A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
23 pág.
semiologia - semiologiadoaparelhorespiratorio

Pré-visualização | Página 1 de 11

Arlindo Ugulino Netto –SEMIOLOGIA II – MEDICINA P5 – 2009.2
1
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
SEMIOLOGIA II
SEMIOLOGIA DO APARELHO RESPIRATÓRIO APLICADA
(Professor Agostinho Neto)
O sistema respiratório costuma ser dividido em trato respiratório superior (compartimento nasofaríngeo) e trato 
respiratório inferior (com os compartimentos traqueobrônquico e alveolar). A estrutura que marca a divisão de ambas 
as partes é a glote.
 Vias respiratórias superiores: fossas nasais, nasofaringe, orofaringe e laringe. Estas vias, além de servirem como 
conduto aéreo, desempenham um papel de condicionador do ar inspirado, fazendo com que ele chegue aos locais das 
trocas gasosas numa temperatura de aproximadamente 37ºC.
 Vias respiratórias inferiores: compreendem a traquéia e a árvore brônquica ou ductos alveolares e alvéolos. A traquéia
localiza-se anteriormente ao esôfago e se bifurca, em nível da 4a vértebra torácica (nível correspondente ao ângulo de 
Louis ou sínfise manúbrio-esternal), dando origem aos dois brônquios principais, um direito (mas vertical, menor e 
mais calibroso) e um esquerdo (mais horizontal, maior e menos calibroso). O esporão formado por essa divisão é chamado 
de carina da traquéia. Cada brônquio principal se divide em brônquios secundários que correspondem à cada lobo do 
pulmão (3 lobos no direito e 2 no esquerdo).
Os pulmões são dois órgãos aéreos de parênquima elástico localizados nas cavidades pulmonares, 
bilateralmente ao mediastino. O pulmão direito apresenta 3 lobos (superior, médio e inferior) e o esquerdo, 2 lobos 
(superior e inferior). Cada lobo é dividido em segmentos menores: os segmentos broncopulmonares, que apresentam 
forma piramidal, com a base voltada para a periferia e o vértice para o hilo.
A pleura é uma estrutura única e contínua com dois folhetos. O folheto parietal reveste a face interna da 
parede torácica aderindo-se aos arcos costais, graças a um tecido músculo-ligamentoso (fáscia endotorácica). 
Chegando ao hilo, reflete-se sobre si mesma (pleura mediastínica) fixando-se ao pulmão, quando adquire, então, o 
nome de pleura ou folheto visceral. Este folheto insinua-se entre os lobos formando as cissuras. O espaço entre os 
dois folhetos pleurais é virtual e é banhado por uma serosidade num ambiente de pressão negativa.
OBS1: Circulação pulmonar. A circulação pulmonar compõe-se de dois sistemas: a grande (circulação geral, 
realizada pela artéria pulmonar) e pequena circulação (circulação própria, realizada pelas artérias brônquicas). A artéria 
pulmonar conduz sangue venoso do ventrículo direito aos capilares alveolares. As artérias brônquicas são ramos 
diretos da aorta torácica e responsáveis pela nutrição dos pulmões, especialmente em suas porções mais centrais.
RESPIRA‚O
A respiração compreende quatro processos, cuja finalidade é a transferência de O2 do exterior até o nível 
celular e a eliminação de CO2, transportado no sentido inverso:
 Ventilação pulmonar: a ventilação pulmonar tem por objetivo levar o ar até os alvéolos, distribuindo-o 
adequadamente.
 Trocas gasosas: por diferença de pressão parcial dos gases envolvidos (O2 e CO2), no alvéolo e no sangue, 
ocorre a passagem dos mesmos através da membrana alvéolo-capilar.
 Transporte sanguíneo dos gases: a circulação sistêmica promove a distribuição periférica do oxigênio e a 
extração do CO2, havendo a participação de múltiplos mecanismos, tais como captação de O2 pela 
hemoglobina, sistema tampões, além de outros.
 Respiração celular: é a etapa terminal de todo o processo e sua 
finalidade maior.
VENTILAÇÃO
É o processo pelo qual o ar chega até os alvéolos, distribuindo-se 
adequadamente, para que possa entrar em contato com os capilares 
pulmonares, onde se farão as trocas gasosas. A ventilação ocorre por ação 
da musculatura respiratória, que para isso, contraem de forma adequada 
e coordenada, de modo a aumentar ou reduzir o volume da cavidade 
torácica.
