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Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 1 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 Abdômen agudo inflamatório: uma revisão abrangente Acute inflammatory abdomen: a comprehensive review Abdomen agudo inflamatorio: una revisión integral DOI:10.34119/bjhrv7n4-202 Submitted: Jul 01nd, 2024 Approved: Ago 02nd, 2024 Paulo Furtado de Melo Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Petrópolis Instituição: Hospital Federal do Andaraí Endereço: Andaraí, Rio de Janeiro, Brasil E-mail: paulofurtsm@hotmail.com Renata Sousa de Castro Graduada em Medicina peloHospital Público Regional de Betim Instituição: Hospital Público Regional de Betim Endereço: Betim, Minas Gerais, Brasil E-mail: rscconsultorio@gmail.com Marcos Vinícius Saldanha Leal Graduado em Medicina pela Universidade de Itaúna (UIT) Instituição: Universidade de Itaúna (UIT) Endereço: Itaúna, Minas Gerais, Brasil E-mail: salldanhaleal@gmail.com Gabriela Borges Lima Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário Barão de Mauá Endereço: Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil E-mail: gabrielaborges2001@hotmail.com Ana Vitória Borges Lima Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário Barão de Mauá Endereço: Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil E-mail: anavitoriaborges2001@hotmail.com RESUMO O abdômen agudo inflamatório é uma síndrome caracterizada por dor abdominal súbita e intensa, que leva o indivíduo à procura de um serviço médico, resultante de um processo inflamatório ou infeccioso dentro da cavidade abdominal. As etiologias principais incluem apendicite, diverticulite, pancreatite, colecistite, colangite e doenças inflamatórias intestinais, dentre outras menos conhecidas. A epidemiologia destaca a alta incidência de apendicite e colecistite em adultos jovens e mulheres de meia-idade, respectivamente, com fatores de risco associados ao estilo de vida. Por sua vez, a pancreatite aguda, frequentemente causada por litíase biliar e abuso de álcool, e a doença diverticular do cólon, com incidência crescente em Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 2 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 jovens, também são relevantes. Diagnósticos eficazes envolvem anamnese precisa, exame físico completo e exames laboratoriais e de imagem específicos. Tratamentos variam conforme a causa e gravidade e, assim, consiste desde o uso de antibióticos, analgésicos, até intervenções cirúrgicas, como apendicectomia e colecistectomia, práticas essenciais, que devem ser aliados aos cuidados pós-operatórios visando uma melhor recuperação e prevenção de complicações. Dessa forma, futuras pesquisas devem focar em abordagens preventivas e na melhoria das técnicas diagnósticas e terapêuticas para reduzir a incidência e as complicações associadas ao abdômen agudo inflamatório. Palavras-chave: abdômen agudo inflamatório, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamento. ABSTRACT Acute inflammatory abdomen is a syndrome characterized by sudden and intense abdominal pain, prompting individuals to seek medical attention, resulting from an inflammatory or infectious process within the abdominal cavity. The main etiologies include appendicitis, diverticulitis, pancreatitis, cholecystitis, cholangitis, and inflammatory bowel diseases, among other less common causes. Epidemiology highlights the high incidence of appendicitis and cholecystitis in young adults and middle-aged women, respectively, with lifestyle-associated risk factors. Additionally, acute pancreatitis, often caused by biliary lithiasis and alcohol abuse, and diverticular disease of the colon, with a growing incidence in young individuals, are also relevant. Effective diagnoses involve precise anamnesis, thorough physical examination, and specific laboratory and imaging tests. Treatments vary according to the cause and severity, ranging from the use of antibiotics and analgesics to surgical interventions such as appendectomy and cholecystectomy, which are essential practices. These treatments should