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Brazilian Journal of Health Review
ISSN: 2595-6825
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Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 4, p. 01-11, jul/aug., 2024 
Abdômen agudo inflamatório: uma revisão abrangente 
 
Acute inflammatory abdomen: a comprehensive review 
 
Abdomen agudo inflamatorio: una revisión integral 
 
DOI:10.34119/bjhrv7n4-202 
 
Submitted: Jul 01nd, 2024 
Approved: Ago 02nd, 2024 
 
Paulo Furtado de Melo 
Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Petrópolis 
Instituição: Hospital Federal do Andaraí 
Endereço: Andaraí, Rio de Janeiro, Brasil 
E-mail: paulofurtsm@hotmail.com 
 
Renata Sousa de Castro 
Graduada em Medicina peloHospital Público Regional de Betim 
Instituição: Hospital Público Regional de Betim 
Endereço: Betim, Minas Gerais, Brasil 
E-mail: rscconsultorio@gmail.com 
 
Marcos Vinícius Saldanha Leal 
Graduado em Medicina pela Universidade de Itaúna (UIT) 
Instituição: Universidade de Itaúna (UIT) 
Endereço: Itaúna, Minas Gerais, Brasil 
E-mail: salldanhaleal@gmail.com 
 
Gabriela Borges Lima 
Graduanda em Medicina 
Instituição: Centro Universitário Barão de Mauá 
Endereço: Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil 
E-mail: gabrielaborges2001@hotmail.com 
 
Ana Vitória Borges Lima 
Graduanda em Medicina 
Instituição: Centro Universitário Barão de Mauá 
Endereço: Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil 
E-mail: anavitoriaborges2001@hotmail.com 
 
RESUMO 
O abdômen agudo inflamatório é uma síndrome caracterizada por dor abdominal súbita e 
intensa, que leva o indivíduo à procura de um serviço médico, resultante de um processo 
inflamatório ou infeccioso dentro da cavidade abdominal. As etiologias principais incluem 
apendicite, diverticulite, pancreatite, colecistite, colangite e doenças inflamatórias intestinais, 
dentre outras menos conhecidas. A epidemiologia destaca a alta incidência de apendicite e 
colecistite em adultos jovens e mulheres de meia-idade, respectivamente, com fatores de risco 
associados ao estilo de vida. Por sua vez, a pancreatite aguda, frequentemente causada por 
litíase biliar e abuso de álcool, e a doença diverticular do cólon, com incidência crescente em 
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jovens, também são relevantes. Diagnósticos eficazes envolvem anamnese precisa, exame 
físico completo e exames laboratoriais e de imagem específicos. Tratamentos variam conforme 
a causa e gravidade e, assim, consiste desde o uso de antibióticos, analgésicos, até intervenções 
cirúrgicas, como apendicectomia e colecistectomia, práticas essenciais, que devem ser aliados 
aos cuidados pós-operatórios visando uma melhor recuperação e prevenção de complicações. 
Dessa forma, futuras pesquisas devem focar em abordagens preventivas e na melhoria das 
técnicas diagnósticas e terapêuticas para reduzir a incidência e as complicações associadas ao 
abdômen agudo inflamatório. 
 
Palavras-chave: abdômen agudo inflamatório, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, 
tratamento. 
 
ABSTRACT 
Acute inflammatory abdomen is a syndrome characterized by sudden and intense abdominal 
pain, prompting individuals to seek medical attention, resulting from an inflammatory or 
infectious process within the abdominal cavity. The main etiologies include appendicitis, 
diverticulitis, pancreatitis, cholecystitis, cholangitis, and inflammatory bowel diseases, among 
other less common causes. Epidemiology highlights the high incidence of appendicitis and 
cholecystitis in young adults and middle-aged women, respectively, with lifestyle-associated 
risk factors. Additionally, acute pancreatitis, often caused by biliary lithiasis and alcohol abuse, 
and diverticular disease of the colon, with a growing incidence in young individuals, are also 
relevant. Effective diagnoses involve precise anamnesis, thorough physical examination, and 
specific laboratory and imaging tests. Treatments vary according to the cause and severity, 
ranging from the use of antibiotics and analgesics to surgical interventions such as 
appendectomy and cholecystectomy, which are essential practices. These treatments should be 
combined with postoperative care aimed at better recovery and complication prevention. 
Therefore, future research should focus on preventive approaches and improving diagnostic and 
therapeutic techniques to reduce the incidence and complications associated with acute 
inflammatory abdomen. 
 