A inspiração é um processo ativo que depende fundamentalmente 
da contração do diafragma e de outros músculos denominados acessórios: 
intercostais externos, paraesternais, escalenos, esternocleidomastóideo, 
trapézios, peitorais e os músculos abdominais.
Arlindo Ugulino Netto –SEMIOLOGIA II – MEDICINA P5 – 2009.2
2
A expiração é passiva, realizada pela força de retração elástica dos pulmões pelo relaxamento dos músculos 
inspiratórios.
A ventilação normalmente é mantida sob o controle dos centros respiratórios no bulbo. Diferentes doenças 
podem afetar a ventilação à medida que:
 Aumentem a carga de trabalho dos músculos respiratórios repentinamente (Ex: asma brônquica aguda);
 Aumentem o trabalho da respiração pela obstrução ao fluxo de ar (Ex: doença pulmonar obstrutiva crônica);
 Doenças neuromusculares em que as funções dos músculos respiratórios estivessem comprometidas (Ex: 
poliomielite; Guillain-Barré, miastenia grave)
RELAÇÃO VENTILAÇÃO/PERFUSÃO
Em um indivíduo normal, na posição ortostática, encontra-se predomínio de perfusão sanguínea nas bases 
pulmonares, que diminui gradativamente em direção aos ápices. Assim como a perfusão, a ventilação também não é 
uniforme, havendo evidências de ser menor nos alvéolos dos ápices do que nas bases pulmonares.
As alterações da relação ventilação/perfusão podem ser:
 Efeito shunt: o alvéolo está hipoventilado e normalmente perfundido.
 Shunt: o alvéolo não está ventilado, mas continua perfundido.
 Efeito espaço-morto: seria o volume de ar alveolar que não participa das trocas gasosas na hipoperfusão do 
alvéolo, que, no entanto, está normoventilado.
 Espaço-morto: alvéolo não-perfundido, porém ventilado.
A soma do espaço-morto anatômico com o efeito espaço-morto e o espaço-morto alveolar e denominada 
espaço-morto fisiológico, este representando o volume de ar que inspiramos mas que não participa de trocas gasosas.
DIFUSÃO
Difusão é um mecanismo pelo qual um gás se movimento de uma região para outra. É um processo passivo, 
pois os gases respiratórios difundem-se de regiões de pressões mais altas para regiões com pressões mais baixas. O 
mecanismo da difusão está deficiente em pulmões enfermos.
ANATOMIA CLƒNICA
O estudo da anatomia clínica pulmonar inclui a projeção dos pulmões na parede do tórax, a determinação de 
linhas e a delimitação de regiões torácicas.
PROJEÇÃO DOS PULMÕES NA PAREDE TORÁCICA
Os ápices pulmonares ultrapassam de 3 a 4 cm a borda superior das clavículas, alcançado assim, a raiz do 
pescoço. O volume do ápice direito é ligeiramente menor que o do esquerdo e está mais próximo da traquéia.
Há alguns pontos de referência no tórax que merecem ser assinalados:
 Ângulo de Louis: constituído por uma saliência transversal que se nota na junção do manúbrio do esterno 
com o corpo do esterno, correspondente à articulação da 2ª costela. No dorso, o ângulo de Louis projeta-se na 
altura da 4ª vértebra torácica.
 Ângulo de Charpy (ângulo epigástrico): formado pelas duas rebordas costais, servindo para caracterizar o 
biótipo. Corresponde ao encontro das costelas inferiores com a porção inferior do corpo do osso esterno.
 Vértebra proeminente: eminência cutânea na face inferior do dorso do pescoço produzida pelo processo 
espinhoso da 7ª vértebra cervical. Marca o local em que os ápices pulmonares se projetam na parede torácica.
A contagem das costelas e dos espaços intercostais faz-se de cima pra baixo, seguindo-se a linha 
paraesternal. Como o ângulo de Loius sempre corresponde à 2ª costela, logo abaixo dele está o 2º espaço intercostal. 
Além desta referência, como a primeira costela e o 1º espaço intercostal são encobertos pela clavícula, o 2º espaço 
intercostal situa-se logo abaixo da clavícula.
LINHAS TORÁCIAS VERTICAIS
Excetuando-se a linha médio-esternal e a linha médio-espinhal ou espondiléia, todas as outras são duplas, 
havendo uma em cada hemitórax:
 Linha médio-esternal: