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Predominava entre os invasores o direito de origem costumeira, particularista, 
rudimentarmente desenvolvido e fortemente impregnado de sentido comunitário. Os usos da tribo 
 
ascendiam à categoria de lei mediante sua definição pelo órgão judicial, a assembléia, no 
julgamento dos casos concretos. As decisões constituíam precedentes e se aplicavam com força 
legal. O direito era, ao mesmo tempo, de origem popular e judicial, conservado pela tradição oral. 
Ensina Paulo Dourado: 
―Caracteriza-se a Idade Média pelo pluralismo de ordens jurídicas: 
direito romano vulgar (sul da França, Itália), direito consuetudinário 
(Inglaterra), direito bárbaro, direito romano vulgar (Sul da França), 
direito dos senhorios, direito das corporações de mercadores ou de 
ofícios, direito das cidades e o direito canónico, vigentes muitas vezes 
no mesmo território. Pluralismo resultante da política jurídica adotada 
pelos gcnnanos impondo o princípio da personalidade das leis, 
segundo o qual a "nacionalidade" da pessoa determina o seu estatuto 
jurídico: germanos, direito germânico; latinos, direito romano vulgar, e 
clérigos, direito da Igreja‖.
65
 
 
1.1 - Sistema Feudal 
 
É importante uma breve nota sobre o, que muito consideram como um sistema desumano 
e completamente afastado do Direito, muito pelo contrario ele é apoiado no Direito e tem tudo a 
ver com a luta da sobrevivência pelas armas e pela alimentação. 
Ensina - John Gilissen: 
 
O feudalismo é caracterizado por um conjunto de instituições das 
quais as principais são a vassalagem e o feudo. Nas relações feudo-
vassálicas, a vassalagem é o elemento pessoal: o vassalo é um homem 
livre comprometido para com o seu senhor por um contrato solene pelo 
qual se submete ao seu poder e se obriga a ser-lhe fiel e a dar-lhe ajuda e 
 
63
 - JOHN GILISSEN, ―Introdução Histórica do Direito” Fundação Calouste Gulbenkian – Lisboa,1986, p136 
64
 Cf. JOSÉ CARLOS Moreira Alves. Direito Ro mano, Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 65. 
65
 Cf. PAULO DOURADO de Gusmão, Introdução ao Estudo do Direito, Rio de Janeiro: Forense, 2002, p.300. 
 
 
38 
 
conselho (consilium et auxiliam), enquanto o senhor lhe deve 
protecção e manutenção. A ajuda é geralmente militar, isto é, o serviço a 
cavalo, porque a principal razão de ser do contrato vassálico para o 
senhor é poder dispor duma força armada composta por cavaleiros. 
O feudo é o elemento real nas relações feudo-vassálicas; consiste numa 
tenência, geralmente uma terra, concedida gratuitamente por'um 
senhor ao seu vassalo, com vista a garantir-lhe a manutenção 
legítima e dar-lhe condições para fornecer ao seu senhor o serviço 
requerido.
66
 
 
2 - Direito Germânico 
Importante característica do direito germânico era a chamada personalidade das 
leis. O direito romano, pelo menos depois que o império atingiu a expansão máxima, no século II, 
consagrava, ainda que com exceções, o princípio da territorialidade, segundo o qual o direito 
aplicável às pessoas que se acham no território do estado é o direito do próprio estado, 
independentemente da condição nacional ou da origem étnica de seus habitantes. O direito 
germânico, ao contrário, principalmente depois que se generalizou à convivência com a população 
romana, nos séculos IV e V, considerava que o estatuto legal da pessoa era uma prerrogativa 
desta, determinada por sua procedência ou nacionalidade. 
 
A coexistência entre romanos e bárbaros tornou-se ameaçadora para as instituições e 
os costumes jurídicos destes últimos, ante o impacto de uma civilização mais avançada. Por outro 
lado, com o curso do tempo e a ocorrência de freqüentes migrações, com casamentos entre 
pessoas de nacionalidades diferentes e o nascimento de descendentes dessas uniões, a aplicação 
do direito foi-se tornando problema dos mais difíceis. Alguns reis bárbaros mandavam compilar os 
direitos de seu povo e os dos povos vencidos, pelo sistema romano de codificação, o que 
contribuiu para que, aos poucos, se firmasse o princípio da territorialidade das leis. 
 