Keywords: acute inflammatory abdomen, diagnosis, epidemiology, etiology, treatment. 
 
RESUMEN 
El abdomen agudo inflamatorio es un síndrome caracterizado por dolor abdominal repentino e 
intenso, que lleva al individuo a buscar atención médica, como resultado de un proceso 
inflamatorio o infeccioso dentro de la cavidad abdominal. Las principales etiologías incluyen 
apendicitis, diverticulitis, pancreatitis, colecistitis, colangitis y enfermedades inflamatorias 
intestinales, entre otras menos conocidas. La epidemiología destaca la alta incidencia de 
apendicitis y colecistitis en adultos jóvenes y mujeres de mediana edad, respectivamente, con 
factores de riesgo asociados al estilo de vida. A su vez, también son relevantes la pancreatitis 
aguda, a menudo causada por cálculos biliares y abuso de alcohol, y la enfermedad diverticular 
del colon, con una incidencia cada vez mayor en los jóvenes. Los diagnósticos efectivos 
implican una historia clínica precisa, un examen físico completo y pruebas de laboratorio y de 
imágenes específicas. Los tratamientos varían según la causa y la gravedad y, por tanto, van 
desde el uso de antibióticos, analgésicos, hasta intervenciones quirúrgicas, como 
apendicectomía y colecistectomía, prácticas esenciales que deben combinarse con los cuidados 
postoperatorios con el objetivo de una mejor recuperación y prevención de complicaciones. . 
Por lo tanto, las investigaciones futuras deberían centrarse en enfoques preventivos y en mejorar 
las técnicas diagnósticas y terapéuticas para reducir la incidencia y las complicaciones 
asociadas con el abdomen inflamatorio agudo. 
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Palabras clave: abdomen inflamatorio agudo, diagnóstico, epidemiología, etiología, 
tratamiento. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A dor abdominal aguda é um sintoma comum de pacientes na urgência correspondendo 
a 5-10% dos casos no setor de emergência. (Murali; Sahar, 2021). O abdome agudo abrange 
diversos diagnósticos diferenciais, assim há necessidade de uma anamnese e exame físico bem 
feito para guiar o profissional, com a intenção de diagnosticar e priorizar as condições que 
exigem tratamento imediato e prevenir a morbidade e mortalidade (Farzad Vaghef-Davari et 
al., 2020; Govender et al., 2021). 
O abdome agudo inflamatório é uma síndrome cuja dor aguda é originada de um 
processo inflamatório e/ou infeccioso na cavidade abdominal. Inicia-se com sintomas difusos 
e caracteriza-se pela intensidade progressiva. O tratamento varia conforme a entidade causadora 
e as particularidades do paciente bem como sua estabilidade, podendo ser cirúrgico e/ou suporte 
clínico, a maioria tratado também com antibioticoterapia (Sokal et al., 2019; Salomone Di 
Saverio et al., 2020; Wu et al., 2023). 
A dor crônica é a principal complicação enfrentada pelos pacientes que têm ou tiveram 
alguma inflamação na cavidade abdominal. (Vassiliki Sinopoulou et al., 2021). Sua etiologia é 
multifatorial e destaca-se pela hipersensibilidade visceral e sensibilização periférica por 
inflamação. Além disso, alterações do hábito intestinal persistentes contribuem para maior 
ansiedade e depressão, fator psicossomático desencadeado que contribui também na 
persistência da dor (Wils et al., 2022). 
Além disso, a dor afeta negativamente diferentes âmbitos da vida e impacta a qualidade 
de vida dos pacientes, principalmente aqueles com doença inflamatória crônica. Nesse sentido,a abordagem multidisciplinar deve ser recomendada, visando a melhoria da qualidade de vida 
e prevenção de fatores psicológicos. (Bischoff et al; Wils et al., 2022) 
 
