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E-BUSINESS E E-COMMERCE AULA 1 Prof. Armando Kolbe Júnior Prof. Daniel Weigert Cavagnari 2 CONVERSA INICIAL Com a evolução tecnológica, que tem na área de comunicação e informação uma de suas principais vertentes, criando uma área denominada TDIC – Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação, muitas das atividades humanas migraram para a grande rede. O crescimento do número de usuários em todas as iniciativas representou uma das muitas bolhas que aconteceram em seu processo evolutivo, e as redes sociais se estabeleceram em uma velocidade que chegou a impressionar os analistas mais otimistas. Para as empresas, vale a máxima que ela deve estar onde o cliente está, e falar a sua linguagem, para que possa atingir o sucesso desejado, de modo que se tornem empresas altamente competitivas. Créditos: spainter_vsx/Shutterstock. CONTEXTUALIZANDO Observe o gráfico a seguir, que assinala a perspectiva do mercado para o ano de 2018, e que deve repetir-se nos próximos anos. Podemos ver que o faturamento é uma das principais razões do interesse que o assunto desperta nos stakeholders que efetivam seus investimentos na inovação tecnológica, da qual a Internet é um dos grandes motores. 3 Gráfico 1 – Perspectiva de crescimento do e-commerce Fonte: Os números..., 2018. Com base nos números, é possível observar uma previsão de crescimento que justifica um estudo mais detalhado dos temas relacionados com o comércio eletrônico e com os negócios eletrônicos, de forma que as empresas adquiram conhecimentos que poderão acarretar um maior nível de competividade em um mercado altamente autofágico. Saiba mais Na plataforma Profissional de E-commerce, você pode conferir estatísticas de 2011 em diante. PROFISSIONAL de E-commerce. Disponível em: . Acesso em: 29 jan. 2019. 4 TEMA 1 – ONDE TUDO COMEÇOU Créditos: JoeZ / Shutterstock. É possível começar a exposição dos fatos que caracterizaram o início e a evolução do desenvolvimento do comércio e dos negócios eletrônicos falando sobre o surgimento de sua base de operações: a Internet. Desde seu surgimento e da comprovação de sua evolução, ela justifica sua fama como o maior fenômeno de comunicação existente. Iniciamos assim esta história com uma frase comum, com a qual eram iniciadas todas as histórias, no tempo em que as pessoas se reuniam em rodas, em volta de uma fogueira: era uma vez um laboratório onde existiam cientistas e pesquisadores. Eles estudavam formas de destruir seus inimigos. Esse laboratório, para estar protegido dos olhos dos inimigos, ficava no interior de uma instalação militar. Decorria o ano de 1969 e esses cientistas, decerto solitários, descobriram uma forma de comunicação entre as pessoas, e trocaram entre si mensagens por essa nova rede de comunicação, criada pelo intelecto humano. Surgia o correio eletrônico, e abria-se uma nova perspectiva para a humanidade. Um de seus generais observou que os cientistas se comunicavam 5 com outros, em localidades remotas; surge então uma rede que passou a ser chamada de Arpanet. Quadro 1 – História da internet no mundo 1957 Com o lançamento do Sputnik pelos soviéticos e a criação da Arpa (Advanced Research Projects Agency), pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em resposta, a fim de estabelecer a liderança dos Estados Unidos em tecnologia militar, inicia-se o que podemos chamar de “uma pequena rede experimental de computadores”, permitindo a partilha de recursos computacionais (tais como bancos de dados, computadores de alto desempenho e dispositivos gráficos) entre os pesquisadores e fornecedores contratados pelo Departamento. Logo ela passou a ser usada também como meio de cooperação entre os participantes do projeto, possibilitando o uso de correio eletrônico, dentre outros serviços. 1962 A força aérea norte-americana requisitou um estudo sobre como ela poderia manter controle sobre mísseis e bombardeiros após um ataque nuclear. O resultado era uma rede de computadores descentralizada, de modo que se qualquer localização nos EUA fosse atacada, o resto continuaria a operar. 1969 A rede de computadores descentralizada da força aérea norte americana foi fisicamente construída e recebeu o nome de Arpanet. Era composta por apenas quatro servidores, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Stanford, Universidade da Califórnia em Santa Barbara e Universidade de Utah. 1972 Criado o primeiro programa de correio eletrônico; a rede já tinha 23 servidores. 1973 Criado o protocolo de comunicações usado até hoje na Internet, o TCP/IP, que permite a diversas redes se interconectarem e se comunicarem. 1974 O Termo internet foi usado pela primeira vez. 1979 Foi criada a Usenet, uma rede de grupos de discussões descentralizada dentro da Arpanet, dirigida a pesquisadores militares. Nessa época, a rede já usava comunicações por satélite e tinha mais de 111 servidores. 1981 A NSF (National Science Foundation) cria um backbone para instituições sem acesso a Arpanet, como universidades e centros de pesquisa não ligados à área militar. 1983 Criado o sistema DNS (Domain Name System), que permitia o acesso aos servidores da rede por meio de nomes (como acessado hoje, por exemplo: www.utp.br), ao invés de números. 1985 A NSF começou a desenvolver linhas de alta velocidade. Já havia quase 2.000 servidores ligados à rede. 1987 Mais de 10.000 servidores já estavam ligados à rede 1989 Mais de 100.000 servidores ligados à rede. Foi inventada a World Wide Web (www), em Genebra – Suíça. 1990 A Arpanet, que então era somente uma pequena parte da enorme quantidade de redes na Internet, é desativada. 1991 617.000 servidores ligados a NSF passaram a permitir o uso da Internet por associações comerciais. 1992 Em 1992 (1.136.000 servidores) foi inventada a WWW, World-Wide Web (Rede de Vastidão Mundial). 1993 2.056.000 servidores ligados à rede; foi criado o Mosaic, o primeiro browser da www. 1994 Com 3.864.000 servidores na Rede, a Pizza Hut começou a oferecer um serviço de delivery por meio de sua página na Web. 1995 Em 1995, o número de servidores pulou para 6.642.000. 1996 Já haviam mais de 15 milhões de servidores e os rendimentos da publicidade na Internet totalizaram cerca de 227 milhões de dólares. Mais de 1 milhão de empregos foram criados pela Internet ao redor do mundo. 1997 A Internet já é famosa no mundo todo; as maiores empresas do mundo passam a encarar a Internet com seriedade e apostar no mundo virtual tanto quanto no mundo real. No Brasil, eram entregues as primeiras declarações de Imposto de Renda via Internet à Receita Federal. Fonte: Elaborado com base em Cerqueira, 2010. 6 1.1 CRM – Cliente Relationship Management Considerando que as guerras são uma das maiores impulsionadoras da evolução tecnológica, foi um pequeno passo para a sua utilização no conflito bélico, com a transmissão da posição de linhas inimigas com um aprimoramento cada vez maior. Daí para frente, essa rede, agora com novo nome, denominada internet, não parou de crescer, até se transformar no maior fenômeno de comunicação de toda a história humana. O leitor pode buscar na própria internet um sem número de recursos que detalham essa história de forma mais completa e elucidativa. Desde os tempos do escambo, o ser humano é um animal negociador e consumidor. Para que se utilizasse todo o potencial da grande rede de comunicações, foi outro pequeno passo. Mas os seres humanos também cometem erros, em diversos níveis. Dessa forma, atitudes politicamente incorretas frearam um pouco do entusiasmo inicial. Mas não havia como controlar o consumismo humano, que agora podia comprar o que quisesse, onde quisesse, escolhendo o melhor preço ou o melhorde acordo com o proposto para a indústria 4.0. Assim, dedicaremos parte desta aula ao tratamento de alguns temas marginais, ainda que importantes para permitir o enfrentamento dos desafios colocados para organizações que adentram o átrio dos e-market places. 3.1 Leilões eletrônicos Com relação a novos setores, é importante conhecer, de forma mais completa, os leilões eletrônicos, como importante ferramenta de negociações. Aqui ressaltamos a importância do marketing de conteúdo, que exige o aprimoramento de técnicas para a produção de catálogos eletrônicos. Para finalizar esses complementos, é importante tecer considerações sobre o desenvolvimento de pesquisas com foco diferenciado, que também serão levadas em consideração. Os leilões eletrônicos podem ser diretos ou reversos. Crédito: Macrovector/Shutterstock. Os leilões eletrônicos representam tanto comércio como negócios desenvolvidos nos ambientes em rede. Quando são negócios, caracterizam o B2B em ação. Quando envolvem consumidores e organizações, eles são considerados como C2C ou B2C, siglas que já discutimos neste material de estudo. 12 Mercadorias são oferecidas e os clientes efetivam as suas ofertas. O leilão é transparente, podendo ocorrer em iniciativas síncronas (que estamos referenciando mais diretamente neste momento), ou desenvolvidas de forma assíncrona, permanecendo ativo durante tempo necessário ou estipulado pelos seus administradores. Eles podem ser desenvolvidos em duas perspectivas diferenciadas. Nos leilões diretos, os compradores licitam mercadorias de um determinado vendedor ou reversos, caso em que os vendedores licitam para a ordem de um determinado comprador. Outra classificação, que é mais obscura, não sendo em geral tratada abertamente, são os leilões legais e ilegais, aqui assinalados apenas para efeito do registro de sua existência. Um dos sites que são mais citados quando se trata do tema leilões no ambiente virtual é o já visto anteriormente, o eBay. Em leilões, se vende de tudo; os sites que trabalham com leilões buscam preservar a legalidade e a garantia de confiança dos usuários, já que, principalmente, em leilões de arte, quantias elevadas podem ser trabalhadas. Ganha destaque a necessidade de aprimoramento das rotinas de segurança. Ressalta-se aqui também o surgimento de leilões populares, que são dirigidos pelos próprios vendedores, associados em parcerias que, aos poucos, dão maior grau de independência para as pessoas que querem desenvolver comércio e negócios na grande rede. 3.2 Catálogos eletrônicos Os catálogos eletrônicos representam o estado da arte do marketing de conteúdo, não se resumindo apenas a banners e infográficos, mas constituindo portfólios que contêm elevado volume de metadados, que podem representar a totalidade de um site de divulgação. Para evitar a poluição eletrônica, da qual alguns usuários reclamam, o uso da técnica QRcode tem ganhado um destaque sempre maior. Segundo os editores da revista Dino, que publica em parceria com a revista Exame, os catálogos eletrônicos podem ser considerados como uma estratégia para a redução de custos operacionais de campanhas de divulgação de produtos e negócios. Além disso, possibilitam uma estabilidade maior dos preços praticados no mercado. Produtos de interesse são adicionados ao “carrinho de compras”, permitindo que ao final as encomendas sejam confirmadas ou recusadas, com a 13 finalização do comércio ou do negócio que representam. Existem softwares e programas que visam facilitar essa atividade. Os catálogos eletrônicos evoluem e, nos dias atuais, eles são representados por gigantescos portais, voltados para o desenvolvimento de atividades diversificadas daquelas que somente visam a divulgação de produtos. Eles são elementos importantes; quanto melhor a interface gráfica com o usuário, melhores os resultados que podem ser obtidos. Sob quaisquer dos pontos de vista por que uma atividade de pesquisa é vista, ela pode ser considerada como uma das mais importantes atividades que a serem desenvolvidas em ambientes virtuais. Profissionais que apresentam expertise em sua utilização largam na frente na desabalada corrida em busca da competitividade, em um mercado altamente competitivo, como é este que podemos observar na atualidade. 3.3 Mecanismos de busca Quem traz facilidades para o desenvolvimento das pesquisas são os denominados “mecanismos de busca” ou “motores de busca”, com largo utilizados. Do resultado de sua publicação, podemos montar a seguinte lista, sugerindo ao leitor que entre em cada um deles e desenvolva uma atividade de workshop, utilizando o mesmo argumento de pesquisa, para tirar a sua própria conclusão sobre o mecanismo de busca que seja mais do seu gosto destaque para o Google. Em seu blog, Rafa Torres (2018) facilita a vida dos navegantes ao publicar uma relação dos 10 mecanismos de busca mais utilizados: • O é o site mais utilizado no Brasil e no mundo, e apresenta novidades a cada dia, voltadas para a melhoria das atividades de busca. • O está na segunda colocação, e é o preferido de alguns navegadores. Ele substituiu o Yahoo e o MSN. • O aparece com destaque como o terceiro de uma lista que privilegia o mercado nacional; • Na sequência, bem abaixo nas preferências, aparecem o , que foi o líder em determinada ocasião, até decidir investir mais nos portais. 14 Rafa Torres considera importante trazer um site mais voltado para localização de coletâneas de artigos sobre diferentes assuntos, sendo bastante utilizado no segmento acadêmico. Entre os mais destacados observamos ainda os mecanismos ; “tendência.cc>; ; ; e o . Mais recentemente, surgem os metabuscadores, que coletam resultados de diferentes sites, postos na ferramenta como valores default, ou que são escolhidos. O melhor exemplo é o site , que vale a pena visitar. TEMA 4 – OS MUNDOS VIRTUAIS, FERRAMENTAS WEB E O SEU USO NO EC E EB Crédito: jamesteohart/Shutterstock. “Mundos virtuais” é uma expressão genérica que abrange todos os segmentos colocados na grande rede, efetivando a cibercultura, considerada como a reunião de todas as pessoas que estão, de uma forma ou de outra, com uma intenção ou outra, relacionadas na grande rede. Lévy (1999) definiu o termo cibercultura, considerando-o como uma verdadeira antropologia dos diferentes mundos virtuais que podem ser encontrados na grande rede. A Techopedia (2019) nos apresenta uma definição completa sobre o vocábulo dos mundos virtuais, que em seu verbete considera o termo como sinônimo do vocábulo mundos digitais em uma visão similar àquela colocada por Levy (1999). Aqui os mundos virtuais são divididos em duas diferentes vertentes: 15 os mundos virtuais baseados no entretenimento e os mundos virtuais em comércio e negócios. Esta separação é apropriada e permite enxergar a proposta da interatividade em sua integralidade. Houve tempo em que se imaginou que eles seriam extensivamente utilizados, mas o elevado custo e deficiências tecnológicas que não mais existem na atualidade, permitem antever a sua utilização de forma extensiva, trazendo para junto desta comunidade as atividades educacionais, agora desenvolvidas com elevado destaque ao aspecto lúdico e à atratividade que ele traz para o ser humano. Na atualidade, podemos visualizar um recrudescimento dessa proposta, com esses mundos sendo populados com avatares suportados pelas atividades de inteligência artificial, que não são muito ao gosto de todos, conforme era a proposta inicial dos seus defensores. Hoje essa proposta é combatida com um pouco mais de consciência sobre os problemas sociológicos que poderá trazer, inflamando ainda mais o conflito eas lutas entre o capital e o social, mas ainda não o suficiente para superar o medo do estabelecimento da tecnocracia em nossa sociedade. Os mundos virtuais voltados para o entretenimento vivem a ficção científica com todo seu vigor. Outro tipo de mundos virtuais são os mundos baseados na interação social, utilizados em educação, treinamento, com navegação livre e aberta pelos mundos simulados. Aqui é possível perceber em toda a sua extensão a liberação da imaginação do ser humano, que oscila entre os limites do politicamente desejável e do politicamente incorreto, com predominância para esse último, pelo menos no contexto atual, o que se desejaria mudar. O comércio e os negócios desenvolvidos nos ambientes virtuais estão classificados na segunda vertente, pois são caracterizados por uma atividade interativa que pode chegar a extremos. Há pessoas que praticamente colocam suas vidas nesses mundos, com consequências diversas, mas de forma geral tidas como indesejáveis, sendo a principal delas a alienação e o afastamento do mundo dos vivos. Quando é possível observar a comemoração de casamentos e bodas, as mais diversas, de esposas e maridos virtuais, com as características do que cada um considera como virtudes, fica cada vez mais forte a sensação de que há algo de errado no reino da Dinamarca. O ser humano costuma classificar todas as coisas. Existem taxonomias apoiadas em todos os parâmetros identificadores possíveis. Não aconteceu de 16 forma diferente com a evolução da Internet. A ela foram associadas “gerações” que estão envolvidas par e passo com a evolução tecnológica. Assim, tivemos a web 1.0, web 2.0, web 3.0 e, na atualidade, vivenciamos a web 4.0, assuntos já tratados antes. Essa classificação atende a diversos e diferentes propósitos, relacionados com a associação da tecnologia exponencial, como capacidade inerente de mudanças, muitas delas muito significativas, pertinentes ao que acontece no tecido social. Por essa razão, muitos pesquisadores ainda mantêm este tipo de conceituação. Apesar de seguir tal orientação, neste momento vamos tratar das ferramentas disponíveis como elementos pertencentes, de forma genérica, à web, sem particularizar uma das linhas como melhor, pior, menos ou mais evoluída. Nesse raciocínio, consideramos que as tecnologias se somam; há tecnologias criadas há décadas que ainda permanecem. O foco será colocado, então, em quais as ferramentas que a web coloca para os usuários, de forma a facilitar a evolução e o desenvolvimento do comércio e a efetivação de negócios na grande rede. Iremos centrar as considerações no que é oferecido para usuários finais, sem a preocupação com o que acontece para os desenvolvedores de sistemas, que representam os aplicativos desenvolvidos. Podemos montar uma lista com as de maior destaque: • Um dos primeiros aspectos é representado por um conjunto de ferramentas wiki que permitem que usuários sem experiência se tornem prossumidores (consumidores e postadores de novos conhecimentos). Elas são consideradas organizadoras por excelência de tudo o que o usuário precisa fazer para controlar a sua caminhada na Internet e também para o controle de sua vida pessoal. • Ainda no conjunto das ferramentas wiki, é possível que essas pessoas obtenham um sem-número de informações e apoio sobre como elas 17 podem ser utilizadas (representada pelo crowdsourcing – o poder da multidão efetivado em diferentes ocasiões). • Aplicativos para as mais diversas situações (agendas, controle financeiro, controle de veículos, consumo de gasolina e outros). • Programas editores de texto, planilhas, bancos de dados e um sem- número de aplicações drag and drop, que permitem que usuários desenvolvam aplicações de razoável complexidade, de forma facilitada; • Mecanismos de busca cada vez mais apurados. • Ferramentas para desenvolvimento de atividades de compra, venda e efetivação de negócios. • Locais de efetivação da educação aberta. • O ensino a distância como uma realidade para a formação permanente e continuada. • Bibliotecas virtuais com obras de destaque em diversas áreas do conhecimento humano. • Configurações das mais diversificadas atividades de acompanhamento; • Acompanhamento de saúde. • Uso de tecnologias vestíveis. • Uso de facilidades de computação em nuvem, configurando máquinas virtuais que a pessoa pode manipular a partir de qualquer estação plugada na rede, a partir de qualquer localidade. • Apoio da inteligência artificial em diversas atividades desenvolvidas pelo intelecto humano. • Atividades de desenvolvimento comunitário de livros, pesquisas, definição de novos produtos com a utilização de uma proposta de financiamento coletivo denominada crowdfunding, que também se apoia na força mostrada pelo poder da multidão. Cada uma dessas facilidades pode abarcar diferentes outras atividades mais específicas. O que está construído é um grande mosaico de aplicativos, desenvolvidos praticamente para monitorar tudo o que um ser humano pode fazer em seu processo de imersão nos mundos virtuais. O que foi vaticinado por Gates e por Negroponte em obras anteriormente citadas, se mostra para o bom observador com pujante utilização. 18 Há uma sinergia possível que surge com a integração de diversas facilidades em uma única atividade, potencializando a capacidade do ser humano. Ter seu trabalho desenvolvido pelas máquinas é uma proposta atingida com sucesso, mas ainda não se sabe realmente qual o verdadeiro impacto dessa avalanche de novas tecnologias na vida das pessoas. TEMA 5 – PRINCIPAIS MODELOS DE NEGÓCIOS DE E-TAILING Crédito: thodonal88/Shutterstock. Neste ponto, entramos em uma situação na qual o número de facilidades encontradas é grande, e cresce em uma perspectiva exponencial. Vamos falar resumidamente de cada um dos modelos existentes, com um quadro montado a partir de pesquisas desenvolvidas, com comentários sobre cada um dos modelos apresentados, deixando uma sugestão para que o leitor aprofunde as pesquisas sobre aqueles que forem de maior interesse. 19 Quadro 1 – Modelos de serviços e-tailing Modelo Descrição Portais Os portais são temáticos e podem levar os usuários ao ponto em que desejarem. Existem portais educacionais, para jogos, para viagens, para compra e venda de itens e ferramentas, que permitem que pessoas sem experiência façam sua montagem (por exemplo, o site wix.com permite a confecção de páginas). Fóruns Localidades nas quais é possível discutir praticamente tudo. Eles têm acesso livre ou controlado e podem ser públicos ou privados. Eles não são apenas utilizados em atividades educacionais, como muitos pensam. Sites esotéricos, confessionais e de orientação política (correta ou incorreta) também são encontrados. As comunidades de prática são um destaque particular dessa ferramenta, utilizada extensivamente na Internet. E-mail Diversas facilidades são oferecidas pelos gerenciadores de e-mail. Os mais comumente citados são o Outlook, o Google e, vindo na esteira destes dois mais votados, todo um conjunto de aplicativos que fornecem a possibilidade de comunicação dos usuários com outras pessoas, empresas ou organismos. Notícias O marketing de conteúdo encontra terreno ideal para se proliferar nos sites de notícias. A existência de localidades que distribuem as criticadas fake news acabam por dar notoriedade a tais localidades. Elas geralmente são apresentadas como portais e tem utilização extensiva. Somente para modificar os exemplos, um dos sites mais visitados é aquele oferecido pela empresa UOL. Eles podem ser gratuitos e contar com usuários denominados premium, que têm facilidades adicionais. Marketing O segmento pode ser nominado como as mil faces do marketing. O que começou como marketing presencial transformou-se em marketing digital e este se distribui eminúmeras faces diferenciadas, das quais vamos citar as seguintes: inbound marketing; outbound marketing; marketing de conteúdo; marketing de performance; e-mail marketing; marketing social, desenvolvido nas redes sociais; marketing de busca; marketing móvel; vídeo marketing; SMS marketing disseminado nos e-mails recebidos e enviados; marketing de proximidade; marketing integrado; marketing direto e indireto, e assim segue-se com a criação de diferentes nominações. Essa lista pode aumentar quando observamos, no mercado, uma classificação mista, ou seja, um tipo de marketing que combina dois ou mais tipos dos que foram até agora citados. O grande problema é a falta de parcimônia, com o exagero que traz o efeito exatamente contrário: o afastamento do cliente. É uma área a ser estudada com cuidado. Mídias sociais Elas foram as responsáveis diretas pela transformação da Internet no maior fenômeno de comunicação já criado pelo ser humano. Nos dias atuais, o Facebook, o Twitter, o LinkedIn, o Instagram dominam uma área onde diversos aplicativos são apresentados como panaceia universal, capazes de solucionar inúmeros problemas de isolamento social, ao qual as pessoas se sujeitam, em grande parte pelo medo da violência ou por outros fatores sociais. Há pessoas que, com problemas parciais com a rede, ficam sem direcionamento do que fazer. Elas parecem viver unicamente em função de seus contatos virtuais. Vemos aqui o aumento do teletrabalho e a autorização de atividades de terceirização às empresas com microempresários individuais. Gestão de acessos Os motores dos mecanismos de busca efetuam um gerenciamento efetivo de acessos, passando informações para os inferidores, que se apoiam na inteligência artificial, com controle quase que total de tudo o que as pessoas podem fazer na grande rede. A perda da privacidade é praticamente total. Tudo o que as pessoas fazem na virtualidade está registrado e pode ser acessado, desde que as empresas que controlam o tráfego estejam dispostas a oferecer informações sobre os seus usuários. CRM – Customer Relationship Management Anteriormente citamos o melhor marketing, como aquele desenvolvido pelo seu Manoel da padaria da esquina, que mandava pequenos brindes em datas festivas, tinha sua caderneta flexível e quase nunca retirava um sorriso afivelado em uma face alegre e bonachona. Reconhecer a existência desse fato não é uma depreciação ao que acontece na atualidade, devido ao fato de que toda tecnologia parece estar voltada para a recuperação desse grau de satisfação dos usuários com aqueles com os quais se relaciona em sua vida comercial. Catálogos eletrônicos Já falamos anteriormente nos catálogos eletrônicos, mas eles não podem ser esquecidos; aqui estão novamente citados como um dos meios mais eficazes de marketing. O aspecto lúdico e a alta tecnologia envolvida, que pode incluir a realidade 3D e a realidade virtual, atuam como eficazes ferramentas de marketing. Eventos Há sites que registram praticamente todos os eventos de interesse que ocorrem na sociedade. O destaque, como não poderia deixar de ser, são aqueles de ressonância global, mas praticamente todos, com maior ou menor transparência, são registrados. Além do registro, eles podem estabelecer rotinas de marketing agressivo, utilizando uma das diversas formas (não todas) apresentadas neste documento. (continua) 20 (continuação do Quadro 1) Revistas e bibliotecas virtuais Associadas às bibliotecas virtuais, as revistas registram praticamente todo o conhecimento criado pelo intelecto humano. Fica para trás toda dificuldade encontrada pelos pesquisadores de décadas anteriores, que tinham na leitura de livros o único recurso de fichamento, de forma a obter referencial teórico consistente. Ainda há algum fator resistência que, aos poucos, vai sendo superado. Educação aberta Sites para MOOCs – Massive open online courses levam à efetivação de uma das propostas mais esperadas: a educação aberta. A educação se liberta das amarras de limitações incompreensíveis, colocadas como requisitos para que formações específicas fossem obtidas. Há um sentimento de libertação no ar, mas ele ainda não foi aceito de forma completa pelos órgãos reguladores da educação em nosso país. A existência de movimentos que estão voltadas à criação dos REA – Recursos Educacionais Abertos culmina na superação da dificuldade de obtenção de materiais para estudo. Encontros Aqui é possível encontrar a realização de praticamente todas as fantasias humanas, independentemente de sua validade social ou moral. Os sites de encontro prestam tanto um serviço, como um desserviço às atividades de procura do ser humano por companhia, capaz de afastar seus medos e atender suas necessidades. Leilões Esta facilidade já foi descrita anteriormente, mas sua menção como recurso disponível não pode ser esquecida. Consulte o que foi visto em tópico anterior. Localidades temáticas Tudo o que não foi descrito anteriormente pode ser considerado, de forma genérica, como uma localidade temática, normalmente atendida por portais cada com características particulares. TROCANDO IDEIAS Você já deve ter ouvido falar dos e-market places eBay, Mercado Livre, entre outros. Sabe como funcionam os leilões nesses sites? Pesquise, entreviste, descubra a prática dos leilões eletrônicos e apresente sua opinião e sua experiência. NA PRÁTICA Diferentemente dos automóveis, os conceitos de 1.0, 2.0 e etc., para os termos tecnológicos, não têm o sentido do número de cilindradas na câmara do motor, mas com versões de novos produtos, geralmente melhorados. Se a web tem seu progresso, embora não se trate de um ponto único e exclusivo, apresente quais características definem as conhecidas Web 1.0, Web 2.0, 3.0 e 4.0. FINALIZANDO Ouvimos falar sobre comércio eletrônico, negócios na internet e diversas formas de reproduzir, no virtual, o que estamos acostumados ao mundo real. Quem diria, a internet se tornou um local em que até mesmo shoppings virtuais podem ser encontrados. Nesses e-market places é possível comprar, vender, leiloar, negociar, barganhar e até mesmo corromper. As particularidades dos mercados tradicionais (físicos) funcionam dentro e fora de seus espaços 21 (estacionamento, flanelinha, mendigo a engraxate). Na internet, não é muito diferente, pois muitas vezes compramos de uma loja na web pensando ser outra. E não, não erramos na pesquisa ou nas palavras-chave. Nem erramos – o produto é aquele, mais rápido ou mais barato, você escolhe. 