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Apostila de Bioclimatologia I

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nas HS. 
 As raças reagem diferentemente às quantidades e qualidades das 
forragens disponíveis. FRISCH & VERCOE, cita que os animais AX e BX tem a 
capacidade de alterar o índice metabólico com maior rapidez que o HS para 
adaptar-se a disponibilidade de alimentos (o que poderia ter importância especial 
durante os períodos da seca). Estas disposições na utilização das forragens 
contribuem em proporção diversa, segundo as flutuações do estado nutricional, 
para a distinção de peso vivo entre HS e os BX. Os autores estimam a diferença 
em 10%, nas condições existentes em Belmont, Austrália. 
 Cada um dos fatores limitantes ambientais contribuem em menor ou 
maior grau para determinar o crescimento dos diversos genótipos, principalmente 
devido a uma redução na ingestão de alimentos. Em condições de campo, em que 
intervém carrapatos, helmintos gastrintestinais; o calor, nutrição e a ingestão de 
alimentos, a percentagem de crescimento dos HS apresentará uma notável 
depressão. Os Brahma dificilmente serão afetados enquanto os animais AX 
sofrerão mais que os BX. Apesar do pequeno efeito dos fatores limitantes 
ambientais sobre ingestão voluntária de alimentos dos Brahma, estes nas 
condições de Belmont, somente crescem marginalmente melhor que os HS e muito 
mais lentamente que os AX e BX. Em ausência de tais fatores limitantes, os 
Brahma comem cerca de 20% menos alimentos que o HS de igual peso vivo. Este 
 
 
 
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foi o único fator identificado que contribui para a sua pequena percentagem de 
crescimento. Em condições de campo, a percentagem de crescimento dos HS é 
baixa porque os fatores limitantes ambientais limitam a ingestão. A percentagem de 
crescimento dos Brahma é baixa porque a ingestão voluntária de alimentos é 
inerentemente baixa. 
 Esta ingestão de alimento dos BX acha-se mais ou menos num ponto 
intermediário entre a dos HS e a dos Brahma. Foi herdada do genitor Brahma a 
aptidão para fazer frente às dificuldades ambientais e, por conseqüência, a 
ingestão de alimentos e o crescimento somente se reduzem marginalmente em 
presença daquelas dificuldades. Isto representa, termos simples, o que, com 
frequência, chama-se heterose dos mestiços. A combinação das características 
produtivas (ingestão e percentagem de crescimento inerentemente elevados) e as 
características de adaptação (resistência aos fatores limitantes ambientais) é o que 
confere, aos BX os atributos essenciais para uma percentagem de crescimento 
elevada em condições tropicais. 
 Os AX não estão tão bem adaptados como os BX às condições de 
Belmont. Não obstante, a ingestão voluntária de alimentos é maior nos BX, mas 
inferior nos HS. Na ausência dos fatores limitantes do meio tropical, cabe esperar 
que os AX cresçam mais rapidamente que os BX, mas menos rapidamente que os 
HS, já que a ingestão voluntária de alimentos é neste caso, o principal fator 
determinante da ordem de classificação quanto à percentagem de crescimento. 
Quanto as conseqüências práticas, FRISCH & VERCOE aceitam que, se pudessem 
identificar os principais fatores limitantes ambientais, sua importância relativa e as 
raças que podem fazer face a tais fatores, seria possível, em primeiro lugar, 
prognosticar a ordem da percentagem de crescimento que se espera dos diversos 
tipos raciais e, em segundo lugar, combinar mediante cruzamento, as resistências 
complementares de duas ou mais raças para obter um animal mais produtivo para 
um determinado ambiente. Ademais, poder-se-iam determinar as proporções 
desejáveis de atributos de produção e de adaptação. Nos ambientes tropicais mais 
favoráveis, os animais ½ “sangue” Bos taurus x Bos indicus podem ser os de 
crescimento mais rápido, ou talvez, os de um ¼ de sangue Bos indicus, quando as 
cargas de parasitas são leves e a nutrição é boa. Mas, à medida que os fatores 
limitantes ambientais se tornam mais rigorosos, especialmente o componente 
nutricional, pode fazer falta um animal de ¾ de sangue Bos indicus ou mais. 
 Ainda, segundo os autores, a percentagem de crescimento é somente 
um dos componentes da produtividade e em toda decisão deverá ser considerada 
também a aptidão reprodutiva, o temperamento e outros fatores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Modelo das razões das diferenças ao crescimento das
diferentes raças
P
es
o 
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ta
is
 (%
)
0
20
40
60
80
100
Peso vivo aos 15 meses em condições de campo
Carrapatos Helmintos Calor
Ceratoconjuntivite Flutuações nutricionais
G
HS AX BX BRAHMAN
E
G
E
G
E
G
E
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 13.Modelo as razões das diferenças quanto ao crescimento das diferentes 
raças. 
 G: Diferença em peso vivo devido a diferenças genéticas quanto ao 
apetite. 
 E: Diferença em peso vivo, devido a diferenças genéticas, quanto à 
resistência aos fatores limitantes ambientais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6) Outros Testes e Métodos 
 
