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Apostila de Bioclimatologia I

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A umidade atmosférica alta interfere negativamente no desempenho 
produtivo dos animais segundo a literatura. Sua ação é mais intensa quando 
associada as altas temperaturas ambientes e seus efeitos já são acentuados a 
partir de 23,8ºC. 
 A literatura cita, que sob alta umidade já a 23,8ºC declinou a energia 
ingerida por vacas européias. Sob baixa umidade a ingestão manteve-se normal 
mesmo à temperatura de 35ºC. 
Umidade relativa de 73,5% com temperatura elevada, prejudica os 
processos fisiológicos dos bovinos europeus, não sendo muito efetados os 
zebuínos, com pré-disposição a ambientes deste tipo. 
O litoral paulista com umidade relativa de 80% em geral, altas 
temperaturas e regime de chuvas permanente (com excedente hídrico de 300 mm 
no período considerado seco seria facultado, apenas para a criação de zebuínos. 
As umidades relativas nas outras regiões de São Paulo, menos 
elevadas que do litoral não aparecem com elemento restritivo no zoneamento 
climático. Assim, apenas no litoral este fator apresentou importância no presente 
estudo. 
 Por ser a temperatura um componente do clima de maior importância 
na exploração pecuária foi considerado um fator essencial neste ensaio. 
As isotermas de São Paulo segundo o mapa do Instituto Agronômico 
de Campinas, são da ordem de 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22 e 23ºC. 
 
 
 
 
 
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A) Isotermas que caracterizam as regiões dos bovinos europeus (clima x 
exploração bovina), conforme NASCIMENTO e colaboradores. 
 
 
⇒ A temperatura crítica para lactação de vacas Holandesas é de 21ºC e de 24 a 
27ºC para Jersey e Parda Suíça; 
 
⇒ O baixo índice de tiroxina no sangue nas temperaturas críticas e superiores, 
impede uma produção láctea conveniente em vacas européias; 
 
⇒ A temperatura crítica para o consumo de alimentos em vacas Holandesas é de 
24 a 26ºC e em Parda Suíça de 29,5ºC; 
 
⇒ Temperaturas de 21 a 27ºC diminuem a porcentagem de gordura do leite. Acima 
de 27ºC há diminuição de sólidos não gordurosos; 
 
⇒ Torna-se muito difícil a criação de raças européias onde a temperatura média 
anual é superior a 18,3ºC; 
 
⇒ As condições mais adequados para o gado europeu, correspondem à média 
mensal inferior a 20ºC em todos os meses e umidade relativa de 50 a 80%; 
 
⇒ No Ceilão, apenas quando a temperatura média anual é inferior a 21ºC, os 
bovinos europeus conseguem desenvolver-se normalmente; 
 
⇒ Na prova de tolerância ao calor os bovinos europeus apresentam os mais baixos 
índices; 
⇒ Bovinos Shorthorn ganham pouco peso a 26ºC e eficiente a 10ºC; 
 
⇒ A 19,9ºC em Sertãozinho, São Paulo, bovinos europeus apresentaram pouca 
eficiência em prova de ganho de peso. 
 
 Os dados supra aconselham propiciar os isotermas de 14 até 19ºC 
para o gado europeu e seus mestiços. 
 
 
B) Isotermas que caracterizam as regiões de zebuínos (para o zebu Brahma). 
 
 
⇒ As isotérmas mais altas de São Paulo são inferiores às médias anuais das suas 
regiões de origem; 
 
⇒ A zona de conforto está entre 10 e 27ºC; 
 
⇒ A temperatura crítica alta é da ordem de 35ºC; 
 
⇒ A prova de tolerância ao calor oferece o mais alto índice; 
⇒ A produção de calor orgânico é menor que no europeu; 
 
⇒ Há menor exigência de refrigeração corpórea; 
 
⇒ Em ambientes quentes a eficiência nutricional é maior que no europeu. 
 
 
 
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 As considerações supra indicam as isotermas de 21, 22 e 23ºC como 
plenamente adequados aos zebuinos. 
 
 
C) Isotermas que caracterizam as regiões dos mestiços (cruzas europeu x 
zebuino). 
 
 
⇒ Os mestiços europeus x zebu tem tolerância ao calor intermediário às duas 
espécies ascendentes; 
 
⇒ Na prova de tolerância ao calor (prova de Ibéria), os mestiços apresentam 
índices intermediários, o zebu Brahma - 93, e o europeu Hereford - 73 e o 
Aberdeen Angus - 56. 
 