22 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os oito Ps do marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. BENTIVEGNA, S. Rethinking politics in the world of ICTs. European Journal of Communication, n. 21, p. 331-343, 2006. CHAVES, N.; TAKADA, L. Coletânea de casos em gerenciamento de processos na administração pública. São Paulo: Elogroup, 2015. COLEMAN, R. et al. Public life and the internet: if you build a better website, will citizens become engaged? New Media & Society, n. 10, p. 179-201, 2008. DI MASI, D. 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E-BUSINESS E E-COMMERCE AULA 3 Prof. Armando Kolbe Junior Prof. Daniel Weigert Cavagnari 2 CONVERSA INICIAL Crédito: PopTika/Shutterstock. Seria desejável considerar que tudo são flores no relacionamento da internet com pessoas e empresas, caracterizando um mar de rosas. Se elas podem ser percebidas em parte das atividades desenvolvidas na grande rede, há, por outro lado, a Deep Web ou a Black Web, em que atividades politicamente incorretas proliferam em um ambiente que parece ter sido criado especificamente para a evolução do mal – negócios do diabo, como diriam os tecnófobos de plantão. Como estamos em um ambiente educacional, é possível direcionar o foco para o que a web traz de bom para o comércio e os negócios, agora desenvolvidos no ambiente em rede. Nesta aula, vamos tratar de temas importantes e relacionados com as inovações que estão ocorrendo quase que diariamente na grande rede, não permitindo que as pessoas enxerguem o fim da estrada que foi criada, nem seu tempo de duração, cada vez mais efêmero. CONTEXTUALIZANDO Crédito: magic pictures/Shutterstock. 3 Podemos entender a internet como um ambiente não só de negócios, mas acima de tudo de vontades, ou melhor, de necessidades e desejos. E venhamos, nem tudo se compra, mas, de certa forma, se adquire. Lembro-me da minha primeira compra na internet, em 1996, em uma loja virtual de discos nos Estados Unidos. Comprei exatamente os dois discos que passei a vida procurando no Brasil, em uma versão vinil ou fita cassete. Um sonho. Mas, no meio do sonho, um pesadelo. Na época, não se falava em protocolos de segurança que protegessem os dados, então me arrisquei. Minha sorte é que nem mesmo os crackers entendiam do assunto e correu tudo bem. Paguei e quinze dias depois fui à Receita Federal retirar a mercadoria. No ano seguinte, a internet já havia se estabelecido, tanto que fiz minha primeira entrega da declaração de Imposto de Renda. O sinal era claro: se a Receita Federal oficializou, não tem volta, a internet é para sempre. Lembro-me ainda do primeiro curso de extensão que fiz pela internet, em ambiente virtual denominado Moodle na época – 2004 para ser mais preciso. Enfim, antes mesmo de o e-commerce, o e-government e o e-learning se popularizarem, a internet já disponibilizava esse tipo de recurso. Para compreender melhor esse contexto, acesse o site oficial do seu estado e relacione todos os produtos e serviços que ele pode oferecer e que lhe seriam (ou foram) pertinentes. TEMA 1 – INICIATIVAS DE E-GOVERNMENT E M-GOVERNMENT Crédito: 0beron/Shutterstock. Entre os sistemas inovadores para o desenvolvimento do comércio e dos negócios em ambientes virtuais, a transparência dos órgãos públicos e o 4 aumento de oferta de serviços oferecidos pelos usuários, com superação dos lentos passos de uma estrutura paquidérmica, como é o Estado brasileiro, tão grande em sua ineficiência como é seu gigantismo, a governabilidade eletrônica ganha assento definitivo na grande rede. O e-government, também denominado governo eletrônico, visa atender a uma proposta idealizada por poucos políticos que ainda se preocupavam com o bem-estar público proporcionada por uma iniciativa pública: a criação de uma administração que se mostre ao público eficiente, transparente e capacitada a atender à necessidade de dar maior qualidade ao atendimento dos órgãos governamentais. É uma proposta que também tinha como objetivo integrar as pessoas aos serviços do Estado, previamente criados para atender às necessidades dos cidadãos. Isso exige algo que não se observa comumente no serviço público, que é a efetivação de um maior envolvimento de seus órgãos em atividades colaborativas e cooperativas as quais resultem em um elevado nível de interoperabilidade entre os diversos sistemas de informação, muitos deles caracteristicamente ineficientes. Nesse sentido, entende-se que programas desenvolvidos com tecnologias superadas não conseguem “conversar” com sistemas desenvolvidos com novas tecnologias. O trabalho enfrenta, portanto, a natural dificuldade de operação desenvolvida em ambientes tecnologicamente diferenciados, e a inexistência de uma cultura comum no serviço público é outra dificuldade a ser superada. Dessa forma, essa tarefa pode ser considerada de alta complexidade e permite que seja compreendida a dificuldade de sua efetivação. Interferências políticas pessoais, superando o interesse da coletividade, também são obstáculos existentes. É inaceitável e inadmissível que esse fato continue a acontecer e que, quando identificado, permita manobras que impedem que seus autores sejam punidos, como é possível observar no contexto político brasileiro. O governo ou a governança eletrônica, entretanto, parece ter vencido todos esses obstáculos, e, nos dias atuais, é possível contar com alguns (não todos ainda) serviços públicos disponíveis na rede. Pouco a pouco, pequenas vitórias somam-se a ponto de podermos considerar que, em um tempo que não está mais distante, diversos serviços públicos permitam diminuir o crescimento doentio do aparelho do Estado, consumindo recursos que seriam muito 5 importantes para atender aos setores de saúde, segurança pública, entre outros que hoje apresentam atendimento deficiente. Os agendamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e nos órgãos que reemitem carteiras de identidade são exemplos de uma eficiência desconhecida até a implantação do e-government. Veja na Figura 1 uma dessas facilidades citadas como exemplo: Figura 1 – Governança eletrônica: obtenção de segunda via da carteira de identidade Fonte: Governo do Estado do Paraná, [S.d.]. O resultado apresentado no site ilustrado na Figura 1 é uma das muitas iniciativas relacionadas à oferta de serviços eficientes que têm elevada usabilidade nas interfaces desenhadas. Porém, pode não ser o modelo mais desejável de governança eletrônica, que somente poderá ser alcançado quando as diferenças apresentadas até o momento forem superadas. Por trás da busca por essa eficiência há outra busca, menos perceptível, que é aumentar a participação da população, afastando a apatia política que ela demonstra. O voto é dado, mas os resultados nunca são cobrados. Dessa forma, qualquer proposta de criação de novas ferramentas para a informação da 6 população sobre as realizações políticas e também seus fracassos certamente irá contar com o apoio desta e carrear maior confiança às atividades dos políticos. Com a participaçãopopular, iniciativas políticas podem ganhar um insuspeitado apoio, obrigando as forças contrárias a uma situação de aceitação daquilo que é do interesse maior da população. Adotando essa linha de raciocínio, cria-se um canal de comunicação direta que pode trazer sensível economia aos gastos excessivos com propagandas que o governo promove para apresentar suas realizações, as quais geralmente não têm a mesma amplitude prática do que é revelado nos portfólios eletrônicos. Há pesquisadores que, em vez de considerar o caráter anárquico da internet como um obstáculo, o entendem como pontua Bentivegna (2006): um fator catalizador para a participação comum dos indivíduos nas realizações governamentais, que foram desenhadas para eles. Chaves e Takada (2015), por sua vez, quando analisam o gerenciamento de processos na administração pública, consideram que tais iniciativas apresentam um potencial democrático específico que deriva do próprio estado de democracia sugerido pela grande rede, apoiado em estruturas não hierárquicas que favorecem a interatividade. Quando ela surge, há um inegável benefício, especialmente se se observa o silêncio que hoje caracteriza a atuação do eleitor. Onde não há cobrança, não há confirmação de honestidade de propósitos e boa utilização dos recursos públicos, que primam pela escassez, devido às atividades de corrupção política dos resultados de captação de recursos a partir de um caminho injusto de imposição de impostos escorchantes. A situação é totalmente política e exige esse enfoque, por mais que o reconhecimento da ineficácia da ação dos órgãos públicos seja doloroso. O investimento na governança eletrônica poderia abrir novos caminhos que, na visão de Coleman et al. (2008), poderiam incentivar uma participação política maior na sociedade civil, facilitada pelo caminho de duas vias aberto na grande rede. Não há necessidade de o eleitor estar na capital federal, onde se localizam os poderes políticos, para que ele possa influenciar em decisões tomadas, nem é preciso que os políticos se ausentem da sede dos poderes para saber o que os eleitores pensam sobre assuntos nos quais estão sendo efetivadas propostas políticas colocadas em pauta em tempo de campanha. 7 A conversa do público com seus representantes foi até agora um elemento ausente no panorama político, e as propostas para que isso seja encarado de forma diferente, a partir da utilização das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), representam alvissaras que devem ser entoadas por todos os envolvidos. Entretanto, há um obstáculo: o medo dos políticos de que o que eles não estão fazendo seja revelado, além da possibilidade de falcatruas serem observadas. Um dos aspectos mais favoráveis ao e-government é o baixo custo da internet para a implantação de soluções interativas, enquanto o benefício de troca de informações de forma mais rápida é o argumento mais comum. A transformação do eleitor de consumidor de fatos políticos para prossumidor, que recebe e ao mesmo tempo envia informações, é um benefício considerado sob todos os aspectos pelos quais tal resultado possa ser analisado. Parece ser evidente que a criação e a manutenção de um diálogo intensivo entre eleitos e eleitores são benéficas em todos os aspectos, com a proposição de serviços públicos totalmente direcionados para o benefício dos cidadãos. É preciso desenvolver a consciência social para essa necessidade e buscar meios para que os órgãos públicos adotem essa posição. Até aqui, falamos sobre a comunicação com o uso da internet, mas não discutimos seu suporte. Inicialmente, isso ocorre por meio de notebooks ou desktops, mas existe a possibilidade de utilização dos dispositivos móveis, identificada como m-government, ou governança eletrônica móvel, que em nada se diferencia daquela mais comumente utilizada nos dias atuais. A partir dela, é possível obter agilidade maior no processo de comunicação entre os envolvidos, com barateamento na utilização das formas e meios de comunicação. Ao tratar de m-government, Coleman et al. (2008) voltam a se referir ao e-government, associando a mesma visão positiva que gera atratividade, utilidade e utilização das TDIC a uma maneira eficiente de criar caminhos para a comunicação entre a sociedade civil e as entidades governamentais. Com ela, a construção coletiva de iniciativas desenvolvidas tendo o bem-estar comum como objetivo pode atingir maior sucesso em seu propósito. É possível detectar ainda a existência de barreiras digitais, todas elas diretamente relacionadas à segurança das informações, que podem ser consideradas de interesse público, e, em determinadas ocasiões, exigir algum nível de impedimento ao acesso não autorizado. A determinação de pontos de 8 acesso público para as populações de baixa renda é outro aspecto que pode ser citado como barreira digital, considerando fatores como o baixo acesso e o analfabetismo digital. TEMA 2 – E-LEARNING, UNIVERSIDADES VIRTUAIS E E-TRAINING Crédito: Black Jack/Shutterstock. Chegamos ao ponto preferido de muitas pessoas quanto ao tratamento da expansão da educação, exigida e necessária para países em desenvolvimento, chancela que deveria ter sido superada há muito tempo, mas com a qual ainda convivemos. A internet surgiu como um processo de redenção do grande funil que as iniciativas presenciais representavam para um grande número de pessoas, as quais, pelos mais diversos motivos, não podiam retornar aos bancos escolares. Não foram poucos os que perderam oportunidades de formação permanente e continuada por conta de tais impossibilidades. A oportunidade de popularizar a educação aberta, forçando os órgãos reguladores da educação a lançarem seus olhares sobre essa possibilidade, é outro benefício marginal da grande rede que não pode ser ignorado. O ensino a distância ganha um potente aliado, a aprendizagem eletrônica (e-learning), que, com seus processos de imersão de alunos e profissionais, dá a um grande número de pessoas a possibilidade de retornar aos estudos. As iniciativas mistas (b-learning) diminuem a necessidade da presença de alunos em todo o curso e, consequentemente, as dificuldades daqueles que não têm condições de mobilidade. O enriquecimento dos ambientes das salas de aula tradicionais consegue melhorar o nível de participação dos alunos, e as portas e janelas destas ganham 9 visibilidade para o mundo exterior, permitindo a penetração das redes sociais com inegáveis benefícios. Aqui se aplica totalmente o conceito das tecnologias exponenciais, pois as evoluções de todos os modelos acontecem sempre que as novas TDIC são inseridas no ambiente. Além de sua inserção, elas trazem mudanças profundas tanto nas formas de ensinar como nas formas de aprender. O fator resistência posto contra muitas dessas inovações apenas confirma a dificuldade de adaptação da universidade aos novos tempos, já que muitas das inovações criadas em seus departamentos de pesquisa encontram na superação desse fator um dos seus principais obstáculos. Se, por um lado, o ensino a distância não precisou da internet para surgir e ter uma evolução a partir da renovação das tecnologias, por outro, não se consegue, nos dias atuais, enxergar tais iniciativas sem o concurso da internet. Os grandes portais das Instituições de Ensino Superior (IES) atuam como um catálogo eletrônico de cursos. Portais de outras IES são similares e existem com a mesma proposta. Eles desviam os alunos para os denominados Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA (ou Virtual Learning Environments – VLE), nos quais estes registram suas atividades, captam orientações, entregam trabalhos e, principalmente, têm uma proposta de desenvolvimento de um processo de comunicação multidirecional extensivo. Em geral, as universidades estão se encaminhando para umamudança ainda mais radical, que as coloca como universidades virtuais, as quais devem desconfigurar as IES como hoje são enxergadas pelos seus usuários. A estruturação das atividades de ensino e aprendizagem tem caminhado para a educação aberta, de modo que estão sendo criados consórcios de grandes universidades virtuais, nas quais a independência tanto dos professores quanto dos alunos é um dos principais objetivos. Vejamos como exemplo o consórcio EDX, um dos mais acessados portais de uma universidade virtual: O aumento do interesse fica visível no número de pessoas que se inscrevem em cursos voltados para a educação aberta, e, apesar da elevada evasão, os cursos on-line abertos e massivos (ou Massive Open Online Courses – Moocs) sempre apresentam sucesso em suas iniciativas. Essas universidades começaram com a oferta de cursos de certificação profissional, mas, nos dias 10 atuais, oferecem diversos cursos de pós-graduação e MBA, que não exigem presencialidade. A proposta do mercado de trabalhar avaliações baseadas em competências está levando ao reconhecimento do que as pessoas aprendem com tais cursos. Assim, a efetivação de processos de formação permanente e continuada desenvolvida em serviço ganha espaço cada vez maior. TEMA 3 – ENTRETENIMENTO, COMÉRCIO MÓVEL E OUTROS SERVIÇOS AO CONSUMIDOR EM M-COMMERCE Crédito: PopTika/Shutterstock. Em algumas áreas, sabe-se que a internet não tem concorrência. Para além das redes sociais, que superam o simples objetivo de entretenimento, proliferam sites que tratam das necessidades humanas, localidades que crescem de forma assustadora. Eles são desenvolvidos para o atendimento de necessidades diversas, e é possível destacar como exemplo sites e aplicativos voltados para a oferta de: • Músicas (Spotify1 livre ou pago na modalidade premium); • Vídeos em streaming (YouTube2 livre ou pago quando da criação de canais pessoais); • Filmes, séries e documentários com assinatura (Netflix3); • Jogos on-line, em comunidades das mais diversas (Click Jogos4). Outro ponto importante é o comércio móvel, que envolve a utilização de 1 Disponível em . 2 Disponível em . 3 Disponível em . 4 Disponível em . 11 dispositivos móveis. Nessa categoria, são inseridos os telefones celulares inteligentes (smartphones), os tablets, os netbooks e os notebooks, dispositivos que o usuário pode levar para qualquer lugar, com a condição de ter acesso, via redes Wi-Fi e 4G, a localidades situadas na grande rede. Por um lado, o m-commerce pode atuar como uma inestimável ferramenta de apoio para quem vende. Equipes de venda, por exemplo, podem levar consigo praticamente todo o catálogo eletrônico, com exemplos de utilização, depoimentos de pessoas favoráveis e documentação complementar, geralmente na forma de tutoriais rápidos e convincentes. É uma das formas mais eficientes de agregar valor ao que a pessoa ou empresa está vendendo. Por outro, esses dispositivos móveis podem atuar de forma a ampliar a presença das pessoas na grande rede. Nesse ponto, ganha destaque um termo pouco compreendido por muitos por exigir um elevado nível de abstração, a ubiquidade, entendida como a capacidade que uma pessoa tem de estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. Quando enxergada como uma metáfora, é fácil compreender que isso corresponde a um aumento de possibilidades, levando em consideração a presença virtual ou presença conectada, que interliga pessoas com as mais diversas e diferentes localidades ao mesmo tempo. Um dos exemplos clássicos é o caso de pastores que estudam a bíblia enquanto estão nos saguões dos aeroportos aguardando seus voos chegarem – com um pouco de boa vontade e imaginação, é possível pensar que essa pessoa está em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. O risco de tal proposta é colocar as pessoas em um estado de alerta total, no qual o seu nível de produtividade pode ser aumentado a ponto de provocar diferentes tipos de estresse (laboral, cognitivo ou psicológico). Esse é um dos grandes problemas da vida corrida que comumente está sendo praticada pelas pessoas. Em praticamente todos os sites, há uma ocorrência de catálogos eletrônicos patrocinados por outras empresas, bem como formas de eliminar sua apresentação. Há casos em que, quando isso é desenvolvido, o usuário perde a gratuidade ou a possibilidade de dar continuidade ao acesso. O excesso de propagandas via banners ou catálogos eletrônicos é uma das falhas de algumas empresas que pode ter efeito reverso: levar à perda do cliente. 12 TEMA 4 – APLICATIVOS FINANCEIROS MÓVEIS E O COMÉRCIO COLABORATIVO Crédito: Monster Ztudio/Shutterstock. Quando os computadores iniciaram seu processo de expansão e popularização, uma das comunidades mais beneficiadas foi a dos profissionais que desenvolvem sistemas completos, pequenos programas utilitários e, na atualidade, com a evolução dos sistemas operacionais para dispositivos móveis, de aplicativos que atendem a uma gama de possibilidades. Há, portanto, diversas localidades que trabalham com patrocínio e atuam como uma central de vendas desses aplicativos. Nessas localidades, é possível encontrar aplicativos de organização, como as agendas eletrônicas, aplicativos financeiros para controlar gastos e contas bancárias dos usuários, utilitários de proteção contra acessos não autorizados, enfim, uma lista que cresce de forma indefinida. Como exemplo, temos o site Siliconaction ([S.d.]), uma das maiores empresas fornecedoras de softwares de terceiros, sejam eles pessoas físicas, pequenas empresas ou alguma gigante desenvolvedora de softwares específicos. 4.1 Aplicativos financeiros Uma das áreas de software mais solicitadas relaciona-se ao controle da vida financeira das pessoas. Para ter uma ideia da diversidade de opções existentes, vale conferir a lista retirada do site , que relaciona os 10 principais softwares financeiros (Marquez, [S.d.]). Esse tipo de serviço é cada vez mais encontrado, e, conforme veremos a 13 seguir, refere-se ao comércio colaborativo. 4.2 Comércio colaborativo Na maior parte das vezes, os links indicados representam aqueles que o orientador (o mantenedor do site ou algum colaborador) entende como mais úteis, o que pode ser considerado algo similar a um serviço de utilidade pública, caracterizando o comércio eletrônico colaborativo. Há uma área que não nomeamos anteriormente, por saber que seria tratada aqui, denominada c-commerce (collaborative commerce ou comércio colaborativo). Trata-se de uma modalidade característica do comércio e do desenvolvimento de negócios na grande rede, a qual enxerga uma das atividades mais comuns que ocorrem na internet: a parceria ou colaboração desinteressada. Ela não se limita a pessoas físicas, uma vez que também existem empresas que criam localidades específicas para desenvolvimento dessas atividades. Entre as empresas que a praticam, a grande maioria está localizada na área da tecnologia da informação, com trabalho efetivado com hardware e software. A ausência de custos envolvidos leva, em muitos casos, à não utilização de algum serviço, por desconfiança natural do ser humano. Apesar de essa modalidade existir em todos os modelos de comércio ou negócios desenvolvidos na internet, o termo é mais utilizado para caracterizar atividades Consumer to Consumer (C2C), isto é, aquelas relacionadas ao envolvimento com pessoas físicas em ambas as pontas do processo (aqueles que oferecem o serviço e aqueles que o utilizam, geralmente sem custos envolvidos). As palavras de ordem são cooperação (quando livre e desinteressada) e colaboração (quando grupos de pessoasse reúnem para tratar de algum ponto de interesse comum). O conhecimento e a informação são os insumos básicos para que a funcionalidade da proposta da localidade seja atingida. Um dos exemplos mais citados são os sites para troca de músicas que utilizam uma proposta Peer to Peer (P2P) na troca de informações. Nesse caso, é comum o envolvimento de usuários com maior conhecimento e que trabalham da mesma forma – como ocorre com as transmissões torrent (arquivos trocados na grande rede). 