be combined with postoperative care aimed at better recovery and complication prevention. Therefore, future research should focus on preventive approaches and improving diagnostic and therapeutic techniques to reduce the incidence and complications associated with acute inflammatory abdomen. Keywords: acute inflammatory abdomen, diagnosis, epidemiology, etiology, treatment. RESUMEN El abdomen agudo inflamatorio es un síndrome caracterizado por dolor abdominal repentino e intenso, que lleva al individuo a buscar atención médica, como resultado de un proceso inflamatorio o infeccioso dentro de la cavidad abdominal. Las principales etiologías incluyen apendicitis, diverticulitis, pancreatitis, colecistitis, colangitis y enfermedades inflamatorias intestinales, entre otras menos conocidas. La epidemiología destaca la alta incidencia de apendicitis y colecistitis en adultos jóvenes y mujeres de mediana edad, respectivamente, con factores de riesgo asociados al estilo de vida. A su vez, también son relevantes la pancreatitis aguda, a menudo causada por cálculos biliares y abuso de alcohol, y la enfermedad diverticular del colon, con una incidencia cada vez mayor en los jóvenes. Los diagnósticos efectivos implican una historia clínica precisa, un examen físico completo y pruebas de laboratorio y de imágenes específicas. Los tratamientos varían según la causa y la gravedad y, por tanto, van desde el uso de antibióticos, analgésicos, hasta intervenciones quirúrgicas, como apendicectomía y colecistectomía, prácticas esenciales que deben combinarse con los cuidados postoperatorios con el objetivo de una mejor recuperación y prevención de complicaciones. . Por lo tanto, las investigaciones futuras deberían centrarse en enfoques preventivos y en mejorar las técnicas diagnósticas y terapéuticas para reducir la incidencia y las complicaciones asociadas con el abdomen inflamatorio agudo. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 3 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 Palabras clave: abdomen inflamatorio agudo, diagnóstico, epidemiología, etiología, tratamiento. 1 INTRODUÇÃO A dor abdominal aguda é um sintoma comum de pacientes na urgência correspondendo a 5-10% dos casos no setor de emergência. (Murali; Sahar, 2021). O abdome agudo abrange diversos diagnósticos diferenciais, assim há necessidade de uma anamnese e exame físico bem feito para guiar o profissional, com a intenção de diagnosticar e priorizar as condições que exigem tratamento imediato e prevenir a morbidade e mortalidade (Farzad Vaghef-Davari et al., 2020; Govender et al., 2021). O abdome agudo inflamatório é uma síndrome cuja dor aguda é originada de um processo inflamatório e/ou infeccioso na cavidade abdominal. Inicia-se com sintomas difusos e caracteriza-se pela intensidade progressiva. O tratamento varia conforme a entidade causadora e as particularidades do paciente bem como sua estabilidade, podendo ser cirúrgico e/ou suporte clínico, a maioria tratado também com antibioticoterapia (Sokal et al., 2019; Salomone Di Saverio et al., 2020; Wu et al., 2023). A dor crônica é a principal complicação enfrentada pelos pacientes que têm ou tiveram alguma inflamação na cavidade abdominal. (Vassiliki Sinopoulou et al., 2021). Sua etiologia é multifatorial e destaca-se pela hipersensibilidade visceral e sensibilização periférica por inflamação. Além disso, alterações do hábito intestinal persistentes contribuem para maior ansiedade e depressão, fator psicossomático desencadeado que contribui também na persistência da dor (Wils et al., 2022). Além disso, a dor afeta negativamente diferentes âmbitos da vida e impacta a qualidade de vida dos pacientes, principalmente aqueles com doença inflamatória crônica. Nesse sentido,a abordagem multidisciplinar deve ser recomendada, visando a melhoria da qualidade de vida e prevenção de fatores psicológicos. (Bischoff et al; Wils et al., 2022) 2 OBJETIVO O objetivo deste artigo é reunir informações, mediante análise de estudos recentes, acerca dos aspectos inerentes ao abdômen agudo, do tipo inflamatório, sobretudo