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Onde estarei daqui a 30 anos

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Onde estarei daqui a 30 anos? Ate quantos anos irei viver? Essas perguntas que fazemos durante a vida são incertas, como todo o sentido da vida, existindo apenas uma única verdade de que não se pode fugir: A morte.
No momento em que nascemos já estamos morrendo. Dia após dia morremos e não paramos para ver o sentido da vida. Sempre que pararmos para pensar sobre a vida, varias coisas ficam sem resposta, mas a morte torna-se a única certeza de que um dia, mais cedo ou mais tarde, estaremos fora para sempre desse mundo (não levando em consideração qualquer tipo de religião).
Quando se é criança, a crença de morte é descartada, vaga para uma visão imatura e inexperiente, já que crianças se espelham em experiências adultas. Elas acham que coisas importantes acontecem apenas com os mais velhos, o que causa a interpretação de morte supérflua. Mas há uma curiosidade; nessa fase da vida, a criança diz que vai morrer quando estiver bem velhinha, já que essa perspectiva de morte é a única “entendida” por elas e também passada pelos pais, familiares e amigos; mas a morte é relativa. Tanto faz ter 1 ano ou 100 anos, a morte é igual para todos. Ela não distingue novo e velho, pobre e rico. Só que enxergá-la nessa perspectiva é difícil para uns e demorada para outros. Como dizia Pascal: “Nem a morte nem o Sol podem ser olhados de frente”.
Quando estendemos a morte do “eu” (não a morte do “outro”, mas do seu Eu (self) único e pessoal, começamos enfim a pensar). Começamos a compreender a diferença entre aprender ou copiar um pensamento alheio e ter um pensamento propriamente, verdadeiramente nosso. Esse pensamento apodera-se e não se pode ignorá-lo. Nem ao menos nossas crenças religiosas aliviam a morte iminente. Iminente pelo simples fato de estarmos vivos. Como diz o ditado popular: “Para morrermos, só basta estarmos vivos”.
Criamos nossa filosofia a partir do momento que começamos a pensar no “eu”, e a morte é a chave fundamental para essa iniciativa. Amadurecemos quando a idéia de morte cresce em nós, o que por um lado, a certeza de morte nos humaniza e por fim, nos deixas “mortais”. 
Pois, metaforicamente, os outros seres não humanos não são mortais, já que não pensam e sendo assim, não sabem que vão morrer, que tem que morrer; morrem sem saber quem são, sua ligação com ela. Nem a planta nem os animais estão vivos no mesmo sentido que os humanos, já que temos a sabedoria de que iremos um dia morrer (mesmo assim, a maioria das pessoas não dão valor ao “presente” que tem em mão e estragam suas vida, levando-as sem sentido). Entendemos isso, pode-se dizer que a morte da sentido a vida. Sentido de viver, de lutar pela vida, já que única certeza é que no final a morte nos chegará. Essa iminência da morte é o mais importante questionamento, pois ela da o sentido da nossa vida, fazendo de cada fase da vida uma experiência de desenvolvimento humano.
Sem a morte, viver não teria sentido. Mas no momento que tomamos convicção da morte, nos perguntamos: O que outras coisas sabemos dela? Quase nada. O que se espera depois da morte? Uma espécie de lugar onde você pensa no que fez durante a vida? Esses pensamentos de salvação e luz são vagos, já que a morte é o fim, onde tudo termina sem o propósito de outra vida surgir perante essa verdade. 
Mas uma coisa sabe-se: não se morre pelos outros. Ter em mente a troca de uma vida pela outra é apenas adiar o inevitável. Dar uma vida salvação de outra não tira o sentido da morte, fazendo com que a outra apenas “vida um pouco mais”. A divida que temos com ela deve ser paga por cada um com a própria morte. Afinal de contas, podem comer meu almoço, transar com quem se gostaria; poderiam me alimentar a força, mas a morte é individual. O primeiro individualismo do ser humano e que nos iguala como humanos. Sendo assim, ninguém é menos que ninguém, mas ninguém pode ser outro que não é. Nascemos únicos e morremos únicos.