14 Assim, o comércio acontece geralmente como um contato muitos-para- muitos ou muitos-para-um, formas mais comuns de sua efetivação. Quando se está trabalhando com links patrocinados, eles geralmente pagam os custos de hospedagem e de tráfego gerado na grande rede. TEMA 5 – REDES UBÍQUAS (PERVASIVAS) DE COMPUTAÇÃO SENSORIAL Crédito: Rvector/Shutterstock. A popularização da computação móvel traz a conceituação da ubiquidade, que pode acontecer em um nível de abstração que considera que o acesso a alguma aplicação tem como significado levar o usuário até a localidade na qual ela está ocorrendo. A ubiquidade, portanto, não tem aplicação no nível físico. Essa conceituação surge com a colocação do usuário em um ambiente de portabilidade quase total, o que desperta a atenção dos pesquisadores na área e enseja a criação de estudos sobre a computação pervasiva. Nesse sentido, o conceito de ubiquidade é levado a um ponto acima, para além daquele que podem ter os usuários, expandindo-se para códigos e dispositivos. Alguns pesquisadores vão um pouco além, e Saccol e Reinhard (2007), quando teve início a expansão dessa conceituação, consideram ser importante analisar os efeitos que a utilização dessa tecnologia pode produzir, principalmente quando se mostra como uma tecnologia exponencial, capaz de modificar de forma radical o comportamento dos atores sociais envolvidos. A ubiquidade representa uma confluência de tecnologias móveis (Mobile) com tecnologias sem fio (Wireless) e ubíquas (ubiquitous), utilizadas para a 15 solidificação de um novo modelo de desenvolvimento de comércio e negócios na rede: o m-business. Após quase uma década decorrida dessa evolução, muitas dúvidas ainda permanecem e aumentam com a inserção de uma nova conceituação, a computação pervasiva. Esta é definida por Garrocho (2016) como uma tecnologia que se faz presente a todos os momentos, com os computadores sempre disponíveis, podendo ser acessados por qualquer dispositivo que tenha alguma forma de acesso aos ambientes virtuais. Todo o poder computacional de alguma estrutura tecnológica montada nessa perspectiva está sempre disponível e se encontra em qualquer lugar, e a computação se desloca de objetivos gerais para uma centralização no usuário e em suas atividades. Esse novo tipo de usuário deve ser reconhecido pelo sistema, e não pelos equipamentos que está manipulando, proposta que Garrocho (2016) considera um dos desafios atuais para o campo da computação em grade (grids). Resulta daí a ideia básica da computação pervasiva, que visa disponibilizar acesso computacional de modo invisível em todo o lugar e o tempo todo, sem que seja necessário que os usuários saibam qualquer coisa sobre a tecnologia envolvida para poderem usufruir de todos os benefícios que ela possa trazer. Levar o usuário a compreender o que está por trás dessa tecnologia é uma tarefa tão complexa que é preferível deixar a própria tecnologia que ele utiliza resolver os problemas que proporciona. Entretanto, a computação pervasiva parece encantar, sem exceção, os escritores de ficção científica e os tecnófilos, devido aos voos imaginários que permite. Talvez apresentar de forma lúdica tais divagações facilite o objetivo de levar o usuário a compreender seu significado. Se já é difícil a compreensão do que é estar em diversos locais ao mesmo tempo, ainda mais difícil é aceitar a ideia de que as tecnologias passem a fazer parte das nossas vidas sem que sequer tenhamos consciência clara disso ou notemos qualquer mudança. Para ilustrar essa discussão, vamos imaginar um aficionado pelo motociclismo. Ele sai de sua casa, pega sua moto de última geração, liga, ouve o potente ronco e sequer sabe nada de toda a tecnologia que está por trás dessa atividade, para ele corriqueira. Enquanto se dirige ao seu trabalho e encontra as ruas limpas, com trânsito fluente (algo difícil de imaginar em algumas cidades), 16 sinaleiras funcionando de forma sincronizada, ele nada sabe sobre toda a logística envolvida para que essa infraestrutura atenda às necessidades de todos os moradores da cidade. Essa e outras atividades dão o significado à computação pervasiva como o resultado da união de técnicas de engenharia, de hardware e de software, tudo isso agora colocado ao acesso de qualquer pessoa, esteja ela em qualquer lugar. As tecnologias vestíveis e a internet das coisas são exemplos de computação pervasiva, mesmo que não sejam assim classificadas, apesar de consideradas tecnologias exponenciais por excelência. A utilização da tecnologia nos ambientes virtuais se torna algo tão comum quanto se queira, e as pessoas não tomam conhecimento do que está por trás do pano. Indo um pouco mais longe, imagine você entrando na sala de sua casa e ouvindo seu filho conversando animadamente, mas sem que haja ninguém no local. Ele está falando com a Siri, assistente do Google, que responde a todos os seus questionamentos. Sua primeira reação é se questionar se ele está maluco, mas em tempo, antes de tomar qualquer medida, você se lembra de um seriado dos seus tempos de criança, os Jetsons, e pensa no garotinho que falava com um amontoado de peças mecânicas como se fossem outro humano. Aparelhos eletrônicos reconhecendo vozes das pessoas e atendendo ao que elas solicitam é uma visão nada agradável para aqueles que têm medo da tecnocracia e, mais ainda, da sociedade do grande irmão, na qual todos veem tudo o que as pessoas falam, fazem ou pensam. Tudo em casa poderá ser adaptado ao gosto do dono, tal como é a casa de Bill Gates, o multimilionário que criou o Windows – cuja foto, por muitos anos, estava presente na mesinha de cabeceira de inúmeros admiradores. A casa inteligente, a escola inteligente, a empresa inteligente, e no meio de tanta inteligência você caminha, talvez como o único elemento não inteligente, usuário de tanta tecnologia sem que nada saiba dela. Pode não ser uma visão confortável, mas é como a computação pervasiva está se moldando aos usuários. Vamos fazer um último exercício de imaginação para compreender a computação pervasiva. Há dias em que, quando você entra em casa, ela toca um rock do Queen e acende as luzes vermelhas. Outros dias você entra em casa e ela toca um clássico de Schubert e acende luzes azuis. Isso ocorre porque, só 17 de olhar para você, ela sabe como foi o seu dia e propõe músicas e cores de acordo com o seu estado de ânimo. Lembra-se da preocupação que você tinha em alimentar seu cãozinho de estimação? Dos cuidados que tinha que ter para que sua casa não pegasse fogo? Esqueça tudo isso, a casa faz para você. Imagine agora que um cliente entra em seu site e fala com alguém similar à Siri do Google, ou que você é imerso em uma loja imaculadamente branca, com tudo exposto apenas com fotografias lindas e iluminadas. O assistente indica o corredor e a imagem. Quando chega até ela, você tira seu celular do bolso e lê um QR Code, e, como em um passe de mágica, uma animação em realidade virtual lhe mostra tudo o que o aparelho que você deseja comprar pode fazer, coisas que você sequer imaginou. Pronto, com as explicações apresentadas até aqui, você finalmente compreende o que é a computação pervasiva e o que poderá ser feito, em termos de comércio e negócios eletrônicos, pelas empresas, todas elas utilizandoa mesma tecnologia. Quem irá decidir a venda para você? O agente inteligente de uma loja A, que, por sua vez, é mais inteligente que o agente inteligente de uma loja B, será o ganhador dessa batalha que você sequer imagina que está acontecendo debaixo de seu nariz. As empresas consideradas gigantes do software, tais como Microsoft, IBM, Google, Apple, fazem previsões das mais rocambolescas possíveis e vislumbram de forma natural cenários como esses. O Vale do Silício se agita sempre que uma nova tecnologia exponencial surge, e parte-se para as adaptações necessárias, não mais em seus produtos, mas quem sabe no comportamento dos seus usuários. Praticamente não existem mais desafios tecnológicos. Quando chegarmos perto do fim da Lei de Moore, que está praticamente se esgotando, quem sabe a tecnologia pervasiva traga algum outro indicador para a mensuração do absurdo desenvolvimento tecnológico que a humanidade está experimentando. Nota-se, assim, que o progresso e a acelerada evolução da tecnologia são irrefreáveis, tanto quanto foi a evolução humana, que em algum momento deverá ceder para a primazia das decisões do que irá acontecer no minuto seguinte para alguma máquina que esteja ligada no ambiente. 18 TROCANDO IDEIAS É engraçado observar como a teoria pode imitar a prática na maioria das vezes, o que, por uma coincidência, estamos fazendo agora. Educação a distância. Isso mesmo. Olhe à sua volta, em seu computador, tablet ou telefone, e veja todos os tipos de interação que você tem feito só nesta aula. Avalie isso e comente. NA PRÁTICA Imagine que você deseja vender um determinado produto. Sua venda deverá ser on-line, então pense em um produto que só possa ser vendido pela internet e pelo smartphone. Lembre-se de que esse produto não tem meios de venda física nem por computador, apenas pelo smartphone. Agora que você pensou em um produto, apresente as características dele, o público-alvo e porque só pode ser vendido pelo smartphone. Lembre-se de apresentar os detalhes e de não ser muito sucinto. FINALIZANDO Vimos nesta aula que nem só de produtos, serviços e dinheiro se dinamizam os negócios (o e-business), mas de iniciativas e de prestação de serviços, desde o atendimento ao público por parte do governo até a dinamização da educação. Isso fica mais evidente ainda no que se refere à diversão, seja ela pelo próprio meio ou como acesso ao entretenimento, pelo computador, tablet e até mesmo pelo celular, direta ou indiretamente. 19 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os oito Ps do marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. AMARAL, D. Você sabe a diferença de lammer, cracker e hacker? Recanto do Dragão, 10 set. 2013. Disponível em: . Acesso em: 21 mar. 2019. BENTIVEGNA, S. Rethinking politics in the world of ICTs. European Journal of Communication, n. 21, p. 331-343, 2006. BERSELLI, D. Manual de perguntas e respostas: tributação e práticas no e- commerce. Brasília: Sebrae, 2016. Disponível em: . Acesso em: 21 mar. 2019. CHAVES, N.; TAKADA, L. Coletânea de casos em gerenciamento de processos na administração pública. São Paulo: Elogroup, 2015. CLICK JOGOS. Disponível em: . Acesso em: 21 mar. 2019. COLEMAN, R. et al. Public life and the internet: if you build a better website, will citizens become engaged? 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Dessa forma, levando em consideração sua evolução desde lá, dos idos dos anos 1960 até agora, é possível observar a necessidade de sabermos que é necessário aprender sobre ela para a compreensão de conceitos complexos. CONTEXTUALIZANDO Você já parou para pensar o quanto estamos conectados? Você participa de algum tipo de media social? Instagram, Facebook, Pinterest, Twiter, não importa. Escolha qualquer um desses sites ou outro de que você participe e nos quais encontre perfis, amigos, parentes ou conhecidos e observe que todos os tipos de interação são possíveis. Não se trata de encontrar oportunidades, mas de observar principalmente tudo aquilo que o site possui e que não foi colocado nem por você nem por seus contatos. Observe e reflita. Apenas reflita. Não é necessária uma crítica. TEMA 1 – A REVOLUÇÃO DAS MÍDIAS SOCIAIS Figura 1 – Logotipos de mídias sociais Crédito: Tanuha2001/ Shutterstock 3 Há diferentes fatos que podem comprovar a revolução das mídias sociais. Há registro de diferentes fatos que permitem identificar os movimentos nascidos no Facebook e no Twitter, como responsáveis por uma movimentação mundial que foi dada como responsável pela queda de regimes. Para o lado mau tanto quanto para o lado bom, foi possível registrar nas últimas eleições para presidência americana um crédito da vitória do atual presidente à intervenção dos serviços de espionagem russos, que aconteceu nas redes sociais. Esses fatos revelam um inesperado e insuspeito poder colocado nas mãos das pessoas em confronto com exércitos. A força para a derrubada de ditadores no Oriente Médio, tanto quanto a influência de eleitores americanos contra a candidata tida como favorita nas pesquisas, denegrida por fake news, não pode ser ignorada. Elas mostram o nascimento das redes sociais como um dos maiores fenômenos de comunicação criadas pelo gênio humano e, para além disso, revelam, para aqueles que têm olhos para ver, toda a sua potencialidade. Ulman (2010) considera que a ideia das redes sociais nasceu muito antes do seu registro na internet, conceituada com a mesma significação já há uma centena de anos. A autora pontua esses elementos ao enxergar a evolução da internet como uma verdadeira revolução que não desperdiçou nenhuma gota de sangue para se afirmar como um elemento de pressão contra governos e governantes. A autora (Ulman, 2010) considera que ela representa a migração da herança cultural da humanidade e sua capacidade de produção de novos conhecimentos nos dias atuais e nos próximos anos, até onde o pensamento humano consegue projetar sua imaginação. As redes sociais também podem ser consideradas como a reafirmação da ação de tecnologias exponenciais sobre o comportamento dos mais diversos agentes sociais, nas localidades nas quais está implantada. Sua evolução é o registro dos efeitos que as tecnologias da inteligência podem ocasionar, um impacto profundo que altera o significado de como as pessoas, na atualidade, produzem e tratam as informações, tidas como a mercadoria de maior valor na sociedade atual. Nela, podem ser encontradas todas as manifestações e representações existentes no mundo físico e social. Iniciamos este estudo com a citação de algumas redes sociais e, neste momento, vamos registrar os sites de quatro das maiores redes sociais 4 existentes: Facebook, Twitter, Linkedin, Instagram. Uma simples visão destas imagens permite inferir o que poderá ser encontrado em seu interior. Figura 2 – Página inicial de Linkedin – rede social de relacionamento profissional Crédito: Julius Kielaitis / Shutterstock Figura 3 – Página inicial do Facebook – rede social de relacionamento pessoal Crédito: Tom K. Photo / Shutterstock 5 Figura 4 – Página inicial do Twiter – rede de relacionamento de mensagens curtas Crédito: 1000 Words / Shutterstock Figura 5 – Página inicial do Instagram – rede de relacionamento de compartilhamento de fotos e vídeos Crédito: Pixieme / Shutterstock Pelo próprio aspecto da página inicial, é possível enxergar a finalidade dessas redes. Independentemente de elas serem públicas ou privadas, terem acesso livre ou com utilização de senhas, as redes sociais têm como objetivo o congraçamento entre as pessoas. Antes proibidas nas salas de aula, na 6 atualidade esses sites têm as portas abertas para entrada em qualquer ambiente. Atividades cooperativas e colaborativas encontram o local ideal para as mais diversas formas de manifestação. O voluntariado tem um local apropriado para pessoas ajudarem outras pessoas em suas necessidades. As atividades de media sharing encontram um campo ideal para sua proliferação. Se, no começo das atividades, elas foram muito combatidas, nos dias atuais a sua aceitação é quase que total, em todos os campos do conhecimento. O desenvolvimento de campanhas encontra, por sua vez, as mesmas facilidades. Nos dias atuais, elas estão sendo praticamente sufocadas pelas mais diferentes e diversas atividades de marketing digital que entopem caixas postais. É preciso que todos os tipos de usuário ganhem um conhecimento mínimo que lhes permita efetivar atividades de navegação, não importa para qual atividade estejam sendo utilizadas. Na mesma medida em que ela é boa e apresenta muitas informações confiáveis, ela pode ser negativa e conter muito lixo eletrônico. Atividades politicamente incorretas e crimes cibernéticos não são uma novidade. A grande rede apenas coloca e disponibiliza localidades, sem preocupação do que os seus usuários irão fazer. As discussões sobre censura na internet e regras de permissão encontram uma resistência que mostra a incapacidade de que tais propósitos sejam atendidos. Mesmo nos regimes totalitários, que limitam atividades que podem ser desenvolvidas, são encontradas brechas descobertas por gênios tecnológicos, que burlam qualquer atitude contra a liberdade de expressão. Já foi o tempo de se discutir se a Interneté uma boa ou uma má influência. Ela atinge um status em que é necessária uma consciência humana diferenciada. Somente nessas condições será possível aproveitar, em toda sua potencialidade, a revolução das redes sociais. TEMA 2 – SOCIAL SHOPPING Vamos solicitar que você puxe um pouco de sua memória. Procure lembrar quantas vezes, no escurinho de seu quarto, ou em um horário de folga em seu trabalho, você estava interessado em comprar alguma coisa, mas 7 dúvidas o assaltavam. O que você fez? Foi até a grande rede procurar o que outras pessoas estavam dizendo sobre o produto de seu interesse. Na dependência do que você leu, pode ter comprado ou evitado efetivar uma compra que poderia trazer problemas. Pode ser que você não saiba, mas o que você estava fazendo, na realidade, era efetivando, com todas as letras, o que os especialistas chamam de social shopping. Agora que você já sabe o que estava fazendo, certamente irá se tornar um adepto dessa atividade. Ela pode lhe garantir uma compra mais segura, mas isso somente se souber filtrar aquelas opiniões dadas apenas com intenção de prejudicar algum produto da concorrência. Isso acontece e muitas das vezes quem age assim é contratado pela concorrência. Se você achou que, com todas as suas preocupações sociais, a internet não tinha essas coisas, estava totalmente enganado. Pessoas boas e más e empresas boas e más existem quase em mesmo número na grande rede, com o risco de aquelas que não jogam um jogo ético superarem, em número, aquelas que procuram desenvolver suas atividades corretamente. Não se envergonhe e sinta-se apoiado por uma pesquisa desenvolvida pela ComScore (2014), que aponta que 86% dos internautas brasileiros desenvolvem pesquisas na internet e grande parte pode ser para fazer exatamente o que você estava fazendo: atividades de pesquisa. O segundo lugar da pesquisa ficou com as redes sociais, que são acessadas por 85% de todos os brasileiros. Esses resultados atestam o crescimento do interesse das pessoas pelo social shopping. As conversas de “pé de orelha” desenvolvidas com os colegas das redes sociais também são uma forma de social shopping. Por isso, fique tranquilo: você não estava fazendo nada de incorreto, apenas desenvolvendo o seu direito de pesquisar e de ouvir o que outras pessoas pensam e falam de um determinado produto antes de efetivar sua compra. Existem sites especificamente voltados para isso. Como exemplo podemos utilizar o site Reclame aqui. Observe que já na sua interface é possível economizar muito trabalho, caso venha a escolher o acesso a essa localidade. Ali estão registradas as queixas dos usuários, quanto a problemas que outros usuários tiveram com os produtos comprados. Este material foi desenvolvido três dias depois da ocorrência da famosa Black Friday, uma data de redenção para efetivação do comércio e 8 desenvolvimento de negócios na internet. É possível observar que reclamações começam a ocorrer e alertas são colocados. Aproveite, acesse o endereço oferecido e navegue à vontade. Observe que algumas críticas são colocadas sem razão ou suporte. Aprender a identificar essas situações é uma das coisas que é preciso fazer para evitar cometer injustiças ou acabar por fazer um mal negócio ao não adquirir determinado produto. O site apresenta um ranking de reclamações, no qual consta o registro de empresas de renome. Tem também um corpo jurídico que pode auxiliá-lo. Há empresas outras que trabalham na mesma perspectiva. Um outro site que pode ser indicado é o da revista Proteste!. Todas essas atividades de interação e troca de experiências dos usuários entre si representam o social shopping. Seu uso mais extensivo teve início há pouco tempo, nos idos dos anos 2011, ou seja, ainda não completou uma década de vida e já apresenta resultados altamente positivos. Algumas empresas consultam, sempre após algum lançamento ou campanha, como os usuários estão enxergando o trabalho que foi desenvolvido por suas equipes de venda. O retorno tem sido considerado positivo. Quando se considera, nos números obtidos através da pesquisa anteriormente citada, que 15% dos donos de empresa estão vendendo com uso do Facebook e que 40% estão vendendo com uso das mídias sociais, essa atividade ganha em importância e destaque. Mais recentemente, não somente os usuários, mas também as empresas descobriram um potencial não explorado na rede social Instagram. As postagens que são feitas aproveitam um novo recurso lançado em março de 2018, portanto bem recente, que permite a efetivação de compras nesta rede social. As marcas podem identificar até cinco produtos em uma postagem. É outra forma de apresentar um catálogo eletrônico. A vantagem é que o próprio Instagram envia para os compradores interessados, um link direto para o site no qual o catálogo eletrônico está sendo apresentado. Estas comunicações de marketing recebem um nome especial e diferenciado: comunicações de marketing integradas. Apesar de relativamente nova, a proposta tem diversas localidades na grande rede que colocam tutoriais sobre como as lojas podem utilizar esse recurso. Os catálogos apresentados apresentam elevada qualidade e existem 9 empresas que divulgam um aumento de 8 a 10% das vendas, depois que iniciaram a utilização desta facilidade. Bom para quem vende e parece, melhor ainda para quem compra, agora com o apoio de conversa de amigos, que são mais confiáveis do que estranhos com os quais nunca se teve contato anterior. TEMA 3 - ATENDIMENTO SOCIAL, CRM E SERVIÇOS DE COLOCAÇÃO PROFISSIONAL ONLINE Existem outras facilidades presentes nas atividades de efetivação do comércio eletrônico e negócios na grande rede. Alguns sites ganham destaque com relação ao atendimento social e vamos falar brevemente sobre cada um deles. O primeiro modelo que nos interessa são sites que proporcionam atendimento social para usuários que estão com algum tipo de problema. O fato de que muitos dos problemas foram superados e até suicídios foram evitados recomenda que seja dada uma atenção diferenciada a essas localidades, ainda que desenvolvida com profundo senso crítico. No entanto é preciso fazer um destaque para que as pessoas tomem muito cuidado com o charlatanismo que pode acontecer nessas localidades. Cuidados na internet são necessários em todos os níveis, principalmente naqueles em que são trabalhadas condições psicológicas das pessoas que procuram apoio e ajuda. De uma forma geral, o trabalho com atendimento está relacionado com a perspectiva de desenvolvimento de serviços sociais, de uma forma ampla e complexa. O atendimento por pessoas não qualificadas já foi observado algumas vezes, caracterizando o exercício legal de profissões legalmente estabelecidas. A perspectiva acima relacionada exige que os profissionais atendentes nessas localidades tenham formas de preparo que, de forma geral, diferem das competências e habilidades normalmente exigidas, somando-se a elas conhecimentos da área tecnológica, além de experiência com trato de aspectos psicológicos, relacionados com fundamentos psicológicos que envolvem empatia e compaixão. Quando não há cobrança por tais serviços, ainda assim, os cuidados de saber quem está do outro lado da telinha são necessários. Nesse tipo de relacionamento, individualizado nesse material, como necessidade de 10 esclarecimento, podem ser revelados aspectos pessoais que, caso divulgados, podem prejudicar quem procura esse tipo de serviço. Devidamente identificados, com certeza o relacionamento deve seguir os trâmites esperados. Essas localidades prestam grande serviço, principalmente para pessoas que não têm acesso às outras formas de atendimento. Veja no site a seguir uma dessas situações, que proporcionam atendimento psicológico online. Saiba mais O site exige um cadastramentoatendimento. As empresas eram direcionadas por administradores, pessoas espertas e bons observadores, que logo perceberam que era no atendimento ao cliente que estava o segredo das empresas de sucesso. Assim, entra em cena, na nossa pequena história, a atividade de gestão do relacionamento com os clientes, denominada CRM – Cliente Relationship Management. Empresas distantes podiam agora negociar à vontade, tendo sedes que mudavam de lugar de acordo com os ventos favoráveis ao capital, com todos os problemas sociais que a desterritorialização trouxe, dando força ao neoliberalismo nascente, já odiado por todos aqueles que buscavam nas tecnologias o estabelecimento do Welfare State. Estava criada a negociação em ambientes online, que receberia o pomposo nome B2B – Business-to-Business. Se as empresas podiam se comunicar com outras empresas, as pessoas físicas também poderiam se comunicar com empresas e com outros consumidores. Entram na história novas formas de transação. Os governos, que antes escondiam informações e, sob a segurança da falta de comunicação, cometiam todos os tipos de falcatruas, foram instados a serem transparentes; 7 surge a governança eletrônica, que colocou a descoberto diversas mazelas existentes. Pessoas mal-intencionadas também se aproveitaram da boa-fé de muitos consumidores; nasce o crime digital, ou cibercrime, que acontecia na cibercultura. Preocupados, empresas e órgãos governamentais chamaram os tecnólogos. Eles se debruçaram sobre suas mesas e criaram rotinas de proteção, as quais, se não protegiam tudo, o que era tido como impossível logo no começo, pelo menos conseguiam diminuir o cibercrime. Dessa forma, chegamos aos dias atuais. A internet continua sendo o maior fenômeno de comunicação do mundo, mas as vias abertas justificam as colocações de Gates e de Negroponte, dois arautos da internet como a estrada do futuro, pela qual circulariam todas as informações criadas pelo intelecto humano. 1.2 Web 1.0, 2.0, 3.0 e 4.0 No contexto atual, não é mais possível sonhar, de forma romântica, com uma volta a um passado distante, em que as pessoas se reuniam ao redor de fogueiras para contar histórias, como foi o começo dessa nossa pequena história da grande rede. A internet evoluiu de seu primeiro estágio inicial; quando foi criada a web 1.0, que reinou durante décadas. Na sequência, surgiu a web 2.0 que reinou alguns anos. Depois, surgiu a web 3.0, que dominou durante alguns meses. Atualmente, vivemos a expectativa de mudanças, e em que tempo elas ocorrerão, com o surgimento da Internet 4.0, na esteira da indústria 4.0, ambas dominadas pela inteligência artificial, que finalmente vence a resistência daqueles que queriam uma idade de luzes para o ser humano com o advento da evolução tecnológica – o sonho acabou, e assim começam novos capítulos de nossa história. Na web 1.0, as pessoas viviam em um ambiente estático; grande parte dos sites eram localidades corporativas. Ela se estendeu pela década de 90 e início do novo século. O comércio eletrônico como ocorre hoje não era sequer imaginado nas mentes normais, mas já era muito real nas cabeças dos visionários. Na web 2.0, têm início a interação e o compartilhamento; as páginas se tornam mais atrativas e dinâmicas, deixando para longe as telas pretas e verdes – uma combinação cansativa. Para gaudio de muitos, e preocupação dos pais, surgem os sites de relacionamento, e os usuários iniciam reuniões em 8 comunidades; surge o poder da multidão, ainda de forma tímida, mas já preocupante para as empresas que podiam ter reputações transformadas em pó, fruto da divulgação das primeiras atividades politicamente incorretas. Na web 3.0, os tecnólogos vibram com o surgimento da web semântica, conhecida por poucos e mal compreendida por quase todos. Processos se tornam mais complexos e interpretativos, a organização de informações e o aprimoramento das organizações ganham lugar de destaque. Os negócios eletrônicos e o comércio eletrônico florescem. A utilização, de forma inteligente, de todo o conhecimento humano disponível na “grande rede” (como muitos gostam de chamar a internet, inclusive este autor), ganha em organização, e a informação justifica a sua fama de maior patrimônio da humanidade. De fininho, a internet das coisas se anuncia no horizonte e traz com ela o conceito da web 4.0. Estamos na época da ubiquidade, antevista como consequência de um estado de mobilidade quase total. Os sistemas operativos se mostram dinâmicos e inteligentes, e conseguem se recuperar de erros, até dos mais renitentes tecnófobos, que parecem gostar de tornar inoperantes as máquinas de inocentes usuários. A invasão de privacidade é total; a dependência tecnológica se mostra verdadeira quando se observa o semblante das pessoas que têm os seus celulares roubados pelos amigos do alheio: parece que sua vida terminou naquele momento. A inteligência artificial lança suas bases de forma definitiva, e as empresas vivenciam o paradigma da indústria 4.0, que enxerga no uso de novas tecnologias de base um futuro promissor. Contudo, não se sabe o que esse futuro traz com ele; há um enorme medo do que a tecnocracia seja capaz de estabelecer. Se nas mãos de seres humanos, que supomos têm sentimentos, outros humanos sofrem, o que irá ocorrer quando o controle passar para as mãos das máquinas? Quem sabe, um sofrimento indizível. Chegamos então ao momento em que este material está sendo escrito, nos idos de uma pós-modernidade que amedrontou a todos, mas que ainda parece café pequeno, se consideramos tudo o que pode vir. O comércio e os negócios eletrônicos se expandem a um horizonte não visível; é importante que cada um daqueles que vão desenvolver atividades nos ambientes em rede tenha conhecimento do que eles podem trazer. Para preparar-se para isso, nada melhor do que aprender mais sobre o e-business e o e-commerce, para não sermos surpreendidos, mais do que todos nós já estamos. 9 TEMA 2 – E-COMMERCE, E-BUSINESS E SUAS DIVERSAS CATEGORIAS Créditos: PopTika/Shutterstock. Sempre que iniciamos o estudo em uma nova área de conhecimento criada pelo intelecto humano, buscamos definições. Esse fato ocorre de forma incorreta, em nossa perspectiva, quando a procura é feita antecipadamente, em relação a qualquer observação feita sobre a forma de trabalho e os processos de formação de profissionais necessários na área em foco. Tal abordagem pode vir a estabelecer a crença em uma definição que se aceita como verdade inquestionável. A observação focada de algum fenômeno nos permite registrar informações que, em uma etapa posterior, permitem questionar (o que é sempre recomendado) definições colocadas e localizadas em um ambiente em rede, onde há muita inverdade e lixo, entremeados no meio de verdades e informações valiosas. Não são poucas as vezes nas quais o ser humano repete, sem sucesso, as técnicas e as melhores práticas comuns em um determinado processo, devido ao esquecimento de que qualquer dissertação sobre um assunto tem uma validade que é condicionada pelo contexto em que as experiências foram desenvolvidas. Dessa forma, muitas iniciativas tomadas no ambiente em rede falham por não levar em conta diferenças essenciais em um mesmo processo, que seja realizado em ambientes tradicionais, com relação à necessidade de atendimento a características particulares e essenciais presentes na rede, como estudaremos para cada tema em particular. Dessa forma, uma boa escolha para aprender mais sobre os temas escolhidos é partir de colocações efetivadas por argumentos de autoridade, pessoas com larga vivência em uma atividade que ainda pode ser considerada 10 em sua infância – o comércio desenvolvido no mercado em rede, que é identificado por diversas e diferentes siglas. Neste momento, iremos escolher duas dessasprévio com envio de imagens de algum documento. A partir daí, é aberto um local para escolha de atendimento. PSICOLOGIA 24h. Disponível em: . Acesso em: 30 dez. 2018. No site Psicologia Viva você irá encontrar o mesmo atendimento, com algumas variações. Para utilização do serviço prestado nessas localidades, é recomendável uma pesquisa na internet, desenvolvida com cuidado e atenção. O acesso a esse site exige um cadastro inicial, o que fizemos apenas para mostrar sua existência. Você pode acessar este site, fazer seu cadastro e navegar para ter maior conhecimento sobre suas atividades. Uma navegação desenvolvida especificamente sobre sites com essa característica mostra que o trabalho com as redes sociais é intenso, amplo e complexo. Outro serviço importante é o registro de atividades relacionadas com o desenvolvimento do acompanhamento ao cliente. Cada vez mais presentes, os serviços de CRM – Consumer Relationship Management representam uma das ferramentas mais potentes para a captação, fechamento de negócios, atendimento às necessidades dos clientes e, de forma consequente, obter um elevado nível de fidelização em um ambiente no qual essa perspectiva é pouco respeitada. Esse serviço pode ser terceirizado, mas é mais recomendável, devido ao seu caráter estratégico, que ele seja desenvolvido por colaboradores internos. Basicamente estes sites apresentam um FAQ, o uso de chatbot pode representar uma faca de gois gumes, considerando que um bom número de clientes quer ser atendido por agentes humanos. 11 Veja dois exemplos de serviços CRM, um terceirizado e um interno, para captar de forma mais completa a compreensão do significado e utilidade da utilização desta ferramenta: A funcionalidade apresentada por essa localidade é elogiada e, aos poucos, algumas IES, frente à proliferação de cursos, prefere essa alternativa como opção para redução de custos. Já as grandes lojas optam por um serviço de CRM próprio, normalmente atendidos por pessoas com capacidade de compreender as necessidades e desejos dos clientes e, repassando para analistas administrativos, os resultados da atividade. O marketing de relacionamento se apresenta como candidato a ser considerado o mais eficiente, assim como a divisão do atendimento ao cliente em diferentes momentos: durante o processo de captação; durante o processo de fechamento e; durante o acompanhamento ao pós-venda. Para os clientes, receber um telefonema perguntando se está tudo bem com seu produto causa uma boa impressão. Outro modelo de efetivação do comércio e negócios eletrônicos são os sites que proporcionam a recolocação de pessoas no mercado de trabalho. Aqui o cuidado com charlatanice deve ser observado com cuidado redobrado. A ação individual do interessado pode acontecer nas redes sociais, sendo o Linkedin, a maior rede de relacionamento pessoal existente nos dias atuais, o exemplo mais adequado. A pessoa que busca pode postar, com o devido cuidado para não provocar aborrecimentos, comunicados nos quais expõe a sua vontade de troca ou recolocação para os desempregados. O resultado pode ser favorável. Quanto à utilização de serviços terceirizados, é necessário estar preparado para ter que cancelar o recebimento de mensagens, pois, uma vez inscrito, será sempre acionado. As mensagens chegam de forma incessante e muitas vezes ofertando vagas que não apresentam nenhum interesse. É preciso tomar cuidado com taxas cobradas, pois elas podem ser abusivas. É preciso tomar cuidado com as informações fornecidas, pois elas podem cair na rede, utilizadas para troca de listas entre empresas. Nesse modelo, os sites são muito parecidos, a ponto de se poder dizer que se você conhece um, praticamente conhece todos. A capacidade de inovação nessas localidades é pequena. Isso se deve à contratação de pessoas sem as competências e habilidades de tratamento com outras pessoas. 12 A atividade utilizada tem um nome pomposo, sendo denominada de outplacement e, em alguns casos, chega-se a propor um acompanhamento no estilo coaching executivo, quando a qualificação do candidato justifica esse trabalho. TEMA 4 – APLICAÇÕES EM MUNDOS VIRTUAIS DE COMÉRCIO SOCIAL Gavioli (2018) define o comércio social de uma forma simplificada, representada pela integração do e-commerce nas redes sociais. Essa definição é bem aceita no mercado e faz com que o tratamento desses assuntos seja ora centrado no estudo do e-commerce, ora centrado no estudo do s-commerce, sigla de baixa utilização. Os resultados publicados são válidos para os dois modelos, ainda que eles tenham orientação diferenciada. Ambos são iniciativas comerciais. Aos poucos, a partir de uma iniciativa tomada em 2011 pelos diretores do Facebook, quando lançaram o f-commerce (Facebook commerce) com possibilidade de publicação de fun pages por seus associados, alavancando os negócios que fossem efetivados na internet. De lá para cá, muita coisa aconteceu, principalmente em termos de inovações tecnológicas. A orientação para os próximos exercícios continua a mesma, mas agora com novas tecnologias (cloud computing, internet of things, artificial intelligence, VR – virtual reality, entre outras inovações possíveis). Todas essas atividades também serão desenvolvidas com uma velocidade muito mais acelerada. O que deve ter uma evolução acelerada é a continuidade e o aumento da incorporação de características sociais ao catálogo virtual, que mostram classificações, o que as pessoas que compraram pensam do produto, comentários, tutoriais de demonstração das facilidades. Trata-se da utilização do aspecto lúdico como ferramenta de vendas. O que foi apontado até este momento é permitir que as compras online ganhem transparência e que conselhos e recomendações colocadas pelos compradores sejam publicadas de forma a aumentar a confiança dos usuários. A proposta é que os compradores devem ser reunir e compartilhar as suas experiências. É claro que é uma posição favorável aos compradores e um desafio ampliado, colocado para as empresas ou pessoas físicas que estão desenvolvendo comércio ou negócios na internet. O que se resumia, para 13 algumas empresas, na colocação de um botão, melhorado quando o usuário se prestava a inserir um comentário, deve ser mais bem trabalhado, sem que haja ideias divulgadas até o momento sobre como desenvolver essa proposta. Superada a necessidade inicial da criação de um ambiente favorável ao comprador, tem início um processo de busca de como aumentar o número de vendas, iniciada favoravelmente com a captação do interesse do comprador. Isso exige algo mais além de um diálogo entre os compradores. Uma nova forma de comunicação do vendedor, realizada diretamente com o comprador que teve o interesse despertado, representa o novo desafio apresentado. O que é preciso fazer para alterar a forma de negociação, agora entre o vendedor e o comprador? O problema é que se o desenvolvimento desse contato não for positivo, existe uma grande propensão a que ele se estenda, e todos os usuários que anteriormente deram opiniões favoráveis podem ser sugestionados a mudar esse posicionamento, caso uma ou mais negociações não acabarem como um bom negócio para ambos os lados, com privilégio ao atendimento dos desejos e necessidades dos clientes. Aqui se efetiva o poder da multidão (crowdsourcing a ser tratado no próximo tópico). Os sites de reclamação, tratados anteriormente, aumentam a sua audiência. A colocação, nestes sites, de benchmarks que, na mesma medida em que elogiam características favoráveis, abrem o leque de características desfavoráveis, se elas existirem, podem trazer resultados devastadores. No social shopping, se é difícil estabelecer uma reputação de confiabilidade, perdê-la é algo extremamente fácil, e a sua recuperaçãopode trazer grande dificuldade. Quando a relação entre o vendedor e o comprador é mal gerida, os resultados certamente são desastrosos, e a imagem da empresa pode ficar seriamente comprometida. Há uma inversão no papel dos compradores, que de elogiadores passam a detratores. Como as experiências negativas causam impacto maior, a sua disseminação ocorre como um rastilho de pólvora, ao final do qual está a explosão do prestígio arduamente conseguido pela empresa. Desde que a conceituação começou a ser utilizada, tempo que não atinge ainda a primeira década de vida, o social commerce é um processo em constante evolução. Esta evolução está diretamente relacionada com a evolução tecnológica. O Facebook se transformou em uma fábrica de aplicativos que, 14 quando bem utilizados, tanto por compradores como por vendedores, pode melhorar significativamente os processos de comércio e negócios eletrônicos. Nesse aspecto, o Facebook está atuando no sentido de atender, de forma real, o que se espera de uma rede social, um elevado nível de colaboração, que se estende por toda a rede. Além de ser uma rede social que dá privilégio aos usuários pessoa física, foi aberta uma área para empresas, que orienta pequenas startups e até grandes empresas, no propósito de atingir um elevado nível de efetivação de negócios na Internet. As perspectivas para 2019 são animadoras, o que faz do social commerce uma área de trabalho promissora. A intenção manifesta no Facebook e da mesma forma no Pinterest, no Instagram e em outras redes sociais é manter clientes e empresas em seus domínios, oferecendo-lhes uma experiência completa: todos os usuários efetuam suas compras de produtos nas redes sociais, sem ter que se desviar para nenhum outro site. É o resultado do fenômeno Big Data e do preparo das redes sociais para atender a uma demanda cada vez maior de dados movimentados. Os números são assustadores, e as unidades de medida mudam para Petabytes e Yottabyte, que deixam os Megabytes a uma distância astronômica. TEMA 5 - CROWDSOURCING E CROWDFUNDING Tapscott (2014) obteve grande sucesso quando na esteira da evolução da internet, como maior fenômeno de comunicação criado pelo ser humano, foi feliz na criação de uma perspectiva que acabou por se efetuar, muito antes do que o próprio autor esperava. O termo tem um significado importante: a efetivação da economia da colaboração. O nome foi dado como uma referência e similaridade com outros processos wiki, tais como a Wikipédia. Esta última representa o resultado da colaboração dos indivíduos, desenvolvida de forma desinteressada com relação ao recebimento de remuneração pelo serviço desenvolvido. Para muitos desses usuários, importa o prestígio digital que eles ganham e que funciona como um diferencial para cada um dos que desenvolvem essas atividades. Aos poucos parece que o mundo empresarial desperta para uma nova realidade dos efeitos potentes das atividades cooperativas e colaborativas. Produtos e novos conhecimentos surgem como resultado do simples prazer de 15 fazer algo de útil, presente no perfil social de muitas pessoas, um número que cresce a um ponto não imaginado. As redes sociais abandonam a marginalidade e são postas como redes de capital humano que, cada vez mais, com a utilização das tecnologias exponenciais, se mostram auto-organizadas. Parece que os recursos para o surgimento e evolução de tais localidades surgem como em um passe de mágica. Quando a rede facilitou o Teletrabalho, um elevado nível de autonomia e independência se instalou como incentivo direto ao desenvolvimento de processos de inovação, motivadores da criação de pequenas empresas startups, muitas delas para terem um tempo de vida já determinado e curto, atuando como motivadora para que negócios maiores pudessem vir a ser criados em seu lugar. Muitas delas acabam por se transformar em grandes empresas, perdendo a aura de encantamento que cerca as empresas startups. A sociedade se transforma, não mais apenas no papel, mas na prática e na vida das pessoas comuns, que, como prossumidores, além de consumirem e adquirem conhecimentos criados por outras pessoas, criam conhecimentos e tratam de sua disseminação nas redes sociais. Para essas pessoas, a riqueza está exatamente no compartilhamento de conhecimentos em uma rede que se estende a limites que não podem ser previstos. Apesar da força da multidão, que representa a união de pessoas desinteressadas em ganhos financeiros, unidas apenas por algum interesse comum que reverte, quando cria novos conhecimentos, para o bem-estar social, muitas empresas ainda resistem a uma visão de aprender a colaborar com seus consumidores. Quem estabelece essa possibilidade é, exatamente, a evolução tecnológica. Muito do fator resistência à evolução das redes sociais e sua interação com iniciativas educacionais, por paradoxal que possa parecer, surgiu nos redutos acadêmicos. Considera-se que a perda da primazia e o fator corporativo que perde muito tempo na tentativa de defender a incompetência foram os grandes responsáveis por esse fato. Ele parece estar superado, com a queda dos muros das instituições e da abertura das janelas das salas de aula para o mundo da tecnologia eletrônica. Hoje a área acadêmica é uma das grandes defensoras da evolução de atividades cooperativas e colaborativas. Vamos comentar, de forma aberta, 16 sobre dois destes fenômenos: o crowdsourcing e o crowdfunding, apresentando dois textos publicados em uma das redes sociais que praticam o crowdsourcing e dão apoio ao desenvolvimento do crowdfunding. Saiba mais Acesse o link a seguir para saber mais sobre crowdsourcing e como ele funciona. LEITE, T. O que é crowdsourcing e como funciona. Webinsider. 16 jan. 2019. Disponível em: . Acesso em: 06 jul. 2022. Na sequência será apresentado outro artigo com desenvolvimento semelhante e que procura estabelecer a conceituação de outra potente ferramenta de colaboração: o crowdfunding. Saiba mais Acesse o link a seguir para entender melhor sobre crowdfunding. SEBRAE. Entenda o que é crowdfunding. 17 ago. 2015. Disponível em: . Acesso em: 06 jul. 2022. TROCANDO IDEIAS Já ouviu falar na história da maçã? Não, não me refiro ao fruto do pecado no Paraíso. A história da Apple mesmo. Claro, não vamos rever toda a história ou biografia dos Steave’s da Apple. Mas há uma frase de Steave Jobs bem específica em relação a como ele conceituava o consumidor e, embora não estivesse completamente certo, também não estava errado. Ele dizia que “as pessoas não sabem o que elas querem, até que nós mostremos a ela”. Convenhamos que ele errou muito poucas vezes. Bom, se você parar para pensar, olhe em seu Instagram ou Facebook e tente lembrar quantas tentações passou a almejar entre uma janela 17 e outra oferecendo produtos. Já aconteceu? Comente. Traga a prática à nossa teoria. NA PRÁTICA Crédito: Soloviov Vadym/ Shutterstock Crédito: Gcpics / Shutterstock Aconteceu em 1981. Minha mãe deu sua câmera fotográfica Kodak antiga de presente, como essa da foto. Daquelas que possuíam filme em rolo e flash de até quatro poses. Pois bem. Lá fui eu ao supermercado próximo de casa comprar um filme para fazer a estreia. Filme preto e branco, mais em conta e em promoção no dia. 12 poses apenas. Após algumas semanas, aproveitando que minha mãe tinha levado seu filme para revelar, pedi que ela revelasse o meu também. Nada. Nenhuma foto. Todas falharam. Por sorte eu tinha guardado a embalagem e lá estava: validade vencida. Voltei ao supermercado e reclamei que tinham me vendido um filme vencido. Em vão. Lembro-me como se fossehoje do gerente me dizendo que o azar era meu. O que eu fiz? O mesmo que fazemos hoje, com Código de Defesa do Consumidor e site de reclamação. Chamei minha mãe. Ela foi até o supermercado e contatou o gerente, em um tom tipo de modem conectando a internet nos anos 90. O gerente devolveu o dinheiro. Funcionou. E você, já teve alguma reclamação? Não importa. Escolha uma empresa, banco ou loja que deseja fazer negócio um dia, ou até que já fez. Acesse o site Reclame aqui (https://www.reclameaqui.com.br/) e apresente um relatório completo sobre a empresa, como: • Quantas reclamações ela possui? • Quantas foram respondidas? 18 • Qual o índice de solução? • Qual o tempo de resposta da empresa? • Qual a nota geral da empresa? Apresente também uma das reclamações dessa empresa que mais lhe chamou a atenção e justifique. Por fim, acesse novamente o site Reclameaqui.com e apresente esses mesmos dados de qualquer empresa governamental. Qualquer uma. Apresente suas conclusões. FINALIZANDO Vimos, nesta aula, que definitivamente não importa em que mundo você viva, mas não estamos sozinhos. E isso, para o e-business, é fundamental. Vimos que nós e os outros nos envolvemos, nos relacionamos e nos influenciamos com cada curtida, levando-nos a ter desde vontade de comprar até encontrar oportunidades. As pessoas estão aí, na rede mundial, ora para nos relacionarmos virtualmente, ora para nos servir ou vice-versa. Isso é real, independentemente do que for virtual. . 19 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os oito Ps do marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. Desenvolvimento de extranet. AlcDigital, S.d. Disponível em: . Acesso em: 30 dez. 2018. AMARAL, D. Você sabe a diferença de lammer, cracker e hacker? Recanto do Dragão, 9 out. 2013. Disponível em: . Acesso em: 30 dez. 2018. BENTIVEGNA, S. Rethinking politics in the world of ICTs. European Journal of Communication, n. 21, p. 331-343, 2006. BERSELLI, D. 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Essa proposta será efetivada nesta aula, de forma que poderemos analisar outros tipos de serviço. CONTEXTUALIZANDO Créditos: Robin Craig/Shuttersrock Em algum momento de nossas vidas, participamos de gincanas ou outras atividades que nos concederam uma premiação a partir de uma, digamos, missão. Não é de hoje que as escolas e as universidades criam esses mecanismos de jogos para estimular o aprendizado, e, agora, com tanta 3 tecnologia disponível, não há como evitar a gamificação nas atividades profissionais. Excetuando-se brincadeiras e gincanas de fim de ano nas empresas, tente se lembrar de algum momento de sua vida profissional (atividades de processos seletivos, treinamentos ou metas) em que uma atividade assim foi implementada em seu local de trabalho. Se ainda não ocorreu, consulte seus amigos ou parentes e peça-lhes que ilustrem para você essa atividade. TEMA 1 – O FUTURO DO COMÉRCIO BASEADO NA WEB Créditos: PopTika/Shutterstock. Neste tema, para efeitos didáticos, consideraremos como e-commerce alguns modelos já referenciados anteriormente. Faremos isso como forma de reunir tudo que ocorre nessa área com relação a compra e venda entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, sem nos referir a negócios desenvolvidos apenas entre pessoas jurídicas. Você teve oportunidade de perceber que há um mundo de siglas que identificam áreas específicas. Não apresentaremos novamente suas conceituações. Essa perspectiva será trocada pela efetivação de um olhar crítico sobre o desenvolvimento do e-commerce, observando como ocorre a construção dessa proposta. A divisão da web (1.0, 2.0, 3.0, 4.0) está diretamente relacionada à evolução tecnológica que ocorreu em todos os campos de conhecimento estratificados e desenvolvidos pelo gênio humano. Há grandes vantagens – e também grandes desvantagens – no mundo digital. Podemos observar que a grande vantagem obtida com essa evolução foi a possibilidade de comprar e vender on-line, usando tecnologias que podem ser consideradas como exponenciais, pois provocaram grandes mudanças. 4 O segredo ou o “pulo do gato”, está na capacidade de criar de uma atmosfera agradável para todos os envolvidos como primeiro passo para ganhar a confiança deles. O comprador não conhece o vendedor pessoalmente, e nem o vendedor conhece o comprador. Giddens (2012) estuda a modernidade reflexiva e considera que qualquer tipo de relacionamento de sucesso no mundo digital está diretamente relacionado com a confiança; assim, denomina essa situação como encontros sem rosto. Com base nessa confiança mútua – em que o vendedor atende o cliente e o comprador consome determinada marca –, o comércio eletrônico cresce de forma assustadora, firme, vencendo a situação de crise vivida por nosso país, decorrente de governos que se apoiaram na malversação de recursos financeiros em praticamente todas as áreas. É sempre bom analisar o que está ocorrendo na grande rede em termos evolutivos. Este ano, o Instituto Gartner apresentou um estudo (TD, 2018) sobre as altas tendências tecnológicas que foram apresentadas no site TD, que trata de assuntos relacionados ao estudo de tendências, revelando que não é possível fazer previsões acima de cinco anos e já considerando a possibilidade de redução desse tempo. No levantamento efetuado há diversos aspectos de nosso interesse cuja análise pode nos levar à maior compreensão da evolução à qual está sujeito o mundo digital. A leitura do artigo (TD, 2018), em sua íntegra, deve ser feita com a mente aberta, considerando que muitos dos problemas sociais que serão causados poderão ser resolvidos. O contexto abrange mudanças que deverão ocorrer no quinquênio 2018-2022. É considerada indiscutível, por maiores resistências que possa trazer, a definitiva construção de uma infraestrutura para utilização mais extensiva da inteligência artificial com a criação de aplicativos inteligentes. Você poderá falar com um robô; assim, suas características pessoais serão utilizadas para que ele o conheça melhor, enquanto esse conhecimento será usado também de forma positiva para o usuário, facilitando suas escolhas. A utilização mais extensiva da tecnologia Blockchain com previsão de estabelecimento moeda de troca na grande rede ainda sujeita a proibições, deve também evoluir para um controle mais flexível. A proposta é tida no estudo como uma tecnologia exponencial altamente disruptiva das formas como os negócios 5 serão desenvolvidos na internet. É uma tecnologia de plataforma de sustentação para a criação das criptomoedas. A utilização da realidade falsa deve evoluir e apresentar como realidade fatos que nunca ocorreram com o uso de toda a capacidade envolvente de vídeos montados com a ajuda de tecnologia de ponta. No relatório é possível observar a preocupação com a efetivação dos conselhos de autodestruição, em uma proposta de destruição criativa, pelo grande poder de influência estabelecido por grandes conglomerados (Amazon, Google e outros), conforme analisado por Wood Jr. (2017). O aumento na utilização de criptomoedas poderá surpreender os mais céticos. A Internet das Coisas (IoT) deve se estabelecer como um novo meio de relacionamento e comunicação no comércio eletrônico, para além de sua influência na forma como as pessoas vivem e como fazem compras e vendas na internet. A redução dos custos de tudo na internet e o aumento no uso da computação em nuvem estão entre outros fatores influentes. As pesquisas visuais e de voz (a exemplo do uso da Siri, uma assistente eletrônica do Google) devem aumentar e ser relacionadas a apresentações visuais de grande impacto, com atendimento a necessidades pontuais dos clientes, enriquecendo o processo. A atividade é citada nas pesquisas como pesquisas contextuais. Paralelamente ao que foi descrito no parágrafo anterior, bots e chatbots, os robôs interativos, serão cada vez mais usados, o que poderá mudar a característica das interfaces gráficas. Nessa área, o apoio da inteligência artificial (IA) é significante. O que precisa mudar é a aceitação do usuário; ele precisa querer ser atendido por agentes não humanos. Todas essas mudanças provocarão, segundo o estudo desenvolvido, uma alteração no perfil de competências e habilidades dos profissionais de TI. Estes deverão apresentar alta versatilidade em seus conhecimentos, suplantando o que hoje é esperado. Essa é uma mudança já em trânsito; já podemos ver diversos profissionais provenientes de outras áreas (filosofia, sociologia e outras) adotando propostas de formação permanente e continuada em tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC). Outro aspecto negativo, segundo o Instituto Gartner, aponta para o crescimento das fake news (TD, 2018). Elas poderão causar estragos nas 6 propostas inovadoras e levar as pessoas à perda de confiança e a não fechar compras. Tal fato demanda uma atenção especial dos comerciantes. A indústria de malwares deve crescer e revelar uma arena de combate em que muitos consideram sujeitar os usuários a problemas graves. Alguns técnicos iniciam estudos para criar espelhos que guardam tudo o que o usuário efetiva, de forma similar a umlog utilizado em atividades de recuperação. A computação em nuvem será o principal recurso tecnológico utilizado. A área de segurança representa um porto seguro para profissionais de TI, juntamente com a evolução do Big Data e da atividade Data Analysis. Finalmente, chegamos ao grande destaque que representa a fusão dos mundos físico e virtual: a malha digital, uma área de alta tecnologia ainda em sua infância, mas para a qual se prevê um elevado crescimento em tempo curto. É também uma área de destaque para os profissionais de TI. Essa malha criará novas experiências ambiente-usuário com sua inserção em mundos virtuais nos quais a realidade aumentada e a realidade virtual somam-se à inteligência artificial para a criação de ambientes altamente lúdicos e convencedores. A impressão 3D está para chegar na casa dos usuários finais, que, apoiados em um conjunto de aplicativos desenvolvidos, permitirão a criação de uma diversidade de materiais. Ela poderá ser aplicada a brinquedos ou à construção de diferentes modelos. Esse parece um cenário assustador, mas com a própria internet, esta situação já ocorreu. Na malha digital, o usuário terá a sensação (real, na medida do capital investido) de ter conhecimento de tudo, o que também acontece em sua realidade atual, com o elevado volume de informações que circula na internet. Quando incluídas informações sensoriais, deverão mudar os catálogos eletrônicos e outros modelos. Para quem gosta de ensinar e aprender, a conceituação da aprendizagem avançada de máquina (AAM, sigla criada por nós) efetivada com a utilização das redes neurais profundas (DNN, do inglês deep neural network), cujos estudos estão apenas começando, deverá ocorrer de forma que os alunos possam levar a um ponto extremo o estudo e a aprendizagem independentes. A área evolui rapidamente e é preciso que as empresas sejam 7 alertadas sobre esse fato, para que possam criar novas formas de comunicação e obter elevada vantagem competitiva no mercado. Observe que a evolução é uma constante. O trabalho do profissional genérico é cada vez mais dificultado, pois o mercado exige formações pontuais que se somem e levem a um novo profissional do conhecimento como elemento altamente tecnologizado. TEMA 2 – JOGOS ELETRÔNICOS E GAMIFICAÇÃO Créditos: Bloomicon/Shutterstock. Os jogos eletrônicos sempre foram considerados como um atrativo em diversas atividades. Sua construção sempre foi pontuada pelo atendimento a um conjunto de recomendações contidas em uma linha de pensamento: as teorias de aprendizagem. Assim, temos jogos construtivistas, behavioristas, e assim por diante. Isso nem sempre correspondeu à realidade e, quando acontecia a profundidade não era aquela destacada nos catálogos eletrônicos. O uso de mídias digitais que barateiam os jogos está em andamento, não tendo ainda divulgação maciça devido à espera pela utilização das novas tecnologias descritas nesta aula. As empresas Nintendo, Microsoft e Sony estão em uma verdadeira batalha, e a tendência que se pode observar é a utilização das mídias digitais em vez dos jogos em formato físico. O melhor exemplo do uso da digitalização é a tecnologia criada para oferta de streaming de vídeo. O envolvimento do elemento humano, não se sabe quem e nem em que lugar ele se encontra, poderá aumentar de forma significativa. A possibilidade de conversar com um personagem do jogo com o uso dessa proposta poderá ocasionar mudanças significativas. 