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Diagnostico por imagem

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localiza na porção retroperitoneal circundando a uretra ou o colo da 
bexiga. Em cães é bilobulada e seu tamanho é variado, medindo de 1,3 a 3cm nos três 
planos (largura/ comprimento e espessura). Nos cães castrados, o tamanho da próstata está 
diminuído e os lobos prostáticos não são distinguíveis. 
No gato a próstata recobre a uretra dorsolateralmente. Seu comprimento é de 
aproximadamente 1cm e possui pouco significado clínico. 
 Sonograficamente se apresenta com parênquima de ecogenicidade homogênea e 
hipoecogênica em relação aos tecidos adjacentes, há simetria dos lobos e bordas lisas (fig. 
8.15 A). 
 
 ALTERAÇÕES PROSTÁTICAS 
 Hiperplasia prostática benigna (HPB): é a alteração de próstata mais comum em cães, 
principalmente com mais de 6 anos de idade. Ultrassonograficamente há aumento de 
volume prostático, parênquima homogêneo, podendo ser visibilizadas estruturas císticas 
múltiplas e difusas. 
 Cistos prostáticos: são áreas cavitárias focais ou multifocais, com conteúdo hipo ou 
anecogênico, correspondente a fluido. 
 Prostatite bacteriana: Na infecção aguda o exame ecográfico mostra áreas cavitárias 
preenchidas por líquido com imagem hipoecogênica, resultante de abscesso. 
 Neoplasias: os achados sonográficos incluem parênquima heterogêneo (fig. 8.15 B), 
áreas hipoecogênicas ou hiperecogênicas focais ou difusas sugestivas de mineralização. 
 
 68 
 
Figura 8.15 – A- Imagem de próstata normal com limites nítidos (setas) e uretra 
prostática evidente (estrutura anecogênica). B- Próstata com parênquima 
heterogêneo e contorno irregular. Neoplasia prostática. 
 
 SISTEMA URINÁRIO 
 A ultrassonografia do trato urinário permite a avaliação da forma, do contorno, da 
dimensão e da arquitetura interna dos órgãos que o compõem. 
 
 RINS 
Os rins são órgãos retroperitoneais circundados por tecido adiposo. 
 
 ANATOMIA ULTRASSONOGRÁFICA NORMAL DOS RINS 
 O rim direito localiza-se na fossa renal do lobo caudato do fígado e mantém 
proximidade com a adrenal direita, lobo direito do pâncreas e duodeno descendente, 
enquanto o rim esquerdo relaciona-se à grande curvatura do estômago, baço, lobo esquerdo 
do pâncreas e adrenal esquerda. Externamente são revestidos por uma cápsula fibrosa que 
produz eco brilhante quando o feixe sonoro incide perpendicularmente. Possui a cortical 
ecogênica, a medular (porção mais interna) hipoecogênica em relação àquela e uma região 
mais central correspondente à pelve renal que é hiperecogênica (fig. 8.16 A). Na região do 
hilo são observáveis a veia e a artéria renais. A dimensão renal em cães está relacionada ao 
peso, tamanho e condição corpórea. Porém, dimensões entre 6,0-9,0cm são consideradas 
normais no eixo longitudinal. A simetria dos rins é um dado mais útil. Felinos têm o 
comprimento renal variando entre 3,8-4,4cm em plano longitudinal. 
 A avaliação da relação córtico-medular, bem como a ecogenicidade cortical que é 
comparada com fígado e baço, servem para indicar alterações renais. 
A ultrassonografia do trato urinário é indicada quando há dor na região renal, 
hematúria, suspeita de massa abdominal ou doença policística, infecção urinária recidivante 
ou quando a função do rim está ausente na urografia excretora ou alterada em dados 
laboratoriais. A função renal não está correlacionada com o tamanho ou ecogenicidade dos 
rins. 
 
 ALTERAÇÕES DIFUSAS DO PARÊNQUIMA RENAL 
 A ecogenicidade cortical pode encontrar-se aumentada em patologias como nefrite, 
necrose, amiloidose, nefrocalcinose (fig. 8.16 B) e doenças renais terminais. Em felinos o 
aumento da ecogenicidade cortical também está relacionado a linfossarcoma difuso, 
peritonite infecciosa felina (PIF) ou pode ser considerado normal em gatos castrados. O 
diagnóstico diferencial é feito através de biopsia renal. 
A B 
 69 
Dioctofimose: causada pelo verme Dioctophyma renale, afeta principalmente o rim 
direito. Distorção anatômica do rim e presença de várias estruturas circunscritas ou lineares 
hiperecogênicas com conteúdo anecogênico podem sugerir a presença do verme (fig. 8.17 
A). 
 