2 OBJETIVO 
 
O objetivo deste artigo é reunir informações, mediante análise de estudos recentes, 
acerca dos aspectos inerentes ao abdômen agudo, do tipo inflamatório, sobretudo a etiologia, 
epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. 
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3 METODOLOGIA 
 
Realizou-se pesquisa de artigos científicos indexados nas bases de dados Latindex e 
MEDLINE/PubMed entre os anos de 2019 e 2024. Os descritores utilizados, segundo o “MeSH
Terms”, foram: acute inflammatory abdomen, etiology, diagnosis e management. Foram 
encontrados 876 artigos, segundo os critérios de inclusão: artigos publicados nos últimos 5 
anos, textos completos, gratuitos e tipo de estudo. Papers pagos e com data de publicação em 
período superior aos últimos 5 anos foram excluídos da análise, selecionando-se 16 artigos 
pertinentes à discussão. 
 
4 ETIOLOGIA E PATOGÊNESE 
 
A dor abdominal é uma das queixas mais comuns de pacientes admitidos em unidades 
de emergência. Ela pode se originar de dentro da cavidade peritoneal, do retroperitônio, da 
pelve, da parede abdominal ou de fora do abdômen (Govender et al., 2021). Neste contexto, é 
de extrema importância abordar as principais causas do abdômen agudo, as quais podem ser 
descritas de acordo com a localização da dor abdominal. A dor generalizada pode ter como 
causas a Peritonite, Isquemia intestinal, Obstrução intestinal, Pancreatite e Aneurisma de Aorta. 
No quadrante superior direito pode significar Colecistite, Colelitíase, Colangite, Colite, 
Diverticulite, Abscesso Hepático, Hepatite, Tumor hepático, Pneumonia, Embolia pulmonar, 
Nefrolitíase, Pielonefrite e Infarto Agudo do Miocárdio (Farzad Vaghef-Davari et al., 2020). 
Já no quadrante superior esquerdo, a etiologias podem ser: Infarto Agudo do Miocárdio, 
Pericardite, Angina, Esofagite, Gastrite, Ulcera Péptica, Tumor Pancreático, Pancreatite, 
Nefrolitíase, Pielonefrite, Dissecção de Aorta, Isquemia Mesentérica, Pneumonia do Lobo 
Inferior, Abscesso Esplênico e Infecção Esplênica. Além disso, a sensibilidade no quadrante 
inferior direito pode ser Apendicite, Colite, Diverticulite, Doença Inflamatória Intestinal, 
Síndrome do Intestino Irritável, Gravidez Ectópica, Miomas Uterinos, Tumor Ovariano, Torção 
Ovariana e Testicular, Doença Inflamatória Pélvica, Nefrolitíase e Pielonefrite. Por fim, a dor 
no quadrante inferior esquerdo pode ter como causas a Colite, Diverticulite, Doença 
Inflamatória Intestinal, Síndrome do intestino irritável, Gravidez Ectópica, Miomas Uterinos, 
Tumor Ovariano, Torção Ovariana e Testicular, Doença Inflamatória Pélvica, Nefrolitíase e 
Pielonefrite (Farzad Vaghef-Davari et al., 2020). 
Dentre as etiologias do Abdômen Agudo Inflamatório, a apendicite é a causa mais 
comum com incidência de 1 por 1000 pessoas por ano (Wils et al., 2022). Ela é definida como 
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uma inflamação do apêndice vermiforme e se classifica como “não complicada” ou
“complicada”. A apendicite não complicada é definida como inflamação na ausência de
flegmão, gangrena, fluido purulento livre ou abscesso. Por sua vez, a apendicite complicada é 
acompanhada por um flegmão periapendicular com ou sem perfuração, gangrena ou abscesso 
peritiflítico (Téoule et al., 2020). Outra causa bastante prevalente é a Diverticulite, 
caracterizada pela inflamação dos divertículos e tem como fisiopatologia a obstrução ostial do 
divertículo por fezes ou restos alimentares, levando a prejuízos na mucosa e posterior isquemia, 
microperfuração e infecção. Todavia, novos estudos apontam que o estado de inflamação 
crônica e alterações no microbioma intestinal estão envolvidos no processo patogênico 
(Tiralongo et al., 2023). 
A Pancreatite também está entre as principais etiologias do Abdômen Agudo 
Inflamatório, a qual fisiopatologicamente é definida como uma inflamação primariamente 
estéril do pâncreas, caracterizada por ativação enzimática anormal, causando uma reação 
inflamatória com edema, dano vascular e morte celular. Além disso, ela tem como principais 
fatores de risco a doença do cálculo biliar e o abuso de álcool, visto que cada um deles é 
responsável por 30% a 50% dos casos (Beyer et al; Narcis Octavian Zarnescu et al., 2022). Por 
fim, outra causa bastante frequente é a Colangite Aguda, a qual tem como fisiopatologia dois 
fenômenos: a obstrução do trato biliar por um obstáculo, levando à paralisação da circulação 
entero-hepática da bile e ao aumento da pressão intraductal, que é responsável pela secreção 
biliar alterada e gera refluxo biliovenoso e biliolinfático. Tal como, a proliferação bacteriana 
na bile, que normalmente é estéril, uma vez que uma colonização tenha sido vista em indivíduos 
sem infecção do trato biliar (Sokal et al., 2019). 
 
5 EPIDEMIOLOGIA 
 
O abdome agudo inflamatório é uma das principais causas de atendimento médico em 
unidades de pronto atendimento em todo mundo. Embora seu tratamento nem sempre seja 
cirúrgico, é também umas das principais causas de urgências/emergências cirúrgicas. Dentre 
eles, alguns dos mais comuns são: apendicite aguda, colecistite aguda, pancreatite aguda e 
diverticulite aguda. A apendicite aguda é a principal causa de abdome agudo inflamatório em 
todo mundo, ocorrendo 100 novos casos por 100.000 pessoas por ano, sendo mais comum em 
adultos jovens, entre 10 e 30 anos, com maior prevalência no sexo masculino e incomum nos 
extremos de faixas etárias. Além de ter uma prevalência alta, muitas vezes seu diagnóstico não 
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é tão simples, e deve sempre ser lembrado como diagnóstico diferencial para outras afecções 
abdominais pouco claras (Téoule et al., 2020). 
Outra patologia extremamente comum nos atendimentos de emergência é a colecistite 
aguda, podendo essa ser litiásica ( forma mais comum) ou alitiásica. A colelitíase ocorre mais 
usualmente em mulheres, entre 40 e 60 anos, tem como seus principais fatores de risco 
obesidade, dieta rica em gordura e rapidamente digeríveis, gravidez e uso de contraceptivos 
orais. Por ser a causa mais comum de inflamação da vesícula biliar, a colecistite ocorre também 
mais usualmente, na mesma população citada acima. Já a colecistite alitiásica possui uma 
morbimortalidade maior, pois está mais associada geralmente a pacientes mais idosos, mais 
graves e que estão em jejum prolongado, devido a estase biliar. Seu diagnóstico é muitas vezes 
difícil, devido a perda de parâmetros clínicos, mas deve ser sempre considerada em suspeitas 
de abdome agudo obscuros em centros de terapia intensiva. 
A pancreatite aguda tem como principal causa a biliar e como segunda principal, a 
alcoólica, sendo esses os principais fatores de risco. Além deles, a hipertrigliceridemia 
(aproximadamente 10% dos casos) e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) 
também são causas possíveis (Wu et al., 2023). Suas complicações são potencialmente muito 
graves. A incidência é mais comum em pacientes entre 30 e 60 anos. Pacientes com colelitíase 
com histórico de pancreatite biliar, têm chances aumentadas de novos episódios, por isso, em 
casos de pancreatite leve, a colecistectomia deve ser realizada na mesma internação (Beyer et 
al., 2022). 
A doença diverticular do cólon é uma das patologias gastrointestinais mais comuns 
principalmente em países desenvolvidos, muitas vezes é assintomática e tem como principais 
fatores de risco: dieta pobre em fibras, o microbiomaintestinal alterado e fatores genéticos. 
Apesar de sua incidência aumentar com a idade e ser mais comuns em idosos, nos últimos anos, 
houve aumento de ocorrência em jovens, principalmente devido aos hábitos de vida. Sua 
principal complicação é a diverticulite aguda, podendo ocorrer entre 10-25% dos casos. Para 
suas complicações é usada principalmente a classificação de Hinchey, que inclui abscessos e 
peritonites purulenta e fecais, como principais complicações (Tiralongo et al., 2023). 
 
