A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
126 pág.
Apostila de Bioclimatologia I

Pré-visualização | Página 11 de 43

DO EFEITO DA TEMPERATURA NO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE 
 
 
 
Temperatura Frequência Ventilação 
Elevada altera Respiratória altera Alveolar 
 
 
 provoca 
 
 
no sangue _ Decréscimo na pressão de CO2 
 
 _ Aumento de pH 
 
 
 
resultando 
 
 
 
 
 
 _ Redução de secreção ácida tubular renal 
 
 _ Aumento da taxa de eliminação de bicarbonato de sódio 
 via urina e sudorese 
 
 
 
 
 
O aumento na taxa de eliminação de bicarbonato de sódio através da 
urina e sudorese pode ser uma resposta compensatória ao aumento de pH no 
sangue. Assim, essas alterações no equilíbrio ácido-base pode induzir à alcalose 
respiratória (SCHNEIDER e colaboradores) e interferir no fluxo de substratos 
tamponantes para as glândulas salivares (BEEDE & COLLIER). 
A ampliação das perdas evaporativas com a elevação da temperatura 
ambiente, tendem a aumentar a eliminação de substâncias iônicas como sódio 
(Na), potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca) e cloro (Cl), isto porque o aumento 
na reciclagem de água requer um incremento associado da reciclagem eletrolítica 
para mover a água através de vários fluidos para a superfície evaporativa 
(MATOS). 
Segunda a literatura, dentre os macrominerais que tem seus requisitos 
alterados na hipertermia, destacam-se o K e Na, em decorrência da elevada 
eliminação de cloreto de potássio (KCl), bicarbonato de potássio (KHCO3) e 
bicarbonato de sódio (NaHCO3) pelo suor e urina, respectivamente. 
 
 
 
34
A adaptação metabólica necessária, objetivando acomodar as 
alterações na utilização de nutrientes na hipertermia resulta na alteração da 
concentração de vários hormônios no sangue, principalmente os diretamente 
envolvidos com o mecanismo homeostático e com a partição de nutrientes 
(BAUMAN & CURRIER; BEEDE & COLLIER). 
Dentre os hormônios associados com a adaptação ao stress térmico 
estão a prolactina, hormônio do crescimento (GH), glicocorticóides, hormônio anti-
diurético (ADH), aldoesterona, epinefrina, nor-epinefrina e tiroxina (TH) (BEEDE & 
COLLIER). 
A maioria das respostas hormonais a hipertermia estão associadas a 
alteração na reciclagem de água e eletrolítica. Assim o aumento na concentração 
de ADH está claramente associado à necessidade de conservar e aumentar a 
ingestão de água. Do mesmo modo, a baixa concentração de aldosterona, é um 
reflexo da necessidade de conservar potássio (K), em razão da elevação da 
concentração deste mineral no suor dos ruminantes e aumentar a perda de sódio 
(Na) através da urina (BEEDE & COLLIER). 
Segundo COLLIER e colaboradores, a função fisiológica da prolactina 
na adaptação ao stress térmico ainda não é conhecida, possivelmente, o aumento 
observado na concentração pode estar diretamente relacionado com o metabolismo 
de potássio (K), tendo em vista que o aumento de potássio (K) na dieta, reduz 
marcadamente a taxa deste hormônio no plasma de bovinos. 
A literatura reporta, que a alteração nas concentrações de epinefrina e 
nor-epinefrina, estão provavelmente relacionadas ao aumento na atividade das 
glândulas sudoríparas, já que os mesmos são estimulados através da regulação 
adrenérgica. 
Vários trabalhos citam, que as baixas concentrações dos hormônios 
metabólicos tais como tiroxina, corticosteróides e hormônio do crescimento, são 
decorrentes da redução no metabolismo, como forma de adaptação ao stress 
térmico. 
E a primeira reação dos animais a um ambiente quente e à 
vasodilatação periférica, resultante da queda da pressão sangüínea com 
conseqüente diminuição da freqüência cardíaca. Por outro lado, uma elevação da 
temperatura ao nível do nódulo sino-atrial causando um aumento na frequência 
cardíaca. O aumento ou diminuição da frequência cardíaca está na dependência da 
intensidade de stress a que estão submetidos os animais (GAYÃO). 
 A temperatura da pele pode variar independentemente da 
temperatura retal, pois além de estar relacionada a condições fisiológicas como 
vascularização da pele e taxa de sudorese, por ser uma temperatura de superfície; 
depende principalmente de fatores externos de ambiente como temperatura e 
umidade do ar, radiação solar e vento. Em geral, em ambiente quente, a 
temperatura da pele se eleva. 
 Em ambiente quente de modo geral, os animais reduzem a taxa 
metabólica como um dos mecanismos de adaptação fisiológica para evitar a 
sobrecarga de calor no organismo (GAYÃO). 
 SEIF e colaboradores observaram, em vacas secas vazias da raça 
Holandesa, que a taxa metabólica reduziu-se em 15,9% com animais à temperatura 
e umidade relativa do ar de 32ºC e 50% por cinco semanas, que quando mantidas 
a 18ºC e 50%, pelo mesmo período. 
 Segundo GAYÃO, alguns estudos tem sido realizados na tentativa de 
se determinar a relação entre a freqüência cardíaca e a produção de calor nos 
animais, a fim de se verificar a possibilidade de se usar essa relação para estimar a 
taxa metabólica em algumas espécies. Entre eles, o de HOLMES e colaboradores, 
 