a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 4 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 3 METODOLOGIA Realizou-se pesquisa de artigos científicos indexados nas bases de dados Latindex e MEDLINE/PubMed entre os anos de 2019 e 2024. Os descritores utilizados, segundo o “MeSH Terms”, foram: acute inflammatory abdomen, etiology, diagnosis e management. Foram encontrados 876 artigos, segundo os critérios de inclusão: artigos publicados nos últimos 5 anos, textos completos, gratuitos e tipo de estudo. Papers pagos e com data de publicação em período superior aos últimos 5 anos foram excluídos da análise, selecionando-se 16 artigos pertinentes à discussão. 4 ETIOLOGIA E PATOGÊNESE A dor abdominal é uma das queixas mais comuns de pacientes admitidos em unidades de emergência. Ela pode se originar de dentro da cavidade peritoneal, do retroperitônio, da pelve, da parede abdominal ou de fora do abdômen (Govender et al., 2021). Neste contexto, é de extrema importância abordar as principais causas do abdômen agudo, as quais podem ser descritas de acordo com a localização da dor abdominal. A dor generalizada pode ter como causas a Peritonite, Isquemia intestinal, Obstrução intestinal, Pancreatite e Aneurisma de Aorta. No quadrante superior direito pode significar Colecistite, Colelitíase, Colangite, Colite, Diverticulite, Abscesso Hepático, Hepatite, Tumor hepático, Pneumonia, Embolia pulmonar, Nefrolitíase, Pielonefrite e Infarto Agudo do Miocárdio (Farzad Vaghef-Davari et al., 2020). Já no quadrante superior esquerdo, a etiologias podem ser: Infarto Agudo do Miocárdio, Pericardite, Angina, Esofagite, Gastrite, Ulcera Péptica, Tumor Pancreático, Pancreatite, Nefrolitíase, Pielonefrite, Dissecção de Aorta, Isquemia Mesentérica, Pneumonia do Lobo Inferior, Abscesso Esplênico e Infecção Esplênica. Além disso, a sensibilidade no quadrante inferior direito pode ser Apendicite, Colite, Diverticulite, Doença Inflamatória Intestinal, Síndrome do Intestino Irritável, Gravidez Ectópica, Miomas Uterinos, Tumor Ovariano, Torção Ovariana e Testicular, Doença Inflamatória Pélvica, Nefrolitíase e Pielonefrite. Por fim, a dor no quadrante inferior esquerdo pode ter como causas a Colite, Diverticulite, Doença Inflamatória Intestinal, Síndrome do intestino irritável, Gravidez Ectópica, Miomas Uterinos, Tumor Ovariano, Torção Ovariana e Testicular, Doença Inflamatória Pélvica, Nefrolitíase e Pielonefrite (Farzad Vaghef-Davari et al., 2020). Dentre as etiologias do Abdômen Agudo Inflamatório, a apendicite é a causa mais comum com incidência de 1 por 1000 pessoas por ano (Wils et al., 2022). Ela é definida como Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 5 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 uma inflamação do apêndice vermiforme e se classifica como “não complicada” ou “complicada”. A apendicite não complicada é definida como inflamação na ausência de flegmão, gangrena, fluido purulento livre ou abscesso. Por sua vez, a apendicite complicada é acompanhada por um flegmão periapendicular com ou sem perfuração, gangrena ou abscesso peritiflítico (Téoule et al., 2020). Outra causa bastante prevalente é a Diverticulite, caracterizada pela inflamação dos divertículos e tem como fisiopatologia a obstrução ostial do divertículo por fezes ou restos alimentares, levando a prejuízos na mucosa e posterior isquemia, microperfuração e infecção. Todavia, novos estudos apontam que o estado de inflamação crônica e alterações no microbioma intestinal estão envolvidos no processo patogênico (Tiralongo et al., 2023). A Pancreatite também está entre as principais etiologias do Abdômen Agudo Inflamatório, a qual fisiopatologicamente é definida como uma inflamação primariamente estéril do pâncreas, caracterizada por ativação enzimática anormal, causando uma reação inflamatória com edema, dano vascular e morte celular. Além disso, ela tem como principais fatores de risco a doença do cálculo biliar e o abuso de álcool, visto que cada um deles é responsável por 30% a 50% dos casos (Beyer et al; Narcis Octavian Zarnescu et al., 2022). Por fim, outra causa bastante frequente é a Colangite Aguda, a qual tem como fisiopatologia dois fenômenos: a obstrução do trato biliar por um obstáculo, levando à paralisação da circulação entero-hepática da bile e ao aumento da pressão intraductal, que é responsável pela secreção biliar alterada e gera refluxo biliovenoso e biliolinfático. Tal como, a proliferação bacteriana na bile, que normalmente é estéril, uma vez que uma colonização tenha sido vista em indivíduos sem infecção do trato biliar (Sokal et al., 2019). 