução de problemáticas que envolvem os usuários na sua relação com as instituições previdenciárias e com situações externas e elas, mas que afetam o acesso aos seus direitos. Tem prioridade na atuação desse profissional aqueles que apresentarem in- capacidades e são tidos como especiais aqueles que possuem aposentadorias ou pensões. De acordo com o artigo 88, § 2º, a Lei 8.213 de 1991, para desenvolver as compe- tências profissionais, o Assistente Social conta com algumas seguranças, a saber: 48UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL Para assegurar o efetivo atendimento dos usuários serão utilizadas interven- ção técnica, assistência de natureza jurídica, ajuda material, recursos sociais, intercâmbio com empresas e pesquisa social, inclusive mediante celebração de convênios, acordos ou contratos (BRASIL, 1991, s/p). Para desenvolver suas funções, o Assistente Social realiza metodologias de trabalho, como entrevistas, visitas, grupos, entre outros. A instituição empregadora deve fornecer meios necessários para o desenvolvimento dessas técnicas. Ademais, essa instituição deve incen- tivar o intercâmbio e a realização de pesquisas que subsidiem a atuação desse profissional. O fomento da participação do usuário nas decisões institucionais é relevante, como mostra o artigo 88, § 3º, a Lei 8.213 de 1991: § 3º O Serviço Social terá como diretriz a participação do beneficiário na implementação e no fortalecimento da política previdenciária, em articulação com as associações e entidades de classe (BRASIL, 1991, s/p). A atuação profissional do Assistente Social na previdência social, assim como em outras políticas, deve incentivar a participação dos usuários nos processos e decisões institucionais, visando, sobretudo, a melhoria da qualidade dos serviços prestados, sempre buscando apoio de demais órgãos. A assessoria técnica das várias instituições de atendimento aos usuários também é uma competência do Assistente Social, a saber: O Serviço Social, considerando a universalização da Previdência Social, prestará assessoramento técnico aos Estados e Municípios na elaboração e implantação de suas propostas de trabalho (BRASIL, 1991, s/p). Portanto, com base no artigo 88 da Lei 8.213 de 1991 compete ao Assistente Social informar a população usuária de seus direitos, resolverproblemáticas que envolvem os usuários em sua relação institucional previdenciária, incentivar a participação deles nos processos e decisões institucionais e realizar assessoria na matéria que trata a previdência social, sempre articulando com outras políticas e com garantias institucionais, porém é evidente o retrocesso na política e a precarização das relações de trabalho. 49A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 2 Caro (a) acadêmico (a), nesta unidade, estudamos aspectos da seguridade social relevantes para a formação e atuação profissional do Assistente Social. Propriamente, conhecemos o processo histórico da previdência social no mundo e no Brasil, legislação da Previdência Social, Benefícios Previdenciários e a atuação profissional do Assistente Social na Previdência Social. A respeito do processo histórico da previdência social no mundo e no Brasil, identificamos que todas as sociedades construíram proteções de cunho previdenciário. No caso do Brasil, ele se iniciou abrangendo apenas os marinheiros, e aos poucos, foram se estendendo para as demais categorias profissionais, até que a Constituição Federal de 1988, ainda em vigência, formulou-a como política de seguridade social. Tanto no mundo, quanto no Brasil, a previdência social passou, e ainda passa, por avanços e retrocessos. Sobre a legislação da Previdência Social, estudamos pontos importantes da Lei 8.213 de 24 de julho de 1991 que organizam essa política. Essa Lei estabelece que a previdência social, seguindo os seus princípios e respeitando seus regimes, atua com in- denizações a partir de contingências que impedem ou dificultam o trabalho. Essa política é regida por deliberações do Conselho Nacional de Previdência Social–CNPS. No que se refere aos benefícios previdenciários, a Lei 8.213 de 24 de julho de 1991 os define como aposentadoria por invalidez, idade, tempo de serviço e especial, bem como, auxílio-doença, salário-família e maternidade, pensão por morte, auxílio-reclusão e acidente, nos quais possuem suas especificidades. Acerca da atuação profissional da Assistência Social, cabe a eles fornecer infor- mações sobre direitos, resolver problemáticas dos usuários quanto à previdência social, fomentar a participação dos usuários nos espaços institucionais, assessorar os diversos órgãos tratando-se de matéria relacionada a essa política. Portanto, caro (a) acadêmico (a), nesta unidade estudamos a previdência social, uma das políticas da seguridade social, nos próximos abordaremos especificidades das outras políticas que formam esse sistema de proteção. CONSIDERAÇÕES FINAIS 50A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 2 Quem tem ansiedade pode ganhar o auxílio-doença? Se sentir ansioso, triste ou nervoso é normal, principalmente quando há motivos para que esses sentimentos aflorem, como conhecer pessoas novas, término de uma relação amorosa e entrevista de emprego. Contudo, quando essas sensações se tornam intensas e recorrentes é preciso buscar ajuda profissional. Dessa forma, transtornos dessa natureza podem ser graves e preocupantes, e assim gerar muitas consequências pessoais, sociais e até mesmo profissionais. Assim, primeiramente é necessário buscar o auxílio psicológico ou psiquiátrico para um maior entendimento do seu quadro. Portanto, com o diagnóstico realizado por um profissional especializado em saúde mental, o trabalhador terá direito ao afastamento do trabalho por 15 dias. E, passando desse período terá acesso ao auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). LEITURA COMPLEMENTAR 51UNIDADE 2 MATERIAL COMPLEMENTAR A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL LIVRO • Título: Previdência social de A a Z • Autor: Rubens Lisboa Neves. • Editora: Cronos. • Sinopse: O autor mostra de forma clara, objetiva, simples, dinâ- mica e, ao mesmo tempo, aprofundada e extremamente atual, pois foi cuidadosamente pesquisado e estudado de forma diferenciada, tendo como principal virtude ser completo, abordando os princi- pais temas do Direito Previdenciário. Nele encontramos a parte doutrinária e prática, explicações objetivas e citações doutrinárias, modelos de petições do dia-a-dia jurídico, pois este livro reúne um brilhante referencial na aplicação legal nos tribunais, além de inú- meros temas relevantes na Área Previdenciária. Sem dúvida, este livro irá corresponder às expectativas por seu conteúdo insólito, é essencial para os profissionais que buscam uma visão abrangente da matéria, servindo como fonte para dinamizar o processo do conhecimento avançado a toda a família forense. FILME/VÍDEO • Título: WELFARE • Ano: 1975 • Sinopse: O documentário acompanha as regras da previdência social nos Estados Unidos, mostrando diversos grupos de pessoas que dependem da ajuda do governo, como desempregados, divor- ciados, idosos, crianças abandonadas, indivíduos sem-teto ou com problemas mentais. O trabalho diário dos trabalhadores sociais e dos funcionários públicos é mostrado no filme, assim como as regras e as leis existentes em 1975 no país. https://www.amazon.com.br/Previd%C3%AAncia-Social-Rubens-Lisboa-Neves/dp/8561544414/ref=sr_1_1?crid=1VF234F4NH8RO&keywords=previdencia+social+de+a+a+z&qid=1661311348&s=books&sprefix=PREVIDENCIA+SOCI%2Cstripbooks%2C221&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Previd%C3%AAncia-Social-Rubens-Lisboa-Neves/dp/8561544414/ref=sr_1_1?crid=1VF234F4NH8RO&keywords=previdencia+social+de+a+a+z&qid=1661311348&s=books&sprefix=PREVIDENCIA+SOCI%2Cstripbooks%2C221&sr=1-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • O contexto histórico do Serviço Social no Brasil; • Legislações do Serviço Social; • A atuação do Assistente Social na Política de Assistência Social. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer o processo histórico da Assistência Social; • Estudar a legislação da Assistência Social; • Compreender particularidades da atuação profissional do Assistente Social na política de Assistência Social. Professor(a) Me. Francilene Bernardo Cordeiro Rôas A ASSISTÊNCIA SOCIAL: A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUA-LEGISLAÇÕES E ATUA- ÇÃO PROFISSIONAL DO ÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIALASSISTENTE SOCIAL UNIDADEUNIDADE3 53A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 INTRODUÇÃO Caro (a) acadêmico (a), essa unidade se dedica a estudar a política de Assistência social, uma das áreas que mais emprega o profissional Assistente Social. Ela é uma das políticas e seguridade social, de caráter não contributivo, destinada às pessoas que neces- sitam. Por isso, merece atenção. Nessa Unidade, faremos uma breve revisão necessária da história da política de assistência social, que você já estudou com profundidade em disciplinas que abordam o fundamento do Serviço Social. Abordaremos as legislações que normatizam as ações da assistência social en- quantopolítica pública, ressaltando os serviços tipificados e as instituições que os desen- volvem, e quais são os principais pontos de atuação do Assistente Social. Por fim, estudaremos elementos imprescindíveis para a atuação profissional do Assis- tente Social, que é a questão das competências e atribuições desse profissional, entre outros. Vamos lá! O CONTEXTO HISTÓRICO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL1 TÓPICO 54A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 O ser humano sempre sentiu a necessidade de produzir e reproduzir materiais neces- sários para a sua própria subsistência humana. Para tanto, ele realiza relações sociais que se formam para facilitar a geração de bens e mercadorias, que nos primórdios eram feitas de forma artesanal e depois da Revolução Industrial mais mecanizada. O processo de produção capitalista impulsiona as pessoas a se relacionarem para produzir e acumular riquezas. A gênese do serviço social foi marcada por ações da filantropia e práticas caritativas das mulheres consideradas bondosas na sociedade. Na década de 1930, quando surge o Serviço Social no Brasil, não havia livros e artigos científicos sobre a temática, o que poderia dificultar a compreensão das relações de dominação e exploração do capital sobre o trabalho. Assim, o Serviço Social nesse país surge como uma extensão das ações benevolentes da igreja católica. As expressões da questão social, objeto de trabalho do Assistente Social, é tratada com as ações filantrópicas e práticas repressivas do Estado. Ambos legitimavam a posição de poder que tinham sobre a sociedade e atuavam no sentido de “maquiar” as consequên- cias que existem no domínio efetuado do capital sobre o trabalho. Na década de 1930 surgem escolas para formar e capacitar as Assistentes Social, e na década de 1940, elas formam instrumentos e técnicas de trabalho. Na década de 1960, iniciou-se nos países da América Latina o movimento de Re- conceituação, que questionava o conservadorismo presente no Serviço Social, José Paulo Netto (2010, p. 131), explica: Entendemos por renovação o conjunto de características novas que, no mar- co das constrições da autocracia burguesa, o Serviço Social articulou, à base 55A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 do rearranjo de suas tradições e da assunção do contributo de tendência do pensamento social contemporâneo, procurando investir-se como instituição de natureza profissional dotada de legitimidade prática, através de respostas a demandas sociais e da sua sistematização, e de validação teórica, median- te a remissão às teorias e disciplinas sociais (NETTO, 2005, p. 131). No entanto, o movimento de reconceituação foi congelado pela ditadura militar. Para questionar as bases teóricas do Serviço Social, os Assistentes Sociais reuniram-se criticando o assistencialismo ainda presente na profissão, mas no período ditatorial, esse tipo de reunião era proibido, por questionar as ordens impostas muitos profissionais falece- ram. Com o fim da ditadura militar, esse movimento retomou, se aproximou do marxismo, mas não conseguiu romper completamente com o conservadorismo no Serviço Social. Nesse momento, o Serviço Social reconstrói suas práticas, documentos e ética profissional. A aproximação com o marxismo contribui para fomentar a criticidade do Assis- tente Social em relação às expressões da questão social e do domínio da classe capitalista sobre a proletária, que afetam diretamente sua atuação. Contudo, enfrenta dificuldade na realidade, em que se exige, constantemente, o retorno às práticas caritativas. A Assistência Social passa a ser regulada como política pública com a promulgação da Constituição Federal brasileira de 1988. Anteriormente, as ações dessa política eram executa- das pelo clientelismo, favor, apadrinhamento e mando, mas após a carta magna, a assistência social foi concebida como política que integra o sistema de seguridade social, de direito da sociedade e de responsabilização estatal. Propriamente, suas ações se destinam “a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social” (BRASIL, 1988, s/p). Dessa forma, após a promulgação dessa lei suprema, que transforma o caráter da assistência social como direito, torna-se necessário reformas administrativas. Para tanto, ao longo do tempo, surgem legislações que regulamentam a relação existente entre socie- dade e Estado no que se refere as ações de Assistência Social. Essas legislações serão estudadas no tópico a seguir. LEGISLAÇÕES DO SERVIÇO SOCIAL2 TÓPICO 56A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 A partir da regulamentação da Constituição Federal de 1988, a assistência social no Brasil foi concebida como Política Pública de Seguridade Social, direito do cidadão e dever do Estado, tendo sido regulamentada pela Lei 8.742 de 07 de setembro de 1993 – LOAS, pela Po- lítica Nacional de Assistência Social em 2004 – PNAS/2004 e em 2005 pela Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social – NOB/SUAS 2005, sendo resultado de uma ampla e democrática discussão no Brasil, apresentando novos parâmetros e diretrizes para a configuração da respectiva política. Em julho de 2011, o SUAS é regulamentado pela Lei n. 12.435 de 06 de julho de 2011, que alterou a LOAS - Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e dispõe sobre a organização da Assistência Social, renovando os parâmetros e diretrizes. Sobre a Lei 8.742 de 07 de setembro de 1993 – LOAS, ela define a assistência social como: Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, reali- zada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. Art. 2º A assistência social tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habi- litação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V - a garantia de 1 (um) salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que compro- vem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. Parágrafo único. A assistência social realiza-se de forma inte- grada às políticas setoriais, visando ao enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais (BRASIL, 1993, p. 06 e 07). A Lei Orgânica de Assistência Social estipula a operacionalização da Política de As- sistência Social como uma atribuição exclusiva do Estado e direito dos cidadãos, inovando o conceito de assistência social. Ainda insere a família, crianças e adolescentes, pessoas com deficiência e idosos como o público-alvo da respectiva política. Além disso, regulamen- 57A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 ta o Benefício de Prestação Continuada (BPC) instituído pela Constituição Federal de 1988, estabelecendo critérios de concessão. Prevê a articulação da assistência social com as políticas setoriais, em prol de combater a pobreza e assegurar os mínimos sociais e ainda pressupõe uma gestão participativa e descentralizada entre Município, Estados e União. Após onze anos do surgimento da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) através da Resolução n. 145 de 15 de outubro de 2004 aprova a Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), buscan- do atender as demandas da época, expressandoa “Assistência Social como um pilar do Sistema de Proteção Social Brasileiro no âmbito da Seguridade Social”, reconhecendo, os direitos sociais da população e a responsabilidade exclusiva do Estado no provimento da proteção social (BRASIL, 2004, p. 11 e 13). Cabe destacar os princípios e as diretrizes da Política de Assistência Social, a partir da aprovação da PNAS/2004, expressos no quadro a seguir: QUADRO 1 – PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DA POLÍTICA NACIONAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL – PNAS/2004 Princípios Diretrizes I - Supremacia do atendimento às necessida- des sociais sobre as exigências de rentabili- dade econômica. I - Descentralização político-administrativa, caben- do à coordenação e as normas gerais à esfera fe- deral e a coordenação e execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência social, 26 garantindo o comando único das ações em cada esfera de governo, respeitando-se as dife- renças e as características socio-territoriais locais; II - Universalização dos direitos sociais, a fim de tornar o destinatário da ação assistencial alcançável pelas demais políticas públicas; II - Participação da população, por meio de orga- nizações representativas, na formulação das polí- ticas e no controle das ações em todos os níveis; III - Respeito à dignidade do cidadão, à sua autonomia e ao seu direito a benefícios e ser- viços de qualidade, bem como à convivência familiar e comunitária, vedando-se qualquer comprovação vexatória de necessidade; III - Primazia da responsabilidade do Estado na condução da Política de Assistência Social em cada esfera de governo; IV - Igualdade de direitos no acesso ao aten- dimento, sem discriminação de qualquer na- tureza, garantindo-se equivalência às popula- ções urbanas e rurais; IV - Centralidade na família para concepção e im- plementação dos benefícios, serviços, programas e projetos. V - Divulgação ampla dos benefícios, servi- ços, programas e projetos assistenciais, bem como dos recursos oferecidos pelo Poder Pú- blico e dos critérios para sua concessão. Fonte: Brasil (2004). Os princípios e diretrizes da Política Nacional de Assistência Social estabelecidos na PNAS/2004 são considerados avanços, pois reforça os princípios e diretrizes estabe- lecidos na LOAS/1993 e ainda inclui a centralidade familiar como uma das diretrizes da Política de Assistência Social. Os princípios e diretrizes da PNAS/2004 é uma tentativa de rompimento com a filantropia, estabelecendo uma gestão descentralizada e participativa. 