 
 
35
no qual a freqüência cardíaca esteve altamente (estatisticamente) relacionada com 
a produção de calor de bezerros Jersey entre 6 e 30 semanas de idade. 
 Submetidas a um stress térmico agudo (45ºC por 24 horas), bodes 
Jamnapari aumentaram a produção de calor metabólico em 52,6 kcal/kg/dia, após 
serem mantidos a 18,5ºC por 24 horas (JOSHI e colaboradores). 
 Trabalhando com cabras beduínas expostas ao sol e à sombra, 
DMI’EL e colaboradores verificaram uma redução de 10,7% no consumo de 
oxigênio das cabras ao sol, quando comparada à sombra. 
 Entretanto GAYÃO, trabalhando com cabritos Saanen, em São Paulo, 
não encontrou relação entre a taxa metabólica e frequência cardíaca. Semelhante 
resultado foi obtido por BROCKWAY & McEWAN os quais não encontraram relação 
entre a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio em respostas ao frio em 
ovelhas. 
 
 
 
 
Modalidades de dissipação térmica nos
bovinos
Temperatura ambiente ºC
D
is
si
pa
çã
o 
Té
rm
ic
a 
To
ta
l %
10 15 20 25 30 35
0
25
50
75
100
DISSIPAÇÃO TÉRMICA
NÃO EVAPORATIVA
DISSIPAÇÃO TÉRMICA
POR EVAPORAÇÃO
CUTÂNEA
DISSIPAÇÃO TÉRMICA POR
EVAPORAÇÃO PULMONAR
 
 
 
FIGURA 8. Modalidades de dissipação térmica nos bovinos, por evaporação e não 
evaporação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36
Efeito da temperatura na ingestão de alimentos, de água e nos hábitos 
de pastejo 
 
 
 Em regiões tropicais, onde a temperatura ambiente excede por longo 
período de tempo, o limite de tolerância ao calor, a redução na ingestão de 
alimentos funciona como uma estratégia fisiológica do organismo para a 
homeotermia. 
 
 Alguns autores reportam, que possivelmente, o excesso de calor 
ambiental atue de forma direta no hipotálamo, com inibição da atividades no centro 
do apetite, reduzindo assim a ingestão de matéria seca. 
 O consumo de alimento é ainda influenciado pela composição da 
dieta e sistema de criação utilizado, em manejo extensivo essa inibição é resultante 
da redução na atividade de pastejo (BEEDE & COLLIER). 
 Vários estudos tem mostrado a redução expressiva na ingestão 
voluntária de alimentos pelas vacas leiteiras em ambiente acima de 30ºC, conforme 
Quadro 4 (MATOS). 
 
 
QUADRO 4. Efeito do stress térmico no consumo de alimentos. 
 
 
Temperatura 
(ºC) 
Umidade Relativa 
(%) 
Redução de 
Consumo (%) 
Referências 
32 20 - 50 20 DAVIS & MERILAN 
32 - 20 VANSOEST e col. 
32 20 - 45 15 JOHNSON & 
VANJONACK 
37 80 15 SCHNEIDER e col. 
37 - 13 MALLONÉE e col. 
41 - 10 SCHNEIDER e col. 
 
 
 
 
 A redução no consumo