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Semiologia neurológica (geral)
19 pág.

Semiologia Médica • Universidade do Sul de Santa CatarinaUniversidade do Sul de Santa Catarina

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## Resumo sobre Semiologia NeurológicaA semiologia neurológica é uma disciplina fundamental para o diagnóstico clínico em neurologia, estruturada em três níveis principais: diagnóstico sindrômico, diagnóstico topográfico/anatômico e diagnóstico etiológico. O diagnóstico sindrômico consiste na identificação de um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem simultaneamente e podem ter diversas causas, como a síndrome de hipertensão intracraniana ou a síndrome piramidal. O diagnóstico topográfico visa localizar a lesão no sistema nervoso com base no conhecimento semiológico e neuroanatômico, enquanto o diagnóstico etiológico busca identificar a entidade patológica específica responsável pela lesão ou disfunção.A anamnese em neurologia é essencial para estabelecer uma boa relação médico-paciente e construir um diagnóstico preciso. Ela envolve a identificação do paciente, a caracterização detalhada da queixa principal (localização, intensidade, cronologia, fatores desencadeantes e de alívio, manifestações associadas), além do interrogatório dos diversos sistemas (ISDAS), história mórbida pregressa e familiar, e aspectos fisiológicos, socioculturais e hábitos. A idade, sexo, etnia, escolaridade e profissão do paciente são importantes para direcionar hipóteses diagnósticas, pois algumas doenças têm predileção por determinados grupos, como a esclerose múltipla em jovens ou a doença de Parkinson em idosos, e variações étnicas como a anemia falciforme em afrodescendentes.A caracterização dos sintomas é detalhada, incluindo localização (ex.: hemicraniana direita), características (dor latejante, em aperto, queimação), intensidade (escalas quantitativas e qualitativas), cronologia (início súbito, subagudo ou crônico), progressão (insidiosa, rápida, estática, surto-remissão), duração e frequência. Fatores desencadeantes (trauma, álcool, relação sexual) e fatores de alívio ou piora (fotofobia, esforços repetitivos) também são investigados. O exame físico neurológico inicia-se com a inspeção geral, observando sinais específicos como a face parkinsoniana, ptose miastênica ou paralisia facial, e prossegue com a avaliação dos movimentos anormais (tremores, coreia, hemibalismo, atetose, distonia), estado mental e nível de consciência, funções corticais superiores (orientação, atenção, memória, linguagem), marcha, sistema sensorial, sistema motor, reflexos tendinosos profundos, provas cerebelares, sinais de radiculopatia e irritação meníngea, e avaliação dos nervos cranianos.### Exame do Estado Mental e Funções Corticais SuperioresO estado de consciência é avaliado em duas dimensões: ativação (nível de vigília) e cognição (conteúdo da consciência). A ativação depende de vias do tronco encefálico e diencéfalo, e seu comprometimento reduz o nível de vigília. A cognição envolve funções mentais superiores mediadas por redes neuronais corticais e subcorticais, como orientação (pessoa, tempo e espaço), atenção, memória (imediata, recente e remota) e linguagem. A linguagem é avaliada pela fala espontânea, compreensão, nomeação, repetição, leitura e escrita, identificando distúrbios como disartria, dislalia, afasia (motora, sensitiva, global, de condução), alexia e disgrafia. O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) é uma ferramenta prática para avaliar essas funções cognitivas, incluindo orientação temporal e espacial, registro, atenção, memória e comandos simples.### Avaliação da Marcha, Sistema Sensorial e MotorA avaliação da marcha inclui análise da largura da base, equilíbrio dinâmico, comprimento da passada, velocidade e movimentos dos quadris e braços, além de manobras sensibilizatórias como marcha em tandem, na ponta dos pés e nos calcanhares, e o teste de Romberg para equilíbrio estático. Diferentes tipos de marcha indicam lesões específicas: hemiplégica (AVC), diplégica (em tesoura), atáxica (cerebelar), tabética (perda proprioceptiva), neuropática (pé caído), parkinsoniana (pequenos passos), miopática (andar do pato) e antálgica (devido à dor).O exame do sistema sensorial busca identificar áreas com sensibilidade alterada, avaliando modalidades tátil, dolorosa, térmica, vibratória e proprioceptiva, sempre comparando os lados. Alterações incluem alodínia, analgesia, anestesia, disestesia, parestesias, hiperalgesia e alterações na sensibilidade vibratória (palestesia).No sistema motor, avalia-se a força muscular com a escala do Medical Research Council, o tônus muscular, trofismo, reflexos tendinosos profundos (estiloradial, biciptal, triciptal, patelar, aquileu, plantar) e sinais de lesão piramidal como paresia, plegia, hiperreflexia, espasticidade e clônus. Provas cerebelares (index-nariz, calcanhar-joelho, movimentos rápidos alternados) detectam disfunções como dissinergia, dismetria, disdiadococinesia, hipotonia e disartria cerebelar.### Avaliação dos Nervos CranianosA avaliação dos nervos cranianos é detalhada, considerando suas funções sensitivas e motoras. O nervo olfatório (I) é testado com estímulos não irritativos para avaliar o olfato. O nervo óptico (II) é avaliado pela acuidade visual, campimetria por confrontação, reflexos pupilares e fundoscopia. Os nervos oculomotores (III, IV, VI) controlam os movimentos oculares extrínsecos, testados pela fixação e movimentos de perseguição, observando diplopia. O nervo trigêmeo (V) é avaliado pela sensibilidade facial e força dos músculos mastigatórios. O nervo facial (VII) é testado pela mímica facial e presença de paralisia central ou periférica. O nervo vestibulococlear (VIII) é avaliado pela audição, otoscopia, testes de Rinne e Weber, e presença de nistagmo. Os nervos glossofaríngeo (IX) e vago (X) são avaliados pela simetria do palato, reflexo da ânsia e funções de deglutição e voz. O nervo acessório (XI) controla o esternocleidomastoideo e trapézio, e o hipoglosso (XII) a movimentação da língua, com desvios indicativos de lesão.---### Destaques- A semiologia neurológica integra diagnóstico sindrômico, topográfico e etiológico para identificar lesões e suas causas.- A anamnese detalhada e o exame físico abrangente são essenciais para caracterizar sintomas, avaliar funções neurológicas e orientar o diagnóstico.- O exame do estado mental avalia consciência, cognição, linguagem e memória, utilizando ferramentas como o Mini Exame do Estado Mental.- A avaliação da marcha, sistema sensorial e motor permite identificar padrões específicos de lesão neurológica.- O exame dos nervos cranianos é fundamental para detectar disfunções sensitivas e motoras, auxiliando na localização anatômica da lesão.

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