58A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 Além disso, a PNAS/2004 (BRASIL, 2004) prevê a articulação de serviços, pro- gramas, projetos e benefícios socioassistenciais, hierarquizados por níveis de gestão de acordo com a complexidade da proteção a ser garantida e do porte de cada município da federação, com centralidade na família. Nesse sentido, os serviços da Assistência Social ganham uma nova classificação, sendo elas a proteção social básica e a proteção social especial, que se subdivide em média e em alta complexidade, explicitadas no quadro a seguir conforme informações extraídas da PNAS/2004, Colin e Silveira (2007): QUADRO 2 – ESPECIFICIDADES DA PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA E ESPECIAL Especificidades Proteção Social Básica Proteção Social Especial Objetivo Prevenir situações de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos fa- miliares e comunitários. Contribuir para a reconstrução de vínculos familiares e comunitários, o fortalecimento de potencialidades e aquisições e a proteção de famílias e indivíduos para o enfrentamento das situações de risco pessoal e social, por violação de direitos. Destinatários População que vive em situação de vulnerabilidade social decor- rente da pobreza, privação (au- sência de renda, precário ou nulo acesso aos serviços públicos, dentre outros) e, ou, fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de pertencimento social (discri- ções etária, étnicas, de gênero ou por deficiências, dentre outras). Famílias e indivíduos que se encon- tram em situação de risco pessoal e social, por ocorrência de abandono, maus tratos físicos e ou, psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias psi- coativas, cumprimento de medidas só- cio-educativas, situação de rua, situa- ção de trabalho infantil, entre outras. Caráter Preventivo Protetiva Equipamentos Centro de Convivência, Centro de Geração de Trabalho e Ren- da, Centro Múltiplo Uso, Centro da Juventude e o CRAS (Centro de Referência da Assistência So- cial). (COLIN e SILVEIRA, 2007) Atendimento Integral Institucional, Casa Lar, Republica, Casa de Passagem, Al- bergue, Família Substituta, Família Aco- lhedora, Medidas Socioeducativas res- tritivas e privativas de liberdade (semi liberdade, internação provisória e sen- tenciada), Trabalho Protegido e CREAS. Fonte: Colin e Silveira (2007). A partir dessa divisão entre proteção social básica e especial, a PNAS/2004 também apresenta como novidade que os usuários deverão ser atendidos em equipamentos distintos conforme as suas demandas. Sendo o CRAS o equipamento de referência da proteção social básica e tem como foco a prevenção dos riscos, assim atende às famílias em situação de vulnerabilidade social, que ainda não tiveram seus direitos violados e nem vínculos rompidos, buscando a prevenção dos riscos sociais por meio do desenvolvimento de ações em equipa- mentos. A proteção social especial de média complexidade tem como referência o equipa- mento CREAS, sendo responsável pelo atendimento aos indivíduos que tiveram seus direitos violados, mas possuem vínculos rompidos, e, a proteção social especial de alta complexidade atende aqueles que possuem a violação de direitos e vínculos rompidos, dentre seus objetivos destaca-se favorecer a restituição de vínculos familiares e comunitários (BRASIL, 2004). 59A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 É importante ressaltar que os Serviços de Proteção Social Básica têm caráter preventivo, protetivo e proativo. A ação preventiva significa que os serviços devem preve- nir ocorrências que interfiram no exercício dos direitos de cidadania. A atuação protetiva se caracteriza em centrar esforços nas intervenções que visam amparar, apoiar, auxiliar, resguardar, defender o acesso das famílias e seus membros aos seus direitos. E a ação proativa tem por finalidade intervir nas circunstâncias que originaram as situações de vul- nerabilidade e risco social, possibilitando a criação de instrumentos que permitem prever ocorrências futuras, bem como o contínuo aperfeiçoamento da ação, de modo a efetivar, o mais rápido possível, o acesso das famílias aos seus direitos (BRASIL, 2012). Cabe ressaltar que nos equipamentos da proteção social básica e especial, são ofertadas ações socioassistenciais tais como programas, projetos, serviços e benefícios, definidas no quadro a seguir: QUADRO 3 – CONCEITO DAS AÇÕES SOCIOASSISTENCIAIS Ações socioassistenciais Conceito Programas Compreendem ações integradas e complementares, trata- das no art. 24 da LOAS, com objetivos, tempo e área de abrangência, definidos para qualificar, incentivar, potenciali- zar e melhorar os benefícios e os serviços assistenciais, não se caracterizando como ações continuadas. Projetos Definidos nos arts. 25 e 26 da LOAS, caracterizam-se como investimentos econômico-sociais nos grupos populacionais em situação de pobreza, buscando subsidiar técnica e finan- ceiramente iniciativas que lhes garantam meios e capaci- dade produtiva e de gestão para a melhoria das condições gerais de subsistência, elevação do padrão de qualidade de vida, preservação do meio ambiente e organização social, articuladamente com as demais políticas públicas. Serviços Atividades continuadas, definidas no art.23 da LOAS, que visam a melhoria da vida da população e cujas ações estejam voltadas para as necessidades básicas da população, observando os ob- jetivos, princípios e diretrizes estabelecidas nessa lei. Benefícios Benefício de Prestação Continuada: previsto na LOAS e no Estatuto do Idoso, é provido pelo Governo Federal, consis- tindo no repasse de 1 (um) salário mínimo mensal ao idoso (com 65 anos ou mais) e à pessoa com deficiência que com- provem não ter meios para suprir sua subsistência ou de tê-la suprida por sua família. Benefícios Eventuais: são previstos no art. 22 da LOAS e visam ao pagamento de auxílio por natalidade ou morte, ou para atender necessidades advindas de situações de vulne- rabilidade temporária, com prioridade para a criança, a famí- lia, o idoso, a pessoa com deficiência, a gestante, a nutriz e nos casos de calamidade pública. Transferência de Renda: programas que visam o repasse di- reto de recursos dos fundos de Assistência Social aos benefi- ciários, como forma de acesso à renda, visando o combate à fome, à pobreza e outras formas de privação de direitos, que levem à situação de vulnerabilidade social, criando possibi- lidades para a emancipação, o exercício da autonomia das famílias e indivíduos atendidos e o desenvolvimento local. Fonte: Brasil (2004, p. 94). 60A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 Ao abordar considerações sobre a aprovação da PNAS/2004, identifica-se que ela é uma normativa em que proporcionou grandes transformações no âmbito da Assistência Social. Além disso, a Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004) juntamente com a implantação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS/2005) tem a finalidade de efetivar a assistência social como Política Pública. Um marco importante, então, foi a instituição do SUS. O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) constitui-se como uma deliberação da IV Conferência Nacional de Assistência Social, sendo aprovado pela NOB 130 em 2005. A princípio, o respectivo sistema buscava extinguir as ideias neoliberais instauradas no Brasil na década de 1970 e reafirmar a responsabilização do Estado na oferta de proteção social mediante ações socioassistenciais (BRASIL, 2006), materializando os princípios e diretrizes da PNAS/2004, sendo esse um dos principais avanços do SUAS, pois antes as demanda da assistência social eram atendidas separadamente de acordo com a idade ou o público-alvo (BRASIL, 2006). Dessa forma, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é “um sistema público não-contributivo, descentralizado e participativo que tem por função a gestão do conteúdo específico da assistência social no campo da proteção social” (MDS, 2006, p. 33), rea- firmando o compartilhamento das responsabilidades entre os entes federativos (União, Distrito Federal, Estado e o Município), afirmado na LOAS/93. Diante da respectiva reafirmação, aprova-se então a NOB/SUAS (2005) que apon- ta a importância da articulação entre os entes federativos para a efetivação da Política de Assistência Social, garantindo ao usuário o direito à proteção social e a sua participação nas ações que cada esfera do governo operacionaliza (BRASIL, 2005). De acordo com o Brasil (2006, p. 32 e 35) uma das conquistas alçada pela NOB/ SUAS foi a materialização das Comissões Intergestores Bipartite (CIBs) e a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que se caracteriza como espaços para debates, acordos e pactos entre o Governo, Estado e Municípios, além disso, agrega para si a relevância de sua existência para que se evite as “dispersões de recursos”. A operacionalização das CIBs e CIT são responsabilidades dos gestores da assistência social, que nas quais têm por finalidade mediar às decisões administrativas necessárias entre os entes federativos, fazendo com que as decisões sejam elaboradas de forma igualitária, sem imposição de poder. Essas comissões terão instâncias responsáveis por fiscalizá-las, sendo a CIB fiscalizada pelo Conselho Nacional de Assistência Social e a CIT pelo Conselho Estadual de Assistência Social (MDS, 2006b) O texto da NOB/SUAS (BRASIL, 2006) também propicia o fortalecimento dos conse- lhos no âmbito da assistência social, pois estabelece a sua criação como um dos critérios para o repasse de recursos federais (MDS, 2006b). Assim, cada esfera do governo possui conse- lho, sendo eles nomeados como Conselho Nacional (CNAS), Conselhos Estaduais (CEAS), Conselhos Municipais (CMAS) e Conselho do Distrito Federal (CAS-DF) (BRASIL, 2005). Recentemente o SUAS foi regulamentado pela lei 12.435/2011 (lei do SUAS), pas- sando assim a ser uma lei, o que propiciará assim: 61A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 [...] mais força, sinalizando o legislador pela aprovação do sistema antes regula- mentado em nível infralegal. Ratifica-se, assim, o caráter obrigatório do SUAS, deixando evidente o sistema como a única alternativa correta para o funciona- mento e oferta da assistência social em todo país (BRASIL, 2014, p. 09). Dessa forma, com a incorporação do SUAS como lei, os Municípios e Estados terão que implantar o respectivo sistema de acordo com conteúdo apresentado na lei do SUAS, sendo a forma ideal de gestar a assistência social. Antes dessa conquista o SUAS era operacionalizado de forma infralegal, não havendo força como lei (PIZZATO, 2011). Cabe ressaltar que a lei 12.435/2011 também revogou a LOAS/1993 “que dispõe sobre a organização da Assistência Social” (BRASIL, 2014, p. 10). Diante das mudanças proporcionadas pelas legislações e normativas, requisitará dos Técnicos responsáveis pela operacionalização das ações da Política de Assistência Social qualificação profissional, novas competências e habilidades, sendo assim aprova-se em 2006 a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assis- tência Social (NOB/RH/SUAS). A NOB/RH/SUAS foi aprovada pela Resolução nº 130 do Conselho Nacional de Assis- tência Social (CNAS), em 15 de julho de 2005, para dar base à gestão do trabalho na Assistência Social, pois é através dela que o SUAS se materializará, organizando o processo de trabalho dos funcionários do SUAS para conduzir de forma eficiente a Política de Assistência Social, mas torna-se necessário a padronização dos serviços no território brasileiro (BRASIL, 2006). Para uma melhor organização dos serviços a partir da aprovação do SUAS, é apro- vado em 2009 pelo CNAS a Resolução 109 que dispõe sobre a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, objetivando “estabelecer bases de padronização nacional dos serviços e equipamentos físicos do SUAS” (BRASIL, 2009. p. 03). A respectiva normativa organizará os serviços de acordo com os níveis de proteção social, que se divide em Prote- ção Social Básica e Proteção Social Especial de Media e Alta Complexidade. No que tange a Proteção Social Básica, a Tipificação Nacional de Serviços Socioas- sistenciais, expressa a operacionalização de três serviços, sendo eles o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos; o Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas com Deficiência e Idosas. QUADRO 4 - SERVIÇOS DA PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA SERVIÇO ESPECIFICIDADE Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família a Tipificação Nacional de Serviços Socioassisten- ciais estabelece como público alvo as famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social decorrente de mazelas sociais ou a falta de aces- so à determinados serviços, e tem como finalidade a prevenção de situação de risco social e impedir que ocorra o rompimento de vínculos familiares e comunitários, havendo como foco o fortalecimento desses laços afetivos “por meio de ações de caráter preventivo, protetivo e proativo” 62A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONALDO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos realizado com grupo de acordo com a faixa etária, objetivando “complementar o trabalho social com família”, entre outros Serviço de Proteção Social básica no Do- micílio direcionado às pessoas que possuem mobilidade reduzida, prevendo assim, acompanhamento em seus domicílios. Para isso se faz necessário o tra- balho domiciliar objetivando a inclusão social e o desenvolvimento de ações que possam favorecer o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários para que não haja o confinamento dessas pessoas e nem o rompimento dos vínculos familiares Fonte: Brasil (2009, p. 35). No que se refere à Proteção Social Básica de Média Complexidade, a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009) organiza os serviços, sendo eles Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI); Servi- ço Especializado em Abordagem Social; Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA), e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC); Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias (BRASIL, 2009). Esses serviços encontram-se explicados no quadro a seguir: QUADRO 5 - SERVIÇO DA PROTEÇÃO SOCIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE SERVIÇO ESPECIFICIDADE Serviço de Proteção e Atendimento Especia- lizado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) Serviço de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais de seus membros em situação de ameaça ou violação de direitos, obje- tivando entre outros reestabelecer os vínculos fa- miliares e em alguns casos proporcionar aos indiví- duos autonomia Serviço Especializado em Abordagem Social Consiste na realização de diagnóstico de territórios para a identificação de trabalho infantil, exploração se- xual de crianças e adolescentes, situação de rua, entre outros. Objetivando dentre outros Construir o processo de saída das ruas e possibilitar condições de acesso à rede de serviços e a benefícios assistenciais; [...] Pro- mover ações para a reinserção familiar e comunitária” Serviço de Proteção Social a Adolescentes em cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA), e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) Tem como público alvo os adolescentes que estão em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, que nos quais serão acompanhados. Objetivando dentre outros, criar condições para a construção/reconstrução de projetos de vida que visem à ruptura com a prática de ato infracional Serviço de Proteção Social Especial para Pes- soa com Deficiência, Idosa e suas Famílias Destina às pessoas que tiveram suas limitações agravadas por violações de direitos, tendo com um de seus objetivos desenvolver ações especializadas para a superação das situações violadoras de direitos que contribuem para a identificação da dependência 63A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 Serviço Especializado para Pessoas em Si- tuação de Rua Serviço ofertado para pessoas que utilizam as ruas como espaço de moradia e/ou sobrevivência. Tem a finalidade de assegurar atendimento e atividades direcionadas para o desenvolvimento de sociabili- dades, na perspectiva de fortalecimento de víncu- los interpessoais e/ou familiares que oportunizem a construção de novos projetos de vida. Fonte: Brasil (2009). O Serviço de Acolhimento Institucional diz respeito a instituições que acolhem indivíduos (Crianças, adolescentes, jovens, adultos, pessoas com deficiência, idosos) e fa- mílias que tiveram seus vínculos rompidos ou que se encontram em situação de ameaça e que necessita de proteção social. Nesse serviço busca-se manter as tradições e costumes desses indivíduos não rompendo com sua história de vida. QUADRO 6 - SERVIÇO DA PROTEÇÃO SOCIAL DE ALTA COMPLEXIDADE SERVIÇO CONCEITO Serviço de acolhimento em repúblicas é destinado a “jovens entre 18 a 21 anos, adultos em processo de saída das ruas e idosos” que tive- ram seus vínculos rompidos com as famílias, ne- cessitando de acolhimento. Serviço de Acolhimento em Família Acolhe- dora é destinado a crianças e adolescentes que tiveram de ser afastados do seu âmbito familiar, por esta- rem em situação de vulnerabilidade social. Essa medida é tomada com caráter preventivo, antes que o vínculo da criança ou adolescente se rompa com a família. Serviço de Proteção em Situações de Cala- midades Públicas e de Emergências. atende famílias e indivíduos que por situações de desastre naturais ocasionou a perca de bens, ne- cessitando de apoio e/ou alojamento. Fonte: Brasil (2009). Nota-se então, que após a aprovação da Tipificação Nacional de Serviços Socioas- sistenciais (BRASIL, 2009) a Assistência Social avançou em mais uma conquista, pois através da respectiva lei que