8 Uma primeira aproximação do futuro é a utilização da realidade virtual e da realidade aumentada. Essas tecnologias, quando associadas a processos de inteligência artificial, impressionam os usuários, que passam a viver uma realidade que não é a do mundo físico. Ainda não há pesquisas que permitam avaliar o efeito dessa nova configuração. Há uma quantidade impressionante de jogos, e mais comunidades para jogos desenvolvidos on-line vêm sendo criadas. Apesar de a utilização de jogos em educação ter caído um pouco devido a um desenvolvimento afastado da realidade da sala de aula, ainda é uma área que desperta atenção da indústria. O fato de não trocar uma realidade com alto custo de desenvolvimento por soluções textuais, mas que atendem aspectos didáticos e pedagógicos, pode ser a razão para uma utilização decrescente. Na atualidade, os jogos comerciais apresentam diferentes situações que chamam o aluno ao desenvolvimento do pensamento crítico, principalmente os jogos na área de role playing games (RPG), também denominados jogos de interpretação de papéis. As possibilidades de seu uso em ambientes educacionais crescem de forma assustadora quando se percebe que o usuário, ao ser inserido no contexto, apresenta uma motivação diferenciada. O empoderamento do usuário e o aumento de seu poder de atuação (tanto para o bem quanto para o mal) como premiação (motivação intrínseca ou extrínseca) trazem novas possibilidades. Os jogadores são os coautores da história apresentada, então o nível de participação, o alto envolvimento, fica demonstrado. Não são poucos os professores que dizem que gostariam de impressionar alunos com seus conteúdos da mesma forma como os videogames conseguem. Um dos jogos que podemos citar é o Fiasco, que você pode tentar on-line ou adquirir a um preço razoável. É um jogo que permite o trabalho com diferentes estados psicológicos que podem ser desenvolvidos pelo jogador e levado a extremos. A simulação de situações da vida real é impressionante. Paralelamente, mas com possibilidades maiores que aquelas apresentadas pelos jogos na área de educação, estão os processos de gamificação. O processo de gamificação propõe que a mecânica dos jogos (vidas, fases, premiações, punições, empoderamento e outras práticas e técnicas) seja utilizada para apresentar currículos necessários para que o aluno adquira conhecimento com o domínio de algum conteúdo pontual. Os objetos de 9 aprendizagem surgem como elementos atômicos que podem ser reunidos de forma a captar o interesse do aluno e manter sua motivação em um nível elevado. Essa também é uma área em desenvolvimento que aguarda estudos mais efetivos sobre seus efeitos. Para além do uso da gamificação em iniciativas educacionais, sua utilização nas empresas como proposta de formação diferenciada de uma equipe de vendas altamente motivada, por exemplo, representa uma nova forma de trabalhar com o processo de formação de pessoas. TEMA 3 – SERVIÇOS BANCÁRIOS EM MOBILE Crédito: Iconic Bestiary/Shutterstock. Os serviços bancários fazem parte de uma área que precisa de rotinas de atendimento aos clientes, pois estão inseridos em um mercado que supera a competitividade normal de outras áreas, sendo importantes por trabalhar com uma mercadoria que por si só já tem valor. Esses serviços voltados para captação, manutenção e fidelização de clientes desenvolvem uma competição que transforma a internet em uma arena. Os serviços bancários, na internet, recebem a designação de on-line commerce banking. Aos poucos, as atividades que antes exigiam a presença física do correntista nas agências começam a ser executadas pela internet, tendo telefones inteligentes (smartphones) como base de sustentação. É possível abrir contas e até contrair empréstimos on-line; o depósito dos valores ocorrem de forma quase imediata. Assim, esses estabelecimentos alcançam uma liderança, uma posição de destaque, em qualquer ranking que seja montado. 10 A Federação Brasileira de Bancos (Fenabran)1 é um organismo que congrega serviços bancários e tem como missão colaborar com a criação de um “sistema financeiro saudável, ético e eficiente”, tido como “condição essencial para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do País” (Fenabran, S.d.). Esse organismo desenvolveu uma pesquisa com a Deloitte (S.d.) que concluiu que o anode 2017 apresentou um crescimento de 96% no desenvolvimento de consultas bancárias – grande parte dele foi resultado de acessos ao internet banking. Quando se observam os movimentos bancários de uma forma mais ampla, o crescimento registra 70% no aumento das transações. Como resultado da pesquisa, a utilização de dispositivos móveis passou a caracterizar uma nova área denominada mobile banking. O expressivo aumento foi detectado principalmente em pagamento de contas, transferências (via DOC ou TED) e contratação (muito facilitada) de crédito e investimento. Os usuários desse serviço recebem uma designação particular: heavy users, nomenclatura usada devido a concentrarem suas consultas nesses canais. A revelação de que os clientes não mais acham agradável a tarefa de ir até o banco deve mudar, e de forma significativa, o comportamento dos bancos no próximo ano. Essa foi a constatação apresentada como resultado da pesquisa referida. Todos os aplicativos desenvolvidos estão voltados para tecnologias que favoreçam o atendimento às demandas registradas pela pesquisa (Deloitte, S.d.). Se essa é a vontade dos clientes, resta aos bancos atendê-la. Dessa forma, o mobile banking passa a estar presente de modo definitivo no panorama de comércio e negócios desenvolvidos na internet. No ano de 2017, o registro de gastos de aproximadamente 20 bilhões de reais justifica as propostas de disseminação de aplicativos bancários. Metade dessa quantia foi aplicada na área de software. Atualmente, o nível de segurança desses aplicativos é considerado satisfatório, ainda que existam casos de quebra das rotinas de segurança estabelecidas. Boa parte dessa quebra pode ser detectada devido a erros cometidos por clientes. A utilização de aplicativos bancários ocorre, em sua maior parte, por meio de celulares (smartphones) e tablets. 1 Leia mais sobre a Fenabran em: . Acesso em: 25 mar. 2019. 11 Veja os resultados da participação do mobile banking no mercado que justificam o privilégio hoje dado ao desenvolvimento de aplicativos para essa plataforma: Como pode ser comprovado pela pesquisa divulgada, os bancos vivem a perspectiva da transformação digital, que modificará estruturas de forma radical, principalmente aquelas engessadas por procedimentos que não reconhecem que fora dos escritórios existe um outro mundo. Muitos ainda não enxergaram – ou se enxergaram, não deram importância – que a transformação das instituições bancárias, com o uso do mobile banking, é necessária, considerando que as mudanças hoje observadas ainda demorariam para ocorrer. Hoje, tais instituições financeiras estão “correndo atrás do prejuízo”. Aqueles que acreditaram, investiram maciçamente na formação de equipes de TI totalmente diferenciadas, criando um novo perfil profissional, responsável pela implantação de hardware e software. Entre essas instituições, saíram na frente, em termos de competividade, aquelas que compreenderam a necessidade desse novo profissional. Para muito além de implantar software e hardware, esse novo profissional deve estar capacitado para desempenhar funções muito mais importantes, como analisar as necessidades dos usuários. Ele deve conhecer técnicas CRM (de manutenção das relações diferenciadas com os clientes) e UX (para quem a voz do cliente é colocada na instituição bancária como elemento de destaque). Anteriormente, porém, esses conhecimentos não faziam parte das competências e habilidades dos profissionais de TI; agora, as instituições bancárias correm atrás de processos de formação permanente e profissional desenvolvida em serviço, para que tais competências e habilidades tornem-se inerentes à formação de um novo profissional de TI. O que se prevê para o futuro próximo é o atendimento diferenciado ao cliente, principalmente quando se leva em conta a facilidade de levantamento de dinheiro – seja no mercado tradicional, seja no mercado das financeiras – que devem continuar com as atividades de exploração do potencial do cliente trocado por facilidades que normalmente as instituições bancárias podem oferecer com a ajuda de tecnologias avançadas. 12 TEMA 4 – QUESTÕES DE SEGURANÇA NA WEB Créditos: Sergey Nivens/Shutterstock. Um dos tópicos de interesse para um estudo mais completo sobre tendências existentes na grande rede aborda as questões de segurança. Seu tratamento abrangente, atingindo todos os modelos de que tratamos até agora. Qual é a razão da importância creditada a esse tópico? Poderíamos ser catastróficos na resposta, mas preferimos adotar uma definição que alerta que a invasão de uma loja virtual por programas mal-intencionados pode colocar a perder toda a estratégia adotada para sua criação e competividade no mercado. Neste tema, apresentaremos diferentes situações que podem ocasionar prejuízos. Conhecendo-as, os proprietários de lojas virtuais poderão sentir maior segurança. Geralmente, a nuvem já proporciona rotinas próprias de segurança; trataremos aqui das invasões que ultrapassam as barreiras dos firewalls existentes, ao não prever características de uma nova ameaça. O que são os malwares? São softwares que prejudicam o seu trabalho e causam danos aos computadores. Eles podem fazer parte de alguma teoria da conspiração em que se considera haver uma indústria por trás de sua disseminação, de modo a obrigar os donos das lojas a comprar, dos mesmos desenvolvedores dos malwares, as vacinas que garantem segurança. Verdadeiras ou não, cuidados devem ser tomados para evitar problemas. Normalmente eles são programas pequenos que trazem códigos maliciosos programados especificamente para causar dano a algum componente físico (hardware) ou lógico (programas e aplicativos), ou para roubar informações e projetar roubos de valores financeiros que são manipulados no ambiente virtual. Esses pequenos invasores podem causar males em diversos níveis. Eles podem apenas colocar mensagens em sua tela, mas também podem invadir o 13 seu banco de dados e roubar nomes de clientes, que serão prejudicados de alguma forma. O roubo de informações é a atividade desenvolvida com maior frequência, seguida por atividades que atrapalham o desempenho do computador de algum modo. Seus criadores são, normalmente, pessoas com elevado nível de expertise, os denominados hackers, crackers ou lammers. Amaral (2013) desenvolveu um estudo em que indicou a diferenciação entre esses termos, que são considerados, incorretamente, como sendo sinônimos. A denominação hacker é aplicada a pessoas que desejam adquirir conhecimentos para utilizá-los na produção de aplicativos, mas que nem sempre têm más intenções. Esse indivíduo tem um alto grau de conhecimento de programação e consegue burlar sistemas considerados inexpugnáveis, criando também ferramentas que os protegem ou modificam. Se voltados a prejudicar outras pessoas, eles recebem, então, a designação de crackers, aqueles cuja única função é destruir estruturas computacionais normalmente estabelecidas. Estes indivíduos podem burlar qualquer sistema de proteção estabelecido (firewall). Já os lammers são aqueles que querem ser crackers, mas ainda não têm conhecimento suficiente, e, assim, utilizam ferramentas que são desenvolvidas pelos hackers. As principais ameaças às quais está submetida uma loja virtual são: • Vírus: são os elementos mais conhecidos. Somente se instalam e se propagam em uma máquina se, e somente se, forem executados, o que ocorre normalmente quando se está copiando arquivos ou programas. Seu acesso mais comum é por meio discos externos ou pendrives, mas também podem ser disseminados por rede ou por estarem escondidos em e-mails duvidosos. Para evitá-los, você não deve abrir e-mails de desconhecidos nem ligar discos externos ou pendrives semuma verificação anterior. • Worms: diferentemente dos vírus, os worms não precisam ser executados para se disseminar. Ele envia uma cópia de si mesmo para outros computadores e arquivos, e por isso são considerados como uma praga, que, muitas vezes, exige a reformatação de estruturas ou arquivos. • Spywares: são espiões inseridos no computador. Começou a ser utilizado apenas com intenções publicitárias, mas a malversação desse 14 objetivo, que por si só já era desagradável, logo foi providenciada pelos crackers. Eles são os adwares ou keyloggers que entopem a tela da maioria dos navegadores quando vemos os resultados de pesquisas. Daí foi um pulo para que se começasse a copiar dados com intenções politicamente incorretas. • Rootkits: são códigos capazes de evitar que mecanismos de segurança percebam a sua presença. Podem ou não conter códigos maliciosos ou estar voltados para atividades politicamente incorretas; periodicamente, podem apenas aborrecer o usuário com travamentos da máquina e atrasos no desenvolvimento de pesquisas ou outros acessos. • Bot e botnet: produtos que permitem o manuseio remoto de seu site e que exploram vulnerabilidades quando medidas de segurança não são praticadas. Podem apresentar ataques DDOS (tornando o computador inoperante) ou enviar spams periodicamente. • Backdoors: similares a bots e botnets, entram no computador a bordo de programas não verificados e possibilitam a utilização remota de computadores. Você poderia se perguntar: como o dono de uma loja virtual pode ser afetado por essas ameaças? Os malwares utilizam tecnologias avançadas e um conhecimento elevado da parte interna dos computadores e das rotinas e vacinas criadas para a sua eliminação. O problema maior é que eles podem levar o site de uma loja a ser inserido em uma lista negra (blacklist). As listas negras são tabelas que contêm endereços de disseminadores de malwares, o que uma loja pode se tornar caso não adote medidas de segurança reforçadas. Constar em uma dessas listas pode bloquear totalmente o acesso a um site, o que deve ser feito para evitar a disseminação de malwares para outros equipamentos da loja. Um dos problemas que merece ser relatado é aquele em que um determinado malware é desenvolvido com a intenção de modificar a linha na qual são digitados os boletos bancários gerados em um site. O pagamento é, então, redirecionado para os crackers que efetivam a invasão do estabelecimento. Essas atividades são denominadas de cibercrime. Conselho para o lojista que quer evitar o cibercrime: é melhor prevenir do que remediar, ou seja, tome cuidado para que as invasões não aconteçam. 15 É preciso tomar cuidado com e-mails que chegam em sua máquina, com frases atrativas e que garantem que você ganhou um prêmio, ou irá ganhar um se ler o e-mail em questão. Se lhe repassarem algum link, não clique no botão indicado; copie o endereço e entre diretamente na internet. Alguns browsers têm proteção contra endereços colocados na lista negra. Outro bom conselho é: nunca execute programas anexados a e-mails, pois eles podem ser o meio de infecção. As malas diretas que você, depois de um tempo, passa a identificar representam outra porta de entrada. Tenha cuidado com links que lhe garantem um brinde (venda casada). Cuidado ao receber e-mails de listas, pois eles podem vir de uma máquina infectada de algum amigo. Sempre rode programas antivírus antes de abrir arquivos de download. E, por último, cuidado com tudo o que é pirata. Eles podem estar infectados. Tenha programas antimalware, tais como aqueles ofertados pela indústria na qual se transformaram algumas empresas que trabalham com a eliminação de malwares. Eles podem ter um peso no desempenho de sua máquina, mas protegem seus dados. Cuidado com sites de bancos, pois eles são os mais visados. Antes que as equipes de TI percebam a existência de alguma invasão, alguns clientes já podem ter sido prejudicados. Sites pornográficos, em 100% dos casos, estão infectados ou propagam infecção para outros sites. Evite passar dados pessoais se não conhecer quem os está solicitando. As redes sociais também podem disseminar malwares e, por isso, o uso de programas firewall que identificam a maioria dos invasores são recomendados. Se não estiver usando seu próprio computados, nunca informe dados pessoais, pois eles podem ficar armazenados e provocar grandes problemas. Utilize senhas consideradas fortes com caracteres especiais e que mixem letras maiúsculas e minúsculas. Enfim, transforme seu site em uma cidadela, que luta contra invasores em uma atividade similar à de uma guerra, como a que acontece agora em ambientes digitais. As tentativas de invasão certamente ocorrerão. 16 TEMA 5 – TENDÊNCIAS PARA O E-COMMERCE Créditos: whiteMocca/Shutterstock. Até aqui, você aprendeu sobre modelos de comércio eletrônico e viu alguns exemplos especiais tratados de forma particular. Acreditamos ter sido possível a percepção do ambiente de ebulição que se cria no entorno dessa atividade, que é considerada como o futuro destas atividades. Tudo deverá circular pela grande estrada, metáfora mais adequada para a internet. Por esse motivo, é interessante conversar um pouco mais sobre o que os analistas esperam do futuro próximo, com a tecnologia ocupando todos os lugares e estando presente em nossas vidas profissionais. Estas possibilidades podem transformar as atividades e os negócios desenvolvidos pela empresa em elementos que agregam um elevado valor a seus produtos e serviços. Signorini (2018) aponta algumas tendências importantes, as quais comentaremos aqui. Um bom conselho que ele oferece é aceitar a realidade de que o comércio eletrônico deixou de ser apenas um canal de vendas on-line para se tornar um espaço para promover o prazer do consumo. Essa é uma realidade inquestionável que justifica o aumento de tráfego na internet, o que pode ser observado pelo número de transações diárias que eleva o custo de divulgação de parcerias em vendas de terceiros. Signorini (2018) identifica uma das denominações utilizadas, o omnichannel, que supera barreiras e torna o ato de comprar “não somente o fim, mas também o meio”. O autor, dono de uma conceituada empresa, aborda a realidade que ele próprio vive em seu dia a dia. O texto de Signorini (2018) também faz referência a uma das conclusões que pesquisadores apresentaram na Internet Retail Conference + Exhibition 17 (IRCE),2 realizada em 2018. Nele, o autor revela o que todos já sabiam ou percebiam como ocorrência em evidência na grande rede: a experiência do usuário “é o objetivo principal desta nova era do comércio eletrônico”. Não trataremos do tema com detalhes, mas é importante, neste momento, citar uma das tendências do comércio eletrônico denominada pick-up store (comprar o produto e levar na hora), que é baseada em pesquisas sobre a existência de um produto nas imediações da moradia do cliente e que oferece somente produtos que ele compra e pega na mesma hora, ou no mesmo dia. É uma das formas mais eficientes de aceleração do comércio eletrônico. Os vendedores vão ao local em que o cliente está. É uma proposta atraente para ambos os lados do processo de compra e venda. Com base no trabalho do autor, é possível montar uma tabela que relaciona a denominação da proposta ou projeto à tradução e identificação do que é cada uma delas: Tabela 1 – Tendências e seus efeitos Designação da tendência Descrição de seus efeitos Flexibilidade total Previsão de eliminação de toda e qualquer complicação na hora do fechamento de compras e vendas. No processo, adotam-se microsserviços e o uso de Application Program Interface (APIs).3 Eles podem acelerar o processo das lojas e aumentar a satisfação do cliente. Entreprise decision engine Trata da capacidade de obter conhecimentocentralizado que possibilite direcionar a interação do cliente com os canais de compra que ele deseja enxergar e nos quais ele escolhe efetuar compras e vendas. Propõe elevada integração e funcionalidade entre empresa e comprador. Conversational commerce (voz) Utilização de comandos de voz para o fechamento das compras. Conversational commerce (messaging) Uso de robôs inteligentes para disparo de mensagens on-line durante o processo desenvolvido entre empresa e cliente. Visual recognition Transformação da experiência de compra em algo inovador e agradável por meio de recursos visuais. Shop the look Compra orientada com recursos da inteligência artificial que permite a localização de produtos similares aos de imagens encontradas na internet. Fit finders ou visual body mapping Oferta de roupas personalizadas a partir de fotos do usuário, que identifica a melhor oferta via técnicas de machine learning utilizadas no comércio eletrônico.4 2 Saiba mais sobre a IRCE em: . Acesso em: 24 mar. 2019. 3 Veja mais sobre a APIs em: . Acesso em: 24 mar. 2019. 4 Leia mais sobre machine learning em: . Acesso em: 25 mar. 2019. https://www.agenciaeplus.com.br/o-que-e-api-e-qual-sua-funcionalidade-no-e-commerce/ https://www.agenciaeplus.com.br/o-que-e-api-e-qual-sua-funcionalidade-no-e-commerce/ https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/tecnologia-e-commerce-ai-machine-learning-big-data/ https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/tecnologia-e-commerce-ai-machine-learning-big-data/ 18 Amazon look Observação do dia do usuário, uma faz funcionalidades oferecidas pela Amazon e que é copiada com outros nomes e tentativas de mudança, devido ao grande sucesso alcançado por este site que, junto com o site Alibaba, desenvolve um trabalho de grande efeito na Internet.5 Smart gifting Proposta de envio do presente on-line. O comprador pode mudar a cor e o número do produto antes de efetivar a compra, o que reduz custos com devoluções, além de aumentar a satisfação do cliente. Mobile progressive website app Sites adaptados para dispositivos móveis que atuam como aplicativos de maior funcionalidade (o que alguns bancos estão fazendo). Blockchain Resulta na oferta de transações mais seguras para o cliente, e já foi tratado anteriormente em nossas aulas. Performance- optimizing point solutions Aumento da velocidade da performance dos canais de venda na internet. Payments – mobile & alternative Pagamentos efetuados via equipamentos móveis que podem alavancar o comércio eletrônico efetivado junto ao cliente. Smart fitting rooms Provadores virtuais com espelhos inteligentes que permitem ao usuário avaliar se a roupa se ajusta ao seu corpo. Digital pop-up shops E-commerce desenvolvido dentro de lojas de departamentos com ofertas de itens e serviços mais personalizados. Analog pop-up shops – hyperlocal Lojas móveis para testar tendências e pontos de venda. IoT – Everything is getting smart Facilidades que devem ser proporcionadas aos clientes, como o uso de gôndolas inteligentes, que os impactam positivamente por estarem sempre preenchidas. Inúmeras outras funcionalidades podem ser possibilitadas pela IoT em iniciativas pontuais. Digital engagement in store Uso de robôs para identificar o interesse do cliente e suas buscas, na tentativa de efetivar a venda (que não foi feita no primeiro contato); o direcionamento é para o ambiente on-line, no qual a compra poderá ser efetivada junto a parceiros que tenham o produto. Biodesign, development & 3D printing Uso de impressoras 3D para fabricar o produto na loja, o que pode, quando definitivamente instalado o processo, promover a sua sustentabilidade. Agile retail Disposição dos produtos na loja de forma a promover agilidade no processo de compras. Fonte: elaborado com base em Signorini, 2018. As dicas contidas na tabela anterior podem facilitar o desenvolvimento de um comércio on-line. TROCANDO IDEIAS Seu computador está doente. Bem, não é exatamente dessa forma que encaramos vírus de computador, que são aplicativos que rodam para provocar danos. De qualquer modo, nada pode ser mais pavoroso do ser o instrumento do vírus. Eu explico: existem várias formas de fazer com que o usuário de tecnologia, seja por computador, seja por celular, se transforme em um instrumento de disseminação de danos. Sabe aquela mensagem falsa que você 5 Veja mais sobre as funcionalidades da Amazon e da Alibaba em: . Acesso em: 25 mar. 2019. 19 recebeu e passou adiante (fake news)? E aquele e-mail dizendo que um arquivo em seu computador, com o ícone de ursinho, tem um vírus (E-farsas.com, 2003), mas é apenas um arquivo do sistema Windows que, se deletado, causa problemas irreversíveis? Sim, você já deve ter sido alvo de algum tipo de vírus social, um hoax, acreditou no embuste e fez exatamente o que o e-mail intencionava. E, pior, ainda por cima, repassou a mensagem para os seus contatos. Então, qual é a sua história de hoax ou fake news? Compartilhe sua experiência. NA PRÁTICA Não é de hoje que operamos com internet banking. Desde a popularização da internet, todos aqueles que têm conta em banco já acessaram o serviço para realizar alguma operação financeira. Bem, não faz muito tempo, os bancos começaram a apostar no acesso via celular ao internet banking, mas o serviço é muito limitado se comparado ao de suas páginas oficiais na Web. É possível que você acesse sua conta bancária via internet, pelo computar ou pelo celular. Com base em sua experiência, responda: • Quais as principais diferenças entre o internet banking pelo celular e pelo computador? • Quais os principais problemas encontrados pelo acesso por computador? • Quais os principais problemas encontrados pelo acesso por celular? • Qual serviço você gostaria que o internet banking oferecesse? Tente justificar porque esse serviço ainda não é oferecido. Seja claro em suas respostas, detalhando-as o máximo que conseguir. FINALIZANDO Nesta aula vimos algumas questões acerca de e-business e e-commerce relacionadas a empreendimentos que provavelmente ainda serão fontes de discussão no futuro. Abordamos jogos e gamificação, bancos virtuais e novas formas de controle financeiro, e segurança. Embora haja vários métodos de criptografia, a http://www.e-farsas.com/corrente_virus_jdbgmgr.htm 20 ingenuidade ainda poderá nos levar a cometer erros. Mas quanto mais soubermos ou pesquisarmos, menores serão os riscos. As tendências para o e-commerce são boas e promissoras, mas os detalhes e as experiências passadas não podem ser esquecidos. 