Prévia do material em texto
A ATIVIDADE FÍSICA COMO UM MEIO DE COMBATE ÀS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNT) O Profissional de Educação Física Como Interventor Adailton Cunha dos santos Junior Celso Luís Veloso Peixoto da Costa Marcos Paulo Ferreira Barreiros Marllon Adriano Carvalho Pereira Rubens da Silva Orientador: Professor Francisco Diego Brasil de Andrade Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Licenciatura em Educação Física (LEF). 30 de junho de 2022 RESUMO Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, tem aumentado o número, a cada ano, de pessoas portadoras de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), trazendo muitas complicações não somente física, mas também psicossocial para o indivíduo. “Não obstante o reconhecimento da prática de atividade física regular enquanto condicionante de saúde e protetor contra essas doenças, sua ausência - o comportamento sedentário, tem crescido em todo o mundo” (BRASIL, IBGE, PeNSE 2019 p. 56). Tendo isso em vista, a presente pesquisa pretende trazer esclarecimentos sobre as DCNT e suas consequências, considerar o papel do profissional de educação física como interventor neste sério problema de saúde, e apresentar medidas que venham somar para aumento o tempo de atividade física entre aqueles que são fisicamente inativos, reconhecendo que a atividade física não é o único meio, mas um importante recurso não medicamentoso que auxilia no combate das DCNT. Palavras-chaves: DCNT. Profissional da educação física. Atividade física 1. INTRODUÇÃO Vistas como um funcionamento anormal do organismo, de longa duração, provocadas por uma combinação de fatores genéticos, fisiológicos, ambientais e comportamentais, as Doenças Crônicas não Transmissíveis, constituem-se em um grande problema de saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde, um pequeno numero de fatores têm potencializado o número de mortes por essas doenças. “São eles: o consumo alimentar inadequado, a inatividade física, o tabagismo e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas” (Brasil, Vigitel 2022 p. 11). Na pandemia de COVID-19 (Coronavírus Disease 2019), as DCNT se tornam ainda mais preocupantes, visto que essas doenças e seus fatores de risco comportamentais e metabólicos agravam os casos, aumentam o tempo de internação e as taxas de mortalidade pela COVID-19. Além disso, indivíduos com DCNT são mais acometidos pelas formas severas da COVID-19, que requerem hospitalização, cuidados intensivos e uso de ventiladores mecânicos. Estudo na Itália revelou que 96,2% das pessoas que morreram devido à COVID-19 apresentavam hipertensão (69,2%), diabetes tipo 2 (31,8%), doença cardíaca isquêmica (28,2%), doença pulmonar obstrutiva crônica (16,9%) e câncer (16,3%) (MALTA et al, 2020 p. 02). Dentre os fatores comportamentais, a inatividade física agrava e causa algumas dessas doenças. Tendo isso em vista, volta-se o olhar para o profissional de educação física a fim de se discutir sua contribuição para amenizar este complexo problema de saúde pública e suas consequências. Buscando compreender qual deve ser a sua atuação, em meio a uma diversidade de profissionais da saúde como terapeutas, médicos, nutricionistas, psicólogos e etc., nas buscar de soluções para este complexo problema. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. AS DCNT E SUAS CONSEQUÊNCIAS As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como doença arterial crônica (DAC), obesidade, cardiovasculares, respiratórias crônicas, cânceres e diabetes, têm sido responsáveis por grande parte de mortes no mundo. Malta DC, et al, analisando a Pesquisa Nacional de Saúde Pública, em artigo publicado em 2017 na Revista de Saúde Pública, observa que as DCNT “são responsáveis por 70% de todas as mortes em todo o mundo, estimando-se 38 milhões de morte anual” (MALTA DC, 2017 p. 2), desses, quase a metade morre prematuramente, com a maior incidência de mortes em países de baixa e média renda. Apesar dos esforços para amenizar o problema, no relatório do Ministério da Saúde, observa-se que este quadro se agravou no relatório publicado em 2022. As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) constituem um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil e do mundo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as DCNT foram responsáveis por 73,6% das mortes ocorridas globalmente em 2019 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021). No Brasil, as DCNT são igualmente relevantes, tendo sido responsáveis, em 2019, por 41,8% do total de mortes ocorridas prematuramente, ou seja, entre 30 e 69 anos de idade (VIGITEL BRASIL, 2022). Além de, no geral, ter havido aumento significativo na mortalidade, como aponta o gráfico, o quadro se agravou mais tendo em vista a pandemia pelo coronavírus, onde a grande maioria de pessoas que morreram na pandemia em 2019, na Itália, eram hipertensas, diabéticas do tipo 2, portavam doenças cardíacas isquêmicas e doenças pulmonar obstrutiva crônica (MALTA et al, 2020 p. 02). Diante das evidências, observa-se que as DCNT deixaram as pessoas mais vulneráveis aos efeitos do vírus e, além de levar à morte, essas doenças, vistas como uma epidemia, agravam os problemas