5 EPIDEMIOLOGIA O abdome agudo inflamatório é uma das principais causas de atendimento médico em unidades de pronto atendimento em todo mundo. Embora seu tratamento nem sempre seja cirúrgico, é também umas das principais causas de urgências/emergências cirúrgicas. Dentre eles, alguns dos mais comuns são: apendicite aguda, colecistite aguda, pancreatite aguda e diverticulite aguda. A apendicite aguda é a principal causa de abdome agudo inflamatório em todo mundo, ocorrendo 100 novos casos por 100.000 pessoas por ano, sendo mais comum em adultos jovens, entre 10 e 30 anos, com maior prevalência no sexo masculino e incomum nos extremos de faixas etárias. Além de ter uma prevalência alta, muitas vezes seu diagnóstico não Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 6 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 é tão simples, e deve sempre ser lembrado como diagnóstico diferencial para outras afecções abdominais pouco claras (Téoule et al., 2020). Outra patologia extremamente comum nos atendimentos de emergência é a colecistite aguda, podendo essa ser litiásica ( forma mais comum) ou alitiásica. A colelitíase ocorre mais usualmente em mulheres, entre 40 e 60 anos, tem como seus principais fatores de risco obesidade, dieta rica em gordura e rapidamente digeríveis, gravidez e uso de contraceptivos orais. Por ser a causa mais comum de inflamação da vesícula biliar, a colecistite ocorre também mais usualmente, na mesma população citada acima. Já a colecistite alitiásica possui uma morbimortalidade maior, pois está mais associada geralmente a pacientes mais idosos, mais graves e que estão em jejum prolongado, devido a estase biliar. Seu diagnóstico é muitas vezes difícil, devido a perda de parâmetros clínicos, mas deve ser sempre considerada em suspeitas de abdome agudo obscuros em centros de terapia intensiva. A pancreatite aguda tem como principal causa a biliar e como segunda principal, a alcoólica, sendo esses os principais fatores de risco. Além deles, a hipertrigliceridemia (aproximadamente 10% dos casos) e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) também são causas possíveis (Wu et al., 2023). Suas complicações são potencialmente muito graves. A incidência é mais comum em pacientes entre 30 e 60 anos. Pacientes com colelitíase com histórico de pancreatite biliar, têm chances aumentadas de novos episódios, por isso, em casos de pancreatite leve, a colecistectomia deve ser realizada na mesma internação (Beyer et al., 2022). A doença diverticular do cólon é uma das patologias gastrointestinais mais comuns principalmente em países desenvolvidos, muitas vezes é assintomática e tem como principais fatores de risco: dieta pobre em fibras, o microbiomaintestinal alterado e fatores genéticos. Apesar de sua incidência aumentar com a idade e ser mais comuns em idosos, nos últimos anos, houve aumento de ocorrência em jovens, principalmente devido aos hábitos de vida. Sua principal complicação é a diverticulite aguda, podendo ocorrer entre 10-25% dos casos. Para suas complicações é usada principalmente a classificação de Hinchey, que inclui abscessos e peritonites purulenta e fecais, como principais complicações (Tiralongo et al., 2023). 