 
Figura 8.16 – A- Imagem de rim de cão sem alteração em corte longitudinal. B- Hiperecogenicidade da 
cortical renal indicando nefropatia. 
 
 ALTERAÇÕES FOCAIS DO PARÊNQUIMA RENAL 
 
RINS POLICÍSTICOS 
 Os rins policísticos, como o nome sugere, apresentam múltiplos cistos, que são 
estruturas anecogênicas de forma e tamanho variados, podendo ser uni ou bilaterais. A 
doença policística renal é mais comum em gatos da raça Persa sendo identificada como 
doença autossômica dominante (fig. 8.17 B). 
 
 
Figura 8.17 – A- Imagem ecográfica de Dioctophyma renale no rim direito de um cão. B- Rins policísticos 
em felino. 
 
 CALCIFICAÇÃO E CÁLCULO RENAL 
 As calcificações podem aparecer em diferentes porções do parênquima renal ou 
formar linha hiperecogênica na medular ou na junção córtico-medular. Já os cálculos, 
independente da composição, são visibilizados ao exame ultrassonográfico na pelve renal e 
determinam sombra acústica bem definida (fig. 8.18). 
 
A B 
A B 
 70 
 
 Figura 8.18 – Imagem ecográfica de cálculos no rim 
esquerdo formando sombra acústica (setas 
pequenas). 
 
 NEOPLASIAS 
 Em cães e gatos a metástase renal é mais frequente que o tumor primário. Áreas 
heterogêneas são observadas, podendo determinar irregularidade no contorno do rim. A 
ecogenicidade é variável, sendo a biopsia renal indicada para o diagnóstico definitivo. 
 
 ALTERAÇÕES DE PELVE RENAL 
 
 HIDRONEFROSE 
 É a causa mais comum de aumento renal. Caracteriza-se pela dilatação do sistema 
coletor, secundariamente à obstrução. Sonograficamente a arquitetura interna do órgão é 
afetada em maior ou menor grau, dependendo da duração da obstrução. Em estágios 
avançados da doença, os rins podem apresentar-se como um saco de conteúdo 
hipoecogênico ou anecogênico. (fig. 8.19 A e B). 
 
 
Figura 8.19 – A- Imagem ecográfica de hidronefrose. Pelve renal (P). Em B ocorreu grande 
destruição do parênquima. 
 
 
P 
A B 
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 BEXIGA 
 A avaliação ecográfica da bexiga requer conteúdo no interior da mesma. 
Recomenda-se manter o paciente sem urinar por um período mínimo de 3 horas. 
 
 ANATOMIA ULTRASSONOGRÁFICA NORMAL DA BEXIGA 
Com o animal em decúbito dorsal, a bexiga é visibilizada cranialmente à pelve. É 
utilizada como janela acústica para avaliação de estruturas adjacentes como cólon, útero, 
próstata e linfonodos ilíacos. 
A bexiga normal apresenta-se como uma estrutura de forma piriforme, com 
conteúdo anecogênico (urina) (fig. 8.20 A), podendo tornar-se deformada por estruturas 
vizinhas (fig. 8.20 B). A parede é observada como uma camada dupla hiperecogênica, 
separada por uma linha hipoecogênica. A camada interna (mucosa) deve ser lisa e contínua. 
A espessura normal da parede vesical varia de 0,1 a 0,5cm nos cães e de 0,13 a 0,17cm nos 
gatos e deve ser considerada com uma distensão moderada. 
 
 
 Figura 8.20 – A- Imagem ecográfica de bexiga normal. B-Distorção no formato da bexiga causada pelo útero 
aumentado de volume (seta). 
 
 ALTERAÇÕES DA BEXIGA 
 
CISTITE 
Características como irregularidade da mucosa vesical e espessamento da parede 
com presença de sedimento podem ser observadas (fig. 8.21 A). O ato de sacudir o 
conteúdo vesical com o transdutor (balotamento), promove movimento do conteúdo com 
formação de redemoinhos compostos de pontos hiperecogênicos flutuantes (fig. 8.21 B). A 
cistite aguda pode não causar alterações sonográficas na parede vesical. 
 
A B 
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 Figura 8.21 – A- Imagem ecográfica demonstrando parede