21 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os 8 Ps do marketing digital: o guia estratégico de marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. ALVARENGA, D. Mobile banking se torna meio mais usado para transações bancárias, diz Febraban. G1, 10 maio 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 mar. 2019. AMARAL, D. 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O e-business abrange, especificamente, o desenvolvimento de negócios na internet, que podem ou não ter como finalidade a efetivação de uma compra ou de uma venda. Já o e-commerce representa uma iniciativa individual: o cliente procura, diretamente, produtos ou serviços e efetiva a compra. Falaremos ainda do processo de negociação desenvolvido na grande rede. Nesse contexto, pesquise dois exemplos na web, um de e-business e outro de e-commerce. É importante que você destaque as diferenças entre eles. TEMA 1 – CARACTERÍSTICAS ADMINISTRATIVAS DOS NEGÓCIOS BASEADOS NA WEB Créditos: whiteMocca/Shutterstock.3 Nesta aula também iremos além da citação das siglas correntes e daremos uma visão diferenciada sobre os negócios desenvolvidos na web, com destaque para os aspectos sociais que podem motivar ou desmotivar a finalização das negociações. É uma proposta complementar àquela que foi apresentada no início de nossos estudos. Além de citar grandes empresas, referenciar pequenas e médias empresas também é necessário. A internet é o suporte para todas as startups dos mais diversos setores, e dicas de como anda o desenvolvimento dos negócios na web se revela uma atividade importante. A primeira constatação é que pequenas e médias empresas apresentam menor produtividade, fato que responde pelo fechamento de um grande número delas antes do primeiro ano de vida. Esse obstáculo pode ser superado com a utilização de práticas e técnicas que são resultado da observação do dia a dia dessas empresas. Os especialistas indicam adotar diversas práticas organizacionais, entre as quais se destaca a do e-business, como afirma André Penha, criador de uma das empresas startups de maior sucesso, a Quinto Andar (Quinto Andar, 2018). Em suas colocações, o autor considera de vital importância para as empresas startups a inserção do e-business em sua prática organizacional, com o objetivo de melhorar seu desempenho. O autor considera que a prática do e-business pode afetar de forma significativa um modelo mais tradicional de negócios, além de ajudar empresas a superar a limitação de nichos específicos. Penha ainda considera que, apesar de não ser um trabalho fácil, ele é possível, especialmente se for bem direcionado e as escolhas de propostas alternativas para o estabelecimento de um plano de ação forem bem desenvolvidas desde o início. É preciso colocar em primeiro lugar a necessidade de divulgação da marca, pois ela identifica serviços e produtos oferecidos pela empresa. Caso a empresa escolha atuar em duas frentes (lojas físicas e lojas virtuais), é recomendável separá-las completamente, como se fossem empresas diferentes, cada uma com sua proposta e tipo de trabalho particulares. O trabalho com tecnologias exponenciais exige novas formas de gerenciamento para que se obtenham vantagens competitivas com o processo de inovação disruptiva, mudando procedimentos já existentes. 4 Para o negócio avançar é preciso ter capital inicial suficiente, principalmente na rede, apesar de gastos com estrutura física não existirem (lembre-se de que se a empresa atua nos dois segmentos, deve tratar cada um de forma individual). São muito poucos os casos de crescimento rápido e acelerado, ainda que possam acontecer com empresas que estiverem no lugar certo, na hora certa e com a proposta certa. A soma desses fatores pode levar a um sucesso imediato, mas isso nem sempre acontece. Tudo deve ser resultado de um planejamento detalhado que busque nas minúcias as formas de tratamento com o cliente, na outra ponta da negociação. Tudo precisa ser reinventado, como propõem Kim e Mauborgne (2018), ao citarem a estratégia do oceano azul como a mais indicada para quem busca por diferenciais no desenvolvimento dos negócios. Do trabalho desenvolvido por Moraes e Escrivão Filho (2006), é possível desenhar uma proposta de gestão apoiada nos seguintes aspectos: • Superar a proposta de utilizar apenas trabalho próprio ou de familiares, providenciando a contratação de administração especializada; • Programar uma produção de maneira a sempre atender necessidades de vendas inesperadas; • Incentivar e bancar processos de formação permanente e continuada de seu quadro de colaboradores; • Desenvolver formas de manutenção de uma relação bem aproximada com aqueles que podem colaborar com a empresa, em toda sua cadeia de valor (fornecedores, colaboradores, parceiros e clientes); • Ter um planejamento adequado e também uma forma adequada de analisar o retorno do investimento (ROI – Return of Investment); • Criar um processo de e-business que apresente como características lojas virtuais facilmente acessáveis; de amplo espectro geográfico de alcance; construídas com baixo custo envolvido; uso e abuso das tecnologias exponenciais, que apresentam custo cada vez menor, em uma escala geométrica; • É preciso procurar meios de atuar na perspectiva de um desempenho estratégico que diminua os custos de transação, tenha baixo custo de entrada e proporcione facilidades de pagamento aos seus clientes, ainda que em convênio com sistemas que podem entrar com participação na ocasião do fechamento de análises de resultado financeiro; • Entender o e-business como uma inovação organizacional necessária; • Adotar uma proposta de inovação organizacional que esteja sujeita a mudanças em seus locais de trabalho (considerando a mobilidade como redutora de custos) e novas formas de comunicação com as relações externas que elas podem proporcionar; • Dentro das limitações das empresas startups, ainda assim é necessário o aumento da diversificação de sua linha de serviços e/ou produtos de forma a pode aproveitar fenômenos sazonais, que costumam ocorrer com frequência nos ambientes virtuais; • Colocar como linha de frente de trabalho extensivo a obtenção de criar serviços e negócios que tenham elevada agregação de valor 5 para os clientes diferenciados como aqueles que atuam nos ambientes de negociações virtuais. O que é possível concluir das diversas colocações encontradas é que há uma convergência de apontamentos no sentido de que é necessário elaborar um modelo de negócio diferenciado para a atuação em ambiente virtual. Ela é necessária e pode aproveitar o e-business, com seu ferramental e diferentes técnicas de utilização, para atingir competitividade necessária que garanta sua estabilidade no mercado. Outro ponto de convergência: a utilização de tecnologias exponenciais exige mudanças, tanto organizacionais quanto pessoais, quanto à formação de competências e habilidades diferenciadas em seus colaboradores. Na tabela apresentada anteriormente, baseada em Signorini (2018), pudemos ver que a inovação é uma constante, e que uma formação diferenciada se destaca como uma atividade de suma importância. Representam um caminho de sucesso para as pequenas e médias empresas na web: • Planejamento adequado; • Uso do big data1 e da curadoria digital;2 • Apresentação de interfaces agradáveis com os clientes em todos os tipos de negócio requisitados e necessários, com cuidados com o UX e a UI;3 • Alta capacidade para analisar tendências e o surgimento de novos negócios na rede; • Adotar como foco a agilidade de tratamento em todos os contatos com os clientes; • Ter o e-business como atividade descentralizada das demais desenvolvidas pela empresa; • Estar preparado para o aumento de vendas, como consequência do trabalho desenvolvido; • Desenvolver rotinas específicas para melhorar a exposição e a conceituação da marca e de seus produtos e serviços; 1Visite: e saiba mais sobre as tendências do big data. Acesso e: 26 mar. 2019. 2 Saiba mais sobre curadoria digital visitando a página: . Acesso em: 26 mar. 2019. 3 Para dicas sobre design UI e UX, visite a página: . Acesso em: 26 mar. 2019. https://www.tableau.com/pt-br/asset/top-10-big-data-trends http://portaldobibliotecario.com/base-de-dados/curadoria-digital-uma-introducao/ http://portaldobibliotecario.com/base-de-dados/curadoria-digital-uma-introducao/ http://blog.netzee.com.br/18-dicas-de-design-ui-e-ux-para-e-commerce/ http://blog.netzee.com.br/18-dicas-de-design-ui-e-ux-para-e-commerce/ 6 • Utilizar abordagens práticas, mais do que aquelas provenientes de estudos teóricos qualitativos, mas pobressiglas, e trazer as definições que são consideradas consensuais no mercado, por serem as que melhor esclarecem o significado de comércio eletrônico (E-commerce, Electronic Commerce, também denominado EC) e de negócio eletrônico (E-Business, também denominado EC – Eletronic Business), inserindo-as no vasto glossário de siglas que caracterizam o jargão da área. 2.1. O business-commerce Kotler (2017) é autor de sucesso em diversas publicações, nas quais analisa o comportamento de empresas e clientes e estuda novas propostas de marketing a serem desenvolvidas, centradas em ambientes virtuais. Este autor traz uma definição simplificada. Nela, o autor considera que o comércio eletrônico (e-commerce) é, simplesmente, um novo modelo de desenvolvimento de efetivação de transações comerciais, que tem como suporte a Internet, com todos os seus atrativos, facilidades e ferramentas. Nesse modelo, são utilizadas diferentes aparelhagens eletrônicas que podem ser denominadas dispositivos eletrônicos inteligentes (do pequeno telefone inteligente – o smartphone – ao mais desenvolvido desktop). Tal aparato coloca à vista de milhares de usuários, comumente denominados internautas, toda uma gama de produtos para a comercialização de produtos e serviços desenvolvidos por diferentes empresas, e revendidos por um ou mais revendedores (que podem atingir elevado número), digladiando-se em um mercado altamente competitivo. O autor expande seus estudos e considera que ele surgiu, como afirmamos anteriormente, com a criação da Internet, e teve um progresso relacionado, em uma razão direta com a evolução da grande rede e sua abrangência. Segundo Guimarães (2017), as características particulares de um tipo de cliente diferenciado exigem diferentes formas de desenvolvimento dos negócios. Há toda uma diversidade de nichos de novos ou antigos negócios. Eles abrangem praticamente tudo, desde um pequeno alfinete, até o mais luxuoso iate ou mansão. O que faz com que o vendedor tenha sucesso é saber falar a mesma linguagem que falam os clientes digitais e, também, saber como personalizar seus produtos de forma a atender todas as vontades e desejos dos clientes. A 11 antiga proposta de Henry Ford, que dizia que “o cliente pode ter o carro da cor que quiser, desde que seja preto”, era uma proposta que remetia diretamente ao pressuposto de que a vontade do fornecedor era imperativa. Essa visão, nos dias atuais, revela-se como atitude inoperante, podendo levar à perda dos clientes, logo nas fases iniciais do processo de negociação. Dessa forma, o comércio eletrônico pode ser visto, sem perda de sua conceituação genérica, como algo desenvolvido entre pessoas e empresas, entre pessoas e pessoas, entre empresas e empresas, entre pessoas e governo, e entre empresas e governo, representando particularizações que serão tratadas na sequência. É chegado o momento de separar dessa definição o que é denominado Business-Commerce, com a sigla BC. Da mesma forma como fizemos para o comércio eletrônico, podemos buscar uma definição tão simples quanto se queira para uma particularização da conceituação dos negócios eletrônicos. Muitos consideram que definições muito simplificadas podem levar as pessoas a considerar o EC e o BC como se fossem a mesma coisa, o que não é verdade. Assim, trataremos de evitar esta confusão de termos. Ainda há muita confusão entre tais conceitos, mas eles são fundamentalmente diferentes. Mello (2011) define o BC como um processo de negócio eletrônico que pode ou não vir a ter uma transação comercial em sua finalização. Por outro lado, o EC está apoiado em uma transação comercial, que também pode ou não vir a ser efetivada. O BC pode vir a ser considerado um EC, caso sejam efetivadas transações comerciais, mas seu escopo principal, considerado em si mesmo, é o desenvolvimento de negócios na grande rede. Para efetivar de forma mais definitiva a diferenciação, o autor destaca que o E-Commerce pode ocorrer com base em situações que foram iniciadas como B-Commerce, considerando o primeiro como de maior abrangência. Acreditamos que essa colocação possa trazer ao leitor uma compreensão da razão pela qual diferenciamos os dois termos. Outra visão apresentada pelo autor envolve a empresa como um todo, quando considera que o BC engloba o relacionamento da empresa com clientes, contratantes, fornecedores, terceirizados, parceiros e clientes, envolvendo aqui a infraestrutura de serviço. O exemplo mais clássico que podemos dar para facilitar a compreensão do termo, e da diferença existente com relação ao 12 comércio eletrônico, são os serviços oferecidos em nuvem, que levam as atividades para bem além do que uma simples transação comercial. Também não é errado, embora revele uma visão parcial, considerar que o BC é desenvolvido por empresas, ao passo que o EC é desenvolvido entre empresas e pessoas. As definições aqui colocadas trabalham em um âmbito mais amplo, conforme apontamos anteriormente. Na exposição anterior, foram citadas as transações comerciais. e é interessante trazer uma conceituação sobre elas. Podemos buscar em O’Brien (2014) uma definição apropriada, quando o autor considera as transações desenvolvidas em ambientes virtuais, como eventos que representam vendas, compras, depósitos, retiradas, reembolsos e pagamentos. É sempre possível verificar, nelas, dois polos distintos: alguém que quer vender alguma coisa e alguém que quer comprar alguma coisa. O fechamento da transação chama à cena a arte das equipes altamente desenvolvidas, como vencedoras, com técnicas e práticas que envolvem os clientes e que apresentam os produtos e serviços de forma atraente, bem como desenvolvem atividades de CRM – Customer Relationship Management. Tais atividades são responsáveis por um grande percentual do sucesso no fechamento de diferentes tipos de transações comerciais. O autor enxerga que as transações comerciais podem, então, ser consideradas como parte de negociações, reforçando a diferenciação entre esses conceitos, e, ao mesmo tempo, relacionando-os de forma aproximada. Como conclusão da apresentação desses dois conceitos, largamente utilizados no ambiente da internet, podemos voltar ao Gráfico 1, apresentado no início desta aula, e verificar uma realidade que não temos mais como evitar: as empresas, sem exceção, estão em um processo progressivo, de estudos e efetivação da inclusão da grande rede, em suas estratégicas de negócios. O que elas almejam é aproveitar um potencial ainda não totalmente explorado, possibilitado com a inclusão da Internet às suas estratégias de negócios. Para tanto, é necessário o desenvolvimento de estudos orientados no sentido de alterações significativas na aprendizagem organizacional, no tocante ao tratamento que deve ser dado aos clientes. De uma situação de canal alternativo de negócios, as empresas estão aos poucos apoiando grande parte de suas transações comerciais na grande rede, na medida em que há perda do medo inicialmente observado, de efetivação 13 dessas transações na grande rede. O aumento das rotinas de segurança leva os clientes e as empresas a adquirirem maior confiança na efetivação de transações comerciais. Ainda que ela não seja total, é possível observar um crescimento na qualidade da proteção que garanta a segurança, a integridade e a privacidade das informações confidenciais postadas na grande rede. O aumento das atividades de marketing explora novas formas de captação e fidelização de clientes. A agradabilidade das interfaces e o grande grau de usabilidade que elas apresentam, suportadas por rotinas nas quais a inteligência artificial encontra campo de aplicação, acabam por convencer clientes ainda indecisos. É possível observar toda uma convergência de esforços no sentido de envolver os clientes com as propostas colocadas,em conexão com a realidade do mercado em constante mutação. De uma forma geral, estabelecemos um caminho que, se seguido, poderá levar as pequenas e médias empresas ao sucesso em suas iniciativas em rede. TEMA 2 – MERCADO DE NEGÓCIOS E E-PROCUREMENT Créditos: julia.m/Shutterstock. Schutz, Freitas e Luciano (2002) consideram o e-procurement como resultado direto do processo de globalização que atinge todas as empresas, sem exceção, desde que elas desejem atingir um elevado nível de vendas e de liderança nos mercados digitais. Os autores fazem considerações levando em conta o elevado desenvolvimento observado na área de telecomunicações, com novas tecnologias digitais de informação e comunicação se sucedendo no palco das inovações, que podem ser notadas para observadores mais atentos. As empresas de maior porte, que têm recursos financeiros para bancar processos de formação permanente e continuada de seus colaboradores, utilizam duas importantes ferramentas para negócios desenvolvidos de forma on-line: o supply chain management (SCM) e o customer relationship management (CRM). Para aumentar a rapidez de atendimento e entrega, são desenvolvidas atividades de atendimento de pedidos utilizando os fundamentos do avaliable to promise (ATP). Com essa proposta, os negócios eletrônicos podem ter uma sustentação mais fortalecida que favorece o cliente, levando-o a confiar mais no desenvolvimento de negócios de forma on-line. Nesse contexto, surge o e-procurement, como tecnologia de suporte. 7 O e-procurement pode ser definido como o processo de negociação de materiais e serviços desenvolvidos pela empresa vendedora, garantindo um bom negócio aos clientes interessados em efetivar suas compras. Hoinaski (2014) amplia essa definição inicial e confirma que essa atividade se refere à compra e à venda de produtos e serviços por meio da internet, considerando que as localidades que praticam esse tipo de comércio trabalhem com usuários que estejam devidamente qualificados e registrados, o que facilita a localização de compradores e fornecedores. Nessas localidades pode haver maior concorrência, o que pode provocar diminuição no custo final das operações, que acontecem em benefício dos compradores. A atividade é atendida por softwares especificamente desenvolvidos para ela, complementado por um conjunto de aplicativos (apps) desenvolvidos especificamente para aumentar a funcionalidade dessas localidades. A utilização de apps se dá em nichos de mercado pontuais e são geralmente desenvolvidos com a intervenção de empresas de grande porte. Todos os sites que localizamos são de empresas de grande porte em ambas as pontas do processo. As empresas que adotam esse modelo de efetivação de negócios eletrônicos trabalham com ferramentas de avaliação do tipo key performance indicator (KPI) para apresentar resultados. O resultado de sua utilização é o aumento do desempenho dos negócios desenvolvidos com intervenção da empresa que possibilitam atividades de e-procurement. Os indicativos mais utilizados, segundo estudos desenvolvidos pelos pesquisadores que trabalham na empresa Performance Digital (2014) recomendam os seguintes levantamentos: • Observar detidamente o comportamento dos visitantes, registrando quem acessou o site, que páginas consultou, quanto tempo demorou e outros dados que possam ser de interesse. Essas atividades podem dar um indicativo seguro sobre o comportamento dos visitantes; • Monitorar cuidadosamente as taxas de conversão que permitem mensurar a usabilidade de seu produto e do efeito, positivo ou negativo, das campanhas que foram desenvolvidas pelo fornecedor; • Obter estatísticas de abandono de carrinho de compras, que podem registrar o porquê de a compra não ter sido efetivada, possivelmente identificando as falhas de fluxo no interior da loja virtual; 8 • Levantar as origens de tráfego, que atua como indicador, possibilitando a compreensão da origem do comprador e a identificação do que se pode ofertar em localidades específicas. Outros dados podem ser levantados. A finalidade é identificar o comportamento do fornecedor e definir a efetividade de sua loja virtual. Os resultados representam estatísticas que podem alterar a forma como os serviços e produtos podem ser oferecidos, com possíveis adaptações recomendadas. Essas atividades são comuns no e-procurement e são identificadas como atividades de business inteligence (BI), outra área de destaque que busca o levantamento de dados, como pontuam os autores Schutz, Freitas e Luciano (2002). Ao adotar uma linha de inteligência de negócios, o processo de coleta ganha importância com a captação de dados que dão suporte ao processo de gestão de negócios on-line. A inteligência empresarial pode aumentar a vantagem competitiva da empresa no mercado e proporcionar a ela uma vida longa e estável. Os trabalhos de e-procurement são mais comuns quando analisam: • Atividades de enterprise resource planning (ERP), fornecendo a possibilidade de agendamento para facilitar estabelecer um ciclo ideal de produção; • Atividades de e-sourcing ou leilão reverso, em que o e-procurement é efetivado em sua totalidade tendo a busca de novos fornecedores como objetivo principal, de modo a atender necessidades de seus clientes; • Atividades de e-informing, que proporcionam importante troca de informações comerciais entre compradores e vendedores, permitindo a criação de um banco de fornecedores de forma a facilitar o acesso a dados estruturados de acordo com necessidades específicas. Segundo Hoinaski (2014), o e-procurement está diretamente relacionado ao e-business, desenvolvendo a ideia simples de implantar regras de negócios via web. Ele oferece como benefícios redução de custos e economia de tempo, duas propostas muito atraentes. 9 TEMA 3 – PORTAIS B2B Créditos: serknor/Shutterstock. A primeira coisa a se saber é o que são os portais, para depois, na sequência dos estudos, conhecer alguns portais B2B e saber qual a tendência do mercado para desenvolver trabalhos com eles. Um portal B2B é uma plataforma baseada na internet que coleta informações de diferentes fontes. Ele deve apresentar interfaces agradáveis, de fácil utilização e que apresentem elevado nível de usabilidade, que é identificada pela razão entre o número de sucessos e o número de acessos. Para os usuários, quanto mais informações importantes ele trouxer nas pesquisas, melhor o resultado da pesquisa. Esses portais existem de forma diferenciada para a efetivação do comércio ou de negócios eletrônicos. Tal diferenciação é recomendável e normalmente é providenciada pelos fornecedores. O principal objetivo é oferecer o maior volume possível de metadados. Um outro portal que pode ser interessante conhecer é o da Amazon, uma das primeiras empresas a utilizar de forma extensiva esses elementos. Aos poucos, o portal da Amazon expande seus negócios e passa a trabalhar em diferentes segmentos, além do da venda de livros, sendo a maior empresa trabalhando com essa proposta atualmente. O mesmo acontece com praticamente todos os outros portais sejam eles de comércio ou negócios. Esse comportamento é comum. Outro portal de muito interesse é o do Alibaba, em que é possível efetuar compras no exterior utilizando cartões de crédito internacionais. É fácil perceber que, aos poucos, o comércio e os negócios na internet começam a invadir tanto as rotinas de empresas quanto a vida pessoal dos cidadãos que, assim, tem sua privacidade perdida. 10 Uma das atividades mais desenvolvidas na web é a determinação de taxonomias voltadas a apresentar os portais mais pelo que eles representam do que pelos conteúdos que expõem. Assim, os portais podem ser classificados em dois tipos: portais de vendas e portais de compra. Dentre os portais de venda, há os transacionais,que possibilitam transações desenvolvidas on-line. Eles podem ser informativos e trazem benefícios como conter um grande volume de metadados que fornecem explicações para tudo e para todos. Eles também podem ser privados ou públicos. Os primeiros exigem senhas de entrada e tratam de um assunto específico; já os públicos são abertos e têm o acesso liberado. Os portais de negócios podem ser classificados em portais horizontais e portais verticais. Os portais horizontais podem ser considerados como aqueles que contêm informações sobre vários e diferentes tipos de serviço, são divididos em diversas categorias e estão disponíveis para aqueles que entram em sua esfera de domínio. Eles foram dominantes durante todo o processo de evolução da grande rede. Quando esse desenvolvimento explodiu em uma bolha (o que ocorreu nos anos 2000, mas até agora podemos sentir seus efeitos), surgiu um segundo tipo de portal: o vertical. Os portais verticais são considerados como o futuro dos portais na internet, e se diferenciam dos portais horizontais pelo fato de buscarem usuários interessados em conteúdo e serviços personalizados. Por enquanto, os portais horizontais estão ganhando a pretensa batalha com os portais verticais, mas, na realidade, eles têm propósitos diferentes. O que têm em comum é que buscam, no final de contas, efetivar negócios na grande rede. Independentemente de classificações, os portais dominam o ambiente da rede nos dias atuais. Não existem previsões de mudança, pelo menos não na bibliografia e nos estudos existentes. O que pode acontecer é uma expansão com aplicação de uma divisão que apresente dados mais segmentados e níveis de atendimento diferenciados. 11 TEMA 4 – REDES DE COMUNICAÇÃO E EXTRANET PARA B2B Créditos: Alexander Limbach/Shutterstock. Você já deve ter ouvido muito os termos intranet e extranet. Algumas pessoas integram ambas as redes, desconsiderando suas características diferenciadas. Elas enxergam nesta nova forma de conceituação que a empresa está integrada ao mundo exterior. Ela tem uma entrada aberta ao seu portal principal e apresenta áreas reservadas, antes colocadas disponíveis na rede intranet, protegidas por senha e distribuída em diferentes servidores. Aparentemente não há diferença. Esta ideia ainda não tem muitos adeptos que preferem a manutenção da conceituação que é adotada e aceita por todos nos dias atuais. Por isso, cabe uma explicação natural sobre o que cada um deles significa. 4.1 Intranet No interior de médias e grandes empresas é comum haver uma rede interna, utilizada pelos funcionários, o que muitas vezes não se justifica para as pequenas empresas, ainda que elas possam utilizá-la. As intranets são redes privadas, internas e com níveis de proteção mais ou menos rígidos. A permissão de uso é geralmente obtida pela identificação do usuário seguida da solicitação de uma senha de segurança. As proprietárias ou administradoras dessa rede interna podem ser uma única empresa ou um grupo de empresas. Sua utilização tem a proposta de efetivar um processo de comunicação extensivo entre colaboradores, clientes e fornecedores. 12 As intranets são, normalmente, alvo de crackers, e seus mecanismos de defesa devem ser definidos cuidadosamente. A escolha dessa defesa envolve cuidados e planos de avaliação do nível de risco que ela pode apresentar. 4.2 Extranet Para além da internet, a empresa também pode criar uma rede que pode ser acessada pelo público externo e que tem como objetivo não mais a comunicação interna, mas a comunicação externa. Empresas de varejo ou de efetivação de negócios têm sites, cada um com características particulares e que podem ser classificados como portais. As redes extranet, como são chamadas as redes externas, podem ter outras finalidades que não sejam exclusivamente o desenvolvimento do comércio eletrônico ou dos negócios na rede. Elas podem ser públicas ou privadas, e para acessá-las o usuário precisa se identificar e criar uma senha individualizada. Normalmente, uma rede extranet com tais características é desenvolvida com o objetivo de conectar a empresa à sua cadeia de valor, formada por clientes, fornecedores e colaboradores. Foi a extranet que deu início ao desenvolvimento de redes classificadas como B2B, tidas como o único caminho para aumentar o rendimento de uma empresa em termos de contatos comerciais desenvolvidos. Seu desenvolvimento tem como objetivo, como já dissemos, permitir a troca de informações de compra, venda, distribuição e outras informações necessárias para que outras pessoas saibam de sua existência, o que fazem e como interagir como fornecedor ou comprador. As técnicas para desenvolvimento da extranet estão diretamente relacionadas com o público-alvo que ela pretende atingir. Há diversas formas de efetivar o seu desenvolvimento, e podemos, consultando empresas especializadas, conhecer o mapa organizacional de desenvolvimento de uma rede extranet. Especialistas que atendem diversas empresas consideram que o desenvolvimento de uma rede extranet deve seguir os seguintes passos: • Análise do negócio; • Determinação da arquitetura de navegação; • Estudos para criação do layout da nova rede; • Estudos da interface; 13 • Desenvolvimento do sistema pela equipe de análise e programação. O principal na primeira etapa, a de análise do negócio, é entender a necessidade dos clientes, o que pode direcionar todo o desenvolvimento da aplicação. Isso é feito pelos analistas de sistema em reuniões e estudos sobre as características do público-alvo. A segunda etapa, de determinação da arquitetura de navegação, tem como preocupação tornar a rede extranet visível e facilmente acessível. Isso é feito com tecnologias de ponta, e o processo envolve engenharia de comunicações. Na terceira etapa, de estudos para a criação do layout da nova rede, a proposta é atender necessidades específicas. Participam dessa fase projetistas visuais e o analista de sistemas. A quarta etapa, de estudos da interface gráfica, tem o objetivo de tornar a rede acessível via uma interface homem-máquina altamente intuitiva e um elevado nível de usabilidade. Aqui, interferem o projetista das interfaces gráficas e o analista, além de programadores. Na quinta etapa, de programação do sistema, é desenvolvido um sistema altamente eficiente em termos de velocidade de atendimento, em que se utilizam todos os recursos tecnológicos aos quais poderá ter acesso. Esse trabalho final envolve analistas e programadores. O que o usuário enxerga como resultado final é o resultado de um extensivo trabalho que envolve uma equipe multidisciplinar voltada a causar a melhor primeira impressão e provocar a curiosidade do usuário, além de uma navegação altamente facilitada. Os esforços foram todos dirigidos para isso. O mais importante de uma rede extranet, depois de todo o esforço dispendido para seu desenvolvimento, é que ela será a porta de entrada e de saída da empresa, que conheça o mundo lá fora e que também seja conhecida por ele. É a efetivação da utilização da tecnologia em benefício do aumento da competitividade da empresa no mercado atual, mergulhada nas luzes e cores de ricas interfaces gráficas com os usuários, muitas telas ineficientes, mas, via de regra, com a intenção de permitir um acesso facilitado às pessoas interessadas em seus serviços e produtos. 14 TEMA 5 – PERSPECTIVAS PARA NEGÓCIOS ELETRÔNICOS Créditos: spainter_vfx/Shutterstock. O mundo dos negócios é mutável, e, por extensão, também o são os administradores e marqueteiros. Em tempos de design thinking, as coisas pioram. Hoje, temos nas taxonomias apresentadas para caracterização dos negócios digitais, diferentes faces de um mesmo negócio. Com o B2B, um mercado que trabalha com cifras astronômicas não poderia ser diferente.O mundo dos negócios digitais se mostra extremamente mutável e mostra, a cada momento, uma diferente imagem, com mudança de aspectos sutis que acabam por nada. Em fase de recuperação de prestígio quase perdido, a figura do chief executive officer (CEO) parece ter renascido com a evolução dos negócios eletrônicos e o trabalho profícuo de seus atores. No mundo B2B, temos três executivos de destaque que recentemente foram entrevistados em um artigo da McKinsey Quarterly, e que corroboram a afirmativa da imagem radicalmente mutável no mundo do marketing. Os executivos entrevistados foram Steve Rigway, John Hayes e Duncan Watts, figuras de destaque no marketing digital e que acabaram por apresentar as tendências do B2B para o futuro imediato. O artigo é considerado como um dos documentos mais esclarecedores sobre a área e trata tanto do comércio eletrônico quanto dos negócios eletrônicos, e serve como uma boa introdução que permite montar uma visão do futuro. Há uma convergência de opiniões que assinalam que “...não há caminho rápido na nova era de engajamento do consumidor...”. Os entrevistados consideram que há, sim, necessidade de planejar cuidadosamente os negócios desenvolvidos em ambientes virtuais. Eles consideram que o progresso, quando vem, é um prêmio, e certamente chega como resultado incremental, como resultado da busca da opinião dos consumidores, da tentativa de atender aos 15 seus anseios, e de ajustar as estratégias de engajamento e aprender por meio de tentativa e erro. Rigway, Hayes e Watts apresentam o que consideram ser os caminhos para o sucesso no e-business (com conclusões válidas também para o e- commerce), além de tendências do marketing digital. É um conjunto de recomendações de elevado valor para qualquer pessoa que queira iniciar seus negócios, especialmente startups, mais rápidas e com maior capacidade de adaptação às necessidades e aos desejos dos consumidores: O primeiro caminho se refere ao fato de o marketing estar presente em todas as estratégias desenhadas para efetivação de uma presença sustentável e competitiva no mercado. Sem ele, as empresas que desenvolvem seus negócios na grande rede ignoram diversos aspectos de interesse que permitiriam um conhecimento mais profundo do cliente e de sua experiência de compra na internet. O segundo caminho analisa o sucesso nos negócios e credita às mídias de massa a constatação de que, para além de representar uma visão da realidade, deve-se continuar a ter uma participação cada vez mais ativa, desempenhando um papel vital e influente. O terceiro caminho está representado pela capacidade (que pode ser delegada aos setores de TI, que têm tecnologias de ponta) de captar a experiência do cliente com o produto, de oferecer um inestimável valor ao marketing digital e favorecer negócios entre as empresas. A empresa vendedora incorpora a figura do cliente satisfeito, e o cliente satisfeito responde à altura, tornando-se engajado e fiel às propostas da empresa. É uma atividade de aprendizado desenvolvida sobre um elevado volume de dados captados junto aos clientes e que permitem transformar a forma como os negócios on-line são desenvolvidos. O quarto caminho mostra como utilizar a experiência que o consumidor adquire com o tempo, agora como modo de redesenhar as formas de desenvolvimento do marketing digital. Muitos clientes estão saturados da massiva agressividade de muitas empresas, e a procura e a localização de maneiras de contornar esse problema representam um caminho para o sucesso. O quinto caminho busca o envolvimento de clientes em um diálogo franco e honesto, que será adotado como a pedra angular do marketing digital e o novo direcionador de estratégias a serem adotadas pelas empresas. Pelo menos para 16 os negócios desenvolvidos na internet, o marketing tradicional não apresenta funcionalidade. O sexto caminho busca formas de orientar os profissionais de marketing a trabalharem com um inédito volume de dados. A quantidade de dados disponíveis nos dias atuais já assoberba todos os marqueteiros, e esse volume que comprova o fenômeno do big data deve crescer de forma exponencial. A capacidade de analisar o volume de dados representa uma grande vantagem competitiva. O marketing passa a ser cada vez mais dependente dos dados, e saber analisá-los é fundamental. O sétimo mandamento propugna a mudança da empresa para que ela possa enfrentar diversos desafios que exigem que ela ganhe, ao seguir todos os caminhos anteriores, uma proposta de mudança de estratégia (estar pronto, mirar e atirar – no original, em inglês, ready, aim, fire) que leve a um outro modelo que, com base em tentativas e erros, torne o atendimento aos clientes mais rápido e fluido. Dessa forma ela se tornaria capaz de desenvolver ajustes mais rápidos em seus esforços de aquisição de liderança no mercado. É possível observar que essa nova abordagem é diferente da do marketing tradicional, que tentava “empurrar” a mensagem do produto para as pessoas, estivessem elas interessadas ou não. Tal proposta não encontra eco no marketing digital. O princípio do marketing digital, que representa o futuro do comércio eletrônico e dos negócios em ambientes virtuais, está na criação de conteúdos relevantes que apresentem soluções para o atendimento dos desejos e vontades dos consumidores; não se trata de um “produto” que deva ser empurrado goela abaixo do consumidor. Ele fica colocado na grande rede e o desafio é que o cliente seja chamado, revele sua experiência e seja valorizado. Ao se sentir parte integrante de uma estrutura, o consumidor, por meio de sua reação, confirma o que tem se tentado dizer, desde o começo, tanto para investidores quanto para os marqueteiros de plantão: quem manda nos negócios na era digital não é mais o dinheiro; quem manda é a qualidade do produto, que somente é enxergada quando se utilizam estratégias de marketing diferenciadas. 17 TROCANDO IDEIAS Quem nunca se viu na difícil situação de operar um determinado aplicativo, ou de entender a configuração geral do sistema operacional no celular? Isso mesmo, dificuldades que dependem da inteligência – e, desta vez, nada artificial. Sempre que acessamos um programa ou um aplicativo, temos que poder operá-lo de forma fácil, intuitiva. O iPhone foi lançado em 2007 como smart principalmente por essa característica: seu uso era baseado na intuição, e operá- lo era possível sem o uso de um manual ou treinamento. Hoje em dia, os programas, corporativos ou aqueles de lojas virtuais, devem ter essa característica intuitiva também, e para isso é necessário que se tenha uma “equipe smart”. E você? Já teve dificuldades com algum programa, aplicativo ou configuração no celular? Compartilhe conosco a sua experiência. NA PRÁTICA Agora que chegamos ao final da aula, faremos algumas provas que avaliarão o seu desempenho. O critério principal é a assimilação do conhecimento. Ao longo de nossas vidas há sempre necessidade de avaliar o desempenho de algo. Fazemos isso até mesmo com o profissional que faz uma reforma em nossas casas e é avaliado quanto ao seu desempenho em acabamento, tempo e custo. Já que o key performance indicator (KPI) faz parte de tantas interações em nossas vidas, pesquise pelo menos cinco indicadores KPI relacionados ao e-commerce. Apresente-os e justifique cada um deles, descrevendo seus benefícios. FINALIZANDO Vimos nesta aula algumas questões relacionadas ao panorama do e- business, suas características administrativas, e-procurement, portais e redes de comunicação para o B2B. 18 Com isso, finalizamos esta etapa e nos preparamos para compreender todas as demais áreas que se baseiam ou, pelo menos, interagem com o e- business e o e-commerce. 19 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os 8 Ps do marketing digital: o guia estratégicode marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. AMARAL, D. Você sabe a diferença de lammer, cracker e hacker? Recanto do Dragão, 10 set. 2013. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2019. BENTIVEGNA, S. 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Vamos apresentar ao leitor um quadro que permite analisar as principais transações que ocorrem no comércio e nos negócios eletrônicos, como forma de situar o leitor no estado da arte de desenvolvimento de projetos de alto alcance no que diz respeito ao uso da internet como um potente canal de vendas e 14 negociações. Em muitas publicações, o leitor poderá observar que em termos de definição de uma taxonomia, essas duas diferentes formas de transação são tratadas, de uma forma geral, sob um mesmo e amplo guarda-chuva. Como forma de evitar a fuga do contexto em que as transações comerciais e negócios são desenvolvidos na internet, adotaremos esta linha de raciocínio. No Quadro 2, a seguir, montado com base em excertos das diversas definições, consideradas como de domínio público, vamos analisar as principais transações do e-commerce e e-business, mais conhecidas por suas siglas, muitas delas utilizadas em seu idioma original, sem tradução, sendo assim utilizadas devido à força do hábito. Quadro 2 – Tipos de transações e negócios desenvolvidos na Internet SIGLA SIGNIFICADO IC – Internet Commerce É assim chamado o guarda-chuva que identifica todas as transações, comércio ou negócios, que são desenvolvidos na Internet, ou seja, é uma nomenclatura que engloba, em uma única visão, tanto o e-commerce como o b-commerce. EC – Electronic Commerce Assim conhecido qualquer dos tipos de comércio desenvolvidos na grande rede mundial de comunicações (Internet) envolvendo transações comerciais. BC – Business Commerce Assim conhecido qualquer dos tipos de negócios desenvolvidos na grande rede mundial de comunicações (Internet) envolvendo negociações. MC – Mobile Commerce Recaem neste caso (classificação que não é utilizada em todas as situações) todas as atividades aqui relacionadas, quando os trabalhos ocorrem em ambientes sem fio, com uso de dispositivos móveis. B2B – Business to Business É o típico caso do desenvolvimento de negócios entre empresas, que podem ou não resultar em algum tipo de transação comercial (caso em que podem mudar de classificação para EC – Electronic Commerce). O guarda- chuva que caracteriza esta qualificação abriga transações realizadas entre empresas, nas duas pontas, representando algum demorado processo de negociação. Um exemplo claro deste caso é a contratação de serviços da grande nuvem, sujeito a rigorosos contratos de alto nível de serviço (SLA – Service Level Agreement). Na atualidade, este caso representa a maioria do volume que ocorre no comércio eletrônico, cuja situação deve mudar, principalmente devido ao ingresso de pequenas empresas startups desenvolvendo o comércio eletrônico, o que deve aumentar o ingresso de pessoas no comércio eletrônico. B2C – Business to Consumer Esse tipo de transação nos ambientes virtuais envolve de um lado as empresas e de outro lado pessoas físicas em um processo de efetivação de transações comerciais. É a forma mais facilmente compreendida pelas pessoas e que também recebe um nome particular de e-tailing. É um dos principais alvos das redes sociais. Esse fato exige atenção das empresas, considerando a expansão do poder da multidão, que pode derrubar uma boa conceituação empresarial, quando poucos casos de mau atendimento ao cliente acontecem. Normalmente, os clientes se reúnem em grupos ou utilizam grupos já existentes para apresentação de suas queixas. 15 C2C – Consumer to Consumer ou Chegamos ao caso do relacionamento direto entre pessoas físicas. O significado de alguém que quer vender de um lado e de alguém que quer comprar por outro lado se mantém. É preciso tomar cuidado com esse tipo de transação. Ela exige uma confiança recíproca entre os envolvidos. Há casos de vendas C2C controladas por empresas que podem dar maior segurança aos clientes. Um exemplo clássico é o site OLX, que atua em nível nacional, colocando pessoas em contato – o mesmo que é feito pelo Mercado Livre. Nesses locais, praticamente todos os tipos de negociação e transações são possíveis. B2A – Business to Administration. Este é o caso em que os eventos são conduzidos de forma online entre as empresas e a administração pública (algumas vezes denominada B2G – Business to Government). É uma área que cresce com a migração dos serviços do primeiro setor para a grande rede. Informações fiscais, securitárias, de previdência social e registros de documentos são os exemplos mais comuns. C2A – Consumer to Administration Este é o caso em que os eventos são conduzidos de forma online entre consumidores e a administração pública (algumas vezes denominada C2G – Consumer to Government), envolvendo um sem número de transações, a maioria delas decorrentes da evolução da governança eletrônica, uma nova perspectiva no relacionamento da sociedade com o primeiro setor. B2G – Business to Government Similar ao B2A, porém relacionado à prestação de serviço de empresas para o governo. Obras públicas e PPP se enquadram nesse modelo. Fonte: Elaborado pelos autores. Considerando o cipoal de siglas possíveis de se encontrar sobre os diferentes tipos de negócios ou transações eletrônicas, pode ser que algumas que estão aqui apresentadas apareçam com outras nomenclaturas, ou que outras não estejam aqui citadas, caso em que podem representar alguma particularidade das principais que foram apontadas. Mas o que está no Quadro 2 representa o que é correntemente utilizado na grande rede. 16 TEMA 4 – OS IMPULSIONADORES DO EC E EB E A RELAÇÃO COM A PRESSÃO DOS NEGÓCIOS Créditos: yuttana Contributor Studio/Shutterstock. Há uma proposta que facilita demonstrar de forma compreensível os fatores que impulsionam o comércio eletrônico e que adota uma abordagem semelhante àquela que utilizamos para tomar uma sopa quente: comer pelas bordas. Essa proposta enxerga aspectos favoráveis quando se aplica ao estudo a análise dos resultados produzido com aplicação da metodologia denominada “8Ps do marketing digital”. Ela será discutida com detalhes na sequência, mas evitando partir para uma proposta de definição conceitual, sendo mais facilmente compreendida quando são analisados fatores marginais. O comércio e os negócios eletrônicos vão, novamente, ser tratados como cobertos pelo mesmo guarda-chuva, devido ao fato de ser possível considerar que a evolução ocorre igualmente nessas duas formas de efetivação do mercado eletrônico. É possível adotar tal convergência quando se observa a similaridade do que ocorre nesses dois diferentes setores. Eles são dependentes de pressões que acontecem como resultado da expansão de todas as atividades humanas para a internet. A melhor forma que as empresas e as pessoas têm de se comunicarem é trilhar os mais diferentes caminhos traçados na grande rede, para amostragem e vendas de produtos e serviços. 17 A pergunta sobre o que impulsiona a evolução dessas atividades na grande rede tem uma primeira e rápida resposta: a grande responsável por impulsionar os negócios na grande rede é a arquitetura comercial desenhada na sociedade contemporânea. Com base nessa colocação, a resposta ao questionamento inicial está em saber quais as características comerciais que se apresentam aos olhos dos observadores. Eles devem ser imparciais e apresentarem a mente aberta para o novo. Aqui, neste momento, uma transação comercial ou um negócio desenvolvido na grande rede serão tratados como se fossem a mesma coisa, como se sofressem as mesmas injunções, apresentando a mesma cara, ainda que diante de situações com diferentes dimensões. A experiência da negociaçãoe das transações comerciais (compra e venda) envolve uma diversidade de fatores, mas eles podem ser mensurados como positivos, quando ambas as partes atingem um nível de satisfação com o resultado obtido. Esse corolário é defendido por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, que apresentam diferentes posições sociais, sendo uma das bandeiras defendida por Walker (2014) – um dos autores mais prestigiados perante o público leitor de assuntos dessa área. Independentemente de os atores serem pessoas ou empresas, os melhores resultados dos comércios e negócios eletrônicos nessa área acontecem quando há o atendimento do desejo e da vontade do cliente. Quando a empresa consegue enxergar essa realidade, ela está em um bom caminho para ser competitiva em um mercado com característica de elevada competividade. Quando aquele que quer vender sai de uma negociação de forma positiva, a primeira parte está cumprida. Mas ele somente conseguirá manter essa situação se, na outra ponta do processo de negociação, houver um grau de satisfação e atendimento de vontades e desejos do cliente, que pelo menos seja similar. Volta à máxima de que um negócio somente é um bom negócio se é bom para todas as partes. Resultados positivos podem gerar uma elevação no nível de confiança dos consumidores (empresas ou pessoas), e sugerem a adoção de um padrão, o que não deve ser feito. Na rede, cada momento é um momento, cada reação está totalmente contextualizada, o que indica que cada negociação ou fechamento de negócio deve ser tratado de forma totalmente particular, esquecendo tanto os insucessos como os sucessos passados. 18 É com base nessa realidade que uma marca consegue se reafirmar no mercado online. É preciso não esquecer que não é de letreiros luminosos que vive o comércio online, ainda que a comunicação visual seja um dos principais itens para despertar e conseguir prender a atenção dos compradores em potencial; a ênfase deve recair sobre o aspecto positivo obtido em transações que agradem a todos. Entre as mil faces do marketing digital, importa aquela que dá satisfação ao cliente, caso a caso. Salvador e Miceli (2017) consideram que esse fator é o primeiro aspecto que deve ser analisado durante o planejamento da divulgação da empresa, para a criação de uma marca de sucesso. O resultado final atende aos oito Ps do marketing digital, como foi apontado por Adolpho (2011). O autor considera que uma atitude agressiva no mercado tem como balizadores oito comportamentos e atitudes a serem desenvolvidos: pesquisa, planejamento, produção, publicação, promoção, propagação, personalização e precisão. Os três últimos fatores estão diretamente ligados com a proposta defendida por Walker (Adolpho, 2011). Esse roteiro facilita a agregação de valor a produtos e serviços negociados, o que é o objetivo principal das estruturas comerciais projetadas para um ambiente em rede. Isso acontece em uma sociedade em que vemos um número cada vez menor de lojas físicas, o que traz a necessidade de presença das empresas nos ambientes virtuais. Se neles o processo de comunicação é diferenciado, a empresa age corretamente ao atendê-los. É importante estar consciente do fato de que a geração de imigrantes digitais está chegando ao final, ou pelo menos a um patamar em que as decisões não pesam mais em termos familiares. É preciso considerar aqui a nova geração de millennials, aqueles nascidos a partir dos anos 2000 (Tapscott, 2014), pois ela chega com toda a força ao mercado e passa a condicionar o seu comportamento. Analistas sensatos consideram que as lojas físicas, com todos os problemas de uma logística de garantia de marca, estão chegando ao seu final, pelo menos da forma como as pensamos. Elas não deixarão de existir, mas devem apresentar uma face totalmente diferenciada daquela que ainda podemos enxergar na sociedade contemporânea. Elas devem abandonar o gigantismo e se mostrar como empresas pequenas, mas altamente eficientes – neste caso, sim, com aplicação de tudo o que se tem direito, para apresentar uma estrutura de luzes e cores adequada à 19 condição diferenciada de efetivar comunicação, como é feito por essa nova geração. É uma visão que parece se aproximar dos clientes de shopping-centers, que dão preferência a ambientes personalizados, intimistas e de atendimento personalizado. Tal repaginação é necessária. Ela está voltada para atender a demanda por produtos e serviços de forma personalizada (outro aspecto importante dos oito Ps, anteriormente apresentados). Um exemplo claro são as lojas de brinquedos infantis. Aquelas que criam pequenos playgrounds, nos quais as crianças podem brincar e experimentar os brinquedos mais elaborados, que exigem algum tipo de aprendizado para sua utilização, apresentam um tráfego maior de clientes, ainda que quem realmente decide pela compra seja o adulto que acompanha as crianças. Mas a barulheira que pode advir de uma compra que não atenda aos desejos de uma criança é um argumento difícil de vencer. A fidelização é mais facilmente atingida quando a empresa ganha a confiança de sua clientela. O marketing boca-a-boca se torna o meio mais eficiente de captação de novos clientes. A limpeza e a sobriedade das lojas criadas pela Apple são um dos principais exemplos do que estamos falando nesta aula. O que fizemos até agora foi definir o que é a metodologia dos 8Ps, como forma de analisar os impulsionadores dos esforços que as empresas devem dedicar aos negócios online. A pesquisa está na raiz da entrada da empresa no marketing digital. O planejamento visa identificar as características do público-alvo. A produção busca um nível de adequação ao mercado, de uma forma como nunca antes se exigiu de uma empresa. O cuidado com a publicação se revela na identificação de qual a melhor forma de contatar a nova geração digital, que toma de assalto as lojas de marca. As pessoas são fidelizadas ao ponto de receberem com satisfação as extensivas comunicações de um marketing agressivo, que muitas vezes peca pelo excesso. A promoção deve abandonar modelos estereotipados e buscar uma aproximação direta com a nova geração digital. A consequência é a colheita de resultados positivos, que facilitam a propagação da marca, a capacidade de personalização que a empresa demonstra, e a precisão com que atende aos desejos e necessidades de sua antiga, atual e futura clientela. 