6 DIAGNÓSTICO Com o intuito de proporcionar uma conduta efetiva, é necessário que seja feita uma anamnese precisa e uma exame físico completo, e em seguida, selecionar exames laboratoriais e de imagem baseados nas hipóteses estabelecidas, para que assim seja feito um diagnóstico Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 7 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 adequado (Farzad Vaghef-Davari et al., 2020). É de extrema importância que todos os profissionais de saúde estejam aptos a realizar um exame correto do abdome, compreender a significância dos achados e conseguir associá-los com a história clínica e dessa maneira formular uma estratégia diagnóstica e uma plano de manejo. Um exame abdominal bem realizado fornece pistas diagnósticas para a maioria das patologias gastrointestinais e geniturinárias, diminuindo a necessidade de investigações radiológicas dispendiosas (Govender et al., 2021). Durante a anamnese o paciente deve ser sempre questionado sobre o horário de início dos sintomas e o local da dor, assim como a história médica pregressa e as medicações atuais. Em crianças e adolescentes, a história e o exame físico devem ser adaptados à idade e ao estágio de desenvolvimento do paciente. A experiência do examinador é importante, principalmente em pacientes pediátricos (Téoule et al., 2020; UNNY et al., 2022). Além disso, é de extrema importância a avaliação do estado geral do paciente, como a avaliação primária, localização da dor intra-abdominal e detecção da causa extra-abdominal da dor. Deve-se levar em conta a aparência geral e os sinais vitais do paciente, pois isso direcionará a hipótese diagnóstica. (Govender et al., 2021). As manobras específicas não devem ser negligenciadas, pois auxiliam no diagnóstico das causas da dor abdominal. Um exemplo é o Sinal de Carnett, que consiste no aumento da dor quando o paciente, em posição supina, tensiona a parede abdominal ao levantar a cabeça e os ombros de um apoio, sugerindo dor na parede abdominal. Outros sinais incluem o Sinal de Murphy, indicativo de colecistite, e o Sinal do Psoas, associado à apendicite. No diagnóstico da dor abdominal, os exames retal e pélvico são indispensáveis. Um exame pélvico pode revelar corrimento vaginal sugestivo de vaginite, enquanto um exame retal pode indicar impactação fecal, massa palpável ou sangue oculto nas fezes. Além disso, sensibilidade e plenitude no lado direito do reto podem sugerir um apêndice retrocecal (Govender et al., 2021) Por fim, a escolha dos exames laboratoriais é impulsionada por uma boa história e um bom exame físico, estes podem incluir um hemograma completo, marcadores inflamatórios como proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação, testes de função hepática, amilase e lipase, glicemia, análise de urina, teste de gravidez e sangue fecal e gasometria arterial. Já em relação aos exames de imagem, a ultrassonografia é muito utilizada na avaliação da dor abdominal por não ser invasiva e não causar riscos de radiação, porém seu uso inadequado pode retardar o diagnóstico (Govender et al., 2021). Na pancreatite aguda, o objetivo inicial da imagem é estabelecer o diagnóstico se os sinais, sintomas e critérios laboratoriais forem inconclusivos (Beyer et al., 2022). Também, a tomografia computadorizada com contraste Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 representa a ferramenta diagnóstica de primeira escolha em pacientes com suspeita de diverticulite (Tiralongo et al., 2023). 7 TRATAMENTO O tratamento do abdômen agudo inflamatório depende, sumariamente, da causa subjacente e da gravidade do quadro clínico. Inicialmente, o manejo clínico inclui o uso de antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios para controlar a infecção e aliviar a dor. Antibióticos são fundamentais no tratamento de infecções intra-abdominais, como apendicite aguda, diverticulite e colecistite. A escolha do antibiótico deve ser baseada no espectro de cobertura contra os patógenos mais comuns e na resistência local (Massimo Sartelli et al., 2020). Analgésicos, como o paracetamol e opióides, são usados para aliviar a dor, enquanto anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser administrados com cautela para reduzir a inflamação, sempre considerando os riscos de complicações gastrointestinais (Sokal et al., 2019). Indicações para intervenção cirúrgica são frequentemente baseadas na gravidade e na resposta ao tratamento clínico. Na diverticulite aguda, por exemplo, pacientes com peritonite