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Direito Processual Civil

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VIII.4 - ALGUNS PRINCÍPIOS ADOTADOS EM RELAÇÃO AOS PRAZOS 
 
1.- Paridade de tratamento – Exceções 182 e 188 
2.- Brevidade – terminar o mais rápido possível – não perpetuação das demandas. 
 
VIII.5 - LUGAR DOS ATOS PROCESSUAIS 
Regra Geral 
 Na sede do Juízo (176) 
Exceções 
a) No Juízo 
1) Por deferência – Presidente/ Governadores/ Deputados/ 
Prefeitos/M.P. 
2) Por interesse da justiça – Inspeção judicial 
3) Por obstáculo – Testemunha enferma/ interrogatório do 
interditando (1.181) 
 
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b) Fora do Juízo 
Cartas (202 ss) 
Prazo (203) 
 
Precatórias – Carta especial que um juiz requisita de outro, de igual ou superior 
categoria, o cumprimento de determinado ato, no lugar ou sobre jurisdição deste, 
dentro do território nacional. 
 
Rogatórias – Carta que a justiça de um país dirige à de outro, pó via diplomática, 
deprecando o cumprimento, no seu território, de determinada diligência, ou a 
execução de uma carta de sentença. 
 
De ordem – A que um juiz requisita de outro, de categoria inferior, e seu 
subordinado, fora da circunscrição jurisdicional do deprecante e na do deprecado, a 
realização de certo ato ou diligência, cujo prazo de cumprimento é prefixado. 
 
 
VIII.6 - BREVES CONSIDERAÇÃOS SOBRE PRAZOS PROCESSUAIS 
 
1-Introdução: 
 
Sob pena de preclusão, os atos processuais serão realizados nos prazos 
previstos em lei, conforme preceitua o art. 177 do Código de Processo Civil. 
 
Para efeito conceitual, deve-se entender o prazo processual como o período 
em que o ato processual da parte pode ser validamente praticado. Esse prazo é 
determinado por dois momentos ou termos. Assim, há o momento ou termo inicial, 
quando se inicia a faculdade de a parte realizar o ato processual. Esse termo inicial 
também é conhecido como dies a quo. Há, ainda, o momento ou termo final, quando 
se encerra essa mesma faculdade, denominado dies ad quem. Ou seja, em um primeiro 
instante, emerge a faculdade para a prática do ato, e, findo o prazo para a sua 
concretização, extingue-se aquela faculdade, realizado ou não o ato. 
 
2-Classificação: 
 
Existem diversas classificações para os prazos processuais, dentre as quais 
destacamos a que seguem. 
 
2.1-Prazos legais, judiciais e convencionais 
 
Os prazos legais são aqueles que, como o próprio nome indica, vêm 
estabelecidos em lei. Assim, por exemplo, é legal o prazo para a apresentação de 
contestação no rito ordinário, que, segundo o art. 297 do Código de Processo Civil, é 
de quinze dias. 
 
 
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Os prazos judiciais são aqueles que, não indicados em lei, são estabelecidos 
pelo juiz, segundo critérios de razoabilidade. Dentre estes, destacamos as datas de 
audiências ou os prazos para o cumprimento de cartas precatórias. 
 
Os prazos convencionais, menos comuns em vista da cogência típica das 
normas processuais, são aqueles ajustados livremente por acordo das partes no 
processo. Como exemplo desses prazos podemos mencionar a disposição do art. 265, 
II, do Código de Processo Civil, que possibilita a suspensão do processo pelo prazo 
acordado entre as partes. 
 
2.2-Prazos comuns e prazos particulares 
 
Os prazos comuns são aqueles estabelecidos simultaneamente para as duas 
partes, correndo a um só tempo para ambas. 
 
Os prazos particulares são aqueles abertos no interesse de uma só das partes. 
Por exemplo, o prazo para contestar é aberto única e exclusivamente em favor do 
réu. 
 