os serviços foram padronizados nacionalmente, que segundo, rompendo com ações descontínuas nos municípios. Diante das aprovações das normativas abordadas nesse tópico (Constituição Fede- ral de 1988; LOAS/1993; PNAS/2004, NOB/SUAS 2005, Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais 2009, entre outras) a assistência social efetivou-se como política pública de seguridade social de direito do cidadão e dever do Estado, ampliando assim a oferta de serviços públicos e a instalação de equipamentos. A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL3 TÓPICO 64A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 A Lei 8.662 de 07 de Junho de 1993, regulamenta a atuação profissional do Assistente Social nas várias políticas de atuação. Na política de Assistência Social e em outras, esse pro- fissional atua desenvolvendo os serviços apresentados no quadro anterior e nas instituições destacadas. É preciso ressaltar os elementos dessa lei que normatiza a atuação profissional. Constituem competência a atribuição privativa do Assistente Social nessa e nas demais áreas de atuação profissional: QUADRO 7 - COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL Competências do Assistente Social Atribuições privativas do Assistente Social Elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da adminis- tração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; Coordenar, elaborar, executar, supervisionar e ava- liar estudos, pesquisas, planos, programas e proje- tos na área de Serviço Social Elaborar, coordenar, executar e avaliar pla- nos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; Planejar, organizar e administrar programas e pro- jetos em Unidade de Serviço Social; Encaminhar providências, e prestar orienta- ção social a indivíduos, grupos e à população; assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e ou- tras entidades, em matéria de Serviço Social; Orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; Realizar vistorias, perícias técnicas, laudos peri- ciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social; 65A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 Planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; Assumir, no magistério de Serviço Social tanto a ní- vel de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e ad- quiridos em curso de formação regular; Planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; Treinamento, avaliação e supervisão direta de esta- giários de Serviço Social; Prestar assessoria e consultoria a órgãos da administraçãopública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo; Dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação; Prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direi- tos civis, políticos e sociais da coletividade; Dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social; planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Servi- ço Social. Elaborar provas, presidir e compor bancas de exa- mes e comissões julgadoras de concursos ou ou- tras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social; Realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pú- blica direta e indireta, empresas privadas e outras entidades. Coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social; Fiscalizar o exercício profissional através dos Con- selhos Federal e Regionais; Dirigir serviços técnicos de Serviço Social em enti- dades públicas ou privadas; Ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades repre- sentativas da categoria profissional. Fonte: Brasil (1993). Para desenvolver sua competência e atribuições privativas, o Assistente Social desenvolve técnicas de entrevistas, visitas domiciliares e grupo. A duração da sua jornada de trabalho é de 30 horas semanais, em que são apoiados e fiscalizados por conselhos regional e federal. Caso seja identificado práticas infracionais no ato da sua profissão, o Assistente Social poderá sofrer punições. 66A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 Caro (a) acadêmico (a), nesta unidade, procurei abordar os principais elementos da política de Assistência Social, como o Processo histórico da Assistência Social, Legislação da Assistência Social e Atuação profissional do Assistente Social na Assistência Social. Quanto ao Processo histórico, identificamos que ele iniciou com uma natureza assistencialista, passando por um processo de questionamento da base conservadora da profissão até se aproximar das teorias marxistas e promulgação da Constituição Federal de 1988 que reconheceu a Assistência Social como uma política de direitos. Sobre as legislações da Assistência Social, conhecemos a Lei 8.742 de 07 de setembro de 1993 – LOAS, pela Política Nacional de Assistência Social em 2004 – PNAS/2004 e em 2005 pela Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social – NOB/SUAS 2005. No que se refere à atuação profissional, levantamos que ela ocorre nos serviços que essas legislações normatizam com base nos preceitos da Lei que Regulamenta a Profissão e no Código de Ética Profissional do Assistente Social. Portanto, caro (a) acadêmico (a), nessa unidade estudamos a política de Assistência Social, uma das políticas da seguridade social, no próximo abordaremos especificidades a saúde que forma esse sistema de proteção. CONSIDERAÇÕES FINAIS 67A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 A Política Pública de Assistência Social no Brasil O Serviço Social no Brasil tem suas origens em meados do século XX, com suas raízes cristãs de assistencialismo, sendo a igreja Católica quem controla todo processo de ajuda ao próximo e benefícios aos menos favorecidos, sendo patrocinada pela ordem burguesa vigente. O processo de institucionalização do serviço social brasileiro como profis- são, se explica no contexto contraditório de um conjunto de processos sociais, econômicos e políticos que caracterizaram a relação entre as classes na consolidação do capitalismo monopolista, com a progressiva intervenção do Estado no processo de regulação social. Na década de 30, o serviço social se institucionaliza e se legitima como um dos recursos mobilizados pelo Estado e pelo empresariado com o suporte da igreja católica, na perspectiva de enfrentamento e regulação da questão social, que era entendida como problemas sociais. Com o advento do capitalismo, da Revolução Francesa e das crises do capitalismo, emergem as políticas sociais como um processo social, evidenciando a necessidade de uma maior intervenção estatal, que é acompanhada da profissionalização do Serviço Social como especialização do trabalho coletivo, formando assim, um vínculo estrutural entre a constituição das políticas sociais e o surgimento do serviço social na divisão sócio-técnica do trabalho. Leia o texto na íntegra: https://movnews.com.br/colunistas/2022/08/a-politica-publi- ca-de-assistencia-social-no-brasil/. Fonte: CRUZ, César Albenes de Mendonça. A política Pública de Assistência Social no Brasil. Mov News. 2022. Disponível em: https://movnews.com.br/colunistas/2022/08/a-politica-publica-de-assistencia-social-no-brasil/. Acesso em: 22 ago. 2022. LEITURA COMPLEMENTAR https://movnews.com.br/colunistas/2022/08/a-politica-publica-de-assistencia-social-no-brasil/ https://movnews.com.br/colunistas/2022/08/a-politica-publica-de-assistencia-social-no-brasil/ https://movnews.com.br/colunistas/2022/08/a-politica-publica-de-assistencia-social-no-brasil/ 68A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PROCESSO HISTÓRICO, LEGISLAÇÕES E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 3 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Questão Social e Serviço Social no Brasil • Autor: Ivone Maria Ferreira da Silva. • Editora: Papel Social. • Sinopse: Descortinando criticamente os fundamentos da ques- tão social desde suas raízes coloniais até suas novas expressões no capitalismo contemporâneo, chamado pela autora de tempos neoliberais, este livro, de leitura clara e acessível, é recomendável a todos aqueles que se interessam pelo debate que atravessa as ciências sociais e humanas, retratando, especialmente, o debate no Serviço Social. Neste campo, a contribuição de Ivone Maria Fer- reira da Silva é indiscutível: ao dialogar com os(as) pioneiros(as) e contemporâneos(as), possibilita a interlocução de gerações e a análise da profissão, no movimento de continuidades e rupturas, no contexto da história social. Algo inédito e impostergável que preenche uma lacuna na historiografia do Serviço Social brasileiro. Estes são, dentre outros, alguns dos méritos do livro que se coloca à apreciação do público ao qual recomendo a leitura. FILME/VÍDEO • Título: Garapa • Ano: 2009. • Sinopse: O documentário brasileiro lançado em 2009 e dirigido pelo cineasta José Padilha tem como tema a fome no mundo e é fruto de mais de 45 horas de material filmado por uma pequena equipe que, durante quatro semanas, acompanhou o cotidiano de três famílias no estado do Ceará em estado de insegurança alimentar grave. https://www.amazon.com.br/Previd%C3%AAncia-Social-Rubens-Lisboa-Neves/dp/8561544414/ref=sr_1_1?crid=1VF234F4NH8RO&keywords=previdencia+social+de+a+a+z&qid=1661311348&s=books&sprefix=PREVIDENCIA+SOCI%2Cstripbooks%2C221&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_book_1?ie=UTF8&field-author=Ivone+Maria+Ferreira+da+Silva&text=Ivone+Maria+Ferreira+da+Silva&sort=relevancerank&search-alias=stripbooks . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 INTRODUÇÃO Caro (a) acadêmico (a), estudaremos um assunto amplo e importante para a atua- ção do Assistente Social, isto é, a seguridade social. Trata-se de um sistema de proteção social formado por três políticas, sendo elas a saúde, previdência e assistência social, que também são áreas de atuação desse e de outros profissionais. Mas, nem sempre foi assim, pois, historicamente, a proteção social foi ofertada de diferentes formas, que conheceremos ao longo do estudo desta unidade. É preciso considerar que a seguridade social não surgiu de modo súbito e inespe- rado, mas por um processo que ainda está em construção. Esse sistema de proteção se originou da necessidade de consolidar meios mais eficazes que garantem a proteção das pessoas diante das contingências que as afetam, tais como a vulnerabilidade social, doen- ça, idade avançada, entre outras. Com isso, visava-se a garantia de subsistência humana e da acumulação de riqueza aos capitalistas. Ao longo da sua história, a seguridade social sofreu, e ainda sofre, profundas trans- formações que serão estudadas nesta unidade. Ela se modifica para atender às demandas do Estado e das pessoas, pois a sociedade constantemente muda e faz surgir novas neces- sidades em todos os seus setores. Contudo, essas alterações nem sempre são benéficas. Veja as reformas da previdência, excluíram direitos ou dificultaram o acesso a elas por uma parcela significativa da população. Existe uma relevância no estudo da seguridade social logo na graduação e, poste- riormente, no cotidiano profissional. Tendo em vista que a atuação profissional do Assistente Social ocorre com base na defesa de direitos, torna-se necessário que, você, caro (a) aluno (a), conheça aspectos pertinentes ao sistema de proteção social da seguridade social que atualmente está em vigor no território brasileiro. Por isso, nesta unidade, conceituaremos e contextualizaremos a Seguridade Social, compreenderemos seus princípios e conhece- remos suas fontes jurídicas. CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICO DA SEGURIDADE SOCIAL1 TÓPICO 8PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 Historicamente, todas as sociedades humanas construíram algum tipo de sistema de proteção social, entre os quais destaco a Seguridade Social no Brasil. Esse país, assim como em muitos outros, instituíram sistemas que inserem a oferta de proteção social como responsabilidade da sociedade, do estado e, sobretudo, da família, sempre sobrecarregada por ineficiência dos outros agentes. Nesse sentido, torna-se relevante compreender a his- tória da proteção social brasileira até a instituição da seguridade social. Em 1930, com o desenvolvimento do sistema capitalista, ocorreu o aumento quan- titativo de fábricas, as quais procuravam mão-de-obra. Por isso, muitas pessoas, em busca de emprego e qualidade de vida, mudaram-se da zona rural para as mais próximas dos empregadores, formando, assim, os centros urbanos, provocando um inchaço populacional. Contudo, as cidades não estavam estruturadas para moradia, não havia saneamento básico e o desenvolvimento de políticas públicas, como saúde, educação e assistência social. Nesse período, a proteção social era marcada pela característica assistencialista. Especificamente, a proteção social era ofertada por meio de ações caritativas, sendo as intervenções do Estado realizadas apenas com o uso da força física para reprimir as situa- ções consideradas uma ameaça à acumulação de riqueza pelos capitalistas, tais como os movimentos dos trabalhadores em busca de melhorias que figuravam como uma ameaça a suposta ordem social. No entanto, ações assistencialistas e a repressão do Estado se tornaram insuficientes para amenizar as expressões da questão social. Pelo contrário, esse tipo de intervenção não amenizava as vulnerabilidades social e, consequentemente, aumentavam as expressões da questão social. Esse contexto era 9PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 percebido como uma ameaça ao sistema capitalista, pois os trabalhadores, insatisfeitos e sem o mínimo necessário para manter sua subsistência, poderiam reivindicar por melhorias, mesmo o Estado tentando reprimi-los com o uso da força física. Por isso, o Estado percebe a necessidade de se responsabilizar pela oferta da proteção social, mas não extingue o domínio e a exploração de classes. Para ofertar a proteção social a uma parcela da população, o Estado criou o Minis- tério de Trabalho e Comércio, que se originou em 1930 e findou em 1937. Trata-se de um órgão governamental instituído para garantir direitos apenas aos trabalhadores formais, excluindo os informais ou desempregados (que permaneciam atendidos pelo assistencia- lismo, insuficiente para redução das vulnerabilidades). A ação desse órgão era meramente compensatória e não se preocupavam com a redução das desigualdades sociais. Esse órgão se tornou insuficiente para minimizar as expressões da questão social porque muitas pessoas não se enquadravam no perfil do seu público-alvo. Em sua maio- ria, elas estavam desempregadas ou eram trabalhadores informais no campo, devendo, ainda, se preocupar com a oferta da proteção social aos membros de sua família diante da ineficiência das ações assistencialistas e estatais, sobrecarregando-se. A família, entre 1930 a 1943, se encarregava de favorecer a reprodução humana, a qualidade de vida e a manutenção da força de trabalho no exército industrial de reserva. No período ditatorial, instaurado no Brasil entre os anos 1964 a 1984, a atuação estatal que buscava ofertar proteção social volta-se para a defesa de valores morais. As reivindicações das pessoas por melhores condições de vida e trabalho foram reprimidas na ditadura militar brasileiro em prol do estabelecimento de uma presumida ordem demo- crática por meio da preservação dos valores familiares, escolares, da propriedade privada e harmonia nas relações trabalhistas. Para tanto, utilizavam-se da força física, violentando aqueles que buscavam melhorias. Em 1985, o regime de ditadura militar se findou, haja vista que não atendia mais às demandas econômicas da sociedade. Por isso, na década de 1980, inicia-se a redemocra- As políticas públicas que responsabilizam a família pela proteção social aos seus integrantes são chamadas de familismo. 10PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 tização brasileira, favorecendo a conquista por direitos e, com isso, o avanço no que tange a oferta de proteção social, que até então era restrita aos trabalhadores formais. O marco dessa conquista é a promulgação da Constituição Federal de 1988, que responsabiliza o Estado pela oferta de proteção social por meio da Seguridade Social. O processo histórico da proteção social que marcou o surgimento da seguridade social, encontra-se resumido no quadro a seguir: QUADRO 1 – RESUMO DO PROCESSO HISTÓRICO DA PROTEÇÃO SOCIAL E SURGIMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL PERÍODO PROTEÇÃO SOCIAL Início da década de 1930 Ofertada por meio de ações filantrópicas e assistencialista, o Estado in- tervinha repressivamente apenas em situações vistas como ameaça a ordem capitalista, que não amenizava as expressões da questão social, mas a reproduzia. Década de 1930 O Estado começa a garantir a proteção social de forma insuficiente, crian- do o Ministério de Trabalho e Comércio (1930 a 1937), que garantia direi- to apenas aos trabalhadores formais, excluindo os informais ou desem- pregados. Entre 1930 a 1943 Com a insuficiência das intervenções estatais para a garantia de prote- ção social de seus membros, a família é responsabilizada e, sobretudo, sobrecarregada para ofertar proteção aos seus membros. 1964 a 1984 Com a ditadura militar, a proteção social é vinculada aos valores morais, acreditando-se que os desprotegidos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • O contexto histórico da saúde no Brasil; • Lei 8080/1990; • Lei 8142/1990; • A atuação profissional do Assistente Social na política de saúde. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer o processo histórico para a implantação do Sistema Único de Saúde; • Estudar as leis sociais que regulamenta a política de saúde; • Compreender os aspectos da atuação da do Assistente Social na política de saúde. Professor(a) Me. Francilene Bernardo Cordeiro Rôas A SAÚDE: HISTÓRIA, A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALASSISTENTE SOCIAL UNIDADEUNIDADE4 70A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 INTRODUÇÃO Caro (a) acadêmico (a), desde os primórdios, a sociedade realiza alguma prática de cura ou prevenção da saúde. No entanto, isso nem sempre foi organizado em um sistema único e incluído como na seguridade social como um mecanismo de oferta da proteção so- cial. Trata-se de um processo histórico, vinculado pela busca de humanização, que vamos estudar nesta unidade. Além desse processo, é relevante estudar as leis sociais que regulamentam a saúde enquanto política pública. Isso porque, a partir do momento em que ela se torna direito uni- versal das pessoas e gestão atribuída ao Estado, é preciso criar normas para essa relação. Nessa unidade, conheceremos a lei 8080/1990 e 8.142/1990 que regulamentam essa relação. Ademais, com embasamento no processo histórico e nas leis que regulamentam a política de saúde, abre-se então um espaço na divisão sociotécnica do trabalho para os Assistentes Sociais. Por isso, torna-se necessário compreender particularidades da atua- ção desse profissional, com vistas a capacitar você, acadêmico (a), para esse mercado de trabalho, amplo e permeado por desafios. Vamos, então, juntos, seguir esse caminho! O CONTEXTO HISTÓRICO DA SAÚDE NO BRASIL1 TÓPICO 71A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 A saúde universal em sua totalidade nem sempre foi uma preocupação dos go- vernantes brasileiros. No início da história do Brasil, propriamente, em 1500, as ações de saúde se destinavam a minimizar o contágio com certas doenças, os representantes do Estado não se preocupavam de forma geral e recorrente. Por isso, podemos considerar que, nesse momento, a saúde não obteve avanços significativos. Esses avanços foram um pouco mais evidentes na transição do século XIX ao XX. Nesse contexto, a saúde se torna uma preocupação do Estado por se tornar uma ameaça aos interesses burgueses, haja vista que o Brasil libertou as pessoas negras da escravidão e buscava imigrantes brancos para trabalhar, mas as doenças que surgiam com o inchaço populacional em decorrência da revolução industrial, poderiam desestimulá-los a migração. Dessa forma, as ações da saúde, nessa época, eram executadas principalmente para facilitar o alcance dos interesses burgueses. Alguns fatos que marcaram o século XX estão expostos no quadro a seguir: QUADRO 1 – LINHA DO TEMPO DA SAÚDE ATA ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS 1920 com a influência estadunidense, a saúde brasileira é repensada, sendo realizados alguns ajustes em São Paulo 1930 ocorre a ditadura militar e com ela a criação de instituições na área de saúde, o que não indicava uma bondade por parte dos governantes, mas uma estratégia para as consequências desse sistema ditatorial 72A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 1940 com o encerramento dessa ditadura, amplia-se a discussão sobre a saú- de, institui o Serviço Especial de Saúde Pública – SESP, após a II Guerra Mundial. 1960 a 1970 Ampliação das discussões sobre a saúde em se tornar universal, lançan- do bases para a Reforma Sanitária Fonte: A autora (2022). A Reforma Sanitária, que ocorreu em 1970, surgiu a partir da abordagem histórico- -estrutural dos problemas de saúde. Nesse movimento, os acadêmicos e profissionais de saúde se reúnem para reivindicar melhores condições de trabalho, acesso universal a essa política, gestão descentralizada e participativa, seu lema foi saúde é cidadania. A Reforma Sanitária lançou as bases para a criação do Sistema Único de Saúde, que é regulamenta por leis sociais. LEI 8080/19902 TÓPICO 73A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 A saúde, enquanto política de direito universal, precisa ser regulamentada e garan- tida legalmente. Para tanto, no ano de 1990, surgiram duas leis sociais, como a de número 8080, que versa sobre os aspectos fundamentais para promover, proteger e recuperar a saúde, sua organização e funcionamento. Esse tópico se dedica a estudar essa Lei. A Lei 8080, de 19 de janeiro de 1990, proporciona inovação conceitual de saúde. Com base nessa lei, compreende-se a saúde como um direito de caráter fundamental, sendo sua execução de responsabilidade do Estado, no qual deverá criar e implementar políticas econômicas e sociais para minimizar as consequências que afetam a saúde, garantindo a universalidade e igualdade de acesso a todos. No entanto, embora o Estado tenha o atributo quanto a execução das ações de saúde, a sociedade não se exime de também promovê-la. Quando pensamos em saúde, podemos incorrer no equívoco de considerá-la ape- nas em seu aspecto biológico. No entanto, essa política busca proporcionar um estado de bem-estar físico, mental e social, sendo seus níveis um indicador relevante na busca por compreensão sobre como um determinado país está organizado social e economicamente. Os aspectos que condicionam e determinam a saúde são: a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais (BRASIL, 1990a). Além da definição de saúde, a Lei 8080 de 1990 conceitua o Sistema Único de Saú- de (SUS). Trata-se de um “conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público” (BRASIL, 1990a, s/p). Essa lei permite que as organizações de natureza privada participem desse sistema de forma a complementar as ações de saúde do âmbito público. 74A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 Conforme o artigo 5º da Lei 8080 de 1990, os objetivos do Sistema único de Saúde (SUS) são: I - a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde; II - a formulação de política de saúde destinada a promover, nos cam- pos econômico e social, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta lei; III - a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas (BRASIL, 1990a, s/p). Esses princípios devem ser seguidos em todos os campos de atuação do Sistema Único de Saúde. Isso porque ele tem um campo amplo que envolve o desenvolvimento e o planejamento de ações de saneamento básico, recursos humanos da área, de nutrição, meio ambiente, sangue, controle de materiais dessa área, substâncias utilizadas para o consumo, logística de substâncias psicoativas e tecnologias da área. A realização de ações se desenvolve no campo da vigilância sanitária, epidemiológica e saúde do trabalhador. A Lei 8080, compreende distinções entre esses campos em que as ações de saúde se desenvolvem, a saber: QUADRO 2 – ESPECIFICIDADES DO CAMPO NA EXECUÇÃO DE AÇÕES DA SAÚDE CAMPO ESPECIFICIDADES Vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentesdo meio ambiente, da produção e circu- lação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: o con- trole de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Vigilância Epide- miológica conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. Saúde do trabalha- dor conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho, abrangendo: assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; par- ticipação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produ- ção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador; avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; participação na normati- zação, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; revisão periódica da listagem oficial de doenças origi- nadas no processo de trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; e a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão compe- tente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores. Fonte: Brasil (1990a, s/d). 75A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 Portanto, a vigilância sanitária, epidemiológica e saúde do trabalhador se diferen- ciam. Respectivamente, se destinam aos problemas sanitários, mudanças que afetam os condicionantes e determinantes a saúde, bem como, a proteção ao bem-estar dos profissio- nais. Cada um desses campos possui suas particularidades definidas pela lei 8080 de 1990. O Sistema Único de Saúde (SUS) é orientado por princípios estabelecidos na Lei 8080 de 1990, a saber: I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência; II - integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e con- tínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral; IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qual- quer espécie; V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário; VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alo- cação de recursos e a orientação programática; VIII - participação da comunidade; IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfe- ra de governo: a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; X - integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e sa- neamento básico; XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de serviços de assistência à saúde da população; XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos. XIV – organização de atendimento público específico e especializado para mulheres e vítimas de violência doméstica em geral, que garanta, entre ou- tros, atendimento, acompanhamento psicológico e cirurgias plásticas repara- doras (BRASIL, 1990a, s/p). Seguindo esses princípios, o Sistema Único de Saúde tem uma direção única nas esferas governamentais. No caso da União, o órgão responsável é o Ministério da Saúde; nos territórios estatais, distrital e municipais, tem-se a organização desse sistema vinculada a Secretarias de Saúde ou instituições que a ela se igualam. Esses órgãos responsáveis pelo Sistema Único de Saúde em cada esfera de go- verno têm suas atribuições em comum e privativas descritas a seguir: 76A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 QUADRO 3 – ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS RELACIONADAS AO SUS DE ACORDO COM CADA ESFERA DE GOVERNO DIREÇÃO ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS Nacional I - formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição; II - participar na formula- ção e na implementação das políticas: a) de controle das agressões ao meio ambiente; b) de saneamento básico; e c) relativas às condições e aos ambientes de trabalho; III - defi- nir e coordenar os sistemas: a) de redes integradas de assistência de alta complexidade; b) de rede de laboratórios de saúde pública; c) de vigilância epidemiológica; e d) vigilân- cia sanitária; IV - participar da definição de normas e mecanismos de controle, com órgão afins, de agravo sobre o meio ambiente ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde humana; V - participar da definição de normas, critérios e padrões para o controle das condições e dos ambientes de trabalho e coordenar a política de saúde do trabalha- dor; VI - coordenar e participar na execução das ações de vigilância epidemiológica; VII - estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo a execução ser complementada pelos Estados, Distrito Federal e Municípios; VIII - estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle da qualidade sanitária de produtos, substâncias e serviços de consumo e uso humano; IX - promover articula- ção com os órgãos educacionais e de fiscalização do exercício profissional, bem como com entidades representativas de formação de recursos humanos na área de saúde; X - formular, avaliar, elaborar normas e participar na execução da política nacional e pro- dução de insumos e equipamentos para a saúde, em articulação com os demais órgãos governamentais; XI - identificar os serviços estaduais e municipais de referência nacional para o estabelecimento de padrões técnicos de assistência à saúde; XII - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde; XIII - prestar cooperação técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o aperfeiçoamento da sua atuação institucional; XIV - elaborar normas para regular as relações entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados contratados de assistência à saúde; XV - promover a descentralização para as Unidades Federadas e para os Municípios, dos serviços e ações de saúde, respectivamente, de abrangência estadual e municipal; XVI - normatizar e coordenar nacionalmente o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; XVII - acompanhar, controlar e avaliar as ações e osserviços de saúde, respeitadas as competências estaduais e municipais; XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico Nacional no âmbito do SUS, em cooperação técnica com os Estados, Municípios e Distrito Federal; XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em todo o Território Nacional em cooperação técnica com os Estados, Municípios e Distrito Federal. Estadual I - promover a descentralização para os Municípios dos serviços e das ações de saúde;. II - acompanhar, controlar e avaliar as redes hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); III - prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios e executar supletivamente ações e serviços de saúde; IV - coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) de vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; e d) de saúde do trabalhador; V - participar, junto com os órgãos afins, do controle dos agravos do meio ambiente que tenham repercussão na saúde humana; VI - participar da formulação da política e da execução de ações de saneamento básico; VII - participar das ações de controle e avaliação das condições e dos ambientes de tra- balho; VIII - em caráter suplementar, formular, executar, acompanhar e avaliar a política de insumos e equipamentos para a saúde; IX - identificar estabelecimentos hospitalares de referência e gerir sistemas públicos de alta complexidade, de referência estadual e regional; X - coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros, e gerir as unidades que permaneçam em sua organização administrativa; XI - estabele- cer normas, em caráter suplementar, para o controle e avaliação das ações e serviços de saúde; XII - formular normas e estabelecer padrões, em caráter suplementar, de pro- cedimentos de controle de qualidade para produtos e substâncias de consumo humano; XIII - colaborar com a União na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; XIV - o acompanhamento, a avaliação e divulgação dos indicadores de mor- bidade e mortalidade no âmbito da unidade federada. 77A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 Municipal I - planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde e gerir e exe- cutar os serviços públicos de saúde; II - participar do planejamento, programação e or- ganização da rede regionalizada e hierarquizada do Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua direção estadual; III - participar da execução, controle e avaliação das ações referentes às condições e aos ambientes de trabalho; IV - executar serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; d) de saneamento básico; e e) de saúde do trabalhador; V - dar execução, no âmbito muni- cipal, à política de insumos e equipamentos para a saúde; VI - colaborar na fiscalização das agressões ao meio ambiente que tenham repercussão sobre a saúde humana e atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais competentes, para controlá-las; VII - formar consórcios administrativos intermunicipais; VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros; IX - colaborar com a União e os Estados na execução da vi- gilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; X - observado o disposto no art. 26 desta Lei, celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços priva- dos de saúde, bem como controlar e avaliar sua execução; XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos serviços privados de saúde; XII - normatizar complementarmente as ações e serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação. Distrito Federal competem as atribuições reservadas aos Estados e aos Municípios Fonte: BRASIL (1990a, s/p). Tratando-se da saúde de todas as pessoas que vivem no território brasileiro, se- gue-se a organização apresentada, inclusive os indígenas. No entanto, para esse público, ainda existe um subsistema de atenção à saúde Indígena, que integra o Sistema Único de Saúde (SUS), financiado pelo aparato da União, os demais entes, isto é, Estado e Município podem custeá-lo de forma complementar. Basicamente, esse subsistema funciona como o SUS, mas é exclusivo para a população indígena. Portanto, a Lei 8080 de 1990 estabelece aspectos conceituais e atributiva relacio- nada a política de saúde. Trata-se de um avanço para a saúde, haja vista que a reconheceu para além de aspectos biológicos, mas também social e econômico, assim como, obrigou o poder público a executar essa política, seguindo princípios que buscam atingir a humaniza- ção. No entanto, ainda era necessário criar normas legais que trata da participação popular na saúde, assim, cria-se a Lei 8.142, que será estudada a seguir. LEI 8142/19903 TÓPICO 78A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 A Lei 8.142 de 1990, assim como a 8.080 desse mesmo ano, é considerada um avanço. Propriamente, a Lei 8.142/1990, versa sobre aspectos relevantes da participação popular na administração do Sistema Único de Saúde (SUS) e as formas de financiamento dessa política. Vamos conhecê-la com mais profundidade! O primeiro artigo da Lei 8.142/1990 estabelece duas instâncias colegiadas em cada esfera governamental, sendo elas a conferência e o conselho de saúde. Cada instância possui suas especificidades, propriamente, a conferência acontece quadrienalmente com o objetivo de realizar avaliação e propostas para a política de saúde em cada território do governo, a participação precisa ser paritária; já os conselhos são mais frequentes fazem deliberações, formados por representantes governamentais, usuários, profissionais de saú- de e pessoas que para essa política presta serviço. Ambas as instâncias são organizadas por meio de regimento próprio que deve ser aprovado pelo próprio conselho. A saúde é custeada pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) que tem seus recursos alocados das seguintes financiadores: I - despesas de custeio e de capital do Ministério da Saúde, seus órgãos e entidades, da administração direta e indireta; II - investimentos previstos em lei orçamentária, de iniciativa do Poder Legis- lativo e aprovados pelo Congresso Nacional; III - investimentos previstos no Plano Qüinqüenal do Ministério da Saúde; IV - cobertura das ações e serviços de saúde a serem implementados pelos Municípios, Estados e Distrito Federal. Parágrafo único. Os recursos referi- dos no inciso 79A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 IV deste artigo destinar-se-ão a investimentos na rede de serviços, à cober- tura assistencial ambulatorial e hospitalar e às demais ações de saúde (BRA- SIL, 1990b, s/p). É relevante que a política de saúde tenha mais de uma fonte de financiamento, haja vista a garantia de continuidade. Para que