generalizada, abscessos extensos ou fístulas podem necessitar de cirurgia emergencial (Amir Qaseem et al., 2022). Por sua vez, a apendicite aguda é outra condição que frequentemente requer apendicectomia para prevenir a perfuração e a peritonite. Em casos de pancreatite aguda grave, intervenções cirúrgicas ou radiológicas podem ser necessárias para drenar coleções de líquidos ou necroses infectadas (Beyer et al., 2022). Para cada condição inflamatória, existem procedimentos específicos. A colecistectomia é indicada para colecistite aguda, enquanto a colostomia pode ser necessária em casos graves de diverticulite com perfuração. A ressecção intestinal pode ser realizada em casos de doença inflamatória intestinal com complicações como estenoses ou fístulas. Na pancreatite, procedimentos como necrosectomia endoscópica ou cirúrgica podem ser necessários para remover tecido necrótico infectado (Wu et al., 2023). Os cuidados pós-operatórios são essenciais para prevenir complicações e promover a recuperação. A monitorização contínua de sinais vitais, controle adequado da dor e a mobilização precoce do paciente são fundamentais. A profilaxia de tromboembolismo venoso com anticoagulantes pode ser indicada, assim como a administração de antibióticos profiláticos em casos selecionados (Murali; Sahar, 2021). O manejo de complicações pós-operatórias, como infecções de feridas, íleo paralítico e deiscência de anastomose, requer uma abordagem Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 9 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 multidisciplinar, incluindo cuidados de enfermagem, fisioterapia e nutrição clínica. O manejo adequado e oportuno, desde o tratamento clínico até as intervenções cirúrgicas e os cuidados pós-operatórios, é crucial para reduzir a mortalidade e morbidade associadas a essas condições. 8 CONCLUSÃO Portanto o abdômen agudo inflamatório é uma condição de significativa importância clínica devido à sua alta incidência e potencial para complicações graves. A abordagem diagnóstica precisa, envolvendo anamnese detalhada, exame físico completo e exames laboratoriais e de imagem específicos, é essencial para a identificação correta da etiologia e direcionamento do tratamento adequado. A apendicite e colecistite são as causas mais frequentes, especialmente em adultos jovens e mulheres de meia-idade, respectivamente, destacando a necessidade de atenção a fatores de risco relacionados ao estilo de vida. O manejo eficaz do abdômen agudo inflamatório requer uma combinação de tratamento clínico e, em muitos casos, intervenções cirúrgicas oportunas. A utilização de antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios desempenha um papel crucial no controleda infecção e alívio da dor, enquanto a cirurgia é frequentemente necessária para tratar condições emergentes, como a apendicite e colecistite aguda. O acompanhamento pós-operatório, com foco na prevenção de complicações e promoção da recuperação, é igualmente vital. Pesquisas futuras devem continuar a explorar métodos preventivos e aprimorar as técnicas diagnósticas e terapêuticas para reduzir a incidência e as complicações associadas a essa síndrome. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 10 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 REFERÊNCIAS AMIR QASEEM et al. Diagnosis and Management of Acute Left-Sided Colonic Diverticulitis: A Clinical Guideline From the American College of Physicians. Annals of internal medicine, v. 175, n. 3, p. 399–415, 1 mar. 2022. BEYER, G. et al. Clinical practice guideline: Acute and chronic pancreatitis. Deutsches Ärzteblatt international, 25 jul. 2022. BISCHOFF, S. C. et al. ESPEN guideline: Clinical nutrition in inflammatory bowel disease. Nutrición hospitalaria, 1 jan. 2022. FARZAD VAGHEF-DAVARI et al. Approach to Acute Abdominal Pain: Practical Algorithms. DOAJ (DOAJ: Directory of Open Access Journals), v. 4, n. 2, p. e29–e29, 1 jan. 2020. GOVENDER, I. et al. A primary care approach to abdominal pain in adults. South African family practice, v. 63, n. 1, 10 mar. 2021. 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