As leis bárbaras ordenaram os usos e costumes das tribos na forma escrita, 
recolhendo a influência de princípios do direito romano, mediante compilações do período pós-
clássico, das constituições imperiais e da jurisprudência. Nessas codificações, as leis ou a 
jurisprudência romana podiam aparecer justapostas, sem modificações, ou resumidas, modificadas 
e intercaladas. 
Como resultados do sistema de leis pessoais adotados pelos germanos, citam-se entre 
outros estes estatutos: Lex Romana Wisigothorum, Lex Romana Burgundiorum e Edictum 
Theodorici: 
a) - A Lex Romana Wisigothorum, elaborada por determinação de AlaricoII, vigorou 
entre o ano 506 e 654 para ser aplicada aos latinos do reino visigótico na França, Itália, 
Espanha e Portugal, Em seu conteúdo, distinguem-se extratos dos códigos Gregoriano, 
Hermogeniano e Teodosiano, além de um resumo das sentenças de Paulo, das institutas de 
Gaio e das respostas de Pepiniano. Essa codificação ficou ainda conhecida por Breviarium 
Alarici. A Lex Romana Wisigothorum vigiu até 654 quando entrou em vigor o ―Libre 
Judiciorum,‖ que era uma consolidação do Direito Germânico, Direito Romano e Direito 
Canônico, tento exercida profunda influência na formação do Direito da Espanha e de Portugal. 
b) - A Lex Romana Burgundiorum, promulgada por Gondebaldo provavelmente no ano 
517, aplicava-se aos súditos romanos da Borgonha. Com exceção das respostas de Pepiniano, 
suas fontes são as mesmas da Lex Romana Wisigothorum. 
 
66
 - JOHN GILISSEN, ―Introdução Histórica do Direito” Fundação Calouste Gulbenkian – Lisboa,1986, p198 
 
 
39 
 c) - O Edictum Theodorici foi promulgado por Teodorico entre os anos 500 e 506. Esse 
estatuto abrange um resumo do direito aplicável aos romanos e aos ostrogodos no reino que 
estes fundaram na Itália. 
Ensina o mestre Paulo Dourado: 
O pluralismo jurídico resultante dos direitos das cidades, dos 
direitos feudais e dos direitos consuctudinários constituía grave ameaça para 
a unidade política do que restava de reinos, artificialmente divididos, e de 
nações em gestação. Casualmente, foi encontrada a solução para esse 
problema com a descoberta, no século XI, em Amalfi, no sul da Itália, de um 
texto completo do Digesto (Pandecta) de Justi-niano. Era o direito que faltava à 
Europa medieval, para organizar a vida social em bases mais estáveis. Irnério, 
gramático erudito da Universidade de Bolonha, que viveu na segunda metade do 
século XI, entregou-se ao estudo desse texto, formulando interpretações 
(glosas) do mesmo. Glosas que, no século XII, eram numerosas, formuladas 
nas entrelinhas do texto (glosa iníerlinear), e depois, à margem dos mesmos 
(glosa marginal) adaptando-o ao mundo medieval. Inicia-sc, então, com os 
Glosadores de Bolonha, o renascimento do direito romano na Idade Média. De-
ve-se esse ressurgir aos juristas das Universidades italianas, principalmente 
a Accursius (1184-1263) e Bártolo (1313-1357), fundadores da ciência jurídica 
romanizada e da Escola de Comentadores. Do trabalho dos glosadorcs resultou 
novo direito romano adaptado à sociedade medieval cristianizada, que, na 
Idade Moderna, se transformou em direito comum por ser vigente em toda a 
Europa. Vigiu até o fim do século XIX, como ratio scripla (razão escrita), ou 
seja, direito por excelência.
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O DIREITO CANÔNICO 
1 – Introdução. 
 
O Direito Canônico surgiu e desenvolveu-se na Idade Média é o direito da comunidade 
religiosa dos cristãos, mais especialmente o direito da Igreja Católica Apostólica Romana. O termo 
cânon vem do termo grego (Kanoon= regula, regra), empregado nos primeiros séculos da igreja 
para designar as decisões dos concílios.