os agentes governamentais (Município, Estado, e Distrito Federal) recebam recursos da União precisam conter obrigatoriamente o “fundo de saúde; [...] conselho de saúde [...]; plano de saúde; [...] relatórios de gestão [...]; contrapartida de recursos para a saúde [...]; Comissão de elaboração do Plano de Carreira, Cargos e Salários” (BRASIL, 1990b, s/p). Ter essa obrigatoriedade estipulada em Lei em contrapartida de recurso, faz com que esses agentes se adequem. Portanto, a Lei 8.142 de 1990 é tão importante quanto a 8080 de 1990. Entretanto, enquanto esta define aspectos fundamentais da saúde, aquela detalha a participação dos usuários, as formas de financiamentos e critérios para receber recursos. Trata-se de um aparato legal curto, mas essencial para a atuação profissional do Assistente Social. A ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE SAÚDE4 TÓPICO 80A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 O Assistente Social tem a questão social como o seu objeto de trabalho. Dessa forma, esse profissional, ao atuar na política de saúde, necessita destinar suas açõespara enfrentar as expressões da questão social que afetam a saúde da população. Por isso, essa atuação profissional merece destaque em seus estudos, que é o foco desse tópico. Os Assistentes Sociais podem realizar as suas funções nas diversas instituições de saúde. Entre elas destacam-se as Unidades Básicas de Saúde, Centro de Atenção Psicossocial, Centro Regional de Especialidades, Hospitais, Clínicas, entre outras. Nesses espaços, esse profissional coloca em prática a teoria que adquiriu durante sua formação. São várias as técnicas que o Assistente Social pode empregar no seu fazer profis- sional. Dentre elas, destacam-se a entrevista, visitas domiciliares, institucionais, grupo, no setor clínico, recursos humanos, gestão, entre outros. Dependendo do local de trabalho, esses profissionais podem atuar executando as várias técnicas estudadas. De acordo com Souza (2009), os Assistentes Sociais ao atuar na política de saúde, desenvolvem as seguintes ações: QUADRO 4 - AÇÕES DESENVOLVIDAS PELOS ASSISTENTES SOCIAIS NA POLÍTICA DE SAÚDE AÇÃO ESPECIFICIDADES Assistenciais As ações a serem desenvolvidas pelos assistentes sociais devem transpor o caráter emergencial e burocrático, bem como ter uma direção socioeducativa através da re- flexão com relação às condições socio-históricas a que são submetidos os usuários e mobilização para a participação nas lutas em defesa da garantia do direito à Saúde. Em equipe A atuação do assistente social frente a este procedimento é o de orientação, esclare- cimento, e reflexão junto ao usuário e à equipe de saúde com relação às condições objetivas que estão impulsionando os usuários a tomar esta decisão. O profissional responsável pela alta e pelos seus procedimentos deve ser o médico e não o assis- tente social. O profissional de Serviço Social pode ser um interlocutor entre os usuá- rios e a equipe de saúde com relação a questões sociais e culturais, visto que pela sua própria formação há o respeito pela diversidade, o que geralmente é mais difícil para outros profissionais de saúde. 81A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 Socioeducativas Consistem em orientações reflexivas e socialização de informações realizadas atra- vés de abordagens individuais, grupais ou coletivas ao usuário, família e população de determinada área programática. Devem se constituir em eixo central de atuação do profissional de Serviço Social e recebem também a denominação de educação em saúde. O seu enfoque abrange diversos aspectos: informação e debate sobre rotinas e funcionamento das unidades tendo por objetivo a democratização da mesma e as necessárias modificações; análise dos determinantes sociais da situação apresenta- da pelos usuários; democratização dos estudos realizados pela equipe (com relação à rede de serviços, perfil epidemiológico, socioeconômico e cultural dos usuários); análise da política de saúde e dos mecanismos de participação popular. Mobilização, Par- ticipação e Con- trole Social Estas ações estão voltadas prioritariamente para a inserção dos usuários, familiares e trabalhadores de saúde nos espaços democráticos de controle social e construção de estratégias para fomentar a participação e defesa dos direitos pelos usuários e trabalhadores nos conselhos, conferências e fóruns de saúde e de outras políticas públicas. Tem como enfoque, também, a democratização da instituição através da criação de conselhos gestores de unidades e outros órgãos colegiados que visem a participação dos trabalhadores de saúde na gestão da unidade. Envolve ações de mobilização em defesa da saúde nas áreas em que a instituição está circunscrita e articulação com movimentos sociais. Investigação, Planejamento e Gestão Têm como perspectiva o fortalecimento da gestão democrática e participativa capaz de produzir, em equipe e intersetorialmente, propostas que viabilizem e potencializem a gestão em favor dos usuários e trabalhadores de saúde, na garantia dos direitos sociais. Assessoria, Qua- lificação e Forma- ção Profissional Consistem em treinamento, preparação e formação de recursos humanos voltados para a educação permanente de funcionários, representantes comunitários, chefes intermediários e conselheiros. Pretende qualificar os trabalhadores de saúde na esfe- ra operacional da unidade, além de instrumentalizar a formação de equipes, gestores, supervisores e conselheiros de saúde. Essas ações devem ser realizadas com a par- ticipação de outros profissionais, e não isoladamente. Fonte: Souza (2009, p. 22). Seguindo os preceitos do Código de Ética e da Lei que regulamenta a profissão, os Assistentes Sociais, fazem as ações apresentadas no quadro anterior, nas quais tem ênfase na decodificação da realidade e intervenção nos determinantes e condicionantes da saúde. 82A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 Caro (a) acadêmico (a), Procurei apresentar aspectos relevantes a respeito da saúde para os Profissionais Assistentes Sociais. Propriamente, abordei uma breve história dessa política, as leis sociais que a regulamenta, e elementos importantes da atuação desses profissionais nessa políti- ca. Traçamos um caminho importante para a compreensão desses aspectos. Sobre a história da assistência social, observamos que ações pontuais foram desenvolvidas ao longo da história brasileira. Mas, em sistema organizado e legalmente re- gulamentado, o marco foi a Reforma Sanitária que lançou bases para a criação do Sistema Único de Saúde. Trata-se de um sistema regulamentado pela Lei 8080 que aborda conceitos básicos e imprescindíveis para a organização da saúde como um direito universal e de responsa- bilização estatal. Outra Lei social importante para essa característica de direito da política de saúde foi a Lei 8.142, que organizou a participação popular nos processos decisórios, que acon- tecem, principalmente, por meio de conselhos e conferências. Por fim, destaquei as ações realizadas por profissionais Assistentes Sociais que atuam na política de saúde. CONSIDERAÇÕES FINAIS 83A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 Parâmetros para a Atuação de Assistentes Sociais na Saúde A Seguridade Social representa um dos maiores avanços da Constituição Federal de 1988 no que se refere à proteção social e atende às históricas reivindicações da classe trabalhadora. Está inserida no capítulo “Da Ordem Social” e é composta pelo tripé Saúde, Assistência Social e Previdência Social. Representa a promessa de afirmação e extensão de direitos sociais em nosso país, em consonância com as transformações sócio-políticas que se processaram. Nessa direção, destaca-se como significativo na concepção de Segu- ridade Social: a universalização, a concepção de direito social e dever do Estado, o estatu- to de política pública à assistência social, a definição de fontes de financiamento e novas modalidades de gestão democrática e descentralizada com ênfase na participação social de novos sujeitos sociais com destaque para os conselhos e conferências. Parte-se da concepção de que as Políticas de Seguridade Social são concebidas na ordem capitalista como o resultado de disputas políticas e, nessa arena de conflitos, as políticas sociais, re- sultantes das lutas e conquistas da classe trabalhadora, assumem caráter contraditório, podendo incorporar as demandas do trabalho, e impor limites, ainda que parciais, à econo- mia política do capital. Nessa perspectiva, ao garantir direitos sociais, as políticas sociais podem contribuir para melhorar a condição de vida e trabalho, ainda que não possam alte- rar estruturalmente o capitalismo. Na Década de 1980, as classes trabalhadoras não con- seguiram interferir significativamente na ordem econômica, apesar de terem obtido signifi- cativas vitórias no âmbito social e político, num contexto de lutas democráticas contra o regime ditatorial que se instalou no Brasil desde 1964. O que se verificoupara os trabalha- dores, no final dessa década, foi uma conquista no campo da ação política organizada e derrota no campo econômico. Apesar das conquistas dos movimentos sociais organizados, a transição do regime autocrático para o sistema democrático ocorreu com marcas subal- ternizadas, ou seja, operou uma “transição negociada”, sem uma ruptura radical com as forças políticas até então hegemônicas, sejam do regime militar, do latifúndio e do grande capital, sobretudo do capital bancário (Coutinho apud Mota,1995). A saúde foi uma das áreas em que os avanços constitucionais foram mais significativos. O Sistema Único de Saúde (SUS), integrante da Seguridade Social e uma das proposições do Projeto de Refor- ma Sanitária, foi regulamentado, em 1990, pela Lei Orgânica da Saúde (LOS). O Projeto de LEITURA COMPLEMENTAR 84A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 Reforma Sanitária, tendo no SUS uma estratégia, tem como base um Estado democrático de direito, responsável pelas políticas sociais e, consequentemente, pela saúde. Desta- cam-se como fundamentos dessa proposta a democratização do acesso; a universalização das ações; a melhoria da qualidade dos serviços com a adoção de um novo modelo assis- tencial pautado na integralidade e equidade das ações; a democratização das informações e transparência no uso de recursos e ações do governo; a descentralização com controle social democrático; a interdisciplinaridade nas ações. Tem como premissa básica a defesa da “saúde como direito de todos e dever do Estado” (Bravo, 1999; Bravo & Matos, 2001). A principal proposta da Reforma Sanitária é a defesa da universalização das políticas sociais e a garantia dos direitos sociais. Nesta direção, destaca-se a concepção ampliada de saú- de, considerada como melhores condições de vida e de trabalho; a importância dos deter- minantes sociais; a nova organização do sistema de saúde através da construção do SUS, em consonância com os princípios da intersetorialidade, integralidade, descentralização, universalização, participação social e redefinição dos papéis institucionais das unidades políticas (União, Estado, municípios, territórios) na prestação dos serviços de saúde; e efetivo financiamento do Estado. Em 1989, nas eleições presidenciais, há disputa entre dois Projetos Societários: Democracia de Massas X Democracia Restrita (Netto, 1990), construídos na dinâmica da relação Estado – Sociedade. O projeto Democracia de Massas prevê a ampla participação social conjugando as instituições parlamentares e os sistemas partidários com uma rede de organizações de base: sindicatos, comissões de empresas, organizações de profissionais e de bairros, movimentos sociais urbanos e rurais. Esse projeto propõe articular a democracia representativa com a democracia direta e atribui ao Estado democrático de direito a responsabilidade e o dever de construir respostas às ex- pressões da questão social. O projeto Democracia Restrita restringe os direitos sociais e políticos com a concepção de Estado mínimo, ou seja, máximo para o capital e mínimo para as questões sociais. O enxugamento do Estado é a grande meta, como também a substi- tuição das lutas coletivas por lutas corporativas. Na década de 1990, com a derrota do Projeto Democracia de Massas, consolida-se uma direção política das classes dominantes no processo de enfrentamento da crise brasileira, cujas principais estratégias do grande capital passam a ser: acirrada crítica às conquistas sociais da constituição de 1988 - com destaque para a concepção de Seguridade Social - e a construção de uma cultura persua- siva para difundir e tornar seu projeto consensual e compartilhado (Mota, 1995). Verifica-se, nessa década, a afirmação das reformas de cunho neoliberal, defendida pelas agências internacionais. O projeto do grande capital tem como vetores privilegiados, segundo Mota 85A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 (1995), a defesa do processo de privatização e a constituição do cidadão consumidor. Na defesa do processo de privatização, ressalta-se a mercantilização da Saúde e da Previdên- cia e a ampliação do assistencialismo. As principais diretrizes são: a Reforma da Previdên- cia inserida no bojo da Reforma do Estado, que vem sendo implantada paulatinamente e possui características de uma contra-revolução (Guerra, 1998) ou contra-reforma; a defesa do SUS para os pobres e a refilantropização da assistência social, com forte expansão da ação do setor privado na área das políticas sociais. A contra-reforma do Estado atingiu a Saúde através das proposições de restrição do financiamento público; da dicotomia entre ações curativas e preventivas, rompendo com a concepção de integralidade através da criação de dois subsistemas. O subsistema de entrada e controle, ou seja, de atendimento básico, de responsabilidade do Estado, uma vez que esse atendimento não é de interesse do setor privado. O subsistema de referência ambulatorial e especializada, formado por unidades de maior complexidade que seriam transformadas em Organizações Sociais. Nessa lógica, há ênfase em programas focais: Programa de Agentes Comunitários de Saú- de (PACS) e Programa de Saúde da Família (PSF); além da utilização de cuidadores com a finalidade de baratear os custos das ações básicas. Entende-se que todas essas medidas visam o estímulo ao seguro privado de saúde, ficando o Sistema Único de Saúde (SUS) restrito aos pobres, através do pacote mínimo para a saúde. A universalização não ocorre e os programas focalizados passam a ser excludentes, havendo um outro sistema para os consumidores. Identifica-se a persistência de notórias dificuldades no sistema, como a de- sigualdade de acesso da população aos serviços de saúde, o desafio de construção de práticas baseadas na integralidade, os dilemas para alcançar a equidade no financiamento do setor, os avanços e recuos nas experiências de controle social, a falta de articulação entre os movimentos sociais, dentre outras questões, são exemplos de que a construção e consolidação dos princípios da Reforma Sanitária permanecem como desafios fundamen- tais na agenda contemporânea do setor saúde. Segundo Tavares, a Seguridade Social inscrita na Constituição de 1988 “foi uma construção interrompida de um projeto mais ge- neroso de proteção social gestado a partir da redemocratização do país” (2004, p.11). No novo século, com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva, em 2002, havia a expectativa de construção de um Brasil novo, com redução das desigualdades sociais por meio de uma política econômica com redistribuição de renda e geração de empregos. Esperava-se que as políticas sociais adquirissem caráter universalista. Na saúde, a pretensão era de retorno do Projeto da Reforma Sanitária. Entretanto, esta expectativa não se concretizou e a políti- ca de saúde continuou prioritariamente focalizada. O Sistema Único de Saúde (SUS) 86A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 completou vinte anos de existência e, não obstante ter conseguido algumas inovações, o SUS real está longe do SUS constitucional. Há uma enorme distância entre a proposta do movimento sanitário e a prática do sistema público de saúde vigente. O SUS foi se conso- lidando como espaço destinado aos que não têm acesso aos subsistemas privados, como parte de um sistema segmentado. A proposição inscrita na Constituição de 1988 de um sistema público universal não se efetivou, apesar de alguns avanços, como o acesso de camadas da população que antes não tinham direito. A nova configuração da política de saúde vai impactar o trabalho do assistente social em diversas dimensões: nas condições de trabalho, na formação profissional, nas influências teóricas, na ampliação da demanda e na relação com os demais profissionais e movimentos sociais. Amplia-se o trabalho pre- carizado e os profissionaissão chamados para amenizar a situação da pobreza absoluta a que a classe trabalhadora é submetida. Nesta conjuntura, as entidades do Serviço Social têm por desafio articular com os demais profissionais de saúde e movimentos sociais em defesa do projeto de Reforma Sanitária, construído a partir de meados dos anos setenta. Tem-se por pressuposto que transformações nas políticas sociais, e na saúde em particular, só serão efetivadas através de um amplo movimento de massas que questione a cultura política da crise gestada pelo grande capital, e lute pela ampliação da democracia nas es- feras da economia, da política e da cultura. Fonte: SOUZA, Rodriane de Oliveira. Parâmetros para a atuação de Assistentes Sociais na Saúde. Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). Brasília, 2009. 