 Aos cruzados serão assim destinadas as áreas abrangidas pelas 
isotermas superiores a 19ºC e inferiores a 21ºC. 
 Segundo NASCIMENTO, a região litorânea paulista pela alta umidade 
relativa, fica excluída como área adequada a bovinos europeus, ainda que possa 
abranger isotermas inferiores a 21ºC. 
 Este autor comenta, que as observações e as provas de 
adaptabilidade (tolerância ao calor ) permitem afirmar que os animais com 50% ou 
mais de “sangue” zebuino (zebu-europeu), podem ocupar área destinada aos 
zebuínos sem maiores inconvenientes de ordem zootécnica. O mesmo será dito de 
bovinos com mais de 50% de sangue europeu, em relação as áreas mapeadas 
para gado europeu. 
 As linhas das temperaturas médias iguais (isotermas) não esclarecem 
sobre a ocorrência de máximas, eventualmente representando temperaturas 
críticas. A predominância dos períodos de conforto no total do ano pode contudo 
ser estabelecida pelas isotermas, pois parte do ano a temperatura estará abaixo da 
média, parte acima e parte em torno da média. Há assim duas ocorrências de 
temperatura favoráveis contra uma ocorrência de temperatura desfavorável. 
Acresce que estando a temperatura crítica para os bovinos europeus de modo 
geral, segundo pesquisas, situada de 21 a 27ºC, há nas zonas para eles mapeadas 
uma larga margem de conforto térmico, já que suas isotermas tem por limite 
superior a de 19ºC. 
 Mesmos nos períodos críticos, apenas em algumas horas do dia o 
desconforto afrontará aos bovinos europeus ou cruzados. Com o declínio da 
temperatura à tarde, o equilíbrio fisiológico é restabelecido conforme pesquisas. 
 Pelas observações efetuadas, o pastejo noturno é um valioso recurso 
prodigalizado aos animais nas estações em que a temperatura se mostra 
desfavorável. 
 As médias das máximas nos meses mais quentes do Estado de São 
Paulo, não ultrapassam a 32ºC. Nas regiões de origem dos zebuínos, as médias 
das máximas nos três meses mais quentes atingem aproximadamente a 40ºC. O 
excesso térmico não se apresenta assim como fator negativo, para o gado de 
origem indiana em São Paulo. 
 Nos meses mais frios, as médias das mínimas ainda se mantém 
dentro dos limites do conforto térmico para os bovinos europeus mestiços e 
zebuínos. Excepcionalmente para zebuinos as médias mínimas podem revelar-se 
 
 
 
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abaixo do limite de conforto (10ºC), ocorrência contudo de curtos períodos que não 
suscitam maiores problemas no processo criatório. 
 Segundo NASCIMENTO o objetivo desse estudo, foi propiciar um 
ambiente de razoável correlação positiva com as predisposições genéticas dos 
bovinos. Uma harmonia climática assim estabelecida, faculta aos rebanhos um 
adequado desempenho produtivo. 
 
 
 
A EFICIÊNCIA DOS RUMINANTES PARA UTILIZAR ALIMENTOS NOS 
TRÓPICOS 
 
 
 De longa data, a pesquisa científica tenta fazer modificações na 
composição bromatológica da biomassa alimentar e ajustamentos 
anatomofisiológicos e genéticos na máquina animal para melhorar a eficiência de 
utilização dos alimentos forrageiros, sobretudo pelos ruminantes nos trópicos, com 
as seguintes observações (VILLARES). 
 
1) A elevada produção de biomassa de gramíneas forrageiras nos trópicos, por 
mercê da riqueza de energia radiante, utilizada fotossinteticamente por plantas 
C4, não encontra paralelo quantitativo, mas revela insuficiência protéica original, 
além de eventual carência mineral, que podem ser facilmente corrigidas, com o 
objetivo de aumentar a eficiência de utilização da energia preexistente. 
 
2) As máquinas-animais homeotérmicas experimentam dificuldades para fazer a 
conversão de alimentos em utilidades no ecossistema de pasto nos trópicos, 
porque, ou não se adaptam ao calor, ou porque reduzem o consumo de matéria-
prima alimentar ou ainda desviam a energia dos alimentos para outras funções 
prioritárias que não as do processo produtivo, mais ou menos acentuadamente 
de acordo com seus recursos anatomofisiológicos específicos, sugerindo