6 DIAGNÓSTICO 
 
Com o intuito de proporcionar uma conduta efetiva, é necessário que seja feita uma 
anamnese precisa e uma exame físico completo, e em seguida, selecionar exames laboratoriais 
e de imagem baseados nas hipóteses estabelecidas, para que assim seja feito um diagnóstico 
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adequado (Farzad Vaghef-Davari et al., 2020). É de extrema importância que todos os 
profissionais de saúde estejam aptos a realizar um exame correto do abdome, compreender a 
significância dos achados e conseguir associá-los com a história clínica e dessa maneira 
formular uma estratégia diagnóstica e uma plano de manejo. Um exame abdominal bem 
realizado fornece pistas diagnósticas para a maioria das patologias gastrointestinais e 
geniturinárias, diminuindo a necessidade de investigações radiológicas dispendiosas (Govender 
et al., 2021). 
Durante a anamnese o paciente deve ser sempre questionado sobre o horário de início 
dos sintomas e o local da dor, assim como a história médica pregressa e as medicações atuais. 
Em crianças e adolescentes, a história e o exame físico devem ser adaptados à idade e ao estágio 
de desenvolvimento do paciente. A experiência do examinador é importante, principalmente 
em pacientes pediátricos (Téoule et al., 2020; UNNY et al., 2022). Além disso, é de extrema 
importância a avaliação do estado geral do paciente, como a avaliação primária, localização da 
dor intra-abdominal e detecção da causa extra-abdominal da dor. Deve-se levar em conta a 
aparência geral e os sinais vitais do paciente, pois isso direcionará a hipótese diagnóstica. 
(Govender et al., 2021). 
As manobras específicas não devem ser negligenciadas, pois auxiliam no diagnóstico 
das causas da dor abdominal. Um exemplo é o Sinal de Carnett, que consiste no aumento da 
dor quando o paciente, em posição supina, tensiona a parede abdominal ao levantar a cabeça e 
os ombros de um apoio, sugerindo dor na parede abdominal. Outros sinais incluem o Sinal de 
Murphy, indicativo de colecistite, e o Sinal do Psoas, associado à apendicite. No diagnóstico 
da dor abdominal, os exames retal e pélvico são indispensáveis. Um exame pélvico pode revelar 
corrimento vaginal sugestivo de vaginite, enquanto um exame retal pode indicar impactação 
fecal, massa palpável ou sangue oculto nas fezes. Além disso, sensibilidade e plenitude no lado 
direito do reto podem sugerir um apêndice retrocecal (Govender et al., 2021) 
Por fim, a escolha dos exames laboratoriais é impulsionada por uma boa história e um 
bom exame físico, estes podem incluir um hemograma completo, marcadores inflamatórios 
como proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação, testes de função hepática, amilase 
e lipase, glicemia, análise de urina, teste de gravidez e sangue fecal e gasometria arterial. Já em 
relação aos exames de imagem, a ultrassonografia é muito utilizada na avaliação da dor 
abdominal por não ser invasiva e não causar riscos de radiação, porém seu uso inadequado pode 
retardar o diagnóstico (Govender et al., 2021). Na pancreatite aguda, o objetivo inicial da 
imagem é estabelecer o diagnóstico se os sinais, sintomas e critérios laboratoriais forem 
inconclusivos (Beyer et al., 2022). Também, a tomografia computadorizada com contraste 
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representa a ferramenta diagnóstica de primeira escolha em pacientes com suspeita de 
diverticulite (Tiralongo et al., 2023). 
 