87A SAÚDE: HISTÓRIA, LEIS E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIALUNIDADE 4 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Política de saúde no Brasil • Ano: 1975. • Sinopse: Este documentário conta a história das políticas de saú- de em nosso país, mostrando como ela se articulou com a história política brasileira, destacando os mecanismos que foram criados para sua implementação, desde as Caixas de Aposentadorias e Pensões até a implantação do SUS. Sua narrativa central mostra como a saúde era considerada, no início do século XX, um dever da população, com as práticas sanitárias implantadas autoritariamente pelo Estado, de modo articulado aos interesses do capital, e como, no decorrer do século, através da luta popular, essa relação se inverteu, passando a ser considerada, a partir da Constituição de 1988, um direito do cidadão e um dever do Estado. Toda essa traje- tória é contada através de uma narrativa ficcional, vivida por atores, com reconstrução de época, apoiada por material de arquivo. LIVRO • Título: Direito Fundamental à Saúde • Autor: Saulo Lindorfer Pivetta. • Editora: Thomson Reuters. • Sinopse: O livro se destaca por analisar, de maneira abrangen- te, as principais questões relacionadas ao direito fundamental à saúde e ao Sistema Único de Saúde brasileiro. O texto desvenda, de maneira didática, as complexas formulações teóricas a respeito do direito individual à saúde, além de elucidar o funcionamento da estrutura administrativa prevista pela Constituição para a im- plementação das políticas sanitárias no país. Além disso, são ofe- recidas ferramentas que garantem ao leitor o conhecimento sobre os caminhos que têm sido utilizados para a realização do controle judicial do direito à saúde, seja em seu aspecto subjetivo-individual, seja do ponto de vista do questionamento de políticas públicas. Essa segunda edição traz importantes atualizações legislativas a matéria, destacando-se a análise das EC 86/2015 (gastos mínimos em saúde da União) e 95/2016 (“Novo Regime Fiscal”). 88 Caro (a) acadêmico (a), escrevo esta conclusão geral refletindo que o conhecimento nunca se esgota, pelo contrário, sempre se abre novas possibilidades. Por meio do conteúdo presente nesta apostila, você poderá compreender melhor a realidade que você está ou pode- rá ser inserido (a), principalmente, no que se refere às políticas de seguridade social (saúde, previdência e assistência social). A busca pelo conhecimento na profissão de Assistente Social é constante e a base para a compreensão dessas políticas está presente nesta apostila. Para iniciar os estudos presentes nesta apostila, iniciei-a escrevendo sobre o conhe- cimento das formas de proteção social construídas no Brasil. Entre elas destaca-se, sequen- cialmente, as ações caritativas e a intervenção estatal por meio da repressão; a criação do Ministério de Trabalho e Comércio (que funcionou entre 1930 a 1937) que garantia direitos apenas aos trabalhadores formais; entre 1930 a 1943 a sobrecarga da família pela oferta de proteção do estado e a minimização da responsabilização estatal; entre 1964 a 1984 a força física empregada pelo Estado. Todas essas formas de proteção social não responderam efetivamente às expressões da questão social, algumas, pelo contrário, elevaram-na. Dessa forma, no período de redemocratização brasileira, a Constituição Federal de 1988 instituiu a seguridade social, uma forma de proteção social mais efetiva. Trata-se de um sistema em vigor até o período atual, que se constitui em ações que buscam garantir direitos referentes à política de saúde (destinada a todos sem prévia contribuição), previ- dência (voltada para aqueles que contribuem) e assistência social para quem necessita, independentemente de contribuição prévia). Cabe ressaltar que o sistema de seguridade social é formado pela integração dessas políticas. De forma geral, tais políticas devem seguir alguns princípios para, de fato, serem asseguradas pelo estado como direito da população. Propriamente, os princípios da seguri- dade social são a universalidade de atendimento; universalidade de cobertura; uniformidade e equivalências de ações ofertadas para o âmbito urbano e rural; seletividade e distribu- tividade de tais ações; não redução do valor pecuniário dos benefícios; equidade em seu custeio; diversidade de suas fontes de financiamento; e democratização e descentralização de sua gestão. É preciso destacar que as principais fontes jurídicas da seguridade social, ou seja, de onde ela surge, são as Emendas Constitucionais, Leis e Medidas Provisórias. Pelo fato de que a seguridade social aborda a previdência, assistência e saúde, dediquei um capítulo para estudar uma dessas políticas com mais profundidade. Sobre a previdência, inicialmente, ela possuía viés caritativo e, posteriormente, foi regulamentada CONCLUSÃO GERAL 89 legalmente como uma política de direito, como na Lei 8.213/91, garantindo direitos previ- denciários, como a aposentadoria por invalidez, aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de serviço, aposentadoria especial, auxílio-doença, salário-família, salário-ma- ternidade e pensão por morte. Na atuação do Assistente Social nesta política, compete disseminar informações aos usuários, resolver problemas entre estes e a instituição em- pregadora, incentivar a participação destes nas decisões institucionais e a realização de assessoria em relação à previdência social. No que se refere à política de Assistência Social, ela é uma política de atuação do Profissional Assistente Social, sendo necessário seguir seus princípios e diretrizes. O caráter caritativo permeou a gênese dessa política, que, ao longo do tempo, não respondia efetivamente às expressões da questão social, assim, agregou a ela uma característica de direito de quem necessita e de responsabilização estatal. Para tanto, criaram-se legis- lações e normativas, tais como a Lei 8.742/1993, PNAS/2004, NOB/SUAS/2005, Lei n. 12.435/2011, as quais foram estudadas com mais profundidade nesta apostila. A respeito da saúde, outra política do sistema de seguridade social e área de atua- ção do Assistente Social. A política de saúde nem sempre foi organizada como nos tempos mais atuais, ocorreu um processo histórico, trabalhado no estudo dessa disciplina, até a chamada Reforma Sanitária que contribuiu para a instituição do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo ela regulamentada, principalmente pela lei 8.080/1990 e 8142/1990. Os As- sistentes Sociais, ao atuarem nessa política, desenvolvem ações assistenciais; em equipe; socioeducativas; mobilização, participação e controle social; investigação, planejamento e gestão; bem como, assessoria, qualificação e formação profissional. Por fim, precisamos considerar que estudar as políticas de previdência, assistência e saúde separadamente foi importante para melhor aprofundamento de suas especifici- dades. Mas, precisamos sempre destacar que elas juntas formam o sistema de proteção social da seguridade social, ainda vigente no território brasileiro. Por isso, é importante sempre associá-las buscando compreender sua união. Caro(a) acadêmico(a),registrei nesta apostila meu conhecimento sobre as políticas de previdência, assistência e saúde. Ele não é estático e está em constante transformação, sua construção é um processo que envolve leituras e vivências. Espero que, ao escrever esta apostila, tenha contribuído para a sua formação do conhecimento e te estimulado a buscá-lo cada vez mais. Sucesso! Profa. Francilene Bernardo Cordeiro Rôas 90 BRASIL. Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Política Nacional de Assistência Social (PNAS) – Brasília, Secretaria Nacional de Assistência Social. 2004. BRASIL. Censo SUAS 2014 - Resultados Nacionais, Secretarias Municipais de Assis- tência Social, Gestão Municipal. Brasília, Coordenação Geral de Vigilância Socioassis- tencial. Secretaria Nacional de Assistência Social. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Abril de 2015. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. s/p. BRASIL. Declaração universal dos direitos humanos. 1948. BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. 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Fonte: A autora (2022). A seguridade social é um sistema de proteção social, de responsabilidade social e estatal, formado por três políticas, sendo elas: saúde, previdência e assistência social. Especificamente, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 194, define a Seguridade Social como “um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da so- ciedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social” (BRASIL, 1988, s/p, grifo nosso). A junção dessas três políticas é o que chamamos de tripé da Seguridade Social. A figura a seguir, ilustra a formação da seguridade social e a especificidade de suas políticas: 11PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 FIGURA 1 – AS POLÍTICAS QUE INTEGRAM O SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL DA SEGURIDADE SOCIAL Fonte: A autora (2022). A figura anterior ilustra a formação da seguridade social brasileira a partir da pro- mulgação da Constituição Federal de 1988. Em suma, observa-se que a seguridade social, modelo protetivo, é formada pela integração das políticas de saúde (destinada a todos sem prévia contribuição), previdência (voltada para aqueles que contribuem) e assistência social (desenvolvida para quem necessita, independentemente de contribuição prévia). Portanto, essa lei federal apresenta um novo formato de proteção brasileira, rompendo com a noção restrita de cobertura, que se destinava apenas aos trabalhadores formais. PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL2 TÓPICO 12PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 Agora que compreendemos os conceitos e a história da seguridade social brasilei- ra, podemos conhecer os seus princípios. A fonte Jurídica da Seguridade Social, isto é, a Constituição Federal de 1988, estabelece que esse sistema de proteção deve seguir seis princípios. Vamos conhecê-los! Conforme o parágrafo único do artigo 194 da Constituição Federal de 1988, a se- guridade social deve seguir como princípios: Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: I - universalidade da cobertura e do atendimento; II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; IV - irredutibilidade do valor dos be- nefícios; V - eqüidade na forma de participação no custeio; VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, pre- vidência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social; VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados (BRASIL, 1998, s/d). Em suma, os princípios da Seguridade Social são escritos na Constituição Federal brasileira de 1988 como objetivo. Eles são subsídios para nortear as três políticas que for- mam a Seguridade Social, que são saúde, previdência e assistência social. Conheceremos com mais profundidade cada um desses princípios! O primeiro princípio da Seguridade Social exposto na Constituição Federal de 1988 é a “universalidade da cobertura e do atendimento” (BRASIL, 1988, s/d). Observe que ele contém dois elementos que são universais, sendo eles a cobertura e o atendimento. Para 13PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 melhor compreensão, separarei a explicação dos dois, iniciando, então, pela universalidade de atendimento. Sobre a universalidade de atendimento, observe a figura apresentada a seguir: FIGURA 2 – A UNIVERSALIDADE DE ATENDIMENTO (PRINCÍPIO DA SEGURIDADE SOCIAL) Fonte: CLIPART LIBRANY. Disponível em: http://clipart-library.com/search1/?q=m%C3%A9dico#gsc.tab=1&gsc. q=m%C3%A9dico&gsc.page=2. Acesso em: 11 ago. 2022. A figura anterior mostra um profissional de saúde atendendo um homem de meia-ida- de. Ela representa a universalidade de atendimento porque esse princípio está relacionado a prestação de serviço a todos, sem nenhum tipo de discriminação, ou seja, o atendimento independe de elementos que erroneamente distinguem as pessoas na sociedade, como idade, cor da pele, gênero e religião. A universalidade do atendimento é a prestação que as pessoas demandam, conforme o que está previsto em lei, sem distinções. Sobre a universalidade de cobertura, presente no primeiro princípio do texto da Constituição Federal de 1988, veja essa imagem: Por que essa figura tem relação com o princípio de universalidade de atendimento? http://clipart-library.com/search1/?q=m%C3%A9dico#gsc.tab=1&gsc.q=m%C3%A9dico&gsc.page=2 http://clipart-library.com/search1/?q=m%C3%A9dico#gsc.tab=1&gsc.q=m%C3%A9dico&gsc.page=2 14PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 FIGURA 3 – PESSOA EM SITUAÇÃO DE RUA Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/mendingo/. Acesso em: 16 jul. 2022. Essa imagem apresenta uma pessoa em situação de rua pedindo ajuda, trata-se de uma contingência social que afeta as pessoas. Ela tem relação com a universalidade de cobertura porque esse princípio indica que o sistema protetivo brasileiro deve cobrir contingências (como a morte, idade avançada e fome), ou seja, os riscos que atingem as pessoas devem ser atendidos pelas políticas que formam a seguridade social, isto é saúde, previdência e assistência social. Essas contingências devem ser pré-definidas no planejamento das ações, programas ou projetos dessas políticas. O segundo princípio da seguridade social estabelecido pela Constituição Federal de 1988 é a “uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais” (BRASIL, 1988, s/p), ilustrado nessa figura: FIGURA 3 – POPULAÇÃO RURAL E URBANA Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/popula%C3%A7%C3%A3o%20urbana/. Acesso em: 16 jun. 2022. Por que essa figura tem relação com a universalidade de cobertura? https://www.pexels.com/pt-br/procurar/mendingo/ https://www.pexels.com/pt-br/procurar/popula%C3%A7%C3%A3o urbana/ 15PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 Essa figura, ilustra, na sequência, a população urbana e rural, citada no segundo princípio da seguridade social. Esse princípio indica que elas devem receber, de forma idêntica, às ações e serviços que são desenvolvidos pelas políticas de saúde, previdência e assistência social (que formam o sistema da seguridade social), independente do seu local de moradia. Todos, independentemente de onde residam (urbano ou rural), devem receber igual benefício ao atenderem seus critérios e apresentarem a mesma demanda. No que se refere ao terceiro princípio da seguridade social brasileira estabelecida na Constituição Federal de 1988, observe essa imagem: FIGURA 4 – SELEÇÃO DE PESSOAS Fonte: CLIPART LIBRANY. Disponível em: http://clipart-library.com/search1/?q=d%C3%BAvida#gsc.tab=1&gsc. q=d%C3%BAvida&gsc.page=7. Acesso em: 11 ago. 2022. Por que essa figura tem relação com o princípio “uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais” ? Fonte: Brasil (1988, s/p). Por que essa figura tem relação com o princípio de seletividade e distributividade? http://clipart-library.com/search1/?q=d%C3%BAvida#gsc.tab=1&gsc.q=d%C3%BAvida&gsc.page=7 http://clipart-library.com/search1/?q=d%C3%BAvida#gsc.tab=1&gsc.q=d%C3%BAvida&gsc.page=716PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 A figura anterior apresenta alguém que está realizando a seleção de pessoas para distribuir algo a elas. Ela tem relação com o terceiro princípio da seguridade social, isto é, “seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços” (BRASIL, 1988, s/p) porque a seletividade orienta a escolha das pessoas para participar de serviços ou receber um benefício e as necessidades que serão atendidas por essas ações, já a distributividade está relacionada com a tentativa de atender o maior número de pessoas possíveis afetadas por determinada contingência social. Estudamos o princípio de universalidade, mas, infelizmente, o Estado não consegue atender a todos, por isso, segue a seletividade e a distributividade. A respeito do quarto princípio da seguridade social “irredutibilidade do valor dos benefícios”, leia a reportagem a seguir: QUADRO 1 – REPORTAGEM SOBRE A REDUÇÃO DO VALOR DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ Cálculo da Aposentadoria Por Invalidez: como é feito agora no INSS? [...] Uma das alterações mais impactantes trazidas pela Reforma da Previdência foi a mu- dança no cálculo da aposentadoria por invalidez. Quem se aposentou após 13/11/2019 viu reduzir a porcentagem aplicada no salário de benefício na modalidade não acidentária. Isso significa que quem se aposentou depois dessa data passou a receber menos. [...] Desta forma, caso você seja aposentado por invalidez e a sua aposentadoria foi concedida após a reforma, é possível revisar seu benefício e, ainda, ter valores atrasados a receber [...]. POR QUE O CÁLCULO FOI CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL? Em março de 2022, a Turma Regional de Uniformização Previdenciária do TRF 4ª Re- gião determinou que a regra do cálculo da aposentadoria por invalidez após a reforma era considerada inconstitucional. Ainda, determinou que o valor do benefício levasse em consideração 100% do salário de benefício. Segundo a decisão, a redução viola vários princípios constitucionais, como razoabilidade, seletividade na prestação dos benefícios, proporcionalidade, da irredutibilidade do valor dos benefícios e da isonomia. Fonte: MIX VALE. 2022. Disponível em: https://www.mixvale.com.br/2022/07/31/calculo-da-aposentadoria-por- invalidez-como-e-feito-agora-no-inss/. Acesso em: 77 ago. 2022. (adaptada) Observe que a redução de um benefício previdenciário foi considerada inconstitu- cional, ou seja, em desacordo com a Constituição Federal de 1988. Isso porque, ela viola vários princípios elencados nessa lei, entre os quais destaca-se a “irredutibilidade do valor dos benefícios” (BRASIL, 1988, s/p), pois ele orienta que o valor pecuniário dos benefí- Por que essa reportagem tem relação com o princípio de “irredutibilidade do valor dos benefícios”? https://www.mixvale.com.br/2022/07/31/calculo-da-aposentadoria-por-invalidez-como-e-feito-agora-no-inss/ https://www.mixvale.com.br/2022/07/31/calculo-da-aposentadoria-por-invalidez-como-e-feito-agora-no-inss/ https://www.mixvale.com.br/2022/07/31/calculo-da-aposentadoria-por-invalidez-como-e-feito-agora-no-inss/ 17PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 cios não pode ser diminuído, mesmo quando é reajustado, que não aumenta conforme a inflação, mas também não pode ser reduzido. Caro (a) acadêmico (a), posteriormente, abordarei com maior profundidade o assunto da aposentadoria por invalidez. Acerca do quinto princípio da Seguridade Social estabelecido pela Constituição Federal de 1988, verifique essa figura: FIGURA 5 – EQUIDADE E IGUALDADE Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/equality-equity-abstract-concept-different-people-1997299628 Note que na figura da equidade todos terão proporções de escadas ideais para atingir o mesmo nível, o que não acontece na igualdade. Essa imagem tem relação com o princípio de “equidade na forma de participação no custeio” (BRASIL, 1988, s/p), dado que o financiamento das políticas da seguridade social é realizado por diversos agentes de maneira equitativa, ou seja, segundo a sua capacidade contributiva. Nesse sentido, todos contribuem obrigatoriamente, mas aquele que detém um valor maior é quem pagará mais. O sexto princípio da seguridade social trata da diversidade da base de financiamen- to, como exposto a seguir: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos or- Por que essa reportagem tem relação com o princípio de equidade no custeio da seguridade social? 18PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 çamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contri- buição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social; III - sobre a receita de concursos de prognósticos. IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar (BRASIL, 1988, s/p). Esse texto constitucional expõe que a seguridade social é custeada de forma diver- sificada. O princípio da seguridade social, estabelecido pela Constituição Federal de 1988, sobre a diversidade da base de financiamento, indica que ela não será custeada por apenas um agente, mas por diversos, isso é, toda a sociedade, que contribui direta ou indiretamente. Todos, contribuem conforme sua capacidade, seguindo o princípio estudado anteriormente. Sobre o princípio “caráter democrático e descentralizado da administração, me- diante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo”, está bem ilustrado no fluxograma a seguir: FIGURA 6 – GESTÃO DA SEGURIDADE SOCIAL Fonte: A autora (2022). Para compreender esse princípio por completo, vamos, primeiramente, entender cada parte, associando com essa figura que o representa. O sétimo princípio inicia es- tabelecendo que a gestão das políticas que formam a seguridade social tenha natureza democrática, isso significa que a sociedade deve participar de sua administração, o que pode ocorrer por meio de conselhos, conferências, ouvidorias, entre outras. Posteriormente, aborda que essa gestão deve ser descentralizada para quatro agentes (quadriparte), sendo eles os trabalhadores, empregadores, aposentados e o governo. Como forma de revisão e apreensão do conteúdo por parte de você, acadêmico, construí o quadro a seguir que resume a explicação dos princípios da seguridade social: 19PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 QUADRO 2 – RESUMO DOS PRINCÍPIOS QUE ORIENTAM A SEGURIDADE SOCIAL PRINCÍPIO ESPECIFICIDADE I - universalidade da cobertura e do atendimento; Universalidade de atendimento é a prestação que as pessoas demanda, conforme o que está previsto em lei, sem distinções; e universalidade de cober- tura indica que as políticas de seguridade social de- vem atender os riscos. II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; Todos, independentemente de onde reside (urbano ou rural), devem receber iguais benefícios ao atenderem seus critérios e apresentarem a mesma demanda. III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e ser- viços; A seletividade elege aspectos importantes para um serviço ou benefício, por exemplo o público-alvo e as demandas atendidas; a distributividade, é a tentativa deatender a maior quantidade de pessoas possíveis. IV - irredutibilidade do valor dos be- nefícios; O valor pecuniário dos benefícios não pode ser re- duzido V - equidade na forma de participa- ção no custeio; O financiamento das políticas da seguridade social é realizado por diversos agentes segundo a sua ca- pacidade contributiva VI - diversidade da base de finan- ciamento, identificando-se, em ru- bricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despe- sas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social; Indica que ela não será custeada por apenas um agente, mas por diversos, isso é, toda a sociedade, que contribui direta ou indiretamente VII - caráter democrático e descen- tralizado da administração, median- te gestão quadripartite, com par- ticipação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados Tem caráter democrático porque a sociedade deve participar de sua administração e gestão quatripar- tite porque quatro agentes participam da gestão dessas políticas, nos quais estão especificados na escrita desse princípio. Fonte: Brasil (1998, s/d). Portanto, a seguridade social brasileira é um sistema protetivo formado por três políticas, sendo elas a saúde, previdência e assistência social, nas quais são orientadas pelos sete princípios explicados ao longo desse tópico e resumido no quadro anterior. FONTES JURÍDICAS DA SEGURIDADE SOCIAL3 TÓPICO 20PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 O termo fonte pode ter múltiplas significações, mas nos dá a noção de origem, nas- cimento e surgimento. As fontes de origem jurídica nada mais são do que a procedência de uma determinada norma ou regra, como, por exemplo, as leis. Estudar as fontes jurídicas da seguridade social requer compreender as legislações que a fundamenta e regulamenta. Entre as normas jurídicas da seguridade social, já citamos a Constituição Federal de 1988. Mas, também existem outras, segundo Correia E. e Correia M. (2017), sendo as principais: as Emendas Constitucionais, Leis e Medidas Provisórias. Aprofundaremos nosso conhecimento sobre essas normas jurídicas da seguridade social. Sobre a Constituição Federal de 1988, ela é a lei suprema no Brasil, servindo de padrão para outras normas jurídicas formuladas nesse país. Todas as outras normas de natureza jurídica devem estar conforme a carta magna, se ao contrário, ela é considerada inconstitucional e, por isso, não tem validade jurídica. Em seu texto, dedica seu capítulo II para o assunto da seguridade social, propriamente, os artigos 194 e 195, bem como seus incisos. Alguns assuntos tratados nesses artigos já foram abordados ao longo deste capítu- lo, outros ainda estudaremos, mas, veja, por completo, como a seguridade é abordada pela Constituição Federal de 1988: O que você pensa quando lê o termo fonte? 21PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 QUADRO 3 – A SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 CAPÍTULO II DA SEGURIDADE SOCIAL SEÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Pú- blicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: I - universalidade da cobertura e do atendimento; II - uniformidade e equi- valência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; IV - irredutibilidade do valor dos benefícios; V - equidade na forma de participação no custeio; VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assis- tência social, preservado o caráter contributivo da previdência social; VII - caráter democrático e descentra- lizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos emprega- dores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social; III - sobre a receita de concursos de prognósticos. IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. § 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da União. § 2º A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e assistência social, tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de seus recursos. § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade so- cial, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. § 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio to- tal. § 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b". § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas ati- vidades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. § 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas diferenciadas em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, sendo também autorizada a adoção de bases de cálculo diferenciadas apenas no caso das alíneas "b" e "c" do inciso I do caput. § 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios, ob- servada a respectiva contrapartida de recursos. § 11. São vedados a moratória e o parcelamento em prazo superior a 60 (sessenta) meses e, na forma de lei complementar, a remissão e a anistia das contribuições sociais de que tratam a alínea "a" do inciso I e o inciso II do caput. § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na formados incisos I, b; e IV do caput, serão não-cu- mulativas. § 13. (Revogado). § 14. O segurado somente terá reconhecida como tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social a competência cuja contribuição seja igual ou superior à contribuição mínima mensal exigida para sua categoria, assegurado o agrupamento de contribuições. Fonte: Brasil (1988, s/p). 22PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 Apesar de todas as leis brasileiras obrigatoriamente seguirem a Constituição Fe- deral de 1988, isso não significa que ela não pode ser alterada. As chamadas Emendas constitucionais são as responsáveis por modificar o texto da carta magna de um país, o que não pode acontecer somente com as cláusulas consideradas pétreas (que tratam de assuntos da forma federativa, voto, separação dos poderes, direitos e garantias individuais). Por não serem pétreas, o texto que trata sobre a seguridade social pode ser transformado. Assim, observe algumas alterações efetuadas a partir de 1988 no texto da Consti- tuição Federal que aborda a seguridade social, a saber: QUADRO 4 – EXEMPLO DE ALTERAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 POR EMENDAS CONSTITUCIONAIS Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Pode- res Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: VI - diversidade da base de financiamento; VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistên- cia social, preservado o caráter contributivo da previdência social; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) VII - caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação da co- munidade, em especial de trabalhadores, empresários e aposentados. VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucio- nal nº 20, de 1998) I - dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emen- da Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] § 13. (Revogado). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) Fonte: Brasil (1988, s/p) O quadro exposto anteriormente contém alguns artigos que trata da Seguridade Social. As emendas constitucionais podem provocar alterações, inclusão ou exclusão de artigos, aqueles que foram alteradas são tachadas, logo a seguir contém o texto com as devidas alterações e, após, a indicação da emenda constitucional em letra de cor azul e entre parênteses. Os que foram incluídos apenas contém essa indicação e os excluídos não retirados e no lugar deles está escrito revogado, seguido dessa indicação. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc103.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc103.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art12 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art12 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc103.htm#art1 23PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 Os direitos e deveres elencados na lei suprema, isto é, Constituição Federal de 1988, precisam ser detalhados para que as pessoas possam seguir. Nesse sentido, exis- tem as leis complementares e ordinárias, que se diferenciam, sobretudo, pela matéria que abordam e quantidade de quórum necessário para aprovação. Caro acadêmico, vamos entender um pouco mais sobre isso. As matérias que as leis complementares abordam apresentam-se na Constituição Federal de 1988 com a frase “nos termos da lei complementar”, como exposto a seguir: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei comple- mentar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; [...] (BRASIL, 1988, s/p, grifo nosso). Já as leis ordinárias tratam de matérias que não são abordadas pelas leis comple- mentares. Correia e Correia (2017, s/p) explicam que “excluída a esfera de atuação da lei complementar, todas as demais matérias podem ser normatizadas [...] por meio de lei ordi- nária”. São exemplos de ordinárias a lei nº 8.212/1991 que trata do custeio da Previdência Social e nº 8.214/1991 que aborda seus benefícios. Caro acadêmico, vamos estudar outra diferença importante no que tange a lei ordinária e complementar. No que se refere à diferença relacionada ao quórum, para entrar em vigor uma ordinária é necessário a aprovação de apenas mais da metade dos presentes no parlamento, já a complementar demanda votos a favor de mais da metade de todos os parlamentares. Portanto, essas leis se diferenciam em termos de assunto abordado e quantidade de quórum necessário para aprovação. Em situações de urgência e relevância, o Presidente da República poderá ela- borar uma medida provisória, que possui força de lei. As medidas provisórias podem ser desenvolvidas em casos que não se pode aguardar o processo moroso de implantação de outras leis, devendo ela, assim que elaborada, ser submetida ao Congresso Nacional, para não perder a eficácia, elas deverão ser transformadas em lei durante sessenta dias, prorrogáveis pelo mesmo período. Existem alguns assuntos que a Constituição Federal de 1988 proíbe de ser abordados em medidas provisórias, mas não inclui a Seguridade Social. Portanto, existem diversas normas que regem as políticas que formam a seguri- dade social (saúde, previdência e assistência social), sendo as principais: as Emendas Constitucionais, Leis e Medidas Provisórias, nas quais possuem suas especificidades que foram trabalhadas ao longo deste tópico. 24PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 Inicialmente, a proteção contra os riscos da vida era conferida pela família. Contudo, antigamente o concei- to de família era bem mais amplo, [...] a família, normalmente sob o comando do homem mais velho que conservasse o vigor físico, [...] consistia num aglomerado maior [...]. Aqueles que não eram abarcados pela proteção familiar e não tinham condições de prover o próprio sus- tentodependiam da [...] ajuda aos pobres e necessitados. [...] a caridade praticada pelos mais ricos tinha o efeito psicológico de diminuir-lhes a culpa pela exploração realizada [...]. [...] a caridade seria a [...] garantia [...] ao Reino de Deus Formalmente, a [...] preocupação do homem em relação ao infortúnio é de 1344. Ocorre neste ano a ce- lebração do primeiro contrato de seguro marítimo, posteriormente surgindo a cobertura de riscos contra incêndios. [...] no entanto, que a preocupação maior desses seguros não era com as pessoas, mas, sim, com as cargas e bens materiais. [...] posteriormente vieram as [...] associações com fins religiosos [que] [...] vinculavam pessoas da mesma categoria ou profissão, que tinham objetivos comuns, [onde] recolhiam valores anuais, que poderiam ser utilizados em caso de velhice, doença e pobreza. [...] cabe destacar que o Império Inca [...] já se preocupa- va com os seus integrantes que não tinham capacidade de produção, por [isso] [...] havia o cultivo [...] cuja meta era atender as necessidades alimentares dos anciãos, doentes e inválidos. [...] 1601 marcou o advento, na Inglaterra, do Poor Relief Act (lei de amparo aos pobres), que instituiu a contribuição obrigatória para fins sociais e consolidou outras leis sobre a assistência. [...] autorizava [...] o imposto de caridade a ser pago [...] pelos ocupantes e usuários de terras. O valor [...] era centralizado nas paróquias e administrados pelos inspetores nomeados pelos juízes, cabendo a [...] paróquias o auxílio aos indigentes. [...] Verifica-se que a proteção assistencial passou, progressivamente, a ser institucionalizada. A gênese da proteção social conferida pelo Estado originou-se [...] na Alemanha, com a aprovação, em 1883, do projeto do Chanceler Otto Von Bismarck. A Lei do Seguro Social garantiu, inicialmente, o seguro- -doença, evoluindo para abrigar [...] o seguro contra acidentes de trabalho (1884) e o seguro de invalidez e velhice (1889). O financiamento desses seguros era tripartido, mediante prestações do empregado, do empregador e do Estado. Após [...], outros países aprovaram seus planos de proteção social. A Dinamarca aprovou o direito à apo- sentadoria em 1891, [...] a Suécia [...] o primeiro plano de pensão nacional [...]. Na América Latina, os sistemas mais antigos [...] foram criados na Argentina, Chile e Uruguai, na [...] década de 1920. Os Estados Unidos da América [...] instituíram o New Deal, com a doutrina do Wellfare State (Estado do bem-estar social), a partir de 1933, e editaram o Social Security Act, em 1935. A Nova Zelândia instituiu, em 1938, [...] uma lei concedendo proteção [...], implantando o seguro social e extinguindo o seguro privado. A Carta do Atlântico previu a previdência social como “um modo de viver livre do temor e da miséria”, em [...] 1941. O ápice da evolução securitária deu-se [em] [...] 1942, com a divulgação, na Inglaterra, do [...] Relatório Beveridge, que previa uma ação estatal concreta como garantidora do bem-estar social, estabelecendo a responsabilidade do Estado, além do seguro social, na área da saúde e assistência social. O Plano Beveri- dge foi elaborado por uma comissão interministerial de seguro social e serviços afins, nomeada um ano antes, com o escopo de estabelecer alternativas para a reconstrução da sociedade no período pós-guerra. É considerado um marco [...], tendo questionado a proteção somente aos empregados, enquanto todos os trabalhadores estão sujeitos aos riscos sociais. O Plano Beveridge baseava-se numa proteção ampla e duradoura, tanto [...] que a segurança social deveria ser prestada do berço ao túmulo [...]