2.3-Prazos próprios e prazos impróprios 
 
São próprios os prazos fixados para as partes. Assim, por exemplo, é próprio 
o prazo para a juntada de contestação ou prazo para ingresso com recurso. 
Impróprios são os prazos concedidos ao juiz e aos demais auxiliares de justiça para a 
concretização do ato processual. Como exemplo de prazo impróprio teríamos o 
disposto nos arts. 189 e 190 do Código de Processo Civil. No processo penal, 
exemplos de prazo impróprios seriam os previstos nos arts. 799 e 800 do Código. 
 
3.Contagem dos prazos 
 
Salvo disposição em contrário, inicia-se a contagem do prazo com a exclusão 
do seu termo inicial e a inclusão do seu termo final – na forma do art. 184 do Código 
de Processo Civil. 
 
O termo inicial dos prazos vem insculpido no art. 241 do Código de Processo 
Civil. No dia seguinte aos atos ali indicados, inicia-se a contagem dos prazos, como 
determina o art. 184 do mesmo Código. 
 
Na sua contagem, os prazos não se interrompem nos feriados (art. 178 do 
CPC) – são contínuos. Se houver feriado no curso do prazo, não coincidindo com o 
final de sua contagem, será ele considerado normalmente para o seu transcurso. 
 
Haverá suspensão dos prazos – com reinício de sua contagem – nos casos 
excepcionais de encerramento das atividades forenses antes do horário normal de 
funcionamento ou de determinação de fechamento do fórum (art. 184, § 1º, I e II, do 
CPC). 
 
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Da contagem do prazo não se exclui o termo final (como ocorre com o termo 
inicial). Portanto, o último dia do prazo, assinalado na lei ou por determinação 
judicial, deve ser considerado para efeitos de contagem. 
 
No caso do Estado ou Ministério Público, em vista do interesse público, os 
prazos para a contestação assinalados em lei devem ser quadruplicados e os prazos 
legais para recursos devem ser contados em dobro (art. 188 do CPC). 
 
Se não existir indicação legal ou determinação judicial, no despacho ou 
decisão, “será de cinco dias o prazo para a prática de ato processual a cargo da parte” 
(art. 185 do CPC). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2 – DO PROCESSO DE CONHECIMENTO 
 
 
I - FORMAÇÃO DO PROCESSO 
 
Processo. Natureza jurídica. Relação processual; características: 
 
 O processo é a soma de atos que objetivam determinado fim: solucionar litígios 
(processo de conhecimento), efetivar direito já reconhecido (processo de 
execução), prestar cautela a outro processo, para sua realização prática (processo 
cautelar). 
 
 Quanto a sua natureza, o processo é relação jurídica inteiramente autônoma e 
independente de qualquer outra de direito material que nele se deduza. 
 
 A relação jurídica processual é uma, pois, embora se desenvolva através de uma 
série de atos, tem objetivo único. Una, complexa e dinâmica. 
 
 
Iniciativa da parte. Atividade substitutiva da jurisdição. Impulso oficial: 
 
 A atividade da jurisdição é substitutiva. Ao regular o caso concreto, ou dando 
efetivação ao que já está devidamente acertado, o juiz faz o que deveriam fazer as 
partes: a autocomposição do litígio, ou a realização voluntária das obrigações. 
 
 O juiz não age de ofício na instauração do processo civil. A tutela jurisdicional 
apenas é prestada quando a parte o requerer (art. 2º). 
 
Impulso oficial e princípio dispositivo. Rápida solução dos litígios: 
 
 O impulso oficial não nega o princípio dispositivo, informativo do processo. O 
juiz não pratica atos privativos das partes. Pode, é certo, em determinados 
momentos, ordenar até o cumprimento de atos probatórios (art. 130), mas apenas 
excepcionalmente e em caráter complementar. 
 
 O juiz deve velar pela rápida solução do litígio (art.125,II). Cumpre ele seu mister 
não apenas indeferindo diligências inúteis ou meramente protelatórias (art. 130, 
segunda parte), mas também forçando as partes à prática de atos essenciais do 
processo ou a ele dando andamento com conseqüências específicas,