20 Poderia parecer que o que se desenhou neste tema se aplica mais diretamente às empresas startups, criadas com foco no desenvolvimento de atitudes e comportamentos inovadores. Elas exploram diferentes produtos, visando criar uma linha de seguidores que acaba fidelizada à marca da empresa. Mas o que foi tratado tem sua aplicação em grandes empresas, já que no ambiente virtual é facilitada a tarefa das empresas de se mostrarem adaptada às tendências e ao atendimento de nichos de mercado específicos, não tão facilmente identificáveis em suas características, necessidades e desejos específicos. Pensar na satisfação do cliente como meta pode contrariar muitas das atitudes tradicionalmente desenvolvidas nos negócios e vendas, mas é uma proposta que se revela de acordo com o que a nova geração espera: que as suas necessidades e os seus desejos sejam atendidos. TEMA 5 – BENEFÍCIOS E LIMITAÇÕES DE EC E EB PARA AS ORGANIZAÇÕES Créditos: Art Stocker/Shutterstock. Os mercados eletrônicos são complexos, quando se enxerga que sua implantação reúne e integra, com o suporte das TDIC – Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação, fornecedores, produtores, canais intermediários, clientes e logística de distribuição diferenciada, estabelecendo relacionamentos 21 que fogem do tradicional. Trata-se de uma análise um pouco mais detalhada das vantagens e desvantagens apresentadas por esse tipode comércio e negociação. Para uma melhor compreensão de características relevantes dos mercados eletrônicos, a análise de vantagens e desvantagens pode ajudar sobremaneira. É preciso destacar que, em muitos casos, as vantagens que citaremos podem se transformar em desvantagens. A primeira vantagem de que tratamos está nos números de crescimento, segundo dados apresentados quando da publicação da 37ª edição da pesquisa Webshoppers, realizada pela Ebit. O relatório apresenta a visão de um comércio de 447,7 bilhões efetivado em 2017, com um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior, e com previsão de crescimento de 12%, a ser registrado ao final do corrente exercício. A pesquisa enxergou o mercado brasileiro efetivado nos marketplaces que estão mais em evidência. É uma primeira vantagem indiscutível, considerando que números, quando provenientes de uma fonte de elevada credibilidade, não mentem. Quando se leva em consideração a globalização e os marketplaces mundiais, o Instituto Gartner apresente os números esperados para o ano de 2020: crescimento dos negócios mundiais para a faixa dos US$ 4 trilhões antes do final do exercício. São números invejáveis, e que motivam os stakeholders a efetivar investimentos de peso na área, com a quase certeza de um retorno positivo. Em outro aspecto de análise, o comércio eletrônico traz um baixo custo financeiro de implantação, com um menor custeio do negócio, quando comparado com um contexto tradicional. O aluguel de lojas físicas e escritórios representa um elevado investimento, que pode ser diluído nas estruturas virtuais, as quais podem ser criadas para dar sustentação ao desenvolvimento de comércios e negócios nos ambientes em rede. É possível criar plataformas logísticas integralmente estabelecidas na rede. O único acréscimo de custo se refere a questões de segurança, inferior àquele necessário para implantação de plataformas físicas. As estruturas criadas podem ser escalonáveis e móveis, além de permitir home office e o desenvolvimento de processos de desterritorialização. 22 A possibilidade de trabalho em uma perspectiva 24 x 7 x 365 também é citada como uma vantagem em muitos dos estudos desenvolvidos sobre a adoção do comércio eletrônico. A não aceitação dessa perspectiva por todos é incompreensível, pois uma estrutura de atendimento contínua pode facilitar sobremaneira as atividades – ainda assim, não se deve esquecer de registrar esse fato. Não podemos nos esquecer, também, da possibilidade de as vendas serem efetuadas em um marketplace global, ou seja, fica facilitada a abertura de novos mercados que não seriam atingidos por lojas que têm apenas instalações físicas ou que dão preferência a essa modalidade. Considera-se, contudo, a necessidade de trabalhos adicionais para a apresentação das localidades virtuais em mais de um idioma. A diferença de fusos horários pode ocasionar alguma dificuldade inicial, mas logo é superada. O uso de metadados para a apresentação dos produtos e serviços, com QRcodes, facilita sobremaneira as atividades de divulgação. O registro de níveis de satisfação e insatisfação pode garantir maior transparência aos processos de controle de qualidade desenvolvidos pelos consumidores. A possibilidade de permitir o acesso a um contexto personalizado, de acordo com as características do cliente que está efetuando o acesso online, é uma vantagem que não pode ser ignorada. Isso exige uma equipe de redação, o que pode apresentar custos adicionais, considerando que há uma tendência à utilização de 3D e animação, com possibilidade de trabalho com realidade virtual, que oferecem aos usuários uma experiência ímpar, que pode facilitar muito o engajamento com a proposta da marca e sua subsequente fidelização. O acesso das mídias sociais às localidades que os fornecedores criam na grande rede é outra forma de garantir maior segurança e confiança ao usuário comprador, representando uma vantagem sobre atendimentos deficientes, muitas vezes observados nas plataformas físicas. O registro de níveis de satisfação de clientes é um dos aspectos mais favoráveis para o desenvolvimento de atividades de captura, engajamento e fidelização. Aqui, é possível destacar o poder da multidão como uma das formas mais eficazes de convencimento, desde que a proposta seja tratada de forma adequada. Uma experiência online personalizada é outra realidade de destaque. O fato de um produto poder ser utilizado por diferentes pessoas, em diferenças 23 situações, é uma das maiores vantagens, sendo sua implantação no ambiente virtual uma atividade simples. Outra vantagem, restrita às empresas, é a possibilidade de se ter uma equipe de terceirizados comissionados, que efetuam vendas com margens de negociação favoráveis, além de um acesso a pessoas de seu próprio círculo de amizade. Cria-se um elo entre o vendedor e o comprador, difícil de ser estabelecido nas estruturas físicas. Há lojas virtuais que trabalham com uma estrutura de devolução favorável ao cliente. Indo um pouco mais além, algumas dessas estruturas acabam por intermediar revenda de materiais de clientes, com o uso das mídias sociais, de uma forma a favorecer negociações diferenciadas e com maior amplitude em comparação ao processo desenvolvido nas plataformas físicas. O aproveitamento do “estímulo do momento” é outro fator de importância, que pode ser bem utilizado. Estar presente no lugar certo, na hora certa, e para o cliente certo, é uma vantagem que não pode ser desprezada. O registro de todas as entradas pode trazer a possibilidade de revisão de estratégias, tomando como base o conhecimento do que o consumidor quer saber sobre o produto. Dessa forma, novas tentativas de vender podem resultar em sucesso para superar um primeiro momento de dúvida dos consumidores. Alguns clientes relatam a possibilidade de ter uma experiência menos invasiva do que em uma loja (com atendentes insistentes), como uma das possíveis vantagens. Em muitas ocasiões, esse fato já foi apontado como redutor das possibilidades de fechamento de negócio. Uma navegação bem orientada, com uma interface intuitiva, pode superar a ausência de encontros presenciais, olho-no-olho, entre consumidores e vendedores. O registro de dados do cliente, para futuras campanhas promocionais, é tido como uma das principais vantagens da modalidade. Mas a obtenção de dados pessoais deve ser desenvolvida com muito cuidado. Sites que param no meio de uma página de preenchimento de informações estão condenados à perda de negociações importantes. A rapidez no fechamento e aprovação de concessão de crédito, apesar de representar o risco de inadimplência elevado, não pode ser esquecida como vantagem que o comércio eletrônico apresenta sobre as negociações em estruturas físicas. 24 Mas nem tudo são flores no reino do comércio online. Certamente há desvantagens que podem ser consideradas, ainda que possam ser mais facilmente superadas nas plataformas virtuais. Uma das primeiras desvantagens é a possibilidade de que as estruturas oferecidas não estejam “no ar”, de modo que o consumidor encontre dificuldades de acesso. Contratos de garantia de elevado nível de serviço podem contornar esse tipo de problema, mas eles continuam existindo. A falta da “sensação de tato” é descrita por alguns consumidores como um dos motivos para o não fechamento de negociações. Esse é um aspecto de difícil superação, e exige uma atividade de convencimento que não é tão fácil, como é possível nos ambientes de lojas físicas. O elevado nível de competição e o fato de muitas empresas e representantes estarem online ao mesmo tempo e poderem ser acessados de forma simultânea podem acarretar outro nível de dificuldade. Esse problema pode ser superado por meio de uma apresentação diferenciada do produto, mas a perda de negócios para umaapresentação mais bem-feita é um problema que estará sempre presente. O atendimento online traz certo nível de impaciência nos consumidores, principalmente quando há dificuldades de trânsito, e pela aversão que muitas pessoas encontram ao desenvolver atividades de conversação com elementos não humanos. O apoio da inteligência artificial no contato pode suavizar a má impressão, mas ainda assim ela não é facilmente superável. Os agentes não humanos podem não estar preparados para respostas a perguntas inesperadas, e uma resposta incorreta pode colocar a perder todo o processo de negociação. A necessidade de logística perfeita, na entrega e no acompanhamento, aliada à possibilidade de arrependimento do consumidor, caso ela não seja a mais próxima do ideal, está muitas vezes ligada à desistência, que pode acarretar custos que devem ser bancados pelo vendedor. As iniciativas da Amazon e da Google, de aceleramento de entrega, chegam a impressionar, pela velocidade que pode ser atingida. Mercadorias adquiridas na parte da manhã chegam a ser entregues na parte da tarde, mas o custo para que isso seja possível representa um elemento de desvantagem a ser considerado. O balanceamento de vantagens e desvantagens representa, conforme é possível avaliar no próprio texto que o leitor tem em mãos, um ganho para as plataformas online, mas a última palavra está com o consumidor, pois ele é o elo 25 imprevisível, o mais fraco, e quem pode romper elos mais fortes criados durante o processo de negociação. TROCANDO IDEIAS Vimos nesta aula que o e-business e e-commerce revolucionaram a forma como as pessoas passaram a encarar a internet e o comércio de modo geral. Nesse contexto, tente recordar da primeira vez que você fez ou presenciou uma compra pela internet, recapitulando como foi a sua experiência, as expectativas, e os possíveis problemas. NA PRÁTICA Em qualquer tipo de compra, as sensações são muito importantes para o consumidor, principalmente quanto às suas necessidades e desejos. Afinal, os consumidores se envolvem pelo anseio de receber o produto ou serviço adquirido. Assim, para compreender essas sensações e estabelecer um elo ou fronteira que diferencie o comércio tradicional do comércio eletrônico, faça os seguintes procedimentos: • Escolha um ramo de comércio ou serviço. • Escolha uma empresa que ofereça a demanda ou serviço nas duas modalidades. • Aponte todas as diferenças, tanto da empresa quanto do consumidor. • Registre esses apontamentos em um breve texto de pelo menos uma lauda. FINALIZANDO O crescimento do e-commerce nos traz a sensação de que o comércio tradicional será totalmente substituído. Mas, tudo que evoluiu traz essa visão superficial de tendência. Fato é: enquanto existirmos como corpo e mente, e não apenas como consciência, ambos estão garantidos. O e-business e a Internet nasceram no mesmo tempo e são hoje ferramentas essenciais para o avanço da globalização. Assim, percebemos nesta aula que a logística e a infraestrutura do e- business se assemelham muito ao modelo tradicional; destaca-se, aqui, o tempo 26 e a conveniência, embora a necessidade de segurança seja fundamental, tanto para a garantia quanto para a confiança do consumidor. Ainda assim, o mais importante da internet, do e-business e efetivamente do e-commerce, não é apenas a substituição dos meios de se fazer negócios, mas tudo aquilo que foi um dia inventado e que mudou uma geração inteira e continua avançando. Onde vamos parar? Acredito que os limites foram superados e só nos resta progredir. 27 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os oito Ps do marketing digital. São Paulo: Editora Novatec, 2011. BENTIVEGNA, S. Rethinking politics in the world of ICTs. European Journal of Communication, n. 21, p. 331-343, 2006. CERQUEIRA, A. S. G. O comércio eletrônico e seus contornos no código de defesa do consumidor. Monografia (Graduação) – Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, 2010. 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Aqueles que desejam ter sucesso em suas iniciativas de desenvolvimento devem atentar para o último tema discutido anteriormente, quando questionamos vantagens e desvantagens do comércio e dos negócios eletrônicos, conhecendo também o que a localidade representa. CONTEXTUALIZANDO Seguindo a linha de raciocínio aqui estabelecida, a conceituação de e- market place pode ser resumida como uma localidade na qual ocorre um processo empresarial integrado que, com a utilização das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), permite que seus componentes (que serão analisados a seguir) desenvolvam suas atividades de comércio e negócios 3 eletrônicos, com propostas diferenciadas que visam apresentarsucesso na captação, engajamento e fidelização do consumidor (empresa ou pessoa física). O conhecimento detalhado sobre essa localidade é um dos principais fatores que influenciam para a criação de uma estrutura favorável ao desenvolvimento de novos negócios. Nesta aula, vamos tratar de atividades, componentes, formas de colocação de catálogos online e modelos de negócio, com o objetivo de facilitar o desenvolvimento do comércio e de negócios na grande rede. Com isso, escolha seu e-market place na internet, preste atenção às suas características e mentalize as principais diferenças, em comparação a um market place tradicional. TEMA 1 – VISÃO GERAL DE UM E-MARKET PLACE Crédito: Eucalyp/Shutterstock. 4 Um e-market place é similar aos market places tradicionais. Os processos desenvolvidos na grande rede são similares àqueles desenvolvidos por empresas tradicionais, com toda a complexidade inerente aos ambientes virtuais, mas com um desafio a mais a ser superado. Neste tema, vamos apresentar uma visão ampla, sem maiores detalhamentos operacionais da infraestrutura que dá suporte aos processos que possam ocorrer. A primeira curiosidade das pessoas que querem saber o que significa essa nova “tecnologia digital” colocada como chamariz para desenvolvimento de comércio e negócios eletrônicos na internet é saber o que isso é e onde está. De uma forma resumida, podemos responder a esse duplo questionamento agora mesmo. Um e-market place é um site da web, criado para facilitar o desenvolvimento de comércio e negócios. Costuma ser criado por um conjunto de programas de computador, normalmente denominados aplicativos (os famosos APPs de múltiplas finalidades). Quando uma coisa fazia praticamente tudo o que desejávamos, se dizia que ela “somente faltava falar”. Agora, nos dias atuais, nem isso mais falta. Os emarketplaces já falam, com vozes mais ou menos humanas, revelando um conhecimento sobre o usuário, que pode assustar, principalmente se quem está acessando o conhecimento já é algum velho usuário. Pessoas mais velhas cochicham entre si – “coisa do demônio” e se entreolham assustadas. As pessoas que ali trabalham, estão dispostas a facilitar os mais diferentes tipos de transação. Sabido o que é e quem cria, na sequência é importante saber como eles são, ou ver um exemplo. Os sites da Amazon e do eBay são os exemplos mais utilizados pelos professores. É possível fazer “quase tudo” por meio da navegação; empresas e pessoas físicas encontram o que querem, tendo inclusive acesso a informações governamentais. Se você estiver próximo ao seu computador, navegue um pouco por essa localidade. Nada se perde e tudo, ou quase tudo, se transforma em dinheiro para quem o utiliza do outro lado do balcão, que flui dos bolsos dos usuários. Um e-market place realmente faz de tudo e procura satisfazer a todos, em um ambiente de elevada competição. Os dois exemplos mencionados são e- market places de varejistas únicos, em suas versões comerciais; há outras localidades, similares a essas, mais voltadas para a área de negócios. Como 5 exemplo, podemos apontar o site de vendas de computação em nuvem da Amazon. Com a evolução do conhecimento, tanto de quem vende, quanto de quem compra, é possível observar, depois de diversas atividades de navegação na grande rede, que os consumidores não gostam de usar APPs de varejistas únicos. Muitos novos sites, com maior probabilidade, vão carregar aplicativos que oferecem variedades de produtos mais largas do que uma loja pode oferecer. Isso é uma das apelações principais de um mercado. Entretanto, ao mesmo tempo em que é um chamariz adicional, essa proposta se revela perigosa, no sentido de que quem controla o e-market place passa a depender de velocidades de atendimento variáveis, atendimentos diferenciados, que não apresentam uma qualidade necessária e suficiente, para não comprometer quem está no controle. Se você lembrar do poder da multidão, vai observar que esse é um risco elevado e que pode ter consequências drásticas. Um dos e-market places mais acessados, e que pode ser considerado como um exemplo, é o site do Mercado Livre, que, com a variedade de comércio e negócios, atinge cifras que poucos imaginariam que fosse possível pouco tempo atrás. Já no ponto de entrada, é possível observar a grande variedade de negócios possíveis, escolhidos a partir de uma caixa de texto, para que o argumento de pesquisa seja colocado. A partir daí, é possível ir para mares nunca dantes navegados, sendo o céu o limite. A primeira página conta com inteligência artificial, pois o site que foi acessado anteriormente a essa pesquisa era uma busca de jogos de computador. Aos poucos, os agentes inteligentes aprendem cada vez mais sobre o cliente, podendo iniciar diálogos que fazem parecer que se está falando com um agente humano, quando na verdade não é o caso. Foram mostrados sites comerciais; há localidades mais sérias e que apresentam uma interface gráfica diferenciada. De uma forma genérica, os e- market places obedecem a uma taxonomia que os divide em verticais, horizontais e globais. Os verticais vendem produtos de muitas fontes, mas de um único tipo. Um mercado horizontal vende produtos de diferentes tipos, mas compartilham uma característica comum. Já os mercados globais vendem de tudo de todos, como os que foram 6 mostrados. É um bom exercício buscar, em suas pesquisas, sites que possam ser classificados como de outros tipos. Os sites eBay e Amazon, apresentados como exemplos de e-market place, são híbridos; vendem coisas próprias e também contam com plataformas para que outros possam vender produtos ou fazer diferentes negócios. É possível ter uma visão mais ampla consultando o site ComScore1, sugerimos que o leitor vá até lá para perceber com clareza o que foi exposto até aqui. É preciso destacar um ponto antes de encerrar este tópico. Um e-market place não é um site de uma loja, mas sim uma conceituação de novas formas de efetivar o comércio e o desenvolvimento de negócios nos ambientes online. Cada site apresentado representa uma instância, um exemplo, da conceituação maior que foi apresentada. TEMA 2 – IMPACTO DOS E-MARKET PLACES NAS ORGANIZAÇÕES Crédito: iDin_PhotoStock/Shutterstock. O primeiro impacto que um e-market place pode causar nas organizações é deixar fora do mercado aquelas empresas e pessoas que ignoram sua importância. Afinal, é uma realidade que, em um tempo não muito distante, todos o comércio e negócios desenvolvidos por pessoas físicas ou por empresas deverão, de alguma maneira, passar pela grande rede mundial. A IoT – Internet of Things traz a promessa, que assusta algumas pessoas, de um elevado nível 1 . file:///C:/Users/lucco/OneDrive/Documentos/Revisão%20&%20Tradução/INTERSABERES/working/%3c 7 de integração de todos os agentes sociais, durante quase a totalidade de seu tempo, com os mecanismos sociais presentes em rede. Tudo o que puder ser feito sem a presença necessária de pessoas, poderá ser colocado na rede, a não ser que em algum lugar alguma distopia inorgânica crie uma sociedade parecida com aquela que More (2014) identificou em sua visão como um local denominado utopia. Quem sabe este tema devesse receber o nome de manual de sobrevivência de pessoas e empresas nos ambientes virtuais de aprendizagem. Já a partir da linguagem utilizada, tudo parece ocorrer de forma diferenciada na grande rede. Uma das coisas que não muda é a proliferação de atitudes politicamente incorretas: nos ambientes em rede, elas também acontecem, com uma denominação pomposa: cibercrime. Não é uma realidade tão fácil como poderiam supor os mais otimistas. A relação inicial (e depois o uso contínuo acaba por fazer com que todos se acostumem), entre pessoas físicas e empresas,se mostra inadiável, e ocorre em rede, mesmo que nela não aconteçam transações comerciais ou negócios. O estímulo econômico ocorre de uma forma como nunca ocorreu em nenhuma das gerações que nos antecederam, e os locais onde ele ocorre recebem o nome particular de e-market place, que cria vínculos entre tudo e todos; ou seja, qualquer tipo de contato que não seja físico é possível de acontecer. O teletrabalho já está em andamento, mas parece não receber muita propaganda, para não levar para a rede o ambiente de alta competitividade presente nos mercados tradicionais. Se o desemprego nos ambientes presenciais assusta, quando tudo estiver debaixo do manto não tão protetor dos ambientes em rede, o desemprego em massa digital deve multiplicar centenas de vezes esse nível de preocupação. Uma visão típica da panaceia universal está devidamente encaminhada, com o beneplácito de uma parafernália eletrônica nunca vista. Os sistemas interpessoais e interorganizacionais se multiplicam entre as luzes e cores da sociedade do espetáculo, imaginada por Debord e descrita em um tom apocalíptico por Oliveira (Oliveira, 2018). As organizações devem ser capazes de conceber novas formas de comunicação, que estejam apoiadas em um sistema de informação interorganizacional, voltado para as três fases de um processo de comércio ou negociação eletrônica: facilitar as transações online ao máximo; determinação e 8 empenho extremos na fase de pré-venda; e criação de um processo fidelizador de alta eficácia na interação pós-compra. Não é diferente do que é necessário ser feito em outros meios; a diferença está nas formas como essas atividades deverão ser efetivadas. De nada adianta carregar para os ambientes virtuais os mesmos procedimentos desenvolvidos em ambientes tradicionais, por mais que eles tenham demonstrado eficiência. No ambiente em rede, tudo deve ser diferente. Nos mercados eletrônicos, tudo pode ser vendido e comprado diretamente, sendo eliminados custos de intermediários, por mais que isso traga elevadas taxas de desemprego. Ganha destaque o que Di Masi (2001) imaginou como uma sociedade apoiada na economia do ócio criativo, como uma das novas formas de empregos existentes na sociedade atual e com maior destaque para a sociedade de um futuro muito próximo – que, em muitos lugares, já está sendo vivenciado. Para as empresas, resta aprimorar as respostas aos três principais desafios postos, que não mudaram e são válidos desde os tempos em que comprávamos nosso pãozinho francês na padaria do português Manuel da esquina, nos saudosos tempos da caderneta, que muitos tentam fazer ressurgir. Esses questionamentos são: que impacto relevante é possível estabelecer para chamar a atenção de um consumidor? Que tipo de abordagem inicial deve ser trabalhada com uma geração digital, totalmente diferente daquela que os vetustos departamentos de estratégia enxergam, e que vivem uma vida diferente, como posto na visão de Mattar (2012)? Que tipo de acompanhamento deve ser desenvolvido? É preciso não esquecer que tudo isso está sob a visão atenta de toda uma sociedade digital. Há o perigo de ter seu prestígio duramente adquirido, perdido em um passe de mágica (erro fatal), pela queda da espada de Dâmocles, suspensa sobre sua cabeça por um finíssimo fio, que pode arrebentar a qualquer vacilo. Toda a facilidade que os mercados virtuais dão, eles podem retirar em uma velocidade acelerada. Dessa forma, há impactos na migração de pessoas e empresas para desenvolver comércio e negócios em ambientes em rede. Todas as vantagens dos diversos processos que podem ser desenvolvidos foram transferidas para o lado do cliente. A personalização derruba a padronização prevista como 9 ferramenta para enlouquecer todos aqueles que trabalhavam na perspectiva da produtividade total. A alienação que facilitava o processo de vendas agora cai por terra, já que temos um registro online do que os consumidores acham sobre todos os aspectos de um produto. Uma câmara com alguns pixels a mais, ou que oferecem a possibilidade de inserir uma moldura, ou distorcer de forma caricata, podem carrear milhares de reais para as contas de um designer com uma visão mais próxima do desejo do mercado. Parece que o dumping incorreto de preços já não tem o mesmo efeito. Prevalece a máxima de que o barato pode sair caro, e nem mesmos preços mais arrasadores podem atrair os interessados, como está acontecendo, por exemplo, no mercado educacional, com oferta de cursos a valores de R$ 50,00 por mês, o que impossibilita qualquer desejo de qualidade que ainda possa persistir. A distribuição ganha destaque e as falhas na entrega de produtos podem “queimar” uma marca. Não acompanhar a tendência dos mercados pode deixar desempregados nos setores de marketing, como ocorreu com aqueles que deploraram a oferta de streaming de vídeo, que levaram à bancarrota todos os que não enxergaram uma nova tendência, como o fizeram os visionários da NetFlix. Os manuais com letras minúsculas devem ser trocados por uma profusão de metadados que facilitem a compreensão de para que serve cada um dos minúsculos botões de muitos aparelhos eletrônicos que são desenvolvidos, como se o fossem para uma geração de liliputianos, no meio de uma geração de gigantes, pelo menos em conhecimento tecnológico. A inteligência competitiva chegou para substituir de vez o encanto das aventuras de espionagem vividas pelos “James Bonds” que proliferam em uma sociedade não digitalizada, onde tudo o que se mostra, ainda que timidamente, certamente será visto por uma infinidade de pessoas. Os voyeurs digitais assumem o lugar dos charmosos agentes secretos; em seu lugar, diuturnamente, em frente aos computadores observam tendências, registrando resultados e tentando descobrir como implantar a estratégia do oceano azul, propriamente definida por Kim e Mauborgne (2018). Buscam na inovação, e não 10 mais na imitação aprimorada do que os outros fazem, novas formas de conquistar o mercado. Pode parecer que tudo que acontece na rede está sujeito a riscos. Muitas pessoas se assustam quando tal fato recebe, dos especialistas nas áreas de marketing, um meneio de cabeça positivo, de concordância. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, deixa de ser letra de música e se torna uma metáfora adequada ao que está acontecendo no mercado. Na atualidade, um outro impacto corre por fora das raias oficiais das pistas de maratona em que se transformaram os mercados: as fake news. Se pagar pelos erros cometidos é duro, pagar por erros que não foram cometidos é muito pior. Boatos colocados na rede também podem destruir as organizações. É preciso adotar como norma o bom costume de acreditar que os consumidores são inconstantes, e mais ainda os consumidores virtuais. Por mais eficientes que sejam as propostas de premiação da fidelização, ela pode deixar de existir ao menor marulho que um boato possa ocasionar. Como superar todos esses impactos: Dobrando o salário das pessoas que têm criatividade, especialmente quando apresentam facilidade para estabelecer um relacionamento empático, ou conseguem antever as tendências do mercado. Elas sempre são tempestades ou bonanças anunciadas, postas às claras pela visão de pessoas eficazes. Nunca foi tão necessária a criação de equipes de marketing arrasadoras, com profissionais que sempre foram considerados como malandros e enganadores, elevados à condição de heróis. Tema 3 – leilões, Catálogos eletrônicos e mecanismos de pesquisa Crédito: Kreus/Shutterstock. 11 Vamos dar continuidade a um processo de aquisição de conhecimento sobre o e-commerce e o e-business, que teve início quando você começou o seu curso, apoiados na inovação e na tecnologia, que dá sustentação às organizações que se veem sob a imposição de uma perspectiva de atuação