. Segundo Martins, o Plano Beveridge tinha por objetivos (a) unificar os seguros sociais existentes; (b) estabelecer o princípio da universalidade, para que a proteção se esten- 25PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 desse a todos os cidadãos e não apenas aos trabalhadores; (c) igualdade de proteção; (d) tríplice forma de custeio, porém com predominância do custeio estatal.” O Plano Beveridge tinha cinco pilares: (a) necessidade; (b) doença; (c) ignorância; (d) carência (desamparo); (e) desemprego. Era universal e uni- forme. Visava ser aplicado a todas as pessoas e não apenas a quem tivesse contrato de trabalho, pois o sistema de então não atingia quem trabalhava por conta própria. (...) Tinha por objeto abolir o estado de necessidade. Objetiva- va proporcionar garantia de renda às pessoas, atacando a indigência. (...) Os princípios fundamentais do sistema eram: horizontalidade das taxas de bene- fícios de subsistência, horizontalidade das taxas de contribuição, unificação da responsabilidade administrativa, adequação dos benefícios, racionalização e classificação. Com base no Relatório Beveridge, o governo inglês apresentou uma proposta de reforma da Previdência Social, implantando-o no ano de 1946. No Brasil, a proteção social evoluiu de forma semelhante ao plano internacional. Inicialmente foi privada e voluntária, passou para a formação dos primeiros planos mutualis- tas e, posteriormente, para a intervenção cada vez maior do Estado. No século XVI, decorrente da caridade imanente à fé cristão e a atuação da Igreja Católica, o padre jesuíta José de Anchieta fundou a Santa Casa de Misericórdia, cujo objetivo era prestar atendimento médico e hospitalar aos necessitados Fonte: Jardim (2013, s/p). 26PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 Caro (a) acadêmico (a), nesta unidade estudamos os fundamentos da Seguridade So- cial, que servem como base para a atuação profissional do Assistente Social. Especificamente, o conteúdo apresentado versa sobre o conceito e a contextualização da seguridade social, seus princípios e suas fontes jurídicas. Elaborei, aqui, as considerações sobre esses assuntos. Sobre o conceito de seguridade social, estudamos que ela pode ser definida como um sistema de proteção social que integra as políticas de saúde, previdência e assistência social. Cada política pública que formam a seguridade social possui suas especificidades, sendo as ações da saúde desenvolvidas a todos e não requer prévia contribuição; os be- nefícios da previdência são ofertados apenas aos que contribuem, demandando, portanto, uma contribuição; e os serviços e benefícios da assistência social são destinados a todos que necessitarem. Nesse sentido, a seguridade social é um sistema que por meio dessas políticas oferta a proteção social. No que se refere à contextualização da seguridade social, observa-se que por muito tempo a proteção social era ofertada por intermédio das ações assistencialistas. Ao longo do tempo, criaram-se ações institucionalizadas para essa finalidade, entre as quais destaca-se o Ministério de Trabalho e Comércio (1930 a 1937), que se destinava apenas os trabalhadores formais, por isso, não conseguia minimizar a desigualdade e a vulnerabili- dade social que afetava a classe mais pobre. Por isso, reforçava-se a responsabilidade da família pela oferta de proteção social aos seus integrantes. Ainda sobre a contextualização da seguridade social, no período da ditadura militar brasileira as ações da proteção social ganharam novas características. O Estado empregou a repressão por meio da força física contra os movimentos populares que buscavam melho- rias e em busca de consolidar os valores morais em toda a sociedade (até então, essa era uma prática comum desse agente, mas se intensificou nesse período). Findada a ditadura militar, a redemocratização marcou a conquista de direitos e a instituição da seguridade social (que ampliava a proteção social não mais focada apenas nos trabalhadores formais). Em relação aos princípios da seguridade social, podemos considerar que eles orien- tam as políticas que integram esse sistema de proteção. De forma geral, esses princípios indicam que todos (e suas demandas) devem ser atendidos sem discriminação, inclusivede áreas de moradias, mas, as pessoas são selecionadas por que o Estado não consegue atender a todos (atendendo a maior quantidade possível), elas não podem ter os valores CONSIDERAÇÕES FINAIS 27PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 dos seus benefícios reduzidos. Além disso, o custeio da seguridade social é feito por toda a sociedade de forma equitativa, contendo uma diversidade de financiadores e a gestão da seguridade social deve ser democrática. As normas que regulamentam a seguridade social surgem das fontes jurídicas, ou seja, de leis, como a Constituição Federal de 1988 (lei suprema que descreve os direitos e obrigações das pessoas que moram em um determinado território; leis complementares e ordinárias (que detalham as normas contidas na carta magna e se diferenciam pela matéria abordada e quantidade de quórum necessária para aprovação) e as medidas provisórias (que nos casos de urgência e relevância são editadas pelo presidente da república). Essas são as fontes de natureza Jurídica que depende da interpretação dos pensadores do direito. Portanto, caro (a) acadêmico (a), essas são as considerações sobre os fundamentos da seguridade social. Nos próximos capítulos, abordarei as políticas públicas que integram o sistema de proteção social seguridade social, a seguir, escreverei especificamente sobre a previdência social. Vamos seguir nossa leitura em rumo a compreensão integral da seguridade Social! 28PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 SEGURIDADE SOCIAL ORIGEM E CONCEITO: Em 1985 no processo de redemocratização do Brasil começou a falar sobre polí- ticas públicas e nesta mesma conversa surgiu a Seguridade Social que assegura direitos básicos aos cidadãos brasileiros. Com a criação da Constituição Federal se consolidou a Seguridade Social e lhe foi prevista normas e princípios a serem seguidos. O conceito de Seguridade Social ( Art 194 CF): A Seguridade Social é um conjunto integrado de ações e iniciativas dos poderes públicos e da sociedade, destinados a assegurar os direitos à Saúde, Previdência Social e Assistência Social. Uma ótima dica para você memorizar aprendendo o conceito da Seguridade Social é com esse simples esquema: CONJUNTO INTEGRADO = AÇÕES INICIATIVAS = PO- DERES PÚBLICOS E SOCIEDADE = ASSEGURA DIREITOS = SAÚDE/ PREVIDÊNCIA SOCIAL/ ASSISTÊNCIA SOCIAL. SAÚDE: Todos têm direito a atendimento médico. Até mesmo os estrangeiros den- tro do território brasileiro. Não é necessário contribuição. Não precisa contribuir para ter direito ao benefício. PREVIDÊNCIA SOCIAL: Para ter direito ao benefício tem que haver CONTRIBUI- ÇÃO. Quando falamos em Previdência Social logo lembramos do INSS, sendo que para conseguir se aposentar é preciso ter contribuído. ASSISTÊNCIA SOCIAL: Não precisa de contribuição para fazer jus aos benefícios da assistência social. Toda pessoa em situação de pobreza, todo idoso ou pessoa com defi- ciência, criança e adolescente carente e pessoa desempregada pode ter direito a assistência. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS GERAIS: IGUALDADE: Todos são iguais perante a lei. LEGALIDADE: Ninguém será obrigado a fazer alguma coisa senão em virtude de lei. DIREITO ADQUIRIDO: A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfei- to e a coisa julgada. Direito adquirido é aquele em que foram cumpridas todas as condições para seu implemento, mesmo que não haja seu exercício. SOLIDARIEDADE: Construir uma sociedade livre, justa e solidária. LEITURA COMPLEMENTAR 29PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ESPECÍFICOS: Foi criada a Lei Orgânica da Seguridade Social no ano de 1991, assim como no art 1° são diretrizes e princípios da Seguridade Social: UNIVERSALIDADE DA COBERTURA E DO ATENDIMENTO: Quando se trata da cobertura, refere-se a atender todas as contingências, todos os acontecimentos que colocam as pessoas em situações de necessidades. Quando falamos em atendimento, referimos as pessoas. Todas as pessoas serão amparadas. Até mesmo os estrangeiros. UNIFORMIDADE E EQUIVALÊNCIA DOS BENEFÍCIOS: É irrelevante o local onde moram os brasileiros, sendo na área rural ou na cidade. Receberam os mesmo benefícios da Seguridade Social. SELETIVIDADE E DISTRIBUTIVIDADE NA PRESTAÇÃO DOS BENEFÍCIOS E SER- VIÇOS: Deve ser selecionado os riscos mais importantes e de maior abrangência social. E também distribuir da melhor maneira possível, para que alcance um maior número de pessoas. IRREDUTIBILIDADE DO VALOR DO BENEFÍCIOS: Não pode ser reduzido valor do benefício. O valor nominal. EQUIDADE NA FORMA DE PARTICIPAÇÃO DO CUSTEIO: É a verdadeira igual- dade. Quem ganha mais paga mais, quem ganha menos paga menos. CARÁTER DEMOCRÁTICO: Caráter democrático e descentralizado da administra- ção, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, aposentados e do Governo, nos órgãos colegiados. Como exemplo: Na Previdência Social a Lei 8.213/1991 institui o Conselho Nacional de Previdência Social sendo gestão quadripartite. O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL: A Seguridade é financiada por toda sociedade de forma direta ou indireta. É composto por receitas da União, das contribuições sociais como por exemplo: empresas, trabalhadores, loterias e até mesmo jogos de futebol. E receitas de outras fontes também, como até mesmo leilões da Receita Federal. Fonte: Froes (2022, s/p). 30PROTEÇÃO SOCIAL E SEGURIDADE SOCIAL: CONCEITO E PROCESSO HISTÓRICOUNIDADE 1 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Eu, Daniel Blake • Ano: 2016. • Sinopse: Após uma parada cardíaca, Daniel se afasta do trabalho e buscar auxílio financeiro do governo. No meio da burocracia que quase o leva à loucura, ele conhece uma mãe solteira na mesma situação e eles desenvolvem uma forte amizade. LIVRO • Título: Direito da Seguridade Social • Autor: Sergio Pinto Martins. • Editora: Saraiva Jur. • Sinopse: Em sua 40 edição, esta obra mostra que teve fôlego para acompanhar as muitas alterações na e que se mantém em dia com tudo o que envolve essa importante disciplina. A nova edição perma- nece em formato didático e sistematizado para fácil consulta. Assim, são expostos temas como: introdução ao Direito da Seguridade Social, contendo seus princípios e regras gerais; custeio da Seguridade Social, mostrando as várias formas de custeio; Previdência Social, envolvendo os benefícios previdenciários; Assistência Social, de acordo com a Lei n. 8.742/93; e Saúde, conforme a Lei n. 8.080/90. Vale destacar que o autor inclui ao final de cada capítulo o item Verificação de Aprendiza- gem, com questões para a fixação da matéria. livro está devidamente atualizado, com destaque para um novo item a respeito da pensão especial destinada a crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus, e está de acordo com a Portaria Interministerial MTP/ME n. 12, de 17 de janeiro de 2022, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios pagos pelo INSS e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social, além das Leis n. 14.288, 14.284, 14.199, 14.183, 14.176 e 14.119, todas de 2021, e da Lei Complementar n. 187/2021. O leitor encontrará conteúdo confiável e aporte seguro para as dúvidas mais comuns relativas aos assuntos sobre Direito Previdenciário. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Contexto histórico da Previdência Social no mundo; • Contexto histórico da Previdência Social no Brasil; • Legislação da Previdência Social: lei 8.213/91; • Direitos Previdenciários; • A atuação profissional do Assistente Social na esfera previdenciária. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer o processo histórico da previdência social no mundo e no Brasil; • Estudar a legislação da previdência social; • Entender os benefícios previdenciários; • Compreender particularidades da atuação profissional do Assistente Social na Previdência Social. Professor(a) Me. Francilene Bernardo Cordeiro Rôas A PREVIDÊNCIA SOCIAL: A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO LEGAIS E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIALASSISTENTE SOCIAL2UNIDADEUNIDADE 32A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL UNIDADE 2 INTRODUÇÃO Caro (a) acadêmico (a), conheceremos a previdência social, uma política pública de atuação do Assistente Social, que ao longo de sua história teve avanços e retrocessos. Essa política é a única, entre aquelas que formam o sistema de proteção social da segu- ridade social, que tem caráter contributivo, ou seja, para ter acesso a ela é necessário um prévio desembolso por parte dos usuários. Nesse sentido, por não ter caráter universal, pode excluir ao invés de incluir. É um desafio estudar e trabalhar com a previdência social, dados os retrocessos colo- cados frente a formação e atuação profissional do Assistente Social. Apesar das dificuldades, é um sonho para muitos Assistentes Sociais trabalhar nas instituições previdenciárias, pois elas são as que disponibilizam melhores remunerações a essa categoria. Para tanto, torna-se necessário conhecê-la com profundidade, o que será possível com o estudo desta unidade. Especificamente, nesta Unidade estudaremos o Processo histórico da previdência social no mundo e no Brasil, Legislação da Previdência Social, Benefícios Previdenciários e a atuação profissional do Assistente Social na Previdência Social. 33 SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL CONTEXTO HISTÓRICO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL NO MUNDO1 TÓPICO A história da previdência social é uma das mais antigas entre as três políticas que formam a seguridade social. É comum as pessoas saberem o que significa a previdência, mas não conseguir defini-la com precisão, por vezes, até a confundem com a própria segu- ridade social. Mas, não se preocupe, caro (a) acadêmico (a), nesta unidade conheceremos sua história e aprenderemos seu conceito. Viver em sociedade demanda que as pessoas considerem as necessidades da coletivi- dade e não apenas seus próprios interesses. Para alcançar o bem coletivo, são regulamentadas legalmente normas que as pessoas deveriam, e ainda devem, seguir, mesmo que sejam contrá- rias aos seus desejos individuais, nos quais, para não serem punidas, devem ser renunciadas caso desrespeitem aos interesses da sociedade em geral. Ao mesmo tempo, essas normativas responsabilizam o Estado para executar políticas públicas que garantam direitos. Ao longo da história da humanidade, o Estado executará diversas ações para garantir o mínimo necessário para a subsistência humana. Em 1601, na Inglaterra, surge a “Poor Relief Act”, que traduzindo para a língua portuguesa significa Lei de Socorro aos pobres, na qual tinha um caráter assistencialista, mas regulamentou a oferta de auxílio aos pobres por parte do poder público. Essa lei exigiu que o Estado contribuísse com as pessoas consideradas indigentes. Em 1883, na Alemanha, o chanceler Otto Von Bismarck editou um ordenamento que fez surgir a primeira organização da seguridade social. Ele incluiu a política de previ- dência social ao instituir alguns benefícios previdenciários, como o seguro contra acidente de trabalho - incluindo, em 1884, o seguro-doença, e, em 1889, o seguro invalidez e seguro velhice. Nesse período, na Alemanha, progredia a industrialização e os conflitos ideológicos UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- 34UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL entre socialismo e capitalismo, por isso, o Estado cria tais benefícios como forma evitar os movimentos e a crise do capital. Em sua gênese, a política de previdência social era custeada pelos empregadores e empregados, o Estado apenas regulava essa relação. No entanto, esse modelo inicial, não atendia as expressões da questão social com efetividade, pois muitas pessoas, que necessitavam não eram tidas como prioridade, a previdência social apenas indenizava as pessoas impossibilitadas ao trabalho, como aqueles que sofreram acidente ou envelheciam. Além disso, um critério que excluía é a prévia contribuição, ou seja, quem não contribuía não tinha acesso aos benefícios da previdência social. Ao longo da história, outras leis também foram criadas no que se refere a previdên- cia social e os auxílios aos necessitados. Em 1897, na Inglaterra, criou-se um documento chamado de “Workmen’s Compensation Act”, que traduzindo para a língua portuguesa significa Lei de Compensação de Trabalhadores, garantindo direito ao benefício chamado de acidente de trabalho aos funcionários feridos no fazer de sua profissão em troca da renúncia de processar o seu empregador. Dessa forma, o Estado, ao criar esse documento, procura dar subsídios à acumulação de riqueza ao capitalista. Em 1908, ainda na Inglaterra, cria-se a “Old Age Pensions Act” que na língua portu- guesa significa Lei de Pensões de Velhice. Essa lei buscava ofertar amparo à pessoa idosa que não contribuía, prevendo que elas, ao atingirem setenta anos de idade, recebessem cinco xelins semanalmente se estivesse solteira e sete xelins caso fosse casada. No entan- to, esse valor era baixíssimo, não sendo suficiente para a subsistência humana, com ele, procurava sobretudo, estimular a criação de um tipo de previdência privada. Já em 1911, na Inglaterra, institui-se a “National Insurance Act” que na língua portuguesa significa Lei de Seguro Nacional. Essa lei previa contribuições semanais por parte daqueles que possuíam idades permitidas ao trabalho e a garantia alguns benefícios, como o auxílio-maternidade às mães solteiras por um período de dezoito semanas e o recebimento de um recurso financeiro quando seus filhos nascessem. As contribuições arrecadadas não custeavam apenas esse subsídio, mas também outros da previdência social, como auxílio-doença e auxílio-desemprego. Em 1917, no México, instituiu-se a primeira constituição social do mundo, sendo ela a pioneira na abordagem do termo previdência social. No entanto, essa lei magna, ao estabelecer direitos sociais não atribui a responsabilidade de forma compulsória ao Estado, deixando, então, sua oferta dependente de suas próprias vontades. Mesmo com sua natu- reza pragmática, não podemos deixar de reconhecer a importância dessa constituição, pois ela foi a primeira a tratar dos direitos sociais, como a previdência social. Em 1919, o tratado de Versalhes se constituiu em um acordo de paz firmado para encerrar a Primeira Guerra Mundial. Esse tratado instituiu a Organização Internacional do Trabalho – OIT, que buscava normatizar a proteção dos trabalhadores internacionalmente, promovendo convenções que sempre abordavam os direitos previdenciários. Propriamente, a convenção de 1927 instituía um tipo de auxílio-acidente. 35UNIDADE 2 A PREVIDÊNCIA SOCIAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS, LEGAIS E ATUAÇÃO PROFIS- SIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL Em relação aos