socias, afetando o bem-estar pessoal e social daqueles que por elas são acometidos. A epidemia de DCNT resulta em consequências devastadoras para os indivíduos, famílias e comunidades, além de sobrecarregar os sistemas de saúde. Estudos apontam que as DCNT afetam mais populações de baixa renda, por estarem mais vulneráveis, mais expostas aos riscos e terem menor acesso aos serviços de saúde e às práticas de promoção à saúde e prevenção das doenças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que as pessoas com DCNT têm sua situação de pobreza agravada, pelos maiores gastos familiares com a doença pela procura de serviços, dentre outros (MALTA DC, 2017 p. 3). Muitas dessas doenças são causadas ou agravadas pelo comportamento sedentário, caracterizado pela inatividade fica, que tem sido também uma preocupação mundial dos órgãos de saúde (BRASIL, IBGE, PeNSE 2019 p. 56). Nesse contexto, cabe-se discutir o papel do profissional de educação física. 2.2. O PAPEL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA Atividade física é definida como qualquer movimento corporal que produzido pelo músculo esquelético que necessite de consumo de energia. Ela pode se dar na execução de atividades comuns como trabalho, atividades domésticas, jogos, dança, lazer, exercícios programados e etc. Já o exercício físico uma atividade planejada e estruturada, tendo como propósito o melhoramento ou a manutenção do condicionamento físico e mental, que deve ser trabalhado por um profissional de educação física que pode também auxiliar no combate das DCNT. Figura 2 – Meta de redução da mortalidade prematura por DCNT do Plano de Enfrentamento das DCNT 2011-2022 Fonte: Óbitos – Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-MS), População residente – Estimativas preliminares elaboradas pelo Ministério da Saúde/SVS/DASNT/Cgiae. Observando o gráfico da figura 1, que mostra o aumento do índice de mortes entre pessoas de 39 a 69 anos, bem como o quadro acima, que mostra que a meta de redução dos casos de morte não será alcançada no Brasil em 2022, entende-se a gravidade da situação. Dentro dessa realidade, o profissional de educação física deve encarar seu trabalho para além da preparação física ou estética corporal, mas como um profissional de educação física na saúde (CBO[footnoteRef:1] 2241-40), pode fazer parte do combate a essa epidemia dessas doenças crônicas não transmissíveis e suas consequências, encarando o indivíduo de forma integral, conciliando a atividade física aos os aspectos físico, psicológico, intelectual e social do indivíduo. [1: CBO - Classificação Brasileira de Ocupações] Quando falamos em integralidade temos que reportar a um dos princípios básicos do SUS que foram pensados a partir da 8ª conferência nacional de saúde e estão presentes na constituição de 1998. Integralidade pressupõe que estejamos prontos para cuidarmos das pessoas em todas suasdiversas manifestações e complexidades (Morin, 2007). Vemos que quando pensamos a ação da atividade física somente, por exemplo, reduzir os índices glicêmicos do sangue estamos indo na contramão da integralidade e contra uma Educação Física que poderia ter na sua ação todas as diversas manifestações de corpo e sociedade por meio da cultura corporal (MACHADO, 2018). No meio dessa complexidade, para combater essas doenças, o profissional de educação física deve entender que não está sozinho, mas que existe uma diversidade de profissionais como terapeutas, médicos, nutricionistas e outros. Sendo que, em muitos casos, somente a prescrição de exercícios não será suficiente para combater esse complexo problema de saúde pública. Neste caso, ele deve assumir o papel de um promotor social de saúde, seja na escola, na academia ou qualquer outro espaço de atividades corporais, identificando, a partir de seus conhecimentos científicos, indícios de problemas, sejam fisiológicos, psicológicos ou comportamentais, e direcionar o indivíduo para um profissional competente, reconhecendo que a atividade física não é o único meio no tratamento dessas doenças. No entanto, dentro de sua função específica, este poderá atuar avaliando o estado funcional e morfológico dos sujeitos acompanhados, estratificando e diagnosticando fatores de risco à saúde; prescrevendo, orientando e acompanhando atividades físicas [...] socializando junto à comunidade a importância da atividade física com base em conhecimentos científicos e desmistificando as concepções equivocadas acerca de sua prática, olhando de modo geral isto representa ser o ideal para justificar mais este profissional nas equipes, porém, peca por ser muito centrado na biologia sem considerar o papel social da educação na saúde como meio de desenvolvimento de identidade de classe e de luta social (MACHADO, 2018). Todos concordam que a prática regular de atividade física auxilia na prevenção e no tratamento das DCNT, pois “um robusto conjunto de evidências comprova seus benefícios para a prevenção e o controle das doenças cardíacas, diabetes tipo 2, câncer e depressão, entre outros” (VIGITEL BRASIL, 2022). Educador físico é um profissional de grande relevância como planejador de atividades físicas e orientador nesta questão das doenças crônicas não transmissíveis, bem como um mobilizador social de conscientização dos riscos dessas doenças a fim de que as pessoas possam mudar seu estilo de vida, para ter uma melhor qualidade de vida física, psíquica e social. que possa contribuir 3. MATERIAIS E MÉTODOS Esta pesquisa foi realizada através de análise de relatórios oficiais do Ministério da Saúde e artigos publicados sobre as Doenças Crônicas não Transmissíveis sob a perspectiva da atuação do profissional de educação. Foi realizada de modo indutivo (PRODANOV e FREITAS, 2013), utilizando uma metodologia exploratória descritiva de abordagem qualitativa através de revisão das literaturas consideradas, onde cada autor trabalhou uma parte específica. 4. RESULTADO E DISCUSSÃO O que se observa é que apesar do esforço exercido pelos órgãos de saúde mundiais, esse é um problema bastante complexo de ser resolvido, pois não depende somente de políticas públicas, mas também da atitude e decisão do indivíduo querer se submeter à prática de uma atividade física, além de fatores sociais como falta de tempo, recursos, problemas psicológicos, dentre outros. Para nós, que estamos nos preparando para entrar na área, devemos nos aprofundar nestas questões a fim de podermos fazer diferença na vida daqueles que estão nesta situação de risco, encarar tudo isso não levianamente, mas, de fato, como nossa responsabilidade, pois o quadro é grave. 5. CONCLUSÃO O que se percebe, diante do que são as Doenças Crônicas Não Transmissíveis, existe um grande desafio pela frente para que, no mínimo, os casos sejam reduzidos e suas consequências sejam minoradas. A pandemia com o Coronavírus iniciada em 20019 mostrou como os portadores destas doenças estão em risco. Nesse contexto o profissional de educação física na saúde deve ter um olhar mais crítico de sua própria atuação, não olhando o individuo somente do ponto de vista fisiológico, mas integralmente, em todas suas diversas manifestações psicossocial complexas. Devendo entender também que ele não tem a ultima resposta para os o complexo problema apresentado pelas DCNT, mas que é um dentro outros profissionais da saúde que estão nessa luta, dos quais depende e com os quais deve cooperar. Isso não o exime de sua responsabilidade, tendo em vista a sua relevância no processo de cura e prevenção dessas doenças, não somente como um planejador de atividades físicas, mas também agente social de conscientização e mobilização para aqueles que estão dentro dessa zona de risco ou dos que podem entrar. 6. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Saúde. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito telefônico Vigitel 2006-2020: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de prática de atividade física nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal entre 2006 e 2020 / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2022. BRASIL, Ministério da Saúde. Dia Mundial da Saúde Pública. Biblioteca Virtual da Saúde, disponível em https://bvsms.saude.gov.br/06-4-dia-mundial-da-atividade-fisica/ Acesso em 19/06/2022. BRASIL, Ministério da Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas e agravos não transmissíveis no Brasil 2021-2030. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2021.https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/doencas-cronicas-nao-transmissiveis-dcnt/09-plano-de-dant-2022_2030.pdf/ acesso em 18/06/2022. BRASIL. pesquisa Nacional de Saúde Escolar 2019. Coordenação de População e Indicadores. Rio de Janeiro: IBGE, 2021. 162 p.: il. Disponível em liv101852.pdf (ibge.gov.br). Acesso em 15/05/2022. BRASIL, Ministério da Saúde. Ações de Atividade Física/Práticas Corporais dos Profissionais de Educação Física. Portaria nº 154, de 24 de janeiro de 2008 OMS Atividade Física - Folha Informativa N° 385 - Fevereiro de 2014 disponível em: https://actbr.org.br/uploads/arquivo/957_FactSheetAtividadeFisicaOMS2014_port_REV1.pdf acessado em 22/06/22. EHRMAN, Jonathan K. PhD; GORDON, Paul M. PhD et al. Fisiologia do Exercício Clínico. São Paulo: Phorte, 2018 (recurso digital). MALTA, Deborah Carvalho et al. Uso dos serviços de saúde e adesão ao distanciamento social por adultos com doenças crônicas na pandemia de COVID-19, Brasil, 2020. Disponível em: SciELO - Brasil - Uso dos serviços de saúde e adesão ao distanciamento social por adultos com doenças crônicas na pandemia de COVID-19, Brasil, 2020 Uso dos serviços de saúde e adesão ao distanciamento social por adultos com doenças crônicas na pandemia de COVID-19, Brasil, 2020. Acesso em 22/06/2022. MALTA DC, BERNAL RTI, LIMA MG, ARAÚJO SSC, SILVA MMA, FREITAS MIF, et al. Doenças crônicas não transmissíveis e a utilização de serviços de saúde: análise da Pesquisa Nacional de Saúde no Brasil. Rev. Saúde Publica. 2017;51 Supl 1:4s. Revista de Saúde Pública – USP. https://www.scielo.br/j/rsp/a/84CsHsNwMRNFXDHZ4NmrD9n/?lang=pt&format=pdf. Acesso em 15/06/2022 MACHADO, Ludmila Rodrigues. O profissional de educação física na saúde: inserção e intervenção. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 10, Vol. 04, pp. 137-146 outubro de 2018. ISSN:2448-0959 disponível em O profissional de educação física na saúde: inserção e intervenção (nucleodoconhecimento.com.br) acesso em 25/05/2022. image2.png image1.png image3.png