 
 SILVA propõe o melhoramento do gado de corte tropical pela seleção 
simultânea para peso e tolerância ao calor. O autor trabalhou com garrotes e 
novilhas, da raça Canchim, os quais foram expostos à radiação solar direta por 7 
horas, sendo considerado o índice de tolerância ao calor, principalmente a 
magnitude do aumento na temperatura retal (Tr), do início ao fim do período de 
exposição à radiação. O ganho de peso foi calculado para o período da desmama 
(210 dias) aos 18 meses. Os resultados demonstraram, de maneira geral, que os 
animais com os maiores aumentos de Tr, durante os dias quentes, tiveram 
relativamente as mais baixas taxas de ganho. A herdabilidade de aumento na Tr foi 
0,44 + 0,27. 
 FINCH, com base na hipótese de que os mecanismos evaporativos de 
dissipação de calor nos bovinos estariam favoravelmente relacionados a uma 
temperatura corporal mais estável e ao ganho de peso, estudaram as respostas de 
sudorese e sua relação com a temperatura retal, tempo de permanência ao sol no 
pasto e taxa metabólica. Foram utilizados animais Brahma, Brahma x Hereford-
Shorthorn e Shorthorn. Os autores verificaram, que entre animais, a relação entre 
taxa de sudorese e temperatura retal média foi negativa e sua relação com o tempo 
gasto ao sol no pasto foi positiva, levando à conclusão que essa medida de taxa de 
sudorese foi um bom indicador da habilidade termorreguladora dos bovinos. 
Contudo, a taxa de sudorese dos garrotes não guardou relação com o tempo de 
pastejo ou ganho de peso. A taxa de sudorese correlacionou-se negativamente 
com a taxa de pastejo ou ganho de peso. A taxa de sudorese correlacionou-se 
negativamente com a taxa metabólica entre animais dentro de raças, sugerindo que 
pode ser difícil combinar as características desejáveis de boa adaptação ao calor 
com um alto potencial metabólico em bovinos. 
 Na Austrália, TURNER estudou a variação genética da temperatura 
retal em vacas e sua relação com a fertilidade. A fertilidade foi medida como o 
sucesso ou insucesso em produzir um bezerro, a termo, em duas linhagens de 
animais Bos taurus (Hereford x Shorthorn) e quatro linhagens de Bos indicus x Bos 
taurus onde se incluíram o Afrikander, o Brahma, o Sahiwal, o Hereford e o 
Hereford x Shorthorn. A depressão da fertilidade devida a susceptibilidade ao calor 
foi de 0,15 a 0,25 nas linhagens britânicas e 0,10 nos cruzados com sangue zebu. 
Mesmo nos cruzados zebus, relativamente tolerantes ao calor, e sob calor 
moderado no Trópico, tanto a temperatura retal média quanto sua variabilidade 
genética dentro de um rebanho teve grandes efeitos sobre a reprodução. A 
herdabilidade da temperatura retal foi 0,25 e sua correlação genética com 
fertilidade foi de 0,76. Com