7 TRATAMENTO 
 
O tratamento do abdômen agudo inflamatório depende, sumariamente, da causa 
subjacente e da gravidade do quadro clínico. Inicialmente, o manejo clínico inclui o uso de 
antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios para controlar a infecção e aliviar a dor. 
Antibióticos são fundamentais no tratamento de infecções intra-abdominais, como apendicite 
aguda, diverticulite e colecistite. A escolha do antibiótico deve ser baseada no espectro de 
cobertura contra os patógenos mais comuns e na resistência local (Massimo Sartelli et al., 
2020). Analgésicos, como o paracetamol e opióides, são usados para aliviar a dor, enquanto 
anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser administrados com cautela para reduzir a 
inflamação, sempre considerando os riscos de complicações gastrointestinais (Sokal et al., 
2019). 
Indicações para intervenção cirúrgica são frequentemente baseadas na gravidade e na 
resposta ao tratamento clínico. Na diverticulite aguda, por exemplo, pacientes com peritonite 
generalizada, abscessos extensos ou fístulas podem necessitar de cirurgia emergencial (Amir 
Qaseem et al., 2022). Por sua vez, a apendicite aguda é outra condição que frequentemente 
requer apendicectomia para prevenir a perfuração e a peritonite. Em casos de pancreatite aguda 
grave, intervenções cirúrgicas ou radiológicas podem ser necessárias para drenar coleções de 
líquidos ou necroses infectadas (Beyer et al., 2022). 
Para cada condição inflamatória, existem procedimentos específicos. A colecistectomia 
é indicada para colecistite aguda, enquanto a colostomia pode ser necessária em casos graves 
de diverticulite com perfuração. A ressecção intestinal pode ser realizada em casos de doença 
inflamatória intestinal com complicações como estenoses ou fístulas. Na pancreatite, 
procedimentos como necrosectomia endoscópica ou cirúrgica podem ser necessários para 
remover tecido necrótico infectado (Wu et al., 2023). 
Os cuidados pós-operatórios são essenciais para prevenir complicações e promover a 
recuperação. A monitorização contínua de sinais vitais, controle adequado da dor e a 
mobilização precoce do paciente são fundamentais. A profilaxia de tromboembolismo venoso 
com anticoagulantes pode ser indicada, assim como a administração de antibióticos profiláticos 
em casos selecionados (Murali; Sahar, 2021). O manejo de complicações pós-operatórias, como 
infecções de feridas, íleo paralítico e deiscência de anastomose, requer uma abordagem 
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multidisciplinar, incluindo cuidados de enfermagem, fisioterapia e nutrição clínica. O manejo 
adequado e oportuno, desde o tratamento clínico até as intervenções cirúrgicas e os cuidados 
pós-operatórios, é crucial para reduzir a mortalidade e morbidade associadas a essas condições. 
 
8 CONCLUSÃO 
 
Portanto o abdômen agudo inflamatório é uma condição de significativa importância 
clínica devido à sua alta incidência e potencial para complicações graves. A abordagem 
diagnóstica precisa, envolvendo anamnese detalhada, exame físico completo e exames 
laboratoriais e de imagem específicos, é essencial para a identificação correta da etiologia e 
direcionamento do tratamento adequado. A apendicite e colecistite são as causas mais 
frequentes, especialmente em adultos jovens e mulheres de meia-idade, respectivamente, 
destacando a necessidade de atenção a fatores de risco relacionados ao estilo de vida. 
O manejo eficaz do abdômen agudo inflamatório requer uma combinação de tratamento 
clínico e, em muitos casos, intervenções cirúrgicas oportunas. A utilização de antibióticos, 
analgésicos e anti-inflamatórios desempenha um papel crucial no controleda infecção e alívio 
da dor, enquanto a cirurgia é frequentemente necessária para tratar condições emergentes, como 
a apendicite e colecistite aguda. O acompanhamento pós-operatório, com foco na prevenção de 
complicações e promoção da recuperação, é igualmente vital. Pesquisas futuras devem 
continuar a explorar métodos preventivos e aprimorar as técnicas diagnósticas e terapêuticas 
para reduzir a incidência e as complicações associadas a essa síndrome. 
 
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